[Chile] Santiago: Bloco anárquico por Alfredo Cospito – 9 março

BLOCO ANÁRQUICO EM SOLIDARIEDADE COM ALFREDO COSPITO, 9 DE MARÇO 13:30 HRS., CUMMING/ALAMEDA.

A mais de 4 meses de iniciada a greve de fome do companheiro anarquista Alfredo Cospito, no dia 24 de fevereiro foi rechaçado seu recurso de apelação para tirá-lo do regime de isolamento 41bis, o qual condenaram o companheiro a seguir sua luta até a  morte.

Apesar da notável resistência e a firmeza das convicções de nosso companheiro, sua morte pode chegar a qualquer momento, mais cedo que tarde. NÃO PODEMOS SEGUIR ESPERANDO A QUE O companheiro MORRA LENTAMENTE PARA DESATAR nosso ÓDIO PARA COM O PODER! A solidariedade com o companheiro deve, inevitavelmente, transformar-se em subversão e vingança. Por isso, aproveitamos a instância de um novo retorno à normalidade capitalista para tomarmos os espaços e atuar com decisão contra a maquinaria estatal/capitalista/tecnológica. Nesta instância, nos “retiramos” da convocatória a um “mochilaço” estudantil este 9 de março nas ruas do centro da cidade santiaguina para formar um bloco negro anarquista e nos unirmos à juventude combatente para propagar a mensagem/ação de guerra em cumplicidade com o companheiro Alfredo Cospito e sua irredutível luta contra o regime de isolamento e tortura 41bis.

PELA EXPANSÃO DAS IDEIAS E PRÁTICAS ANÁRQUICAS!

SOLIDARIEDADE URGENTE COM O COMPANHEIRO ALFREDO COSPITO!

POR UM MARÇO CHEIO DE ÓDIO E EXPLOSÕES!

FIM AO REGIME DE ISOLAMENTO 41BIS!

VIVA A INTERNACIONAL NEGRA!

QUE VIVA A ANARQUIA!

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Na palma da mão,
Um vagalume —
Sua luz é fria!

Shiki

“É por isso que eu trago essas flores”

Se elas desistissem de serem belas, elas não seriam flores

O Centro e Cultura Social (CCS) convida para o espetáculo “É por isso que eu trago essas flores”. Trata-se de um espetáculo que aborda a fragilidade da criança de maneira singela e profunda. O texto, escrito a partir da obra de Ibsen “A Dama do Mar” e inspirado em “O patinho feio” de Andersen, apresenta uma linda poética narrativa, onde se observa a elevação da alma humana por meio de um novo olhar e lugar de mundo.

Com: Paulo Bergstein | Texto e Direção: Ronaldo Ventura | Figurino: Kledir Salgado e Gui

Duração: 40 minutos

Entrada franca

Quando: Sábado, 11 de março, 16 horas.

Onde: Centro de Cultura Social (CCS)

Centro de Cultura Social (CCS)

Rua General Jardim, 253, Sala 22 – Próximo ao metrô República — Vila Buarque – São Paulo – SP

E-mail CCS: ccssp@ccssp.com.br | E-mail do Grupo de Estudos: grupodeestudos_afm@ccssp.com.br | Site: www.ccssp.com.br | Facebook: www.facebook.com/centrodeculturasocialSP | Instagram: centro_de_cultura_social

agência de notícias anarquistas-ana

Escurece rápido.
Insistente, a corruíra
cisca no quintal.

Jorge Fonseca Jr.

[Espanha] 8 de Março de 2023: Dia Internacional da Mulher Trabalhadora

Porque não nos faltam motivos.

Nos querem caladas, exploradas, invisíveis, precarizadas, submissas, culpáveis, até mesmo assassinadas. Mas não nos calamos. JUNTAS seguimos nos levantando em um grito em comum contra o sistema cis-heteropatriarcal, o capitalismo, as desigualdades, a precarização e as violências machistas. E dizemos BASTA.

Neste 8 de Março voltaremos a encher as ruas porque não nos faltam motivos:

Pelo fim da divisão sexual do trabalho e a precarização dos setores tradicionalmente feminizados: A maioria dos trabalhos de cuidado assalariados e não assalariados continuam sendo realizados majoritariamente por mulheres, sendo ainda mais precarizados; saúde, serviços sociais, limpeza, telemarketing, cuidados de pessoas dependentes, comércio, diaristas, enlatadoras, etc.

Pelo fim da diferença salarial e da precariedade. A discriminação sexual no trabalho, a dificuldade sistêmica nas negociações trabalhistas, a redução forçada de horas de trabalho, de salário e a estabilidade, nos condenando a um piso salarial que acaba por afetar nossas aposentadorias.

Pela eliminação de preconceitos de gênero na saúde laboral. Para garantir uma perspectiva de gênero na prevenção de acidentes em ambientes de trabalho que seja realmente efetiva, incluindo também a saúde mental e espaços livres de capacitismo. Porque nós também temos nossos direito ao trabalho digno, adaptado e seguro, a investigação quanto a riscos no trabalho, com perspectiva de gênero e ao reconhecimento de nossas doenças como causadas pelo trabalho.

Pela revogação da reforma trabalhista e pensões. Que longe de nos assegurar condições de vida digna, agrava a precarização, mantém péssimos contratos e nos condena a pobreza salarial e de aposentadorias. Tudo com a cumplicidade das patronais e dos sindicatos que o assinaram.

Pelo fim da nossa invisibilidade e sub-representarão em todos os círculos públicos: Nos espaços de tomada de decisão, na cultura, na ciência, nos esportes…

Pelo fim das violências em todas suas manifestações: estrutural, institucional, judicial, médica, econômica… Que ampara o machismo, o racismo, a LGTBIfobia e o assassinato de milhares de mulheres e identidades dissidentes. Que arranca nossos direitos, em especial das mais precarizadas. Que é cúmplice do assédio sexual e motivado por motivos de sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Que nega o direito ao aborto livre, público, seguro e universal…

Pelo fim da lei da mordaça. Que reprime a liberdade sindical e a liberdade de expressão, penalizando os direitos fundamentais de protesto e manifestação. Lembremos que algumas companheiras continuam sendo reprimidas por seu ativismo.

Pelo fim da lei de migração. Que institucionaliza o racismo, e gera uma dupla opressão às mulheres migrantes que se veem empurradas a marginalidade e a escravidão.

Pelo fim das guerras e das consequências da emergência climática, que causa milhões de desabrigados e refugiados. Utilizando às mulheres, criaturas e pessoas de diferentes orientações e identidades sexuais como arma de repressão e moeda de troca. Durante anos nos exploram em campos, onde a precariedade é generalizada, e onde tarefas cotidianas como ir ao banheiro ou tomar banho põem em risco nossa integridade.

Contra o negacionismo das desigualdades e da violência machista, e os ataques a nossa luta por parte da direita, da igreja e deste sistema cis-heteropatriarcal, capitalista e racista, que quer nos privar de nossos direitos.

E por um milhão de motivos mais.

Promovemos um feminismo inclusivo e de classe, que mude as consciências para avançar até um mundo mais justo, igualitário e diverso, que tenha em seu cerne a vida das pessoas.

Desde a CGT como sindicato de classe, anarkofeminista, de luta e combativo, reivindicamos e continuamos lutando hoje e sempre por nossos direitos e pelo fim do sistema heteropatriarcal.

Fonte: Secretaria da Mulher da CGT

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

Veja o vento matinal
Soprando os pêlos
Da taturana!

Buson

[EUA] Minneapolis: caminhão de obras públicas incendiado em resposta a despejos

Nas primeiras horas do dia 24, em resposta ao despejo de anciãos indígenas, defensores da terra e aliados do prédio ocupado em East Phillips, um caminhão de obras públicas de Minneapolis perto do prédio foi incendiado.

Por que incendiar um caminhão?

A cidade de Minneapolis continua a ignorar as pessoas mais vulneráveis que vivem aqui. O “roof depot” é um depósito abandonado que a cidade quer demolir e usar para expandir a instalação de obras públicas. Se o depósito for demolido em sua condição atual, ele irá liberar nuvens de arsênico no ar. East Phillips é um dos bairros mais diversificados de Minneapolis e já está enfrentando poluição e racismo ambiental.

A comunidade de East Phillips apresentou suas demandas por justiça ambiental por mais de um ano. A comunidade quer que a propriedade seja convertida em uma fazenda urbana. Apesar da resposta esmagadora do público, a cidade está avançando com seu plano. Um caminhão queimado é um pequeno preço a pagar para proteger a saúde e a segurança de nossos vizinhos.

Agimos de forma autônoma e encorajamos os outros a fazer justiça com as próprias mãos.

Nos solidarizamos com os camaradas de Atlanta que buscam impedir a construção de um campo de treinamento policial na floresta de Weelaunee.

Defenda o depósito

Viva tortugita

fuck 12*

*NT. “fuck 12” é um slogan contra a polícia, especialmente a polícia antidrogas

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Borboletas e
aves agitam voo:
nuvem de flores.

Bashô

 

[Alemanha] Leipzig: manifestação espontânea, danos e barricadas na parte leste da cidade

Soubemos pela mídia alemã que na noite de sábado, 18 de fevereiro, no bairro Neustadt-Neuschönefeld de Leipzig, alguns solidários organizaram e realizaram uma manifestação espontânea durante a qual cerca de dez carros foram danificados, incluindo um carro pertencente a uma empresa de construção e uma viatura policial. As vitrines de uma seguradora foram atacadas, painéis publicitários foram incendiados e uma barricada foi erguida com material retirado de um canteiro de obras. Uma viatura da tropa de choque, que passava pelo local, não conseguiu desviar dos pregos de quatro pontas espalhados no chão pelos camaradas e também foi danificada. A faixa da frente dizia: “VINGANÇA POR ALFREDO. EXPLODA A POLÍCIA”.

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Na minha casa
pernilongo pequeno
é o que ofereço…

Bashô

[Itália] Carta aberta do anarquista em greve de fome Alfredo Cospito

Minha luta contra o 41 bis é uma luta individual como anarquista, eu não faço e não aceito extorsão. Eu simplesmente não posso viver em um regime desumano como o do 41 bis, onde não posso ler livremente o que quero, livros, jornais, revistas anarquistas, revistas de arte e ciência, literatura e história.

A única chance que eu tenho de sair daqui é negar minha anarquia e vender que sou outra pessoa.

Um status onde não posso mais ter nenhum contato humano, onde não posso mais ver ou acariciar uma folha de papel ou abraçar um ente querido.

Um regime em que as fotografias de seus pais são confiscadas. Enterrado vivo em uma cova em um lugar de morte. Continuarei minha luta até o fim, não por “chantagem”, mas porque isto não é vida.

Se o objetivo do Estado italiano é me fazer “distanciar” das ações dos anarquistas de fora, saiba que não estou sujeito à chantagem, como anarquista acredito que todos são responsáveis por suas ações e como membro do movimento anti-organizacional nunca estive “ligado” a ninguém e, portanto, não posso me “distanciar” de ninguém. O companheirismo é algo mais.

Um anarquista consistente não se distancia de outros anarquistas por oportunismo ou conveniência.

Sempre assumi com orgulho minhas próprias ações (mesmo nos tribunais, e é por isso que estou aqui) e nunca critiquei as de outros companheiros, muito menos em uma situação como aquela em que estou.

O maior insulto a um anarquista é ser acusado de dar e receber ordens.

Quando eu estava em [prisão de] segurança máxima não fui censurado, e nunca enviei “pizzini” (pacotes de dinheiro ligados à máfia), mas artigos para jornais e revistas anarquistas. E acima de tudo eu era livre para receber livros e revistas e para escrever livros, para ler o que eu queria, em suma, era me permitido viver.

Hoje estou pronto para morrer para que o mundo possa realmente saber o que é o 41 bis, 750 pessoas sofrem sem falar, sendo constantemente retratadas como monstros pela mídia.

Agora é minha vez, primeiro vocês me apresentaram como um terrorista sanguinário, depois me canonizaram como o anarquista mártir que se sacrifica pelos outros, agora vocês me apresentam novamente como o líder dos horríveis espectros. Quando tudo terminar, não tenho dúvidas de que vocês me conduzirão ao altar do martírio.

Obrigado, não, não o farei, a seus jogos políticos sujos não cederei.

Na verdade, o verdadeiro problema do Estado italiano é que ele não quer aprender sobre todos os direitos humanos que são violados neste regime do 41 bis, em nome de uma “segurança” na qual tudo é sacrificado.

Eles deveriam ter pensado nisso antes de colocar aqui um anarquista. Não conheço os verdadeiros motivos ou as manobras políticas por trás disso, porque alguém me usou como uma “almôndega envenenada” neste regime. Já era difícil não prever quais seriam minhas reações a esta “não-vida”.

O Estado italiano é um digno representante da hipocrisia de um Ocidente que constantemente dá lições de “moralidade” para o resto do mundo.

41 bis deu lições de repressão que foram bem recebidas por Estados “democráticos” como a Turquia (os companheiros curdos sabem algo sobre isso) e a Polônia.

Estou convencido de que minha morte porá um fim a este regime e que as 750 pessoas que o suportaram durante décadas poderão viver uma vida que valha a pena, o que quer que tenham feito.

Eu amo a vida, sou um homem feliz, eu não trocaria minha vida pela vida de outra pessoa. E precisamente porque a amo, não posso aceitar esta não-vida sem esperança.

Obrigado, companheiros e companheiras por seu amor.

Sempre pela anarquia.

Nunca me curvarei!

Alfredo Cospito

agência de notícias anarquistas-ana

O ar a tremular —
A cada golpe da enxada
O cheiro da terra.

Rankô

[Itália] Alfredo Cospito suspendeu os suplementos e vai continuar a greve de fome

O advogado do anarquista Alfredo Cospito, Flavio Rossi Albertini, ofereceu esta quarta-feira (01/03) uma coletiva de imprensa no Senado na qual falou da situação de seu cliente, que voltou à prisão de Ópera após ser internado no hospital San Paolo de Milão e está no 134º dia de sua greve de fome. Seu protesto contra o regime do 41-bis, ao qual está submetido desde maio de 2022, começou em 20 de outubro. Segundo Rossi Albertini, Cospito suspendeu os suplementos “salva vidas” que tomava e está decidido a continuar com sua greve de fome.

Além disso, Rossi Albertini, junto aos outros advogados da defesa, se propõe recorrer ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos, já que acabaram os meios legais disponíveis na Itália para impugnar o 41-bis de Cospito.

Durante a coletiva de imprensa, Rossi Albertini disse que Cospito “perdeu 50 quilos” mas seu “espírito é absolutamente tenaz”. Segundo Cospito, ninguém deveria submeter-se ao 41-bis porque não respeita a lógica pela qual foi introduzido. Em particular, em seu caso houve uma “ampliação do perímetro do campo de aplicação” porque se define como um anarquista “antiorganizacional”, quer dizer, que rechaça a possibilidade de uma hipótese associativa. “Pensar em um anarquista dando ou recebendo ordens é um oximoro. Isto o faz viver esta condição carcerária como uma violência evidente”, disse Rossi Albertini.

Cospito está decidido a seguir adiante e também suspendeu aqueles suplementos – potássio e açúcar – que havia tomado nos dias prévios à decisão da Câmara de Cassação que denegou na sexta-feira passada o recurso contra a aplicação do 41-bis contra ele. O letrado também repetia que seu cliente não tem intenção suicida, mas que leva “esta batalha porque crê que o 41-bis não é uma vida. Assim que a sua é uma batalha pela vida”.

Os tempos da Corte Europeia são extremamente longos, pelo que os advogados de Cospito devem solicitar uma medida urgente. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos é um órgão judicial internacional independente cuja tarefa é julgar as violações do Convênio Europeu de Direitos Humanos. Todos aqueles que creem ter sofrido uma violação dos direitos fundamentais previstos pela Convenção, e as pessoas que passaram todos os níveis de julgamento em seu próprio país, mas ainda creem que foram injustiçados, podem apresentar uma demanda ante a Corte. Uma vez enviado, o recurso deve passar uma série de controles por parte da sala judicial, que comprova que cumpre os requisitos (critérios de admissibilidade). Em essência, antes que se avaliem os méritos da apelação.

Durante a coletiva de imprensa também se falou de um informe de inteligência apresentado ao parlamento, segundo o qual não haveria “ligações” entre anarquistas e organizações criminosas. Muitos diários haviam noticiado nas últimas semanas enfaticamente a notícia segundo a qual Cospito teria falado na prisão com membros do crime organizado, em particular com gente pertencente à Camorra e a Máfia. O informe de inteligência redimensiona parcialmente essa tese. Mario Parente, diretor da agência de segurança e informação interna, ao apresentar o informe anual sobre a política de segurança da informação ao parlamento, se referiu a estas supostas contiguidades entre os anarquistas e a máfia, dizendo: “Tal como estão as coisas, não temos provas. O monitoramento está em progresso. Pelo momento não há elementos neste sentido; que não pode ser uma resposta válida para o futuro imediato”.

A regulamentação do 41-bis prevê que ao preso se conceda uma hora de ar fresco (normalmente são duas) em um espaço restrito e delimitado em companhia de um máximo de três pessoas, sempre as mesmas, também sob o 41-bis. Na Itália, quase todos os presos submetidos ao 41-bis são membros do crime organizado, pelo que Cospito só pode falar com mafiosos ou camorristas durante a hora do ar livre. O advogado Rossi Albertini disse que “Houve uma tentativa de explorar e demonizar Cospito. Só os que não conhecem o anarquismo ou as pessoas de má fé podem afirmá-lo. Cospito não tinha intenção de vincular-se à máfia salvo no que respeita à condição de que vivam sob o 41-bis, ou a privação de direitos”.

Quando ainda estava na prisão de Sassari, Cospito havia escrito uma carta para ser entregue a seu advogado que logo foi retida durante o translado e nos dias seguintes. Finalmente, foi entregue ao advogado que divulgou uma passagem, reportado pela Rádio Radicale:

O maior insulto a um anarquista é ser acusado de dar ou receber ordens. Quando estive no regime de Alta Vigilância [um circuito penitenciário para presos considerados particularmente perigosos, mas com menos restrições que o 41-bis, ed.] ainda estava censurado e nunca enviava pizzini, mas artigos jornalísticos para revistas anarquistas. Sobretudo, era livre de receber livros e revistas e escrever livros e ler o que quisesse. Em resumo, me permitiu evoluir, viver. Hoje estou disposto a morrer para que o mundo saiba o que realmente é o 41-bis: 750 pessoas o passam sem uma palavra.

Rossi Albertini disse que “seria uma clara violação” se se divulgasse um escrito de um preso em virtude do artigo 41-bis: é um delito previsto no artigo do código penal, o artigo 391-bis, e se corre o risco de uma pena de entre três e sete anos. “Este é um documento que passou pela censura e, portanto cremos que podemos lê-lo precisamente porque o sujeito sob o 41-bis não pode brindar informação a seus associados externamente, mas não é um sujeito ao qual cortaram a língua ou cortado a mão”.

Fonte: https://www.ilpost.it/2023/03/02/alfredo-cospito-41-bis-sospeso-integratori/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sinos da tarde —
Na passagem da montanha
Tremula o bambu novo.

Jôsô

[EUA] Cindy Milstein: Anarquista, ativista e escritora judia queer

Por Sofia Tomasic | 12/09/2022

Cindy Milstein, uma anarquista, ativista e escritora judia queer, veio a Oberlin na sexta-feira passada para falar sobre seu mais recente trabalho, uma antologia intitulada “There is Nothing So Whole as a Broken Heart: Mending the World as Jewish Anarchists” (Não há nada tão completo quanto um coração partido: consertando o mundo como anarquistas judeus”, em tradução livre).

A entrevista foi editada para melhor dimensionamento e clareza.

Você poderia me dar uma visão geral de como você define o anarquismo judaico?

Começarei com como entendo o anarquismo, que é uma filosofia política de liberdade que não é tão antiga; talvez 150, 175 anos de idade. Ele analisa como nossas formas de relações sociais e organização social poderiam girar, ou deveriam girar, em torno de aspirar a ser uma estrutura social de pessoas livres em uma sociedade livre de seres livres, não apenas humanos. O anarquismo tem um duplo processo ou prática. Trata-se muito de questionar e desmantelar todas as formas de hierarquia, dominação, opressão e subjugação — coisas como o Estado, o colonialismo, o capitalismo, o fascismo, etc. Em seu lugar, e ao mesmo tempo, o anarquismo tenta visualizar e experimentar como estruturamos nossas vidas diárias, tanto quanto possível, em torno de formas igualitárias de auto-organização: autodeterminação, autodefesa comunitária, autogoverno. Os anarquistas preenchem isso com toda uma constelação de ética, como solidariedade, cuidado coletivo e ajuda mútua.

Estamos agora no ano hebraico de 5783, e o judaísmo abrange o mundo inteiro e todas as raças, gêneros e culturas. É uma religião, mas é muito mais. É uma filosofia, uma ética, um modo de ser, uma cultura, e é também uma forma de pensar. No cerne do que é ser judeu e do judaísmo está esse fundamento de questionar e interpretar continuamente e comunitariamente chegar a modos de vida. Então, juntando tudo isso, entendo o núcleo do judaísmo como sendo, em última análise, uma história de libertação e como nos esforçamos continuamente para isso no aqui e agora, onde quer que cheguemos. Eu entendo o judaísmo como um dever sagrado, que vai junto com o anarquismo.

Durante a maior parte dessa história — e eu me entendo como judia diaspórica — nós existimos fora de impérios ou estados ou nações. Quase nunca fizemos parte desses corpos, mas criamos continuamente essas comunidades realmente poderosas. Então, para mim, judaísmo é esta incrível experiência e bela prática vivida de ter comunidade e solidariedade e vida sem estados. O anarquismo por si só é uma filosofia política na prática — não é suficiente em si mesmo, não é a totalidade da vida. É uma política, em certo sentido. Então, o anarquismo diz lindamente que devemos sempre trazer o todo de quem somos para o anarquismo, que é como o judaísmo se encaixa com ele.

Há esse surgimento do anarquismo judeu e do anarquismo indígena e do anarquismo negro. São maneiras pelas quais entendemos como, quando reunimos as partes profundas de nós mesmos ao anarquismo, é muito complementar, e cria um tecido muito mais rico e, por sua vez, torna o anarquismo mais interessante.

Por que o anarquismo judaico está ressurgindo agora? O que o torna importante e relevante hoje?

Vou começar dizendo que sempre houve um número desproporcional de judeus dentro do anarquismo, e os anarquistas judeus têm sido completamente parte integrante do anarquismo como foi estabelecido. Muitos dos anarquistas judeus disseram: “Somos contra todas as formas de dominação superior, e isso inclui a religião”.

Eles entendiam que a religião era essa coisa que nos foi imposta, o que muitas vezes é justo porque existem estruturas religiosas institucionalizadas em larga escala, independentemente da denominação da religião — estruturas de hegemonia cristã ou capitalismo. Então, houve essa rejeição real disso. Acho que o anarquismo judaico está ressurgindo porque estamos enfrentando um período realmente difícil como seres humanos, com fascismo, ecocídio, etc. Há essa necessidade de um tipo profundo de espiritualidade ou senso de significado para o qual eu acho que muitas pessoas estão retornando. Muitos anarquistas judeus agora estão dizendo: “Eu posso encontrar isso no meu judaísmo e trazê-lo para o anarquismo sem que ele tenha que ser hierárquico”.

O anarquismo judaico tem muito a dizer a partir da experiência e sabedoria em torno de fenômenos emergentes agora, como o fascismo e o antissemitismo. Infelizmente, temos muita experiência e manuais sobre como você luta e tenta sobreviver ao fascismo, e como você se defende e se protege.

Como poderia o anarquismo judaico ser aplicado agora nos EUA?

Por um lado, oferece essa bela alegria, que acho que precisamos agora. Sempre houve canções, e há um monte de novos jovens anarquistas judeus que estão escrevendo belas canções e judeus radicais que estão cantando juntos em espaços públicos — canções de libertação e liberdade sobre não gostar de policiais e querer cuidar uns dos outros. Outra prática poderosa que tem ressurgido entre anarquistas judeus queer, trans e feministas são as práticas de artes de cura. Há uma longa, longa tradição no judaísmo de usar todos os tipos de ervas medicinais. Outra prática que tem sido realmente poderosa é quase todos os feriados e rituais judaicos.

Muitos anarquistas judeus têm trazido essas práticas de contar histórias como rituais em espaços que não são apenas judaicos. Temos criado muitos dos nossos próprios espaços, o que agora é, novamente, porque o tecido social está tão rasgado. A pandemia e outras coisas fecharam muitos espaços comunitários e, enquanto isso, os anarquistas judeus disseram: “Podemos encontrar comunidade em torno da religião, embora recebamos qualquer pessoa — a liberdade não é apenas para os judeus”. Em Atlanta agora, há uma linha de frente de defesa contra a derrubada programada de uma floresta para a construção de uma gigantesca instalação de treinamento policial. Muitos anarquistas judeus têm trazido todos os tipos de rituais para este belo espaço arborizado.

Como é a libertação no contexto do anarquismo judaico?

Uma das principais histórias dentro do judaísmo é que fomos escravizados e tratados muito mal, e as pessoas resistiram de várias maneiras e finalmente se libertaram. No início da história, a primeira coisa que as pessoas fazem é construir este espaço temporário — uma tenda. Era para ser esse espaço sagrado da comunidade, onde as pessoas se reúnem para falar sobre o que significa vagar em direção à liberdade. Eles poderiam levar este espaço com eles em todos os lugares. A história termina com nunca realmente obter a verdadeira liberdade ou libertação. O que eu entenderia sobre o anarquismo judaico, e qualquer forma de anarquismo, é que sempre teremos que estar lutando pela libertação e pela liberdade. Mas para mim, o objetivo está no aqui e agora, constantemente tentando agir como se já estivesse aqui.

Então, como nós realmente não dependemos da polícia, mas dependemos uns dos outros? Como cuidamos uns dos outros profundamente? Estamos aqui, podemos formar comunidades de solidariedade e cuidado e ajuda mútua e auto-organização, auto-defesa, todas as muitas coisas que mencionei — podemos fazer isso agora. Isso já começa a nos dizer como deve ser a liberdade. Você nem precisa de rótulos enquanto cuida um do outro, vivendo em comunidade. Há maneiras de descobrir como lidar com as coisas quando elas são difíceis sem ter que confiar em prisões e formas profundas de violência estrutural como o capitalismo ou o heteropatriarcado. O anarquismo judaico é uma prática contínua de “estamos fazendo isso aqui e agora”.

Não é suficiente, mas toda vez que sentimos a beleza de ter um espaço que dá vida, parece libertação.

Fonte: https://oberlinreview.org/28681/news/cindy-milstein-queer-jewish-anarchist-activist-and-writer/

Tradução > Abobrinha

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/14/eua-lancamento-there-is-nothing-so-whole-as-a-broken-heart-mending-the-world-as-jewish-anarchists-de-cindy-milstein/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/01/eua-licoes-da-historia-medicos-judeus-anarquistas-cuidavam-de-imigrantes-na-filadelfia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/06/24/eua-contra-a-colaboracao-uma-declaracao-aos-judeus-radicais-e-outros-cumplices-nas-ruas-durante-a-rebeliao-por-conta-de-george-floyd/

agência de notícias anarquistas-ana

primeira manhã gelada –
na luz do sol, o hálito
do gato que mia

David Cobb

Notas sobre a situação de Alfredo Cospito e algumas palavras do companheiro

Após a Suprema Corte italiana decidir no último dia 24 de fevereiro pela manutenção do anarquista Alfredo Cospito no regime de isolamento 41 bis, contra o qual ele mantém uma greve de fome desde o dia 20 de outubro e 2022, seu advogado, Flavio Rossi, apresentou uma carta escrita a próprio punho por Cospito no dia de ontem, 1° de março.

À imprensa, Rossi afirmou que nosso companheiro seguirá em greve de fome, “não com intenções suicidas, mas numa luta permanente pela vida”. Sua saúde se mantém estável, mas já perdeu 50 kg e suspendeu a ingestão de suplementos de potássio e de açúcar. Na carta, Cospito afirma: “hoje estou preparado para morrer, para fazer com que o mundo conheça o que é, na realidade, o 41bis. 750 pessoas o vivem sem falar”.

O texto também rebate as acusações feitas pelo Estado e pela imprensa de que ele teria ligações com a máfia. Em suas palavras, “o maior insulto para umx anarquista é o de ser acusadx de dar ou receber ordens. Quando estava no regime de alta vigilância, havia censura de todas as maneiras, todavia eu nunca mandei um ‘pizzini’, mas artigos para jornais e revistas anarquistas. Sobretudo pelo fato de eu estar livre para receber livros, revistas, livre para escrever livros e ler o que queria… tinha permissão para viver”.

Pizzini são papéis nos quais os chefes dos grupos mafiosos escreviam suas ordens para seus subordinados. Sob essa acusação absurda, o Estado italiano busca atacar Cospito e, assim, tenta romper os laços de solidariedade com nosso companheiro, já que a anarquia é não apenas não obedecer, mas também não mandar. Além disso, como anarquistas já explicitaram nas ruas daquele território: a máfia é amiga do Estado, enquanto nós anarquistas o combatemos.

Sua situação está cada vez mais delicada e como lembrou a companheira Anna Beniamino, também sequestrada atrás das grades, se algo acontecer com ele, todxs sabemos quem são os responsáveis. Com muita dor e fúria, seguiremos agitando pela sua liberdade. Nem um minuto de silêncio.

SOLIDARIEDADE INSURRECTA COM ALFREDO COSPITO, ANNA BENIAMINO E DEMAIS PRESXS DA GUERRA SOCIAL!

MORTE AO ESTADO, QUE VIVA A ANARQUIA!

edições insurrectas
2 de março de 2023

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2023/03/02/notas-sobre-a-situacao-de-alfredo-cospito-e-algumas-palavras-do-companheiro/

agência de notícias anarquistas-ana

O rio de verão —
Que alegria atravessá-lo
De sandálias à mão.

Buson

[Reino Unido] Lançamento: “Iluminismo Pirata, ou a Libertalia Real”, de David Graeber

Os piratas vivem há muito tempo no reino do romance e da fantasia, simbolizando risco, ilegalidade e visões radicais de liberdade. Mas na raiz dessa mitologia está uma rica história de sociedades piratas – experiências vibrantes e imaginativas de autogoverno e formações sociais alternativas nas fronteiras do império europeu.

Na pós-graduação, David Graeber conduziu uma pesquisa de campo etnográfica em Madagascar para sua tese de doutorado sobre a política da ilha e a história da escravidão e da magia. Nessa época, ele conheceu os Zana-Malata, um grupo étnico de descendentes mistos dos muitos piratas que se instalaram na ilha no início do século XVIII. “Pirate Enlightenment, or the Real Libertalia“, o último livro póstumo de Graeber, é o resultado dessa pesquisa inicial e a culminação das ideias que ele desenvolveu em seus clássicos e best-sellers Debt e The Dawn of Everything (escritos com o arqueólogo David Wengrow). Nesta exploração viva e incisiva, Graeber considera como as práticas protodemocráticas e até mesmo libertárias do Zana-Malata vieram a moldar o projeto do Iluminismo definido por muito tempo como distintamente europeu. Ele ilumina as origens não europeias do que consideramos ser o pensamento “ocidental” e se esforça para recuperar formas esquecidas de ordem social e política que apontam para novas e esperançosas possibilidades para o futuro.

Pirate Enlightenment, or the Real Libertalia

David Graeber

Editora: Farrar, Straus e Giroux

Formato: livro

Ligação: hb

Páginas: 208

ISBN-13: 9780374610197

$ 27,00

heartleafbooks.com

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

Quietude —
O canto das cigarras
Penetra nas rochas.

Bashô

[Grécia] 8 de março todas nas ruas

Há alguns anos, temos acompanhado as tentativas do Estado de assimilar as vozes alçadas contra o patriarcado, de desradicalizar e despolitizar a raiva dos oprimidos que ameaça suas estruturas de poder em todas as suas manifestações. Esta não é a primeira vez que o Estado e o capitalismo procuram absorver a resistência e assim tudo o que não se encaixa no molde da democracia e do feminismo institucional é atacado com violência e repressão.

Assim, hoje, ao lado da continuação das políticas de assimilação pela administração do Estado, vemos pilhas de decisões judiciais contra mulheres abusadas, com absolvições ou libertações de policiais, estupradores e cafetões (ver os casos de Kolonou e Heliópolis, o estupro na delegacia de polícia de Omonia, etc.), a intensificação da repressão às marchas feministas, a tentativa de desafiar o direito ao aborto pelos círculos conservadores e eclesiásticos, o novo projeto de lei sobre a co-participação obrigatória, estão todos acontecendo de forma coordenada e revelam a agenda de tolerância zero do governo, agora além das meras aparências. O preconceito de classe e patriarcal que o Judiciário sempre teve é agora mais evidente do que nunca.

Portanto, o 8 de março não é uma celebração. É outra ocasião para conectar com o fio condutor das lutas feministas do passado, fundamentando no presente a guerra contra o patriarcado e contra todo poder. Este ano estamos mais uma vez tomando as ruas para amarrar o direito à rebelião, com nossos olhos sempre fixos na transformação revolucionária das relações sociais.

Solidariedade com a revolta trans-feminista no Irã

CONTRA A NAÇÃO, O ESTADO, O CAPITAL, O PATRIARCADO E TODA AUTORIDADE

TEMPOS PARA VOLTAR À REBELIÃO

8 de março todas nas ruas

Quarta-feira 08 de março às 18h00 – Syntagma – Atenas

Assembleia aberta para organizar um bloco feminista anarco-queer no 8 de março

agência de notícias anarquistas-ana

O canto do rouxinol
E seu biquinho —
Aberto.

Buson

[Grécia] Vídeo: O carnaval de Exarchia não é apenas uma festa de rua auto-organizada. É um ato de protesto e resistência

Nos últimos sete meses, Exarchia está sob cerco de forças policiais invasoras. O cenário que às vezes lembra um filme de guerra é uma realidade para quem mora nesse subversivo e histórico bairro do centro de Atenas, frequentado por esquerdistas e anarquistas há muitas décadas. E é exatamente esse caráter sociopolítico do bairro que o governo quer destruir com a implantação de forças policiais de ocupação do tipo “Faixa de Gaza” em todas as esquinas da região.

E a desculpa para trazer essas forças de ocupação com suas armas e balas e suas granadas de gás asfixiante foi dada sob o pretexto de “melhorar” a área, construindo uma estação de metrô bem em cima da única praça aberta do bairro, ao invés do Museu Arqueológico Nacional, a algumas centenas de metros de distância. Ao mesmo tempo, outro canteiro de obras fechado e vigiado por dezenas de policiais foi instalado em Strefi Hill, um espaço público oferecido a interesses privados para ser usado em seu próprio lucro.

Eles querem transformar Exarchia em um enorme Airbnb e um “parque de diversões” para turistas. Mas não contaram com a resistência do povo aos seus planos.

Após sete meses de resistência, ações e protestos, na tentativa de reocupar o espaço público e tirá-lo dos policiais e cercas de construção, os moradores de Exarchia auto-organizaram um carnaval-protesto. Em suas próprias palavras, eles disseram em seu apelo para que as pessoas se juntassem às festividades:

“Desde a antiguidade e a Idade Média até hoje, o carnaval é a profunda festa popular em que o mundo adquire um sentido de unidade e coletividade, destrona suas dinastias e assume as rédeas de sua vida. É a “festa dos loucos”! Os “de baixo” sobem, os hábitos e práticas dos “poderosos” são rebaixadas, a folia vem para libertar corpo, alma e espírito da opressão diária.

Talvez não haja celebração mais adequada para nós e nossas lutas. Por um bairro como o nosso, que com sua prática cotidiana tenta resistir aos que o oprimem. Quer estejamos falando de uma autoridade que carrega armas e escudos ou vem com escavadeiras e furadeiras ou carrega pastas cheias de dinheiro, o carnaval está aqui para revelar tudo! O carnaval não é só uma fantasia, não é só entretenimento, não é um produto para ser consumido, mas uma proposta imaginativa e ousada: retomar nossas vidas em nossas mãos, expor a hipocrisia de nossos “mestres”.

Por isso, convidamos você a nos encontrar novamente nas ruas. Com música, fantasias, canções e gritos de palavras de ordem. Não somos espectadores, somos as pessoas que agem. Não assistimos ao carnaval, nós o criamos e o vivemos.

Nossa rua, nossa festa no nosso bairro!

Até nos encontrarmos novamente!”

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

A solidão
De uma estação de trem —
Flores de lótus.

Shiki

Lançamento: Zine – Civilização e individualidade em Emma Goldman

Emma Goldman entrou para a história do anarquismo por sua contribuição com o anarco-feminismo e por combinar o anarquismo social com o individualismo anarquista, além de ser um exemplo de ativismo incansável. O objetivo deste zine é relacionar o pensamento de Goldman, no texto “O Indivíduo, a Sociedade e o Estado”, ao pensamento anticivilização.

O zine está disponível impresso no formato A6 (tipo cordel) e pode ser adquirido no site da Impressora Anarquista¹. O PDF e o texto na íntegra também podem ser acessados gratuitamente no site Contraciv².

Essa publicação nasceu de uma nova tradução desse texto clássico do anarquismo, que também está disponível na Biblioteca Anarquista³. Ao reler o texto, eu tentei encontrar os pontos em comum com a crítica à civilização. Espero contribuir com a discussão e agradeço qualquer apoio, divulgação e comentário que puderem fazer.

Contraciv

[1] https://impressora-anarquista.lojaintegrada.com.br/civilizacao-e-individualidade-em-emma-goldman

[2] https://contraciv.noblogs.org/emma-goldman-civilizacao-e-individualidade/

[3] https://bibliotecaanarquista.org/library/emma-goldman-o-individuo-a-sociedade-e-o-estado

agência de notícias anarquistas-ana

O canto do rouxinol
E seu biquinho —
Aberto.

Buson

Vídeo | Ação de Solidariedade a Alfredo Cospito

No dia 1º de março de 2023, anarquistas fizeram uma ação direta de solidariedade a Alfredo Cospito em frente ao consulado italiano em Porto Alegre. Em Belo Horizonte, ato similar aconteceu no dia 17 de fevereiro. Cospito está há mais de 130 dias em greve de fome contra o cruel regime prisional 41bis que impõe o total isolamento da pessoa presa, impedindo qualquer tipo de contato físico, a restrição de livros e revistas, a censura de cartas, entre outros.

Cospito teve seu último recurso negado e já declarou que vai até as últimas consequências de sua greve de fome.

> Veja o vídeo (00:52) aqui:

https://antimidia.org/acao-em-solidariedade-a-alfredo-cospito/

agência de notícias anarquistas-ana

Quando é que você veio
Para junto de meus pés,
Oh, caramujo?

Issa

“De Abya Yala ao Curdistão, os povos organizam a revolução!”

Comitê de Solidariedade Entre os Povos/Internacionalistas de Abya Yala

O título destas pequenas palavras que seguem foi uma das consignas cantadas coletivamente por internacionalistas na Grande Marcha pela Liberdade de Abdullah Öcalan, realizada entre os dias 5 e 10 de fevereiro de 2023. Öcalan, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), está encarcerado em isolamento na prisão turca de Imrali desde 1999, com anuência das potências imperialistas, em razão de uma conspiração internacional para sua captura. Não imaginavam, porém, que sua prisão não deteria o movimento pela liberdade dos povos no Curdistão, que por sua vez seria fonte de mobilizações coletivas, internacionalistas e revolucionárias ao redor do mundo – pela liberdade de Öcalan e libertação dos povos, com o paradigma da modernidade democrática [1].

Provenientes de distintos territórios ocupados por Estados coloniais – Bolívia, Equador, Uruguai, Brasil, Colômbia, Argentina e México -, as delegações de Abya Yala na marcha abriram suas mãos reciprocamente, como o jopói dos povos Guarani, o Teko Joja (modo de ser baseado na reciprocidade) dos Kaiowá, o Ayni para os Aymara. Mãos abertas para levantar a bandeira do PKK, da Confederação dos Povos do Curdistão (KCK) e pela liberdade de Rêber Apo [2]. Ao mesmo tempo, por meio de vínculos dialógicos e dialéticos, mãos abertas para semear brotos de wiphala, dos Ayllus e dos Tekoha, dos Lof em Wallmapu ao Cauca, dos territórios autônomos Awajún na floresta amazônica, onde, desde lo chiquito, os povos libertam territórios e vidas da exploração capitalista e do extrativismo em Abya Yala.

A grande marcha de seis dias também foi uma mobilização contra o extrativismo. De certa forma, a Revolução no Curdistão é um farol, um caminho brilhante para derrubar definitivamente a modernidade capitalista – como nos ensinou Şehîd Lêgerin [3] – e lutar pela liberdade de Rêber Apo é o que mantém acesa a chama. Este encontro de rebeldias e resistências pela vida tornou possível reafirmar as convergências e sentidos comuns de nossa caminhada. Literalmente, como na marcha, onde recordamos ao Şehîd Victor Jara: “Caminando, caminando / Voy buscando libertad / Ojalá encuentre caminos / Para seguir caminando”. Um dos pontos chave, por conseguinte, foi o entendimento dos laços agregados ao tear multicolorido que atravessa aos internacionalistas do sul, das periferias, geografias e calendários que resistem e rasgam fissuras em contextos de guerra – seja a terceira ou a quarta guerra mundial -, tornando possível que algumas cabeças da hidra capitalista sejam cortadas. Falamos das resistências Aymara e Quechua nos Andes, das recuperações territoriais Guarani e Kaiowá e seus mártires, da libertação nacional Mapuche, das lutas camponesas, das lutas e territórios autônomos Zapatistas em Chiapas e nossos presos políticos, como um espelho das rebeldias no Curdistão.

Ademais, a união das lutas anticoloniais – ombro a ombro com companheiros da África, em especial, internacionalistas do Quênia, onde Öcalan foi capturado em 1999 – demonstra que a solidariedade entre os povos é não só possível, como também necessária para coordenar as insurgências e combater o esquecimento. E falar de esquecimento é falar de memória. Essa última parte é indissociável da revolução curda, materializada na imagem das e dos Şehîd que habitam as paredes, corações e terras onde hoje se constroem e se reconstroem espaço-tempos. Desde a conferência em Genebra, onde começou a marcha, até a cidade de Freiburg, onde foi concluída, depois de andarmos 300 quilômetros, os nomes dos mártires foram entoados em conjunto dos símbolos que defenderam com suas vidas, comemorados por imigrantes e companheiros diaspóricos em diferentes ruas, montanhas, colinas, comércios e cidades, onde se escutava Cerxa Şoreşê [4] como um hino de todos os povos.

Particularmente, esta edição da grande marcha se posicionou não só em defesa da revolução e da liberdade de Öcalan: foi preciso se posicionar em memória dos mártires caídos no terremoto que sacudiu o norte e o oeste do Curdistão no dia 6 de fevereiro, mesmo dia que iniciamos a marcha. Em cada minuto de silêncio que inaugurava as atividades e conferências diárias, também recordamos com homenagens as mais de 41 mil vítimas que se contabilizam até o momento, número de pessoas mortas que segue aumentando a cada dia.

Desde a primeira komel [5] até a última, as famílias curdas na diáspora que se encontravam de luto, acompanhavam os acontecimentos por distintos meios de comunicação e sentiam a catástrofe em cada uma de suas histórias, muitas das quais relatavam familiares e amigos mortos ou desaparecidos. No último dia, mais de mil pessoas circularam na komel de Freiburg para homenagear as vítimas e viver coletivamente o processo de luto. Por essa razão, a grande manifestação programa para Strasburgo, na França, não ocorreu. O último dia de marcha consistiu em uma grande manifestação em Freiburg onde a juventude revolucionária curda se uniu à marcha internacionalista com grande entusiasmo, primeiramente partilhando a sopa na manhã fria, em seguida os passos certeiros em um único punho levantado frente ao cerco repressivo da polícia alemã.

Nossas danças também devolveram espaço para a dor e a dor também se converteu em revolta. Em meio a catástrofe, o Estado fascista turco tenta avançar em seu projeto colonial de extermínio, em aliança com as forças interimperialistas; nem sequer o terremoto pode deter esse objetivo nefasto – além dos escombros dos terremotos, o povo curdo enfrenta ainda os bombardeios de drones turcos recentemente sobre distintas áreas de Rojava, assim como ataques químicos com bombas de fósforo nas montanhas de Qandil contra posições guerrilheiras do PKK. A despeito deste contexto, ainda assim, só o povo salva o povo – pedra por pedra retirada dos escombros pela população local, barricada por barricada erguida para defender os territórios liberados. Nos municípios autônomos revolucionários curdos, foram os grupos de solidariedade de diferentes povos e comunas de mulheres – com a força da Jineolojî [6] que recuperou aos povos ao longo da guerra e das lutas pela libertação de Rojava – que se mobilizaram para arrecadar alimentos, água, apoiar as famílias e reconstruir as cidades. Enquanto isso, meio ao processo eleitoral na Turquia, Erdogan e sua ditadura está bloqueando o acesso de ajuda humanitária na região, agudizando as ameaças de invasão contra Rojava e seguindo seu papel como parte da OTAN e dos conflitos provocados pelos de cima para o controle das forças vitais e áreas de influência geopolítica, com o objetivo da apropriação de terras para a acumulação capitalista.

Apesar destas condições, dia após dia as famílias curdas nos receberam em suas casas com grande hospitalidade e afeto, compartilhando o chá preto, o pão, o iogurte e o mel Assim expressou um companheiro do México em suas sensíveis contribuições sobre a grande marcha [7]: “sustentar estas práticas culturais fora de seu território é uma característica que as identifica como parte de uma história coletiva”. Nessa mesma história, realçamos que também a compomos como internacionalistas: aprendemos com seu acolhimento, com sua inesgotável esperança e confiança inquebrantáveis na revolução, cujas transformações reais desde as bases de aplicação do paradigma do confederalismo democrático se fazem sentir ao redor de diferentes oceanos. Destacamos, em uma das famílias que abriu gentilmente suas portas para nos receber, o gesto de um companheiro curdo que havia sido preso por 10 anos pelo Estado turco “apenas por ser curdo” e, durante sua prisão, leu a obra de Paulo Freire, “A Pedagogia do Oprimido”, cuja foto do livro traduzido ao Turco foi partilhada entre sorrisos. Nem a prisão do companheiro e, em seguida, nem a proibição da exposição das bandeiras do movimento ou a proibição de falar o nome do PKK nas ruas de Freiburg foram suficientes para impedir que as lutas se fizessem irmãs até Abya Yala, tornando possível nos reconhecermos como parte da mesma luta, uma história compartilhada pela ação de desmascarar os deuses e os reis, pelo fato de não sucumbirmos a impérios rapinadores e insistirmos em seguir vivendo.

Nosso milho nas terras baixas de Abya Yala e as batatas coloridas nos Andes são o primeiro broto de trigo em Rojava depois de sua libertação. As oliveiras em seus campos, terra de montanhas, é o arborescer de um cedro sagrado em terras Guarani. Depois dos tremores da Mãe Terra neste terremoto, o próximo tremor será o som do mundo colonial desabando, sob a consigna do “Jin, Jîyan, Azadî” [8] e as raízes inamovíveis do apoio mútuo. Depois da grande marcha internacionalista, regressamos a nossos territórios com a força de um povo que, apesar do luto, não claudica e não se rende, e nos convida a abraçar outros mundos possíveis com a bandeira vermelha, amarela e verde com sua estrela guia. Berxwedan Jiyane: a resistência é vida.

Notas:

[1] Para ler sobre o Confederalismo Democrático, acesse: https://ocalanbooks.com/downloads/PT-BR-confederalismo_democratico_2016.pdf.

[2] Outra denominação para Abdullah Öcalan.

[3] Şehîd significa “mártir”, em Kurmanjî, um dos dialetos da língua curda. Şehîd Lêgerin foi uma mártir proveniente da Argentina, Alina Sánchez, mulher revolucionária que morreu em um acidente de carro em meio aos trabalhos internacionalistas que realizava em Rojava. Seu nome, Legêrin, significa “busca por liberdade”. Mais informações: https://www.revistalegerin.com.

[4] Música popular curda, cujo título pode ser traduzido como “a roda da revolução”.

[5] Centros políticos, culturais e comunitários curdos espalhados pela Europa.

[6] Ciência revolucionária história das mulheres, conjunto político, prático e teórico como base ideológica para emancipação das mulheres do patriarcado e do capitalismo.

[7] Colin, A. (2022). El movimento kurdo y la larga marcha por lalibertad de Abdullah Öcalan. Kurdistán América Latina. Disponível em: https://www.kurdistanamericalatina.org/el-movimiento-kurdo-y-la-larga-marcha-por-la-libertad-de-abdullah-ocalan/

[8] “Mulher, Vida, Liberdade”, uma das bandeiras do movimento revolucionário curdo através da revolução das mulheres.

agência de notícias anarquistas-ana

A ponte é um pássaro
de certeiro vôo: sua sombra
perdura na lembrança.

Thiago de Mello

[Espanha] Um ano de guerra na Ucrânia: a indústria de armas segue lucrando

As empresas de armas desfrutaram de um de seus melhores anos no mercado de ações e estão prevendo fortes aumentos nas vendas em 2023.

Quem disse que “todos perdem na guerra” não tinha dado uma olhada no mercado de ações. Alguns usam o eufemismo “empresas cíclicas” para se referir aos setores que ganham mais dinheiro quando há uma guerra em algum lugar do mundo. Como se fosse dado como certo que as guerras são cíclicas ao longo do tempo, justificando assim que há acionistas que enchem seus bolsos quanto mais tempo a matança continua e que é normal que os preços das ações subam quanto mais pessoas morrem.

Os apelos para que os países da OTAN aumentem suas despesas de defesa para 2% de seus respectivos PIBs se multiplicaram nos últimos anos. Os Estados Unidos, lar das principais empresas de armas do mundo, insistiram na necessidade de construir e comprar mais armas, mesmo que não houvesse grandes conflitos para gastá-las. Muitos países e correntes políticas resistiram ao aumento dos gastos militares para tais níveis do PIB. Mas então um dia veio aquela guerra que nunca pareceu irromper, a Rússia invadiu a Ucrânia e tudo mudou. Governos de todas as cores começaram a aprovar aumentos em seus orçamentos de defesa e os preços das ações das principais empresas de armamento do mundo dispararam.

Algumas dessas empresas só viram fortes movimentos ascendentes na primeira semana da guerra, outras não pararam de subir desde então. Outras dispararam quando um de seus principais produtos começou a fazer manchetes e os políticos falaram, como no caso do fabricante do tanque Leopard. Outros gráficos de preços de estoque de algumas das empresas mostram algumas das fases da guerra. Se houvesse um ar de paz ou uma aproximação ou negociação que pudesse acabar com a guerra, o preço das ações cairia. Se Putin novamente bombardeasse uma área violentamente, Zelensky pediu mais armas e um governo disse que enviaria mais, então a curva do gráfico dispara para cima.

Empresas americanas

Os EUA estão sendo um dos maiores vencedores do ponto de vista econômico. Além dos lucros que está obtendo com a venda de gás liquefeito de alto preço para países da UE, outra de suas principais indústrias de exportação está obtendo lucros. A maior empresa de armas do mundo, a americana Lockheed Martin, viu suas ações crescer 23,3% durante o ano passado. Na primeira semana, ela experimentou um aumento de quase 20% e depois tem feito pequenos altos e baixos ao longo do ano, mantendo um tom de alta. Isto significa que o valor da empresa subiu em cerca de 24 bilhões de dólares em um ano.

Northrop Grumman, outro conglomerado de navios de guerra dos EUA e a quarta maior empreiteira de defesa militar dos EUA, também cresceu 23,3%, apesar de uma queda no último mês e meio. Em outras palavras, o seu valor aumentou em quase 23 bilhões de euros. Apenas duas empresas americanas aumentaram o valor de suas ações em 47 bilhões de euros desde o início da guerra na Ucrânia.

Empresas europeias e britânicas

A britânica BAE Systems é a segunda maior empreiteira militar do mundo e a sexta maior fabricante de armas do mundo. Constrói e vende Eurofighters, tanques de batalha, veículos blindados e destruidores antiaéreos, entre outros produtos de guerra. Entre outras coisas, a empresa britânica é também a fabricante dos tanques Challenger 2 que o Reino Unido prometeu enviar para a Ucrânia. A empresa viu seu valor de mercado aumentar em 49,4% desde que a invasão da Ucrânia começou. Em outras palavras, a empresa vale mais 9,2 bilhões do que antes de as bombas começarem a matar civis e soldados ucranianos.

A francesa Thales, especializada no desenvolvimento de sistemas informáticos e outros serviços relacionados à defesa, viu suas ações subirem 55,6% desde 24 de fevereiro. Isto aumentou o valor da empresa em quase 10 bilhões de euros. A empresa francesa é responsável por um sistema de mísseis que pode ser carregado nos ombros dos soldados e que o exército ucraniano está utilizando para se defender contra os tanques russos. Outra empresa francesa, a Safran, aumentou em 19,8% no mesmo ano. Outros 9 bilhões a mais em valor para seus acionistas.

Os tanques Leopards

Mas um dos principais vencedores tem sido, sem dúvida, o fabricante de um desses produtos de guerra que tem feito tantas manchetes ultimamente. Apenas um dia antes do aniversário da invasão russa, o governo espanhol anunciou o embarque de dez tanques Leopard. Quatro a mais do que havia prometido inicialmente a Zelensky.

A empresa alemã Rheinmetall, fabricante desses tanques procurados, aumentou sua valorização em 151,5% em um ano. Mas quase mais espetaculares são seus resultados de 2022. A empresa triplicou seus lucros de 2021 para US$ 10,7 bilhões. E não parece que as coisas vão se acalmar, dadas as vendas e as previsões para o período atual. A empresa viu seus pedidos em 2022 dobrarem e espera um aumento de até 40% em 2023.

Estas expectativas de vendas estão de acordo com as previsões de muitas empresas do setor. Os pedidos não visam apenas ser enviados diretamente à Ucrânia, Jordi Calvo, um pesquisador especializado em paz, conflito, segurança e desarmamento no Centro Delás, explica a El Salto, “mas também para reabastecer os arsenais de seus próprios países porque estão ficando vazios”. Como exemplo, ele aponta o caso das munições e a dificuldade destas empresas em manter o abastecimento “porque na Ucrânia elas gastam em dias o que produzem em vários meses”.

Segundo Calvo, desde que a guerra começou na Ucrânia, podemos observar que o negócio de armas está tendo expectativas que estão levando as empresas a considerar grandes investimentos para aumentar sua capacidade de produção. “Eles não estão fazendo isso porque os gastos vão aumentar, o que também é o caso, mas porque estão certos de que serão capazes de recuperar o investimento que estão fazendo agora”, diz ele.

A Espanha aumenta suas exportações

Na sexta-feira 27 de janeiro, o Secretário de Estado do Comércio publicou o relatório sobre as estatísticas de defesa e exportação de material de dupla utilização para a primeira metade de 2022. O Centro Delás analisou os dados sobre exportações e importações para destacar as exportações de armas para a Ucrânia. No total, nesse semestre, o governo autorizou exportações de armas para a Ucrânia no valor de 209,7 milhões de euros e exportou 18,3 milhões de euros.

Estas exportações aumentarão, de acordo com os dados do Centro Delás, não só porque a quantidade de equipamentos autorizados é maior do que a exportada, mas também por causa da duração da própria guerra. “À medida que a guerra se arrasta, as exportações de equipamentos militares aumentarão, e tudo parece indicar que elas serão estendidas a outras categorias de equipamentos pesados e ofensivos, como os tanques Leopard recentemente anunciados”, afirma a organização.

“O complexo industrial militar será o único a ganhar com esta guerra”, lamenta Calvo, “o que suspeitávamos ou temíamos que estivesse acontecendo”. Para o pesquisador especializado em paz e desarmamento, esta guerra e estes benefícios representam um passo para trás. “Isto pode tornar mais difícil para nós mudar o tabuleiro de xadrez, o discurso de que as guerras devem ser vencidas através das armas em vez da paz, porque neste outro tabuleiro não há negócios ou perspectivas de negócios no futuro”, conclui Calvo.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/guerra-en-ucrania/un-ano-invasion-rusia-industria-armamentistica-va-ganando

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

florescente espinheiro
tão parecido aos caminhos
onde eu nasci!

Buson