[Grécia] Encontro internacional de operadores de rádio com transmissões ao vivo

Transmissão ao vivo de um encontro internacional de estações de rádios anarquistas e antiautoritárias.

No domingo, 26 de abril, a partir das 13h, você poderá ouvir transmissões ao vivo com diversos temas do encontro internacional da Rede de Rádios Anarquistas e Antiautoritárias, que acontece há quase 10 anos em Atenas. Você pode conhecer e entrar em contato com o conteúdo dos projetos de rádios anarquistas e antiautoritárias do mundo todo através dos seguintes links:

1431am.org:8001/1431ogg

c32.radioboss.fm:18563/stream

radioreb.radioca.st/stream

As transmissões abordarão uma ampla gama de tópicos sob a perspectiva dos movimentos anarquistas e antiautoritários:

Julgamentos políticos em curso, imigração, questões de saúde mental, manifestações de solidariedade a camaradas presos, questões ecológicas, histórias positivas da vida de anarquistas, discussões sobre outros temas da atualidade, anúncios sobre próximas manifestações/conferências/reuniões/feiras de livros, música faça-você-mesmo e muito mais!

Os projetos de rádios participantes vêm de várias partes da Europa. A programação será em inglês.

Sintonize e convide seus amigos para fazerem o mesmo!

Projetos e transmissões de rádios participantes:

• Pária (Grécia – Atenas)

• Acidente (Grécia – Chania)

• 1431 AM (Grécia – Tessalônica)

• 105 fm (Grécia – Mitilene)

• A-Radio Berlin (Alemanha)

• FrequenzA (Alemanha)

• A-Radio Viena (Áustria)

• Črna Luknja (Eslovênia)

• Kilavo Seme (Eslovênia)

• Alerata! (Bulgária)

www.1431am.org

agência de notícias anarquistas-ana

À beira do lago
aliso o brilho da lua
com as mãos molhadas

Eunice Arruda

Foda-se! | Contra toda autoridade!!!

[Itália] Primeiro de Maio Internacional

Já se passaram mais de cem anos desde que Errico Malatesta lamentava, nestas páginas, que as manifestações do Primeiro de Maio já não despertavam mais os entusiasmos de tantos anos atrás.

O Primeiro de Maio continua, no entanto, sendo uma grande jornada internacional.

Até mesmo suas danças, suas festas, seus concertos têm um caráter intrinsecamente revolucionário, porque são o resultado da deserção do alistamento a serviço da competitividade e da produtividade capitalista.

Deserção deve ser a palavra de ordem deste Primeiro de Maio. Deserção da produção e do transporte de armas, deserção de todo governo e de suas guerras. Portanto, solidariedade aos desertores e luta ao militarismo: esses são os temas para uma atualização do caráter internacionalista do Primeiro de Maio.

No artigo publicado no [jornal] Umanità Nova em 1920, Malatesta recolhia as críticas que uma parte mais “intransigente” do movimento anarquista já fazia nos primeiros anos do século passado à “degeneração” do Primeiro de Maio. Contra essas críticas, também Pietro Gori se insurgira em seu tempo.

As razões de tais críticas eram múltiplas: ao arrependimento pela perda do caráter revolucionário somava-se, para alguns, a recusa da preparação de um compromisso acordado em nível internacional. Os movimentos são espontâneos, dizia-se, e não podem ser convocados sob comando, em prazos estabelecidos em mesa de negociação; outros ainda expressavam desprezo pela participação das massas, que diluíam o caráter revolucionário das minorias e dos indivíduos. Sobre tudo, porém, pairava um dos principais obstáculos à ação do movimento anarquista: a convicção de que até mesmo o Primeiro de Maio não era suficientemente revolucionário para os anarquistas.

Errico Malatesta retoma essas críticas para invertê-las: não é o caráter das massas que atenua o caráter revolucionário do Primeiro de Maio, mas o insuficiente envolvimento do movimento anarquista. Cabe aos anarquistas — sustenta Malatesta — caracterizar de maneira revolucionária a data do Primeiro de Maio e enriquecê-la de conteúdos, sem se deixar condicionar pelo processo de esvaziamento. O que diria o bom Errico, hoje em que o Primeiro de Maio é inclusive feriado nacional? Até a Igreja, preocupada com a adesão das classes exploradas à data, pensou em meter o dedo, dedicando o primeiro dia de maio a São José Operário.

Ainda assim, até hoje, o Primeiro de Maio, com seu pulsar de passeios campestres, cantos, danças, festas e concertos, alonga sua sombra ameaçadora sobre as classes privilegiadas e sobre os governos, que fazem de tudo para anulá-lo e esvaziá-lo de conteúdo.

E o Primeiro de Maio continua sendo um grande compromisso internacional. A ideia de uma afirmação de vontade por parte das classes exploradas e das forças revolucionárias de todos os países em um dia determinado e não casual; o gesto com que, no mesmo dia, em todo o mundo, as forças do trabalho abandonassem sua ocupação, desertassem os postos de trabalho. Tudo isso representa ainda hoje uma ameaça para quem quer nos manter acorrentados ao mirabolante da competitividade e da produtividade capitalista. A celebração das conquistas do movimento operário, mesmo por meio das festas, além dos comícios, é o testemunho da tomada de consciência da divisão da sociedade em classes, e da solidariedade do proletariado para além das fronteiras traçadas no papel.

Aliás, não se deve subestimar o caráter revolucionário da festa.

Os governos delineiam um futuro de escassez e catástrofes, em que a guerra volta a ser o instrumento para resolver controvérsias internacionais. Um futuro sombrio, feito de subjugação ao carro do capital, sob as fórmulas da participação e da solidariedade nacional. A produção moderna é impensável sem a disciplina de quem exerce a capacidade laboral. Todas as energias devem ser destinadas ao aumento da produtividade, disciplinando e reprimindo os instintos vitais e regulamentando o consumo de comidas e guloseimas e de toda substância que possa prejudicar o exercício da força de trabalho. Ao mesmo tempo, o corpo e a mente de quem exerce a força de trabalho tornam-se o campo em que se experimentam técnicas de disciplinamento e a administração de substâncias capazes de aumentar o desempenho laboral e tornar a pessoa mais disciplinada em relação à hierarquia empresarial.

Eis então que até mesmo uma festa, que interrompe esse mecanismo de submissão à produção a qualquer custo, assume um caráter subversivo, e o próprio passeio campestre, que tira as pessoas do concreto dos bairros-dormitório por um dia, acaba sendo mais eficaz do que um comício para delinear exemplarmente o caráter da sociedade que queremos construir.

Cabe ao movimento anarquista insinuar nesses momentos de libertação do jugo da exploração capitalista os elementos de intransigência revolucionária que caracterizaram o Primeiro de Maio desde o início.

Recordar as origens do Primeiro de Maio significa recordar os Mártires de Chicago. August Spies, Albert Parsons, Adolph Fischer, George Engel foram enforcados por terem organizado, justamente em 1º de maio de 1886, uma greve pela aplicação da lei das oito horas. Louis Lingg suicidou-se na prisão no dia anterior ao enforcamento.

Recordar o Primeiro de Maio significa recordar a solidariedade universal, cosmopolita, acima de todas as pátrias, de toda pessoa oprimida pelo trabalho e animada pela vontade de se emancipar.

O Primeiro de Maio nos dá o exemplo de grandes jornadas de luta, construídas sobre a base da unidade entre as forças que se reportam ao movimento operário. O movimento anarquista sozinho não teria sido capaz de dar vida a essa experiência. Devemos, portanto, ser capazes de construir relações com as outras componentes, permanecendo sempre nós mesmos. Justamente a história do Primeiro de Maio demonstra que, graças ao empenho de parte do movimento anarquista, conseguiu-se definir esta data. Outra parte do movimento, em nome de um mal-entendido purismo, preferiu não participar dos momentos decisórios. Se todo o movimento anarquista tivesse seguido esse caminho, os chefões social-democratas teriam tido a estrada aberta para transformar o Primeiro de Maio numa simples ocasião de propaganda de seus intentos eleitoreiros a ser realizada no primeiro domingo de maio. Como queriam fazer e como, em vez disso, não foi feito.

“Desertai, falanges de escravos”, exorta o hino do Primeiro de Maio de Pietro Gori. A deserção do trabalho é um elemento central do Primeiro de Maio. Hoje, a deserção assume um significado mais geral, diante da progressiva transformação da economia em economia de guerra. E ao lado da mais geral deserção do trabalho, deve-se reivindicar a deserção da produção e do tráfico de armas, que alimenta guerras em todas as partes do mundo. Não se trata apenas de uma escolha individual para acalmar a nossa consciência. A deserção é o primeiro passo para construir um movimento de massa para incidir sobre a produção e a distribuição, para que as produções de morte sejam transformadas em produção de bens e serviços destinados a aliviar a miséria da maioria da humanidade.

Sobretudo, deserção de todas as guerras. Para aqueles que dizem que há um agressor e um agredido, repetimos que todos os governos, todos os capitalistas é que agridem. Devemos desertar de todas as guerras, devemos apoiar os desertores, abrindo as fronteiras e organizando todas as formas possíveis de apoio.

A isso nos convoca o Primeiro de Maio de 2026.

Abaixo o militarismo! A marcha para a guerra só pode ser detida pela ação de baixo para cima.

Viva o Primeiro de Maio! Viva a unidade internacional da classe operária! Viva a anarquia!

Tiziano Antonelli

Fonte: https://umanitanova.org/primo-maggio-internazionale/   

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

morro alto
sobre o som do mar
o som do grilo

Ricardo Portugal

[Espanha] Revista Estudios #5

Já está disponível o novo número da revista Estudios. Trata-se de uma publicação de análise da realidade e pensamento libertário lançada pelo sindicato CNT.

É uma obra que nasce da inteligência coletiva e do esforço de muita gente. Uma importante colaboração teórica e prática para a confederação e, definitivamente, para a totalidade do sindicalismo revolucionário que ambicione transformar e incidir na realidade.

Este número constará de 3 volumes, que se podem adquirir em separado ou juntos. Cada volume responde a uma temática: Sindicalismo RevolucionárioEcologia e Planejamento Econômico.

Os exemplares em papel se vendem soltos a PVP de 10 € cada um.

fal.cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

de cesto em cesto
de lixo vasculhando —
o som das latas

Ivan Eugênio da Cunha

Primeiro de Maio de 2026 | Nenhum direito a menos! Mais por conquistar…

Pagando aluguel, energia, alimentação, água, gás e transporte não sobra pra saúde nem para doença, não sobra para lazer nem para descanso: de Norte a Sul, do litoral ao sertão, o salário acaba antes do fim do mês.
 
O empreendedorismo é a ilusão vendida como solução de hoje à falta de trabalho com CLT ou Estatutário. Nos incentivam a criar, produzir, oferecer serviços, mentindo que seremos patrões de nós mesmos. A verdade verdadeira é que os BANCOS e o ESTADO brasileiros financiam as grandes empresas nacionais e multinacionais, na indústria e agronegócio com “juros” de compadres e aos pequenos sobra sua força de trabalho e a sorte.
 
Lutamos e conquistamos, no início do século XX, no Brasil a jornada de 8 horas de trabalho. Hoje, trabalhamos mais horas, ganhamos menos e a propaganda nas redes sociais, rádios, televisão é que hoje temos mais liberdade de usar nosso tempo. Mas, como posso usar “meu” tempo se tenho de trabalhar 12 horas e não me sobra dinheiro? E se eu ficar doente? Indígena Galdino queimado vivo nas ruas de Brasília. Adolescentes classe média promovem estupro coletivo no Rio de Janeiro. Criança preta morta indo para aula em Belém. Mulher assassinada em Cuiabá pelo ex-marido. E nesse contexto lutamos firmemente pela redução da escala de trabalho 6×1.
 
Cachorro Orelha assassinado a pauladas numa praia da elite Catarinense. Chacina do Cabula executada por policiais militares. Pobreza, impunidade, ausência de educação, propaganda do ódio, superexploração do trabalhador e da trabalhadora?
 
Nossos sindicatos estão tomados por partidos políticos de direita, esquerda e fascistas. O fascista Bolsonaro e sua política negacionista hipócrita promoveu a morte de mais de 700 mil brasileiros e brasileiras. O Congresso Nacional e o governo Lula 3 mantêm a militarização da sociedade crescente com ESCOLAS MILITARIZADAS, GUARDAS MUNICIPAIS MILITARIZADAS, MILITARIZAÇÃO DE TERRITÓRIOS INDÍGENAS E QUILOMBOLAS, AUMENTO DE GASTOS MILITARES, INVESTIMENTO EM INDÚSTRIAS ARMAMENTISTA MILITAR, REDUÇÃO DOS INVESTIMENTOS EM EDUCAÇÃO E SAÚDE. O sindicato é uma ferramenta. É nossa ferramenta que foi roubada.
 
A UAF é uma associação anarquista federalista de coletivos e indivíduos que trabalha para construir e firmar no Brasil alternativas de vida, de organização social e econômica justa e igualitária fora, paralela e para além do capitalismo, entendendo, vivendo e praticando a unidade de justiça e liberdade, a unidade de pessoa e natureza pelo bem viver. Oferecemos nossa mensagem à todas trabalhadoras e trabalhadores neste Primeiro de Maio de 2026 com o propósito de juntos defendermos nossos direitos e construirmos uma vida melhor, mais digna, mais justa, com mais liberdade.
 
SAUDAÇÕES TRABALHADORA E TRABALHADOR Brasileiros!
 
União Anarquista Federalista – UAF
Filiada à Internacional de Federações Anarquistas – IFA
uafbr.noblogs.org
Contato: uaf@riseup.net
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Neste bosque urbano
árvore feita em concreto
– meu corpo estremece.
 
Eolo Yberê Libera

[Indonésia] Declaração de Defesa de Adit, Preso Anarquista no Caso Chaos Star

Excelentíssimo Painel de Juízes,
 
Depois de tudo o que aconteceu em relação ao ato de violência que cometi no caso do incêndio deste posto policial, adquiri muitas compreensões que preciso assumir por conta própria. Sobre como o Estado, muito antes daquilo que fiz, tem praticado atos de violência em uma escala muito maior.
 
Para ser honesto, depois que a defesa que apresentei no caso da manifestação de agosto de 2025 foi rejeitada, tudo parece sem sentido. Minha defesa no julgamento anterior já era muito longa, explicando tudo em grande detalhe. Ainda assim, minha suspeita de que a sentença já estava decidida desde o início só se fortaleceu quando a decisão foi finalmente selada pelo martelo. O Estado me condenou a dois anos de prisão, e agora o Estado exige novamente que eu receba a mesma pena. E, diante disso, tenho pouquíssimo espaço para defender a violência que cometi.
 
Tornou-se um segredo aberto que todas as formas de violência e abuso de poder por parte dos aparatos do Estado, leia-se: a polícia, produziram formas de violação dos direitos humanos. Uma das mais graves e intoleráveis é tirar a vida humana. A Comissão pelos Desaparecidos e Vítimas de Violência, KontraS, registrou 602 incidentes de violência envolvendo membros da Polícia Nacional da Indonésia entre julho de 2024 e junho de 2025. Da tragédia de Kanjuruhan, Randi e Yusuf, Afif Maulana, Gamma, Affan Kurniawan, Arianto Tawakkal, até Eko Prasetyo, o mais recente, mortos pela polícia.
 
Como alguém que condena todas as formas de brutalidade por parte das autoridades e que buscou, tanto na teoria quanto na prática, por tentativa e erro, o método da ação direta para fortalecer cada indivíduo na retomada do controle sobre a própria vida e no uso desse poder para realizar seus próprios objetivos, acabei realizando uma ação direta. Uma ação realizada individualmente, separada de ações em manifestações ou protestos envolvendo muitas pessoas. Uma ação realizada apenas de modo simbólico para responsabilizar os aparatos do Estado pela violência que cometeram.
 
Por isso, cheguei à conclusão de que o Estado só compreende a linguagem da violência. É a única linguagem que ele entende. E eu realizei a violência que cometi numa linguagem que é poética, uma que eles não entendem.
 
Num mundo como o descrito acima, permanecer em silêncio e não fazer nada enquanto os aparatos do Estado demonstram continuamente atos de violência, eis o problema. A questão não é se a violência em si pode ser justificada ou não, mas sim como a violência pode ser tornada maximamente eficaz para aniquilar esses “monstros brutais”.
 
Por fim, desejo apenas dizer isto: acabem logo com toda essa encenação exaustiva. Profiram a duração da sentença. E deixem-me viver com calma, em contemplação, o tempo que vocês tomaram de mim.
 
Adit
 
Fonte: https://actforfree.noblogs.org/2026/04/21/defence-statement-of-adit-anarchist-prisoner-in-chaos-star-case-indonesia/   
 
Tradução > Contrafatual
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/02/09/indonesia-caso-estrela-do-caos-o-companheiro-anarquista-eat-fica-em-prisao-domiciliar/  
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
aquecer as mãos
requentar as noites
esquecer os dias
 
Goulart Gomes

A estratégia do governo Lula 3 para transformar o Brasil em potência exportadora de defesa (leia-se material bélico)

O Ministério da Defesa publicou, em março, uma portaria que regulamenta a participação do governo brasileiro em negociações de exportação de produtos militares no formato conhecido como G2G — do inglês government-to-government, ou governo a governo.
 
O mecanismo é amplamente adotado por grandes potências militares para comercializar equipamentos de defesa. Nos acordos G2G, ainda que empresas privadas estejam envolvidas na fabricação, as negociações são conduzidas no plano governamental, com o Estado do país vendedor atuando como garantidor da operação. É dessa forma, por exemplo, que o Brasil adquiriu os caças Gripen da fabricante sueca Saab: por meio de um contrato firmado com o governo da Suécia.
 
No Brasil, um entrave jurídico impedia que o governo representasse diretamente companhias privadas nesse tipo de transação. A solução encontrada foi usar empresas estatais como intermediárias institucionais. A portaria agora formaliza esse arranjo.
 
Pelo rito estabelecido na norma, um governo estrangeiro interessado em adquirir produtos de defesa brasileiros deve formalizar a manifestação por ofício, carta, e-mail ou outro instrumento equivalente, endereçado ao secretário de Produtos de Defesa. O comprador pode indicar qual estatal vinculada ao ministério deseja que conduza a operação ou solicitar que o próprio ministério faça essa escolha.
 
O texto da portaria deixa claro, no entanto, que a indicação de uma estatal pelo secretário não é vinculante para o governo estrangeiro e não condiciona a realização do negócio. A norma também estabelece que a participação da estatal depende de sua anuência e que essa indicação não pode ser utilizada para embasar pedidos de ressarcimento ou qualquer outro ônus ao erário.
 
Na prática, a estatal funciona como canal institucional na negociação intergovernamental, enquanto a empresa privada permanece como fabricante e fornecedora do produto final.
 
As medidas ocorrem em meio a crescimento expressivo das exportações do setor. Segundo o Ministério da Defesa, o valor autorizado de exportações de produtos militares brasileiros chegou a US$ 1,02 bilhão no primeiro trimestre de 2026, ante US$ 457 milhões no mesmo período de 2025. O país exporta atualmente para 148 nações, por meio de cerca de 93 empresas.
 
Fonte: agência de notícias 
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
dos ramos altos no rio
caem suavemente
farrapos do sol poente
 
Rogério Martins

[Espanha] Objeção Fiscal ao Gasto Militar: Desobedece a guerra, defende a vida

• A Objeção Fiscal ao Gasto Militar é uma forma de desobediência civil mediante a qual decidimos não destinar parte de nossos impostos a financiar exércitos, armas e guerras na declaração da renda (IRPF).

• Desde a CNT fazemos um chamado a realizar a Objeção fiscal

Por que fazer Objeção Fiscal?

Enquanto aumentam os conflitos e a militarização, os governos destinam milhares de milhões ao gasto militar, cortando recursos essenciais como saúde, educação ou serviços sociais. A guerra se normaliza, e a indústria armamentística faz negócio. Nós dizemos claro: nosso dinheiro não é para matar nem para preparar guerras.

Uma ferramenta de luta coletiva

A Objeção Fiscal tem mais de 40 anos de percurso em Euskal Herria e o Estado espanhol, ligada ao movimento antimilitarista e a luta contra o exército. É uma ação coletiva, pública e não violenta. E segue sendo hoje uma ferramenta útil para enfrentar o militarismo.

O que conseguimos?

• Denunciar o aumento do gasto militar

• Apontar o negócio da guerra

• Frear a militarização social

• Fortalecer uma cultura de paz e desobediência

Redirigir recursos para o que importa

O dinheiro objetado se destina a projetos que trabalham por:

• Direitos sociais e laborais

• Feminismo

• Moradia digna

• Ecologismo

• Comunicação alternativa

• Apoio a pessoas migradas

• Cooperação e solidariedade

Frente às armas, apostamos por sustentar a vida.

Contexto atual: mais gasto militar, mais desigualdade

O gasto militar do Estado alcançou cifras record (65.000 milhões em 2025), impulsionado por políticas de rearmamento e compromissos internacionais.

Isto se traduz em:

• Cortes sociais

• Aumento da desigualdade

• Reforço de um modelo baseado na violência

Ademais, instituições e empresas do entorno participam ativamente na indústria militar, lucrando com conflitos e guerras.

Faz Objeção Fiscal

A Objeção Fiscal é uma ação concreta, simples e transformadora.

Um gesto individual que soma força coletiva.

> Não confirmes teu rascunho da renda sem se informar

> Desvia uma parte de teus impostos

> Apoia projetos que constroem alternativas

Nossos impostos devem servir para garantir direitos, não para financiar guerras.

Informe-se e participe

Durante a campanha da renda:

• Podes fazer a Objeção Fiscal por tua conta

• Ou ir a escritórios e coletivos que oferecem apoio

• Existem recursos, tutoriais e assessoramento

Dá o passo. Organize-se. Desobedeça.

Mais informação em eragozpenfiskala.org

Fonte: https://cnt-sindikatua.org/es/objecion-fiscal-al-gasto-militar-desobedece-la-guerra-defiende-la-vida/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

O silêncio
está úmido
de aves

Manoel de Barros

[Espanha] 1º de maio: mostrar nossa força nas ruas é mais necessário do que nunca

Companheiros e companheiras:

É com grande entusiasmo que compartilhamos com vocês o cartaz do 1º de maio da CNT Valência, criado pelo artista Elías Taño.

O 1º de maio é um dia de luta muito importante para a classe trabalhadora, e mostrar nossa força nas ruas é mais necessário do que nunca. As consequências da guerra, do genocídio, da precariedade e das crises habitacional e climática nos sufocam. Não podemos ficar de braços cruzados.

É por isso que quisemos contar com um artista da Comunidade Valenciana que refletisse essa ideia e, além disso, desse visibilidade aos trabalhadores e trabalhadoras da arte que têm um compromisso, justamente, com a nossa classe.

Com este cartaz, queremos também recuperar a tradição de cartazes do 1º de maio feitos pela e para a classe trabalhadora. E esperamos que este seja o primeiro de muitos anos. É uma grande honra ter contado com o trabalho e o talento de Elías Taño para esta primeira edição!

E temos outra notícia! Vocês poderão adquirir o cartaz na XXIV Mostra do Livro Anarquista neste fim de semana (25 e 26 de abril) no estande da La Distri da CNT Valência.

Esperamos por todos e todas no próximo dia 1º de maio, às 11h30, na Praça San Agustín de Valência, na manifestação unificada!

Dêem muito amor ao cartaz!

Saúde.

CNT Valência

agência de notícias anarquistas-ana

minha casa
o sapo já sabe
entrar e sair

Alice Ruiz

[Portugal] 24 de Abril – Conversa: Os anarquistas e o 25 de Abril

Sexta, 24 de Abril

18:30 – Conversa: Os anarquistas e o 25 de Abril

seguido de jantar

Em 25 de Abril de 1974, um golpe militar derrubou uma ditadura de 48 anos, pondo fim, de um dia para o outro, a grande parte do aparelho repressivo que oprimia a sociedade portuguesa. Desobedecendo às ordens para ficar em casa, o povo saiu à rua, experimentando a recém-adquirida liberdade e iniciando movimentos de transformação social e de luta por melhores condições de vida.

Também os anarquistas, ferozmente reprimidos e impedidos de difundirem as suas ideias durante toda a ditadura, puderam finalmente sair à luz do dia. A velhos militantes, que ainda haviam conhecido e protagonizado os movimentos sociais e organizações libertárias da Primeira República e da clandestinidade sob o Estado Novo, juntaram-se novas gerações, imbuídas de um novo espírito e de novas preocupações, fazendo comícios e manifestações, editando jornais ou apoiando lutas, num contexto ideológico marcado por uma asfixiante e hegemónica ortodoxia marxista-leninista.

Neste dia 24 de Abril, juntamo-nos no CCL para analisar este período revolucionário sob uma óptica anarquista, assim como para conhecer e discutir o papel do movimento libertário naquele período revolucionário, contando para tal com a partilha das experiências de companheiros que o viveram.

Centro de Cultura Libertária

Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto – Cacilhas – Almada

culturalibertaria.blogspot.com

agência de notícias anarquistas-ana

sol ardente
apesar do vento
de outono

Alberto Marsicano

[Irã] Alerta máximo para cinco mulheres condenadas à morte

A preocupação cresce entre a comunidade internacional e as organizações de direitos humanos em relação ao destino de cinco mulheres detidas no Irã. Entre elas estão as ativistas curdas Verisheh Moradi e Pakhshan Azizi, bem como Zahra Shahbaz Tabari, Nasimeh Eslamzehi e Bita Hemmati, todas condenadas à morte.
 
Acusações arbitrárias e com motivação política
 
Essas mulheres foram condenadas sob acusações vagas e severamente punidas pelo código penal iraniano, como moharebeh (inimizade contra Deus), rebelião armada ou efsad-fil-arz (corrupção na Terra). Esses fundamentos são sistematicamente invocados pelo sistema judiciário para suprimir vozes dissidentes e demandas baseadas em identidade, particularmente as de minorias.
 
Situação atual dos condenados
 
O caso de Pakhshan Azizi é particularmente crítico, visto que sua sentença de morte foi oficialmente confirmada. Em contrapartida, a sentença de Verisheh Moradi foi anulada e o caso encaminhado para um novo julgamento, embora sua segurança física continue ameaçada pelas precárias condições da prisão.
 
O caso de Nasimeh Eslamzehi, presa em 2023, ilustra a crueldade do sistema prisional: ela foi mantida em detenção em condições extremas, chegando a dar à luz na prisão antes de receber sua sentença. Já Zahra Shahbaz Tabari e Bita Hemmati permanecem em um limbo jurídico aguardando execução, que pode ocorrer a qualquer momento devido à falta de transparência judicial.
 
Aumento da repressão contra as mulheres
 
Observadores e ativistas de direitos humanos estão soando o alarme: o número de mulheres condenadas à morte em casos com motivação política está aumentando drasticamente. Essa tendência reflete uma clara intenção do regime de esmagar a resistência das mulheres, que lideraram os recentes movimentos de protesto, e de punir duplamente os membros da comunidade curda por seu compromisso com a justiça e a liberdade.
 
Nota: Até o momento, nenhum retrato verificado de Nasimeh Eslamzehi foi identificado em fontes públicas.
 
Fonte: https://kurdistan-au-feminin.fr/2026/04/22/iran-alerte-maximale-pour-cinq-femmes-condamnees-a-mort/
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/04/23/ira-tres-manifestantes-curdos-condenados-a-morte/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
caminhando só
ouço som de estalos
as folhas secas
 
Augusto Sagrado

[Espanha] Chernobyl na memória.

No dia 26 de abril, completam-se 40 anos do desastre nuclear de Chernobyl. Um reator dessa usina explodiu e incendiou o Edifício Vladimir Ilyich Lenin, a poucos quilômetros de Pripyat, na Ucrânia, que na época fazia parte da União Soviética. O acidente teve origem, entre outros fatores, durante uma simulação de queda de energia. As partículas radioativas liberadas na atmosfera afetaram diversas regiões da Europa.

Aproximadamente 116.000 pessoas foram evacuadas de Pripyat e áreas vizinhas para protegê-las da radiação. Em poucas horas, muitas famílias foram obrigadas a deixar suas casas praticamente sem nada além da roupa do corpo.

Para marcar este triste aniversário, uma série de palestras e debates foram organizados sob o lema “NUCLEAR: NEM CIVIL NEM MILITAR” em diversas localidades da Espanha. Em Madri, o evento acontecerá no domingo, 26 de abril, a partir das 12h, na Plaza de las Peñuelas. A CGT participará juntamente com a CNT, Ecologistas en Acción, MIA e Anticapitalistas. Nossa companheira Carmen Arnaiz, Secretária de Ação Social, também participará desses debates.

Por outro lado, o prazo continua aberto para que mais organizações e entidades se juntem e apoiem o manifesto com o qual dizemos NÃO às centrais nucleares. Pode encontrar mais informações neste link: https://cgt.es/cgt-continua-diciendo-no-a-las-centrales-nucleares/

Assessoria de Imprensa, Comitê Confederal da CGT

cgt.es

agência de notícias anarquistas-ana

estamos na onda
deslizando nas espumas
que n’areia quebram

Túlio Velho Barreto

[EUA] Os anarquistas de Chicago

Ilustração de Walter Crane.

Condenados por defender a classe trabalhadora.

Engel, Georg, 50 anos, cidadão alemão e tipógrafo de profissão, foi condenado à morte por enforcamento;

Fielden, Samuel, 39, britânico, operário têxtil, prisão perpétua;

Fischer, Adolf, 30 anos, alemão, jornalista, condenado à forca;

Linng, Louis, 22 anos, alemão, carpinteiro, condenado à forca, mas suicidou-se antes da execução da sentença;

Neebey, Oscar, 36 anos, americano, agente comercial, 15 anos de trabalhos forçados;

Parsons, Albert, 39, americano, jornalista, condenado à forca;

Schwab, Michael, 33, alemão, tipógrafo, prisão perpétua; e

Spies, Auguste, 31, alemão, jornalista, condenado à morte por enforcamento.

agência de notícias anarquistas-ana

Um rastro de lua
Na rua de rastros
depois que a chuva parou.

Luiz Carlos

[Portugal] Lisboa | Manifesto antiautoritário para um 1º de Maio de luta e libertação – 2026

Em Lisboa, à semelhança do ano passado, prepara-se o 1º de Maio antiautoritário.

Manifesto:

O 1º de Maio é um dia de luto e de luta da classe trabalhadora um pouco por todo o mundo.

Em 1886, os chamados “Mártires de Chicago”, anarquistas, trabalhadores, insurgentes, foram condenados à morte por ousarem imaginar o impossível: que a vida não deveria ser inteiramente capturada pelo trabalho. Lutavam por oito horas de trabalho, oito horas de descanso e oito horas de ócio. Foram, por isso, silenciados pelo Estado, esse mesmo que protege a propriedade e pune quem a desafia. A história, porém, não se escreve com o veredicto dos tribunais, mas com a persistência dos corpos que resistem: a jornada de oito horas não foi concedida, foi arrancada aos patrões com organização, luto e luta coletiva. O que se celebra não é uma conquista pacificada, mas uma ferida aberta que ainda pulsa: memória viva de que nenhum direito nasce sem conflito e de que a luta contra a exploração e o Estado permanece internacional, contínua e inacabada.

Os Mártires de Chicago morreram pela luta dos trabalhadores e é porque anarquistas perderam as suas vozes, que hoje levantamos as nossas. Há mais de 130 anos, exigia-se o mínimo: cerca de 40 horas semanais, quando o comum eram jornadas de 80 horas que devoravam a vida. Hoje, o que se apresenta como progresso revela-se regressão: o novo pacote laboral tenta devolver-nos ao passado, com o banco de horas individual a estender o dia de trabalho em mais duas horas e a roubar-nos tempo, empurrando-nos para semanas de 50 horas. Continuamos esmagados por rotinas exaustivas, por um tempo que não nos pertence.

Por isso, voltamos às ruas no 1º de Maio. Não apenas para lembrar, mas para insistir: o nosso tempo não é mercadoria! Invocamos a memória dos Mártires porque a luta não terminou e porque conhecer a nossa história enquanto classes oprimidas é também uma forma de recusar o esquecimento e de afirmar, uma vez mais, o direito à vida para além do trabalho.

Nas últimas décadas, o 1º de Maio tem sido esvaziado e reconfigurado como uma celebração dócil do trabalho ou como um dia de descanso “concedido” pelo Estado: um feriado passivo que apaga a memória das lutas que o tornaram possível. Aquilo que nasceu como conflito foi transformado em ritual; aquilo que era insurreição tornou-se calendário. Neste processo, os sindicatos institucionais (CGTP-IN e UGT) afastaram-se da classe trabalhadora, confinando a luta à via legal e à negociação de migalhas. A chamada “concertação social” não passa de uma forma renovada da velha máxima autoritária da colaboração entre classes, um mecanismo que administra o conflito em vez de o enfrentar. A ação sindical, centrada em objetivos imediatos, abdicou de uma transformação radical das condições de vida, deixando para trás a possibilidade de libertação econômica, social, política e sexual. A isto soma-se a burocratização do sindicalismo e a sua instrumentalização como dispositivo de controle, frequentemente voltado contra movimentos autônomos de trabalhadores. O que se apresenta como representação transforma-se, muitas vezes, em contenção, num gesto que mais vigia do que liberta, mais disciplina do que organiza.

Mas a luta não se delega: constrói-se. Constrói-se nas ruas, nas ocupações, nas greves, na ação direta que recusa esperar autorização para existir. Não se pede, toma-se. É, por isso, urgente retomar as formas de luta que conquistaram direitos no passado: a ação direta, o boicote, a greve, a sabotagem. Não como memória, mas como prática viva, como recusa ativa de um sistema que insiste em roubar-nos o tempo, o corpo e a vida.

Enquanto tentam apagar o caráter combativo desta data, nós, anarquistas, reacendemos a sua chama revolucionária. Chamamos todas as pessoas insurgentes, trabalhadoras e lutadoras, coletivos, sindicatos autônomos, movimentos sociais, a ocupar as ruas, a romper o silêncio e a denunciar a exploração capitalista, estatal e todas as formas de dominação. Convocamos quem não aceita delegar a própria vida, quem se compromete com a ação direta, a autonomia e a construção de um mundo sem hierarquias.

Reivindicamos um 1º de Maio auto-organizado, à margem do reformismo e do controlo autoritário. Queremos a autonomia do nosso tempo, dos nossos corpos e das nossas vidas, porque aquilo que nos foi roubado não será devolvido, terá de ser recuperado.

Não esquecemos quem foi deixado fora daquilo a que chamaram “classe trabalhadora”. Quem nunca coube nessa definição estreita, moldada para reconhecer uns e apagar outros. Não esquecemos as vidas empurradas para a margem, silenciadas como sujeitos políticos, tornadas invisíveis por uma ideia de classe que nunca foi neutra — uma ideia construída para excluir.

A “classe trabalhadora” não surgiu como simples descrição do real: foi forjada historicamente, inscrita nas hierarquias coloniais e patriarcais que sustentam o capitalismo. Desde o início, traçou fronteiras entre o que conta e o que é descartável, entre o trabalho que produz valor e o que é negado, entre quem é reconhecido como força de transformação e quem é condenado à invisibilidade. Essas distinções nasceram da violência racial, sexual e econômica que organiza o mundo.

Durante séculos, impuseram como norma a figura do trabalhador assalariado — masculino, branco, nacional — elevando-o a sujeito político legítimo. Tudo o resto foi empurrado para fora: desvalorizado, criminalizado ou romantizado como exceção. Outras formas de trabalho, de resistência e de sobrevivência foram sistematicamente negadas, apesar de sustentarem a vida.

Repensar a luta de classes exige mais do que apelos abstratos à unidade. Exige romper com esta herança, desmantelar as fronteiras impostas e recusar uma ideia de classe fechada sobre si mesma. A classe não é um dado: é um campo de disputa. É nesse terreno que nos colocamos, ao lado de todas as existências que o capitalismo tentou disciplinar, explorar e destruir. Porque a luta não é apenas por inclusão numa categoria que sempre excluiu, mas pela sua transformação radical.

Propomos um 1º de Maio anarquista, transfeminista, antirracista e anti-imperialista. Um 1º de Maio que inclua quem é empurrado para as margens: a comunidade queer, as trabalhadoras migrantes, racializadas e precarizadas, as trabalhadoras sexuais, as pessoas presas forçadas a trabalhar em condições de escravatura. Porque a sociedade do trabalho é patriarcal, capacitista e extrativista, valoriza a produtividade acima da vida e transforma corpos em recurso.

Rejeitamos uma educação que nos treina para obedecer e produzir, que nos molda para aceitar a exploração como destino. Queremos um 1º de Maio que recuse fronteiras e afirme o internacionalismo e a autodeterminação dos povos. Um 1º de Maio que reconheça o colapso climático não como acidente, mas como consequência direta de uma sociedade industrial, colonial e capitalista.

Almejamos uma vida de ócio e de prazer, uma vida onde o tempo livre não seja uma migalha concedida pelo capital para alimentar o consumo, nem um descanso funcional que nos prepara para voltar a ser exploradas. Queremos tempo que nos pertença, tempo vivido e não administrado.

Queremos a abolição do trabalho assalariado e o fim de todas as formas de dominação — porque enquanto o trabalho governar a vida, não haverá liberdade. Transformemos esta data num espaço de agitação, solidariedade e organização popular. Ocupa o espaço. Recupera o teu tempo.

Porque tal como os “Mártires de Chicago”, carregamos nos nossos corações desejos de libertação social, ocupamos as ruas no dia 1 de Maio, a partir das 15h, no Largo de Camões. Este será um espaço de agitação, solidariedade e organização contra o Capital e o Estado e por um 1º de Maio combativo e autônomo. A marcha terminará em festa no Largo do Intendente, um apelo à ociosidade e à reapropriação do espaço público.

Hoje como ontem, não nos resignamos!

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2026/04/21/lisboa-manifesto-antiautoritario-para-um-1o-de-maio-de-luta-e-libertacao-2026/

agência de notícias anarquistas-ana

Limpo o rosto na camisa –
O vento começa a trazer
As primeiras gotas de chuva

Paulo Franchetti

[Espanha] Dialogar ou Julgar

O tempo sempre atenua as paixões; neste caso, refiro-me àquelas produzidas pelas ideias e projetos de transformação. Talvez por isso, hoje em dia eu goste mais do que no passado de compartilhar, conversar, debater, refletir e meditar sobre ideias e sobre agências o mais situadas possível na realidade, na cotidianidade, nas lutas, na vida, na experiência…

Sempre que posso, gosto de praticar o exercício de dialogar, esse exercício de atenção coletiva sem roteiro nem algoritmo que o organize. Quando as conversas são em público e envolvem mais de duas pessoas, entendo que é preciso deixar espaço para que cada um intervenha ou guarde silêncio. É certo que esta afirmação tem uma leitura de gênero difícil de reverter, a saber: que os homens intervêm muito e as mulheres guardam muito silêncio.

Como assinala Amador Fernández Savater, é muito positivo acompanhar a palavra do outro com a escuta, um gesto de incentivo ou a contrapergunta. A conversa se tece e se sustenta entre todos. As palavras derivam, se entrelaçam e desfazem; nos autorizamos a rir, a poetizar, a pensar. Saímos de nós mesmas. E é que conversar, con-vertere, significa voltar-se um para o outro. Se intervém a moral, a consciência, o diálogo emperra, não circula com fluidez.

Ultimamente, meus escritos provocam reações polêmicas, por vezes iradas, e até parece que atentam contra a “consciência” de quem os reivindicou ou os lê. Sempre pensei que, diferentemente do marxismo, o anarquismo não tem santos-pensadores intocáveis (claro, homens) e, embora seja verdade que houve bakuninistas no século XIX, isso não teve continuidade como tem, ainda hoje, com os marxistas.

Os marxistas se acostumaram a debater e a se enfrentar, inclusive a se odiar, por temas doutrinários, teóricos (nos quais se inclui a defesa de seus referenciais: Marx, Engels, Lênin, Gramsci, e muitos outros, até mesmo Stálin… é preciso ter pique). Os anarquistas, por outro lado, debateram, e sim, também se odiaram, mas mais por questões organizativas e de prática de algum tipo: disputas como as que opuseram anarco-coletivistas a anarco-comunistas, anarco-sindicalistas a sindicalistas, plataformistas, conselhista, individualistas, insurrecionalistas, etc., etc.

Talvez por se preocuparem mais com a prática do que com a teoria, o âmbito anarquista sempre gostou de dialogar, conversar, debater, refletir e meditar sem que a doutrina, a ideologia, a verdade ou o julgamento moral da “consciência” o impeçam. Não digo que seja sempre assim e que não tenha havido o contrário, mas compartilho com David Graeber que grande parte da prática anarquista gira em torno de um certo princípio dialógico. Quantas voltas já demos, no âmbito anarquista, para aprender a tomar decisões pragmáticas, tentando que seja por unanimidade e procurando não recorrer à votação para não subsumir quem é minoria sob o ponto de vista da maioria?

Parece que, na realidade, o pensamento real é dialógico, não cartesiano no sentido de que se inicia com o indivíduo autoconsciente e depois fica ruminando como se comunicar com outras pessoas.

Embora tenhamos sido educados na unidade entre teoria e prática, o anarquismo quase sempre optou pela prática de forma muito mais pronunciada do que outras correntes socialistas, certamente mais do que o marxismo.

Resumindo: quando alguém quer saber a opinião de outra pessoa sobre algum tema, é porque está disposto ao diálogo, ao debate, à reflexão. Não se pergunta a opinião quando previamente se a anatemizou, alegando sua “consciência”, ou seja, julgando-a a partir da moral.

Laura Vicente

Fonte: http://pensarenelmargen.blogspot.com/2026/01/dialogar-o-enjuiciar.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Os meus sentimentos
como origami no arame
sempre em movimento

Urhacy Faustino

[Grécia] Pôster sobre os “acidentes” de trabalho

Neste período, como Iniciativa de trabalhadores/desempregados do sul, estamos realizando intervenções com cartazes nos nossos bairros em relação aos “acidentes” de trabalho, ou seja, aos assassinatos patronais e estatais.

Paralelamente, continuamos a distribuir o nosso comunicado sobre o assunto.

Segue o texto do cartaz:

Os “ACIDENTES” DE TRABALHO são na verdade ASSASSINATOS PATRONAIS – ESTATAIS

Não são “maus momentos”, “eventos aleatórios” nem “negligência” dos trabalhadores… É negligência consciente dos empregadores! São as vidas humanas que se perdem, as mutilações extremas e todo tipo de ferimento nos locais de trabalho, durante o horário de trabalho, no caminho para o trabalho ou no retorno dele. São também as doenças crônicas e incuráveis, bem como o estresse e a pressão psicológica que surgem com o tempo.

Os “acidentes” de trabalho devem-se claramente à falta de medidas de proteção, a condições de trabalho inadequadas, à intensificação do trabalho para metas inatingíveis, à extensão dos horários, aos altos anos de aposentadoria, mas também à insegurança e à pobreza que vivemos, levando-nos a aceitar condições de trabalho insuportáveis.

Contra o fatalismo e a indiferença, contra a ideologia do canibalismo, do sucesso individual e do consumo contínuo…

A VIDA E OS NOSSOS INTERESSES DE CLASSE ACIMA DOS LUCROS DOS PATRÕES

Acima dos orçamentos de empresas, do estado e dos municípios!

SOLIDARIEDADE FRATERNA | ORGANIZAÇÃO DE BAIXO PARA CIMA | RESISTÊNCIA COLETIVA

Por condições de trabalho seguras, aumentos nos salários, redução das horas de trabalho, contra os salários de miséria.

>> A realidade nos avisa: O capitalismo prejudica seriamente a saúde! >>

Iniciativa de trabalhadores/desempregados do sul

prwterganenotia.wordpress.com | prwterganenotia@espiv.net

agência de notícias anarquistas-ana

princípio de outono
sol pálido
no céu branco

Rogério Martins