[Chile] Fechamos as portas. “Publicación Refractario” chega ao fim.

Depois de mais de uma década, a Publicación Refractario chega ao fim, e assim fechamos as portas deste projeto.

Nós postergamos essas palavras finais e o necessário sentimento de encerramento deste projeto, refletimos sobre continuá-lo ou criá-lo sobre novos formatos, mas é necessário que deixemos um bilhete na porta antes de fecharmos. Um projeto construído com tanto esforço e carinho merece um encerramento digno.

Em Julho de 2012 nós começamos esse projeto de contrainformação. Nós produzimos materiais em papel que duraram oito edições (de 2012 a 2014), e nós também publicamos 5 edições especiais. Sem dúvidas, o coração do nosso projeto era o site. Nele nós convergimos várias dimensões do campo anticarcerário: notícias, contingências, convocatórias, propaganda, reflexões e posicionamento em diferentes conjunturas, materiais de interesse, memória e informação prática.

Ao longo de 11 anos, o projeto operou, para muito além dos objetivos iniciais. Mantivemos o ritmo de publicação, o espaço para reflexão e posicionamento em diferentes conjunturas, enquanto por outro lado o feedback dos camaradas que traduziram os textos, enviaram comunicados e mantinham discussões informais dentro do movimento anarquista fez da Refractario uma ferramenta útil e ativa.

Ao longo desse período nos alegramos com inúmeros camaradas sendo soltos da prisão, acompanhamos o julgamento de vários e mantivemos forte agitação em solidariedade com vários que ainda estão atrás das grades. Muitas campanhas foram internacionalizadas graças a projetos como esse, que nos permitiram informar, disseminar e posicionar a urgência em outras latitudes. A intenção sempre foi nos tornarmos um espaço para encontrar informações precisas, assim como abrir a discussão sobre tantos que nesses anos têm dividido os ambientes antiautoritários ligados à prisão, julgamentos e repressão.

No fim de Janeiro de 2006, a página de contrainformação “Palabras de Guerra” deu adeus ao mundo virtual. Nós destacamos algumas das razões que levaram ao seu encerramento, como expressas em seu comunicado de despedidas.

– Excesso de conteúdo de informação, na maioria supérfluos, uma reflexão na sociedade Ocidental do excesso.

– Ritmos acelerados de publicação, confrontados com ritmos naturais

– Um imediatismo que gera a necessidade de estar constantemente informado

– A emergência de uma subjetividade revolucionária cuja militância é baseada principalmente na internet

(O texto completo permanece disponível aqui: lahaine.org/est_espanol.php/la_web_anarquista_palabras_de_guerra_se)

Essas críticas e cuidado têm nos acompanhados desde sempre nos vários projetos de contrainformação dos quais participamos, apoiamos, colaboramos ou construímos. Mas nitidamente nos últimos anos nós temos encarado uma verdadeira força centrífuga em relação às mesmas questões que já foram levantadas por camaradas anos atrás.

A pandemia foi a materialização de uma erosão que vem crescendo por pelo menos um ano no que diz respeito ao uso do nosso site. O uso massivo das redes sociais, em especial o uso da plataforma Instagram em detrimento de página web na busca por informação e “debate” dentro do movimento anarquista foi exponencialmente consolidado.

E dada a natureza da plataforma e seus formatos de publicação, os argumentos apresentados pelos camaradas do “Palabras de Guerra” tem chegado a níveis ridículos e absurdos. Nos encontramos com uma quantidade de informação que está mudando, não apenas diariamente, mas hora a hora. Ao mesmo tempo, a necessidade de se manter informado nos faz manter um ritmo frenético de publicações onde o que é relevante se perde em um mar de informação que nós mesmos criamos.

É essa dinâmica que impede uma melhor reflexão, debates e mesmo por design (o uso de textos convertidos em imagem como modelo) torna impossível a tradução e transcrição de textos, em alguns casos levando até mesmo a elaboração de textos menores para se adequar a seu espaço reduzido. A modalidade nega qualquer forma de arquivamento ou mecanismo de busca do que foi publicado no passado, mas aí está, trabalhando de uma forma ou de outra “conectando” muites companheires. Anúncios, notícias urgentes, manchetes e alguns comunicados são agora disseminados exclusivamente através desses canais. Por exemplo, nós tentamos nos aventurar nesse formato com o Refractario, mas não alcançamos sucesso, precisamente pois a impossibilidade de desenvolver reflexões ou compartilhar textos que fossem além destas limitações. Eles simplesmente não são compatíveis.

Nós entendemos que esses problemas afetam não apenas nosso projeto, mas inúmeras páginas da web e projetos de contrainformação que foram encerrados ou se tornaram obsoletos. A escassez ou ausência de jornais físicos também nos dá uma pista do problema. Se isso viesse acompanhado de uma proliferação de espaços físicos, encontros reais, debates, não seria tão preocupante como o cenário decadente no qual ambientes anárquicos se encontram atualmente. A repetição de slogans, a ausência de respostas contra massacres repressivos, a indiferença pelo que acontece fora do círculo de conhecidos, a identidade e o estilo de vida como luta, é acompanhado pela imagem/estética de capuzes e fogo como um fim em si mesmo. Para fortalecer o internacionalismo, para elaborar reflexões, perspectivas de luta, para projetar novas ofensivas, para costurar redes de conspiração, para nos educar politicamente em uma forma independente são elementos indispensáveis na hora de nos armarmos na guerra social, aspectos que são afogados em petições reformistas, reclamações, poses de gangue e escassos espaços para aprofundamento político.

Nós deixamos registrada nossa visão atual do ambiente anárquico pós revolta e o desuso prático no qual nossa página caiu (entre outros projetos), então talvez o que aconteceu em outra época, em outro território, possa servir como uma experiência aprendida. Esse cenário não nos desmotiva de maneira alguma, mas acreditamos que é necessário avaliar o presente com um senso de realidade para aprofundar e qualificar os caminhos de negação a este mundo. Onde buscamos nos informar, onde levantamos debates, como conversamos entre camaradas que não se conhecem, onde marcamos nós mesmos a iniciativa e não a conjuntura?

Hoje, Refractario chega ao fim. Mas este não foi o primeiro projeto anticarcerário e certamente não será o último. Hoje decidimos dar um enterro a este projeto e não deixá-lo flutuando a esmo. A página permanecerá no ar por tanto tempo quanto a virtualidade permitir, para que os queiram revisar nosso rico arquivo que existe lá. Na bagagem de experiência permanece todos os comunicados e redes de caráter internacional forjadas, os debates abertos e acalorados que permitiram ao mundo anarquista se posicionar e se nutrir.

Nossa contribuição buscou escapar da solidariedade acrítica, evadir os espaços de caridade e rejeitar a desinformação geralmente tão presente na realidade dos prisioneires (Quando foi preso, de que foi acusado, há quanto tempo foi sentenciado, onde está, já foi solto?), defendendo a perspectiva que considera os prisioneiros da guerra social como os camaradas que estão nos fazendo falta nas ruas, portanto nós rejeitamos qualquer figura heroica ou intocável, conversando com eles, dialogando, levantando propostas ou debatendo.

Antes de concluir, nós não esquecemos da urgência que significa o cumprimento de sentenças que vem da justiça militar contra o camarada Marcelo Villarroel, a longa sentença que o camarada Juan Aliste está servindo, o regime de isolamento enfrentado pelo companheiro anarquista Alfredo Cospito na Itália ou a recente sentença de prisão perpétua deferida contra o companheiro anarquista Francisco Solar, que assumiu os ataques contra os poderosos e opressores.

Finalmente, nós chamamos ao fortalecimento de todos projetos de contrainformação que teimosamente resistiram ao tempo, como o Informativo Anarquista, apenas com o apoio de todes nós, se tornaram ferramentas úteis.

Nada acabou, tudo continua.

Nós não desistimos de nossos camaradas aprisionados. Nossa solidariedade ofensiva é vingança por estarem cativos. Isso não significa uma identificação com a visão deles. Os prisioneiros não são ídolos sagrados ou símbolos da luta, mas são eles que fazem falta de estarem ao nosso lado” – Conspiração das Células de Fogo

A vida é uma luta contínua, é superar a monotonia e a inércia” – Mauricio Morales

Refractario – Fevereiro de 2024

publicacionrefractario.wordpress.com

Tradução > 1984

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Em minha cabana
É só assobiar
Que vêm os mosquitos!

Issa

Grupo anarquista reivindica sabotagem contra a Tesla na Alemanha

“Gigafábrica” próxima a Berlim foi evacuada após incêndio em torre de eletricidade cortar fornecimento de energia. Empresa fala em prejuízo de centenas de milhões de euros.

A fábrica da Tesla na cidade alemã de Grünheide, próxima a Berlim, foi evacuada nesta terça-feira (05/03) após um incêndio em uma torre de eletricidade ter interrompido o fornecimento de energia às instalações.

A brigada de incêndio foi chamada por volta das 5h15 locais para combater o fogo, e um helicóptero da polícia também foi acionado.

Um grupo anarquista chamado Vulkangruppe (Grupo Vulcão), classificado como extremista pelas autoridades, afirmou ter realizado o ataque à rede elétrica que abastece a montadora.

“Sabotamos a Tesla hoje”. “A fábrica contamina as águas subterrâneas e utiliza enormes quantidades do já escasso recurso de água potável para os seus produtos”. “Tesla é um símbolo do “capitalismo verde”, disse uma mensagem assinada pelo grupo enviada ao jornal Tagesspiegel, especificando um “ataque ao fornecimento de eletricidade”. “Juntos, colocamos a Tesla de joelhos. Saudações a todos que estão em fuga, no subterrâneo das prisões e na resistência! Amor e força a todos os antif@s!.”

O ministro do Interior, Michael Stübgen (CDU), disse na quarta-feira no comitê do interior do parlamento estadual que o Grupo Vulcão opera em todo o país, possivelmente também internacionalmente. Portanto, o Ministério Público Federal e a Polícia Criminal Federal deverão assumir a investigação.

O líder da CDU de Brandemburgo, Jan Redmann, também apelou ao envolvimento do Procurador-Geral Federal. “Ele é responsável pelo combate ao terrorismo, incluindo o terrorismo de esquerda”.

Redmann disse que o ataque foi realizado por extremistas de esquerda que querem trazer uma ordem social diferente. “Eles têm uma ideia diferente de como a nossa sociedade deveria funcionar. Provavelmente uma ideia anarquista e querem impor isso com violência. Para mim, isso atende aos requisitos do terrorismo.”

A instalação da Tesla em Grünheide é a única fábrica da empresa na Europa. A Tesla afirmou que a produção no local levaria alguns dias para ser normalizada, com prejuízo de centenas de milhões de euros. Andre Thierig, que gerencia a fábrica na Alemanha, falou em um prejuízo de “nove dígitos”.

Fonte: agências de notícias

Nota da ANA:

O longo comunicado do grupo Vulkangruppe pode ser lido (em alemão) aqui:

https://de.indymedia.org/node/344525

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/07/alemanha-grunheide-ativistas-defendem-bosque-contra-a-empresa-de-carros-eletricos-tesla/

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Cúmulos-nimbos
Atravessando os céus
Sobre o rio sem água.

Shiki

[Espanha] Palavras de Roc Blackblock na inauguração do mural em homenagem a Salvador Puig Antich

Vallkarka, 02/03/2024

Há alguns anos a memória se tornou um trabalho para mim, mas o que hoje inauguramos não tem nada a ver com trabalho, nem com atribuições, é outra coisa, é o que foi dito na palestra de ontem: a memória é uma luta política, é uma trincheira que deve ser defendida. Não sei se é arte, agitação, artivismo, tudo ao mesmo tempo ou nada disso, não sei e não me importo, mas o que sei e quero deixar claro é que é uma atuação de militância, porque reapropriar-se das ruas, ressignificá-las e enchê-las de conteúdo é um ato político. É compreender, viver e lutar por um modelo de cidade antagônico ao “modelo e marca Barcelona”. Como tal, circunscrevo um canto de Barcelona que adoro, o vermelho e o preto, o autônomo, igualitário, anticapitalista e anarquista. Esta é a Barcelona que me atrevo a pensar que é onde Salvador gostaria de estar, aquela que ele gostaria de ver com aquele olhar límpido e honesto que tanto nos desafia. Ele coletou testemunhos de luta da Revolução Social e da Canadense, da Semana Trágica e de muitos outros acontecimentos que nos orgulham. Muitos o seguiram e continuamos a lutar como ele pediu. Todos nos sentimos herdeiros deste legado.

Nasci em 1975, numa chamada democracia recém-lançada, numa suposta liberdade difícil de ver: desde os 40 anos de escuridão da ditadura, da repressão do Estado, do poder e do capital foi refinada e camuflada, o colonialismo é agora uma economia globalizada, a escravatura tem a forma de uma hipoteca, o Não-fazer tem agora a cara de um YouTuber, e um longo etcétera que todos nós conhecemos e sofremos. Mas estamos num espaço de vizinhança que enfrenta o neoliberalismo predatório, de apoio mútuo onde ninguém quer comandar ou obedecer e onde o instinto irreprimível de liberdade toma oxigênio. Com atos como esses, o fio preto de que também se falou ontem vira um cabo de aço, uma semente que brota e rebrota no novo mundo que carregamos no coração.

Ontem eu estava comentando com a Marçona: quando pinto imagens de outras épocas passo horas e horas repassando cada parte da foto e acabo criando um vínculo com as pessoas que pinto, um sentimento que para mim é muito difícil de explicar. Neste caso, porém, foi o contrário: o meu vínculo com Puig Antich me acompanhou durante toda a minha vida e foi o que me levou a fazer o mural. O MIL e Puig Antich é o primeiro livro político que comprei em “El lokal” de la Cera quando era adolescente (aproveito daqui para mandar um abraço a Iñaki, para mim e para muitos ele e El Lokal foram um farol no escuro).

Para mim e para muitos Salvador tem sido um símbolo. No Ateneo la Base, com a morte de Pablo Molano em 2016, foi gritado um slogan de despedida que me impressionou: não enterramos Pablo, nós o plantamos. Tal como as sementes que enchem as sarjetas do Estado e que florescem na memória coletiva, o mesmo acontece com Salvador Puig Antich, ele fecundou e impulsionou as lutas que o seguiram, e o seu assassinato despertou muitas consciências.

Adotei uma frase que diz que a arte é uma missão e não uma competição, embora na realidade eu compita um pouco: eu compito comigo mesmo e desta vez permita-me confessar a você e tenho orgulho de dizer que ganhei, e tenho certeza de que é porque pintei com a força de todos, com a força de gerações e gerações de resistentes.

Agradeço o trabalho da Comissão Salvador Puig Antich, ao bairro de Vallkarka escrito com K. Sou eu quem estou aqui sentado falando, mas sou apenas o mensageiro, sou outro trabalhador com consciência: não tenho, nem quero, nem mereço maior destaque do que qualquer um dos que estão aqui hoje, aqueles de vocês que passaram horas e horas de assembleia organizando todos os acontecimentos, aos que abrem as casas vazias da especulação, aos que estão às portas dos despejos , para quem luta desde os sindicatos, a lista é longa, muito longa, são vocês, somos todos nós, que construímos comunidades fortes. Quero dedicar este trabalho à família Puig Antich, à família de sangue e à política no sentido metafórico mais amplo. Família Puig Antich, Salvador também é nosso irmão. Quero também dedicar este mural a todos os combatentes e resistentes anónimos que, como Salvador, entregaram os seus corpos pela causa mais nobre: ​​não se corromperam ao poder, não se denegriram a ele.

 Só perde a luta quem desiste e aqui, companheiros, ninguém desiste!

 Saúde e anarquia!

 Conteúdo relacionado:

 https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/01/espanha-este-e-o-mural-de-puig-antich-para-o-50o-aniversario-de-seu-assassinato/

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Sinto no rosto
Um carinho natural
O vento soprou.

Ze de Bonifácio

[República Tcheca] Congresso Contra A Guerra | Praga | 24 a 26 de maio de 2024

De 20 a 26 de maio de 2024, grupos e indivíduos de todo o mundo se reunirão em Praga para coordenar atividades contra a guerra como parte da Semana de Ação. A série de eventos também incluirá um Congresso contra a guerra, que ocorrerá de sexta-feira, 24, a domingo, 26 de maio de 2024. O Congresso apresentará campanhas, ações diretas, projetos, publicações e análises relacionadas à questão da guerra. Entre outras coisas, esse evento internacionalista servirá como uma assembleia aberta que tentará combinar fundamentos teóricos com atividades práticas.

Consideramos necessário, no processo de resistência à guerra, desenvolver uma prática anticapitalista que busque preservar a autonomia política. Em termos concretos, isso significa que queremos nos organizar fora dos partidos políticos, fora das estruturas estatais e contra todos os Estados. Buscaremos especialmente maneiras de nos opor a todas as condições adversas às quais fomos expostos e submetidos durante as guerras entre Estados e a paz capitalista. Buscaremos maneiras de sabotar as guerras, como privar nossos inimigos de recursos, como minar a capacidade dos Estados e de seus exércitos de continuar as guerras.

Que direção tomar e o que fazer? Como unir forças e se organizar? Buscaremos respostas baseadas na diferenciação de classe, não na diferenciação nacional; respostas que levem em conta o contraste entre soldados e oficiais, entre trabalhadores assalariados e patrões, entre o proletariado e a burguesia. Buscaremos maneiras de fazer com que os soldados uniformizados de qualquer exército estatal se identifiquem com a luta social de seus irmãos e irmãs do outro lado da frente, e não com as ordens assassinas de seus oficiais. Também buscaremos maneiras de nos opor aos falsos amigos, todos aqueles que buscam transformar a luta de classes em uma luta nacional ou religiosa por um novo Estado, um novo espaço capitalista, mais adequado às suas necessidades.

Apoiamos a comunidade internacionalista que afirma a luta contra a burguesia de todos os bandos em guerra, contra os exércitos de todos os Estados, contra os capitalistas de cada país. As atuais manifestações de resistência, por mais contraditórias e fragmentadas que sejam, contêm, sem dúvida, as sementes de uma polarização social que pode transformar as guerras entre os Estados em um confronto de classes. Esse é o confronto entre os defensores da nação, dos Estados e do capitalismo, por um lado, e a classe social, por outro, que está começando a perceber que defender a nação à qual está acorrentada serve apenas aos interesses daqueles que a exploram.

A ação direta contra as guerras agora assume várias formas, mais ou menos seletivas, mais ou menos organizadas. Lutemos por uma mudança qualitativa na qual os atos individuais de resistência rompam seu isolamento por meio da interconexão e da coordenação. O inimigo comum em todas as épocas é, em primeiro lugar, o capitalismo e, portanto, todo Estado que o estrutura, o exército que o defende, a burguesia que o encarna. A única maneira de sair do pesadelo das guerras e da paz capitalistas é um despertar coletivo: devemos ver e sabotar toda a máquina de guerra, derrubar seus representantes e recuperar nosso poder como criadores do mundo.

Pedimos aos grupos e indivíduos interessados em participar do congresso contra a guerra em Praga que entrem em contato conosco com bastante antecedência com propostas para o programa.

Juntos contra as guerras capitalistas e a paz capitalista!

actionweek.noblogs.org

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A orquídea –
a cada instante
o silêncio é outro.

Constantin Abaluta

[Grécia] Pôster | 8 de março | Mobilizações em Atenas e Tessalônica

8 DE MARÇO

Com pedras nas mãos em Gaza, nativas rebeldes em Tsiapas, dançando nas barricadas do Irã, derrubando muros de prisões e campos de concentração, cruzando fronteiras com um bebê nos braços, quebrando o silêncio contra a máfia estatal do tráfico, em manifestações enfrentando o exército de ocupação policial, nas lutas de classes, na ocupação de escolas e universidades, cuspindo na cara de padres, fascistas, patrões, juízes, políticos, no sistema que dá origem e encobre estupros e feminicídios, que quer nosso corpo como máquina de reprodução e mercadoria, e nossa vida como prisioneira do Poder.

Somos muitas – não estamos em silêncio

DESTRUIREMOS O ESTADO E O PATRIARCADO!

Contra as ilusões institucionais e a assimilação ao capitalismo colorido

ORGANIZAÇÃO, MOBILIZAÇÃO E LUTA PELA ANARQUIA

Atenas: Praça Klathmonos, 12h30 | Constituição, 18h30

Tessalônica: Kamara, 18h00

Grupo Contra o Patriarcado | Organização Política Anarquista

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Na noite sem lua
o mar todo negro
se oferece em espuma

Eugénia Tabosa

[Alemanha] Grünheide: Ativistas defendem bosque contra a empresa de carros elétricos Tesla

O bosque de Grünheide, em Brandeburgo, se converteu no cenário de uma batalha entre a Tesla e ativistas que defendem o bosque. Eles se mantêm habitando o alto das árvores como um ato de protesto para deter os planos de expansão da fabricante de carros elétricos.

Desde que a Tesla anunciou que pretende construir um complexo maior para suas mercadorias e armazéns, ampliando em mais de uma terça parte sua fábrica que hoje ocupa 300 hectares, os protestos se ativaram.

Desde a quinta-feira passada (29/02), ativistas ecologistas ocuparam parte do bosque público, onde a Tesla quer abarcar mais 170 hectares. Acondicionaram tendas aéreas entre as árvores, outros mais ao rés do chão, já que seu protesto é por tempo indefinido, comunicaram.

Os residentes de Grünheide também respaldaram este protesto. Em uma consulta pública realizada em 22 de fevereiro passado, os cidadãos votaram contra o plano de desenvolvimento proposto pela Tesla. O resultado foi de 3 mil 499 votos contra e só 1 mil 882 a favor da Tesla, deixando claro seu compromisso com a proteção do meio ambiente.

Apesar desta vitória, os ativistas não consideraram abandonar o bosque. “Não podemos confiar em que se impeça a ampliação”, disse uma estudante chamada Caro Weber.

A ocupação do bosque é liderada pela iniciativa chamada “Tesla Stoppen”. Conseguiu atrair ativistas de diversas partes da Alemanha e se espera que se somem mais ambientalistas da União Europeia.

Até o momento aderiram mais de uma centena de pessoas e organizações como “Robin Wood”, que somam forças na luta pela preservação do meio ambiente.

Apesar da oposição comunitária, a Tesla continua avançando com seus planos de expansão enquanto busca um diálogo com os ativistas, um canal que, pelo momento se encontra fechado, pois a posição dos ativistas é não deixar que a empresa avance sobre o bosque e proteger a água potável da região dos efeitos nocivos da expansão industrial.

“Estamos hoje aqui para mostrar o cartão vermelho ao dono da Tesla, Elon Musk, e a todos aqueles que o estão ajudando a fazer ainda maior sua mega empresa”, se cita em um comunicado emitido pelos ativistas.

A produção da Tesla em Grünheide iniciou em 2022, “beneficiando a comunidade”, disse a empresa em um comunicado. Em nenhum momento fala do desmatamento provocado nos 300 hectares que hoje possui e de sua ampliação sobre bosques públicos.

Até o momento, o cenário no bosque é pacífico, mas a tensão de uma possível repressão está latente. A presença policial começa a intensificar-se. A última palavra corresponde ao município de Grünheide, decidir sobre o procedimento do plano de desenvolvimento da Tesla ou reconhecer a voz dos cidadãos de Grünheide.

Fonte: https://avispa.org/activistas-en-alemania-defienden-bosque-contra-la-empresa-de-autos-tesla

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/09/14/alemanha-frankfurt-am-main-teslas-incendiados/

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Entre a roça e a montanha,
A chuvinha vai parando …
A folhagem nova!

Buson

Zine | “Rumo à Mais Queer das Insurreições”

Rumo à mais queer das insurreições (Toward the queerest insurrection) é um texto famoso do anarquismo queer insurrecional. Apesar de falar a partir do contexto dos EUA, acreditamos que ele dialoga com nossa crítica anticolonial à política de assimilação de identidades dissidentes numa realidade cis-heteronormativa. Foi escrito por Mary Nardini Gang e publicado originalmente em 2014. Esta é uma tradução e reedição nossa feita em 2023.

I

Alguns lerão “queer” como sinônimo de “gay e lésbica” ou “LGBT”. Essa leitura fica aquém. Enquanto aqueles que se encaixam nas construções de “L”, “G”, “B” ou “T” podem cair nos limites discursivos do queer, o queer não é uma área estável para se habitar. Queer não é apenas outra identidade que pode ser incluída em uma lista de categorias sociais organizadas, nem a soma quantitativa de nossas identidades. Em vez disso, é a posição qualitativa de oposição a apresentações de estabilidade – uma identidade que problematiza os limites administráveis da identidade. Queer é um território de tensão, definido contra a narrativa dominante do patriarcado branco hetero monogâmico, mas também por uma afinidade com todos os que são marginalizados, alterizados e oprimidos. Queer é o anormal, o estranho, o perigoso. Queer envolve nossa sexualidade e nosso gênero, mas muito mais. É o nosso desejo e fantasias e mais ainda. Queer é a coesão de tudo que está em conflito com o mundo capitalista heterossexual. Queer é uma rejeição total ao regime do Normal.

>> Para comprar ou baixar o zine, clique aqui:

https://contraciv.noblogs.org/rumo-a-mais-queer-das-insurreicoes/

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serpenteando
no rio de verão
rubra corrente

Seishi Yamaguchi

[Espanha] Nenhuma agressão sem resposta e, agora, uma resposta contundente do antifascismo

No último sábado, 2 de fevereiro, no contexto das festividades de Magdalena em Castelló e dentro do programa alternativo do coletivo antifascista e feminista dos companheiros e companheiras da Cosa Nostra, alguns concertos estavam sendo preparados em uma atmosfera festiva de coexistência pacífica.

É verdade que a polícia local havia passado anteriormente, com intenções obscuras de interferir nos eventos programados, mas tudo foi resolvido e a preparação dos eventos continuou. A atmosfera era festiva e combativa na rua S. Miguel e em seus arredores, e o primeiro sábado de Magdalena estava sendo bom.

Era por volta das onze horas da noite quando um grupo de 25/30 neonazistas, fascistas e ultras do futebol, chegaram com “bastões” e outros objetos contundentes, escondidos com capuzes e covardemente, atacaram o grupo de pessoas ali reunidas, causando ferimentos e até mesmo hospitalização, até que o pessoal antifascista ali presente os confrontou e os expulsou, inicialmente com a passividade da polícia que estava presente.

A CGT de Castelló não se calará nem se esconderá, qualquer agressão será respondida e está claro que rejeitamos esses acontecimentos de sábado, prestamos TODA a nossa solidariedade aos companheiros e companheiras que sofreram violência fascista, ao coletivo Cosa Nostra e ao bairro de Castelló, que está ao lado da Liberdade e da Paz. E denunciamos a convivência entre a ultradireita do Vox [partido] e outros fascistas, policiais e governadores municipais, que constantemente cercam e pressionam vozes críticas e libertárias…

NÃO SEREMOS SILENCIADOS, ESTAMOS SEMPRE NAS RUAS e NAS LUTAS!!!

Fonte: CGT-Castelló

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do orvalho
nunca esqueça
o branco gosto solitário

Matsuo Bashô

[Espanha] 8-M: Dia Internacional da Mulher Trabalhadora

M a n i f e s t o

Hoje, as mulheres e pessoas não binárias sustentamos a vida! Ocupamos as ruas sob o lema: #Acabou a Desigualdade, Juntas Transformamos Realidades, porque merecemos cada espaço que habitamos e reclamamos nosso direito à igualdade em uma sociedade diversa e justa.

Neste dia de unidade e resistência, elevamos nossa voz contra as injustiças do sistema cis-heteropatriarcal, do capitalismo voraz e das violências machistas. Um sistema que não reconhece os cuidados como trabalho e que os relega ao âmbito doméstico, voltando a jogá-los sobre nossos ombros, denegrindo o trabalho reprodutivo frente ao produtivo. Nos negamos à submissão, à invisibilidade, à precariedade e ao silêncio. Juntas, nos levantamos com força para dizer BASTA! Juntas nos levantamos e EXIGIMOS:

Cuidados como direito Fundamental: Reivindicamos seu valor ao mesmo nível que seguimos reclamando para a saúde e a educação. Exigimos um sistema público de cuidados, comunitário, universal e gratuito que reconheça e valorize os que sustentam a vida.

Cuidados sem precarização: Denunciamos a depredação capitalista dos cuidados. Grandes empresas, de âmbitos alheios, encontraram este filão e exploram este setor altamente feminizado, precarizando-o ainda mais. Exigimos condições dignas, convênios coletivos e contratos justos, direitos laborais e acesso a greve para todas, internas e externas.

Cuidados remunerados: Reclamamos o reconhecimento, a valorização e remuneração dos cuidados. O amor não paga faturas nem cotiza para a aposentadoria, pelo que exigimos o reconhecimento social e econômico, e o apoio imprescindível para os que assumem esta responsabilidade dentro de casa.

Este 8 de março, enchamos as ruas reivindicando por todas nossas companheiras em setores feminizados e mal pagos, como cuidados, comércio, sócio-sanitário, telemarketing, setor de limpeza, educação, etc. Pelas que lutam, se envolvem, militam, se organizam, cuidam, estudam e trabalham, com salário ou sem ele. Por nós, por todas elas, elevamos nossas vozes e EXIGIMOS:

– Eliminação da divisão sexual do trabalho e da precarização em setores feminizados.

– Acabar com a diferença salarial e nas pensões.

– Erradicação de preconceitos de gênero na saúde laboral.

– Eliminar machismos e os mal chamados micromachismos.

– Ofensiva contra políticas de ultradireita que limitam direitos consolidados.

– Revogação da reforma laboral.

– Revogação da lei mordaça.

– Renda básica das iguais.

– Jornada laboral de 30 horas.

– Visibilidade e representação de mulheres e pessoas não binárias em todos os âmbitos públicos.

– Uma sociedade não capacitista, inclusiva com a incapacidade e os corpos não normativos.

– Eliminação de violências machistas em todas as suas manifestações.

– Políticas reais de co-educação, formação e sensibilização em igualdade.

– Regularização já, fora lei dos estrangeiros.

– Sustentabilidade ante as consequências da emergência climática.

Levantamos nossa voz contra as Guerras e Genocídios que dilaceram comunidades e países, exigindo um cessar imediato de qualquer ação bélica, ameaças que caem especialmente em mulheres, crianças e pessoas não binárias.

Abraçamos a paz e condenamos qualquer forma de violência machista que atente contra a diversidade.

Abraçamos um feminismo inclusivo e transformador que mude consciências e construa um mundo justo e igualitário.

Pomos no centro a vida de todas as pessoas, derrubando barreiras e construindo pontes de solidariedade.

Porque nos sobram razões para seguir lutando e construindo um mundo melhor para todas as pessoas!

#ACABOU a Desigualdade, Juntas Transformamos Realidades.

Secretaria da Mulher Confederal

cgt.org.es

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre a folha verde,
um movimento ondulante:
taturana verde.

Maria Reginato Labruciano

Lançamento zine ‘ENTRE EXTERMÍNIOS E POGROMS’ de Fred Perlman

O texto a seguir foi escrito por Fredy Perlman em agosto de 1982, logo após o exército israelense atacar e promover uma ocupação militar no sul do que se conhece como Líbano, iniciada em junho daquele ano sob o argumento de expulsar grupos ligados à Organização de Libertação da Palestina (OLP). Aproximadamente um mês após a escrita deste texto, entre 16 e 18 de setembro, milícias libanesas cristãs maronitas, apoiadas por Israel, promoveram um Pogrom que produziu massacre de palestinos nos campos de refugiados de Chatila e Sabra, na região libanesa ocupada. O número de mortos é incerto, mas levantamentos apontam que pode ter chegado a 3500 pessoas assassinadas.

De origem judaica, Perlman nasceu em 1934 na cidade Brno, então Checoslováquia. No ano de 1938, pouco tempo antes da expansão nazista pela Europa, é levado por sua família para a cidade de Cochabamba, na região andina, onde vivem até se mudarem novamente rumo ao território dominado pelos Estados Unidos em 1945.

Publicado originalmente em 1983, sob o título Anti-Semitism and the Beirut Pogrom, na revista anarquista Fifth State.

edições insurrectas,

mata atlântica,

verão de 2024.

28 páginas.

>> Baixe aqui o PDF:

https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/files/2024/02/fredy-perlman-entre-exterminios-e-pogroms.pdf

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velho caminho
sol estende seu tapete de luz
passos de passarinho

Alonso Alvarez

[Bulgária] Tsvetana Jermanova (20 de março 1928 – 19 de fevereiro de 2024)

Na segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024, morreu a anarquista Tsvetana Jermanova, que foi a última prisioneira viva do maior campo para opositores políticos do Partido Comunista – Belene. Tsvetana Jermanova completaria 96 anos em 20 de março deste ano. A despedida da ex-prisioneira do campo do regime bolchevique aconteceu em sua aldeia natal, Leskovets, Pernik, em 23 de fevereiro de 2024, às 13h.

O grupo anarquista Анархо Съпротива ofereceu condolências à sua família e amigos.

Tsvetana Jermanova nasceu em 1928 na aldeia de Leskovets, Pernik, na família de um artesão. Ainda estudante, ficou fascinada pelas ideias anarquistas, que teve forte influência na região de Pernik. Ela se formou na Escola Secundária Pernik Maiden (1946) e depois de se formar se inscreveu em Agronomia na Universidade de Sofia, mas o regime bolchevique já havia chegado e ela não foi autorizada a continuar seus estudos apenas porque o comitê local da Frente Pátria recusou a inscrição necessária.

Em 1948 ela foi presa na grande repressão contra a Federação dos Anarquistas da Bulgária, ordenada pelo governo totalitário do Partido Comunista. Tsvetana ficou detida por mais de 20 dias nas celas do Serviço de Segurança do Estado em Pernik, e em 1949 foi enviada para o campo “Nozharevo”, na região de Silistra, e de lá foi levada para o campo feminino “Bosna”, localizado em uma aldeia de mesmo nome, na região de Tutrakan. Em dezembro de 1951, ela foi levada com um grupo de prisioneiras para a parte feminina do campo de Belene, na ilha de Shchuretsa, uma ilha vizinha à grande ilha de Persin, onde em 1949 foi construído o maior campo para opositores políticos do regime bolchevique.

Em 2011, foi publicado o seu livro Memórias dos Campos, detalhando o seu destino, bem como os regimes nos campos de mulheres de Bosna e Belene. O livro pode ser encontrado no site da FAB aqui: https://www.anarchy.bg/books/545/

Em 2017, a BNT filmou Tsvetana Jermanova na série documental Open Files, que você pode assistir aqui: https://www.youtube.com/watch?v=PrGeha5LFlQ

Sobre a diferença entre anarquistas e comunistas, ela disse: “Quando dois comunistas se reúnem, eles realizam uma eleição para nomear um secretário-geral. E quando dois anarquistas se reúnem, eles formam uma comuna.”

Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=407846845072816

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Gota de orvalho
na coroa dum lírio:
Jóia do tempo.

Érico Veríssimo

[França] Atentado contra Louise Michel

Em 22 de janeiro de 1888, na Sala de Elysée, próximo do Rond-Point, de Le Havre (Alta Normandia), após ministrar uma conferência, a destacada militante anarquista Louise Michel sofreu um atentado. Horas antes, ao meio dia, no teatro da Gaieté havia dado outra conferência.

O bretão Pierre Lucas, sob os efeitos do álcool, se aproximou e lhe disparou dois tiros na cabeça pelas costas. Uma das balas foi detida por seu gorro e a outra a feriu não mortalmente, mas permaneceu em sua cabeça durante toda sua vida, produzindo-lhe constantes cefaleias, já que a intervenção cirúrgica era demasiado perigosa.

A polícia deteve Lucas quando este estava a ponto de ser linchado por mais de 2.000 pessoas que lotavam a sala. Nos círculos anarquistas se pensou que Lucas era um agente secreto da chefatura de polícia ou da direita orleanista, que na Normandia era bastante ativa. Durante o julgamento, Michel testemunhará a favor da absolvição de seu agressor, dizendo que, o que o acusado necessitava era da medicina, e não da justiça burguesa. Pierre Lucas foi absolvido e ingressou no Hospício Geral de La Havre, onde morreu de tuberculose em 16 de janeiro de 1.890.

ALEN

Fonte: pacosalud.blogspot.com

Tradução > Sol de Abril

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Nesta fria noite
Dorme no fundo do poço
A Lua encurvada.

Mary Leiko Fukai Terada

[Porto Alegre-RS] 8M Anarquista Anticarcerário

Acreditamos que através da autonomia e de práticas autogestivas, e também da luta revolucionária, que é possível que exista uma real modificação dentro da sociedade. Não buscamos apoio de partidos políticos, não queremos palanques, não atuamos em torno de políticas públicas. Nossa ação é direta e concreta em contra do sistema, não fazemos acordos e não estamos dispostes a compactuar com a cooptação de um movimento tão potente que foi criado em torno de muita luta. Nós ocupamos os espaços porque é necessário que sejam ocupados, e nos movimentamos porque acreditamos que é possível através de nossas práticas a mudança que queremos realizar.

Por isso, sentimos a necessidade de fazer esse chamado, a ocupar a rua em frente ao Presídio Estadual Madre Pelletier, a lembrar de tantas e tantas que são encarceradas pelo Estado genocida, e a reivindicar que faltam muitas dentro da luta feminista e dentro do 8M.

O 8M na cidade de Porto Alegre é um movimento antigo, que surgiu de uma necessidade de reparação por todas as mortes, sexismo, machismo, misoginia, lesbofobia e transfobia que são sustentados por um Estado patriarcal, genocida, racista e colonialista. Nós respeitamos a força que foi empenhada na construção desse espaço, e também entendemos que ele surgiu de muitas mobilizações, organizações e pessoas independentes que enxergam uma necessidade de ocupar as ruas nesse dia para reivindicar melhorias e mudanças sociais palpáveis na vida das mulheres e das pessoas trans. Contudo, há alguns anos, enxergamos uma cooptação do movimento por parte de partidos políticos e institucionalizações, muitas vezes retirando o caráter independente e revolucionário do mesmo. Há anos observamos o 8M ser palanque para futuras candidaturas políticas e com um discurso de massificação, que compromete as revoluções que almejamos e a potência revolucionária da luta feminista.

Além disso, também visualizamos recortes sociais distintos, para quem está direcionada essa luta, e para que finalidade, visto que se não nos involucramos em outros espaços e causas, esquecemos de quem está às margens.

As cárceres são um projeto cruel e um depósito de rejeitades do sistema. É um meio de punir as pessoas que tiveram práticas em contra dessas leis forjadas pela institucionalidade. Toda pessoa presa, é política, até que todos os muros caiam, não descansaremos. No Brasil, as cárceres possuem classe social e cor. Depois de sequestradas e encarceradas, passam a ser estigmatizadas e esquecidas dentro de um ciclo infinito de punição e rechaço, e muitas não conseguem se desvencilhar ou passam sua vida inteira fechada em um espaço específico e controlado. Nós nos posicionamos contra esse espaço, acreditamos em outras maneiras de fazer reparação social.

Convidamos a todas as pessoas a estar presentes conosco, no dia 8 de março de 2024 a partir das 10h em frente ao Presídio Estadual Madre Pelletier, a ocupar o espaço, a demonstrar nossa solidariedade às companheiras e companheires sequestrades pelo Estado, e a denunciar que enquanto não estamos todes livres, não podemos descansar até que essa realidade seja possível.

Convidamos também às mulheres e pessoas trans a trazer sua arte, seu manifesto, sua poesia, sua música, sua performance para manifestar seu inconformismo com o sistema patriarcal e sua solidariedade com as mulheres e pessoas trans sequestradas pelo Estado.

POR UM 8M ANARQUISTA E ANTICARCERÁRIO!

ABAIXO OS MUROS DAS PRISÕES!

NÃO ESTAMOS TODAS, FALTAM AS PRESA

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o vôo dos pombos
interrompe
o jogo das crianças

Ion Codrescu

[Espanha] Cartagena | 8 de Março sindicalista e libertário: “Juntas seguimos em frente”.

Não buscamos alcançar o Poder, não buscamos ser representadas nos Parlamentos, nem nos órgãos de Segurança do Estado, nem na presidência de uma empresa exploradora. Não buscamos dar uma nova camada de tinta à velha e enferrujada estrutura hierárquica sobre a qual nossa sociedade foi historicamente construída.

8M: Dia da Mulher Trabalhadora.

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Bananeiras
na beira da cerca.
Cachos de sol.

Tânia Diniz

[Espanha] Lançamento: “Quemar a Troncoso. Inteligencia libertaria durante la Guerra Civil Española”, de Dani Capmany Sans

Como em uma guerra invisível, os serviços secretos das forças opostas durante a Guerra Civil Espanhola travaram um combate feroz e nada sangrento nas sombras pelo controle de uma arma fundamental em qualquer conflito armado: a informação.

É exatamente nesse cenário – confuso, perigoso e sempre escorregadio – que reencontramos a figura enigmática de Manuel Escorza del Val, um militante anarquista vilipendiado por quase todos, que esteve à frente da inteligência libertária até o final do conflito.

Com este livro, que é o ponto culminante de mais de cinco anos de pesquisa em arquivos, Dani Capmany Sans nos mergulha na fascinante história, praticamente inexplorada até o momento, das redes de espionagem a serviço das organizações libertárias em ambos os lados da fronteira francesa.

Quemar a Troncoso. Inteligencia libertaria durante la Guerra Civil Española

Dani Capmany Sans

Editora: Piedra Papel Libros

ISBN: 978-84-126423-4-6

Páginas: 762

Preço: 30,00 €

piedrapapellibros.com

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Na cidade, a lua:
a jóia branca que bóia
na lama da rua.

Guilherme de Almeida

[México] Encontro Anarquista Maio Negro

Amigos!!!

Para começar bem o ano, queremos compartilhar com vocês que nos dias 18 e 19 de Maio Negro, teremos um encontro anarquista.

Teremos a participação de projetos de diferentes lugares, com exposição e venda de livros, palestras, debates, comida vegana, entre outras coisas trabalhadas desde a autogestão e do coração.

Em breve compartilharemos com vocês a programação completa para que possam reservar a data.

O local será a oficina de La Colectiva Zac, Callejón del Capulín #101 Colonia Centro, Zacatecas.

E lembre-se de que “a vitalidade da anarquia reside precisamente no fato de deixar de ser um produto digerível e ser o oposto, ou seja, uma punhalada afiada e cuidadosa no sistema”.

PS: Se você for de um lugar fora de Zacatecas e quiser participar, mas achar que precisa de acomodação, envie-nos uma mensagem.

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Voar sempre, cansa –
por isso ela corre
em passo de dança

Eugénia Tabosa