[Espanha] Novo livro sobre o anarquista berciano Ángel Pestaña

O historiador Sergio Giménez desmonta os mitos que ligam o sindicalista de Santo Tomas de las Ollas com o movimento falangista.

No próximo sábado, 6 de novembro, se apresenta o livro “Ángel Pestaña, falangista”. Anatomia de uma mentira histórica”, uma investigação do historiador mallorquino Sergio Giménez que desmonta mitos profundamente enraizados, entre os quais o que liga o líder anarquista berciano Ángel Pestaña com o falangismo. O evento acontecerá ao meio-dia no Museu da Radio. Giménez será acompanhado por Luis Miguel García e Miguel A. Varela.

Sergio Giménez (Palma de Mallorca, 1976) é licenciado em História pela Universitat de les Illes Balears (UIB), é professor do ensino secundário e colaborador de meios digitais como Ser Histórico. Portal de Historia e o jornal El Obrero. Atualmente dedica os seus estudos às facções mais heterodoxas do anarcossindicalismo espanhol.

Em “Ángel Pestaña, falangista. Anatomía de una mentira histórica”, publicado pela Piedra Papel Libros no ano passado, Giménez analisa o significado e as consequências do encontro entre o histórico militante da CNT Ángel Pestaña e José Antonio Primo de Rivera, em fevereiro de 1934, num restaurante movimentado do Bairro Gótico de Barcelona.

Pestaña não foi motivado pelo interesse político, mas pela curiosidade ante a insistência do jovem deputado fascista, que desejava incorporar na sua Falange um líder operário com reputação entre as classes trabalhadoras, aparentemente sob o conselho do próprio Benito Mussolini.

A partir daí, um esquadrão de autores franquistas e falangistas, ajudados por historiadores, jornalistas e escritores aposentados em confortáveis mitos, e com o silêncio de uma grande parte do mundo libertário, forjaram uma mentira histórica que acabou por se tornar embutida na placa de clichês que pesa sobre um dos homens mais interessantes do nosso século XX.

Este livro tenta colocá-lo de volta onde sempre esteve: contra os totalitarismos e, neste caso, contra o fascismo. E pretende lançar luz sobre a trajetória política e de vida de um anarquista de coração que encontrou a veia revolucionária mais fértil para conciliar sindicalismo, política e internacionalismo operário com um patriotismo de tradição republicana que nos parece, hoje, ser o obscuro objeto de desejo da esquerda parlamentar espanhola.

Fonte: https://www.elbierzodigital.com/libro-angel-pestana-2021/408138

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agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de primavera —
Todas as coisas
Parecem mais bonitas.

Chiyo-jo

[Espanha] Badajoz reivindica seu passado libertário

Uma rota urbana pela cidade mostra seus lugares de memória anarquista, em uma original iniciativa organizada pela CNT e aberta à participação de toda a cidadania.

Organizada pelo sindicato CNT, no próximo sábado 6 de novembro às 11 da manhã começará uma rota guiada pelos lugares da memória da Badajoz anarquista. Esta iniciativa percorrerá espaços significativos ligados a fatos e personagens relacionados com o passado militante e obreiro desta cidade, que vai desde a Primeira Internacional, em 1873, até a guerra civil e a matança ocorrida na Plaza de Toros de agosto de 1936.

Os guias de dita rota são Ángel Olmedo Alonso, historiador estremenho, autor do livro “El anarquismo extremeño frente al poder”, diretor de numerosas escavações de fossas da guerra civil em Estremadura e livros relacionados, e Chema Álvarez Rodríguez, colaborador deste meio e autor da série publicada sobre a Badajoz anarquista de 1900.

Segundo este último, Badajoz tem ainda uma memória para recuperar, referente principalmente ao movimento obreiro de caráter ácrata, germe em grande medida do conjunto de sociedades obreiras do resto da província de Badajoz. Chema Álvarez fala da presença de internacionalistas em Badajoz durante a Primeira República, o qual motivou o temor em boa parte da sociedade acomodada pacense, que foi residir durante um tempo em Elvas, até o ponto de que esgotaram as vagas nas casas de hospedes do vizinho povoado luso, segundo se informava no Diario Illustrado de Lisboa de 14 de março de 1873. Era tal o medo que se tinha de uma possível revolução anarquista e comunista que inclusive a Casa de Banca Arenzana y CIA de Badajoz transladou seus escritórios à Elvas, temendo uma possível expropriação nos primeiros meses da recém-proclamada República espanhola. Durante esses dias, também, Badajoz contou com a presença de Agustín Cervantes, internacionalista ligado à AIT e catedrático de latim no instituto provincial da cidade.

Um quarto de século depois Badajoz assiste a fundação da Germinal Obrera, sociedade que aglutinou tanto a Unión Femenina, primeira organização feminista de Estremadura, como a uma escola laica e racionalista ligada à Escuela Moderna de Ferrer y Guardia, mantida pelos obreiros e obreiras.

Ángel Olmedo Alonso recorda também a implicação do sindicato CNT na vida pacense dos dias da Segunda República, com personagens como Francisco Sobrado Cossío, telegrafista implicado no controle das comunicações durante os primeiros dias do golpe militar de julho de 1936, o qual contribuiu para impedir que dito golpe triunfasse na capital banhada pelo Guadiana, diferente de Cáceres.

Lugares, fatos, pessoas e vidas serão recordadas nesta primeira rota de caráter anarquista que partirá de um dos lugares mais significativos da memória histórica estremenha, a antiga Plaza de Toros de Badajoz, lugar onde aconteceu a matança nas mãos do fascismo de pessoas que defendiam o regime constitucional de liberdades e direitos que trouxe a Segunda República, e que hoje em dia desapareceu para dar lugar a um palácio de congressos, projeto imposto na época do Ibarrismo por quem foi então presidente da Junta de Estremadura, Juan Carlos Rodríguez Ibarra, empenhado em apagar os sinais de identidade republicanos e obreiros da cidade de Badajoz.

A rota está aberta à participação de quem quiser, é completamente gratuita e se estima sua duração em apenas 1 hora e meia.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/memoria-historica/badajoz-reivindica-su-pasado-libertário

Tradução > Sol de Abril

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Pelas vigas da ponte,
Os raios de sol
Na névoa da tarde.

Hokushi

Programação da IX Feira Anarquista de São Paulo

Relembrando: em virtude da pandemia, toda a programação será transmitida de maneira virtual pelo YouTube.

[Segunda – 08/11]

13h – Início da IX Feira Anarquista de São Paulo 2021

Vídeo de abertura da Feira com imagens das feiras anteriores e uma breve análise conjuntural.

15hs – Atividade Espaço Adelino de Pinho: Trupe Lona Preta – Superclouw/borba/frozen/companha da fome

17h – Apresentação cultural: Peça “Pour Louise ou a desejada virtude da resistência”

19hs –Mesa de Debate: Existe Política Além do Voto? Ação Direta diante da Política Parlamentar. Coordenação Anarquista Brasileira, Facção Fictícia e CCS Vila Dalva

[Terça  – 09/11]

13h – Aula prática: Yoga para todes

15hs – Atividade Espaço Adelino de Pinho: Mamulengo água de Cacimba

17hs – Mesa de Debate: Mega Eventos: Paris Contra Olimpíadas com Sandra Guimarães.

19hs – Apresentação Musical: Avelino el bello y la banda de pájaros libres

[Quarta  – 10/11] 

13h – Atividade cultural: peça de teatro “A Luta”, por Grupo Madeirite Rosa

15hs – Atividade Espaço Adelino de Pinho: Festival Amparo – Espaço Sobrevento

17h – Lançamento do novo clipe do Katarse – Comuna de Paris.

19hs – Mesa de Debate: Ações Comunitárias na Pandemia com Amir el Hakim de Paula, Cultive Resistência, Kasa Invisível e Coletivo FormigAção.

[Quinta  – 11/11]

13h – Aula prática: Yoga para todes

15h – Apresentação Cultural: exibição musicial da banda Tuna – O caldeirão da Sonia Hirsh / Vem na Fé que a Resistência é Fértil / Voar da Cidade

17hs – Apresentação Cultural: Em torno da Comuna de Paris (coleção de vídeos que contam a história da Comuna de Paris, da sua formação até seu fim)

19hs – Mesa de Debate: Questão Indígena e Marco Temporal com Cultive Resistência, CCS Vila Dalva e Coletivo Cuapi.

[Sexta  – 12/11]

13h – Roda de conversa: Federação doméstica, uma proposta sobre as relações de trabalho doméstico

15hs – Atividade Adelino de Pinho: Contação de história: “As pegadas da comandanta Ramona”, por Anônimas.

17hs – Lançamento do documentário “Antônio Bakunin: a história do anarquista Antônio Fernandes Mendes”

19hs – Mesa de Debate: Comuna de Paris, 150 anos depois com Samantha Lodi, Samis e Beatriz Tragtenberg.

[Sábado  – 13/11]

13hs – Atividade Adelino de Pinho: Contação de história – A princesa e o Pirata

15hs – Apresentação Cultural: Leitura Dramática da novela A esposa do prisioneiro 4237, de Sofia Kropotkin, com o grupo de teatro do CCS.

17hs –  Mesa de Debate: Criminalização dos Movimentos Sociais. Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio com Movimento Comunitário Ocupa Favela do Alemão

19hs – Mesa de Debate: Mulheres Anarquistas com Samanta Colhado Mendes, Fhoutine Marie, Lúcia Parra e Gabriela Brancaglion

feiranarquistasp.wordpress.com

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Abriu-se a papoula
E ao vento do mesmo dia
Ela veio ao chão.

Shiki

Após 4 anos, Ktarse lança o álbum “A luta é pela vida”

Diretamente das quebradas de Suzano/SP, o grupo de RAP combativo Ktarse, lança seu terceiro álbum. Rodrigo, Leal e Dj Mamona, que encabeçam o grupo, lançaram o primeiro álbum em 2011, intitulado  “GUETO SUBVERSIVO”. O segundo surgiu em 2017, com o titulo “INFLAMANDO A INSURGÊNCIA”. Agora, após quatro longos anos de leitura e empenho, gravando e produzindo de forma autêntica e autônoma no Home Studio “FORA DE ESQUADRO PRODUÇÕES”, o grupo nos apresenta seu mais novo trabalho.

Nas palavras de Rodrigo, esse álbum que contem 23 faixas protesto antissistema representa um “MANIFESTO COMBATIVO DO GUETO CANTADO E RIMADO EM CIMA DA BASE”. E o titulo não poderia deixar escapar a ideologia do grupo: “A LUTA É PELA VIDA”. Eis a perspectiva de toda luta e resistência deste grupo que carrega consigo princípios de autonomia, autogestão, apoio mutuo, solidariedade e coletividade como meios de emancipação dos oprimidos.

Em diálogo conosco do H2SM, Leal, que também é professor de História, comenta sobre os quatro anos de preparação:

“…período que cada um de nós continuou escrevendo, produzindo tanto sons do próprio Ktarse quanto em parcerias. Ao mesmo tempo que dávamos prosseguimento a nossas lutas diárias pela vida, participávamos de atividades desenvolvidas nas quebradas. No último ano, mais precisamente em maio, fechamos de produzir o álbum “A luta é pela vida”. De lá para cá, juntamente a tudo isso que não paramos de fazer, iniciamos a produção das instrumentais, ajustar as letras e a gravar…”

Sobre o título “A LUTA É PELA VIDA”, Leal segue dizendo:

“…o nome do álbum representa todos os anseios dos de baixo. As quebradas não lutam por coisas mirabolantes, lutamos pelo direito de ter direito, nisso “viver” é mais que um verbo, pra nós é uma ação. Cada RAP apresentado nesse álbum trás uma perspectiva sobre a luta pela vida. Cada instrumental foi pensada juntamente de cada letra, com o intuito de potencializar a luta pela vida dos oprimidos e oprimidas, potencializando os saberes dos nossos que não só trazem os saberes sistematizados nos livros, mas vivos em suas experiências acumuladas as lutas diárias…”

E para finalizar essa conversa com os manos do Ktarse, ao abordarmos do fato de o álbum ser distribuído gratuitamente na internet, Leal finaliza com uma afirmativa contundente, característico do grupo. Segundo Leal, “…a arte deve ser comprometida com os nossos, deve está disponível aos mesmos, não como mercadoria e sim como mais um meio das quebradas refletirem sobre si e as realidades nas quais estão inseridas. Desde o primeiro álbum, temos isso como princípio e prática…”. 

Para fazer o download do álbum “A LUTA É PELA VIDA”, clique aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=yNoU2NI6NQQ

FICHA TÉCNICA:
Produção Executiva – Ktarse
Produção Fonográfica – Fora de Esquadro Produções
Direção e Produção Musical – Ktarse
Capa e Arte – Pombo161
Foto de capa – autores desconhecidos
Gravado: Fora de Esquadro Produções
Pré-Mixagem – Leal
Mixagem/Masterização – Lnigazzbeats
Scratch – Dj Mamona
Teclado/Arranjos – Péricles – Faixas 2, 6, 18
Guitarra, Baixo, Violão – Bruno Enrico – Faixa 11
Backing Vocal – Péricles e Janete (Faixa 6), Bruno Enrico (Faixas 9, 11, 20), C333 (Faixa 11)
Letras – Ktarse
Gravado e Masterizado entre os anos 2020 e 2021.

Fonte: http://www.h2sm.com.br/2021/11/apos-4-anos-ktarse-lanca-o-album-luta-e.html?m=1&fbclid=IwAR25nd2UFvjJKyafdKNr0pQx-8fjMQonegQ3AHrTyKRIuSM-DM8WNy5egKk

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Na palma da mão,
Um vagalume —
Sua luz é fria!

Shiki

[Portugal] Manifestação: Contra todas as prisões. Dia 6 de Novembro às 15h. Lisboa, Beja e Coimbra.

Desde o início deste ano até 29 de Setembro morreram 27 pessoas nas prisões portuguesas. Em 2020, foram 75 mortes, 54 por doença e 21 por suicídio (9 no Estabelecimento prisional de Lisboa) segundo o relatório anual de segurança interna. No dia 15 de Setembro morreram 3 pessoas: Danijoy Pontes (23 anos), Daniel Rodrigues (37 anos) no EPL e outra em Alcoentre.

Entendemos que só o encarceramento por si só já é um ato de tortura, como forma de castigar a pobreza, juntando-se às condições prisionais que levam qualquer ser humano à doença e à morte e ao fato de que a “reinserção” ser uma grande farsa.

Por isso, no dia 6 de Novembro saímos à rua contra todas as prisões e em especial solidariedade pelas vítimas do sistema prisional, por todas as pessoas presas.

União Libertária

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Salta uma truta —
Movem-se as nuvens
No fundo do rio.

Onitsura

[Itália] Podcast | Por um punhado de terras. Grilagem de terras e a África

Depois de nos guiar através das ambições militares convergindo no Sahel e nos dizer como os cabos submarinos da Internet estão traçando novas rotas estratégicas no Mediterrâneo, Daniele Ratti conclui, com este terceiro e último episódio, um pequeno ciclo de análise aprofundada dedicado à competição global ao redor do continente africano.

Aqui abordamos o fenômeno da apropriação da terra, que na última década pelo menos assumiu proporções gigantescas e formas sem precedentes, graças em parte a um novo tipo de agricultura especulativa que transforma a forma como o lucro é extraído da terra e “destrói em suas profundezas” as relações locais entre as pessoas e o meio ambiente.

Fonte: https://radiocane.info/per-un-pugno-di-terra-land-grabbing-e-africa/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Quão glorioso,
Nas folhas verdes, folhas tenras,
O brilho do sol!

Bashô

[Chile] Novembro: mês de memória, luta e vingança!

Mês de comemorações de lutadores assassinados, de lutadores desaparecidos e outros calcinados. Mês negro de torturas, violações, perseguições e encarceramento em todos os territórios. Mês da Revolta espontânea e efervescente.

Mês do terror e da luta digna, mas que nunca seja o do esquecimento!

Que nunca se detenha a luta pela Liberdade, que não se apague a chama na qual vivem para sempre os que foram eliminados pela dominação.

Nenhum acordo e nenhum plebiscito burguês apagarão a memória e a luta de um povo sedento de justiça e dignidade.

Enquanto exista miséria haverá rebelião!

Liberdade para os Presos Políticos!!!

agência de notícias anarquistas-ana

Em minha cabana
É só assobiar
Que vêm os mosquitos!

Issa

[Espanha] Lançamento: “Escritos libertarios”, de Georges Brassens

Em 1946, em Paris, Georges Brassens cultivou a amizade com alguns ativistas anarquistas de seu bairro, concretamente com o pintor Marcel Renot e com o poeta Armand Robin (de quem em Pepitas publicamos um livro extraordinário – por sua impressionante lucidez— intitulado La falsa palabra), e estes encontros decisivos, somados à leitura de alguns clássicos libertários – Bakunin, Kropotkin e Proudhon, entre outros—, levaram a um jovem Brassens a envolver-se no movimento anarquista e a colaborar ativamente durante uns meses com Le Libertaire, o órgão da Federação Anarquista, e também, ocasionalmente, no boletim da CNT na França. Em Le Libertaire, Brassens exerceu como revisor e secretário editorial, além de redigir numerosos artigos. Nesse momento, os artigos do jornal não apareciam assinados ou o faziam sob pseudônimo. Se sabe com certeza que Brassens assinou como Geo Cédille e como Gilles Colin, e ainda que pelo conteúdo e o tom há outros muitos textos onde se intui a pena de Brassens, seria pretensioso atribuir-se com certeza.

Estes escritos libertários, que pela primeira vez se publicam em espanhol, são, como suas canções, um canto contra os gendarmes e os militares, contra o parlamentarismo e os políticos, contra a religião e o dinheiro, contra todas as formas de escravidão e hipocrisia humanas, e manifestam o alcance contestatório, às vezes violento, da obra de um homem que sempre fugiu dos dogmas e do maniqueísmo, que viveu fiel a seu compromisso com a liberdade e a seu rechaço da ordem estabelecida.

Escritos libertarios
Georges Brassens
Fundación de Estudios Libertarios Anselmo Lorenzo – Pepitas de Calabaza Ed. Colección Biblioteca de la anarquía, 1. Madrid 2021
112 págs. Rústica 17×12 cm
ISBN 9788417386566
11,50 €

www.pepitas.net/

Tradução > Sol de Abril

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Galhos desfolhados.
Só as brácteas coloridas
da altaneira poinsétia.

Josete Maria Vichineski

Alemanha Nazista: quem alimentou o mito de Adolf Hitler?

Quem foi o responsável pela propaganda da Alemanha Nazista? A resposta é simples.

Joseph Goebbels

Um gênio com as palavras. Um manipulador nato. Um orador formidável. Um homem que sabia como levar uma multidão ao delírio. Um homem cheio de inseguranças com relação à sua aparência e também ao fato de ter sido rejeitado ao serviço militar, o que o impediu de lutar na Primeira Guerra. Ele buscava compensação para o que lhe faltava e alcançou um doutorado em Filologia Alemã pela Universidade de Heidelberg. Um homem abençoado com o talento da comunicação, ele tinha o dom de colocar no papel seus pensamentos e visões e de transformá-los em discursos eloquentes e persuasivos.

Não há nada mais reconfortante que umas belas frases. E muitas foram elaboradas e utilizadas como armas para subjugar a Alemanha.

Um talento muito admirado por Adolf Hitler, quem, embora fosse um orador grandioso, era terrível em expressar os pensamentos com eloquência. Não que que Adolf Hitler fosse apenas uma marionete, mas, se considerarmos todos os discursos proferidos ao público alemão desde 1926, Hitler estava apenas pronunciando as palavras escritas por seu camarada, Joseph Goebbels.

Você pode se perguntar como uma pessoa consegue se envolver tanto com uma causa a ponto de escrever palavras tão horríveis. Nós geralmente nos esquecemos de como é fácil odiar e culpar os outros por nossas próprias limitações. É mais fácil olhar para fora do que para dentro. E Joseph Goebbels guardava muito ódio dentro de si. Ódio e raiva que ele pretendia usar em seu próprio programa de trabalho; do Partido Nazista direto para o mundo.

Nascido na Renânia – Rheydt, Alemanha –, em 27 de outubro de 1897, no seio de uma família católica muito estrita e de classe trabalhadora, Joseph Goebbels cresceu para se tornar um dos homens mais inteligentes do Terceiro Reich, como também era conhecida a Alemanha Nazista. Primeiro, ele finalizou o ensino primário em uma escola Católica Romana e, mais tarde, na premiada Universidade de Heidelberg, estudou História e Literatura, que culminou em um doutorado em Filologia Alemã. Ainda assim, com todo seu mundanismo e suas ambições intelectuais, Goebbels se julgava inadequado. Talvez, sentia-se assim por ter sido rejeitado pelo exército alemão devido a um pé torto, sequela de osteomielite que sofreu na infância e que o deixou mancando pelo restante de sua vida adulta. Ou, quem sabe, sua inadequação viera de sua compleição física; ele tinha uma cabeça grande, um porte pequeno e cabelos escuros, ao invés de um aspecto nórdico. A compleição nórdica, com cabelos loiros e olhos azuis, era a ideal.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.pressenza.com/pt-pt/2021/10/alemanha-nazista-quem-alimentou-o-mito-de-adolf-hitler/

agência de notícias anarquistas-ana

O beija-flor
a bicar, de leve, a flor.
Reflexo em rio. 

Paulo Freitas de Medeiros

 

[França] Lyon, Lyon – Toujours Antifasciste!

Lyon, França, tem sofrido nos últimos meses uma onda de violentos ataques por parte de fascistas organizados. Os apoiadores do Fundo Internacional de Defesa Antifascista recordarão que em abril ajudamos a reconstruir uma livraria de anarquista que, no início deste ano, fascistas mafiosos da Geração Identitaire assaltaram e destruíram. Há atualmente uma verdadeira batalha pelas ruas – uma batalha que os antifascistas de Lyon não têm a intenção de perder!

Foi neste contexto que um confronto entre antifascistas e os extremistas religiosos de extrema-direita da Civitas ocorreu em agosto, em uma manifestação contra a prova francesa das leis de vacinação da COVID. Ocorreu um conflito e enquanto ninguém apresentou queixa contra ninguém, o Estado francês tomou a questão em suas próprias mãos e está processando sete antifascistas.

Nossos amigos agora devem se defender em um tribunal contra inúmeras acusações relacionadas a esse conflito de agosto, depois que os antifascistas em Lyon suportaram meses de perseguição do Estado. Nenhum dos fascistas envolvidos no incidente enfrentou acusações e grupos fascistas em toda a cidade ainda desfrutam de acesso a locais para se organizarem sem medo de intervenção do Estado, enquanto as autoridades ameaçam cortar o financiamento para qualquer local que ouse sediar um evento antifascista. Os antifascistas de Lyon estão agora em uma luta de três vias – combatendo a violência fascista e a zelosa repressão estatal; as acusações contra nossos sete amigos é outro campo de batalha nessa luta.

Nas palavras dos antifascistas de Lyon: “Não permitiremos que nossos camaradas sejam trancados pelas mesmas autoridades que protegem a pior imundície fascista, não fazendo nada“. O Fundo Internacional de Defesa Antifascista fez uma contribuição para a defesa legal dos sete que atualmente são acusados e nos comprometemos a fazer o que for necessário para apoiá-los e vê-los caminhar livres.

Fonte: https://intlantifadefence.wordpress.com/2021/10/30/lyon-lyon-toujours-antifasciste/

Tradução > solan4s

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Refresca um pouco
Pôr os pés na parede
durante a sesta.

Bashô

[Itália] Turim: Manifestação contra os despejos, as fronteiras e o CPR no sábado, dia 06.11

Tanto nas montanhas como na cidade, os espaços de autogestão estão sob ataque. Somente na fronteira de Montgenèvre, em sete meses, houve três desalojamentos.

Eles gostariam de deter aqueles que se organizam para atravessar e se opor a este dispositivo que controla, seleciona e mata. O número de pessoas que cruzam a fronteira permanece elevado e a repressão na fronteira só está crescendo, trazendo consigo seu preço de feridos e mortos, ainda mais agora com a aproximação do inverno.

Na cidade, mesmo e especialmente neste último período caracterizado pelo Green Pass e pelos contínuos “estados de emergência”, o controle social está aumentando e a repressão é premente: controles policiais generalizados, batidas, despejos.

O CPR (centro de recolhimento de imigrantes) no corso Brunelleschi, uma engrenagem na roda do sistema de detenção e expulsão, é a encarnação da fronteira no centro de Turim.

Estamos testemunhando uma tentativa de destruir toda forma de pensamento e prática não institucional e toda experiência de autogestão e de desarmar qualquer tensão de luta; uma tentativa de eliminar a prática das ocupações, evitando as novas e despejando lentamente as antigas.

Por tudo isso, vamos para as ruas.

Chamamos para uma manifestação em Turim, sábado 6 de novembro às 16h30!

Para obter informações, atualizações e materiais, siga:

https://www.passamontagna.info e https://nocprtorino.noblogs.org

Fonte: https://www.passamontagna.info/?p=2740

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

cai, riscando um leve
traço dourado no azul
uma flor de ipê!

Hidekazu Masuda

[Itália] Sobre os eventos em Trieste. Crônica e considerações sobre uma luta No Green Pass

Há algumas semanas, a cidade periférica de Trieste está no noticiário nacional e internacional, primeiro por causa das grandes manifestações contra o Green Pass (passe sanitário e vacinal imposto pelo governo) e depois após o desalojamento promovido pela polícia em frente ao porto em 18 de outubro. Antes de tentar esboçar algumas considerações, é necessário reconstruir os acontecimentos dos últimos meses.

Já no final da primavera haviam ocorrido várias manifestações contra a vacinação obrigatória, organizadas pelas diversas associações No Vax (Aliser e Comilva), que têm uma longa história em Trieste, e pelo recém-nascido movimento do partido 3V (que surgiu em nível nacional de antigos membros do partido 5 estrelas). Estas iniciativas tiveram uma base muito ampla, como no resto da Itália, e se concentraram na liberdade de escolha, promovendo os chamados “cuidados domiciliares”. Os grupos de direita e extrema-direita, embora tenham aparecido nesses espaços, não desempenharam um papel, diante do movimento.

A situação mudou no final do verão, quando alguns indivíduos do movimento (pertencentes e não pertencentes a coletivos existentes) decidiram formar uma assembleia e tentar tomar as ruas sobre estas questões (ao que se acrescentou a questão do Green Pass) tentando “influenciar” os espaços a partir da esquerda. Uma primeira manifestação viu a participação de trezentas pessoas, seguido por uma procissão de quase duas mil para chegar ao segundo (realizado alguns dias após a notícia do Green Pass obrigatório no local de trabalho) que veria cerca de dez mil pessoas. A explosão deste movimento (assim como no resto do país) levou a uma ampliação da organização da assembleia que se tornou, naquele momento, a “Coordenação Nogreenpass” e se expandiu para os componentes No Vax mencionados acima, mas não apenas, e viu a participação nas reuniões de quase uma centena de pessoas.

Embora a cabeça dessas marchas seja ocupada por camaradas, com uma bandeira bilíngue em italiano e esloveno, e nenhuma tricolor seja vista (bandeiras de qualquer tipo são proibidas), a composição inclui tudo e o contrário de tudo: de fascistas de todas as tendências, a negadores puros, de muitos esquerdistas a qualunquistas de vários tipos, de ultras (historicamente de direita aqui) a setores de trabalhadores. Esta mistura problemática provoca fortes discussões dentro das realidades do movimento em Trieste (coletivos, sindicatos, associações…) e todas as realidades veem dentro delas posições muito diferentes: desde aqueles que se jogam de corpo e alma nesta mobilização (e também aqui sobre por que existem posições diferentes), até aqueles que vão de uma forma muito crítica, até aqueles que se recusam até mesmo a pôr os pés lá. Enquanto isso, na terceira marcha (que também foi muito bem atendida) os estivadores do Coordinamento Lavoratori del Porto di Trieste (Clpt) – Coordenação dos Trabalhadores do Porto de Trieste – participaram com sua própria seção visível (o Clpt é a realidade mais forte e organizada dentro do porto que, depois de ter se federado com o Usb por alguns anos, saiu de uma forma ruim). Embora não tenha uma posição política precisa, a maioria de seus aderentes oscila entre a simpatia pela independência e uma forte proximidade com os componentes de direita, em particular os ultras.

Em 11 de outubro, dia da greve geral nacional convocada pelos sindicatos de base, houve duas marchas distintas: pela manhã, a convocada pelos sindicatos de base (Cobas, Usb e Usi) que contou com a participação de cerca de mil pessoas, e à tarde, a convocada pela CLPT (que havia aderido à greve somente sobre a questão do green pass) e a coordenação nogreenpass que contou com 15.000 participantes.

A marcha matinal contou com uma participação significativa de camaradas de várias tendências que não haviam participado das marchas contra o Green Pass dos dias anteriores e que estavam felizes em sair às ruas sem presenças desconfortáveis ou discursos ambíguos sobre a pandemia. Em todo caso, o dia 11, com a enorme participação na marcha da tarde, confirmou o caráter de massa, interclasse e extremamente contraditório do movimento contra o Green Pass.

No dia seguinte, a Clpt anunciou que a partir de 15 de outubro bloquearia o porto até que o Green Pass fosse retirado, mesmo recusando-se a fornecer almofadas gratuitas para os estivadores dizendo que eles se recusavam a ser privilegiados em comparação com outros setores de trabalho. No dia 14 de outubro, entretanto, a próprio Clpt recuou e chamou apenas uma guarnição em frente ao portão 4 do porto, sem a intenção de bloquear as mercadorias ou os trabalhadores que queriam ir ao trabalho.

Desde o início da manhã de 15 de outubro, milhares de pessoas (incluindo delegações crescentes de fora da cidade) afluíram ao Portão 4, que se tornou imediatamente o símbolo nacional de resistência contra o Green Pass. A composição é a mesma – muito transversal – das marchas das semanas anteriores; o porto, mesmo com fortes atrasos devido a cerca de 50% dos trabalhadores ausentes, continua a operar.

Nos dias seguintes, o espaço em frente ao portão 4 foi transformado em uma espécie de festa permanente com música, comida e dança, com uma contínua ida e volta tanto da cidade como do exterior. A participação dos estivadores, porém, e isto já era evidente no sábado 16, diminuiu progressivamente para algumas dezenas, reunidas em torno de seu porta-voz Stefano Puzzer, que havia se tornado famoso em nível nacional. Também apareceram personagens incontornáveis como Montesano, Paragone e o ex-general Pappalardo, assim como a presença constante de fascistas, em particular da Casapound, que estavam presentes em massa de toda a região desde sexta-feira. Os camaradas que teimosamente continuam presentes aparecem cada vez mais sobrecarregados com a variada massa de pessoas de fora.

Na segunda-feira 18, como todos sabem, as forças da desordem chegam para evacuar a guarnição. Um despejo muscular e determinado, no qual, no entanto, é claro que a ordem não é para massacrar as pessoas presentes (que de qualquer forma são cerca de mil ou dois mil), mas apenas para removê-las permanentemente do portão do porto. É assim que os canhões de água e o gás lacrimogêneo fazem seu trabalho sujo, acendendo um choque que, embora à distância, continuará até a noite, com o lançamento de garrafas e latas de lixo derrubadas (serão, acima de tudo, mesmo que não só, os componentes de direita e ultras que serão os protagonistas desta segunda parte do dia). A maior parte do povo, no entanto, derramou-se no centro da cidade em uma marcha não autorizada até convergir para a Piazza Unità, que se tornou imediatamente o novo coração do protesto. Para a adormecida cidade de Trieste, porém, é um evento “de momento”.

À tarde, os estivadores se reúnem com o prefeito e obtêm uma reunião com um emissário do governo para o sábado 23. Neste ponto, porém, especialmente a partir de terça-feira 19, grupos místicos, newage, espiritualistas, fundamentalistas católicos, negacionistas e No Vax de outras cidades aparecem em grande número, transformando o protesto em uma feira do absurdo, atingindo alturas inimagináveis de surrealidade.

Imediatamente depois, a CLPT emitiu um comunicado liberando Puzzer de sua posição na Piazza Unità; a partir daquele momento, por alguns dias, os estivadores desapareceram completamente do local, só para reaparecerem no sábado. A próxima reviravolta é que Puzzer anuncia o nascimento do “Comitê 15 de outubro” liderado não somente por ele mesmo, mas também por pessoas de fora da cidade e em particular por Dario Giacomini, radiologista e ex-candidato ad Casapound. Este é mais um passo para marginalizar ainda mais o componente de “esquerda” representado pela Coordenação Nogreenpass.

Enquanto isso, a Prefeitura e a Sede da Polícia iniciam uma campanha de imprensa terrorista preventiva, tendo em vista as jornadas de sexta-feira e sábado em que anunciam a chegada de 20 mil pessoas, entre as quais alguns poucos de “Blackbloc” (afinal, estamos no vigésimo aniversário de Gênova), tanto que a Prefeitura fecha bibliotecas e museus. A pressão é tão grande que o Comitê de 15 de outubro cancela o protesto planejado na sexta-feira, pedindo às pessoas que se manifestem em suas próprias cidades, e pede apenas uma guarnição no sábado de manhã.

Na sexta-feira, a cidade foi completamente militarizada, e uma dúzia de mandados de viagem foram emitidos (sem nenhuma razão real além de serem militantes conhecidos) para aderentes do Casapound e outros nazistas, e também para dois anarquistas de Trento. Apesar disso, várias centenas de pessoas ainda estarão na Piazza Unità o dia todo.

No sábado 23 de outubro, o Comitê de 15 de outubro se reuniu com o Ministro Patuanelli, conforme previsto, reiterando suas exigências: não ao Green Pass e à vacinação obrigatória e um pedido de desculpas pela intervenção policial na segunda-feira 15. Obviamente, o ministro se limitou a dizer que “apresentaria um relatório ao governo”. Na coletiva de imprensa posterior na praça, que contou com a presença de cerca de mil pessoas, Puzzer confirmou que as mobilizações iriam adiante.

A crônica acaba aqui. Poderíamos preencher páginas e páginas com considerações sobre o que está acontecendo, mas, por razões de espaço, limitar-me-ei a alguns breves pontos.

1) O tópico da luta contra o Green Pass (e especialmente sobre como realizá-lo) é um tópico altamente conflituoso e polarizador do debate, e obscurece praticamente todos os outros tópicos. Neste sentido, a denúncia do Green Pass como arma de distração em massa é certamente precisa e infelizmente dramaticamente verdadeira.

2) Na minha opinião, é impossível continuar a luta contra o Green Pass sem enfrentar a questão da vacina, que é o verdadeiro problema em jogo.

3) Reclamar a liberdade de escolha de tratamento como primeiro ponto sem combiná-lo com uma luta pela liberalização das patentes de vacinas para que todos os habitantes do planeta tenham realmente a chance de decidir é, em minha opinião, uma visão extremamente falsa a partir de uma perspectiva privilegiada de primeiro mundo.

4) O pedido de tampões gratuitos para todos, que poderia/deve tornar-se um dos pontos principais das mobilizações atuais, não está sendo agitado porque existe uma hegemonia cultural dos componentes explicitamente No Vax.

5) Mesmo quando à frente deste movimento há camaradas que tentam dirigir a luta em uma direção não desigual, se não for feita a escolha imediata de estabelecer palavras de ordem claras e discriminatórias, ao custo de trazer menos pessoas às ruas, não há como conter as derivas mais reacionárias. Neste sentido, a política de “frentes comuns” a qualquer custo mostra mais uma vez todo o seu perigo.

É evidente que a situação permanece complexa, que nenhum de nós tem soluções prontas e que o debate deve continuar.

Um companheiro de Trieste

Fonte: https://umanitanova.org/sui-fatti-di-trieste-cronaca-e-considerazioni-su-una-lotta-no-green-pass/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/22/italia-um-porto-uma-anomalia-uma-faisca/

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Se afasta a lanterna
Sumindo na escuridão —
O canto do cuco.

Shiki

[Espanha] Inaugurada a Biblioteca Anarquista Mari Luz Lozano

No sábado passado, 30 de outubro, inaugurou-se na calle Hilarión Eslava de Iruñea um novo espaço cultural em homenagem à célebre sangüesina Mari Luz Lozano. Na inauguração contou-se com alguns dos familiares da cenetista. O ato consistiu em uma apresentação com detalhes sobre o funcionamento do espaço e da biblioteca. Em seguida repassaram-se os pontos mais relevantes de sua extensa, apaixonante e desconhecida biografia.

Mari Luz Lozano, nascida em Sangüesa em 1913, foi uma incansável lutadora antifascista que sofreu de primeira mão a repressão após o levante de 1936. O novo espaço cultural e de debate dedicado a sua pessoa estará aberto ao público com espírito de encontro e de debate entre diferentes.

A nova biblioteca se encontra no número 11 da calle Hilarión Eslava de Iruñea e o e-mail de contato é biblioamariluzlozano@riseup.net. O espaço permanecerá aberto:

 >Terça-feira e quinta-feira: Das 18h às 20h
> Sábados: Das 11h às 14h

CNT Iruña

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/26/espanha-inauguracao-da-biblioteca-anarquista-mari-luz-lozano/

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Oh, melões frescos,
Se alguém aparecer,
Transformem-se em rãs!

Issa

[Chile] Lançamento: “La conciencia de las espécies”, de Jorge Enkis

Restabelecer nossa diversidade e regenerar o mundo depende dos seres humanos, pois somos o animal mais numeroso da terra, o mais dominante, o mais destrutivo.

É preciso desenvolver uma consciência e uma educação constante desde nossa infância para gerar empatia para um mundo novo e melhor, pois se não somos capazes de mudar será inevitável nossa destruição.

Baixe, imprime e difunde:

editorialautodidacta.org

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O canto do rouxinol
E seu biquinho —
Aberto.

Buson

[Reino Unido] Squatters, cultos do deserto e manifestantes do clima: novo livro examina a arquitetura de assentamentos anarquistas

Dos domos geodésicos no sul do Colorado à Selva de Calais na Europa, este trabalho provocativo estuda 60 estruturas que foram construídas de acordo com os valores da autonomia, da associação voluntária, do apoio mútuo e da auto-organização

Por Keith Miller | 13/09/2021

O livro vivaz e, de algum modo, levemente otimista de Paul Dobraszczyk é marcado por dois episódios deprimentes. Em agosto de 2020 e em junho deste ano, batidas policiais desmontaram instalações de arte no leste de Londres. Os principais alvos destas extremas demonstrações do poder estatal – dançarinos de balé, tubarões-modelo cantores, uma delicada nuvem de varas de bambu e cabos de aço – não estavam ferindo ninguém; o pretexto legal para as batidas, uma mistura distorcida de regulações planejadas e poderes emergenciais introduzidos sob a capa da pandemia, era fraco e não convincente. O fato de que a instituição de caridade artística que encomendou as instalações também é uma co-editora de Architecture and Anarchism nos permite saber que é improvável que seja antipático com seu lado da história; ainda assim é difícil evitar a conclusão de que construir “sem autoridade”, especialmente numa democracia imperfeita como a do Reino Unido, é atrair violência. Então, porque alguém faria isso?

A parte principal do livro é uma série de histórias sobre tentativas de indivíduos ou comunidades em regularem aspectos de suas próprias vidas por meio da gestão de seus espaços de convivência. Há, necessariamente, um amplo espectro da humanidade em amostra – squatters, comunas hippies, cultos do deserto, cooperativas de autoconstrução, pessoas sem-teto, manifestantes do clima, produtores agrícolas – e os resultados que eles obtêm variam em cada caso. Apropriadamente para uma tradição que tem tudo a ver com partir de ideias utópicas e dar-lhes uma forma concreta, aprendemos um pouco sobre os sonhos de papel de William Morris no século 19. Em seguida, prosseguimos pelos descolados domos geodésicos de Drop City, Colorado; pelas gloriosas quimeras dos infinitos prazeres imaginários do palácio “New Babylon”, elaborado por Constant Nieuwenhuys entre 1959 e 1974; e pelos não menos fantásticos desenhos de Archigram, para a ficção especulativa plausível e refinada de William Gibson.

A teoria é reduzida a um mínimo necessário, mas Dobraszczyk percebe uma distinção entre o indivíduo e a comunidade, “liberdade de” e “liberdade para”. Ele aponta que grupos autorregulados podem ser mais ou menos “radicais”, e consequentemente menos ou mais atrelados ao mundo “convencional” a sua volta (assentamentos contraculturais de arte funcionam muitas vezes como tropas de choque da gentrificação, por exemplo). O autor nota que, ironicamente, as pessoas que escolhem viver dessa forma são muito mais propensas a passar seus dias presas em planejamentos bizantinos e regulamentos de construção (além de intermináveis reuniões comunitárias) do que o resto de nós.

Com um livro que se inclina mais para amplitude do que profundidade, é certo que provoque questionamento sobre o que está dentro e o que ficou de fora. Gostaria de ter visto o projeto Nubia Way, em Londres, incluído no panteão das autoconstruções de Walter Segal: ele foi construído pela primeira cooperativa de casas organizada por negros na Grã-Bretanha, contra os desejos do National Front. Há muitas bricolagens desordenadas de objetos fragmentados e frágeis demonstrações de cabanas quase apocalípticas para todos aqueles que têm alguma coisa única a dizer. No relativamente pequeno número de projetos que são formados por algum intento estético ou estilístico abrangente, o que eu reconheço não ser o ponto na maioria dos casos, vê-se frequentemente uma certa qualidade infantil: os “earthships” do Novo México e, além, os Hundertwasserhaus em Viena, as cabanas de “hobbity” de Lammas em Pembrokeshire. Entretanto, nota-se que estes últimos se mostraram vulneráveis ao fogo – outro exemplo de autoridade e violência, talvez.

Paul Dobraszczyk, Architecture and Anarchism: Building Without Authority, Antepavilion/Paul Holberton Publishing, 248pp, 180 colour illus., £25 (pb), pub. 1 September 2021

  • Keith Miller é um editor comissionado, escritor do Telegraph e colaborador regular da Literary Review e do Times Literary Supplement

Foto: Fundada em 1965 no sul do Colorado, Drop City foi uma das primeiras comunidades de artistas contraculturais nos Estados Unidos

Fonte: https://www.theartnewspaper.com/2021/09/13/squatters-desert-cults-and-climate-protestors-new-book-surveys-the-architecture-of-anarchist-settlements

Tradução > Erico Liberatti

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Solitária manhã
Na flor borboleta pousa
doce companhia

Kátia de Souza

[Chile] Frente os aumentos e a precarização da vida, legítima é a violência popular

Diante de uma realidade cada vez mais cara, precarizada e de apenas migalhas para o povo pobre.

Diante de um estado que historicamente respondeu com balas e repressão às necessidades do povo.

Frente a um novo circo eleitoral e uma farsa constituinte que continuarão a defender e a justificar este modelo capitalista e a sua democracia de ricos.

Frente a uma institucionalidade que historicamente tem sido incapaz de defender os interesses populares acima dos do empresariado.

CONTRA O SAQUE A NOSSAS VIDAS.
LEGITIMA É A VIOLÊNCIA POPULAR.

NOSSAS NECESSIDADES NÃO SÃO UM NEGÓCIO!!!

Grupo de Propaganda Revolucionaria – La Ruptura.

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Venerável
É quem não se ilumina
Ao ver o relâmpago!

Bashô