[Colômbia] Apelo gráfico e solidário!

Os companheiros anarquistas e subversivos Mónica Caballero, Francisco Solar e Marcelo Villarroel, presos nas masmorras chilenas por causa de sua luta implacável contra o poder, estão passando por um momento importante em seus respectivos julgamentos.

Por um lado, Marcelo cumpriu um total de quase 27 anos de prisão em diferentes períodos por sua participação no movimento guerrilheiro Mapu Lautaro (1982-1994), que realizou ações combativas contra a ditadura de Pinochet, e outras iniciativas de sabotagem das quais ele fez parte. Desde 2019, ele tem direito à liberdade condicional, mas com a modificação de um decreto-lei em janeiro deste ano, as sentenças recebidas pelo extinto sistema de justiça militar da ditadura são aplicadas retroativamente a ele.

Na mesma linha, em 18 de julho, teve início o julgamento contra Mónica e Francisco, acusados de colocar três artefatos explosivos na cidade de Santiago, ações reivindicadas por Francisco como um ataque direto ao Estado chileno por sua estratégia repressiva e em vingança aos afetados pela brutalidade policial.

Em ambos os casos é necessário demonstrar solidariedade irrestrita aos companheiros, que mesmo dentro da prisão continuaram participando ativamente do movimento anarquista e anti-prisional através da organização entre os presos, greves de fome, comunicados, escritos e muito mais, demonstrando que a prisão é apenas mais uma trincheira de luta. Em apoio a eles, da região colombiana, ao norte da Cordilheira dos Andes, convocamos a todos em todos os territórios a enviar suas contribuições gráficas em solidariedade e visibilidade dos companheiros para o e-mail afinidadesanarquistas@protonmail.com, que será RECEBIDO ATÉ 18 DE AGOSTO. As imagens serão utilizadas de diferentes maneiras e estarão presentes em diferentes iniciativas locais de apoio aos companheiros presos.

Esse gesto visa fortalecer as redes internacionais e o apoio mútuo contra as prisões e as fronteiras, aproximar os indivíduos e os coletivos anarquistas da região e multiplicar as iniciativas de apoio concreto aos companheiros. Esperamos, como tantos outros, que isso se some às campanhas de pressão pela liberdade de Marcelo, Mónica e Francisco.

AO LADO DOS QUE LUTAM CONTRA O PODER E OS PODEROSOS, FUEGO A LA KANA!

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Às dez da manhã
O cheiro de eucalipto
Atravessa a estrada

Paulo Franchetti

[Polônia] Em Varsóvia, anarquistas participarão de uma passeata dedicada ao terceiro aniversário dos protestos na Bielorrússia

Três anos atrás, em 9 de agosto de 2020, protestos em grande escala começaram na Bielorrússia. Este estava longe de ser o primeiro episódio da resistência do povo bielorrusso à ditadura. Mas pela primeira vez o protesto foi marcado por um alto nível de auto-organização, e grande participação popular. As pessoas foram às ruas em diferentes bairros de Minsk, em centros de outras cidades e até em aldeias remotas, e tudo por iniciativa própria, sem ordens de políticos.

A onda de protestos acalmou-se com a violência repressiva estatal, mas os ecos desses eventos não são apenas milhares de presos políticos em prisões e belas fotos de rua.

“Herdamos a experiência de iniciativa e auto-organização, autoconfiança, senso de unidade”, escreve um grupo de anarquistas bielorrussos em Varsóvia. “E essas conquistas não devem ser esquecidas. Portanto, saímos no aniversário de esses eventos, mesmo quando somos forçados a emigrar”.

Junte-se ao bloco dos anarquistas na marcha de 9 de agosto em Varsóvia!

Concentração às 18h00 perto de Parafi Katedralnej pw. Św. Michala Archanioła e Św. Floriana Męczennik perto de Parku Praskiego.

agência de notícias anarquistas-ana

silêncio de folhas
bananeira secando
à beira da estrada

Alice Ruiz

[França] Comunicado Saint-Imier 2023

Cercle d’études libertaires – Gaston-Leval – cel-gl@orange.fr

1º de agosto de 2023

Comunicado

Como parte do Encontro Internacional “anti-autoritário” de Saint-Imier, que ocorreu de 19 a 23 de julho de 2023, houve uma feira de livros na qual o grupo Kropotkin da Federação Anarquista (FA) francófona tinha uma mesa. Essa mesa foi objeto de várias agressões por pessoas que exigiram a retirada de dois livros da mesa da imprensa:

  • “L’impasse islamique”, de Hamid Zanaz (Éditions libertaires, 2009), um autor argelino, ex-professor de filosofia da Universidade de Argel, colaborador da revista “Al Awan”, dos racionalistas árabes, e de outras revistas e jornais árabes e franceses. Os agressores acusaram o livro de ser “islamofóbico”.
  • “Un voile sur la cause des femmes”, de René Berthier, um pequeno livro composto de vários artigos publicados anteriormente na imprensa libertária. O autor foi criticado por ser “um homem branco cisgênero heterossexual” que “não pode escrever um livro sobre o véu que diz respeito a mulheres racializadas”. Na verdade, o livro não é sobre o véu, mas sobre a constituição iraniana e o “feminismo” islâmico.

Não cabe a nós fazer um relato detalhado dos eventos extremamente violentos que ocorreram durante três dias, marcados por vários ataques à mesa de imprensa: a derrubada da mesa por agressores encapuzados, o roubo de livros, o lançamento de café sobre os livros expostos, insultos constantes, ameaças e assédio, o ferimento facial de um ativista da Federação Anarquista e, finalmente, a queimação dos livros de Hamid Zanaz. E, finalmente, no último dia, foi organizada uma manifestação contra a FA, com uma faixa onde se lia “racismo mata”!

É preciso dizer que o “Team Care” (um eufemismo para “serviço de segurança”) responsável por garantir a segurança dos expositores foi flagrantemente incompetente e ficou abertamente do lado dos agressores, primeiro exigindo que os livros fossem retirados da mesa de imprensa, depois exigindo que o grupo da Federação Anarquista deixasse a feira do livro.

O grupo Kropotkin também foi acusado de ser responsável pela situação porque não quis retirar os livros em questão. Em outras palavras, as vítimas eram as culpadas.

Deve-se ressaltar que tanto os agressores quanto os membros da “Team Care” admitiram que não haviam lido nenhum dos livros em questão… Diante dessa atitude, foi organizada uma assembleia geral de expositores por iniciativa do grupo Kropotkin. A reunião decidiu que, como os membros da “Team Care” eram incapazes de administrar a crise, os expositores, como anarquistas, autogerenciariam a situação por conta própria, retirando assim os oficiais da feira do livro de sua responsabilidade.

Houve outro ataque à mesa de imprensa, que foi neutralizado graças ao apoio dos outros expositores e, em particular, dos camaradas da FAI italiana, dos camaradas gregos da APO, da CNT-Vignoles e de outros expositores.

Hoje, a Federação Anarquista é a única organização anarquista que, embora mantenha firmemente sua posição antirracista e sua oposição a todas as formas de discriminação, se recusa a cair no identitarismo comunitário que oculta a luta de classes. Essa atitude incomoda muitas pessoas e explica os constantes ataques à organização, que vêm ocorrendo há anos.

A decisão de autogerenciar a exposição com os outros expositores e de dispensar de suas funções a “Team Care”, que foi incapaz ou não quis assumir suas responsabilidades, foi a resposta certa a esses ataques.

Por fim, é importante observar que os responsáveis pela organização geral do Encontro Internacional Anti-Autoritário, alguns dos quais já estavam presentes no Encontro Internacional Anarquista em 2012, não podem, de forma alguma, ser responsabilizados pelo comportamento inqualificável dos responsáveis feira de livros.

agência de notícias anarquistas-ana

criança traquina
saltita atrás dos pássaros
natureza em flor.

Helena Monteiro

Onda repressiva contra o movimento anarquista italiano

O Estado italiano está a perseguir aqueles que se solidarizaram a Alfredo Cospito e Anna Beniamino.

A luta continua até que todos sejamos livres.

Gostaríamos de aproveitar estas linhas para fazer um ponto de situação sobre a situação dos camaradas anarquistas Alfredo Cospito e Anna Beniamino e sobre o contexto repressivo que se vive na Itália nos últimos meses. Alfredo Cospito iniciou a sua greve de fome contra o regime prisional de 41BIS e a prisão perpétua em outubro de 2022. Após 181 dias de confronto direto com o Estado, terminou a greve na sequência da decisão do Tribunal Constitucional de abrir caminho a uma redução da pena após a decisão anterior de lhe atribuir a prisão perpétua.

No passado dia 26 de junho, o Tribunal de Recurso de Turim fixou as penas do processo referente ao caso Scripta Manet para Anna Beniamino e para Alfredo Cospito: 17 anos e 9 meses e 23 anos, respetivamente, anulando assim a opção inicial de prisão perpétua. É também de referir que o camarada foi novamente transferido para a prisão de Bancali ao abrigo do 41BIS. Ambos os camaradas têm pela frente uma longa pena por terem levado a cabo uma prática anarquista. É por isso que continuaremos a mostrar solidariedade e a vingar-nos por eles e por todos os prisioneiros. Alfredo ainda está no regime desumanizador do 41BIS, a sua luta durante todos estes meses foi inspiradora para muitos. Ao mesmo tempo, durante o mês de junho de 2023, começou uma onda de repressão em toda a Itália por causa de todas as manifestações de solidariedade que tiveram lugar nos últimos meses.

Em Bolonha, foi aberto um inquérito pela polícia conhecida como ROS, contra alguns camaradas. Estes terão “organizado uma associação de estilo anarco-insurrecionalista que se propõe realizar atos de violência com o objetivo de subverter a ordem democrática, estruturada de forma não hierárquica e espontânea (…)”. Toda esta investigação é enquadrada por algumas ações de solidariedade com Alfredo:

– Ataques contra repetidores de telecomunicações no verão de 2022.

– Interrupção de uma missa na Igreja do Sagrado Coração de Bolonha em novembro de 2022

– Ocupação de uma grua no centro da cidade de Bolonha em dezembro de 2022

– Ação contra a empresa MARR em novembro de 2022

Esta última ação teve lugar no passado dia 5 de novembro. A MARR é uma empresa envolvida e ligada ao fornecimento de alimentos às prisões e aos centros de deportação de imigrantes e, em junho, houve também buscas na Basilicata e em Trieste, mais uma vez levadas a cabo pela seção antiterrorista. Ao mesmo tempo, em Milão, foram notificadas medidas cautelares para os camaradas que tinham participado na marcha realizada em 11 de fevereiro na mesma cidade em solidariedade com Alfredo. No total, os companheiros reprimidos estão sujeitos a seis medidas: uma proibição de permanência em Milão, duas proibições de permanência em Milão com obrigação de assinatura e três obrigações de permanência na área de residência.

O Estado quer, mais uma vez, punir os solidários e tentar quebrar os laços de solidariedade política através da repressão e da punição. É também importante lembrar os camaradas já presos; a greve acabou, mas a luta contra as prisões continua.

Nossa paixão pela liberdade é mais forte que toda autoridade.

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/29/italia-alfredo-cospito-e-anna-beniamino-foram-condenados-a-23-anos-e-17-anos-e-9-meses/

agência de notícias anarquistas-ana

a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão

Paulo Leminski

[Espanha] Sociedade anarquista segundo Michael Taylor

Existe realmente uma alternativa anarquista – temos que decidir entre o domínio do Estado e a desigualdade do capitalismo? Na prática, a realidade é muito mais complexa, com as sociedades modernas tendo uma mistura de mercado, Estado e características genuinamente comunitárias. Michael Taylor nos lembra que uma sociedade sem poder político e desigualdade econômica não é apenas desejável, mas também possível; o conceito de comunidade, composto principalmente por indivíduos livres, conscientes e responsáveis, é totalmente identificável com o de anarquia.

Michael Taylor (1942-…), cientista e pesquisador de teoria política e econômica, acredita que uma ordem social sem um Estado é possível, com vínculos totalmente comunitários. Um modelo social dinâmico, em oposição a um modelo estático que considera que uma autoridade central é necessária para sustentar a ordem social, abre a possibilidade de cooperação social, um pré-requisito indispensável para nossa desejável sociedade anarquista. Taylor considera que há três soluções para o problema da ordem social de natureza externa (ou seja, que afetam o interno, as decisões, as preferências e as crenças dos membros da sociedade): o Estado, que seria a solução centralizada por excelência; o mercado, que seria uma solução supostamente semidescentralizada; e, finalmente, a comunidade, que serve como uma solução externa e descentralizada.

O argumento liberal em favor do Estado é que uma sociedade suficientemente grande não pode se prover do bem coletivo básico que é a ordem. Em grupos grandes, de acordo com os liberais, os processos de socialização (mitos coletivos, rituais religiosos, etc.) não têm a capacidade de garantir a ordem social por si só. Assim, os indivíduos não podem garantir a paz social por meio de suas próprias decisões e instituir o poder político para garanti-la, limitando a liberdade de todos os membros. Em termos elementares, a função do Estado é vincular cada indivíduo para evitar que seu comportamento seja tentador e autodestrutivo. Embora essa tese pró-Estado seja considerada liberal-conservadora, com raízes hobbesianas, certas correntes de esquerda também poderiam subscrevê-la; a diferença, talvez, é que a ênfase maior é colocada na função redistributiva do Estado em favor dos mais fracos. De qualquer forma, a proteção dos menos favorecidos ou, por exemplo, do meio ambiente, não é realizada a partir de uma solução descentralizada, algo que consideramos mais sólido e desejável. A partir dessa posição estatal e protetora, e desejando superar os problemas transnacionais, alguns até pedem a centralização total: um Estado mundial capaz de produzir e fornecer bens públicos em constante crescimento.

A solução extrema dos defensores do mercado é que o mercado forneça todos os componentes da ordem social. É essa (suposta) supressão do Estado que levou o nome anarcocapitalismo a ser dado a essa tendência; não é necessário que aqueles com um mínimo de conhecimento político esclareçam que essa não é uma sociedade libertária, já que a coerção e a hierarquização não são abolidas de forma alguma. Em vez do monopólio estatal, uma infinidade de empresas privadas forneceria serviços de proteção; esses anarcocapitalistas ou libertarianos (uma tradução um tanto forçada para evitar o termo “libertários”, verdadeiros anarquistas) estão convencidos de que o mercado resolveria todos os problemas, sejam eles econômicos ou legais, ou até mesmo de violência. Como já vemos na sociedade em que vivemos, a fragmentação dos bens públicos, que os defensores radicais do mercado buscam, introduz alguns problemas. Na prática, o anarcocapitalismo se confunde com a defesa de um Estado mínimo e protetor, uma espécie de ultraliberalismo, mas com a defesa irredutível do sacrossanto direito de propriedade; isso os leva a muitas contradições e a adotar posições mais próximas do extremismo em favor do mercado.

O que Taylor nos diz é que, nas sociedades capitalistas, a ordem social é mantida por uma combinação de Estado, mercado e comunidade. Sua principal proposta é que essa ordem pode ser mantida sem o Estado e sem o mercado, e é por isso que podemos descrevê-la abertamente como anarquismo (alguns a chamam de “comunitarismo”, mas as raízes socialistas nunca foram abandonadas pelos verdadeiros anarquistas). Taylor considera que há sociedades com anarquia pura, que são definidas por nenhuma concentração de meios coercitivos e nenhuma especialização política (ou seja, pessoas que tomam decisões em assembleias enquanto outras não); entretanto, há sociedades sem poder político nas quais há um grau limitado de concentração de força e especialização política. A definição de comunidade de Taylor baseia-se em três atributos: os membros têm valores e crenças comuns; os relacionamentos são diretos (sem representação) e multilaterais (englobando muitas funções e papéis); e, por fim, os membros da comunidade praticam a reciprocidade entre si (Taylor a descreve como uma combinação de altruísmo de curto prazo e egoísmo de longo prazo).

Taylor acredita que há uma clara afinidade entre anarquia e comunidade, pois as características que tornam um grupo anárquico também o tornam uma comunidade. A comunidade resolve o problema da ordem social mantendo baixo o número de seus membros, o que proporciona uma solução interna (autogestão da comunidade), enquanto a solução externa para o fornecimento de ordem e bens públicos é a descentralização. A anarquia exige a comunidade para Taylor, enquanto a comunidade exige igualdade econômica para que a comunidade de valores seja mantida; caso contrário, as relações interpessoais seriam menos diretas e multilaterais e a reciprocidade seria enfraquecida (portanto, não falaríamos mais em comunidade). Os liberais consideram isso inviável, pois para eles é necessária a intervenção do Estado para garantir a igualdade estrita e mitigar a incidência de fatores arbitrários. Taylor rejeita essa posição e acredita que uma igualdade considerável pode ser mantida sem a intervenção do Estado por indivíduos conscientes de que suas ações têm impacto em um pequeno grupo; nessa visão, a igualdade é um estado social desejável que pode ser alcançado restringindo os oportunistas que desejam, mas não contribuem para resultados benéficos.

Taylor se concentra nas sociedades primitivas e considera, argumentando contra a teoria marxista do Estado, que o Estado surge quando as condições de liderança, já existentes nas sociedades sem Estado, são fortalecidas e a fragmentação da comunidade se torna impossível. Historicamente, a solução externa centralizada, o Estado, para o problema do fornecimento de bens coletivos se tornaria cada vez mais difundida; o poder do Estado é alimentado pelas condições que ele mesmo cria: o crescimento das populações, que torna impossível o sentimento de comunidade, e a impossibilidade de cooperação. Nas sociedades democráticas modernas, o setor público já é um monstro colossal, e os cidadãos contribuem com seus impostos para a transferência da função de fornecer bens públicos para o Estado. O cidadão paga, de certa forma, para deixar de ser cidadão, pois é destituído de sua capacidade de decidir sobre assuntos públicos. Michael Taylor, com seus estudos e contribuições sensíveis, faz uma importante contribuição à tradição de emancipação social e autogestão política do anarquismo.

Capi Vidal

Fonte: http://acracia.org/la-sociedad-anarquista-segun-michael-taylor/

Tradução > Liberto

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teu corpo deitado
acorda desejos
não confessados

Eugénia Tabosa

[Chile] Os livros anarquistas não são ferramentas

O texto a seguir foi escrito como uma pequena contribuição dedicada ao “Encontro de bibliotecas anárquicas” realizado no sábado, 13 de novembro de 2021.

Nele buscamos questionar as afirmações que reduzem a prática literária como uma ferramenta dedicada a um fim ulterior, seja ele a revolução social ou o movimento revolucionário, tentando aprofundar as possibilidades da literatura anarquista partindo desde sua especificidade, com suas próprias formas e características.

Nem anarquismo literário

Nem literatura utilitária

Contra toda autoridade.

>> Baixe aqui:

https://lapeste.org/wp-content/uploads/2023/06/Los-libros-anarquistas-lectura-online.pdf

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pequenos dedos
das gotas de chuva
massageiam a terra

Carlos Seabra

[Espanha] Novo relatório destaca como o Banco Santander financia empresas que destroem a Amazônia

26/07/2023

  • O relatório “O lucro do colapso” aponta oito grandes bancos como impulsionadores da destruição da Amazônia e do clima ao financiar empresas de petróleo e gás na região.
  • Nos últimos 15 anos, esse financiamento bancário totalizou US$ 20 bilhões, dos quais US$ 11 bilhões são diretamente atribuíveis a esses oito bancos, incluindo o Banco Santander.
  • O relatório também alerta que o ponto de não retorno está sendo alcançado devido à degradação e ao desmatamento combinados.
  • Oito grandes bancos globais – JPMorgan Chase, Itaú Unibanco, Citibank, HSBC, Banco Santander, Bank of America, Banco Bradesco e Goldman Sachs – financiaram mais de US$ 11 bilhões em atividades de petróleo e gás na Amazônia, de acordo com um novo relatório da Stand Earth e da COICA (Coordinadora de Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazónica).

Esse financiamento está intimamente ligado às atividades de petróleo e gás nas áreas amazônicas do Brasil, Colômbia, Equador e Peru, onde a queima de petróleo e os derramamentos poluíram os cursos d’água e o solo da Amazônia, adoecendo as comunidades indígenas, limitando seus meios de subsistência e violando seus direitos.

Embora esses bancos representem 5% dos bancos encontrados em operações de petróleo e gás, eles são responsáveis por 55% dos estimados US$ 20 bilhões que podem ser atribuídos diretamente à região. O valor restante – cerca de US$ 9 bilhões – é contribuído por mais de 150 entidades.

Como destaca Fany Kuiru, coordenadora geral da COICA, “a degradação e o desmatamento combinados nos levam a um ponto de iminente não retorno, que para nossos povos se traduz em doenças crônicas resultantes da poluição; a perda de nossa soberania alimentar por causa dos metais pesados nos peixes e na água que bebemos; e a violência sistemática contra aqueles que defendem nosso lar”.

As contas do Banco Santander

O Banco Santander é o quinto maior financiador, com mais de US$ 1,2 bilhão para o setor de petróleo e gás desde 2017. Isso também permitiu que ele encabeçasse a lista de financiadores da destruição da Amazônia no relatório Banking On climate chaos, publicado em abril de 2023.

É também o sétimo maior financiador de financiamento indireto, com um valor estimado de US$ 13,9 bilhões desde 2009. O Banco Santander participou de 95 transações nos últimos 15 anos e desempenhou o papel principal em 76% delas. Alguns dos financiamentos incluem perfuradoras de petróleo, como a Comodoro Rivadavia Petrochemicals, que opera blocos de petróleo na Amazônia equatoriana, ou a Eneva S.A., cujo enorme complexo de gás em Parnaíba é um grande emissor de carbono.

O Santander também é um dos principais patrocinadores de empresas estatais de petróleo, como a PetroBras, a Ecopetrol e a Petroperú. O banco financiou com quase 1 bilhão de dólares a modernização da refinaria Talara da Petroperú, que inclui a expansão da produção diária da refinaria e o processamento de petróleo da Amazônia peruana.

Diante dessas cifras, a Ecologistas em Ação enfatiza que a floresta tropical foi fragmentada, desmatada e queimada a ponto de a ciência advertir que ela pode estar atravessando um desastroso ponto ecológico sem retorno. “A indústria e os bancos que a financiam são responsáveis por liberar emissões de carbono na atmosfera e nos afastar ainda mais da meta de 1,5ºC”, diz Sara Bourehiyi, porta-voz da organização ambiental.

A publicação do relatório coincide com o lançamento do primeiro banco de dados público pesquisável de todos os bancos envolvidos no financiamento direto e indireto do petróleo e gás da Amazônia. O banco de dados é uma lista abrangente de bancos envolvidos em acordos de empréstimo e subscrição de títulos para empresas envolvidas no desenvolvimento de poços de petróleo, exploração, produção (upstream) e transporte e armazenamento de petróleo e gás na Amazônia.

“Esse novo relatório nos mostra, mais uma vez, que palavras não são suficientes, os bancos devem agir e erradicar seu financiamento aos setores mais poluentes para não se afastarem ainda mais do caminho de 1,5°C. Vemos como, apesar de suas promessas verdes e de suas políticas de risco ambiental, eles continuam a investir em indústrias que são prejudiciais não apenas ao planeta, mas também à sua biodiversidade. Todos os bancos devem parar de financiar a destruição do planeta agora”, conclui Bourehiyi.

Fonte: https://www.ecologistasenaccion.org/297417/un-nuevo-informe-senala-como-banco-santander-financia-a-companias-que-destruyen-la-amazonia/

Tradução > Liberto

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Broca no bambu
deixa furos de flauta.
O vento faz música.

Anibal Beça

[França] O trem: cada vez mais caro, cada vez menos financiado

UMA PANE GIGANTE NA ESTAÇÃO DE MONTPARNASSE, QUE DEIXOU MILHARES DE PASSAGEIROS PRESOS, ATRAIU MUITA ATENÇÃO DA MÍDIA NOS ÚLTIMOS DIAS. NO VERÃO PASSADO, O TRÁFEGO FICOU PARALISADO DEVIDO A UMA FALHA DE SINALIZAÇÃO. O DEDO FOI APONTADO PARA A REDE ENVELHECIDA. UM SINTOMA DO ABANDONO DO SERVIÇO PÚBLICO DE TRENS.

  • A França se beneficia da segunda rede ferroviária mais densa da Europa, mas investe muito menos dinheiro per capita em sua infraestrutura do que seus vizinhos europeus. Duas vezes menos que na Itália e três vezes menos que na Alemanha ou na Grã-Bretanha, como mostra o infográfico do Statista. Os neoliberais que repetem que as ferrovias são um grande gasto para o Estado são mentirosos. Na França, o trem é sacrificado.
  • No entanto, é urgente renovar e desenvolver a rede ferroviária. Em média, uma viagem de trem emite 11 vezes menos gases de efeito estufa do que um carro e até 130 vezes menos do que um avião. O trem é muito mais ecológico, mas custa muito mais para os usuários. Para a mesma distância, voar costuma ser três vezes mais barato! Uma aberração. Por um bom motivo: o Estado subsidia a indústria da aviação! Não tributa o querosene e reduz o IVA [imposto]: ou seja, dinheiro público é usado para apoiar a aviação enquanto a rede ferroviária é negligenciada.
  • No final das contas, fica caro viajar de trem. A rede obriga os viajantes a pagar “pedágios ferroviários”, uma taxa que representa entre 35 e 40% do preço dos bilhetes para TGVs [trem de alta velocidade] e 15% para um TER [trem regional]. Esta taxa é uma das mais altas da Europa. 5 vezes mais do que na Itália ou na Suécia!
  • Como em todos os assuntos, o governo francês vai contra o bom senso. Não faz muito tempo, era possível chegar a todas as pequenas cidades francesas de trem e com baixo custo. A estratégia de uso exclusivo de carros e o colapso dos serviços públicos desde a década de 1980 causaram o fechamento de muitas estações. Agora que o caos climático está aqui e o preço da gasolina está subindo, deveríamos estar investindo em trens, tornando-os gratuitos, e taxando a aviação. Macron está fazendo o oposto.

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/07/30/le-train-toujours-plus-cher-toujours-moins-finance/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/27/espanha-carmen-berrocal-apresenta-perdendo-o-trem-na-v-escola-libertaria-andaluza/

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nas ramagens embaciadas
o sol
abre frestas

Rogério Martins

[Espanha] Estamos nas ruas!!!

E D I T O R I A L

Secretário Geral da CNT | Ilustração de Txus | Extraído do CNT nº 434

Com o ano de 2022 terminado, não é fora de propósito fazer um balanço da presença da CNT nas ruas.

“Se tocam em uma de nós, tocam em todas nós” e que melhor lugar para provar isso do que nas ruas.

Muitas vitórias sindicais são forjadas dentro das quatro paredes do sindicato, mas onde elas se tornam visíveis e ganham força, envolvendo todos nós e permitindo que todos conheçam nossos conflitos, é na rua.

– Las Palmas de Gran Canaria. Uma nova camareira começou a trabalhar no Hotel Avenida de Canarias, onde já havia uma seção sindical da CNT. Depois de quatro dias, mesmo sem contrato, ela foi informada de que não voltaria a trabalhar lá, pois havia trabalhado na CEAR (Comissão Espanhola de Ajuda aos Refugiados).

Diante dessa situação injusta e discriminatória, as companheiros da seção sindical protestaram junto à empresa, que respondeu demitindo um dos membros e sancionando outros dois. Piquete na porta do hotel em 18 de dezembro de 2021, onde mais de cinquenta pessoas se reuniram por cerca de duas horas, exigindo a reintegração, a retirada das sanções e o cumprimento das demandas sindicais.

– 13 de fevereiro, a cerimônia de premiação do Goya é realizada no Palacio de las Artes, em Valência.

A Seção de Artes Cênicas da CNT se manifesta a favor de melhorias no acordo enviado ao ministério. Todas as profissões são defendidas nas ruas, e não poderia ser diferente para os artistas de palco. Pela luta e pelos comentários de nossos companheiros, sabemos que, por trás de um trabalho de palco, há muitos trabalhadores em condições precárias.

– 8 de março. Em toda a Espanha, as companheiras da CNT estão liderando as reivindicações da classe feminista.

Nas ruas com nossas companheiras, como todos os anos, gritando contra a persistente diferença salarial, contra a maior incidência de desemprego entre as mulheres, contra os contratos mais curtos que as mulheres sofrem mais e contra a distribuição desigual de cuidados que é assumida com muito mais frequência pelas mulheres e as obriga a assumir o dobro da carga dos homens.

– 1º de maio. A nossa quintessência de tomada de ruas. Poucas novidades podem ser ditas sobre o Primeiro de Maio, mas sempre voltamos para nos encontrar e nos reconhecer como uma classe trabalhadora comprometida com essa ideia.

– La Suiza. 24 de setembro, Madri. Manifestação em massa em apoio aos seis companheiros de Xixón.

Não estamos dispostas a ver como nossas companheiras são torturadas com a incerteza de uma sentença de cinco anos por sindicalismo. O conflito começou nas ruas, quando fizemos um piquete informativo para cuidar de outra companheira que estava sendo assediada em seu local de trabalho, e não terminará até que nossos companheiros estejam completamente livres de acusações.

– Domingo, 2 de outubro. El Trono (Cáceres Norte). Décimo dia do Gerrilheir@. 12:00 horas: ato em homenagem às guerrilheiras no Mirador da Memória. 14:00 horas: refeição fraterna e apresentação musical de Txemi Prieto.

Nesse dia, lembrando nossos companheiros e companheiras que lutaram para nos legar um futuro (nosso presente) no qual o antifascismo continuaria vivo, perpetuando a dignidade da classe trabalhadora.

– 19 de novembro. Córdoba, Adra, Bilbo, Burgos, Ciudad Real, Donostia, Elx, Gasteiz, Iruña, Las Palmas de Gran Canaria, León, Madri, Málaga, Menorca, Miranda de Ebro, Palma de Mallorca, Sabadell, Santander, Segovia, Teruel, Valência, Valladolid. Comícios em praças públicas em apoio às nossas companheiras processadas em Xixón, porque “O sindicalismo não é um crime”.

Mais uma vez, demonstramos nossa solidariedade em todos os territórios com nossas companheiras, que se tornaram um exemplo de luta de acordo com os princípios libertários dos quais esta organização se orgulha.

– Jerez, 14 de dezembro, 9 horas. Concentração em frente ao tribunal social número 2 para tornar visível o repúdio contra a demissão de nossa companheira militante da CNT na empresa Hamman Andalusí Baños Árabes depois de ter apontado as condições de trabalho indignas e perigosas às quais ela foi submetida.

Esses breves exemplos deixam claro que somos uma organização que usa as ruas para realizar seus protestos. Não gostamos de tapetes vermelhos e de pedir prerrogativas para poucos. Queremos uma revolução social para acabar com o estado patriarcal e vamos trabalhar nisso nos sindicatos e, depois, vamos levá-la às ruas quantas vezes forem necessárias. Lá todos nós nos reuniremos para gritar bem alto: Viva a luta da classe trabalhadora! Viva o anarcossindicalismo! Viva a CNT!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/editorial-estamos-en-la-calle/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

vela acesa
testemunha olhares
sobre a mesa

Carlos Seabra

[Chile] Marcelo Villarroel à rua agora!

O sequestro estatal de Marcelo Villarroel, que concretamente é uma prisão perpétua encoberta, se sustenta na imundice mais podre das heranças ditatoriais: a putrefata Justiça Militar de Pinochet ainda em 2023. Algo que pareceria impensável há 50 anos do golpe militar e o início da ditadura cívico-militar.

Marcelo poderia ter postulado a liberdade condicional desde dezembro de 2019, mas com a modificação do DL 321 pela lei 21.124 em janeiro de 2019, lhe aplicam de maneira retroativa as condenações da justiça militar para permitir-lhe agora postular em outubro de 2036.

O companheiro transita para 16 anos de sequestro carcerário após ser detido na Argentina enquanto fugia do Chile na clandestinidade pelo caso conhecido como “Security”

E já deveria estar na rua…

É por isso que ao completar 50 anos do golpe militar sua herança jurídico política ainda se mantem e por isso se faz urgente combate-la em todos os espaços da presente realidade.

A usar toda a imaginação desde a cumplicidade insurreta.

Enquanto exista miséria haverá rebelião!!

Há 50 anos do golpe: Pela anulação das condenações da justiça militar de Pinochet para o companheiro Marcelo Villarroel!

Presos anarquistas e subversivos à rua!

agência de notícias anarquistas-ana

casa na neve
odores vindos de longe
o céu como teto

Célyne Fortin

[Chile] Seis anos depois…

Santiago Maldonado, o Lechu, o membro N⁰14, em total coerência com seus sentimentos anárquicos, foi desaparecido em 1º de agosto de 2017 pela Gendarmeria (uma força intermediária entre a Polícia e o Exército) enquanto demonstrava ativamente solidariedade com a luta mapuche em Cushamen, província de Chubut, no sul da Argentina e perto da fronteira com o Chile…

Santiago está entre todos nós que não esquecemos nem abandonamos a luta diária, sua presença física faz falta.

Nós o trazemos de volta, devolvendo golpe por golpe, multiplicando seus gestos e ações em todo o planeta e contra os miseráveis responsáveis por não poder abraçá-lo hoje.

O fogo rebelde e ancestral está incinerando as máquinas do capital predatório, o sangue insurrecional de nossos caídos acompanha nossos rituais de guerra, nossas conspirações silenciosas buscam a única justiça possível: a Vingança se torna urgente e necessária…

POR SANTIAGO E TODOS OS NOSSOS CAÍDOS: NEM UM MINUTO DE SILÊNCIO,

UMA VIDA INTEIRA DE COMBATE!!!

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agência de notícias anarquistas-ana

Rastros de vento,
escuridão de brasas,
um salto suave.

Soares Feitosa

Grupos neonazistas armados tentam sabotar vários eventos LGTBI+ nos EUA

Vários grupos de neonazistas tentaram sabotar vários eventos da comunidade LGTBI+ nos Estados Unidos no último sábado (29/07), invadindo celebrações realizadas em parques públicos com bandeiras com suásticas e outros símbolos nacional-socialistas, empunhando armas semiautomáticas e entoando cantos ameaçadores e violentos.

Os incidentes ocorreram em várias partes do país durante as celebrações do Pride in the Park e todos foram realizados pela Blood Tribe, “um grupo neonazista com raízes nos Estados Unidos e no Canadá que promove pontos de vista supremacistas brancos de linha dura e dirige abertamente seu ódio contra judeus, não brancos e a comunidade LGBTQ+”, segundo a Liga Antidifamação (ADL) dos EUA.

Um deles ocorreu em Watertown, Wisconsin. Um jornalista presente no evento, que incluiu shows de drags e outras celebrações festivas, compartilhou imagens de membros do Blood Tribe segurando armas e entoando slogans como “nós ou os pedófilos”, “tirem os pedófilos de nossas ruas” e “haverá sangue, sangue, sangue”.

Um dos organizadores do evento disse ao Watertown Daily Times que a intenção do evento era “ser um farol para aqueles que não podem ser eles mesmos publicamente e queremos mostrar a eles que Watertown é um lugar seguro para eles”.

O evento também foi denunciado por outra plataforma, a Gays Againts Groomers, que denunciou os atos. Também em Columbus, Ohio, houve tumultos em um evento semelhante. Um grupo de homens usando símbolos nazistas e armados com rifles semiautomáticos tentou intimidar um espetáculo pacífico e festivo em um parque público.

Fonte: agências de notícias

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Sob o alpendre
o espelho copia
somente a lua.

Jorge Luis Borges

[Chile] Santiago: Conversatório, memória, reflexões e continuidade. Memória/subversão Claudia López Presente – 4 de agosto

Em Santiago, Vale Central, território dominado pelo Estado chileno.

 QUASE 25 ANOS APÓS O ASSASSINATO DE CLAUDIA LÓPEZ

A memória em constante exercício se expressa como uma ferramenta política e de luta, persistência e lembrança dos companheiros mortos e na recordação de eventos históricos significativos. A memória para os anarquistas é coletar as experiências e vivências de confronto e revitalizá-las no aqui e agora, é entender que a ideia e a práxis revolucionária anarquista fazem parte de um continuo histórico e que, a partir daí, é sempre importante olhar para o passado para qualificar nossa ofensiva antiautoritária hoje e amanhã.

Em breve cumprem-se 25 anos desde o assassinato policial de Claudia López, insistimos não apenas em resgatar sua figura e sua luta, lembrando sua dança rebelde e sua consequência inabalável, mas também em adicionar conteúdo à luta no transitar de indivíduos e coletivos anárquicos, desde seu assassinato até o presente, que permaneceram em constante tensão, ação e reflexão desde o antagonismo em confronto direto com o Estado, o patriarcado e o capital.

Esse tempo não passou em vão, por isso convidamos você a conhecer e conversar sobre momentos históricos de luta nesses 25 anos, bem como a projetualidade desse tempo e, a partir desse exercício, olhar para o presente com o objetivo de afiar nossas ferramentas de luta ofensiva e negação do existente. Com isso em mente, diferentes afinidades anárquicas se uniram para criar uma segunda atividade em memória de Claudia López nesta sexta-feira, 4 de agosto, na Agustinas N°2384, a partir das 18:00 horas. Atividade que também tem o objetivo paralelo de arrecadar fundos para a comemoração do 25º aniversário de seu assassinato, a ser realizada em 9 de setembro em La Pincoya.

MEMÓRIA, REFLEXÕES E CONTINUIDADE.

CLAUDIA LOPEZ PRESENTE!

NEM UM MINUTO DE SILÊNCIO, UMA VIDA INTEIRA DE COMBATE.

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livro antigo
o bicho traça
o sonho dos sábios

Alexandre Brito

[Portugal] O papa vem a Lisboa. Os anarquistas integram o Comitê de Recepção”.

(LISBOA) CONCENTRAÇÃO SEM PAPAS NA LÍNGUA | DIA 4 DE AGOSTO – MARTIM MONIZ

Apesar do esforço de todos os espaços – políticos e mediáticos – para criar um discurso único sobre a recepção da Jornada Mundial da Juventude – como se fosse meramente uma celebração religiosa -, não esquecemos que o objetivo deste evento é político, e que é através da ocupação do espaço público que a igreja continua a reafirmar o seu domínio. A igreja católica continua vinculada à construção de poder e, através da intrusão de valores e normas, continua a exercer um controlo social e cultural na nossa sociedade. Os dogmas da religião interferem na construção do poder popular e no poder de decisão das comunidades marginalizadas – ao quererem privar-nos da liberdade e autonomia dos nossos corpos.

Com a imposição das suas hierarquias exigem-nos submissão.

Mas nós não esquecemos – nós somos a insubmissão.

Não esquecemos o papel da igreja no aprisionamento de pessoas que, em conjunto com o Estado, criou um castigo aparentemente moral, afastando-se dos bárbaros e públicos castigos da época medieval e remetendo-os para o oculto – criando a prisão. Prisão essa que diz “corrigir” todo e qualquer comportamento que infrinja a ordem pública.

Não sabíamos nós é que essa “correção” significaria 60 mortos por ano nas prisões portuguesas e trabalho escravo com reclusos a receber 2 a 3€ por dia, ou cêntimos para construir os confessionários para as Jornadas.

Sobre deus (e os seus papas)

Se Deus existisse, só havia um único meio de servir a liberdade humana: seria o de deixar de existir.” (Bakunin)

“Considere-se, por exemplo, a atitude do cão em presença do dono: não está nela, inteiramente, a do homem perante Deus? Pretendeu-se, erroneamente, que o sentimento religioso só é próprio dos homens. Mas todos os elementos constituintes da religião se encontram no reino animal – sendo o principal desses elementos o medo. O “temor a Deus – dizem os teólogos – é o começo da sabedoria”. Esse temor encontra-se extremamente desenvolvido em todos os animais, que possuem um instintivo terror perante a omnipotência que os produz.

Tal como os animais, os seres humanos encontram-se ainda submetidos pela ignorância a esse medo do omnipotente. Medo que a Igreja, apoiada pelo Estado, consagra e oficializa. Ao defender-se, a sociedade dominante fá-lo também propagando a ficção religiosa. E de tal modo que esta ficção, exacerbada, se torna uma loucura normalizada.

A religião dos crentes é assim um estado de loucura normalizado pelas leis materiais e ideológicas das classes dominantes. As maiores imbecilidades são consideradas oficialmente como as verdades mais profundas. Que exprime este estado de coisas senão que os humanos permanecem num estádio de rastejante escravidão intelectual e, por conseguinte, material?”

Bakunin (adaptado do livro “Deus e o Estado”)

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2023/07/31/o-papa-vem-a-lisboa-os-anarquistas-integram-o-comie-de-recepcao/

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No embalo do vento
palmeiras se abraçam:
dois amantes?

Anibal Beça

[França] Apoio ao Avenir de Brest

Angers, 28 de julho de 2023,

É com tristeza e raiva que tomamos conhecimento do ataque e da subsequente destruição do local alternativo e autogerido AVENIR em Brest. Mais uma vez, os chamados poderes “democráticos” e liberais estão pondo fim a um experimento político e social que difere do seu próprio. A lei e a ordem devem dominar e esmagar. Não há alternativa para uma república burguesa e capitalista que lhe diz quando e como trabalhar, quando se divertir, quando votar e, acima de tudo, quando ficar calado. Uma república liberal que tolera apenas uma educação, a do poder.

Uma democracia autoritária, cada vez mais inspirada na extrema direita, é o que estamos vivenciando. Para impor seu poder, o Estado está recorrendo, como no passado, às suas forças repressivas, a polícia nacional e a gendarmeria, a quem dá carta branca. A população é então submetida à violência digna de uma ditadura. As escolhas políticas do governo são o prenúncio de um Estado pré-fascista.

O Liceu Autogerido de Paris (criado em 1982) está atualmente sob ataque das autoridades, e o Étincelle em Angers teve de fechar sob pressão das autoridades, embora tenha resistido. Em toda a França, espaços alternativos e autogestionados estão sendo atacados. Os poderes constituídos não toleram centros de educação popular e ajuda mútua que propõem um caminho diferente, o de uma sociedade libertária, revolucionária, feminista, antifascista e anarquista.

Em outros lugares da Europa e do resto do mundo, podemos citar o fim da autonomia do bairro de Christiania (Dinamarca) em 2017, após mais de 40 anos de vida alternativa. Os ataques contínuos aos municípios autônomos rebeldes zapatistas (México) por paramilitares de extrema direita a soldo dos patrões e a Rojava (Federação Democrática do Norte da Síria) pelo regime islâmico conservador da Turquia de Erdogan. Na Grécia, o bairro de Exarchia está sendo atacado por um governo dito democrático.

Esses são apenas alguns exemplos.

Os companheiros da CNT 49 apoiam os companheiros em Brest e os usuários do AVENIR contra a repressão do Estado. Reafirmamos nosso apoio aos zapatistas, a Rojava, à Exarchia, ao Liceu autogerido de Paris, aos companheiros de Christiania e a todos os lugares do mundo, para que a anarquia e a insubmissão continuem.

No Passaran!

CNT 49

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/29/franca-video-brest-quando-a-policia-despeja-o-lavenir/

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Apenas vós,
Árvores de tronco branco,
Me garantis que retornei.

Paulo Franchetti

[Eslovênia] Ljubljana: Mačjak ameaçado de despejo

A seguir, comunicado de imprensa emitido em 31 de julho por Mačjak, o espaço anarcha-queer ocupado em Ljubljana, Eslovênia. O festival contra o despejo será realizado em 15 de agosto de 2023.

Após pouco mais de um ano de trabalho e atividade para o espaço conhecido como Mačjak, nos deparamos com um aviso de despejo que entrará em vigor em 1º de agosto.

O Mačjak sempre foi imaginado como um local temporário para a comunidade anarcha-queer aqui em Liubliana para explorar seus meios e desejos. Essa foi a nossa chance de experimentar a ocupação pela primeira vez, depois de 16 anos de ocupação política em nossa cidade. A maioria de nós, que iniciamos o projeto, fomos despejados em janeiro de 2021 da fábrica autônoma ROG (ocupada em 2006) e nos mudamos para um espaço compartilhado da A-Infoshop (estabelecida em 2003) em Metelkova (ocupada em 1993). Precisávamos ver o que poderíamos fazer por nós mesmos e o que realmente queríamos para nós – o que queríamos inicialmente era uma pequena garagem para abrigar nossos projetos artísticos e políticos, mas esse espaço inicial já estava, na verdade, ocupado por pessoas sem-teto. Assim, ocupamos parte de um pequeno prédio que havia sido completamente saqueado. Não era possível nem ver o chão, quanto mais deitar nele. Achamos que era um lugar agradável. Não havia eletricidade, mas conseguimos ligar a água. No primeiro verão, limpamos as paredes, o piso e preenchemos os buracos onde os cabos elétricos haviam sido arrancados. Consertamos as portas. Logo se tornou um lugar para passar o tempo e convidamos outros grupos para se reunirem aqui. Rapidamente se tornou um local onde podíamos trabalhar e festejar, onde podíamos nos sentir seguros, embora o local tivesse sido atacado algumas vezes. Tornou-se um lugar onde podíamos construir nossa comunidade e nutrir a resistência Anarcha.

Nós, anarchas, sempre fizemos parte do movimento antigentrificação – nossos principais inimigos são os patrões e xerifes que estão se apoderando de cada pedaço de espaço pelo qual lutamos nesta odiosa cidade superfaturada e superpoluída. Nos últimos anos, estivemos envolvidos em lutas de bairro, protestamos contra o aumento dos aluguéis, fizemos campanha contra os despejos de moradias estudantis, reconhecemos o aumento dos sem-teto durante o coronavírus e organizamos ações de solidariedade, destacamos a necessidade de lutar contra os processos de gentrificação em assembleias mais amplas e dentro do nosso movimento.

Este mês é o momento em que devemos lutar mais uma vez contra o nosso deslocamento na cidade. Estamos esvaziando um espaço construído com muito amor para dar lugar a máquinas de demolição prontas para arrasar tudo em busca de cascalho. Nos próximos anos, passaremos pelo túmulo de Mačjak. Ele provavelmente permanecerá em um terreno cercado, vazio por alguns anos. Talvez o proprietário decida alugá-lo como um estacionamento para Teslas e SUVs. Eventualmente, aparecerão edifícios fálicos, Airbnb de luxo e Lidl. Sempre há um Lidl – luxo para poucos, shopping centers para as massas.

Como não queremos ir em silêncio e não queremos que nossos últimos momentos em Mačjak sejam momentos em que nos sintamos impotentes, decidimos organizar um festival contra nosso despejo. Queremos preencher o espaço com risadas e alegria, com boa comida e música, com festas e manifestações com todas as pessoas adoráveis que já conhecemos e com as novas que mal podemos esperar para conhecer.

De 15 de agosto até que nossas energias se esgotem (ou até que passemos juntos para uma nova história de ocupação). Estamos convidando todos a se juntarem a nós em nosso alegre ativismo! Quando estamos juntos, podemos plantar as sementes do amor e da resistência nesta selva de concreto.

Amor e raiva,

Resistência anarcha de Parmova

Mačjak

Parmova 1312

Ljubljana, Eslovênia

crnemacke [at] riseup [dot] net

https://squ.at/r/8zgy

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A tarde é bem quente.
Cansada, boneca ao lado,
menina dormindo.

Humberto del Maestro