[Colômbia] Comunicado do nosso primeiro Congresso

No último mês de janeiro, a Unión Libertaria Estudiantil y del Trabajo (ULET), afiliada a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT-IWA), realizou seu primeiro Congresso nacional com a participação de sindicatos de Hulia, Cundinamarca, e dando as boas-vindas de companheiros e companheiras de Cauca.

O propósito fundamental de nosso Congresso foi abordar as necessidades dos territórios, das comunidades e dos estudantes pertencentes a classe trabalhadora em nossa região. Buscamos discutir e planificar ações concretas para recuperar os direitos que foram usurpados pelo capital, pelo Estado e as elites políticas e econômicas do país.

Além disso, o Congresso nos brindou com a oportunidade de reafirmar a importância da organização da classe trabalhadora frente a uma realidade hostil. Nesse contexto, destacamos que os princípios do anarcossindicalismo em nossa região, junto com o internacionalismo que nos caracteriza, são ferramentas fundamentais para os e as trabalhadoras. Destacamos a necessidade de fortalecer a unidade como meio para alcançar triunfos no âmbito trabalhista e estudantil, especialmente as novas medidas governamentais. É crucial adotar um olhar crítico frente a esses cenários.

Por outro lado, queremos destacar que nos sindicatos federados a ULET-AIT encontraram um espaço para combater o capital. Embora reconheçamos que não há um mundo externo ao capitalismo, existe um mundo aqui e agora que resiste a desaparecer em cada um de nós. Apostamos na economia solidária e na política pública cooperativista com o objetivo de potencializar a capacidade de produzir educação comunitária.

Nosso Congresso Nacional representa um passo firme para a consolidação da luta pelos direitos da classe trabalhadora e estudantil. Reafirmamos nosso compromisso com a resistência ativa e a construção de alternativas que promovem a justiça social e a dignidade para todos e todas.

Por uma ULET-AIT combativa e solidária!

Por um anarcossindicalismo latino-americano que cresça do tamanho de nossos sonhos.

Sempre nos imaginamos em comunidade, mas a comunidade só surge quando nos imaginamos em comunhão.

UNIÓN LIBERTARIA ESTUDIANTIL E DEL TRABAJO -AIT

uletsindical.org

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

Vento nas árvores
As bolhas de sabão
Foram com as folhas.

Estrela Ruiz Leminski

[Espanha] 200 anos bastam, fora polícia!

A polícia nacional está celebrando os duzentos anos da criação do corpo repressivo que se consideram herdeiros. Estão realizando atos de homenagem a si mesmos nas cidades e povoados.

No passado sábado, 13 de janeiro, realizaram em Burgos um ato na Avenida da Paz, acompanhados do exército, içando de novo uma grande bandeira da Espanha.

Esta homenagem coincide com o décimo aniversário dos protestos contra a especulação e a construção do Bulevar em Gamonal [bairro de Burgos], onde a polícia voltou a mostrar sua verdadeira função de proteção dos que tem o poder. Naquelas jornadas estes mercenários golpearam e reprimiram a todo um povoado em pé contra a especulação, deixando dezenas de detidos.

A assembleia surgida ao calor dos protestos de Gamonal impulsionou três reivindicações: paralização das obras, liberdade dos detidos e que a polícia fosse embora.

As pessoas de Burgos temos memória de a quem serve a polícia por muito que sigam dizendo em sua propaganda que estão a serviço do cidadão.

A função da polícia em qualquer sociedade é a proteção dos privilégios dos poderosos e o controle e a repressão das pessoas que estão abaixo na hierarquia social. A polícia são mercenários a serviço dos que tem o poder e representam o monopólio da violência do Estado.

Pela abolição do Estado e da polícia!

Por uma sociedade sem classes livre de qualquer opressão!

Fonte: https://diariodevurgos.com/dvwps/200-anos-bastan-fuera-policia.php

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Luz crepuscular
Um último arco-íris
Na ponta do pinheiro

Teruko Oda

[EUA] A morte de Aaron Bushnell vai desencadear uma caça às bruxas do anarquismo?

O senador Tom Cotton exige que o Pentágono elimine o extremismo de esquerda.

Por Ken Klippenstein | 07/03/2024

A morte de Aaron Bushnell por auto-imolação em frente à embaixada israelita em Washington, no mês passado, provocou um exame de consciência a nível nacional sobre a guerra em Gaza. No entanto, para o governo dos Estados Unidos, a morte do aviador suscita um tipo diferente de busca: a dos chamados extremistas, em particular os de esquerda.

Na quarta-feira passada, o senador Tom Cotton, R-Ark, ex-oficial do Exército e membro da Comissão de Serviços Armados do Senado, enviou uma carta ao secretário da Defesa, Lloyd Austin, perguntando por que e como o Pentágono podia tolerar um aviador como Bushnell nas suas fileiras. Chamando a sua morte de “um ato de violência horrível” que foi “em apoio de um grupo terrorista [Hamas]”, Cotton prossegue perguntando sobre os esforços internos do Departamento de Defesa para combater o extremismo e se Bushnell foi alguma vez identificado como tendo opiniões ou comportamentos extremistas.

A agitação de Cotton para encontrar apoiantes do Hamas em uniforme distorce o ato político de Bushnell, que este afirmou ser de apoio ao povo palestino. Mas também vem na sequência de um pedido de longa data de outros membros do Congresso, como o Senador Chuck Grassley, R-Iowa – republicano com o lugar mais alto no Comité Judicial e antigo presidente pro tempore do Senado – para que as forças armadas adotem um tratamento semelhante para os esquerdistas.

Embora os estudos demonstrem que o apoio ao extremismo é semelhante ou mesmo inferior entre os veteranos do que na população em geral, o extremismo nas forças armadas tornou-se uma obsessão dos chefes de Washington desde 6 de janeiro. Pouco depois de ter tomado posse, o novo Secretário da Defesa, Austin, um general reformado do Exército, deu instruções às forças armadas para que realizassem um “stand down” para combater o extremismo nas fileiras, encomendando uma série de painéis e estudos para avaliar o nacionalismo branco e o apoio neonazi entre os militares.

Fora do Departamento de Defesa, o FBI é responsável pelo contra-terrorismo interno. Desde o início da guerra israelita em Gaza, em outubro passado, tem-se concentrado em qualquer repercussão externa nos Estados Unidos.

“Num ano em que a ameaça do terrorismo [estrangeiro] já era elevada, a guerra em curso no Oriente Médio elevou a ameaça de um ataque contra americanos dentro dos Estados Unidos a um nível completamente diferente”, disse o diretor do FBI, Christopher Wray, aos cadetes em West Point na segunda-feira. “Não podemos – e não descartamos – a possibilidade de que o Hamas ou outra organização terrorista estrangeira possa explorar o atual conflito para realizar ataques aqui, no nosso próprio solo”, disse Wray ao Congresso logo após o início da guerra de Gaza.

Será que a morte de Bushnell e a pressão do Congresso abrirão a porta à criação de uma ligação especulativa entre os apoiantes internos da Palestina e o trabalho anti-Hamas do gabinete orientado para o estrangeiro?

Embora o suicídio de Bushnell se destinasse a demonstrar a sua angústia pela situação dos civis palestinos em Gaza, ele também abraçou o anarquismo, ou pelo menos uma articulação atual do anarquismo que é uma rejeição geral da autoridade estabelecida. As publicações de Bushnell no Reddit e noutras plataformas de redes sociais antes da sua morte refletiam esta adesão ao anarquismo e ele escolheu o símbolo anarquista como imagem de perfil para a conta Twitch que utilizou para transmitir ao vivo a sua auto-imolação. A sua página no Facebook também seguia e curtia páginas de vários grupos anarquistas. O coletivo anarquista CrimethInc. também afirmou num blog que Bushnell tinha enviado um e-mail ao grupo pouco antes da sua morte.

Bushnell era também um ativista comunitário em San Antonio, Texas, onde estava alocado. A seção de San Antonio dos Socialistas Democráticos da América emitiu uma declaração expressando solidariedade para com Bushnell e mencionando o seu trabalho com eles na questão dos sem-teto. “Ele era um anarquista”, disse ao Intercept um membro do DSA de San Antonio que interagiu com Bushnell, pedindo que seu nome não fosse usado. “Ele tinha um bom faro para reconhecer estruturas e práticas de organização coercitivas / insalubres; e era muito intencional sobre suas relações com outras pessoas.”

Anarquismo e o FBI

Desde 2019, o FBI tem usado cinco “categorias de ameaças” para descrever o terrorismo doméstico: Extremismo Violento de Motivação Racial ou Étnica, Extremismo Violento Anti-Governo ou Anti-Autoridade (AGAAVE), Direitos dos Animais ou Extremismo Violento Ambiental, Extremismo Violento Relacionado ao Aborto e “Todas as Outras Ameaças de Terrorismo Doméstico”, que é definido como “promoção de agendas políticas e / ou sociais que não são exclusivamente definidas em uma das outras categorias de ameaças”.

A ameaça AGAAVE, segundo o FBI, “inclui anarquistas extremistas violentos, milícias extremistas violentas, cidadãos soberanos extremistas violentos e outros extremistas violentos”. Dados do FBI revelam que 31% de suas investigações estão relacionadas a AGAAVEs e 60% de todas as investigações incluem casos categorizados como AGAAVE e “distúrbios civis”. A maior parte desse foco, desde 6 de janeiro, tem sido nos grupos que participaram dos protestos no Capitólio e nos apoiadores de Donald Trump.

No entanto, nos bastidores, de acordo com o testemunho do Congresso relatado aqui pela primeira vez, o FBI mantém um programa especificamente para combater anarquistas, chamado Programa de Extremismo Anarquista. No depoimento ao Senado, o FBI afirma que aumentou sua mira nos anarquistas “extremistas violentos” em todo o país, usando fontes humanas e técnicas para espioná-los. Desde os protestos em todo o país após a morte de George Floyd em 2020, o bureau encarregou os escritórios de campo de recorrer a informantes confidenciais para desenvolver uma melhor inteligência sobre os anarquistas. Em 2021, o FBI mais do que dobrou seu número de casos de terrorismo doméstico; e Wray disse ao Congresso que as prisões do que o bureau chama de “anarquistas extremistas violentos” foram mais numerosas em 2020-2021 (os meses em torno de 6 de janeiro) do que nos três anos anteriores juntos.

Um comunicado interno do FBI sobre ameaças obtido pelo Intercept define  anarquistas extremistas violentos como indivíduos “que consideram o capitalismo e o governo centralizado desnecessários e opressivos” e “se opõem à globalização econômica; hierarquias políticas, econômicas e sociais baseadas em classe, religião, raça, gênero ou propriedade privada de capital; e formas externas de autoridade representadas pelo governo centralizado, pelos militares e pela aplicação da lei”.

Pela definição do FBI, pouco disso se aplica à articulação das opiniões políticas do próprio Bushnell, apesar do rótulo de anarquista. Mas o protesto do aviador cumpre a pressão de muitos republicanos e conservadores para que o FBI se concentre igualmente nos esquerdistas. Em uma audiência em 2021, Grassley pressionou por mais investigações sobre a esquerda, fazendo alusão ao programa de extremismo anarquista do FBI.

“O ex-procurador-geral Barr declarou que o FBI tem programas robustos para supremacia branca e extremismo de milícia, mas um programa de extremismo anarquista significativamente mais fraco”, disse Grassley a Wray. “Como você planeja tornar seu programa de extremismo anarquista de esquerda tão robusto quanto seu programa de supremacia branca e extremismo malicioso?”

Em uma coletiva de imprensa na última quinta-feira que discutiu os laços de Bushnell com o anarquismo, o Pentágono pareceu sugerir que sua morte poderia ser considerada um ato de extremismo.

“Uma análise da conta de Aaron Bushnell na mídia social indica que ele tem opiniões anarquistas bastante fortes”, perguntou um repórter. “De acordo com a definição de extremistas do Pentágono, ele se enquadraria nessa categoria?”

“Acho que é justo dizer que o suicídio por autoimolação é um ato extremo”, respondeu o secretário de imprensa do Pentágono, general Pat Ryder, prometendo uma “investigação completa”.

Fonte: https://theintercept.com/2024/03/07/aaron-bushnell-fbi-anarchism-extremist/

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/05/eua-memorias-de-aaron-bushnell-segundo-seus-amigos/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/29/eua-isso-e-o-que-nossa-classe-dominante-decidiu-que-sera-normal-sobre-a-acao-de-aaron-bushnell-em-solidariedade-com-gaza/

agência de notícias anarquistas-ana

livro antigo
o bicho traça
o sonho dos sábios

Alexandre Brito

[Espanha] Arquivos, poder e anarquismo

Ao longo do tempo, a função social dos Arquivos, e da documentação que custodiam, foi variando conforme novos atores sociais foram se somando ao processo de ir deixando por escrito todo o acontecer de suas atividades cotidianas. Paradoxalmente, os anarquistas, que sempre se caracterizaram por seu amor à cultura e pela potência de seu tecido editorial e jornalístico, tiveram uma relação paradoxal com a documentação que historicamente custodiaram os Arquivos. O explicamos em seguida.

Qualquer pessoa que tenha conhecido, sequer tangencialmente, a documentação que entesoura um arquivo institucional situado na Espanha, advertirá que desde a Idade Média até nossos dias, a maior parte dos documentos que conserva, por exemplo, um arquivo municipal, dá conta das “façanhas” do poder político exercido pelas oligarquias; junto a ele, e ao menos desde a conhecida como “lei das três chaves”, a pragmática de 9 de junho de 1500 dada pelos Reis Católicos para que todos os concelhos guardassem seus documentos mais importantes em uma arca de triplo fechamento, os Arquivos institucionais guardaram de maneira sistemática toda aquela documentação, produzida pelo poder político das minorias, que dava fé dos direitos de uns poucos sobre o conjunto das classes populares.

Toda esta documentação gerada pelos poderosos, produzida com tintas e papeis de alta qualidade para a época, também foi conservada pelo poder como ouro em pano, resguardando-a das inclemências do tempo e favorecendo sua conservação em lugares de temperatura estável, sem problemas de umidade e acesso controlado. É precisamente isto o que explica que muitos ajuntamentos, distribuídos por toda Espanha, conservem nos dias de hoje documentação produzida nos séculos XIV, XV, XVI e posteriores.

Dito isto, é precisamente a natureza política de toda esta documentação, que resulta imprescindível para o bom funcionamento da engrenagem legal que facilita a reprodução dos diversos sistemas de desigualdade, a que pôs no ponto de mira dos anarquistas estes “papeis do poder”. Por isso mesmo, não é de estranhar que em muitas das insurreições e rebeliões anarquistas distribuídas por meio mundo desde finais do XIX, um dos primeiros objetivos de nossos companheiros e companheiras fosse incendiar os Arquivos institucionais, pois sabiam de boa lei que nestes centros de poder se custodiava a documentação que facilitava a dominação de classe das oligarquias que controlavam as molas do poder político.

No entanto, e desde o próprio nascimento do anarquismo organizado, só há que ver a prolixa produção de propaganda, imprensa e produção editorial, fosse em forma de folhetos ou livros, para advertir que o anarquismo se caracterizou sempre por dar um sentido emancipatório à cultura, outorgando a letra impressa um papel fundamental na divulgação de conteúdos cuja leitura favorece uma tomada de consciência política que é o ponto de partida do compromisso militante e, portanto, da transformação social.

Toda essa documentação produzida pelas pessoas humildes, as vinculadas ao movimento obreiro de inspiração ácrata, permaneceu, e permanece ainda, dispersa e fragmentada em inúmeros Arquivos: institucionais, privados, de organizações políticas e sindicais… Evidentemente, toda esta documentação, diferente da que falávamos anteriormente, dá conta das lutas contra o poder das classes subalternas, permitindo rastrear suas conquistas e fracassos, tirando o pó de histórias silenciadas e, em boa medida, permitindo aos historiadores e historiadoras reconstruir um relato histórico longe dos mitos que, ademais, outorga o protagonismo à maioria social, não às minorias que detiveram o poder ao longo dos séculos.

Dito tudo isto, na Fundação Anselmo Lorenzo somos conscientes da vital importância para a manutenção de nossas lutas, que tem a conservação da documentação que dá conta do devir histórico do movimento libertário espanhol; um movimento cuja singularidade, realizações históricas e influência social e cultural, resulta imprescindível para seguir alimentando as lutas sociais do presente e do futuro. Precisamente por isso, a FAL realiza um importante esforço econômico para manter a documentação que custodia em um depósito de conservação climatizado que, por um lado, mantêm a temperatura estável em um arco de entre 18 e 21 graus, e assegura um nível de umidade relativa ótimo para a conservação da documentação. E quando falamos de conservação, falamos, claro está, de uma conservação centenária. Porque sim o poder se preocupou de manter sua documentação bem cuidada durante séculos, por que o movimento libertário não vai poder conservar durante séculos a documentação que demonstra, precisamente, que a luta contra o poder foi possível, que o Comunismo Libertário foi possível, que a Ideia foi muito mais que isso, que se converteu em uma realização prática que pode seguir inspirando as lutas dos de baixo?

E nessas estamos… Sabendo que a memória é imprescindível para sustentar as lutas do futuro. Sabendo que sem Arquivos, não há história nem memória, e que a FAL, que é a fundação da CNT, está trabalhando duro desde décadas por tornar possível esta tarefa fundamental.

Juan Cruz López

Fonte: https://fal.cnt.es/wp-content/uploads/2023/06/BICEL-31.pdf

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

fim de tarde
depois do trovão
o silêncio é maior

Alice Ruiz

[Holanda] Semana da Juventude Anarquista

19 a 21 de abril, 2024

Anarchistisch Kampeerterrein (Aekingaweg 1a)

Appelscha, Holanda

Haverá outro fim de semana da juventude anarquista! O FJA acontecerá de sexta-feira, 19 de abril, a domingo, 21 de abril de 2024, no Acampamento Anarquista em Appelscha! Estamos ocupados com a programação e logística, e manteremos você informado se houver alguma atualização legal. Na nossa opinião, os jovens são qualquer pessoa com idade entre 15 e 25 anos.

Se você tiver uma ideia para o programa, ou se precisar de algo específico para participar, estamos disponíveis através do nosso e-mail: anarchojongerenweekend@protonmail.com ou através de mensagem privada no Instagram @anarchistischjongerenweekend.

Nos vemos lá!

Anarchistisch Kampeerterrein | Aekingaweg 1a | Appelscha

Tradução > fernanda k.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/21/holanda-pinksterlanddagen-um-festival-anarquista-de-26-a-28-de-maio-de-2023/

agência de notícias anarquistas-ana

Pétalas de rosas
Entre as folhas do diário
Seca recordação

Teruo Tonooka

[Rio de Janeiro-RJ] II Seminário Internacional Cultura Libertária, Feminismo e Anarquismo

Local: Auditório Paula Freire – Centro de Ciências Humanas – CCH/UNIRIO

03 e 4 de abril de 2024

A p r e s e n t a ç ã o

Congregando diferentes pesquisadores – nacionais e internacionais, sobre o tema do anarquismo – entendido como fenômeno de ideias e práticas sociais transversais que ultrapassa o sentido clássico dado ao termo e pode ser, por isso mesmo, englobado numa perspectiva mais ampla de “Cultura Libertária”, apresentamos o II Seminário Internacional Cultura Libertária, Feminismo e Anarquismo.

Organizado pelos programas de pós-graduação em História da UNIRIO e da UERJ, com apoio financeiro da FAPERJ, o evento pretende uma reflexão do anarquismo nos termos mais amplos de uma cultura libertária, o que permite a incorporação de diferentes modalidades de pesquisa, em abordagens específicas, em recortes temporais diferentes e em espacialidades mais estendidas conectadas à história global.

Neste II Seminário Internacional oferecemos uma amostra dessa produção mais recente realizada por reconhecidos pesquisadores, cujos trabalhos trazem contribuições inovadoras para a pesquisa histórica sobre o anarquismo.

P r o g r a m a ç ã o

Dia 03/04

9:00-Abertura do Evento

Apresentação do evento – Carlo Romani, UNIRIO (História), e Angela Roberti, UERJ (História)

Fala inicial – Christina Lopreato, UFU (História)

10:00-12:30- Mesa 2: Mulheres anarquistas, novas subjetividades e feminismo.

  • Ingrid Ladeira, PUC-RJ (História)
  • Larissa Tokunaga, USP-EACH (Humanidades)
  • Samantha Lodi, UNESP (Educação)
  • Coordenação: Conceição Pires, UNIRIO (História)

12:30-14:30-Almoço

14:30 – 16:30-Mesa Anarquismo e cultura: literatura, imprensa, música

  • Eduardo Cunha, USP (História)
  • Alex Brito Ribeiro, UERJ- Firjan-SESI (História)
  • Coordenação: Angela Roberti, UERJ (História)

16:30-17:00 – Coffe-break

17:00 – Conferência de Abertura

  • Ivanna Margarucci Universidade de Taparacá /CONICET (História)

18:00 – Lançamento de livros

  • Apresentação musical Bernardo Fantini, UNIRIO (Música)

Dia 04/04

9:30h-12- Mesa 1: Anarquismo, transnacionalismo e vigilância internacional.

  • Clayton Godoy, USP (Sociologia)
  • Bruno Benevides, FIOCRUZ (História)
  • Luciano Guimarães, Colégio Pedro II (História)
  • Coordenação: Diego Galeano PUC-RJ, (História)

12-14- Almoço

14:00-18:00 – Mesas 2: O Anarquismo e suas múltiplas faces na História.

Sessão 1 (14:00– 15:45)

  • Claudia Tolentino, Unicamp (História)
  • João Henrique de Oliveira, UFRRJ

(Comunicação) 15:45-16:15 –

  • Coordenação: José Damiro de Moraes Unirio (Educação)

15:45-16:15: Coffe-break

Sessão 2 (16:15 – 18:00):

  • Eduardo Lamela, MAI (História)
  • Thiago Lemos, UFU (História)
  • Coordenação: Alexandre Samis, Colégio Pedro II (História)

18:00 Conferência de Encerramento

Cassio Brancaleone Soares – UFFS (Ciência Sociais)

Organização:

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Unirio

Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ

agência de notícias anarquistas-ana

De uma casa branca
No meio da encosta da montanha
Sobe um fio de fumaça.

Paulo Franchetti

[Brasil-Portugal] Crônicas recuperadas pelo IEL | “Onde estão os jovens?”

Em uma troca de mensagens com o anarquista português M. Ricardo de Sousa, em março de 2024, Alexandre Samis comenta sobre a pouca participação de jovens na atividade de lançamento da revista A Ideia. O evento foi assim resumido pelo “Portal Anarquista” administrado pelos compas de Évora:

Foi ontem apresentada no Museu do Aljube, em Lisboa, a edição de 2023 d’A IDEIA comemorativa dos 50 anos de publicação da revista que se afirma como de “cultura libertária”. A sessão contou, para além do seu atual diretor, António Cândido Franco, com dezenas de pessoas, entre elas Risoleta Pinto Pedro, que leu alguns textos, Ricardo António Alves (que falou sobre “Jaime Brasil e Ferreira de Castro”) e António Baião que fez a apresentação do livro “Jornal A Batalha 1974-2024. Esboço para uma Análise”, de João Freire, edições A Batalha – um jornal que este ano também assinala os 50 anos da VI série. Na mesma altura foi também apresentado um número especial de “A Ideia 50 Anos, 1974-2024. Fac-símile do nº 1, cronologia, antologia, testemunhos e índices. 163pp, de João Freire, o fundador da revista“.

Segue a resposta de M. Ricardo de Sousa que nos parece de interesse mais amplo.

Assim:

Comp.,

 Saúde.

 Pergunta-me pelos jovens depois de ver as fotografias, onde abundam cabelos grisalhos, da apresentação, no Museu da Resistência no Aljube, da Revista A Ideia, que agora comemora 50 anos, (foi fundado ainda no exílio em Paris, em 1974, por João Freire), acompanhando a efeméride do cinquentenário do golpe militar dos jovens capitães que derrubou a caduca ditadura portuguesa em 25 de Abril de 1974.

Sobre os “jovens” tenho de dizer que é uma categoria cada vez mais difícil de definir e entender, pelo menos na Europa, onde já se fala de jovens até aos 40. Numa sociedade que nos quer a todos infantilizados até morrer. Bom, esses jovens, não abundaram na verdade nos 50 anos da Ideia…

Há uma explicação: por aqui, tal como por aí, há uma categoria cada vez mais comum que é dos jovens “anti-intelectuais” ou seja dos analfabetos assumidos, orgulhosos de o serem. Não gostam de ler, nem sequer de debater, gostam de pintar paredes, virar latas do lixo e “postar” comentários na Internet quando não têm sono. Também gostam de beber umas cervejas, das marcas comerciais ou artesanais, mas quase todos só comem comida vegan, que como sabemos, e dizem os médicos, só faz bem. Alguns, mais nostálgicos, continuam a reunir-se para escutar música Punk, que como sabe já é velha, embora não tão velha quanto o jazz, o “a las Barricadas”, o Léo Ferré e Georges Brassens. Nem falo dos The Doors, Jim Morrison e Pink Floyd, tudo cadáveres.

Um notável e cansativo ativismo radical esse dos jovens. Isto até se fartarem e arranjarem um emprego precário numa universidade, numa caixa de supermercado ou num call center… Isso porque poucos têm pais ricos ou enriquecem com Bitcoins.

Dirá você: sempre foi assim! Talvez, mas não nesta escala de miserabilismo… No passado longínquo, ou no próximo, que é o nosso, líamos, tínhamos curiosidade, vontade de aprender, discutíamos, talvez em excesso, e havia o autodidatismo popular. E, apesar de tudo, menos arrogância. Agora vejo gente que dá uns arrotos em público, uns pontapés nuns caixotes do lixo, veste uma roupa esfarrapada, que está na moda, e pensa que está a fazer a Revolução. Imaginando-se até um personagem da Comuna de Paris ou da Revolução Espanhola, quando têm conhecimento suficiente para saber que existiram esses eventos pré-históricos.

Por cá, volta a perguntar: onde estão os jovens?

Por aí, gritando pela Palestina, mas não pela povo ucraniano. Pelos imigrantes e pelos direitos  LGBTQIA+ E, provavelmente, alguns nas filas para votar no próximo domingo, pois têm o coração à esquerda!!!! Estes, de quem estamos a falar, pois ao que dizem as pesquisas os outros jovens, que são a maioria, agora estão à direita, são conservadores, o que querem é saber das suas pobres vidinhas de «doutores» com sub-empregos. Lamentam os políticos já que hoje temos a geração mais «qualificada de sempre»…Olhando não parece!

Todos? Não. Como diz a Bíblia, se houver 10 diferentes [Génesis, 18], deus já nos irá perdoar os nossos erros e os pecados da humanidade…

Não pense que isto é coisa de velho. Antes fosse. É uma descrição de alguém que ainda não tem alzheimer e olha à sua volta com alguma curiosidade e atenção. Como diz o povo, não sei se rir ou chorar. Depende do dia!

Um abraço,

  1. Ricardo de Sousa

Pode-se até discordar do conteúdo, mas é difícil não reconhecer no estilo e clareza de posição um patrimônio hoje bastante raro até nos meios libertários.

Fonte: https://ielibertarios.wordpress.com/2024/03/11/cronicas-recuperadas-pelo-iel/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/12/portugal-a-ideia-faz-50-anos/

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Cai da folha
a gota d’água. Lá longe,
o oceano aguarda.

Yeda Prates Bernis

[Alemanha] Berlim: manifestação de solidariedade para a RAF

Centenas de pessoas participaram de uma manifestação de solidariedade aos ex-membros da RAF no distrito de Kreuzberg, em Berlim, no sábado (09/03). O percurso também levou os participantes pela rua onde a ativista da RAF Daniela Klette vivia sob um nome falso até sua prisão na semana passada.

Segundo a imprensa local, a manifestação correu normalmente. O lema era “Parem o terrorismo de Estado – solidariedade com os perseguidos e os presos”.

Klette, agora com 65 anos, foi presa por investigadores civis na semana passada em seu apartamento em Kreuzberg – depois de mais de 30 anos na clandestinidade. Ela está agora sob custódia na Baixa Saxônia.

A ativista de 65 anos está sendo investigada por envolvimento em ataques da Facção do Exército Vermelho (RAF). Além disso, Klette e seus supostos cúmplices fugitivos Burkhard Garweg e Ernst-Volker Staub são acusados ​​de assaltos à mão armada que teriam cometido entre 1999 e 2016 para financiar sua vida clandestina e grupos radicais.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/08/alemanha-convocacao-para-manifestacao-em-solidariedade-a-daniela-klette-e-a-todas-as-pessoas-perseguidas-e-presas/

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Oh, melões frescos,
Se alguém aparecer,
Transformem-se em rãs!

Issa

[Espanha] Desde terras vallekanas temos o prazer de nos apresentar como um novo coletivo libertário

Estamos começando a caminhar, dando pequenos passos, depois de um ano de formação interna, com muitas ilusões e desejo de continuar na brecha.

ATENEU LIBERTÁRIO LA GARRA

A história nos ensina que é abaixo, nos bairros e nas ruas, onde surgem e crescem resistências e solidariedades. Ao longo dos séculos XIX e XX, junto a outras formas de contrapoder, o papel dos ateneus libertários foi essencial para o desenvolvimento de diversas e potentes lutas que desencadearam movimentos radicalmente transformadores, fosse no começo dos movimentos de trabalhadores organizados do final do século XIX, nos anos da república, ou na autonomia e na contracultura dos anos 70.

Com essas e outras referências em nossas cabeças, nós, um grupo de pessoas do bairro começamos a nos reunir e após muito escutar, falar, conspirar, sonhar e compartilhar desejos… imaginamos um lugar em Vallekas onde possamos nos encontrar e nos organizarmos com outras pessoas e coletivos.

Estamos empenhadas em construir um ateneu libertário em nosso bairro, um lugar desde o qual possamos contribuir com as lutas por outro futuro possível, por fora e contra a mercantilização da vida. Um espaço de referência para movimentos sociais cujas práticas políticas estejam baseadas no assembleísmo, na horizontalidade, no apoio mútuo, e na autonomia, com o fim de gerar fortalezas e dissidências desde baixo e impulsionando juntas.

Após quase um ano de assembleias e debates decidimos começar. Sem pressa. Dando pequenos passos. Temos muitas ideias na cabeça, muitos projetos, atividades, propostas, eventos… E queremos lançar ao bairro, ao nosso entorno cotidiano, com a ideia de tornar participante quem queira fazer convergir entusiasmo e tesão.

Tradução > Sol de Abril

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silenciosamente
uma aragem enfuna
as cortinas enluaradas

Rogério Martins

[Irlanda do Norte] Conferência de Estudos Anarquistas 2024 | Chamada de trabalhos | Anarquismo dentro/com/como/além do conflito

O conflito é um problema que tem de ser resolvido? É um fato que perturba a vida? Ou é antes uma virtude que pode ser explorada? Os conflitos são “bons” ou “maus”? O anarquismo está em conflito consigo mesmo? A paz significa ausência de conflito ou é um “equilíbrio” entre forças sociais em conflito? E a guerra, hein? Para que serve? ‘Absolutamente para nada!’ (Edwin Starr, 1970).

O conflito existe em todos os níveis da sociedade; possui as mais variadas formas, e intensidades muito diferentes. O anarquismo pode ser entendido como o local do conflito (em conflito), como a causa do conflito (com conflito), como uma filosofia e uma prática do conflito (como conflito), ou como uma solução para o conflito (além do conflito).

Quando o anarquismo surge como uma solução para o conflito, o conflito é muitas vezes considerado um problema que tem de ser superado – vide, por exemplo, as formas sistemáticas de opressão, as hierarquias coercivas, e as disputas interpessoais ou civis, que são resolvidas através duma justiça transformadora, ou de campanhas antiguerra e antimilitaristas.

Mais ainda, o anarquismo pode ser entendido como uma filosofia e uma prática que veem a essência da interação social como uma pluralidade interminável de conflitos, inspirados pela clássica invocação anarquista das antinomias:

Destas antinomias, dos seus conflitos e do seu equilíbrio precário, surgem o crescimento e o desenvolvimento; qualquer solução de fusão ou de eliminação de um dos termos equivaleria à morte. (Proudhon, 1866 [Théorie de la propriété – tradução de Diane Morgan])

Por último, o anarquismo pode ser em si mesmo um local de conflito, devido ao seu caráter diversificado e heterogêneo. Veja-se, por exemplo, a oposição entre as abordagens não violentas do ativismo e a propaganda pela ação, mas também o choque entre as diferentes doutrinas filosóficas do(s) anarquismo(s). O anarquismo reproduz ainda as divisões geopolíticas.

Para explorar com mais detalhe estes esboços provisórios sobre o(s) anarquismo(s) e o(s) conflito(s), a 8ª Conferência Internacional da Rede de Estudos Anarquistas (Anarchist Studies Network) convida à apresentação de artigos que abordem o Anarquismo nas vertentes: em/com/como/além CONFLITO que é o tema central desta conferência (realizada na universidade do Ulster, Belfast, 4 a 6 de setembro de 2024 – veja aqui (ulster.ac.uk/yourbelfastcampus/maps-and-facilities/accessibility) como aceder).

Sugere-se uma lista (não exaustiva) de temas a desenvolver, tendo como pano de fundo a relação anarquismo-conflito, que pode abranger:

  • a luta contra a opressão; a luta armada; a resistência não violenta e o pacifismo;
  • o conflito como transformação (por exemplo, a justiça transformadora ou as formas anti-prisão de resolução de conflitos);
  • as filosofias da antinomia ou o agonismo (e as críticas à dialéticas hegeliana);
  • os antigos catálogos da Conflito, a banda anarco-punk; as relações interpessoais em casa, no trabalho, nos tempos livres e na rua; ‘nenhuma guerra senão a guerra de classes!’- discussão’;
  • análises anarquistas sobre o pós-conflito e as sociedades com divisões profundas;
  • o eu conflituante e as abordagens anarquistas ao nível da psicanálise/psicologia/psiquiatria (inclusive críticas ao ‘bem-estar’ e ‘auto-cuidado’);
  • manuais de protesto e de argumentação estratégica dos movimentos sociais; a guerra ; os combates militarizados inter-estaduais ou intra-estaduais (denominados guerra, guerra civil, invasão, “operação especial” ou conflito).

Ou, se entrar em conflito com esta lista, pode sempre propor um artigo relacionado com a teoria e prática anarquistas, que nada tenha a ver com o tema principal da conferência – esteja à vontade!

Painéis e streams sobre um determinado tema são bem-vindos, assim como apresentações em formatos não tradicionais, como por exemplo performances, exposições, workshops, entre outros.

Os resumos (abstracts) devem ser enviados em inglês para asn.conference@protonmail.com (mas aceitamos trabalhos em qualquer outro idioma).

Os resumos deverão ser enviados até 30 de março de 2024. Indique, por favor, se pretende fazer a apresentação de modo presencial ou online. Neste último caso, indique também o seu fuso horário. No caso de ter perguntas, necessidades especiais, ou comentários, por favor, entre em contato conosco. Daremos o nosso melhor para atendê-lo.

anarchiststudiesnetwork.org

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Ainda que morrendo
o canto das cigarras
nada revela!

Matsuo Bashô

[França] Comunicado de imprensa da Federação Anarquista | Librairie Publico atacada pela extrema direita

Na sexta-feira, 1° de março, por volta das 18h30, uma pessoa atirou uma bomba de fumaça no interior da livraria Publico, em Paris, gritando uma frase incompreensível, fugindo depois de bicicleta. Felizmente ninguém ficou ferido e, embora a bomba de fumaça tenha se espalhado por toda a livraria, não causou danos.

Um adesivo do grupo “Les Natifs”, um pequeno grupo [de extrema direita] parisiense que se formou após a dissolução da “Génération Identitaire” [grupo de extrema direita] foi encontrado pouco depois colado na fachada do imóvel, o que é claramente uma assinatura.

Mas as coisas não ficaram só por aí. Nesta quarta-feira, 6 de março, por volta das 18h00, enquanto um companheiro virava as costas para a rua para fechar a porta da livraria, um objeto lançado a poucos metros dele quebrou-se na calçada. Felizmente ele não foi atingido, mas nos faz pensar que este incidente está ligado ao anterior.

Estes ataques reivindicados por este pequeno grupo identitário parisiense não nos devem enganar. Estes acontecimentos ocorrem num momento em que o discurso da extrema direita na França é feito às claras e está mais do que presente no debate público. Canais de TV como Cnews, BFM, C8… divulgam discursos racistas, propaganda antissocial e reacionária todos os dias.

O RN [“Rassemblement National”], inimigo dos trabalhadores e das classes trabalhadoras, é completamente desdiabolizado para ser considerado um partido “normal” no espectro político. Recentemente, a desprezível lei da “imigração”, o projeto de reforma da lei fundiária, ou mesmo a proibição da abaya [vestido islâmico] na escola, ajudam a legitimar e a abrir caminho às correntes fascistas. E tudo isto é obviamente acompanhado por um reforço das desigualdades sociais.

A Federação Anarquista afirma a sua solidariedade com as companheiras e os companheiros agredidos na livraria Publico esta semana mas também reafirma a sua solidariedade com todas as pessoas que sofrem a violência da extrema-direita e/ou as políticas racistas do Estado, em particular as pessoas racializadas e os migrantes.

A Federação Anarquista reafirma o seu desejo e a sua ação de reforçar a luta antifascista, particularmente através dos seus grupos locais e da sua campanha federal antifascista!

Sempre que necessário, organizemo-nos para a autodefesa e para a luta coletiva contra as políticas reacionárias e identitárias!

Secretaria de Relações Externas da Federação Anarquista,

09 de março de 2024.

Fonte: https://federation-anarchiste.org/?g=Lien_Permanent&b=1_244

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agência de notícias anarquistas-ana

tarde cinza
toda azaléia
arde em rosa

Alice Ruiz

[Portugal] A Ideia faz 50 anos!

Decorreu no passado dia 2 de Março no Museu do Aljube, em Lisboa, o lançamento dos números 100-103 (2023/2024) e do número especial dedicado aos 50 anos da revista. A sessão contou com a presença de numerosa assistência e com a participação na mesa de João Freire, fundador da revista, do seu actual director António Cândido Franco, do artista gráfico Vasco Rosa, de Risoleta Pedro, de Ricardo António Alves, e de António Baião, pelo jornal A Batalha.

António Franco apresentou o último número, dando destaque ao combate à mudança climática, tema que foi igualmente objeto de reflexão no texto que publicou. Os desafios que são colocados a todas as sociedades humanas, ameaçando a sobrevivência, contrastam com a ausência de resultados efetivos tomados pelos Estados e poderosas organizações internacionais no combate ao chamado aquecimento global do clima. O diagnóstico do problema global associa-o não apenas a padrões de consumo desigual mas também (ou sobretudo) ao militarismo associado a sistemas econômicos alimentados pela imperiosa necessidade de consumo energético crescente. Ao problema das emissões de gases com efeitos de estufa pelo consumo exponencial de hidrocarbonetos, associa-se agora a expansão em curso da produção de energia nuclear, revelando a limitação das energias “verdes” como solução. O militarismo é ainda um risco maior pela forma como os conflitos entre os Estados em luta pela hegemonia se vêm desenvolvendo.

Este número quadruplo com 316 páginas não tem, no entanto, um tema organizador como os anteriores, sendo marcado pela diversidade temática e de gêneros (ensaio, memória, história, biografia, poesia, arte).

Este número vem acompanhado do fac-símile do nº 1 d’ A Ideia publicada em Maio de 1974 em Paris, de dois suplementos ilustrados: um, com cartas inéditas de Mário Cesariny a Eugénio de Castro (“homenagem da revista aos surrealistas da região portuguesa que mantiveram aceso nos anos da glaciação o lume solar da liberdade”); e outro, intitulado Lutaremos Juntas, uma curta banda desenhada de Ariana Vitorino e Rodrigo Ramos.

À semelhança de anos anteriores, Risoleta Pedro leu trechos de poesia e prosa selecionados do último número.

Ricardo António Alves, diretor do Museu Ferreira de Castro (em Sintra), fez uma palestra centrada em Jaime Brasil e nas suas relações com Ferreira de Castro, tendo como base documental principal a correspondência trocadas entre os dois jornalistas e escritores libertários.

João Freire apresentou o percurso da revista no último meio século, tema do número especial lançado na ocasião. O pequeno volume, para além do ensaio de síntese “A Ideia, uma trajetória singular”, republica um conjunto de textos-marco da sua história, acompanhado por um conjunto de curtos testemunhos. Contém ainda índices dos suplementos publicados desde 1974, a lista de livros publicados pela Editora Sementeira (1980-1991), um índice onomástico de todos os números da revista e uma cronologia (1974-2024). Fecha o volume o Comunicado alusivo ao Movimento do 18 de Janeiro de 1934 (decorridos 90 anos) e o fac-símile do jornal homónimo publicado no 1º de Maio de 1927, onde são definidos os seus valores axiomáticos: a liberdade, a organização, o antiautoritarismo, a fraternidade. Trata-se, pois, de uma publicação incontornável para quem deseje conhecer a história d’ A Ideia.

Finalmente, António Baião apresentou o livro de João Freire, Jornal A Batalha, 1974-2024: Esboço para uma análise mais distanciada, detendo-se na situação mais recente de um jornal que, tal como a nossa revista e este blogue, vive sem publicidade nem patrocínios, exclusivamente do empenho dos seus leitores e colaboradores.

Fonte: https://aideiablog.wordpress.com/2024/03/10/a-ideia-faz-50-anos/

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se andava no jardim
que cheiro de jasmim
tão branca do luar

Camilo Pessanha

[São Paulo-SP] “Por Fora do Movimento da Vida”

Sábado, dia 16 de março, às 16h, tem apresentação no Centro de Cultura Social de SP. “Por Fora do Movimento da Vida” é uma leitura performática de Lua Negrão.

Sinopse: A Dama da Noite se abriu. Cuidado! Respirar pode ser tóxico. Amplia calafrio, tontura, vazio existencial, e uma sensação vertiginosa de que o mundo gira; e a cabeça só vai parar de rodar quando desprender-se do corpo e cair no chão. Meu bem.

Duração: 70 minutos / Classificação: 16 anos / Evento gratuito e aberto!

Lua Negrão é atriz, performer e preparadora corporal. Pesquisa o entrecruzamento entre a dança, o teatro performativo, o canto e o tarô. Integrante da Cia. da Revista desde 2009 e do Teatro da Pombagira desde 2018. Formada em Licenciatura em Artes Cênicas no Instituto de Artes da UNESP, e formada pelo Diploma em Mímica Total com Luis Louis, no Estúdio Luis Louis.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

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entre velhas páginas
uma folha ainda verde
da casa antiga

Alice Ruiz

[Alemanha] Protesto contra a ampliação de fábrica da Tesla | “Árvores em vez de concreto – Pare a Gigafábrica”

Centenas de pessoas protestaram neste domingo (10/03) contra um projeto da Tesla para expandir sua fábrica de carros elétricos perto de Berlim, alegando motivos ambientais. Além disso, a ocupação de uma floresta não muito longe da fábrica já dura mais de dez dias.

Dias atrás, a fábrica alemã da Tesla foi forçada a interromper sua produção depois que o grupo de ativistas de extrema esquerda Vulkangruppe (Grupo Vulcão) incendiou uma torre elétrica e causou um corte de energia.

Os organizadores, uma coalizão de grupos de proteção ambiental – incluindo “Stop Tesla”, Extinction Rebellion, Nabu e Robin Hood – afirmaram que mais de mil manifestantes se juntaram à manifestação.

Os ativistas alegaram que estão reivindicando uma “proteção real do clima”, e protestaram contra as “falsas soluções capitalistas” de Elon Musk, proprietário da Tesla.

Os participantes da manifestação foram diversos; alguns vieram de bicicleta e famílias também participaram da manifestação. “Árvores em vez de concreto – Pare a Gigafábrica”, dizia uma faixa.

Os manifestantes se opõem ao plano de Musk de expandir em 170 hectares a planta de Gruenheide, ao sul de Berlim, que atualmente ocupa 300 hectares e é a única fábrica europeia da Tesla.

Recentemente, houve um referendo local no qual mais de 60% dos participantes votaram contra a expansão proposta.

Fonte: agências de notícias

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agência de notícias anarquistas-ana

O rio de verão —
Que alegria atravessá-lo
De sandálias à mão.

Buson

[EUA] “Nós Estamos Aqui, Somos Queer, e Odiamos o Governo!”: Anarquismo Queer Contra Toda Dominação

O historiador anarquista Spencer Beswick revisita a interseção entre a queerness e o anarquismo nos últimos 40 anos.

Os anarquistas lidaram com a interseção entre a queerness e o anarquismo como parte de uma transformação mais ampla do movimento anarquista nos Estados Unidos nas décadas de 1980 e 1990. Contra o assimilacionismo gay de um lado e o reducionismo de classe do outro, os radicais começaram a promover uma abordagem anarquista especificamente queer dentro dos movimentos anarquistas e queer. Este artigo oferece um vislumbre do anarquismo queer na Federação Anarquista Revolucionária Love and Rage, que esteve ativa em toda a América do Norte de 1989 a 1998.

Muitos dos Love and Ragers mais ativos eram eles próprios queer e defendiam políticas revolucionárias dentro de movimentos sociais queer mais amplos. Os membros conscientemente difundiam novas análises, táticas e valores que haviam sido desenvolvidos dentro do movimento anarquista. Por exemplo, Jan K. descreveu em um relato no jornal Love and Rage como um pequeno grupo de anarquistas trouxe uma abordagem militante para um comício em 1990 em comemoração à revolta de Stonewall. Eles se vestiram de black bloc e levaram uma faixa para o comício que fornecia direção para uma multidão desorganizada. Jan relatou como “o que havia sido uma massa desorganizada de pessoas do lado de fora de um bar… se transformou em uma marcha animada atrás de uma faixa ‘Queer Sem Medo – Ação Anarquista Autônoma'”. Isso exemplificou como o Love and Rage incentivava os movimentos sociais a adotar uma abordagem mais organizada e confrontacional.

Nesse sentido, outra Love and Rager, Liz H., defendeu a participação coletiva na Marcha Queer em Washington de 1993, argumentando que “é importante que os anarquistas tenham uma presença na marcha para informar às pessoas que não podemos confiar em leis e no governo para garantir a libertação queer.” Os cantos anarquistas nesta marcha incluíam “Somos anarquistas fodendo, vamos foder quem quisermos!” e “Estamos aqui, somos Queer, e odiamos o governo!” Um grupo de Skinheads Vermelhos e Anarquistas marchou com uma faixa que dizia “Skinheads e Punx Anti-Racistas Contra a Homofobia” e cantou “Oi! Oi! Oi! Nós comemos garotos!”

Não está claro, no entanto, se essa tentativa de inserir políticas radicais na Marcha Queer em Washington de 1993 foi um sucesso. De fato, a direção política predominante da marcha era relativamente conservadora. Críticos argumentaram que uma liderança de elite orientada para a política do Partido Democrata mainstream direcionou o protesto para demandas de assimilação e inclusão no exército, em vez das preocupações cotidianas das pessoas queer (muito menos uma crítica ao imperialismo) – um exemplo do que Jasbir Puar mais tarde chamaria de homonacionalismo.

Embora os anarquistas tenham articulado uma crítica a essa orientação e oferecido uma alternativa física no black bloc antimilitarista, não foi generalizado. Em um panfleto divulgado pela QUASH (Queers United Against Straight-acting Homosexuals) intitulado “Por que Eu Odiava a Marcha em Washington”, eles criticaram a marcha por suas políticas militaristas, argumentaram que “a assimilação está nos matando” e pediram por uma “frente unida queer” para desafiar todas as formas de opressão e lutar pela libertação revolucionária.

Além do ativismo nas ruas, anarquistas queer argumentaram que há algo inerentemente queer na rejeição que o anarquismo faz a todas as estruturas de dominação social. Liz H. observou sobre o contingente anarquista na marcha de 1993 que “Gay, Lésbica, Bi, hetero ou indefinido, todos os anarquistas eram queer à sua maneira.” Lin E. foi além, argumentando em um artigo que ligava a resistência queer e indígena que o “novo ativismo dos anos 80 e 90 já nos mostrou o caminho. O ACT UP e, mais recentemente, a Queer Nation, incorporam uma perspectiva inconfundivelmente queer; não hierárquica, até mesmo anárquica, combinam seriedade com humor, política com brincadeira.”

Essa perspectiva prefigurou desenvolvimentos posteriores na teoria anarquista queer. A Gangue Mary Nardini argumentou no zine de 2014 “Rumo à Mais Queer das Insurreições” (disponível aqui: https://theanarchistlibrary.org/library/mary-nardini-gang-toward-the-queerest-insurrection) que queer não é apenas uma identidade sexual, mas sim “a posição qualitativa de oposição às apresentações de estabilidade… Queer é a coesão de tudo em conflito com o mundo capitalista heterossexual… Por ‘queer’, queremos dizer ‘guerra social’. E quando falamos de queer como um conflito com toda dominação, queremos dizer isso.”

Nessa visão, o anarquismo é inerentemente queer porque rejeita a “normalidade” do patriarcado capitalista e luta contra todas as formas de hierarquia e opressão. O teórico político AK Thompson argumenta que isso também se expressa em uma abolição prática de gênero dentro dos black blocs. À medida que os marcadores de gênero tradicionais são conscientemente obscurecidos, Thompson cita um ativista refletindo que cada corpo se torna “nada mais e nada menos do que uma entidade se movendo no todo.” Para esses ativistas, há algo queer no bloc, algo que produz um futuro além do gênero – talvez similar ao que Foucault chamou de uma nova “economia de corpos e prazeres”. Aqui, então, há algo que podemos chamar de anarquismo queer.

Spencer Beswick é um anarco-historiador e livreiro radical. Ele está no Mastodon @spencerbeswick@kolektiva.social

Fonte: https://itsgoingdown.org/were-here-were-queer-and-we-hate-the-government-queer-an

Tradução > Contrafatual

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silêncio de folhas
bananeira secando
à beira da estrada

Alice Ruiz

[Espanha] María Lozano Molina

Em 3 de março de 1914 nasce em Zaragoza a poetisa e militante anarquista María Gregoria Lozano Molina. Seus pais se chamavam Esteban Rufo Lozano e Ángela Molina. Quando tinha 15 anos se aproximou do movimento libertário e se relacionou por questões familiares com o grupo de ação Los Solidarios.

Também manteve contato com Miguel José e Augusto Moisés Alcrudo Solórzano através da casa de hóspedes familiar frequentada por militantes anarquistas. Em 24 de novembro de 1932 se casou civilmente em Zaragoza com o militante anarquista Ángel Mombiola Allué, com quem teve uma filha.

Em julho de 1936 participou na luta de rua contra os fascistas levantados e se apoderou momentaneamente de Alcubierre (Huesca). Logo se alistou na Coluna Durruti e mais tarde fez parte da coletividade agropecuária de Sarinyena (Huesca). Quando terminou a guerra passou à França e foi internada no campo de concentração de Galhac (Languedoc, Occitania), do qual conseguiu fugir.

Depois se integrou na guerrilha da zona da Alta Garona, junto com seu companheiro Ángel Mombiola Allué, que morreu fuzilado pelos nazis em 20 de agosto de 1944 perto de Ondas (Languedoc, Occitania). Em 1945, uma vez terminada a guerra, regressou clandestinamente à Península para encontrar sua filha. Em seu regresso, se perdeu pelos Pireneus e passou grandes dificuldades. Instalada em Toulouse (Languedoc, Occitania), sua casa se converteu em refúgio de ativistas libertários e nestes anos militou nas Juventudes Libertárias e na Confederação Nacional do Trabalho (CNT), realizando tarefas para a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT).

Também ajudou a guerrilha libertária (Francesc Sabaté Llopart) e a vários grupos autônomos de ação (MIL, GARI). Em 1972 participou na fundação do arquivo de documentação libertária Centro de Recherche sur o Alternative Sociale (CRAS, Centro de Investigação sobre a Alternativa Social) de Toulouse, que presidiu até sua morte. Participou ativamente na campanha contra a central nuclear de Golfech levada a cabo pelo coletivo Retonda.

Foi assídua de manifestações e comícios até pouco antes de seu final. María Lozano Molina morreu em 19 de fevereiro de 2000 em seu domicílio de Toulouse (Languedoc, Occitania) e cinco dias depois suas cinzas foram espalhadas no rio Garona.

ALEN

Fonte: https://cntaitpuertoreal.blogspot.com/2024/03/maria-lozano-molina.html#more

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Flauta,
cascata de pássaros
entornando cantos úmidos.

Yeda Prates Bernis