[Hungria] Como o amigo de Putin passou a caçar antifascistas na União Europeia

Nos últimos 20 anos, o grupo neonazista Bood & Honor tem reunido milhares de neonazistas de toda Europa em 11 de fevereiro para um “Dia de Honra” na Hungria. A ocasião celebra a tentativa de soldados de Hitler, junto de aliados húngaros, de quebrar o cerco soviético a Budapeste e retornar para a Alemanha nazista. Dos 28.000 soldados da Wehrmacht, SS, e aliados húngaros, apenas umas poucas centenas conseguiram escapar. A maioria foi morta ou capturada pelo Exército Vermelho.

Agora neonazistas anualmente organizam uma marcha de 60km de Budapeste até o local da fuga com caras tristes e memórias de veteranos da SS que morreram na Segunda Guerra Mundial.

O governo de extrema direita de Viktor Orbán não interfere de fato com a marcha, e de acordo com alguns relatos, auxilia diretamente alguns grupos da extrema direita a reescreverem a história. O grupo responsável pela organização da marcha recebeu cerca de 2.700 euros do Ministério de Recursos Humanos da Hungria, e os organizadores produziram vários documentários para canais e sites, incluindo um sobre a vitória das tropas húngaras durante a Segunda Guerra Mundial.

Há anos, antifascistas húngaros têm chamado por apoio internacional para combater os neonazistas, muitos dos quais saem da Alemanha e da Áustria. Em 2023, ativistas da Alemanha, Itália e muitos outros países atenderam o chamado para confrontar os fascistas. Por consequência de inúmeras brigas antes da marcha, as autoridades repressivas da Hungria abriram várias investigações criminais, inclusive uma alegação de crime organizado internacional contra… antifascistas. Alguns foram detidos em flagrante, e alguns antifascistas foram postos em lista de procurados internacionais. Agora, dois antifascistas da Alemanha e da Itália estão aguardando julgamento em um centro de detenção em Budapeste. Uma dúzia de pessoas foram adicionadas à lista de procurados.

A pedido da Hungria, mais dois antifascistas foram detidos na Itália e Alemanha, esperando extradição para a Hungria, onde podem encarar até 15 anos de prisão.

É óbvio que o governo conservador da Hungria está usando estruturas internacionais para combater os oponentes do fascismo, que tem ganho peso com o apoio do regime de Putin. O bloqueio de Viktor Orbán a um grande pacote de auxílio para a Ucrânia é apenas a ponta do iceberg. A luta do partido de extrema direita húngaro Fiszes contra antifascistas é parte da repressão ideológica em resistência a tudo que Orban representa para a União Europeia com apoio de Moscou e outras forças reacionárias. E hoje nós vemos que essa luta não está mais confinada às fronteiras da Hungria.

Anarquistas e antiautoritários da Bielorrússia, Ucrânia, Rússia, mesmo no exílio, precisam se manter em alerta e jamais esquecer que na Europa há um grande número de diferentes forças apoiando as ambições imperiais do Kremlin e abertamente simpatizando com a ideologia fascista.

Você pode apoiar antifascistas detidos através do grupo Budapest Solidarity (budapest-solidarity.net).

Fonte: https://pramen.io/ru/2023/12/kak-drug-putina-nachal-ohotu-na-antifashistov-v-es/

Tradução > 1984

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agência de notícias anarquistas-ana

de tantos instantes
para mim lembrança
as flores de cerejeira.

Matsuo Bashô

[Rússia] No centenário da morte de Vladimir Lênin

O centenário da morte do famoso teórico marxista e ditador da Rússia “soviética”, Vladimir Lênin, foi recentemente celebrado por comunistas autoritários em todo o mundo. Nesse contexto, os autores do canal “Голос анархистов” (“Vozes anarquistas”) gostariam de falar sobre o legado desse político.

Certa vez, o famoso filósofo e anarquista cristão Andrei Berdyaev comparou o “líder” soviético com Konstantin Pobedonostsev. O que poderia haver em comum entre um revolucionário e socialista, por um lado, e um conservador convicto e professor de Alexandre III, por outro? O fato de que eles, como o Grande Inquisidor de Dostoiévski, não acreditavam no homem.

Como Vsevolod Volin apontou, a alegação de que “as massas são incapazes de determinar suas próprias vidas sem autoridade” – é uma excelente justificativa para estadistas de todos os tipos, desde fascistas e liberais até “comunistas” autoritários.

Um dos momentos marcantes do livro de memórias de Emma Goldman, “Мое разочарование в России” (Minha desilusão na Rússia), foi uma conversa particular com Lênin no Kremlin, durante a qual o líder bolchevique declarou que a liberdade de expressão (pela qual Emma havia passado quase toda a sua vida lutando nos Estados Unidos) era um “preconceito burguês”. Por fim, a anarquista percebeu que estava enfrentando um tirano comum. Assim como Voltaire havia depositado suas esperanças em Frederico II e acabou testemunhando esse déspota vingativo ordenar a queima de seus panfletos que ofendiam o monarca, Goldmann também testemunhou a repressão aos anarquistas na Rússia e depois foi perseguida pelo Partido Comunista dos EUA por causa de seu livro.

Foi essa falta de fé no indivíduo e na liberdade que deu origem à teoria do “partido de vanguarda”, que na prática se traduziu na ditadura de partido único e na estrutura do Comintern, onde um dos 14 requisitos obrigatórios era a obediência total às decisões do Kremlin. Foi essa falta de fé que levou os bolcheviques a suprimir o controle dos trabalhadores, os conselhos independentes e os comitês de fábrica, para que os diretores e comissários “sábios” tomassem o lugar dos trabalhadores “insensatos” na administração.

O principal erro teórico de Lênin foi que (como ele acreditava) o poder do Estado ou o monopólio capitalista poderia ser tomado em suas próprias mãos e canalizado para os interesses de toda a sociedade, estabelecendo assim o socialismo.

Na realidade, ao tomar o poder em suas mãos, o revolucionário, como um herói dos contos de fadas orientais, torna-se ele próprio um dragão, contra o qual lutou. Como Bakunin advertiu: “Dê ao revolucionário mais honesto o poder absoluto, e ele será pior do que o czar”.

Isso aconteceu na prática. A autocracia czarista era um sistema podre e despótico que praticava execuções políticas: o massacre impiedoso dos dezembristas, a execução de rebeldes poloneses por Muravyov, o Carrasco, os “laços de Stolypin”. No total, em 1825-1917, os Romanovs condenaram à morte por motivos políticos mais de 6 mil pessoas. Os bolcheviques, no entanto, tendo fundado sua polícia política, superaram todos esses crimes da Rússia monárquica logo nos primeiros meses de seu governo. Assim como os czares russos, os bolcheviques mataram impiedosamente manifestações de trabalhadores famintos, como aconteceu em maio de 1918 em Kolpino.

O capitalismo foi substituído não pelo socialismo, mas pelo capitalismo de estado, que, como testemunhou Bertrand Russell, que visitou a Moscou bolchevique como parte de uma delegação trabalhista, era mais feroz do que os industriais mais autoritários dos EUA e da Grã-Bretanha.

O poder se reproduz. Como Bookchin apontou, no sistema “soviético”, o partido substituiu os conselhos, o Comitê Central substituiu o partido e o Secretário Geral substituiu o Comitê Central. Os meios substituíram a essência. E sob o centralismo que Lênin exaltava, tudo isso era inevitável.

Como consequência natural, os leninistas, se fossem políticos, tinham de mentir e trair seus slogans para manter o poder: em vez de “paz sem anexações e indenizações” – conluio com o imperialismo alemão e turco, em vez de “terra para os camponeses” – apropriação de excedentes e explorações agrícolas coletivas, em vez de “fábricas para os trabalhadores” (ou seja, socialização das fábricas), nacionalização. Em vez de “liberdade para os povos”, após alguns anos de “korenização”, o retorno sob Stalin, em uma forma ainda mais monstruosa, das práticas coloniais do Império Russo.

Fonte: https://t.me/voiceofanarchists/698

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agência de notícias anarquistas-ana

Procurando pouso
Na rua movimentada,
Borboleta aflita

Edson Kenji Iura

[Irlanda do Norte] Ajude o (A) Centre em Belfast

Estamos arrecadando £ 3 mil para equipar uma nova biblioteca e sala de leitura do movimento da classe trabalhadora no centro da cidade de Belfast. O local incluirá um espaço social/de reuniões.

O (A) Centre é um novo espaço social, sala de leitura e biblioteca radical da classe trabalhadora que foi recentemente garantido pela organização sem fins lucrativos Just Learning Ateneo: Labor History, Heritage and Co-operation in Belfast.

O local fica no centro da cidade, onde estamos trabalhando atualmente para transformá-lo em um recurso fundamental para as comunidades da classe trabalhadora e ativistas de todas as origens – difundindo o legado da classe trabalhadora, a cooperação, a auto-educação e a solidariedade. Em um momento em que a divisão parece estar forte e enraizada como nunca, a classe trabalhadora de Belfast necessita de tal espaço.

Precisamos arrecadar £ 3 mil adicionais para terminar de equipar a biblioteca e trocar o piso. Ajude-nos a atingir essa quantia e abrir o centro o mais rápido possível. Fique de olho nesse espaço.

>> Para ajudar, clique aqui:

https://www.justgiving.com/crowdfunding/ACentreBelfast?utm_id=66&utm_term=aNNxMx8Dq

Tradução > meiocerto

agência de notícias anarquistas-ana

árvore seca
a lua é a mosca
em sua teia

Aclyse de Mattos

[França] Jaime (Jacques) Serra (1915-2023)

Em 26 de setembro de 2023, Jacques Serra, o membro mais antigo do CIRA, comemorou seu 108º aniversário. Ele faleceu algum tempo depois, cercado por sua família, em 4 de novembro de 2023. Um dos últimos protagonistas da Revolução Libertária Espanhola nos deixou.

Jaime nasceu em 1915 em Alcarràs, uma grande vila a 10 quilômetros de Lleida (Lérida). Seus pais eram agricultores e pequenos proprietários, republicanos, mas contrários à coletivização. Essa é uma região onde todos falam catalão.

Jaime, que trabalhava como cabeleireiro, começou a frequentar os anarquistas da FIJL (Federación Ibérica de Juventudes Libertarias) em Lérida aos 15 anos. O grupo deles contava com vários centenas de membros na época. Ele também frequentou a Escola Moderna fundada por Francisco Ferrer (1859-1909). Em 1936, ele se juntou à Coluna Durruti (26ª Divisão). Ele lutou por três anos no front de Aragão na seção de metralhadoras. Uma bala atravessou seu braço esquerdo e, como ele mesmo diz: “Se tivesse atingido minha cabeça, eu não estaria aqui para te contar sobre isso…” Em 23 de novembro de 1936, ele foi um dos dezenas de milhares que compareceram ao funeral de Durruti.

Em 1939, veio a Retirada. Depois de atravessar a fronteira em Le Perthus, ele se viu internado em Argelès-sur-Mer e depois em Bram, no departamento de Aude. Seu irmão, devolvido na fronteira, foi feito prisioneiro pelas tropas de Franco e morreu na prisão.

Ele se recusou a se alistar no exército francês: “Estive na guerra por três anos, agora já chega”. Ele foi contratado por um fazendeiro perto de Bourges. De lá, ele pedalou até Bordeaux e depois caminhou até Marselha.

Em Marselha, graças à cumplicidade de um funcionário do consulado espanhol, ele pôde obter documentos adequados e evitar se esconder. Isso não o impediu de prestar serviços à Resistência.

Ele então se mudou para Aix-en-Provence, onde, após trabalhar como cabeleireiro (seu salão se chamava “Le Barbier de Séville”), ele se tornou um showman. Seu caminhão, chamado “Aix bazar”, podia ser visto nos mercados de Aix e Gardanne.

Em Aix, ele se envolveu nas atividades da Libre Pensée, cujo grupo se chamava “Francisco Ferrer.” Junto com o geógrafo libertário Roland Breton (1931-2016) e outros, ele organizou inúmeras conferências. Algumas foram conduzidas por anarquistas: Charles-Auguste Bontemps, Hélène Hernandez… Desde 2002, ele era membro do Observatoire de laïcité du pays d’Aix.

Ele também foi ativo na maçonaria local. Desde 1977, ele era membro da loja La Chaîne d’union.

Com mais de 100 anos, ele não renegou suas ideias juvenis, declarando com um sorriso travesso: “A anarquia é a mais alta expressão da ordem, mas enquanto não houver anarquia, haverá caos.”

Fonte: https://www.cira-marseille.info/2024/01/jaime-serra-1915-2023/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

no brejo,
os sapos coaxam.
o vento é frio e úmido.

Alaor Chaves

[Reino Unido] Kuehne+Nagel corta laços com Elbit

Em um e-mail enviado à Palestine Action, a gigante dos transportes Kuehne+Nagel declarou que cortou relações com a maior empresa de armas de Israel, Elbit Systems, e que não voltará a trabalhar com ela no futuro. Essa vitória ocorre após uma extensa campanha de ação direta, que envolveu primeiramente ativistas da Palestine Action invadindo os escritórios da K+N em Leicester, quebrando janelas e pintando o interior com spray em 12 de maio de 2023, com várias ações semelhantes realizadas desde então.

Todas as empresas associadas aos fabricantes de armas israelenses Elbit Systems devem seguir o exemplo e encerrar seus vínculos com o genocídio do povo palestino por Israel. A Palestine Action continuará a visar todos aqueles que facilitam a produção do armamento da Elbit, que é ‘testado em combate’ contra o povo palestino. Em solidariedade à Palestina, não pararemos até que a Elbit deixe de existir.

~ Porta-voz da Palestine Action

Após a primeira ação, a K+N tentou disfarçar os caminhões que usava para transportar o armamento da Elbit de sua subsidiária em Leicester, a UAV Tactical Systems. Essa tentativa não passou despercebida pela Palestine Action, que listou a empresa como alvo no site elbitsites.uk, o que levou a uma ação dupla na filial da empresa em Milton Keynes e em sua empresa de seguros de cargas em Londres. Isso envolveu a quebra das janelas das filiais, prédios cobertos com tinta vermelho-sangue e mensagens deixadas pedindo que a K+N “cortem laços com a Elbit”.

A Palestine Action foi inicialmente informada sobre o contrato de longa data da empresa de logística e transporte com a Elbit através de um informante. Essa informação foi confirmada por avistamentos frequentes de caminhões da K+N entrando e saindo da fábrica da Elbit UAV Tactical Systems em Leicester, comprovando o envolvimento da empresa no transporte de tecnologias de drones israelenses. A K+N é uma das seis únicas empresas licenciadas para a coleta, entrega e descarte seguro de armas de fogo e armas na Grã-Bretanha, e sua decisão de encerrar seu relacionamento com a Elbit prejudicará significativamente a capacidade da empresa de concluir suas exportações de armas para Israel.

Juntamente com sua antiga parceria com a Elbit, a empresa que fornece 85% dos drones e equipamentos militares terrestres de Israel, a K+N desempenhou um papel histórico no tráfico de armas para o Apartheid da África do Sul, reforçando o regime na década de 1980. De acordo com o Movimento Anti-Apartheid, essas remessas foram enviadas para a África do Sul via Israel. O fato de essa empresa que vale 30 bilhões de libras esterlinas, há muito estabelecida na obtenção de lucros do setor de armas, ter decidido que a associação com a Elbit é um risco muito grande para suas operações e relações-públicas, é certamente uma notícia triste para o comércio de armas de Israel.

A iniciativa da K+N de se afastar da Elbit Systems ocorre depois que os recrutadores exclusivos, sócios da iO, os gerentes de propriedade da fábrica da Elbit em Shenstone, Fisher German, e os hosts do site da fábrica da Elbit em Leicester também abandonaram todos os laços com a fabricante de armas israelense. Esse padrão – de empresas que se apressam em encerrar seus vínculos com a Elbit Systems após uma campanha direcionada da Palestine Action – válida ainda mais a estratégia de ação direta expansiva do grupo.

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2024/02/02/kuehne-nagel-cut-ties-with-elbit/

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

Boneca se aquece
com o meu chapéu de lã.
Eu visto saudades.

Teruko Oda

Colaçãozinho é o cacete!

[EUA] Contra a academização do Anarquismo

Por Anarchist Pedagogies Collective

É com a maior preocupação, pesar, raiva e frustração que escrevemos este texto. Muitos de nós temos consciência da cooptação por parte de muitos acadêmicos e instituições acadêmicas; temos consciência de como os círculos acadêmicos constantemente cooptam teorias, análises e autores anarquistas. Também temos observado um número cada vez maior de acadêmicos anarco-curiosos que pensam que o anarquismo é uma estrutura teórica “interessante” para eles explorarem, ao mesmo tempo em que trazem consigo os destroços da crítica social, política e econômica que décadas de ativismo anarquista desenvolveram em torno de nossos princípios. Acreditamos que essa é a consequência natural do método científico embutido no neoliberalismo, que fragmenta tudo e destrói as conexões entre nossas lutas cotidianas e a análise política, fazendo com que percamos as partes radicais e militantes que nos ajudam a entender e nos adaptar a esses tempos históricos. Ao “estudarem” o anarquismo, eles o usam como se fosse um novo brinquedo em seus experimentos de pensamento, enquanto tentam constantemente colocá-lo em suas caixas acadêmicas bem rotuladas e se recusam a reconhecer que (como muitas coisas) ele nunca se encaixará realmente. É claro que isso é visto de uma perspectiva europeia branca, pois sabemos que muitos grupos e espaços fora dessa região estão muito mais conscientes da importância da resistência contra a academização do anarquismo e tendem a ser muito mais coerentes e consistentes em sua prática.

Nas últimas décadas, temos visto como os acadêmicos têm usado o anarquismo como uma ferramenta teórica, embora não tenham feito nada para provocar mudanças em relação ao crescente ecofascismo, corporativismo e globalização do neoliberalismo nos últimos 40 anos. Além disso, temos uma infinidade de exemplos de pessoas anarco-curiosas que destroem grupos anarquistas por dentro quando se infiltram em espaços anarquistas com seus próprios valores capitalistas, onde a hierarquização, a opressão e a individualização se infiltram em nossos espaços. Isso ajuda a destruir nossa capacidade de organização porque criam e mantêm dinâmicas de poder que dão a muitos de nós ainda mais trabalho a fazer. Não só temos de tentar criar novos espaços radicais contra nossos inimigos comuns clássicos, mas também temos de lutar contra nossos sabotadores internos. Não é de se admirar que muitos companheiros estejam absolutamente esgotados. Essa sabotagem interna por parte dos anarco-curiosos ocorreu em muitos espaços diferentes, desde editoras radicais a squats e feiras de livros. Repetidamente, experimentamos uma alienação de nossos próprios princípios e espaços porque deixamos de confrontar nossas próprias atitudes opressivas internalizadas que nos impedem de nos comportar de uma forma que se alinhe com os princípios anarquistas, e permitimos uma destruição ainda maior quando nossos próprios espaços são perturbados pelos desradicalizados, dissolvendo toda a nossa análise teórica.

Sem deuses, sem mestres, sem maridos… sem ídolos acadêmicos.

Queremos nos concentrar na última parte dessa frase. Em nossas lutas diárias, queremos ter certeza de que estamos dando espaço aos ativistas que, na maioria das vezes, estão na cadeia, defendendo comunidades locais, sendo criminalizados ou simplesmente tentando sobreviver nesta fase pós-capitalista ecocida. É aí que surge nossa raiva: todos esses anarco-curiosos são impostores da academia e estão apenas cooptando nossos princípios para fingir que são radicais e continuar subindo na escada acadêmica. Em vez de participar ativamente de espaços anarquistas e de se envolver de fato com qualquer um dos projetos ao seu redor que buscam rejeitar o capitalismo, eles vêm simplesmente para visitar e extrair informações para seu próprio ganho pessoal. Não há limites éticos na maneira como abordam seu trabalho e muito menos no que diz respeito ao seu impacto direto sobre o apoio e a ajuda que nossos companheiros nas ruas recebem.

Por outro lado, temos alguns acadêmicos que, até certo ponto, tentam praticar a coerência ética que é necessária para nos definir como anarquistas, e não academizamos nosso ativismo, pelo contrário, mantemos nossas raízes diretamente nas lutas, tendo muito claro que trabalhar na academia só nos ajuda a pagar as contas. Somos trabalhadores com um status social, mas somos trabalhadores, afinal.

É por isso que ficamos totalmente indignados quando, nas últimas semanas, nos deparamos com algumas situações que exemplificam outra luta que devemos travar. Trata-se do uso de certas figuras anarquistas que são simbolizadas por acadêmicos para fingir que seu trabalho traz radicalismo e mudanças reais no mundo. Isso, é claro, é feito em espaços liberais e estruturas organizacionais absolutamente repugnantes que não têm nenhuma pretensão de abertura para o trabalho teórico anarquista ou para a abolição de estruturas opressivas ou valores neoliberais. Eles abusam de certas figuras anarquistas ocidentais em sua própria síndrome do impostor para angariar fundos que são usados para apoiar as carreiras de certos indivíduos acadêmicos, mas nunca para apoiar grupos ou espaços anarquistas e outros alinhados radicais, e nem mesmo tentam fornecer ajuda mútua às pessoas oprimidas. Em outros casos, temos grupos de pesquisa autodenominados anarquistas que se difamam usando chavões neoliberais ou que só recebem acadêmicos abertamente anarco-curiosos em seus espaços de pesquisa como veneno ideológico.

Seria ótimo saber o que diabos o Instituto David Graeber, o Prêmio Emma Goldman, a Fundação Ferrer i Guardia ou a Universidade Virtual Anarquista Ivan Illich estão pensando quando deixam de mencionar o histórico político das pessoas cujos nomes estão sendo idolatrados ou confundem abertamente as pessoas com ideologias que não reivindicaram. Tampouco explicam como vão defender o uso dessas figuras nas práticas neoliberais, embora isso seja bastante difícil de fazer quando estão defendendo-as tão claramente… Alguns desses grupos estão baseados em contextos acadêmicos e são administrados principalmente por acadêmicos, usando estruturas e padrões acadêmicos; outros são apoiados diretamente por governos ou sob um esquema governamental, literalmente colocando um trabalho cada vez mais radical sob o controle do Estado e de suas instituições. Em consonância com as missões dessas organizações, algumas declaram abertamente que é preciso continuar a contribuir para o trabalho da pessoa escolhida e perseguir sua visão, colocando o foco totalmente de volta nessa pessoa idolatrada acima de tudo. Ficamos imaginando como essas pessoas se sentiriam ao serem comemoradas dessa forma: será que elas voltariam de seus túmulos apenas para ter um ataque cardíaco ao vê-las e morrer em chamas mais uma vez?

A traição e a perigosa dissolução da coerência ética radical no anarquismo entre nossas lutas cotidianas e a teorização dos princípios anarquistas podem ser uma das razões pelas quais o anarquismo não é mais percebido como uma ameaça real. Estamos cientes de que, tanto nos EUA quanto na UE, os anarquistas são criminalizados, mas não podemos aceitar ser academizados e neoliberalizados apenas para garantir nossa própria sobrevivência e a de nossas ideias. Na realidade, deveríamos nos defender contra esses ataques terríveis; deveríamos lutar contra a academicização e a tokenização de figuras históricas, teorias, práticas e obras anarquistas. Ao nos concentrarmos apenas em alguns nomes e ignorarmos suas próprias posições anarquistas e como essas posições impactaram seu próprio tempo neste planeta, estaríamos lutando contra o que deveria ser visto como nada mais do que um ataque aberto aos nossos próprios princípios.

Não queremos ídolos acadêmicos; na verdade, não queremos ídolos de forma alguma. Uma coisa é ser grato por ter pessoas que nos ajudaram com seu ativismo e por meio de seus escritos a continuar construindo sociedades livres com base nos princípios anarquistas, mas é algo completamente diferente abusar de seus nomes apenas para fingir ser radical, quando tudo o que se está fazendo é destruir longas tradições radicais que têm sido constantemente atacadas e pelas quais muitos indivíduos pagaram e continuam a pagar o preço com sua liberdade e suas vidas, porque continuam a lutar contra qualquer hierarquia que ameace a libertação de todas as pessoas.

Sabemos que o reconhecimento do trabalho individual é importante, mas ainda temos que matar nossos ídolos, mesmo quando eles trabalham na academia. Esperamos que vários companheiros possam se conscientizar de que somos todos humanos imperfeitos e que qualquer figura anarquista histórica, como nós, nunca foi perfeita. As lutas sempre foram coletivas, assim como nossa resistência. Portanto, nossa luta deve continuar sendo a de abolir qualquer opressão e, ao mesmo tempo, construir alternativas fortes fora do Estado, do capitalismo e de outras instituições opressivas.

Fonte: https://anarchistpedagogies.net/resource/against-anarchisms-academisation/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Ao fazer a sesta,
A mão que segura o leque
Pára de se mexer …

Taigi

[EUA] A Polícia de Atlanta diz que painéis e campanhas de geo-cercamento estão sendo planejadas em busca de ‘anarquistas’ que são contra centro de treinamento

Centenas de painéis e campanhas de marketing digital fazem parte agora de um esforço nacional para prender e condenar “anarquistas” violentos suspeitos de ataques contra o Centro de Treinamento de Segurança Pública de Atlanta, de acordo com o chefe de polícia de Atlanta, Darin Schierbaum.

Schierbaum disse em uma coletiva de imprensa na manhã de quarta-feira que mais de 450 painéis serão instalados esta semana em Atlanta e em outras grandes cidades, incluindo Miami, Nashville e Nova York. Os painéis divulgarão recompensas de até US$ 200.000 anunciadas no mês passado por informações para encontrar suspeitos de incêndio criminoso que protestam contra o centro de treinamento, também conhecido como “Cop City”.

O anúncio veio um dia depois de ativistas incendiarem equipamentos de construção perto do local do centro de treinamento e assumirem a responsabilidade pela ação em um site, disse Schierbaum.

“Há um esforço em curso por um grupo muito pequeno de indivíduos, anarquistas, que querem impactar a segurança de Atlanta, Geórgia”, disse Schierbaum.

Na coletiva de imprensa com Schierbaum estavam o vice-chefe de bombeiros de Atlanta, James McLemore, o comissário de seguros da Geórgia, John King, e membros do FBI, ATF e GBI.

A coletiva de imprensa do chefe foi realizada antes de os funcionários informarem aos membros do Comitê de Finanças do Conselho da Cidade de Atlanta que o centro de treinamento estava mais de 75% concluído, apesar de muitos atos de vandalismo, incluindo incêndios criminosos. Funcionários da cidade disseram que o vandalismo aumentou o custo estimado de US$ 90 milhões para construir o complexo em quase US$ 20 milhões.

Geo-cercamento também será usado para divulgar recompensa em dinheiro

Além de painéis e marketing digital, campanhas de geo-cercamento também serão utilizadas em nove cidades para divulgar a recompensa em dinheiro por informações que levem à prisão e condenação daqueles que atacam o centro de treinamento, de acordo com um comunicado de imprensa.

O geo-cercamento não foi discutido durante a coletiva de imprensa do chefe de polícia. A Polícia de Atlanta não respondeu a um pedido de comentário sobre o que especificamente estaria envolvido nas campanhas de geo-cercamento.

O geo-cercamento é usado para criar um limite geográfico virtual ao redor de uma área usando tecnologia GPS, Wi-Fi ou dados celulares. As empresas usam o geo-cercamento para direcionar anúncios específicos para o celular de alguém, por exemplo, quando entram na fronteira virtual.

O Crime Stoppers em outros estados usou o geo-cercamento para obter dicas para resolver crimes. Mas alguns críticos se preocupam que os dados compilados pela polícia possam ser usados para visar pessoas inocentes. Alguns especialistas legais também dizem que o geo-cercamento pode ser prejudicial para manifestantes e ativistas sociais.

Os painéis e a recompensa em dinheiro estão sendo financiados pelo Crime Stoppers de Atlanta e por doações privadas, disse Schierbaum. O Crime Stoppers de Atlanta é gerenciado pela Fundação da Polícia de Atlanta.

A Fundação da Polícia de Atlanta é responsável pela construção e gerenciamento do centro de treinamento de segurança pública de 85 acres sendo construído em propriedade pertencente à cidade na Floresta do Rio do Sul, no condado de DeKalb não incorporado.

Schierbaum também disse que Seth Brock Spigner foi preso na Carolina do Sul e acusado de incêndio criminoso por incendiar equipamentos de construção em um caso relacionado ao centro de treinamento de segurança pública de Atlanta.

“Houve uma associação solta e imprecisa daquela empresa [na Carolina do Sul]. Alguém achou que estava conectado a este local de construção”, disse o chefe. “Com base nessas informações erradas, um anarquista foi lá e ateou fogo. Sua motivação era que eles pensavam que estavam impedindo nosso centro de treinamento de segurança pública.”

Construção do centro de treinamento mais de 75% concluída, dizem funcionários da cidade

Os membros do comitê de finanças do conselho da cidade foram atualizados sobre a construção do centro de treinamento em sua reunião de quarta-feira à tarde.

Funcionários da cidade disseram que o centro de treinamento está mais de 75% concluído “apesar de múltiplos atos de violência” nos últimos dois anos e espera-se que seja concluído em dezembro.

A vice-chefe de operações La Chandra Burks disse ao comitê de finanças que a frequência e intensidade dos ataques em oposição ao centro de treinamento – incluindo uma recente desfiguração da Taverna de Manuel – contribuíram para um aumento no custo estimado para o centro de treinamento de US$ 90 milhões para US$ 109,6 milhões, de acordo com um comunicado de imprensa.

O aumento inclui US$ 6 milhões para segurança adicional e US$ 400.000 para aumentos de seguro. Os contribuintes de Atlanta não suportarão o ônus dos US$ 19,6 milhões em custos incrementais, disse Burks.

“Estamos avançando conforme planejado e não permitindo que distrações nos impeçam de melhorar a segurança dos habitantes de Atlanta ao concluir o centro de treinamento de segurança pública”, disse o prefeito Andre Dickens em um comunicado de imprensa.

De acordo com a cidade, mais de 80 atos criminosos foram cometidos no local do centro de treinamento e mais de 173 prisões foram feitas. Mais de 20 atos de incêndio criminoso resultaram na destruição de 81 equipamentos e edifícios em 23 estados, disse a cidade no comunicado de imprensa.

Isso inclui a destruição de motocicletas da APD e um atentado à bomba no Centro At-Promise, um programa local de prevenção a crimes juvenis financiado pela Fundação da Polícia de Atlanta.

No comunicado de imprensa, Dickens e administradores da cidade também refutaram o custo de US$ 67 milhões para os contribuintes construírem o centro de treinamento.

“A parcela da cidade do custo de construção do centro de treinamento, aprovada pelo Conselho da Cidade de Atlanta em junho de 2023, permanece uma alocação de US$ 31 milhões”, de acordo com o comunicado de imprensa.

“O outro custo do centro de treinamento aprovado pelo conselho, que é um pagamento de locação anual neutro para o orçamento para a Fundação da Polícia de Atlanta (APF) de US$ 1,2 milhão, não é uma despesa incremental, adicional ou nova para os contribuintes da cidade.

“Como já explicado anteriormente, a cidade atualmente paga US$ 1,4 milhão anualmente por vários aluguéis para instalações de treinamento subótimas ao redor da cidade e da área metropolitana. Depois que o novo centro de treinamento for construído, a cidade cancelará esses vários aluguéis e começará a fazer os pagamentos de locação de US$ 1,2 milhão para APF. Os pagamentos de locação representam uma economia anual de US$ 200.000 ou uma economia de US$ 6 milhões ao longo de 30 anos”, disse o comunicado de imprensa.

A apresentação da cidade foi feita um ano depois que Manuel “Tortuguita” Teran foi morto por um patrulheiro da Patrulha Estadual da Geórgia na Floresta do Rio do Sul enquanto protestava contra a construção do complexo do centro de treinamento. A morte de Teran, 26 anos, impulsionou a oposição a “Cop City” num movimento nacional e internacional.

A polícia disse que Teran atirou primeiro. Nenhuma acusação criminal foi feita contra nenhum policial.

O prefeito e outros funcionários da cidade e do estado argumentaram que um novo centro de treinamento de segurança pública para policiais e bombeiros é necessário para substituir instalações deterioradas. Eles também argumentam que a nova instalação é necessária para recrutar e reter policiais. O Departamento de Polícia de Atlanta, como muitos departamentos em todo o país, viu uma saída de policiais após protestos nacionais contra a brutalidade policial em 2020 desencadeados pelo assassinato de George Floyd.

Os oponentes do centro de treinamento dizem que a construção do complexo só levaria a mais militarização da polícia e violência contra pessoas negras e pardas. Eles também acusam a cidade de racismo ambiental por construir o centro de treinamento em um bairro majoritariamente negro.

Fonte: https://roughdraftatlanta.com/2024/01/17/atlanta-police-say-billboards-geo-fencing-campaigns-planned-in-search-of-anarchists-against-training-center/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Um sol transparente
e um mar azulão
brilhando na areia quente

Winston

[Alemanha] Berlim: Informações sobre a ação contra um carro do corpo diplomático grego

No dia 30 de janeiro, colocamos um dispositivo incendiário debaixo de um carro com placa da representação diplomática da Grécia na Alemanha. A ação aconteceu no subúrbio de Rosenthal, em Berlim.

A ação não foi dirigida contra uma pessoa específica, mas contra as relações entre dois Estados racistas e assassinos e os seus líderes. Um carro diplomático em chamas é, mais uma vez, o vetor de mensagens internacionais entre os oprimidos e ao mesmo tempo um alerta para aqueles que querem dominar o mundo…

…que não esquecemos o assassinato, pela guarda costeira grega e pela Frontex, de centenas de pessoas ao largo da costa de Pilos, em junho do ano passado.

…que não esquecemos os atos de violência racistas e assassinos cometidos pela polícia contra os jovens ciganos na Grécia.

…que não fiquemos parados e nada façamos face à perseguição de anarquistas e indivíduos que lutam contra o poder e a exploração.

Mesmo em 2024, em um momento em que a indiferença aos massacres diários aumentou muito, nós, anarquistas, continuamos a estender a mão aos migrantes. Queremos lembrar mais uma vez que as migrações em massa têm a sua origem neste sistema e que aqueles que tentam controlá-las são os mesmos que vivem da nossa força de trabalho e dos nossos recursos. As milhares de mortes nas fronteiras são os assassinatos dos nossos irmãos e irmãs. As vítimas dos pogroms e assassinatos que virão, nesta União Europeia cada vez mais abertamente racista, vivem entre nós, lado a lado conosco.

Em memória de Oury Jalloh, que foi amarrado e queimado vivo em uma cela da polícia com ossos quebrados há 19 anos, no dia 7 de janeiro.

Assinado: Anarquistas

PS: pela libertação imediata de Nikos Maziotis e em solidariedade a Pola Roupa!

Fonte: https://kontrapolis.info/12211/

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alvor
avançavam parados
dentro da luz

Guimarães Rosa

[Argentina] Saiu “La Oveja Negra” nº 92!

Nesta edição de fevereiro de 2024:

  • “1984” é hoje. Quarenta anos após a data estabelecida para o cenário distópico desenvolvido por George Orwell em seu famoso romance, refletimos sobre o presente. Os slogans do Partido em 1984 são: “Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força”. Até que ponto esses slogans são válidos no regime totalitário que é o modo de produção capitalista?
  • Não se trata de um “conflito palestino”, mas de um massacre. Em Gaza não há “conflito”, mas sim a eliminação de uma população considerada “excedente” por meios militares por um Estado democrático que progride não apenas pela conquista de território, mas também pela indústria bélica. Deve-se lembrar que o fim das guerras capitalistas só é possível com o fim do capitalismo.

Site do boletim, para leitura desta e das edições anteriores:

boletinlaovejanegra.blogspot.com

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tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis

Rosa Clement

[Chile] Não perdoamos! Não esquecemos!

Após a morte do miserável Piñera. Não esquecemos do legado da violência estatal no âmbito das mobilizações de 2011 e da revolta de 2019/2020.

Participamos [dia 06/02] alegremente das desordens na Plaza Dignidad [Santiago] com a sempre necessária propaganda anárquica.

COM NOSSOS MORTOS, PRISIONEIROS E FUGITIVOS.

CONTINUAMOS ALIMENTANDO O FOGO DO COMBATE.

Fonte: Buskando La Kalle

Nota da ANA:

O ex-presidente do Chile, o bastardo Sebastián Piñera morreu aos 74 anos nesta terça-feira (06/02) em um acidente de helicóptero. O presidente do Brasil, o pelego Luiz Inácio Lula da Silva, usou o “X”, antigo Twitter, para lamentar a morte do narcisista, bilionário ganancioso e o maior violador de direitos humanos desde Pinochet no Chile: “Surpreso e triste com a morte de Sebastián Piñera, ex-presidente do Chile. Convivemos, trabalhamos pelo fortalecimento da relação dos nossos países e sempre tivemos um bom diálogo, quando ambos éramos presidentes, e também quando não éramos”, escreveu o presidente, passador de pano de assassino, torturador, mitômano genocida, ladrão…

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Cúmulos-nimbos
Atravessando os céus
Sobre o rio sem água.

Shiki

[Bulgária] Chamado de solidariedade para a manifestação “Nenhum Nazista Em Nossas Ruas” no dia 17.02 em Sofia

2024 marca o 21º ano consecutivo da manifestação neonazi Lukovmarsh na nossa cidade de Sofia.

“Lukovmarsh” é uma marcha neonazista com grande participação internacional. Grupos de extrema-direita de toda a Europa vêm a Sofia todos os anos, para apoiar os seus homólogos locais na homenagem ao general antissemita búlgaro Hristo Lukov (1887-1943), que esteve associado ao Terceiro Reich. Os organizadores da União Nacional Búlgara (BNS) são frequentemente vistos em manifestações neonazis na Polônia e na Itália. Isto não é uma surpresa, uma vez que a “lista de convidados” de Lukovmarsh inclui internacionais da Espanha (La Falange), Alemanha (NPD, Die Rechte, Der III Weg), França (Terre et peuple), Itália (Casa Pound), Áustria, Croácia, Polônia (Narodowe Odrodzenie Polski), Romênia (Nova Dreapta), Hungria, Suécia (Frente Nórdica).

Ao longo dos anos garantimos que sempre houvesse resistência contra a Lukovmarsh e uma contra-manifestação chamada “Nenhum nazista em nossas ruas!”. Acreditamos que os nossos esforços e a solidariedade internacional ao longo dos anos ajudaram a diminuir a intensidade das tochas neonazis! Continuamos nossa luta até que desapareçam completamente da nossa cidade, e do resto do mundo.

Lukovmarsh está sendo cada vez mais associada aos neonazistas pelo público em geral e tem muito menos adesão! Queremos agradecer calorosamente a cada pessoa que veio a Sofia em solidariedade à nossa contra-demonstração “Nenhum nazista em nossas ruas!” no passado! Seu apoio ajudou imensamente!

No entanto, ano após ano, mesmo quando a Lukovmarsh é proibida pela prefeitura de Sofia, os neonazis são liberados para marchar e continuam a ser tranquilamente escoltados pela polícia. Nunca dispersos, nunca presos e sempre protegidos pelas autoridades. Ao mesmo tempo, as manifestações pacíficas de solidariedade com o povo palestino são proibidas com a ameaça da força, dispersões e as casas de organizadores invadidas pela polícia e pelas forças especiais.

Como antifascistas, vemos claramente as duas medidas do Estado. Na Bulgária, você pode ser um neonazista antissemita, mas se protestar contra um genocídio, isso será considerado “antissemitismo” ou “terrorismo” sem qualquer motivo específico.

Como antifascistas, continuaremos a nos levantar contra o antissemitismo e os verdadeiros antissemitas!

Como antifascistas, não permitiremos que o antifascismo fingido de Putin seja o único de que se ouve falar.

Como antifascistas, estaremos sempre contra o fascismo de Erdogan e a limpeza étnica do povo curdo.

Como antifascistas e feministas não deixaremos as mulheres do Irã sozinhas.

Como antifascistas, estaremos sempre ao lado dos migrantes, que enfrentam atualmente novas restrições da União Europeia.

Este é o ethos que “Nenhum nazista em nossas ruas!” sempre teve e continuará a perpetuar.

Para aqueles que vieram nos anos anteriores e para aqueles que consideram vir este ano – gostaríamos de convidá-los oficialmente para “Nada de nazistas em nossas ruas! 2024 no dia 17 de fevereiro em Sofia, Bulgária!

Nos vemos lá!

Saudações,

Antifa Sofia/Antifa Bulgária

Tradução > meiocerto

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agência de notícias anarquistas-ana

Mingau branco
Numa tigela imaculada –
A luz do sol do Ano-Novo.

Josô

[Reino Unido] Campanha de transporte gratuito para Londres será lançada

Stop the Silvertown Tunnel Coalition está lançando uma campanha pelo transporte público gratuito em Londres. Isso está relacionado à campanha deles porque, se mais pessoas usassem o transporte público, haveria menos veículos nas ruas e menos necessidade do túnel.

“O transporte público gratuito, implementado juntamente com melhorias nos serviços, investimento em viagens ativas e o fim dos subsídios aos motoristas de automóveis e ao setor de transporte, pode ajudar a reduzir rapidamente o número de veículos nas ruas. Precisamos fazer com que o transporte público seja a primeira opção dos londrinos para se locomoverem: torne-o agradável. Essa é a melhor maneira de reduzir as emissões. Reduzir o tráfego rodoviário também é a melhor maneira de combater a poluição do ar que mata milhares de londrinos todos os anos”.

A primeira reunião será no sábado, 10 de fevereiro de 2024, às 10h30, no Waterloo Action Centre, 14 Baylis Road, London SE1 7AA.  E-mail: stopsilvertowntn@gmail.com

Para obter mais informações, consulte: https://stopsilvertowntn.files.wordpress.com/2023/12/free-pt-proposal.pdf

Dê uma olhada também neste folheto do ACG (Anarchist Communist Group) que defende o transporte público gratuito:

https://rebelcitylondon.files.wordpress.com/2024/01/forum-copy-of-transport-leaflet.pdf

Fonte: https://rebelcitylondon.wordpress.com/2024/01/27/free-transport-for-london-campaign-to-be-launched/

Tradução > Contrafatual

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Escurece rápido.
Insistente, a corruíra
cisca no quintal.

Jorge Fonseca Jr.

[Espanha] A Secretaria de Relações Internacionais da CGT se solidariza com a prisioneira antifascista Ilaria Salislis

A Secretaria de Relações Internacionais da CGT exige um tratamento correto e a extradição para a Itália da prisioneira antifascista Ilaria Salis, presa na Hungria. Também denuncia sua situação e a violação de seus direitos fundamentais.

A militante anarquista milanesa Ilaria Salis está detida na prisão de segurança máxima em Budapeste há quase um ano, acusada de ter agredido dois neonazistas em 11 de fevereiro de 2023 na capital húngara durante o “Dia da Honra”. Um evento em que grupos nazistas e fascistas se reúnem para homenagear Hitler e membros das Setas Cruzadas (partido pró-nazista que governou o país entre 1944 e 1945). Um pretexto para os neonazistas de toda a Europa se reunirem e se manifestarem em nome de um suposto passado mítico, na realidade feito de violência, racismo e intolerância. Durante anos, os convocadores atacaram pessoas que, por vários motivos, não se adequaram aos seus cânones de pureza racial.

Esse é o contexto em que Salis foi acusada pelas autoridades húngaras de atacar manifestantes neonazistas; ela também é acusada de ser membro de um grupo organizado de ativistas alemães cujo objetivo é atacar militantes fascistas ou a ideologia nazista. No entanto, seus advogados negaram isso. Eles também denunciaram as condições “desumanas” e de semi-isolamento em que ela está presa. A Hungria já foi condenada pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos por graves violações dos direitos dos prisioneiros, violações que Ilaria está sofrendo. Roberto Salis, pai de Ilaria, escreveu uma carta há algumas semanas para a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e para os ministros das Relações Exteriores, Antonio Tajani, da Justiça, Carlo Nordio, e para os presidentes da Câmara e do Senado italianos para pedir ao governo que intervenha diante das “violações dos direitos humanos” que sua filha está sofrendo na prisão, onde está sendo mantida “em condições desumanas”, como ela mesma denunciou em uma carta enviada a seus advogados. Até o momento, o governo italiano não respondeu nem interveio para se preocupar com as condições de uma detenta em outro país da UE. Salis corre o risco de ser condenada a uma pena de até 16 anos, muito mais severa do que o código italiano para ferimentos “curados em 5 ou 8 dias”.

Contra o fascismo e sua violência, agora e sempre, resistência

Viva a solidariedade internacional

cgt.org.es

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/02/hungria-depois-de-aparecer-acorrentada-no-tribunal-processo-contra-anarquista-italiana-e-adiado/

agência de notícias anarquistas-ana

nuvens insultam o céu,
aves urgentes riscam o espaço;
pingos começam a molhar.

Alaor Chaves

[Reino Unido] Dawn Ray’d – O fogo se apagou, mas a chama continua acesa

Se tiver sorte, você irá experienciar em sua vida a oportunidade de presenciar uma banda diferente de todas as outras. Uma banda cuja música é impossível de substituir. Uma banda que preenche uma lacuna que você nem sabia que existia. Dawn Ray’d foi uma dessas bandas. Sua mistura intransigente de mensagem, visão e música, de amor/raiva, luz/escuridão, foi excepcional. Somente Godspeed you! Black Emperor poderia se igualar à expressão de Dawn Ray’d.

Para o anarquista que procurava uma banda para se inspirar, para sentir um senso de comunidade, para descarregar a raiva, tristeza, para alimentar a luta, para sentir esperança e alegria, Dawn Ray’d foi a banda exata. Enquanto outras bandas reagiam à injustiça com debates acirrados em torno da mesa de jantar, Dawn Ray’d incendiava a casa inteira, deixando apenas as cinzas de seus oponentes.

Dawn Ray’d melhorou ao longo dos anos e a banda foi essencial em seu gênero musical (a comunidade black metal tem sido caracterizada por bandas fascistas e de extrema direita). Sua expressão alcançou quase a perfeição com o álbum “To Know The Light”. Cada tom, verso e imagem são importantes. O álbum é atencioso, bonito e significativo. O último lançamento, que viria a ser o último álbum da banda, é sem dúvida um dos melhores álbuns do ano. Nunca antes a mensagem anarquista foi tão clara. O disco está imbuído de um ódio fervoroso contra todas as hierarquias. Ninguém que o ouça pode duvidar do que a banda pensa sobre o Estado, a opressão animal, a polícia, o patriarcado, os fascistas ou os capitalistas.

O anúncio feito pelo Dawn Ray’d de que a banda está se separando é terrivelmente triste, inexplicável. É como perder o seu melhor amigo, aquele que sempre te entendeu e confortou. Ao mesmo tempo é de certa forma, óbvio. Como o fim lógico de uma banda de black metal anarquista e antifascista.

Assim como aquele seu grupo de amigos militantes, que por um tempo fizeram ações que ninguém mais poderia fazer, mas que não deveriam existir para sempre, Dawn Ray’d sai do palco na hora certa. Dawn Ray’d sempre foi mais que uma banda. Eles foram os camaradas que lutaram com vocês contra a porcaria da sociedade, que defenderam todos os meios imagináveis. O fato de mais e mais pessoas valorizarem a banda por sua contribuição ao ambiente anarquista, paradoxalmente, apenas torna mais lógico o término da Dawn Ray’d. Não precisamos de deuses, precisamos de camaradas. E assim como a luta muda ao longo do tempo, as formas de expressão de como lutamos também precisam de mudar. Caso contrário, não venceremos nenhuma batalha.

Aqueles que abraçaram Dawn Ray’d ao longo dos anos nunca a esquecerão. Aqueles que ainda não os ouviram têm um mundo a descobrir. A música parou, mas continuamos ouvindo. A banda acabou, mas o que eles representavam continua vivo. Como consequência da existência da banda, a vida ficou um pouco melhor, a luta mais militante. Este não é o fim, é um novo começo. Como diz a própria banda, nos vemos nas ruas. Deixe o fogo queimar como um sinal!

Obrigado por tudo Dawn Ray’d!

Fonte: https://anarkism.info/2023/09/19/dawn-rayd-elden-har-slocknat-men-lagan-brinner-vidare/

Tradução > meiocerto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/09/28/reino-unido-os-anarquistas-da-banda-de-black-metal-dawn-rayd-querem-promover-uma-revolucao/

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O som do aguaceiro
nas folhas da bananeira —
de prender o fôlego.

Carlos Martins

[Espanha] A Suprema Corte condena quatro dos seis de Zaragoza a quatro anos e nove meses de prisão

O tribunal superior reduziu a sentença imposta primeiro pela Audiencia e depois pelo TSJA. No entanto, condenou quatro dos seis jovens de Zaragoza que se manifestaram contra um ato do Vox, de extrema direita, em janeiro de 2019, a uma pena total de quatro anos e nove meses de prisão cada um por “crimes agravados de desordem pública e agressão”, bem como “lesão a vários policiais”. A campanha pela absolvição continua a argumentar que “eles são inocentes porque não há provas objetivas. E não há, porque eles são inocentes”.

Em uma decisão anunciada na terça-feira, a Câmara Criminal da Suprema Corte (SC) condenou quatro dos seis jovens, conhecidos como os Seis de Zaragoza, que se manifestaram contra um evento do partido de extrema direita Vox na capital aragonesa em 17 de janeiro de 2019, a um total de quatro anos e nove meses de prisão por “crimes agravados de desordem pública e agressão”, bem como “ferimentos em vários policiais”.

A Suprema Corte reduziu a pena de sete anos de prisão imposta a eles pelo Tribunal Superior de Justiça de Aragão (TSJA) por entender que “os delitos agravados de perturbação da ordem pública e agressão devem ser considerados como tendo sido cometidos em concurso ideal”, de modo que estabelece “a pena prevista para o delito mais grave – perturbação da ordem pública – em sua metade superior”.

Inicialmente, o Tribunal de Zaragoza sentenciou os quatro jovens de Zaragoza a um total de seis anos de prisão – três por conduta desordeira e três por agressão. Posteriormente, em outubro de 2021, o TSJA endureceu ainda mais a sentença com mais um ano de prisão, acrescentando o “crime de lesão”. A Plataforma de Madres y Padres por la Absolución recorreu da sentença à Suprema Corte, considerando-a “desproporcional e injusta”.

Agora, a Suprema Corte reduz a sentença para um total de três anos e nove meses pelos dois delitos de desordem e agressão, aos quais se soma mais um ano de prisão para cada um deles pelo delito de lesão. A Suprema Corte retirou “a aplicação do subtipo agravado do uso de meios perigosos que foi estabelecido pelo TSJA”, mas “isso não leva a uma redução da pena de um ano, já que ela se encontra na metade inferior do tipo básico imponível”. Nesse sentido, justifica sua decisão por considerá-la “proporcional, tendo em vista o prolongado período de recuperação exigido pelo agente”, conforme consta na sentença. O tribunal superior também rejeitou “o restante das razões de apelação dos quatro réus” e manteve “as sentenças de multa por crimes de dano e lesões leves aos outros policiais afetados”.

Finalmente, a Corte Suprema considera que “os fatos declarados provados identificam claramente as premissas para a imputação dos crimes considerados como tendo sido cometidos em coautoria”. Também informa que “não há recurso contra essa decisão”.

Desde o início do julgamento, as famílias dos acusados – que tomaram conhecimento da decisão da Suprema Corte por meio da mídia – vêm denunciando a injustiça desse caso e a falta de provas incriminatórias: “A maior injustiça do mundo pode ser cometida se nossos filhos forem para a prisão”, alertaram em uma coletiva de imprensa em março de 2021. Em uma aparição no Parlamento de Aragão, eles deixaram claro que os seis de Zaragoza não podem ir para a prisão, “eles são inocentes porque não há provas objetivas. E não há nenhuma, porque eles são inocentes”.

As famílias, juntamente com a Coordenadora Antifascista de Zaragoza, mantiveram uma campanha aberta durante todo esse tempo para divulgar o caso e exigir a absolvição dos seis jovens. Até o momento, eles reuniram o apoio de doze deputados do Parlamento Europeu e mais de 400 pessoas do mundo da cultura, pessoas anônimas e coletivos. A campanha também reuniu milhares de pessoas na capital aragonesa e em Uesca.

Em outubro de 2022, após dois anos denunciando o caso, nasceu a Plataforma Estadual Absolution 6 de Zaragoza para dar impulso à campanha “Protestar não é crime”, com a qual chegaram a diferentes cidades, realizando palestras, reuniões com agentes públicos e uma série de iniciativas institucionais. Em novembro do mesmo ano, eles lançaram o manifesto “Pelo direito de manifestação e pelas liberdades democráticas”, que até o momento coletou mais de 2.500 assinaturas. Todos pela liberdade dos jovens condenados, “sem provas incriminatórias”, a penas absolutamente desproporcionais.

Fonte: https://arainfo.org/el-supremo-condena-a-4-anos-y-9-meses-de-prision-a-cuatro-de-los-seis-de-zaragoza/

agência de notícias anarquistas-ana

pétala amarela
a borboleta saltou
sem pára-quedas

João Acuio