[EUA] Lançamento: “Por uma sociedade ecológica”, de Murray Bookchin

Dan Chodorkoff (Prólogo)

Ensaios visionários de um dos fundadores do movimento ecológico moderno.

Nesta coleção de ensaios, a visão de Murray Bookchin por uma sociedade ecológica permanece central, enquanto ele aborda questões como urbanismo e planejamento urbano, tecnologia, autogestão, energia, utopismo e muito mais.

Durante todo o tempo, ele se opõe aos esforços para reduzir a ecologia a um “ambientalismo” desdentado, uma tarefa vital tanto hoje, como quando estes ensaios foram publicados pela primeira vez. Escritos entre 1969 e 1979, os ensaios desta coleção representam um período fascinante e fértil na vida de Bookchin. Ao sair da promessa não cumprida dos anos 60 e ao tentar desenvolver uma crítica revolucionária da vida social, que evitasse as armadilhas do marxismo, ele entrava em seu auge intelectual criativo. Ele estava estabelecendo as bases de uma ecologia verdadeiramente social: uma sociedade baseada na descentralização, na interdependência, na autogestão democrática, no apoio mútuo e na solidariedade.

Apresentadas com clareza e fervor, estas obras-chave contêm o cerne de preocupações que o ocupariam até sua morte em 2006. Esta edição também inclui um novo prefácio de Dan Chodorkoff, alguém que esteve com Bookchin na fundação do Instituto de Ecologia Social e que entende seu trabalho melhor do que ninguém.

Elogios a “Por uma Sociedade Ecológica”:

“Como ecologista social ainda enraizado em espaços limitados pela tradição de ‘esquerda’, nunca me pareceu tão importante, que todos aqueles que se autodenominam ‘revolucionários’, se debatam com as ideias de Murray Bookchin. Seu desafio para os que buscam a liberdade – expandir sua crítica para dominação social e hierarquia de forma mais ampla – traz visões para o futuro da humanidade que são cruciais demais para serem ignorados. Esses ensaios servem como uma introdução incrível às ideias de Bookchin e falam sobre os desafios deste momento.”

— Z, cofundador dos Socialistas Negros na América

“Bookchin é capaz de análises históricas penetrantes e profundamente indignadas. Outra coleção estimulante.”

— In These Times

Murray Bookchin (1921–2006) foi uma voz importante nos movimentos ecológicos, anarquistas e comunalistas por mais de cinquenta anos. O seu ensaio inovador “Ecologia e Pensamento Revolucionário” (1964) foi um dos primeiros a afirmar que o espírito do ‘crescer ou morrer’ do capitalismo, estava numa rota de colisão perigosa com o mundo natural, que incluiria a devastação do planeta pelo aquecimento global. Bookchin é autor de “A Ecologia da Liberdade”, entre duas dezenas de outros livros. Ele nasceu em Nova Iorque.

Dan Chodorkoff é um escritor e educador e cofundador do Instituto de Ecologia Social junto com Murray Bookchin. Ele recebeu seu doutorado em antropologia cultural pela New School for Social Research e é autor de vários livros, incluindo “The Anthropology of Utopia: Essays on Social Ecology and Community Development” e o romance de 2022 “Sugaring Down“. Ele recebeu uma bolsa da Fundação Wenner-Gren para pesquisas antropológicas e em 2015 recebeu o Prêmio Presidencial de Ativismo da Goddard College.

Toward an Ecological Society

Murray Bookchin (Autor); Dan Chodorkoff (Prólogo)

Publicação: AK Press

Páginas: 320

ISBN-13: 9781849354448

$16.50

akpress.org

Tradução > meiocerto

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Marchando no tempo,
antes de tudo e após tudo,
soberbo, o silêncio.

Alexei Bueno

[Espanha] Abaixo os muros das prisões

“Abaixo os muros das prisões” é um slogan recorrente usado pelo movimento antiprisão em seu apelo para acabar com as prisões como uma ferramenta do Estado opressor. Longe de parecer uma ideia obsoleta, esse slogan é mais atual do que nunca, já que o uso de prisões se espalhou e se massificou em todo o mundo, sem redução da criminalidade. Vinte e três anos após o início do novo século, já batemos todos os recordes de número de pessoas encarceradas no mundo, quase 12 milhões. Dessas pessoas, um terço é inocente, ou seja, ainda não foram julgadas e consideradas culpadas. Esse fato alarmante nos leva a outro não menos alarmante, o impacto direto da prisão sobre 23 milhões de crianças, ou seja, 1% de todas as crianças do mundo tem um dos pais na prisão.

A punição que nasceu como uma humanização do castigo, com o objetivo de disciplinar os corpos para o sistema capitalista e o heteropatriarcado, agora se tornou uma forma de neutralização da pessoa presa por meio da vingança. As condições de vida impostas pela prisão afetam negativamente todos os aspectos da vida humana e, preferencialmente, as pessoas mais excluídas pelo sistema econômico predatório. O colonialismo capitalista gera uma desigualdade extremamente violenta e a maneira de administrar o empobrecimento que ele gera é temporariamente, ou não tão temporariamente, “livrar-se” desse “desperdício”. É por isso que milhões de pessoas empobrecidas, racializadas, emocionalmente angustiadas, usuárias de drogas problemáticas, despejadas e abandonadas são mantidas atrás de muros altos, fora das cidades, fortemente vigiadas pela polícia…

Além disso, podemos ver que essa punição é aplicada de forma desigual, pois as prisões estão cheias de pessoas pobres, com uma super-representação de certos grupos (estrangeiros, racializados, indígenas, deficientes etc.). A construção social do criminoso nos impede de ver como tal as pessoas que lucram com a exploração do trabalho alheio, que estão listadas no IBEX-35 e cujos danos sociais e econômicos são de enormes proporções. Por outro lado, a discriminação e a seletividade penal funcionam perfeitamente bem com aquelas pessoas não normativas, ou que vivem nas periferias, com tons de pele mais escuros, não condizentes com sua realidade.

A prisão também é sinônimo de violência, a violência implícita e explícita de um sistema baseado na dor, na punição e na vingança. Mesmo a melhor prisão é substancialmente inaceitável, gerando indignidade humana. A prisão é uma punição que não reintegra, pois a maior parte do orçamento utilizado é gasta em medidas de segurança e as taxas de reincidência são altas devido à sua natureza criminogênica (ou seja, reproduz o crime); que empobrece a maioria, pois quando as pessoas saem da prisão, elas terão perdido seus empregos e seus bens (se os tinham) e, em alguns casos, até mesmo suas famílias; que adoece as pessoas, pois as condições de encarceramento causam doenças físicas e psicológicas, muitas das quais irreversíveis; pune os inocentes, pois a pena é estendida a toda a família e a pessoas próximas que não cometeram nenhum crime; estigmatiza, dificultando muito o retorno das pessoas ao seu local de origem; não repara a vítima, pois se baseia fundamentalmente na vingança e não na responsabilização ou na reparação do dano; reproduz a violência, pois é parte inseparável das instituições totais e não poderia funcionar sem ela. A isso se poderia acrescentar um longo etc.

Atualmente, em nosso país, a prisão foi dividida em outras realidades espelhadas chamadas Centros de Internamento de Estrangeiros (CIEs). Autênticos campos de concentração modernos onde as pessoas são condenadas ao confinamento sem terem cometido nenhum crime. Lugares sem direitos e de expressão máxima do poder punitivo do Estado, onde o direito humano de circular livremente e escolher residência no território de um país é restringido. É por isso que também é importante exigir o fechamento dos CIEs e o direito de migrar com segurança.

Sabemos que todos esses muros não cairão sozinhos, eles precisam ser derrubados e alternativas devem ser criadas para resolver as causas, os conflitos e reparar os danos. Nesse meio tempo, o uso da prisão deve ser reduzido à sua expressão mínima para que um dia ela desapareça. Como podemos fazer isso? Algumas propostas incluem a ampliação das concessões de terceiro grau, o aumento das penas alternativas e o fim da violência extrema do primeiro grau ou do confinamento solitário; ou a legalização e regularização da produção, distribuição, venda e consumo de drogas; o incentivo à justiça transformadora; o compartilhamento da riqueza e a redução das condições de empobrecimento com a renda básica dos iguais… Tudo isso só será possível com mais organização, comunidade e apoio mútuo. É aqui que estamos, em construção.

Alicia Alonso Merino

Fonte: https://tokata.info/abajo-los-muros-de-las-prisiones/?

Tradução > Liberto

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velhinha na janela
todo mundo que passa
é visita pra ela

Ricardo Silvestrin

[Suíça] Berna: Manifestação em frente à Embaixada dos EUA | Mumia Livre Já!

LIBERTEM MUMIA – LIBERTEM TODOS!

Na quarta-feira, 24 de abril de 2024, o jornalista e prisioneiro político afro-americano Mumia Abu-Jamal completará 70 anos. O Pantera Negra passou 42(!) anos na prisão. Da prisão, ele lutou contra o racismo, a exploração e a guerra e publicou onze livros, entre outras coisas. Esses livros, textos e programas de rádio são parte integrante do movimento abolicionista. Nem os 29 anos de confinamento solitário nem as ordens de execução jamais o impediram de ser a “Voz dos Sem-Voz”.

Alguns dizem que não é razoável resistir a esse sistema violento. Eu acho que não é razoável não o fazer.” (Mumia Abu-Jamal).

Vamos honrar as conquistas da vida de Mumia até agora!

Juntos contra o racismo, a exploração e a guerra!

Quarta-feira, 24 de abril de 2024

18 horas

Manifestação em frente à Embaixada dos EUA

Sulgeneckstrasse 19

Berna

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Andando sozinho
De repente uma companhia —
Borboleta azul

Clóvis Moreira Santos

Tradução • Ajuda • Colaboração

[Chile] Chamada para ação e propaganda 15 anos após a morte do companheiro anarquista Mauricio Morales.

Antes de dormir, abraço o caos como uma ideia que liberta meu corpo e minha mente porque, no final, ele me faz sentir vivo. Não quero a busca pelo graal que emana a liberdade nas sociedades futuras. Meus dedos buscam o voo sangrento da destruição das correntes do fogo rítmico, do fogo próximo do poder e de seus amos. E minhas ações quando durmo são direcionadas para que amanhã, quando eu acordar, eu rompa com a rotina e a ação individual com meu peito como uma pedra inchada pela destruição desta e de qualquer sociedade. Faça-me um favor: faça com que a anarquia viva.” – Punki Mauri

Na madrugada de 22 de maio de 2009, o companheiro anarquista Mauricio Morales, Punki Mauri, encontrou sua morte após a detonação prematura do dispositivo explosivo que ele pretendia instalar na Escola da Gendarmaria, no bairro de Matta, em Santiago.

Quinze anos se passaram desde sua morte em ação e continuamos a persistir em sua memória, lembrando sua vida como guerreiro, espalhando a anarquia de várias maneiras e reivindicando a violência política insurrecional que ainda está viva, que se manifesta na proliferação de ideias e ações com força e intensidade variadas, mas sempre vivas.

Este chamado convida para um mês de memória negra, propaganda e ação, para a concretização de gestos públicos e anônimos, sem meias palavras, que a imaginação voe, que sintamos o sangue nas veias, que o coração bata de emoção quando nos lembramos dos nossos.

A anarquia é perigosa e, para mantê-la assim, devemos dotá-la, fortalecê-la dia a dia, com discussão, retroalimentação, com propaganda contagiante e ação violenta, cada um decide como colocar em prática as ideias que propaga, a questão é fazer, sem líderes ou chefes, sem hierarquias, em autonomia.

Esta humilde contribuição busca ser mais uma contribuição para a ampliação da memória de um companheiro, posicionando-se desde a vereda do conflito anárquico contra a ordem, a lei, o poder e toda autoridade.

POR UM MAIO NEGRO!

PELA EXPANSÃO DO CAOS E DA  ANARQUIA!

MAURICIO MORALES PRESENTE!

Individualidades anárquicas

Abril de 2024

Fonte: Buskando La Kalle

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Escalo a colina
cheio de melancolia –
Ah, roseira-brava.

Yosa Buson

Homenagem às duas últimas pessoas fuziladas pelo regime de Franco no País Basco

Nos próximos dias, vários eventos memoriais serão realizados em memória de Diego “Amador” Franco Cazorla e Antonio López Fanlo, as duas últimas pessoas a serem fuziladas pelo regime de Franco no País Basco.

Os atos ocorrerão em 12 de abril (sexta-feira) e 14 de abril (domingo), ambos em Donostia.

Em 21 de abril, serão 77 anos desde que Diego (“Amador”) Franco Cazorla e Antonio López Fanlo foram executados por um pelotão de fuzilamento em Donostia. Até onde se sabe hoje, eles são as duas últimas pessoas a serem fuziladas em Euskal Herriak, com todo o significado simbólico que isso implica. A CNT vem trabalhando no caso, e o sindicato decidiu realizar um ato cívico de homenagem aos dois companheiros e, por extensão, a todos os reprimidos pelo fascismo.

Nesta sexta-feira, 12 de abril, às 18 horas, sairemos da livraria Kaxilda, em Donostia, para uma visita guiada à Amara de 1936. Ela será conduzida por um companheiro que está liderando a iniciativa (Dinamita Tour). Às 18h30, haverá uma conferência na mesma livraria Kaxilda, falando sobre essas duas execuções e também sobre o tratamento que receberam das políticas públicas de memória histórica.

No domingo, 14 de abril, às 17h30, será realizado um ato cívico de homenagem aos companheiros no local onde foram fuzilados (atual Parque Salvador Allende), no bairro de Bidebieta (Donostia).

cnt-sindikatua.org

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Sentada no jardim
Vejo um bichinho.
Lá vem a joaninha

Tainá Gomes do Nascimento

Mulheres Anarquistas e Educação

Como foi a atuação das mulheres anarquistas no início do século passado nos meios sindicais e nas entidades de ensino racionalista? De que forma atuaram diante das greves, das mobilizações operárias e no campo cultural?

E, mais ainda, na atualidade, como as professoras da rede pública e a comunidade escolar podem atuar dentro de uma realidade onde as possibilidades de cultura e informação são limitadas por toda espécie de empecilhos? Quais são as propostas anarquistas para a questão educacional?

Venha participar desse debate público na Biblioteca Municipal Alberto Sousa, em Santos (SP), no dia 20 de abril, Sábado, às 15 horas, com a presença da companheira Samanta Colhado, historiadora e professora da rede pública.

Data: 20 de abril de 2024 (Sábado), às 15 horas;

Local: Biblioteca Municipal Alberto Sousa

Endereço: Praça José Bonifácio, número 58, Centro, Santos (SP)

agência de notícias anarquistas-ana

Ameixeiras brancas —
Assim a alva rompe as trevas
deste dia em diante.

Buson

Termina em São Paulo maior feira de segurança e defesa da América Latina | Mercado da repressão e da morte

O evento reuniu as principais empresas nacionais e internacionais do setor na procura de clientes em busca de armas, equipamentos e tecnologia de ponta para Segurança Pública, Forças Policiais, Forças Especiais, Forças Armadas, Órgãos de Segurança, Gestores de Segurança de grandes Corporações, empresas Concessionárias de Serviços e Infraestrutura Crítica no Brasil e na América Latina.

Entre os dias 02 e 04 de abril de 2024, aconteceu a maior feira de segurança e defesa da América Latina, a LAAD Security & Defence 2024, ou seja, mais um fato que fortaleceu o capitalismo, o patriarcado, o nacionalismo, o militarismo, o Estado. A 14ª edição do evento bélico aconteceu em São Paulo, no Transamérica Expo Center, na zona sul da capital paulista, e contou com 50 delegações oficiais de 35 países e mais de 150 expositores. E, infelizmente, sem nenhuma oposição antimilitarista.

A feira militarista apresentou as novidades lançadas no mercado de segurança e defesa. As principais empresas nacionais e internacionais do setor participaram do evento. Entre as novidades fuzis, robôs, drones gigantes, helicópteros e viaturas inteligentes, para aumentar a eficiência de ações repressivas e assassinas de policiais e militares.

O evento beligerante contou com o apoio institucional de agências de Segurança Pública, órgãos de segurança federais, estaduais e municipais, o Ministério da Defesa, as Forças Armadas, Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Vamos rebelar-nos contra todos os gastos militares e todas as políticas militaristas!

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agência de notícias anarquistas-ana

Ao comer caqui
Ouve-se um sino tocar —
Templo Hôryûji.

Shiki

[França] 6 de abril em Nantes: marcha contra a metrópole

As “Metrópoles” têm se desenvolvido na França e na Europa nos últimos 20 anos. São grandes centros urbanos que competem entre si, concentrando população, poder e dinheiro em detrimento do resto do país.

O advento das Metrópoles significa que mais e mais terras estão sendo artificialmente ocupadas para tornar essas cidades maiores, enquanto o campo e as cidades pequenas estão sendo despovoados, e os serviços públicos e empregos estão sendo concentrados nos mesmos lugares, enquanto os correios, as estações ferroviárias e os hospitais estão fechando em cidades pequenas e médias. Elas também são sinônimos de invasão de parisienses, explosão de aluguéis e gentrificação de bairros que antes eram de classe trabalhadora, tornando as cidades inacessíveis. Elas também são sinônimo de grandes desigualdades entre bairros, grandes projetos urbanos, vigilância por vídeo, despejos de indesejáveis, destruição de laços de vizinhança e identidades locais…

As Metrópoles se tornaram marcas que precisam ser “competitivas”, atraindo cada vez mais habitantes e capital.

Em Nantes, a Metrópole há muito tempo é representada por um projeto: o aeroporto de Notre-Dame-des-Landes. Para tornar a cidade “atraente”, os representantes eleitos acharam que ela precisava de um grande aeroporto internacional, além do já existente. Uma batalha feroz em Nantes e nos arredores impediu que o concreto devorasse o campo e construiu um movimento magnífico. Hoje, porém, outros projetos estão surgindo, como os absurdos “bairros ecológicos”, como o Gohards, a leste da cidade, ou o novo hospital universitário na Ile de Nantes.

Foi nesse contexto que uma marcha contra a Metrópole foi realizada em Nantes em 6 de abril, convocada por vários grupos e associações. Foi uma mobilização bastante modesta, em um cenário de dissensão dentro do microcosmo ativista local. A marcha passou por uma série de pontos simbólicos, principalmente em frente às instalações do empreendimento Nantes Métropole, antes de incendiar um carro alegórico que simbolizava os empresários.

Diante da metropolização e de seus horizontes desastrosos, resta construir e desenvolver resistências.

Fonte: https://contre-attaque.net/2024/04/07/6-avril-a-nantes-marche-contre-la-metropole/

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Tarde de outono
Perseguindo folhas ao vento
O gato dançarino

Camila Jabur

[Grécia] Marcha antifascista e antiestado em Pireu

Ao meio-dia de sábado (06/04), a marcha antifascista e antiestado ocorreu na área de Pireu, município vizinho a Atenas. Durante mais de uma hora houve uma concentração na Praça Korai onde um microfone foi instalado e centenas de folhetos foram distribuídos e depois cerca de 200 antifascistas marcharam pelas principais ruas de Pireu gritando slogans antifascistas, antiestado, antipatriarcal e anti-repressivos que deixam claro que Pireu continuará a ser uma cidade antifascista.

Que os fascistas coloquem na cabeça que esta cidade não lhes pertence. Por mais que sonhem em reviver os acontecimentos da última década nos nossos bairros com tropas de choque e cargos políticos, o mundo do antifascismo erguerá muralhas esmagando qualquer tentativa de restauração fascista em Pireu e em qualquer outro lugar.

agência de notícias anarquistas-ana

A sensação de tocar com os dedos
O que não tem realidade –
Uma pequena borboleta.

Buson

[Grécia] Intervenção na Embaixada da Hungria | Poder e liberdade para Ilaria, Tobias e todos os companheiros perseguidos

No dia 05/04 intervimos na embaixada húngara em solidariedade a Ilaria, Tobias e todos os companheiros que estão sendo perseguidos.

No final da Segunda Guerra Mundial, as tropas nazistas sitiadas pelo exército da União Soviética fizeram uma tentativa fracassada de escapar de Budapeste. Desde 1997, foi estabelecido o chamado “dia de honra”, em que a escória nazista de toda a Europa se reúne nessa cidade para homenagear seus ancestrais políticos. Em resposta a essa convocação, antifascistas da Hungria e de toda a Europa se reunem anualmente contra essa convocação. Durante as manifestações antifascistas do ano passado, houve confrontos e os fascistas foram espancados.

Em 11 de fevereiro de 2023, Ilaria, uma companheira da Itália, e Tobias, um companheiro da Alemanha, foram presos pela polícia húngara acusados de espancar fascistas.

A companheira e o companheiro enfrentam acusações muito sérias, inclusive de pertencer a uma organização criminosa, e foram transferidos para uma prisão em Budapeste. A tortura e o confinamento que eles vêm sofrendo desde então inclui o severo confinamento solitário, condições sanitárias e nutricionais muito ruins, castigo constante e em porões, longe da luz do sol. Como se tudo isso não bastasse, os policiais exibiram a companheira Ilaria no julgamento amarrada nas mãos, nos pés e na cintura enquanto era presa por uma corrente pendurada sobre ela!

O Estado húngaro envia um forte sinal de que continua sendo um firme protetor dos fascistas e que é um território particularmente hostil para os antifascistas. Uma mensagem clara de que a estratégia de exterminar imigrantes em suas fronteiras, reprimir aqueles que se desviam das normas patriarcais e silenciar qualquer dissidência continuará.

Muitos países da UE criticaram hipocritamente o regime de Orbán como sendo de “extrema direita e antidemocrático”. Mas, ao mesmo tempo, como aliados na UE, eles têm estratégias assassinas comuns em várias áreas críticas (por exemplo, em relação às mulheres migrantes) e, nesse caso, foram rápidos em cooperar com ele. Além de Tobias e Ilaria, outro companheiro da Alemanha está sendo julgado com eles e está lá sob uma ordem de restrição. O Estado húngaro também emitiu mandados de prisão europeus para 14 outros companheiros de toda a Europa no mesmo caso. Até o momento, foram efetuadas três prisões na Itália (do companheiro Gabriele), na Alemanha (da companheira Maya) e uma na Finlândia. Os companheiros correm o risco iminente de serem deportados para prisões húngaras.

Essa cooperação pan-europeia mostra que faz parte da natureza estrutural de todo Estado, seja qual for seu regime, reproduzir o mundo do poder, atacar e perseguir os de baixo e os que lutam contra ele. Mostra que a ascensão da extrema direita e dos fascistas em muitas partes do mundo tem uma profunda alimentação sistêmica. Isso indica que a luta militante contra os fascistas precisa ser uma luta contra o Estado e todas as formas de exploração e poder.

É fundamental intensificar essa luta em nível global. Construir relações de solidariedade e companheirismo além das limitações das fronteiras, trocar experiências, aprender uns com os outros, lutar lado a lado contra todo o poder. Lutar pela criação de um movimento revolucionário anarquista que se espalhe por todo o planeta.

Os companheiros e companheiras que estão sofrendo a tortura da prisão, os companheiros e companheiras que correm o risco de serem deportados não estão sozinhos. Eles nos dão inspiração, coragem e estão em nossos pensamentos. Nós lhes enviamos saudações de companheirismo e força.

Essas correntes que nos prendem, esses muros que nos cercam, nós os combateremos até que sejam destruídos de uma vez por todas…

Força e liberdade para Ilaria, Tobias e todos os companheiros e companheiras que são perseguidos

A paixão pela liberdade é mais forte do que todas as prisões

Coletivo Anarquista Acte

acte@riseup.net/acte.espivblogs.net

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agência de notícias anarquistas-ana

Pétalas de neve
Dançando ao som do vento
Frágil margarida

Carolina Y. Furusho

[São Paulo-SP] Dia 13 de abril, às 16h, o CCS recebe um evento de lançamento da HQ “A Coleta”!

Litz Gouvea (@barbielixeira), catadora, educadora ambiental, anarquista e vegana, irá propor um debate sobre a história de luta dos catadores e sua relação com o anarquismo. Também estará presente Pedro Vó (@pedrovoh), artista visual e designer gráfico.

A HQ “A Coleta” apresenta a história de Bispo, Litz e Maura, três catadores de material reciclável da cidade de São Paulo. Com entrevistas e recortes de uma rotina intensa de trabalho, os profissionais contam as dificuldades e conquistas de suas trajetórias, compartilhando suas vivências sobre uma sustentabilidade que vai além do discurso, que atua na prática, com a mão no resíduo. Dentro de uma sociedade desigual, que ignora as questões ambientais, a luta pela sobrevivência e pela valorização da profissão atravessa a vida desses trabalhadores. A HQ expõe como os catadores carregam o sonho de um futuro possível.

O evento é presencial e aberto, basta comparecer. Lembrando que no CCS nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo, não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

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minha sombra
com pernas mais longas
não me afasta

André Duhaime

[Ceará-CE] APEOC golpeia a categoria e burocratas acusam a base de fascistas! Boletim ORC (04/2024)

Nesta edição de abril de 2024 do Boletim da Oposição de Resistência Classista (ORC) – Trabalhadores da Educação, você poderá ler sobre:

  • Governo petista, burocracia sindical e base insurgente!
  • Romper a dicotomia “capital” – “interior”
  • Ceará: terra da precarização da educação!
  • Burocracias sindicais atacam professores ao se solidarizarem com a antidemocrática APEOC/CTB

A categoria das professoras e professores da rede pública estadual do Ceará mostram seu descontentamento com o golpismo da direção da APEOC/CTB e com a proposta do governo Elmano/PT as suas reivindicações.

GOVERNO PETISTA, BUROCRACIA SINDICAL E BASE INSURGENTE!

Desde o final de 2023, foram realizadas assembleias na capital e interior para debater e votar as pautas e a campanha salarial de 2024. Com o início do ano letivo, essas pautas e reivindicações foram re discutidas em assembleias nos dias 15/03 e 26/03. Além dessas reivindicações, foram votados nessas assembleias o estado e indicativo de greve. Na última, foi colocada a pauta de deflagração de greve para a assembleia de 04 de abril, caso as negociações com o governo não contemplassem a categoria.

Os resultados das negociações do sindicato com o governo ficaram aquém das reivindicações da categoria, entre elas a equiparação salarial entre os professores temporários e efetivos. Basicamente, a proposta do governo cede um reajuste de 5,62% sem retroativo, diferente do que manda a lei do piso que estabelece que a data-base deve ser o dia 1° de janeiro de cada ano e a quitação de promoções atrasadas desde 2019, de quando o governador era Camilo Santana/PT.

Entretanto, APEOC e DEMOCRACIA SINDICAL são palavras que não combinam. Cabia a direção sindical analisar a conjuntura, abrir para falas e votar a proposta que convocava a assembleia: GREVE. Mas não foi isso o que aconteceu. A direção da APEOC agiu violentamente contra a sua base, que respondeu proporcionalmente a violência realizada. Uma professora foi agredida pelos seguranças da direção da APEOC ao que se seguiu o arremesso de cadeiras de plástico contra um dos seus diretores durante sua saída da assembleia.

Durante a assembleia, a APEOC decidiu que iria realizar 36 assembleias regionais para consultar a base sobre a aceitação da proposta do governo ou a deflagração da greve. Sabemos que isso é uma manobra antidemocrática, visto que existe pouca fiscalização da base nessas assembleias, podendo existir “assembleias fantasmas” realizadas pela direção. Precisamos participar de pelo menos 18 dessas assembleias e nelas rechaçar essa proposta rebaixada do governo e deflagrar a greve da categoria.

Assim, propomos: a) Realização de zonais; b) Eleger delegadas/os nesses zonais e construir um comando de mobilização autônomo; c) Que estes zonais arrecadem recursos para; d) Levar colegas deste comando de mobilização para as assembleias no interior e debater com estes colegas a deflagração do movimento grevista. Estas são nossas tarefas! Mãos a obra!

Romper a dicotomia “capital” – “interior”

A Direção da APEOC/CTB age “dividindo para conquistar”. Assim, reforça um suposto discurso onde “os professores da capital se acham mais importantes do que os professores do interior”. Nada mais falso. Em muitas escolas de cidades do interior, temos 100% de professoras temporárias, muitas vezes até o núcleo gestor é de temporários.

Em algumas cidades, os efetivos estão em cargos comissionados, nas Credes. Estes são os que reforçam o discurso do governo Elmano/PT, que acusam os professores que querem greve de “desocupados”, de “não quererem trabalhar”. Não podemos cair nessa arapuca posta pela APEOC/CTB.

Precisamos reforçar a unidade da categoria, indo para as cidades do interior, debater com os colegas que estão na sala de aula e desmascarar os gestores de Credes que fazem o discurso do governo e da direção da APEOC.

CEARÁ: TERRA DA PRECARIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO!

Censo Escolar 2023/MEC aponta que a rede estadual do Ceará é o segundo estado do nordeste com maior quantidade de professores temporários em relação a efetivos. Apenas 41,3% de professores em sala são efetivos.

O que o Censo escolar expressou é aquilo que já sabemos, já sentimos. A maioria dos trabalhadores da educação do estado são de temporário. Péssimas condições de trabalho, salários mais baixos que o dos professores efetivos, vínculo de contrato precário, ficando por vezes meses sem receber o salário por morosidade da administração na publicação dos contratos em diário oficial, além de ficar a mercê das direções de escolas.

Além dos problemas dos professores temporários com o governo estadual, ainda temos o fato da APEOC/CTB não filiar os trabalhadores temporários. É como se fossem inexistentes para o estado, para a representação sindical oficial, mas utei para os altos índices. Reivindicamos desde a greve de 2011 o direito a filiação sindical, negada pelo grupo que está na direção da APEOC/CTB a décadas.

Assim, por ausência de representação sindical, surgiram iniciativas de organização variadas, todas elas legitimas, visto que essa camada da categoria é indesejada pela direção da APEO/CTB.

BUROCRACIAS SINDICAIS ATACAM PROFESSORES AO SE SOLIDARIZAREM COM A ANTIDEMOCRÁTICA APEOC/CTB

Diversas entidades sindicais, inclusive o SINDIUTE/CUT se solidarizaram com a APEOC/CTB devido a resposta da categoria a ação antidemocrática dessa entidade. Em geral, entidades ligadas as centrais sindicais reformistas. Essas notas devem ser repudiadas pelas suas bases, visto que defendem em essência a ação antidemocrática da APEOC/CTB.

Como resposta, surgiram notas e mais notas de colegiados de professores de escolas da rede estadual se solidarizando com sua própria categoria. Essa resposta é mais importante que as notas das burocracias, pois expressa a solidariedade de classe no seu estado mais puro!

Façamos nós por nossas mãos tudo o que a nós nos diz respeito“, A Internacional

Fonte: https://lutafob.org/apeoc-golpeia-a-categoria-e-burocratas-acusam-a-base-de-fascistas-boletim-orc-04-2024/

agência de notícias anarquistas-ana

beija flor perplexo
sem encontrar umidade
nem no bebedouro…

Haruko

[Espanha] O discurso belicista

Denunciamos a realização da Feira Internacional de Armas e a ligação da nova indústria bélica com o genocídio na Palestina.

Nestes dias, nossas cabeças estão martelando com os tambores de guerra que estão sendo entoados por políticos e pessoas poderosas em todo o mundo. Nossos corações se encolhem com as notícias da Palestina e somos tomados pela raiva quando observamos as vítimas de sempre em Gaza ou na Ucrânia, as únicas que aparecem na televisão, enquanto um insuportável discurso belicista se instala. Há 56 guerras ativas no mundo neste momento. E não vou incluir a Palestina, porque isso não é uma guerra, é um GENOCÍDIO.

As metáforas inundam a linguagem da mídia de massa pela mão de políticos, analistas e outras espécies, construindo uma estrutura bélica que resulta em persuasão e manipulação, deixando em segundo plano o sofrimento, a dor e a morte de milhares e milhares de pessoas.

Suas guerras, seus negócios, são nossos mortos e os números são diluídos na realidade cotidiana como se fosse quase normal no curso da história.

A palavra é construída com verbos como “vencer”, “lutar”, “combater”, “derrotar”, apelativos como “segurança”, “defesa”, “inimigos”, etc., e o universo discursivo nos envolve com uma retórica que visa apenas garantir os interesses econômicos e políticos dos poderosos.

Nos dias 10 e 11 de abril, a Feira Internacional de Segurança e Defesa (Feindef), ou seja, a Feira Internacional de Armas, será realizada em Córdoba. Nossas companheiras da CNT Córdoba se uniram a outros coletivos na plataforma “Melhor sem armas” e lançaram uma campanha exigindo a suspensão do evento patrocinado pelo Ministério da Defesa, com o apoio da Prefeitura de Córdoba e da Junta de Andaluzia, opondo-se a esse negócio infame que viola sistematicamente os direitos humanos e é uma das principais fontes de poluição ambiental.

Também denunciam os vínculos entre a empresa espanhola Escribano M&E Systems, líder das empresas nacionais de armamento, e o genocídio em Gaza, por meio de seu acordo com a empresa israelense ELBIT Systems, com a qual estão desenvolvendo um novo lançador de foguetes, testado em Gaza, cuja implementação e fabricação serão realizadas em Córdoba, com o qual o Exército espanhol será equipado e no qual pretendem investir nada mais nada menos que 273 milhões de euros de dinheiro público.

Na atualidade, e com o novo marco político derivado da vitória de Putin e da possível vitória eleitoral de Donald Trump, a OTAN está elevando seu discurso belicista e engordando seus orçamentos ao argumentar que deve estar preparada para a guerra.

De acordo com os últimos dados publicados pelo Stockholm International Peace Research Institute em abril de 2023, os gastos globais aumentaram 3,7%, em 2022, para 2,24 trilhões de dólares, o equivalente a 2,2% do PIB global, o maior aumento anual em pelo menos 30 anos.

Nos unimos aos nossos companheiros e companheiras de Córdoba e da Andaluzia. Denunciamos todos esses mercadores da morte e seus cúmplices políticos.

NÃO ÀS ARMAS

NÃO ÀS SUAS GUERRAS

NÃO EM NOSSO NOME

Fonte: https://colmenarviejo.cnt.es/2024/04/05/el-discurso-belicista-de-los-poderosos/

agência de notícias anarquistas-ana

No olho das ruínas
as íris dos vaga-lumes
sob as tranças de ervas.

Alexei Bueno

[Espanha] Lançamento: “Anarquismo No Fundacional”, de Tomas Ibánez

A p r e s e n t a ç ã o

Em que momento o pensamento fundacional entrou nas fileiras do anarquismo? Que perigos despercebidos esse oximoro contém? Como retornar à origem sem reivindicar uma origem estável? Se todo arché, todo princípio fundacional, carrega o risco do totalitarismo, o anarquismo deve problematizar e combater o retorno a qualquer fundamento que se pretenda sólido, atemporal e dogmático. No entanto, o mal contra o qual se luta também existe frequentemente em sua própria trincheira.

Neste ensaio lúcido, Tomás Ibáñez, um reconhecido militante libertário, agita as águas do pensamento anarquista para apontar os perigos que se encontram nas contradições internas do movimento. A dominação, como Proteo, tem uma e muitas faces que se manifestam e mudam de acordo com a época que as abriga. Se os anarquismos pretendem confrontar a lógica da dominação, eles têm que aceitar, por sua vez, a mesma lógica mutável. Para isso, é necessário não reproduzir na luta a mesma coisa que se pretende combater e repensar, repetidas vezes, os próprios axiomas para aceitar que não há centro ou origem, que se caminha no desastre e que o deslocamento de toda arché é um imperativo sem fim.

Anarquismo No Fundacional

Tomas Ibánez

ISBN: 9788419406927

Editor: GEDISA

Páginas: 112

11,83€

gedisa.com

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/12/04/espanha-anarquismo-em-perspectiva-conjugando-o-pensamento-libertario-para-disputar-o-presente-de-tomas-ibanez/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/11/02/colombia-pinceladas-anarquistas-de-tomas-ibanez/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/03/21/espanha-lancamento-anarquismos-a-contratiempo-de-tomas-ibanez/

agência de notícias anarquistas-ana

Em cima da folha
Joaninha descansa
Que colorido!

Andréa Cristina Franczak

O perdão como instrumento de controle do colonialismo

Por Reté Poty

Desde a invasão em 1500 nós indígenas das aldeias e periferias de Pindoretà estamos sofrendo com a colonização.

Muitos de nós não somos considerados humanos, mas sim sub-humanos, improdutivos, incivilizados. Somos considerados indignos de respeito por aqueles que exploram a Terra, com a conivência dos não indígenas que dão as mãos para nós apenas para garantir quatro ou mais anos no poder através da democracia representativa (eleições).

O fato é que apenas indígenas que acessam algum tipo de poder:(cargos políticos) conseguem garantir direitos, enquanto outra parte não. Isso tudo acaba hierarquizando quem vai acessar políticas públicas e quem não vai acessar nada.

Muitos indígenas por necessidade fazem o pacto, votam e aceitam cargos, já outros entram para a disputa eleitoral, por consequência um verdadeiro apagamento ocorre nas aldeias quilombos e periferias porque por mais boa vontade que se tenha políticas públicas não chegam a todos nós, e depois ninguém garante que esses indígenas que fizeram o “pacto” construirão nossa autonomia, ou criarão algo sólido que não se desfaz como por exemplo um auto governo como buscam muitos povos por Abya Yala, até porque a politica não indígena abre brechas demais para a corrupção e serve apenas aos interesses econômicos da nação.

Mas digo isso tudo para mostrar como o PERDÃO tem sido uma ferramenta de controle desde a invasão para nos sensibilizar e manipular, e que devemos ficar atentos as “migalhas” que o Estado nos oferece, quando nos pedem esse perdão cristão, com tentativas apenas verbais de fazer reparos que não são efetivos, e que não vão corrigir os crimes cometidos pelo estado, pois tudo que tem acontecido não passa de um teatro com o intuito de comover parte dos indígenas e outra parte de eleitores, do que propriamente garantir direitos a população originária.

O PECADO, a CULPA e o MEDO vieram através das caravelas, e é evidente que nada pode apagar que 60 milhões de pessoas indígenas morreram a partir da invasão e a partir do projeto da colonização, e reitero que esse projeto continua de pé, atualmente alternando entre a esquerda ou à direita f4c1sta através da democracia representativa.

Assim como o pecado, a culpa e o medo são utilizados pela religião institucionalizada, dentre outras formas e métodos colonizadores.

As nossas necessidades quanto indígenas estão acima do que a política não indígena e branca pode nos oferecer.

E perdão nenhum Demarca Terras Indígenas, peço mais efetividade e menos conciliação pelo bem de todos nós Povos Originários de Pindoretà.

agência de notícias anarquistas-ana

criança traquina
saltita atrás dos pássaros
natureza em flor.

Helena Monteiro