[Grécia] Cartaz antieleitoral: Nós os desafiamos

Eles nos humilham. Educação para poucos. Saúde para poucos. Cultura para ninguém.

Eles nos matam em Tempi. No trabalho. Nas ruas. Na fronteira. No Egeu.

Eles nos confiscam e nos batem. Eles nos vigiam nas universidades. Eles nos trancam. Eles despejam o que construímos livremente. Eles constroem cercas. Estamos sob vigilância. Sob controle. Em casas. Em centros de detenção. Sob punição. Sob repressão.

Nós os desafiamos!

Grupo Anarquista Baruti

agência de notícias anarquistas-ana

mar não tem desenho
o vento não deixa
o tamanho…

Guimarães Rosa

[Portugal] 20 de Maio no CCL: Por um novo espaço para o Centro de Cultura Libertária + jantar

Sábado, 20 de Maio no CCL

  • 18h – Apresentação da campanha por um novo espaço para o Centro de Cultura Libertária
  • 20h – Jantar de angariação de fundos

Por um novo espaço para o Centro de Cultura Libertária!

O espaço que o Centro de Cultura Libertária ocupa e arrenda há quase 50 anos está novamente em perigo. A contínua pressão exercida pela gentrificação e pelo mercado imobiliário que tantas pessoas e associações tem despejado e forçado a sair do centro das cidades atinge-nos uma vez mais. Depois de anos de ameaças e processos de despejo a que resistimos, em Março de 2024 o CCL terá que deixar a sua histórica sede em Cacilhas.

Ao longo destes quase 50 anos, várias gerações de anarquistas deram, neste local, voz às suas esperanças e lutas através das mais variadas atividades e meios. Por aqui passaram e habitaram muitos coletivos, publicações, atividades culturais e lúdicas que ‘levaram um mundo novo nos seus corações’. O CCL é um espaço único, de uma história que teima em persistir, que resiste e luta pelo seu lugar nas mentes e nas ações de quem ousa pensar e agir sem deus nem amos. O CCL alberga também um arquivo da memória libertária e uma biblioteca únicos na região portuguesa. É um espaço de continuidade da luta anarquista nesta região, e por isso pretendemos que mantenha essa chama acesa por muitos mais anos.

Lançamos por isso um apelo e uma ação de angariação de fundos com vista à aquisição de um espaço para o Centro de Cultura Libertária. Um espaço que lhe pertença e de onde não possa ser despejado. Um espaço que aloje a biblioteca, o arquivo e a livraria do CCL. Um espaço de difusão e proteção da cultura libertária que tenha por objetivo a recuperação e a proteção da memória, o encontro e o dinamismo das ideias anarquistas.

Nos próximos meses multiplicaremos as iniciativas de angariação de fundos e apelamos à contribuição de todas as pessoas e coletivos solidários através de donativos, da realização de eventos solidários e da divulgação da campanha.

Dados da conta bancária do CCL para donativos

Titular: CENTRO DE CULTURA LIBERTÁRIA

IBAN: PT50003501790000215493029

BIC: CGDIPTPL

MBWAY do CCL para donativos

913 125 532

culturalibertaria.blogspot.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/06/12/portugal-cacilhas-apelo-do-centro-de-cultura-libertaria/

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Cai da folha
a gota d’água. Lá longe,
o oceano aguarda.

Yeda Prates Bernis

[Espanha] Vários detidos e um ferido na repressão policial a ativistas na feira de armas de Madri

O protesto pacífico foi rapidamente reprimido pela Polícia Nacional em frente ao ponto de encontro da indústria global de armas. Uma manifestante sofreu um ferimento grave em seu dedo quando um policial retirou uma faixa.

Esta manhã (18/05), a Polícia Nacional levou vários ativistas antimilitaristas para a delegacia de polícia durante um protesto pacífico na feira de armas em Madri. Além disso, uma mulher foi ferida com gravidade em um dedo quando um policial arrancou a faixa que ela carregava. O protesto, que estava completamente calmo, estava ocorrendo normalmente, mas não durou muito tempo devido à intervenção abrupta de várias vans da polícia.

“A guerra começa aqui, vamos pará-la aqui” e “senhores da guerra não são bem-vindos” foram alguns dos gritos que cerca de vinte ativistas lançaram ao ar enquanto a polícia os imobilizava e identificava nos portões da Feira de Madri (IFEMA). Lá, de quarta a sexta-feira, está sendo realizada a Feira Internacional de Defesa e Segurança da Espanha (FEINDEF).

Essa feira de armas consiste em 40.000 m2 de espaço de exposição, onde os mais de 450 expositores poderão vender às mais de 100 delegações estrangeiras as melhores maneiras de matar sem sujar as mãos, invadir países, conter migrantes no limite de suas fronteiras e até mesmo sistemas de espionagem que são tão bons para escutar um terrorista quanto para escutar um político catalão. Dezenas de contratos serão assinados entre governos e senhores da guerra para que a indústria de armas em expansão aumente os números recordes do ano passado.

Durante o breve protesto, os ativistas tentaram ficar na rotatória em frente ao IFEMA com duas faixas de protesto. Mas duas vans da Polícia Nacional os impediram de fazer isso logo após ocuparem o espaço. “Foi tudo muito rápido. Eles expulsaram a imprensa com truculência”, explica um dos fotógrafos que estava tentando registrar a intervenção policial. Por enquanto, os ativistas estão sendo detidos pelos policiais e é provável que sejam levados sob custódia.

Ao meio-dia de quinta-feira, 18 pessoas ainda estavam detidas na Delegacia de Polícia Integral do Distrito de Hortaleza da Polícia Nacional. As pessoas que estão sendo identificadas afirmam que haverá quatro propostas de sanções e que um policial relatou ter sofrido ferimentos durante o protesto.

>> Mais fotos: https://www.elsaltodiario.com/violencia-policial/varios-detenidos-una-herida-actuacion-policial-activistas-feria-armas-madrid

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/28/espanha-feindef-uma-feira-de-armas-em-tempos-de-guerra/

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uma pétala caída
que torna a seu ramo
ah! é uma borboleta

Arakida Moritake

[Canadá] A Feira do Livro Anarquista de Montreal está de volta, 27 e 28 de maio de 2023!

A Feira do Livro Anarquista de Montreal, que acontecerá no sábado, 27 de maio, e no domingo, 28 de maio, em dois lugares localizados um na frente do outro: o Centro Cultural Georges-Vanier (CCGV), rua Workman, nº 2450; o CÉDA, rua Delisle, nº 2515, um centro comunitário para educação de adultos no sudoeste de Montreal, em frente ao CCGV. Os dois lugares estão a dois minutos da estação de metrô Lionel-Groulx.

Nos auditórios principais, do CCGV e do CÉDA, haverá mais de 100 vendedores, editores e grupos de toda a Montreal, Quebec, da América do Norte e outros lugares, para compartilhar suas publicações e seus materiais, cuja maioria é praticamente impossível de se encontrar  nas livrarias convencionais. Haverá bastante material gratuito e uma boa parte será publicada especialmente para a Feira Livre.

Haverá uma creche gratuita e uma programação para as crianças: A Zona das Crianças! As crianças e os pais são bem-vindos e encorajados a participar.

Para todo mundo haverá um espaço para “relaxar”. Este espaço foi desenvolvido por conta do fato de que a Feira será muito intensa e com muitas atrações por diversos motivos. A ideia é oferecer um espaço à parte das atividades principais da Feira, para dar uma desafogada, sem que se sinta forçado a sair da Feira.

Oficinas e apresentações serão realizadas durante todo o fim de semana, em inglês, francês e espanhol. Algumas são destinadas à introdução ao anarquismo para aqueles que são novos na anarquia, enquanto outras vão explorar um assunto com tema anarquista com alguma profundidade.

O coletivo da Feira do Livro Anarquista de Montreal tem por objetivo criar um evento acessível e inclusivo para todos.

O lugar em que acontecerá a Feira do Livro é ao lado de um grande parque e de um campinho de futebol, e quando o clima está bom (geralmente no mês de Maio, em Montreal, o tempo é muito agradável), ir à Feira do Livro é também jogar um futebol, pegar um solzinho e ficar conversando com amigos e futuros amigos.

Todas as atividades da Feira são gratuitas e abertas a todos, mas aceitamos contribuições voluntárias para nos ajudar a cobrir as despesas.

Essencialmente, A Feira do Livro Anarquista de Montreal é para as pessoas curiosas e simpatizantes do anarquismo, e que querem saber mais.

O coletivo organizador da Feira do Livro Anarquista de Montreal reconhece que estamos no território que é tradicionalmente do povo Kanien’kehá:ka. Povo guardião do Portão Leste da confederação Houdenosaunee. A ilha denominada “Montreal” é conhecida pelo nome Tiohtià:ke na língua dos Kanien’kehá:ka e foi um lugar histórico de ponto encontro de outras nações autóctones, inclusive os povos algonquinos. O coletivo da Feira do Livro Anarquista não acredita que seja suficiente simplesmente reconhecer os guardiões desta terra. Encorajamos todos os participantes da Feira a se informarem, a se educarem e a resistirem ativamente ao colonialismo e ao neocolonialismo em todas as suas formas. É nossa diversidade que dará força a resistência!

Mais informações:

salonanarchiste.ca

info@anarchistbookfair.ca

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Hora do almoço.
Pela porta, com os raios de sol,
As sombras do outono.

Chora

[Espanha] Crônica do Primeiro de Maio: “A luta é o único caminho”

Neste 1º de maio, a CNT-AIT se manifestou novamente para continuar exigindo os direitos da classe trabalhadora. Porque continuamos sofrendo abusos diários por parte das empresas. Porque os acidentes de trabalho aumentaram. Porque os salários ainda são indignos para a grande maioria e a imposição de horas extras não pagas se tornou uma prática comum.

Por essas e outras razões, a presença dos militantes da CNT-AIT nas ruas é tão necessária hoje. Continuar a colocar em prática a ação direta é a única maneira não só de defender nossos direitos, mas também de conquistar nossa emancipação. Porque enquanto houver pessoas dispostas a sair às ruas para lutar, lado a lado, teremos esperança. Porque, enquanto virmos que as ideias anarcossindicalistas continuam a brotar e a ressurgir na sociedade, todos os nossos esforços terão valido a pena.

É somente por meio da força coletiva, da solidariedade entre iguais, do apoio mútuo, que podemos alcançar nossos objetivos. Vemos isso em todos os conflitos sindicais que enfrentamos. É graças a esses princípios, a essas práticas, que alcançamos cada uma de nossas vitórias.

A CNT-AIT sempre permanecerá fiel a esses valores de luta. Porque eles são nossos princípios e vivemos de acordo com eles, lutando ao lado de nossos companheiros, enfrentando o Estado e o capitalismo. Nossas ações, nosso modo de vida, falam por nós.

Por fim, queremos agradecer à militância por seu comprometimento; queremos agradecer a todas as pessoas próximas à nossa organização por sua presença neste Primeiro de Maio; queremos agradecer imensamente o trabalho realizado pelo comitê de trabalho que organizou tudo para tornar possível mais um ano. Um Primeiro de Maio diferente para nós, mudando a rota histórica e transferindo-a para outro distrito de Madri, com a incerteza que isso gerou. Mas ficamos satisfeitos com o resultado, com o desejo de continuar crescendo e nos fortalecendo como organização. E não nos cansamos de repetir: “A luta é o único caminho”.

Pela Revolução Social.

Por uma vida na Anarquia.

Federação Local de Sindicatos de Madri da CNT-AIT

>> Mais fotos: https://cntmadrid.org/1m-cronica-fotos/

Tradução > Liberto

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No azul do mar
golfinhos saltam –
parecem brincar

Eugénia Tabosa

[Grécia] Pasamontaña: contra ilusões eleitorais, organização e luta

Contra as ilusões eleitorais, Organização e Luta

Que a indignação e a raiva se tornem uma luta organizada contra o sistema capitalista e o Estado!

Sem delegação – sem ilusão com os salvadore do sistema, de “esquerda” ou de extrema-direita.

Por uma sociedade autogovernada com decisões e riquezas em nossas mãos.

Tudo para todos!

Pasamontaña Espaço Social Autogestionado

17/05/2023

pasamontana.blogspot.com

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luar na relva
vento insone
tira o sono das flores

Alonso Alvarez

[Espanha] O futuro das pensões na Europa

Mesa redonda internacional em 21 de maio de 2023, às 12 horas (horário de verão da Europa Central)

Aproveitando a necessidade econômica após a pandemia, a Comunidade Europeia está exigindo uma aceleração na redução dos direitos à aposentadoria pública em seus países: França, Espanha,… E não apenas na UE, outros países como a Suíça também veem seu direito à aposentadoria pública ameaçado. Esse caminho já foi trilhado por países como a Argentina ou o Chile. A demanda do capitalismo europeu não é nova e está de acordo com o relatório do Banco Mundial de 1994. Em consonância com os interesses dos banqueiros e dos fundos de pensão privados, as sucessivas reformas estão sendo realizadas com o engano de governos, formações políticas e sindicatos colaboracionistas que lideram a classe trabalhadora em cada país.

As trabalhadoras francesas estão se mobilizando há meses para defender suas aposentadorias e nos perguntamos: por que as trabalhadoras devem permanecer mais tempo no emprego e receber menos aposentadoria, desenhando um futuro de incerteza, precariedade e miséria? O que está impulsionando essa resistência na França, ao contrário de outros países? Qual é o papel dos fundos financeiros?

A admirável determinação da classe trabalhadora francesa – pressionando sem desistir – nos mostra o caminho: Aumentar a consciência de classe e a ação direta das trabalhadoras é fundamental para avançar e não retroceder, por isso, a partir da CNT, facilitamos um espaço de debate e conhecimento internacionalista, onde teremos a participação de companheiros de sindicatos da Comunidade Europeia, como a USI (Unione Sindacale Italiana), a FAU (Freie Arbeiter-Union, da Alemanha), a SUD Santé Sociaux (Federadas em Solidariedade, França); de fora da UE, como o SUD (Suíça), e também teremos a participação especial de um sindicato não europeu, a FORA, da Argentina, um país que passou por um processo semelhante e que pode nos mostrar aonde ele está levando anos depois. Juntamente com a CNT, essa mesa redonda internacional sobre o futuro das aposentadorias na Europa será transmitida pelo canal do youtube da CNT (https://youtube.com/live/gtmzfIJwS78).

Estamos esperando por você.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/el-futuro-de-las-pensiones-en-europa/

Tradução > Liberto

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canta bem-te-vi
sol por todo o lado
natureza sorri

Carlos Seabra

[Reino Unido] Letterpress Revolution: The Politics of Anarchist Print Culture (Revolução tipográfica: a política da cultura impressa anarquista) [Resenha do livro]

Por Peter Good

Como um curioso vadio de uma escola de Manchester, fiquei fascinado pelas muitas revistas de bricolagem que eram uma característica dos anos 1950. Um desses anúncios sempre despertaria minha imaginação. A prensa manual Adana ‘Não é um brinquedo – uma impressora de verdade’ estava muito além do meu bolso, mas o anúncio semeou fantasias juvenis de publicação. Anos depois, ganhei algum dinheiro, então comprei o kit inicial de Adana. Uma prensa manual de mesa bem construída. Ainda está funcionando cinquenta anos depois.

Em uma mesa de cozinha em uma casa do conselho de Lancashire, comecei a aprender a imprimir lançando uma pequena revista baseada em minha abordagem anarquista da vida. Chamei-o de Anarquismo Lancastrium. Levou uma era de dedos sujos de tinta, organizando tipos, configurando e reimprimindo erros graves. Um processo de aprendizado doloroso, mas funcionou.

O kit inicial era muito escasso para impressão detalhada. Naquela época, muitas impressoras comerciais começaram a mudar para sistemas de computador e ficaram com equipamentos tipográficos redundantes. Abençoado com charme e um belo sorriso, eu batia nas portas das gráficas e perguntava se eles estavam abertos para doar qualquer tipo ou tinta. Como tal, salvei muitas coisas da caçamba de lixo e ao longo de 50 anos montei minha própria oficina.

Um homem e seis de seus companheiros do clube de conservação ajudaram na mudança de Lancashire e eu mudei o título de AL para seu nome atual: A Emenda Cunningham. A revista continuou suas origens satíricas, mas o início da Política de Identidade fez uma série de lojas radicais, até hoje, se recusarem a aceitar cópias.

Há algo inerentemente maravilhoso na impressão tipográfica. Como compositor, construo palavras à mão e estou constantemente alerta para corrigir erros. Algumas das minhas impressões e as latas de tinta datam de antes da segunda guerra. Todo o processo requer raciocínio e habilidade – uma arte totalmente diferente dos layouts feitos por computador. Tenho orgulho da economia desta habilidade. Quase tudo o que tenho foi projetado e construído para durar décadas. Não há descarte na impressão tipográfica. Consequentemente, não preciso substituir equipamentos de empresas comerciais. A economia da impressão tipográfica é tamanha que agora custa mais postar a revista do que produzi-la.

A versatilidade do ofício merece registro. Principalmente porque a tipografia se presta a uma grande variedade de materiais. Certa vez, cortei páginas de uma lista telefônica e imprimi o slogan: Não vote – governe a si mesmo. Coloquei uma pilha de papéis no telhado de um prédio de cinco andares, coloquei um pedaço de pão para segurá-lo e, quando os pombos chegaram, o vento distribuiu essa sabedoria pelo centro de Manchester e além. Certa vez, ganhei uma caixa de apoiadores de cerveja e imprimi slogans espirituosos e os coloquei cuidadosamente nas mesas dos pubs. Várias vezes usei panfletos de supermercado para imprimir avisos de que o que está em oferta é falso. Em que tempos travessos vivemos!

Agora vem um livro magnífico que examina a cultura impressa do passado e fala com impressores contemporâneos que continuam com o ofício hoje. Como nos tempos de silo de hoje, o anarquismo sempre foi uma assembléia de facções e podemos ter certeza de que cada tendência produziu seu próprio papel. Ferguson deve ser elogiado por rastrear os muitos impressores esquecidos, “os nomeados e os anônimos”, que, em muitos casos, dedicaram suas vidas ao ofício.

O livro é um contra-ataque bem-vindo ao nosso método moderno de usar dispositivos elétricos de propriedade corporativa como meio de publicação. A impressão tipográfica cruzou “a lacuna entre artesanato e arte dando um passo em direção a um mundo em que os trabalhadores não seriam alienados do processo de seu trabalho”. Muitos impressores consideravam os equipamentos com os quais trabalhavam como entidades quase vivas. Usando principalmente máquinas antigas, eles consideravam a prensa como uma companheira. Citando o impressor Jules Faye: “as impressoras são pessoas, quase, elas têm uma persona, uma personalidade, elas têm humores…”

O material anarquista sempre carrega uma vantagem. Há pessoas por aí que acham ameaçadora a noção de uma sociedade livre. Ferguson dá espaço para descrever muitas batidas de policiais e vigilantes. Freedom, que já foi uma organização mais aberta do que é hoje, foi invadida quatro vezes durante a Primeira Guerra Mundial. Máquinas foram quebradas, tipos e tintas confiscados e camaradas que vieram oferecer apoio também foram invadidos.

Ao focar na tipografia, Ferguson apresenta uma nova maneira de olhar para a história do anarquismo. A tipografia como forma de trabalho gera uma ambição prática ativa de construir e incorporar ideias novas e criativas. Muitos agora dependem de pequenos dispositivos elétricos que vêm com um pacote de julgamentos instantâneos de tristes guerreiros do teclado. Nem sempre é fácil ver o quão destrutivo é esse modo de trabalhar. Como método, a impressão tipográfica pode ser visivelmente vista funcionando e muitos aspectos do processo se prestam a assistência não qualificada. A história de Ferguson promove a mensagem de que o desenvolvimento radical significativo é construído a partir da cooperação face a face, corpo a corpo, mão a mão.

Revolução tipográfica: a política da cultura impressa anarquista por Kathy E. Ferguson – Duke University Press, 2023. https://dukeupress.edu/letterpress-revolution

Fonte: https://www.katesharpleylibrary.net/4mw83p

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/02/13/eua-o-papel-das-impressoras-e-prensas-no-movimento-anarquista-tem-destaque-em-novo-livro/

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Canto e contracanto:
o pica-pau reclamando
do som do machado.

Anibal Beça

Chamado para XI Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre 2023

Convidamos mais uma vez para construirmos coletivamente a Feira do Livro Anarquista em Porto Alegre, que se realizará na primeira quinzena de novembro de 2023. Para nos encontrarmos, para atualizar nossas práticas, olhares e estratégias, para que tudo que uma mente livre possa se perguntar encontre um espaço cheio de produções autônomas, publicações independentes, ideias acratas, debates e também para agitar solidariedade ativa com quem teve a vida usurpada pelo Estado por se opor à dominação.

As chamas da revolta que ardem pelo mundo todo mostram que muitas são as pessoas que não se submetem e tomam pra si a responsabilidade de pôr por terra esse modelo de sociedade que explora e destrói pessoas, animais, matas, rios e tudo que possa transformar em lucro. Todas essas ações de luta e resistência nos inspiram e encorajam a continuar lutando. Num mundo cada vez mais devastado, instável e precário, em que as pessoas estão cada vez mais isoladas umas das outras, os valores anarquistas de solidariedade, apoio mútuo e ação direta se mostram ainda atuais e urgentes

Um dos combustíveis para espalhar essa chama é a palavra escrita, os comunicados, revistas, livros, jornais, as ideias difundidas das mais diversas formas. Uma vez que não nutrimos nenhuma simpatia pelos meios corporativos, as vozes da dominação, escrevemos nossa própria história.

Por isso a importância de termos esse espaço/momento ativo sempre, todos os anos, com diferentes grupos e individualidades tomando pra si a responsabilidade de fazer acontecer. A Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre não é propriedade de alguém e nunca será, é de toda pessoa que se identifica com a revolta e busca a autonomia, participa das reuniões, propõe intervenções para os dias da feira, leva materiais, cola junto.

A Anarquia vive e se movimenta, o fogo da rebelião precisa ser constantemente soprado, pra todos os lados. Vamos acender  essa grande fogueira mais uma vez!

Convidamos a participar das reuniões de construção da feira nos primeiros domingos do mês nas feiras anarquistas de Porto Alegre, em frente ao Gasômetro.

Informações e contato: fla-poa2023@riseup.net

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Mata devastada
Vence a luta pela vida
Cachos do Ipê roxo

Kiyomi

[Grécia] Cartaz antieleitoral | Se vivemos, vivemos para pisar na cabeça dos poderosos

Não vivemos para os outros mediarem e definirem nossas vidas.

Não vivemos para pagar aluguel e trabalhar para patrões.

Não vivemos para servir a nenhum país e nos submeter a qualquer Estado.

Não vivemos para morrer esperando que dias melhores venham.

Porque se vivemos, vivemos para pisar na cabeça dos poderosos.

Vivemos coletivamente construindo relações de solidariedade e criando comunidades de resistência.

Vivemos para viver, não para sobreviver.

ABSTENÇÃO CONSCIENTE

PARTICIPAÇÃO EM LUTAS SOCIAIS E DE CLASSES

POR UMA VIDA COM DIGNIDADE

Coletivo Anarquista “A priori”

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estação vazia
no trem sozinho
um passarinho

Ricardo Portugal

Espaço Virtual da Federação Anarquista Capixaba – FACA

A p r e s e n t a ç ã o

Quando de sua fundação, em 11 de setembro de 2022, a Federação Anarquista Capixaba – FACA assumiu para si a responsabilidade de agrupar as individualidades anarquistas no território dominado pelo Estado do Espírito Santo, contribuindo assim com a luta e transformação anticapitalista e antiautoritária.

Dessa forma, sabemos que a comunicação, troca e divulgação de ideias é fundamental para o desenvolvimento dos indivíduos e movimentos políticos e sociais, de modo que a FACA, inaugura este espaço digital público com a intenção de expor seus posicionamentos e atividades.

Que tenhamos aqui mais uma trincheira em prol da Liberdade.

Que viva a Anarquia sempre!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Contato: fedca@riseup.net

Blog: https://federacaocapixaba.noblogs.org/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/02/02/militantes-criam-federacao-anarquista-capixaba/

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velhinha na janela
todo mundo que passa
é visita pra ela

Ricardo Silvestrin

[Espanha] “Sou otimista com as novas gerações”

Entrevista publicada no Rojo y Negro (Vermelho e Negro) nº 378, maio de 2023

Conversamos com Álex Rodrigo, codiretor de séries de sucesso internacional como La Casa de Papel, Vis a Vis ou El Embarcadero e roteirista de, entre outros, El Último Show, também músico… e afiliado à CNT.

Rojo y Negro > Olá, Álex. Aproveitando a fama que você ganhou com os muitos prêmios que recebeu por seu trabalho, gostaríamos de conversar com você para dar visibilidade às pessoas que trabalham na mídia audiovisual. Especificamente, quais são os problemas trabalhistas que você enfrenta e quais são suas reivindicações?

Alex Rodrigo < A raiz de muitos problemas é a temporalidade. Ao trabalhar em séries e filmes, você se depara com projetos que variam de 8 semanas a 6 meses, mas raramente mais. Isso leva, por exemplo, à dificuldade de criar seções sindicais. Quando você consegue organizar um grupo de pessoas, o projeto está praticamente encerrado.

Em termos de problemas específicos, como diretor, faço muitas horas extras que (na maioria dos casos) não são levadas em conta. Quando você pede para ensaiar com os atores ou visitar mais locações para escolher a melhor, parece um capricho extra… e tudo isso fora do horário de trabalho. Também não tenho tempo durante a semana para preparar as cenas (desenhar planos de câmera, storyboards…) e acabo fazendo isso no fim de semana.

Como roteirista, o problema é todo o trabalho que você faz antes de a série ser vendida, que vem (em muitos casos) da sua motivação para ser comprada por uma plataforma ou rede, mas não é pago. Depois de vendida, você começa a ser pago do zero, como se o trabalho anterior não valesse um centavo.

Em outras palavras, o problema que me afeta são as horas extras não pagas.

Mas não vamos esquecer que estamos falando de dois empregos (roteirista e diretor) com certos privilégios dentro do setor. Se olharmos para os assistentes, auxiliares e trabalhadores em qualquer departamento… você sente um arrepio na espinha: salários precários, mudanças de turno sem aviso prévio, coerção para não tirar licença médica, etc. E ainda há o mundo distópico e surreal dos bolsistas, que poderia ser o tema de um artigo inteiro.

Também gostaria de salientar que o mito de que “os artistas são loucos que se alimentam de sua própria motivação criativa” causou muitos danos. Parte desse mito vem de uma classe social que é minoria, mas que tem muitos alto-falantes no setor cultural: os filhos e filhas da burguesia. Pessoas que até bem perto dos 30 anos vivem treinando em escolas de cinema elitistas e produzindo trabalhos não remunerados com o objetivo de obter prestígio intelectual. Há classes em todos os lugares, mas no cinema elas são especialmente marcadas.

RyN > Considerando as diferentes profissões que compõem o mundo audiovisual, com sua casuística diversa e múltipla, estando sujeitas a contratos de trabalho e a tantos empregadores diferentes, em um ambiente atomizado e altamente competitivo no qual é difícil se unir para apresentar suas propostas, como vocês se organizam?

AR < Os companheiros da CNT Artes Cênicas conseguiram superar essa adversidade e lutar pelos direitos trabalhistas das artes cênicas, mas é um caminho longo e complicado. Há também os sindicatos, ALMA (roteiro) ou TACEE (técnicos), que conseguiram melhorias específicas em seu setor. Meu sonho é que a CNT chegue a todos os departamentos audiovisuais, para poder criar um movimento forte, transversal e revolucionário.

Também estou ciente de que a CGT tem uma forte presença entre os funcionários permanentes das empresas de televisão… E que bom!

RyN > Você acha que o desenvolvimento do Estatuto do Artista poderia resolver alguma coisa?

AR < Bem, mais uma vez, essas são medidas que não resolvem a raiz do problema… mas não quero ser catastrofista. Por exemplo, um seguro-desemprego que realmente se encaixe como uma luva na intermitência do setor, acho que seria uma medida importante para muitas pessoas. Insuficiente, mas importante.

RyN > E o que você pode nos dizer sobre o direito à propriedade intelectual de uma perspectiva anarcossindicalista?

AR < É uma questão complicada. Essencialmente, sou contra os direitos autorais. Quando tive controle total do design da produção, como na websérie Libres, registrei meus trabalhos na Creative Commons. Mas também reconheço que, em alguns casos, quem mais tira proveito da ausência de direitos são as empresas. Há muitos casos de produtoras que pegam roteiros de outras pessoas, apagam os nomes dos autores e os fazem passar por seus próprios roteiros. Nesse caso, um roteirista é protegido por direitos de propriedade intelectual (uma licença Creative Commons poderia protegê-lo, mas é mais difícil lutar no tribunal).

É por isso que acho que seria muito simplista dizer que “os anarquistas devem lutar para eliminar todos os direitos de propriedade” e depois ficar de braços cruzados, sem olhar para a realidade que afeta os trabalhadores do setor.

É claro que acho que a cultura deve ser livre, universal e gratuita. Não há debate sobre isso. É por isso que devemos distinguir entre os direitos que protegem o autor (um trabalhador, afinal de contas) e o sistema de direitos e royalties que reproduz a parte mais tóxica do conceito de propriedade capitalista.

RyN > Agora, a partir de sua profissão e do ponto de vista da comunicação política, que lições você aprende com seu trabalho? Como as organizações revolucionárias podem alcançar mais pessoas?

AR < Com meu trabalho, aprendi o poder do mainstream. Não me escondo dele: quero alcançar muitas pessoas com as histórias que conto (meus amigos me chamam, aos risos, de “El AnarcoNetflix”). E acho que, às vezes, enganamos a nós mesmos ao pensar que uma mensagem radical não tem lugar no mainstream. Linguagens como o humor e a ficção são ferramentas que abrem as portas para o conteúdo revolucionário. Você mantém intacto o “o que você conta” e quebra a cabeça para ver “como você conta”, repito, sem renunciar ao conteúdo.

O Modelo 77 conseguiu colocar uma história sobre a COPEL em todos os cinemas da Espanha. Quantos de nós já sentimos um frio na barriga ao ouvir um personagem dizer “sou da CNT” em uma sala de cinema cheia? Bem, é um filme com um orçamento de 7.500.000 euros, um daqueles que são (às vezes ofensivamente) rotulados como “comerciais”, e Alberto Rodríguez teve que financiá-lo, em parte, por meio de gigantes como Movistar e Warner Bros. Temos que aceitar que o cinema e as séries são muito caros para produzir.

E como podemos alcançar mais pessoas? Fazendo com que elas vejam que, com força coletiva, podemos mudar esse mundo de merda. Apontando as vitórias que temos. Mostrando que somos indispensáveis e também inconformistas. Mostrando que, por meio do apoio mútuo e sem estruturas hierárquicas, podemos mover montanhas, criar revoluções e conquistar um novo mundo… Aquele que carregamos em nossos corações.

RyN > Você acha que a imprensa escrita, com uma longa história no anarcossindicalismo e um papel tão importante na emancipação da classe trabalhadora, está fadada a desaparecer diante do poder da mídia audiovisual e da Internet?

AR < A imprensa de papel pode desaparecer, mas a imprensa escrita não. A leitura é um exercício insubstituível.

RyN > E, nesse sentido, a CNT fez um trabalho de comunicação muito bom nos últimos anos. O que você aprendeu com sua participação no sindicato que lhe foi útil no cinema? Quais são as chaves para alcançar os jovens?

AR < O que eu levo ao cinema? Estar envolvido em assembleias desde os 16 anos (nos últimos anos na CNT, mas antes disso em outros movimentos sociais) me deu muitas ferramentas para ser um diretor. Ouvir muito, tentar seduzir com as ideias que transmito aos meus colegas (não presumindo que eles obedecerão às ordens simplesmente por causa da hierarquia)… Eu até tento ser muito conciso em minha comunicação (como falasse de uma vez tudo o que se tem para dizer, bem estruturado e em pouco tempo). Sou um filho da cultura da assembleia, e isso moldou uma maneira de trabalhar na qual (quase sempre) me sinto à vontade.

Quais são os segredos para alcançar os jovens? Bem, não posso lhe dizer. Se eu soubesse, na CNT Huesca haveria milhares de jovens de vinte e poucos anos militando. O que eu acredito é que não existe uma juventude homogênea e que querer “alcançar os jovens” pode ser um objetivo final, mas nunca uma linha de ação. Você é a estrela. Não existe essa coisa de “juventude”. Existem muitos “jovens”, e para cada um deles teremos de pensar em uma estratégia de comunicação.

RyN > Finalmente, você poderia esboçar um roteiro para uma nova série de ficção: O movimento dos trabalhadores nos próximos anos. E, sendo o mais realista possível, como você acha que a luta de classes evoluirá nos próximos 10, 20 ou 50 anos?

AR < Bem, eu sou precisamente otimista com relação às novas gerações, com relação aos jovens que estão agora com 18-20 anos. Vivemos um ciclo muito tóxico em que os mitos da meritocracia e do empreendedorismo fizeram esforços titânicos para se implantar no imaginário coletivo da classe trabalhadora. Eles vendem mitos individualistas para nos anestesiar. Por sua vez, a nova esquerda parlamentar desmobilizou a luta social revolucionária: “Vote contra o Vox e fique quieto por quatro anos”. Mas estamos vendo que essa não é a solução e que somente a classe trabalhadora luta pela classe trabalhadora.

É por isso que eu proporia um roteiro em que os mais jovens repensassem os mitos da geração anterior e se organizassem para não esperar que eles resolvam seus problemas. Protagonistas que não mordem a isca individualista do elevador social e, em vez de almejar o que está acima, olham ao seu redor (e abaixo) para lutar coletivamente. Um protagonismo coral atravessado pela ideia de Apoio Mútuo.

RyN > Na CGT, sentimos que somos herdeiros da história da CNT e, embora agora estejamos seguindo caminhos diferentes, na CGT temos clareza de que precisamos avançar na busca de espaços comuns e temos demonstrado isso, por exemplo, em nosso apoio aos companheiros de La Suiza de Xixón. Quais você acha que poderiam ser os pontos de encontro entre nossas organizações?

AR < Bem, já estamos encontrando pontos em comum, cada vez mais nos últimos anos: mobilizações, ações conjuntas, solidariedade com os reprimidos… Sinceramente, acho que as gerações que não viveram a divisão traumática adoram apertar as mãos sempre que temos a oportunidade. Estamos separados por duas diferenças táticas e unidos por tudo o mais. Poucas organizações são tão próximas, a ponto de muitos militantes da CNT se referirem a vocês como “o sindicato irmão da CGT”.

RyN > Muito obrigado pelo seu tempo, saúde e anarquia, companheiro!

AR < Um abraço libertário, companheiros!

Foto: Tamara Arranz

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/soy-optimista-con-las-nuevas-generacioneslkuy/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

De espantalho
Para espantalho,
Voam os pardais.

Sazanami

[México] Nem Condenado, Nem Perseguido! Solidariedade Com Miguel Peralta

Declaração do preso político indígena Yaqui, Fidencio Aldama, em solidariedade ao preso político indígena Mazateca, Miguel Peralta.

Meu nome é Fidencio Aldama Pérez. Junto-me ao apelo à solidariedade com o meu companheiro Miguel Peralta. Após quase cinco anos de prisão, vivendo um processo judicial árduo e demorado, Miguel conseguiu sua liberdade depois que se provou que não havia provas para condená-lo por um crime. Devido à mesma situação, há mais de oito anos, seis companheiros permanecem presos sem sentenças, e outros quatorze estão sendo perseguidos por suposta “justiça”. Melhor dito, pela manipulação de certas pessoas, e pelo abuso de poder.

Em 4 de março de 2022, a Suprema Corte do Estado de Oaxaca revogou a liberdade de Miguel, emitindo um novo mandado de prisão buscando novamente impor uma pena de prisão de meio século, ou cinquenta anos.

Perante esta condenação e perseguição política, quero manifestar a minha solidariedade para com o meu companheiro Miguel Peralta, apelando a todos para que resistam a este caso de injustiça. O caso dele é parecido com o meu. Pela defesa de nossos territórios e autodeterminação, de nossos costumes e tradições, eles nos aprisionam injustamente. Eles fazem isso para nos intimidar. Através da intervenção de quem está no poder, e da corrupção a eles ligada, os aliados do dinheiro podem realizar seus objetivos.

Mesmo assim continuamos na luta pela autodeterminação, pelos nossos costumes e tradições. Fazemos um apelo à ação, para exigir que o tribunal atenda ao recurso interposto neste processo, para que façam os trabalhos que lhes correspondem.

Compañero Miguel Peralta, nem condenado, nem perseguido!

Fonte: https://itsgoingdown.org/neither-condemned-nor-persecuted-solidarity-with-miguel-peralta/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

ave calada —
ninho em silêncio
na madrugada

Carlos Seabra

[País Basco] XVII edição da feira do livro anarquista de Bilbao

A Feira do Livro Anarquista retorna

No fim de semana de 20 e 21 de maio, o Paseo del Arenal (Bilbao) sediará a 17ª edição da feira.

“Além dos estandes das editoras e distribuidoras, foram programados vários eventos culturais”, destacam os organizadores.

Nos dias 20 e 21 de maio, o Arenal de Bilbao será “a capital do livro anarquista”, destaca a CNT. Com essa 17ª edição, o objetivo é continuar o trabalho de divulgação das ideias libertárias, anticapitalistas e antiautoritárias. “Em um momento em que, para a população em geral, ainda parece não haver uma alternativa social clara a esse sistema capitalista decrépito e a essa democracia representativa burguesa, queremos visualizar que um mundo pós-capitalista e libertário é possível e necessário”, enfatizam os organizadores. Por essas razões, destacam a importância de continuar a divulgar as ideias libertárias.

No sábado, 20 de maio, a feira começará às 12 horas, com oito estandes de distribuidores e editoras. Juan Cruz López apresentará o livro Edades de Tercera. Historia de una vieja desigualdade (Idades de Terceira, História de uma velha desigualdade), Premi Descontrol de ensayo 2021. O livro é uma obra que, entre outros objetivos, visa fundamentar as contribuições da gerontologia crítica no campo da literatura militante. No entanto, “estamos falando de uma obra repleta de referências, que começa com uma análise histórica da construção social da velhice, continua desvendando os debates relacionados à tese do chamado envelhecimento populacional e termina com uma análise sociológica das diferentes formas de etarismo presentes em nossas sociedades, incluindo a violência sofrida pelos idosos”, aponta a organização. De qualquer forma, a abordagem do autor visa afirmar a necessidade de conectar a luta contra o envelhecimento com outras lutas que aspiram a colocar a vida no centro dos interesses públicos.

Às 18h00, será exibido o documentário El entusiasmo, com a participação de seu diretor, Luis E. Herrero. O documentário investiga os movimentos libertários e contraculturais que convergiram na CNT durante os anos mais efervescentes da Transição. Em apenas dois anos, a histórica organização de trabalhadores passou da clandestinidade para a organização de eventos de massa, em uma evolução meteórica que culminou no início de 1978 com um caso obscuro de infiltração policial, o chamado Caso Scala.

E para fechar o dia, às 20h00 haverá um show de Jo Solana, que surgiu em 2015 após 30 anos de carreira musical como Juanito Piquete, com canções que resgatam momentos mais íntimos. A feira será encerrada às 21h00 no sábado.

No domingo, dia 21 de maio, o horário de funcionamento será das 11:00 às 15h00. Para encerrar os eventos culturais, haverá uma palestra das Trabajadoras No Domesticadas, que às 12h00 falará sobre as trabalhadoras domésticas e de cuidados no País Basco e seus horizontes de luta.

www.cnt-sindikatua.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.

Guilherme de Almeida

[Porto Alegre-RS] Quem Tem Medo de Junho de 2013?

As Jornadas de Junho de 2013 foram a maior revolta popular do século 21 no chamado Bra$il, até o momento. Esse momento de intensa luta tem sido alvo de criminalização e apagamento, mesmo por setores da esquerda. Para recuperar a narrativa que valoriza o caldeirão de lutas populares que abalou o país, o Esp(a)ço recebe o pessoal da Kasa Invisível para um bate-papo sobre o assunto.

A atividade  acontece na sexta-feira, dia 19 de maio, às 19h. Aqui no Esp(a)ço. Rua Castro Alves, 101, em Porto Alegre. Chega junto!

agência de notícias anarquistas-ana

Ao cair da tarde
apenas uma cigarra –
Companheiras mortas.

Francisco Handa

Reveses do sindicalismo combativo

O sindicalismo é fruto da organização das pessoas trabalhadoras em busca de melhores condições de vida em todos os seus aspectos. 

À medida que a luta desigual entre as pessoas trabalhadoras e os grupos de poder que controlam os meios de produção se acentuam, os grupos poderosos atacam sistematicamente as organizações sindicais, desmontando e fechando todas que ofereciam algum tipo de ameaça às estruturas de roubo e opressão. 

Centenas de milhares de pessoas sindicalistas foram perseguidas, presas e assassinadas em todo o mundo. O Brasil não está fora desse contexto, e aqui houve um desmonte do movimento sindical, primeiro com as perseguições, prisões e extradições de milhares de pessoas trabalhadoras, uma vez que muitas delas vinham de fora, com experiência organizacional de seus países de origem. Com ascensão da ditadura varguista, sob influência do fascismo italiano, é iniciado um particionamento do movimento sindical buscando o enfraquecimento do sindicalismo combativo e o substituindo por um sindicalismo corporativo e de resultado limitado a cada corporação ou categoria, perdendo a capacidade amplificada da força coletiva que envolvia todos os ramos de pessoas trabalhadoras.

Além de corporativizar os ramos de trabalho, só poderia existir um sindicato para cada profissão ou grupo profissional em regiões delimitadas, tornando o sindicato uma miscelânea de correntes diferentes e divergentes dentro de si, tornando o palco de lutas intestinas que enfraqueciam as próprias pessoas trabalhadoras e sua organização.

Outro grave revés ao sindicalismo combativo, revolucionário, foi a perda de sua capacidade de pautar e de interagir diretamente nas diversas profissões e em seus ambientes de trabalho. O sindicalismo ficou quase que limitado às questões econômicas das pessoas trabalhadoras. Foram criadas outras instâncias de fiscalização, os conselhos de classe das mais diversas profissões. Em conjunto a isso, dentro dos espaços de trabalho urbanos e rurais, a organização da segurança do trabalho também foi removida das atribuições sindicais e entregue a órgãos controlados pelas patronais e Estado, fiel servo dos grupos poderosos.

O Estado tornou-se uma figura chave nesse processo de controle do sindicalismo. De perseguidor, torturador e assassino das pessoas trabalhadoras sindicalistas e sindicalizadas, através das leis varguistas de controle do meio de trabalho, se torna o agente regularizador, legalizador e moderador das relações de trabalho, quase sempre atendendo aos interesses dos grupos de poder.

Neste processo de tornar os sindicatos em extensão de controle e adestramento das pessoas trabalhadoras, transformaram a greve em uma arma de festim, quase sempre ilegalizada nas mãos dos juízes trabalhistas. Dentro do acervo de possibilidades de ação, a greve sempre foi uma das armas mais fortes dos movimentos das pessoas trabalhadoras.

Agora vivemos uma transformação enorme nas relações de trabalho, com a robotização e avanços tecnológicos surpreendentes, unidos a uma amplificação dos conceitos liberais nos meios de trabalho, o que significa um desmonte e desregulamentação das leis trabalhistas, principalmente daquelas que protegiam de forma minimizada, as pessoas trabalhadoras e evitavam que de fato se tornassem escravizadas em pleno século XXI. 

Esse processo de precarização só tende a piorar, pois as organizações sindicais cooptadas a muito tempo, mantendo uma elite profissionalizada de sindicalistas, há muito se separam das aflições e desesperos da grande maioria das pessoas trabalhadoras. Estamos abandonadas à mercê dos grupos poderosos.

Retomar a organização coletiva das pessoas trabalhadoras é nossa resposta ainda possível. Na luta somos dignas e livres! 

Fonte: https://anarkio.net/index.php/reveses-do-sindicalismo-combativo/

agência de notícias anarquistas-ana

Na casa do avô
Havia tantos pernilongos
Em noites como esta!

Paulo Franchetti