[Grécia] Atenas: Ações de sabotagem contra as obras de reconstrução de Strefi Hill

O Morro de Strefis está sob ocupação policial.

As obras realizadas nos últimos seis meses estão destruindo a flora e a fauna do morro, enquanto a operação de sua regeneração busca isolá-lo dos movimentos da área e do bairro em geral, visando torná-lo um atrativo turístico. Tudo isto com a colaboração do Município e da empresa imobiliária e de investimento PRODEA, que através da requalificação da colina procura expandir o seu capital no bairro.

Assim, no esforço de colocar obstáculos aos projetos que estão sendo realizados no morro, realizamos as seguintes ações de sabotagem:

  1. cortar os cabos de energia industrial que alimentam o canteiro de obras,
  2. desconectar e destruir os refletores instalados no morro a pretexto de segurança do local,
  3. perfuração e corte de tubos através dos quais será instalado o sistema de iluminação perimetral e câmeras no morro.

CONTRA A PILHAGEM DA NATUREZA, A LUTA POR TERRA E LIBERDADE

Anarquistas

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1624736/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

pérolas de orvalho!
olho e vejo em cada gota
a minha casa-espelho

Issa

[Espanha] Diante da criminalização do protesto, a dignidade rebelde das “8 do Caixabank”

Da CGT queremos expressar nosso total apoio às 8 pessoas, ativistas da Plataforma dos Atingidos pela Hipoteca (PAH) de Guadalajara, processadas por tentar impedir um despejo, e a quem o juiz julga violar seu direito a uma audiência pública.

As 8 do Caixabank, ativistas da Plataforma de Atingidos pela Hipoteca (PAH), enfrentam penas de prisão por terem entrado no escritório deste banco em Cabanillas del Campo (Guadalajara) a fim de solicitar um mandado para adiar o julgamento de despejo contra uma família em situação de vulnerabilidade composta por uma mãe e dois menores. Passaram-se cinco anos sem fim desde que foram acusadas, entre outras coisas, de resistência, desobediência e coerção, apesar da natureza totalmente pacífica de sua ação. A CGT considera extremamente grave que as gravações de segurança que demonstraram a natureza totalmente pacífica de sua ação “tenham sido perdidas” pelo Caixabank.

A juíza que vai julgá-los é a juíza María del Carmen Molina Mansilla, aquela que interrogou violentamente uma vítima de estupro em Vitória e lhe perguntou “se ela tinha fechado as pernas corretamente”. Ela é a mesma juíza que ganhou neste país uma queixa perante o Tribunal Europeu de Direitos Humanos (ECHR) por sua suposta “falta de imparcialidade objetiva”. Ela é a mesma juíza denunciada pela Associação Contra a Corrupção e em Defesa da Ação Pública (ACOPAD) pelo suposto sequestro de um jornalista que denunciou corrupção. Consideramos inaceitável que ela continue a exercer suas funções como juíza.

Esta mesma juíza, María del Carmen Molina Mansilla, pretende realizar este julgamento contra ativistas da PAH, sem permitir o acesso ao público, incluindo observadores internacionais de direitos humanos e à imprensa, por razões de “segurança, moralidade e saúde”, atribuindo às pessoas que quisessem acompanhá-las “potenciais perturbações da ordem pública, e poderiam acabar como os réus”. A CGT considera esta forma de julgar os acusados e os que os acompanham extremamente grave.

Mesmo o Ministério Público vê esta decisão do juiz como “preocupante e contrária às normas internacionais sobre julgamento justo”, como “o acesso à proteção judicial efetiva e o direito das partes a um julgamento público”. O julgamento, marcado para 5 de abril, foi novamente adiado até a decisão do Tribunal Provincial de Guadalajara sobre os recursos. Mas já antes deste novo adiamento, as 8 ativistas do PAH acusadas decidiram, com coragem e coerência, que não comparecerão a um julgamento sem garantias, que não comparecerão à audiência a menos que sejam presas.

A CGT quer expressar seu apoio e solidariedade às 8 do Caixabank que decidiram responder à criminalização do protesto com dignidade e rebelião, considerando que todas as organizações sociais e sindicatos devem seguir este exemplo para enfrentar os constantes ataques ao direito de protesto e à liberdade de expressão.

Da CGT convocamos para assistir à coletiva de imprensa do Caixabank 8 que ocorrerá no dia 5 de abril, data do agora adiado julgamento, às 9h00, às portas do banco, na Calle Mayor 27, em Guadalajara.

Contra a criminalização do protesto, dignidade rebelde!

Fonte: https://cgt.org.es/ante-la-criminalizacion-de-la-protesta-la-dignidad-rebelde-de-las-8-de-caixabank/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Solidão no ninho
O pássaro se assusta
No eco do trovão

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Mianmar] Ataque aéreo da Junta Militar faz dezenas de mortos

A Junta Militar de Mianmar, no poder desde 01 de Fevereiro de 2021, levou a cabo, esta terça-feira (11/04), um ataque aéreo numa aldeia, na região de Sagaing, centro do país, que deixou dezenas de vítimas mortais. O balanço total de vítimas poderá chegar a uma centena.

O ataque aconteceu no momento em que decorria nesta aldeia uma cerimônia de abertura de um escritório local, ligado à Força de Defesa Popular, uma milícia anti-golpe considerada como “terrorista” pela Junta Militar no poder. Este grupo de opositores insurge-se, por diversas vezes, contra os militares, em vários pontos do país.

A Junta Militar já confirmou que levou a cabo o ataque, mas não deu conta do número total de vítimas, salientando que algumas das pessoas que perderam a vida eram opositores ao regime militar.

De acordo com um socorrista, ligado à Força de Defesa Popular e ouvido pela AFP, o número de vítimas mortais poderá ultrapassar as 100.

A região de Sagaing, local onde aconteceu o ataque, localiza-se perto da segunda maior cidade do país, Mandalay, que é um dos principais focos de resistência contra o poder e tem sido palco de acérrimos combates nos últimos meses.

Fonte: agências de notícias

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agência de notícias anarquistas-ana

vermelho relâmpago
irrompe do capim seco:
a cobra coral.

Anibal Beça

[Portugal] O sapateiro bejense Artur Modesto: um autodidata sempre presente na luta contra o fascismo

Artur Modesto, foi um militante anarcossindicalista do Baixo-Alentejo, sapateiro de profissão. Nasceu em Beja  a 27 de maio de 1897 e morreu em Lisboa a 3 de abril de 1985.

Cunhado de Acácio Tomás de Aquino, um dos principais organizadores do 18 de janeiro de 1934, residiu em Lisboa, na Ajuda, a partir dos anos 30, colaborando com as organizações libertárias clandestinas, nomeadamente no âmbito da Federação de Solidariedade para com os Presos e Perseguidos por Questões Sociais. Depois de 1974 colaborou em várias tarefas para a edição do jornal ” A Batalha” e integrou o grupo anarquista Fanal, da zona de Belém-Ajuda.

Inicialmente esteve filiado  no Sindicato dos Sapateiros de Beja, pertencendo a várias direções e comissões do sindicato. Foi um dos fundadores das Juventudes Sindicalistas de Beja, do seu órgão na imprensa (o jornal O Rebelde) e da União dos Sindicatos Operários de Beja.

Em 1928 veio para Lisboa, integrando o Sindicato Único da Indústria de Calçado, Couro e Peles até 1933, ano da sua destruição pela ditadura fascista.

Durante o fascismo exerceu funções clandestinas na FARP, Aliança Libertária de Lisboa e na CGT.

Conseguiu não ser preso após a sublevação do 18 de janeiro de 1934, contando no seu currículo de militante apenas uma prisão, em Novembro de 1918, ainda em Beja, aquando da greve geral decretada pela União Operária Nacional.

Apesar de ter apenas a 2º classe, Artur Modesto tinha uma grande cultura, mercê da leitura e do convívio com militantes com um nível superior de estudos e uma sensibilidade e gentileza marcantes.

Toda a vida escreveu poesia e no final da vida, após Abril de 1974, viu dois dos seus livros serem editados pela Editora Sementeira. “Páginas do meu Caderno”, em 1978 e “Alfarrábio Poético”, em 1984.

Manteve também até final da vida uma ligação constante ao jornal A Batalha, onde, até poder, foi uma presença assídua. Manteve também colaboração com a revista “A Ideia”.

Fonte: https://memorialibertaria.blogs.sapo.pt/o-sapateiro-bejense-artur-modesto-um-49583

agência de notícias anarquistas-ana

A chuva passou.
A noite um instante volta
A ser fim-de-tarde.

Paulo Franchetti

[Reino Unido] Subvertendo o dogma do “cão come cão”

De acordo com a ideologia neoliberal, este é um mundo onde “cão come cão”. Mas onde e quando você vê cachorro comendo cachorro? A menos que eles estejam morrendo de fome (devido a condições não naturais), mal socializados (um problema de condicionamento) ou em uma coleira (a metáfora perfeita para a natureza disfuncional do autoritarismo), é muito mais provável que você veja cenários de cão cheira cão, cão brinca com cão.

O foco do neoliberalismo na competição revela que, em sua essência, ele se baseia em dividir e governar. O economista Friedrich Hayek, avô do culto da morte egoísta e analmente retentivo que literalmente ameaça a vida como a conhecemos, admitiu abertamente que, deixados por nossa conta, os seres humanos naturalmente se organizam em comunidades autônomas, autogovernadas, autossustentáveis, felizes e contentes. Mas onde está o lucro nisso?

O neoliberalismo criou um colapso nos relacionamentos (uns com os outros, outras comunidades, outras espécies e, finalmente, com o nosso planeta) que levou diretamente a uma pandemia de isolamento, ansiedade, estresse, dependência e depressão. Essas doenças antissociais não apenas nos tornam menos capazes de nos organizar contra a exploração, mas também nos tornaram consumidores perfeitos, famintos por pequenos goles de dopamina para nos distrair da insatisfação fundamental da vida. Fazer compras não é terapia, é um sintoma. Pessoas felizes não compram porcarias.

A economia global neoliberal é tão anti-social que construir/reconstruir relações tornou-se um ato radical. E o anarquismo é sobre relacionamentos. O avô do mutualismo Pierre-Joseph Proudhon disse (na linguagem patriarcal de sua época): “O homem mais livre é aquele que tem mais relações com seus semelhantes”.

Em seu inestimável livro Anarquism, Carissa Honeywell examina a declaração de Proudon e sua relevância moderna:

Para os anarquistas, a liberdade depende de relações de cuidado e interdependência. Em um nível, isso ocorre porque essas relações sustentam a sobrevivência material; nossa forte dependência uns dos outros significa que é impossível ser livre sozinho (mesmo quando essa dependência é escondida de nós por convenções de troca, como o dinheiro, que mascaram a interdependência).

Para os pobres ou marginalizados, a liberdade exige que criemos relações de maior igualdade material, porque a liberdade sem acesso aos recursos necessários para a sobrevivência e outras necessidades não tem sentido. Na verdade, todos precisam da ajuda dos outros. É difícil pensar em qualquer desafio que enfrentemos que não exija assistência humana e não humana. “É um privilégio inconsciente”, escreve a professora de antropologia Anna Tsing, “que nos permite fantasiar — contrafactualmente — que sobrevivemos sozinhos”.

Assim, uma abordagem coletivista da economia não é apenas preferível em um sentido ético, é de fato a realidade diária escondida por trás da mitologia do neoliberalismo. Mas, no século XX, o comunismo de Estado provou que uma abordagem autoritária do coletivismo era tão exploradora e desumanizadora quanto o modelo de propriedade privada. Somente o anarquismo oferece coletivismo e um respeito saudável pela liberdade individual. Honeywell continua:

Essas mesmas experiências ou sentidos de nós mesmos que entendemos como liberdade — individualidade, singularidade, criatividade, expressão ou individualidade — são o resultado de necessidades profundamente relacionais (psicológicas, fisiológicas, sociais e espirituais) sendo atendidas em conexão com e em reação a outros seres.

A individualidade humana depende da colaboração de outros seres através de relacionamentos com eles. Experiências intensas de “egoísmo” são o produto das comunidades e redes de relacionamento que apoiam e nutrem, antagonizam e desafiam, nos desenvolvem e nos criam. Nesta tradição, a liberdade e a individualidade são o resultado de conexões mutuamente sustentáveis com os outros, somos “nós” antes de sermos “eu”.

O anarquismo não é nada se não for aplicado na prática. O trabalho a ser feito é se (re)conectar com nossas comunidades e uns com os outros (deixar o puritanismo e as lutas internas para os autoritários). Uma das coisas mais importantes que podemos fazer como anarquistas é criar espaços onde as relações interpessoais, comunitárias e internacionais possam prosperar.

Em nosso pequeno experimento, em South Yorkshire, de anarquia na prática, Doncaster ‘s Bentley Urban Farm, estamos construindo uma “Cozinha de Comensalidade” para fornecer refeições pagas de acordo com as possibilidades de cada um em espaços quentes para que as pessoas saibam que podem obter ambos sem a adição de estigma, julgamento ou vitimização. Não como caridade, mas como camaradas juntos em boa companhia.

Comensalidade (uma palavra que aprendi com o anarquismo) é o ato de comer juntos, uma prática simples que cria laços e aprofunda relacionamentos.

Esqueça cão-come-cão, melhor apenas comer juntos se você quiser mudar o mundo.

~ Warren Draper

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2023/01/15/subverting-the-dog-eat-dog-dogma/

Tradução > Abobrinha

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agência de notícias anarquistas-ana

nas ramagens embaciadas
o sol
abre frestas

Rogério Martins

[Bulgária] O homem que explodiu a estátua de Stalin em 1953 e sobreviveu

24/03/2023

Em 3 de março de 1953, um anarquista de 19 anos fez o impensável e explodiu o grande monumento do ditador soviético Joseph Stalin que ficava no centro do Sofia Freedom Park – agora Jardim de Boris – e sobreviveu. Vive até hoje, com 90 anos.

O perpetrador, Georgi Konstantinov, era o líder de um grupo anarquista, conhecido pelo apelido de Anarhiata (“A Anarquia”). O atentado foi cuidadosamente planejado por um grupo de ativistas anarquistas semi-legais, que se opunham fortemente à repressão comunista da época.

“Naquela época, Stalin era mais do que Deus e uma palavra contra ele era suficiente para destruir um homem”, lembrou Konstantinov décadas depois. Ele vê a ação de seu grupo anarquista como um protesto contra a ditadura stalinista e um desafio aos líderes, que eles viam como grandes criminosos.

Transparece em suas lembranças da organização do atentado que os explosivos e outros suprimentos para a bomba foram fornecidos por um dos membros do grupo que servia nas Forças Armadas na época.

O próprio monumento a Stalin estava localizado na entrada do Freedom Park, aproximadamente onde hoje está o baixo-relevo do czar Boris III. Era um pedestal de cerca de 2 metros e um monumento de bronze entre 4 e 5 metros de altura.

“Stalin ficou no pedestal olhando para o futuro. Nossa bomba foi colocada entre seus dois pés. Quando explodiu, quebrou as pernas e derrubou a estátua”, acrescentou Konstantinov.

A explosão aconteceu exatamente às 19h30 do dia 3 de março de 1953 durante uma manifestação na Praça Tzar Osvoboditel. Georgi Konstantinov decidiu ficar e ver o monumento cair, enquanto seus colaboradores fugiram para não serem presos.

Dois dias depois – em 5 de março de 1953, Stalin morreu.

Os anarquistas descobriram que a conspiração havia sido traída e decidiram fugir do país. Konstantinov viajou para sua cidade natal, Blagoevgrad, planejando ir de lá para cruzar a fronteira búlgara-iugoslava. No entanto, ele foi preso em 28 de março e levado ao Ministério do Interior em Sofia. Lá, ele foi mantido sem comer e dormir por sete dias e foi interrogado diariamente pela Segurança do Estado Comunista.

Seguiu-se um julgamento contra os anarquistas, que durou três meses. No final do segundo mês, Konstantinov tentou suicídio, mas não conseguiu. Depois disso, ele foi algemado pelo resto do julgamento para impedi-lo de novas tentativas de tirar a própria vida.

“Quando eles te mantêm algemado por um mês, seus ombros doem muito. Não conseguia levantar os braços”, disse ele.

Georgi Konstantinov foi condenado à morte, mas sua família conseguiu puxar alguns pauzinhos entre os médicos, que o atenderam durante a prisão preventiva e obtiveram um atestado dizendo que Konstantinov era doente mental. Isso, juntamente com a política ainda não oficial de desestalinização, salvou sua vida.

A sentença de morte de Konstantinov foi comutada para 20 anos de prisão, muitos dos quais ele cumpriu em total isolamento. Oficiais da Segurança do Estado disseram a ele que ele lamentaria estar vivo.

Ele cumpriu 5 anos de sua sentença na prisão de Pazardzhik, onde a maioria dos prisioneiros políticos búlgaros foi mantida. Lá, o esquerdista Konstaninov fez amizade com o ex-ativista de direita Ilia Minev, que acabaria se tornando o prisioneiro político que cumpriu a pena mais longa do mundo.

A algumas celas de distância ficava a cela do famoso banqueiro e político búlgaro Atanas Burov, e a do ex-ministro da Guerra, Ivan Volkov.

Quando foi levado para a prisão, Konstantinov pesava 93 kg. Quando foi solto, pesava 49 kg.

Em 1958, ele foi transferido de Pazardzhik para o infame campo de trabalho de Belene, após o que ele estava na prisão de Pleven. Interrogatórios e tortura eram práticas comuns contra aqueles rotulados como “inimigos do Estado”. Tendo visto seu próprio dossiê nos arquivos da Segurança do Estado um ano depois, Konstantinov escreveu que as prisões usavam métodos medievais para extrair confissões dos prisioneiros, mas essas foram classificadas e nunca descritas nos registros.

Konstantinov acabou sendo libertado no final de 1962 como resultado de uma anistia em larga escala.

Em 1973, ele fugiu para a França, ganhando uma nova sentença de morte na Bulgária. Nos 20 anos seguintes, Konstantinov viveu na França, mas a Segurança do Estado continuou de olho nele. Muito mais tarde, descobriu-se que seu próprio irmão foi forçado a denunciá-lo – o que acabaria arruinando o relacionamento deles.

Em 1990, o anarquista foi novamente anistiado e voltou para a Bulgária. Ele conseguiu obter seu dossiê completo dos arquivos desclassificados da Segurança do Estado. Com base neles e em suas próprias memórias, ele escreveu cinco volumes de memórias, contando a evolução de suas ideias anarquistas, de seus amigos e associados no movimento anarquista ilegal, suas experiências na prisão e depois, quando foi solto.

Na verdade, Konstantinov estava entre os defensores da ideia de desclassificar os arquivos da polícia secreta e quase se tornou membro da comissão de arquivos secretos – mas não o fez por causa de seu passado “terrorista”.

Fontes:

A Última Liberdade de Georgy Konstantinov (Documentário Russo legendado em inglês) – um Documentário sobre a vida de Konstantinov

https://www.youtube.com/watch?v=5q3S6_xReUA

Livros de Georgi Konstanstinov

https://www.anarchy.bg/books_categories/георги-константинов/

Fonte: https://www.bta.bg/en/news/bulgaria/429929-the-man-who-blew-up-the-sofia-stalin-statue-in-1953-and-survived%E2%80%9D

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Passa um cão
com neve nas costas –
onde a leva?

Stefan Theodoru

[México] Jornada Internacional pela Liberdade de Jorge Esquivel e em Solidariedade com a Okupa Che (Espaço Autônomo de Trabalho Autogerido)

Em 8 de dezembro de 2022, Jorge Esquivel, membro da comunidade punk e participante ativo da Okupa Che, um espaço que há mais de 20 anos acolhe vários projetos de trabalho autogerido, bem como um importante ponto de encontro para várias organizações, coletivos e comunidades organizadas em nível nacional e internacional, foi preso nas proximidades da Cidade Universitária.

Jorge foi acusado de “tráfico de drogas” desde sua primeira prisão em 2016, na qual foi violentamente sujeito a detenção arbitrária por policiais vestidos com roupas civis, como parte de um esquema que procurava fabricar acusações contra ele para atacar a Okupa Che e justificar seu despejo aos olhos da opinião pública.

A Procuradoria Geral da Cidade do México não conseguiu provar estas acusações, pois não dispõe de provas suficientes. No entanto, eles o mantêm como refém sob as mesmas acusações como parte de uma série de ataques contra a Okupa pelo governo da Cidade do México e pelo gabinete do reitor da universidade.

O esquema contra Jorge não é apenas legal. A mídia de massa tem feito sua parte, publicando artigos ligando Jorge e Okupa Che ao crime organizado. Enquanto isso, a perseguição policial do Espaço continua, já que elementos do Ministério Público têm sido vistos pendurados em torno da Okupa.

Durante o mês de abril haverá duas audiências do processo legal, portanto, convidamos indivíduos, coletivos e organizações para uma JORNADA INTERNACIONAL PELA LIBERDADE DE YORCH E EM SOLIDARIEDADE COM A OKUPA CHE, de 20 a 29 de abril, durante o qual a solidariedade será expressa a partir de diferentes territórios e de diferentes maneiras. Algumas ideias de ações que podem ser realizadas são fóruns informativos sobre a situação de Jorge, sessões de redação de cartas, manifestações nas embaixadas ou representações mexicanas, atividades culturais, grafite, etc.

Se você estiver interessado em organizar um evento em sua área, entre em contato com cna.mex@gmail.com

Que a imaginação seja nossa arma contra o confinamento!

Que a solidariedade rompa fronteiras e muros!

Liberdade para todxs! Yorch Livre!

Abaixo os muros das prisões!

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/07/mexico-carta-do-preso-anarquista-jorge-yorch-esquivel-solidaria-com-alfredo-cospito-e-miguel-peralta-e-anunciando-sua-proxima-audiencia-para-14-de-abril-de-2023/

agência de notícias anarquistas-ana

sol poente
numa ruela
menino corre das sombras

Rod Willmot

[Espanha] Novidade editorial: “El movimiento libertario español visto por la policía franquista”, de Francisco Xavier Redondo Abal

Já está disponível a última edição da Fundação Anselmo Lorenzo. Sob o título “El movimiento libertario español visto por la policía franquista”, Francisco Xavier Redondo Abal lança luz sobre a repressão ao Movimento Libertário Espanhol e o faz a partir da própria documentação policial, fonte destacada para o estudo da repressão franquista.

O autor se aproxima assim do Movimento Libertário Espanhol, MLE, desde o olhar policial franquista, empenhada em retaliar a organização anarcossindicalista, integrada pela CNT, FAI e FIJL. Sem dúvida, um valioso estudo que lançará luz à história silenciada e a perseguição ao anarcossindicalismo espanhol.

Sinopse do livro.

Os documentos policiais que agora apresentamos são, cremos, em sua totalidade inéditos e em consequência nunca até o presente haviam visto a luz. Nossa intenção é mostrar de forma íntegra essa documentação contextualizando-a pois, estamos convencidos, representa uma fonte destacada para o estudo da repressão franquista. Não obstante, tratamos de documentos que, dada sua procedência, devem ser  manejados com especial cautela mas que, ao mesmo tempo e isto é o importante, mostram desde dentro a visão dos repressores em sua luta contra a dissidência antifranquista, concretamente contra um determinado setor de oposição ao regime saído da vitória na Guerra Civil Espanhola: o Movimento Libertário Espanhol (MLE), organização anarcossindicalista fundada em 26 de fevereiro de 1939 e integrada pela Confederação Nacional do Trabalho (CNT), a Federação Anarquista Ibérica (FAI) e a Federação Ibérica de Juventudes Libertárias (FIJL). Em consequência, estamos ante o olhar e a observação, o estudo e as análises dos responsáveis pela perseguição e  repressão ao movimento libertário em sua luta contra o franquismo. Através de seus documentos internos descobriremos o grau de conhecimento que a polícia política franquista possuía das pessoas, movimentos e organizações, atividades, contatos, discussões, órgãos de imprensa, congressos, plenárias e demais questões relacionadas com a luta desenvolvida contra o regime militar pela que foi a primeira força sindical do estado espanhol até o início da Guerra Civil. Desta maneira, entenderemos a importância dos boletins como fonte para o estudo dos grupos e formações anarcossindicalistas em sua disputa e confronto com o franquismo.

Definitivamente, nos encontramos ao ler estes documentos ante a vigilância, o controle e a repressão efetuadas pela Brigada Político Social contra seu inimigo ancestral: o anarquismo e todas as suas manifestações.

El movimiento libertario español visto por la policía franquista | Documentos de la Brigada Político-Social sobre la CNT-FAI-JJLL (1941-1960)

Francisco Xavier Redondo Abal

Fundação Anselmo Lorenzo.

Col. Memoria Histórica, 4

400 págs.

Madrid, 2023

ISBN: 978-84-123507-7-7

22,00€

https://fal2.cnt.es/tienda/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

À sombra, num banco,
folha cai suave
sobre meu cabelo branco

Winston

[Itália] Anarquistas na Resistência

As atividades do astigiano Germinal Concórdia nas formações guerrilheiras anarquistas milanesas contra o fascismo.

Germinal Concordia nasceu em Mombaruzzo (At) em 6 de setembro de 1913. Mudou-se para a região de Milão e entrou em contato com o antifascismo em tenra idade.

Depois de 8 de setembro de 1943, tornou-se um organizador ativo de formações guerrilheira. Concordia, nome de guerra ‘Michele’, foi um dos principais organizadores das brigadas comunista-libertárias ‘E. Malatesta’ e ‘Pietro Bruzzi’ que operam em Milão, Oltrepò Pavese e outras localidades.

Esta experiência guerrilheira representa um dos casos mais importantes e mais bem documentados de resistência anarquista e nos permite analisar a especificidade da batalha libertária contra o fascismo.

Para os anarquistas, de fato, a luta antifascista começou a se desenvolver a partir do nascimento do movimento de Mussolini e constitui um momento particular de um compromisso mais amplo em um sentido revolucionário.

O fascismo, a democracia burguesa, o totalitarismo stalinista são combatidos como diferentes formas de opressão estatal, em vista da criação de uma sociedade livre e igualitária.

Um projeto que hoje, diante da ameaça de uma nova virada autoritária, é mais relevante do que nunca.

No sábado, 15 de abril, discutiremos tudo isso com Franco Schirone, historiador e co-autor de “Per la rivoluzione sociale. Gli anarchici nella Resistenza a Milano” (“Pela revolução social. Os anarquistas na Resistência de Milão”). 17 horas, Via Toti nº 5. Seguido de aperitivos em benefício do CDL ‘Felix’. 

FB: https://www.facebook.com/events/231327592753271/?ref=newsfeed

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Em cima do túmulo,
cai uma folha após outra.
Lágrimas também…

Masuda Goga

[Espanha] A CGT, CNT e Solidariedade Obreira apresentam um acordo para a unidade de ação das três organizações. Um passo histórico para o anarcossindicalismo

  • Na segunda-feira passada, 10 de abril, no local da Fundação Anselmo Lorenzo de Madrid as três forças anarcossindicalistas de nosso país apresentaram conjuntamente um documento compartilhado que faz um chamado à confluência e a unidade de ação do sindicalismo combativo.

Trinta anos depois da divisão do anarcossindicalismo histórico, as três principais organizações do Estado espanhol, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), a Confederação Nacional do Trabalho (CNT) e a Confederação Sindical Solidariedade Obreira apresentaram um documento conjunto intitulado A la classe trabalhadora. Por la movilización y la confluencia” (À Classe trabalhadora. Pela mobilização e a confluência). Na apresentação do escrito ante a opinião pública interviram Maribel Ramírez, Secretária de Ação Sindical da CGT, Antonio Diaz, Secretário geral da CNT e José Luis Carretero, Secretário geral do Solidariedade Obreira. O ato se realizou na sede da histórica Fundação Anselmo Lorenzo, ligada à CNT, depositária do principal arquivo do movimento libertário de nosso país.

Em um ambiente de camaradagem e boas intenções, as três porta vozes expressaram o significado do acordo alcançado. Antonio Diaz da CNT expressou que a confluência têm como objetivo “fomentar a luta da classe obreira”. Por sua parte Maribel Ramírez da CGT expressou que “é uma responsabilidade de todas começar a confluir e levar a cabo uma luta conjunta ante as agressões que estão sendo feitas por parte do capital e do Estado”. Nesse sentido, José Luis Carretero do Solidariedade Obreira expressou que a unidade de ação que propõe o documento chega quando nos encontramos em uma “encruzilhada histórica” e acrescentou que as três organizações compartilham um “passado comum” e que o que se está propondo é “um acordo do presente, para construir um futuro”.

Depois das felicitações compartilhadas e as declarações de intenções, o ato desenvolveu os pontos que menciona o comunicado, começando pela reivindicação de umas pensões públicas dignas. Antonio Diaz expressou que há que “fomentar a ideia de que quem tem que lutar pelas pensões somos as e os trabalhadores”, e não só as pessoas pensionistas. Maribel Ramírez acrescentou que há que tentar que a juventude se envolva nessa luta, e José Luis Carretero colocou como exemplo de luta o que está ocorrendo agora mesmo na França com as lutas pela idade de aposentadoria. Continuando com o desenvolvimento do escrito também se falou da luta sindical contra a brecha salarial, a reivindicação do feminismo e a defesa dos serviços públicos.

As três representantes anarcossindicais também compartilharam a ideia do sindicato como “novas instituições do comum”, em palavras de José Luis Carretero, que representem a uma classe obreira diversa, com “multiplicidade de sujeitos”, que têm que ver com as e os trabalhadores das empresas estratégicas, mas também das pequenas empresas, os trabalhos precários e as trabalhadoras autônomas. Desde a mesa também deixaram claro “diferenças organizativas” entre as três forças sindicais, mas como expressou Maribel Ramírez “estão unidas pelo mesmo fim” para acrescentar em tom de brincadeira que havia que agradecer “ao capital e o Estado” que tenha favorecido com sua ação contra os interesses da classe obreira “sentarem as três organizações na mesma mesa”.

Também as três organizações anarcossindicais expressaram sua preocupação pela guerra na Ucrânia, da qual manifestaram, a principal prejudicada é a classe obreira. Antonio Diaz recordou a respeito que o “antibelicismo” é um sinal de identidade do anarcossindicalismo. José Luis Carretero apontou como precisamente a guerra cerceia liberdades públicas, produz derivas autoritárias, e afiança leis como a Ley Mordaza que em nosso país derivou em que tenha gente “nos cárceres por escrever um twitter”. Nesse sentido o representante do Solidariedade Obreira assinalou que os sindicatos presentes deviam ser “escudos em defesa dos direitos conquistados”.

Precisamente desde essa lógica de confluência, apoio mútuo e solidariedade de classe, durante todo o ato esteve muito presente a situação das companheiras da CNT reprimidas na Suiza de Gijón. Maribel Ramírez o expressou de uma forma clara e contundente: “Se mexem com uma, mexem com todas”. O ato se encerrou com diversas intervenções do público que se felicitaram pelo acordo e que animaram a que seja só um primeiro passo para iniciativas conjuntas que vão de mãos dadas não só desde a luta sindical, mas também desde o encontro social em povoados, bairros e cidades. Precisamente, para Miguel Fadrique, Secretário geral da CGT, “o exercício de responsabilidade que as três organizações estamos levando a cabo deve ir mais além de um comunicado e uma coletiva de imprensa. Essa responsabilidade nos tem que levar a construir uma alternativa sindical e social séria, um espaço que trabalhe de maneira conjunta dia a dia e no qual a maioria da classe trabalhadora se veja refletida. Acima das siglas está a defesa de uns direitos laborais e sociais cada vez mais deteriorados; e frente a isto, só a unidade da classe trabalhadora vai conseguir reverter dita situação”.

Fonte: https://www.tercerainformacion.es/articulo/actualidad/11/04/2023/cgt-cnt-y-solidaridad-obrera-presentan-un-acuerdo-para-la-unidade-de-accion-de-las-tres-organizações-un-paso-historico-para-el-anarcosindicalismo/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

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agência de notícias anarquistas-ana

Sozinho na casa.
Lá fora o canto das cigarras.
Ah se não fossem elas…

Anibal Beça

[Alemanha] Encontro Anual Caótico-Anarquista

De 13 a 16 de abril de 2023 em Bielefeld.

Queremos anarquia. Queremos liberdade e autonomia para todos, sem dominação e fronteiras. Queremos a subversão do existente. Queremos revolução social.

Para que a nossa vontade e as nossas ideias não se limitem a frases sem conteúdo, temos de nos confrontar com a realidade que nos rodeia, isto é, com as condições e o mundo em que somos obrigados a viver, aqui e agora.

É por isso que criamos um espaço público, para nos reunirmos, nos conhecermos e começarmos a conversar.

Queremos discutir. Em sessões maiores ou menores, com rostos novos e conhecidos.

Onde estamos? Como devemos lutar? Onde intervir, sem recuar, como se organizar sem cair na armadilha da política? E com quem? O que significa falar de revolta, insurreição e revolução social em um mundo que, por um lado, caminha para o abismo e, por outro, se torna uma prisão digital?

A reunião acontecerá de 13 a 16 de abril de 2023 em Bielefeld.

Todos os anarquistas, corações selvagens, espíritos livres, subversivos e rebeldes que se reconheçam neste convite são bem-vindos.

Haverá espaços para dormir e comida. O número de espaços para dormir é limitado. Quanto mais cedo você nos avisar que está vindo, melhor. Além disso, há vagas de estacionamento próximas para quem trouxer suas vans.

Você encontrará um programa detalhado e mais informações em março neste blog: https://acat.noblogs.org/

E-mail: acat[ät]supernormal.net

Até agora, consideramos os seguintes tópicos:

• perspectivas anarquistas sobre a guerra • cooptação de lutas por partidos políticos, organizações e outros grupos autoritários • perspectivas anarquistas e intervenções em lutas sociais (isto é, revoltas juvenis) • revolução social diante de condições distópicas • lutas antipatriarcais • lidar com a repressão, prisão e perseguição • luta contra o confinamento digital do mundo

Enquanto isso, haverá muito espaço para sair e se conhecer. Traga seus materiais!

Flyer.vs2 plakat-vs5

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Cercada de verde
ilha na hera do muro:
uma orquídea branca.

Anibal Beça

[EUA] Relatório: Feira do Livro Anarquista de Houston de 2023

No sábado, 25 de março, a Organização Anarquista de Space City, com a ajuda do Comitê Antifascista de Screwston, lançou sua primeira Feira de Livros Anarquista e a primeira Feira de Livros Anarquista em Houston desde 2017. Estamos felizes em anunciar que a feira de livros foi um grande sucesso!!!

Reunimos mais de uma dúzia de grupos anarquistas, antifascistas, abolicionistas e anticapitalistas de todo o Texas para oferecer literatura, suprimentos de redução de danos, roupas, mercadorias e muito mais. A SCAO coletou e distribuiu doações para nossa loja gratuita e também forneceu comida e bebidas para os participantes. Foram realizados 5 workshops pelos vários grupos presentes, bem como 3 músicos locais que forneceram música para o evento.

Ao longo do evento, centenas de pessoas vieram e fizeram novas conexões, ganharam coisas legais de graça, comeram comida de graça, ouviram música e gostaram de existir em um espaço comunitário sem nenhuma expectativa de gastar dinheiro. O evento foi cheio de alegria e diversão, e esperamos que seja algo que nenhum dos participantes esqueça tão cedo.

Apesar das preocupações com a aparição de fascistas e nacionalistas brancos, dada a presença deles na feira de livros anarquistas de Houston de 2017, estamos felizes em anunciar que não houve assédio aos participantes ou ao local por parte do estado ou fascistas.

Terminamos o evento queimando uma bandeira americana na qual os participantes rabiscaram e escreveram mensagens. Um dos participantes começou um canto de “foda-se o estado” que muitas das outras pessoas presentes se juntaram de bom grado.

A SCAO ficou muito feliz em fornecer um espaço para as pessoas explorarem novas ideias radicais, aprender sobre algumas organizações incríveis que fazem um ótimo trabalho e encontrar uma comunidade em uma cidade que muitas vezes parece alienante. Queremos agradecer imensamente à House of J por nos receber e sempre apoiar sua comunidade. Esperamos hospedar mais eventos públicos como este no futuro e planejamos tornar uma feira de livros anarquista uma tradição anual em Houston. Se você compareceu e teve algum comentário ou opinião, envie-nos um DM para @spacecityao no twitter/instagram ou envie um e-mail para spacecityao@pm.me!

Fonte: https://spacecityao.noblogs.org/blog/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Laranjais em flor.
Ah! que perfume tenuíssimo…
Esperei por ti…

Fanny Dupré

[Chile] 5 anos de La Zarzamora… e seguimos!!

Este 4 de abril completamos 5 anos desde que concretizamos a ideia de criar a mídia livre La Zarzamora. Foi em uma colina de Concepción, onde nos reunimos para refletir sobre a falta de uma mídia feminista anti-hegemônica, descentralizada, baseada no antiespecismo, autogestionado, anti-institucional e situado desde baixo, longe de qualquer academia ou elite.

Desde aí o natural devir do crescimento de uma Zarzamora nos nutriu de experiências e profundidade em nossas reflexões políticas. Vimos neste percurso uma multiplicação das mídias feministas, algo que desejávamos com ânsia, no entanto poucas mantêm uma postura autônoma e muitas se propõe desde a institucionalidade, pelo que hoje com orgulho celebramos nossa coerência ao nos mantermos sempre desde a autonomia e nos posicionarmos desde o anarcofeminismo.

Por zarza transitaram companheiras e companheiros que deixaram um pouquinho de si em cada componente de zarza. Os saudamos com agradecimento, estão aqui presentes. Saudamos também as nossas editoras que foram fundamentais neste processo, agradecemos pelo compromisso e constância. Devemos mencionar que assim mesmo, tivemos más experiências, mas estas nos ensinaram que La Zarzamora também se autodefende e a importância de cuidarmos do crescimento quantitativo que possamos ter.

Este 2023 com centenas de introduções publicadas em nossa página, com uma publicação mensal em papel que já tem 5 números, com uma rádio funcionando de segunda a domingo e com uma grande rede de mídias afins que compartilham suas reflexões, suas criações e replicam nosso trabalho, festejamos nossa luta e constância comprometida com a liberação total de todas as existências.

Hoje desde aqui, queremos reafirmar que mantemos nosso compromisso anticarcerário e seguimos difundindo a situação de companheiros sequestrados nos cárceres do mundo, a eles também agradecemos a coerência e aprendizagem que nos deixam em cada comunicado ou ação solidária desde o cárcere. Os queremos na rua agora!!

Saudamos as nossas companheiras sequestradas no cárcere de San Miguel, Mónica Caballero, Ita e Mawumko, agradecemos cada palavra saída do cárcere, as quais propagamos por todas as nossas ferramentas de comunicação. Cada uma de suas letras são aprendizagem chamada à ação.

Saudamos aos companheiros sequestrados pelo estado e atualmente no cárcere La Gonzalina: Marcelo Villarroel, Juan Aliste Vega, Joaquín García e Francisco Solar, que tem sido determinantes em estabelecer que nada acaba na cana e desde aí se mantêm presentes em cada atividade ou ação solidária.

Saudamos também aos compas do Caso Gendarmería e Susaron, lhes dizemos que estamos atentas e atentos de seus processos e ao par da vingança covarde do poder como foi o brutal assassinato de Tony, gatito golpeado nos ataques do caso Susaron e a ameaça institucional para a infância que o estado exerce para uma das meninas presentes nos ataques do caso Gendarmería.

Também saudamos a Estéfano preso por defender-se de um ataque de trans ódio, auto defesa que lhe salvou a vida. Sabemos dos amedrontamentos que passaram sua mãe e também seus amigos animais que receberam a vingança dos odiadores. Força Estéfano, não descansaremos até que cada preso por auto defesa esteja na rua.

Agradecemos também a nossa querida Gloria Moneni, por sempre estar e por ser um exemplo de luta contra a injustiça carcerária, tua força incansável forjou caminhos e até hoje desperta corações e espíritos adormecidos que antes aceitavam os abusos constantes da Gendarmería.

Saudamos a nossas companheiras mães que perderam suas filhas e filhos pela violência estatal e assassina dos poderosos, em especial a: Dennise Obrecht mãe de Bau por confiar em nós e receber-nos com amor e ternura, não pararemos de difundir as ações e ideias de Bau, cá está presente conosco; a Kattia González, mãe de Anna Cook, agradecemos por sua fortaleza por não render-se e seguir em busca da verdade; a Karem Rojas, mãe de Isidora González (Dorito) que ano a ano sai às ruas para lutar contra o feminicídio e para visibilizar a vida de sua filha, agradecemos por seguir confiando em nós.

E obviamente como não agradecer a quem nos segue em nossas diferentes redes sociais, a quem compartilha e propaga nosso trabalho, a quem distribui a publicação, agradecemos por corrigir-nos e fazer eco.

Para finalizar os convidamos a escutar toda a semana nossa rádio RLZ onde difundiremos saudações e mais surpresas. Virão celebrações que estaremos informando por nossas redes.

La Zarzamora mídia livre anarcofeminista

Até a liberação total!!

https://lazarzamora.cl

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/04/08/chile-la-zarzamora-uma-midia-livre-feminista-e-acrata-comemora-4-anos-incomodando/

agência de notícias anarquistas-ana

Silêncio de outono.
Nem o grito do carteiro…
cochicho de folhas.

Anibal Beça

[EUA] Mensagem de Mumia Abu-Jamal. | “Com amor, sem medo!”

Carta de Noelle Hanrahan e poema de Julia Wright

Mumia escreve:

Minhas amigas e meus amigos. Que triste notícia. Mas seguimos adiante, há que fazê-lo! Os amo a todos! Com amor, sem medo! Mumia.”

Noelle escreve:

Estimados amigos e amigas,

Vi Mumia ontem (02/04) e ele estava profundamente afetado pelo golpe, a gravidade, a dilacerante decepção, e a notícia de que a liberdade atrasará outra vez. Levei a ele a “opinião” de 38 páginas da juíza Clemons. Ele leu as palavras cuidadosamente, primeiro tirando seus óculos para ler do bolso de sua camisa. Inclinado para a frente, leu todas e cada uma das linhas. Palavras que foram escritas para enterrá-lo. Palavras destinadas a extinguir a esperança. Páginas para atá-lo. Uma opinião que mantêm a revisão desnuda de todas suas cavidades corporais antes e depois de cada visita. Uma ordem que lhe nega a comida e o exercício que poderiam curar seu coração partido e sua condição cardíaca. Páginas que o separam de seus bisnetos, seus irmãos, seus filhos, sua filha. Palavras que o impedem receber o abraço curativo de seu povo enquanto chora e sofre por Wadiya, sua esposa de 41 anos que faleceu em dezembro.

A prometida finalidade é na realidade uma tentativa transparente de encobrir o que todos sabem é verdade: a polícia, os promotores e sim, agora os juízes, roubaram décadas da vida dos habitantes negros da Filadélfia. É uma promessa de que o sistema de injustiça permaneça igual, sem oposição, com Mumia preso em uma jaula até seu último alento.

No entanto, ontem, domingo 02 de abril, me encontrei com um homem cheio de vida.

Mumia, profundamente comprometido com sua tese de doutorado, usa a [Frantz] Fanon para medir este novo mundo. Esboça o futuro – o dia em que serão defendidos os condenados da terra. Converte a narrativa em uma contra narrativa que invoca e imagina a liberdade.

Me encontrei com um homem comprometido com o mundo e sim, cheio de esperança, por todas e todos nós, e por si mesmo.

É impossível não unir-se à gargalhada alegre de Mumia. É um homem muito, muito divertido. Tenho que pedir-lhe “vamos, por favor, deixa de fazer-me rir com esses disparates”.

O amor de Mumia é valente, é honesto, com os olhos bem abertos e sem medo, e transformador para todos nós.

Julia Wright escreve:

A juíza

pode ter pisoteado

o chão,

agitou seu martelo

como uma varinha supremacista branca

e disse que não

mas esta manhã

não posso encontrar nenhum Blues

para Mumia

a juíza

pode ter desfrutado

champanhe e selfies

com os que tiram

suas listas eleitorais

mas esta manhã

Não posso encontrar nenhum Blues

para Mumia

Não posso encontrar nenhum Blues

Porque todo o mundo

está chorando

não lágrimas

não um rio

mas uma liberdade ensurdecedora

para Mumia –

e a juíza

é impotente

para detê-lo

Julia Wright (c) 2023

Noelle segue escrevendo:

Em 9 de dezembro de 1981, às 3 da manhã na rua 13 e Locust no centro da Filadélfia, Mumia Abu-Jamal acabava de parar seu táxi e estava deixando um cliente. Saltou de seu táxi, cruzou correndo a rua depois de ver o VW de seu irmão detido e Bill sendo golpeado com um porrete pelo policial da Filadélfia Daniel Faulkner. Não há debate sobre o que aconteceu depois. Daniel Faulkner disparou em Mumia no peito. Mumia cai com uma bala no pulmão. Logo, alguém mais dispara fatalmente em Faulkner e foge.

Nesse momento nosso mundo e o mundo de Mumia se desgarraram.

Cada vez que vou à prisão tiro os livros com os quais estou trabalhando de minha estante, hoje foi “Má Conduta Policial” de Paul Messing e “Um Longo Caminho para a Liberdade” de Nelson Mandela. Os levo, os ponho sobre a mesa, os compartilho, as esquinas para baixo, os parágrafos sublinhados, e vou às máquinas vendedoras.

Volto com uma caneca de deliciosos tomates cereja, azeitonas e cebolas que adornam uma bela salada grega fresca, uma maçã verde em fatias com Nutella e uma caneca de um belo melão cantalupo, melão verde, e pinha. Se podem por salada orgânica na máquina vendedora, podem dar-lhe salada e fruta fresca, uma dieta saudável para o coração, em suas comidas regulares.

No mês passado disseram que Mumia deve esperar sete meses para um exame de sangue. Ele resistiu, e agora está recebendo os exames que necessita. Todos os presos na Pensilvânia necessitam uma dieta saudável para o coração. Alimentos frescos e verduras.

O testemunho, a solidariedade, a comida e os livros são necessários para permanecer centrados e vivos e em resistência. Quando sobrevivemos, ganhamos.

Quando amamos, ganhamos.

Quando luthamos ganhamos,

When We Fight, We Win

Fonte: https://mailchi.mp/prisonradio/4323mumiaupdate?fbclid=IwAR2tNeL2URpsRtqdxUNmz8iQG5nW5L6dN8f_bneZ3jFUnqVnQTM3Onw1wrk

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/05/eua-juiza-clemons-ainda-nao-acabou-a-luta-para-libertar-mumia-continua/

agência de notícias anarquistas-ana

À sombra, num banco,
folha cai suave
sobre meu cabelo branco

Winston

Chamada Internacional: Global May Day 2023 (Semana de Ação: 26.04. – 03.05.)

Sindicalizar a Luta!

Os trabalhadores do mundo inteiro continuam a enfrentar uma espiral descendente de pobreza e dívidas paralisantes. Em algumas regiões, o ódio e a raiva alimentam greves, protestos e ações industriais no local de trabalho. Os trabalhadores estão desafiando a falsa narrativa de que somos impotentes para determinar nosso futuro.

O aumento dos preços da energia e dos alimentos atingiu duramente muitas famílias, particularmente os trabalhadores com salários baixos. As pessoas que já vivem na linha de pobreza ou abaixo dela. Para muitos, à medida que as dificuldades econômicas se intensificam, a única escolha é entre o aquecimento e a alimentação.

Sucessivos governos em todo o mundo continuam a trabalhar contra os interesses de nossa classe. Empresários, proprietários de terras, proprietários de fábricas e investidores, como parte da classe dominante, asseguram que seu próprio poder e riqueza sejam protegidos às custas da classe trabalhadora e do meio ambiente. A ideologia do crescimento econômico contínuo dita tudo.

As migalhas que eles nos jogam quando suas costas estão contra a parede pela contrapressão organizada são para nos silenciar e nos distrair do verdadeiro inimigo: o sistema capitalista, que nos deixa doentes e nos mantém na pobreza, enquanto as prisões enchem, e eles esperam que paguemos e lutemos em guerras imperialistas.

A introdução de leis para restringir os protestos e cercear os direitos dos trabalhadores duramente conquistados através de incontáveis lutas no local de trabalho é projetada para fazer descarrilar qualquer luta efetiva da classe trabalhadora.

Nossa raiva não deve ser desviada para becos sem saída que procuram substituir um conjunto de marionetes por outro, nem por qualquer reforma do sistema que procure repetir os mesmos métodos falhados de antes. Para nós, não pode haver um cessar-fogo na guerra de classes.

Nosso objetivo é a abolição do sistema de salários e do próprio capitalismo. Lutamos pela criação de um mundo organizado por e para nossa classe, funcionando em harmonia com a terra.

Não pretendemos simplesmente perturbar; pretendemos vencer.

Estamos convencidos de que o que é necessário agora é a criação de resistência organizada no local de trabalho e na comunidade, construindo solidariedade local e global para alcançar efetivamente nossos objetivos, tanto a curto como a longo prazo.

Construir ativamente a resistência de base em nossos sindicatos, no local de trabalho, nas linhas de piquete e nas ruas; na linha de frente onde os trabalhadores estão se mobilizando.

Em todo o mundo, revolucionários, sindicalistas e trabalhadores devem organizar a luta dentro dos respectivos sindicatos em solidariedade, utilizando táticas comprovadas como ajuda mútua, ação direta e auto-organização.

Juntos temos um mundo a ganhar! Sindicalizar a luta!

#globalmayday2023 #unionisethefight #1world1struggle

globalmayday.net

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

pardal sozinho –
primeira aventura
fora do ninho

Carlos Seabra

[Grécia] Passeata em defesa da Vio.Me. em Tessalônica

Uma concentração em Kamara e uma passeata pelas principais ruas do centro de Tessalônica, em defesa da Vio.Me. e da autogestão do trabalho, aconteceram ao meio-dia de sábado (08/04).

Os solidários mais uma vez enviaram sua resposta ao poder fundiário, estatal, político, econômico e judiciário, que a Vio.Me. autogestionária permanecerá nas mãos dos trabalhadores, com o apoio da sociedade que resiste ao abuso do capitalismo, bem como do Estado e das empresas que colocam os lucros acima de nossas vidas.

Nas faixas carregadas pelos manifestantes as principais frases eram: “Vio.Me. nas mãos dos trabalhadores. Autogestão em todos os lugares “, “Tirem as mãos da  Vio.Me.” e “Nós podemos sem os patrões”.

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agência de notícias anarquistas-ana

Gripe forte? Não!
Apenas adormeci
entre espirradeiras.

Leila Míccolis