[Espanha] Nasce Redes Libertarias. Tecendo redes de afinidades no movimento libertário

Nasce Redes Libertarias, coletivo que busca tecer redes de afinidades no movimento libertário com uma revista digital e um site web (redeslibertarias.com), assim como com a divulgação de outras muitas iniciativas

Somos um coletivo de afinidades que se baseia nas similitudes ideológicas entre nós, as pessoas que o compomos, desde o reconhecimento de nossas diferenças, levando em consideração e aceitando o temperamento, as diferentes formas de sensibilidade, os diferentes traços de caráter e as diferentes maneiras de nos integrarmos com as demais. A associação baseada na afinidade deve ser a arte de despertar em cada pessoa a capacidade de mobilizar recursos novos, positivos e portadores de liberdade e de vida.

Este coletivo, dotado de uma estrutura e funcionamento não hierárquico, acaba de ver a luz este ano de 2023 com o propósito e o desejo de analisar e refletir coletivamente sobre a realidade e a sociedade atual, sob uma perspectiva libertária e anarquista do mundo que habitamos, com o objetivo de avaliar o que está acontecendo, assim como propor e promover alternativas que abarquem desde o plano pessoal até o coletivo.

Esta análise e reflexão, queremos fazer com independentemente de nossa filiação, participação ou militância em movimentos sindicais, sociais e culturais, mas através de nossa experiência organizativa. Nessa confluência de interesses nos guia um princípio de simbiose: nascemos sabendo que, para crescer, teremos que nos apoiar em outras pessoas, em outros coletivos, gerando redes em contínua expansão, forjando alianças com quem compartilha um radical rechaço à dominação em todas as suas formas.

Não nos satisfaz em absoluto o sistema neoliberal e capitalista em que vivemos e optamos por confluir, compartilhar, ensinar e aprender juntos/as… nossas visões libertárias e anarquistas do que está acontecendo e contribuir com elementos de debate e desconstrução que se oponha radicalmente às mensagens de dominação, manipulação, doutrinamento e submissão com que nos bombardeia o sistema e a escassa capacidade de resposta.

No coração de nosso coletivo pulsa uma pergunta: Como pensamos esse mundo que habitamos? Nos conectamos com uma rica tradição filosófica que queremos submeter ao escrutínio e atualização. Fugimos da mera especulação teórica: o nosso pensamento quer estar em movimento impulsionado diretamente desde a prática.

Nos unem os ideais do apoio mútuo, o antiautoritarismo, a educação libertária, o assemblearismo, o antipoliticismo alheio à política partidária e eleitoralista, a ação direta frente às formas de representação política baseadas na delegação, no internacionalismo solidário frente aos nacionalismos excludentes, o feminismo frente ao patriarcado, o ecologismo social frente à destruição ambiental, e a liberdade e a igualdade frente à dominação autoritária, baseada no protagonismo dos que sofrem dominação e exploração em suas diferentes modalidades.

Todos estes ideais, junto a muitos outros que nos unem, representam os sinais de identidade dos anarquismos como uma sensibilidade política ampla que aspira a uma sociedade livre e igualitária.

Para veicular nossos propósitos, neste caminho que iniciamos, nos dotamos, junto a uma lista de correio, de duas ferramentas básicas autônomas e autogestionadas que tem por título o nome de nosso coletivo e que formulamos desde o mundo do pensamento e a cultura tendo em conta, também, os campos sociais, econômicos, políticos, ambientais, culturais, educativos, pessoais ou organizativos: uma revista digital e uma página web que acolhe a revista e que, também, permita a divulgação de outras muitas iniciativas, vídeos, podcast, etc…. tudo isso autofinanciado por nossas colaborações pessoais (em tempo e monetárias segundo nossas possibilidades) com objetivo de não depender de nada nem de ninguém, só de nossas ideias, ética, sentimentos e capacidades.

Pretendemos que, estas ferramentas, sejam não tanto um meio de expressão como de encontro, entre nós e com outras. As concebemos como um espaço para compartilhar e dialogar, fomentando, desde a cordialidade, a diversidade e a divergência de opiniões como condição necessária para o desenvolvimento de pensamentos livres e criativos. As esboçamos para que nelas possam caber múltiplas formas de expressão.

Em nosso imaginário sobre como plasmar essa reflexão, o pensamento e a cultura, em todas as suas formas de expressão, ocupam um lugar destacado. Abordamos nossa relação com o mundo desde a sensibilidade e o desfrute dos afetos e sua relação fugaz com as palavras. Sabemos que às vezes jogam com elas e que outras as evitam, e se albergam e transmitem em imagens e músicas. Reivindicamos a cultura não como uma ferramenta de liberação, mas como um espaço de gozo emancipador.

Nós, as pessoas que atualmente integramos este coletivo, não queremos ser um grupo fechado e tampouco está em nosso imaginário a homogeneidade do pensamento, mas a criatividade, a divergência, sempre desde a liberdade e a crítica.

Não nos representa um discurso único, fechado, definitivo, universal. Caminhamos por um caminho no qual se integram meios e fins, teoria e prática, vida e pensamento, no qual não existe a verdade absoluta, mas a busca pessoal e coletiva dela, compartilhando um compromisso ético e prefigurativo pessoal com o aqui e agora.

Redes Libertarias

Fonte: https://acracia.org/redes-libertarias-tejiendo-redes-de-afinidade-en-el-movimento-libertário/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sempre perseguido
o grilo fica tranquilo
cantando escondido.

Luiz Bacellar

Apoie Bima! | Ajude o militante e escritor anarquista aprisionado na Indonésia!

Um chamado urgente a solidariedade:

Se você puder, por favor ajude hoje mesmo o Bima, um companheiro anarquista aprisionado na Indonésia! Bima é um escritor, pesquisador, militante, e me ajudou imensamente no meu último livro, me conectando com os Dayak e grupos anarquistas resistindo as plantações de palma em Kalimantan (Bornéu). Óleo de palma é uma produção ligada ao desmatamento massivo, genocídio e despejo contra comunidades indígenas Dayak, violência paramilitar, a elite política local, e grandes multinacionais. Para piorar a situação o óleo é normalmente comercializado como uma fonte de energia sustentável!

Bima precisa de recursos para atravessar os próximos anos na prisão. O dinheiro é necessário para garantir alimento e vestimentas, e também permitir que ele continue seus escritos e projetos de pesquisa.

Confira esse link! Você pode doar esse dinheiro, e também ler e ajudar a divulgar alguns de seus primeiros artigos e livros:

https://www.firefund.net/pustakacatut

E se você já enviou uma doação ou encontrar esse texto após o fim do período de doação, você pode encontrar entrevistas sobre a luta dos Dayak contra o roubo de terras em Kalimantan aqui:

https://www.plutobooks.com/9780745345116/the-solutions-are-already-here/

Todos os ganhos do autor são destinados para lutas indígenas no Brasil e na Indonésia.

Fonte: https://petergelderloos.substack.com/p/support-bima?publication_id=1063432&post_id=139267277&isFreemail=true&r=adh5n

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

Uma borboleta
Beija uma flor murcha
Sobre a lousa fria

Edson Kenji Iura

[Espanha] Dez anos desde a inauguração da Biblioteca José Luis García Rúa da CNT-AIT de Puerto Real

Há dez anos, de esforço e perseverança para atingir a meta que estabelecemos. Essa meta, de que nossa Biblioteca levasse seu nome, como foi decidido por todos nós do Sindicato em 2013, foi ampliada com a doação de José Luis García Rúa de sua Biblioteca particular ao nosso Sindicato, como ele disse antes de falecer.

Atingimos a cifra de 5500 livros, documentação, fotos, filmes, vídeos, a Biblioteca também organiza fóruns de discussão, poemas, conferências e o mais importante para nós foi sua camaradagem, sua amizade e seu compromisso com as ideias anarquistas demonstradas em seus 93 anos de vida.

Texto da placa apresentada a José Luis em uma conferência realizada em Puerto Real com casa cheia:

Quando, nestes tempos, se passa do preto ao vermelho e do vermelho ao amarelo intenso, todos nós precisamos de um ponto de apoio; uma referência limpa e cheia de consciência que pouquíssimas pessoas possuem e que as torna indispensáveis. A José Luis García Rúa, com o maior carinho de seus companheiros da CNT-AIT de Puerto Real“.

Você sempre estará em nossos corações.

Saúde, Anarquia e Revolução Social.

Até o fim!!!

Biblioteca “José Luis García Rúa” – Sindicato de Ofícios Vários CNT-AIT

Porto Real 2023

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/10/28/espanha-jose-luis-garcia-rua-%e2%80%9cacabar-com-o-sistema-e-a-solucao%e2%80%9d/

agência de notícias anarquistas-ana

Mais um ano que acaba.
Como esconderei dos meus pais
o cabelo grisalho?

Etsujin

[Espanha] Lançamento: “Uma reflexão sobre o anarquismo cigano”, de Rafael Buhigas Jiménez

A relação entre os ciganos e o anarquismo foi objeto de debate por vários motivos. Primeiro, pela auto representação que alguns autores ciganos fizeram com o fim de dotar o seu próprio pertencimento étnico de uma identidade política. Segundo, pela militância anarquista entre pessoas ciganas que, em momentos de radicalização, como a Guerra Civil espanhola, manifestaram que era uma escolha a mais. Finalmente, porque com respeito a todo o anterior, tradicionalmente se pensou que as comunidades ciganas não tiveram presença alguma dentro das culturas e formas de organização políticas por decisão própria. Este breve ensaio divulgativo pretende contribuir para a discussão, situando criticamente cada um dos pontos assinalados.

1ª edição | outubro 2023 / ISBN: 978‐84‐127335‐9‐4, 10 x 15 cm, 70 p. €6.00 | calumnia-edicions.net

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Quase escondida
entre a casca e o tronco
teia de aranha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

Finalmente apareceu o “quarto macaco”!

Abaixo a indústria da morte!!!

Você sabia que na América do Sul, o Brasil lidera nas exportações de armas e munições, estando há anos seguidos exportando mais de US$ 500 milhões por ano? Entre as principais indústrias bélicas, notam-se nomes como Taurus, Companhia Brasileira de Cartuchos, Indústria de Material Bélico do Brasil, Helibras, Embraer, Iveco, Avibras…

Contra os comerciantes e fabricantes de armas!

Contra a máquina militar!

Contra todos os exércitos!

VAMOS DESMILITARIZAR O PLANETA!!!

> antimilitaristas anarquistas <

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/11/23/ministerio-da-defesa-do-governo-lula-compra-foguetes-skyfire-70-para-o-exercito/

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O amanhecer,
Só cinco folhas douradas
No topo da Árvore

Rodrigo Vieira Ribeiro

[Espanha] Lançamento: “Machismo, mafia y corrupción en el fútbol español”, de Fonsi Loaiza

No final de agosto de 2023, o escândalo gerado pelo caso Rubiales deixou claro para a grande maioria da opinião pública que algo cheira mal em nosso futebol. No entanto, é apenas a ponta do iceberg de uma situação que alguns, os menos numerosos, já vinham denunciando há algum tempo. Nepotismo, misoginia, espionagem, regalias, compra de vontades, mídia tendenciosa a favor dos de sempre e tráfico de influência fazem parte do cotidiano de um esporte que se tornou um negócio milionário promovido como um espetáculo de massa que só beneficia uma elite de privilegiados. Essa “família” corrupta, que, a partir dos clubes e instituições, exerce seu poder sem fissuras, há muito tempo roubou o futebol dos torcedores. Este livro traz à tona um assunto que as pessoas conhecem bem, mas do qual preferem não falar, pois há muitos interesses escusos em torno dele. A denúncia contida em suas páginas é um primeiro passo que deve levar a uma investigação minuciosa de todos os envolvidos nesse esgoto em que quase ninguém é poupado.

Machismo, mafia y corrupción en el fútbol español

Editora: Akal

Número de páginas: 176

Dimensões: 220 cm × 140 cm × 0 cm

ISBN: 978-84-460-5468-9

15,00€

akal.com

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/12/02/espanha-lancamento-qatar-sangre-dinero-y-futbol-de-fonsi-loaiza/

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Pequena flor
Sol contido na cor
Ipê amarelo

Luciana Bortoletto

[Espanha] Encontro do Livro Anarquista em Madri

… 17… 18… 19… 20 y… XXI

Sim, XXI Edição do Encontro do Livro Anarquista, pois XXI é a idade legal de maturidade em muitos estados. Para aqueles de nós que não acreditam em instituições e convenções autoritárias, esse número significa apenas mais um passo nessa longa e sinuosa jornada cheia de ilusões, acertos e erros rumo ao novo mundo que carregamos em nossos corações. Esperamos vê-lo nos dias 1, 2 e 3 de dezembro no XXI Encontro do Livro Anarquista. Se quiser assumir a corresponsabilidade, participar ativamente ou fazer perguntas sobre o evento, escreva para nós em madridencuentrodellibroanarquista@riseup.net.

Saúde e Anarquia!

>> Mais informações: encuentrodellibroanarquista.org

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No dedão vermelho
Lateja meu coração —
Ferrão de abelha

Neiva Pavesi

“Anticlericalismo e anarquismo”

A igreja clama pela liberdade. Sim. Pela liberdade de estrangular a liberdade.” Frase de Maria Lacerda de Moura em “Fascismo: Filho dileto da igreja e do capital“. Nesse mês de Dezembro, para fechar o ano do GEAFM, escolhemos um tema pouco discutido na esquerda em geral: o anticlericalismo. Movimento contrário às instituições religiosas avançando seus tentáculos sobre os poderes políticos e sociais, que foi muito forte no movimento operário do Brasil na primeira metade do século XX. Ter deixado essa pauta de lado é provavelmente uma das razões pelas quais, nos anos recentes, vimos um avanço do fundamentalismo religioso, que tem o fascismo como seu maior fruto. A partir do texto “Uma luz em meio à escuridão – Lições da luta anticlericalista do século passado no Brasil para os dias atuais e suas conexões com a luta material e antifascista“, de Kauan William, propomos uma conversa sobre como atualizar essa luta, considerando todas as nuances de nosso contexto presente.

  • Uma luz em meio à escuridão – Lições da luta anticlericalista do século passado no Brasil para os dias atuais e suas conexões com a luta material e antifascista (Kauan Willian, 2020)

https://bibliotecaanarquista.org/library/kauan-willian-uma-luz-em-meio-a-escuridao-licoes-da-luta-anticlericalista-do-seculo-passado-no

O evento será presencial, dia 2 de dezembro, sábado, das 16h às 18h. Os encontros do grupo são gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas. Crianças são bem-vindas ao CCS! O intérprete de Libras será confirmado próximo à data do evento.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

agência de notícias anarquistas-ana

harmonia sem acorde
nota em contratempo
a dissonância morde

Gabriela Marcondes

Programação do III Seminário Punk Scholars Network Brasil

Saudações Punkademicas!

Atualizamos a programação do nosso III Seminário Punk Scholars Network Brasil. Em virtude de alguns contratempos foi preciso fazer algumas modificações na proposta original. Agora serão três dias de atividades:

Dia 1/12 – Roda Punk de conversa (abertura do evento) – 19 h – ONLINE

Dia 2/12 – Apresentação e discussão dos trabalhos enviados – 9h – ONLINE

Dia 3/12 – 16h – Mesa redonda “Mulheres no Punk” com as participações de Katy Fon, Maria Zerfall e Elaine Campos (Rastilho).

18 h – Apresentação das bandas: Sociopatas, Sem Restrição, Rebeldia Incontida e Útero Punk.

Local: Casa de Cultura da Brasilândia.

Divulguem e participem!

Up the PUNX!

agência de notícias anarquistas-ana

harmonia sem acorde
nota em contratempo
a dissonância morde

Gabriela Marcondes

Vídeo: Contra a Criminalização da Revolta: pelo fim do processo contra Caio e Fábio

Após 10 anos do Levante Popular de 2013, a revolta pode ir a julgamento mais uma vez por meio da audiência dos ativistas Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza marcada para às 12h do dia 12 de dezembro de 2023. Ambos vão a júri popular sob a acusação da morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido por um fogo de artifício na cabeça em fevereiro de 2014, enquanto registrava confrontos entre manifestantes e policiais, para a TV Bandeirantes, no centro do Rio de Janeiro, perto da Central do Brasil.

O caso foi usado na época para abafar e criminalizar as revoltas populares, impulsionando a votação da Lei Antiterrorismo. Mas a única lógica em alegar que Caio e Fábio tinham a intenção de matar alguém com um fogo de artifício é a de criminalizar militantes e manifestantes. O que se torna mais evidente ainda quando sabe-se que a Rede Bandeirantes não entregou todas as imagens captadas por Santiago Andrade no dia de sua morte.

Não pode haver júri sem todas as imagens! Pelo fim do processo contra Caio e Fábio!

>> Veja o vídeo aqui:

https://antimidia.org/contra-a-criminalizacao-da-revolta-pelo-fim-do-processo-contra-caio-e-fabio/  

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Quase escondida
entre a casca e o tronco
teia de aranha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

Argentina desde baixo

Por Raúl Zibechi

A vitória de Javier Milei fecha um ciclo na política argentina, aquele que se abriu em dezembro de 2001 com o levante popular que derrubou o governo de Fernando de la Rúa e suas políticas neoliberais sem anestesia. A liderança que ocupará a administração do Estado terá mãos mais livres para desmantelar as políticas sociais e reprimir os que resistem.

As organizações populares que durante esses anos foram construídas em torno de planos sociais que elas mesmas distribuíram entre suas bases também não poderão continuar no mesmo caminho deslegitimado. Ao contrário do que muitos progressistas pensam, os que estão na base não serão mais reféns dos políticos que, ao distribuir migalhas, também controlavam seus passos.

Para o setor autônomo da sociedade, endurecido na resistência tanto aos conservadores quanto aos progressistas, a ampla avenida de resistência está se abrindo e será povoada por novas camadas que precisam resistir para sobreviver. É o único setor que pode fazer uma autocrítica do que lhe faltou nas últimas duas décadas, já que os progressistas só podem culpar o povo por ter “votado errado”, pois estão convencidos de que nunca estão errados.

Também estamos enfrentando a vingança: dos homens machistas que têm medo do avanço das mulheres; dos milicianos estupradores que encontram sua oportunidade; do capital que sonha em esmagar a resistência. É por isso que precisamos de espaços autônomos onde possamos ser o que somos e defendê-los coletivamente dessas ameaças.

* * *

O cenário global e regional não nos permite ter ilusões sobre uma possível trégua na ofensiva/tempestade de cima contra os de baixo. O capital financeiro e sua acumulação por desapropriação estão apenas se intensificando com mais e mais projetos de morte. Guerras, depredação e morte não estão mais no horizonte porque se tornaram a vida cotidiana dos filhos de nossos povos.

O que está em jogo é nada menos que a vida, já que o projeto do 1% é criar uma Faixa de Gaza global – composta de favelas – onde seremos amontoados como população excedente e controlados sob a mira de armas. Um grande campo de concentração globalizado. Uma política que eles vêm aperfeiçoando há quase um século, primeiro em colônias como a Argélia e o Vietnã, com suas “aldeias estratégicas” ou campos de concentração para “tirar a água” dos peixes dos guerrilheiros, e depois, progressivamente, em todos os mundos de baixo.

Gaza é o horizonte e a inspiração das classes dominantes durante esse estágio de desapropriação, permitindo-lhes limpar territórios para transformar a vida em mercadorias. É por isso que a militarização, o paramilitarismo e o tráfico de drogas são empregados contra os povos, para incentivar a migração e o abandono do campo. Não podemos ter a menor ilusão nos projetos políticos eleitorais e estatistas, porque eles continuarão a promover esse projeto de cerco e morte com métodos novos e mais sofisticados, como demonstraram todos os processos progressistas. Confiar nos direitos que eles nos dão, sem construir o poder a partir de baixo, é o mesmo que nos colocar em um beco.

Portanto, disputar na arena eleitoral é fazer o jogo do projeto de dominação de cima para baixo. Somente a resistência pode nos impedir de ficarmos presos em campos à céu aberto e abrir a esperança de um novo mundo.

* * *

Temos cada vez menos educação e uma saúde cada vez pior, a qualidade de nossos alimentos entrou em colapso, moradias e empregos decentes estão cada vez mais distantes. A vida cotidiana das pessoas se deteriorou a níveis inimagináveis, a ponto de gerações inteiras não terem qualquer tipo de aposentadoria e a expectativa de vida estar cada vez mais curta.

Não faz sentido continuar exigindo educação, saúde, trabalho e moradia do Estado, porque ele não se importa mais. Eles só pensam em acumular riqueza e poder. Eles não só não precisam de nós para nos explorar em fábricas inexistentes, como também não nos querem como consumidores de objetos de pouco valor.

Tudo o que precisamos para viver deve ser construído com nossas próprias mãos. Não podemos esperar nada de cima, do Estado ou das empresas. Trata-se de seguir outro caminho, o da construção da autonomia com dignidade.

Um companheiro da favela Timbau, no Rio de Janeiro, a quem perguntei sobre os resultados do governo de Bolsonaro, escreveu: “Quem não constrói o poder popular quando a centro-esquerda governa, obviamente tem medo quando chega um governo contra o qual é necessário lutar”.

O principal problema, diz Timo, é “a complementaridade entre governos de centro-esquerda que destroem movimentos e governos de direita que destroem a face social do Estado. Uma combinação perfeita”.

Uma das reflexões urgentes é desmantelar a suposta oposição progressista-conservadora ou, se preferir, de direita-esquerda. Ambas servem ao mesmo modelo de desapropriação. Ambas defendem a militarização de nossas vidas.

* * *

No caminho que precisamos percorrer, o zapatismo é uma inspiração necessária. Não é um modelo a ser copiado. Se olharmos com atenção, nosso continente está coberto de resistências e autonomias, todas diferentes, todas ancoradas em diferentes formas e meios. Todas elas estão comprometidas com a vida e entendem que não há outro caminho.

Cada setor da sociedade, cada cidade, cada bairro e cada experiência coletiva o fará à sua própria maneira, em seu próprio tempo e com base em sua história. Ninguém constrói o novo de um dia para o outro. Isso leva muito tempo, por isso devemos olhar para frente, superar os tempos curtos dos partidos e do Estado, pensar nas gerações futuras e não nas urgências que estão nos consumindo.

As Mães da Plaza de Mayo nos ensinaram que até o inimigo mais feroz pode ser enfrentado e que podemos derrotá-lo se nos empenharmos com determinação e sem medo. Esse ensinamento é um tesouro que guardamos em nosso coração. Agora é hora de aprender a construir o mundo que aqueles que estão no topo nos negam. Para isso, não há receitas ou manuais, é uma questão de nos organizarmos para caminhar coletivamente. O resto nós vamos aprenderemos.

Fonte: https://desinformemonos.org/argentina-desde-abajo/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Bashô baixou
no poeta do axé.
Arigatô, oxumaré.

Rogério Viana

[Espanha] As ideias anarquistas e seculares no mundo árabe e islâmico

Existe um movimento libertário no mundo árabe? Qual foi a história das ideias libertárias? O anarquismo deixou algum legado? Na terça-feira, 28 de novembro, a sede da FAL em Madri sediará o evento “As ideias anarquistas e seculares no mundo árabe e islâmico”. Teremos a oportunidade de conversar com George Saad, professor aposentado da Universidade do Líbano, militante libertário e tradutor de diferentes obras anarquistas para o árabe. Acompanhando-o, estará Laura Galián, professora do Departamento de Estudos Árabes e Islâmicos da UAM e pesquisadora do movimento anarquista no mundo árabe.

Como você pode ver, essa é uma excelente oportunidade de se aproximar de um terreno pouco conhecido que nos ajudará a entender a realidade do mundo árabe a partir de uma perspectiva libertária.

George Saad, (Líbano, 1953). Professor aposentado de direito na Universidade Libanesa. Antes de ir estudar na França, era afiliado a um grupo comunista libanês. Na década de 1980, durante seus estudos em Paris, filiou-se à Union des Travailleurs Communistes Libertaires (UTCL). Ao retornar ao Líbano, fundou o que talvez seja o primeiro grupo anarquista autodeclarado no sul do Mediterrâneo, o al-Badil al-taharruri (Alternativa Libertária), com tendência anarquista-comunista. Ele traduziu várias obras de teoria anarquista para o árabe, incluindo El anarquismo, de la teoría a la práctica, de Daniel Guerin.

Biografia

Palestra co-organizada com o grupo de pesquisa e o projeto de pesquisa do qual ambos participam, na Universidad Autónoma de Madrid. O grupo de pesquisa se chama “Ideologias Árabes e Expressões Culturais” e o projeto “CONEMED: Conceitos Emancipatórios no Mediterrâneo: Memória, Tradução e Trânsito em sua Diacronia”.

Quando? Terça-feira, 28 de novembro

Onde? Sede da FAL em Madri. Calle Peñuelas, 41. Metrô Acacias ou Embajadores.

Horário? 19:00 horas

fal.cnt.es

agência de notícias anarquistas-ana

Marchando no tempo,
antes de tudo e após tudo,
soberbo, o silêncio.

Alexei Bueno

[México] Novidade Editorial – Livro Livre

Internacionalismo crítico e lutas: Para a construção de horizontes futuros desde as resistências e autonomias.

Poucos dias antes do 40º aniversário da fundação do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), esta obra coletiva é lançada com o objetivo de refletir sobre algumas das lições que o povo aprendeu com seu desejo tenaz de transformar o mundo. A partir de perspectivas internacionalistas que abrangem amplas geografias, ela reflete sobre a Travessia pela Vida promovida pelas comunidades autônomas e pelo Congresso Nacional Indígena.

No turbilhão e no colapso que a humanidade está vivenciando na forma de uma múltipla crise sistêmica global, a prática coletiva de outras formas de organização nos permite transcender os problemas para construir sociedades mais justas. Nesse sentido, as resistências indígenas do México, sem a pretensão de representar uma vanguarda, propõem uma visão a partir de um internacionalismo crítico contemporâneo, produzindo um novo processo emancipatório e reconstitutivo em nível global. Com o objetivo de refletir sobre essas lutas e autonomias em um nível amplo, o livro é composto por 18 contribuições inéditas que se baseiam em quatro eixos: 1) O internacionalismo crítico no século XXI para transversalizar as lutas; 2) A importância das mulheres nos processos revolucionários; 3) Outra arte, outra cultura e outros meios de comunicação; e 4) Opções alternativas diante da crise global.

Este livro nos convida a uma viagem intergeracional que, em um âmbito plurivocal, pretende refletir e estabelecer diálogos a partir de insurreições, de diversos lugares de enunciação e em geografias muito amplas, que vão desde o internacionalismo histórico em Cuba ou El Salvador, assim como a fraternidade operária e a transição das lutas de classes para as lutas pela vida; as resistências antifascistas contra o franquismo ou na Alemanha nazista; além dos processos atuais em Abya Yala, como os de Oaxaca, Chiapas, o Mapuche Wallmapu, a defesa do território Mbya Guarani no Brasil ou o confederalismo democrático no Curdistão, entre outros.

O trabalho explora novas categorias enquadradas em contextos atuais, como a importância das emoções emancipatórias; a colonialidade no âmbito da modernidade e da revolução; a substância da arte como parte da práxis política; a necessidade de promover o artivismo e a mídia contra-hegemônica; a dupla resistência-rebelião; em suma, propostas como ecologias criativas e a estética da necropolítica; a transterritorialidade ou a espiritualidade nas lutas anticapitalistas, para mencionar algumas.

Reflexões coletivas e em rede, que buscam mergulhar em alternativas locais/globais radicais, cujo horizonte é construir “o grande nós que somos”, inspiradas nas propostas das comunidades autônomas zapatistas (EZLN) e do Congresso Nacional Indígena (CNI), que com a recente iniciativa da Travessia pela Vida que realizaram em Slumil K’ajxemk’op (Europa), nos convidam a sonhar com novos mundos.

Esta obra é co-editada pela Cátedra Jorge Alonso; CIESAS Ocidente; Universidade de Guadalajara; CUCSH UDG; CLACSO – Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais; Grupo de Trabalho: Corpos, Territórios, Resistências; Instituto de Pesquisa em Educação da Universidade de Veracruz; Cooperativa Editorial Retos; Cátedra Carlos Montemayor; RERI. Red de Estudios sobre las Resistencias Indígenas e COTRIC – Colectivo Transdisciplinario de Investigaciones Críticas.

Você encontrará vozes fundamentais para o pensamento crítico contemporâneo, com autores como Gilberto López y Rivas / Alicia Castellanos Guerrero / Luis Hernández Navarro / Inés Durán Matute / Hernán Ouviña / Carlos Alonso Reynoso / Jorge Alonso / Márgara Millán / Carolina Díaz Iñigo / Lola Cubells / María Ignacia Ibarra / Bruno Baronnet / Francesca Cozzolino / Argelia Guerrero / Xochitl Leyva Solano / Raúl Zibechi / Azize Aslan / Raúl Romero, juntamente com a coordenação de Francisco De Parres Gómez.

Link para baixar:

http://www.catedraalonso-ciesas.udg.mx/content/internacionalismo-cr%C3%ADtico-y-luchas-por-la-vida-hacia-la-construcci%C3%B3n-de-horizontes-futuros

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

poço vazio
– mergulho –
rãsborrachada

Jandira Mingarelli

[Itália] Quebrando as asas do militarismo. Passeata antimilitarista em Turim

Uma aposta ganha. Uma grande passeata antimilitarista deslocou-se pelas ruas de Turim, rompendo a cortina de fumaça que envolve a indústria bélica e o mercado de armas aeroespaciais em nossa cidade.

De 28 a 20 de novembro, as reuniões do setor aeroespacial e de defesa serão realizadas em Turim. A exposição-mercado é reservada para pessoas da área: fábricas do setor, governos e organizações internacionais, representantes das forças armadas, empresas contratadas. No All’Oval, serão assinados acordos comerciais para armas que destroem cidades inteiras, massacram civis e envenenam terras e rios. O setor aeroespacial produz caças-bombardeiros, mísseis balísticos, sistemas de controle de satélites, helicópteros de combate e drones armados para ação a distância.

Nas reuniões do setor aeroespacial e de defesa, jogos mortais estão sendo manipulados contra milhões de pessoas em todos os lugares: as armas italianas, lideradas pela gigante pública Leonardo [a empresa trabalha nas áreas da defesa, aeroespacial, segurança, automação, transporte e energia], estão presentes em todos os teatros de guerra. Nos mesmos dias, será lançada a pedra fundamental da cidade aeroespacial, um novo centro de armas promovido pela Leonardo e pelo Politécnico de Torino.

Turim é candidata a se tornar um dos principais centros do setor bélico em nosso país.

Alguns dizem não, outros ficam no caminho.

Sábado, 18 de novembro, foi um dia importante de luta contra o militarismo e a guerra.

A manifestação, convocada pela Assembleia Antimilitarista, contou com a presença da “Coordenação de Turim contra a guerra e aqueles que a armam” e de delegações de muitas lutas contra bases militares, campos de tiro, quartéis e fábricas da morte. Havia coordenações e assembleias territoriais de Livorno, Pisa, Carrara, Reggio Emilia, Palermo, Trieste, Pordenone, Milão, Roma e Ragusa.

A passeata começou na Porta Palazzo, o coração popular da cidade, precedida pela Murga e pela Bursting Brass Band, com ações performáticas que catalisaram a atenção das muitas pessoas que cruzavam a Porta Palazzo nas tardes de sábado.

A manifestação seguiu para o centro e terminou na Piazza Vittorio.

Durante todo o percurso, houve discursos das realidades antimilitaristas que participaram da manifestação.

Muitos temas foram abordados. Na Porta Palazzo, os discursos se concentraram na guerra contra os migrantes no Mediterrâneo e nas travessias dos Alpes, na militarização dos CPRs e na construção de campos de concentração na Albânia, bem como no tema da decolonialidade, como uma ferramenta fundamental para desmantelar toda a retórica nacionalista em um contexto de solidariedade internacionalista entre os oprimidos e os explorados.

Em seguida, houve discursos contra a militarização das escolas e a colaboração entre o Politécnico de Turim e a Leonardo, contra a economia de guerra e os gastos militares, contra Muos [sistema de armas de destruição em massa] e a base de Sigonella, contra a nova base dos Carabinieri em Pisa e os campos de tiro em Friuli, contra o mercado de armas e a indústria bélica, contra as missões militares no exterior e a militarização de nossas cidades.

A Turim antimilitarista deu um sinal forte e claro: opor-se a um futuro para a cidade ligado à pesquisa, à produção e ao comércio bélicos é uma forma concreta de se opor à guerra e àqueles que a a(r)mam.

As armas que matam homens, mulheres e crianças em todos os lugares são produzidas na porta de nossa casa.

Jogar areia nas engrenagens do militarismo é possível. Isso depende de cada um de nós.

As lutas antimilitaristas muitas vezes retardaram a disseminação da máquina de guerra, bloqueando suas articulações em nossos territórios.

Mas isso não é suficiente. Da Ucrânia ao Oriente Médio, estão em andamento conflitos violentos que podem eclodir muito além das esferas regionais envolvidas.

Lutar contra a guerra e o militarismo é uma necessidade inevitável.

Um futuro sem guerra é construído pela destruição de uma ordem social e política baseada na exploração e na dominação.

Contra todos os exércitos, por um mundo sem fronteiras!

Próximo encontro:

Terça-feira, 28 de novembro / 12 horas / Presidio at the Oval na via Matté Trucco 70

Não aos traficantes de armas!

Não às reuniões do setor aeroespacial e de defesa!

Não à indústria de armas!

Assembleia Antimilitarista – Turim

antimilitarista.to@gmail.com

www.anarresinfo.org

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vento muda
ares de chuva
tua chegada

Camila Jabur

[EUA] FBI rotula antifascistas e antirracistas como extremistas violentos

Um documento recentemente divulgado pelo FBI (Federal Bureau of Investigation) intitulado “Domestic Terrorism Symbols Guide” (Guia de Símbolos de Terrorismo Doméstico) associa símbolos comuns de protestos a “terrorismo” – outro registro em um tema comum de confundir protestos militantes por justiça social com violência terrorista mortal nos Estados Unidos. Grupos como a American Civil Liberties Union (ACLU) e o Brennan Center fizeram alertas sobre esses documentos, citando proteções descabidas para os direitos constitucionais das pessoas.

Em uma carta enviada ao secretário do Departamento de Segurança Interna (DHS), Alejandro Mayorkas, em 27 de julho, a ACLU expressou profunda preocupação com o rótulo de “extremismo violento doméstico” do DHS, com os padrões de coleta e disseminação de informações para os órgãos policiais estaduais e locais e com os impactos que esses rótulos podem ter sobre comunidades vigiadas e policiadas de forma desproporcional.

A história tem demonstrado que as parcerias entre os órgãos policiais locais e estaduais muitas vezes classificam defensores inocentes dos direitos civis e humanos como extremistas violentos, apesar de nunca terem apresentado tal comportamento. De Martin Luther King Jr. e Malcolm X a manifestantes do Black Lives Matter em Ferguson, Missouri, rotulados como “Extremistas da Identidade Negra” e manifestantes do Stop Cop City acusados de crimes no estilo da máfia, provam que grupos que defendem os direitos civis e a justiça racial são alvos de ataques que continuam até hoje – como mostra o documento recém-divulgado pelo FBI.

Fonte: https://unicornriot.ninja/2023/fbi-labels-anti-fascists-and-anti-racists-as-violent-extremists/

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Marcos Amorim