Carta aberta de comunidades e organizações populares do Ceará ao senhor presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Aviso: Esta carta, no dia 11/12, foi entregue presencialmente, à diretoria do Partido dos Trabalhadores na ocupação da sede estadual em Fortaleza, Ceará. Hoje, dia 13, estamos publicando para que o povo entenda cada vez mais as razões que levam à 1º Ocupação em Defesa da Casa Comum (ODCC) realizar tal ação. Em torno das 11h do dia 12 o governador Elmano se comprometeu em receber uma comissão das organizações como consta na nota da equipe de comunicação da ODCC. O povo está vigilante e atento! A luta continua!

Senhor presidente Lula,

Somos pessoas simples, trabalhadoras, que lhe escrevem agora esta carta. Um documento parecido com este foi enviado à ex-governadora Izolda Cela, hoje integrante do Ministério da Educação, e ao governador Elmano de Freitas, depois de inúmeras tentativas frustradas de conseguirmos fazer com que eles nos recebessem. Chegamos a realizar grandes lutas com este intuito, mas fomos enganados em todas elas. Marcaram as audiências, para, em seguida, cancelarem-nas na nossa cara.

O Ceará tem sido palco de projetos que adoecem e massacram nosso povo, além de devastarem impiedosamente a natureza. O agronegócio e a mineração recebem todo tipo de benefício do Estado para envenenar nossa gente. Grandes barragens, que expulsam comunidades inteiras, são construídas, e cursos de rios são desviados para que não falte água a estes grandes empreendimentos. Projetos que causam fome, muita fome!, e agravam a crise climática já bastante sentida no mundo inteiro.

No litoral, as usinas de energia eólica e os grandes hotéis privatizam a praia, e agora manobram para privatizar também o mar. O nosso mar! Isso acontece sobre áreas de proteção ambiental, territórios de comunidades tradicionais. E o pior, presidente: tudo feito com muito dinheiro público; de nosso suor, custando nosso sangue! Recurso que poderia ser investido em um outro modelo de desenvolvimento. Sim, porque, apesar de toda perseguição, nossas comunidades e o povo em geral são mestres na construção de alternativas. Veja a produção de alimentos saudáveis, sem veneno! Por que não destinar prioritariamente água, terra e recurso público para esta prática?

Nas cidades do Ceará, os problemas do povo não são tão diferentes. O que ocorre no mato repercute no asfalto, e vice-versa. Entre tantas dificuldades que passamos, algumas nos afligem mais que tudo: a falta de moradia, de trabalho digno e a carestia. Temos certeza que o senhor entende que estamos falando de vida ou morte! Depois, no maior e cruel cinismo, ainda apresentam cadeias desumanas como solução para problemas sociais criados por criminosos de colarinho branco, com gordas contas bancárias nos paraísos fiscais do exterior.

Para piorar, por defenderem a vida, trabalhadores e trabalhadoras têm recebido constantes ameaças de morte. Somente no município de Fortim, somos aproximadamente vinte, com preços estipulados por cabeça abatida e por informações fornecidas. O senhor bem sabe que o Estado e seus governantes, porque deveriam encaminhar a solução dos problemas, mas não o fazem, possuem responsabilidade em tudo isso. Saiba também o senhor que o assassinato de qualquer um, qualquer uma de nós, depois de tantos alertas e denúncias, ungirá as mãos de todos os governantes de sangue, inclusive a vossa.

Lutamos cotidianamente para derrotar o fascismo/bolsonarismo. Eles foram “vencidos” nas eleições para o executivo federal. Agora é chegada a hora de ir além! A tão falada democracia não pode servir de maquiagem à continuidade dos projetos de morte e nem colorir de brilho o permanente impedimento do povo de participar das decisões que afetam sua vida.

Por isso, senhor presidente, estamos realizando a 1° Ocupação em Defesa da Casa Comum, porque temos preocupação com o hoje e com o amanhã.

Por esse motivo, senhor presidente, ocupamos a sede do partido que governa o Ceará e o Brasil e a Barragem Fronteiras, em Crateús, para denunciar a implantação desses projetos que ameaçam a vida humana em nossa Casa Comum, o Planeta Terra; e para requerer uma audiência imediata com o governador Elmano de Freitas e seus secretários, e representantes do governo federal que tenham poder de decisão sobre as problemáticas apresentadas. As comunidades possuem uma pauta propositiva e esperam ser ouvidas. Sem enganação, desta vez.

Desde já agradecemos a atenção.

Fortaleza, 11 de dezembro de 2023.

Assinam esta carta aberta:

Organização Popular – OPA / Organização Terra Liberta / Articulação Povos de Luta do Ceará – ARPOLU / Articulação Antinuclear / Teia dos Povos do Ceará

Fonte: https://terraliberta.lutafob.org/2023/12/14/carta-aberta-de-comunidades-e-organizacoes-populares-do-ceara-ao-senhor-presidente-luiz-inacio-lula-da-silva/

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Um ventilador
espalha o calor
e as notas da sinfonia

Winston

Pela expulsão e expropriação da Braskem!

Contra qualquer acordo do Estado junto à mineração:

Todo o território e poder decisório para o povo de Alagoas! 

O terror da mineração provocado pela Braskem em Maceió, que entrega a Alagoas o maior desastre ambiental em área urbana do mundo, ganha diariamente capítulos de indignação, desespero e descrédito absoluto no Estado e em todas as informações “oficiais”. É escancarada a relação de cumplicidade entre órgãos públicos e a mineradora que destruiu pelo menos cinco bairros, arruinando a saúde e o futuro de ex-moradores e moradores que ainda restam, provocando diversos problemas urbanos na capital e região metropolitana.

A Prefeitura de Maceió – que recebeu R$ 1,7 bilhão da Braskem em troca de isentar a mineradora de toda e qualquer culpa e responsabilidade sobre a cidade, e sequer utilizou o recurso para as vítimas – decretou estado de emergência após a Defesa Civil Municipal receber o aviso da mineradora sobre abalos sísmicos e uma ameaça de colapso em uma das 35 minas de extração de sal-gema da Braskem.

Desde o anúncio, moradores das regiões mais periféricas, do Bom Parto, Flexais, Quebradas e Marquês de Abrantes, já passaram por evacuação de última hora, expulsão de suas casas, inclusive sob truculência policial. Nos Flexais, onde moradores sempre reivindicaram realocação – por estarem isolados, inseguros e sentirem também os efeitos do afundamento – os órgãos teimaram em virar as costas, jurando que estavam seguros. Quando da iminência do colapso, estes mesmos órgãos quiseram de última hora que pelo menos 5 mil pessoas se abrigassem em escolas do município. Como se o aviso não tivesse sido dado muito tempo antes pela própria sociedade, pesquisadores, e principalmente, pelos próprios moradores!

Enquanto o drama vivenciado pelas famílias se intensifica e a Prefeitura embolsa os bilhões, a Braskem firma acordo para virar proprietária de todos os cinco bairros que ela mesma destruiu, sob anuência de Ministérios Públicos Estadual e Federal, Defensorias Públicas do Estado e União, e agora também o próprio Instituto do Meio Ambiente. Além do mais, gestores e parlamentares – especialmente o prefeito JHC, o governador Paulo Dantas, e tantos outros – se mobilizam numa verdadeira corrida, só que por votos e rixas internas. Em meio à tragédia, não poupam recursos em propaganda (eleitoral) de seus “feitos” que, na verdade, são vazios, insustentáveis, pouco efetivos, quando não prejudicam ainda mais o drama do povo maceioense.

Todas essas medidas e decisões só evidenciam o papel do Estado e do seu braço armado na vida do povo: vigiar e violentar os mais pobres, enquanto protege uma elite rica e se beneficia com os recursos. Maceió foi comprada por uma mineradora, sob a desculpa – que já se revelou falsa – de que se a empresa “quebrasse” seria pior, por danos em arrecadação e desempregos.Quanto vale os desempregos gerados pelo afundamento dos bairros? E as vidas perdidas por adoecimento físico, mental, incluindo os 14 suicídios? O tempo dobrado em congestionamento de trânsito, a limitação da mobilidade e o encarecimento absurdo de aluguéis e casas, porque – por óbvio- o mercado imobiliário decidiu aproveitar o desastre e abocanhar sua dose de lucro? Quanto vale as rotinas comunitárias, e os prédios históricos, os hospitais, praças, escolas, terreiros e igrejas fechadas?

A dignidade das vítimas é violada, a falta de transparência nas ações e acordos firmados com a Braskem alimenta a desconfiança da população, que se sente à mercê do controle governamental. . A Lagoa Mundaú foi maior testemunha da devastação provocada pela Braskem, tendo seus mangues alagados e, agora, avançando sob o colapso da mina. Marisqueiras e pescadores, abandonados pelos órgãos públicos, sofrem diretamente com a degradação ambiental, com a poluição e assoreamento da Lagoa, em razão do desmatamento nas margens. Os trabalhadores da pesca, primeiros a perceberem o adoecimento da lagoa, exigem ação imediata enquanto são os que mais sofrem com o racismo ambiental e injustiça climática.

Cabe lembrar que essa é a história da mineração. Uma história que, no Brasil, chegou junto à própria colonização e mantém seu modo de operar até hoje: Chegar, explorar as riquezas naturais, criar ilusão de ser ‘essencial’ para a sociedade onde se instala, enquanto acumula riqueza para si e deixa todo o território, com seu solo, sua água, seu subsolo, e seu povo, arrasados. Na sequência, procura outros lugares para destruir e lucrar. É uma história que já carrega junto o acúmulo ideológico e o conluio do Estado e sua própria ganância. Em Alagoas não é diferente.

Junto à população e às vítimas que não aceitam mais tantas mentira e expropriação, compreendemos que somente a mobilização e organização coletiva podem garantir a sobrevivência diante dessa tragédia.

A Braskem precisa ser expropriada, expulsa, e impedida de realizar mineração em qualquer lugar do mundo! Os bairros devem ser devolvidos para o povo, devidamente recuperados. A indenização tem que ser efetivamente justa e, ainda assim, sabemos que não compensará tantas dores! 

Essa mitigação, que ainda é mínima perto de tanta destruição, não virá por boa vontade de um Estado que, desde 2018, quando os primeiros tremores começaram, nunca se levantou para defender de fato a população, sempre buscando suavizar os efeitos para a empresa que tem arruinado os nossos territórios. Dele só esperamos mais medidas anti-povo!

Enquanto militantes organizados, é nosso compromisso estar ombro a ombro com a população atingida diretamente e reivindicar por justiça. Pelos nossos, nenhum minuto de silêncio mas uma vida toda em luta. Aqui também expressamos toda a nossa solidariedade às vítimas da Braskem.

FEDERAÇÃO ANARQUISTA DOS PALMARES

COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA

cabanarquista.org

agência de notícias anarquistas-ana

vôo de borboletra
do mundo das coisas
pro mundo das letras

Alexandre Brito

O falso anarquismo de Milei e seu apoio estrondoso a Israel

A Argentina está numa situação financeira difícil e o seu novo presidente planeja resolvê-la com uma versão ainda mais extrema do sistema financeiro que não deu certo até agora

Mostrar como o uso do termo “anarquismo” por Javier Milei é absurdo não exige muito esforço, mas o absurdo é altamente elegível em nossa era. Para um anarquista concorrer à presidência, ele estaria buscando um cargo que não acredita que deveria existir, e estaria ideologicamente comprometido em não fazer o trabalho. À medida que Milei faz campanha e vence a sua candidatura na Argentina, ele está, no entanto, empenhado em fazer um trabalho como chefe de Estado, apesar de se autodenominar anarquista. Seu compromisso é instaurar o mais livre dos mercados capitalistas e manter o governo o menor possível – sem que o seu próprio emprego deixe de existir. Isso significa acabar com regulamentos e ministérios, e exaltar stocks em dólares americanos e as forças armadas – para proteger bens privados. Como uma relação inquebrável com os EUA e Israel, que são as suas primeiras viagens internacionais confirmadas desde as eleições, pode ajudá-lo a alcançar esses objetivos?

A estratégia de Milei para gerar riqueza e conter a inflação é privatizar tudo, e isso já sacudiu a bolsa de valores nos EUA. Segundo a Reuters, o seu plano de vender a YPF, a empresa petrolífera nacional, já fez com que suas ações subissem 40% desde a vitória eleitoral. “A YPF é a maior empresa petrolífera da Argentina e supervisiona o desenvolvimento da Vaca Muerta, a segunda maior reserva de gás de xisto do mundo e a quarta maior reserva de óleo de xisto.” A dolarização da Argentina tornará esse tipo de venda ainda mais conveniente para os estrangeiros. Ao mesmo tempo, a privatização desses bens públicos estabilizará a dolarização.

Pelo menos é nisso que Milei está apostando, e ele precisa que funcione por vários motivos. Um deles é que a YPF está sob escrutínio judicial pela forma como foi nacionalizada em primeiro lugar. Uma sentença de 16 bilhões de um tribunal dos EUA paira sobre a cabeça da empresa devido à “apreensão” de ações de investidores minoritários em 2012.

Outra razão pela qual Milei precisa que esse plano funcione é que a Argentina é o país que mais deve dinheiro ao FMI no mundo. Se investimento do FMI, cujo objetivo é ajudar “países de baixo rendimento” a permanecerem ativos no mercado capitalista global, fracassou, será que entrar de cabeça no mercado dolarizado e privatizado funcionará como solução?

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://diplomatique.org.br/falso-anarquismo-milei-israel-palestina/

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brasa do tempo
acende quando passas
no pensamento

Carlos Seabra

[EUA] Prisioneiro anarquista Eric King é liberado para casa de recuperação após dez anos

Depois de quase dez anos de encarceramento e inúmeras tentativas do Estado de incriminá-lo, assassiná-lo e quebrá-lo, o prisioneiro anarquista Eric King foi libertado e está indo para uma casa de recuperação “por várias semanas”, informam os apoiadores.

Preso por realizar ações diretas em solidariedade à revolta de Ferguson, Eric King sobreviveu a tudo, desde a COVID até ataques de prisioneiros neonazistas e anos de abuso por parte dos guardas. Em uma declaração de 2016, King afirmou:

Mantenho minhas ações. Depois de ver o que aconteceu em Ferguson, tão perto de nós, fiquei revoltado com a falta de mobilização em minha cidade. A três horas de distância, as pessoas estavam lutando por suas vidas e nós nem sequer estávamos saindo às ruas. Não estávamos fazendo nada. Meu ato foi uma demonstração muito pessoal de minha raiva e fúria contra o Estado, bem como um ato de solidariedade a todos em Ferguson. Nunca conhecemos nossa própria força até sermos testados e, mesmo com minha sentença ridícula, sinto-me pelo menos orgulhoso de ter sido capaz de permanecer forte e recusar-se a cooperar com o Estado.

Em 2022, Eric King foi vitorioso no tribunal contra uma tentativa de incriminação por parte dos guardas, depois que eles o trancaram em um armário de suprimentos e tentaram aplicar-lhe uma pena adicional de 20 anos de prisão.

Atualmente, está sendo organizada uma campanha de arrecadação de fundos para Eric para ajudá-lo em seu pós-libertação. Eric também é um dos co-editores do novo livro, Rattling the Cages: Oral Histories of North American Political Prisoners (Histórias Orais de Prisioneiros Políticos Norte-Americanos), publicado pela AK Press, cujas vendas beneficiam o programa de arrecadação de fundos da Cruz Negra Anarquista e a família de Eric King.

A bravura e a coragem de Eric diante de anos de tortura e abuso são um testemunho de nossa capacidade coletiva de resistir e enfrentar os horrores da repressão do Estado. Para futuras atualizações, não deixe de conferir a página Support Eric King, aqui (supportericking.org).

Fonte: https://itsgoingdown.org/anarchist-prisoner-eric-king-released-to-halfway-house-after-ten-years/

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Ruído de chinelos
No quintal do lado –
Mas que calor…

Paulo Franchetti

[Grécia] Grande mobilização pela defesa das montanhas no centro de Atenas

Na segunda-feira, 11/12, milhares de pessoas marcharam para defender as montanhas contra o “desenvolvimento verde”. Dezenas de coletivos, clubes de caminhada, grupos de movimentos anarquistas em Atenas mas também na província, reuniram-se em Monastiraki e marcharam em direção a Omonia e Syntagma [em frente ao parlamento grego] para gritar pelas montanhas livres sem turbinas eólicas!

“O aquecimento global só pode ser evitado através de processos democráticos diretos, do envolvimento direto dos cidadãos e das comunidades e não por alguns políticos profissionais ou tecnocratas que podem e são comprados pelas empresas que enriquecem à custa da natureza e das próximas gerações”, disse um manifestante.

Acrescentando: “Além disso, o nosso slogan central era o (des)desenvolvimento, um projeto defendido por muitos grupos na região grega que lutam por montanhas sem parques eólicos. Contra a lógica do nimby (“não no meu quintal”) ou de vozes que sugerem que as mudanças climáticas são apenas um truque vindo de cima para criar outro novo mercado e, portanto, mais lucros. Acreditamos que questionar a ideologia do desenvolvimento eterno (mais e mais produção, cada vez mais consumo) é necessário. Para salvar a natureza, é necessário encolher a economia e construir comunidades com novas prioridades, as da solidariedade, do pluralismo das relações humanas e do lazer”.

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siriris batendo
na lanterna de papel
barulho de chuva

Luciana Bortoletto

[Espanha] Pare a guerra na Palestina. Nem Hamas nem Netanyahu

Comunicado da CNT/AIT Federação Local de Fraga

Os acontecimentos atuais nos levam a ter que recordar, uma vez mais, que somos contrários ao militarismo e a qualquer guerra. O manifestamos sempre, faz pouco o fizemos reclamando o final da guerra na Ucrânia. Agora nosso pensamento está ao lado das pessoas que estes dias sofrem a barbárie na Palestina.

O ataque de sete de outubro passado do Hamas, contra a população civil do outro lado da cerca que separa as comunidades hebreia e palestina foi o detonador e o pretexto para a desproporcional resposta militar que o governo de Netanyahu está levando a cabo em Gaza. Mas também na Cisjordânia e no sul do Líbano, sem esquecer a dura repressão exercida contra a própria população israelense dissidente.

Uma ação militar, a do exército israelense, atroz e cruel contra uma população indefesa e que retrocede a práticas militares de caráter criminoso, perpetradas em outros tempos pelo nazismo, ou recentemente pelo exército russo na Ucrânia. Recordemos os bombardeios contra hospitais, centros educativos e edifícios de moradias, a destruição de infraestruturas civis, o uso de armamento proibido, a detenção massiva de inocentes e a limpeza étnica que estes dias se pratica em grande escala, assim como as dezenas de milhares de palestinos assassinados – majoritariamente civis entre os quais se encontram muitos menores de idade – e mais de um milhão de pessoas deslocadas.

Tampouco se pode ignorar o longo histórico de violações aos direitos humanos por parte do Estado de Israel, que durante décadas está praticando uma política de apartheid contra a população palestina. Tudo isso com a cumplicidade dos Estados Unidos e da maior parte dos governos da órbita ocidental capitalista e da Europa, incluindo a Espanha que continua mantendo relações comerciais em matéria de defesa, quer dizer, vendendo armas apesar das declarações do atual presidente do governo contrárias ao ataque militar.

Queremos recordar que nesta como em todas as guerras sempre leva a pior parte a população civil sem distinção. Somos conscientes de que, entre as duas partes em conflito, existem comportamentos fanáticos e irracionais e, portanto, desumanos; mas também abundam entre as duas comunidades pessoas e grupos que desejam viver em Paz e trabalham para alcançá-la. Concretamente, desde a anos, existem numerosas pessoas que se declaram objetores de consciência ao serviço militar; além do movimento antissionista e pró palestino integrado por pessoas de religião e cultura judia em muitas partes do mundo, na Europa, Estados Unidos e mesmo Israel.

É por isso que a CNT/AIT de Fraga sempre estaremos com as pessoas de baixo, com as que lutam pela Paz e a Fraternidade Humana, sem fazer distinção entre culturas e tradições religiosas; apoiaremos a aqueles que reclamam outras formas de organização territorial, mais além da criação de novos Estados. Nos somamos às exigências do cessar de toda operação bélica, militar ou/e terrorista com o objetivo de parar o genocídio israelense. Exigimos aos governos dos países ocidentais que contribuam para o final do massacre deixando de fornecer armas e que se abram caminhos de diálogo para chegar a acordos que garantam uma Paz duradoura.

Nem Hamas nem Netanyahu

Pela Paz, pela Fraternidade Humana e Universal

Fraga, dezembro de 2023.

CNT/AIT Federação Local de Fraga

Tradução > Sol de Abril

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O som do aguaceiro
nas folhas da bananeira —
de prender o fôlego.

Carlos Martins

[Portugal] À conversa com a descrença, sobre deus e o estado

Veremos aparecer nos próximos meses uma nova edição de “Deus e o Estado”, texto escrito em 1871 pelo anarquista e filósofo russo Mikhail Bakunin (1814-1876), que será também a estreia da editora Descrença. Conversámos com os editores, Ricardo e António, acerca de Bakunin, da religião, da sua relação umbilical com o poder do Estado, dos abusos sexuais na Igreja e da autoridade da ciência.

Em relação à anterior publicação em língua portuguesa de “Deus e o Estado”, o que traz esta edição de novo?

R – O que nós conhecemos como “Deus e o Estado” é apenas um extracto de umas primeiras cartas que foram editadas ainda em pleno século XIX, inclusive numa edição portuguesa reduzida de 1895 (“O sentido em que somos anarquistas“). Na altura não se conhecia a totalidade da obra de Bakunin, existiam uma série de cartas que estavam perdidas e que só foram recuperadas e editadas no início do século XX, por Max Netlau. Há uma edição traduzida para português pela Assírio e Alvim, de 1976, a partir de uma edição francesa incompleta e com uma diferente organização de conteúdos. Esta nossa edição inclui agora outros dois documentos: “O Império Knuto-Germânico e a Revolução Social” e “O Princípio Divino”. Este conjunto nunca foi editado na sua versão integral em português. Mas são tudo cartas. Bakunin só editou um livro: “Estatismo e Anarquia”. Tudo o resto são cartas.

A – Cartas às vezes não acabadas. Numa parte deste livro, há uma carta que não acaba.

R – E há partes nas cartas que estão ilegíveis. E outras que nunca se encontraram, que estão perdidas.

Para quem escreve Bakunin?

R – Ele tem muitos correspondentes. Estamos a falar de uma correspondência que ele mantém com amigos, com sociedades e alianças operárias.

A – São sociedades secretas.

R – São, no fundo, os começos da AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores), da primeira Internacional. Escreve para congressos operários, para outros companheiros. E depois ele não parou no mesmo sítio. Ele foi exilado, esteve na prisão desterrado na Sibéria, escapou, foi até ao Japão, esteve em Nova Iorque, esteve em Londres, esteve em Itália, em França…

A – E na Itália, há uma carta que ele escreve «aos companheiros de Itália» contra o Mazzini – o Mazzini era republicano e queria também matar o rei, mas tinha um pensamento religioso, era um defensor de Deus de alguma maneira.

R – Ele entra num diálogo também a dada altura acerca de Proudhon – e sabe-se da diferença entre o pensamento de Proudhon e o pensamento de Bakunin – em que ele diz que o Proudhon, filosoficamente, é como um artesão, tem um pensamento um pouco limitado em relação à dimensão do anarquismo. Enquanto em Bakunin é uma coisa muito ampla, ele tem uma ideia muito concreta de que como isto se pode montar.

A – Também porque as ideias de Proudhon eram mais teóricas… Enquanto que, com Bakunin, começam a transformar-se em acção. Há revoltas em toda a Europa e ele quer levar a revolta a todos os países.

R – E onde ele participa. Nas revoltas de 1848 contra as monarquias europeias, ele participa nas insurreições. Esteve nas barricadas. Essa é uma crítica feita ao Marx: que nas revoltas era o primeiro a sair. Enquanto isto, Bakunin está lá nas barricadas e é preso. Em 1849 lutou com o Richard Wagner em Dresden, por exemplo, e até dizem que na ópera de Wagner, “O Anel do Nibelungo”, existe um personagem baseado em Bakunin (Siefried).

Proudhon também era mais conservador, por exemplo em relação às mulheres. Defendia que elas deviam ficar em casa. Bakunin teve uma posição muito mais libertadora. Essa posição aparece em “Deus e o Estado”?

R – Acho que não directamente. Mas quando ele fala em emancipação, é total. Não é apenas para os homens. Mas não há uma direcção nesse sentido, como o que vemos depois com a Emma Goldman. Falo nela porque ela é uma das militantes anarquistas que segue o pensamento de Bakunin, principalmente no que é o ateísmo anarquista. No “Mother Earth” ela publica incessamentente as cartas de Bakunin. Mas, na altura, já o Most, o Johann Most falava na «peste religiosa», um texto básico anti-religioso.

A – … E a filha de Bakunin, que ficou em Nápoles – porque o Bakunin esteve lá um tempo, ele pensava que o povo italiano era um povo revolucionário e tentou também organizar uma revolta em Bolonha que falhou… e muita gente diz que ele foi obrigado a escapar vestido de padre, não sei se é verdade – mas, voltando atrás, a filha do Bakunin era cientista, o que no final do século XIX não era comum. Portanto acho que a sua emancipação terá tido alguma influência do pai.

R – E diz-se que ele era apaixonado pela irmã. Essa questão da influência feminina na vida dele é muito forte.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.jornalmapa.pt/2023/12/12/a-conversa-com-a-descrenca-sobre-deus-e-o-estado/

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Nesse fim de mundo
Um girassol solitário —
A quem marca as horas?

Neide Rocha Portugal

A ruptura do pacto social democrata pelos de baixo!

A eleição de Lula/PT e Elmano/PT no Ceará pareciam selar uma força onipotente no estado. A força que levou a vitória no primeiro turno quando nenhuma pesquisa levantava essa possibilidade, deu força para o PT e seu grupo político, levando-o a acelerar sua integração sistêmica.

Elmano de Freitas/PT foi advogado do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra/MST, portanto, alguém que vem do movimento social. Parte de seu corpo de secretários também vem de movimentos como Miguel Braz/Consulta Popular, Moisés Brás que vem da FETRAECE, Cacica Irê do povo Jenipapo-Kanindé entre outros. Supostamente seriam aliados dos movimentos sociais, mas são entraves entre a luta dos povos e os capitalistas.

Transição energética e o papel do Ceará

O Nordeste brasileiro, em especial o Ceará, é polo para a produção de hidrogênio verde no Complexo Termelétrico do Pecém. Estima-se que a demanda pela transição energética, acelerada pela segunda Guerra Fria, possa fazer o capitalismo “verde”, permitindo uma produção de mercadorias de modo “sustentável”, como se um sistema historicamente predador da força de trabalho das massas populares e dos ciclos biológicos da Natureza fosse passível de ter alguma sustentabilidade social ou ecológica.

Nesta transição está em jogo a produção do hidrogênio verde, mas também da energia solar e eólica como alternativas aos combustíveis fósseis. Há décadas que as populações costeiras do nordeste brasileiro sofrem com a investida de empresas de energia eólica, que convertem terras tradicionalmente ocupadas em parques eólicos e solares que têm por objetivo abastecer a demanda energética das indústrias capitalistas, destruindo os modos de vida tradicionais de comunidades pesqueiras.

Percebemos, então, que o centro da disputa da “transição energética” ou da guerra por recursos minerais e energéticos tem como objetivo abrir frentes de expansão econômicas para a reprodução do sistema interestatal capitalista numa fase em que sucessivas crises de acumulação do capitalismo ultramonopolista vão se conjungando com os efeitos das crises ambientais, como bem evidencia a presente emergência climática. Nesse processo, o capitalismo “verde” potencializa as hierarquias do capitalismo fóssil como aquela entre campo e cidade, pois recursos energéticos para as indústrias capitalistas nas cidades são gerados às custas dos territórios de povos tradicionais.

É, assim, uma falsa transição porque baseada numa suposta mudança para tecnologias ditas renováveis, mas sem mudança de sistema socioeconômico, sem contestação nem busca de superação do principal causador da atual crise sócioecológica que é o sistema interestatal capitalista.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2023/12/13/a-ruptura-do-pacto-social-democrata-pelos-de-baixo/

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Alta madrugada,
sabiá boêmio entoa
um lânguido canto.

Alberto Murata

[Reino Unido] Poeta britânico e autoproclamado ‘anarquista’ Benjamin Zephaniah morre aos 65 anos

Por Pan Pylas | 07/12/2023

Morre Benjamin Zephaniah, poeta britânico, ativista político e ator que se inspirou muito em suas raízes caribenhas. Ele tinha 65 anos.

Zephaniah morreu na quinta-feira e havia sido diagnosticado há oito semanas atrás com um tumor cerebral, conforme comunicou sua família no Instagram.

“Nós o compartilhamos com o mundo e sabemos que muitos ficarão chocados e tristes com esta notícia”, disse a família. “A esposa de Benjamin esteve sempre ao seu lado e estava presente quando ele faleceu.”

Zephaniah, que nasceu em Birmingham, no centro da Inglaterra, em 15 de abril de 1958, era uma presença perspicaz e muitas vezes provocativa na mídia britânica, além de se apresentar regularmente em reuniões e manifestações políticas.

Facilmente reconhecível pelos seus longos dreadlocks e pelo seu sotaque local, Zephaniah nunca teve vergonha de defender as suas opiniões sobre intolerância, racismo, refugiados, revoluções e alimentação saudável. Ele foi, sem dúvidas, o poeta mais conhecido da Grã-Bretanha de seu tempo, tanto em casa, atuando em salas de aula ou em grandes comícios políticos.

“Eu o admirei, o respeitei, aprendi com ele, o amei”, disse o escritor e poeta britânico Michael Rosen.

Filho de um funcionário dos correios nascido em Barbados e de uma enfermeira jamaicana, Zephaniah se imaginava poeta desde muito jovem, mas teve dificuldades na escola por causa da dislexia. Ele foi expulso aos 13 anos, incapaz de ler ou escrever, tendo aprendido a fazer as duas coisas quando adulto.

Aos 20 anos, viajou para Londres, onde publicou seu primeiro livro “Pen Rhythm”. Posteriormente, ele escreveria coleções focadas em questões específicas, como o sistema jurídico do Reino Unido e a ocupação dos territórios palestinos por Israel.

Sua escrita foi frequentemente classificada como poesia dub, gênero que surgiu na Jamaica na década de 1970 e combina batidas de reggae com uma mensagem política contundente. Zephaniah também foi um prolífico poeta infantil e membro fundador do The Black Writers’ Guild. A organização disse estar “de luto pela perda de um amigo profundamente valioso e um titã da literatura britânica”.

Desde 2011, ele era responsável pela disciplina de redação criativa na Brunel University, no noroeste de Londres, onde era professor. A universidade descreveu Zephaniah como um “tesouro nacional” e elogiou a “imensa contribuição” que ele deu à vida universitária. Zephaniah também obteve títulos honorários de várias universidades britânicas.

Ele tinha uma série de talentos, se apresentando com o grupo “The Benjamin Zephaniah Band” e atuando nos últimos anos no popular seriado da BBC “Peaky Blinders”. Seu programa de televisão “Life and Rhymes” na Sky Arts, que exibiu criatividade lírica, ganhou um BAFTA, o equivalente britânico ao Emmy, de programa de entretenimento do ano em 2021.

Em 2003, Zephaniah recusou a oferta de se tornar Oficial da Ordem do Império Britânico, ou OBE, devido à sua associação com o Império Britânico e à sua história de escravidão. “Tenho lutado contra o império toda a minha vida, tenho lutado contra a escravidão e o colonialismo toda a minha vida, tenho escrito para me conectar com as pessoas e não para impressionar os governos e a monarquia, então como eu poderia aceitar uma honra que coloca a palavra império em meu nome?”, disse ele. “Isso seria hipócrita.”

Sua autobiografia de 2018, “The Life And Rhymes Of Benjamin Zephaniah”, narrou sua vida desde os soundsystems de Birmingham até o cenário global. Foi indicada para autobiografia do ano no Britain’s National Book Awards. Naquele ano, Zephaniah disse acreditar em mudanças radicais na sociedade, como o auto policiamento das pessoas. “Eu sou um anarquista. Acredito que tudo isso precisa ser demolido. Acredito que precisamos começar de novo. Não acredito que precisemos de governos e do tipo de modelos que temos”, disse ele ao Channel Four News. “Mas também estou ciente de que não vamos conseguir isso agora.”

Durante sua carreira musical, Zephaniah trabalhou com a falecida cantora irlandesa Sinead O’Connor em “Empire”, e com o músico britânico Howard Jones e o baterista Trevor Morais em seu álbum “Naked”.

Zephaniah também foi um torcedor apaixonado e embaixador do time de futebol da Premier League, Aston Villa, o clube de maior sucesso de Birmingham.

Tradução > meiocerto

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agência de notícias anarquistas-ana

o pouso silente
da borboleta de seda
celebra a manhã

Zemaria Pinto

[Reino Unido] Morre Benjamin Zephaniah

Benjamin Zephaniah, anarquista, um querido ator, escritor e poeta, faleceu recentemente (07/12). Esta notícia profundamente comovente é um choque para muitos, ele tinha apenas 65 anos. Essa morte repentina foi resultado de um tumor cerebral que ele havia sido diagnosticado há apenas oito semanas. O ator foi uma parte crucial da adorada série Peaky Blinders, interpretando o papel recorrente de Jeremiah “Jimmy” Jesus, um pregador de rua que era próximo da família Shelby.

“Eu não vou continuar falando de Capitalismo, Socialismo ou Comunismo, mas fica claro que uma coisa que todos eles têm em comum é a necessidade de poder. Por trás da necessidade de poder todos esses sistemas têm teorias, teorias sobre tomar o poder e o que eles desejam fazer com o poder, mas é aí que se encontra o problema. Teorias e poder. Eu me tornei um Anarquista quando eu decidi abandonar as teorias e parar de perseguir o poder. Quando eu parei de me preocupar com essas coisas eu me dei conta que a minha natureza é a verdadeira Anarquia. É a nossa natureza. É o que nós fazíamos antes das teorias chegarem, é o que nós fazíamos antes de termos sido encorajados a competir uns com os outros. Grandes coisas vêm sendo escritas sobre o Anarquismo, e eu acho que isso é teoria Anarquista, mas quando eu tento fazer os meus amigos lerem (estou falando de livros grandes com palavras grandes), eles têm dor de cabeça e se afastam. Daí, eu desligo a publicidade (a TV, etc) e sento com eles, e os lembro o que eles podem fazer para eles mesmos. Eu dou exemplos de pessoas que vivem sem governos, pessoas que se auto-organizam, pessoas que tomaram de volta a própria identidade espiritual – e de repente tudo faz sentido.”

Que a terra lhe seja leve, obrigado Benjamin!

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No final da tarde
todos estão apressados —
Chuva se anuncia…

Fagner Roberto Sitta da Silva

[Espanha] Liberdade Abel | Semana de Solidariedade de 11 a 17 de dezembro de 2023

Em 10 de novembro de 2018, no contexto da contra-manifestação antes da concentração da JUSAPOL, no final da mesma, ocorre um incidente. Na estação de metrô Urquinaona, um nazista cai da escada. Dois companheiros são convocados para uma parada de identidade, acusados de empurrar o nazista. Eles são acusados de agressão e agravante de crime de ódio. O crime de ódio foi justificado com o argumento de que se tratava de um ataque às liberdades individuais porque ele estava carregando uma bandeira espanhola. O que não é mencionado no processo policial é que o indivíduo em questão estava usando uma camiseta do Arjuna, um grupo do RAC (Rock Against Communism). A sentença final do julgamento ocorreu em 2021 e a decisão do Tribunal Provincial sobre o recurso foi enviada em outubro de 2022. A sentença, que está novamente aguardando outro recurso, resultou em uma pena de 3 anos e 9 meses de prisão e 10.000 euros em responsabilidade civil, indenização e custas judiciais, que no momento não há intenção de pagar.

Em vista desses fatos, queremos destacar os arquitetos desse processo e seu papel ao longo desses quatro anos. Em primeiro lugar, destacamos a associação da Polícia Nacional e da Guarda Civil conhecida como JUSAPOL, que após os eventos de 1º de outubro tentou glorificar a pátria e a repressão que ocorreu na Catalunha durante esses meses. Em segundo lugar, encontramos a promotoria, os Mossos d’Esquadra [polícia catalã] e o juiz do caso, que se coordenam e cooperam para criar a história e a sentença final, como partes do Estado que pune a dissidência e quer eliminar qualquer indício de luta. Toda essa história foi apoiada e disseminada pela mídia, que mais uma vez se colocou a serviço do Estado para oferecer a ele suas ferramentas de propaganda. Por fim, como testemunha, queremos destacar o papel do guarda de segurança da Prosegur que, não podendo ser um herói naquele dia, decidiu sê-lo durante o julgamento. Ele testemunhou e serviu como prova para ampliar os fatos ocorridos.

Um ponto que gostaríamos de destacar é a perseguição política que foi perpetuada durante todo o processo judicial. Casos anteriores e identificações ocorridas em manifestações anarquistas foram usados durante o julgamento para justificar a condenação, juntamente com o agravante de ódio. Algumas dessas identificações não foram feitas diretamente, mas foram obtidas por meio de gravações e outros meios. É por isso que afirmamos que nosso companheiro está sendo condenado por ser anarquista.

Queremos agradecer a todas as pessoas que estiveram presentes durante todo esse tempo, dando apoio político e emocional. A repressão é um elemento que afeta a todos nós e que devemos enfrentar coletivamente. Entendendo isso, pedimos solidariedade ativa e combativa nas ruas. Qualquer demonstração de apoio será bem-vinda e também o incentivamos a ficar atento a mais atualizações sobre o caso.

#LlibertatAbel

agência de notícias anarquistas-ana

Quero ouvir na noite
os sapos que embalarão,
eternos, meu túmulo.

Alexei Bueno

[Espanha] Jornada de portas abertas na FAL. Uma viagem por nossa memória gráfica: ‘Fondo Fotográfico Moderno’

Na próxima quinta-feira, 14 de dezembro, às 19h00, convidamos você a vir à biblioteca da FAL para conhecer em primeira mão o Fundo Fotográfico Moderno do arquivo da Fundação e os avanços em seu processo de catalogação.

Essa jornada de portas abertas é destinada a todos os militantes libertários, àqueles que pesquisam tópicos relacionados ao anarquismo, ao movimento dos trabalhadores e aos movimentos sociais, a qualquer pessoa interessada em conhecer os arquivos da Fundação e, é claro, a qualquer pessoa que ame a fotografia como documento histórico ou como objeto artístico. Não é necessário fazer reserva, mas pedimos que você seja pontual para que possamos organizar a visita adequadamente.

Os positivos, negativos e postais dessa coleção navegam entre o exílio, as prisões franquistas, o intenso período da Transição e as últimas décadas do século XX, momentos em que a FAL se preocupou em trabalhar em prol de uma cultura libertária atualizada; uma cultura que está ligada ao presente, mantendo vivas suas raízes revolucionárias.

A primeira fase da catalogação dessa coleção e da melhoria de sua conservação foi possível graças ao crowfunding realizado pela Fundação no final de 2022. A catalogação completa será concluída em dezembro de 2023, quando teremos terminado o desenvolvimento das ferramentas de descrição necessárias para abrir o acesso a todos os interessados. A partir desse momento, a Coleção Fotográfica Moderna poderá ser pesquisada, embora continuemos a ampliar as descrições e a digitalizá-la para facilitar sua consulta telemática e conservação.

Para aqueles que nos visitarem na próxima quinta-feira, explicaremos quais coleções compõem esse acervo e como foi realizado o processo de catalogação. Além disso, algumas das fotografias que selecionamos por sua força, beleza ou história particular estarão em exibição durante a tarde.

Uma parte fundamental da memória gráfica do anarquismo espanhol, do exílio libertário, da Transição e da luta autônoma pode ser encontrada em nosso arquivo, agora agrupada em uma coleção fotográfica cheia de valor e significado; fotografias protegidas da repressão e da passagem do tempo graças à tenacidade de todas as pessoas que a tornaram possível.

Não perca esta oportunidade única de ver em primeira mão um dos arquivos mais valiosos da Fundação.

Estamos ansiosos para vê-lo!

Quando? Quinta-feira, 14 de dezembro

Hora? 19:00 horas

Onde? Sede da FAL em Madri. Calle Peñuelas, 41. Metrô Acacias ou Embajadores.

fal.cnt.es

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Lentos dias se acumulam –
Como vão longe
Os tempos de outrora.

Buson

Presa na Hungria, Ilaria denuncia as péssimas condições da prisão

Ilaria, uma anarquista e antifascista, está presa em Budapeste (Hungria) há nove meses pelos eventos que ocorreram durante o chamado “Dia de Honra”, ou seja, o encontro internacional de neonazistas do Leste Europeu realizado na capital húngara em fevereiro passado.

Em uma carta escrita aos seus advogados, Ilaria denuncia uma situação de pesadelo: detentos em uma “coleira”, a obrigação de olhar para a parede durante os intervalos nos corredores, “desnutrição”, baratas, ratos e percevejos “nas celas e corredores”, “apenas uma hora de ar por dia”. Por mais de seis meses, Ilaria ficou “impossibilitada de se comunicar com sua família”, enquanto durante o único interrogatório, que ocorreu sem um advogado, ela foi humilhada publicamente, forçada a “usar roupas sujas, maltratadas e fedorentas”. A missiva – composta de dezoito páginas escritas à mão – foi protocolada no Tribunal de Apelação de Milão pelos advogados de defesa para solicitar a não execução do mandado de prisão europeu e, portanto, a transferência para uma prisão húngara de Gabriele, o antifascista milanês preso há alguns dias e agora em prisão domiciliar.

A audiência para decidir se Gabriele deve ou não ser extraditado para a Hungria ocorrerá em 5 de dezembro, no contexto do maxi-julgamento realizado pelo judiciário húngaro contra cerca de vinte antifascistas de metade da Europa, que chegaram a Budapeste em fevereiro passado para se opor à descida continental de neonazistas para o chamado “Dia de Honra”.

Os antifascistas são acusados de lutar contra os nazistas nas ruas, causando a alguns deles ferimentos que foram considerados curados em poucos dias ou semanas. Apesar disso, eles são acusados de lesão agravada ou até mesmo de tentativa de homicídio, tanto que Ilaria recebeu uma oferta de acordo para 11 anos de prisão.

A Radio Onda d’Urto falou sobre o assunto com Eugenio Losco, advogado de Ilaria e Gabriele, e Mauro Straini Ouça ou faça o download (radiondadurto.org/wp-content/uploads/2023/11/Eugenio-Losco-Missiva-Ilaria.mp3).

Tradução > Liberto

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Os meus sentimentos
como origami no arame
sempre em movimento

Uhracy Faustino

[Grécia] Para o companheiro Alfredo Bonanno

Palavras do companheiro Nikos Maziotis desde as prisões gregas.

O companheiro Alfredo M. Bonanno faleceu com a idade de 86 anos. Viveu toda sua vida no mundo da luta e da anarquia. Foi um dos principais representantes da tendência insurrecional do movimento anarquista italiano, com uma grande colaboração teórica e trabalho editorial. Foi diretor da revista Anarchismo e de outras publicações anarquistas. Por suas atividades foi repetidamente perseguido e encarcerado pelo Estado italiano junto com outros companheiros nos anos 90, por exemplo pelo caso O.R.A.I. (em 1996), pela expropriação armada da Cassa Rurale di Serravalle, na zona de Trento, em 1994 e por outros atentados.

Tinha vindo várias vezes à Grécia. A primeira vez que me reuni com ele foi em janeiro de 1993, quando me visitou no Hospital Militar 424 de Tessalônica após uma greve de fome de 50 dias. Acabava de sair da prisão militar de Tessalônica por negar-me a fazer o serviço militar. Em 1999 também havia vindo à Grécia e se declarou como testemunha da defesa política em meu julgamento pelo atentado contra o Ministério de Desenvolvimento em dezembro de 1997, que foi um gesto de solidariedade com a luta levada pelos habitantes dos povos do golfo de Strymonikos, no norte da Grécia, na península de Calcídica (Olympiada, Varvara, Stavros, Asprovalta) contra a implantação da multinacional canadense de ouro TVX GOLD, a qual mais tarde sucedeu Hellas Gold, filial de Eldorado Gold. Foi um julgamento político histórico nos anais do movimento anarquista grego, no qual pela primeira vez na Grécia, após a queda da Junta, se defenderam formas de ação e luta armadas. Nesse julgamento, após um chamado à solidariedade internacional, testemunharam, além dos companheiros gregos e de Alfredo Bonanno, Costantino Cavalleri, companheiro da tendência insurrecional do movimento anarquista italiano, e a companheira Hellyette Bess, que havia sido membro da organização guerrilheira francesa Action Directe, encarcerada durante vários anos por sua participação na organização. Três membros da Action Directe então encarcerados, Jean-Marc Rouillan, Joëlle Aubron e Nathalie Ménigon, também haviam enviado uma mensagem escrita de solidariedade ao tribunal.

A última vez que vi o companheiro Alfredo foi em 2010-11 na prisão de Korydallos, quando estávamos detidos por nossa participação no “Luta Revolucionaria”. Também estava na prisão acusado de expropriar um banco na Grécia. Com o companheiro Alfredo, apesar de nossos diferentes enfoques da luta e modos de ação, estamos unidos por uma linha invisível, como tantos outros companheiros de todo o mundo que dedicam toda sua vida à luta para liberar a humanidade dos grilhões do Estado e do capital.

Companheiro, segues vivo em nossa memória e em nossas lutas.

Nikos Maziotis, condenado e encarcerado por ações reivindicadas do Luta Revolucionaria.

Grécia, dezembro de 2023

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1628067/

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/12/10/italia-morre-o-companheiro-alfredo-bonanno/

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Tonalidade
Palidamente verde
em rosa fogo

Helena Monteiro

[Chile] Sentenças contra os companheiros Mónica Caballero e Francisco Solar

Hoje, 7 de dezembro de 2023, o 6º Tribunal Oral Criminal de Santiago decidiu impor longas sentenças à liberdade dos companheiros, tentando com essa sentença asquerosa atingir e enterrar em concreto as ideias e práticas anarquistas. Em detalhes, as sentenças são as seguintes:

Para Mónica Caballero, 12 anos de prisão, condenada como cúmplice no duplo atentado a bomba contra o edifício Tánica em fevereiro de 2020.

Francisco Solar foi condenado a um total de 86 anos de prisão. Dois envios de artefatos explosivos (54 Comissária e Hinzpeter): 12 anos + 12 anos. Uma acusação de homicídio frustrado a carabineros: 15 anos. Uma acusação de lesão grave a um carabineiro: 6 anos. Um delito de lesão menos grave: 600 dias. Cinco delitos de lesões leves: 100 dias (cada). 500 dias. Uma acusação de danos agravados (Comissária): 818 dias. Uma acusação de homicídio frustrado contra Hinzpeter: 12 anos. Dois delitos de colocação de um dispositivo explosivo (Tánica): 12 anos + 12 anos.

Nos próximos dias se saberá se alguma das partes defensoras apelará das sentenças, caso contrário não haverá modificação das sentenças impostas pelos juízes.

As determinações desproporcionais da inquisição democrática ilustram o incômodo permanente que as ações anárquicas geram para o poder e seus defensores, nada mais é do que a necessidade estatista de advertir aqueles que buscam percorrer os caminhos do confronto, no entanto, sabemos que nenhuma sentença deterá a expansão das ideias anárquicas contra o mundo da autoridade.

A solidariedade militante cúmplice aniquilará os muros que mantêm nossos irmãos e irmãs como reféns!

Morte ao Estado e Viva a Anarquia!

Fonte: https://informativoanarquista.noblogs.org/post/2023/12/08/chile-condenas-contra-lxs-companerxs-monica-caballero-y-francisco-solar/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/11/09/chile-veredicto-contra-os-companheiros-anarquistas-monica-e-francisco/

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tanto ao lado da chaminé,
como ao lado da porta –
o gato gelado

Jadran Zalokar

[Espanha] Barcelona: Despejos dos centros sociais El Kubo e La Ruïna e do CSO Estudi 9

Os despejos de três casas ocupadas ligadas ao movimento anarquista finalmente aconteceram. São eles El Kubo e La Ruina, localizados em Bonanova, em Sant Gervasi, Barcelona, e o CSO Estudi 9, em Santa Coloma de Gramanet. Diante da iminência dos despejos, marcados para o dia 30, as casas emitiram um comunicado público no qual afirmaram que “nossas casas são trincheiras” e propuseram uma resistência total.

O contexto é a tentativa fracassada de despejar La Ruina em março passado. No início da campanha eleitoral, esse evento foi usado pela extrema direita para alertar contra a ocupação de propriedades, que, por causa de Ada Colau, havia se espalhado por toda a cidade. Evidentemente, essa afirmação é totalmente falsa, pois nos lembramos de outras épocas em que a ocupação de imóveis em Barcelona teve grande aceitação popular e Colau não estava exatamente no poder. O fato é que as eleições colocaram os holofotes sobre essas ocupações politizadas e a empresa paramilitar Desokupa organizou uma manifestação contra as ocupações em 11 de maio. Tudo isso se esvaziou como um suflê diante da passividade do bairro, que nunca viu as ocupações como problemáticas, apesar de ser um “bairro da parte alta da cidade”. Ficou demonstrado que a controvérsia foi totalmente egoísta e instrumentalizada por interesses externos.

Mas o tempo passou, e a extrema direita não perdoou o insulto constrangedor a Ruina ou Kubo. Hoje, às 6h da manhã, um exército de 400 mossos d’esquadra [polícia catalã] iniciou o cerco em estilo medieval às casas ocupadas em Bonanova. Nada menos que 40 vans da polícia chegaram à área para removê-las. Estima-se que a operação tenha custado 125.000 euros ao público, sem contar as substâncias que os agentes poderiam estar carregando. Uma gaiola de proteção usada pelos policiais para se protegerem dos objetos e líquidos lançados contra eles das janelas dos blocos chamou a atenção. Por volta das 10 horas, a polícia retirou as pessoas que estavam no telhado ou penduradas na fachada, encerrando assim a operação. Como resultado, sete pessoas foram presas.

A polícia escoltou alguns representantes da SAREB, a famosa administradora dos apartamentos que os bancos nunca conseguiram vender, que foi a opção escolhida pelo governo de Rajoy para salvar os bancos. Vale a pena observar que, após o despejo, um grupo de policiais foi visto tirando uma foto em grupo. Está claro que os vídeos de tiktok não são mais exclusivos do exército israelense. Talvez um dia vejamos a polícia de choque dançando.

A CSO Estudi 9 em Santa Coloma foi então despejada. Cerca de cem mossos d’esquadra arrombaram a porta e entraram violentamente no prédio. Lá dentro, ativistas com os braços mergulhados em tambores de cimento estavam esperando por eles. Uma delas teve seu braço puxado à força para fora do tambor, causando-lhe ferimentos. Outras pessoas foram acorrentadas. Houve uma acusação policial contra as pessoas solidárias que estavam se reunindo do lado de fora do prédio.

Posteriormente, todos os detidos foram liberados. Vale a pena mencionar a manifestação de solidariedade na Cidade da Justiça, convocada pela manhã, e outra às 19h, à noite, em Bonanova. No sábado, dia 2, outra manifestação também foi convocada, pois está claro que há uma ofensiva policial contra espaços ocupados de natureza política.

Fonte: https://alasbarricadas.org/noticias/node/53544

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Encontro fugaz.
Neblina abraça o velho
lampião de gás.

Rogério Viana