Para além da polêmica: Pressionar para que o Brasil rompa relações diplomáticas, militares e econômicas com o Estado de Israel

Comunicado Nacional da FOB

Desde que Lula comparou o genocídio que Israel realiza contra Palestina ao holocausto nazista, o assunto tomou conta da mídia de forma polêmica. A polarização do debate público tensiona para que a questão seja defender a ou atacar a fala do presidente. Contudo, essa cortina de fumaça embaça a principal questão que deve ser feita: Quais ações o governo brasileiro tem tomado em apoio aos palestinos que estão sofrendo este massacre?

O simbólico e o material

É de interesse dos governantes que o simbólico prevaleça ao material no debate público. Afinal, o simbólico pode ser manipulado de várias formas, enquanto o material revela os reais interesses envolvidos na luta pelo poder. A subida da rampa do planalto neste 3º mandato de Lula representa este jogo de imagem. Representações dos oprimidos sobem a rampa, porém a política econômica é tocada com o mesmo chicote colonial e capitalista de sempre.

Vínculos comerciais entre as bravatas

No dia 19 de fevereiro, um dia após o pronunciamento de Lula, o embaixador do Brasil em Israel foi convocado por ele para retornar ao país. Isto se dá após Benjamin Netanyahu dizer que iria repreender o embaixador pela fala do presidente. Já se fala em crise diplomática, rompimento de relações diplomáticas, porém pontos importantes devem ser levantados.

O Brasil é 5º maior importador de aparato militar de Israel. De modo em a indústria da guerra israelense e a militarização brasileira que mata o povo preto nas comunidades se alimentam entre si. O fluxo comercial entre Israel e Brasil em 2022 foi de aproximadamente 4 bilhões de dólares. Algo que é incentivado inclusive pelo Acordo de Livre Comércio Mercosul-Israel onde 90% dos produtos que o Mercosul exporta para Israel tem taxas de importação reduzidas.

O Lula e Netanyahu podem trocar bravatas, mas é dever da classe trabalhadora pressionar para que o Brasil tome um posicionamento realmente em favor do povo palestino. Como, por exemplo, rever o posicionamento do Governo Lula negar residência humanitária aos refugiados palestinos.

Não há justificativa

Não há justificativas econômicas para que se mantenha relações com Israel quando se trata do Brasil: um país continental com plena capacidade de construir uma soberania nos produtos manufaturados que importa de lá. Não há justificativas morais em ser conivente com um massacre que se mantêm amontoando cadáveres em que aproximadamente metade são crianças.

A conivência somente se justifica mediante os interesses de fortalecer a política sionista que dentro do ocidente encontra seus aliados imperialistas. Ao ponto em que, mesmo insuficiente, a proposta de cessar fogo do Brasil foi vetada pelos Estados Unidos na ONU. Esta ineficiência da ONU chegou a tal ponto que até um Diretor de Direitos Humanos da entidade renunciou ao cargo por reconhecer que ela é incapaz de dar uma resposta a altura do genocídio em curso.

Desafios internacionalistas para a classe trabalhadora

O rompimento econômico, militar e diplomático de Brasil com Israel não virá pela consciência vendida do Presidente Lula. Será fruto da mobilização do povo que com sua consciência deve rasgar as propagandas sionistas e entender que literalmente a bala que mata irmão é literalmente do mesmo fuzil que mata uma criança palestina.

Contudo, é com muita dor que este desafio deve ser visto com sua totalidade. As grandes organizações de massa do Brasil, infelizmente, não possuem a independência de classe necessária para empurrar o governo para direção correta. O objetivo da maioria delas permanece em primeiramente sustentar o governo e só depois, caso convenha, realizar alguma crítica.

Como se diz o ditado, é preciso trocar a roda com o carro andando. É neste processo de politização do povo por meio das ações de organizações verdadeiramente autônomas que se pode construir uma força que dê resposta a altura deste genocídio.

Neste sentido, a FOB reafirma sua solidariedade ao povo palestino e se compromete estar unida para defender uma posição combativa contra o Estado de Israel sem conceções ao sionismo travestido de interesses nacionais.

Viva a resistência do povo palestino!

Romper relações com o Estado de Israel!

lutafob.org

agência de notícias anarquistas-ana

Cúmulos-nimbos
Atravessando os céus
Sobre o rio sem água.

Shiki

Novo vídeo: Abolir A Polícia Racista

Dia 17 de fevereiro de 2024, em Porto Alegre, o motoboy Everton Henrique Goandete da Silva, homem negro de 40 anos, foi esfaqueado por Sérgio Camargo Kupstaitis, homem branco de 72 anos. A Brigada Militar foi acionada e abordou violentamente a vítima, Everton, para em seguida detê-lo, alegando resistência. Enquanto a polícia estava ocupada agredindo a vítima, o agressor circulava tranquilamente pelo local. Everton foi detido, enfiado na traseira do veículo e a polícia ainda o indiciou por lesão corporal, por ter arremessado pedras contra Sérgio após ter sido esfaqueado.

Embora seja um caso grave, é apenas mais um entre milhares de exemplos de racismo das forças policiais, sejam militares ou civis, nos territórios ocupados pelo Estado Brasileiro. O racismo e o colonialismo são aspectos intrínsecos do Estado, e, portanto, a polícia, que exerce violência em seu nome, sempre irá impor esse racismo e colonialismo sobre a população, indiferente de qualquer reforma.

Se buscamos um mundo mais igualitário, a única solução é a abolição das polícias.

>> Assista o vídeo aqui:

https://antimidia.org/abolir-a-policia-racista/

agência de notícias anarquistas-ana

A criança às costas
Brincando com meu cabelo —
Que calor!

Sono-jo

[Bielorrússia] Relançamento da Sabotage Distro

Antes dos protestos de 2020, o projeto de difusão anarquista Sabotage Distro existiu durante vários anos na Bielorrússia. Durante os protestos, alguns de nossos leitores puderam encomendar livros e adesivos radicais através do site da Sabotage e pelo correio. Infelizmente, depois de 2021, a maioria dos membros do coletivo foram forçados a deixar o país e a distro continuou existindo principalmente nas redes sociais e offline, em concertos e eventos abertos anarquistas bielorrussos.

Temos o prazer de informar que agora o projeto Sabotage Distro está novamente disponível no formato de loja online, onde você pode encomendar produtos de grupos como ABC-Belarus, Comitê de Resistência, Pramen e Coletivos de Solidariedade. Além disso, no site do projeto você pode encomendar livros da RTP. A entrega está disponível em toda a UE (e fora dela, por um frete bem caro ou por correio punk).

Todos os lucros das vendas vão para os coletivos acima mencionados e para o desenvolvimento da própria distro. Neste momento, todos os participantes do projeto trabalham como voluntários, por isso não esperem a mesma rapidez na entrega, como a dos capitalistas sujos da Amaz*n ou de outras corporações horríveis.

Programamos o relançamento do projeto com o lançamento das camisetas “рубі мянтоў, а не дрэвы” (corte policiais, não árvores). O dinheiro das vendas será utilizado para darmos continuidade ao trabalho da distro (pagamento de custos de infraestrutura, preparação de ações e assim por diante).

www.sabotage.ninja

Tradução > meiocerto

agência de notícias anarquistas-ana

estou meio tonto
descobri, ontem, dormindo
que morre-se e pronto

Bith

[Letônia] 1ª Feira do Livro Anarquista em Riga

24-26 de maio, 2024

Riga, Letônia

Anunciamos a 1ª Feira do Livro Anarquista em Riga, de 24 a 26 de maio de 2024.

Vamos continuar a tradição das feiras do livro anarquista que têm sido realizadas em Tallinn, Estocolmo e Londres. Convidamos todas as editoras anarquistas e antiautoritárias a apresentar e vender seus livros, revistas, jornais, cartoons, etc e todos os interessados a passar o fim de semana conosco, participar de debates e seminários. O evento é aberto a todos e não é necessária inscrição prévia. Os detalhes do programa serão divulgados em breve.

Se você deseja vender/apresentar seus impressos, escreva para rigabooks@riseup.net. Temos um número limitado de mesas/barracas, portanto solicite-as com antecedência. O prazo para reservá-las termina no dia 1º de maio de 2024.

Vamos realizar uma mesa redonda especial para editores, blogueiros, escritores, artistas e tradutores anarquistas. Nos avise se você tiver interesse em participar.

Caso queira realizar uma apresentação/palestra/workshop/show será muito bem-vindo. Por favor, escreva para rigabooks@riseup.net. O prazo final é 23 de abril de 2024.

Riga, capital da Letônia, está situada no mar Báltico e é um ponto de encontro ideal para todos os interessados do Oriente e do Ocidente. A Letônia tem uma gloriosa história anarquista que data do século XIX e de impressão anarquista e socialista libertária em diversas línguas, incluindo letão, russo, iídiche.

O país tem uma linda natureza e maio é a melhor época para vir, quando não há tantos turistas e já faz calor. A Letônia tem uma história cervejeira muito rica e uma das melhores cervejas da Europa.

Fonte: https://takku.net/article.php/20240107193230142

Tradução > meiocerto

agência de notícias anarquistas-ana

A lua nova.
Ela também a olha
de outra porta.

Jorge Luis Borges

[Espanha] Tambores de guerra

Por Antonio Hidalgo Diego 

A imensa maioria de nossos familiares que viveram pessoalmente o que se chamou “guerra civil espanhola” faleceu. Durante décadas vivemos tempos de paz militar, não a paz interior. Três gerações sem pisar a trincheira e sem caderneta de racionamento são mais que suficientes para chegar à errônea conclusão de que as guerras são coisa do passado, são próprias de lugares remotos, um pesadelo improvável para uma sociedade tão “avançada” como a nossa, na qual nos preocupamos pelo respeito dos direitos humanos, a saúde mental e os cuidados sanitários.

As professoras ensinam seus alunos a rechaçar a guerra, pintando nos pátios dos colégios bem intencionados murais com pombas e folhas de oliveira, mas nunca lhes ocorreu ensinar a essas crianças o quê fazer quando se vê a guerra desde a janela de sua casa e não desde a tela da televisão. Os meninos sonham em ser milionários enquanto brincam despreocupadamente a chamada à ação; a guerra, para eles, para nós, é tão virtual como um vídeo game. As meninas se preocupam em estudar uma graduação e uma pós graduação e um mestrado e conquistar assim um brilhante futuro de trabalho assalariado, ao mesmo tempo que se cuidam muito para não ser objeto de nenhum micromachismo, de não ter menos direitos que os homens. Mas tanto elas como eles não foram informados de que a guerra, longe de ser um incômodo a evitar na preparação de suas próximas férias ao exterior, é uma triste realidade que se impõe com cada vez mais evidência. Soam os tambores de guerra. Eles e elas, nossos jovens, tem já um bilhete reservado para participar ativamente no conflito bélico que está por vir.

A mili já não é a aborrecida historinha que o avô sempre conta. O ministro de defesa da Alemanha, Boris Pistorius, comunicou que há que recuperar o serviço militar obrigatório para “jovens, mulheres e homens”. A comissária parlamentar para as Forças Armadas alemãs, Eva Högl, declarou que “terminar com o serviço militar foi um grande erro”. Um total de dezoito Estados europeus mantém ou recuperara a “mili”: Albânia, Áustria, Azerbaijão, Bielorrússia, Chipre, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Letônia, Lituânia, Noruega, Rússia, Suécia, Suíça, Turquia e Ucrânia. Patrick Sanders, chefe do Estado Maior do Reino Unido, vai mais além e reclamou recentemente a criação de um “exército cidadão” que complemente as forças profissionais para alcançar assim os 120.000 efetivos militares em três anos.

O gasto bélico mundial não parou de crescer nos últimos oito anos, sendo o continente europeu, o nosso, o dos direitos humanos, o do estado de bem estar, o que mais incrementou seu gasto em armas e apetrechos para a guerra. Em um ano, o gasto bélico na Europa aumentou em 13%, destacando países como Finlândia (incremento de 36%), Lituânia (de 27%), Suécia (12% mais que o ano anterior) ou Polônia (incremento de 11%). Se Arábia Saudita aumentou seu orçamento militar em 16% com relação ao ano de 2013, o incremento da China foi de em escandaloso 63%. O mundo se prepara para a guerra; Europa também.

O governo sueco advertiu sua população de que devem se preparar para uma “guerra total”. Erik Kristoffersen, chefe das Forças Armadas norueguesas, assinalou que em apenas dois, talvez três anos, terão que fazer frente a uma invasão russa: “resta pouco tempo”. Grant Schapps, secretário de defesa do Reino Unido, advertiu que a Grã Bretanha “deve preparar-se para novas guerras contra a China, Rússia, Irã e Coreia do Norte nos próximos cinco anos” e reivindica um incremento substancioso do gasto militar. Muitos cidadãos polacos tem medo de uma iminente invasão russa, ainda mais desde que se divulgou que o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, informava a seu aliado russo, Vladimir Putin, que os mercenários do Grupo Wagner querem “marchar para Varsóvia” e estão entrando em território polaco camuflados entre o coletivo de migrantes que acessam o país desde a Ucrânia.

É muito provável que, em poucos anos, estejamos em guerra e tenhamos que chorar a morte de nossos jovens enquanto fazemos intermináveis horas extras em uma fábrica de armamento. Será o momento no qual cairemos da videira e deixaremos de ver o Estado como essa ferramenta neutra que nos paga a pensão, nos oferece de maneira altruísta o “melhor sistema sanitário do mundo” e legisla leis justas, sensatas e necessárias que nos protegem do empresário explorador e do ex marido maltratador. A alma do Estado é seu exército e para o alto mando militar só há três situações possíveis: guerra, pós guerra e pré guerra. Não o digo eu, o diz o secretário de defesa britânico: “passamos do mundo do pós guerra ao mundo da pré guerra (…) fechamos o círculo”.

Delegar todas as decisões que afetam nossas vidas nas instituições estatais significa viver em um ciclo sem fim de conflitos armados. Guerra é sinônimo de morte, de mutilação, de violações massivas, de destruição de nossa casa, de fome e de frio. Votar nas eleições é introduzir uma bala no tambor. O amor à pátria é a pulsão de morte prematura de teu filho.

A repulsa das instituições estatais é, pelo contrário, a mais firme oposição à guerra.

Fonte: https://www.virtudyrevolucion.org/numeros-de-la-revista/numero-11-febrero-2023/1657709_tambores-de-guerra

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

pardal sozinho –
primeira aventura
fora do ninho

Carlos Seabra

[Espanha] Olga Taratuto – revolucionária russa executada pelo regime comunista

Em 21 de janeiro de 1876 – várias fontes citam outros anos (1874 e 1878) – nasce em Novodmitrovka (Kherson, Ucrânia, Império russo) a revolucionária anarco-comunista Elka Golda Eljevna Ruvinskaia, mais conhecida como Olga Iljinicna Taratuto – ainda que usou outros pseudônimos (Babushka, Valía, Tania, D. Basistas, etc.). Era filha de uma família judia dedicada ao pequeno comércio. Depois de estudar magistério, trabalhou como professora.

Em 1895 foi detida por suas atividades políticas e em 1897 começou a fazer parte do grupo social-democrata animado pelos irmãos Abraham e Iuda Grossman, que também se tornarão anarquistas, em Iekaterinoslav (atual Dnipropetrovsk). Entre 1898 e 1901 foi membro da União de Obreiros do Sul da Rússia e do comitê local do Partido Obreiro Social-Democrata Russo (POSDR) de Elizavetgrad (atual Kirovohrad). Em 1901 foi para a Alemanha e mais tarde a Suíça, durante esta época trabalhou no jornal Iskra (La Chispa), órgão dos militantes do POSDR exilados, e conheceu Gueorgui Plejanov e Vladimir Lênin. Em 1903, durante sua estadia na Suíça, evoluiu para o anarco-comunismo.

Em 1904 regressou à Ucrânia e se uniu ao grupo anarquista “Neprimirimye” (os intransigentes) de Odessa, onde também havia seguidores do anarquista polaco Jan Waclaw Machajski (A. Wolski). Em abril de 1904 foi detida pelas autoridades czaristas, mas foi liberada meses depois por falta de provas. Uma vez livre se somou, sob o nome de Babushka, ao Grupo de Obreiros anarco-comunista de Odessa. Em outubro de 1905 foi novamente detida, mas graças à anistia política resultante da Revolução russa de 1905 foi liberada. Depois se integrou no anarco-terrorista Grupo de anarco-comunista do Sul da Rússia, que golpeava instituições imperiais e representantes da burguesia.

Em dezembro de 1905 participou no atentado no Café Libman de Odessa, detida, foi julgada e condenada a 17 anos de trabalhos forçados. Em 15 de dezembro de 1906 conseguiu fugir do cárcere de Odessa e se exilou em Genebra (Genebra, Suíça). No outono de 1907 foi para Iekaterinoslav, em Kiev e Odessa, onde participou na organização dos atentados contra os generais Alexander Kaulbars, comandante da região militar de Odessa, e Tolmachev, governador desta cidade, além da explosão dos tribunais de Odessa. Em fevereiro de 1908, quando preparava em Kiev com outros companheiros, o ataque à prisão de Lukiniovka para liberar os anarquistas presos, o grupo foi rodeado pela polícia; pode fugir, mas foi detida em Iekaterinoslav; julgada em 1909, foi sentenciada a 21 anos de trabalhos forçados.

Em março de 1917 foi liberada por causa da Revolução russa e encontrou seu filho que havia se tornado adulto. Em maio de 1918 participou nas atividades do Socorro Vermelho Político (SRP) que apoiava os revolucionários encarcerados de qualquer tendência política. Com os acontecimentos revolucionários se manteve um pouco à margem do movimento libertário, mas a repressão que exercia o governo bolchevique fez com que tomasse partido dos anarquistas e se incorporou ao jornal anarcossindicalista Golos Truda (A Voz do Trabalho) e em setembro de 1920 na Confederação Nabat. No final de setembro de 1920, com a trégua entre o governo soviético e o Exército revolucionário insurrecional da Ucrânia ( Exército Negro ) de Néstor Makhno, regressou à Ucrânia. Com cinco milhões de rublos que os comandantes maknovistas lhe entregaram à Gulyai Polé, fundou em Járkov a Cruz Negra Anarquista (CNA), que ajudava os prisioneiros e os perseguidos anarquistas. Em 26 de novembro de 1920 foi detida, com 300 companheiros, em um grande operativo repressivo governamental contra os movimentos anarquista e makhnovista que haviam se reunido em Járkov para celebrar em 1º de dezembro uma conferência anarquista. Uma vez fechado o local da CNA, em janeiro de 1921 foi transladada à prisão de Botyrki de Moscou. Foi uma das presas que teve autorização para assistir aos funerais de Piotr Kropotkin.

Em 26 de abril de 1921 foi transferida à prisão de Orlov. Durante os meses seguintes o general soviético Attorney lhe ofereceu a liberdade em troca de uma declaração pública de renúncia do pensamento anarquista, sua resposta foi somar-se a uma greve de fome com outros presos libertários que durou 11 dias. Enferma de escorbuto, perdeu todos os dentes e sua saúde se deteriorou totalmente. Em março de 1922 foi confinada em Veliki Ústiug por dois anos. Em 1924, uma vez livre, se instalou em Kiev, já em meados desse ano foi detida por difundir propaganda anarquista, mas foi liberada pouco depois. Se estabeleceu em Moscou e em 1927 participou ativamente na campanha de apoio internacional para a libertação dos anarquistas italo-americanos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti. Entre 1928 e 1929 lutou pela criação de uma organização internacional de apoio aos anarquistas encarcerados nas prisões soviéticas e por isso manteve uma extensa correspondência. Em 1929 regressou à Odessa, onde foi novamente detida por tentar organizar um grupo anarquista entre os trabalhadores ferroviários, julgada, foi condenada a dois anos de prisão. Uma vez liberada, voltou a Moscou, onde aderiu à Associação de Prisioneiros Políticos e Exilados, que lutou por conseguir, sem êxito, pensões por velhice, pobreza e doença para os antigos revolucionários. Em 1933 foi de novo detida. Em 1937 trabalhava em Moscou como obreira em uma fábrica metalúrgica.

Em 27 de novembro de 1937 Olga Taratuto foi detida pela última vez, acusada de atividades anarquistas e anti-soviéticas; julgada em 8 de fevereiro de 1938, foi condenada à morte pelo Alto Tribunal soviético e executada no mesmo dia.

Fonte: http://autogestionacrata.blogspot.com.es/2011/10/olga-taratuto.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas.

Matsuo Bashô

Nem a ditadura do capital, nem a ditadura do proletariado!

Após 106 anos do início da Revolução Russa, a história nos mostra que o processo iniciado pelo descontentamento do povo russo com o czar foi traído.

Isso não é novidade, isso ocorreu notoriamente na Revolução Francesa e em tantas outras revoluções iniciadas pelo povo e traída por grupos oportunistas.

O objetivo desse texto é trazer ao público mais uma contribuição para reflexão sobre esse episódio que a esquerda institucional (principalmente aqueles de influência marxista ou marxistóide e seus derivados icônicos e personalistas) antes da queda do muro de Berlim e o fim da URSS, eram seus ardorosos defensores e depositavam suas esperanças na via que atribuíam como comunismo real, científico e outras rotulagens usadas.

Canonizada por todos as pessoas marxistas e esquerdistas institucionais, influenciou várias gerações que optaram e seguiram as diretrizes russas. Muitos ainda seguem de forma religiosa alguns de seus atores, como Trotski, Lênin e Stálin e tal religiosidade faz negarem os fatos da história antes do galo cantar.

Envolvido em guerras imperialistas, a Rússia com um governo absolutista e com uma economia baseada nos grandes latifúndios rurais, mantendo uma relação feudal na qual a população não tinha nenhum direitos básicos. Por exemplo, até 1906, o sindicalismo era tratado como crime e greves eram proibidas. A população levada ao limite se subleva contra a tirania czarista, exigindo o fim da guerra e comida para todos. Um levante que trouxe grupos de várias matizes e de interesses também variados.

Citemos Daniel Guerin:

“Na realidade, a Revolução russa iniciou-se por um vasto movimento popular, uma onda do povo russo que submergiu as formações ideológicas. Não pertenceu a ninguém, senão ao povo. Na medida que esta revolução foi autêntica, impulsionada de baixo para cima, produzindo espontaneamente órgãos de democracia direta, apresentou todas as características de uma revolução social de tendências libertárias.” in Anarquismo, pp 89.

Muitos dessas matizes eram organizadas em grupos/partidos e foram oportunistas em canalizar o descontentamento popular para ascenderem ao poder, manobrando as recentes organizações populares e se fortalecendo através do controle do exército popular que foi denominado exército vermelho.  O  POSDR (Partido Operário Social Democrata Russo) foi um dos maiores favorecidos nesses acontecimentos e nele havia um grupo liderado por Lênin que se sobressaiu, os bolcheviques. A alusão do nome seria que sua proposta seria mais ampla em relação às propostas mínimas apresentadas pelos outros membros do partido (mencheviques).

O fato é que como uma quadrilha bem organizada, os bolcheviques ocuparam as posições mais importantes nas novas organizações populares e através disso conquistam o poder, através do qual implementam suas propostas, que são totalmente avessas ao processo revolucionário iniciado.

Kropotkin expressa sobre isso da seguinte forma: “A revolução russa ensina-nos como não devemos fazer a revolução”. As medidas tomadas por Lênin para assegurar o seu poder se basearam  no marxismo como por exemplo o controle estatal da sociedade; já o controle partidário do Estado é obra leninista e foi com esse controle é que puderam aniquilar todos que se opuseram. Muitos atribuem as perseguições e assassinatos a Stálin, mas esse foi apenas um continuador do que fizeram Lênin e Trotski para se manterem no poder.

Como totalitários que eram, os bolcheviques sufocaram a revolução. Milhões de pessoas foram presas e mortas no processo. Os sovietes que eram assembleias do povo, dos trabalhadores e onde participavam de forma direta na solução de problemas que surgiam, tiveram que se submeter aos comissários bolcheviques, as diretrizes do partido para se manterem abertos ou eram fechados pela força que detinham ao controlar as forças armadas intituladas de Exército Vermelho.

Isso desencadeou um enorme descontentamento. No caso, alguns episódios ilustram bem o que ocorria: A Comuna Livre de Gulai-Pole, ou mais conhecida por Makhnovtchina, A Confederação do Nabat, também na Ucrânia o levante da fortaleza Kronstad.

A Makhnovtchina foi uma área autônoma na região de Goulai-Pole com mais de 200 mil pessoas na Ucrânia. A maioria eram de camponeses que ao início da revolução na Rússia, também se levantaram contra a opressão e exploração local, formando um exército insurgente, que usou táticas de guerrilha para enfrentar e vencer as tropas imperialistas, denominadas de exército branco sob controle de Denikin. Nestor Makhno foi um destacado militante anarquista que entende ser o momento de fazer a revolução ser ampla e imediata, ao contrário dos que os bolcheviques estavam implementando em toda a Rússia, que viria ser chamada de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Pela iniciativa de Makhno, a região se manteve livre e conseguiu se defender dos ataques dos exércitos brancos.

A Confederação Anarquista Ucraniana, mais conhecido simplesmente como Nabat (Набат), foi uma organização anarquista que ganhou destaque na Ucrânia durante os anos 1918 até 1920, quando foi perseguida pelo polícia secreta russa e as pessoas organizadoras foram presas e assassinadas.

A Revolta de Kronstadt foi uma insurreição dos marinheiros soviéticos da cidade portuária de Kronstadt contra o governo da República Socialista Federativa Soviética da Rússia. Foi a última grande revolta contra o regime bolchevique no território russo durante a guerra civil que assolou o país. Também foi dizimada pela força do exército vermelho, ainda sob controle de Trotski.

Uma vez caladas todas a vozes contrárias ao totalitarismo bolchevique, estava preparada as condições para ascensão do ditador absoluto Stalin, assim como Napoleão, governou com mão de ferro, levando o terror ao povo que mais uma vez foi traído por supostas pessoas libertadoras vanguardistas.

Mas contra isso, nossa luta se mantém viva e presente!

anarkio.net

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/02/franca-o-terror-sob-lenin/

agência de notícias anarquistas-ana

o pouso silente
da borboleta de seda
celebra a manhã

Zemaria Pinto

[França] Fabien Hein e Dom Blake: parando a megamáquina

Fabien Hein é sociólogo da Universidade de Lorraine. Dom Blake é editor e tradutor. Seu trabalho examina as bases filosóficas dos movimentos musicais subversivos. Em seu último livro, Écopunk (2023), eles examinam as ligações entre o punk e a ecologia política. Da dieta vegetariana ao abandono do carro, do anarquismo à desconfiança em relação ao culto à tecnologia, esse movimento artístico é rico em reflexões sobre questões muito atuais.

Desde o início, os autores enfatizam o aspecto profundamente anticapitalista do movimento punk: sensibilidade à causa animal, hostilidade à mercantilização dos seres humanos, poluição e atrocidade da guerra. Os músicos anarquistas têm como objetivo o ideal de autonomia. Recuperar a terra, posicionar-se contra as forças dominantes, respeitar a vida e a beleza do mundo fazem parte dos objetivos desse movimento artístico. De fato, na tradição de Günther Anders, os punks se veem como “semeadores de pânico”, em outras palavras, insensíveis ao messianismo político. Os punks rejeitam a ideia de que possa haver progresso contínuo para a humanidade. Devastada pelo produtivismo, a Terra, em perigo de extinção, dificilmente pode suportar os excessos humanos por séculos a fio. Trata-se de ter uma visão trágica da existência humana.

Pensando no nível do estômago

Assim, essa atenção à biosfera começa com a defesa dos animais: a visão carnívora e predatória derivada do antropocentrismo cartesiano é rejeitada pelos punks. Élisée Reclus, um libertário do século XIX, confessou ter ficado horrorizado com o abate de um porco; quanto a Uexküll, um renomado biólogo, ele defendeu a existência de um “sujeito do mundo vivido” para os animais. Biocêntrica, a filosofia subversiva da música punk tem como objetivo apresentar o conceito de “senciência”, um termo segundo o qual os seres vivos podem sentir coisas subjetivamente, ter experiências vividas. Peter Singer, o eminente autor antiespecista, teorizou isso em seu livro Animal Liberation. Para colocar essas ideias radicais em ação, alguns grupos como o Oi Polloi praticam a “propaganda pela ação”. Por exemplo, eles sabotam deliberadamente as caçadas de raposas, mesmo que isso signifique confrontar fisicamente os caçadores.

O movimento straight edge, conhecido por seu ascetismo rigoroso, também deu origem a um movimento vegano. Acostumados a exagerar em sua retórica, certos grupos musicais, incluindo o Vegan Reich, chegam a defender uma ditadura vegana e uma redução drástica da população humana, que eles acreditam ter sido conquistada pelo hedonismo capitalista desenfreado. Menos extremista, o Propagandhi ataca todas as formas de opressão que sobrecarregam o corpo social liberal, como o consumo excessivo de carne, que não pode ser dissociado do sexismo, do nacionalismo ou da homofobia. Para eles, é uma questão de parar todo o consumo na escala do sistema em que evoluímos. Amigos da PETA, os punks adotam a máxima de Feuerbach de que “o homem é o que ele come”.

Esse desejo de autodeterminação alimentar, além da busca pelo prazer gustativo e por pratos mais saudáveis do que aqueles que a indústria de produção nos impõe, também é uma tentativa de escapar do neoliberalismo e do comportamento que decorre dele. Por exemplo, muitas lojas punks afirmam ser “livres de crueldade”. Como os antigos caçadores-coletores, mas em um contexto urbano, esses dissidentes querem se distanciar o máximo possível de uma maneira dependente de comer e se vestir. Essa mentalidade chega ao ponto de incentivar o “dumpster diving”, que consiste em recolher alimentos ou objetos das lixeiras para evitar o desperdício. Mais do que isso, alguns punks defendem a sabotagem da venda de alimentos ou a redistribuição de alimentos gratuitos para os sem-teto. Em resumo, eles acreditam que precisamos “pensar com nossos estômagos” e agir de acordo com os princípios da ética do “Faça Você Mesmo” (DIY).

Contra a obsolescência humana

É o culto irracional da tecnologia e do não saber-fazer que os punks atacam. Assim, a ameaça nuclear que pesa sobre a humanidade os preocupa muito: o grupo The Weirdos, por exemplo, brinca sobre a “terra dos livres” que corre o risco de bombardear os seus inimigos. À maneira do pensador Lewis Mumford, trata-se de alertar os nossos semelhantes contra a loucura dos líderes que arriscam aniquilar o planeta e a humanidade: no seu artigo “Você está louco!”, Munford compara o culto ao Progresso a uma corrida desenfreada que corre o risco de levar ao fim da civilização humana.

Mais do que isso, o domínio total do mundo pela tecnologia e pelas máquinas assusta esse movimento musical ligado à humanidade do Homo Sapiens e sua independência de espírito. O cyberpunk, um movimento literário influente, geralmente retrata universos sombrios controlados pelo capitalismo desenfreado e por ferramentas de computador extremamente sofisticadas. Neuromancer (1984), de William Gibson, é um exemplo perfeito desse movimento artístico.

Os músicos anarquistas também denunciam a completa alienação do espírito humano, possibilitada pela sacralização da tecnologia. O grupo americano His Hero is gone escreveu “Automation”, uma música em que os humanos se tornam robôs com membros substituíveis: “Cernés par les robots / Morts-Vivants / L’automation creuse un trou / Où nos vies n’ont plus qu’à ramper / A remplacer! Des circuits remplacent nos doigts“.

Para combater essa crescente mercantilização da vida, que relega os seres humanos ao status de auxiliares das coisas, os punks afirmam não ser máquinas subservientes. Para serem coerentes com seus princípios, alguns grupos musicais incentivam a “eco-sabotagem”: diante de massas apáticas que aderiram à civilização tecno-mercadológica, eles incentivam a desobediência civil ou até mesmo a ação direta. Os anarquistas, que são sensíveis à ecologia profunda, leem Aldo Leopold e Rachel Carson e são próximos ao Earth First!, estão comprometidos com o retorno à natureza e com uma vida simples baseada na pobreza voluntária. O escritor Edward Abbey, autor de Gang de la clé à molette (1975), teorizou o que ele chama de “natureza selvagem”: longe de idealizar uma natureza exuberante e acolhedora para os seres humanos, eles reivindicam o direito de viver em um ambiente livre e indomado, longe do ritmo glacial das sociedades industriais avançadas. Dessa forma, os seres humanos poderiam coabitar com outros seres vivos, mantendo uma relação diferente com o espaço e o tempo.

Essa rejeição radical do gigantismo tecnológico e industrial é expressa pelo grupo radical Appalachian Terror Unit: “Nous ne voulons pas de leurs foutus engins / Et on ne nous prendra pas à manger des plantes génétiquement modifiées / Leurs pesticides ne nous rendront pas malades / Et nous n’accepterons pas une mine de charbon de plus” (Continuaremos a infringir a lei e a destruir propriedades até vencermos).

No entanto, esse poeticismo ingênuo da natureza às vezes leva certos grupos a adotar uma forma de utopismo milenarista que vê a catástrofe industrial como uma dádiva divina para destruir a civilização humana tal como ela se formou desde o período neolítico (propriedade, escravidão, divisão do trabalho etc.). Leitores do sulfuroso Unabomber e de Marshall Sahlins, eles afirmam ser uma forma de “anarco-primitivismo”. Em vez da sociedade de acumulação nascida no período neolítico, eles querem voltar a uma comunidade humana, igualitária e frugal organizada em torno do conceito de “sociedade convivial” (Ivan Illich). Os neo-ruralistas, seguidores da abordagem Do it Yourself (Faça Você Mesmo), querem restaurar sua autonomia valorizando a proximidade com os outros e com seu ambiente natural.

Caminhar, correr, pedalar

No século XX, a “organização científica do trabalho” desenvolvida por Taylor e adotada por Ford levou ao desenvolvimento do carro produzido em massa nos Estados Unidos, especialmente o Ford T. Embora esse avanço tecnológico tenha significado maior conforto, ele também levou a uma maior dependência do carro, ruído e poluição. André Gorz, um renomado ecologista, aponta o paradoxo da “ideologia social do carro”: o carro torna a cidade barulhenta, suja e difícil de se viver, o que leva muitas pessoas a morar nos subúrbios. Em suma, elas fogem da cidade por causa do carro, mas o usam para trabalhar. Esse hábito do carro impede que as pessoas comuns entendam que ele pode ser letal, pois mata diariamente. Não nos damos conta disso”, ressalta Bernard Charbonneau.

Dessa forma, os punks denunciaram o mundo do carro e os valores que ele transmite. Perigoso e barulhento, ele também é o sintoma de uma sociedade de consumo sombria e absurda. Em meio à crise de Thatcher, a banda Crass vê o carro como um sinal de submissão ao sistema capitalista: “Des gens épuisés, las et tristes, des vies fatiguées lasses et tristes / Des voitures à n’en plus finir sur des routes sans but, des devantures innombrables et leurs mensonges sans fin / Même les winners, même les consommateurs, ces foules muettes, pensent que rien ne va / Impossible d’imaginer qu’une révolution pourrait s’occuper de quoi que ce soit d’aussi triste” (“Deadhead”). Quanto ao Oi Polloi, eles defendem descaradamente a ação direta, cruzando barreiras nas estradas e parando veículos, mesmo que isso signifique ser preso pela polícia, em sua faixa explícita “No More Roads”.

Para remediar esse estado de coisas, os punks promovem o skate, a bicicleta e a caminhada. O skate, além de sequestrar o espaço urbano disposto de acordo com os ditames da ordem dominante, permite que as pessoas habitem o mundo de uma forma mais humana; é também um fator de autonomia, ao contrário do transporte público ou do carro. Ele também deu origem a um movimento musical, o skate punk. Quanto à caminhada, ela permite que as pessoas diminuam o ritmo e se relacionem com o mundo de uma maneira diferente, uma maneira que se perdeu com o ritmo das sociedades produtivistas: Penny Rimbaud, uma poeta hippie próxima ao Crass, era uma caminhante regular, o que lhe permitia voltar a si mesma. Por último, mas não menos importante, o ciclismo traz alegria e um senso de exploração interior que falta aos nossos países industrializados: um fanzine em 1990 declarou: “Andar de bicicleta é punk”.

Écopunk é um livro interessante e detalhado que demonstra a tênue ligação entre a filosofia ambientalista libertária e o movimento punk. Redescobrir a autonomia, rejeitar as mercadorias, habitar o mundo de forma diferente e desafiar o tecnicismo estão entre os princípios fundamentais desse movimento musical subversivo. Em uma época em que o aquecimento global está questionando nosso sistema econômico, ler este livro é uma questão de saúde pública.

Fabien Hein e Dom Blake, Ecopunk, Le Passager clandestin, 2016 (reeditado em 2023)

Fonte: https://zone-critique.com/critiques/ecopunk-enrayer-la-megamachine/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/12/08/franca-lancamento-ecopunk-de-fabien-hein-e-dom-blake/

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O vento leva
as folhas e a poeira…
voam as lágrimas

Karen Aniz

[Espanha] O Ateneu Cultural ‘Estudios’ e seus mártires

A nota de imprensa sobre nosso Ateneu guardada nos Protocolos Municipais de Jerez não fala de anarquia ou socialismo, mas de amantes da ciência, progresso e cultura

Por Oscar Carrera | 28/01/2024

1936 foi um ano agridoce para o anarquismo em Jerez. Na primeira metade do ano, a cena fervia de ideias e projetos, com a verve criativa característica dos anos trinta, agitada em Jerez pela greve geral de 1934. A partir do verão, com o golpe e a repressão dos revoltosos, todos esses projetos foram interrompidos assim como a vida de muitos de seus organizadores. Dois tempos que são como o dia e a noite: uma fenda entre ambos, e quem sabe uma chave oculta na transição de um ao outro, poderia ser o pouco conhecido ateneu libertário. O fatídico Ateneu “Estudios”.

Em 20 de Maio de 1936 acontecia em Jerez este projeto há muito aguardado na cena anarquista local. Seu nome completo era Ateneu Cultural “Estudios” e sua sede era na rua Justicia, 26. Organizado pelas Juventudes Libertarias, compartilhava espaço com o Sindicato de Pedreiros afiliado a CNT. Segundo recorda-se, o Ateneu foi fundado com a intenção de oferecer uma educação libertária: ali se ensinaria a ler e escrever, se comentariam os textos clássicos do anarquismo, e se organizariam atividades culturais”. Foram impressos mil carteirinhas de sócios.

Retrospectivamente as fontes costumam chamá-lo “Ateneo Libertario” ou “Ateneo Cultural Libertario”. Não obstante, nos documentos da época o chamam Ateneo Cultura Estudio, nome que encaixa com um curioso fenômeno cultural da Espanha em 1936: a multiplicação por todo o território nacional de grupos relacionados com uma famosa revista libertária eclética, publicada em Valencia e nomeada Estudios. A própria revista dedicava uma sessão periódica a constante criação de “grupos de amigos e leitores de Estudios”, as vezes inseridos como quadros de sindicados, como foi o caso dos grupos de Barcelona, Córdoba, ou, caso estejamos certos, Jerez. Se anunciavam novos grupos nos números de fevereiro, junho e também setembro de 1936.

Além destes grupos mais especializados, os artigos da Estudios eram parte das leituras em comum “nos locais da CNT e ateneus libertários”. A nota de imprensa sobre nosso ateneu conservada nos Protocolos Municipais de Jerez não fala de anarquia ou socialismo, mas de ciência e cultura… “Nossos cérebros entorpecidos estão pedindo a cultura que nos predisporá a sermos capazes de analisar as fases do progresso, representadas em todas as manifestações da vida. Todas as manifestações da vida”. Retórica digna dos amigos dos Estudios.

Infelizmente o projeto acabou paralisado após sua fundação: o cofundador Miguel Vega afirma que chegou a de fato abrir suas portas, após três ou quatro anos de preparo e haviam reunido muitos livros. Isto seguramente incluía volumes da Biblioteca do Estudios editada pelos valencianos; fiel a esse espírito “eclético”, incluso aí desde a educação sexual ou darwinismo até tratados médicos-naturalistas. O máximo que seus criadores ofereceram ao público foi um par de obras sobre o teatro eslavo, ou quem sabe uma, El pan de piedra (El carbón) de José Fola Igúrbide (1913). Sabemos de umas poucas reuniões ordinárias do Ateneu (16 de Junho) ou “Existe diferença entre a delinquência social e comum?” (23 de Julho e 7 de Julho).

Nem tão vivo nem tão morto… Talvez Vega exagerasse sobre a imobilidade do Ateneo, por compara-lo com outros grupos da cena do movimento anarquista. Vários coletivos estavam ativos na cidade neste mesmo ano: Hacia la Anarquia, Acción y Pensamento, Sol, Los Sembradores de Acracia [1]. Membros do primeiro prepararam uma conferência sobre o “comunismo libertário” para a Plenário Provincial da FAI gadatiana, aprovada em Junho de 1936.

O verão está chegando e ainda assim ninguém sente o cheiro de nada… Além disso, parece que as pessoas estavam com menos medo do que antes de fazer uma declaração política. Entretanto, ironicamente, de todas essas atividades e organizações libertárias, a mais perigosa para seus membros pode ter sido, a participação no Ateneo ‘Estudios’, que nem chegou a ser inaugurado. Ao saberem do golpe, os responsáveis pelo Ateneu queimaram a biblioteca na Hoyanca de San Telmo, mas algo deve ter saído do controle.

Nossa hipótese: uma lista de afiliados cai nas mãos do inimigo. Caso contrário, é difícil explicar uma perseguição tão meticulosa. É claro que os estatutos com seus três signatários estavam à disposição das autoridades municipais [2], mas a repressão reuniu muitos outros nomes. José Alvarado Márquez alegou não ter outra filiação além do Ateneu, e Antonio Narbona Barrios também é a única militância associada a ele. Semelhante é o caso de Manuel Moreno Durán, que foi assassinado em seu caminho para Ronda, se é que não foi por perseguição a ser vegetariano-naturalista. Uma investigação de 1938 sobre as atividades subversivas de Antonia Cantalejo Sierra, secretária do Sindicato de Emancipación Femenina (Sindicato de Emancipação da Mulher), começou observando que “ela estava registrada como membro contribuinte do Ateneo Cultural Libertario” [3]. De acordo com Miguel Vega, eles executaram mesmo os carpinteiros que trabalharam nos móveis da sede, Antonio e Manuel Caro Crespo. O promotor Diego Pérez Núñez conseguiu escapar de seus captores, embora tenha sido executado pelos nazistas no Castelo de Hartheim.

Os acusadores se referem repetidamente a esse projeto incipiente com a expressão “o Ateneo Cultural Libertario”, como se quisessem dar maior solidez ou significado a algo que ainda não havia começado sua jornada. Como se, ao capturar um jovem formalmente afiliado ao “Ateneo Libertario”, eles tivessem pego um peixe grande, um doutrinador das massas. José Alvarado Márquez, 26 anos de idade, abriu assim sua última carta da prisão:

Escrevo essa carta hoje, com a certeza de que vão me matar ainda que eu não tenha cometido nenhum outro crime exceto estar afiliado ao Ateneo Cultural “Estudios” e um indivíduo ter me acusado de ter ideias radicais…

Novamente, a única coisa que podiam provar era seu nome em um documento: sua afiliação formal a um Ateneu inexistente, e com ele o compromisso com um mundo, uma sociedade que apenas começava a nascer e teve sua garganta cortada ao amanhecer.

[1] José Luis Gutiérrez Molina, La idea revolucionaria: el anarquismo organizado en Andalucía y Cádiz durante los años treinta. Madrid: Ediciones Madre Tierra, 1993, p. 158.

[2] Miguel Vega Álvarez, Episodios personales, p. 87.

[3] Legajo 1269 de 15121938, 15/12/1938. Archivo Municipal de Jerez.

Fonte: https://www.lavozdelsur.es/la-voz-seleccion/reportajes/ateneo-cultural-estudios-sus-martires_308972_102.html

Tradução > 1984

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Voar sempre, cansa –
por isso ela corre
em passo de dança

Eugénia Tabosa

[Colômbia] Que eles temam a fumaça, o sangue, o fogo…

Que eles saibam que nossas armas estão procurando seus corpos, em nome do sangue daqueles que morreram aqui, daqueles que estão morrendo hoje e daqueles que continuarão a morrer.

Que essa democracia ridícula e sua horda de crentes comedores de vermes saibam que o fogo que propomos sairá das varandas de suas casas. Que eles saibam que a vingança de nossos mais de 300 irmãos e irmãs presos e torturados no estalido e na luta popular está chegando nos corpos de seus carrascos.

QUE OS PROMOTORES, A POLÍCIA E TODAS AS PESSOAS ACOMADADAS E VACILANTES SAIBAM QUE SEREMOS PUNHAIS FLAMEJANTES, INVADINDO SEUS BAIRROS.

Que eles temam a fumaça, o sangue, o fogo e os escombros que nossa raiva deixará para trás quando exterminar todos os lacaios desse sistema. Que a geração rebelde e indomável afie suas ideias e garras para se defender e dizer a cada milico, facho, poderoso e perpetrador que seu tempo já passou e que é hora da Insurreição.

Fonte: Buskando La Kalle

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Abriu-se a papoula
E ao vento do mesmo dia
Ela veio ao chão.

Shiki

Breves reflexões sobre o papel de uma revista anarquista¹

Por Thiago Lemos Silva

Ao longo de minha trajetória como militante anarquista, sempre tive uma ligação muito forte com o mundo editorial. Aliás, foi justamente por meio dele que tomei contanto com o anarquismo, quando chegou até as minhas mãos um fanzine anarco-feminista que levava o sugestivo título de Barbie Destroçada. Aquele material foi um verdadeiro “balão de oxigênio”  para mim, que vivia na “atmosfera asfixiante” da Patos de Minas de do início do século XXI. O impacto que aquela experiência exerceu sobre mim foi tão profundo que de leitor passei rapidamente a editor, me unindo a um grupo de outras pessoas que havia recém-descoberto o anarquismo para criar o nosso próprio fanzine, que ganhou o nome de Eidos Info-Zine.

De lá para cá, tive a oportunidade de participar de projetos que possuíam diferentes formatos, tais como blogs, sites, jornais e revistas, que enriqueceram e ampliaram significativamente a minha visão, seja como “consumidor”, seja como “produtor” de publicações libertárias. Dentre o vasto e heterogêneo campo editorial anarquista, sempre tive uma predileção pelas revistas, ainda que comparativamente esse tenha sido o formato de publicação com o qual menos tive contato. Essa predileção se deve, em larga medida, aos meus interesses em questões de cunho reflexivo a respeito da teoria e da história do anarquismo, algo que encontra maior vazão e acolhida em uma publicação dessa natureza.

Historicamente, as revistas sempre cumpriram um papel importante para o anarquismo: a formação intelectual da militância. Seja no passado mais distante, no seu formato impresso, seja no presente mais próximo, no seu formato eletrônico, esse tipo publicação sempre almejou colocar ao alcance do público textos de maior folego teórico, abarcando gêneros tais como o artigo, o ensaio, a monografia. A partir das revistas, é que os leitores conheceram e amadureceram os pontos fundamentais da ideologia, que chegou até eles por meio da pena e do teclado de autorias como Mikhail Bakunin, Lucía Sánchez Saornil, Lorenzo Komboa, Silvia Cusicanqui, dentre tantas outras. Esses homens e essas mulheres, no entanto, nunca foram tomados como totens sagrados, que erigiram algum dogma inquestionável, foram antes, acompanhantes de viagem que ofereceram ferramentas para que a militância pudesse transformar os diferentes tempos e lugares quando e onde viveram.

Foi a partir das revistas também que a militância forjou sua sensibilidade. Junto aos artigos, ensaios, monografias e demais gêneros textuais cuja fisionomia se aparenta, esse formato de publicação também abriu espaço para outros gêneros que não podem ser tomados apenas como formas de “propaganda dirigida”. Esses gêneros contemplavam desde a poesia até o romance, passando pelo conto e a dramaturgia, publicando autorias, profissionais e amadoras, tais como Louise Michel, Neno Vasco, Pedro Cátalo, Ursula Le Guin, só para mencionar alguns nomes. Com objetivos semelhantes, porém com funções diferentes, esses gêneros sempre tiveram como finalidade mais sensibilizar do que persuadir a militância, mostrando que o processo formativo passa tanto pelo intelecto quanto pelo afeto.

Essas duas dimensões, indissociáveis uma da outra, foram traduzidas por Mercedes Comaposada há oitenta e cinco anos, mas permanece de uma atualidade tremenda: “a propaganda não consiste no falar e escrever muito, mas no falar e escrever bem e substancialmente”; pois é preferível “a propaganda parca e bem editada à descuidada e profusa”. Na visão da principal responsável pela linha editorial de Mujeres Libres, tais princípios dialogavam diretamente com a finalidade da revista que visava “educar socialmente as mulheres, mas também refinar-lhes o gosto, acostumá-las à seleção”. Não por acaso, a sentença final que encerra o seu raciocínio ganhas ares de manifesto: “que proclamemos os gozos do espírito!”²

Para finalizar, gostaria de reforçar o papel imprescindível que revistas como Redes Libertárias cumprem nos tempos que correm, dado o grau generalizado de confusão que envolve as nossas elaborações teóricas bem como as nossas realizações práticas. Em se tratando desse tema, é verdade que nossa vida nunca foi fácil, no entanto, ela se torna cada vez mais difícil na medida em que os “meios mal chamados de comunicação”³, como sabiamente captou Luce Fabbri, produzem e viralizam interpretações equivocadas, quando não deliberadamente falseadas, envolvendo o nosso campo político-ideológico. A situação é tão absurda que hoje um jovem que recorre à internet em busca da definição do que é um anarquista arrisca se deparar mais com os pensamentos de um ultra-neoliberal como Milton Friedman do que com um socialista libertário como Nestor Makhno.

Trabalhemos, portanto, para transformar radicalmente esse quadro!

[1] Versão em português de artigo originalmente publicado em espanhol no número 0 da Revista Redes Libertárias, que veio a luz em dezembro de 2023.

[2] COMAPOSADA, Mercedes. La Federacion Nacional de Mujeres Libres. Barcelona, Mar. 1938.

[3] FABBRI, Luce. Uma utopia para o século XXI. Revista Espaço Feminino. Uberlândia. 1997.

Fonte: https://redeslibertarias.com/2024/01/17/breves-re%ef%ac%82exiones-sobre-el-papel-de-una-revista-anarquista/

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pousada na lama,
a borboleta amarela,
com calor, se abana

Alaor Chaves

[França] Vamos dar cor ao anarquismo

Este ano, completam-se 45 anos desde que o Atelier de Création Libertaire [editora anarquista] iniciou esta longa jornada de maratonista, começada em 1979 por uma pequena equipa de jovens libertários para dar a conhecer a cultura libertária. Essa cultura cujas raízes profundas nunca param de dar origem a novas plantas, novos caminhos. E se, às vezes, parece óbvio, às vezes está repleto de armadilhas proporcionadas pela cultura do poder e da dominação, que nem sempre são fáceis de contornar.

Então, o que pode ser feito nestes dias em que as guerras se multiplicam e os anarcocapitalistas são eleitos por milhões de pessoas? E onde as nossas alternativas, precárias ou sólidas, embora tenham entrado para a história no mesmo nível, ainda não nos mostraram o fim do caminho.

Como todos os anos desde 1979, o Atelier de Création Libertaire volta a dar um pouco de cor ao anarquismo e propõe-se a aproveitar o tempo, entre um texto e outro, um compromisso e outro, para dançar como uma daquelas borboletas vermelhas e pretas que nos acompanham há tanto tempo…

atelierdecreationlibertaire.com

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pulsa no meio das trevas
movimentos iluminados
vagalume

Fátima Queiroz

 

[Reino Unido] Colin Ward: Anarquia Cotidiana, o documentário

Colin Ward foi o principal escritor – e um dos maiores pensadores – de uma filosofia que permanece mal compreendida, mas que possui uma profunda relevância para nós hoje. Sua maior crença era nas pessoas e na liberdade como uma atividade social, mas, mais importante ainda, que ela sempre está enraizada no local e no cotidiano.

Para marcar o centenário do nascimento de Ward em 2024, Patrick Bernard – um produtor de áudio baseado em Norwich – está financiando coletivamente um documentário em áudio sobre Colin Ward, que conta a história da anarquia no Reino Unido através de sua vida e obra e uma história alternativa do século XX vista de uma perspectiva anarquista.

O documentário será gravado e editado na primavera/verão de 2024. Em seguida, será transmitido ainda este ano na Resonance FM – uma estação de rádio de artes comunitárias sediada em Londres – e em uma série de eventos e exposições atualmente em organização.

No documentário, ouviremos de especialistas contemporâneos e praticantes em muitos campos sobre os quais Ward escreveu durante sua longa e variada carreira – de hortas e arquitetura ao planejamento, educação e meio ambiente – e que ainda são influenciados pelas ideias em seus livros e os muitos artigos que ele escreveu em jornais e revistas como Freedom e Anarchy.

Também ouviremos amigos, familiares e companheiros anarquistas, e o próprio homem no rico material de arquivo que ele deixou – desde suas muitas aparições na mídia até entrevistas e gravações de suas e de outras coleções pessoais – mas também em livros clássicos como Anarchy in Action, Arcadia for All, Cotters and Squatters e The Allotment, que continuam sendo lidos, reimpressos e republicados.

O documentário acompanhará o progresso de sua educação e ideias anarquistas, desde sua infância em Essex e exposição inicial ao anarquismo, sua experiência na guerra e envolvimento com o grupo e julgamento da Freedom Press, até finalmente tornar-se fundador e editor da revista Anarchy. Também seguirá sua carreira profissional, que correu paralela às suas atividades anarquistas, começando com seu aprendizado como desenhista do arquiteto Sidney Caulfield e continuando seu papel como oficial de educação dentro da Associação de Planejamento Urbano e Rural.

Descobriremos como sua vida e trabalho caminhavam juntos e como seus muitos interesses pessoais e profissionais se refletem em sua escrita – por exemplo, como o trabalho pioneiro que ele fez no Boletim de Educação Ambiental inspirou seus livros Streetwork e The Child in the City, que exploram a relação entre crianças, brincadeiras e o ambiente urbano, e o que isso revela sobre a experiência e a participação mais ampla na sociedade.

Descobrimos que a anarquia não é – como comumente entendida – simplesmente sobre a falta de poder ou autoridade, mas é, em vez disso, uma teoria altamente complexa de organização. O anarquismo de Colin Ward não era nem utópico nem sectário, mas prático e pragmático, baseado no aqui e agora, no local e no cotidiano. A anarquia para ele não era um objetivo “indefinidamente remoto”, mas sempre já existente, ou para usar uma de suas frases favoritas do romancista Ignazio Silone, como “sementes sob a neve” que só precisavam ser nutridas para crescer.

De hortas a vilas, acampamentos de férias a playgrounds de aventura, a anarquia existe onde e quando indivíduos escolhem se associar e cooperar voluntariamente na busca de seus objetivos pessoais e coletivos – muitos ouvintes podem se surpreender ao descobrir que eles próprios são anarquistas!

Esta é uma oportunidade única de contar a história de uma tradição rica e negligenciada no pensamento britânico – e uma alternativa radical à política convencional – que encontrou seu maior defensor na figura de Colin Ward. O anarquismo é uma filosofia que continua a desafiar muitas de nossas crenças e suposições mais profundamente arraigadas, mas também fornece uma lição vital sobre como o mundo pode ser transformado não de cima para baixo, mas de baixo para cima – como uma semente sob a neve.

O produtor

Patrick Bernard é um produtor de áudio baseado em Norwich. Ele trabalha há vários anos na Resonance FM – uma estação de rádio de artes comunitárias sediada em Londres – e produziu documentários sobre uma ampla gama de assuntos, desde o escritor alemão W. G. Sebald e o poeta iídiche Avram Stencl até o papel da tradução na Revolução Francesa. Seu primeiro longa-metragem para a BBC, ‘Aprendendo com a Grande Maré’, sobre a Inundação do Mar do Norte de 1953, foi transmitido em janeiro de 2023. Visite seu site para mais exemplos de seu trabalho.

O financiador

O documentário será produzido de forma independente por Patrick Bernard – desde pesquisa e escrita até gravação e edição – e sua doação ajudará a financiar o projeto e cobrir os custos de produção, incluindo tempo, viagens e despesas.

O projeto é sem fins lucrativos, e quaisquer fundos restantes não utilizados na produção serão divididos entre a Freedom Press – que está atualmente arrecadando fundos para melhorar seu prédio – e a Resonance FM, que também depende de doações de seus apoiadores.

Apoie o projeto aqui: https://www.crowdfunder.co.uk/p/colin-ward-everyday-anarchy

Tradução > Contrafatual

Conteúdos relacionados:

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2018/07/25/italia-colin-ward-manifesto-por-uma-educacao-felizmente-anarquista/

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flor na lapela
noite de serenata
à janela

Carlos Seabra

[Itália] Lembrando o anarquista Gian Domenico Zucca “U Stuk”

Por Laboratorio Anarchico Perlanera 

Recebemos a triste notícia da morte do companheiro anarquista Gian Domenico ZUCCA.

Estamos profundamente tristes. U Stuk, como gostava de ser chamado, era um amigo brilhante e de caráter incomum. Sem dúvidas original, introvertido, culto, professor de matemática, estudioso de história, antropologia, ecologia, geologia, linguística, dialetologia, semântica e muito mais. Ele ainda escreveu vários ensaios em revistas locais e nacionais.

Era extremamente apegado à sua terra natal, Castellazzo Bormida e à cultura popular, da qual foi, não só um admirador, mas um investigador assíduo.

Professor, formado em geologia, que nutria múltiplos interesses culturais, e se interessava pela história camponesa e pelo movimento anarquista, decidiu em um determinado momento da sua vida falar como os mais velhos de sua terra, claramente sua própria língua. Então, ele conversaria com você no dialeto de Castellazzo Bormida. Você tinha que entendê-lo, pois ele não iria explicar o que dizia.

Embora já não fosse um anarquista ativo há algum tempo, nunca deixou de ser um companheiro. Foi colaborador do Seme Anarchico com alguns escritos sobre 1968 em Gênova e sobre os anarquistas de Castellazzo Bormida (AL).

Sem dúvida o seu livro mais interessante conta a vida do bandido anarquista Sante Pollastro, publicado em 2003: “Sante Pollastro, o bandido de bicicleta“, I Grafismi, Boccassi.

Participou da conferência sobre Sante Pollastro organizada pelo Laboratorio Anarchico Perlanera (de 22 a 23 de maio de 2010) no Museu Gambarina em Alexandria.

Adeus “U STUK”. Que a terra descanse levemente sobre você.

Tradução > meiocerto

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sinos do Centro
o som não vem da igreja
vem de dentro

João Angelo Salvadori

[Espanha] Jornadas sobre Autonomia e Okupação

Desde La Algarroba Negra, gostaríamos de convidá-lo a participar das Jornadas sobre Autonomia e Okupação que estamos organizando para os dias 23, 24 e 25 de fevereiro.

Esse evento nasce dos debates e dúvidas que vêm sendo levantados há algum tempo nos movimentos sociais sobre o esvaziamento, a falta de substituição de gerações, a falta de energia para iniciar projetos, para se envolver em projetos existentes ou para continuar com eles.

Também diante do crescimento dos autoritarismos que se espalham pelo planeta e das desgastadas mentiras da social-democracia neoliberal, é fundamental retomar o discurso e a ação revolucionária, explorando caminhos que nos afastem de propostas ultrapassadas e catecismos ideológicos, razão pela qual queremos focar nos movimentos autônomos.

Este encontro pretende ser um espaço de debate e formação sobre as lutas que nos antecederam; um exercício de memória sobre o nosso passado mais recente, que, de forma crítica, nos permita situarmo-nos no presente, assumir os acertos e erros das lutas autônomas que desde a Transição se espalharam pelo Estado dando origem ao que hoje conhecemos como Movimentos Sociais; para construirmos coletivamente métodos ou estratégias capazes de integrar a diversidade, de nos inspirar e de nos fazer recuperar o entusiasmo pela luta.

Mais informações em:

https://www.algranoextremadura.org/algarroba-negra/2024/02/08/jornadas-de-autonomia-y-okupacion/

E-mailalgarrobanegra@protonmail.com

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Noitinha na várzea:
com a lua na garupa
búfalos regressam.

Anibal Beça

[México] 2ª Feira Internacional de Agitação e Kultura Anarquista

Há algum tempo que vimos conspirando a segunda edição da Feira Internacional de Agitação e Kultura Anarquista (FIAKA), buscando tocar temáticas e oficinas que abonem as nossas resistências e práticas individuais e coletivas. A ideia permanece a mesma: um encontro – não um congresso – entre anarquistas e rebeldes, um acampamento de três dias para, a partir daí, aumentar as teias de afinidades eletivas e que se dispersem kaotikamente contra a autoridade e a ordem social estabelecida capitalista, estatal, antropocêntrico e patriarcal, se encontrem onde se encontrem.

Vão agendando o mês de março, mais informações em breve.

FIAKA / 29, 30 e 31 de março de 2024, Monte Branco, Veracruz

São bem-vindxs distribuidoras, editoriais e impressos.

Propostas para o correio: jornadaspunk_fiaka@riseup.net

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/10/28/mexico-feira-internacional-de-agitacao-e-kultura-anarquista/

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A lua, cansada,
adormeceu por instantes
no leito do rio.

Humberto del Maestro