[Espanha] John Cage, o anarquista do silêncio

“A arte não é algo que uma só pessoa faz, mas um processo posto em movimento por muitos“. – John Cage

Neste programa número 240 de “La Alegre Corchea Libertaria”, vamos apresentar o pianista e compositor John Cage, nascido em Los Angeles (EUA) em 5 de setembro de 1912. Este programa é uma reposição do programa número 36, de quando ainda não emitíamos em rádios livres.

Pioneiro da música aleatória, da música eletrônica e do uso não padrão de instrumentos musicais, Cage foi uma das figuras principais da vanguarda do pós guerra. Os críticos o aplaudiram como um dos compositores estadunidenses mais influentes do século XX. Foi decisivo no desenvolvimento da dança moderna, principalmente através de sua associação com o coreógrafo Merce Cunningham.

Cage é conhecido principalmente por sua composição 4′33″, três movimentos que se interpretam sem tocar uma só nota. Outra famosa criação de Cage é o piano preparado, para o qual escreveu numerosas obras relacionadas com a dança e várias peças para concerto.

Depois da apresentação, se poderá escutar uma seleção de suas músicas:

1. Music for Marcel Duchamp (1947)

2. Sonatas nº 1, 2, 3 e 5 de “Sonatas and interludes for prepared piano” (1946-1948, interpretada por Agnese Toniutti)

3. Dream (1948)

4. Quartets I-VIII (1976, interpretados por Radio Sinfonie Orchester Frankfurt, dirigida por Lucas Vis)

>> Para ouvir, clique aqui:

https://alegrialibertaria.org/wp/john-cage-el-anarquista-del-silencio-reposicion/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A folha se vai
embarca em qualquer som
rio abaixo.

Masatoshi Shiraishi

[Turquia] Violência estatal contra os protestos na floresta de Akbelen

Os protestos contra o desmatamento da floresta de Akbelen, no oeste da Turquia, também levantam a questão do ecocídio no Curdistão. As forças de segurança estão maltratando os ativistas, e o eco-anarquista Köseoğlu foi severamente espancado.

Enquanto os soldados dos exércitos turco e iraniano estão incendiando as florestas do Curdistão e enormes áreas estão sendo indiscriminadamente derrubadas, o protesto contra a derrubada da floresta Akbelen para extração de lignito no oeste da Turquia continua.

O eco-anarquista Tuğulka Tolga Köseoğlu foi preso e maltratado pelas forças de segurança durante o protesto na província mediterrânea de Muğla. Ele foi detido durante a noite na sede do distrito de Jandarma, em Milas, e só foi liberado no dia seguinte após uma audiência judicial.

Ao ser preso em 2 de agosto, ele disse à ANF que a ação de protesto contra o desmatamento foi atacada pela polícia militar: “Durante o ataque, tentei libertar um amigo que estava prestes a ser preso. No processo, eu mesmo fui preso. Fui espancado com chutes e socos e algemado pelas costas. Fui levado para o canteiro de obras na colina onde a destruição da floresta continua. Lá, bateram em minha cabeça várias vezes com coronhas de rifle.

De acordo com o eco-anarquista, parece que a polícia militar ficou mais irritada com o fato de que o protesto também era sobre o ecocídio no Curdistão. Por isso, disse ele, eles o insultaram, e os soldados no local também participaram das agressões. Eles o revistaram e o colocaram em um veículo de transporte de prisioneiros. No veículo, os maus-tratos assumiram uma nova dimensão, relatou Köseoğlu:

“Um policial militar uniformizado me insultava o tempo todo. Quando eu respondia, ele me revistava novamente e me assediava. Ele beliscou minhas coxas várias vezes. Eu resisti, foi quase uma agressão sexual. Então eles empurraram minha cabeça entre os assentos e me bateram com os punhos”.

Köseoğlu foi algemado e levado ao hospital para um check-up médico e contou aos médicos sobre seu abuso massivo. Em vez de examinar os possíveis ferimentos na cabeça causados pelos golpes com as coronhas dos rifles, foi feito apenas um exame superficial. Somente as marcas óbvias em seu corpo foram incluídas no atestado.

Durante a detenção subsequente no comando de Jandarma em Milas, os maus-tratos continuaram. Suas algemas foram mantidas por horas, ele não recebeu água e foram tocadas marchas nacionalistas. Quando ele foi levado ao tribunal no dia seguinte, a promotoria solicitou que ele fosse acusado de resistência à autoridade do Estado. Como seu advogado conseguiu refutar as acusações, Köseoğlu acabou sendo liberado incondicionalmente.

O ativista quer denunciar a polícia militar e continuar sua luta. “O Estado e o capital querem destruir as florestas para obter lucro. Eles envenenam o ar, a água, a terra e os habitats dos seres vivos. Ao mesmo tempo, privam as pessoas da base de sua subsistência. Quando as pessoas resistem, eles tentam intimidá-las com prisões e torturas. Isso não ocorre apenas no campo ecológico, mas em todas as áreas de luta. Sempre recebemos o mesmo tratamento. Mas continuaremos a lutar. Fui preso e libertado, e agora estou de volta aqui na zona de resistência. Essa é uma vontade que não pode ser quebrada pela repressão e pelos maus-tratos”.

A floresta de Akbelen será derrubada para a extração de lignito

A floresta Akbelen, de 740 hectares, que faz fronteira com a vila de Ikizköy, no distrito de Milas, será derrubada para fornecer lignito à usina de cogeração Yeniköy-Kemerköy, operada pela Limak Holding. A usina, construída no final do século XX de acordo com os planos poloneses, chegou ao fim de sua vida útil. O Estado turco estendeu o tempo de operação por mais 25 anos sem exigir as reformas ambientais urgentemente necessárias. Vários vilarejos já foram destruídos e, com eles, o meio de vida de muitos pequenos agricultores. De acordo com os planos da Limak Holding, outros 40 vilarejos deverão abrir caminho para as pás das escavadeiras de carvão. Após dois anos de resistência da população, as equipes de limpeza chegaram no final de julho, acompanhadas por um grande contingente de forças policiais e militares.

Fonte: https://anfespanol.com/noticias/violencia-estatal-contra-las-protestas-en-el-bosque-de-akbelen-43737

Tradução > Liberto

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velhinhos na praça
só a tarde
não envelhece

Alonso Alvarez e Camila Jabur

Por que a bandeira negra?

Howard J. Ehrlich, extraído de uma compilação deliciosa feita pelo pessoal da CrimenthInc sobre nosso trapo combativo

A artista de Hong Kong Kacey Wong hasteando uma bandeira negra: “Ela simboliza o luto, a dor, a resistência e o poder de lamentar essa cidade moribunda. Ela também expressa o espírito resiliente de ‘Vivemos livres ou morremos'”.

A bandeira negra é o símbolo da anarquia. Ela evoca reações que vão do horror ao prazer entre aqueles que a reconhecem. Descubra o que ela significa e prepare-se para vê-la em cada vez mais reuniões públicas… Os anarquistas são contra todo tipo de governo porque acreditam que a vontade livre e consciente do indivíduo é a força máxima dos grupos e da própria sociedade. Os anarquistas acreditam na iniciativa e responsabilidade individuais e na cooperação incondicional de grupos compostos por indivíduos livres. O governo é o oposto desse ideal, pois se baseia na força bruta e na fraude deliberada para acelerar o controle da maioria por poucos. Se esse processo cruel e fraudulento for validado por conceitos míticos como o direito divino dos reis, eleições democráticas ou um governo revolucionário do povo, isso faz pouca diferença para os anarquistas. Rejeitamos qualquer conceito de governo em si e postulamos uma confiança radical na capacidade de resolução de problemas dos seres humanos livres.

Por que nossa bandeira é negra? O negro é uma sombra de negação. A bandeira negra é a negação de todas as bandeiras. É a negação da nacionalidade que coloca a raça humana contra si mesma e nega a unidade de toda a humanidade. O negro é um estado de espírito de raiva e indignação com todos os crimes horríveis contra a humanidade perpetrados em nome da lealdade a um estado ou outro. É raiva e indignação com o insulto à inteligência humana implícito nas pretensões, hipocrisias e truques baratos dos governos… O negro também é uma cor de luto; a bandeira negra que domina a nação também chora suas vítimas – os incontáveis milhões de pessoas assassinadas em guerras, externas e internas, para a maior glória e estabilidade de algum estado sangrento. Ela chora por aqueles cujo trabalho é roubado (tributado) para pagar pela matança e opressão de outros seres humanos. Ela lamenta não apenas a morte do corpo, mas também o enfraquecimento do espírito sob sistemas autoritários e hierárquicos; lamenta os milhões de células cerebrais desligadas sem a possibilidade de iluminar o mundo. É uma cor de dor inconsolável.

Mas o negro também é bonito. É uma cor de determinação, de resolução, de força, uma cor pela qual todas as outras são esclarecidas e definidas. O negro é o ambiente misterioso da germinação da fertilidade, o terreno fértil da nova vida que está sempre evoluindo, renovando, refrescando e reproduzindo na escuridão. A semente escondida na terra, a estranha jornada do esperma, o crescimento secreto do embrião no útero, tudo isso é cercado e protegido pela cor negra.

Portanto, o negro é negação, é raiva, é indignação, é luto, é beleza, é esperança, é a promoção e o abrigo de novas formas de vida humana e de relacionamento nesta terra e com ela. A bandeira negra significa todas essas coisas. Temos orgulho de carregá-la, lamentamos ter de fazê-lo e aguardamos ansiosamente o dia em que esse símbolo não será mais necessário.

Fonte: https://higiniocarrocera.home.blog/2021/07/15/por-que-la-bandera-negra/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/06/15/o-gato-negro-no-anarquismo/

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ribeira seca
nem um sopro
as cigarras crepitam

Rogério Martins

[Porto Alegre -RS] Dia 25/08 no Esp(a)ço: Cine, Café & Anarquismo: Exibição do documentário Sem Deuses, Sem Mestres

Bora assistir um filme, comer uns petiscos e trocar ideias?

Vamos nos encontrar no Cine, Café & Anarquismo, dia 25 de agosto às 19h no Esp(a)ço. Vamos assistir o documentário Sem Deuses, Sem Mestres, que aborda a história do anarquismo, enquanto petiscamos algo e bebemos algo quente (ou gelado se tiver muito calor, vai saber, né?), para depois batermos um papo descontraído.

Chega junto! Se puder e quiser, traz uns petiscos (de preferência sem produtos de origem animal pra todys poderem comer). A Apoio Mútuo, a loja grátis do Esp(a)ço vai estar aberta, então você ainda pode levar algo que precisa ou trazer doações.

O Esp(a)ço fica na Rua Castro Alves, 101, em Porto Alegre.

Atenção: você possui histórico ou denúncia por assédio, abuso ou violência e quer colar em alguma das atividades? Por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

espaco.noblogs.org

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livros cheios de palavras
estantes cheias de livros
colhi este instante

João Angelo Salvadori

Um oceano de cobiça | DW Documentário

Que sequelas teria a mineração no fundo do mar? Uma expedição às planícies abissais do Pacífico investiga esta questão. Em terra, a extração de matérias primas implica geralmente em efeitos negativos para o entorno e o ser humano.

As profundezas marinhas guardam grandes quantidades de valiosos metais como manganês, cobalto, níquel e cobre. Geralmente se apresentam como nódulos de 1 a 20 centímetros, formados ao longo de milhões de anos. Um cientista os denominou “baterias em pedra”. Para a indústria mineradora são uma enorme tentação. Tecnicamente, é hoje possível coletar esses nódulos do fundo do mar; a pergunta é se tudo o que é tecnicamente possível e economicamente atrativo é também recomendável desde outros pontos de vista. Este debate divide também os cientistas a bordo do barco Island Pride. Participam em uma expedição às profundidades oceânicas que investiga as consequências dessa mineração marinha. Que efeitos implicam a extração desses apreciados metais do fundo do mar? Se destruirá o frágil equilíbrio submarino?

O repórter Michael Stocks e seu câmara passaram várias semanas a bordo do navio científico, desde o qual os investigadores observavam o trabalho de uma gigantesca máquina coletora subaquática.

À vista da massiva contaminação dos oceanos, a agressiva atividade extrativista nas praias e a pesca excessiva em todos os mares, podemos aceitar também a exploração em escala industrial dos fundos do mar?

>> Veja o documentário (em espanhol) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=c56eg0hOLuw

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

na rua deserta
brincadeira de roda
vento se sujando de terra

Alonso Alvarez

[Reino Unido] Greenwashing, influenciadores pagos pelas 7 Irmãs

As empresas de combustíveis fósseis pagam influenciadores para fazer relações públicas. Infelizmente, isso está funcionando

No início deste mês, o mundo registrou o dia mais quente de todos os tempos, três vezes na mesma semana.

Ilhas gregas cheias de turistas foram evacuadas devido a incêndios que afetaram pelo menos nove países do Mediterrâneo. Dezenas de pessoas morreram em decorrência das chamas na Argélia.

Portanto, não é de surpreender que os gigantes do petróleo e do gás estejam cada vez mais determinados a desviar a culpa de suas ações e de seus lucros recordes – uma estratégia que agora inclui o uso de influenciadores.

Após uma pesquisa de meses nas profundezas da Internet, o DeSmog (fundado em janeiro de 2006, é um site jornalístico e ativista que se concentra em questões de mudança climática) descobriu centenas de exemplos de gigantes dos combustíveis fósseis pagando influenciadores em uma tentativa de convencer a geração do milênio de que as empresas de petróleo e gás “não são os vilões”.

Essa era a preocupação da BP em 2020, quando organizou uma cúpula interna para tratar de sua má percepção pública. Em um documento que vazou da conferência, a empresa declarou seu desejo de se tornar “mais afável, apaixonada e autêntica além do nosso atual centro de influência”.

“O que é empatia significativa em um mundo em que somos vistos como um dos vilões?”, lamentou no documento.

A solução, ao que parece, não é uma transição urgente dos combustíveis fósseis para a energia verde e renovável. Em vez disso, a BP disse que precisava mudar sua estratégia de relações públicas para “ganhar a confiança da geração mais jovem”.

Nossa investigação descobriu que tanto a BP quanto a Shell são grandes patrocinadoras de influenciadores nos últimos anos, financiando campanhas que atingiram bilhões de pessoas.

Entre elas, uma campanha no YouTube lançada em abril deste ano e liderada pelo ex-apresentador da BBC Dallas Campbell, que divulga o investimento da Shell em energia verde e realiza entrevistas com executivos da empresa.

As empresas de combustíveis fósseis têm grandes reservas para investir em publicidade digital. Enquanto a Shell anunciou no ano passado a contratação de um novo membro da equipe para executar suas campanhas no TikTok, a ExxonMobil, gigante do petróleo e gás, foi a empresa que mais gastou em publicidade no Facebook e no Instagram nos últimos cinco anos, desembolsando US$ 23,1 milhões desde junho de 2018.

O total de seguidores de todos os influenciadores que foram pagos por parcerias com combustíveis fósseis desde 2017, em publicações analisadas pela DeSmog, é de quase 60 milhões.

Dar aos millennials um motivo para “se conectar emocionalmente”.

No Reino Unido, um dos países mais preocupados com o clima do mundo, essas empresas parecem ter visado um tipo específico de influenciador em uma tentativa de tornar sua imagem mais verde.

Esses indivíduos tendem a ser apaixonados por tecnologia e inovação, muitas vezes com um zelo pelo ambientalismo, e são figuras públicas por si só, além de sua presença na mídia social.

Por exemplo, Robert Swan OBE, um explorador que foi homenageado em 1995 por ser a primeira pessoa a caminhar até os dois polos. No final de 2017, Swan e seu filho Barney foram patrocinados pela Shell para viajar ao Polo Sul e promover seus biocombustíveis “renováveis”, com a Shell divulgando a campanha nas mídias sociais.

Foi um sucesso de relações públicas para o sétimo maior emissor de CO2 do mundo, pelo menos de acordo com a Edelman, a empresa de relações públicas que conduziu a campanha.

A Edelman disse que a Shell foi encarregada de “dar aos millennials uma razão para se conectarem emocionalmente com o compromisso da Shell com um futuro sustentável”. A empresa de relações públicas se vangloria em seu site de que o envio da Swan & Son foi tão bem-sucedido que “as atitudes positivas em relação à marca [Shell]” aumentaram em 12%, fizeram com que o público da Shell tivesse “31% a mais de probabilidade de acreditar” que a empresa de petróleo está “comprometida com a produção de combustíveis mais limpos” e atraiu um público mais jovem.

Quando entramos em contato com ele para comentar, Barney Swan explicou à DeSmog que ele “certamente recebeu muitas críticas por trabalhar com a Shell”, mas que acredita que “o setor precisa de pessoas que se importam”. Tanto Barney quanto Robert ressaltaram que o apoio da Shell foi valioso, pois ajudou a testar os biocombustíveis.

Uma estratégia de greenwashing

Em 2021, os esforços de publicidade on-line da Shell aumentaram ainda mais. A campanha Pitch the Future, conduzida pela agência EssenceMediacom, ganhou o primeiro lugar na cerimônia de premiação anual do World Media Group.

A ideia por trás da campanha era desafiar os estudantes a resolver problemas reais de energia, e as melhores inovações receberiam um prêmio em dinheiro da gigante dos combustíveis fósseis. A campanha foi liderada por dois rostos conhecidos: o inventor britânico Colin Furze, que tem 12,5 milhões de seguidores no YouTube, e a influenciadora americana Astronaut Abby, uma entusiasta da ciência da Geração Z que tem mais de 300.000 seguidores no Instagram e 52.000 no TikTok.

Como o World Media Group reconheceu, o sucesso da campanha foi impressionante, gerando 127 milhões de visualizações e quase um bilhão de impressões. A EssenceMediacom se gabou de que o conteúdo da marca Shell “superou” os “benchmarks de conteúdo orgânico” da Furze, alcançando 59% mais interações do que o normal para publicações nos canais da Colin.

Um estudo de Harvard de 2022 analisou 2.325 publicações de mídia social de 22 grandes poluidores europeus. Ele constatou que 72% das postagens de empresas de petróleo e gás buscavam comunicar um compromisso com a inovação verde. No entanto, conforme apontado pelo estudo de Harvard, as empresas de combustíveis fósseis incluídas em sua análise investiram apenas 1,7% de suas despesas anuais de capital em tecnologias de baixo carbono entre 2010 e 2018.

“Esses esforços de mensagens públicas são parte integrante de uma estratégia mais ampla de lavagem verde cujo objetivo é retratar a Shell como campeã global na transição energética”, disse Gregory Trencher, professor associado da Escola de Estudos Ambientais Globais da Universidade de Kyoto, ao DeSmog. “Mas isso está longe da realidade: apesar de seu objetivo de alcançar emissões líquidas zero, a Shell abandonou seu plano de reduzir a produção de petróleo em 1-2% a cada ano até 2030 e reafirmou os planos de aumentar a produção de gás.”

Essa ofuscação da realidade parece particularmente perigosa quando realizada por influenciadores. As afirmações duvidosas da Shell são fáceis de identificar quando são divulgadas por ternos corporativos e comunicados impressos em tons de bege. Elas são mais difíceis de identificar e desmascarar quando são disseminadas em nossos feeds por pessoas especializadas em agradar a exércitos de admiradores on-line. Como Timothy Snyder escreveu em On Tyranny: “A maior carteira paga as luzes mais brilhantes”. E os gigantes dos combustíveis fósseis têm muito dinheiro para queimar.

Um porta-voz da Shell disse: “As pessoas sabem muito bem que a Shell produz o petróleo e o gás dos quais elas dependem hoje. No entanto, o que muita gente não sabe é que também estamos investindo bilhões de dólares em soluções de baixo e zero carbono em todo o mundo, como parte de nossos esforços para apoiar a transição energética”.

“Nenhuma transição energética pode ser bem-sucedida se as pessoas não estiverem cientes das alternativas disponíveis. Tornar nossos clientes cientes – por meio de publicidade ou mídia social – das soluções de baixo carbono que oferecemos atualmente ou que estamos desenvolvendo é uma parte importante e valiosa de nossas atividades de marketing.”

Sam Bright é vice-diretor da DeSmog no Reino Unido e autor de “Fortress London: Why We Need to Save the Country from Its Capital”.

Fonte: https://infoaut.org/approfondimenti/greenwashing-influencers-al-soldo-delle-7-sorelle

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sentadas num fio
estão cinco andorinhas
fugidas do frio

Eugénia Tabosa

A opressão e exploração não param.

Uma cultura de opressão e exploração não acaba de um dia para o outro e nem é destruída por qualquer grupo institucional com a lógica do sistema. Não ocorrerá uma mutação antagônica que fará a ficha cair e todas deixarão o sistema, levando-o a um colapso.

Esperar isso, sustentando partidos e blocos reformistas é perda de tempo. Se ao menos se mantivessem assim, os transtornos desse reformismo seriam menores. Mas não o bastante retardar o movimento revolucionário, ainda procuram atacar, frear e reduzir as ações daquelas que não querem esperar os reformismos.

É lamentável!

Mostramos que o anarquismo é a fonte mais rápida e segura de romper com todas as estruturas de controle, poder, de opressão e exploração, cabendo a cada um a responsabilidade e compromisso de ação. Sem esse compromisso, não há a reorganização social em moldes libertários.

As possibilidades reformistas dão tempo e fôlego para a opressão e exploração em todos os níveis. Com isso, não só a opressão e exploração se fortalecem, mas se multiplicam, se replicam através de suas instituições doutrinárias. A sociedade baseada nestes elementos não consente as pessoas livres.  Queremos a liberdade e justiça, isso só através de organizações de rupturas em todas as escalas culturais, sociais, econômicas, sexuais, educacionais etc. Até agora, o anarquismo se mostrou imune aos avanços dos totalitários, dos vanguardistas, dos opressores e exploradores.

Unidas, paramos o sistema e o destruímos! Tá esperando o quê?

Na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

agência de notícias anarquistas-ana

Nesta fria noite
Dorme no fundo do poço
A Lua encurvada.

Mary Leiko Fukai Terada

O que se passou em Cuba aos dois anos do 11J?

Dentro e fora das prisões, diversas ações lembraram o levante popular de 2021 em Cuba.

Por Justicia 11J

Para comemorar o segundo aniversário do levante popular, duramente reprimido pelo regime do Partido Comunista, que passou para a história como “o 11J”, várias pessoas encarceradas por motivos políticos tomaram parte em diferentes ações. As forças do Estado cubano encontram mais uma oportunidade para exercer sua constante violência política e continuar atentando contra os direitos humanos.

Nós do Justicia 11J temos monitorado os acontecimentos e gostaríamos de destacar cifras e casos relacionados aos presos políticos e manifestantes de diversos protestos, fora das prisões, embora continuem chegando informes que podem alterar os dados a seguir:

  • Pessoas que se vestiram de branco na prisão, em sinal de protesto: 9
  • Jejuns/greves de fome nas prisões: pelo menos 13
  • Outros atos de protesto nas prisões: 2
  • Desaparecidos/enviados para celas solitárias nas prisões: 7
  • Desaparecidos/detenções arbitrárias: 6

Vários prisioneiros políticos do 11J assinaram e tornaram pública uma Declaração conjunta em nome do movimento “Libertad y Derecho“, exigindo sua libertação e fazendo um chamado à comunidade nacional e internacional para continuar a luta pela restauração dos direitos civis e políticos em Cuba. Os signatários foram: Juan Enrique Pérez, Nilo Abrahantes Santiago, Maikel Armando Peña Suárez, Anibal Yaciel Palau Jacinto, Roberto Pérez Fonseca, Luis Enrique Álvarez González, Rolando Yusef Pérez Morera, Evelio Luis Herrera Duvergel, Nosley Lázaro Domínguez Linares, Enmanuel Roble Pérez, Yasiel Martínez Carrasco, William Valera Suárez. Alguns deles protagonizaram greves de fome durante a recente visita a Cuba de Josep Borrell, representante da União para Assuntos Exteriores e Política de Segurança e vice-presidente da Comissão Europeia.

No dia 10 de julho, Juan Enrique Pérez se dirigiu ao refeitório da prisão de Quivicán (Mayabeque), com um suéter e um cartaz onde escreveu «Pátria e Vida», «Viva a Constituição de 1940», «Abaixo a ditadura» e «Era tanta fome que devoramos o medo». Além disso, gritou palavras de ordem anticastristas. Segundo sua esposa e ativistas com contatos dentro da prisão, os guardas o golpearam, pisaram na sua cabeça e o isolaram do restante dos detentos.

Após isto, Dayana Aranda, esposa do manifestante, foi à penitenciária para tentar ver seu esposo. O chefe penitenciário só permitiu que eles falassem por telefone. A pedido de seu esposo, Dayana se manifestou dentro da prisão gritando “Pátria e Vida”.

Paralelamente, Anniette González, Ienelis Delgado, Mayelín Rodríguez e Yennys Artola, presas por motivos políticos na prisão feminina Granja 5 (Camagüey), se vestiram de branco como forma de protesto contra a injustiça.

No Combinado del Este — presídio de segurança máxima localizado em Havana —, o jornalista independente Jorge Bello Domínguez, e os manifestantes do 11J Idael Naranjo Pérez e Yerandis Rillos Pao, vestiram-se de braco para comemorar a data. Segundo informes, foram detidos em uma solitária, onde permancem até hoje (17 de julho). Yander Rodríguez, que já estava há vários dias vestido de branco na mesma prisão, raspou a cabeça e se recusou a usar colchão em sua cela, enquanto exigia a liberdade dos presos políticos.

Na mesma prisão, Daniel Moreno declarou greve de fome, uma vez que foi obrigado a usar o uniforme de prisioneiro.

José Rodríguez, Armando Guerra e outros prisioneiros da penitenciária de Guamajal (Villa Clara) iniciaram no dia 11 um jejum de 3 dias. Igualmente, pelo menos até o dia 15 de julho Denys Hernández Ramírez, Adrián Rodríguez Morena e outro preso cujo nome se desconhece continuavam em greve de fome na prisão de Guanajay (Artemisa) desde o dia 11.

Yoanky Báez, anunciou, da enfermaria da prisão no Combinado del Este, que não comeria nos dias 11 e 12 de julho, para exigir sua liberdade. Na mesma prisão, Adael Jesús Leyva Díaz e outros prisioneiros, também ficaram sem comer nestes dias, segundo informes.

Tania Echevarría, Sissi Abascal e Saylí Navarro, integrantes das Damas de Blanco encarceradas em La Bellotex (Matanzas), deram início a um jejum pela liberdade dos presos políticos cubanos, a partir das 12 horas de 11 de julho. O jejum de Tania durou até às 10 horas e o de Sissi e Saylí até às 3:00 da tarde. Por conta de seu jejum e oração por Cuba, Sissi Abascal foi conduzida à direção da penitenciária, onde recebeu ameaças para que abandonasse seu protesto pacífico.

Também o prisioneiro político Eriberto Téllez Reinosa, da prisão em Santiago de Cuba, comunicou à comunidade internacional que estava realizando um jejum de 24 horas em protesto contra sua prisão injusta por se manifestar pacificamente.

Além disso, houve ações preventivas para evitar possíveis protestos. Roberto Pérez Fonseca foi retirado de sua cela e seus companheiros supõem que ele esteja na solitária.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2023/08/149616/

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agência de notícias anarquistas-ana

Abro o armário e vejo
nos sapatos meus caminhos.
Qual virá no séquito?

Anibal Beça

[Espanha] Mais de vinte jovens valencianos enfrentam vários anos de prisão por incidentes com a extrema direita

  • Em outubro serão julgados 14 moradores de Pego, para os quais já se iniciaram campanhas de solidariedade.

Por Miquel Ramos | 16/07/2023

Após o ruído e o pânico desatado com a entrada da ultradireita nas instituições, existem outros fatos que passaram relativamente desapercebidos. Os movimentos sociais valencianos denunciam vários casos que terminaram em detenções e em altas petições de penas para vários jovens por denúncias de grupos de extrema direita, desde VOX até neonazis. São mais de uma vintena as pessoas que poderiam entrar na prisão, e alguns destes julgamentos já estão previstos para os próximos meses.

Uma das primeiras causas foi julgada em abril passado, que terminou com a condenação de um ativista antifascista de Castelló, a quem se imputou a responsabilidade da colocação de um boneco manchado com pintura vermelha simulando sangue e com uma foto do líder do VOX, Santiago Abascal, em uma praça. Apesar de assegurar que não se encontrava na cidade aquele dia e de negar rotundamente sua responsabilidade, a polícia lhe atribui as impressões encontradas em um adesivo colado ao boneco. Um adesivo que tinha sido usado, tal e como afirmam várias testemunhas, para outros cartazes, e que não implicava que o acusado tivesse realizado o boneco objeto da denúncia. O juiz deu por válido a sinalização policial desta pessoa tão somente por dita impressão, e considerou que a ação se tratava de uma ameaça. O condenaram a oito meses de prisão e a uma multa que supera os mil euros, baseando-se, também, nos informes da Brigada de Informação da Polícia Nacional sobre a militância política desta pessoa.

Este caso contrasta com o que divulgou lamarea.com em junho de 2020 relacionado com um ex-militar que saía em um vídeo disparando com armas de fogo contra as fotos de vários membros do Governo. A Audiência Nacional arquivou a causa em janeiro de 2021, alegando que a ação no era dirigida ao Executivo, nem sequer “que tivesse ameaça séria, real e perseverante de um mal futuro, injusto, determinado, possível, causante de uma intimidação natural e dependente da vontade exclusiva do sujeito ativo”.

Em outubro serão julgados quatorze moradores de Pego, o primeiro dos três casos aos quais enfrentarão brevemente mais de vinte ativistas valencianos, e para os quais já se iniciaram campanhas de solidariedade.

O caso de Pego

O caso em que mais pessoas sentarão no banco será o dos incidentes que protagonizaram os ultras neonazis de Gandia após sua passagem pela localidade de Pego, e que terminou com quatorze moradores detidos. Após encher o povoado de adesivos com a cara de Hitler e insultar vários moradores, os neonazis, que tinham chegado ao meio dia com a desculpa de uma partida de futebol, tiveram que ser protegidos e escoltados pela Guarda Civil ante a espontânea resposta de mais de uma centena de pessoas. Os ultras ficaram encurralados no campo de futebol, rodeados por centenas de pessoas contra as quais terminou carregando [reprimindo] a Guarda Civil, sucedendo-se enfrentamentos entre os agentes e um grupo de jovens.

Dias mais tarde, a Guarda Civil aparecia nos domicílios e nos trabalhos de vários moradores do povoado para levá-los detidos acusados de atentado contra a autoridade. O próximo outubro começa o julgamento contra quatorze deles, a quem pedem entre quatro e nove anos de prisão. Nenhum dos neonazis gandienses está imputado nesta causa.

Os quatro de Alacant

Em maio de 2021, a Universitat d’Alacant albergou em suas instalações um ato ‘em defesa do espanhol’ organizado pelo Conselho de Estudantes da Universidade de Alicante (CEUA), ao qual se convidou como palestrante a então deputada e secretária geral do VOX, Macarena Olona, e o escritor recentemente falecido Fernando Sánchez Dragó. Grupos de esquerda convocaram um protesto no campus, que se desenvolveu sem incidentes e sob um estrito dispositivo policial. No entanto, o deputado do VOX David García assegurou naquele mesmo dia em sua conta de Twitter que tinha sido insultado e que haviam tentado agredi-lo, e postou uma foto do protesto rodeado de agentes da Guarda Civil.

Nenhum dos manifestantes foi identificado no momento, nem até hoje se publicou nenhuma outra imagem que prove os fatos denunciados, além das fotos que mostra o denunciante em sua conta de Twitter. Sua versão estaria apoiada pela de um agente da Brigada de Informação da Polícia Nacional que havia estado na zona. A denúncia acabou na Audiência Provincial de Alacant, e quatro ativistas enfrentam uma petição de três anos de prisão por suposto delito de atentado e coações por parte deste partido, e a um ano e nove meses de prisão por parte da Promotoria.

Perguntado por lamarea.com sobre este tipo de casos, o professor de Direito Constitucional Joaquín Urías considera que “geralmente basta a declaração de um policial para condenar grupos inteiros de ativistas inclusive sem individualizar o autor de nenhum delito. Se aplica a responsabilidade coletiva e os juízes baseiam sua convicção em qualquer indício”. Também afirma que “juízes e promotores atuam sob a percepção de que os jovens de esquerda ameaçam o sistema enquanto que os policiais ou os ultradireitistas o defendem”, já que, segundo o jurista, “ideologicamente compartilham muitas mais coisas com a direita e com frequência não são capazes de abordar os assuntos com a devida neutralidade e imparcialidade”.

O caso de Alacant não é o primeiro no qual VOX como partido ou seus membros sob o amparo de outras organizações denunciam os ativistas que protestam. O caso do comício de Vallecas em 2021 foi um dos maiores exemplos de uma estratégia da provocação que tradicionalmente a extrema direita usou, e que tem como um de seus objetivos criminalizar e processar seus opositores. Esta fórmula não é nova na Espanha, e esta semana voltou a representá-la o deputado do VOX na Catalunha, Ignacio Garriga, que baixou do cenário e foi se enfrentar com um grupo de pessoas que protestava pacificamente a vários metros de seu comício.

Ao longo do Estado há numerosos procedimentos similares não só contra quem se manifestou contra VOX, mas também contra quem teve confrontos com membros de grupos neonazis e fascistas, que seguem ativos nas ruas e tratando de aproveitar a normalização de seus discursos de ódio para tentar voltar a serem visíveis. Muitos destes neonazis seguem povoando as torcidas ultras de vários estádios espanhóis e suas imediações, como é o caso de Valência, e ao qual pertencem os protagonistas de outro incidente que terminou com quatro antifascistas denunciados.

Os quatro de Valência

Dois policiais à paisana sacam suas armas e apontam a vários jovens que fogem. São parados e os retêm exigindo que se sentem no chão. Outro agente retêm outros dois jovens em uma rua adjacente. Estes dois policiais acabam de presenciar um confronto entre estes e um grupo de neonazis na zona próxima a Mestalla, onde geralmente costumam parar os ultras de Valência CF. Os quatro detidos são antifascistas, e aquela noite de julho de 2021 tiveram a má sorte de cruzar com conhecidos neonazis da cidade, que, segundo contam em um comunicado, repreenderam dois deles, de origem migrante, com insultos racistas. Se iniciou uma briga que durou “uns poucos segundos”, segundo declaram os agentes de polícia que foram testemunhas. Estes dois policiais se encontravam à paisana pela zona fazendo trabalhos de informação sobre os grupos ultras, aos quais pertenciam os denunciantes, e foram casualmente testemunhos do acontecido. Ainda que no momento não se produziu nenhuma detenção, apesar das identificações, dias mais tarde, os quatro jovens seriam citados à delegacia, onde foram prestar declaração após a denúncia de quatro conhecidos neonazis, afins ao partido España2000.

Os quatro jovens antifascistas enfrentam agora penas que superam os seis anos de prisão, e já estão há um tempo sendo assinalados em várias redes da extrema direita valenciana, que pretende convertê-los em seu particular troféu. Valência tem sido sempre um bastião dos grupos neonazis, mas desde alguns anos, coincidindo com a irrupção do VOX, e com o crescimento do movimento antifascista em todo o território valenciano, estes grupos foram desaparecendo e acabaram reclusos praticamente nos ambientes futebolísticos.

Ainda que se trata de casos diferentes, todos os relatados anteriormente motivaram a reação de numerosos movimentos sociais valencianos para mostrar unidade. No próximo 23 de setembro está previsto um grande ato de apoio em Pego, a poucas semanas de iniciar-se o julgamento, e cada caso iniciou uma campanha própria para divulgar os fatos e visibilizar um conflito que sempre existiu e que uma parte da sociedade ignorava.

Fonte: https://www.lamarea.com/2023/07/18/mas-de-veinte-jovenes-valencianos-se-enfrentan-a-varios-anos-de-prision-por-incidentes-con-la-extrema-derecha/

Tradução > Sol de Abril

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Traçando os baralhos
confundo na noite o mundo
de alhos com bugalhos.

Luciano Maia

[Croácia] Feira do Livro Anarquista de Zagreb

Amigos e companheiros,

Convidamos você a participar da Feira do Livro Anarquista de Zagreb (ZASK), que será realizada de 30 de setembro a 1º de outubro de 2023 em Zagreb. A exemplo de outras feiras do gênero, servirá de plataforma para o conhecimento, compartilhamento de informações, distribuição de materiais e troca de experiências na luta conjunta. Além de visitar a feira, convidamo-lo a participar à sua maneira na sua programação. O programa provisório inclui a distribuição de materiais durante os dois dias da feira, uma assembleia geral, discussões e workshops, uma oficina de autodefesa antifa, um encontro informal na noite de sábado e um concerto final organizado na noite de domingo no Močvara clube. Você será informado sobre o programa final, horários e todos os locais posteriormente por e-mail. Todas as informações desta chamada, bem como informações adicionais, podem ser encontradas no site da feira www.zagrebask.org (o site ainda está em desenvolvimento).

Forneceremos a todos os participantes da feira uma refeição vegana (Hrana, a ne oružje Zagreb – Food Not Bombs Zagreb) e tentaremos fornecer acomodação. A acomodação será organizada em ocupações de Zagreb, acomodação privada com companheiros de Zagreb, e recomendações para opções alternativas de acomodação, como albergues, serão oferecidas.

Além disso, tentaremos cobrir conjuntamente as despesas de viagem, se possível. A feira é organizada horizontalmente de acordo com os princípios libertários e, portanto, financiada com base em doações e benefícios. Cobertura adicional de despesas de viagem pode ser discutida via e-mail.

Contato

Para quaisquer dúvidas, informações, arranjos e sugestões, você pode nos contatar em anarchistfair@riseup.net

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silêncio profundo —
só o respirar das flores
no sopro da brisa

Leonilda Alfarrobinha

[Espanha] A autogestão colaborativa e o apoio mútuo dão origem ao I Festival de Teatro Social de Hellín

Desde o Núcleo Confederal da CNT-AIT de Hellín, temos o orgulho e a honra de apresentar o I Festival de Teatro Social de Hellín, que será realizado no próximo sábado, 26 de agosto.

Essa atividade, em colaboração com a Editorial Anarcossindicalista Aurora Negra, a companhia de teatro local La Trenza de Esparto, Títeres Desde Abajo, a editora madrilenha La Neurosis o Las Barricadas e o Ateneo Libertario de Hellín, será, como todas as nossas iniciativas, para todos os públicos, aberta e gratuita.

Essa colaboração multitudinária une forças para trazer ao território comum que é a rua, as vozes terrenas que encontram na representação artística um meio acessível para se comunicar e transmitir sua mensagem sem interferências.

O objetivo dessa atividade é destacar o valor de uma forma de arte tradicional, que tem a capacidade de entreter e divertir, mas também de informar, analisar, questionar e criticar, e escapar da poluição de informações predominante.

Porque, ao falar de teatro social, estamos falando de arte desde baixo e horizontalmente, entre iguais e coletivamente. Um espaço comum entre o público e os artistas, que se destaca pela participação ativa de ambas as partes, já que o teatro social não pretende usar o público como um mero receptáculo de sua performance, mas sempre lhe dá o papel principal.

Assim, com o objetivo de recuperar nossas próprias formas livres de lazer, apresentamos esta Primeira Edição do Festival de Teatro Social em Hellín, que condensa sua atividade em um único dia, 26 de agosto de 2023, e cujo programa é o mostrado no cartaz.

Pela Cultura Obreira Anarquista, TODAS E TODOS ESTÃO CONVIDADOS.

Fonte: https://cntaitalbacete.es/2023/08/nucleo-de-hellin-la-autogestion-colaborativa-y-el-apoyo-mutuo-alumbran-el-i-festival-de-teatro-social-de-hellin/

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Um rastro de lua
Na rua de rastros
depois que a chuva parou.

Luiz Carlos

A polícia cubana exibe a parafernália antidistúrbio que usou durante a repressão do 11J

Trajes antidistúrbios, coletes blindados, tonfas e fuzis Kalashnikov. A parafernália militar usada pelas autoridades para reprimir os protestos de 11 de julho de 2021 (11J) foi exibida em 11 de agosto no Parque Vidal, em Santa Clara, como parte de uma exposição organizada pelo Ministério do Interior.

Policiais, tropas especiais, bombeiros e agentes da Segurança do Estado, bem como funcionários forenses e de imigração, ocuparam a praça central da cidade e encheram vários estandes com armamentos, algemas, capacetes, escudos antidistúrbios, polainas e ombreiras, artefatos que os cubanos viram pela primeira vez durante o 11J.

Os moradores de Santa Clara que se aproximaram dos estandes receberam explicações de oficiais e recrutas – sempre jovens – sobre as “técnicas” que a contrainteligência e a polícia usam nas diferentes “linhas de confronto” com o crime. Tanto nas redes sociais quanto na exposição, a mensagem era clara: “Venha a este lugar se você estiver interessado em fazer parte desta bela profissão”.

A exposição, apresentada como uma “homenagem ao aniversário de Fidel Castro” em 13 de agosto, fez parte de uma série de atividades de propaganda do Ministério do Interior na província. No domingo passado, a polícia deu brinquedos às crianças internadas no hospital de câncer Villa Clara, um gesto que tanto a imprensa oficial quanto os perfis ligados ao ministério documentaram com várias fotografias.

Na segunda-feira, os policiais foram fotografados com as crianças “sem proteção familiar” no pátio da casa que as abriga, e lá também deixaram doações e brinquedos. Essa operação também se repetiu em vários municípios de Villa Clara, como Manicaragua e Santo Domingo.

Nos últimos anos – e mesmo antes dos protestos em massa do 11J – o governo cubano não negligenciou a compra de material antidistúrbios. Um relatório apresentado ao Congresso espanhol pelo Secretário de Estado do Comércio revelou que, no primeiro semestre de 2021, Havana havia comprado 350.000 euros em suprimentos para reprimir manifestações.

Essa não foi a primeira vez que Madri vendeu material de defesa para a ilha. Em 2014, um relatório do agora extinto Ministério da Economia e Competitividade da Espanha registrou uma exportação de 3.170.228 euros para a ilha, que incluía, entre outros equipamentos, “máscaras de gás” e “trajes blindados”.

No entanto, foi à Rússia que Havana recorreu recentemente e com mais insistência para obter conselhos nas esferas policial e militar. Na terça-feira, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, garantiu que a Rússia “pode ajudar” Cuba – e também a Nicarágua e a Venezuela – “a adaptar seus exércitos à guerra moderna”.

“Dentro da estrutura dos programas de cooperação existentes, estamos prontos para compartilhar nossa experiência na adaptação dos exércitos (desses países) para combater operações em guerras modernas de alta intensidade”, disse ele. “As consultas e o intercâmbio de delegações devem ser intensificados nas novas condições da contra-ação dos EUA e de seus aliados”.

Tanto o ministro do Interior cubano, Lázaro Álvarez Casas, quanto o ministro das Forças Armadas, Álvaro López Miera, assinaram acordos de cooperação com Moscou, sobre os quais nenhum dos lados forneceu informações.

Fonte: agências de notícias

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Na tarde chuvosa,
Sozinho, despreocupado,
Um pardal molhado

Edson Kenji Iura

Javier Milei, “um político que se vende anarquista?”

Enviado para o “Painel do Leitor” da Folha de S. Paulo

“Um político que se vende anarquista…”, “anarquista argentino…” (Opinião, 16/08). Mais uma vez o anarquismo é deturpado, caluniado. O tal Javier Milei não tem nada de anarquista. Ele é um lixo reacionário, um mercantilista, um demente. A autora do artigo, Mariliz Pereira Jorge, precisa urgentemente estudar um pouco o anarquismo, sua história. Pode começar estudando as ideias de Mikhail Bakunin, ou Emma Goldman. Ah, antes que eu me esqueça: “anarcocapitalismo” é farsa!

Moésio Rebouças

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Vendem-se rins e rebentos

Javier Milei ganhou os holofotes no cenário latino-americano. Um tanto pela façanha de ter surpreendido nas prévias da eleição argentina, outro tanto por seu perfil histriônico, meticulosamente emoldurado num cabelo despenteado. Mas qual é a novidade de um político que se vende anarquista, mas odeia as mulheres? A novidade é que ele se vende como o liberal que abraça todos os direitos individuais. Quase todos.

“Minha primeira propriedade é meu corpo. Por que não posso me livrar do meu corpo?”, questionou Milei ao defender o comércio de órgãos humanos. O mesmo raciocínio foi usado no começo da campanha sobre a venda dos filhos. Sim, dos filhos. Por seu entendimento, crianças são propriedades dos pais, que teriam o direito de fazer uma grana com os rebentos. Foi uma gritaria, o assunto morreu.

O anarquista argentino seria um clichê ambulante para quem já viveu a era Bolsonaro: quer Estado mínimo, é a favor da liberação de armas, é contra programas sociais, não acredita em mudança climática. Ao menos em público não defende a ditadura sanguinária em seu país.

Milei se diferencia de Bolsonaros e Trumps em alguns assuntos, mas seus argumentos passam longe da racionalidade ou da empatia. Ele defende a legalização das drogas (“se quer se suicidar, não vejo problema”) com a mesma premissa que usa ao não se opor a relações homossexuais ou a questões ligadas à identidade de gênero: “Você acha que é uma onça-parda? Faça isso, não importa. Desde que não me faça pagar a conta”.

O mesmo Milei que defende o corpo como “propriedade privada” é contra o aborto. Nenhuma novidade, não é? O “liberal” disse que, eleito, pretende realizar um referendo para tentar reverter a legalização da prática, aprovada em 2020. Comprar armas, usar drogas, vender o rim ou uma criança parida, OK. A mulher decidir se quer levar uma gravidez de até 12 semanas adiante, aí já é demais.

Mariliz Pereira Jorge

Jornalista e roteirista de TV.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2023/08/vendem-se-rins-e-rebentos.shtml 

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bambu quase quieto,
voltado para o poente,
filtra a luz da tarde

Alaor Chaves

[Itália] Comunicado do centro de documentação anarquista L’Arrotino

O silêncio e a censura que o poder tenta impor à solidariedade anarquista não impedem que ela ocorra (…), há um anseio caloroso em todo o mundo que transcende as fronteiras e pode gerar a avalanche que transbordará o existente. – Do “Bezmotivny” nº 1

Em 8 de agosto de 2023, a repressão bate à porta de 10 companheiros e companheiras de toda a península, do círculo anarquista Gogliardo Fiaschi de Carrara e de uma gráfica.

Os companheiros, um dos quais está na prisão, três em prisão domiciliar e cinco em prisão domiciliar com a obrigação de passar a noite em casa, são acusados de associação para fins de terrorismo, instigação e apologia para fins de terrorismo e ofensa à honra e ao prestígio do Presidente da República. Todas essas acusações decorrem do fato de que os envolvidos na investigação participavam da equipe editorial do Bezmotivny – Senza Motivo [Sem Motivo], um jornal quinzenal anarquista em seu terceiro ano de publicação. Os companheiros são acusados de “atividade de propaganda subversiva” por meio da impressão e distribuição, em todo o território nacional, do jornal clandestino Bezmotivny – Senza Motivo”. Ao contrário de muitas outras investigações no passado, nas quais as acusações também se baseavam em ações realizadas, nesse caso a diretoria regional antimáfia e antiterrorismo baseou-se exclusivamente nos escritos da publicação. Nestes tempos de guerra, ideias e palavras são suficientes para serem perseguidas.

Toda nossa solidariedade aos companheiros e companheiras atingidos pela repressão, culpados por terem impresso um instrumento que, nesses anos, contribuiu para a discussão e o debate de várias questões anarquistas e internacionalistas. Um jornal que deu voz aos insurrecionalistas, publicando demandas de ações que ocorreram em todo o mundo. Um jornal que deu espaço aos escritos de companheiros sequestrados pelo Estado, como é o caso de Alfredo, que após meses de luta continua preso no regime de tortura que é o 41 bis.

Continuaremos com a propaganda das ideias anarquistas, essas ideias cujo objetivo é destruir essa sociedade feita de abusos, de classes, de oprimidos e opressores, de explorados e exploradores, essas ideias que, por meio da propaganda, querem se tornar realidade, rompendo com o existente.

Com os companheiros atingidos por essas enésimas medidas repressivas

Sempre com Alfredo, contra o 41 bis

Morte ao Estado e viva à anarquia

Centro de documentação anarquista l’Arrotino

Para escrever para Gigi:

Luigi Palli

Casa circondariale di La Spezia

Piazza G. Falcone e P. Borsellino n. 1

CAP 19125

La Spezia (SP)

Itália

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/15/italia-comunicado-sobre-os-eventos-de-8-de-agosto-de-2023/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/10/italia-comunicado-do-circolo-a-gogliardo-fiaschi-de-carrara-sobre-a-operacao-repressiva-de-8-de-agosto/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/09/dez-companheiros-sao-presos-em-operacao-policial-contra-jornal-anarquista-na-italia/

agência de notícias anarquistas-ana

que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?

Carlos Seabra

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agência de notícias anarquistas-ana

lá se vão as garças
vão pairando sobre o rio
vão cheias de graça

Gustavo Felicíssimo

[Florianópolis-SC] Sarau Marcas Libertárias

Compartilhar rebeldias e semear novos mundos. É o que queremos fazer junto com toda a companheirada de luta no 1º Sarau Marcas Libertárias. Convidamos todo mundo para uma tarde de compartilhar arte e para o lançamento público do livreto “Marcas Libertárias: episódios anarquistas em Santa Catarina (1841-2011)”. Vem ler poesia, cantar uma música, apresentar uma cena, montar sua banquinha ou apenas rever a companheirada!

Com amor e rebeldia, queremos convidar especialmente todas as pessoas que cerraram ombro ao nosso lado em tantas marchas, ocupações, greves e atividades para comemorar o aniversário do Coletivo Anarquista Bandeira Negra. Nossa organização, que sempre esteve vinculada à história da Coordenação Anarquista Brasileira, completa 12 anos nesse mês de agosto.

A atividade acontece no dia 27 de agosto (domingo), a partir das 14h, no Instituto Arco-Íris de Direitos Humanos, Tv. Ratcliff, 56, Centro, Florianópolis. A participação é gratuita. Além da venda do livreto Marcas Libertárias, estaremos com banquinha da Livraria 36 e comidinhas à venda.

Sobre o livreto:

“Marcas Libertárias: episódios anarquistas em Santa Catarina (1841-2011)” é resultado de anos de pesquisa de nossa militância consultando jornais operários, trabalhos acadêmicos e memórias de antigos militantes. São 41 episódios que retratam a presença libertária entre os povos oprimidos e as lutas de Santa Catarina.

São fragmentos como as comunidades inspiradas no socialismo de meados do século XIX; os jornais anarquistas que circulavam entre trabalhadoras na região do Contestado; a fundação de espaços como a Liga Operária, viva até hoje no Centro de Florianópolis; as ações anarcopunks; e as iniciativas do início do século XXI para retomar a relevância anarquista nos movimentos sociais. Em tempos onde a extrema-direita parece tão confortável em solo catarinense, queremos lembrar que esse território sempre teve e continuará tendo muita rebeldia!

Apoio: Instituto Arco-Íris de Direitos Humanos

cabn.libertar.org

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tarde quente
penso em você
vestida de brisa

Alexandre Brito