[México] Vídeo: Bloco Negro, a revolução feminista

Encapuzadas, vestidas de preto da cabeça aos pés, organizadas em pequenos grupos, uma nova geração de feministas ergueu os punhos pelo reconhecimento dos direitos das mulheres.

Longe do modelo da geração anterior, o das mães de famílias que desfilavam em silêncio, essas ativistas anarquistas que se manifestam violentamente nas capitais europeias reclamam-se das práticas do movimento dos “Black Blocs”.

Aos seus olhos, o homem é um predador, um perigo supremo. Seu slogan: “Nem perdão, nem esquecimento” para todos os criminosos sexuais. A radicalização do movimento feminista às vezes se transforma em um combate de rua em todo o país. Em 2019, quase 4.000 mulheres mexicanas foram assassinadas. O feminicídio só foi reconhecido em 976 casos. 99% dos assassinatos de mulheres ficaram impunes.

Há alguns meses, parte desse grupo de ativistas invadiu a sede da Comissão Nacional de Direitos Humanos na Cidade do México. O prédio público se tornou a sede de seu movimento, mas também um refúgio para mulheres vítimas de agressão, de todo o México. Um lugar totalmente proibido aos homens e superprotegido.

Excepcionalmente, o Bloco Negro aceitou a presença da câmera de Manon Heurtel, imersa no cotidiano dessas mulheres feridas e lutadoras.

>> Veja o vídeo (12:13) aqui:

https://www.arte.tv/fr/videos/101555-000-A/mexique-bloque-negro-la-revolution-feministe/

agência de notícias anarquistas-ana

Que lua, que flor
nada, bebo umas doses
aqui sozinho.

Bashô

[Espanha] Inauguração da Biblioteca Anarquista Mari Luz Lozano

No próximo 30 de outubro, sábado, se inaugurará em Iruñea uma nova biblioteca em homenagem à célebre sangüesina Mari Luz Lozano. Na inauguração se contará com sua família e se celebrará um pequeno ato de homenagem.

Mari Luz Lozano, nascida em Sangüesa em 1913, foi uma incansável lutadora antifascista que sofreu de primeira mão a repressão após o levante de 1936. Sua extensa, e ao mesmo tempo desconhecida e apaixonante biografia será comentada no ato por seus familiares e companheiros cenetistas. O ato, aberto a todo o público, se celebrará na sede da CNT Iruñea, calle Hilarión Eslava 11, às 11h30.

CNT Iruña

agência de notícias anarquistas-ana

Sem nenhuma folha
Ipê rosa da avenida
coberto de flores

Matusalém Dias de Moura

[Alemanha] Köpi-Wagenplatz é despejada

Com um grande contingente, a okupa anarquista Köpi-Wagenplatz foi despejada em 15 de outubro. Vários milhares de policiais, tanques de limpeza, helicópteros, barreiras extensas e uma zona vermelha foi criada dois dias antes – como sempre, a polícia de Berlim mostrou uma grande disposição quando se trata de limpar o caminho para os interesses de lucro de um especulador. Mais uma vez, um projeto de espaço vital auto-organizado e contra-cultural foi destruído. A evacuação do espaço é um dos muitos exemplos de deslocamento de inquilinos e projetos culturais não comerciais nos últimos anos em Berlim. Como parte do projeto da okupa Köpi simultâneo, ela representava uma vida inconveniente que não queria se submeter às regras da economia de mercado.

A raiva sobre o despejo apareceu à noite, quando cerca de 8.000 pessoas caminharam de Neukölln Zickenplatz, passando por Kreuzberg Kiez, até Köpi. A manifestação estabeleceu limites claros para a tentativa da polícia de mostrar sua posição de poder com estreitas forças. Várias vidraças de carros e vitrines foram quebradas, incluindo as do hotel de luxo localizada na Oranienplatz. Os confrontos seguiram em Oranienstrasse e Heinrichplatz até tarde da noite.

>> Galeria de fotos: https://umbruch-bildarchiv.org/koepi-wagenplatz-geraeumt/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/10/alemanha-mais-uma-vez/

agência de notícias anarquistas-ana

Borboletas e
aves agitam voo:
nuvem de flores.

Bashô

[Turquia] Detenção de 3 membros da DAF

Três pessoas da Federação Revolucionária Anarquista (DAF) que escreveram [picharam] sobre o massacre [ataque suicida do ISIS] de 10 de outubro em Ankara Yenimahalle foram presas. Os membros detidos da DAF foram levados ao Palácio da Justiça após serem transferidos para o Departamento de Polícia do Distrito de Yenimahalle.

A acusação que o procurador dirigiu contra os revolucionários que escreveram “10 de outubro renderá contas” foi “incitando o povo ao ódio e à inimizade”.

Os nomes dos detentos são os seguintes:

Guney Akgun

Ismail Arikan

Zeynep Ulger

Nova acusação: “Criando medo e pânico entre o público”!

A Promotoria mudou a acusação para “Gerar medo e pânico entre o povo” e a encaminhou para a Promotoria de Terrorismo. Entretanto, soube-se que o Ministério Público do Terrorismo também rejeitou a peça de acusação e disse que não iria investigá-la.

Os membros da DAF foram encaminhados ao Ministério Público Especial para Investigações depois que o Procurador de Terrorismo disse que não iria investigar. Entretanto, o Ministério Público Especial de Investigação agiu da mesma forma, afirmando que não poderia lidar com eles e os liberou a todos.

Fonte: https://anarquia.info/turquia-detencion-de-tres-miembros-de-la-daf/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Floresce a ameixieira
e canta o rouxinol
mas estou só

Issa

[Uruguai] Montevidéu: Faixa em solidariedade com Boris

A mensagem nesta faixa é um sinal de solidariedade com o companheiro Boris, que há mais de um mês está em coma como resultado de um ataque incendiário à cela que o manteve preso por um ano nas prisões francesas.

A ação que levou à prisão do companheiro é parte do ataque às estruturas que o capitalismo chama de “progresso”, mas na realidade seu objetivo é afinar o controle social. Escolhendo como alvo incendiar duas antenas de telefonia móvel é um ataque contra a dominação atual, não tem nada a ver com teorias de conspiração fascistas que os meios de desinformação querem nos mostrar e nos confundir.

Levantamos nosso punho e enviamos palavras de incentivo a Boris e a todos aqueles que caem nas garras das instituições de tortura.

A faixa foi colocada nas proximidades da embaixada da França em Montevidéu.

Fonte: https://anarquia.info/montevideo-uruguay-pancarta-en-solidaridad-con-boris/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Primeira manha
Até a minha sombra
está cheia de vigor

Issa

[EUA] Antifascistas de Phoenix Pegam & Queimam Banners Fascistas, Fecham Evento Neo-Nazi

Relatório de ação de antifascistas e anarquistas na chamada Phoenix, Arizona.

Por volta das 02h00 do dia 29 de agosto, um antifascista avistou uma grande bandeira da Frente Patriota na ponte Longmore Rd. dos EUA-60 em Mesa, AZ. Estava voltado para o leste e leu “Famílias Fortes Nação Forte”. A Frente Patriota é um grupo nacionalista branco que se separou do Vanguard America, um grupo neonazista, pouco depois que Heather Heyer foi assassinada no ataque de Charlottesville, em 12 de agosto de 2017. Após ter sido descoberta, os antifascistas removeram a bandeira da PF em menos de uma hora. Acredita-se que o estandarte não estava em pé há muito tempo quando foi visto pela primeira vez.

Mais recentemente, o Folksfront Resistance, um grupo neonazista, planejou uma marcha em Phoenix no dia 16 de outubro, bem como deixou cópias de sua propaganda odiosa e fascista por perto. Enquanto a localização de seu encontro era inicialmente desconhecida, os antifascistas procuravam em partes comuns do vale para ver se conseguiam encontrar alguma coisa. De repente, FR anunciou que os membros iriam se reunir na Wesley Bolin Plaza perto do Capitólio do Estado e esta informação foi vazada para os antifascistas que então se mobilizaram rapidamente. Antifascistas avistaram um homem branco carregando uma bandeira no parque. Quando o supremacista branco foi questionado sobre o que era o banner ou que panfletos ele carregava, ele entregou uma cópia de um panfleto que dizia “Vidas Brancas Importam”. Uma discussão começou então imediatamente, terminando com a tentativa do neonazista de pular uma cerca num esforço para se retirar.

O conflito arrastou-se um pouco com este nazista que se recusou a receber a mensagem para sair dali pra fora. Enquanto isso, dois outros membros da Resistência Folksfront apareceram e ficaram à distância, parecendo muito assustados para intervir em defesa de seus companheiros nazistas, enquanto outro antifascista ficou de pé segurando uma espingarda. Eventualmente eles interviram e um deles também foi esmurrado. Como sua bandeira foi deixada para trás durante a briga, os antifascistas agarraram-na rapidamente e saíram com ela. Os três nazistas conseguiram deixar alguns adesivos em postes no parque que basicamente ninguém iria ver e já tinham sido retirados até segunda-feira. A Folksfront Resistance planeja voltar para uma ação no dia 13 de novembro.

No dia 17 de outubro, anarquistas e antiautoritários, muitos dos quais haviam sido presos no 17/10 do ano anterior, se reuniram solidariamente. Em 17/10/20, 18 pessoas foram violentamente presas pela Polícia de Phoenix enquanto participavam de uma ação de rua anti-polícia. Um grande júri indiciou 15 delas sob acusações de 1) conspiração para cometer agressão agravada a um policial com arma mortal ou instrumento perigoso, um crime de classe 2; 2) assistência a uma gangue criminosa de rua, um crime de classe 3; 3) motim, um crime de classe 5; 4) reunião ilegal, um delito de classe 1, e 5) obstrução de uma rua pública, um delito de classe 3. Como resultado, cada pessoa enfrentaria décadas na prisão. As acusações das gangues de rua tinham como objetivo criminalizar as táticas black bloc e anarquistas de forma mais geral, pois a acusação de gangue se baseava no fato de que o grupo estava A) vestindo preto (como é normal para as formações de black bloc), B) levava guarda-chuvas (uma ferramenta defensiva comum para proteger uns aos outros da polícia), e C) cantava “A.C.A.B. All Cops Are Bastards”. A polícia declarou que ACAB era o nome da gangue. As acusações contra todos os réus foram retiradas em fevereiro de 2021. Muitos dos porcos e promotores envolvidos foram desde então colocados em licença administrativa.

Em comemoração ao aniversário de 1 ano daquela noite, muitos se reuniram com as faixas apreendidas dos fascistas e as acenderam com uma fogueira que durou mais de uma hora. As faixas da Frente Patriota e da Resistência Folksfront foram queimadas, assim como uma bandeira Trump tirada de uma caminhonete. Como todos se reuniram no Parque Universitário no dia 17/10 do ano passado, um pouco de redecoração em solidariedade com a “Gangue ACAB” foi feita na entrada do parque este ano.

Que se fodam os nazistas, que se fodam os policiais, que se fodam os fascistas, e vamos manter esses fogos de resistência acesos!

Fonte: https://itsgoingdown.org/phoenix-antifascists-shut-down-nazis/

Tradução > solan4s

agência de notícias anarquistas-ana

Dias que se alongam —
Cada vez mais distantes
Os tempos de outrora!

Buson

[Taiwan] Resenha: ‘Uma contracultura híbrida’ de anarquistas

Esse livro fascinante sobre uma co-fundadora do anarquismo americano e uma de suas revistas mais importantes, examina suas causas principais como amor livre, reforma prisional, antimilitarismo e a emancipação da mulher.

Por Bradley Winterton | 05/08/2021

No final do século XIX e início do século XX, o anarquismo foi popularmente associado a atos de violência de inspiração política. O romance de 1907 “O agente secreto”, de Joseph Conrad, por exemplo, tem como centro os anarquistas e uma bomba em Londres, e na vida real houve dezenas de tentativas, algumas bem sucedidas, com kaisers, czares, generais, reis e figuras corporativas, por rebeldes que reivindicavam lealdade ao anarquismo. A teoria era sempre a mesma, que o Estado se mantinha no poder por meio da ameaça e do próprio uso da violência, e seus oponentes tinham toda razão em se utilizar dos mesmos meios. Havia também, é claro, os anarco-pacifistas, que escaparam a toda a violência, mas que ocuparam menos o imaginário popular.

Rachel Hui-chi Hsu (許慧琦), a autora desse novo livro sobre o anarquismo na América, é uma historiadora na Universidade Nacional de Chengchi (Taiwan), e esse é seu primeiro livro em inglês. É sobre Emma Goldman, uma das fundadoras do anarquismo americano, e a leitura é excepcionalmente fluente. A pesquisa e a escrita parecem ter sido feitas na época em que a autora foi secundada na Universidade John Hopkins nos Estados Unidos.

O foco principal do livro é na revista anarquista Mother Earth (Mãe Terra), editada em Nova Iorque e publicada entre 1906 e 1917 no nome de Emma Goldman. Hsu descreve ela e as ideias da revista como uma “contracultura híbrida”, englobando o anarco-comunismo clássico, que defendia uma sociedade não-coerciva, sem Estado e sem classes, baseado na cooperação voluntária de indivíduos livres. Dirigida à classe média instruída, a revista suportava muitas causas – amor livre, reforma prisional, antimilitarismo, controle de natalidade, drama moderno e emancipação da mulher, entre outros. Nem sequer é necessário dizer que essas pautas se sobrepuseram sobre as pautas de muitas outras organizações de esquerda, tanto naquela época quanto, curiosamente, nos dias atuais.

O livro olha de novo para a Mother Earth, incluindo as suas conexões com o Leste Asiático. Essas são reveladas através das 8.000 listas de subscritores fortes, apreendidas pelas autoridades federais dos EUA em 1917. Já nos anos 20, a Mother Earth estava a ser listada por um periódico anarquista de língua chinesa, Tian Yi, publicado no Japão. Outros jornais não anarquistas apresentaram artigos sobre Goldman, especialmente tratando do seu radicalismo sexual. Além disso, a Mother Earth defendeu uma política de imigração “transnacionalista” para os EUA que abraçasse todas as culturas e não procurasse fazer com que cada recém-chegado se conformasse às normas culturais anglo-saxônicas.

‘WOBBLIES’

Emma Goldman era uma imigrante judia da classe trabalhadora que chegou da Rússia em 1885. Ela pretendia retornar à Rússia em 1919, logo após ser banida dos EUA. Nesse período, ela primeiro apoiou a Revolução Russa, mas depois se posicionou contra em decorrência do pouco interesse bolchevique na liberdade individual.

Também proeminente nos Estados Unidos nesse momento eram os Trabalhadores Industriais do Mundo (Industrial Workers of the World, IWW, ou “wobblies”), fundado em Chicago em 1905. Ao mesmo tempo, e de equivalente importância para Goldman na equipe da Mother Earth, estava Alexander Berkman, seu ocasional amante. O livro contém animadas descrições de protestos de rua e sessões de tribunal com destaque das duas figuras. Goldman, em particular, percorreu os EUA anualmente, falando frequentemente em mais de 100 lugares diferentes. Ela atacou a existência de igrejas, explicou o drama europeu moderno e defendeu os direitos dos homossexuais (embora o termo só tenha sido utilizado muito mais tarde).

E quanto à violência, ou “propaganda das escrituras”, Mother Earth defendeu a linha oficial – o Congresso Anarquista Internacional de Londres tinha dado o seu selo de aprovação em 1881 – sem dar nenhuma ênfase em particular.

Mother Earth era também culturalmente militante, promovendo e vendendo trabalhos de ícones modernistas como Nietzsche, Ibsen e Strindberg. Esse destaque por Goldman no drama parece estranho para um anarquista aos olhos modernos. Mas esses nomes eram controversos nesses tempos. A peça Fantasmas de Ibsen, por exemplo, era sobre sífilis e foi amplamente proibida, enquanto que as mulheres que se rebelaram contra os limites do casamento eram comuns a ambos os autores. A personagem Nora, de Ibsen, abandona o seu casamento em Casa de Bonecas, enquanto que Miss Julie de Strindberg apresenta uma mulher com um gosto sexual pela sua criada, e Dança da Morte está centrada num casamento totalmente sem amor. Goldman, no entanto, pensou que tais peças simplesmente mostravam a vida tal como ela era.

RADICALISMO SEXUAL

Esse livro tem uma longa sessão sobre o radicalismo sexual de Emma Goldman. Algumas de suas ideias, como a de que casamento equivale à prostituição legalizada, prevaleciam na época. Ela também argumentava que o público estadunidense era amplamente ignorante sobre as questões referentes às doenças venéreas. Quanto à homossexualidade, Goldman deixou suas opiniões permissivas mais restritas às suas palestras. Na imprensa, foi Berkman nas suas Memórias da Prisão que considerou longamente a questão. O radicalismo sexual de Goldman nem sempre era popular entre os seus companheiros anarquistas homens, mas ela permaneceu forte em suas posições, incluindo mulheres negras também na sua teoria sobre o “comércio de mulheres” nos EUA.

Com a eclosão da Primeira Guerra, os anarquistas da América imediatamente atacaram a crescente supressão da liberdade de discurso, o patriotismo excessivo, a escalada da luta de classes e o recrutamento que se seguia. A oposição a este último item, “the draft” (o rascunho), naturalmente retornou 50 anos depois na resistência à Guerra do Vietnã, mas mesmo nestes primeiros anos foi uma questão suficientemente potente para levar ao encerramento final da Mother Earth em 1917 e à prisão de Berkman e Goldman durante dois anos, após eles foram deportados.

Emma Goldman, Mother Earth e o Levante Anarquista cobriram muito mais questões do que é possível mostrar aqui, e abordando-as em detalhes. Hsu tem desenterrado muitas reportagens de jornais sobre as palestras de Goldman, bem como investigado as diferenças de opinião entre o pessoal da revista. O resultado, em 454 páginas, é um relato extremamente abrangente do seu tema.

Os próximos anos de Goldman foram passados na Alemanha, Inglaterra, França, Espanha e Canadá. Hsu compreensivelmente não cobre esses anos – ao invés disso, em um epílogo, ela destaca a influência da anarquista no pensamento libertário nos Estados Unidos até hoje.

Por fim, a suposta sentença da grande matriarca, “Se eu não posso dançar, não é minha revolução”, se tornou popular nos próximos anos do século XX, aparecendo em camisetas. Mas a verdade parece ser que ela provavelmente nunca o disse.

EMMA GOLDMAN, MOTHER EARTH AND THE ANARCHIST AWAKENING

Rachel Hui-chi Hsu

University of Notre Dame Press

454 páginas

Fonte: https://www.taipeitimes.com/News/feat/archives/2021/08/05/2003762058

Tradução > Mari

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/16/reino-unido-critica-emma-goldman-mother-earth-and-the-anarchist-awakening/

agência de notícias anarquistas-ana

Novos ares respirar
Vento traz palavras
Sentimento é semente

Mara Mari

[Espanha] Despedimos de Martín Arnal

Nosso companheiro, amigo e irmão Martín Arnal faleceu. Seu corpo irá à terra ou ao fogo, mas sua lembrança, sua humanidade e sua luta permanecerão intactas em nossa memória e perdurará em nós seu exemplo.

Martín, curtido na luta integral anarquista. Comentava, como reflexão que, ainda que os pobres não sabiam ler e escrever, se juntavam para pensar, organizar-se e avançar.

O trabalho humilde que o define como obreiro anarquista, é o que hoje, no dia de sua morte, não faz mais que uni-lo ao infinito no qual se encontra todo ser humano que leva um mundo novo no coração. Apaixonado de sua terra natal (Angüés) e de acolhida (Toulouse) mas sobretudo com a humanidade por cada lugar pelo qual passava.

A CNT de Huesca seu sindicato e sua casa. Sua simples presença fazia com que os companheiros e as companheiras guardassem silêncio para escutar, não a autoridade, mas aquele que com sua experiência podia nos relatar as obras que se realizaram na revolução social e libertária. Estudadas e lidas por tantos e tantas. Entre seus companheiros e companheiras, também, podiam ser vividas com cada história e relato que contava nosso querido companheiro. Há quem o conheceu já velho e outros levavam toda a vida com ele, mas suas memórias, livros e documentos gráficos nos acompanharão toda a vida.

Que se estude, que não se esqueça e que se lute, que lutemos por uma sociedade mais humana, mais justa e mais livre é pelo que lutou Martín, e o que desejaria que continuemos fazendo os que aqui ficamos.

O esforço dos que lutaram sirva de luz para os que ficam aqui. Tua companheira Ángela, Román, e teus companheiros e companheiras que se foram antes, viram como tua luta não retrocedia. Assim que, querido companheiro, a nossa tampouco o fará pelos que venham depois.

As montanhas te servirão de colchão e o vento de lençol. Não te esqueceremos.

Que a terra te seja leve companheiro!

Teus companheiros e companheiras do SOV CNT Huesca

21 de outubro de 2021

CNT Huesca-Monzón

Tradução > Sol de Abril

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ah! sem as folhagens
floresce o ipê-rosa
no gramado seco

Carlos Viegas

Colóquio Internacional “120 Anos da Escola Moderna de Barcelona” começa nesta terça-feira (26/10)

De 26 a 29 de outubro de 2021 ocorrerá o Colóquio Internacional: 120 Anos da Escola Moderna de Barcelona, em comemoração à fundação da referida escola em setembro de 1901 por Francisco Ferrer y Guardia, pedagogo libertário e racionalista. A Escola Moderna foi fechada pelas autoridades em 1906 e seu diretor, Ferrer, foi fuzilado pelo Estado espanhol, tornando-se o primeiro mártir da educação no século XX.

 Na terça-feira, às 15h, haverá uma conferência de abertura com a presença de convidados internacionais, o Prof. Pere Solà (Universitat Autònoma de Barcelona) e o Prof. Mark Bray (Rutgers University/ New Brunswick).

Ao longo da semana ocorrerão 8 mesas temáticas com apresentação de pesquisas sobre o racionalismo pedagógico no Brasil e no mundo e práticas educativas inspiradas na Escola Moderna.

>> Confira a Programação Completa:

https://coloquioescolamoderna2021.wordpress.com/programacao/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/16/coloquio-internacional-120-anos-da-escola-moderna-de-barcelona/

agência de notícias anarquistas-ana

Luz da primavera –
Brilhando sobre as montanhas
as primeiras flores.

Benedita Azevedo

[Suíça] Berna: Pelo fogo, contra a Securitas

Na noite de hoje, 21 de outubro, em Berna, um carro pertencente à Contrafeu, uma subsidiária da Securitas, foi incendiado. Desde que a Securitas¹ obtenha lucros com controle, violência e coerção, ela será atacada.

Muito já foi escrito sobre o papel da Securitas no sistema de detenção dos requerentes de asilo:

Augenzeugenbericht: Gewalt im Bundesasyllager (D/E)

(https://barrikade.info/article/3874)

Gewalt im Bundesasyllager Basel – Teil 2

(https://barrikade.info/article/4243)

Auch Brandschutzautos können brennen

(https://barrikade.info/article/4675)

Nossa solidariedade vai para todos aqueles que são confrontados com a violência do sistema de asilo no dia-a-dia.

Saudações incendiárias a todos aqueles que se rebelam e lutam contra o mundo dos Estados e das fronteiras.

A fortaleza Europa deve cair!

[1] A Securitas é uma empresa de segurança privada que atua em mais de 60 países.

Fonte: https://attaque.noblogs.org/post/2021/10/21/berne-suisse-par-le-feu-contre-securitas/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

As águas silentes
E a névoa sobre o capim —
Entardece agora.

Buson

[França] Falece Martín Arnal Mur, libertário, coletivista e guerrilheiro antifascista aragonês

Martín Arnal seguia participando na difusão de suas ideias anarquistas e era um dos poucos testemunhos vivos dos tempos da guerra de 1936. No próximo 12 de novembro teria completado 100 anos. Faleceu esta quinta-feira (21/10) na França.

Nascido em Angües (comarca de A Plana de Uesca) em 12 de novembro de 1921 dentro de uma família de lavradores filiada à CNT de Aragão e com poucos recursos, Martín Arnal Mur foi o sexto de dez irmãos. Aos 12 anos começou a trabalhar como criado de uma família de Bespén. Aos 15 participou ativamente na coletividade agrária de Angües para recuperar as colheitas que se perdiam depois do golpe de estado do general Franco. Era irmão de dois militantes do grupo ‘Bakunin’ da FAI, José e Román, que foram fuzilados em Uesca no começo da guerra. Em março de 1938, com 16 anos, foi mobilizado pelo governo republicano à frente oscense, para participar na construção de fortificações e trincheiras em Monflorite.

Após o avanço das tropas franquistas fugiu para a França andando desde Angües passando por Balbastro, Graus e Benás. O governo francês o levou em trem ao campo de refugiados de Angoulème junto com outros antifascistas aragoneses e espanhóis. Saiu dali antes de ser deportado a Mauthausen, tal e como aconteceu aos que ali ficaram, apesar de que os alemães advertiram de suas intenções ao governo de Franco em reiteradas ocasiões. Regressou ao Estado espanhol por Cerbère em fevereiro de 1939. Mas em seguida teve que voltar a França após “a Retirada”.

Esteve em Perpinyà / Perpignan, em um campo custodiado pela cavalaria francesa e dali passou ao campo de concentração de Argelès-sur-Mer onde foi recrutado pelo exército francês. Trabalhou em um campo de tiro de Burge onde faziam provas com armamento, eles tinham que situar-se próximo de onde iriam explodir os obuses para comprovar que funcionavam bem. Ali esteve durante sete meses. Na França participou na Resistência, na reorganização clandestina da CNT e nas operações de penetração no Estado espanhol. Em princípios de 1944, Martín se encarregava de vigiar a fronteira e reconhecer o terreno para a passagem de guerrilheiros pela zona do Sobrarbe. Em novembro daquele ano teve que escapar de noite pelo assédio da Guarda Civil em Saravillo.

Ao terminar a Segunda Guerra Mundial foi desmobilizado do exército francês, em março de 1945, e ficou vivendo na França. Trabalhou cortando lenha, nos caminhos de ferro, na construção como pedreiro. Em Rebastens conheceu Ángela Salas González. Ela procedia de uma família que emigrou à França desde Almería por motivos econômicos depois da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e trabalhava no campo. Casaram-se em 1949 e a partir daí fez sua vida nesta localidade francesa trabalhando de pedreiro até sua aposentadoria aos 63 anos. Tiveram um filho e duas filhas. Após a morte do ditador Franco em 1975 regressou com Ángela a Angües para viver, enquanto que seus filhos ficaram residindo na França.

Em outubro de 2018, Martín Arnal viveu outro dos momentos mais emotivos e esperados de sua vida durante os trabalhos de exumação em uma fossa comum no cemitério de Las Mártires de Uesca. Estes trabalhos permitiram o achado dos restos de cinco pessoas assassinadas pelo fascismo, vários companheiros de Martín. Entre eles estava seu irmão Román, assassinado em 4 de janeiro de 1937. Román foi acusado de haver participado nas coletividades agrárias impulsionadas pela CNT em Angüés.

No verão de 2020, com sua força e alegria habitual, Martín participou em Boltaña na estreia no Festival Espiello de ‘En la misma tierra’. Um filme que narra sua impressionante e extraordinária vida, dirigida por Marco Potyomkin, e produzido por Rubén Barranco e Raúl Mateo.

Até seus últimos dias, Martín Arnal seguiu participando na difusão de suas ideias anarquistas e era um dos poucos testemunhos vivos dos tempos da guerra de 1936. No próximo 12 de novembro teria completado 100 anos. “Nos deixa sua história, sua luta incansável contra o fascismo. Que a terra te seja leve”, escreveu Mercedes Sánchez da Associação para a Recuperação da Memória Histórica de Aragão (ARMHA) nas redes sociais, uma das muitas mostras de carinho com o antifascista e guerrilheiro aragonês falecido esta quinta-feira na França.

Fonte: https://arainfo.org/fallece-martin-arnal-mur-libertario-colectivista-y-guerrillero-antifascista-aragones/?fbclid=IwAR2ab34OQdMO78qibREoVE5uFNdoqjais3L943BLfXC3v0vGdOCog5l8pt8

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/31/espanha-libertarios-os-herois-esquecidos-que-lutaram-contra-o-franquismo/

agência de notícias anarquistas-ana

No meio do mato
Orquídea agarrada na árvore
Toda florida.

Ezequiel Teixeira dos Santos

[Espanha] Crônica da manifestação de 16 de outubro, da Caixa de pensões o que nos sobram são ladrões

Em 16 de outubro passado a CNT apoiou a manifestação em defesa das pensões que aconteceu em Madrid, convocada pela Coordenadora Estatal pela Defesa do Sistema Público de Pensões (COESPE)

25000-30000 manifestantes chegados de todos os rincões do estado espanhol iniciaram uma marcha desde o congresso dos deputados até a Puerta del Sol, mostrando seu desacordo com o Pacto de Toledo e a reforma das pensões que querem aprovar pela mão de José Luis Escrivá.

Com o lema: “Luta por umas pensões dignas” a comitiva cenetista dentro da mobilização formou bloco próprio na zona dos sindicatos, justo depois dos blocos por território, onde também participaram pessoas de diferentes partes do estado.

Em dita mobilização a CNT não quis deixar passar a preocupação pelos milhares e milhares de trabalhadores e trabalhadoras hoje na ativa que, após esta reforma somada às anteriores, põe em autêntico risco a manutenção de umas pensões dignas no futuro para estas pessoas.

A manifestação foi alegre e reivindicativa, servindo de ponto de encontro para uma multidão de pessoas vindas de diferentes territórios, organizações sociais e sindicais, sendo patente a ausência de dois agentes ativos contra o sistema publico de pensões dentro do pacto de Toledo, que são a CCOO [central sindical] e a UGT [central sindical].

A manifestação terminou na Plaza del Sol onde companheiros e companheiras de COESPE, Conchita Rivera, Ciriaco e Ramón Franqueza, explicaram aos participantes como ficava a situação da luta pela manutenção de um sistema de pensões, a exigência de aumento das pensões mínimas e não contributivas, até alcançar os 1.084 euros que propõe a Carta Social Europeia, a melhora nas pensões de viuvez para romper a brecha de gênero, a denúncia que os gastos que não correspondem à caixa das pensões pode supor entre 200.000 e 600.000 milhões de euros, por isso pedem uma auditoria, etc. E também se comemorou a maior mobilização de pensionistas de todo o estado que se realizou em 16 de outubro de 2019.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/cronica-de-la-manifestacion-del-16-de-octubre-de-la-caja-de-las-pensiones-lo-que-nos-sobran-son-ladrones/

Tradução > Sol de Abril

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Os lambaris
Estão brincando de pega-pega
Nas águas cristalinas.

Jhonathan Arruda Gouveia

[Grécia] As testemunhas do julgamento denunciam a orquestração do estado contra os anarquistas!

Estamos caminhando direto para um novo escândalo político na Grécia!

AS TESTEMUNHAS DO JULGAMENTO DENUNCIAM A ORQUESTRAÇÃO DO ESTADO CONTRA OS ANARQUISTAS!

O que aconteceu em Atenas é enorme! Este é um acontecimento para todos aqueles que ainda não compreenderam o que é o Estado e como ele trata os seus inimigos.

Esta manhã (13/10), dois ativistas do grupo anarquista Rouvikonas foram processados ​​por homicídio, num principio de processo absurdo e kafkiano. Giorgos Kalaitzidis e Nikos Mataragkas correm risco de prisão perpétua!

Há duas horas, a primeira testemunha de acusação era um morador do distrito de Kifissia que frequentava Exarchia “no campo dos narcotraficantes” (sic), não muito longe do traficante assassinado em 2016. Mas, golpe de teatro, em vez de acusar Giorgos e Nikos, desmascarou a polícia.

Ela revelou pela primeira vez que não estava em Exarchia no dia do assassinato e que o que ela tinha a dizer neste julgamento lhe tinha sido ditado. Ela disse que a polícia havia prometido ajudá-la em seus assuntos pessoais (processo por tráfico de drogas) se ela testemunhasse contra os dois acusados. Ela acrescentou que nunca tinha visto os dois anarquistas. A partir de então, o processo apareceu como ter sido fabricado do zero – o que estávamos dizendo a vocês há várias semanas.

Porque e como esse enredo foi organizado? Quem está por trás de tudo isso? Será a figura sinistra que, na cúpula do Estado, prometeu “por todos os meios” acabar com “os anarquistas de Exarchia”, citando, em primeiro lugar, o famoso grupo Rouvikonas? Mitsotakis está ele molhado neste negócio sujo? Esta é a pergunta que muitos tem feito nas últimas duas horas.

Após este testemunho contundente sobre como o complô foi organizado pela polícia grega, as outras duas testemunhas de acusação concordaram com o orador anterior, enfatizando a questão uma após a outra. Primeiro, uma enfermeira da EKAB (Samu grego) disse que não sabia absolutamente nada. Em seguida, a terceira testemunha disse que não reconheceu Giorgos nem Nikos, enquanto esteve no local do crime: a testemunha ocular principal!

Após esse primeiro passo desastroso, o julgamento foi adiado para sexta-feira, 29 de outubro, às 11h00. Até então, os debates serão abundantes sobre a origem desta trama e sobre a responsabilidade do governo, inimigo jurado de Rouvikonas e do poderoso movimento anarquista na Grécia.

Continuem a informar o que aconteceu hoje em Atenas e continuem assinando e pedindo e espalhando, para que o recurso seja assinado… é importante e crucial para Giorgos e Nikos:
support@rouvikfrancophone.net (nome e cargo)

Por favor, também, se puderem, ajudem Giorgos e Nikos e o seu grupo a enfrentar os enormes custos legais em seus muitos julgamentos:
https://fr.gofundme.com/f/soutien-giorgos-et-nikos-athnes

Continua…

Em solidariedade,

Maud e Yannis Youlountas po / o comitê de apoio internacional para Giorgos e Nikos

Fonte: http://blogyy.net/2021/10/13/les-temoins-devoilent-la-machination-de-letat/

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Não ando na rua.
Ando no mundo da lua,
falando às estrelas.

Helena Kolody

Carta Aberta da Tenda de Livros

(21/10/2021)

Olá, Como vai?

Muito obrigada por nos ler.

Há um ano você tem acompanhado as nossas reflexões sobre a essência do nosso trabalho: livros e publicações impressas. Temos pensado muito sobre o que nos move e porque estamos a fazer impressos. Como seria pensar produção, edição, pesquisa, e circulação de livros e publicações de uma forma não hierárquica? Seria simplesmente dividir tarefas ou dividir parágrafos em um grupo ou textos entre participantes e depois pedir para alguém ilustrar? Será que editar é apenas dar um espaço livre para que cada um escreva….

Fazer livro não é apenas fazer textos

O livro não é ingênuo, não é libertador sozinho; ele não é apenas o objeto com lombada que você põe na estante na intenção de decorar um espaço; também não é um produto que o autor chama “dele”; um livro sequer é a elaboração genial de um autor.

Para a Tenda de Livros, um livro é trabalho, e trabalho coletivo com todas suas questões processuais e seus conflitos. Logo, um trabalho coletivo não se faz apenas de textos reunidos e arranjados em páginas. O livro é um projeto, que tampouco sai de uma única cabeça.

Um livro é fruto de um processo e esse processo demanda muitas tarefas interligadas. Pensar sem hierarquia é entender o que implica cada momento e as limitações de um impresso. Citaremos alguns momentos.

Pesquisa e Projeto editorial

Para um livro existir é necessário uma etapa de concepção – em que ocorrem decisões metodológicas e o livro, enquanto um projeto, é elaborado. Depois da etapa de concepção, a pesquisa é construída. Diversas são as participantes nesta etapa: não produzimos conhecimento sozinhas, afinal. Partimos de pesquisas daquelas que vieram antes de nós; necessitamos do auxílio das trabalhadoras dos acervos, das bibliotecas; por vezes, uma conversa com familiares e pessoas conhecidas das personagens pesquisadas… Do trabalho de pesquisa, pode ser que o projeto elaborado se modifique – o livro é um projeto vivo, em movimento, e por isso é necessário sempre voltar e refazer o projeto editorial com o processo a se construir.

Realizada a pesquisa e as novas considerações, o projeto editorial toma corpo. Ele é uma maquete conceitual, narrativa e sequencial. Ele responde a diversas perguntas e entre elas está: o que esse livro busca, a quem ele se dedica? Quais são as nossas intenções com esta publicação? Sim, um livro tem um público, uma forma e terá uma história.

Produção e preparação de texto

É a materialização e a organização – em palavras – do projeto inicial, das descobertas e elaborações da pesquisa, da vivência das autoras, dos diálogos feitos, de histórias ainda não (ou pouco) contadas… É o que justifica a feitura do livro. A justificativa também pode ser imagética, pois um livro de imagem é tão importante quanto de texto e misturar essas linguagens também é algo super importante. Mas vamos focar num livro textual.

O trabalho da escrita também não se faz sozinho. Não apenas pelas fontes consultadas ou saberes que à autora chegaram, vindos de outras mentes. O texto não se finaliza à primeira escrita, ou à primeira leitura. O texto não vai pronto para a sua etapa seguinte. É preciso que ele seja recebido com cuidado e atenção. Com um olhar que além de atento, esteja disposto a criticá-lo, que o remexa, o desconstrua e o desmonte, se necessário. A etapa da preparação de um texto é o momento em que uma leitora aliada à concepção da obra encara o texto interrogando-o: Esse texto tem coesão? É coerente com a escrita da autora? Se faz entendível para as não iniciadas no assunto? Os dados apresentados são válidos e se justificam? As informações estão corretas? E como parte de um livro, esse texto se conecta com os demais? Esse texto está alinhado à proposta geral do livro? E quanto ao gênero proposto – um prefácio, um editorial, uma introdução… – ele cumpre o seu papel? Não se trata de desconsiderar o trabalho da autora; mas de contribuir, com um olhar externo, preparado e ciente do projeto do qual ele faz parte.

O texto é um pedaço, afinal, de algo maior

E nem só de ideias se faz um texto. E então, da preparação, o texto vai para a revisão. É o olhar minucioso e técnico ao texto; não é apenas um olhar de limpeza, mas de refinamento, de lapidação.

E não acabou…

Projeto gráfico

Um livro é o seu conteúdo em forma e a sua forma em conteúdo. Não existe uma separação nisso. Pensar a forma e o conteúdo aliados não serve apenas para a compreensão do objeto, mas também sobre como se constroem as suas páginas e os seus cadernos. A etapa da diagramação materializa a concepção do livro, possibilitando o alinhamento entre forma e conteúdo. A artista gráfica dá vida ao que antes era um texto num fundo branco digitado em. letras padrões. Transforma palavras dispostas em desenho em página. Faz com que a paginação dê ritmo ao livro. É uma conjunção ética e estética em comunhão que dá ao livro sua natureza tátil. Um livro impresso é uma paginação múltipla de 4, mas para barateá-lo suas páginas devem ser múltiplas de 32, quando você quer imprimir em uma máquina off set. Logo, não existe uma liberdade absoluta ao fazer um livro. A liberdade do  texto, do projeto gráfico e editorial dependem das demais ações pertencentes ao próprio livro. Depende também da máquina e de onde ele será impresso.

O Livro para a Tenda…

O livro é impresso em uma máquina; entender a natureza da máquina é necessário, é ético, é político, é estético. O livro, como um impresso, ainda não está acabado. O livro é um contexto. Ele é o seu lugar poético, político, estilístico, social e histórico. No Brasil, a história dos livros é marcada por problemas econômicos. Nem todo mundo que faz livros quer estar no mercado. Nem todo mundo que faz livros acredita no mercado. Já existiam publicações antes do mercado e muitas seguem, como são as publicações anarquistas. Porém, não podemos deixar de dizer que estamos em um país complexo para se imprimir publicações. Aqui, o papel é monopólio de uma empresa. As gráficas de base têm defasagem tecnológica e o investimento tecnológico está na gráfica inacessível para quem é pequeno. Imprimir não é apertar um botão ou enviar um pdf. Há muito o que se discutir sobre essa etapa. Você já pensou nela?

Feita a impressão, o livro só se faz livro se alguém o recebe. Daí que a etapa da circulação se faz tão importante quanto qualquer etapa anterior. E essa distribuição – como nas etapas que a precedem – não se faz sozinha: a distribuição é feita por pessoas e por pessoas que estiveram nas etapas anteriores. Na Tenda de Livros, o trabalho artesanal da distribuição envolve empacotar, carimbar, enviar… Livro a livro, leitora a leitora. Você tem um envelope nosso em suas mãos ai? Dá uma olhada. Ele foi carimbado um a um.

O livro é fruto de múltiplos trabalhos, que, misturados, nos fazem entender que um pacote é tão importante quanto uma pesquisa ou uma diagramação.

Fazer livros é uma prática diária e sem nenhum glamour ou qualquer ostentação. Fazer livros não é hobby, é vida. Fazer livros é algo em que acreditamos mas não romantizamos, porque o livro só existe em nós e conosco. Vem conhecer a Tenda de Livros sem intermediários. Estamos dispostas e disponíveis a conversar com você. Escreva-nos.

Obrigada,

Todas as minas que fazem a Tenda de Livros

> Desenho em destaque de Caio Paraguassu

tendadelivros.org

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No céu azul
Em forma de animais
As nuvens passeiam.

Janaína Alves de Oliveira

[Itália] Um porto, uma anomalia, uma faísca

Esperamos sinceramente que o despejo policial da greve da guarnição no porto de Trieste (uma experiência anômala que no seu auge envolveu oitocentos estivadores e cerca de dez mil apoiadores) seja a centelha que fará com que a oposição ao “sanitário” passe ser ainda mais difundida, determinada e ingovernável, e que um movimento mais geral contra o governo e os patrões se desenvolva em torno do objetivo – certo e indispensável para nós – de fazer recuar este odioso instrumento de chantagem, discriminação e controle. A continuação do bloqueio do porto de Gênova, o bloqueio do porto de Ancona, a greve de piquete dos trabalhadores da manutenção de estradas em Nápoles, as greves e manifestações que desde 15 de outubro vêm se multiplicando nos locais de trabalho de várias cidades e as primeiras respostas solidárias à repressão policial já são sinais importantes.

Quem, no “movimento antagonista” ou no sindicalismo de base, diz ser contra o “passe verde” (ou passaporte sanitário), agora o mostra em ações e não apenas em palavras? Você considera a retirada de tal passe um objetivo limitado? Ninguém está impedindo que você acrescente o que quiser, mas deixar a resistência de Trieste em paz seria um assunto sério neste momento. Sobre como e com quem recusar a solidariedade, não há receitas unívocas, dadas as muitas diferenças entre território e território. Mas se você quiser, pode encontrar seus próprios caminhos. Caso contrário, pelo menos fique quieto. Porque enfatizar a natureza limitada desse “passe verde” sem nenhum convite à solidariedade concreta nos parece realmente mesquinho. Enquanto continua a jogar lama e descrédito sobre os estivadores de Trieste – com o despejo desejado pelo governo e empregadores, mas na verdade solicitado pela CGIL, CISL e UIL, com os canhões de água da polícia ainda em ação e o ar entupido com gás lacrimogêneo – é simplesmente vergonhoso.

No que nos diz respeito, algumas palavras. Escrevemo-lo antes de 15 de outubro e repetimos agora: ao bloqueio, à ação direta, à luta!

Fonte: https://ilrovescio.info/2021/10/19/un-porto-unanomalia-una-scintilla/

Tradução > Liberto

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Tarde no jardim –
Desprende-se do galho
uma borboleta

Alvaro Posselt

[Itália] 200 mil vão às ruas de Roma contra a extrema direita

Ato em Roma é uma resposta aos protestos violentos contra o passaporte sanitário do último fim de semana no país

Dezenas de milhares de pessoas exigiram, neste sábado (16/10), a proibição de um grupo de extrema direita durante uma manifestação em Roma depois dos protestos violentos contra o passaporte sanitário do último fim de semana, atribuídos aos neofascistas.

Com cartazes que diziam “Fascismo, nunca mais”, os manifestantes pediram na praça San Giovanni, um lugar associado historicamente à esquerda, a proibição do grupo neofascista Força Nova (FN). A manifestação reuniu pelo menos 200 mil pessoas, segundo os organizadores.

Líderes da FN estão entre os detidos após o ataque à sede do sindicato CGIL (de esquerda), a principal confederação sindical do país, durante a manifestação de 9 de outubro contra o passaporte sanitário.

“Isso não é só uma resposta ao ‘esquadrão’ fascista”, declarou o secretário-geral do CGIL, Maurizio Landini, usando o termo para designar as forças paramilitares que, após a Primeira Guerra Mundial, se tornaram um braço armado do fascismo italiano.

“Esta praça também simboliza todos aqueles que querem mudar o país, que querem fechar a porta para a violência política”, acrescentou.

Fonte: agências de notícias

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No vaso da sala
os girassóis sobrevivem.
Que dia nublado!

Zuleika dos Reis