[Argentina] Milei não é um libertário, ele é um fascista.

O Estado usa várias formas para defender os privilégios das elites que, ansiosas por aumentar seus lucros no curto prazo, entendem que a forma democrática é um aparato burocrático lento demais para seus propósitos. É por isso que as elites escolheram o ultradireitista Javier Milei como autocrata, ou seja, o poder do Estado concentrado em uma única pessoa. Seu DNU (Decreto de Necessidade e Urgência) de 20 de dezembro passado, que modifica e/ou revoga mais de 300 leis, é típico de um ditador, pois o referido decreto dita disposições de natureza legislativa, rompendo a divisão dos poderes democráticos.

Uma DNU que, entre outras coisas, retira da população seus direitos trabalhistas e abre indiscriminadamente as importações levará ao fechamento de muitas pequenas e médias empresas e, portanto, a mais desemprego. Em questão de meses, a pobreza crescerá exponencialmente.

É por causa dessas e de outras injustiças, que tanto os sistemas democráticos quanto os totalitários produzem, que nós, anarquistas, somos contra o Estado.

Fonte: Buskando La Kalle

agência de notícias anarquistas-ana

Refresca um pouco
Pôr os pés na parede
durante a sesta.

Bashô

[México] Solidariedade com Miguel Peralta e o povo de Eloxochitlán de Flores Magón

Nove anos após o conflito sociopolítico em Eloxochitlán de Flores Magón, Oaxaca, como indivíduos que acompanharam a então Assembleia Comunitária de Eloxochitlán por 13 anos e de muitas maneiras, e que continuam hoje como o Grupo de Solidariedade com Miguel Peralta, declaramos:

O conflito social que vem ocorrendo em Eloxochitlan de Flores Magón, Oaxaca, desde 2010, entrou em um estágio crítico de repressão política e jurídica após 14 de dezembro de 2014. A partir dessa data, a família do déspota Zepada Lagunas continuou com uma campanha de mentiras, calúnias e difamação contra indivíduos e famílias que se opuseram à pilhagem dos recursos naturais de seu povo e ao desaparecimento de suas formas de organização comunitária. Para muitos deles, sua luta e consequências os levaram a ser perseguidos e presos injustamente devido ao espírito vingativo e poderoso com que Manuel Zepeda Cortes e Elisa Zepeda Lagunas agiram nos últimos nove anos.

Uma dessas famílias é a de Miguel Peralta Betanzos, que desde 2012 vivenciou a prisão de Pedro Peralta (pai) por três anos, como resultado de outro crime fabricado pelos Zepeda Lagunas e torturado no momento de sua prisão. Até o momento, seu julgamento ainda está em aberto e a queixa que ele apresentou pela tortura cometida pelo então presidente municipal e pela polícia municipal não teve prosseguimento.

No caso criminal 02/2015, entre o grupo de 34 acusados estavam Martha Betanzos (mãe) e um de seus irmãos, bem como tios, primos e pessoas muito próximas a eles. A maioria deles foi liberada pouco a pouco por meio de vários recursos jurídicos.

No entanto, no caso de Miguel, esse não foi o caso, pois ele foi detido arbitrariamente dias antes de um amparo lhe conceder a liberdade definitiva, como aconteceu com seus parentes. Desde 2015, ele teve que enfrentar o mesmo processo que seus outros companheiros: sob tortura, atormentado por falsidades e irregularidades jurídicas; com atrasos e atualizações judiciais sempre a favor de Elisa Zepeda, só para mencionar alguns.

Ele já foi condenado duas vezes a 50 anos de prisão. Sua situação jurídica ainda não foi resolvida, ele é atualmente perseguido político, pois, assim como seus companheiros, ainda está sujeito a um processo fraudulento controlado por Elisa Zepeda.

Miguel está aguardando que a Suprema Corte de Justiça da Nação admita um amparo em revisão, o que poderia devolver sua liberdade e que abriria um precedente muito importante para seus companheiros.

Portanto, não devemos nos esquecer de que o que aconteceu em Eloxochitlán de Flores Magón em 2014, como denunciamos desde 2010 caminhando ao lado da assembleia, teve uma origem política, que foi transferida para a esfera jurídica, e que a liberdade absoluta e incondicional de todos os presos e perseguidos continuará sendo arrancada deles, tendo claro quem são os adversários e adversárias.

Ainda estamos navegando no mesmo mar com navios diferentes e depende de todos nós chegarmos a um bom porto!

Hoje exigimos mais uma vez: liberdade imediata para todos os presos e perseguidos políticos de Eloxochitlan de Flores Magón!

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/09/07/mexico-colocacao-de-uma-faixa-em-oaxaca-pela-semana-de-solidariedade-com-os-presos-anarquistas/

agência de notícias anarquistas-ana

Quase desperdício.
Moscas sobre caquis podres
Só o sapo come.

Anibal Beça

Anarquistas em Revolta. Argentina: Dezembro de 2001.

Este ano marca o 22º aniversário daquele dezembro de 2001, da fúria nas ruas, da revolta, da solidariedade na superfície e também da repressão mais óbvia, crua e obscena do Estado argentino. Trata-se de uma compilação de textos anarquistas escritos entre maio de 2002 e dezembro de 2012, alguns com perspectivas mais ligadas à informalidade anarquista, como em “20/12/01” e “19 y 20 de diciembre“, publicados em Abrazando en Caos e em Exquisita rebeldía, outros com uma tendência especificista, como o Editorial do jornal Hijos del Pueblo de la Red Libertaria, publicado em 2006, e vários de uma linha bastante “clássica” do histórico jornal Libertad, com notas escritas no calor da revolta ainda latente e das tentativas de recuperação e aparelhamento partidário da esquerda institucional e do peronismo.

Decidimos reunir diferentes vozes para tornar a leitura mais complexa, para nos dar diferentes perspectivas e ampliar a visão de 2001, algumas mais próximas da idealização do “povo”, outras mais focadas na disputa contra “a esquerda”, mas todas com uma reivindicação antiautoritária e uma necessidade de estender o surto para além da lógica política e de suas instituições. Em alguns casos, os companheiros falarão de um surto, outros de revolta e até mesmo de um golpe de Estado orquestrado, embora os termos ainda não sejam definitivos hoje em dia, temos certeza de que dezembro foi isso e muito mais, foi uma manipulação da mídia e um jogo político, mas também foi a ruptura com a ordem social com um espírito insurrecional, foi a negação da polícia, mas também do cordão populista, foi a solidariedade rebelde e também a rebeldia que se chocou contra seus próprios limites.

Hoje, 22 anos depois, continuamos a apostar e a reivindicar o conflito e a negação da autoridade, com a convicção intacta e a necessidade vital de uma vida além dos limites do Estado e do Capital. Esperamos que as palavras e reflexões a seguir possam ser um ensinamento e uma motivação para nossas lutas.

Todas as fotos publicadas foram extraídas do arquivo do Kasa Loka, tiradas no final dos anos 90 e início dos anos 00.

https://kasaloka.com/

Expandindo a Revolta. Buenos Aires. Dezembro de 2023.

>> Baixe: Lxs anarquistas: diciembre 2001:

https://expandiendolarevuelta.noblogs.org/files/2023/12/Lxs-anarquistas-diciembre-2001.pdf

Tradução > Liberto

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insetos de verão
caem mortos
sobre o meu livro

Shiki

[México] Palavras de Tiara Tempestad | Até que todos sejamos livres

Graças ao apoio recebido, o valor para cobrir a multa de Tiara Tempestad foi arrecadado, o que contribuirá para seu processo em busca da liberdade.

Aqui estão algumas palavras de Tiara

Este 12 de dezembro marcou a metade da pena que me foi imposta há 3 anos e 4 meses. A partir dessa data, iniciou-se um período difícil para mim e meus amigos próximos, especialmente no início, quando não sabíamos o que aconteceria.

Durante esse tempo, várias pessoas e grupos estiveram presentes de muitas maneiras: com assessoria jurídica, acompanhamento com minha mãe, caronas, visitas, telefonemas, comida, chamadas telefônicas, eventos etc.

Sem dúvida, essas demonstrações de apoio tornaram a situação mais suportável.

Quero dizer que tenho em mente cada gesto, ação ou decisão que representa um “aqui estou”, não só para mim, mas também para outros prisioneiros que estão resistindo. Dizem que amigos são vistos na prisão e no hospital, e em parte sim, às vezes as cumplicidades são claras e são feitas em situações extremas.

Em circunstâncias de confinamento, estabelecer relacionamentos ou amizades que não respondam à vitimização ou mitificação da prisão e da pessoa que a acompanha é complexo, mas crucial. Não há manuais, mas o aprendizado é alimentado pelas contradições de acertos e erros.

Penso nos momentos de incomunicação ou desinformação; nas brigas por telefone ou nos abraços calorosos à distância; nas traições e distanciamentos; nos questionamentos e mudanças; nas horas de conversa e, é claro, nos novos encontros.

Entendo que a solidariedade antiautoritária encontra seu significado na correspondência mútua, na reciprocidade e na simplicidade que ainda trocamos. Ela se baseia em convicções e ética, e não em caridades salvadoras, em afinidades e ações, e não apenas em palavras bonitas.

Confirmo que essa punição não trará nenhum arrependimento de minha parte, apenas desprezo e rejeição a qualquer juiz e policial, e à sociedade carcerária em geral.

Agradeço àqueles que conheci ao longo do caminho e que ainda estão presentes.

Recentemente, pedi seu apoio para o pagamento da multa, que já foi coberta! Nesta quarta-feira, Alma fez o pagamento e em breve concluirá a papelada. Não tenho uma data de soltura, o pagamento dessa multa é um requisito para solicitar a liberdade condicional, ainda depende da decisão do juiz, mas é um passo a mais. E foi conseguido por meio daquele manada que ultrapassa fronteiras e muros.

Mando um grande abraço para aqueles que resistem na prisão. A Karla e Magda, que não deram um passo atrás, a Brandy e aos companheiros chilenos: Mónica Caballero, Francisco Solar, companheiros do caso Susaron e do ataque à gendarmaria.

Àqueles que acompanham os processos dos companheiros e o projeto de Malentonado.

Até que todos sejamos livres

Tiara Temestad, dezembro de 2023

agência de notícias anarquistas-ana

a lua na rua:
um gato lentamente
torna-se minguante.

André Ricardo Aguiar

[Espanha] Ateneu Anarquista de Alcorcón

O que é o Ateneu Anarquista de Alcorcón?

É um local situado no centro de Alcorcón desde 2016. Entendemos este espaço como um lugar onde encontrar-nos coletivamente, algo que atualmente é cada vez menos habitual, mas mais necessário. Um espaço de liberdade e aprendizagem em comum, onde poder encontrar-nos com nossos/as iguais e repensarmos como está formada a sociedade atual e aquilo no qual se sustenta.

O objetivo é apoiar as lutas sociais que enfrentam a injusta ordem estabelecida e seus valores, propondo alternativas que partam de nós mesmas, dos próprios afetados, com humildade, mas com firmeza e convicção e potencializar, todo o possível, ditas lutas dotando-as de uma perspectiva transformadora.

Nossa ideia é nos afastarmos da lógica do mercado, pelo que o local se mantém através de quotas voluntárias, e as pessoas que colaboram o fazem sem receber dinheiro algum. Igualmente todas as atividades que se realizam são gratuitas, para que qualquer um possa participar delas.

O que podes encontrar no Ateneu é:

– Um espaço para realizar atividades, palestras, apresentação de livros, oficinas, programas de rádio…

– Um lugar de reunião para coletivos que funcionem de maneira assembleária com uma visão crítica do mundo que nos rodeia.

– Uma distribuidora de material alternativo e libertário.

– Um ponto de encontro, difusão de convocatórias, contrainformação…

– Um espaço adaptado para crianças, pois cremos na necessidade de fomentar a inclusão nos espaços políticos, tanto das crianças, como das pessoas que estão ocupando-se de sua criança.

Por que (A)?

Porque cremos na capacidade para decidir sobre nossas próprias vidas e sobre os conflitos que nos afetam, junto a outras pessoas, através da empatia, da horizontalidade e do apoio mútuo. Porque cremos na necessidade de construir uma alternativa distanciada da mercadoria que devora, nos espreme e nos despersonaliza. Porque cremos que a liberdade se alcança mediante seu exercício cotidiano e só a prática da autogestão e da organização coletiva sem mediações de especialistas, representantes ou autoridades pode dotar-nos de uma organização social mais sadia, justa e equilibrada. Porque cremos, definitivamente, que a soberania na tomada de decisões não pode ser delegada.

Onde estamos?

Calle Bilbao semiesquina Calle Cisneros.

Horário: M y J, 18:00-21:00h.

Renfe: Alcorcón (C-5).

Metrô: Alcorcón Central (L-12).

bibliotecalarevoltosa.wordpress.com

Tradução > Sol de Abril

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todo mundo giz
que ali jazz um haicai
porque blue – ou bliss?

Bith

[Espanha] Lançamento: “Una vida sobria para la revolución. Hardcore Punk, Straight Edge y Políticas Radicales”, Gabriel Kuhn (Ed.).

O Straight Edge perdurou nas últimas décadas como uma cultura punk hardcore sem drogas. No entanto, seu legado político muitas vezes permanece ambiguamente associado a uma postura machista autorreferencial soberba e ao puritanismo conservador. Embora alguns elementos da cultura Straight Edge alimentem essa percepção, a história política do movimento é, de longe, muito mais complexa.

Desde as origens do Straight Edge em Washington D.C., no início dos anos 1980, indivíduos, bandas e cenas inteiras em todo o mundo o associaram ao pensamento e ao compromisso radicais. Una vida sobria para la revolución traça essa história.

Isso inclui contribuições – na forma de entrevistas aprofundadas, ensaios e manifestos – de um grande número de artistas e ativistas ligados ao Straight Edge, de Ian MacKaye (Minor Threat/Fugazi) a Dennis Lyxzén (Refused/The (International) Noise Conspiracy) ou outras bandas, a projetos feministas (Emancypunx), ativistas dissidentes sexuais e de gênero, a coletivos radicais como o CrimethInc ou outros dedicados tanto a uma vida sóbria quanto à luta por um mundo melhor.

Una vida sobria para la revolución. Hardcore Punk, Straight Edge y Políticas Radicales

Gabriel Kuhn (Ed.)

Rústica con solapas, 396 páginas, 19x14cm. 18€.

978-84-127768-3-6

editorialimperdible.com

@editorialimperdible

agência de notícias anarquistas-ana

Não tenho certeza,
mas acho que os grilos gostam
da minha janela.

Humberto del Maestro

[Itália] “Nem o Papai Noel nem a bruxa virão”

Há um ano, os companheiros escreveram isso nas paredes da cidade [foto]. Nada mudou, pelo contrário… novas guerras. Mais de 20.000 mortos em Gaza nas mãos do exército israelense, apoiado por todos os Estados, até mesmo o italiano, embora presidentes e governadores falem da boca para fora com o governo israelense. Na Ucrânia, os campos de gás e o trigo colocam em guerra os senhores e governantes da Europa, da Rússia e dos Estados Unidos da América, mas quem paga por essa guerra são sempre os últimos, os ucranianos com suas vidas, os trabalhadores e aposentados dos países europeus e os povos da África e dos países que fazem fronteira com o conflito em andamento.

Além disso, milhares de homens, mulheres e crianças morrem nos mares da Europa fugindo da guerra e da miséria de seus países de origem na tentativa de construir uma vida decente para si mesmos.

Aqui, muitas famílias enfrentam cortes em sua renda de subsistência, com a destruição da Renda Cidadã e a redução de salários. Os serviços públicos domésticos, eletricidade, gás e água, estão subindo de preço devido à guerra na Ucrânia e também devido à especulação por parte de quem fornece esses serviços. O custo dos exames e terapias de saúde aumenta e a qualidade do serviço oferecido diminui, com os presentes que os vários governos nos deram, com a privatização da saúde.

Nem o Papai Noel nem a bruxa virão. O Papai Noel e as bruxas só podem ser nós, organizando-nos para nos opormos ao Estado e ao governo, mas, acima de tudo, para criar mutualismo, cooperação e solidariedade, colocando governos e patrões, chefes e mafiosos fora do mercado.

O mutualismo, a solidariedade e a luta são nossas armas para que os patrões e os governos deixem de ter qualquer significado.

Grupo Anarquista “Francesco Mastrogiovanni” de Nápoles – FAI

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

o ruído
de um rato sobre o prato
como resulta frio!

Buson

[Espanha] Lançamento: Levantes pela terra: O renascimento das lutas pelo clima

As lutas contra o desastre em curso não terão nenhuma possibilidade de êxito se não se transformam em uma força material sustentada por muita gente na rua.

Este livro é uma compilação de textos sobre três lutas anticapitalistas pela justiça climática e social que impulsionaram movimentos massivos à base de ações diretas valentes e estratégias políticas inteligentes: O Levante da Terra na França, a luta contra a indústria do carvão em Lützerath (Alemanha) e Stop Cop City em Atlanta (Estados Unidos).

Alzadas por la tierra: El renacimiento de las luchas por el clima

Autor/a: VVAA

Idioma: Castellano

Coleção: Glosàlya

ISBN: 978-84-18283-67-3

Formato: 13x20cm

Páginas: 160

Preço: 12,90€

descontrol.cat

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manhã de domingo —
nada tira da quietude
a voz do sabiá

José Marins

[Espanha] Uma história sobre assaltantes e ativistas do Partido Comunista e da CNT detidos em um bar de Guadalajara

Rafael de Lucas do “Archivo Provincial de Guadalajara” nos descobre a história que se pode extrair dos documentos e arquivos que conserva a instituição

É muita a história e a informação que podemos extrair dos documentos e arquivos que se conservam no “Archivo Provincial de Guadalajara” e que nos permite conhecermos a nós mesmos e entender a sociedade na qual vivemos e como evoluiu ao longo dos anos.

Isto é o que queremos contar-lhes no espaço de história que realizamos no programa de “Hoy por Hoy Guadalajara” junto a Rafael de Lucas no que hoje nos centramos em descobrir uma história sobre assaltantes e ativistas do Partido Comunista e da CNT detidos em um bar de Guadalajara.

Podem escutar o episódio completo aqui:

https://cadenaser.com/castillalamancha/2023/12/13/una-historia-sobre-atracadores-y-activistas-del-partido-comunista-y-la-cnt-detenidos-en-un-bar-de-guadalajara-ser-guadalajara/

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ribeira seca
nem um sopro
as cigarras crepitam

Rogério Martins

Retrospectiva 2023 do GEAFM

Em 2023, o Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades (GEAFM), do Centro de Cultura Social de SP, voltou a realizar seus encontros de forma integralmente presencial. Organizamos 10 conversas sobre temas variados, desde terrorismo, passando por feminismo negro, anarquia relacional, veganismo e anticlericalismo, sempre trocando ideias horizontalmente sob uma ótica anarquista. As pautas têm assumido, cada vez mais, contornos do cotidiano e têm refletido os dilemas que enfrentamos na contemporaneidade.

Há 6 anos realizamos encontros mensais, abertos para todes que desejam conhecer e se deparar com outras pessoas, outros pensamentos, de ruptura com a normatividade, e que compartilham em comum o desejo de um mundo sem opressões de nenhum tipo e que exalte tanto o comum quanto as singularidades.

O exercício da leitura coletiva abre um espaço ao dissenso e a novas formas de pensar a ação direta. Nos últimos meses recebemos pessoas de outras regiões e que também se organizam em diferentes formatos. Com isso, sublinhamos nossa abertura a sugestões de textos, vídeos e temas vindouros. Afinal, anarquismo é movimento.

Estamos muito felizes com o balanço das atividades do grupo nesse ano! Os diálogos que tivemos foram muito sensíveis e trouxeram outras nuances às teorias, mostrando que a vida expande os textos. Agradecemos a todas as pessoas que estiveram com a gente! Desejamos continuar com o mesmo gás em 2024 para mais encontros!

Centro de Cultura Social (CCS)

Rua General Jardim, 253, sl. 22. Vila Buarque – SP. Próximo ao metrô República.

E-mail: ccssp@ccssp.com.br  – Site: www.ccssp.com.br

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Pelo zumbir dos mosquitos
deve ser alta madrugada.
Ó esta lua demorada!

Etsujin

[Chile] Solidariedade anarquista com Aldo e Lucas Hernández

Palavras para Aldo e Lucas Hernández um ano após sua detenção, que a solidariedade revolucionária transcenda as paredes frias que tentam encerrar seu desejo de liberdade.

Aqueles que decidem se rebelar contra a miséria implantada no nascimento só conhecem dois destinos: prisão e morte, nós sussurramos uma terceira opção, O ATAQUE. – Grupo de guerrilha urbana anarquista – A NEGRA VINGANÇA

Na madrugada do dia 22 de dezembro de 2022, em uma operação que ocorreu na região metropolitana e em Valparaíso, foram invadidas diferentes propriedades, deixando como resultado 4 pessoas detidas.  A ordem da promotoria do sul era encontrar e prender o companheiro anarquista Aldo Hernandez, acusado de ser o suposto autor do ataque à direção nacional da gendarmeria em dezembro de 2021.

Nessas incursões, o companheiro anarquista Lucas Hernández também foi preso. Ambos estão em prisão preventiva. Lucas está na prisão Santiago 1, enquanto Aldo foi transferido desde o dia de sua prisão para a prisão La Gonzalina, em Rancagua.

Depois de um ano desse movimento de poder, que mantém nossos companheiros presos, enquanto a investigação continua seu curso. Convocamos a ampliar e difundir gestos de solidariedade, para tornar visível sua situação e sua posição política diante dessa prisão. 

Hoje, mais do que nunca, é necessário tomar uma posição a partir de uma prática ativa de solidariedade, em gestos que retribuam em medida o amor e a dedicação que nossos companheiros atrás das grades deixaram em cada ação ofensiva. Que mostrem aos promotores, gendarmes e policiais que nossos companheiros não estão sozinhos, que se forem agredidos nós responderemos, que se precisarem de nós estaremos lá. Porque a prisão não interrompe os processos, muito menos o avanço das ideias e práticas anarquistas.

Não esperamos nem pedimos nada do poder, muito menos da justiça.

Somos seus inimigos declarados desde que adotamos as ideias e práticas anarquistas. A ação como um abraço inequívoco daqueles que têm sido vítimas do ataque da máquina estatal e dos poderosos.

Que os gestos de solidariedade e as ações cúmplices se multipliquem. Até que tudo caia.

Pela expansão da ação anarquista, fogo à prisão.

Um abraço cúmplice e solidário ao companheiro anarquista Francisco Solar, que enfrenta uma longa e exemplar condenação pelo Estado e seus apoiadores.

Aldo e Lucas para as ruas já.

Fonte: Buskando La Kalle

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o coqueiro coqueirando
as manobras do vermelho
no branqueado do azul

Guimarães Rosa

 

[Espanha] 28ª Marcha Anticarcerária

31/12/2023 Marcha para o CIE e Wad-Ras

-10h Novo presídio em construção na Zona Franca. Rua A/Calle, 1

-12h CIE

-22h30 Wad-Ras

13/01/2024: Marcha à Brians

-11h30 Estação Renfe Martorell

Não é novidade que os discursos e as medidas de modernização e democratização dos antigos centros penitenciários e dos novos a serem construídos, tenham se adaptado aos ciclos de mudança do modo de produção capitalista. Mas a realidade nas prisões continua tão dura como sempre. Somente em 2022, 39 prisioneiros foram encontrados mortos sob a responsabilidade das Instituições Penitenciárias. Além disso, o uso de medidas de punição, tortura e controle, como confinamento solitário, restrições mecânicas ou até mesmo o uso de sistemas de vigilância de inteligência artificial também aumentou.

No atual contexto de crise, a narrativa maliciosa do crescimento da insegurança e do crime nas ruas busca retratar, por um lado, as instituições e seus espaços de confinamento como os guardiões necessários da paz social. Por outro lado, eleva os bandidos do sistema (polícia, segurança privada, agentes penitenciários e outros órgãos repressivos) à posição de vítimas que devem gozar de maior legitimidade e impunidade para se defender. Em outras palavras, mais cassetetes, tasers, canhões de gás e horas pagas para participar de julgamentos como promotores particulares. Mas mesmo para esses indivíduos, armados com maços de chaves e com leis em vigor ou a serem elaboradas, não desejaríamos um minuto de prisão. Apenas que não mais acordem mais uma manhã ao amanhecer. Portanto, quando dizemos que a prisão é uma tortura, não dizemos isso por uma questão de circunstância. A prisão é tortura porque, independentemente de sua aparência, ela nada mais é do que o efeito de políticas que perseguem e criminalizam uma grande parte da população por meio de estruturas de opressão. A prisão é tortura porque, seja qual for a sua forma (CIE, centro de detenção juvenil, centro psiquiátrico ou outra prisão), não há reforma possível que possa encobrir seu objetivo essencial: aniquilar a vida de um ser privando-o de sua liberdade.

Mas, embora a prisão muitas vezes possa lhe custar a vida, ela nem sempre precisa ser o fim. É por isso que também estamos em frente aos muros por mais um ano, para celebrar as fugas, motins e revoltas que ocorreram e continuarão ocorrendo. Para homenagear aqueles que não estão mais aqui, mas também para dar voz às lutas contra o isolamento, a tortura e os abusos que, na tentativa de silenciar, só geraram solidariedade e cumplicidade, exacerbando o conflito e as contradições do confinamento. Seja uma realidade mais próxima ou mais distante, para um membro da família que está preso, para um companheiro que está esperando uma ordem de admissão ou para um camarada que está lutando na prisão, a questão antiprisional é uma responsabilidade coletiva da qual não podemos nos esquivar. Porque a luta para escapar do confinamento e derrubar os muros está sendo travada em todos os cantos do planeta e em todos os momentos de nosso tempo.

É por isso que, até que haja apenas um prisioneiro, não haverá liberdade e nunca nos cansaremos de gritar:

ABAIXO OS MUROS DAS PRISÕES E A SOCIEDADE QUE PRECISA DELAS

NEM CIES, NEM GRADES, NEM PRESOS E PRESAS

NEM NOVAS NEM VELHAS PRISÕES

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O ano chega ao fim —
Capa de chuva nas costas
E sandálias nos pés.

Bashô

[Chile] Santiago: 10ª Convenção de Tatuagem e Arte Corporal “Solidaridad a Flor de Piel”

Persistindo na solidariedade como princípio anárquico, em 25 de novembro aconteceu a 10ª versão do Solidaridad a Flor de Piel (Solidariedade a Flor da Pele), buscando contribuir economicamente com nossos companheiros e companheiras em prisão, além de gerar um espaço de divulgação antiprisional.

Enche-nos de alegria manter viva essa iniciativa, fazê-la à mão, alimentando-nos de diferentes vontades em conflito contra todas as formas de dominação.

Solidariedade é cumplicidade, uma ideia semelhante nos une, uma maneira de ver, entender e se desenvolver no mundo, lutando contra a lógica do poder, das hierarquias, das jaulas e de qualquer autoridade. Não somos movidos pela caridade ou compaixão por aqueles que estão do outro lado do muro da prisão, não somos movidos pela piedade ou pelo clientelismo; somos movidos pela solidariedade e gostamos de enfatizar esse ponto.

Para nós, a solidariedade é uma relação entre seres equivalentes, que devido a situações legais/policiais estão hoje em cenários diferentes, alguns em uma jaula, outros com os pés na rua… mas isso pode mudar, tanto porque uma sentença termina, quanto porque nossa permanência na rua é frágil e precária, não devemos nos esquecer disso.

Somos gratos por cada gesto que possibilitou que a jornada acontecesse e cumprisse seu objetivo, este ano nos propusemos a contribuir com 9 companheiros em prisão, além de contribuir com sacos de comida para um grupo de animais que viu seu companheiro humano ser levado para a prisão. A solidariedade cruzada com diferentes espécies encheu nossos corações.

Cada nova instância do Solidaridad a Flor de Piel é também um momento de memória, para trazer ao presente os companheiros Mauricio Morales e Sebastián Oversluij, que voam além das estrelas e que participaram e levantaram as primeiras versões desses dias (2008/2009). Nós os carregamos tatuados em nossa memória e em nossos corações.

Em tempos de sentenças pesadas e condenações que querem ser perpétuas, a solidariedade nos dá asas para continuar… nós continuamos, contra todas as probabilidades…

Quando a solidariedade aflora na pele, as palavras se transformam em ação.

Solidaridad a Flor de Piel

Dezembro de 2023

Fonte: https://es-contrainfo.espiv.net/…/santiago-chile…/

agência de notícias anarquistas-ana

jardim sem flor
entre as páginas do livro
a rosa e sua cor

Alice Ruiz

[França] Lei de imigração, um projeto de merda em um país de merda

Guardada desde faz meses nas gavetas do governo, a lei de imigração impulsionada por Darmanin [Ministro do Interior] sai do Senado carregada de emendas tiradas diretamente do programa de extrema direita, votadas com o apoio dos funcionários eleitos do partido presidencial. Ante estes ataques racistas contra exilados e imigrantes sem documentos estão se organizando mobilizações.

O projeto de lei para “controlar a imigração, melhorar a integração” ou lei Darmanin, logo será examinada pela Assembleia após a emenda do Senado em 14 de novembro. Este projeto de lei, “o mais duro e firme dos últimos trinta anos”, segundo palavras de seu autor, foi descrito inicialmente, inclusive em alguns meios de comunicação de esquerda, como um equilíbrio entre a regularização dos trabalhadores sem documentos e a firmeza para os infratores. Para simplificar, há que “ser mau com os maus e amável com os bons”, diz o ministro do Interior.

A nova lei prevê impor automaticamente uma OQTF[1] aos solicitantes de asilo cuja solicitação seja rechaçada em primeira instância. Em caso de rechaço, até agora podiam recorrer ante a CNDA, um tribunal composto por dois juízes e um perito. Esta colegialidade permitiu, em teoria, ganhar tempo para uma entrevista séria com eles.

A reforma pretende reduzir o jurado a um só juiz e generalizar a vídeo conferência das audiências. Ante mais de dez casos por dia, podemos temer que este juiz único simplesmente ratifique o rechaço da solicitação de asilo pronunciado pela OFPRA[2]. Ademais desta lei, o governo pretende dotar-se de meios para expulsar as pessoas objeto de um OQTF. Aumenta a capacidade dos centros de detenção administrativa existentes (Mesnil-Amelot) e constrói outros novos (Mérignac) para alcançar 3.000 praças adicionais daqui a 2027.

Falsas promessas dadas aos reformistas

A garantia oferecida à esquerda foi a eliminação do período de espera de seis meses durante o qual os solicitantes de asilo não podiam trabalhar (quer dizer, a duração teórica do exame de sua solicitação). O problema é que neste caso, depois de haver sido postos a trabalhar durante seis meses, um grande número deles seriam deportados se se rechaçava sua solicitação de asilo. A outra promessa foi a criação de uma permissão de residência específica para os trabalhadores de ofícios “estressados”, renovável a cada ano com a condição de que seu setor ainda enfrente escassez de mão de obra. Portanto, não se trata de modo algum de uma abertura, mas de um substituto do visto de trabalho que garantiria uma permissão de residência durante três anos.

Ao finalizar os confinamentos, se retomaram um grande número de obras paralisadas que requeriam uma importante mão de obra. No entanto, milhares de trabalhadores sem documentos, cansados da exploração a que estão sujeitos, recorreram ao auto empreendimento e, em particular, à revenda. Resulta que, sob a pressão do governo, 2.500 revendedores e revendedoras sem documentos foram despedidos por Delivere em setembro de 2022. Um grande número ficou sem recursos e recorreu a profissões chamadas “de escassez”, com a promessa de uma regularização (provisória). Com a aprovação desta medida, se a demanda de trabalhadores nas obras de construção, nas cozinhas e nos serviços de manutenção diminuísse, o Estado teria todas as possibilidades de expulsar a quem mantinha a economia do país.

Um projeto inspirado no programa RN [Le Pen]

No entanto, inclusive estas medidas que serviam menos aos interesses dos trabalhadores sem documentos que aos de seus patrões foram eliminadas depois de serem aprovadas pelo Senado. O centro e a direita senatoriais de então, mediante uma bateria de emendas, reorientaram esta já desastrosa reforma para modelá-la segundo o mortífero programa da RN sobre imigração. Estas medidas incluem: o estabelecimento de quotas migratórias, o endurecimento da reagrupação familiar e o acesso a permissões de residência por motivos familiares, a criação de novos casos de denegação de expedição de uma permissão de residência, o condicionamento da obtenção de uma primeira permissão de residência de estudantes a um depósito, a transformação da ajuda médica estatal (AME) em ajuda médica de emergência unicamente, o condicionamento das prestações sociais a cinco anos de residência certificada no território ou inclusive a reinstauração do “delito de residência ilegal”.

O Senado desenhou uma reforma racista, mas em continuidade com a política governamental. A AME e a CMU foram abolidas em Mayotte em 2005 com um foco colonial, e os territórios de ultramar serviram geralmente como lugar para a experimentação social antes de estender este tipo de medida ao resto do país. As emendas do Senado permitiriam generalizar esta supressão da AME, apesar do recente alerta de um coletivo de 3.000 cuidadores sobre os riscos para a saúde que gera esta medida. Há muitos motivos para preocupar-se de que outras práticas experimentadas no estrangeiro se estendam por todo o país.

Os estudantes estrangeiros são os mais afetados pelas medidas discriminatórias desde a muito tempo. Aumento de dez vezes as taxas de matrícula para estudantes não europeus em 2019, suspensão de vistos em setembro deste ano para estudantes malienses, nigerianos e burkineses. Se faz todo o possível para dissuadir os nacionais de antigas colônias de estudar na França, baseando-se no preconceito racista de que não são verdadeiros estudantes.

Uma mobilização a longo prazo

Inclusive antes desta aberrante acumulação de emendas destinadas a fazer a vida cada vez mais impossível aos sem documentos no território, os coletivos e seções sindicais de trabalhadores sem documentos apoiados por organizações de apoio não se equivocaram e se mobilizaram contra o projeto de lei de Asilo e imigração. A Marcha de Solidariedade lidera desde a um ano uma campanha de concentrações e manifestações destinadas a protestar contra este projeto. Uma onda de greves coordenadas afetou 33 marcas em 17 de outubro, incluída a ocupação das obras da Arena por centenas de grevistas e seus seguidores, a obra de construção mais importante dos Jogos Olímpicos na qual trabalham muitos trabalhadores sem documentos. Estas lutas obtiveram um procedimento de regularização para os grevistas do local e demostraram que a implacabilidade legislativa e policial está longe de ter vencido a determinação e a solidariedade dos ativistas. Esta mobilização não cessou e tem como objetivo reabrir os mostradores físicos para a apresentação de solicitações de permissão de residência na prefeitura.

Podemos temer que a atenção centrada na questão da AME sirva de alavanca para que Darmanin negocie a aprovação de seu projeto. As manifestações declaradas em 18 de dezembro e as demais mobilizações organizadas até então em toda a França a instâncias de mais de 200 organizações[3] devem ser mobilizadas massivamente por nosso campo político se queremos obter um rechaço total deste projeto. Papeis para todos! Agora!

Comissão Antirracismo da UCL

Notas

[1] Obrigação de abandonar o território francês

[2] Escritório Francês para a Proteção dos Refugiados e Apátridas.

[3] Veja-se a ordem do dia no site web Antiracisme-solidarite.org.

Fonte: https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Un-projet-de-merde-dans-un-pays-de-merde

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Dentro da lagoa
uma diz “chove”, outra diz “não”:
conversa de rã.

Eunice Arruda

[Espanha] A Cruz Vermelha demite uma trabalhadora em retaliação por ela ter se manifestado contra riscos e assédios

A Cruz Vermelha retalia com a demissão uma trabalhadora por denunciar situações de risco e humilhação para usuárias e trabalhadoras.

“Dada a gravidade dos fatos relatados e a recusa da empresa em chegar a uma solução acordada, a CNT Valladolid iniciará uma disputa trabalhista com a Cruz Vermelha. Ela será formalmente comunicada à empresa no dia 22 de dezembro, às 13h30, na sede da Calle Pólvora nº 6, em Valladolid”.

Os eventos começaram em fevereiro de 2023, em Valladolid, quando a pessoa em questão percebeu uma atitude e um tratamento degradante em relação às usuárias e trabalhadoras por parte de outro funcionário do centro. Após repetidas solicitações ao funcionário para que mudasse sua atitude e várias comunicações orais ao seu superior, a trabalhadora demitida decidiu registrar os fatos comunicando-os ao seu superior. O funcionário foi transferido para outro posto de trabalho, mas a partir de então foi lançada uma campanha de assédio contra a trabalhadora, que finalmente resultou em demissão disciplinar em julho de 2023.

A empresa Cruz Vermelha apresentou três motivos para a demissão:

-> Falta de desempenho: fato totalmente falso, pois a trabalhadora, em decorrência da reclamação, e durante quatro meses, passou a realizar as tarefas de duas pessoas (já que o cargo do empregado demitido não foi preenchido e ele foi transferido para outro posto de trabalho).

-> Fraude, deslealdade e quebra de confiança por reivindicar as horas extras que a companheira é obrigada a fazer ao tentar realizar o trabalho de duas pessoas. Essa é uma evidência de que a demissão também se refere a reclamações trabalhistas básicas.

-> Desobediência às ordens de um superior. Diante da carga excessiva de trabalho à qual a trabalhadora está submetida, ela coloca por escrito que é impossível realizar as tarefas de duas pessoas e que é necessário cobrir o outro trabalho ou indicar as tarefas mais importantes para priorizá-las. Um fato que a empresa não aponta, acreditando que isso poderia justificar a demissão.

Portanto, temos dois fatos muito graves em qualquer empresa, mas ainda mais em uma empresa que é financiada principalmente com dinheiro público e fornece assistência social:

-> Por um lado, um encobrimento de comportamento arriscado e degradante por parte de um funcionário da Cruz Vermelha.

-> Por outro lado, assédio no trabalho e acusações falsas que, em um determinado momento durante o período de assédio, levaram a trabalhadora a se afastar do trabalho devido às crises de ansiedade.

Do sindicato CNT Valladolid, exigimos a reintegração imediata da trabalhadora demitida. Assim como a investigação do comportamento dos responsáveis pela Cruz Vermelha, que não apenas protegem o tratamento humilhante e arriscado para as usuárias e trabalhadoras, mas também assediam a pessoa que os leva ao conhecimento da empresa até inventarem sua demissão. A título de informação, durante a denúncia desses fatos e da campanha de assédio, a presidente da Cruz Vermelha em Valladolid era Rosa Urbón, atual presidente da Cruz Vermelha em Castilla y León e esposa do prefeito de Valladolid, que também foi diretora do antigo Instituto da Mulher e da Igualdade de Oportunidades. A intenção deste sindicato não é desacreditar um indivíduo, mas abordar esses comportamentos abusivos e perigosos da empresa e evitar que se repitam.

Dada a recusa da empresa em chegar a uma solução acordada na reunião de mediação realizada em 21 de dezembro, o sindicato CNT Valladolid tomará as medidas legais e sindicais apropriadas para corrigir essa situação. Essas ações terão início no dia 22 de dezembro, com a comunicação oficial do conflito trabalhista à empresa, na sede da Calle Pólvora nº 6, em Valladolid, às 13h30.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/cruz-roja-despide-a-una-trabajadora-como-represalia-por-denunciar-situaciones-de-riesgo-y-vejaciones/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

pequenos dedos
das gotas de chuva
massageiam a terra

Carlos Seabra

[Espanha] A CNT realiza uma manifestação em Iruñea em solidariedade aos acusados pela Gestión y Eventos Lázaro.

Com o lema “Contra a repressão dos patrões, nem um passo atrás!”, a central sindical anarcossindicalista se reuniu neste sábado, 16 de dezembro, na prefeitura de Iruña.

O sindicato denuncia que quatro pessoas foram acusadas por uma queixa apresentada pela empresa Gestión y Eventos Lázaro, por demonstrar solidariedade a um trabalhador demitido nas piscinas de Villafranca. O julgamento será realizado na segunda-feira, 18, em Tudela.

A CNT denuncia que “essas acusações são um ataque ao direito da classe trabalhadora de se organizar para defender seus direitos, bem como um ataque ao sindicalismo e que não cederá aos ataques de nenhum empregador”.

>> Vídeo: https://youtu.be/aYJWjHcM41U

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/cnt-realiza-una-concentracion-en-irunea-en-solidaridad-con-los-imputados-por-gestion-y-eventos-lazaro/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

O silêncio é um campo
plantado de verdades
que aos poucos se fazem palavras.

Thiago de Mello