[Alemanha] Ataque em Berlim para protestar contra o Trem Maia do presidente mexicano AMLO

Pessoas não identificadas quebraram vidraças e incendiaram dois carros no escritório da companhia ferroviária alemã Deutsche Bahn.

Segundo as autoridades, vários desconhecidos quebraram vidraças de um escritório da Deutsche Bahn localizado em Berlin-Mitte na noite desta quarta (26/07) para quinta-feira (27/07). Além disso, dois carros foram incendiados no estacionamento da empresa, na Caroline-Michaelis-Strasse.

As autoridades suspeitam que tenha sido um ato político, já que desconhecidos picharam as palavras “Pare o Trem Maia” na vidraça de um prédio. No planejamento do Trem Maia, participa uma empresa subsidiária da empresa ferroviária alemã Deutsche Bahn.

Denúncia contra o megaprojeto

Ontem, o Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza determinou que o Trem Maia, obra emblemática do Governo de Andrés Manuel López Obrador (conhecido pelas iniciais AMLO), no México, viola os direitos da natureza e da comunidade maia, apontando crimes de ecocídio e etnocídio.

“O veredicto do Tribunal destaca a violação dos direitos da natureza e dos direitos bioculturais do povo maia, que foram e continuam sendo guardiões de seu território, cenotes, cavernas, selvas, biodiversidade e cultivos tradicionais. É considerado um crime de ecocídio e etnocídio, e o Tribunal responsabiliza o Estado mexicano”, diz o relatório.

O megaprojeto do presidente AMLO, que será inaugurado em dezembro de 2023, foi cercado de polêmicas ao longo de sua construção devido a denúncias de destruição da biodiversidade do sul do México, cheio de pântanos, cenotes, rios subterrâneos e selva, e patrimônio cultural que ainda é preservado na região.

A obra inclui 1.554 quilômetros de trilhos para um trem turístico, bem como para carga local e passageiros nos estados do sudeste do México: Chiapas, Campeche, Tabasco, Yucatán e Quintana Roo.

Fonte: Deutsche Welle

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre a folha seca
as formigas atravessam
uma poça d’água

Eunice Arruda

[Chile] Áudio | Informativo julgamento Mónica e Francisco – Semana 1

por Radios Libres Anarquistas

INFORMATIVO SEMANAL SOBRE O JULGAMENTO CONTRA OS COMPANHEIROS ANARQUISTAS MÓNICA CABALLERO E FRANCISCO SOLAR (PRIMEIRA SEMANA DE JULGAMENTO)

Compartilhamos um resumo da primeira semana do julgamento oral contra nossos companheiros anarquistas Mónica e Francisco, com as declarações reivindicativas de Francisco Solar e as apreciações de seu advogado Nicolas Toro.

Material de transmissão livre para rádios e mídias livres.

Mónica e Francisco para a rua!

Presos anarquistas e subversivos para a rua já!!!

>> Escute aqui:

https://archive.org/details/informativo-juicio-monica-y-fco-semana-1

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/18/chile-da-prisao-palavras-de-monica-caballero-e-francisco-solar-frente-ao-comeco-do-julgamento/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/17/chile-santiago-transmissao-ao-vivo-desde-o-julgamento-oral-de-monica-caballero-e-francisco-solar-18-de-julho/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/13/chile-estas-com-os-poderosos-ou-com-os-que-se-rebelam/

agência de notícias anarquistas-ana

As cebolinhas
Lavadas e tão brancas —
Que frio!

Bashô

[França] Vídeo | Brest: quando a polícia despeja o L’Avenir

27 DE JULHO EM BREST: A POLÍCIA DESPEJA O L’AVENIR (FUTURO). ESTA FRASE POR SI SÓ PODERIA RESUMIR ESSE PERÍODO.

O futuro, o que é? “Um espaço comum e não comercial, que se constrói pelos habitantes, para os habitantes”. Um lugar nascido da luta de associações e indivíduos que investiram e renovaram este espaço localizado no centro da cidade de Brest desde 2010.

Ameaçado por projetos imobiliários, L’Avenir resiste há anos às autoridades para criar um lugar de solidariedade e encontros. Construções realizadas em autogestão, em 2018 e 2019, o local faz a ligação entre movimentos e pessoas de diversas origens.

Com Macron, todos os lugares que escapam das garras do lucro e do poder estão fadados à destruição. É em pleno verão que se desencadeia assim uma operação policial para expulsar e destruir o Futuro. Desde as 6h desta quinta-feira, dezenas de pessoas defendem o local, acendendo uma grande barricada.

As forças da ordem dispararam gás e tomaram posse do local com retroescavadeiras, para demolir imediatamente algumas construções. No final da manhã, as ruas estavam vazias. Brest perde um lugar importante.

Durante o despejo, uma fileira de gendarmes [policiais] tombou como pinos, tropeçando em uma corrente pendurada entre dois postes.

Com suas máscaras de gás, as forças da ordem não enxergam bem. Portanto, recomendamos fortemente que você não coloque correntes ou cordas em seu caminho! Isso pode fazer com que eles caiam durante uma investida ou até mesmo impedi-los de prender ou mutilar alguém. Isso seria irresponsável e antirrepublicano.

>> Veja o vídeo aqui:

https://contre-attaque.net/2023/07/27/brest-quand-la-police-expulse-lavenir/

agência de notícias anarquistas-ana

As folhas secas
caem com a ventania
sobre o riacho

Antonio Malta Mitori

[Argentina] Festejamos nossos 88 anos de luta e solidariedade!

Queridos amigos e amigas:

É com grande alegria que nos juntamos para celebrar o 88º aniversário da Biblioteca Popular José Ingenieros! Este evento tão especial nos brinda a oportunidade de honrar o legado de um local que tem sido um farol de solidariedade, liberdade e resistência durante décadas.

Fizemos um lanche de camaradagem nas instalações da biblioteca. Foi um momento de encontro entre os amantes da literatura, da história e das ideias emancipadoras, assim como uma oportunidade para fortalecer a comunidade que se formou em torno desta querida biblioteca.

Durante o lanche, desfrutamos de um riquíssimo ensopado preparado com carinho e dedicação por um grupo de voluntários comprometidos com os ideais da biblioteca. Também houve espaço para compartilhar histórias, reflexões, debates e experiências relacionadas com a biblioteca e sua relevância em nossas vidas.

A Biblioteca Popular José Ingenieros tem sido um farol de resistência, solidariedade e luta em nossa comunidade. Ao longo de sua rica história, brindou um espaço para o debate, a exploração de ideias e a difusão do conhecimento livre de ataduras. Em um mundo que muitas vezes busca silenciar vozes críticas, a biblioteca se manteve firme em sua missão de promover a liberdade de pensamento e a emancipação individual e coletiva.

Este aniversário é uma ocasião para celebrar as conquistas da biblioteca e, ao mesmo tempo, reafirmar nosso compromisso com a defesa dos valores que representa, o Anarquismo Revolucionário. É uma oportunidade para nos unirmos como comunidade, fortalecer os laços e renovar nosso entusiasmo por construir um mundo mais justo e equitativo.

Agradecemos contar com a grata presença durante o Lanche de Camaradagem com tantos compas. Sua participação é um testemunho de apoio à Biblioteca Popular José Ingenieros e a sua missão de difundir ideias emancipadoras e fomentar o pensamento crítico.

Viva a Biblioteca Popular José Ingenieros!!

Com carinho e camaradagem, Comissão Administradora da BPJI

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

neve profunda –
as pegadas do gato
cada vez maiores

Ion Codrescu

[Chile] Santiago: Contra a prisão política e a repressão, vá às ruas e se organize!

A repressão é uma ferramenta utilizada permanentemente pelo Estado e por todos os governos. O governo de turno [Boric] vem abrindo cada vez mais espaços para a intensificação da repressão na continuidade de uma ação sistêmica de contra-insurgência.

Um exemplo disso é a manutenção do estado de sítio no Wallmapu para punir, prender e subjugar o povo mapuche. Tampouco cessou a ação do Estado nas ruas, contra estudantes e cidadãos.

Hoje, nesse sentido, não é surpreendente, embora nos chame a atenção para a organização, a apresentação de leis aprovadas pelo congresso para deixar as forças da lei e da ordem em total impunidade. A escalada repressiva nas ruas e nos territórios e por meio da aprovação de leis não é aleatória: a punição é necessária para que o amo e o patrão imponham a normalidade, a ordem e a subordinação ao sistema capitalista. Porque a liberdade é o crime que eles perseguem.

Contra a prisão política e a repressão, vá às ruas e se organize!

NOS VEMOS NO DIA 28!

Fonte: Buskando la Calle

agência de notícias anarquistas-ana

tênue tecido alaranjado
passando em fundo preto
da noite à luz

Guimarães Rosa

[França] Como manter a calma quando a polícia nos provoca em pleno luto

Gritos do coração de um habitante de um bairro de classe trabalhadora

Ser insultado ou ofendido, espancado ou humilhado, levar um tiro na cabeça ou ser sufocado… Esse é o destino dos jovens em nossos bairros. Nós, pais, irmãos e irmãs mais velhos, que hoje somos solicitados a fazer apelos à calma, tentamos denunciar tudo isso há dezoito anos, após a morte de Zied e Bouna, que morreram perseguidos pela polícia. O que sentimos em nossos corpos foram todas as humilhações que machucaram nossos estômagos, as constantes verificações que sempre terminam mal… e todas as vidas ceifadas.

Nossa raiva voltou a se manifestar da mesma forma: carros incendiados, saques… Era olho por olho, uma vingança que nem sequer fazia jus à nossa dor. Diante do desprezo de uma sociedade que nos tratava como párias, como imprestáveis, essa era a maneira de nos fazer sentir. Desde cedo, estamos acostumados a sofrer abusos da polícia, do sistema judiciário, da máfia e da cegueira voluntária dos políticos. Mas como podemos manter a calma quando um de nós morre em total indiferença, quando as provas desaparecem de nossos arquivos e a polícia ainda nos lamenta durante nossas marchas brancas¹?

Tudo isso foi denunciado incessantemente por associações e famílias indignadas, mas nada! Não, nada contra os verdadeiros carrascos! Medalhas entregues aos policiais como se fossem doces, promoções, congratulações… em suma, uma licença para matar. Quando você vê isso na televisão, como pode não ficar com raiva, como pode não se sentir preso? Toda a França saiu às ruas para protestar contra a reforma da previdência, mas recebeu uma indiferença desdenhosa do governo. Agora que a situação está explodindo, está claro que é somente quando há escândalo que as pessoas falam sobre os bairros da classe trabalhadora e o que acontece neles; mas o preço a pagar é a presença constante da RAID², da GIGN³ e dos carros blindados.

Por que saquear lojas? A RSA [revenu de solidarité active – renda cidadã francesa] foi criada para nos manter calmos por causa da ameaça de poder tirá-la se oferecermos a menor resistência… mas ela é consumido pela inflação! Então, nós nos ajudamos! Essas crianças veem suas mães ou pais trabalhando como mulas, limpando a sujeira da burguesia que cospe na cara delas! Eles os contratam por 1.300 euros por mês para um trabalho que não gostariam de fazer por nada no mundo, e têm de ser gratos….

Hoje são nossos filhos que sofrem tudo isso e lutam nas ruas: como assim? Por que, anos depois, o mesmo padrão sempre se repete? Essas são as verdadeiras perguntas que precisam ser respondidas! E não com repressão, como sempre!

Você pedirá a eles que parem, que deem a outra face?

Eles culpam os pais, dizem que a culpa é deles; ameaçam e, mais uma vez, usam a chantagem e o medo; mas não se esqueça de que já estávamos lá em 2005.

Tudo isso desperta uma dor enterrada.

Notas:

[1] Marche blanche (marcha branca): manifestação em memória das vítimas de violência policial, geralmente lançada pela família.

[2] RAID: unidade policial treinada para intervir em situações de “crime organizado, banditismo, terrorismo e sequestro”.

[3] GIGN: grupos de intervenção “antiterrorista” sob a autoridade da Gendarmeria nacional.

Fonte: https://ilrovescio.info/2023/07/20/come-restare-calmi-quando-la-polizia-ci-provoca-in-pieno-lutto-grida-dal-cuore-di-una-abitante-di-un-quartiere-popolare/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

folhas escuras
tremem na brisa
à contra-lua

Rogério Martins

[Espanha] Carmen Berrocal apresenta “Perdendo o Trem” na V Escola Libertária Andaluza

O trem é, atualmente, o meio de transporte mais sustentável e ecológico que existe, depois da caminhada e da bicicleta. No entanto, sua situação atual de abandono e precariedade pode comprometer seu futuro, bem como o do ambiente rural e das pessoas que vivem nele.

Um sistema ferroviário que conecte os vilarejos com as capitais provinciais e municipais seria uma solução eficaz para os idosos, pessoas com diversidade funcional e mobilidade reduzida, permitindo sua integração. Da mesma forma, as famílias poderiam se beneficiar em seu tempo livre e de lazer, não tendo que usar o carro para ir a outros municípios.

Os trabalhadores poderiam ir ao trabalho e não usar o carro, evitando complicações no deslocamento. E os jovens precisam se deslocar todos os dias para ir à escola. Em muitos casos, eles deixam seus locais de origem por falta de meios de transporte eficientes.

Ter um sistema ferroviário que conecte os vilarejos, com mais trens, rotas e horários úteis, ajuda a garantir que o ambiente rural não fique vazio. Isso significaria uma melhoria em seus serviços públicos, com escolas, centros de saúde, instalações esportivas, etc. Isso traria consigo o desenvolvimento e o aumento do tecido econômico e de empregos, com novas propostas de hotéis, lazer, restaurantes e serviços. Também não devemos deixar de lado o respeito ao meio ambiente de cada território, essencial para que a qualidade de vida não seja afetada por um setor hoteleiro e de alimentação que, em muitos casos, não leva em conta esses parâmetros.

O documentário “Perdendo o Trem” nos conta sobre o passado, o presente e o futuro do trem. Ele nos mostra que somente o poder político e econômico foi e é responsável pelo fato de o trem convencional estar morrendo. Eles, e somente eles, são os que gastaram seus orçamentos no trem de alta velocidade (TAV), esquecendo-se de seus eleitores nas áreas rurais. O TAV é a maior fraude da história do trem neste país. Foi vendido como progresso, mas não passa de um poço sem fundo, com suas perdas eternas e seu orçamento exorbitante.

Um exemplo poderia ser a cidade de Ronda. Capital de uma região, com vilarejos em muitos casos alcançados pelos trilhos, com estações. Eles viram suas viagens serem reduzidas a uma ou duas por dia, na melhor das hipóteses. Eles veem como dezenas de trens de carga passam e não param. Os trens de passageiros chegam em horários que são de pouca utilidade para os usuários. É possível ver como estão permitindo que os trilhos se deteriorem e as estações fiquem em pedaços.

Os moradores de Ronda, arriatenas e pessoas de toda a região veem como o trem, um bem público, está sendo morto. Em vez disso, eles estão testemunhando o aumento do militarismo na área. Um quartel da Legião em La Indiana, para o qual nunca faltam fundos do Ministério da Defesa para seus jogos de guerra. Uma escola para os oficiais da Legião, aos quais não faltam recursos, comida, cama e salário para treinar em algo tão absurdo e nefasto quanto o uso de armas.

Como é possível que os poderes políticos gastem tanto dinheiro de todos os trabalhadores na manutenção de algo tão inútil como exércitos, em algo que só traz divisão, fome, pilhagem de recursos, violação de direitos, morte e destruição como as guerras? Não seria mais justo distribuir os recursos de forma justa e usar os fundos para beneficiar praticamente toda a sociedade?

Como se isso não bastasse, na Serranía Rondeña há um grande número de fazendas de animais e macro fazendas, onde os direitos dos animais se destacam por sua ausência. Aqui, os animais são enjaulados até a exaustão, vacinados em excesso e as crias são separadas de suas mães assim que nascem. Os animais vivem sob estresse desde o momento em que nascem até serem abatidos para satisfazer as necessidades culinárias dos seres humanos. E dizemos isso porque também existem pessoas não humanas, se levarmos em conta que uma pessoa é qualquer ser que tenha uma personalidade.

Não podemos substituir um bife de carne bovina por um prato de leguminosas, que tem o mesmo teor de proteína? Nós, pessoas que vivemos em países desenvolvidos, temos a oportunidade de escolher, de fazer uma compra seletiva. Cabe a nós promover uma mudança de paradigma para toda a comunidade animal do mundo e acabar com os campos de concentração que são as fazendas e macro fazendas.

Lamentamos que a Coordenadora de Bem-Estar Animal não tenha elaborado um roteiro para a V Escola Libertária Andaluza e que ela não possa comparecer. Temos certeza de que ela abriria nossos olhos para questões como a posição da CGT-A Ceuta e Melilla contra o veganismo, o especismo, as touradas, a vivissecção em laboratórios farmacêuticos, a indústria têxtil e de peles, etc.

Na CGT-A Ceuta e Melilla temos certeza de que todos os seres vivos deste planeta têm direito a uma vida digna e, com essa premissa, foi criada a Coordenação de Bem-Estar Animal, que em breve poderá anunciar ações em defesa dos animais.

Voltando ao trem, outra prova disso é a atitude das empresas responsáveis (Renfe e Adif) e dos sindicatos do sistema em relação à falta de atenção que estão tendo nos últimos dias com os serviços ferroviários em Málaga.

Todas as pessoas, especialmente as que vivem em áreas rurais, devem ser integradas e participar da sociedade, sem prejuízo de seus direitos. Todas elas devem usufruir dos serviços públicos, independentemente de onde morem. Para isso, é fundamental ter um sistema ferroviário que conecte os vilarejos e seus habitantes. Carmen Berrocal, moradora de Bobadilla Estación, em Málaga, e diretora da Associação de Moradores de seu bairro, sabe bem disso.

Ela viu que, se você mora em áreas rurais, tem menos direitos, mesmo pagando os mesmos impostos. Se você mora em uma cidade pequena, eles podem tirar sua agência bancária ou o escritório do SEPE. Ela viu como as escolas estão sendo fechadas porque não há mais crianças ou famílias jovens. Ela viu como, pouco a pouco, as pessoas que vivem em nossos vilarejos estão ficando órfãs.

Mas Carmen é combativa e, depois de fundar e presidir a AVV de seu vilarejo, ela fundou a PTRA, a Plataforma para o Trem Rural da Andaluzia. Sua luta a levou a visitar todos os lugares da Andaluzia onde foi exigida. Sua proclamação “Por uma ferrovia pública e social” foi ouvida em todas as províncias e municípios onde era necessário. E sua veemência não a privou de ser contundente diante da mídia, falando claramente, com a linguagem do povo.

É por isso que Carmen será a encarregada de apresentar “Perdendo o Trem”, que será transmitido no sábado, 29 de julho, às 18h15, na V Escola Libertária Andaluza de CGT-A Ceuta y Melilla.

#VEscuelaLibertariaCGTA, Escola Libertária, Meio Rural, Social

Fonte: https://cgtandalucia.org/carmen-berrocal-v-escuela-libertaria-andaluza/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

Carlos Seabra

[Espanha] Continuísmo social-democrata?

Ontem (23/07) assistimos a novas eleições políticas na Espanha e, como sempre, não estava no script mudar a situação da classe trabalhadora. Os resultados dessas eleições nos levam a uma continuação das políticas europeístas estabelecidas pela troika europeia em Bruxelas.

Não nos esqueçamos de que, mais uma vez, grande parte da sociedade convocada para as urnas decidiu se abster e, apesar do aumento da participação, mais de dez milhões de pessoas decidiram não exercer seu direito de voto.

Esses números de abstenção reforçam a posição que a CGT e o anarcossindicalismo vêm expressando há décadas: a necessidade de criar uma sociedade baseada na auto-organização, no apoio mútuo e na solidariedade é mais necessária do que nunca. Seria um erro grave pensar que a ultradireita foi detida porque não conseguirá formar um governo, porque o que é realmente preocupante e o que realmente precisa ser detido é a mensagem de ódio que vem permeando parte da sociedade há algum tempo, que ataca diretamente nossas liberdades e os direitos de grupos como o movimento LGTBI+ ou o movimento de migrantes.

Os resultados das eleições de ontem podem estar fadados à reeleição do atual governo de coalizão, algo que, apesar de ser a única opção real possível contra a extrema direita, não nos oferece nenhuma tranquilidade, pois basta olhar para trás para lembrar as inúmeras ocasiões em que esse governo deu as costas à classe trabalhadora ao tomar certas medidas, ficando mais do lado dos patrões e dos interesses do capitalismo do que daqueles que diz representar.

A Lei Mordaça ainda está em vigor, a Reforma Trabalhista do PP-PSOE ainda não foi revogada, embora seja verdade que a última reforma foi diluída a ponto de os próprios patrões a apoiarem, o que é surpreendente. A Reforma da Previdência leva à privatização das aposentadorias com o reforço e a implementação de planos de previdência privada, a privatização gradual de serviços públicos básicos como educação, saúde, transporte e um longo etc… Sem falar na Lei dos Estrangeiros, que deixa grande parte da população migrante sem direitos, enquanto os mantemos em vilarejos trabalhando em situações muitas vezes de semiescravidão, em condições terríveis.

Diante disso, desde a CGT temos ainda mais clareza sobre a necessidade de construir espaços de auto-organização como modelo de pressão para forçar mudanças legislativas, e em que o papel dos sindicatos classistas e combativos, apoiados pelos movimentos sociais, é fundamental para continuar lutando contra a extrema direita e construir o caminho para uma sociedade mais justa e feminista.

Essas mudanças na sociedade que buscamos não virão sozinhas, e a mobilização que realizarmos nos próximos anos será fundamental para alcançá-las. Os cidadãos não podem e não devem se contentar em votar a cada quatro anos e deixar o futuro de todos nas mãos de poucos; a classe trabalhadora precisa entender que, sem uma forte mobilização social, quem quer que esteja no governo fará políticas de acordo com a vontade e o ditado dos poderes econômicos.

A luta é o único caminho!

Fonte: Secretaria Permanente do Comitê Confederal da CGT

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/07/21/espanha-nao-se-acomodem-com-o-voto-nao-se-acomodem-com-a-abstencao/

agência de notícias anarquistas-ana

o sapo, num salto,
cresce ao lume do crepúsculo
buscando a manhã

Zemaria Pinto

[São Paulo-SP] No CCS, 29/07: “Não É a Primeira Vez que Lutamos pelo Nosso Amor”

No dia 29 de julho, sábado, às 16h, o CCS vai exibir o documentário “Não É a Primeira Vez que Lutamos pelo Nosso Amor” (2022), dirigido por Luis Carlos de Alencar. Contaremos com a presença do diretor e realizaremos uma conversa com ele após a exibição.

O documentário conta as histórias de perseguição e violência quando a ditadura civil-militar brasileira atuou contra a população LGBT e como esse mesmo grupo constituiu suas resistências, transformando-se em sujeito fundamental do processo de redemocratização. O golpe de 64 não instaura esse preconceito, mas, nesse período, a população LGBT foi considerada inimiga da família tradicional, da moral e dos bons costumes.

O evento é presencial e aberto, basta comparecer. Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo, não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

Temos micro-ondas, se quiserem trazer pipoca para um lanche!

Centro de Cultura Social (CCS)

Rua General Jardim, 253 Sala 22

Vila Buarque – São Paulo – SP

Próximo ao metrô Republica

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a girafa, calada,
lá de cima vê tudo
e não diz nada

Millôr Fernandes

Equador recorre ao exército para que empresa canadense possa explorar ouro

Por Ñaní Pinto | 20/07/2023

Comunidades indígenas e camponesas do Equador denunciam o governo pelo uso das forças armadas para executar uma suposta “consulta ambiental”, proposta emitida pelo mandatário deste país, Guillermo Lasso, mediante o decreto 754, para permitir a exploração do projeto de mineração La Plata, nas mãos da empresa canadense Atico Mining.

Os habitantes da freguesia de Palo Quemado na província do Cotopaxi, região central do Equador, junto à Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), denunciaram que o governo de Lasso militarizou a região para levar a cabo esta consulta que permitirá à canadense Atico Mining explorar ouro, cobre, prata e zinco em uma área que compreende 2 mil 222 hectares, entre as comunidades San Pablo de La Plata e Las Minas.

Cabe destacar que nesta região confluem 10 corpos hídricos, estuários e desfiladeiros, e um ecossistema de bosque que faz parte da Cordilheira Ocidental dos Andes, do qual dependem diversas populações.

As ações contra estas comunidades começaram desde 9 de julho na freguesia Palo Quemado e se mantêm até o fechamento desta reportagem. Os inconformados denunciam que o governo “busca impor pela força uma consulta ambiental ilegal, proposta mediante o decreto 754 que permite a imersão de mineradora nos territórios”.

Estas comunidades qualificaram o decreto 754 como “inconstitucional” porque, argumentam, “facilita às empresas mineradoras o despojo dos territórios sem que lhe importem a opinião e decisão das comunidades não consultadas”.

Após esta imposição diversas expressões de resistência se somaram ao rechaço deste projeto, como ativistas, artistas e personalidades reconhecidas no Equador. A organização Acción Ecológica se pronunciou em uníssono “para exigir que se detenha esta consulta ilegal. Assim como a retirada imediata da força Pública que tomou posse da freguesia originando tensão e medo na população e nas comunidades próximas como Las Pampas, Galápagos, La Florida, Las Juntas, Campo Alegre Alto e Bajo”, denunciaram em um comunicado.

La plata

O projeto minerador La Prata é um projeto de sulfetos maciços vulcânicos que tem projetado extrair 12,9 gramas de ouro para cada tonelada extraída de rocha e outros componentes minerais. Com o método da mineração subterrânea, que vai perfurando mediante túneis e vai preenchendo com uma mistura de cimento, a empresa projetou extrair 900 toneladas diariamente.

A empresa canadense por sua parte informou que já investiu mais de 16 milhões de dólares para atividades prévias, realizadas “com altos padrões técnicos e com maquinaria minimamente invasiva”. Não obstante, as comunidades afetadas se mobilizaram para rechaçar este projeto minerador pelos possíveis impactos negativos para toda a região, por isso se declararam em “alerta”.

Só na província do Cotopaxi existem por volta de 250 concessões mineradoras situadas em três cantões.

Portanto, a CONAIE comunica: “exigimos do governo nacional de Guillermo Lasso a revogação do decreto 754 que é inconstitucional, e retirar a força pública do território comunitário e que este contingente saia para enfrentar a insegurança do país e não sirva para amedrontar agricultores, camponeses e famílias que sustentam a soberania alimentar no país”.

Fonte: https://avispa.org/Equador-recurre-al-ejercito-para-que-empresa-canadense-pueda-explorar-ouro/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Você se parece
com este galho de acácias
repleto de sóis.

Eolo Yberê Libera

População negra encarcerada chega a mais de 442 mil. É o maior patamar já registrado

No total, a quantidade de pessoas brancas e negras no sistema carcerário aumentou de 815.165 em 2021 para 826.740 em 2022

A população negra encarcerada no sistema penitenciário brasileiro atingiu o maior patamar da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), iniciado em 2005. De acordo com o anuário da entidade, em 2022 havia 442.033 negros encarcerados no país, ou 68,2% do total das pessoas presas – o maior percentual já registrado.

Em 2021, essa proporção era de 67,5%. Há 18 anos, em 2005, quando a série histórica do FBSP teve início, os negros representavam 58,4% das pessoas presas no país. Já os brancos, no sistema prisional, eram 197.084 em 2022, ou 30,4% do total. Em 2005, eram 39,8% do sistema prisional.

“O sistema prisional brasileiro escancara o racismo estrutural. Se de 2005 a 2022 houve crescimento de 215% da população branca encarcerada, houve crescimento de 381,3% da população negra. Em 2005, 58,4% do total da população prisional era negra, em 2022, esse percentual foi de 68,2%, o maior da série histórica disponível. Em outras palavras, o sistema penitenciário deixa evidente o racismo brasileiro de forma cada vez mais preponderante. A seletividade penal tem cor”, destaca o texto do anuário do FBSP.

No total, a quantidade de pessoas presas no sistema carcerário brasileiro aumentou de 815.165 em 2021 para 826.740, em 2022. A razão de detentos por vaga também aumentou, de 1,3 (2021) para 1,4 (2022), ou seja, o sistema está operando ainda mais acima de sua capacidade. Segundo o anuário, há 230.578 pessoas privadas de liberdade a mais do que o sistema comporta.

“Persistem, portanto, as condições de superlotação e insalubridade. A integridade física e moral das pessoas em privação de liberdade é banalizada. Vai se assentando uma “cultura do encarceramento”, com a sobrerrepresentação negra naturalizada. Na medida em que o Estado se mantém inerte, legaliza a desigualdade e corrobora as irradiações do racismo estrutural”, destaca o texto o anuário.

Presos sem condenação

O documento do FBSP mostra ainda que houve diminuição proporcional dos presos provisórios – pessoas detidas sem condenação – no sistema prisional. Em 2020, eram 30,2% do total; em 2021, 28,5%; e agora, em 2022, 25,3%.

“Podemos estar diante dos impactos da implementação cada vez mais consistente das audiências de custódia, cujo marco inaugural data de 2015. Mesmo com a diminuição a comemorar, ainda estamos falando de 210.687 pessoas privadas de liberdade sem que tenham sido condenadas”, diz o texto do anuário.

Monitoramento eletrônico

O anuário chama a atenção para o aumento do número de detentos como monitoramento eletrônico. Em 2019, eram 16.821 presos com monitoramento eletrônico (2,2% do total); em 2022, esse número foi para 51.897 (11% do total dos presos).

De acordo com o documento, a mudança ocorreu principalmente em razão da Recomendação 62 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 2020, que recomendou adoção de medidas preventivas à propagação de covid-19 no sistema prisional.

“O monitoramento eletrônico tem sido propalado como uma alternativa ao encarceramento. Tanto que é apresentado pelo CNJ como resposta hábil a lidar com os problemas estruturais do sistema carcerário. Contudo, a se considerar, que ao mesmo tempo em que esse expediente eletrônico preserva da privação de liberdade degradante, essa modalidade de cárcere impõe uma rotina de sobrevivência que impacta diretamente na autonomia, trazendo marcas simbólicas que estigmatizam a condição da pessoa encarcerada”, diz o texto do anuário.

Fonte: https://www.paulopes.com.br/2023/07/populacao-negra-encarcerada-chega-mais.html

agência de notícias anarquistas-ana

entre as folhas
de um livro-de-reza
um amor-perfeito cai

Guimarães Rosa

[Grécia] Anarchy 2023: Relato do encontro internacional em St-Imier, Suíça

Por Ευθύμης Χατζηθεοδώρου | 25/07/2023

A liberdade de pensamento e expressão que encontrei entre os trabalhadores nas montanhas de Jura, na Suíça, teve um efeito profundo em mim. Depois de ficar algumas semanas com os relojoeiros, minhas opiniões sobre o socialismo agora eram claras: eu era um anarquista.  Piotr Kropotkin, 1877

No domingo, 23 de julho, terminou o encontro anarquista internacional em St-Imier, na Suíça.

Cento e cinquenta anos depois da Internacional anarquista de Bakunin, na mesma pequena cidade do vale que separa as montanhas do Jura de Berna, centenas de anarquistas e antiautoritários de todo o mundo foram novamente recebidos para quatro dias de eventos e discussões.

O Anarchy 2023 (nome oficial do encontro) ocupou geograficamente toda a cidade, já que muitos prédios municipais (e mais) foram cedidos ao evento para diversos fins. Disponibilizou-se espaço para acampar, assim como diversos espaços para discussões, conferências, exposições, filmes, concertos.

Havia também centros comunitários abertos para quem queria se proteger do frio do acampamento (à noite a temperatura chegava a dez graus), espaços de convivência livres de homens cis e uma creche.

A acomodação e as oficinas foram gratuitas, enquanto a alimentação foi fornecida por doação livre.

Chegando em St Imier, não sabíamos o que esperar. A organização optou por manter o papel de coordenadoria, deixando que o sucesso do evento fosse determinado pela participação de cada visitante, tanto a nível prático como político.

Isso significa que, na prática, cabia a cada indivíduo manifestar interesse e dedicar uma, duas ou três horas por dia a algum turno das dezenas de horas necessárias para manter tudo funcionando perfeitamente. Os trabalhos podiam ser desde ajudar nos estacionamentos, limpeza, cozinhar para três mil porções todos os dias, vigiar etc.

Quanto ao nível político, é importante mencionar que os eventos e discussões ganharam espaço na programação por meio de uma plataforma na internet onde qualquer pessoa ou grupo poderia propor algo específico.

Isso significa que os temas apresentaram uma diversidade incrível. Desde trocas de experiências de estilo de vida (como “pegar carona como um ato político” ou “como viver sem dinheiro”), atualizações sobre diferentes lutas (“a ascensão da extrema direita na Itália”, “quatro anos desde a revolta no Chile”, “O legado da rebelião de George Floyd no movimento Atlanta Stop Cop City”), até oficinas de ativistas (“como proteger nossos movimentos das lógicas de esquerda”, “circulação conjunta no black bloc”).

Tal diversidade significa que também houve eventos politicamente opostos entre si, com a questão da invasão russa sendo talvez o exemplo mais inflamado. Embora a maioria das intervenções contra a guerra aceitasse o direito de autodefesa dos ucranianos como a base política anarquista mínima, havia indivíduos no movimento antimilitarista que viam o fim da guerra como o objetivo número um que os antiautoritários deveriam ter hoje.

Pessoalmente, acho que o evento dos anarquistas da Rússia, Ucrânia e Bielorrússia que estão resistindo ativamente à invasão foi um dos mais interessantes do encontro, tanto porque aprendemos sobre as diferentes estruturas e grupos que estão ativos quanto sobre a lacuna de análise que o movimento tem lá em relação ao Ocidente. Através das discussões, três razões diferentes para isso foram destacadas: a falta de informação e rede de contatos, o idealismo romântico usado pelos ocidentais “de uma posição de segurança” e, finalmente, a infiltração de análises autoritárias de esquerda em grupos anarquistas.

Paralelamente ao encontro, muitos antiautoritários também apoiaram uma marcha no sábado, 22 de julho, em Lausanne, convocada por organizações curdas contra o centenário da assinatura do Tratado.

Ao encontro não faltou as presenças gregas. Na feira do livro que aconteceu todos os dias no rinque de hóquei no gelo St. Imier, a Organização Política Anarquista (APO) teve um lugar fixo nas mesas.

Além disso, na noite de sexta-feira, pessoas da “Ocupação de Habitação para Refugiados e Imigrantes Notara 26” fizeram uma intervenção sobre o crime de Pylos pouco antes do início do show do Krav Boca.

Por fim, o diretor anarquista Yiannis Giouloundas apresentou cenas de seu novo filme “Não temos medo das ruínas”, que estuda o movimento anarquista na Grécia após a eleição de Mitsotakis em julho de 2019, e seguiu-se um debate.

O encontro terminou ao meio-dia de domingo com a recitação de canções anarquistas revolucionárias na praça central da pequena cidade.

Com punhos erguidos, antiautoritários de todo o mundo renovaram sua escolha daqui a dez anos, prometendo:

Sem recuar na luta por uma sociedade livre!

>> Mais fotos: https://www.aftoleksi.gr/2023/07/25/anarchy-2023-reportaz-ti-diethni-synantisi-sen-imier-tis-elvetias/

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agência de notícias anarquistas-ana

Sopra o vento
Segura-te borboleta!
Na pétala da flor.

Rodrigo de Almeida Siqueira

“O encontro de St. Imier, para além do ato político, foi para mim uma experiência que aguçou meus cinco sentidos.”

Aconteceu, de 19 a 23 de julho, o “Encontro Internacional Antiautoritário – 150 anos depois”, em St-Imier, na Suíça. O evento comemorou o 150º aniversário do Congresso de St-Imier que, em 1872, viu a fundação da Internacional Antiautoritária, marcando o nascimento do movimento anarquista organizado. A nossa companheira Cibele Troyano esteve presente lá e compartilhou generosamente suas impressões pessoais, que estão a seguir.

“O encontro de St. Imier, para além do ato político, foi para mim uma experiência que aguçou meus cinco sentidos. Um cheiro delicioso de bons temperos misturado com cheiro de mato e de gente acampada. Meus olhos se encheram de cores olhando pessoas de todos os tipos, idades, visuais e gêneros. Vários corpos tatuados. Muitos velhos iguais a mim, que esperei 68 anos para viver uma experiência como essa. Alguns usando bengala, andadores, cadeirinhas de motor. Porém, todos caminhando muito bem por aqui.

O visual também inclui cartazes e mais cartazes com frases e palavras de ordem em todas as línguas. As mais lindas: “O fascismo não passará”, “Um novo mundo é possível” e “Desmilitarizar o planeta”.

O paladar foi brindado pela comida vegana que um grupo de voluntários alemães preparava diariamente. Tão saborosa que torna dispensável qualquer argumento racional ou ideológico a seu favor.

O som é o de um burburinho poliglota, incluindo o latido dos muitos cães que passeiam por aqui. Há muita música nos vários concertos diários que integraram o programa. O ponto alto foi a apresentação de um coro formado por grupos de vários países cantando canções anarquistas, numa praça repleta de gente.

Acho que somos mais de 5.000 pessoas. Não se vê nenhum papel no chão. Os banheiros de uma limpeza impecável. Nas portas, cartazes com desenhos recomendando aos homens para fazerem xixi sentados.

No encontro estavam também presentes muitas crianças. Conheci um compa mexicano que foi com o filho de mais ou menos 6 anos de idade, para que ele visse na prática que sim, um novo mundo é possível.

Na despedida, longos e afetuosos abraços em antigas e novas amizades. Sensação gostosa de uma experiência inesquecível.”

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No céu da floresta
os pirilampos se acendem:
desce a Via Láctea.

Ronaldo Bomfim

[Espanha] II Feira do Livro Anarquista da Marina

Salut companheiros e companheiras.

Desta vez apresentamos o local onde vai acontecer a II FEIRA DO LIVRO ANARQUISTA DA MARINA.

A Feira do Livro Anarquista volta a acontecer no Parque da Lluna de Pedreguer (Alicante), no sábado dia 16 de setembro de 2023 das 10h às 20h, teremos sombra, mesas e cadeiras para todos os distribuidores, editoras e livrarias que nos visitarem e quiserem acompanhar durante este dia, e claro que teremos mais um ano com o apoio e colaboração do ATENEU POPULAR DE PEDREGUER.

Queremos fazer um convite especial a todos os distribuidores, editoras e livrarias para confirmar a sua presença.

Se quiser participar conosco, escreva para nós: grupanarquistadelamarina@gmail.com

Salut.

Vamos continuar trabalhando.

Assembleia do Grupo Anarquista da Marina

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os aloendros
em fila
nos separavam do mundo

Guimarães Rosa

[Itália] “Adeus, Marinella”

Depois de lutar contra uma doença grave, a companheira Marinella Bragagnini, do Baixo Friuli, nos deixou ontem (24/07).

Feminista, ecologista, libertária. Por mais de 40 anos, ela esteve na linha de frente em todas as lutas ambientais das terras baixas do Friuli, nas lutas feministas, antifascistas e pelo espaço social.

Ela sempre foi uma das militantes mais ativas do grupo anarcofeminista friulano, o Dumbles.

Em todos esses anos, compartilhamos muitas iniciativas e, apesar de nossas diferenças, sempre encontramos um terreno comum para relações e lutas.

Sentiremos sua falta.

Adeus, Marinella

Os companheiros e companheiras do Grupo Anarquista Germinal de Trieste.

Tradução > Liberto

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chuva de domingo
muito fraca
caminho entre os pingos

João Angelo Salvadori

China lança dura campanha de repressão contra os uigures que deve se estender por cem dias

Ação em Xinjiang reprime reuniões de mais de 30 pessoas, coincidindo com aniversário de violência étnica em 2009

Em sua mais recente campanha de repressão em Xinjiang, as autoridades chinesas passaram a proibir qualquer encontro com mais de 30 pessoas, dando início a uma onda de medidas autoritárias que terá duração de cem dias. A imprensa local e dois policiais da região confirmam que o principal alvo dessa repressão são os uigures, uma comunidade predominantemente muçulmana que vive província no noroeste da China. As informações são da rede Radio Free Asia.

Esse tipo de operação de ataque ao patrimônio cultural uigur ocorre com frequência em Xinjiang. O trabalho policial consiste em incursões nas residências dos muçulmanos, bem como em imposições de restrições às práticas islâmicas e limitações à preservação da cultura e língua desse grupo étnico minoritário.

No dia 3 de julho, notícias sobre o início da recente campanha surgiram no TikTok, revelando sua implementação na prefeitura de Hotan, situada ao sul de Xinjiang. Conforme relatado pela mídia chinesa, o Departamento de Segurança Pública daquela região conduzirá uma série de operações de verão, programadas para ocorrer entre 25 de junho e 30 de setembro, com o propósito de assegurar a segurança na área.

Em Urumqi, a capital da Região Autônoma Uigur de Xinjiang, e Korla, sua segunda maior cidade, anúncios da campanha de cem dias foram transmitidos por outros meios de comunicação. Além disso, informações sobre a operação também foram encontradas nos sites governamentais de todas as prefeituras da província.

As agências locais de segurança pública estão conduzindo a ação em suas respectivas áreas, focando em combater crimes que ameacem a ordem pública, conforme relatado pela mídia chinesa.

As atividades ilegais visadas incluem incitação de problemas, envolvimento em brigas de grupo, intimidação pública, chantagear, monopolizar o mercado, participar de reuniões ilegais e disseminar boatos com intenções maliciosas. Além disso, também serão alvo das autoridades as “máfias ilegais e organizações criminosas”.

Entre as atividades descritas como “ilegais” estão assistir a conteúdo proibido ou compartilhá-lo.

Segundo um oficial de polícia ouvido pela reportagem, a leitura do Alcorão, texto religioso central do Islã, só é permitida sob a orientação de um imã designado pelo governo. Além disso, é proibido que indivíduos discutam o livro sagrado por conta própria.

Para visitantes estrangeiros que chegam a Xinjiang, incluindo aqueles que vão visitar parentes, é obrigatório se apresentar aos comitês de bairro ou às delegacias de polícia locais dentro de três dias após a chegada; caso contrário, enfrentarão ação policial.

Genocídio cultural

A atual repressão coincide com o aniversário politicamente sensível da violência étnica ocorrida em Urumqi, em 5 de julho de 2009.

De acordo com dados oficiais da China, cerca de 200 pessoas morreram e 1,7 mil ficaram feridas em três dias de confrontos violentos entre a minoria étnica uigures e os chineses han.

Essa repressão em Urumqi desencadeou uma série de ações do governo chinês para sufocar a cultura, língua e religião uigures, através de medidas como vigilância em massa e campanhas de internamento.

Omir Bekali, um uigur de ascendência cazaque, que passou nove meses em campos de “reeducação” em Xinjiang por alegações de atividades terroristas, destaca que por trás das medidas repressivas do Partido Comunista Chinês (PCC) existem questões não explícitas significativas.

Ele afirmou que as políticas atuais do governo chinês na região podem ser interpretadas como uma forma de “genocídio étnico e cultural”.

“As autoridades justificam submeter os uigures a danos físicos e psicológicos como medidas necessárias para manter a estabilidade social”, disse.

Perseguição

O “ataque duro” refere-se a uma campanha governamental que visa impor medidas rigorosas e repressivas, geralmente com uma abordagem mais agressiva e intensa, para lidar com determinados problemas ou grupos considerados ameaças pelo governo.

No caso específico de Xinjiang, as campanhas de “strike hard” têm sido conduzidas pelas autoridades chinesas como uma estratégia para reprimir e controlar a população uigur. Essas campanhas incluem ações como prisões em massa, incursões policiais em residências, restrições à liberdade religiosa e cultural, além de outras medidas que visam restringir e assimilar a cultura e a identidade uigur à cultura dominante chinesa.

Tais políticas têm sido alvo de críticas e condenações internacionais por violações dos direitos humanos e discriminação étnica.

Por que isso importa?

A província de Xinjiang faz fronteira com países da Ásia Central, com quem divide raízes linguísticas e étnicas. Ali vive a comunidade uigur, uma minoria muçulmana de raízes turcas que sofre perseguição do governo chinês, com acusações de abusos diversos.

Os uigures, cerca de 11 milhões, enfrentam discriminação da sociedade e do governo chinês e são vistos com desconfiança pela maioria han, que responde por 92% dos chineses. Denúncias dão conta de que Beijing usa de tortura, esterilização forçada, trabalho obrigatório e maus tratos para realizar uma limpeza étnica e religiosa em Xinjiang.

Em agosto de 2022, a ONU divulgou um aguardado relatório que fala em “graves violações dos direitos humanos” cometidas em Xinjiang. O documento destaca “padrões de tortura ou maus-tratos, incluindo tratamento médico forçado e condições adversas de detenção”, bem como “alegações de incidentes individuais de violência sexual e de gênero”.

O relatório, porém, não citou a palavra “genocídio” usada por alguns países ocidentais. O governo do presidente Joe Biden, dos EUA, foi o primeiro a usar o termo para descrever as ações da China em relação aos uigures. Em seguida, Reino Unido e Canadá também passaram a usar a designação, e a Lituânia se juntou ao grupo mais recentemente.

A China nega as acusações de que comete abusos em Xinjiang e diz que as ações do governo na região têm como finalidade a educação contraterrorismo, a fim de conter movimentos separatistas e combater grupos extremistas religiosos que eventualmente venham a planejar ataques terroristas no país. Beijing costuma classificar as denúncias como “a mentira do século”.

Fonte: https://areferencia.com/asia-e-pacifico/china-lanca-campanha-de-forte-repressao-contra-uigures-que-deve-se-estender-por-100-dias/

agência de notícias anarquistas-ana

casa fantasma
cheia de habitantes
feitos de plasma

Carlos Seabra