[Porto Alegre-RS] Respondendo ao chamado de agitação pela companheira Mônica Caballero

A solidariedade entre anarquistas passa não apenas pela mão terna com nossos companheiros, ela se complementa com respostas desde a propaganda até o ataque. Isso porque aqueles com quem solidarizamos transitaram precisamente por esses caminhos.

No caso da companheira Mônica Caballero, sequestrada pelo estado chileno e prestes a ter uma audiência de progressão de regime, nosso aceno nesta semana de agitação é pelos ataques com os quais esteve relacionada, ou acusada, ataques que acertadamente souberam responder diferentes momentos e contextos de opressão. Pela sua atitude diante do inimigo contra quem soube gritar Viva a Anarquia. Pelo seu silêncio cúmplice, importante para não colaborar com circos jurídicos nem midiáticos. Pela dignidade, luta, firmeza e solidariedade que leva adiante desde as prisões. Por cada letra, carta e desenho que desde lá segue nos incitando a procurar que Viva a Anarquia.

No amanhecer do 23 de março, ascendemos uma fogueira numa passarela do bairro burguês e de extrema direita Moinhos de Vento, e penduramos uma faixa com os dizeres:

Do Bra$il até o $hile

Liberdade Mônica Caballero

e Fora CMPC!

Alguns anarquistas pela anarquia!

A CMPC empresa da celulose e monocultivo de eucalipto do Chile pretende instalar uma nova mega fábrica de celulose aqui na beira do Rio Guaíba, degradando a terra, o ar, a água, em nome do lucro e em detrimento da vida.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/03/18/chile-semana-de-agitacao-pela-libertacao-da-presa-anarquista-monica-caballero-sepulveda-de-23-a-29-de-marco/

agência de notícias anarquistas-ana

No olhar do companheiro
que constrói sem pedir licença,
o amanhã inteiro.

Liberto Herrera

[Espanha] Como ganharam a batalha da memória


Por que uma dívida exigível nunca foi exigida? Por que nenhuma administração pediu qualquer reparação ao Estado italiano pela intervenção fascista de 1936-39? Um Estado italiano que ainda hoje reclama da Alemanha indenizações pelos crimes de guerra de 1944.

800 aviões de combate, entre caças e bombardeiros. Um exército terrestre de cerca de 75.000 homens. Artilharia, blindados, submarinos e navios de guerra. Hospitais de campanha, veículos de transporte, combustível, técnicos.

Realização da ponte aérea para levar as tropas coloniais de Marrocos à Andaluzia. Bloqueio do Mediterrâneo para impedir o abastecimento da República. Bombardeios de saturação em cidades e povoados para semear o terror na “retaguarda”. Destruição sistemática de infraestruturas civis ao longo de toda a costa catalã e valenciana. Ocupação de Maiorca, com massacres de opositores.

Os militares italianos enviados por Mussolini não foram um mero episódio da “guerra da Espanha”, mas sim, junto com os nazistas, um trunfo decisivo para o sucesso do golpe de estado franquista.

E, no entanto, ninguém, desde a morte do ditador, reclamou ao Estado italiano qualquer ressarcimento ou reparação, nem mesmo simbólica. Uma anomalia, já que após a II Guerra Mundial, na conferência de Paris de fevereiro de 1947, a Itália teve que ceder territórios à Iugoslávia, França, Grécia, retirar-se das colônias, desmantelar grande parte do exército e da marinha e pagar indenizações econômicas à Iugoslávia, Grécia, União Soviética, Etiópia, Albânia. Egito e Líbia receberiam compensações mais tarde (a Líbia em 2010).

Este “esquecimento” incompreensível perdura ainda: as últimas leis de memória “democrática” dedicam 4 linhas genéricas ao papel das potências do Eixo, apesar das provas aportadas pela pesquisa historiográfica, talvez pela dificuldade de encaixá-lo no relato de uma “guerra civil, entre irmãos”.

O livro “Desarmados e cativos” recolhe a experiência – a partir de 2007 – de campanhas e iniciativas dirigidas a obter “verdade, justiça, reparação e garantia de não repetição” efetivas, denunciando a manipulação da história em que se baseia a narração oficial da transição e as cumplicidades que tornaram possível a aceitação, inclusive por parte de entidades memorialistas, da incrível impunidade de que gozaram e gozam pessoas, empresas e instituições que criaram ou consolidaram seus próprios privilégios durante a guerra e o franquismo. Uma manipulação da história que implica a anulação de violações gravíssimas e imprescritíveis de princípios fundamentais do direito internacional (o reconhecimento de dívidas de guerra ou a perseguição dos crimes de lesa-humanidade) e dos valores que devem inspirar uma sociedade formalmente respeitadora dos direitos fundamentais (da dignidade humana, não subordinável à razão de estado).

As reparações ainda são exigíveis, por via diplomática e judicial, apesar das anistias (a Itália também fez uma e, no entanto, seus tribunais julgam os crimes nazistas), e também não estão sujeitas a prescrição. E desde 2008, realizaram-se campanhas com propostas concretas para exigir ressarcimentos por via penal e civil (na Itália). Por que, então, as vítimas catalãs (e dos outros povos do estado) são as únicas que não receberam qualquer reparação por parte dos governos que sucederam ao regime fascista de Mussolini? Governos de uma República antifascista que até 1967 (Mussolini havia sido executado em 1945) cobrou de Franco o material bélico enviado ao bando golpista pelo fascismo italiano.

As culpas das cínicas autoridades italianas são evidentes, mas ainda mais sangrentas, se possível, são as responsabilidades das administrações, instituições, partidos e organizações sociais do estado espanhol.

A inibição de ministérios espanhóis e da diplomacia desse estado na hora de tutelar os direitos de seus cidadãos agredidos pelo fascismo internacional é a enésima demonstração de que o reino da Espanha mantém uma continuidade orgânica com o regime franquista e não com a agredida República (a intervenção italiana foi denunciada como ilegal pelos governos republicanos nos fóruns internacionais). Resulta, no entanto, incompreensível a passividade da Generalitat e das outras instituições catalãs (Câmaras Municipais, Parlamento), já que são continuadoras daquelas que então reclamaram a condenação da pirataria de aviões e navios italianos. Interpeladas reiteradamente ao longo destes anos, em nenhum momento quiseram empreender iniciativas legais ou políticas e nem sequer acompanhar vítimas intencionadas a fazê-lo. Uma prova também, mais uma, de uma “cultura” política para a qual a ideia da administração e da política como serviço a uma sociedade/cidadania soberana é retórica vazia, simples marketing eleitoral.

Infelizmente, tudo deve ser dito, as campanhas objeto do livro “Desarmados e cativos” também não tiveram o apoio, para além das habituais adesões simbólicas, por parte das organizações e dos espaços libertários, autônomos e das esquerdas radicais, seja por desconfiança em relação a iniciativas não surgidas nos respectivos âmbitos, ou seja, por outras, inexplicadas, razões.

De modo que, após anos de tentativas falhadas e em meio à indiferença geral, também se fecha esta possível brecha na narração hegemônica da guerra de 36/39, consolidada a golpes de leis de memória democrática que branqueiam o regime de 78 e enésimo escárnio para as últimas sobreviventes, meninas então, daquela barbárie, que vão deixando este mundo sem ter recebido justiça e reparação de nenhum tipo.

Fonte: https://federacioanarquista.wordpress.com/2026/02/11/com-han-guanyat-la-batalla-de-la-memoria/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Este álbum de fotos:
Também as traças se nutrem
De velhas lembranças

Edson Kenji Iura

[EUA] PIU #7 buscando contribuições

Plastic in Utero: um jornal de anarquia anti-civilização renascido do composto da modernidade devastada está recebendo contribuições para a edição nº 7!

Estamos procurando perspectivas inovadoras, criativas e instigantes sobre nossa condição civilizada atual. Prazo para envio da edição nº 7: 31 de maio.

Nesta edição, vamos falar sobre saúde. Como sempre, não queremos restringir a criatividade das contribuições, então vale o que você considerar relevante ou interessante. Pode significar uma discussão sobre a condição mental, emocional e/ou social de um indivíduo. Pode ser a saúde da humanidade coletiva ou da biosfera. Também pode significar uma crítica à própria ideia de saúde como algo dotado de sentido.

Formato:

Em formato de zine tipo digest: fonte Times New Roman tamanho 9 ou 10, em duas colunas.

Tamanhos máximos:

– Ensaios e textos criativos: 2.500 palavras

– Poemas: 2 páginas (por favor, incluir observações sobre formatação)

– Cartas: aproximadamente 350 palavras

– Artes visuais: 2 páginas contínuas (ou qualquer quantidade de peças menores)

Cópias pelo correio? Enviar para:

Uncivilized Distro

Po Box 72

Seymour, IL 61875 – EUA

Envios digitais? Enviar para: tmwg1995[@]protonmail.com

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

A orquídea –
a cada instante
o silêncio é outro.

Constantin Abaluta

[Irlanda] ICL-CIT: Lutem contra os ricos, não contra as guerras deles!

De fato. Nossos camaradas irlandeses estão certos. Independentemente do que se possa pensar sobre a atual situação internacional (e há muito a ser dito), uma coisa é certa: a maioria das vítimas será da classe trabalhadora e seremos nós que arcaremos com o peso do conflito. Os ricos não serão afetados pelo desfecho da mesma forma que os trabalhadores serão.

Cidadãos comuns e pessoas simples estão sendo assassinados aos milhares por regimes em todo o mundo. São nossos camaradas e colegas de trabalho em todo o mundo que estão sofrendo as consequências das decisões tomadas pelos poderosos e seus representantes no governo. Seja uma campanha de bombardeios, uma guerra sem fim, um tiroteio por agentes federais, repressão descarada e assassina ou na ponta de um drone, o sangue de milhares está escorrendo pelas ruas.

Enquanto isso, os ricos ficam mais ricos, aconteça o que acontecer. A desigualdade aumentou enormemente nos últimos anos, e não será diferente desta vez. Não se enganem: aconteça o que acontecer, eles encontrarão uma maneira de lucrar com isso. As contas de serviços públicos podem subir, e pode muito bem ser uma luta para pagar as contas. As taxas de desemprego e a inflação podem aumentar. Isso não importa para aqueles que têm muito dinheiro ou cujo sustento não depende de um salário ou de um emprego, mas importa para nós. Nós sofreremos; eles não. O que é uma crise para nós, é uma oportunidade para eles.

Cada situação e cada conflito são únicos. Dependendo das opiniões e dos pontos de vista, cada pessoa atribuirá a culpa de maneira diferente. Além disso, nada acontece no vácuo.

Normalmente, os confrontos têm uma história longa e prolongada que pode remontar a décadas.

Dependendo de que lado da cerca se está, historicamente e atualmente, pode-se escolher um dos lados envolvidos em detrimento dos outros. Mas uma coisa é certa: os trabalhadores são bucha de canhão nas mãos de quem manda!

Somente a solidariedade pode reverter essa situação. Trabalhadores em todo o mundo estão se recusando a dar uma mãozinha a regimes assassinos, enquanto se organizam em antecipação a crises futuras. Da próxima vez que o mercado de ações despencar ou uma bolha financeira estourar e eles tentarem repassar as repercussões para nós, os ricos e poderosos encontrarão uma classe trabalhadora determinada que vem construindo seus sindicatos locais e sua organização internacional nos últimos anos. Ainda há muito a fazer. Você vai se juntar a nós?

Agora, mais do que nunca, em meio à agitação internacional, lute contra os ricos e não contra as guerras deles!

Fonte: https://www.onebigunion.ie/post/icl-cit-fight-the-rich-not-their-wars

Tradução > Reno Moedor

agência de notícias anarquistas-ana

Entre as antenas
E as casas todas iguais –
Quaresmeiras!

Paulo Franchetti

[Austrália] Defendam o povo do Irã

Declaração da Federação Comunista Anarquista

O Irã enfrenta mais uma guerra imperialista. Depois de enrolar o lado iraniano com negociações em torno de seu programa nuclear, os Estados Unidos e Israel iniciaram os bombardeios em 28 de fevereiro. Eles assassinaram o Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e muitos outros membros do alto escalão do regime iraniano, causaram grandes danos às defesas aéreas e às instalações de lançamento de mísseis e deram atenção especial ao ataque à marinha iraniana. Os assassinatos causaram inúmeras vítimas em áreas residenciais de várias cidades iranianas e, em um exemplo hediondo para o qual nem Israel nem os EUA se dispuseram a dar uma explicação, um míssil atingiu uma escola de meninas na cidade iraniana de Minab, matando 165 pessoas.

A resposta do Irã tem sido dispersa – lançando foguetes e drones contra uma ampla gama de alvos na região, tanto militares quanto civis. O Hezbollah entrou na guerra ao lado do Irã, após o que Israel invadiu o Líbano. A mídia divulga rumores de uma invasão iminente do Irã por forças curdas do Iraque.

Não derramamos lágrimas pelo aiatolá Khamenei, pois ele era um tirano sanguinário, responsável por esmagar várias revoltas populares contra o regime iraniano. Ainda em janeiro deste ano, ele ordenou o pior massacre da história da República Islâmica, quando as autoridades mataram milhares de pessoas para reprimir uma onda de manifestações massivas que clamavam por sua derrubada.

Já apelamos anteriormente para que os trabalhadores iranianos derrubem os aiatolás e voltamos a fazê-lo.

Mas a vingança pelos crimes de Khamenei e de sua camarilha de clérigos reacionários cabe à classe trabalhadora, não aos Estados Unidos ou a Israel. A campanha de bombardeios deles não tem como objetivo libertar o povo do Irã, mas sim subjugá-lo. O presidente dos EUA, Trump, está enviando mensagens contraditórias sobre seus objetivos de guerra, de modo que não se pode afirmar com certeza se ele visa o retorno do xá, o surgimento de algum outro líder da oposição de dentro do país ou encontrar algum traidor dentro do regime para governar o Irã em nome dos EUA, como ocorreu na Venezuela. Seja qual for o mecanismo, porém, o resultado exigido é que o Irã seja esmagado sob o jugo de ferro do imperialismo norte-americano.

O que deve ser feito?

Os trabalhadores de todo o mundo devem sair em defesa do povo do Irã e tentar paralisar as máquinas de guerra dos EUA e de Israel. Na Austrália, nossa tarefa é romper a aliança com os EUA. Concretamente, precisamos fechar as bases americanas, as bases australianas envolvidas em colaboração substancial com as forças armadas dos EUA e todas as instalações de inteligência que contribuem para o esforço militar americano. Em particular, precisamos fechar Pine Gap, que é um elemento-chave no sistema global de satélites espiões dos EUA e fornece informações aos EUA e a Israel para auxiliar na seleção de alvos de bombardeio. Pine Gap deve ser privado de eletricidade, água, largura de banda de comunicações e todos os tipos de suprimentos.

Para conseguir isso, porém, precisamos transformar nosso movimento sindical, que é liderado por um bando de covardes incapazes de defender as organizações que presidem. Precisamos reconstruir os sindicatos e precisamos construir o poder da base nos sindicatos para desafiar os dirigentes, que estão comprometidos com o ALP, que por sua vez está comprometido com a aliança com os Estados Unidos. A luta para defender o Irã é parte integrante da luta para reconstruir um movimento sindical combativo na Austrália. Toque em um, toque em todos.

ACABEM COM O ANZUS!

PAREM O AUKUS!

FECHEM PINE GAP!

Fonte: https://ancomfed.org/2026/03/defend-the-people-of-iran/

Tradução > Reno Moedor

agência de notícias anarquistas-ana

terno salgueiro
quase ouro, quase âmbar
quase luz…

José Juan Tablada

Chamamento conjunto de objetos de consciência e resistência ao alistamento da Turquia, Chipre, Grécia e Israel: Não à guerra contra o Irã!

Nós, como vozes contra a guerra desde Turquia, Chipre, Grécia e Israel, também lançamos um grito comum contra os ataques em curso contra o Irã e a expansão do conflito. Este grito não é pelo poder dos Estados e dos exércitos, mas sim pela liberdade dos próprios povos.

Cada novo ataque, cada novo front, significa um grande perigo para a população civil em toda a região. Sob os bombardeios, as sirenas e as evacuações forçosas, a gente luta simplesmente para sobreviver. À medida que a geografia da guerra se expande, o espaço para a paz, a liberdade de expressão e a democracia se encobrem.

A guerra não é imposta apenas nos campos de batalha, mas sim em todos os aspectos de nossas vidas cotidianas. O colapso econômico, a divisão social, a contaminação acelerada e um clima permanente de medo são as cadeias invisíveis que o militarismo oprime as sociedades. Rejeitamos essas cadeias.

Os ataques contra o Irã ameaçam desatar um fogo que pode devorar todo o Oriente Médio. Desde o Líbano até Chipre, desde o Golfo até a Turquia, esta guerra põe em perigo o futuro compartilhado de todos os seus povos. A paz não é apenas uma exigência para o Irã, mas sim para toda a região implicada.

Este ato de solidariedade é um apelo à paz que ultrapassa fronteiras. A segurança das pessoas não provém das políticas belicosas dos governos, mas de sua própria organização, de seu diálogo e de seu apoio mútuo. Os Estados fabricam a guerra; os povos defendem a vida.

Rejeitamos a reprodução da violência e nos empenhamos em fortalecer a segurança coletiva e a estabilidade social.

As políticas de guerra enfraquecem as condições de vida das sociedades, enquanto as soluções voltadas para a paz ampliam a liberdade, sustentam a vida e aprofundam a solidariedade. A ocupação e a agressão apenas geram uma espiral de novas crises; enquanto a paz garante o futuro comum dos povos.

Hoje, levantamos a voz em um apelo para proteger o futuro. Ampliemos as geografias da paz, não as da guerra.

O futuro compartilhado dos povos deve ser construído não à sombra das armas, mas sob a proteção da livre vontade das próprias comunidades.

Pela objeção de consciência e pela resistência ao alistamento, em prol da paz!

Fonte:  https://www.pressenza.com/es/2026/03/llamamiento-conjunto-de-objetores-de-conciencia-y-resistentes-al-reclutamiento-de-turquia-chipre-grecia-e-israel-no-a-la-guerra-contra-iran/

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No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge –
Ah, o caminho da montanha!

Matsuo Bashô

[EUA] O Plano Anarquista para Roubar a Mona Lisa

Cópias encadernadas de O Complô Anarquista para Roubar a Mona Lisa (The Anarchist Plot To Steal The Mona Lisa) podem ser encontradas aqui.

INTRODUÇÃO

Poucas pessoas sabem que os anarquistas franceses da década de 1890 financiaram o movimento através de roubos, ou desapropriações, e ainda menos sabem que anarquistas roubaram a Mona Lisa do Louvre em 1911. No entanto, os fãs do sucesso da Netflix Lupin  já absorveram o legado desses ladrões anarquistas, pois o Lupin do título foi baseado no lendário ladrão anarquista Alexandre Marius Jacob, chefe da infame gangue dos Trabalhadores Noturnos, cujos roubos ousados ressoam até hoje, em 2026.

Antes dos Trabalhadores Noturnos, os anarquistas franceses da década de 1890 começaram seu empreendimento criminoso com um ladrão chamado Émile Henry, que foi muito demonizado por historiadores, até mesmo anarquistas. De qualquer forma, Émile era um jovem anarquista que se tornou ladrão em vez de seguir carreira acadêmica, e logo ficou famoso por suas bondades, sendo a mais famosa o roubo de uma vaca, que entregou em segurança a uma camponesa pobre. Embora seja conhecido pela história como um sanguinário que explodia bombas, Émile, na verdade, tinha alma bondosa e sensível, o que o levou ao primeiro grande ataque.

Em 1892, quando os pobres grevistas da mina Carmaux foram esmagados pelos capitalistas e traídos por políticos socialistas, Émile decidiu explodir os escritórios da empresa de mineração em Paris. Por artimanha do destino, a bomba foi encontrada pela polícia e levada para a delegacia, onde explodiu repentinamente, matando quatro policiais e uma secretária. Após essa explosão inesperada, Émile fugiu, mas contou com muita ajuda dos camaradas anarquistas.

Um dos seus amigos foi o crítico de arte anarquista Félix Fénéon, que o ajudou a escapar para a Inglaterra por meio de contatos como Oscar Wilde. Outro amigo que o ajudou foi o anarquista Charles Malato, que já havia fugido para Londres. Presos nesse exílio, Émile e Charles ajudaram a formar uma equipe de assaltantes, entre eles Leon Ortiz, Louis Matha e Paul Chericotti. Essa equipe assaltou várias lojas e casas tanto na Inglaterra quanto na França, com furtos se aproximando cada vez mais de Paris. No entanto, Émile foi muito afetado pelas execuções dos anarquistas Ravachol e Vaillant, e decidiu explodir um alvo capitalista como vingança.

Infelizmente para todos, Émile não conseguiu encontrar um alvo adequado, então escolheu o Café Terminus, de classe média, onde matou e feriu pessoas aleatórias com a bomba, só para ser capturado instantaneamente. A maioria das pessoas não sabe que a equipe de assaltantes de Émile o ajudou com os atentados a bomba, incluindo Louis Matha e Leon Ortiz, assim como ajudaram a desmontar o laboratório de bombas após o ataque. O ato de Émile desencadeou uma onda de repressão, e logo quase todos os seus companheiros estavam presos e colocados no infame Julgamento dos Trinta.

Enquanto intelectuais anarquistas como Félix Fénéon foram considerados inocentes, ladrões anarquistas como Leon Ortiz e Paul Chericotti foram condenados a trabalhos forçados na Guiana Francesa. Como muitos sabem, Émile Henry foi guilhotinado pelo Estado francês, embora logo tenha sido vingado pelo anarquista italiano Sante Caserio, que esfaqueou o presidente da França no peito. A repressão que se seguiu a esses atos foi imensa, quase esmagando o movimento anarquista francês, mas, uma vez recuperados, uma nova equipe de assaltantes foi rapidamente estabelecida, desta vez bem ao sul, em Marselha.

Foi na metrópole litorânea que Louis Matha e Charles Malato conheceram um jovem anarquista chamado Alexandre Marius Jacob, e logo treinaram o novo ladrão, que saquearia a República como os seus predecessores. De 1899 a 1903, Alexandre e os Trabalhadores Noturnos trouxeram mais de um milhão de francos para o movimento anarquista, e os lucros foram divididos entre um grupo central de anarquistas que se reuniam no Café Muniez em Paris. Entre eles, Louis Matha, Jean Grave, Émile Pouget e Félix Fénéon, todos ex-réus no Julgamento dos Trinta.

Infelizmente, o grande Marius Jacob foi capturado em 22 de abril de 1903, e a épica onda de crimes dos Trabalhadores Noturnos terminou. Sem maneira fácil de obter centenas de milhares de francos, o crítico de arte Félix Fénéon decidiu focar em criar um cartel de arte usando jovens anarquistas como Pablo Picasso e, em 1906, o astuto Félix já havia se tornado negociante de arte em uma grande galeria parisiense. Poucos meses após conseguir essa posição lucrativa, um ladrão de arte anarquista roubou duas estátuas supostamente africanas do Louvre e as vendeu para Picasso, que passou a replicar seus rostos de pedra nas suas pinturas, trazendo, assim, a arte africana para galerias europeias e escandalizando a burguesia racista.

Esse ladrão anarquista de estátuas não estava só arrecadando alguns francos com Picasso, estava testando a segurança no Louvre, com o seu último roubo de estátua ocorrendo poucos meses antes do maior assalto de todos, o roubo da Mona Lisa. Quando a ilustre pintura desapareceu, em 21 de agosto de 1911, a polícia acabou descobrindo a ligação de Picasso com as estátuas roubadas, embora estivessem tão distraídos com ele e seus amigos artistas, que não perceberam o plano maior.

A história completa desse lendário roubo agora é narrada em O Plano Anarquista para Roubar a Mona Lisa, um estudo em formato de livro sobre esses artistas e ladrões anarquistas, desde as origens, na década de 1880 até a década de 1910, quando organizaram o roubo da Mona Lisa. Não só roubaram a pintura, a mantiveram tempo suficiente para vender seis falsificações para grandes capitalistas como JP Morgan, gerando, assim, o equivalente a mais de um bilhão de dólares em moeda atual. Uma história de crime real como nenhuma outra.

Fonte: https://thetransmetropolitanreview.wordpress.com/2026/03/13/the-anarchist-plot-to-steal-the-mona-lisa/

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

Dança da mulher molhada
Ao vento o galho
Orvalho nas pétalas.

Silvia Mera

[Bélgica] Nem guerra nem “paz”, revolução

Hoje, não podemos mais ignorar o fato de que guerras, massacres e genocídios se espalham e intensificam em todos os lugares: Congo, Sudão, Iêmen, Mianmar, Palestina, Ucrânia, Irã, Líbano, … Governos continuam inventando desculpas para bombardear: atacar para se defender, matar para proteger, atacar para libertar…

Na Europa, o discurso sobre a chamada “paz eterna” pós-Guerra Fria teve seu momento. Hoje, a propaganda militarista recomeça: soldados que vão às escolas divulgar a profissão; tem propaganda de defesa em toda parte, nas ruas, na internet e nos cinemas; a carta de Théo Francken [Ministro da Defesa e do Comércio Exterior] endereçada a todos os jovens de 17 anos convidando ao alistamento para serviço militar voluntário; conselhos sobre kits de sobrevivência; e o escambau… Em toda parte, impõem a ideia de que se deve preparar para a guerra, preparar para lutar, preparar para “perder os filhos”. A guerra é inevitável? Não dá para imaginar outra perspectiva possível?

A guerra é a fatalidade do capitalismo, não é nossa!

Porque quando o sistema capitalista está em crise, a guerra é uma das “soluções”, conferindo ao sistema econômico um mecanismo de destruição e reconstrução e de controle social.

O sistema capitalista precisa de guerra, por muitos motivos. “Assegurar” e se apropriar de territórios; controlar recursos naturais; desviar a atenção da população das crescentes tensões políticas internas e da miséria; criar “unidade” diante de um inimigo externo e estabelecer o patriotismo; disciplinar a população, inclusive marginalizando e reprimindo os considerados ameaçadores; reprimir revoluções e movimentos sociais, como, por exemplo, na Síria ou no Sudão; para justificar o fortalecimento das estruturas estatais, a vigilância e o aumento dos orçamentos militares, gerando uma “economia de guerra”, muito útil quando há períodos sem conflito no próprio território. A guerra é lucrativa. Se há alguém que sempre sai vitorioso nas guerras, é a indústria armamentista!

A guerra nunca será do nosso interesse e como o sistema não pode sobreviver sem ela, é necessária a solução: destruir esse sistema!

É essencial lutar aqui, por nossos próprios meios e na nossa escala: nos organizar sem autoridade, descentralizar a luta, nos empoderar e fortalecer as lutas contra o Estado.

Sabotar a máquina de guerra; fazer oposição às guerras dos Estados; apoiar desertores de todo o mundo; solidariedade com lutas e revoltas; atacar as indústrias de armamentos; recusar-se a participar do esforço de guerra; resistir à propaganda; espalhar ideias antimilitaristas; defender uma perspectiva internacionalista.

Diante da lei dos mais fortes, no opomos com solidariedade e ajuda mútua. Diante da ordem de defender esse sistema contra um inimigo externo, nos opomos atacando aqueles que nos oprimem. Diante da máquina da morte, lutar por uma vida de liberdade.

Nem guerra nem “paz”, revolução.

Assembleia Antimilitarista – Bruxelas

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

O peixe mergulha
do seu salto sobre a rocha:
o rio não para.

Everton Lourenço Maximo

[Itália] Irã. Desertemos a guerra!

O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã desencadeou uma escalada bélica que está incendiando a área entre o Mediterrâneo e o Golfo Pérsico.

Uma deflagração em nível global parece cada vez mais próxima.

O risco para quem se opõe ao regime teocrático iraniano numa perspectiva internacionalista, de classe e antipatriarcal é que o regime, enfraquecido após a insurreição de janeiro, se fortaleça diante dos ataques.

Os Estados Unidos e Israel não se importam nada com as aspirações de liberdade que custaram nada menos que vinte mil mortos e dez mil prisioneiros políticos àqueles que escolheram desafiar a República Islâmica.

Trump não visa uma mudança de regime que responda às demandas dos insurgentes porque lhe basta arrancar acordos favoráveis no setor energético.

O que está em jogo para os Estados Unidos é o controle dos recursos e do Estreito de Ormuz, o isolamento da Rússia, o fim do comércio de hidrocarbonetos com a China.

Israel tenta acertar contas com o Hezbollah, aproveitando-se das divisões entre os xiitas libaneses.

É uma operação arriscada, especialmente se o governo israelense não se contentar em controlar a faixa até o rio Litani, tentando uma operação terrestre mais profunda, que poderia ser muito desafiadora militarmente e geradora de novos protestos e iniciativas derrotistas no front interno. Netanyahu anda na corda bamba, com um movimento calculado para chegar às eleições em posições mais fortes. O governo do Likud e seus aliados da extrema direita religiosa aposta na expansão na Cisjordânia e na guerra para evitar uma rejeição nas urnas, que decretaria o fim político do primeiro-ministro e da atual aliança governista. No entanto, a carta da união diante de um inimigo histórico corre o risco de se desgastar, especialmente se o conflito não for breve: do norte do país, atingido por uma chuva de mísseis, milhares fogem novamente.

30% da população de Israel, a mais pobre, não tem abrigos seguros contra as bombas.

As guerras comerciais da administração Trump não surtiram os efeitos esperados, corroendo parte do apoio conquistado ao prometer o retorno à era de ouro, com os EUA novamente como centro da economia mundial.

As pesquisas indicam uma perda seca de apoio que poderia ser desastrosa nas eleições de meio de mandato.

A administração Trump, após o golpe de mão na Venezuela, joga mais uma vez a carta militar, porque é o único âmbito em que mantém uma indubitável superioridade sobre seus competidores mais fortes.

Uma aposta não isenta de riscos, como demonstram os trágicos resultados das guerras desencadeadas pelos EUA no Iraque e no Afeganistão. Países onde o poder militar estadunidense permitiu uma vitória em campo que se transformou em derrota, porque a ferocidade da ocupação militar, a ausência de aliados sólidos, que apenas massivos investimentos a fundo perdido poderiam ter garantido, levaram a retiradas que demonstram a incapacidade estadunidense de implementar seus projetos coloniais.

O Irã não é a Venezuela. Provam-no os ataques muito mais fortes e incisivos em comparação com as pantomimas realizadas durante a guerra dos 12 dias em junho passado.

Não só.

Quinze dias após o início desta nova e cruel fase do conflito, os Estados Unidos e Israel, embora tenham infligido duríssimos golpes ao aparato militar iraniano, massacrando mais de mil civis, não parecem capazes de controlar a situação. A tentativa de usar as milícias curdas iranianas foi até agora rejeitada pela recém-nascida coalizão dos partidos da área curdófona do Irã.

O caos sistêmico a que Trump provavelmente visa poderia abalar as alianças estadunidenses na área, que hoje já são menos sólidas que no passado.

Basta pensar num país como a Turquia, um aliado histórico que há tempos age por conta própria, apoiando ativamente as facções palestinas ligadas ao Hamas na Palestina, aliando-se a Al Jolani na Síria e acertando contas com a oposição curda. Hoje, a Turquia se candidata ao papel de centro da área numa chave neo-otomana, em concorrência direta com Israel.

No Irã, a oposição política e social internacionalista, de classe e anarquista se opõe à guerra. A guerra de Trump e Netanyahu não é travada em seu nome. A morte do tirano não leva ao fim da ditadura, porque só a luta de quem, desde baixo, tenta romper a ordem clerical e patriarcal, pode abrir horizontes reais de liberdade, desencadeando um processo revolucionário.

As bombas israelenses e estadunidenses massacram a população civil enquanto um regime cada vez mais sanguinário e feroz priva de comida os presos políticos e os usa como escudos humanos em bases militares.

Os anarquistas iranianos se opõem à guerra e ao regime.

Desertores e objetores de consciência israelenses apoiaram a insurreição no Irã e se opõem à guerra.

A eles vai o nosso apoio.

Em nosso país, vimos praças animadas por alguns setores de exilados exaltando o ataque de Israel e Estados Unidos ao Irã.

Em outras praças, promovidas pela variegada esquerda italiana, foram hasteadas bandeiras da República Islâmica e imagens de Khamenei.

Sinais inquietantes.

É um momento sombrio.

A Itália, há anos plataforma logística para a guerra na Ucrânia e em Gaza, hoje tem um papel nevrálgico no apoio à guerra no Irã.

As bases de Sigonella e o Muos de Niscemi têm um papel central nas operações de inteligência bélica.

A fragata de mísseis Martinengo foi deslocada para Chipre, ajudas militares foram enviadas aos países do Golfo.

O governo nega querer entrar na guerra, mas nosso país já está em guerra há anos.

Missões militares italianas estão há décadas ativas no Iraque, no Kuwait, no Líbano, em Chipre, na Palestina, no Egito, além do Mar Vermelho e do Chifre da África.

Nós desertamos.

Nós não nos alistamos ao lado deste ou daquele estado.

Nós estamos ao lado de quem, em cada canto da terra, deserta da guerra.

Queremos um mundo sem fronteiras, exércitos, opressão, exploração.

Apenas uma humanidade internacional poderá lançar as bases desse mundo de livres e iguais que pode pôr fim às guerras.

A luta pelo fechamento das bases militares italianas, estadunidenses e da Otan é hoje mais do que nunca crucial.

Desertar da guerra não é um simples slogan, mas uma prática concreta, que se fortalece na aliança transnacional de oprimidos e explorados.

Sabotemos a guerra!

A Comissão de Correspondência da Federação Anarquista Italiana

Fonte: https://umanitanova.org/iran-disertiamo-la-guerra/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

De terninho preto
Lá se vai a andorinha —
Viajante dos trópicos

Tony Marques

[EUA] Amar é resistir

Por Malik Farrad Muhammad | 19/02/2026

Em condições opressivas, o amor é resistência, pois é proibida a alegria. É igual a reféns palestinos sendo libertados, mas as famílias avisadas para não celebrar nem se alegrar; como quando pretos, demonstrando unidade, malhando em solidariedade ou compartilhando coisas na prisão, comida, higiene ou sapatos. Isso é enfatizado, até mesmo, na sala de visitas da cadeia, quando vieram me ver, com um sorriso radiante e radiante. Olhos azul-cinza sonhadores, enquanto nos abraçávamos pela primeira vez sem vidro entre nós. “Breve abraço e beijo no início e fim da visita!” Os porcos gritam. Um lembrete nada gentil de que, sem o vidro, o Estado permanece entre nós. Nós nem ligamos, enquanto ficamos nos olhando nos olhos, mãos entrelaçadas com força. É um prazer estar aqui com você, cantamos “Ceilings”, a música da Lizzy McAlpine que cantamos em dueto. Cantamos a visita inteira, os porcos pareciam confusos. “Isso é amor?” Eles nunca imaginariam que fosse. O Estado tira o amor, tranca aqueles que se apaixonam e joga fora a chave. Com isso, vai a humanidade. Então, qual é essa pureza de prazer? Qual é a pureza do canto? Estão se divertindo demais. “Não podem só conversar entre si? Esse canto é uma distração”, diz. Distraindo quem? Como? Estou confuso. Mas, por favor, pode não interromper a minha visita? É você que é uma distração. Não pode ir ficar andando de um lado para o outro na sala de visitas? Fica distraída. Você pode largar o seu emprego? Porque é distraída. Você pode derrubar esta prisão? Porque é distraída. Nem ligamos para isso também, o nosso amor continua. O mesmo acontece com o canto. “Podem ficar quietos?” “Não,” recuso categoricamente. O riso, a alegria, o amor que exalamos. Aproveitamos o tempo juntos. Cantando, falando. Falando de política, de Chicago e de foguetes. De amor. Despedaçar os porcos e o Estado ao alcance do ouvido; que sabemos que você odeia. Vamos cantar músicas rebeldes e rir alto o dia inteiro. É o nosso amor, é a nossa alegria. É uma declaração de resistência tanto quanto de fato, e que também é pura. Então, vamos cantar canções rebeldes, cantaremos alto e vamos cantar orgulhosamente, cantar por muito tempo e vamos cantar com força, até que todas as mulheres e crianças sejam livres, até que todas as gaiolas fiquem vazias, meu amor. Porque, às vezes, o ato mais radical é amar. De forma imprudente e desesperada, impotente, irresponsável. Jogando a cautela ao vento, porque o amor é desdenhoso da covardia. Amar com cautela é um ato covarde.

‘O amor só conhece um mestre, que é a paixão que faz o coração bater cada vez mais rápido.’

Malik Farrad Muhammad é escritor, artista, músico, anarquista, pai e amigo encarcerado. Por meio da arte e da escrita, Malik expõe as condições cruéis dos prisioneiros nos EUA e fala sobre a inevitabilidade da libertação por meio do amor e do relacionamento. A arte e a voz dele não só transcende os muros da prisão, como as barreiras entre nós; indo diretamente ao que significa ser humano e àquilo que devemos uns aos outros.

Fonte: https://malikspeaks.noblogs.org/post/2026/02/19/love-is-resistance/

Tradução > CF Puig

agência de notícias anarquistas-ana

A chuva tardia
deixou perfumes de terra
nas ruas molhadas.

Humberto del Maestro

A corrente que prende Maja em Budapeste é a mesma que nos acorrenta a todos: internacionalizar a luta ou morreremos um a um

Por Liberto Herrera | 17/03/2026

A  recente condenação da camarada antifascista Maja a oito anos de prisão na Hungria não é um caso isolado, nem um erro judicial. É a face visível de uma engrenagem continental de repressão que opera para criminalizar e esmagar qualquer movimento que ouse enfrentar o avanço fascista. O que vimos em Budapeste foi um julgamento-espetáculo, onde Maja foi tratada como um troféu de guerra, exibida com correntes e coleiras para servir de exemplo aterrorizante. A mensagem dos governos e suas polícias é clara: a solidariedade entre os povos e a luta antifascista serão pagas com a tortura do isolamento e o apodrecimento em celas – vide Alfredo Cospito. Mas se a nossa resposta for apenas local, estaremos jogando o jogo deles.

A repressão que atinge Maja começou muito antes de sua extradição clandestina. Ela foi gestada nas marchas neonazistas em homenagem à Waffen-SS na Hungria, protegidas por um regime de extrema-direita. Quando antifascistas, em legítima defesa da memória e da humanidade, reagiram à apologia do nazismo, desencadeou-se uma caçada internacional. Mandados de prisão, perseguições públicas e a colaboração ativa entre as polícias alemã e húngara provam o que sempre denunciamos: o Estado não é neutro. Ele é o comitê central para gerir os negócios da burguesia e, hoje, para gerir também a contenção violenta de quem se levanta contra o ódio.

A extradição de Maja, num “operação de sombra e nevoeiro”, foi um sequestro orquestrado por autoridades que se dizem defensoras do “Estado de Direito”. Até mesmo o Tribunal Constitucional Federal alemão apontou a ilegalidade do ato, mas a lei burguesa é apenas mais uma ferramenta que se descarta quando o alvo é um inimigo de classe. Maja está há dois anos em confinamento solitário, submetida a revistas íntimas humilhantes e comida podre, porque o sistema sabe que não basta prender: é preciso quebrar o espírito de quem luta. Eles a chamam de terrorista para justificar a própria barbárie.

Diante disso, a nossa posição não pode ser a de esperar por julgamentos justos ou pela boa vontade de tribunais burgueses. A justiça que condena Maja é a mesma que absolve policiais assassinos e financia regimes xenófobos. Aprendemos com a história que o fascismo não se derrota com apelos à razão das elites, mas com a força organizada das ruas. O protesto relâmpago em Bremen, no dia 4 de março de 2026, é um grito que precisa se multiplicar: ocupar as ruas sem pedir licença, furar o cerco da mídia e mostrar que, enquanto um só companheiro estiver acorrentado, a nossa luta não terá descanso.

A resposta deve ser tão internacional quanto a repressão que nos ataca. Se os governos da Alemanha e Hungria articulam-se para sequestrar e condenar uma antifascista, a nossa resistência precisa construir pontes que atravessem todas as fronteiras. Não basta acompanhar o caso de Maja à distância, com tristeza ou solidariedade passiva. É preciso transformar a nossa revolta em ação coordenada: pressionar embaixadas, denunciar nos locais de trabalho e estudo, e, acima de tudo, fortalecer as redes que conectam as lutas de Lisboa a Budapeste, de Macau a São Paulo. O inimigo tem o poder dos Estados; nós temos a capacidade de tecer alianças que eles jamais conseguirão controlar totalmente.

Que a imagem de Maja acorrentada se transforme em combustível para a nossa organização. Cada dia de sua prisão injusta é um dia a mais para mostrarmos que o fascismo não passará e que o anticapitalismo é a trincheira necessária para derrotá-lo de vez. A liberdade de Maja é a nossa liberdade. E ela virá não da misericórdia dos algozes, mas da pressão implacável de uma classe que se reconhece unida na luta. Liberdade para Maja e para todos os presos políticos! Que os nazistas e seus cúmplices nos governos preparem-se: não terão sossego enquanto houver um antifascista atrás das grades. A nossa resposta será a greve, o protesto e a solidariedade sem fronteiras.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/03/17/a-corrente-que-prende-maja-em-budapeste-e-a-mesma-que-nos-acorrenta-a-todos-internacionalizar-a-luta-ou-morreremos-um-a-um/

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agência de notícias anarquistas-ana

Sob a névoa fria,
O cemitério da vila
Cercado de ciprestes

Paulo Franchetti

[França] Ideias e Lutas: A Comuna. A guerra civil dos Franceses


A Comuna de Paris, viva e polarizadora

Um novo livro sobre a Comuna de Paris. Embora escrito por Michel Winock, o que podemos aprender de novo sobre este evento histórico? O essencial e o desenrolar dos acontecimentos são conhecidos, os atores também… E no entanto. Antes de mais, a publicação de uma obra sintética sobre o assunto, cujo autor sabe dar sentido aos fatos e discursos, é sempre de saudar. A coleção da Gallimard que acolhe o livro, “Os dias que fizeram a França”, sabe englobar um dia no seu contexto político e social, vamos aquém e além do 18 de março de 1871 para analisar a guerra civil dos Franceses, conforme o subtítulo. Poderíamos lamentar a escolha da ilustração na capa: a queda da coluna Vendôme. Era realmente isso que deveria ser lembrado destes 72 dias da Comuna de Paris? Felizmente, Michel Winock eleva-se na sua análise, mesclando anedotas, discursos e reflexões. Um leitor pouco familiarizado com os acontecimentos encontrará ali o seu contentamento, uma base para avançar em direção aos testemunhos e outras análises.

A Comuna de Paris, de 18 de março a 28 de maio de 1871, ostenta um triplo rosto: republicano, operário e patriótico; ela intervém numa França dilacerada e para além dos fatos e dos anos. Para nossa grande surpresa, ainda hoje, por ocasião da sua 150ª comemoração, eleitos e militantes de direita e extrema-direita se desencadearam para denunciar no Conselho de Paris, na rua, nas redes sociais os pseudocrimes dos Federados ou comunardos. O azedume persistente da reação!! A destacar também o anexo do livro que reproduz excertos de manuais escolares sobre a Comuna.

Paris, o acampamento das revoluções


Primeiro contributo do livro: evocar os anos anteriores. O século XIX, entre a queda de Napoleão 1º em 1815 e a do seu sobrinho em 1870 em Sedan, é um pouco confuso na mente dos leitores. Império, Restauração, as diferentes formas de monarquias, República, novamente Império… as revoluções de 1830, de 1848… Michel Winock sintetiza estes anos com a ascensão do movimento operário e socialista, o lugar da burguesia e o desenvolvimento de uma economia ultrajante, exploradora dos proletários. As manobras de Adolphe Thiers ainda precisam ser analisadas. Ele, de quem Chateaubriand considerava que “compreendia tudo exceto a grandeza”, ele que qualificava o povo de “vile multidão”, ele que empreenderá uma luta de morte contra esta, apesar dos apelos à negociação e ao compromisso. Thiers é o responsável direto pela morte de milhares de Parisienses, pela destruição de bairros, infraestruturas, para o maior alívio da burguesia versalhesa. Mas não só, a clivagem da sociedade também é entre o mundo agrícola, provincial, e o mundo urbano. As cidades são republicanas, os campos monárquicos, legitimistas. Na própria Paris, as distinções sociais tornam-se também topográficas. Entre a capital e a província, o divórcio é cultural, político, social, econômico, uma das razões pelas quais a Comuna de Paris não conseguirá estender a sua ação.

Após o cerco de 1870-1871 e os sacrifícios sofridos, a inépcia dos militares, incluindo Trochu, os Parisienses não suportam o armistício e a paragem dos combates. Thiers desconfia deles e quer retomar os canhões, desarmar a Guarda Nacional. É o caso dos canhões de Montmartre. A insurreição está em marcha e, como havia proposto em 1848 a Luís Filipe, ele evacua Paris para a reinvestir pelas armas e punir este povo que despreza. Michel Winock expõe claramente este contexto, o que poderia ser um feito mais que arriscado.

É a confusão na capital. Os Federados não estão prontos. Os membros da Associação Internacional dos Trabalhadores, como Varlin, Malon, têm algumas ideias, mas como estruturar uma administração para gerir Paris? Eles são muito legalistas e querem eleições, em 26 de março. Três componentes emergem: Republicanos (Delescluzes), blanquistas (Vaillant), proudhonianos, AIT (Beslay, Courbet). Winock dá a lista completa acompanhada de uma curta biografia.

Agir sob o fogo dos versalheses


Sob o fogo dos versalheses e sempre na defensiva após o fracasso da saída de Rueil e Clamart, em 3 de abril, eles vão reativar os serviços, impulsionar princípios (separação da Igreja e do Estado), inovar no ensino, na gestão das empresas, no direito do trabalho. Alguns consideram que estes elementos não foram de grande utilidade e, no entanto, basta reler o programa da Comuna de 19 de abril para avaliar a sua lucidez.

Michel Winock evoca a vida em Paris com um ar de festa, os debates nos clubes, o lugar das mulheres, a liberdade de imprensa com O Grito do Povo de Jules Vallès (100 000 exemplares). Infelizmente, a confusão e as rivalidades nas diferentes instâncias, as traições desferem golpes fatais na Comuna. Evidentemente, a Semana Sangrenta foi medonha e o número exato de vítimas é para sempre desconhecido (entre 17 000 e 30 000, sem contar os mortos na deportação, nos pontões).

Esta Comuna de Paris encerra o ciclo das revoluções em França, torna-se um mito universal e abre espaço ao debate, nomeadamente entre Marx e Bakunin. Após a anistia de 1880, alguns reinvestem-se no combate político, uma maneira de sublinhar que a Comuna está viva e este livro demonstra-o.

• Michel Winock
A Comuna
A guerra civil dos Franceses
Ed. Gallimard, 2026

Fonte: https://monde-libertaire.net/?articlen=8816

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Nas bodas de prata
retornando à terra natal –
flor de laranjeira!

Teruko Oda

[Chile] Semana de agitação pela libertação da presa anarquista Mónica Caballero Sepúlveda, de 23 a 29 de março

Convocatória

Nas próximas semanas, uma comissão de juízes do tribunal de recursos irá analisar, pela segunda vez, a possibilidade de conceder liberdade condicional a Mónica Caballero Sepúlveda; esta decisão será aplicada automaticamente a qualquer presx) condenadx que cumpra os requisitos previstos na lei (especificamente a DL321).

Na primeira revisão da liberdade condicional (realizada em novembro de 2025), a companheira cumpria amplamente cada um dos requisitos objetivos exigidos, restando apenas argumentos subjetivos para manter a recusa na concessão do benefício da liberdade.

Esses argumentos subjetivos baseiam-se na postura política da companheira, que nunca escondeu a sua posição antiautoritária; este posicionamento, nas palavras de quem defende o sistema, é uma “atitude pró-criminal” que será sempre perigosa.

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agência de notícias anarquistas-ana

Esqueletos de árvores,
lampiões rodando no vento,
no chão, sombras, bêbadas.

Alexei Bueno

[Reino Unido] Solidariedade DIY – Inscrições abertas (até 31 de março)

DIY Solidarity é um projeto que redistribui recursos entre comunidades DIY (faça você mesmo) para combater, pelo menos em parte, as injustiças decorrentes de uma ordem econômica global completamente desequilibrada. Isso significa que, todos os anos, dispomos de recursos para apoiar projetos DIY. As inscrições para o ciclo de financiamento de 2026 já estão abertas. O formulário de inscrição está disponível até 31 de março.

No âmbito do DIY Solidarity, entende-se que um projeto DIY depende exclusivamente do envolvimento dos participantes e do apoio da comunidade. Sem patrocínio estatal, corporativo ou de ONGs.

Há um formulário de inscrição bastante simples que reduz a burocracia ao mínimo. Basta identificar os pontos-chave do projeto: Onde fica? Do que se trata? E o que as pessoas estão pedindo?

DIY Solidarity

Entre as dezenas de beneficiários anteriores estão:

Etniko Bandido – um espaço descolonizado, antiautoritário e autônomo nas Filipinas.

Satan Not Hatin’ – uma campanha popular lançada pela Global Order of Satan (Ordem Global de Satanás) para combater o racismo, a transfobia, a misoginia, a homofobia, o capacitismo e outras correntes de extrema direita que se infiltraram nas cenas musicais alternativas.

Dajjeh (ضجة) – um coletivo informal com sede em Beirute, no Líbano, que organiza shows de punk.

La Cultura del Barrio – um clube social e esportivo antifascista em Buenos Aires, que se organiza em meio à virada da direita na Argentina.

diyconspiracy.net

Tradução > transanark / acervo trans-anarquista

agência de notícias anarquistas-ana

um pé no degrau
um passo na escada
bate coração

Carlos Seabra

[Alemanha] De Darmstadt a Atenas: Solidariedade com a Comunidade Ocupada de Prosfygika!

Faixa estendida em Darmstadt em solidariedade à Prosfygika. Mãos fora da Prosfygika!

A Comunidade Ocupada de Prosfygika é um raio de esperança para um mundo melhor. Um espaço luminoso e vivo de resistência contra a ordem dominante.

Trata-se de um bairro ocupado e auto-organizado no coração de Atenas, com mais de 400 habitantes de 27 nações. Há mais de 16 anos, a Comunidade construiu o maior projeto social da Grécia e um dos maiores da Europa, distribuído por muitas estruturas de solidariedade e empoderamento.

Hoje (14/03) marca o 37º dia da greve de fome do nosso amigo e companheiro Aristotelis, da Comunidade Ocupada de Prosfygika. Ele iniciou uma greve de fome até a morte em defesa da vida.

O governo da região da Ática, sob o comando de Mitsotakis, apoiado por interesses capitalistas, quer despejar a Comunidade, destruir todas as estruturas cultivadas e promover a gentrificação, tudo isso também com o apoio de financiamento da UE.

Fora de Prosfygika!

Ou vencemos ou vencemos!

Fonte: https://de.indymedia.org/node/717703

Tradução > Reno Moedor

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agência de notícias anarquistas-ana

Que verdades conhecia o morto?
Quem estrangulou
sua palavra?

Thiago de Mello

[Grécia] Atenas: Célula anarquista “Lambros Fountas” assume a autoria de ataques incendiários contra residências de policiais

Assumimos a responsabilidade pelos ataques incendiários às residências da unidade MAT (polícia de choque) na Rua Athanaton, nº 12, em Sepolia, em 9 de fevereiro, onde reside Andreas Poligenis, e na Rua Teas, 4-6, em Kaisariani, em 24 de fevereiro, bem como na residência de um policial da unidade OPKE [Unidade de Prevenção e Repressão ao Crime], na Rua Deligianni, 18, em Exarchia, em 7 de março. Dedicamos essas ações à memória de nosso companheiro anarquista e membro da Luta Revolucionária, Lambros Fountas, que caiu em combate durante um confronto armado em Dafni, em 10 de março de 2010. Lambros foi um combatente exemplar que impulsionou a luta multifacetada tendo como objetivo a revolução social. Ele participou de todos os aspectos da ação anarquista, desde assembleias, marchas e confrontos com as forças de repressão até a luta armada revolucionária.

As razões pelas quais realizamos os ataques acima são evidentes: estamos revidando contra aqueles que pisoteiam nossos sonhos. Àqueles que violam pessoas nas delegacias, àqueles que espancam migrantes sem piedade, àqueles que protegem vigaristas como o “ilustre” Ministro da Saúde, Adonis Georgiadis, que desmantelou o Sistema Nacional de Saúde, àqueles que reprimem greves e marchas, como a de 31/10 em homenagem ao guerrilheiro anarquista armado Kyriakos Xymitiris. Não pode haver trégua com aqueles que reprimem nossas vidas.

Falamos a linguagem da libertação social e de classe, a linguagem da resistência política como contraponto à linguagem do terrorismo de Estado, da disciplina, da exploração implacável, da decadência moral e do beco sem saída do individualismo capitalista. Defendemos a ação direta e o ataque contra aqueles que nos governam e contribuem descaradamente para a formação desta realidade devastada pela guerra; desde a mídia de massa que fabrica consciências fragmentadas e impregnadas de alienação, à justiça burguesa que serve cegamente aos interesses da elite econômica e política, às fábricas exploradoras da escravidão salarial que cheiram a morte, e até mesmo a escória da polícia grega com sua arrogância autoritária sem limites.

Nesta era atual de fragmentação dos movimentos sociais, enfraquecimento do movimento anarquista e apatia e derrotismo generalizados, devemos preservar intactos nossos princípios políticos, fazer do confronto direto com o inimigo nossa prioridade máxima até que o medo mude de lado e externalizar nossa visão de um mundo de igualdade, solidariedade, liberdade e altruísmo.

KYRIAKOS XYMITIRIS, LAMBROS FOUNTAS: SEMPRE PRESENTES NAS ESTRADAS DE FOGO

HONRA E MEMÓRIA A SNIZANA PARASKEVAIDOU, CAÍDA NO CAMPO DE BATALHA

FORÇA AOS PRISIONEIROS DA GUERRA SOCIAL E DE CLASSES, DO IRÃ À GRÉCIA E DA TURQUIA AO CHILE

SOLIDARIEDADE INABALÁVEL COM NOSSOS COMPAS PRESOS QUE ESTÃO SENDO PROCESSADOS NO CASO AMPELOKIPI E SERÃO JULGADOS EM 1º DE ABRIL

Célula Anarquista “Lambros Fountas”

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1640194/

Tradução > Reno Moedor

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agência de notícias anarquistas-ana

de tantos instantes
para mim lembrança
as flores de cerejeira.

Matsuo Bashô