[Espanha] Novidade editorial: “Pierre-Joseph Proudhon. Federalismo y mutualismo anarquistas”

Nos enche de entusiasmo poder anunciar o novo título editado pela Fundação Anselmo Lorenzo: “Pierre-Joseph Proudhon. Federalismo y mutualismo anarquistas.” Florentino Iglesias reúne o pensamento proudhoniano para abordar diferentes problemáticas da atualidade. Um pensamento que, talvez, não nos ofereça sempre uma solução, mas sim um caminho para começar a caminhar em sua busca.

Sinopse

Em uma época de crise como a nossa, crise das sociedades de corte liberal, incapazes de conjugar direito e liberdade, o capitalismo não poderá resolver o desperdício planetário que põe em perigo a própria sobrevivência da humanidade. Ademais, porque sua meta tem pouco que ver com as necessidades reais da sociedade. Crise também, e talvez isto seja novo nas sociedades burocráticas do capitalismo de Estado — mal chamado socialista —, onde as aberrações dos governantes não podem ser conhecidas nem corrigidas e onde o papel do trabalhador fica reduzido a trabalhar, obedecer e conformar-se com o salário que definem os chefes infalíveis e indiscutíveis do partido.

Neste estudo, só pretendemos abordar alguns temas do pensamento proudhoniano. Temas que talvez valham a pena ter em conta, não porque aportem soluções definitivas a nossos problemas, mas sim apontam para elas. Consideramos que aporta elementos de reflexão sobre os problemas da construção de um socialismo autogestionário. Um socialismo onde o ser humano tenha direito a realizar-se, não só em seu ócio, como tratam de convencer-nos atualmente, mas também na empresa, onde passa grande parte de sua vida, assim como nas suas relações com a comunidade.

Nossa intenção fica, portanto, limitada, tratando de oferecer uma visão geral dos temas aqui abordados. Temas que, apesar do que seus adversários tenham podido dizer, se encontram no centro mesmo das preocupações políticas, econômicas e filosóficas de nosso tempo.

PIERRE-JOSEPH PROUDHON. FEDERALISMO Y MUTUALISMO ANARQUISTAS

Florentino Iglesias

Fundación Anselmo Lorenzo

Madrid, 2023

392 págs.

ISBN: 978-84-127509-0-4

PVP: 18 euros

fal.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

a lagarta
olha no espelho
a mariposa

Claudio Daniel

[Rússia] Ativista russo é encontrado em prisão de Moscou após desaparecer no Quirguistão

O ativista de esquerda e anarquista russo Lev Skoryakin foi encontrado dentro de um centro de detenção em Moscou semanas depois de desaparecer na república do Quirguistão, na Ásia Central, informou o grupo de direitos humanos Memorial na sexta-feira (03/11).

Skoryakin foi supostamente torturado no centro de detenção Butyrka, em Moscou, depois de ter sido sequestrado de uma prisão do Quirguistão em 17 de outubro e levado de avião para Moscou no dia seguinte, disse a Memorial, sem especificar quem estava por trás da transferência forçada do ativista.

Ele enfrenta acusações de “hooliganismo” armado na Rússia por ter realizado um protesto com seu colega ativista Ruslan Abasov contra o Serviço Federal de Segurança (FSB) em 2021 com o uso de uma arma de sinalização.

Ambos conseguiram fugir da Rússia depois de cumprir mais de seis meses de detenção.

As autoridades do Quirguistão inicialmente recusaram extraditar Skoryakin porque ele havia solicitado asilo político.

“Skoryakin provavelmente foi pressionado a dizer que supostamente havia decidido retornar à Rússia de forma independente e por vontade própria”, disse Memorial.

Os planos de Skoryakin de viajar do Quirguistão para a Alemanha – onde ele recebeu um visto humanitário – foram frustrados depois que as autoridades do Quirguistão confiscaram seu passaporte russo, de acordo com o grupo de direitos humanos.

As autoridades do Quirguistão já haviam detido Skoryakin em junho e o mantiveram preso até setembro.

A Memorial reconheceu Skoryakin e Abasov como prisioneiros políticos devido a violações de sua liberdade de reunião.

Vários ativistas anti-Kremlin foram extraditados ou tiveram sua entrada recusada em países vizinhos à Rússia desde que Moscou invadiu a Ucrânia no início de 2022.

As autoridades russas têm reprimido os críticos internos com uma série de processos criminais em seu esforço para sufocar a dissidência.

Fonte: https://www.themoscowtimes.com/2023/11/03/russian-activist-found-in-moscow-jail-after-disappearing-in-kyrgyzstan-a82993

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/26/o-anarquista-lev-skoryakin-foi-sequestrado-no-quirguistao/

agência de notícias anarquistas-ana

No entardecer
O azul celeste
Manchado é pelo arranha-céu

Dalva Sanae Baba

[Polônia] Por um mundo sem fascismo de todas as cores – 11 de novembro em Varsóvia

Na mente do público, a palavra “fascismo” está mais associada a fotos em preto e branco de procissões de tochas nas ruas de Berlim do que a eventos contemporâneos. Entretanto, essa ideia de dominação total do Estado sobre o indivíduo nunca foi associada a especificidades regionais e não foi derrotada em um passado distante. Não importa se as faixas dos novos fascistas terão suásticas ou Zs, pois a estética não é tão importante quanto a ideia. Os sonhos de um Estado forte, subjugando a sociedade e ameaçando todos os inimigos com força militar, ocupam as mentes de imperialistas e nacionalistas em todo o mundo.

A Europa não é, de forma alguma, uma exceção. Os partidos conservadores e de extrema direita têm um número significativo de assentos nos parlamentos europeus e uma presença visível nas ruas. Na Polônia, onde os conservadores detêm quase metade dos assentos no parlamento, a cada 11 de novembro, no Dia da Independência, a direita sai às ruas em uma demonstração de força. Essas procissões de tochas dos dias atuais são o exemplo mais brilhante do fato de que o fascismo não dorme, penetrando nas mentes dos jovens e ameaçando subjugar toda a sociedade.

Infelizmente, há pessoas no movimento democrático bielorrusso que acreditam que o papel de uma pessoa na sociedade é apenas segurar o retrato do líder e uma tocha. Os apoiadores da Junta declaram abertamente seus pontos de vista na mídia de massa, são convidados bem-vindos em eventos democráticos e, sim, são membros do “parlamento da oposição” – o Conselho de Coordenação. https://t.me/pramenby/5314.

Como anarquistas, não podemos permitir tendências autoritárias no movimento democrático e o triunfo dos populistas de direita nas ruas. Portanto, junto com nossos camaradas de outros países, sairemos no dia 11 de novembro em Varsóvia para contra-manifestar contra o fascismo de todas as cores e faixas.

Junte-se ao bloco anarquista na manifestação!

Vejo vocês nas ruas!

Fonte: https://pramen.io/en/2023/10/for-a-world-without-fascism-of-all-colours-11-november-in-warsaw /

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/11/17/polonia-marcha-fascista-reune-milhares-de-pessoas-em-varsovia/

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Árvore curvada
tentando catar folhinhas
caídas no chão.

Lena Jesus Ponte

[Peruíbe-SP] O No gods No master Fest chegou ao fim!

É preciso morrer para construirmos novas conexões!

O No gods No masters Fest foi, durante todas suas edições, um momento de encontro, construções, desconstruções, alegria, tristezas, decepções, coletividade e cansaço, muito cansaço. Construímos e reforçamos muitas posições, ferramentas e lutas nos dias dos Festivais. Tudo foi muito inspirador!

O desafio de criar e manter um Festival dentro dos moldes do Faça Você Mesmo, com muito amor, sempre foi visto como algo que sempre valerá a pena, é isto que acreditamos, nesta comunidade de luta anárquica.

Durante todos este anos fomos conhecendo e entendendo muitas outras perspectivas de vida e notamos o quanto é necessário abrangemos outras realidades, outras formas de luta e resistência dentro do festival.  Entendemos que lutar é uma prática diária constante para muitas pessoas, povos, comunidades e coletivos. Por esse motivo, expandir é realmente necessário.

Acreditamos que tudo está interligado! A Música, a dança, os gritos, as conversas, os debates, filmes, os encontros, todos são ferramentas que utilizamos para lutar e viver, para construir um novo mundo e para conseguirmos enxergar outras possibilidades, outros modos de estar e habitar este planeta.

Nessa perspectiva, entendemos que o No gods No masters Fest se estagnou e, por isso, é hora de deixar o Fest morrer para conectarmos e agregarmos novas lutas e sonhos.

O No gods No masters Fest deixa um terreno muito fértil, com muitas sementes germinando e árvores crescendo.

Agora é hora de usar este adubo deixado pelo No gods No masters Fest para germinar outras ideias e fortalecer as já existentes.

nogods-nomasters.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/11/09/peruibe-sp-no-gods-no-masters-fest-2023-ferramentas-para-autonomia-7-8-e-9-de-abril-de-2023/  

agência de notícias anarquistas-ana

na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai

Alaor Chaves

[Espanha] Alterações ideológicas (e morais)

Os mais centralistas estão bastante chateados porque o traidor Pedro Sánchez, para ser investido como novo presidente deste país inefável, supostamente fez um acordo com os nacionalistas catalães, não sei muito bem o quê, sobre o perdão daquele processo, o perdão de dívidas enormes ou a dissolução definitiva da nação sacrossanta. É claro que é muito raro que uma força política de qualquer tipo para manter o poder pactue com Deus ou com o diabo. Claro que são diversos os subterfúgios para defender essa Espanha indescritível, unidade universal de destino; o mais engraçado é dizer que o “estado de direito” está sendo desmantelado ou que se trata de proteger a liberdade e a democracia (vamos conter o riso, vindo de quem vem). E só seria hilário, se não fosse tão perigoso, como esta fauna, que mal consegue esconder a sua condição reacionária, alude a conceitos mistificadores mais ou menos aceitáveis para as massas e para figuras históricas, algo incompreensíveis para a grande maioria, ignorando a iníqua história contemporânea deste país indescritível. Sim, mais uma vez, lembraremos que, em plena modernidade, a reação venceu aqui , uma forma peculiar de fascismo mais tarde “liberalizada”. Dessas poeiras, dessas lamas.

É claro que há que reconhecer que os reacionários têm muita facilidade em alterar-se , a nível ideológico, de uma forma muito mais concreta do que outros; basta-lhes defender uma ideologia ultrapassada, abertamente protetora dos privilégios e das hierarquias , exaltar aquela abstração chamada nação (e mesmo “império” para maior alegria), em nome da qual tantos jovens se sacrificaram de forma estéril, continuar erguer estátuas para a ignomínia, etc., etc. É preciso reconhecer que, muito provavelmente, só numa maioria é mera credulidade, já que alguns grupos se esforçam em determinadas tarefas, mais ou menos intelectuais, escrevendo livros e criando fóruns de debate nos quais devem enfeitar, com mais ou menos habilidade , a reafirmação permanente da mesma fantasia reacionária. Aliás, é quase engraçado que esta peculiar plêiade nacionalista (vertente espanholista) se queixe continuamente da pós-modernidade, eles, que mal conseguem esconder o seu desprezo pela modernidade com circunlocuções. Talvez seja por isso que se diz que o fascismo é ao mesmo tempo um produto moderno e uma reação em defesa de valores tradicionais iníquos. Sim, eu sei que é quase fácil demais envolver-se com a gangue e seus derivados, e que nós, a minoria anarquista muito lúcida (apenas por enquanto, uma minoria), também temos que fazer um esforço em outros assuntos contra a poder.

Mas o fato é que quem tem a moral realmente alterada, ainda mais que a ideologia, é quem assina este blog brilhante. E nesta era, moderna ou pós-moderna, onde tantas pessoas morrem em nome de resíduos imperiais ou de identidades nacionais recentemente criadas, há pequenos grupos que defendem formas benignas de militarismo (porque é isso que está por detrás de qualquer forma de poder), porque faz com que a pessoa fique enervada e carregada de razão. Na verdade, não é apenas um problema dos mais reacionários, com as suas fantasias raciais outrora expansionistas, uma vez que a dominação assume formas escandalosamente diversas e bem adaptadas aos tempos atuais; mesmo a existência destes juncos abertamente nacionalistas serve de desculpa para outros, com um imaginário e terminologia diferentes, que sustentam o mesmo mundo perverso que sofremos. Um mundo onde neste momento, em nome de todas essas abstrações identitárias e interesses estatais, homens uniformizados de uma espécie ou de outra massacram pessoas em lugares como a Ucrânia, a Palestina, a Síria, o Iémen ou outras regiões do mundo sem espaço nos meios de comunicação social. Sem falar nos milhões de pessoas que hoje sofrem as mais intoleráveis carências , em nome de uma ou outra bandeira, que mascaram os privilégios das classes dominantes.

Juan Caspar

Fonte: https://acracia.org/alteraciones-ideologicas-y-morales/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Boêmio da noite
no portão enferrujado.
Morcego dormindo.

Fanny Dupré

[EUA] Feira do Livro Anarquista de Boston 2023

11 e 12 de novembro de 2023, das 10h às 17h
Centro Comunitário de Cambridge 5 Callender St, Cambridge, MA

Estamos entusiasmados em anunciar a próxima Boston Anarchist Bookfair de 2023 e queremos que você faça parte desse evento empolgante! Marque em sua agenda os dias 11 e 12 de novembro, quando nos reuniremos no Cambridge Community Center para um fim de semana de exploração intelectual, discussões instigantes e formação de comunidade.

Feira de livros anarquistas de Boston

Introdução:

Uma feira de livros anarquista é um encontro dinâmico que adota os princípios do anarquismo – uma filosofia enraizada na cooperação voluntária, na ajuda mútua e no desafio às estruturas hierárquicas. É um espaço empolgante onde autores, editores, ativistas e indivíduos de diversas origens se reúnem para explorar perspectivas alternativas, trocar ideias e questionar noções convencionais de poder e autoridade.

Uma rica história de ideias fortalecedoras:

Boston Anarchist Bookfair ostenta um legado que remonta à sua criação em 2011. Evoluindo de seu início popular para um evento anual altamente esperado, a feira de livros tem servido consistentemente como uma plataforma influente para a disseminação de ideias que desafiam sistemas opressivos e inspiram transformações positivas. A dedicação inabalável ao desmantelamento de várias formas de opressão, incluindo a supremacia branca, o fascismo, o colonialismo, o capitalismo e o patriarcado, é fundamental para os valores centrais da feira de livros.

Ao nos reunirmos na próxima Boston Anarchist Bookfair, também aproveitamos esta oportunidade para elevar e celebrar os esforços incansáveis de anarquistas e ativistas de todo o mundo que trabalham em solidariedade para uma visão compartilhada de um mundo mais justo e livre. Dos movimentos de base à organização comunitária, sua dedicação persistente abriu caminho para mudanças positivas e inspirou inúmeras pessoas a desafiar sistemas opressivos. Esta feira de livros serve como um ponto de encontro para promover conexões e colaborações, permitindo que aprendamos com as experiências e os sucessos uns dos outros. Ao reconhecer e apoiar o trabalho contínuo dos anarquistas solidários, renovamos nosso compromisso com a ação coletiva e a busca contínua pela justiça social. Juntos, permanecemos unidos, sabendo que nossa jornada compartilhada rumo a uma sociedade mais compassiva e equitativa é mais forte quando apoiamos os esforços uns dos outros.

Informada pelos princípios do anarquismo e do pensamento esquerdista mais amplo, a feira de livros incentiva o cultivo da imaginação radical. Por meio do sonho coletivo, aspiramos a criar um futuro caracterizado pela cooperação voluntária, ajuda mútua e relacionamentos equitativos. Essa visão inspiradora serve como base para a criação de um mundo mais justo e livre.

Estamos ansiosos para recebê-lo no evento deste ano!

bostonanarchistbookfair.org

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Água de cristal
Forma nuvens coloridas
No meu céu de sol.

Claudia Chermikoski

[Reino Unido] Lembrando o companheiro Barry Horne, a 22 anos da sua morte

A morte de Barry Horne completou 22 anos neste sábado, 5 de novembro. Ativista britânico pela liberação animal, ele levou a cabo distintas ações de sabotagem com dispositivos incendiários contra alvos vinculados à experimentação e a exploração animal, feitos pelos quais nunca se arrependeu e que sempre admitiu com orgulho. Barry participou ativamente em incêndios de lojas de peles, assim como no incêndio que destruiu as instalações da “Boots The Chemists” na ilha de Wright, por testar os seus produtos em animais (os danos foram avaliados em mais de 3 milhões de libras). Também levou a cabo liberações de animais e outras sabotagens menores.

Barry Horne foi capturado e condenado a 18 anos de cárcere, ao longo dos quais levou a cabo 4 greves de fome consecutivas, com a intenção de persuadir ao governo e a imprensa para falar acerca das grandes quantias de dinheiro dos impostos destinado às práticas de vivissecção e experimentação com animais, já que o candidato do Partido Trabalhista prometera um debate público a respeito quando chegou ao poder em 97, promessa que, como era de esperar, nunca cumpriram…

Esgotado e debilitado pelas 3 greves anteriores (uma das quais de quase 70 dias, que causou-lhe perda de visão e danos irreversíveis nos rins), Barry decidira arriscar-se com uma nova greve, ante a indiferença e a falta de palavra do governo com as 3 greves anteriores. A escassa distância temporal entre cada uma das 4 greves de fome, custou a vida de Barry. Na segunda-feira, 5 de novembro de 2001 pela manhã, no hospital de Ronkswood, em Worcester, Barry morria finalmente duma falência hepática depois de ter permanecido 18 dias sem comer. Barry ignorara deliberadamente as advertências dos médicos, e rejeitara a alimentação assistida. Queria ir até o final, e até ali chegou.

Os meios de comunicação de rapina festejaram a sua morte, qualificando-o de terrorista e usando a sua figura para criminalizar a todo o movimento pelos direitos dos animais e a todas as ativistas que lutavam contra o especismo e a exploração. O jornal “The Guardian” destacou nesta miserável difamação do companheiro com um artigo escrito pelo jornalista Kevin Toolis que falava de Barry do seguinte jeito: “Em vida ele foi um João-Ninguém, um lixeiro convertido em incendiário. Mas morto Barry Horne alça-se como o primeiro verdadeiro mártir do mais exitoso grupo terrorista que a Bretanha jamais conheceu, o movimento pelos direitos dos animais”.

Para muitas de nós, ao contrário, Barry Horne, longe de ser esse tolo terrorista e violento que os meios quiseram pintar com seus restos ainda quentes na morgue do hospital, representa ainda, 22 anos depois da sua morte, todo um exemplo de integridade, coerência, valor e determinação, um companheiro que levou à prática a liberação animal até as derradeiras consequências, chegando além onde as palavras perdem o seu eco, e que entregou a sua liberdade e finalmente a sua própria vida para salvar as dos animais e por destruir as infames maquinarias e os escuros lugares empregados para a sua escravidão, confinamento e assassinato. A sua história leva-nos a lembrar as outras muitas companheiras e companheiros que também morreram ou ficaram presas por não tolerar o intolerável, por defender o óbvio, por não silenciar os seus sentimentos nem a sua raiva nem sequer quando a repressão espalhou de novo o seu medo, e atacar no ausente coração desta besta industrial cinza e hipócrita.

Porque como Barry escreveu num dos seus comunicados desde o cárcere:

A luta não é por nós, não é pelos nossos caprichos ou necessidades pessoais. É por todo animal que alguma vez sofreu e morreu num laboratório de vivissecção, e por todos aqueles animais que sofrerão e morrerão nas mesmas circunstâncias a não ser que detenhamos este cruel negócio já. As almas dos mortos torturados choram pedindo justiça, os que estão vivos choram pedindo liberdade. Podemos fazer essa justiça e proporcionar-lhes essa liberdade. Os animais só têm a nós, e não lhes falharemos…

agência de notícias anarquistas-ana

sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube

Guimarães Rosa

[Chile] Contra todas as jaulas

As estruturas do Poder carregam uma longa história de exploração, domínio, castigo e morte. Os cárceres para humanos são mais uma das tantas formas nas quais deixam cair o peso para quem transgride a ordem social dos poderosos; no caso das demais espécies animais, as jaulas servem para expô-los como mercadoria, luxo, status e lucro.

Por outro lado, o cativeiro e sua máquina de morte são validados e defendidos pelo inimigo, a imunda cidadania e por amplos setores da podre sociedade.

Ante tal panorama contra, nossa posição e prioridade em nosso caminhar anárquico é traduzido no eterno chamado ao conflito pela Liberação Total.

Parafraseando um companheiro: “A destruição e liberdade são um vulcão em nosso interior”. Não há ponto médio, não há matiz, não há volta atrás.

Desde as 19h00 no Espaço Fénix (Juan Martínez de Rozas 3091, Santiago centro). Após cada projeção convidamos a nos reunirmos em um círculo de conversa e compartilhar em torno às temáticas exibidas.

Programação

Terça-feira 07: Los pecados de la carne

Terça-feira 14: La Leonera

Terça-feira 21: The Cove

Quinta-feira 30: Alguien voló sobre el nido del cuco

Espaço Fénix

espaciofenix.noblogs.org | espaciofenix@riseup.net

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

mostro o passaporte
minha sombra espera
depois da fronteira

George Swede

[Chile] Convocatória solidária para o veredicto contra Mónica e Francisco

Em Santiago, território ocupado pelo Estado chileno:

No dia 7 de novembro, às 10h30, no Centro de Justiça, será lido o veredicto contra os companheiros Mónica e Francisco, onde o tribunal decidirá por quais crimes eles são culpados. A convocação é para comparecer e se solidarizar com aqueles que enfrentam o poder.

Em 24 de julho de 2020, os companheiros anarquistas Mónica Caballero e Francisco Solar foram presos, acusados do ataque explosivo à 54ª delegacia de polícia em Huechuraba, ao ex-ministro do Interior Rodrigo Hinzpeter e do ataque ao edifício Tánica, um símbolo do poder corporativo localizado no bairro dos ricos.

Após 3 anos de prisão preventiva, em 18 de julho de 2023, os companheiros enfrentarão um julgamento que busca condená-los a décadas de prisão por confrontarem anarquicamente o poder e os poderosos e buscarem destruir o monopólio da violência do Estado.

agência de notícias anarquistas-ana

Pétalas de rosas
Entre as folhas do diário
Seca recordação

Teruo Tonooka

[Reino Unido] A Rede Mutu desafia os magnatas da mídia

O anarquismo é uma ideia muito boa. Por que não é mais conhecido? Que mídia os anarquistas podem usar para envolver um número maior de pessoas?

Descobri o anarquismo mais tarde na vida. Por cerca de 20 anos, participei de todos os tipos de atividades de justiça social, de marchas pelo fim da guerra a ações de solidariedade com a Palestina, de protestos contra o G8 e o G20, de No Borders a No Sweat, antiausteridade e antifascismo. Como muitos ativistas, eu sabia a que me opunha, mas nunca consegui definir facilmente o que defendia.

Depois veio o Corbynismo e o otimismo sedutor do socialismo democrático, um movimento condenado que acabou levando muitas pessoas, como eu, a entender a contradição da “democracia representativa” e a percepção de que o Estado nunca liberou – e nunca poderá liberar – todo o seu povo da opressão. Foi quando me tornei um socialista libertário ou um anarquista. Quase me envergonho de não ter tido essa epifania antes. Se ao menos alguém tivesse me explicado isso em termos simples!

No entanto, continuei a aprender mais sobre o anarquismo – como um mundo sem líderes, estados ou fronteiras, um mundo que se opõe às estruturas hierárquicas, um mundo sem desespero, crime, polícia, prisões ou instituições poderosas, onde as necessidades das pessoas são atendidas por meio do princípio da ajuda mútua, juntamente com sistemas de apoio comunitário, resolução de conflitos, justiça restaurativa e transformadora, tomada de decisões por consenso e democracia direta. Enquanto o capitalismo nos trouxe a corrupção, a crise climática e o caos, o anarquismo nos oferece ordem sem poder. A própria palavra “anarquismo” deriva da antiga palavra grega anarchia, que significa “sem líder” ou “sem autoridade”. As palavras são o meio para o significado – como nos diz o protagonista de V For Vendetta – e podem ser poderosas quando compreendidas.

Fico surpreso com o fato de que ainda mais pessoas não tenham entendido a ideia nesta época de crise. Afinal de contas, esses princípios são essencialmente baseados em inclusão e cuidado. No entanto, por mais inócuos que pareçam, aqueles de nós que os promovem e participam deles são frequentemente demonizados pela mídia e alvo do Estado. O próprio poder está incrivelmente ameaçado pelo imenso potencial desses programas de deslegitimar, minar e até mesmo substituir o próprio Estado. É por isso que o aumento da violência da direita fascista é amplamente ignorado. É por isso que, em vez disso, os ativistas pacíficos podem ser chamados de “extremistas domésticos” e as livrarias bonitinhas podem ser consideradas “focos de conspirações terroristas”. É por isso que os cafés da manhã gratuitos oferecidos pelos Panteras Negras foram considerados uma “ameaça à segurança”.

Então, em vez disso, na mídia, é o anarquismo – e não o capitalismo – que é retratado como o prenúncio da devastação, apesar de todas as evidências em contrário diante de nós, ao nosso redor. Portanto, a culpa não é apenas da falta de mensagens simples e articuladas do movimento anarquista. O obstáculo mais significativo é a propriedade e o controle da mídia. De onde estamos obtendo nossas informações? Em quais espaços estamos confiando e, portanto, legitimando?

Com o desenvolvimento da World Wide Web, houve, é claro, grandes esperanças de disseminação sem precedentes de ideias e troca de informações que a mídia estabelecida poderia não cobrir nas páginas dos jornais e programas de notícias da televisão.

“Não odeie a mídia; torne-se a mídia!” Esse foi o principal slogan dos centros IndyMedia que muitos de nós lembramos ter surgido dos protestos da OMC em 1999 e do movimento Stop the War no início dos anos 2000. “A Web altera drasticamente o equilíbrio entre a mídia multinacional e a mídia ativista”, declarou uma declaração de abertura do primeiro centro IndyMedia. “Com apenas um pouco de codificação e alguns equipamentos baratos, podemos criar um site ao vivo e automatizado que rivaliza com as corporações.”

De fato, o projeto IndyMedia começou de forma promissora, permitindo que relatássemos ações radicais em minutos, carregando conteúdo de forma livre e fácil, inclusive imagens, com as quais contribuí para o site de Sheffield. No entanto, sem padrões mais bem definidos ou supervisão editorial suficiente, ele acabou desmoronando sob o peso das teorias da conspiração e do antissemitismo, já enfraquecido pelo surgimento da “Web 2.0”, em que os ativistas passaram a usar seus próprios perfis e páginas de mídia social para informar sobre os acontecimentos, sendo que alguns seguiram suas carreiras dessa forma.

Durante anos, o cenário da mídia britânica foi cada vez mais dominado por uma concentração de interesses privados, como o News UK, dos Murdochs, o Daily Mail Group, dos Rothermeres, e o Reach, e, talvez não por coincidência, a confiança na imprensa permaneceu baixa, com a ilusão de que a emissora pública BBC representava mais do que apenas a mídia controlada pelo Estado sendo destruída também.

Com a queda da fé na mídia estabelecida e o aumento do uso da Internet, os sites de mídia “alternativa” surgiram no início dos anos 2000 para preencher o vácuo em um padrão que lembrava as estações a cabo de acesso público nas décadas de 1970 e 80 e, infelizmente, com desinformação semelhante como parte do pacote. Muitos desses sites aproveitaram o movimento antiguerra e os sentimentos anti-imperialistas do Ocidente na época, mas muitas vezes se tornaram apologistas dos Estados russo e sírio.

Também houve outras “alternativas”, como Byline Times ou Novara Media – geralmente empresas limitadas com diretores, muitas vezes lideradas por personalidades da mídia renegadas que supervisionam equipes de jornalistas ambiciosos que, por sua vez, ganham exposição na mídia estabelecida, como The Guardian ou BBC. É verdade que alguns são mais não-hierárquicos, como o The Canary, que expulsou sua diretoria e se tornou uma cooperativa de trabalhadores. Ao longo dos anos, estive envolvido até mesmo na criação de empresas de mídia sem fins lucrativos, lutando por financiamento e tentando desenvolver fluxos de receita, antes de perceber a futilidade disso: Todas elas existiram em silos, todas competindo entre si por cliques, todas perdidas em uma tempestade de areia de mídia “alternativa”. Embora muitas delas tenham seu lugar – e forneçam exemplos de jornalismo de qualidade – evitar o aspecto comercial (e os caçadores de cliques que o acompanham) é útil para desenvolver nossa mídia de guerrilha no local – e a partir do zero.

Como anarquistas, citamos com frequência a importância da ajuda mútua na superação de barreiras socioeconômicas. Então, por que a informação raramente é incluída nesses diálogos? Afinal de contas, a informação é o oxigênio da mudança social.

Portanto, nesse espírito de ajuda mútua, imagine um espaço on-line que você poderia visitar diariamente para receber não apenas as últimas notícias sobre ações em sua localidade, mas também para compartilhar informações sobre campanhas ou eventos – sem voltar ao Twitter/X de Elon Musk ou ao Facebook/Meta de Mark Zuckerberg, com a mídia social em crise, já que tudo fecha o círculo e muitas pessoas retornam aos boletins informativos e às páginas da Web, ou aos princípios igualitários originais da Web refletidos pelo surgimento dos servidores descentralizados e sem fins lucrativos do Fediverse.

Há uma oportunidade real agora de desenvolver uma rede interconectada de sites que as pessoas possam visitar para saber o que está acontecendo em sua área e informar sobre ações nas proximidades. De fato, a informação como parte da ajuda mútua.

Esse não é um conceito novo. As pessoas têm se envolvido em “reportagens de cidadãos” há anos. O termo “liberdade de imprensa” não foi usado inicialmente para descrever o mercado de mídia comercial, mas literalmente, a liberdade de publicar usando uma prensa de impressão.

Poucos simbolizam esse espírito como a própria Freedom Press. Fundada em 1886, a editora anarquista nos deu o único jornal nacional anarquista do Reino Unido, uma ferramenta crucial na luta contra a mídia estabelecida, e continua a fornecer recursos de qualidade até hoje, enquanto outros sites de notícias “alternativas” surgiram e desapareceram. O Freedom News é um centro de informações anarquista que poderia servir de base e inspiração para as reportagens dos cidadãos em todo o país.

Pouco antes da pandemia de Covid-19, uma reportagem no Freedom News ofereceu informações sobre a rede Mutu, de língua francesa. Com a ajuda mútua inspirando seu nome, a Mutu fornece um exemplo ideal de uma rede interconectada de sites locais que oferecem maneiras de os ativistas compartilharem informações sobre eventos e campanhas, de trabalhadores em greve a estudantes ocupantes e outras lutas interseccionais da classe trabalhadora – tudo por meio de uma interface coletiva, com conteúdo de publicação participativa que passa por um processo editorial transparente antes de ir ao ar nos sites, evitando assim os erros fatais da antiga IndyMedia.

Esse relatório tornou-se um ponto de discussão para muitos ativistas de mídia no Reino Unido. Poderíamos replicar o modelo Mutu aqui? Poderíamos desenvolver uma rede de sites de mídia autônomos locais para Sheffield, Bristol, Manchester, Norwich, Liverpool e assim por diante? Se sim, como? Era hora de entrar em contato com as pessoas por trás da Mutu na Europa continental.

Alguns de nós realizaram o que acabou sendo reuniões em vídeo informativas e inspiradoras com os ativistas envolvidos com a Rede Mutu – que agora consiste em cerca de 20 sites diferentes na França, Suíça, Bélgica e Áustria. A Mutu enfatiza os sites em francês, mas seus ativistas têm se mostrado entusiasmados em ajudar sites em outros idiomas a se desenvolverem a partir de sua estrutura antes de se ramificarem para formar seus próprios sites.

Não há regras nem mestres. Teremos que trabalhar juntos para descobrir como criar algo semelhante à Mutu Network aqui no Reino Unido. Alguns de nós estão discutindo o que chamamos de Local Autonomous Media (LoAM) e como podemos criar uma rede de notícias radical como essa na Grã-Bretanha.

Alguns sugeriram simplesmente conectar uma série de sites WordPress; outros recomendaram o canto Kbin do Fediverse, semelhante ao Reddit, com seu formato de revista. Há muitas opções à frente para que isso aconteça. Está claro que, seja qual for a forma que tome, o momento para a mídia anarquista no Reino Unido é agora: um site para cada cidade do país, todos conectados, todos construídos em torno – e talvez alimentados – do exemplo inspirador do Freedom.

Jay Baker

Para participar, envie um e-mail para loam@riseup.net

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2023/10/15/mutu-network-challenges-media-moguls/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Nos bambus já escuros,
morcegos, daqui, dali,
também sem destinos.

Alexei Bueno

[Espanha] CNT se soma à greve feminista de 30-N

Desde a central anarcossindicalista se faz um chamado a “parar tudo este 30 de novembro”.

“Compartilhamos as exigências do movimento feminista e nossa militância apoiará a mobilização”, assinalam desde a CNT.

A filiação da organização sindical mostrou seu apoio unânime à greve feminista de 30 de novembro. Desde a primeira greve de 2018, “mostramos nosso apoio legalizando a greve geral de 24 horas”, assinalam desde o sindicato, e “agora cabe seguir apoiando ativamente as reivindicações do movimento feminista”. Ademais, a CNT sublinhou que o protagonismo das mobilizações o deve levar “o próprio movimento feminista”, considerando os sindicatos uma ferramenta indispensável de apoio nas mesmas. “Cremos que o foco da greve, que vai mais além da paralização de pessoas assalariadas, é um acerto”, assinalam desde a central anarcossindicalista.

No entanto, desde a CNT se sublinha que o fundamento do conceito de greve é o de parar todo tipo de produção e/ou atividade, “um dos objetivos da convocatória de 30N”.

Por último, a CNT também destaca que enfrente “não só temos a patronal; também temos as instituições públicas”, responsáveis da gestão dos serviços de cuidados que, em muitas ocasiões, estão privatizados, e que, a maioria das vezes tratam as trabalhadoras e pessoas usuárias pior que a patronal mesma.

Por esta e muitas razões mais, a CNT faz um chamado a envolverem-se ativamente na preparação da greve e em “parar tudo este 30 de novembro”.

Para mais informação sobre a convocatória, se pode consultar a web:

https://denonbizitzakerdigunean.eus/

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

De seguir o viajante
pousou no telhado,
exausta, a lua.

Yeda Prates Bernis

Show Ordinaria Hit | Evento Beneficente à XIII Feira Anarquista de São Paulo

Quando: Quarta-feira, 15 de novembro de 2023, a partir das 17h

Local: Tipitina Bar – Rua Cardeal Arcoverde, 1849

Contribuição voluntária sugerida: R$10

Pix: bibliotecaterralivre@gmail.com

Show: Ordinaria Hit (comemorando 20 anos de ruído & barricadas)

Debate: Não começou em Junho de 2013: memórias das luta anticapitalistas em São Paulo

Presença de participantes que atuaram em grupos como Centro de Mídia Independente, Ação Local por Justiça Global, Verdurada, entre outros.

Venda e exposição de material libertário.

Org: Biblioteca Terra Livre e Ordinaria Hit

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/30/ultima-semana-para-inscricao-na-xiii-feira-anarquista-de-sao-paulo/

agência de notícias anarquistas-ana

O vento é o tempo:
sopra varre levanta lambe
desfaz o que foi feito.

Thiago de Mello

[São Paulo-SP] “Cadeira 20 ou 41”

Leitura dramática de “Cadeira 20 ou 41”, que retrata aspectos da vida e obra de Lima Barreto, no CCS, dia 11 de novembro (sábado), às 16h.

A história é inspirada na vida do escritor Afonso Henriques de Lima Barreto, negro, exaltado, irônico, polêmico, maldito para muitos, numa época em que ser um pensador social era enfrentar com coragem o menosprezo dos críticos. As cenas acontecem no Hospício dos Alienados Pedro II, e mostram uma sessão de delírio de Lima Barreto e as facetas da personificação da Ironia e da Sátira, instaladas na personalidade do escritor. Ocorrem momentos de embate com tom provocativo, próximo ao riso, aos jornalistas dos jornais da República e com as personalidades imortais da Academia Brasileira de Letras. Lima Barreto pretendeu ocupar a cadeira número 20, mas por ser boêmio, famoso pela vida desregrada, e também pelo grande número de provocações que fez às principais figuras da literatura nacional, a sua candidatura não foi aceita. A sua construção delirante fornece também diálogos entre ele e alguns personagens criados para denunciar as injustiças sociais.

Texto: Mirella Martina

Organização: Cibele Troyano

Elenco: Anguair Gomes, Jamile Rai, Allan Cesar Dias, Alma, Lúcia Parra, Bertholdo, Daniel Yamamoto.

Classificação Livre.

Evento gratuito e aberto!

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

agência de notícias anarquistas-ana

Um chapéu de chuva
flutua no horizonte;
pela tarde cai a neve.

Yaha

Uma anciã transmite a tatuagem tradicional kurda “deq” às próximas gerações + Vídeo

Com uma história milenar, a tradição dos deq (tatuagens kurdas) segue sendo praticada pelas mulheres. Dallah Assaf, de 80 anos, que vive na cidade de Raqqa, no noroeste da Síria, tem muitos deq na cara e nas mãos. Sua tia tatuou a cara e as mãos quando era muito jovem. “Pedi a minha tia que me desenhasse os deq na cara e nas mãos depois de ver como as jovens tatuavam o corpo”, conta Dallah Assaf.

Dallah nos contou que as mulheres utilizam três agulhas para praticar o deq. “A tinta se faz com leite materna e cinzas. As mesclamos e depois fazemos desenhos na pele com as agulhas. Desenhar um deq difere segundo os desenhos”, disse.

Também nos contou que as jovens preferem fazer o deq nos pés. “Os desenhos de deq diferem de uma região a outra segundo os costumes e tradições. Algumas preferem o deq nas mãos, outras nos pés. Os artistas profissionais do deq tem mais experiência no uso de agulhas pequenas e finas. Nós, como mulheres, ensinamos às meninas a praticar esta tradição para que a transmitamos às próximas gerações”.

>> Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=deedg03FJG8  

Fonte: https://www.kurdistanamericalatina.org/una-anciana-transmite-el-tatuaje-tradicional-kurdo-deq-a-las-siguientes-generaciones-video

agência de notícias anarquistas-ana

Na casca amarela
se esconde em vão a goiaba:
tantos bem-te-vis…

Anibal Beça

[Suíça] Inauguração de um local anarquista – Borke

Convidamos você a passar a primeira tarde e noite juntos. 4 de novembro, às 16h00. Neubrückstrasse 8, Berna

Em 1989, o Infoladen na Reitschule abriu suas portas pela primeira vez. No início, ainda era chamada de “Volxbibliothek” e abrigava mais de 2.500 livros e um extenso arquivo da história do movimento de Berna. Nas últimas décadas, muitas pessoas tiveram um impacto sobre esse lugar. E agora nós – um coletivo completamente novo – assumimos o Infoladen no início de 2023. Olhando para o mundo, nosso objetivo é criar um espaço para informar, reunir e lutar juntos: pela liberdade de todos, pela vida, pela anarquia – o fim de toda opressão.

Vivemos em um mundo onde é impossível a coexistência de muitas formas de vida diferentes. Quase todos os cantos do mundo foram conquistados no decorrer de uma colonização extensa e contínua que tem suas raízes na Europa. Cada pedaço de terra, água e até mesmo espaço aéreo é atribuído a um Estado que busca dominá-lo. Os Estados são governados pelas leis do capitalismo e da propriedade privada. Os Estados são governados pelas leis do capitalismo, do patriarcado e da supremacia branca e cristã. A distribuição de poder correspondente permite que alguns acumulem riqueza excessiva às custas de todos. Os Estados ricos continuam a expandir seu poder militar, travando e fomentando suas guerras para obter acesso a mais recursos. A Terra está sendo destruída de forma descuidada, sem levar em conta as pessoas, os animais e as plantas, sem levar em conta a vida futura. O aquecimento global é um efeito colateral que traz consequências catastróficas. As pessoas que querem fugir ou migrar das áreas devastadas para os países ricos são impedidas à força ou expulsas, ilegalizadas, perseguidas e assassinadas. Aqueles que não aceitam o papel que lhes foi atribuído ou que não podem ou não querem atender às exigências desse sistema sofrem exclusão, desprezo e violência. Quem resiste tem de contar com mais opressão.

Estamos na Suíça, no centro da fortaleza. Daqui, a Nestlé privatiza a água, várias grandes corporações roubam recursos de todo o mundo e os bancos armazenam ouro e dinheiro de ditaduras e regimes fascistas em bunkers. O UBS é o grande responsável por causar crises financeiras, com as quais ele próprio lucra, a Ruag e outras empresas de armamentos produzem armas que são usadas em guerras no mundo todo, a cada duas semanas há um feminicídio e os policiais matam pessoas repetidamente, muitas vezes por motivos racistas. Mas podemos escolher de que lado da história queremos estar. Não queremos ser engrenagens funcionais desse sistema, queremos fazer parte da resistência que começou muito antes de nós e continuará muito depois de nós. Queremos fazer perguntas, encontrar soluções e agir. Queremos canalizar nossa raiva e direcioná-la para os lugares certos. Há muitas maneiras diferentes e, se nos unirmos, poderemos tentar fazer algo contra a opressão.

No Infoladen, queremos criar um ponto de encontro para nos conectarmos, aprendermos uns com os outros, discutirmos e nos organizarmos. Aqui, você encontrará livros, folhetos, informações atuais sobre movimentos e ações de resistência, medicina auto-organizada com plantas medicinais, acesso à Internet e uma caixa de correio para cartas de e para a prisão. Queremos construir e fortalecer estruturas de solidariedade que possam superar fronteiras e muros. Muitas pessoas devem influenciar e moldar esse espaço, trazendo e compartilhando suas ideias e conteúdo, com eventos, textos ou o que vier à sua mente. O espaço é auto-organizado e anti-hierárquico.

Até que todos sejam livres!

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

caminho mundo…
a treva negra
envolve tudo…

Luís Aranha

[Grécia] Rebelião antifascista: as proibições foram rompidas nas ruas de N. Heraklion, N. Ionia e Pefkakia

As manifestações antifascistas aconteceram em N. Heraklion, N. Ionia e Pefkakia com grande massividade em três frentes, apesar da proibição emitida há poucos dias pelas autoridades e do provocativo cerco-repressão policial das manifestações. Dezenas de sindicatos, coletivos anarquistas e organizações políticas apoiaram o chamado, enviando uma mensagem retumbante aos fascistas de que não cabem no bairro histórico de N. Heraklion e em mais nenhum outro lugar. Concentrações e marchas antifascistas paralelas ocorreram simultaneamente em N. Heraklion, N. Ionia e Pefkakia.

O mundo do movimento antifascista mostra na prática que não é dissuadido pelos ataques assassinos da polícia, como a da antifascista de 16 anos no sábado, nem pela tentativa de reaparecimento de esquadrões de assalto neonazistas.

Desde o início, a polícia tentou de todas as maneiras impedir que as pré-concentrações chegassem à N. Heraklion vindos de Pefkakia, cercando os manifestantes em Pefkakia. A reunião em N. Heraklion também foi particularmente militante. Atitude agressiva da polícia que inicialmente pediu verbalmente aos reunidos para se dispersarem, enquanto posteriormente os polícias disseram que se as pessoas retirassem as faixas poderiam permitir a manifestação! As chegadas foram feitas nas estações Irini e N. Ionia. A juventude militante e a mobilização trabalhista não permitiram que os fascistas se reunissem no seu “monumento” e realizassem uma festa de ódio.

No momento em que centenas de agentes da polícia foram mobilizados (mais de 3 mil no total!) contra os manifestantes antifascistas, cerca de 40 neonazistas apareceram organizados e imperturbados nas estações de metrô de Thisio e Monastiraki, acendendo bombas de fumaça, ameaçando e espalhando cartazes de uma organização fascista. Houve relatos de emboscadas fascistas com porretes e barras de metal e feridos. Fascistas usando capacetes e segurando galões de combustível invadiram um vagão de trem e causaram danos, aterrorizando os passageiros.

Na noite de terça-feira, 21 membros da organização neofascista italiana Casa Pound, que tinham vindo à Grécia para participar na festa fascista “pan-europeia” em N. Heraklion, foram detidos no aeroporto “Eleftherios Venizelos”.

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/11/01/grecia-contra-o-chamado-pan-europeu-dos-fascistas-todos-nas-ruas-em-1o-de-novembro/

agência de notícias anarquistas-ana

na noite, o vento
vindo cheiroso de ver
madressilvas.

Alaor Chaves