[Colômbia] O fracasso da romântica COP26 em Glasgow

Durante o século XX, a diversidade humana foi reduzida a um mínimo e apenas 5% dos povos originários. O mesmo vale para a biodiversidade, pois o colapso dos ecossistemas é irreversível.

Por que os pobres se tornaram os predadores mais perigosos?

Esta é uma questão essencial para entender muitas das devastações cometidas ao meio ambiente nos países do “Terceiro Mundo”. Falando da América Latina, e por razões óbvias, os recursos naturais e as matérias-primas são um fator econômico importante para milhões de pessoas, que deles derivam seu sustento diário.

Para piorar a situação social é tão grave que em tempos de crise não são válidos nem argumentos filosóficos nem sentimentais, já que a prioridade é satisfazer os instintos de sobrevivência e conservação da espécie.

Por outro lado, estudantes, professores, intelectuais, ONGs e outras organizações conservacionistas não se cansam de denunciar a destruição brutal das florestas, a poluição dos mares e rios, o corte indiscriminado de florestas e a extinção de espécies. É muito claro que eles pertencem a um mundo no qual têm todas as suas necessidades cobertas e desfrutam de um padrão de vida imbatível. Por que eles fazem isso? Eles atingiram um nível de consciência graças à sociedade de bem-estar que lhes oferece todas as facilidades para a educação e o treinamento intelectual.

Confortavelmente sentados em seus escritórios, universidades ou escolas, eles escrevem livros e teses de doutorado, artigos de jornal, manifestos, nos quais se proclamam os redentores da humanidade. O melhor exemplo é o político americano, ganhador do Prêmio Nobel da Paz e profeta da mudança climática Al Gore, que vive em uma mansão de 20 quartos e oito casas de banho no exclusivo bairro Belle Meade de Nashville. Como se isso não fosse suficiente, ele gasta 30.000 dólares por ano em gás e eletricidade. Sem mencionar as duas limusines, três carros esportivos e um jato particular que ele tem à sua disposição para sua heroica luta contra o “aquecimento global”. Tal cinismo revela “uma verdade inconveniente”. Então são esses burgueses que vão salvar o planeta? Isto é definitivamente pura demagogia, porque eles não podem sequer imaginar quais são as condições econômicas predominantes naquelas latitudes (Terceiro Mundo) que levam milhões de marginalizados a se tornarem os predadores mais perigosos.

Atualmente quase todos os partidos políticos – sejam eles de esquerda ou de direita – incluem em seus programas a defesa do meio ambiente. Um amor à natureza tão incomum nada mais é do que uma estratégia para atrair os eleitores mais críticos e vingativos. É curioso que esta preocupação surja quando, após séculos de exploração indiscriminada, é tarde demais para mudar de rumo. Os números não mentem e as consequências são chocantes: mais de 60% das florestas tropicais desapareceram completamente. Os exuberantes trópicos descritos por cronistas num passado não muito distante não são mais do que uma terra erma e estéril.

Em conclusão: a ecologia é um assunto para os privilegiados e sua doutrina só serve para justificar os orçamentos milionários da FAO, da ONU, da WWF, do Greenpeace, das ONGs e outras organizações internacionais onde um cartel de funcionários e burocratas lucra (com altos salários e subsídios) às custas dos abusos cometidos contra a Mãe Natureza. Supõe-se que a eles cabe alocar orçamentos específicos e aplicar rigorosamente políticas para deter o horrível ecocídio que assola não apenas o Terceiro Mundo, mas todo o planeta Terra.

O ambientalismo se tornou moda e está na primeira página dos jornais e notícias da imprensa, rádio, televisão e mídia social. Esta é uma questão transcendental, que mantém a opinião pública em foco e é, portanto, propensa a se tornar um tópico de tendências ou best seller. Os programas noticiosos transmitem constantemente mensagens alarmantes: aquecimento global, resíduos poluentes, o efeito estufa, o derretimento das calotas polares, a agonia dos recifes de coral nos oceanos, o desmatamento da floresta tropical e a poluição atmosférica. Tal é o fervor que até as grandes multinacionais lançaram no mercado uma nova gama de produtos orgânicos, saudáveis e não poluentes que, devido às suas características, geram valor agregado. A designação “verde” multiplica as vendas e o sucesso é assegurado, porque os cidadãos de coração não se importam de pagar o dobro para lavar a consciência e contribuir para a salvação de nossa espécie.

É impossível para uma grande humanidade empobrecida, escravizada pela fome, analfabetismo, doenças, sem trabalho e proteção social, reagir e adquirir uma consciência. Quem pode exigir que esses milhões de marginalizados que mal ganham dois ou três dólares por dia protejam o meio ambiente? Estes proletários, trabalhadores, camponeses ou indígenas em países subdesenvolvidos são os que mais jogam lixo e poluem sem medida ou clemência. O G20 em Roma prometeu investir 100 bilhões de dólares para ajudar os países mais pobres a tomar medidas urgentes para combater a mudança climática.

O que se pode esperar de uma sociedade moderna que deificou a tecnologia? Hoje em dia, a natureza é contemplada confortavelmente sentada diante de uma tela de TV mostrando um filme ou um documentário. O vínculo ancestral que nos ligava à terra desapareceu, pois nossa nova identidade é o consumismo. Mesmo que vivam no campo, suas mentes já estão urbanizadas.

Durante o século XX, a diversidade humana foi reduzida a um mínimo e apenas 5% dos povos originários permanecem. O mesmo vale para a biodiversidade, pois o colapso dos ecossistemas é irreversível.

Estamos esmagados pela desgraça, pois este maravilhoso planeta azul, o único lugar no universo conhecido por abrigar vida, foi transformado em um monte de estrume invadido por milhões e milhões de toneladas de plástico, lixo, sucata, resíduos tóxicos e nucleares.

A civilização plástica triunfou, a cultura artesanal foi completamente aniquilada, a indústria de polímeros está produzindo em massa milhões de objetos a um ritmo enlouquecedor que levará séculos para se degradar no meio ambiente, e durante os 18 meses da pandemia do Coronavirus, mais do planeta terra foi contaminada do que em uma década porque uma série de elementos indispensáveis para combater o vírus tiveram que ser produzidos a um ritmo acelerado. Estima-se que a China (a fábrica mundial) tenha exportado em um único mês 4 bilhões de máscaras faciais, bilhões de trajes de biossegurança e milhões de suprimentos hospitalares como máscaras cirúrgicas FFP1, luvas, seringas, termômetros, testes de detecção de vírus, etc. – a maior parte dos quais são fornecidos pelos Estados Unidos – muitos obtidos de um processo petroquímico altamente tóxico e perigoso. Talvez o mais poluente seja o gel antibacteriano ou os produtos de limpeza, sanitização e desinfecção com os quais eles literalmente fumigaram cidades inteiras. Esta atitude irracional levou à poluição excessiva da água e da atmosfera com compostos de petróleo refinados (etanol, glicerina, peróxido de hidrogênio), pesticidas e surfactantes viricidas. Os resíduos sanitários invadem as bacias hidrográficas e são despejados nos mares, aumentando em dez vezes o nível de toxicidade pré-pandêmica. Esses milhões e milhões de toneladas de resíduos da era Covid-19 contribuem ainda mais para o holocausto ambiental.

Se esta grande humanidade excluída do banquete consumista chegasse ao nível de um cidadão americano ou europeu de classe média, o mundo entraria em colapso. Os países desenvolvidos consomem ¾ dos combustíveis fósseis do mundo e o consumo de energia é imensurável. As taxas de crescimento são mantidas através da pilhagem da riqueza do Terceiro Mundo. Sem essas reservas de matérias-primas, a civilização ocidental não seria capaz de continuar seu crescimento sem fim. Nos países mais ricos, o esbanjamento é a norma porque o poder de compra de seus cidadãos o permite.

Como pode uma sociedade que transformou rios, lagos e mares em latrinas, uma sociedade onde milhões de carros vomitam na atmosfera o maldito Co2 que nos sufoca, uma sociedade que é individualista e egoísta e despreza o futuro das gerações futuras, pregar o respeito à natureza? É indiscutível que o sistema capitalista com suas políticas insanas e suicidas é diretamente responsável pela crise ambiental. Embora a legislação dos Estados – tanto no Primeiro como no Terceiro Mundo – seja muito zelosa quanto à proteção da natureza, a aplicação dessas leis está sujeita a interesses econômicos obscuros. Onde ontem havia uma bela floresta, hoje está sendo construído um condomínio de luxo, um centro comercial, um aeroporto ou um grande complexo hoteleiro.

Os pobres querem imitar os poderosos, aspiram a ser como os mestres e alcançar o pico mais alto. Eles sonham em ser realizadores, nunca fracassam. O capitalismo defende e promove o espírito de superação independentemente dos meios, pois o que importa são os fins.

Na parte mais remota da Amazônia, por exemplo, é muito fácil captar qualquer canal de TV global via satélite. Os meios de comunicação são a vanguarda do grande projeto que a economia neoliberal chama de “globalização” e para eles não há fronteiras, não há moral, não há ética. Seu ideal supremo é colonizar as mentes, explorá-las, controlar as massas, criar falsas ilusões e, uma vez sujeitas a seus caprichos, integrá-las ao sistema predatório. Eles não são seres humanos, mas clientes em um grande supermercado sempre à procura de uma pechincha ou de uma pechincha.

Nos últimos 50 anos no Terceiro Mundo milhões de camponeses e povos indígenas migraram para a cidade redentora. Isto significa que hoje 65% da população mundial vive nas grandes cidades. O mundo rural, após décadas de negligência e despossessão, está em agonia. O novo “super-homem” é o “homo urbanus”, uma semente cibernética que nega sua animalidade, aprisionada em uma bolha artificial, completamente inconsciente dos ciclos naturais, não sabe como semear ou colher, e suas raízes estão no concreto e no asfalto.

A bacia amazônica sofreu a pressão migratória ou o êxodo de milhões de marginalizados fugindo da pobreza, desertificação, seca ou fome, como é o caso do Nordeste ou do sertão brasileiro, dos Andes colombianos, equatorianos, peruanos ou bolivianos. A selva representa a última chance de ressuscitar e subir na escada social, seja para explorar madeira, agricultura, caça, pesca, garimpo ou tráfico de drogas.

O paradigma da democracia burguesa é a defesa da propriedade privada. O capitalismo é um cafetão que prostitui a terra, especula e a leiloa. Suas leis são tão perversas que os direitos individuais têm precedência sobre os direitos coletivos. É aberrante, mas eles legalizaram que uma única pessoa – dependendo de seu poder de compra – pode possuir uma fazenda maior que a Suíça (como é o caso na Amazônia brasileira com as propriedades do banqueiro Daniel Dantas) enquanto milhões de pessoas deserdadas sobrevivem em favelas superlotadas.

Neste jogo de oferta e demanda, a terra é um objeto a ser explorado até o ponto de exaustão. Tudo tem um preço; uma árvore tem um preço, um pássaro tem um preço, uma cobra tem um preço, uma flor, um peixe e até mesmo um índio dissecado tem um preço. Além disso, pertencemos a uma cultura judaico-cristã na qual o ser humano foi designado por Deus como rei da criação e sua missão é subjugá-lo.

É incrível, mas no século passado, entre os colonizadores e a indústria madeireira, mais da metade das florestas andinas foi destruída. A pecuária extensiva também continua a desmatar os vales e selvas para satisfazer o apetite voraz de uma sociedade carnívora. O gado é o rei do latifúndio e o gamonal cuida deles como um membro da família. É difícil de acreditar, mas os animais gozam de uma qualidade de vida mais elevada do que os seres humanos.

A Colômbia é um país ameaçado pela erosão e no inverno as catástrofes são desencadeadas por tempestades que literalmente desmoronam as montanhas e rios que transbordam, inundando milhares de hectares de terra. Estes desastres deixam centenas de mortos e milhares de pessoas afetadas, com perdas econômicas estimadas em bilhões de pesos. Um estudo da Universidade Nacional da Colômbia prevê que os rios Magdalena e Cauca acabarão se transformando em lagos, pois o sedimento que eles carregam vai lentamente represá-los. Diante de um panorama tão terrível, seria necessário reflorestar ambas as bacias hidrográficas com 80.000.000 milhões de árvores a fim de reverter este processo devastador. Como se isto não fosse suficiente, os cientistas asseguram que até o ano 2100 haverá problemas de abastecimento de água em algumas regiões do país. (A Colômbia é um dos países com as maiores reservas de água do mundo).

Mas talvez a situação mais dramática em nosso continente seja a do Haiti, onde o solo se tornou estéril como resultado de incêndios e do intenso corte de florestas (para lenha e combustível). Os haitianos receberam uma amostra de seu apocalipse e sua sobrevivência depende inteiramente da ajuda humanitária.

Nos países subdesenvolvidos, os biocombustíveis são atualmente o grande boom. Tal é a febre que os proprietários de terras e multinacionais sob patrocínio do governo estão plantando milhares e milhões de hectares de palma africana, cana-de-açúcar, milho ou beterraba. Apesar do déficit de alimentos, empresas estatais e privadas apostaram no etanol porque seu preço está subindo nos mercados internacionais. Mas ficou provado que o custo energético da produção de etanol é praticamente o mesmo que o custo da extração e refino de petróleo. Eles querem sacrificar a comida das pessoas dos países pobres para alimentar os carros dos países ricos.

Ecologistas ou ambientalistas lutam para preservar pelo menos os restos do ecocídio. Resignados, eles se contentam em criar “zoológicos” ou parques nacionais em uma tentativa vã de salvá-los do ecocídio. Na Colômbia, estas áreas protegidas ocupam apenas 5% do território e muitas se tornaram campos de batalha onde os cartéis de drogas, paramilitares, dissidentes guerrilheiros e o exército se enfrentam. Estes santuários de flora e fauna endêmicas excepcionais são bombardeados e fumigados para impor a paz e erradicar as culturas ilícitas. Para piorar a situação, o governo entregou a concessão dos parques nacionais a agências multinacionais de turismo. Então, quem gosta do exotismo e da virgindade da natureza? Sem dúvida, apenas a elite ou os turistas estrangeiros podem se dar ao luxo de umas férias de sonho nestes paraísos perdidos. O negócio dos operadores turísticos é lucrativo porque os nativos, por um salário miserável, trabalham como garçons, garçonetes, cozinheiros ou empregadas domésticas nos hotéis, pousadas e resorts.

A natureza não é a única em perigo de extinção, uma vez que a espécie humana também está ameaçada. A mudança climática, a desertificação, a fome e as doenças estão aumentando sem poder reverter esta sentença condenatória. De acordo com a teoria de Darwin sobre a evolução das espécies, o mais forte prevalece sobre o mais fraco. Este argumento justifica a luta de classes, pois os mais pobres da terra morrem como moscas diante do olhar indiferente dos poderosos. As organizações ambientais já protestaram alguma vez contra as centenas de imigrantes que se afogaram no Estreito de Gibraltar? Certamente eles estão mais preocupados em salvar baleias ou golfinhos, o que lhes dá mais publicidade.

Em fóruns, cúpulas e congressos, dignitários, políticos e gurus estão gritando e repetindo as mesmas palavras uma e outra vez: E se o desenvolvimento sustentável, as energias alternativas, o protocolo de Kyoto, a cúpula da Terra, inúmeros conclaves como a COP26 em Glasgow (onde paradoxalmente começou a revolução industrial e que por quase dois séculos queimou a nível planetário milhões de toneladas de carvão, petróleo e gás) onde são emitidas resoluções proféticas; são assinados tratados, são expostos estudos de curto, médio e longo prazo; mais orçamentos, mais intermediários e comissões. Ninguém aperta o cinto, ninguém quer abrir mão de seus privilégios. E, no entanto, as grandes potências já se comprometeram a reduzir as emissões de gases de efeito estufa no Acordo de Paris em 2015, mas isso não foi minimamente cumprido. E o que significa então o decrescimento e a desconstrução? O progresso e o desenvolvimento não podem ser interrompidos, os mercados exigem-no e os índices das bolsas devem continuar subindo. Políticos temerosos não ousam tomar decisões impopulares e decretar uma paralisação tecnológica. No estilo de Nero, eles preferem tocar a lira enquanto veem a terra arder em um fogo furioso.

Todos os anos 30.000 elefantes na savana africana são vítimas dos caçadores furtivos. O preço por atacado de um quilo de marfim bruto vendido ilegalmente na China chegou a US$ 2.100 em 2017.

Que tipo de ser humano é que destrói a Terra? Podemos culpá-los a todos? Dominadores e explorados não são a mesma coisa. No entanto, os povos indígenas, como sociedades arcaicas e primitivas de caráter artesanal, após milhares de anos de existência preservaram o planeta praticamente incólumes, pois seu impacto sobre os ecossistemas naturais é mínimo.

A verdade é que o colonialismo e o imperialismo provocaram um cataclismo humano e ambiental sem precedentes. Pode um camponês da Somália ou um pastor de lhamas no altiplano andino se comparar com os carrascos capitalistas? Os empobrecidos e colonizados não têm outra alternativa senão destruir para sobreviver. O desenvolvimento tecnológico da civilização ocidental é inigualável na medida em que com suas armas são hoje capazes de eliminar todos os vestígios de vida na face da terra.

No Paraguai, os índios Chamacoco dedicam suas vidas à caça de tanino para vender a uma fábrica de peles na Bahia Negra. Sua decadência é terrível: uns alcoolizados, outros prostituídos, cantando louvores nas igrejas e seitas evangélicas, a maioria se abandona ao seu triste destino. Aqueles que resistirem e declararem sua oposição aos interesses das empresas ou das multinacionais serão perseguidos e punidos como perigosos antissociais.

Recentemente, o grande chefe Calonga, do Alto Paraguai, denunciou aos jornalistas os abusos cometidos contra sua comunidade: “Eles não conseguem se fartar, parece que não estão satisfeitos com o que nos fizeram. Eles querem nos transformar em paraguaios; querem que nos levantemos na frente da bandeira ou que beijemos a cruz. Eles nos vestem com seus trajes, nos forçam a prestar serviço militar e nos dão um número como nosso nome. Para nos consolar, eles nos dão latas, biscoitos e remédios como se estivessem jogando um pedaço de carniça para os animais selvagens. Somos parte do negócio e conosco eles justificam seus orçamentos. Por favor, sejamos pobres, foi o que escolhemos; tenhamos a pequena terra que nos resta, nossos rios, nossa selva. Queremos ser selvagens. Deixe-nos em paz”.

Carlos de Urabá | 2021

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/01/escocia-chamada-a-solidariedade-internacional-atraves-de-acoes-subversivas-acerca-da-cop26

agência de notícias anarquistas-ana

Flor do cerrado —
Na primavera seca
Só o ipê floresce

Eduardo Balduino

[Peru] Fúria do Livro Anarquista

(Lima, sábado 4 e domingo 5 de dezembro)

 (Versão pós-pandemia)

Retomamos as atividades e voltamos a atear fogo neste 2021. Eventos e atividades culturais são reativados em todos os lados e também a nossa feira de publicações libertárias, alternativas e contra-culturais. Estás convidado a participar ativamente nesta feira, recebemos as suas propostas pelo e-mail: furiadellibroanarquista@gmail.com. As propostas têm de estar relacionadas com o anarquismo, a perspectiva crítica ou ao antagonismo social: palestras, oficinas, feiras, apresentações de livros, projeções de vídeo, teatro, música, etc. Esta convocatória está aberta para a elaboração do cronograma de atividades para os dois dias de Fúria do Livro…

Espaço livre de álcool, fumo, machos e fachos.

Junta-te a nós, compa!

Também pode nos encontrar no Instagran como: @furiadellibroanarquista

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/02/19/peru-segunda-edicao-da-furia-do-livro-anarquista-primeira-linha/

agência de notícias anarquistas-ana

chuva intensa —
fila de guarda-chuvas
na saída do templo

Se-Gyn

[Espanha] Mujeres Libres

Por Josep L. Barone | 04/10/2021

Em 6 de junho de 1937 Federica Montseny fazia uma palestra no Teatro Apolo de Valência que tinha por título “Mi experiencia en el Ministerio de Sanidad y Asistencia Social” (Minha experiência no Ministério da Saúde e Assistência Social). Montseny militava na CNT, foi a primeira mulher a ocupar um ministério, o primeiro Ministério da Saúde na história da Espanha. Foi nomeada pelo Governo de Francisco Largo Caballero em Valência. De sua equipe de governo, a subsecretária era a pediatra valenciana Mercedes Maestre e a professora e médica Amparo Poch era a diretora geral de assistência social. As três mulheres trabalharam nas duríssimas condições impostas pela guerra, na acolhida de crianças refugiadas, na criação de comedores para mulheres gestantes e liberadores de prostituição, trataram de integrar as pessoas com necessidades especiais no âmbito laboral e elaborar o primeiro projeto de lei do aborto na Espanha, que não chegou a ser aprovado. Foi, no entanto, o governo da Generalidade da Catalunha presidido por Josep Terradellas, que, por iniciativa do então diretor geral de saúde, o também médico anarquista Félix Martí Ibáñez, aprovou em 9 de janeiro de 1937, o decreto de legalização do aborto.

Antes destes acontecimentos, desde as últimas décadas do século XIX os movimentos emancipadores tinham arraigado com força na sociedade espanhola. Uma série de associações e ativistas libertários lutaram pela emancipação dos obreiros e das mulheres em particular. A Revista Blanca (Madrid, 1898-1905; Barcelona, 1923-1936), fundada pelos pais de Federica Montseny, chegou a alcançar tiragens de 8.000 exemplares; Generación Consciente, revista mensal publicada em Alcoy entre 1923 e 1928, conseguiu também amplíssima difusão entre as classes obreiras, e teve que transformar-se em Estudios, Revista eclética (Valência, 1928-39), para evitar problemas com a justiça e a censura. Em todas elas se debatia a liberdade das mulheres, o problema da prostituição, o incremento descontrolado da população (neomalthusianismo), a sexualidade ou o controle da natalidade. Outra destas publicações foi Mujeres libres, fundada por Amparo Poch, Lucía Sánchez Saornil e Mercedes Comaposada. A revista era porta-voz da Federação de Mujeres Libres, que lutavam em prol da liberação da mulher obreira, uma revista para as mulheres, escrita exclusivamente por mulheres, que foi publicada entre 1936 e 1938.

Tudo isto expressa a ampla tradição do movimento libertário na luta pela liberação das mulheres e a conquista de seus plenos direitos – isto que agora chamamos feminismo – um movimento que não só aspirava a igualdade, mas a revolução social nos costumes e valores.

É imensa a riqueza cultural e política da sociedade espanhola desde finais do século XIX até a ditadura franquista. O que acabo de mencionar fazia parte de amplos movimentos de transformação social que iam desde uma nova escola, o nudismo, o vegetarianismo, a liberdade sexual, o controle de natalidade… Um feminismo que punha o foco na revolução social, na transformação da moral, da família e valores, na revolução sexual e o questionamento dos papeis de gênero. É bem merecida a romântica homenagem que o cineasta britânico Ken Loach fez às jovens milicianas em seu filme “Tierra y Libertad” (1995).

Sem dúvida, a aprovação do sufrágio feminino no Parlamento espanhol merece reconhecimento como avanço social e como símbolo. No entanto, a conquista do sufrágio feminino de modo algum foi o começo do movimento feminista na Espanha, antes foi a consequência. Votar é condição sine qua non, mas não suficiente para a democracia social. Obviamente, o franquismo apagou da memória coletiva a imensa riqueza cultural e política que as classes trabalhadoras espanholas ofereceram à cultura europeia no começo do século XX. Costuma-se dizer que a história, a escrevem os vencedores e isto explica a falta de memória e a visão seletiva de nosso passado promovida pela transição. É imprescindível reconhecer a grande contribuição de muitas mulheres libertárias espanholas em um tempo tremendamente difícil. Uma contribuição geralmente admirada em outros países europeus e que mereceria maior reconhecimento e respeito.

Fonte: https://www.eldiario.es/comunitat-valenciana/opinion/mujeres-libres_129_8363818.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

esse canto
é azul, azul, azul
quase branco

Claudio Daniel

[Chile] Não queremos eleições | Queremos chegar ao fim do mês

A institucionalidade só cuida dos interesses dos ricos e nada do que vier dela se preocupará em resolver os verdadeiros problemas dos pobres, que são as necessidades básicas.

Enquanto o capitalismo, o Estado e os seus processos democráticos/burgueses continuarem a governar as nossas vidas, não há dignidade possível para o povo.

Politizar a luta a partir das nossas necessidades mais sentidas.

Bora iniciar a política da luta frontal pelas nossas necessidades.

Grupo de Propaganda Revolucionária – La Ruptura.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/07/chile-os-empresarios-nunca-perdem/

agência de notícias anarquistas-ana

o infinito
em meus versos medidos
enfim, contido

Rosana Hermann

Achada vala comum com 150 civis assassinados no terceiro dia da Guerra Civil Espanhola

Partidários de Franco fuzilaram 400 pessoas nessa aldeia de Aragão, em grupos de 20, conforme reconheceu um miliciano detido pelos republicanos em 1937

 Por Vicente G. Olaya| 25/10/2021

Um rio chamado Aguasvivas passa, ironicamente, bem perto do lugar onde se ocultam as mortes mais cruéis. A Associação Mariano Castillo Carrasco promoveu a abertura das valas comuns onde estavam sepultadas pelo menos 150 pessoas fuziladas no cemitério de Belchite (região de Aragão, norte da Espanha) em 20 de julho de 1936, entre as 22h e 0h, pelas mãos de uma centena de membros locais da Falange, a milícia de inspiração fascista que lutou contra a República na Guerra Civil Espanhola (1936-39). O horror provocado pelo massacre – calcula-se que haja outros 200 corpos nos muros externos do cemitério – levou as próprias tropas franquistas, ao retomarem o município ao final da guerra, a se escandalizarem com atos tão desumanos. Os primeiros corpos achados, a poucos centímetros da superfície, são de homens e mulheres indistintamente, todos descalços e alguns, inclusive, com os pés e as mãos atados às costas. A maioria apresenta perfurações de bala no crânio. Junto com seus restos mortais, pequenos objetos da vida cotidiana como botões, fivelas e até um humilde lápis. “Desconhecemos a extensão da vala, mas as duas prospecções que fizemos [separadas por 20 metros] deixam ver a poucos centímetros da terra os ossos dos executados. As testemunhas de tudo aquilo disseram a verdade”, afirma o arqueólogo Gonzalo García Vegas, codiretor das escavações.

Dois dias depois do golpe de Estado de 18 de julho de 1936, tropas falangistas entraram em Belchite e depuseram o prefeito da localidade, o socialista Mariano Castillo, além de deter sua esposa e seu filho. Castillo se suicidou na cela onde foi encarcerado, mas essa decisão desesperada não evitou que seus dois familiares fossem fuzilados sem piedade. Entretanto, não foram as últimas vítimas inocentes.

Um ano depois, em agosto de 1937, os republicanos atacaram este município, então com 3.800 habitantes, na sua tentativa de cercar Zaragoza, que fica perto daqui. Por isso foram travados duríssimos combates que terminaram na destruição total do povoado. Lutou-se rua a rua, casa a casa, porta a porta. Atualmente há um itinerário chamado Rastros da Guerra Civil que indica as trincheiras, refúgios e construções militares, tanto de ataque como de defesa, desta batalha que se prolongou por 13 dias e terminou com a tomada da localidade pelos republicanos.

Em um dos combates, Constantino Lafoz Garcés, um camponês de 35 anos que se filiou à Falange no mesmo dia em que a milícia entrou no povoado, foi detido pelos partidários da República e interrogado em 7 de setembro de 1937. Seu depoimento, guardado no Arquivo Geral de Simancas, é horripilante. Informa que 200 pessoas foram fuziladas no interior do cemitério – e outras 200 fora dele –, todos civis, sendo que ele mesmo matou 50 homens e cinco mulheres, conforme lhe ordenaram os chefes da Falange. Lafoz detalhou que as tropas que defendiam o vilarejo incluíam 100 falangistas, 150 membros da Ação Cidadã e uma centena de requetés, como eram conhecidos os integrantes de uma milícia ultraconservadora que atuava no período. Seus chefes se chamavam Miguel Salas, don Antonio (tabelião imobiliário) e o requeté Narciso Garreta.

Acabada a guerra, e após a destruição completa do povoado, o ditador Francisco Franco ordenou que, em vez de reconstruí-lo, outra vila fosse erguida ao lado. Um manto de silêncio cobriu assim a localidade durante a ditadura. Os recursos do projeto Memória Democrática, com contribuições do Executivo nacional, da Secretaria de Estado da Memória Democrática e do Governo de Aragão, serviram para que há um mês a equipe do antropólogo forense Ignacio Lorenzo Lizalde, os arqueólogos Hugo Chautón, Gonzalo García Vegas, Sergio Ibarz, a restauradora Eva Sanmartín e um grupo de colaboradores tentem recuperar os corpos dos assassinados.

“Quase todas as vítimas do massacre eram moradores de Belchite ou de algum povoado próximo”, explica o codiretor Hugo Chautón. “Por isso, sob a coordenação de Ignacio Lorenzo, serão feitos exames de DNA nas vítimas exumadas, para comparar com seus familiares vivos e incorporá-las à base de dados do Governo de Aragão. Assim poderemos determinar quem era quem.”

A escavação arqueológica em curso atualmente ocupa 80 metros quadrados e é adjacente à zona de nichos, embora haja outra menor, a 20 metros de distância. Ao abrir a terra foi achada, a menos de meio metro de profundidade, uma dúzia de corpos humanos, alguns dos quais presos nos tijolos dos nichos, já que esta parte do cemitério é posterior à chacina. Não se sabe se sob estes corpos entrelaçados há outros, mas não se descarta.

Um dos restos, pertencente a um homem de mais de 1,80 metro, apareceu de barriga para baixo, com mãos e pés amarrados às costas. “Possivelmente”, explica García Vegas, “por sua grande corpulência, resistiu mais e o amarraram antes de assassiná-lo. Jogaram-no à vala sem contemplações.”

E quem eram? O depoimento de Constantino Lafoz não deixa lugar a dúvidas. Cita nomes e apelidos das vítimas e relata que fuzilaram, em grupos de 20 pessoas, os irmãos Sargantana, o Funileiro, o Capataz, o Sapateiro, o Sopa, Carruela, Simón Pedro Juan e a uma filha dele, a Pascualota, e as Bonecas… Antes, segundo Lafoz, foram açoitados “para arrancar declarações deles”.

Em 1940, Franco decidiu não reconstruir no mesmo lugar o devastado povoadode Belchite, deixando as ruínas como mostra da coragem dos seus defensores. Morreram mais de 2.000 soldados do lado franquista, dos 7.000 que resistiam no povoado, e 2.500 invasores republicanos, em um exército composto por 25.000 soldados. O número de moradores da localidade caiu de cerca de 3.500 antes da guerra para menos da metade. “Eu lhes juro que sobre estas ruínas de Belchite se edificará uma cidade bonita e ampla, como homenagem ao seu heroísmo sem igual”, afirmou o ditador. O que se esqueceu, entretanto, foi de mencionar que sob a terra do cemitério, assim como junto a seus muros, amontoados, se ocultavam ignominiosamente os restos de centenas de inocentes, muito perto do rio Aguasvivas.

Fonte: https://brasil.elpais.com/internacional/2021-10-25/achada-vala-comum-com-150-civis-assassinados-no-terceiro-dia-da-guerra-civil-espanhola.html

agência de notícias anarquistas-ana

lá se vão as garças
vão pairando sobre o rio
vão cheias de graça

Gustavo Felicíssimo

 

[Grécia] Protesto reúne centenas de anarquistas contra o fascismo, o Estado e o capitalismo

Uma manifestação contra o fascismo, o Estado e o capitalismo aconteceu na tarde deste sábado (06/11) no centro de Atenas. Os manifestantes carregaram faixas com slogans antifascistas e anticapitalistas, bem como bandeiras vermelhas e negras, e marcharam nas redondezas da Praça Victória. Um forte contingente policial acompanhou de perto o protesto, mas não foram registrados confrontos com a polícia.

A luta contra o fascismo não pode deixar de ser uma luta contra o Estado, e é uma luta que não será vencida nem institucional nem judicialmente, mas no campo de batalha, ou seja, nas ruas , praças, locais de trabalho, escolas e faculdades. A luta militante contra o Estado e o fascismo continuará“, diz trecho de um folheto distribuído pelo coletivo anarquista Rouvikonas.

|| MORTE AO FASCISMO, AO ESTADO E AO CAPITALISMO ||

agência de notícias anarquistas-ana

Harmonia de cores.
Espalhando a primavera
Borboletas voam.

Francisco Ferreira

[Espanha] Nova localização da Biblioteca Anarquista La Maldita

Os tempos mudam, as ideias permanecem.

Passaram 12 anos desde que a biblioteca começou como um projeto, muito aconteceu desde então.

Ultrapassamos muitos obstáculos e tropeçamos um pouco. As nossas costas são suficientemente fortes para assumirmos os êxitos e erros que cometemos, sem termos de nos reinventar, consideramo-los parte da aprendizagem e do trabalho diário, sem fórmulas mágicas ou mantras que ofuscam a capacidade de análise e de ação. Como um velho pedreiro anarquista que já nos deixou costumava dizer, “temos de fazer, sem medo de cometer erros, com humildade para aprender, mas temos de fazer” e é isso que estamos a fazer, meu amigo Lucío, é isso que estamos a fazer.

Se há uma coisa de que somos claros, e a experiência tem-nos mostrado, é que nestes tempos o anarquismo e os espaços libertários têm ainda mais razões para existir do que quando começamos, já em 2009.

A necessidade de transformar a sociedade e confrontar o capitalismo e o seu sistema predatório com a vida está a tornar-se urgente. Como anarquistas, as opções autoritárias, delegativas e parlamentares não nos seduzem porque as consideramos estéreis e enganosas face à mudança de que necessitamos, sendo o único caminho a revolução social. Não procuramos conquistar o poder, mas sim eliminá-lo. Não queremos ser oprimidos, nem oprimir.

É a partir desta lógica que surge a biblioteca como um anseio e reflexo dos ateneus libertários que nos anos 20 surgiram no calor do sindicato e que complementaram o projeto revolucionário de que precisávamos e necessitamos.

A biblioteca é um espaço à margem da lógica mercantil onde se pode encontrar uma grande coleção de livros em empréstimo gratuito com mais de 1000 exemplares catalogados por temas e gêneros no âmbito do pensamento crítico.

Um arquivo de cartazes, documentos e fanzines a partir dos anos 90 que refletem a evolução e trajetória do movimento libertário.

Uma videoteca que nos aproxima das realidades e lutas de outros lugares através do formato audiovisual.

Uma biblioteca infantil com um espaço para os mais pequenos.

Um modesto projeto editorial a partir do qual podemos dar as nossas contribuições.

Uma distribuidora de material libertário.

O modelo organizacional é baseado na montagem, horizontal e autogerida, sem líderes que nos traem, sem subsídios que condicionem o nosso discurso e prática, tornando possível enfrentar o atual sistema de dominação sem concessões ou laços. A nossa intenção era e ainda é ir além das quatro paredes do espaço e ter impacto na rua, praticando a solidariedade, o apoio mútuo e a ação direta nos conflitos e processos políticos que nos rodeiam.

Um espaço de encontros e formação, onde se realizam apresentações de livros, palestras, debates, workshops, projeções e exposições, para tecer afinidades e simpatias que nos aproximam desse horizonte chamado utopia.

As portas estão abertas. Venha conhecer a La Maldita!

Hoje, como ontem, continuamos a levantar o nosso punho no ar.

Por ocasião desta mudança de endereço, estamos agora localizado na Calle Pablo Cassal número 17 (Gamonal, Burgos).

A Biblioteca Anarquista La Maldita

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

campo de primavera
aonde irá essa gente?
de onde será que vem?

Shiki

[Espanha] Lançamento: Brassens | Georges Brassens | Poemas y canciones

Celebra-se o centenário de Georges Brassens, o cantautor francês que retratou o século XX como ninguém, e em Nórdica o celebramos com uma cuidadosa seleção de seus poemas e canções em edição bilíngue.

Escreveram-se teses de doutorados sobre sua obra. Seu trabalho foi traduzido a uma vintena de idiomas, incluindo o esperanto. Músicos e artistas de todo o mundo o homenageiam constantemente. Cento e cinquenta escolas públicas da França tem o seu nome, além de centenas de ruas, praças, parques e salas de concertos.

Brassens segue sendo o poeta do cotidiano, o escritor do francês perfeito e o defensor mais ferrenho da decência humana. Sempre haverá quem olhe o mundo atual e sinta falta do comentário mordaz de um escritor que tinha mais de filósofo que de artista, e mais de artista que de filósofo.

Brassens

Georges Brassens

Poemas y canciones

Nórdica Libros, 10/2021

156 Págs. 21×15 cm. Tapa dura

ISBN 9788418451836

22,50 €

nordicalibros.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/11/05/espanha-lancamento-escritos-libertarios-de-georges-brassens/

agência de notícias anarquistas-ana

Acorda, acorda!
Vem ser minha amiga,
Borboleta que dorme!

Bashô

Dois Continentes: Quatro Países! Carlo Aldegheri: Vida de um Anarquista de Verona ao Brasil!

No dia 18 de novembro de 2021, quinta-feira, às 20:30 horas (horário italiano), às 16:30 horas (horário brasileiro), haverá o lançamento da versão italiana do livro “Carlo & Anita Aldegheri: Vidas Dedicadas ao Anarquismo”, publicado pelo Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (NELCA) e pelo Centro de Cultura Social de São Paulo (CCS-SP), em 2017.

O livro “Due Continenti, Quattro Paesi. Carlo Aldegheri: Vita di un Anarchico da Verona al Brasile”, que acabou de ser publicado pela Editora Cierre, foi organizado por Andrea Dilemmi, com contribuições de Natale Musarra, Marcello Stefinlongo e demais companheiros, possui 148 páginas, com diversas ilustrações. O lançamento será na Biblioteca Anarquista Giovanni Domaschi – La Sobilla, na cidade de Verona (Itália), mesma região onde nasceram tanto Carlo Aldegheri, como Giovanni Domaschi. Os Membros do Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (NELCA) Marcolino e Antonio Carlos participarão do evento remotamente.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/08/17/video-entrevista-com-carlo-aldegheri/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/02/07/video-carlo-anita-aldegheri-vidas-dedicadas-ao-anarquismo/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/11/21/lancamento-carlo-anita-aldegheri-vidas-dedicadas-ao-anarquismo/

agência de notícias anarquistas-ana

Pequenas abelhas —
até na flor de cebola
a sua colheita.

Matsuki

Catástrofe de Esmirna: como Turquia expulsou gregos incendiando uma cidade há quase cem anos

No início do século passado, havia, na costa ocidental do que hoje é a Turquia, uma cidade majoritariamente grega banhada pelo Mar Mediterrâneo.

Esmirna era uma próspera cidade onde os turcos eram minoria. Representavam menos de um terço da população, formada majoritariamente por gregos cristãos. Ambos os grupos conviviam com comunidades menores de armênios e judeus.

O que seus habitantes não sabiam era que o multiculturalismo que caracterizava a metrópole deixaria de existir duas décadas depois — e que aquela cidade milenar passaria a se chamar Izmir, tradução para o turco do nome grego original.

Em agosto de 1922, depois de vencer a batalha final de Dumlupinar na Guerra Grego-Turca, o Exército de Mustafa Kemal Atatürk — considerado o “pai da Turquia moderna” — deu um passo a mais na direção do objetivo de diminuir a influência helênica em Anatólia — a península na Ásia que compõe a maior parte do território da atual Turquia, também chamada de Ásia Menor.

A batalha de Dumlupinar, além de marcar o fim do sangrento conflito, que se estendeu de 1919 a 1922, representou o começo do fim da presença grega na Ásia Menor.

Ao expulsar as forças gregas do que era o Reino da Grécia, Atatürk também começou a retirar uma grande quantidade de gregos étnicos, algo que depois se institucionalizou e foi denominado “o intercâmbio de populações entre Grécia e Turquia”.

Diante desse intercâmbio de população, estipulado pelo Tratado de Lausanne, de 1923, cerca de 1,5 milhão de cristãos ortodoxos gregos — muitos dos quais nunca haviam vivido fora do que é hoje o território turco — foram expulsos da região. Um número menor de muçulmanos foi deportado da Grécia para a Turquia.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-58873388

agência de notícias anarquistas-ana

Sol de primavera —
O despertar das flores
É quase um sussurro.

Paulo Ciriaco

[Espanha] CNT-AIT: Cento e onze anos de luta pela liberdade

Fundada em 1º de novembro de 1910 no Palácio de Belas Artes de Barcelona, a Confederação Nacional do Trabalho (CNT) é um sindicato confederal de sindicatos autônomos de ideologia anarcossindicalista na Espanha, filiado à organização mundial Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT). Por esta razão, é também conhecida como CNT-AIT.

A CNT-AIT é uma organização que tem desempenhado um papel transcendental na história da Espanha com uma influência significativa dentro dos movimentos sociais e do movimento operário, inclusive realizando a Revolução Social de 1936 a 1939.

A proposta de criação da CNT em 1910 foi o fruto sustentado e paciente do sindicalismo dos trabalhadores para encontrar uma coordenação que se acreditava ser necessária e benéfica para a classe trabalhadora em sua luta contra o capitalismo e para o desenvolvimento de uma nova sociedade baseada na igualdade, justiça e bem-estar humano. Suas origens podem ser rastreadas até 1870, ano em que foi fundada a Federação Regional Espanhola (FRE, que aderiu à AIT).

As sucessivas experiências internacionalistas na região espanhola não caíram em ouvidos moucos e apesar da perseguição, dissidência, períodos de clandestinidade e incessante repressão governamental, o espírito solidário e libertário da AIT continuou enraizado no coração do movimento operário espanhol.

Fonte: https://www.cnt-ait.org/cnt-ait-ciento-once-anos-de-lucha-ansrcosindical/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Também para as pulgas
A noite deve ser longa
E solitária.

Issa

Lançamento: “Páginas Revolucionárias – Anarquismo, contracultura e imprensa alternativa no Brasil”, de João Henrique Oliveira

A década de 1960 foi marcada pelo signo da contestação ao establishment. Seja nos protestos do Maio de 68 ou no heterogêneo movimento de contracultura, um inconfundível perfume libertário pairava no ar e impelia a juventude a se voltar contra as duas faces da tecnocracia dos tempos de Guerra Fria: o capitalismo made in USA e o “socialismo de Estado” da URSS. Entre as variadas bandeiras levantadas nas passeatas ou nos textos dos jornais independentes, o anarquismo também marcou presença como uma das ideologias que foram ressignificadas naquele fervente caldeirão de rebeldias. Mas… e no Brasil? Houve quem buscasse reacender a chama negra do anarquismo, mesmo sob as trevas da ditadura? E os ventos da contracultura? Sopraram também por aqui?

No livro Páginas Revolucionárias – Anarquismo, contracultura e imprensa alternativa no Brasil, o historiador João Henrique Oliveira investiga como e por quem os conceitos e práticas anarquistas foram reivindicados aqui, nestes nossos “tristes trópicos”, avaliando ainda se foi estabelecido algum tipo de diálogo entre os preceitos do anarquismo e as ideias da contracultura. Para isso, o autor pesquisou jornais publicados entre os anos 60 e 90 – a maioria durante o período áureo da imprensa alternativa, importante trincheira de resistência ao regime verdugo. Também foram analisados depoimentos de personagens que viveram a época e ajudaram a escrever importantes páginas de uma história ainda pouco conhecida. Páginas revolucionárias que ainda trazem uma significativa mensagem libertária para as lutas – de hoje e sempre – contra os autoritarismos de todos os matizes.

Páginas Revolucionárias – Anarquismo, contracultura e imprensa alternativa no Brasil

João Henrique Oliveira

Rizoma Editorial

258 p.

R$ 30

Informações e vendas: jhcastro2015@gmail.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/18/o-inimigo-do-rei/

agência de notícias anarquistas-ana

No verde da praça
a rã salta, salta, salta
e assusta quem passa.

Nilton Manoel

[Espanha] BICICLETA Revista de Comunicações Libertárias volta a recordar QUEM MANDA AQUI?

Publicação de uma recompilação de seus conteúdos, com formato de livro-revista, dos 47 números editados entre 1977 e 1982

Sobre o projeto

Edição de uma publicação, com formato de livro-revista, de 360 páginas. É uma recompilação dos 47 números da revista BICICLETA (Revista de Comunicações Libertárias), que se publicou na Espanha da Transição, entre os anos 1977 e 1982. Sua redação esteve sucessivamente em Madrid, Valência e Barcelona.

Aos 40 anos de seu desaparecimento quisemos recuperar uma seleção de seus conteúdos mais relevantes, acrescentando uma apresentação por parte das pessoas que colaboraram nela.

Por que o fazemos:

REVISTA BICICLETA: Podemos deixar de pedalar?

Quando a revista Bicicleta (1977-1982) completava 40 anos de atividade, alguns dos que fizemos parte daquele projeto, animados por companheiros da Fundação Salvador Seguí, nos perguntamos se poderia ser oportuno editar um número comemorativo que reunisse uma seleção de conteúdos resumindo o papel que desempenhou a revista durante uns anos em que as opções e propostas do movimento libertário estavam na rua, competindo com uma infinidade de propostas que tinham como objetivo ver a luz desde o túnel negríssimo do franquismo e construir um futuro mais justo e solidário com o trabalho e esforço de tantos por evitar que o antigo aparato, após as devidas reformas de alisamento e pintura, mantivesse o controle econômico e social de nossas vidas.

Mais além das avaliações que cada qual possa fazer a respeito, nos parecia que trazer para a atualidade os conteúdos daqueles anos pode nos servir para rebobinar e recordar desde quais trincheiras operávamos, e que ideias e propostas usávamos como materiais de construção, reflexão e debate.

Enquanto muitos conteúdos ficaram ancorados no passado e são reflexo de seu momento histórico, outros tendem suas ideias mais além daquele tempo e nos trazem propostas, ideias e projetos que seguem totalmente vigentes e que demonstram o pouco que mudaram algumas coisas e quão vigentes e atemporais possam resultar enquanto sigam latentes de uma ou outra forma a desigualdade, a exploração e a falta de oportunidades para as classes mais oprimidas.

Não é o objeto desta apresentação analisar a evolução dos acontecimentos durante estes 40 anos: a eterna contradição de um capitalismo que não pode parar de crescer em um mundo ao qual já vamos vendo cada vez mais próxima a data de validade, o desenvolvimento da tecnologia e, com ele, o aumento de ferramentas para exercer o controle social sobre coisas e pessoas, o controle total sobre os meios de comunicação, nas mãos de diversos poderes que exercem um papel de doutrinamento, difícil de combater se não se exercita o espírito crítico e não se dispõe das suficientes ferramentas culturais…

Modernas formas de domínio e de controle que são o objeto de crítica, debate e combate que se propunha a revista contra estes mesmos fenômenos, menos modernos mas essencialmente iguais.

O jornalista Guillem Martínez aceitou nosso encargo de realizar a seleção de conteúdos desde a posição privilegiada que lhe outorga ser de uma geração posterior e poder olhar a revista com a suficiente perspectiva como para detectar o valor de artigos de interesse histórico e testemunhal, e o de outros conteúdos que fazem uma ponte até o momento presente.

Nos sentiremos satisfeitos se a leitura destas mostras sirva para contribuir com novos enfoques da realidade a partir de antigos materiais de luta e reflexão.

Mais infos, como adquirir o livro-revista, clique aqui:

https://www.verkami.com/locale/es/projects/31232-bicicleta-revista-de-Comunicações-Libertárias-vuelve-a-recordar-quien-manda-aqui

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

silêncio profundo —
só o respirar das flores
no sopro da brisa

Leonilda Alfarrobinha

[Espanha] A CNT-AIT denuncia que as altas médicas são dadas sem revisão presencial

Membros do sindicato se reuniram em frente aos escritórios da Previdência Social em Reus para exigir presencialidade em seus procedimentos.

Como no caso de Eduard está em licença médica há mais de um ano devido a um grave problema na coluna vertebral que, segundo os médicos, pode ser resolvido por cirurgia. Agora, o Tribunal Médico da Previdência Social lhe deu alta e o obriga a ir trabalhar, embora ele ainda esteja aguardando uma cirurgia e nenhum médico o tenha examinado pessoalmente. De acordo com o sindicato CNT AIT Tarragona, o caso de Eduard não é o único e é por isso que eles se concentraram em frente ao Seguro Social de Reus para exigir um Tribunal Médico baseado em critérios de saúde.

O sindicato assegura que antes da pandemia eles já sabiam de casos, mas desde que a covid reduziu a presença em muitas áreas da administração, um fato que, segundo eles, piorou a situação.

A partir da CNT AIT eles asseguram que continuarão as ações de protesto e planejaram convocar um comício em Tarragona em outubro próximo.

>> Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=9ndYsOJa4xM

Fonte: https://www.cnt-ait.org/la-cnt-ait-denuncia-que-es-donen-altes-mediques-sense-revisio-presencial/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

a cigarra canta
enquanto orquídeas florescem:
cada um na sua

Gustavo Felicíssimo

‘Crianças comiam em cochos’: os últimos relatos em vida de americanos escravizados

“Meu Deus, minha senhora, nunca ninguém lhe contou que era contra a lei ensinar um negro a ler e a escrever nos tempos da escravidão? Os brancos lhe cortavam a mão fora por essas mais do que por quase qualquer outra coisa.”

“Isso é só jeito de dizer, cortar a mão fora. Ora, senhora, um negro sem mão não ia ter como trabalhar muito, e o dono não ia conseguir vendê-lo por um preço nem parecido com o que ganharia por um escravo com mãos boas. Eles só espancavam ele a valer quando o pegava estudando como se faz para ler e escrever.”

O relato é de William McWhorter, homem negro americano que viveu a experiência da escravidão no Estado sulista da Geórgia. As memórias dele foram colhidas em 1938, quando tinha 78 anos, pelo Projeto Federal de Escritores (Federal Writers’ Project).

Esse projeto foi criado durante a presidência de Franklin D. Roosevelt (1933-1945), como parte de uma série de iniciativas de sua administração para tentar reviver a economia americana após a Grande Depressão, iniciada em 1929. Nesta ação, escritores profissionais e aspirantes foram contratados pelo governo dos Estados Unidos para entrevistar ex-escravizados idosos.

Entre 1936 e 1938, esses entrevistadores percorreram 17 Estados ouvindo homens e mulheres já próximos da morte e que, em sua maioria, haviam vivido a escravidão quando crianças. As conversas resultaram em mais de 2 mil narrativas datilografadas, enviadas para Washington.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-58889282

agência de notícias anarquistas-ana

Cheio de sonhos
Atiro na lixeira
Folhinha velha

Calberto

 

[Grécia] Tessalônica: reivindicação de ataque incendiário à casa de traficante de drogas

O aspecto mais importante da guerra revolucionária contra a tirania do Estado e do capitalismo é a recuperação dos valores morais, a barreira contra a decadência universal e a redefinição da palavra dignidade. A cabeça se eleva mecanicamente do pescoço, mas é a alma, a fé e a determinação que são as ferramentas que fazem frente ao inimigo. Somos dois mundos considerados violentamente e universalmente reconhecidos. E se somos inferiores em força, somos sempre superiores em qualidade. Pois nossa estatura começa com nossos olhos e alcança as estrelas totalmente iluminadas.

Na dimensão real da luta revolucionária, palavras sem ações são orações sem perspectiva. E o mundo não é mudado pelo pensamento ilusório. A verdadeira ruptura está no campo real do conflito militar com cada mecanismo de subjugação, o Estado e o capitalismo. Passando da teoria subversiva à propaganda prática agressiva, traduzimos em prática as palavras da formação militante da Organização de Ação Anarquista, assumindo a responsabilidade pelo ataque incendiário à casa de um conhecido e não conceituado traficante de drogas na Rua Kassandrou, 147, no centro de Tessalônica, na madrugada do dia 13 de outubro, dia do julgamento-paródia dos companheiros N. Matarraga e G. Kalaitzidis, que foram presos pela polícia. Matarraga e G. Kalaitzidis sob o pretexto de instigação física e moral na execução do traficante Habibi em Exarchia.

Na mira está um outro colaborador da polícia que negocia em morte e decadência às custas da base social. A imunidade desfrutada por este canalha em particular é reveladora, pois sua casa e as artimanhas que ele ocasionalmente mantém para lavar dinheiro dos cofres negros, organizando seus negócios e mercadorias, estão localizadas em uma área bem guardada (de interesse militar-político-diplomático) ao redor do Consulado Turco, onde se pode encontrar de tudo, desde simples guardas de segurança até agentes de hierarquia e adidos diplomáticos. É esta imunidade que queremos desafiar, esta segurança e cumplicidade que estamos desafiando na prática através de um ataque incendiário no coração do complexo policial.

Mas esta narco-máfia particular, como toda sua gangue, não se contenta em difundir a decadência nas comunidades proletárias e bairros subculturais. São culpados de uma série de comportamentos abusivos e agressões sexistas contra trabalhadores e não trabalhadores que se encontram no ambiente em que se move. Lixo como este mafioso particular deve estar nas profundezas mais profundas da terra enfrentando apenas sujeira para se encontrar novamente e ser punido por aqueles que perdem suas vidas graças a seus produtos imundos. Mas também para se encontrar com seus amigos como Habibi, que perdeu seu confronto com a lei revolucionária.

A luta que foi travada em Exarchia contra os traficantes de drogas foi uma necessidade não apenas de restabelecer algum equilíbrio. Foi um ato de retaliação. Foi uma luta para derrotar a vida, a morte e a decadência que foram impostas. Foi uma luta com um custo, porque a resistência em si é cara. Custa nossa liberdade, para não falar de nossas vidas. Os companheiros do Rouvikonas, que são, entre outros, um marco da luta anarquista no coração de Exarchia, foram alvo de dezenas de vezes por esta escolha. Com perseguição, com espancamentos e terrorismo, com ataques do núcleo do para-Estado, com balas da vanguarda dos interesses capitalistas. E não se dobram porque fazem parte do mundo que coloca a necessidade social e de classe acima do custo pessoal. É por isso que eles estão na ponta da lança da repressão, é por isso que desfrutam de nossa solidariedade sem reservas e nosso apoio prático. Porque para nós, a solidariedade na prática é a continuação da luta comum pelas ações de que todos nós estamos na mira. E os tempos exigem e requerem uma mudança de foco.

Queremos deixar algo claro tanto para nosso alvo quanto para qualquer pessoa diretamente afetada: conhecemos suas lojas, seus movimentos, as instalações que ele oferece, os serviços e lucros extras na economia subterrânea negra além do tráfico de drogas, os lugares onde ele e sua espécie se mudam. Este mafioso em particular visa as comunidades de subcultura onde, em nome de seu negócio, a resistência é voluntariamente reprimida antes mesmo de nascer. Isto significa que, além dele e de seus associados, também conhecemos seus clientes. Todos aqueles que, com suas pequenas e grandes forças, dão suporte e apoiam ativamente as máfias da droga, financiando seu papel sujo na difusão da cultura da droga, no esmagamento da resistência, na decadência moral e no esmagamento dos valores revolucionários. Todos aqueles que dão razão de ser aos narcoturistas para marcharem impunemente por nossos bairros semeando a morte e a subjugação. É por isso que devemos ser claros com todos, não importa o manto político que eles mesmos evangelizam, muito menos usar como desculpa desprezível. A luta anarquista tem uma história concreta que ninguém pode distorcer com suas próprias leituras, ela tem um passado, um presente e um futuro. E cada um de nós é responsável a todo o momento pela justiça desta luta.

Estamos em guerra aberta com as máfias da droga e com todos os componentes ativos da subjugação do livre arbítrio e da ação. E nesta guerra não há neutros. Todos, dependendo das escolhas que fazem em suas vidas, se alinharam em um certo campo de batalha: ou com resistência prática à decadência e à cultura da droga, ou com cumplicidade orgânica apoiando, instigando, financiando, participando do comércio de drogas. E se, o companheiro da luta revolucionária Christos Tsigaridas disse uma vez que, esperamos que os espectadores pelo menos tenham vergonha, diremos que vergonha é uma palavra que perdeu seu significado e peso nos anos de decadência. Seu lugar deve ser ocupado pelo medo e pela raiva. Força para aqueles que traduzem em ação os efeitos dos tempos em que vivemos. Força e solidariedade para com aqueles que, diante da decadência, do compromisso e da resignação, insistem em lutar.

Sem complacência, sem tréguas!

De Exarchia a Tessalônica, a guerra contra o tráfico de drogas continua.

Solidariedade com os companheiros N. Matarraga e G. Kalaitzidis

Organização da Ação Anarquista – Resistência Anarquista contra a Decadência

(Αναρχικές αντιστάσεις ενάντια στην παρακμή)

Fonte: https://anarquia.info/tesalonica-grecia-reivindicacion-por-el-incendio-provocado-en-la-casa-de-un-traficante-de-drogas/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/10/12/grecia-apoio-a-giorgos-kalaitzidis-e-nikos-mataragkas-do-grupo-anarquista-rouvikonas/

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de primavera —
Uma criança
Ensina o gato a dançar.

Issa