Onde estão os anarquistas?

Se o anarquismo quer ser mais do que crítica, ele precisa tocar o chão da vida. Precisa estar onde a luta acontece sem nome, onde o apoio mútuo já existe sem saber que tem esse nome. Precisa construir presença, relações, confiar no que já está vivo nas bordas. Porque se não chega, se não se envolve, se não escuta, se não se faz gesto — vira só mais um discurso bonito para circular entre iguais. Já temos informação demais. O que falta são experiências vivas. A sociedade está sufocada por dados, por teses, por diagnósticos. Já sabemos o que está errado, quem lucra com isso e quem sangra. Já mapeamos o sistema, suas engrenagens, seus monstros. O que estamos esperando?

O anarquismo não precisa de mais um livro. Precisa de vida. De pulsar no gesto, no coletivo, na partilha, no risco, na criação do agora. Voltar a viver é abandonar a torre, sair do grupo de leitura e entrar no mutirão. É experimentar, errar junto, inventar espaços de autonomia onde só havia cinzas. A revolta já é sentida nas periferias, nos povos originários, nas mães de luta, nas cozinhas coletivas, nos becos, nas margens. E o anarquismo precisa estar ali — não como teoria, mas como prática sensível, afetiva e concreta. O anarquismo precisa voltar a viver. E isso só acontece onde há corpo, chão e encontro.

Maurício Remigio

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