[Reino Unido] Feira do Livro Anarquista Newcastle Ewan Brown 2024

2024 marcará a 3ª Feira Anarquista de Newcastle Ewan Brown, um evento que celebra a vida de Ewan, o passado, presente e futuro radicais do Nordeste da Inglaterra.

No sábado, 1º de junho, a Feira do Livro abrirá as portas para mais um belo ano de mesas com expositores, workshops e eventos ao vivo, exposições de arte e fotos, com trabalhos de Ewan e outros artistas locais. Com DJs na cafeteria o dia todo e à noite shows com música de Almighty Uprisers, Fiona Liquid, 21 Melville Street e Benny Rabble. O cinema exibirá filmes de Ewan durante o dia todo, e à noite um filme para acompanhar os shows.

A feira será mais uma vez realizada no fabuloso cinema “Star and Shadow”, no leste da cidade de Newcastle-upon-Tyne.

A Feira do Livro é administrada por um grupo de voluntários que utiliza recursos de doações e das mesas. O coletivo procurou tornar este evento o mais acessível possível para que todos pudessem desfrutar. Consulte a página Informações do visitante para obter mais informações sobre o acesso. As atividades infantis e juvenis acontecerão durante todo o dia.

Participe!

Se você tiver alguma dúvida ou quiser se envolver, envie um e-mail para: newcastleanarchistbookfair@protonmail.com

Para Ewan.

>> Ewan Brown foi um companheiro e amigo cuja arte, música e palavras inspiraram pessoas no Nordeste da Inglaterra e em outros lugares e promoveu a causa de um mundo pelo qual vale a pena lutar. O evento celebra os interesses de Ewan, além de reunir muitos grupos da região e do Reino Unido.

newcastlebookfair.org.uk

Tradução > meiocerto

agência de notícias anarquistas-ana

Casinhas modestas.
Os telhados prateados
pela lua cheia.

Danita Cotrim

[França] Lançamento: “Atlas do Futebol Popular – Europa – América Latina”, de Yann Dey-Helle

Feliz em compartilhar com vocês o anúncio do próximo lançamento do Atlas do Futebol Popular (prefácio de Jérôme Latta). 

“É possível outro futebol? Como resistir ao negócio do futebol? À margem de um playground higienizado, já existem práticas para dar vida a um esporte autenticamente popular. Longe dos projetos da Superliga, da segurança ideal dos estádios ou dos valores de transferências impressionantes, as zonas de autonomia já promovem um futebol igualitário, não capitalista, feminista, antifascista. Ao contrário dos slogans que idealizam uma época de ouro passada deste desporto – ou, pelo contrário, que testemunham um desinteresse próximo do esnobismo e, por vezes, do desprezo de classe – este livro presta homenagem àqueles que fazem dele um campo de luta por direito próprio… O desafio? Para iniciar um contra-ataque.”

Atlas du football populaire – Europe – Amérique Latine

Yann Dey-Helle

272 páginas – €18

versão impressa ISBN: 978-2-9587315-2-6

editions-terresdefeu.com

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agência de notícias anarquistas-ana

A lua, cansada,
adormeceu por instantes
no leito do rio.

Humberto del Maestro

[França] Rádio | Polinésia: um legado de 193 explosões nucleares

Por Organização Comunista Libertária (OCL) Reims

Neste programa, convidamos você a ouvir as gravações feitas durante uma reunião organizada pela ICAN francesa, a Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares. Lançada em 2007, a ICAN é uma coalizão de organizações não governamentais que trabalham em escala internacional para promover a eliminação de armas de destruição em massa. Na terça-feira, 23 de abril de 2024, a ICAN França convidou a ativista e política polinésia Hinamouera Cross-Morgant para conversar com Jean-Marie Collin, diretor da ICAN França, sobre as consequências do que é comumente chamado de “testes nucleares” na Polinésia Francesa.

>> Áudio aqui: https://audio.radioprimitive.fr/egregore/20240513-polynesie-193-explosions-nucleaires-en-heritage.mp3

Fonte: https://oclibertaire.lautre.net/spip.php?article4166

agência de notícias anarquistas-ana

Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.

Humberto del Maestro

 

[Irã] Ebrahim Raisi, o aiatolá da morte!

Ebrahim Raisi, o presidente do regime fascista da “República Islâmica do Irã”, juntamente com alguns outros, foi morto durante um acidente de helicóptero em uma viagem. Seus cadáveres foram encontrados na região do Azerbaijão, no noroeste do Irã, com a ajuda do Estado turco e de outros países.

Há suposições e possibilidades de um terror governamental também. Sabe-se que ele foi um dos carrascos que participaram do assassinato de milhares de prisioneiros políticos e também é responsável pela repressão a manifestantes. Por isso, temos o prazer de declarar que esse acontecimento pode ser considerado como uma chance de nos reunirmos para derrubar o regime nesses casos.

Obviamente, o ponto mais importante nessa questão é a solidariedade entre as pessoas. A união pode nos levar a uma mudança radical em uma situação em que o governo está paralisado e instável. Desejamos e tentamos a unidade para que haja um julgamento justo para todos os funcionários do governo, como o presidente morto do regime islâmico.

União Anarquista do Afeganistão e do Irã

Fonte: https://asranarshism.com/1403/03/03/ebrahim-raisi-eng/

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

para medir o calor
do dia, olhe o comprimento
do gato que dorme

James W. Hackett

 

[EUA] Tutores anarquistas de gatos não estão mais sozinhos

Por Arin Greenwood

Dos lugares mais recônditos da internet vem um grupo de Facebook chamado “Catarchy” (“Gatarquia”, em tradução livre), em que anarquistas postam fotos de seus gatos – junto com mensagens sobre a devoção de seus gatos à destruição da hegemonia do estado.

E por que não? “O gato é o melhor anarquista”, escreveu Ernest Hemingway. E enquanto alguns gatos querem se eleger, outros querem destruir todos os cargos políticos.

“Meus queridinhos gostam de dormir e de lutar contra a natureza opressiva da sociedade”, gaba-se um membro. Outro apresenta sua gata, chamada Emma. “Acabei de adotá-la ontem”, lê-se: “seus hobbies incluem subverter o capitalismo, lutar contra o patriarcado e brincar com novelos”.

Alguns membros do grupo pedem conselhos sobre como misturar preocupações idealistas com as realidades diárias de viver com um felino sem lei:

“Anarquistas, quão autoritários vocês são com seus gatos? Vocês os castram ou esterilizam? Vocês os deixam sair na rua?”

Essas questões provocam respostas surpreendentemente práticas, ainda que estranhamente reflexivas, que acabam revelando os limites da liberdade, tais como “esterilizei minha Lola porque ela mijava na casa inteira quando estava no cio aos dois anos de idade. Não, ela não pode sair na rua, a não ser que aprenda a sair voando do meu apartamento no nono andar”.

Catarchy é um grupo aberto com quase 1200 membros e muitas mais postagens como esta acima – e embora um gato preto furioso seja um símbolo anarquista, os gatos no site, alguns amavelmente descritos como “pequenos tiranos”, tendem ao adorável (há um porco fofo vestindo casaco, também).

O que você não encontra na página do grupo? Fotos de cachorros. O que faz sentido, já que todo mundo sabe que cachorros, tão ávidos por apoiar a autoridade, são estatistas. Exceto este aqui.

Falamos com o administrador do grupo Catarchy, uma pessoa cujo pseudônimo é Constable Homeaux, anarquista em sua concepção “há mais ou menos oito anos”.

O grupo Catarchy começou, explica Homeaux, para fornecer um “ambiente de apoio para que pessoas falem sobre seus gatos e vejam fotos dos gatos de outros anarquistas”. O que eles fazem. Voluntariamente e com consentimento livre e esclarecido, aos montes (há quase 1600 camaradas no Catarchy nesta quinta-feira à noite).

O que levanta a questão: por que anarquistas se interessam tanto por gatos?

“Acho que gatos são pets / companheiros animais que chamam a atenção de anarquistas porque é mais ou menos impossível coagir um gato a fazer algo que ele não queira fazer. Eles têm um forte veio individualista”, diz Homeaux, “mas também praticam ajuda mútua”, ou cooperação.

E é claro, Homeaux também tem um gato preto, apropriadamente chamado Bakunin.

“Eu diria que ele faz mais o tipo solidariedade de classe”, diz Homeaux. “Sempre que eu saio pro trabalho ele me leva até a porta, e me recebe na volta. Ele também foi a um Occupy uma vez dentro de uma mochila”.

Tradução > anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

Entre arranhões e lambidas
para cuidar de tanto gato
precisarei de sete vidas

Alvaro Posselt

Crowdfunding Ateneu em Galiza.

Ante a situação social que nos enfrentamos nestes tempos de capitalismo extremo, onde a sociedade premia o individualismo, as formas de organizações autoritárias e hierárquicas, a competitividade e a falta de princípios, meios e fins. Vemos a necessidade da criação de um Ateneu Anarquista em Galiza, onde se priorize a vida coletiva, organizações horizontais e igualitárias, o apoio mútuo, a solidariedade e a autonomia.

Desde diversos grupos e afinidades fazemos um chamado para arrecadar dinheiro e recursos através de um crowdfunding coletivo destinado a cobrir as necessidades de materiais para a construção de um espaço libertário. Também pedimos a difusão para fazer com que chegue a todos os grupos afins.

Os recursos econômicos gerados serão destinados a materiais e ferramentas de construção para reabilitar uma edificação em ruínas. Assim como materiais para a reabilitação do telhado, paredes, portas, janelas, instalação elétrica e hidráulica.

Se queres colaborar com um aporte econômico ou material para o desenvolvimento do projeto. Deixamos o correio e o número da conta.

A data limite para a primeira parte da campanha de apoio finalizará no dia 15 de julho.

Para mais informação podes contatar conosco através do correio eletrônico.

Correio: [ ateneogaliza@riseup.net ]

Colaborações econômicas:

Concepto: [ AteneoGaliza ]

Nº de Conta: [ ES61 1491 0001 2821 6929 8128 ]

PARA DESTRUIR O SISTEMA, CRIA ESPAÇOS LIBERTÁRIOS

ATÉ ROMPER COM A LÓGICA CAPITALISTA E PATRIARCAL

algranoextremadura.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Da minha janela
Ouço o cantar da coruja.
O sono não vem.

Adriana aparecida Ferreira Cardoso

[EUA] Anarquismo e cinema: Novas Perspectivas

Vol. 2024 No. 1 (2024): Anarquismo e Cinema: Novas Perspectivas

Esta edição especial da Anarchist Developments in Cultural Studies tem um objetivo ambicioso: apresentar novas contribuições para o campo dos estudos cinematográficos. Até recentemente, havia uma escassez de estudos anarquistas relacionados ao cinema, uma situação atribuível, em parte, à histórica marginalização do anarquismo no meio acadêmico, mas a situação está mudando rapidamente, graças aos estudos de Richard Porton, Susan White e Nathan Jun, para citar alguns. Assim, à medida que os estudos anarquistas causam impacto, pareceu oportuno reunir uma edição especial com foco em filmes…

ARTIGOS

Novas abordagens em estudos cinematográficos
Dr. David Christopher

Mobilizando paixões: Ideologia, Incoerência e Fascismo no Cinema
Dr. Jesse Cohn

O meio selvagem: Anarquismo e cinema surrealista
Kristoffer Noheden

The sub.Media Collective: Propagação de mídia tática em culturas de movimento anarquista
Kimberly Croswell

Sobre a escrita do cinema anarquista
James Newton

Em direção a uma análise do cinema anarquista-apocalíptico
Dr. David Christopher

RESENHAS DE LIVROS

Michael Willrich, American Anarchy: The Epic Struggle between Immigrant Radicals and the U.S. Government at the Dawn of the Twentieth Century [A luta épica entre radicais imigrantes e o governo dos EUA no início do século XX]. Nova York: Basic Books, 2023.
Allan Antliff

>> Para ler ou baixar a revista: 

https://journals.uvic.ca/index.php/adcs/issue/view/1602

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/09/11/espanha-um-hollywood-proletario-o-cinema-anarquista-espanhol/

agência de notícias anarquistas-ana

Sopra o vento
Segura-te borboleta!
Na pétala da flor.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Alemanha] Reunião anual caótico-anarquista, 30 de maio a 3 de junho

Queremos anarquia. Queremos liberdade e autonomia para todos, sem dominação. Queremos a derrubada da ordem existente. Queremos revolução social.

Isso não mudou desde a última reunião da ACAT. Entre outros tópicos, foram discutidos no ano passado: se as lutas intermediárias/específicas ainda são uma proposta válida nas condições atuais e/ou se precisaríamos delas agora mais do que nunca; diante de condições distópicas, de que forma podemos intervir nas lutas sociais (e se queremos fazê-lo); a recuperação de lutas antiautoritárias por parte de autoritários (com base na experiência da tomada ‘apelista’ da ZAD em Nantes, França); o cerco digital e os seus descontentamentos (baseado no caso do camarada Boris na França e na luta contra a expansão global da prisão digital ao ar livre); a história do método insurrecional; guerra; e o patriarcado em sua forma tecnoindustrial.

Este ano voltaremos a nos reunir, para nos encontrarmos cara a cara, sem telas. Em grupos grandes e pequenos, com caras novas e velhos conhecidos e amigos. Com a experiência do ano passado, decidimos limitar as discussões a três dias temáticos, com apenas duas discussões por dia. (Discussões espontâneas podem ser propostas e reiniciadas a qualquer momento).

Os temas serão: Solidariedade Internacional / Extrativismo / Guerra

O encontro acontecerá na Floresta Hambacher. Os dias de discussão serão sexta, sábado e domingo. Os dias de chegada são quarta-feira, dia 29, e quinta-feira, dia 30, e o dia de partida é segunda-feira, dia 3 de junho.

Traga suas distros!

Alimentação será fornecida. É necessário trazer barracas, sacos de dormir e esteiras. Por favor escreva-nos se não quiser dormir em barraca, haverá alternativas (que não incluem escalada), mas esta opção será disponibilizada principalmente às pessoas que necessitam delas para poder participar no encontro.

Para entrar em contato conosco ou se você tiver outras dúvidas: acat@supernormal.net

Um programa detalhado, bem como uma explicação de como chegar e outras informações serão publicados aqui no início de maio.

Todos os anarquistas, corações selvagens, espíritos livres, subversivos e rebeldes que se reconhecem neste convite são bem-vindos.

No entanto – e com a experiência do ano passado – queremos acrescentar um pequeno aviso, para aqueles que talvez devam pensar se realmente querem vir:

  • Pessoas que esperam discussões moderadas, listas de discussão e outras modalidades sócio-cibernéticas. Você pode participar das discussões em pequenos grupos sob tais condições, se quiser fazer isso, mas a maioria das discussões não será assim.
  • Pessoas que esperam uma equipe de ‘awareness’ para um fim de semana de discussão. Não haverá nenhum.
  • Pessoas que esperam festas e consumo de drogas. Existem muitas possibilidades para isso o tempo todo, uma reunião de discussão em uma floresta talvez não seja o espaço para isso.
  • Pessoas que, quando se trata da questão da guerra, apoiam a adesão de anarquistas às fileiras de formações (proto-)estatais ou querem pressionar (moralmente) os anarquistas para ficarem do lado deste ou daquele Estado (ou mesmo lutar por eles), por favor, fique longe desta reunião.

acat.noblogs.org

Tradução > meiocerto

agência de notícias anarquistas-ana

Para tricotar
Sento-me numa cadeira
De onde veja o relógio.

Toshiko Nishioka

[Itália] Comemorando 35 anos da Zero in Condotta

A [editora] Zero in Condotta (Zero em Conduta) foi fundada como uma associação voluntária e sem fins lucrativos entre o final de 1988 e o início de 1989. Seu nome evoca a transgressão e a indisciplina diante de um panorama social, político e cultural cada vez mais orientado para o achatamento e o conformismo generalizados, mascarados por um “falso movimento” contínuo.

A recusa em participar do “espetáculo” é traduzida em um compromisso com a percepção cultural que pretende quebrar as regras do jogo preestabelecido para tentar abrir novos horizontes de liberdade.

A intenção é cruzar limites e fronteiras nunca alcançados, encontrar e comunicar histórias nunca contadas, ler dados e realidades concretas nunca reveladas.

Um eixo privilegiado dessa aposta é a escavação da memória histórica menor, aquela que está escondida e oculta não tanto por estar perdida, mas por ser inconveniente, antiacadêmica, verdadeira.

Zero in Condotta não conta com financiamento, nem com setores pré-estabelecidos para atingir, nem com pontos de venda comerciais estabelecidos. É uma aposta no não consumismo do livro que diz respeito tanto àqueles que o projetam quanto àqueles que o leem e contribuem para sua disseminação.

Se você se sente parte dessa aposta, a festa do 35º aniversário da ZIC é uma oportunidade de apoiá-la, de encontrar seus livros, os que estão no catálogo (50% de desconto) e os que agora estão em pouquíssimos exemplares.

Além disso, é também uma oportunidade de apoiar as atividades do Arquivo Proletário Internacional – que desde 1970 vem coletando e catalogando livros, jornais, revistas, folhetos, cartazes, vários cicloturistas e correspondências – comprando textos e cartazes excedentes, conversando e confrontando, tomando uma cerveja e uma taça de vinho, apresentando livros e pesquisas, projetando vídeos e até mesmo uma simultânea de xadrez…

Começamos com os banquetes às 11 horas da manhã e continuamos até as 19 horas e durante a tarde:

  • às 15h, apresentação de um dos últimos livros publicados: “Ecologia Social e o Direito à Cidade, com Federico Venturini, coautor e editor do livro, uma coleção de experiências e visões em torno da recuperação do conceito de direito à cidade para lançar as bases para um repensar político, econômico e social da gestão e organização da cidade, particularmente significativo hoje que vivemos em um planeta cada vez mais urbanizado.
  • às 16h30, exibiremos um vídeo com Antonio Mazzeo, que falará sobre a evolução da guerra da OTAN e a militarização do território italiano.
  • às 17h00, Daniele Ratti e Massimiliano Bonvissuto falarão sobre os resultados muito significativos de seu estudo sobre as relações existentes entre o Estado italiano e o Estado de Israel, com foco especial nas colaborações existentes entre suas respectivas universidades e centros de pesquisa.

FB: https://www.facebook.com/events/824963782859853/?ref=newsfeed

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

caem folhas do salgueiro
desejaria varrer o jardim
antes de partir

Alberto Marsicano

[França-Holanda-Noruega] Campanha internacional contra a Yara, seus fertilizantes fósseis e seu mundo

#Yarafertilizeschaos

De 21 a 28 de maio, jornada da l’AG da Yara na Noruega

A Yara é a campeã dos fertilizantes sintéticos e, como tal, uma gigante do agronegócio global. Sua especialidade? O lobby do agronegócio. A Yara é uma das principais participantes da industrialização da agricultura em todo o mundo.

Seus lobbies interferem até mesmo nas políticas públicas de alimentos dos países africanos para vender seus produtos. Como resultado, os agricultores se tornam dependentes da Yara e se endividam ou até mesmo vão à falência. Ao impor seu modelo, a Yara está minando os sistemas de agricultura camponesa existentes que alimentam o mundo, são mais resistentes às mudanças climáticas e sabem como passar sem os fertilizantes de nitrogênio sintético.

Os fertilizantes derivados diretamente da extração de combustíveis fósseis são destruidores do clima e poluem tanto os locais de produção quanto os ecossistemas: solo, ar, água, biodiversidade e saúde humana. Apesar disso, a Yara é especialista em “greenwashing” e em fazer as pessoas acreditarem que seu negócio tem futuro.

Ao visar a Yara, nós, os coletivos internacionalistas da Holanda, Noruega e França (mais informações abaixo), queremos destacar uma multinacional pouco conhecida que está bem estabelecida na França e que está trabalhando ativamente para desenvolver seu modelo na Europa e nos países do Sul.

Faremos postagens todos os dias entre terça-feira, 21, e terça-feira, 28 de maio, jornada da l’AG da Yara na Noruega.

Portanto, se, como nós, você acha que a Yara é o símbolo perfeito da agroindústria capitalista poluidora e neocolonialista… ou se quiser falar mais sobre o assunto, mantenha-se atualizado e compartilhe!

SITE

Encontre publicações completas sobre a YARA em www.sdtsn.org

REDES SOCIAIS

Telegrama: @compostyara

Insta: @sdlt.sn

Compost Yara é um pequeno coletivo que monitora e se mobiliza contra a Yara e seu mundo, em conjunto com Soulèvements de la Terre Saint Nazaire e Estuaire. Estamos unindo forças com grupos da Noruega (Spire) e da Holanda (ASEED), bem como com Les Amis de la Terre (França), para expor as mentiras, os mitos e as estratégias desonestas da Yara.

É a campanha europeia #Yarafertilizeschaos

Fonte: https://expansive.info/Campagne-internationale-contre-Yara-ses-engrais-fossiles-et-son-monde-4592#&gid=1&pid=1

agência de notícias anarquistas-ana

selva de pedra
condor solitário
vôo triste

Manu Hawk

[Espanha] CNT-AIT Astúrias contra a queima de resíduos (CSR) em La Pereda

O Departamento de Transição Ecológica, Indústria e Desenvolvimento Econômico autorizou a Hunosa a transformação da central térmica de La Pereda, que deixará de queimar carvão para fazê-lo com biomassa e Combustível Sólido Recuperado (CSR) (31% de plásticos, 13% de papel e papelão, 12% de madeira, 14% de têxteis e 30% de outros materiais).

A queima deste tipo de resíduos é altamente contaminante, acelera a mudança climática e gera problemas associados à saúde das pessoas, dos animais e das plantas.

A queima de resíduos vai em detrimento da reciclagem e da compostagem de ditos resíduos e não deixa de ser uma incineração “pela porta de trás”. A solução alternativa que propõe Hunosa não melhora nada já que queimar resíduos gera o dobro de emissões de CO2 por unidade de energia produzida que uma central térmica de carvão.

Por tudo isso é necessário mobilizar a população para deter este atentado contra a vida e o planeta.

NÃO À INCINERAÇÃO DE RESÍDUOS NA CENTRAL TÉRMICA DE LA PEREDA!

Reciclar e compostar é a alternativa a curto prazo, mas o problema seguirá enquanto não se reduza drasticamente a produção de resíduos plásticos e derivados do petróleo por parte da indústria em escala mundial.

Não permitamos a destruição do planeta pelo capitalismo com a conivência dos governos e Estados.

APOIA E DIFUNDE!

POR NOSSO FUTURO!

Fonte: https://cntasturias.org/2024/05/21/cnt-ait-asturies-contra-la-quema-de-residuos-csr-en-la-pereda

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

O céu, que é perfeito,
andou jogando em seus olhos
o dom do infinito.

Humberto del Maestro

 

Prosas e versos dispersos | “Todo governo é um arranjo de vigaristas”

> Governos <

Todo governo tem seus defensores,

bajuladores e seguidores.

Não importa todas as cagadas,

negociatas, verbas desviadas,

nepotismo, fisiologismo

e interesses escusos,

todo governo tem seus entusiastas.

Todo governo é elitista,

conservador,

e meio fascista.

Mesmo que faça discurso de progressista.

Todo governo é um arranjo de vigaristas.

Nenhum governo há de ser melhor que o outro

ou mudará para melhor nossas vidas.

Pois todo governo, acima de tudo,

é porta-voz da ordem capitalista.

Carlos Pereira Júnior

> Políticos <

Todos os políticos mentem.

Pois é mentindo que se chega ao poder,

que se fala em nome do Estado,

da república e do povo.

Todo político é um demagogo

preso a obscuros acordos.

Um rico a serviço dos ricos,

dos privilegiados e bem nascidos.

Todo político é meio canalha,

meio empresário, meio bandido.

Nunca confie em nenhum político,

repudie todos os partidos,

não acredite na República.

Carlos Pereira Júnior

> A virtude de desobedecer <

Nada muda no mundo

através do jogo tosco

de mandar, obedecer e morrer.

A vida se cria com rebeldia,

fora da prisão da educação

que nunca nos ensina

como dizer não.

É preciso gritar,

espernear e sonhar

para com um novo mundo

algum dia renascer

contra todas as formas de prisão e exploração.

Carlos Pereira Júnior

agência de notícias anarquistas-ana

Em uma flor,
A joaninha pousa
Colorindo o jardim

Vanessa Kaori V. Uechi

[Espanha] Exposição gráfica “No Podrán Pararnos” em solidariedade a Mônica e Francisco

EXPOSIÇÃO GRÁFICA “ELES NÃO PODERÃO NOS DETER”

Mais de 40 trabalhos gráficos serão exibidos durante esse dia em solidariedade aos companheiros anarquistas Francisco Solar e Mónica Caballero, recentemente condenados pelo Estado chileno a 86 e 12 anos de prisão, respectivamente. As obras são a contribuição solidária de diferentes artistas gráficos do Chile e de outros territórios.

Almoço Vegano Solidário

16h00: Abertura da exposição.

17h00: Apresentação do jornal antiprisão “Tinta de Fuga”.

18h30: Atualização sobre a situação dos presos anarquistas e subversivos no Chile.

20h00: Música: – FADE – PUTXAMARANTA

22h30: Encerramento

CSO LA SQUATXERIA

Carrer d’Enric Prat de la Riba 88 – Hospitalet

*As obras expostas estarão à venda.

SOLIDARIEDADE COM AQUELES QUE GOLPEIAM OS PODEROSOS E REPRESSORES!

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o sino,
Repousa e dorme
A borboleta.

Buson

[Grécia] Protesto | Resposta às perseguições antifascistas pelo Caso de Budapeste


  • Concentração em defesa do antifascismo militante
  • Sexta-feira, 24 de maio, 19h00 Embaixada da Hungria, Vasileos Konstantinou 38, Atenas

Todos os anos, desde 1997, no dia 11 de fevereiro, um grande número de grupos de extrema direita e neonazistas se reúnem em Budapeste para eventos públicos, comemorando a tentativa de fuga das tropas nazistas sitiadas da SS e da Wermacht e de seus colaboradores locais de Budapeste em 1945, pouco antes da libertação da cidade das forças do Exército Vermelho. Esse dia é um ponto de referência e de encontro para a extrema direita europeia e ocorre com a total tolerância do Estado húngaro, já que essa data é apresentada como um dia de lembrança histórica pelos apologistas e nostálgicos dos nazistas.

Em 11 de fevereiro de 2023, a polícia húngara fez 6 prisões, sendo que a companheira italiana Ilaria e o companheiro alemão Tobias estão nas prisões húngaras desde então, acusados de atacar neonazistas durante eventos públicos de extrema direita em Budapeste, por ocasião do chamado Dia da Memória. Em particular, Ilaria é acusada de participar de dois ataques contra nazistas, com a circunstância agravante de “colocar em risco a vida da vítima”, além de ser acusada de saber, sem estar envolvida, da existência de uma associação criminosa internacional que organizou os ataques em questão. Já o nosso companheiro alemão Tobias, juntamente com outro companheiro alemão, está sendo acusado de participação em uma organização criminosa.

As condições de detenção nas prisões húngaras são realmente severas e desumanas, criando um ambiente de extermínio mental e biológico com isolamento sensorial e restrições significativas à comunicação e ao acesso ao pátio, condições sanitárias precárias e constantes transferências de presos. No Ocidente “civilizado”, no entanto, as coisas não são muito diferentes, pois tanto o Estado italiano quanto o alemão estão envolvidos em uma caçada implacável aos antifascistas. Mais especificamente, o Estado alemão mantém a companheira Lina como refém há mais de quatro anos, acusando-a de mais de sete ações antifascistas específicas e chegando ao ponto de colocar um preço na cabeça dos companheiros antifascistas, forçando-os a se tornarem fugitivos. Na Itália, as condições de detenção para os envolvidos na luta são torturantes e levam à morte lenta.

Em 29 de janeiro de 2024, ocorre a primeira audiência do julgamento, na qual a acusação propõe uma sentença de 11 anos para o companheiro italiano, enquanto para os outros dois propõe uma sentença de 3 anos e 6 meses. Diante da proposta da promotoria, os companheiros italiano e alemão se declaram inocentes. O companheiro alemão aceita sua participação e é condenado a 3 anos, mas a promotoria entra com recurso, que ocorrerá em outubro, pedindo uma sentença de 3 anos e 6 meses.

No entanto, além do julgamento dos três companheiros, que já está ocorrendo, o Estado húngaro está emitindo Mandados de Prisão Europeus (MDEs) relacionados a esse caso para quatorze pessoas de nacionalidade italiana, alemã, albanesa e síria. Até o momento, três prisões foram feitas na Itália, Alemanha e Finlândia com base nos MDEs. Mais especificamente, em 21 de novembro, o companheiro Gabriele foi preso em Milão e colocado em prisão domiciliar, aguardando a decisão da promotoria, que finalmente decidiu não autorizar sua extradição para a Hungria e, como resultado, o companheiro foi liberado das restrições. Em 12 de dezembro, a companheira Maja foi presa na Alemanha e está aguardando uma decisão sobre sua extradição. Outro companheiro com passaporte albanês foi preso na Finlândia em 2 de fevereiro de 2024 e, por sua vez, permanece em prisão domiciliar até sua possível transferência para as prisões húngaras. Desde então, todos os outros companheiros estão sob o status de fugitivos.

Esse caso vem destacar da maneira mais enfática uma série de tendências que, nos últimos anos, temos visto surgir no contexto internacional. Mais especificamente, por um lado, os Estados estão se armando, atualizando constantemente seu arsenal ideológico e repressivo (militar, legal, tecnológico) contra as explosões sociais ameaçadoras, expandindo o número de grupos sociais que constituem o “inimigo interno”. Ao mesmo tempo, com a intensificação da crise capitalista e a intensificação das rivalidades geopolíticas que levam à turbulência global, as formações de extrema direita estão surgindo na Europa e em outros países, aumentando sua influência social. Formatos e inclinações com narrativas reacionárias, conspiracionistas, demagógicas e populistas, de fácil digestão, que se apresentam como “tábuas de salvação” para a recuperação da estabilidade capitalista. Uma estabilidade capitalista que tenta se estabelecer sobre os corpos afogados dos imigrantes e o empobrecimento da maioria social. Sociedades que estão sendo preparadas pelos Estados para se envolverem cada vez mais em novas guerras imperialistas que levarão a novos massacres e a inúmeras mortes de pessoas de nossa classe.

As perseguições contra os companheiros antifascistas, realizadas com incrível fúria, são ataques a toda a coletividade em luta. Devido à sua profunda natureza internacionalista e anticapitalista, os Estados percebem o antifascismo militante como um meio para a mobilização de classe de uma parte dos oprimidos, com perspectivas de generalizar a resistência contra o Estado, o capital e, mais especificamente, contra os aspectos mais reacionários e sombrios dos regimes e os defensores da brutalidade.

No dia 25 de maio, foi marcada a data do próximo julgamento para os antifascistas perseguidos. Diante dessa situação, optamos por nos solidarizar e lutar ao lado de todos os companheiros perseguidos. Lutar pelo bloqueio dos Mandados de Prisão Europeus e pela libertação de todos os companheiros presos. Contra o reacionarismo sombrio para o qual o sistema capitalista destruído se voltou, defenderemos o antifascismo militante e ergueremos nossas resistências internacionalistas para que a paixão pela liberdade e nossas lutas vençam.

Apoiamos material, moral e politicamente aqueles que continuam a lutar contra o monstro do fascismo, enviando um sinal de solidariedade aos companheiros procurados, reconhecendo os ataques contra os fascistas em Budapeste como um evento de grande importância para o desenvolvimento do movimento antifascista militante nos dias de hoje.

GUERRA CONTRA O FASCISMO, O ESTADO E O CAPITAL – SOLIDARIEDADE A TODOS OS ANTIFASCISTAS PERSEGUIDOS E AOS DOIS MILITANTES PERSEGUIDOS POR ATAQUES AOS ESCRITÓRIOS DO AURORA DOURADA (JULGAMENTO EM 16 DE SETEMBRO)

Antifascistas do centro e dos bairros periféricos de Atenas e Pireu

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tremem na brisa
à contra-lua

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A arte e a cultura como válvula de escape para resistir à crise em Cuba

Em meio a todos os desafios enfrentados por Cuba, a arte e a cultura continuam sendo refúgios de criatividade e resiliência.

Por Livia Drusila Castro | 20/04/2024

Cuba se apaga. A bela ilha, iluminada pelo sol do Caribe, submerge em uma escuridão que vai além da ausência de eletricidade. O sonho da revolução está se dissipando como a última chama de uma vela.

As bandeiras de propaganda, emblemas do passado glorioso, agora estão desbotadas e gastas, como se o mesmo sol que as desbotou também tivesse acabado com as promessas que uma vez fizeram. Não há luz nas casas, não há comida nas lojas e as pessoas estão protestando.

Em 17 de março, as ruas de Santiago de Cuba foram inundadas por pessoas que se manifestavam contra os apagões que duravam mais de 15 horas por dia, a fome e a crise generalizada de abastecimento do país. A resposta do presidente Miguel Díaz Canel: atribuir os protestos a terroristas radicados nos Estados Unidos e aplicar uma forte repressão que deixou várias pessoas presas e algumas desaparecidas.

No entanto, em meio à escuridão, ainda há um lampejo de luz. A cultura ainda está lutando para sobreviver. Apesar das dificuldades, apesar da falta de material, apesar da falta de recursos, da inflação, dos cortes e da falta de liberdade de expressão, a arte continua viva em Cuba.

Alguns cubanos dizem que vivem “a la my love“, porque, apesar das dificuldades, tentam ver o lado positivo da vida. Daí o nome do premiado documentário Alamarilove, um filme sobre a cultura do bairro de Alamar, no leste de Havana.

Joel, protagonista da produção, conta que “todo mundo foi embora”. O regime os forçou a fugir, e agora, em Alamar, ele é o único que restou. Com 52 anos e nascido na Havana Velha, a área mais turística e bem cuidada da cidade, ele e sua família se mudaram para Alamar quando ele ainda era criança, e hoje ele ainda mora na casa onde cresceu naquele bairro.

Se você nunca o visitou, é difícil descobrir onde fica a porta de seu lar. A vegetação rasteira invadiu o pequeno caminho que leva ao seu estúdio, um cômodo baixo com pouco mais de três ou quatro metros quadrados de escuridão, sem janelas. Joel fala sobre ter ciúmes de suas coisas, mas aquele cômodo é uma armadilha para os curiosos, cheio de livros, esboços, pinturas, antiguidades, roupas, fotos e muitos papéis. Ele não pode negar que é um artista.

Ele pinta desde jovem e sua técnica se baseia no uso de materiais reciclados. Desde tábuas de madeira que ele resgatou da costa até pedaços de papel que encontrou. Mesmo quando não tinha papel, Joel pintou diretamente sobre a madeira. Ele obtém suas tintas por meio de doações de amigos e turistas que, quando o visitam, deixam-nas para que ele possa continuar criando. No passado, ele até usava pigmentos da terra, porque não havia, e ainda não há, quase nada nas lojas.

Suas pinturas, ele explica, se baseiam em suas experiências. “Pinto o que vejo na rua, é assim que vejo as pessoas”. Ele se recusa a cair no mesmo padrão que querem vender nas lojas de turismo: ele não pinta catedrais, casas cubanas ou pessoas negras dançando salsa. Melhor morrer de fome, diz ele.

O artista conta que, em algumas ocasiões, sentiu-se vigiado pela polícia e que centenas de pessoas passaram por sua casa, “desde guerrilheiros das FARC na Colômbia até membros do movimento americano Panteras Negras”. Mas ele quer ir embora, diz resignado.

A Casa Amarela: arte contestatória em tempos de crise

Uma de suas últimas exposições ocorreu na Casa Amarela. Um centro cultural localizado no Centro Habana que está em atividade há cerca de quatro anos. Juan Manuel Pérez, cinegrafista, fotógrafo e fundador dessa iniciativa, fala sobre como a pandemia abalou Cuba e afetou o movimento cultural na ilha. O nome, Casa Amarela, é uma homenagem à pintura a óleo de Vincent Van Gogh de mesmo título.

Seu projeto busca receber artistas de diferentes disciplinas e oferecer a eles um espaço no qual possam se tornar conhecidos, continuar a criar e gerar sinergias entre os diferentes membros do coletivo.

“Era por volta das 12 horas da noite quando a energia foi cortada pela última vez na Casa Amarilla”, lembra Pérez. Eles estavam no meio de um evento musical e a energia acabou. Felizmente, não foi por muito tempo e o show pôde continuar. Havana não é a cidade com mais cortes de energia, a situação é agravada nas cidades mais ao leste. Lá, muitas famílias, durante os protestos do 17M, reclamaram que a comida na geladeira estava estragando por causa dos cortes e que não podiam guardar nada na geladeira. Sem mencionar o calor de estar em casa sem poder ligar o ventilador a 40 graus.

O objetivo de Juanma Pérez com seu projeto, mais que consolidado, é criar um tipo de consciência coletiva que chame cada vez mais artistas para se reunirem em seu espaço. O centro já sediou diferentes experiências artísticas de todas as disciplinas: exposições de artistas visuais, fotografia, cineclube, dança, concertos musicais, desfiles de moda locais e oficinas para crianças. No entanto, o produtor não acha que a ideia esteja pegando. Sua percepção é que muitos dos artistas que aproveitam seu espaço não querem colaborar mais estreitamente.

Pérez acredita que a dificuldade de evolução de seu projeto se deve ao individualismo e ao ego do artista, que quer criar seu próprio projeto, e às dificuldades do país. “Se você não tem estômago cheio, fazer arte é complicado”, diz ele.

O fotógrafo é comprometido com a cultura. Desde criança, ele sabia que o cinema fazia parte dele. Há alguns meses, ele lançou o documentário Maternando en Cuba, feito em colaboração com Yindra Regueifero, atriz do grupo de teatro El Ciervo Encantado. Essa produção é baseada no testemunho de quatro mães que falam sobre suas experiências de maternidade em Cuba. Três delas dizem ter sofrido algum tipo de violência obstetrícia ou negligência durante o parto. Outra fala sobre os perigos de morar em uma casa que está inabitável desde 1964, onde até pedaços do telhado caem. Em Havana é comum encontrar escombros nas esquinas ou restos de varandas que caíram devido à falta de manutenção.

Elas falam da incerteza, da dor que sentem quando não conseguem alimentar seus filhos adequadamente, de não poder lhes dar um bom lanche ou café da manhã. Caridad, uma das mulheres, lamenta ter de dar a seus filhos um ovo cozido para comer porque não tinha mais nada. Amanda se sente impotente por causa da doutrinação nas escolas e da confusão que pode causar a uma criança o fato de lhe dizerem certas coisas que, para ela, não são verdadeiras. Um documentário que, a partir das particularidades da vida de cada mãe, explica a situação em Cuba.

Uma mistureba de disciplinas artísticas

Santa Clara é a capital da cultura cubana. A cidade tem o primeiro centro cultural LGTBIQ+ do país, o Mistureba [Mejunje]. Esse centro foi criado em 1984 e, desde então, tem se envolvido em diferentes campanhas contra a homofobia, a discriminação e a prevenção do HIV.

O espaço foi projetado para promover a arte e a cultura por meio da inclusão. Toda noite há uma atividade diferente: teatro, música ao vivo, trovadores, não importa o dia da semana. E a razão de seu nome vem do fato de que várias disciplinas artísticas são frequentemente misturadas na mesma apresentação, criando uma “mistureba”.

Por exemplo, uma noite por semana eles fazem uma apresentação que mistura teatro, música ao vivo e poesia. E os temas que eles abordam com frequência estão relacionados à colonização espanhola e ao período pós-colonial.

O criador desse centro se chama Silverio e ali todos o conhecem e o apreciam. Ele diz que o Mistureba foi um projeto espontâneo. Foi concebido para um público jovem com base no respeito à inclusão e à diversidade e gradualmente evoluiu para o que é hoje, um ícone e um exemplo a ser seguido em todo o país.

Traços Livres: um projeto comunitário que democratiza a arte

Em outras províncias, outros mais jovens que Silverio também estão lutando para manter a arte e a cultura vivas. Em Cienfuegos, o projeto sociocultural comunitário Traços Livres [Trazos Libres], criado por Santiago Hermes e Mary Cid, está comemorando seu 15º aniversário este ano. Sua sede fica no Distrito Criativo La Gloria, um lugar que se tornou o cenário de quase vinte projetos de desenvolvimento local: arte, música, dança, teatro, cursos, seminários, uma galeria multiuso…

Hermes é neto de Gumersindo Soriano, diretor do grupo Los Naranjos e precursor do estilo musical cubano em Cienfuegos, La Perla del Sur. Portanto, por herança familiar, ele tem arte em suas veias. Seu trabalho e o de sua companheira trouxeram mais de 50 fachadas de edifícios de volta à vida com diferentes murais sobre temas distintos. Uma intervenção artística que está atraindo cada vez mais pessoas. A ideia é envolver toda a vizinhança e fortalecer o senso de pertencimento entre os moradores.

Eles conseguiram colocar a arte a serviço e ao alcance das pessoas e fizeram com que caminhar por Cienfuegos se tornasse um diálogo entre o espectador, o urbanismo da cidade e as pessoas que a habitam.

Em meio a todos os desafios enfrentados por Cuba, a arte e a cultura continuam sendo refúgios de criatividade e resiliência. Apesar dos apagões e da escassez, expressões artísticas como as pinturas de Joel, os eventos da Casa Amarilla, as apresentações do Mejunje e os murais do Trazos Libres continuam a iluminar a vida cotidiana dos cubanos. Nesses espaços, válvulas de escape, a comunidade encontra descanso, uma conexão com sua identidade e uma maneira de resistir às dificuldades da vida cotidiana.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/cuba/arte-cultura-valvula-escape-resistir-crisis-cuba

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

Vai brotar no tempo
Tempo traz vento
Natureza canta e desencanta.

Mara Mari

[Espanha] O vestígio da CNT-FAI na rua de la Lleona

A fachada traseira da paróquia de Sant Jaume conserva um grafite com as siglas do sindicato realizada nos primeiros dias da guerra civil, quando a igreja foi confiscada pelos milicianos anarquistas

Por Xavi Casinos | 28/01/2024

A fachada traseira da igreja de Sant Jaume, na rua de la Lleona, conserva desde os primeiros dias da guerra civil um grafite com as siglas CNT-FAI. A paróquia foi um dos edifícios confiscados pelo sindicato anarquista, que foi chave para fazer fracassar o golpe em Barcelona graças à mobilização de seus numerosos filiados.

O grafite sobrevive milagrosamente, mas ali segue desde julho de 1936, quando presumivelmente foi realizado. Em 19 desse mês, horas depois da sublevação militar em Melilla contra a República, algumas unidades do exército saíram dos quartéis para dirigirem-se ao centro da cidade, mas foram neutralizadas pelas forças da ordem pública e militantes de sindicatos e partidos de esquerda.

A CNT-FAI teve um especial protagonismo e, uma vez sufocado o golpe de estado na capital catalã, este sindicato, a UGT e o POUM, entre outras organizações, ocuparam igrejas, hotéis e palácios, que se converteram em comedores sociais, armazéns e alojamentos para refugiados. Sant Jaume foi uma das igrejas confiscadas pela organização anarquista, que, como os demais, iniciaram uma corrida para marcar território mediante grafites a pincel por toda a cidade.

Sant Jaume não é a única paróquia que conserva os grafites da CNT-FAI, mas sim são as mais conservadas. No bairro de Sant Andreu, na igreja de Sant Pacià, custa vê-las, mas subsiste o rastro das siglas do sindicato lado a lado da porta principal. Há que fixar-se muito bem porque estão praticamente apagadas, mas ali seguem. O franquismo as fez desaparecer com uma camada de cimento, que o tempo foi erodindo até deixar a descoberto a impressão do grafite feita com alcatrão. Sant Pacià se salvou de ser incendiada graças ao pároco do momento, que negociou com os milicianos anarquistas que respeitaram o templo em troca de convertê-lo em um comedor social.

Não teve igual sorte a paróquia de Sant Andreu, na plaza Orfila, que sofreu a ira dos milicianos, que inclusive planejaram explodir sua icônica cúpula. De fato, já tinham colocadas as cargas de dinamite, mas um funcionário municipal conseguiu convencê-los no último momento, pelo perigo que implicava para as moradias vizinhas.

Fonte: https://www.lavanguardia.com/local/barcelona/20240128/9506469/vestigio-cnt-fai-calle-lleona.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A ipoméia
Tomou-me o balde do poço –
Busco água no vizinho.

Kaga no Chiyoni