Convocação para uma Semana de Ação Contra o Estado Alemão, de 7 a 13 de setembro de 2026

Para que fique claro: o fascismo está aqui. É hora de parar de seguir a vida com a sensação de estar vendo fantasmas. O fascismo está firmemente enraizado no “status quo” atual, e arrancá-lo pela raiz é a nossa tarefa. Em 6 de setembro, serão realizadas eleições estaduais na Saxônia-Anhalt, um reduto da AfD [partido de direita]. Muitos indícios apontam para a conquista da maioria absoluta pelo partido. Estamos cansados ​​de discutir redução de danos, voto estratégico ou as chamadas práticas democráticas em geral. Independentemente de a AfD vencer ou não, sabemos que as forças autoritárias atuais em todo o mundo ocidental estão se preparando para o fascismo e a guerra. E a Alemanha desempenha um papel importante nisso. Manifestações, correntes humanas e petições não mudarão o sistema; precisamos encontrar outras formas de agir. Faltam três anos para as próximas eleições gerais na Alemanha, e as pessoas que vivem lá precisam se preparar para um governo liderado pela AfD. Queremos discutir e colocar em prática o que é necessário para destruir as engrenagens do Estado. De uma perspectiva anarquista, pode surpreender que estejamos convocando esta semana de ação.

Não queremos cair em um ativismo cego que se oriente excessivamente pela política parlamentar. No entanto, decidimos que este é um bom momento para traçar uma linha divisória. Há inúmeras razões para atacar o Estado alemão. Um Estado em particular tem despertado muita revolta nos últimos anos e, infelizmente, não é a Alemanha. Tem sido inspirador ver perspectivas críticas sobre o estatuto de Estado ganharem força na luta contra o genocídio na Palestina; contudo, elas têm se concentrado quase exclusivamente em Israel. Acreditamos ser importante dedicar grande atenção, em nossa luta, aos Estados sob os quais vivemos; não existe Estado bom. Trata-se de um dos principais impulsionadores do desenvolvimento militar na UE, trabalhando para militarizar sua própria sociedade a uma velocidade vertiginosa. Questionários enviados pelo correio estão coletando informações sobre a capacidade de combate de pessoas registradas como homens em todo o país. A Alemanha tem a ambição de se tornar a maior força militar da Europa… novamente, e conta com boas oportunidades para isso: uma indústria gigantesca e uma economia baseada em salários baixos, o que torna atraentes os empregos no exército e na indústria bélica.

A infraestrutura civil e a “economia da paz” servem de base para a infraestrutura de guerra. A história da Alemanha nos lembra bem que nossos queridos trens são cruciais para o transporte de tropas, armas, recursos e prisioneiros por longas distâncias. Empresas que fabricam, por exemplo, máquinas industriais simples, eletrônicos ou peças de precisão para a indústria automotiva frequentemente integram cadeias de suprimentos militares. Hoje, praticamente todas as grandes cidades abrigam algum tipo de indústria militar — desde a produção de armas e equipamentos de radar até o desenvolvimento de drones. É hora de agir. A Alemanha vem caminhando em direção ao fascismo na última década (assim como muitos outros Estados), e não há dúvidas quanto a isso. Independentemente de qual partido vença as eleições de 6 de setembro, fascistas assumirão posições de ainda mais poder. Eles começarão a alterar a legislação e a atacar e denunciar publicamente todo tipo de projeto ou organização de caráter liberal ou emancipatório.

Eles prepararão o terreno para abusos, punições, agressões físicas e a criminalização de pessoas marginalizadas. Eles fomentarão o Estado policial e a censura. Já começaram, mas não se engane: após 6 de setembro, haverá pouca ou nenhuma chance de deter o fascismo por meio do Estado, pois eles próprios — ainda mais do que antes — serão o Estado. O que faremos depois de 6 de setembro? Acreditamos na escolha criteriosa de nossos alvos, levando em conta o impacto que isso possa ter na vida das pessoas que dependem deles. Sob um governo fascista, cada repartição pública e cada funcionário estatal fazem parte do sistema e o apoiam. Isso significa que, após a eleição, toda a infraestrutura do Estado — mesmo aquela aparentemente irrelevante — integra o governo fascista e, portanto, torna-se um alvo legítimo: cadeias, presídios, órgãos governamentais, agências de emprego, delegacias de polícia, quartéis, departamentos de registro de estrangeiros… Há alvos suficientes por aí. Precisamos começar a escolher alguns, planejar minuciosamente, manter sigilo e, então, entrar em ação. Sob um governo fascista, fascistas e nazistas se sentirão encorajados a circular pelas ruas e a agir com violência contra qualquer pessoa que não se encaixe em sua visão de mundo. É preciso estar preparado para isso. Discutindo o que fazer em caso de ataques, construindo redes de cuidado e defesa, reorganizando uma clandestinidade que foi enfraquecida nas últimas décadas. Não deixem que o que está acontecendo agora se torne normal. Como sempre, o segredo é realmente começar. Não há alternativa. A Alemanha deve morrer para que nós vivamos.

Fonte: https://actforfree.noblogs.org/2026/07/22/call-for-week-of-action-against-the-german-state/

Tradução > Reno Moedor

agência de notícias anarquistas-ana

velho sapato
lembra das caminhadas
solto no mato

Carlos Seabra

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