[Espanha] Anita Garbín, a miliciana anarquista que agora dá seu nome (e memória) à icônica foto da Guerra Civil.

A imagem foi escondida por seu autor com 5.000 outras fotografias da Guerra Civil. Quando seus descendentes descobriram a “caixa vermelha”, eles revelaram os negativos e exibiram as imagens. Por acaso, dois turistas franceses reconheceram sua tia-avó Anita na foto.

A história começa apontando para um nome, o de Anita. A fotografia de uma jovem mulher miliciana anarquista em uma barricada em Barcelona no início da Guerra Civil foi exibida em exposições e museus. No entanto, a identidade da protagonista da imagem icônica era desconhecida até agora.

Nela, uma jovem exibe o sorriso de alguém que acreditava, naqueles primeiros dias da Guerra Civil, que a derrota dos rebeldes era possível. Com o rosto iluminado, ela desfralda a bandeira da CNT em uma barricada em Barcelona, e o fotógrafo Antoni Campañà está lá para capturá-la.

O fato de terem perdido a guerra que conheceriam três anos depois e de que, após essa guerra, viriam 40 anos de ditadura era algo que Anita não poderia imaginar naquela manhã de julho nas ruas de Barcelona.

Seu rosto feliz foi congelado no tempo por uma fotografia que acabaria escondida, junto com outras, em uma caixa vermelha. Seu autor, Campañá, escondeu-as por medo de represálias.

Quando seus herdeiros as revelaram em 2018, descobriram um imenso legado que acabou sendo exposto em Barcelona. Foi lá que o sorriso de nossa miliciana desconhecida chamou a atenção dos turistas franceses.

Eles reconheceram sua tia-avó Anita e juntaram as peças de sua história. Nascida em Almería, logo se mudou para Barcelona, ​​​​onde atuou no anarquismo, em 1939 fugiu para a França, onde seus netos se lembram dela cozinhando paellas e cantando para Lola Flores. Ela morreu feliz em 1977. Seu nome era Ana Garbín Alonso, e durante o tempo que durou a foto que a destaca hoje, ela sonhou que a vitória era possível.

Fonte: https://www.lasexta.com/noticias/sociedad/anita-milicina-intrahistoria-imagen-guerra-civil-que-turistas-franceses-reconocieron-tia-abuela

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sussurro um ruído
(farfalhar de qualquer folha
ao pé de um ouvido)

Bith

Raiva e medo da polícia ecoam em protesto por jovem baleado e morto na França

Com os braços erguidos em uma caminhonete, Mounia pede justiça por seu filho Nahel, baleado pela polícia em um subúrbio de Paris, enquanto as pessoas ao seu redor demonstram sua raiva contra as forças de segurança francesas, vistas como agressivas e racistas.

“Justiça para Nahel”, diz o lema na camiseta branca que Mounia veste, em referência ao filho morto na terça-feira (27/06) com um tiro disparado pela polícia quando se recusou a obedecer aos agentes durante uma blitz.

Aproximadamente 6.200 pessoas responderam ao chamado desta mãe que criou seu filho sozinha para participar dessa marcha celebrada em Nanterre e que degenerou em confrontos e em incêndios de carros e mobiliário urbano.

“São sempre os mesmos os atacados, os negros e os árabes, os bairros pobres. Matam um rapaz de 17 anos assim, sem motivo. Essa morte nos dá ódio”, explica Ayoub, de 16 anos, vestido de preto.

Nem ele, nem seu amigo Rayane, de 17 anos, estão surpresos pelos carros incendiados e o disparo de morteiros nas últimas duas noites em seus bairros. “As pessoas estão fartas, as gerações passam e sempre a mesma coisa, o que mudou desde 2005?”, disse Ayoub.

O adolescente se refere aos distúrbios que eclodiram naquele ano nos subúrbios das grandes cidades francesas, depois que dois adolescentes perderam a vida eletrocutados quando fugiam da polícia em Clichy-sous-Bois, a nordeste da capital.

Apenas no ano passado, 13 pessoas morreram em blitzes e muitos eram negros ou de origem árabe. Em meados de junho, um guineense de 19 anos perdeu a vida em Angoulême (centro) em circunstâncias semelhantes.

– “Era apenas um menino” –

Os ativistas estão há anos reclamando da linha dura da polícia nos subúrbios multiétnicos da França, mas os sindicatos de policias respondem que enfrentam uma tarefa impossível nesses locais com altos índices de criminalidade e onde não são bem recebidos.

A mistura de ódio e medo está presente na marcha que percorre a avenida Pablo Picasso até a praça Nelson Mandela. “Polícia assassina”, “Todo mundo odeia a polícia” e ” A República mata os nossos filhos”, gritam os manifestantes.

Nahel “era apenas um menino. Nós o conhecíamos um pouco. Todo mundo se conhece por aqui”, afirma Fanta Traore, funcionária de uma escola de 36 anos, que diz não acreditar na polícia e entender a indignação, mesmo depois que seu carro foi incendiado nos distúrbios de quarta-feira (28/06).

“Pessoalmente, a polícia me dá medo”, acrescenta Corinne, uma negra de 45 anos, moradora do local, que diz não aguentar mais. “A forma como falam com você é grosseira e a gente sempre sabe que as coisas podem sair do controle rapidamente”.

As autoridades pediram calma e para se “evitar uma escalada”, já que as duas noites de distúrbios já deixaram escolas, prefeituras e delegacias, assim como carros e mobiliário urbano incendiados por toda a França.

Corinne reconhece que “queimar coisas não é a solução”. “Estão destruindo a propriedade de outras pessoas em nossa comunidade. Mas talvez seja a única forma de sermos ouvidos e parece que está dando certo”, acrescenta.

Fonte: agências de notícias

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agência de notícias anarquistas-ana

na folha orvalhada,
gota engole gota,
engorda, desliza e cai.

Alaor Chaves

[França] Por Nahel e os outros

Aqui está, mais um, mais um, um dos nossos que morre sob as balas da polícia. Ele tinha 17 anos de idade. O policial aponta a arma para sua cabeça e diz que vai atirar. Ele foge e o policial atira. Um homem morto. É preciso matar um irmão para se apaixonar por um momento de solidariedade?

Uma morte e a mesma procissão. O de especialistas em segurança mundial, políticos, sindicatos de policiais, prefeitos, enfim, um desfile de todas as pessoas que explicarão detalhadamente que a polícia é exemplar, que a justiça fará seu trabalho, que a lei é a lei. Eles seguirão a falar suas besteiras na mídia e em coletivas de imprensa. Por meio dessa enxurrada de palavras, eles tentam esconder a verdade que, no entanto, é simples: a polícia mata.

O tiro de um policial é apenas a consequência das leis que legitimam o fuzilamento em uma situação de negativa a obedecer, de todos esses especialistas que promovem armas cada vez mais violentas e sofisticadas para que o Ministério do Interior as compre cada vez mais, desses políticos que sempre estigmatizam as mesmas franjas da população, os perigosos, os radicalizados, os não republicanos, o inimigo interno.

Eles constroem um discurso racista e, com suas palavras, justificam e preparam o terreno. De Sarkozy a Darmanin, a mesma retórica que busca justificar a morte de uma pessoa porque um policial está cansado ou porque, no final, a pessoa que se recusa a obedecer sabe o que a espera.

Portanto, é impossível manter a calma. Ninguém combaterá a violência policial melhor do que aqueles que a vivem todos os dias, aqueles que a sofrem, aqueles que a conhecem, a violência que assola nossos bairros.

Já em 2005, nossos irmãos se levantaram em oposição com dignidade àqueles que fizeram com que eles e suas famílias sofressem por tantos anos. Portanto, em resposta ao grupo La Rumeur que perguntou há alguns anos “até quando, até quando o gueto permanecerá tão paciente?“, respondemos que nesta noite de 27 de junho, alguns se recusam a se submeter, a agir e a não permanecer em silêncio.

Sem justiça, não há paz. Hoje e nos próximos dias, o desafio é estar ao lado das pessoas que se rebelam, criar vínculos, fornecer assistência jurídica e antirrepressiva, se necessário (e sem pretender ser professores), escrever textos, distribuí-los, fazer cartazes e faixas. Se a conexão for feita, como foi o caso até certo ponto no passado (caso Theo, Adama etc.), poderemos realmente reivindicar a interseccionalidade, pelo menos para que nossas diatribes antirracistas não sejam apenas palavras vazias de ação.

Fonte: https://paris-luttes.info/pour-nael-et-les-autres-17228?lang=fr

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Trégua de vidro:
o canto da cigarra
perfura rochas.

Matsuo Bashô

[Grécia] Passeata no bairro de Exarchia, Atenas

No sábado, 14 de junho, ocorreu no bairro de Exarchia, em Atenas, a planejada passeata contra os despejos, o turismo e a gentrificação. Cerca de 150 pessoas apoiaram o chamado da Coordenadoria de Ações para a defesa de Exarchia.

Do mercado público da rua Kallidromiou à concentração na colina Strefi, foram compartilhados textos, gritados slogans tanto sobre a situação que vivemos no bairro quanto sobre o assassinato de centenas de imigrantes em Pylos. Também foram realizadas intervenções em “poços” -conhecidos como Air-bnbs no bairro.

A luta por moradia na área de Exarchia, como em todos os bairros de Atenas, continua. Imigrantes em todos os bairros!

Coordenadoria de Ações para a defesa de Exarchia

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Gatos no quintal
Disputam gata no cio
– Rato vai… e vem.

Mary Leiko Fukai Terada

[Espanha] “Dicionário de ateus” de Sylvain Maréchal

Sylvain Maréchal:

Diccionario de ateos

(Laetoli, Pamplona 2013). 365 páginas.

Sylvain Maréchal (1750-1803) foi um jornalista, ensaísta, filósofo, poeta e ativista em um período tumultuado marcado pela Revolução Francesa; foi considerado um precursor do socialismo e do anarquismo, como um homem esclarecido que criticava o absolutismo e apoiava um socialismo agrário onde existia a comunidade de bens. Leitor ávido das obras de Rousseau, Voltaire, Helvétius e Diderot, frequentava autores deístas e ateus. Sua participação na chamada Conspiração dos Iguais, promovida por Babeuf, que buscava a igualdade real na sociedade, e não o mero formalismo da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, se tornaria uma inspiração para o socialismo utópico posterior; Maréchal expressou o desejo de uma revolução social genuína no Manifeste des Égaux (Manifesto dos Iguais), que foi considerado uma declaração libertária, escrito em 1796.

Maréchal era um ateu militante feroz, um subversivo brilhante do Século das Lutas, que sofreu perseguição e prisão por causa de uma peça em que negava Deus e parodiava a religião. Após o fracasso da conspiração, Maréchal voltou sua atenção para o ateísmo, um de seus principais interesses; ele foi o fundador da Sociedade dos Homens sem Deus e trabalhou arduamente para criar um dicionário da reivindicação do ateísmo por autores clássicos e modernos: Dictionnaire des Athées anciens et modernes (Dicionário dos Ateus Antigos e Modernos, 1800). A editora Laetoli está agora publicando essa obra com o título Dicionário de Ateus, uma verdadeira joia que, confesso, eu desconhecia até poucos dias atrás. Essa editora está fazendo um trabalho magnífico, já tendo publicado a Memória da religião de Meslier há alguns anos, tornando conhecido um pensador que infelizmente desapareceu da circulação intelectual contemporânea. A obra reúne um repertório impressionante de citações, que não apenas negam a existência divina, mas também questionam os dogmas em geral; Marechal se esforça para mostrar a superioridade teórica e moral do ateísmo, conseguindo um trabalho notável e de inegável atualidade.

Como afirma o prólogo, a obra de Marechal transcende a simples opção filosófica do ateísmo e opta por uma utopia social ampla, capaz de abranger todas as esferas da existência humana. Como um brilhante filósofo social, Marechal não se limita a uma decisão ética individual e cria uma arma literária para combater um mundo hierárquico, opressor e alienante. O Dicionário de ateus é um instrumento de emancipação intelectual e moral que Maréchal legou à posteridade.

Capi Vidal

Fonte: http://acracia.org/diccionario-de-ateos/

Tradução > Liberto

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No bico do pássaro
curioso passeia o peixe:
fugaz devaneio.

Ronaldo Bomfim

[Chile] Memória Negra por Luisa Toledo. Jornada de difusão e propaganda – 2 de julho, 12h00

Vizinhas, vizinhos, afinidades e companheirxs. No marco de uma nova comemoração da morte da companheira e vizinha Luisa Toledo, como indivíduos do Ateneo Anarquista de Santiago, estendemos o convite para “Memória Negra por Luisa Toledo: Jornada de difusão e propaganda” no próximo domingo, 2 de julho, a partir das 12h00, na esquina de Aeropuerto e Quemchi. Esta instância pretende ser um encontro, memória, reflexão e propaganda, por isso convidamos você a se reunir na praça para riscar faixas, papelógrafos, etc. juntos, a fim de lembrar a nossa companheira Luisa. Teremos microfone aberto e propaganda impressa, você pode colaborar com rolos de papel, marcadores, tintas, pincéis, etc.

Todxs estão convidadxs!

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entre velhas páginas
uma folha ainda verde
da casa antiga

Alice Ruiz

Chamado para a 3ª Feira do Livro Anarquista de BH

Os coletivos Compa e Kasa Invisível convidam a todas, todos e todes para a III Feira do Livro Anarquista de Belo Horizonte (MG) nos dias 19 e 20 de agosto.

Data: 19 e 20 de agosto de 2023

Locais: Espaço Comum Luiz Estrela e Centro Cultural Vila Aparecida.

Aos coletivos e grupos que queiram expor seus produtos na feira, assim como propor atividades como oficinas, debates, lançamentos, solicitamos o preenchimento do formulário no link abaixo, até no máximo dia 10 de julho.

ENTRADA GRATUITA!

Clique aqui para fazer sua inscrição.

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSchX6In-rgApXptIeDddMA5LPsxEUUlEsnAXBlUgKESf7pdmg/edit 

Acompanhe no Instagram da Feira Anarquista de BH.

https://www.instagram.com/feiraanarquistabh/ 

E nas páginas do COMPA e da Kasa Invisível.

http://instagram.com/compamg/ 

http://instagram.com/kasainvisivel/ 

Até lá!

https://feiraanarquistabh.noblogs.org/

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rock-kais e haicais
liberdade e transgressão
o caos e a paz

Gilson Yoshioka

[França] Morte de Nahel em Nanterre: noite de protestos, fúria…

As tensões cresceram. Desde terça-feira, 27 de junho, e a morte de Nahel em Nanterre por um policial, o clima está particularmente tenso em várias cidades da França. Como o governo temia, houve muitos protestos durante a noite de 28 para 29 de junho. O Ministro do Interior, Gérald Darmanin, havia especificado que 2.000 policiais e gendarmes seriam mobilizados em Paris e em seus subúrbios. Em Nanterre, onde o jovem de 17 anos foi morto, vários veículos foram incendiados. Em Essonne, segundo o Le Parisien, ônibus foram destruídos e várias delegacias de polícia foram atacadas. Um bonde também foi queimado em Clamart.

Os incidentes se espalharam por toda a França. De Lyon a Toulouse via Amiens, veículos foram atacados. As forças de segurança foram alvo de projéteis e responderam com gás lacrimogêneo. Vários prédios também foram incendiados. Nas redes sociais, vários vídeos também mostram saques em lojas, principalmente na cidade de Argenteuil. Após esta noite de violência, Gérald Darmanin falou no Twitter. “Uma noite de violência insuportável contra símbolos da República: prefeituras, escolas e delegacias incendiadas ou atacadas. Apoio aos polícias, gendarmes e bombeiros que enfrentam com coragem. Vergonha de quem não pediu calma“, escreveu o ministro.

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agência de notícias anarquistas-ana

“Viajante”,
Poderia ser meu nome —
Primeira chuva de inverno.

Bashô

[Argentina] Jujuy: Repressão e luta em época de campanha eleitoral

A classe capitalista, seus políticos e sua polícia reprimem ferozmente aqueles que protestam contra a reforma e as péssimas condições de vida em Jujuy. O Estado comemora democraticamente o dia da bandeira com espancamentos, tiros e sequestros. Eles abrem caminho para a repressão com mais leis a seu favor, diante dos despejos necessários provocados pela extração de lítio na região e do aprofundamento da piora das condições de sobrevivência.

Os pré-candidatos presidenciais do Juntos por el Cambio apoiam abertamente o governador Gerardo Morales. O mesmo acontece com a direita liberal. Eles nos dizem que as pessoas são estúpidas e que são manipuladas pelo kirchnernismo e pela esquerda, que a paz e a ordem devem ser mantidas. Desde a Frente de Todos, que também está lá para manter a paz e a ordem, eles afirmam que os repressores são outros e dão lições de moral. Eles parecem ignorar que, a longo prazo, também se beneficiarão dessas leis.

Esta é uma democracia capitalista, não é e não se assemelha a uma ditadura. Há quase quarenta anos há eleições. Basta de nos chantagear com o objetivo de defender o “mal menor”.

O capitalismo não é simplesmente dívida com o FMI e extrativismo. O Capital é sempre extrativista, depredando o território e também a espécie humana, extraindo nossa energia, tempo e corpos para gerar lucro.

A luta está nas ruas, mas não é apenas contra os excessos dessa sociedade mercantil, mas também contra a normalidade da paz social, da troca, do comércio, da compra e venda de nossas vidas. Essa é a base para a repressão, o Morales, os despejos, a destruição de um território, bem como, e acima de tudo, o trabalho e o desemprego, os ricos e os pobres.

Há uma questão fundamental aqui que não se encaixa nos discursos e polêmicas entre os candidatos de um lado ou de outro. E enquanto nos entretivermos com suas campanhas e encenações, a questão fundamental permanecerá intocável: uma forma de sociedade que precisa que alguns percam para que outros ganhem.

Abaixo a reforma. Aumento dos salários.

Abaixo as reformas. Arriba a revolução social.

Fonte: https://boletinlaovejanegra.blogspot.com/2023/06/jujuy-represion-y-lucha-en-tiempo-de.html

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olhos de gato
luz dos faróis na noite
pulo no mato

Carlos Seabra

[Espanha] Rádio Topo: 30 anos de presença nas ondas livres

A mítica estação de rádio livre de Zaragoza comemora seu 30º aniversário. “Continuaremos cantando, trovejando em seus ouvidos, sendo uma resistência fértil ao convencional”, porque “trinta anos não são nada”.

A estação de rádio livre de Zaragoza, Rádio Topo, comemora 30 anos de transmissão nas ondas do rádio. Neste sábado, apesar da tempestade em Zaragoza, eles comemoraram em grande estilo, com uma festa musical ao ar livre no estilo madalenero, como parte do programa da Semana Cultural que começou na sexta-feira.

Em um comunicado, o pessoal da Rádio Topo relembra. “Das cinzas da Onda Verde, dos movimentos sociais, daquelas pessoas que ouvem as músicas mais estranhas, do movimento de recusa dos exércitos, nasceu a nossa toca há 30 anos em um porão da Madalena”, destacam.

Trinta anos se passaram “e a música estranha ainda está lá”, assim como “aqueles que fingem ser a voz dos sem voz, dos movimentos sociais que lutam por um mundo melhor”. A Rádio Topo é “informação verdadeira, mas não imparcial, uma cultura diferente, aquela que criamos e compartilhamos”. “O espírito, em suma, do que se pretende ser uma rádio livre”, acrescentam no comunicado.

Eles dizem que “os tempos mudaram”, porque “não somos mais a estação que dependia de fitas cassete para sua continuidade, que recebia notícias por carta ou, por dinheiro extra, fazia uma ligação telefônica”.

Mas “outras coisas não mudaram”. A Rádio Topo continua a depender de seu próprio trabalho e companheirismo, “não temos funcionários assalariados e, se cometemos erros, nós mesmos os cometemos, não nos vangloriamos de nossos erros, mas eles são nossos, assim como nossos sucessos”.

A qualidade também melhorou. “Para ser sincero, nem sempre. Embora façamos nosso melhor”, eles admitem. “E você deve saber, você que está lendo isso, que se não estiver melhor, também é sua responsabilidade, porque a rádio livre é uma comunicação horizontal, seus ouvintes também podem ser seus apresentadores”, enfatizam, incentivando a participação nessa lendária estação de rádio livre de Zaragoza.

Mas “não era sobre isso que queríamos falar, embora falar ao ouvido seja a nossa praia”, dizem eles. Com este comunicado “viemos repetir que temos 30 anos, que temos muito para contar e que não somos o passado, mas o presente nas ondas do rádio. Que você também pode fazer parte desse projeto e nos apoiar como achar melhor”.

Onde a música de El Topo pode ser ouvida, Ixo Rai cantou para eles. “Continuaremos cantando, trovejando em seus ouvidos, sendo uma resistência fértil às convenções. Trinta anos não são nada”, lembra a Rádio Topo, “nós somos a prova”.

www.radiotopo.org

Fonte: https://arainfo.org/radio-topo-30-anos-presente-en-las-ondas-libres/

Tradução > Liberto

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Estrelas, surgindo
Aqui e acolá —
Ah, o frio!

Taigi

[Itália] Alfredo Cospito e Anna Beniamino foram condenados a 23 anos e 17 anos e 9 meses

Enquanto aguardamos um texto mais detalhado sobre a audiência, informamos que, em 26 de junho, o Tribunal de Apelação de Turim decidiu sobre a extensão das sentenças contra os anarquistas Anna Beniamino e Alfredo Cospito no julgamento do caso Scripta Manent, condenando-os a 17 anos e 9 meses e 23 anos, respectivamente. Portanto, a possibilidade de uma sentença de prisão perpétua para Alfredo, solicitada pelo Ministério Público de Turim durante a audiência de apelação em 5 de dezembro de 2022 e posteriormente nas audiências de apelação em 19 e 26 de junho (enquanto uma sentença de 27 anos e 1 mês foi solicitada para Anna), foi definitivamente descartada.

Lembremos que, durante o julgamento da Scripta Manent – além das acusações de associação subversiva para fins de terrorismo ou subversão da ordem democrática, ataque terrorista, incitação à prática de crimes agravados pelo propósito de terrorismo, etc. – várias acusações foram feitas contra Anna. – Seguiram-se várias acusações e condenações por massacre contra Anna e Alfredo, primeiro pela ação no distrito burguês de Crocetta (Turim, 2007) e depois pela ação contra o quartel Allievi Carabinieri (Fossano, 2006). Com a requalificação, pela Corte de Cassação (6 de julho de 2022), da condenação por massacre contra a segurança pública (artigo 422 do Código Penal) em massacre contra a segurança do Estado (artigo 285 do Código Penal), o companheiro correu o risco de ser condenado à prisão perpétua devido à prevalência da reincidência sobre as circunstâncias atenuantes. A legislação que estabeleceu a pena de prisão perpétua obrigatória foi posteriormente alterada pelo Tribunal Constitucional com a audiência em 18 de abril: não uma “vitória” para o Estado de direito ou um “retorno” aos princípios da constituição, mas um resultado alcançado pela greve de fome contra o 41 bis e a prisão perpétua hostil e o movimento de solidariedade internacional que se desenvolveu entre maio de 2022 e abril de 2023.

MORTE AO ESTADO E AO CAPITAL! SOLIDARIEDADE COM ANNA BENIAMINO, ALFREDO COSPITO E TODOS OS ANARQUISTAS E REVOLUCIONÁRIOS PRESOS!

Fonte: https://lanemesi.noblogs.org/post/2023/06/27/alfredo-cospito-e-anna-beniamino-sono-stati-condannati-a-23-anni-e-a-17-anni-e-9-mesi/

Tradução > Liberto

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O sol se põe
Sobre o riozinho sujo –
Ah, infância!

Paulo Franchetti

[Espanha] As fronteiras e os Estados matam

Por Lorenzo Picasso | 15/06/2023

Entre 500 e 700 pessoas poderiam ter estado no pesqueiro que afundou no Mar Jônico em 14 de junho. Destas só pouco mais de uma centena foi até agora resgatadas. A maioria dos sobreviventes são homens da Síria, Afeganistão, Egito e Palestina. Ao menos 100 crianças e mulheres estavam aglomerados na adega do barco, o qual faz pensar que ali se encontrava a grande maioria das pessoas que teriam perdido a vida. O barco havia saído de Tobruk na Líbia, um país devastado pela guerra que, junto a outros, recebe dinheiro para atuar como polícia e guardião dos confins dos países ricos do outro lado do Mediterrâneo. A dinâmica do acidente não está ainda totalmente clara mas já podemos afirmar com segurança que se trata de uma tragédia imensa que não tem mais responsáveis que os Estado e suas fronteiras, neste caso, as fronteiras da União Europeia.

A busca de uma vida melhor, de dignidade, de liberdade por parte de milhões de pessoas no mundo não cessará e não fará mais que aumentar nos próximos anos ainda que só seja pelas mudanças provocadas pela mudança climática. Trata-se de nos posicionarmos moralmente e eticamente ao lado de todas estas pessoas reivindicando uma acolhida digna e sem condições; canais abertos e seguros para todas as pessoas que queiram viajar; justiça e dignidade para todas as vítimas. Basta já de desculpas e de cinismo por parte dos Governos que não duvidam em gastar milhares de milhões em armamento deixando morrer sem piedade a cada dia pessoas inocentes que a única culpa que tem é a de querer mudar o próprio destino. Basta já também de indiferença de tanta gente comum que prefere olhar a outro lado em lugar de esforçar-se em fazer emergir nossas melhores qualidades humanas, a partir da solidariedade e da empatia.

Não deixemos que seja só a enésima tragédia entre muitas, tentemos reagir com toda a boa gente que nestes momentos tão difíceis quer reagir.

Fonte: https://www.socialismolibertario.org/2023/06/15/la-fronteras-y-los-estados-matan/

Tradução > Sol de Abril

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Chuva no lago
cada gota
um lago novo

Alice Ruiz

[São Paulo-SP] “Dissidências e ocupações urbanas: hip hop e anarcopunk como insurgências do corpo”

O próximo encontro do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades, do Centro de Cultura Social de SP, será presencial, dia 1º de julho, sábado, das 16h às 18h.

O tema será “Dissidências e ocupações urbanas: hip hop e anarcopunk como insurgências do corpo”. Vamos partir do documentário “Nos tempos da São Bento” (2010), e como material complementar indicamos outro doc., “Punks” (1983). A ideia é propor um diálogo sobre embates na ocupação da cidade, com as trocas entre o movimento anarcopunk e o hip hop, tendo em vista também as tentativas de apropriação institucional desses estilos de vida. Contaremos com a presença de Jeff, @jeffsuatitude, dançarino desde 1993 e pesquisador do Hip Hop pelo Diversitas-FFLCH-USP.

O link para o material indicado e as orientações para a participação na atividade está na nossa bio.

Os encontros do grupo são gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas. Crianças são bem-vindas ao CCS!

A intérprete de Libras será confirmada mais próxima da data.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo, não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

– Documentário: Nos Tempos da São Bento – Full / Completo

https://www.youtube.com/watch?v=z8FtIypGeVs&t=3s

– PUNKS (1983)

https://www.youtube.com/watch?v=r540M8wQ4GE

#hiphop #hiphopsaobento #anarcopunk #anarquismos

agência de notícias anarquistas-ana

tatalou e caiu
com onda espiralada
fragor de entrudo

Guimarães Rosa

[Massape-CE] Justiça determina reintegração de posse contra Ocupação Nestor Makhno

No dia 15 de junho, a Ocupação Nestor Makhno, localizada no município de Massapê, Estado do Ceará, e impulsionada pela Organização Popular Terra Liberta, recebeu de um oficial de justiça uma liminar de reintegração de posse contra as 30 famílias que ocupam a terra. A decisão é do Juiz Gilvan Brito Alves Filho, da 2ª Vara da Comarca de Massapê, autorizando, inclusive, o uso de de força policial e do Batalhão de Choque para efetivar a expulsão das famílias, o que pode ocorrer a qualquer momento.

A Ocupação Nestor Makhno completou, no mesmo dia 15, dois meses de existência. O terreno conhecido como “Fazenda Campo Grande” estava abandonado havia mais de 30 anos, até que as 30 famílias ocuparam a terra e fizeram dela um novo lar e local de trabalho, passando a produzir nela alimentos saudáveis.

A Organização Popular Terra Liberta afirma, em suas redes sociais, que a decisão judicial “ignora que esta terra só teve função social quando as famílias pisaram nela e que estava servindo apenas para especulação e acumulação dos ditos ‘proprietários'”, pedindo também apoio na divulgação da situação e por meio de doações.

É possível articular doações de alimentos para as famílias ocupantes por meio dos seguintes contatos. Email: terraliberta@protonmail.com instagram: @terraliberta.ce . Apoios financeiros devem ser enviados ao seguinte pix: pixfobce@protonmail.com

Fonte: Reporterpopular.com.br

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agência de notícias anarquistas-ana

quarto escuro
silhuetas se amam
pecado puro

Carlos Seabra

[Portugal] Já está circulando a nova edição do Jornal Mapa | Nº38 – Junho/Setembro 2023

A reivindicação ambiental cruza-se com a reivindicação social. Renascem e fortalecem-se as ligações aos lugares de vida, lugares onde se respira luta. Nas aldeias do Barroso, em protesto contra as minas, abordamos o encontro entre lutas feministas nas vésperas da Acampamento em Defesa do Barroso (de 10 a 15 de agosto). No Alentejo, o cerco das monoculturas é relatado de Montemor-o-Novo a Beja. São populações que dialogam com quem a partir das cidades clama pela justiça climática, como os ativistas da plataforma Gás é Andar Para Trás ou do Fermento, um coletivo de formações para movimentos sociais, com quem falamos nesta edição. O cuidado com o território merece ainda a nossa atenção na defesa da Serra da Arrábida ou na criação de uma rede nacional agroecológica.

A partir de França, reflete-se sobre os protestos contra a reforma das pensões, que trouxeram para as ruas sentimentos de injustiça social e a radicalização de trabalhadores e estudantes. E, do outro lado do Atlântico, fomos ao encontro dos povos originários da Amazónia, que se reuniram no Acampamento Terra Livre, em Brasília.

O Papa vem a Portugal e questionamos, com Bakunin em pano de fundo, a autoridade do Estado e da Igreja numa conversa com os editores da Descrença, que prepara uma nova edição de «Deus e o Estado». Resgatando memórias do 25 de Abril, falamos com Francisco Fanhais, que, na sua condição de «cristão militante», recordamos como um dos cantautores que vivenciou a revolução. Estes são alguns dos temas abordados na 38.ª edição do Jornal MAPA, que se podem ainda cruzar com persistentes alertas vindos das fronteiras da Europa-Fortaleza, com ataques contra os povos zapatistas, com um breve testemunho acerca do manifesto «Todas Sabemos», com histórias de uma okupa rural e com recensões de livros e filmes. Por fim, a memória de quem nos deixou recentemente: o livreiro Zé Pinho e Eduarda Dionísio, escritora e grande impulsionadora da Casa da Achada – Centro Mário Dionísio.

Apoia a informação crítica – Assina o Jornal MAPA em https://www.jornalmapa.pt/assinatura-do-jornal/

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Tarde de inverno:
Sobe do fundo dos vales
A sombra das montanhas.

Paulo Franchetti

[França] Racismo e violência de Estado

– Maio de 2023: o filho de Eric Zemmour [jornalista, político de extrema-direita] provoca um grave acidente no centro de Paris sob o efeito de álcool, dirigindo como motorista voltando para casa à noite.

– Maio de 2023: o filho da política de extrema-direita Nadine Morano provoca um acidente após cheirar cocaína e cometer um atropelamento.

– Janeiro de 2020: em Rennes, uma jovem, Maëva, morre após ser atropelada em uma faixa de pedestres por um carro da polícia sem identificação em alta velocidade sem dispositivo de alerta. O motorista obtém um sursis.

– Outubro de 2022: o presidente do Les Républicains [partido criado por Nicolas Sarkozy] do departamento de Vosges é preso por dirigir alcoolizado e se recusar a obedecer.

Nesses casos, e em muitos outros, a polícia não atirou e fez prisões suaves. A classe política não exigia pena de morte extrajudicial. Por que esses motoristas estão vivos, mas não Naël¹, que não representava nenhum perigo?

Infelizmente, todos sabemos muito bem porquê…

Fonte: https://contre-attaque.net/2023/06/28/racisme-et-violence-detat/

[1] Jovem de 17 anos morto a tiro por um policial durante uma parada de trânsito em Nanterre, periferia de Paris, na noite de 27 de junho de 2023. A morte do jovem causou uma onda de protestos na França.

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surgidos do escuro,
somem na moita, na noite:
amores de um gato

Issa