Punks cubanos: “Para entrar em seu único espaço de liberdade, primeiro tiveram que adoecer.”

No início dos anos 90, Cuba mergulhou em uma crise de apagões, fome e vigilância conhecida como o Período Especial. Os “frikis”, jovens marcados por ouvirem punk, metal e rock estrangeiro, sofriam prisões, expulsões e cortes de cabelo forçados. Alguns encontraram uma saída extrema: usar sangue de pessoas com HIV para serem internados em sanatórios estatais. Lá, recebiam comida, cama, atendimento médico e uma liberdade que lá fora não existia. Um dos primeiros foi Papo la Bala. Sua decisão se espalhou entre outros músicos e fãs, embora nunca tenha havido um número oficial. Eles não buscavam a morte imediata. Buscavam escapar de uma vida que já sentiam como um beco sem saída.

Dentro dos sanatórios, formaram bandas com instrumentos improvisados: fios de telefone usados como cordas, buzinas de papelão e baterias construídas com radiografias. Desse confinamento surgiu Eskoria, considerada uma peça central do punk cubano. Os médicos permitiam shows, fitas cassete do Nirvana e encontros que, lá fora, teriam atraído a polícia. Mas o refúgio tinha um custo gravado no corpo. Muitos morreram ainda jovens; outros contagiaram seus parceiros sem compreender totalmente a transmissão do vírus. Anos depois, sobreviventes como Gerson e Yoandra contaram a história sem apresentá-la como um feito. Foi uma escolha nascida da fome, do isolamento e do desespero. Para entrar em seu único espaço de liberdade, primeiro tiveram que adoecer.

agência de notícias anarquistas-ana

Uva madura!
Até as abelhinhas
querendo provar.

Rosiele Gonçalves Pacheco – 12 anos

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