Ditadura cubana prende oito jovens que protestavam contra apagões na ilha

Na medida em que continuam os cortes em Cuba, em razão da crise energética que o país atravessa, cresce o mal-estar na população que há apenas um ano se mobilizou como nunca antes para exigir uma melhor qualidade de vida.

A ditadura cubana prendeu oito jovens que protestavam na cidade de Baracoa devido aos contínuos apagões em meio a uma profunda crise energética que a ilha caribenha enfrenta. Os detidos estão na prisão Combinado Sur aguardando julgamento.

Segundo o canal de notícias ADN Cuba, os jovens foram presos em 16 de julho, um dia depois de terem saído para protestar. Os detidos foram identificados como Richard Sánchez, Dariannis Guerra, Uvensy Matos, Kepler Navarro, Misael Pon, Irioldis Barrabia, Noger Paumier e Ylder Columbie, que estão a ser processados ​​pelos crimes de desordem pública e incitação ao crime.

“Até agora temos 26 detidos, e eles estavam convocando outras pessoas, ou seja, todo o pessoal que eles viram nos vídeos que estavam na manifestação, a polícia está convocando e interrogando, mas como não há capacidade para mantê-los detidos na estação de Baracoa, eles estão lhes dando datas para se apresentarem”, disse o jornalista independente Yoel Acosta Gámez, à ADN Cuba .

O protesto começou por volta da meia-noite de 15 de julho, quando a população estava em plena celebração de uma festa popular. Quando o apagão ocorreu, as pessoas saíram para protestar.

“O que se seguiu foi um forte protesto, no qual foram gritados slogans como Abaixo Diaz-Canel, chega de fome, que eles estavam cansados, que queriam um futuro melhor”, disse Acosta Gámez.

“E quando os manifestantes foram atacados por vários policiais, eles atiraram pedras no carro-patrulha e jogaram garrafas neles, e um policial ficou ferido”, acrescentou.

À medida que os apagões continuam em Cuba, como resultado da crise energética que o país atravessa, cresce o desconforto de uma população que há apenas um ano se mobilizou como nunca antes para exigir uma melhor qualidade de vida.

Recentemente, ocorreram manifestações em Jagüey Grande, Caibarién, Sagua la Grande e em Mayabeque, onde algumas pessoas atacaram a sede da União Elétrica Cubana (UNE).

Alguns manifestantes conseguiram compartilhar imagens e vídeos de uma nova jornada de protestos contra o regime de Castro nas redes sociais. Os mobilizados exigiram o restabelecimento dos serviços ao grito de “liberdade”.

Conforme mencionou ao “Diário de Cuba” uma mulher identificada como Albuerne Noa, o serviço elétrico foi restabelecido pouco depois de iniciado o protesto. Assim mesmo, relatou que a mobilização se dispersou apenas depois da chegada das Brigadas Especiais enviadas pela ditadura e comentou ainda que haviam “infiltrados”, referindo-se aos agentes de segurança do Estado trajados como civis.

A UNE previu uma queda de 10% na geração para segunda-feira durante as horas de pico – a hora de maior consumo – com um máximo de 450 MW durante as horas do dia. A demanda máxima estimada para esse dia foi de 2.750 megawatts (MW) e a disponibilidade é de 2.519 MW e para o “pico” o déficit será de 301 MW, de acordo com a declaração da UNE.

O ditador Miguel Díaz-Canel reconheceu em uma sessão do parlamento (unicameral) o mal-estar causado pelos cortes de energia elétrica, que têm se agravado nos últimos meses.

A ditadura explicou que os cortes de abastecimento são causados por avarias nas fábricas, escassez de combustível para a geração distribuída e manutenção programada.

Fonte: https://www.infobae.com/america/america-latina/2022/07/27/la-dictadura-cubana-encarcelo-a-ocho-jovenes-que-protestaban-por-los-continuos-apagones-en-la-isla/

Tradução > Liberto

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/25/cuba-a-repressao-aumenta-em-havana-centro-social-e-biblioteca-libertaria-abra-na-mira-da-policia/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/15/medo-e-propaganda-em-cuba-contra-o-descontentamento-social/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/04/cuba-ve-oposicao-fragmentada-apos-condenados-por-atos/

agência de notícias anarquistas-ana

o mastro do barco
com a lua
brinca ao arco

Rogério Martins

YPJ do Curdistão: “Vingaremos nossas companheiras mortas pelas forças de ocupação”.

As Unidades de Proteção às Mulheres (YPJ) emitiram uma declaração após o assassinato pelo estado turco de duas comandantes femininas e uma miliciana feminina membro das forças de autodefesa em Rojava (Curdistão sírio).

A declaração completa do YPJ é publicada abaixo:

Ao nosso povo!

O regime fascista de Erdogan, com suas forças associadas de mercenários do ISIS (Estado Islâmico), que sempre foram inimigos da revolução em Rojava e seus defensores, querem aniquilar e derrotar o poder das mulheres com ataques brutais no dia-a-dia. Ao atacar esta revolução, eles querem destruir o poder das mulheres que lideram a luta pela liberdade. Os ataques ocorrem diante dos olhos das forças da Coalizão presentes na região e na Rússia, mas estas potências internacionais voltam seus olhos na outra direção e não fazem nada. Portanto, eles são tão responsáveis e tão envolvidos no assunto quanto as forças que estão fisicamente executando os ataques.

Em 22 de julho, o estado turco, com sua força de ocupação, usou um drone para atacar um carro na estrada de Qamişlo. Como resultado do ataque, a companheira Jiyan Tolhîldan, uma das líderes das YPJ (Unidades de Proteção às Mulheres) e das SDF (Forças Democráticas Sírias), assim como a comandante geral das YAT (Unidades Anti-Terroristas), foi martirizada juntamente com as companheiras Roj Xabûr e Barîn Botan enquanto deixava o Fórum da Revolução Feminina que foi realizado na cidade de Qamişlo. Apresentamos nossas condolências ao povo curdo, a todo o povo do norte e leste da Síria e às Forças de Autodefesa pelo martírio de nossas companheiras e comandantes. Prometemos vingar nossos mártires protegendo e expandindo a revolução em Rojava, derrotando o Estado turco, suas forças de ocupação e mercenários do ISIS, e assegurando a libertação de Rojava e do norte e leste da Síria.

O comandante do YAT Jiyan Tolhîldan, cujo verdadeiro nome era Selwa Yusuf, testemunhou todas as dificuldades ao longo dos diferentes estágios da revolução. Desde o início da revolução ela trabalhou com grande dedicação, desde a organização com o povo e a formação das Unidades de Defesa Popular (YPG) até a criação do exército YPJ. É por causa do trabalho duro e da luta de companheiras e comandantes como Jiyan que a revolução de Rojava se tornou uma revolução feminina que ressoou em todo o mundo e agora é uma esperança para a liberdade de todas as mulheres e da humanidade.

Graças aos esforços de nossas companheiras caídas, esta revolução chegou ao seu 10º aniversário. A força de vontade da Comandante Jiyan incutiu a crença em uma vida livre para todas as mulheres e sociedades. Mulheres e jovens de toda a Rojava e do mundo deram seu coração a esta revolução, vindo à Rojava. A companheira Jiyan tinha grande conhecimento e experiência da revolução de Rojava e da beleza da vida livre, e com esta experiência e conhecimento ela treinou centenas de mulheres lutadoras que hoje continuarão o legado de sua luta e garantirão a liberdade de seu território.

A companheira Jiyan participou de todas as campanhas pela libertação de Rojava e do norte e leste da Síria com o espírito de uma mulher livre. Ela lutou contra os terroristas do ISIS, que foram um pesadelo para a humanidade, e também lutou ao lado das forças da Coalizão, participando de todas as campanhas de libertação. Assim, a luta da comandante Jiyan Tolhîldan é a esperança de uma vida livre para toda a humanidade.

A companheira e comandante Roj, cujo verdadeiro nome era Ciwana Heso, cresceu em uma família patriótica em Al-Dirbasiyah. Ela logo ganhou experiência nas fileiras da revolução e abraçou a filosofia da liberdade da mulher. Ela se tornou uma mulher revolucionária com força e vontade. Ela viveu acreditando na filosofia da liberdade e cumpriu suas obrigações e responsabilidades revolucionárias e patrióticas até seus últimos momentos. Ela passou cada momento de sua vida lutando por uma pátria livre e participou das campanhas de libertação contra o ISIS ao lado das forças da coalizão. O mundo está livre do ISIS graças à coragem e bravura das companheiras Jiyan e Roj.

A companheira Barîn Botan, cujo verdadeiro nome era Ruha Beşar, cresceu em uma família patriótica em Afrin. Ela foi inspirada e influenciada pela revolução de Rojava em sua busca por liberdade e assim se juntou às fileiras do YPJ. A companheira Barîn sempre experimentou intensa raiva e ódio contra o Estado turco e lutou com grande determinação e persistência para derrotar a ocupação.

A revolução popular no norte e leste da Síria foi alcançada com o trabalho duro e os sacrifícios das companheiras mártires e com base na liberdade das mulheres. Ela se tornou a esperança de liberdade para todas as mulheres e sociedades que amam a liberdade. Como as forças da YPJ, expandir e proteger a revolução e garantir a liberdade da Rojava é nosso dever e o juramento que fizemos a nossas companheiras e líderes. Mais uma vez, apresentamos nossas condolências a todo nosso povo, ao YPJ e ao FDS. Prometemos vingar nossas companheiras mortas pelas forças de ocupação e seus agentes. Este ataque não nos fará dar um passo atrás em nossa luta, apenas aumentará nossa raiva e resistência. Neste momento, quando nossa revolução e seus líderes estão sendo alvo de aniquilação, apelamos a todas as mulheres do norte e leste da Síria para que participem desta luta.

As identidades de nossas companheiras mártires são as seguintes

Nome da guerra: Jiyan Tolhîldan

Nome real: Selwa Yusuf

Nome da mãe: Asya

Nome do pai: Hisên

Local de nascimento: 1980- Afrin

Local e data do martírio: Qamişlo – 22/07/2022

Nome de guerra: Roj Xabûr

Nome real: Ciwana Heso

Nome da mãe: Şems

Nome do pai: Hesen

Data e local de nascimento: 1992- Dirbêsiyê

Local e data do martírio: : Qamişlo -22/07/2022

Nome de guerra: Barîn Botan

Nome real: Ruha Beşar

Nome da mãe: Qedriye

Nome do pai: Merwan

Data e local de nascimento: 2003- Şehba

Data e local do martírio: Qamişlo -22/07/2022

Comandante Geral das YPJ – 23/07/2022

Fonte: https://kaosenlared.net/ypj-de-kurdistan-vengaremos-a-nuestras-camaradas-abatidas-por-las-fuerzas-de-ocupacion/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Não é meia-noite
e as mariposas cansadas
já dormem nas praças.

Humberto del Maestro

[Espanha] Um breve elogio ao anarquismo

“Pergunto-me se podemos nos relacionar de outra forma com esse passado, não como a “infância” que devemos abandonar se quisermos crescer, mas como um poder que pode ser sempre atualizado. Há algo na experiência da minoria que pode sempre ter valor: criatividade, desafio, ação sem cálculo ou espera. Para que, à medida que “amadurecemos”, não nos tornemos frios e secos, na mera aceitação do princípio da realidade” – Amador Fernández-Savater (sobre as memórias de Íñigo Errejón, Con todo: de los años veloces y el futuro – Com tudo: os anos velozes e o futuro).

Desde que li estas linhas, tenho pensado sobre as velocidades de meu próprio passado político, seu caráter minoritário e sua potência nem sempre reconhecida. A primeira destas reflexões é tão subjetiva que lhe falta qualquer tipo de transcendência, a segunda não vai muito além da observação de um simples fato objetivo (sendo poucos e distantes), mas a terceira creio que merece alguns parágrafos e expressar um carinho necessário.

Meu processo de politização andou de mãos dadas com meu processo de psiquiatria, o intervalo entre os dois não excedeu um ano e meio. Acabei sendo internado brevemente no antigo Hospital Puerta de Hierro quando vivi relativamente recentemente naquele “pequeno mundo feito de casas ocupadas, rádios livres, cultura de autoprodução, ilegalidade, choques com a polícia e fascistas, leituras radicais” (Amador Fernández-Savater novamente). Dentro dela, logo me aproximei dos coletivos e projetos libertários, que na segunda metade dos anos 90, e no cenário juvenil madrileno, foram organizados em torno dos órgãos de coordenação da Lucha Autónoma ou Juventudes Libertarias. Desde então, tenho continuado ligado a esse conjunto de ideias e práticas que normalmente é chamado de anarquismo, e que talvez devêssemos começar a chamar de anarquismos para poder dar conta das diferentes correntes que o atravessam. Continuo acreditando que um mundo onde não há comando nem obediência ainda é o melhor horizonte possível para o qual podemos olhar, e por isso não me sinto atraído pelas diferentes formas de cinismo que boa parte da minha geração política abraçou, muitas vezes sob a forma da necessidade de declarar-se do outro lado de tudo ou de exibir orgulhosamente alguma forma de retirada individualista (seja em termos de desenvolvimento profissional, família, crescimento pessoal, etc.).

O que eu disse acima não significa que eu tenha pensado da mesma forma todos estes anos. Na verdade, tem sido exatamente o oposto. Após uma fase inevitável de fascínio inicial, descobri as misérias e contradições que atravessam a constelação de anarquismos a que me referi. Também me aconteceram (acontecem comigo) coisas que me fizeram (fazem) mudar minha opinião, meu espaço, minha estratégia várias vezes. Pessoalmente, acredito que isto é inerente ao fato de defender ideias que por definição não podem ser rígidas ou inquestionáveis, de modo que não há drama nisto. Você não pensa o mesmo que um estudante como um trabalhador precário, ou como um jovem trabalhador precário como um trabalhador de meia idade… e o mesmo vale para moradia, território, saúde, etc. Projetos que antes me escandalizavam, agora me parecem ser uma referência. Os autores que costumavam me inspirar agora podem até me causar um certo embaraço (senti isso recentemente quando reli o Panegírico de Guy Debord, por exemplo). Infelizmente e, suponho, pressionado pelo contexto e pela necessidade de autocrítica, sempre me concentrei em tudo o que tem sido deficiente no meio anarquista (e no qual tenho participado em algum momento e até certo ponto): desconexão da realidade cotidiana, auto-referencialidade, caducidade (se não atrofia) de suas organizações, um alto componente estético, um gosto pelo purismo, e assim por diante. Pareceu-me, de certa forma impreciso, que o bem já estava caindo sob seu próprio peso, e que o esforço deveria ter como objetivo analisar o que estava fodido, em vez de identificar e valorizar o belo pedaço de vida que tínhamos em nossas mãos. Agora eu claramente acho que foi um erro.

Um impasse político como este, no meio de outra recessão, com 15M e seu transbordamento muito distante no tempo, a possibilidade institucional encarnando o desânimo e o cansaço e a tensão resultantes da pandemia grudada na pele, é um bom momento para traçar generosidades e imaginações que são típicas do anarquismo que conheci. Se eu tenho que registrar um em particular, é o seguinte: nunca recebi nenhum tratamento discriminatório por ter problemas de saúde mental, nem nunca houve nenhum indício de paternalismo ou condescendência, o que eu acho ainda mais valioso. Nunca fui tratado de maneira diferente, de nenhuma maneira possível. Quando ouço e leio pessoas mais jovens no ativismo da saúde mental referirem-se à necessidade de espaços seguros, penso que o “mundinho” em que aterrissei foi, com todas as suas imperfeições e constrangimentos, meu próprio espaço seguro. E é claro que a piada estranha foi feita, mas nunca foi mais do que anedótica e nunca aconteceu em espaços formais (assembleias, debates, ações, etc.). Talvez tenha a ver com o alto índice de pessoas com sofrimento psíquico que sempre acreditei caracterizar os movimentos sociais em geral e o anarquismo em particular (obviamente não há dados compartilhados e, no entanto, acho que é uma avaliação com uma certa ancoragem objetiva), mas sempre encontrei as portas dos locais abertas para montar oficinas, palestras ou grupos de apoio mútuo, e o mesmo tem acontecido com publicações, editoras ou rádios livres. Talvez na época em que tomei isso como algo natural e não lhe dei atenção, agora, com o passar dos anos e o que aprendi ao ouvir outras pessoas com problemas semelhantes aos meus, entendo que era um tesouro do caralho.

Somente olhando para trás, para a abertura geral às questões de saúde mental em que cresci, posso explicar algo que também achei difícil de apreciar tanto quanto merece. Algumas pessoas chegaram a pensar que tudo isso foi tempo perdido em batalhas que se perderam antes, como se não tivesse havido luta para ser o que somos ou não somos, como se isso não levasse em conta o que nós (e nossos conjuntos de relacionamentos) mudamos ao longo do caminho. E foi somente a partir daí que pude escapar da lógica psiquiátrica e pensar em mim mesmo como algo diferente de doente mental. Se ninguém me tratava como tal, minha estranheza não era com os espaços políticos, mas com as práticas de cirurgias de psiquiatras e psicólogos, com seu fechamento incessante de sentido.

Desde que as ideias anarquistas irromperam em minha vida, nunca deixei de imaginar realidades diferentes daquela em que vivo, e também formas de ser diferente da minha maneira de ser. Não se trata apenas de querer algo mais, mas de imaginar constantemente querer outras coisas. Uma prática que o esgota e frustra ao mesmo tempo em que o transforma e o sacode. Uma escolha que não se limita apenas a duas possibilidades pré-existentes, mas que opera através da criação e reprodução de brechas. Como consequência, e em um momento crucial, minha subjetividade não foi construída na órbita de um diagnóstico, mas tentando construir projetos coletivos; ou seja: em uma relação contínua com os outros, por mais maltratada que tenha sido. Este é o poder que me propus a justificar, independentemente do fato de estes projetos terem caído mais vezes do que eu gostaria, o número de golpes que recebi ou o número de pedágios que paguei. Sou uma pessoa de sorte, e penso nisso toda vez que visito uma ala de doentes agudos ou uma instituição de saúde mental.

Fernando Balius

Fonte: https://acracia.org/breve-elogio-del-anarquismo/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

grama nos trilhos
composições mudas
sem estribilhos

Carlos Seabra

[Espanha] La Pinya: História de um coletivo de educação autogestionária

O livro do coletivo “La Pinya” me surpreendeu em primeiro lugar por sua estrutura: parece uma boneca russa, uma matrioska, um contínuo abrir de gavetas onde vamos encontrando uma visão diferente do mesmo processo e construindo uma imagem coletiva e orgânica do projeto. O nome escolhido de “coletivo de educação autogestionária” nos ajuda a compreender o trabalho por trás dele e impede que o projeto seja catalogado como uma simples escolinha, ou um lugar onde as crianças são cuidadas. Na Pinya, fica claro desde o início, todo o grupo é cuidado, adultxs e crianças, lá não se quer que o processo educacional seja delegado a alguns especialistas e sim a decisões coletivas, compartilhando assim a responsabilidade pedagógica assume-se que o ato de educar implica também o educar-se.

A própria estrutura do livro evidencia essa forma de atuação: não há uma única pessoa especialista que escreva melhor que os outros e seja responsável pelo texto, nem há quem conheça o projeto há mais tempo e que por isso se ache no direito de descrevê-lo. Aqui encontramos um coro de vozes, de adultxs e crianças, e uma estrutura dividida de modo a por um lado mostrar as etapas do projeto para nos ajudar a acompanhar o seu desenvolvimento, e por outro trazer ferramentas concretas que podem servir a qualquer pessoa que tenha interesse em educação.

Escrever e compartilhar é um trabalho que não só ajuda o leitor a compreender o trabalho coletivo de muitos anos, mas também é essencial para o andamento do próprio projeto, conforme especificado repetidas vezes no livro. Sendo a Pinya um coletivo vivo, no qual as pessoas continuam a entrar e sair, existe a necessidade de trazer aos recém-chegados o que foi trabalhado até agora, isso é muito importante para não voltar sempre a temas já discutidos: tudo pode ser questionado, mas é preciso saber qual é o processo que levou a essas decisões e como pouco a pouco ajudou a definir as posições que são consideradas fundamentais no projeto. Metáforas muito usadas são, por exemplo, a de passar a “chama pinyera”, isso se dá através de um trabalho que podemos relacionar à construção de um “encanamento” político e pedagógico: a Pinya é água e os canos são a capacidade dxs adultxs de transferir conhecimento. É importante “reconhecer as raízes para continuar crescendo, adaptando-se às necessidades do momento”.

E em termos de raízes, embora existam algumas referências históricas em Ferrer e nas escolas racionalistas, não há uma única linha pedagógica que defina o trabalho, pois são utilizados recursos de diferentes teorias educacionais (uma boa definição do método é Pinyassori). Por outro lado, a Pinya está se afastando gradativamente da definição de “educação livre”, quadro no qual foi inserido inicialmente junto com outros projetos pioneiros porém dos quais vem se diferenciando ao longo dos anos. Uma boa anedota sobre o termo “livre” é a escolha do nome do projeto: que melhor ocasião para colocar em prática essa liberdade do que fazer com que as próprias crianças escolham o nome… Bom, estamos falando de crianças de 3 a 4 anos, a princípio em sua maioria meninas, que quando questionadas sobre o nome da escola, se reuniram para decidir em conjunto como já haviam aprendido em outros projetos horizontais. Tendo duas palavras que gostaram, chegaram a um acordo que foi colocar as duas: “Colar Princesa”… Você já pode imaginar a reação dos adultos… “nós tínhamos entendido que mais do que a liberdade que a democracia capitalista nos oferece, tínhamos que oferecer a elxs ferramentas para remar contra a corrente”.

Pois bem, o trabalho do coletivo é proposto como uma forma de se livrar dos condicionamentos da sociedade em que estamos imersos, tanto na educação dxs pequenxs quanto na relação entre as pessoas. Não reproduzir as diretrizes do patriarcado é um dos objetivos mais claros do projeto e também um dos mais difíceis, considerando como todxs nós as temos introjetadas. Pois bem, o nome “La Pinya” escolhido pelo grupo lembra não só o privilegiado espaço natural da quinta Can Garrofa em que vivem no dia-a-dia, mas também a horizontalidade e capacidades presente na natureza. A linguagem também é importante para não reproduzir padrões, por isso opta-se pelo plural feminino, xs educadorxs são definidxs como acompanhantes, os pais são pamares. A atenção às questões de gênero leva a perceber diferenças entre “Crianças socializadxs como meninos ou meninas” identificando assim os condicionamentos da sociedade.

Esse querer desmantelar os costumes arraigados também resolve dúvidas sobre a não intervenção, ou seja, por um lado, cuida-se do desenvolvimento das atitudes de cada criança, por outro, é preciso intervir para evitar dinâmicas de grupo negativas, para empoderar as crianças que ficam mais quietas de forma a não repetir os esquemas de uma sociedade hierárquica. Também é importante olhar para um pequeno detalhe como a definição de “intervenção”: não significa que um adulto guie pela mão ou faça uma explicação em palavras, muitas vezes significa introduzir novos materiais, mudanças na distribuição do espaço, propostas de atividades ou levantando um tema na assembleia. Questionar conceitos, mesmo os simples, é uma forma de desmontar normas e assim saber exatamente o que queremos dizer com essa palavra.

Justamente por isso o coletivo tem se questionado muito em se definir como anarquista, ainda que a maioria das pessoas que o integram venha do movimento libertário talvez a definição de anarquista fosse estreita para uma experimentação pedagógico-social em contínua evolução e por isso tenham se nomeado como Coletivo de Educação Autogestionária. No entanto, para entender o quanto Pinya está inserido nos movimentos sociais, cada capítulo começa com uma seção na qual é feito um retrato do contexto de lutas daqueles anos, explicitando inquietações e tensões. O que pode ser definido sem dúvida como anarquista são alguns dos princípios utilizados, como está bem especificado no texto: não delegar, horizontalidade, possibilidade de questionar tudo e não seguir nenhuma corrente, repensar o ato educacional e não ter medo de ensaiar e cometer erros para encontrar a melhor solução. Além disso, um ponto forte do projeto é a conexão entre responsabilidade individual e coletiva: é aí que reside sua definição política. E é aqui que se diferencia de outros projetos que visam mais o desenvolvimento individual, o bem-estar interior e o cuidado da alma, com um foco que parte da yoga e das disciplinas orientais. A dimensão de grupo e de aprender a crescer consciente de fazer parte dele se desenvolve na Pinya ao mesmo tempo que a liberdade individual.

Participar do coletivo significa que as famílias se envolvem em todas as questões pedagógicas graças às assembleias e comissões e também cuidam da preparação da alimentação, limpeza, organização e acompanhamento de excursões e acampamentos… Não delegar é um trabalho enorme e o texto transpira a dificuldade e o cansaço de cuidar de tudo… então por que fazem isso? E como é possível que o projeto já dure quase 20 anos? O fato é que a maioria das pessoas que passaram pela Pinya escolheram investir seu tempo, energia e desejos em um projeto com vontade de transformação social, todxs concordam que ali viveram uma experiência chave na sua vida, um processo de crescimento pessoal e coletivo que deixou uma marca. O trabalho contínuo de desconstrução realizado pelos membros do coletivo é o pilar que proporciona esse tipo de acompanhamento às crianças. Por exemplo, para mudar a dinâmica de um momento-chave como o almoço, a assembleia propõe duas opções que são testadas por um mês cada uma e um terceiro mês é oferecido para colocar em prática uma proposta que venha das crianças. Após esse ensaio as crianças não consideram necessária uma terceira opção porque acham que uma das duas funciona bem. Parece tão fácil falar assim, mas vamos pensar na dificuldade em realizar qualquer mudança consensual e na flexibilidade necessária de todxs xs participantes. Outra ferramenta muito útil foi criar um espaço para cuidar das relações grupais entre as pessoas acompanhantes, um espaço para refletir sobre o que funciona e o que não funciona e tentar resolver os conflitos quando estes surgem. Estudar soluções em grupo enriquece, e se uma assembleia muitas vezes começa com pontos de vista diferentes às vezes termina com uma visão única que foi enriquecida por todxs participantes.

Isso de tentar e se não der certo mudar de estratégia é uma posição muito humilde: tenta-se algo porque se considera a melhor opção, para ver como corre e se não for viável, estuda-se outra solução. Deveríamos sempre abordar os problemas da vida dessa maneira. Ao invés de aceitar uma realidade que não gostamos e depois reclamar, o caminho é construir alternativas. Esse saber combinar a capacidade de sonhar com a praticidade de propostas concretas para o dia-a-dia constitui a essência da Pinya. Cuidar da educação dos pequenos coletivamente permite que os adultos também cresçam e aprendam por meio de diferentes modalidades e ferramentas. Compartilhando esse processo com o leitor, um pouco desse trabalho também alcança pessoas fora da Pinya. Voltamos a matrioska

Valeria Giacomoni

La Pinya.
Història i reflexions d’un col.lectiu d’autogestió educativa

Ano de publicação: 2021

Autor/es: Trabalho coletivo coordenado por Marc Franch Farré e Albert Torrent Font

Editora: Descontrol Editorial

ISBN: 978-84-18283-23-9

Páginas: 420

Tamanho do livro: 21x14cm

Preço: 18,00€

descontrol.cat

Tradução > Mauricio Knup

agência de notícias anarquistas-ana

sol na varanda –
sombras ao entardecer
brincam de ciranda

Carlos Seabra

[EUA] Lançamento: “Revolução das Gangues Políticas, Repressão e Crime”

Kristian Williams (Autor); Robert Evans (Introdução)

Desmistificando forças do Estado, gangues e violência revolucionária.

Em Gang Politics, Kristian Williams examina a compreensão da nossa sociedade de violência social e política, que é romantizada, mal compreendida ou confusa. Explora as complexas intersecções entre “gangues” de todos os tipos — milícias e de rua, Proud Boys e Antifa, Panteras Negras e skinheads — argumentando que o governo e a criminalidade estão intimamente relacionados, com frequência dividindo características importantes. À medida que a sociedade se torna mais polarizada e o conflito mais comum, a análise de Williams é um corretivo crucial às nossas ideias gerais sobre o papel que a violência pode ou deve desempenhar em nossas lutas sociais.

Kristian Williams escreveu seis livros, incluindo Our Enemies in Blue: Police and Power in America. Williams tem escrito e liderado ativamente o discurso sobre o anarquismo no contexto histórico e atual, desigualdade social e críticas às forças policiais e políticas desde os anos 1990. Mora em Portland, no Oregon.

Robert Evans, o autor de After the Revolution, teve uma carreira eclética como jornalista investigativo em zonas de guerra do Iraque, Síria e Ucrânia, e cobriu os protestos de 2020 de Portland, no Oregon. Tem os podcasts Behind the Bastards e It Could Happen Here.

Gang Politics Revolution, Repression, and Crime

Kristian Williams (Autor); Robert Evans (Introdução)

Editora: AK Press

Formato: Livro

Vinculação: pb

Páginas: 144

ISBN-13: 9781849354561

$12.00

akpress.org

Tradução > Sky

agência de notícias anarquistas-ana

peixes voadores
ao golpe do ouro solar
estala em farpas o vidro do mar

José Juan Tablada

[Grécia] Yinnis Michailidis | Aviso de suspensão – não término – da greve de fome

Encontro-me na desagradável situação de anunciar que estou abandonando esta difícil corrida, sem ter ganho nada de substancial. No entanto, essa luta não acabou e não pretendo deixá-la inacabada. A interrupção é temporária, algumas das razões são óbvias. Outras não são. Peço desculpas àqueles que me apoiaram por não poder compartilhar as razões publicamente neste momento. Se for necessário, voltarei, explicarei publicamente em detalhes as razões pelas quais optei pela suspensão temporária, continuarei reivindicando o que tenho direito e espero não ter que voltar.

O sistema de justiça foi corrompido. O único êxito da greve de fome até agora foi que destacou suas contradições. No que diz respeito às barreiras que tentei colocar, havia as posições legais, que mudam o clima do jogo, da lógica do “jogar e jogar fora as chaves”. Mas meu pedido pessoal continua no ar. E minha promessa de que eu não iria parar, agora parece traída. Isso pesa muito para mim, é claro, e que fique claro que minha intenção é – se necessário – continuar em um momento mais frutífero no futuro próximo. Mas, como disse antes, neste momento nem tudo pode ser dito e espero que não precise. Fechando este comunicado, quero agradecer do fundo do meu coração àqueles que me apoiaram de alguma forma. Aqueles que tomaram partido, aqueles que se posicionaram, aqueles que transcenderam seus papéis sociais porque a empatia assumiu. Mas principalmente aqueles que lutaram com unhas e dentes para quebrar o silêncio imposto, aqueles que foram espancados nas ruas para expressar sua solidariedade, aqueles que correram riscos e aqueles que passaram fome nas prisões. A estes últimos devo minha vida. Se tudo isso não tivesse acontecido, neste momento não haveria condições para eu suspender, por enquanto é isso. Todavia ainda estou ansioso pela minha libertação imediata. Tudo continua…

Yinnis Michailidis

Fonte: https://athens-indymedia-org.translate.goog/post/1620208

agência de notícias anarquistas-ana

Manhã de frio.
Se fosse menino escrevia
Meu nome no vidro.

Paulo Franchetti

[Grécia] Repressão policial à marcha em solidariedade ao anarquista grevista de fome Y. Michailidis em Atenas

Brutal repressão da marcha de solidariedade para o preso anarquista grevista de fome Y. Michailidis ontem (28/07) em Atenas. Espancamentos de dezenas de manifestantes, prisões violentas e produtos químicos em todos os lugares foram atirados pelas forças policiais que ficaram fora de controle, como documentado por vários vídeos que circulavam nas redes sociais. A polícia efetuou dezenas de prisões.

A marcha, que começou pouco depois das 19 horas, foi inicialmente atingida quando chegou à Propylaea, onde a polícia utilizou gás lacrimogêneo. Os manifestantes continuaram, mas pouco depois das 20h a polícia usou um caminhão com jato d’água para dispersar a manifestação, enquanto a tropa de choque com bastões começou a espancar os manifestantes. A marcha terminou alguns minutos depois em Omonia, com a polícia utilizando um arsenal de produtos químicos.

Ontem, o Conselho de Apelações de Lamia rejeitou o apelo do anarquista Y. Michailidis, que está em seu sexagésimo sétimo dia de greve de fome, reivindicando seu direito a ser libertado em liberdade condicional.

agência de notícias anarquistas-ana

Vento cortante –
Se esconde em meio ao bambu
E desaparece.

Bashô

[Argentina] Concentração 5 anos após o desaparecimento e execução do companheiro Santiago Maldonado

Concentração 5 anos após o desaparecimento e execução de Santiago Maldonado.

Segunda-feira 1º de agosto, 17hs.

Plaza Miserere (Once).

Buenos Aires, CABA.

Na segunda-feira 1º de agosto estaremos reunidos na Plaza Once, 5 anos após o desaparecimento do companheiro anarquista Santiago Maldonado, procurando encontrar e justificar a memória revolucionária do companheiro fora da lógica vitimista e dos pedidos de “justiça”.

Porque entendemos que a memória de um anarquista é reivindicada desde a consequência iconoclasta, porque não temos nada a pedir ao Estado e ao Capital, porque nada mudou depois destes 5 anos, enquanto o governo muda suas figurinhas e os reformistas lutam por uma cadeira no Congresso, a polícia continua desaparecendo e assassinando diariamente, o avanço sobre a terra e as comunidades em luta se aprofunda dia após dia, e a propriedade privada nos priva a cada momento de um pouco de tempo livre fora da lógica do Capital.

Com o Lechuga, Emilia Baucis, Urubú Terenzi e Soledad Rosas em nossa memória negra!

Liberdade para os presos anarquistas pelo escrache ao Clarín!

Nunca derrotados, sempre firmes contra toda autoridade!

Traga sua bandeira

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/28/italia-1-de-agosto-de-2022-milao-manifestacao-em-frente-a-loja-benetton/

agência de notícias anarquistas-ana

Aconchegantes,
Os raios do sol de inverno —
Mas que frio!

Onitsura

[São Paulo-SP] Breve relato do 3° Anarquismo na Periferia

TERCEIRO ANARQUISMO NA PERIFERIA – POLÍTICA ALÉM DO VOTO!

Primeiramente nossos agradecimentos a todos que fortaleceram, todos que participaram, todos que exporam e tiraram as fotografias e, principalmente, a comunidade do Jardim Ângela, Capão Redondo e região, que passaram por aquela quadra.

Queríamos frisar que o objetivo da Frente é a Periferia e não o Anarquismo em si. O Anarquismo é a ferramenta. Ferramenta para criar laços revolucionários. Acreditamos que a quebrada está em constante movimento em direção a auto-organização, apoio mútuo e autogestão, que são de lei nas favelas e quebradas do país. Não propomos nada de novo, pelo contrário, queremos aprender e nunca ensinar, apenas estamos propondo uma união ao que já acontece todos os dias.

A comunidade nos ajudou desde o açúcar para fazer os sucos, até a vassoura para limpar a quadra. Queremos pensar política para além do líder doutrinando as massas. Além da polarização burra que nos assola. Nossas armas sempre serão Educação, Cultura e Ancestralidade. E tudo isso aconteceu nesse domingo, desde a oficina de Grafite ao Fanzine. E acima de tudo fortalecer os laços de amizade que construímos e aonde vamos! Esse só foi mais um passo de muitos que virão.

Frente Anarquista da Periferia (FAP)

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/20/sao-paulo-sp-acontece-neste-sabado-dia-23-a-terceira-edicao-do-anarquismo-na-periferia-politica-alem-do-voto/

agência de notícias anarquistas-ana

Divertem o gato
Na roça em frente ao portão
As folhas caindo.

Issa

[Grécia] Intervenção na casa do Ministro da Justiça Konstantinos Tsiaras em Pikermi

Hoje, 28/07, de manhã, o Conselho de Apelações de Lamia rejeitou o justo pedido do anarquista grevista de fome Y. Michailidis para sua liberdade condicional.

O companheiro está preso desde 2013 e já cumpriu 3/5 de sua sentença original. Já desde 29/12/21 ele tem todas as condições necessárias para sua liberdade condicional, porém os juízes do Conselho de Justiça de Amfissa rejeitaram seu pedido em 17/02.

A partir de 23/05 o anarquista Y. Michailidis iniciou uma greve de fome como última reação à prorrogação pretextual de seu encarceramento na prisão de Malandrinos.

As leis são aplicadas com base em opiniões. O próprio Estado que as decreta, vinga seus opositores políticos à morte e ao mesmo tempo, usando as mesmas leis, permite que assassinos condenados e estupradores de menores sejam libertados.

Esta luta está concentrada em um só corpo, mas não se trata de um só. Isso diz respeito a todos nós.

O Ministro da Justiça Tsiaras e o governo do Nova Democracia (ND) têm o fardo da saúde e da vida de um preso sobre seus ombros. O tempo das palavras acabou.

QUE O PEDIDO DO COMPANHEIRO Y. MICHAILIDIS SEJA ACEITO

LIBERDADE IMEDIATA PARA Y. MICHAILIDIS

Rouvikonas

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/28/grecia-extra-o-pedido-de-libertacao-do-preso-anarquista-grevista-de-fome-yinnis-michailidis-foi-rejeitado/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/07/28/grecia-ocupacao-do-centro-de-trabalho-de-livadia-o-estado-mata-liberdade-para-y-michailidis/

agência de notícias anarquistas-ana

Flores silvestres
pequeninas e sem brilho
à espera de abelhas…

Goga

[Grécia] Ocupação do Centro de Trabalho de Livadia | O Estado Mata | Liberdade para Y. Michailidis

Solidarizando-se com o anarquista em greve de fome desde 23/05 Y. Michailidis, ocupamos o centro dos trabalhadores de Livadia, após a decisão negativa de hoje (28/07) do Conselho de Apelações de Lamia, que em essência condena o companheiro a uma morte tortuosa.

Vocês podem pensar que estamos tombando, mas não entenderam que estamos tombando em cima de vocês, estamos caindo de cabeça. Porque não é a queda que importa, mas o impacto!

O ESTADO MATA

LIBERDADE PARA Y. MICHAILIDIS

A PAIXÃO PELA LIBERDADE É MAIS FORTE DO QUE TODAS AS PRISÕES

Anarquistas de Livadia / Solidariedade

agência de notícias anarquistas-ana

velho haicai
séculos depois
o mesmo frescor

Alexandre Brito

[Grécia] EXTRA | O pedido de libertação do preso anarquista grevista de fome Yinnis Michailidis foi rejeitado

Como ficou conhecido pouco depois das 10 horas desta quinta-feira (28/07), o Conselho de Apelações de Lamia aceitou a proposta do Ministério Público de rejeitar o pedido de liberdade condicional do grevista de fome Yinnis Michailidis. O Estado está empurrando um grevista para a morte enquanto continua a detê-lo ilegalmente na prisão.

Yinnis Michailidis cumpriu 3/5 de sua sentença em 29 de dezembro de 2021, um total de 8 anos e 3 meses de tempo real cumprido. Mas seus pedidos de liberdade condicional foram rejeitados desde então com a desculpa ridícula de “perigo potencial”, embora as condições formais e substantivas para sua libertação tenham sido cumpridas na íntegra.

No início da manhã desta quinta-feira, a médica de Y. Michailidis, Lina Vergopoulou, emitiu um comunicado informando sobre a rápida deterioração da saúde do grevista de fome, pois ele está a um passo do choque hipoglicêmico e está gravemente desidratado.

O poder político-judicial estende o estado de exceção aos presos políticos ao executar de fato um deles, ao mesmo tempo em que os capangas e comparsas do poder, como o estuprador de menores Lignadis ou o assassino Korkoneas, estão fora da prisão. A podridão do poder que condenou a base social à fome e ao empobrecimento não pode mais passar despercebida. O ataque ao movimento anarquista e radical mais amplo através do grevista de fome Yinnis Michailidis é feito por razões preventivas. O Estado e o capital temem a revolta dos oprimidos e tentam sufocá-la suprimindo a parte mais dinâmica e viva da sociedade.

Protestos estão sendo convocados para esta quinta-feira em diversas cidades gregas.

agência de notícias anarquistas-ana

sol poente
numa ruela
menino corre das sombras

Rod Willmot

[Grécia] Anarquistas ocupam o prédio da ADEDY em solidariedade ao preso anarquista Yinnis Michailidis

Um grupo de anarquistas ocupou o prédio da ADEDY [uma das principais confederações sindicais da Grécia] na Rua Psyla 2 em Syntagma, Atenas, nesta quarta-feira (27/07) em solidariedade ao companheiro Yinnis Michailidis que está em greve de fome desde 23/05. A ocupação continuará até a publicação da decisão do conselho de apelação de Lamia. Cada minuto que passa é crucial para a saúde do nosso companheiro.

A greve de fome do preso anarquista Yinnis Michailidis está em um ponto crítico, após mais de 66 dias, pois sua saúde se deteriorou drasticamente nas últimas 24 horas. Ao mesmo tempo, as ações de solidariedade estão crescendo, as greves de fome de outros prisioneiros continuam por alguns dias como sinal de solidariedade, enquanto mais e mais grupos sociais estão se mobilizando em apoio a sua justa exigência de libertação condicional imediata.

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DO ANARQUISTA YINNIS MICHAILIDIS!

agência de notícias anarquistas-ana

O casulo feito
bicho dentro dele dorme
vestido de seda.

Urhacy Faustino

[Itália] 1° de agosto de 2022 – Milão – Manifestação em frente à loja Benetton

Local: Corso Buenos Aires, 19, 18h00

Somos todos Santiago Maldonado

Passaram-se cinco anos desde aquele primeiro de agosto de 2017. Nunca tivemos nenhuma dúvida: você desapareceu e foi morto porque estava certo. A Benetton explora e rouba terras Mapuche em nome do lucro, com a cumplicidade do Chile e da Argentina e seu braço repressivo, a polícia.

Os companheiros e companheiras da rede em defesa do povo mapuche respondem ao chamado internacional para lembrar Santiago Maldonado, para denunciar a usurpação de terras e se opor ao lucro do capital às custas dos povos.

Rede Internacional em Defesa do Povo Mapuche

FB: https://www.facebook.com/events/503824928168597/?ref=newsfeed

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/30/argentina-carta-da-mae-de-santiago-maldonado-no-dia-que-completaria-32-anos/

agência de notícias anarquistas-ana

Bolha de sabão.
Uma explosão colorida
sem nenhum estrondo.

Maria Reginato Labruciano

 

5º Fórum Geral Anarquista Brasil | Cariacica – Espírito Santo | 08 a 11 de setembro de 2022

Raízes anarquistas: experiências e lutas populares.

Convite

Há oito anos a Liga Anarquista no Rio de Janeiro realizava o 1º Fórum Geral Anarquista na cidade do Rio de Janeiro – Brasil. Criou-se um espaço social, político anarquista para pensar, debater e promover experiências e práticas anarquistas abertamente. Deste 1º FGA fundou-se a Iniciativa Federalista Anarquista no Brasil, que se associará a Internacional de Federações Anarquista no Congresso de 2016 em Frankfurt.

O FGA nasce itinerante criando um espaço de encontro e convergência onde se realiza. Indivíduos e coletivos locais do país participam, trocam metodologias, discutem práticas, resistências, lutas contra o capitalismo, promovem experiências autogestionárias socioeconômicas, apresentam realizações artísticas. Vivenciamos a sociabilidade antiautoritária federativamente num microcosmo libertário orientado pela igualdade e justiça social com dignidade e integridade. Um experimento social livre onde buscamos e compartilhamos com os movimentos sociais e sociedade interessada.

Realizaram-se quatro FGA’s: no Rio de Janeiro – 2014 (Liga Anarquista – RJ), Salvador – 2015 (Maloca Libertária), Campinas – SP – 2016 (Fenikso Nigra), São Paulo – 2017 (Coletivo Aurora Negra). Por três anos não realizamos o FGA por ausência de recursos financeiros, falta de uma sede/coletivo que o realizasse, pandemia do Coronavirus19. Agora, com alegria, convidamos todas as organizações anarquistas, coletivos, indivíduos no Brasil, e nos quatro cantos do planeta, para participarem do 5º FGA no Espírito Santo, entre 8 e 11/10/2022.

O tema do 5º FGA: Raízes anarquistas: experiências e lutas populares. É fruto da nossa reflexão, práticas, memória e história do anarquismo, dos diversos movimentos sociais, da conjuntura política no Brasil e no mundo contemporâneos. Notamos um momento de refluxo nos movimentos anarquista, movimentos sociais e o reaparecimento dos movimentos fascistas no Brasil e no mundo. Notamos a continuidade da guerra de longa duração contra povos originários como os indígenas no Brasil, México, Venezuela, Peru, Bolívia, Chile. As multinacionais mineradoras do hemisfério norte, contaminam e desmatam as florestas, o agronegócio envenena o planeta, a monocultura e agropecuária matam a floresta, matam os rios, matam os povos indígenas e promovem doenças como a Pandemia do Coronavirus19. A queima de combustível fóssil, o ar-condicionado, o consumismo desenfreado, a crise climática, guerras no hemisfério norte por interesses econômicos conduzem a humanidade para o cataclisma global.

O 5º FGA é o momento em que acreditamos contribuir positivamente para olhar estes problemas, conversar sobre eles, procurar alternativas, dá soluções e conquistar mais respeito e liberdade para aqueles que trabalham, precarizados e desempregados, reunindo forças para defesa do nosso planeta e criando modos de convivência harmoniosa com a natureza da qual somos parte indissociável.

O Coletivo Libertário Grande Vitória e Iniciativa Federalista Anarquista no Brasil, com alegria e amor, com firmeza e trabalho convidam a participarem do 5º FGA no Brasil.

ATENÇÃO: OS TEMAS DE CONFERÊNCIA, MESAS, MINICURSOS E GRUPOS TEMÁTICOS SERÃO PUBLICADOS EM BREVE.

Inscrições e Dúvidas iniciativafa-bra@riseup.net ou 5fga@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

Trezentos quilômetros
Para não vos contemplar
Mangueiras da minha infância!

Paulo Franchetti

[Grécia] Anarquistas ocupam prefeitura de Heraklion em solidariedade ao preso anarquista Yinnis Michailidis

A Prefeitura de Heraklion (Ilha de Creta) está sob ocupação desde o início da manhã de segunda-feira (25/07), quando um grupo de anarquistas invadiu o edifício e afixou faixas pedindo a libertação do anarquista grevista de fome (desde 23/05) Yinnis Michailidis. Uma ocupação semelhante está acontecendo na Câmara de Chania (Ilha de Creta).

Vitória na luta de Yinnis Michailidis, grevista de fome desde 23/05.

agência de notícias anarquistas-ana

um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace