[Alemanha] Intervenções anarquistas contra as guerras, fronteiras e Estados

No domingo, dia 27 de fevereiro de 2022, cerca de 60 pessoas se encontraram para uma demonstração anarquista no Arivati Park/Neuer Pferdemarkt de Hamburgo para tomar as ruas contra a guerra na Ucrânia e contra o militarismo.

Banners com “Pare a guerra! (em russo) – Contra a guerra na Ucrânia! Contra qualquer guerra! Contra qualquer militarização!” foram pendurados e foi proferido um discurso. Um cartaz anarquista antimilitarista foi distribuído e foi tirada uma foto em solidariedade aos e às camaradas anarquistas na Ucrânia.

Em sequência, houve uma manifestação espontânea em direção a Sternschanze, barrada pelos policiais que chegaram no local. Na noite do dia 26 de fevereiro, uma manifestação não divulgada contra a Fortress Europe aconteceu em Hamburg-Ottensen. Cerca de 30 pessoas descontaram sua raiva da situação atual na fronteira polonesa-bielorrussa indo às ruas.

Choveram panfletos na praça Alma-Wartenburg e, em frente ao Haspa (banco local), atearam fogo em uma barricada. Com muitos gritos contra fronteiras e nações, a rua foi tomada com confiança. Os panfletos, sob o slogan “Contra os Estados e suas guerras” em referência à guerra na Ucrânia, criticaram acima de tudo a situação na fronteira polonesa-bielorrussa e se posicionaram contra as fronteiras e Fortress Europe. Antes da chegada dos policiais, os e as participantes já haviam fugido do local.

Hoje em dia é importante fazer com que posições antiautoritárias e antimilitaristas sejam visíveis para a oposição da hegemonia militarista e nacionalista que está se espalhando.

Fonte: https://actforfree.noblogs.org/post/2022/03/01/hamburg-anarchist-interventions-against-all-wars-borders-and-states/

Tradução > Sky

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no tempo do amor
meus sonhos de espaço vazio
mobiliado de fantasmas

Lisa Carducci

[Portugal] Contra o abraço de ferro à Ucrânia. Porque é que os anarquistas lutaram contra o marxismo-leninismo e agora contra o invasor russo.

Hoje a quase esmagadora maioria dos Estados que rodeiam a Rússia e que, em grande parte, integraram a União Soviética são essencialmente anti-comunistas (na sua versão marxista-leninista) e, em muitos casos, claramente orientados para a direita do espectro político. Depois de anos de anexação e guerra imperial por parte da Rússia dos czares, o braço de ferro soviético não foi menos opressor, totalitário e imperialista, o que pode explicar o atual anti-comunismo visceral em muitos destes países, para quem a mudança de regime do czarismo para o bolchevismo pouco significou: a ocupação dos territórios por uma classe dirigente essencialmente russa, a sua subordinação aos interesse e à estratégia de Moscou, a aculturação de muitas das especificidades próprias destes países mantiveram-se ao longo de praticamente todo o século XX.

Há muito que os anarquistas denunciam  o caráter totalitário e imperialista do poder construído pelos bolcheviques sobre a generalidade da população. Logo em 1921 as prisões soviéticas albergaram milhares de presos anarquistas que contestavam e se opunham ao poder autoritário dos bolcheviques, não só sobre os povos da Rússia, mas também dos países vizinhos, como é o caso da Ucrânia onde o exército de camponeses de Machkno teve que enfrentar os exércitos brancos da reação e o exército vermelho liderado por Trotsky. O movimento insurrecional ucraniano foi esmagado nos últimos meses de 1920, de que resultaram milhares de mortos e presos; seguiu-se a revolta dos marinheiros de Cronstadt que lutavam por sovietes livres do controle dos bolcheviques, em Março de 1921. Antes, em Moscou e nas grandes cidades, milhares de anarquistas já tinham sido presos e mortos por desafiarem o poder bolchevique.

A tragédia do que seria o “comunismo real” era já bem evidente por esta altura, como o tinha sido antes para Bakunin e para os seus companheiros da 1ª Internacional críticos de Marx, a quem acusavam de, com a sua ideologia totalitária e sectária, de partido único e “ditadura do proletariado”, estar a criar as condições para que a almejada “libertação dos trabalhadores” se transformasse numa tragédia sem fim, de que as purgas stalinistas, a invasão da Hungria (1956) e da Checoslováquia (1968) pela União Soviética ou o regime comunista de Pol Pot no Camboja, a “revolução Cultural” na China, e alguns regimes inspirados pelo marxismo na África são apenas alguns momentos do terror. Um terror criado por uma ideologia que, praticamente desde o início, fez sua a teoria de que os fins justificam os meios e que para os atingir tudo é permitido, mesmo a mais brutal violação de todos os direitos e da própria integridade do ser humano.

Sabemos que outros regimes, de outras cores políticas, por todo o mundo, praticaram crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O nazismo e o fascismo foram, também no século passado, regimes totalitários, criminosos – como o são hoje algumas ditaduras apoiadas pelos Estados Unidos e pelo mundo ocidental para quem o mais relevante é o controle dos recursos naturais. Antes a Inglaterra, a França, a Bélgica, Portugal, Espanha, entre outros, também desenvolveram políticas imperialistas, criminosas, com recurso ao saque dos recursos naturais, à redução dos indivíduos a simples objetos transacionáveis e utilizáveis conforme os interesses dos Estados e das suas estratégias comerciais.

Mas nada desculpa os crimes do chamado “mundo comunista” que destruiu, talvez para sempre, a esperança e a utopia criadoras que, para as gerações anteriores à nossa, significava a palavra socialismo: uma terra sem amos, sem guerras, sem messias, deuses, chefes supremos, a Internacional sonhada por milhões de trabalhadores em todo o mundo e cuja letra foi escrita por um anarquista, Eugène Pottier. Uma palavra e um sonho despedaçados sob a bota militar de Lenin, Trotsky e seus seguidores.

Hoje a Rússia não é comunista – os crimes do comunismo afastaram também os russos da ideologia bolchevique -, mas o imperialismo que sempre a caracterizou mantém-se intacto, fazendo que os países à sua volta continuem a temer o braço de ferro do “irmão russo” que tantas vezes os violentou ao longo da história e, contra natura, a pretenderem aderir à OTAN – uma força beligerante, militarista e que se comporta como o braço armado dos Estados Unidos, outra potência imperialista – para se defenderem desse abraço de urso de Moscou.

A Ucrânia é um destes países e a invasão russa veio-lhe dar razão. A agressão de Moscou, seja qual o ponto de vista que se queira usar – mesmo que tenha havido provocações anteriores, nomeadamente contra as minorias russas, poderia ter justificado uma presença militar russa nos territórios ocupados pelos separatistas, mas nunca este crime de guerra contra um povo com uma capacidade militar muito inferior mas que, como se tem visto, tem sabido defender a sua terra, as suas casas, a sua cultura contra o invasor, como antes já o tinham feito Makhno e os seus companheiros face aos exércitos de Lenin e de Trotsky. Com coragem e determinação.

L. B.

>> Foto em destaque: Grupo anarquista de defesa de Kiev (fevereiro de 2022)

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/03/contra-o-abraco-de-ferro-a-ucrania-porque-e-que-os-anarquista-lutaram-contra-o-marxismo-leninismo-e-agora-contra-o-invasor-russo/

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nuvem de mosquitos
o ar se move
vento nenhum

Alice Ruiz

Lucía – revista feminista de cultura visual e tradução | Pré-venda Cartaz A4

A artista argentina Pilar Emitxin é a convidada de Lucía — revista feminista de cultura visual e tradução. Ao comprar o cartaz que é a impressão da arte da capa em formato a4, você apoia o trabalho de Emitxin e da Tenda de Livros.

Conheça Lucía — revista feminista de cultura visual e tradução.

Para edição de número 2 que será lançada no dia 8 de março o tema escolhido é Letra, letreiro e letramento. O encontro com a leitura do texto escrito e do texto visual passa por um letramento sendo vinculado a um contexto social, político e cultural.

A promoção vai até dia 08 de março

Os envios serão feitos a partir do dia 15 de março

>> Mais infos:

https://tendadelivros.org/loja/produto/cartaz-a4-lucia-2/?mc_cid=0b955b2437&mc_eid=8caea939b8

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com um traço
a desenhista faz
o vôo do pássaro

Eliakin Rufino

“Interseccionalidade, uma leitura anarquista”

 

O próximo encontro do Grupo de Estudos de Anarquismos, Feminismos e Masculinidades, do Centro de Cultura Social, será dia 05 de março, sábado, das 16h às 18h, no formato online. O texto base para a conversa será “Uma leitura anarquista da interseccionalidade”. Para acessá-lo e também se inscrever (até dia 03/03) e receber o link da sala virtual, entre em tinyurl.com/050322. Os encontros do grupo são livres para todas as pessoas e não são gravados. Teremos intérprete de Libras. Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapitalismo e não partidarismo. Não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

Grupo Estudos Anarquismos, Feminismos Masculinidades

FB: https://www.facebook.com/events/1370984713324567

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Noites sem cigarras –
qualquer coisa aconteceu
ao universo.

Serban Codrin

[Alemanha] Anunciando uma nova distribuidora de livros anarquistas multilíngues

Rupture – Distro de livro anarquista multilíngue

rupture.noblogs.org

A paixão pela liberdade, assim como a firmeza de recusar qualquer tentativa de comercialização, nos levou a criar este espaço para acolher um catálogo de livros de diferentes editoras anarquistas. Escritas ou traduzidas, editadas e impressas de forma autônoma, essas publicações visam dar uma referência concreta e coerente às análises, histórias, lutas e experiências que alimentaram e continuam a nutrir nossa projetualidade anarquista.

Nossa seleção não será exaustiva, mas aumentará gradualmente. Não se encontrará todos os títulos da herança anarquista, pois não é nossa intenção aqui criar um supermercado de ideias, teorias ou perspectivas anarquistas – não necessariamente porque não estejamos interessados ​​em todas as formas que isso pode assumir, mas porque estamos apaixonado pela ideia, proposta e prática de subverter sem demora o mundo da autoridade. A liberdade que buscamos obstinadamente é contrária a qualquer estratégia política, desconfiada do consenso democrático e refratária à submissão. Assim, esta seleção, disponível a todos, carrega a intenção explícita de propor, aprofundar e refinar a prática anarquista que visa a revolta social, sem mediação, sem concessões, sem nada a oferecer para a reforma deste mundo.

Em um momento em que as perspectivas de revolução social parecem congeladas em um mar de confusão deliberada, medo resignado, catástrofes calculadas, colonização tecnológica e histeria autoritária, relançamos, ainda mais obstinadamente, as palavras desses livros sobre e para a luta, para convidar seus leitores a navegarem para novos e desconhecidos horizontes de liberdade, autonomia, solidariedade, conflito, alegria.

Esta distribuição de livros oferece publicações em inglês, holandês e alemão, disponíveis para pedidos únicos e para outras distribuições.

Pela anarquia!

Tradução > JB

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foi ao toalete
e cortou os sonhos,
a gilete

Leila Míccolis

[Espanha] 8M. As mulheres trabalhadoras estamos esgotadas. E estamos fartas

Fartas de suportar plenamente e sem recursos a responsabilidade dos cuidados. Fartas da divisão sexual do trabalho que feminiza setores convertendo-os em mais precários e invisíveis (limpeza, alimentação, sóciosanitário, educação, etc.), apesar de serem imprescindíveis para a engrenagem deste sistema.

Já são 2 anos de gestão da pandemia da Covid-19, e neste tempo se demonstrou uma e outra vez que cada crise nos golpeia duramente as mulheres.

Estamos esgotadas e fartas porque seguimos sem ver nenhuma mudança que acabe com a brecha salarial, porque continua se agudizando a precariedade e a falta de contratação das mulheres. É um fato que as mulheres tiramos mais licenças não remuneradas para nos encarregarmos dos cuidados e que somos nós as que, em caso extremo, decidimos não nos incorporar ao mercado laboral para atender as pessoas que dependem de nós. Desde o inicio da pandemia, o número de mulheres nesta última situação aumentou em 150.000.

Tudo isto, além de nos esgotar, nos empobrece.

O teletrabalho, que parecia a solução no âmbito laboral ante a pandemia, nos mostrou a outra face da moeda, dado que o assumimos mais nós que os homens e isto acentua nosso trabalho como cuidadoras e afeta a nossa promoção. É importante ver que aqui não só há brecha laboral, mas que existe uma brecha de classe. E isto, também nos esgota.

A parcialidade nos contratos é muitíssimo maior em mulheres que em homens.

Somos nós as que nos encarregamos com a maioria dos trabalhos relacionados com os cuidados e nos vemos na necessidade de reduzir nossa jornada laboral para nos tornarmos responsáveis de trabalho não remunerado. Além disso, do total de mulheres ocupadas, a porcentagem mais alta (29,0 %) corresponde à ocupação dos serviços de restauração, pessoais, proteção e vendedores. Socialmente, se conhece que estas ocupações não só estão feminizadas, mas que também são objeto de fraude na contratação: jornadas parciais que de forma efetiva são jornadas completas, etc.

A maioria das mulheres migrantes residentes está desempregada ou não contam com contrato laboral regularizado, e são muitas as que se encontram em situação administrativa irregular. Há que acabar com a exploração laboral a que estão submetidas estas mulheres, que não denunciam por medo de serem expulsas, e exigir ao Governo sua regularização.

O Regime Especial de Empregadas Domésticas é escravista, sem direito a auxílio por desemprego, sem acesso à lei de riscos laborais. A demissão é sem aviso prévio nem indenização, sem contar a impossibilidade de pedir folgas nem licenças por medo à demissão. Tampouco existe o direito de readmissão como ocorre no resto dos setores.

Não podemos esquecer o maltrato e abusos que sofrem as empregadas em alguns locais de trabalho.

O que dizer do assalto a nossas pensões. O engodo que nos vende o Governo “mais progressista da história“, junto com os ministérios sindicais, não é mais que a fraude do reajuste de pensões e um passo a mais na privatização do sistema público de pensões. Quando milhões de lares subsistem a duras penas com a pensão de uma mulher, seja aposentada, viúva ou por invalidez; ao invés de utilizar o IPC interanual (5,6 %) para o reajuste, tomam o IPC médio (2,5 %). E não só este ano, esquecemos-nos de recuperar o nível perdido nos últimos anos.

Faz-se o mesmo nos convênios: que aceitemos polvo, como animal de companhia.

Não pensam aumentar o coeficiente da pensão por viuvez, que deveria ser 100%, mas a muitas não se chega a reconhecer nem 60%, o que é seguir na miséria.

A outra agressão ao sistema público de pensões são os planos privados de empresa. Equivalem ao desligamento dos convênios, mas pior: debilitam nossa capacidade de negociação, escapam do controle público, poderão ser corrompidos e diminuem a renda no sistema.

Todas somos ou seremos pensionistas.

Para ter uma pensão digna há que começar hoje, lutando por nossos direitos coletivos, contra as discriminações que dificultam a independência econômica e denunciando que este calvário laboral se traduz em uma pior pensão. Avançar é tomar consciência de que o problema das pensões das trabalhadoras deve estar unido ao resto das condições laborais e vitais que se mantêm.

E, como se fosse pouco, a gota que transborda o copo: uma nova “reforma laboral” na qual nada muda para nós: a temporalidade segue sem se resolver, apesar de que queiram maquiá-la, chamando “indefinidos” a contratos que permanecem atados a uma natureza temporária, e sem tocar as causas das demissões nem as indenizações. Tampouco se resolve a questão dos subcontratos e a externalização de trabalhadoras, cujas consequências vão padecer setores tão precarizados como o das kellys.

As desigualdades e discriminações que sofremos as mulheres são estruturais e são consequência direta do atual sistema capitalista e patriarcal, que utiliza a violência e todos os recursos a sua disposição para manter a ordem social imposta, e assim, conseguir que as estruturas do sistema e suas relações de poder sigam intactas.

Estamos esgotadas, estamos fartas e, sobretudo, estamos organizadas.

Para fazer frente às desigualdades que devemos enfrentar a cada dia, nos tornamos fortes com a CNT.

Somos conscientes da realidade que nos rodeia, sabemos das dificuldades com as quais nos enfrentamos para sobreviver dentro do sistema atual; sobreviver ou malviver, porque para muitas mulheres, o dia a dia é pura sobrevivência.

Queremos ter vidas dignas de serem vividas, e para isso necessitamos umas das outras. E não só neste Estado: não podemos esquecer que por todo o mundo milhões de mulheres lutam cada dia para mudar as coisas.

Desde aqui, mandamos uma saudação entusiasta e fraternal a todas as sonhadoras e lutadoras que sofrem os rigores da tirania em todo o mundo: as trabalhadoras das fábricas de Myanmar, Bangladesh, Marrocos… As companheiras kurdas, as zapatistas, as afegãs… e todas as que não nomeamos aqui, mas recordamos a cada dia.

Desde nossa diversidade e circunstâncias somos a mesma classe, e nos mantemos unidas.

Somos diversas e por isso pomos em cima da mesa uma proposta para acabar com todo tipo de opressão social, laboral e educativa, porque todas somos igualmente valiosas; somaremos nossas experiências e saberes para fazer frente a todas as desigualdades que sofremos e conseguir uma sociedade mais justa.

Somos mulheres organizadas que lutamos contra a exploração, dando importância aos cuidados, e apoiando-nos umas às outras para a construção de um mundo novo.

Um mundo anarquista, mas, sobretudo, feminista, no qual se reconheçam as fundamentais contribuições que fazemos as mulheres na sociedade, hoje e sempre.

Ante o esgotamento, anarcofeministas em luta.

Una-te à CNT

cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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Neblina? ou vidraça
que o quente alento da gente,
que olha a rua, embaça?

Guilherme de Almeida

[Uruguai] 9ª Feira do Livro Anarquista de Montevidéu

Mais uma vez convidamos você para a Feira do Livro Anarquista em Montevidéu-Uruguai. Estamos muito felizes em propor um encontro no qual fortalecemos e aprofundamos a luta incessante contra o Estado, o patriarcado, o capital e contra tudo o que tenta nos dominar. Em um mundo onde o capital se apodera de nosso tempo, da terra, dos demais animais e de nossas vidas, nós o convidamos a discutir e rediscutir, a tensionar ideias, práticas e projetos anarquistas.

Com entusiasmo também anunciamos que estamos abertos à participação das editoras e bancas de divulgação de material anarquista e antiautoritário. Neste sentido, pedimos aos companheiros e companheiras e coletivos que levem em consideração que as bancas sejam exclusivamente para a divulgação de livros, revistas e publicações de ideias anarquistas e antiautoritárias.

Para mais informações:

feria-anarquista-montevideo.info
feriaanarquistamvd@riseup.net

Contra toda autoridade!
Que viva a anarquia!

agência de notícias anarquistas-ana

escreve
a tinta se esvai
o mar se expande

Seferis

[Espanha] Lançamento: Café Combat. Laureano Cerrada, anarquista e falsificador

Café Combat é um livro sobre Laureano Cerrada, não sobre a guerra civil espanhola nem sobre a história da CNT francesa. É uma investigação forjada durante mais de 15 anos de pesquisa através de fragmentos de livros, jornais, registros policiais além de imprescindíveis relatos orais. Café Combat abre o debate sobre ilegalismos, ações clandestinas e a atuação de alguns anarquistas espanhóis durante o exílio na França. Com o passar dos anos este trabalho sofreu revisões, surpresas, longas pausas e convulsões, é uma obscura e turva história subterrânea, apesar disso, este texto não vai contra o anarquismo nem tampouco pretende recordar suas importantes conquistas sociais, culturais e pedagógicas e sim reconhecer este homem incômodo, complexo e contraditório sobre quem ainda hoje pesa um grande silêncio.

Café Combat. Laureano Cerrada, anarquista y falsificador

Miguel Sarró “Mutis”

Editora: LaMalatesta

ISBN: 9788494785641

Páginas: 184

Tamanho do livro: 21×12

12,00 €

lamalatesta.net

Tradução > Mauricio Knup

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Ufa! que parece
que a gente vai caminhando
com o sol às costas!…

Jorge Fonseca Jr.

[EUA] O correio está chegando até Eric King; Julgamento marcado para 14 de março

Relatório sobre a proibição de correspondência do prisioneiro político anarquista Eric King sendo suspensa enquanto ele se prepara para seu próximo julgamento em meados de março.

Eric está muito feliz por voltar a receber correspondência e saber de seus amigos! Está fazendo com que ele se sinta forte e pronto para vencer em março e acabar com esses três anos e meio de inferno. Sentar-se indefinidamente em segregação pode realmente atrapalhar a máquina de preparação do julgamento. Ele ficou um ano e meio sem seus óculos. Ele sobreviveu a 18 meses de restrições de comunicação. Ele sobreviveu a tantas coisas colocadas em seu caminho. Mas, além da sobrevivência, ele está pronto para dominar em março, quando finalmente tiver seu julgamento. Ele quer enviar amor e agradecimento a todos e disse que está emocionado em receber notícias de todos.

O julgamento é dia 14 de março

Quem estiver procurando mais maneiras de ajudar, pode doar para seus advogados do Centro de Defesa das Liberdades Civis e apoiar seus esforços de defesa legal doando aqui (https://cldc.org/donate/). Por favor, indique sua doação no site “Defesa legal de Eric King”. Esses fundos cobrem transporte, moradia, transcrição, depoimento e taxas de arquivamento. Por favor, doe se você puder.

Escreva para Eric:

Eric King 27090045

FCI Englewood

9595 w Quincy Avenue

Littleton Co 80123 – EUA

Tradução > JB

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Oh cruel vendaval!
Um bando de pequenos pardais
agarra-se à relva.

Buson

[Espanha] Segunda declaração da CNT contra a guerra na Ucrânia e o militarismo

Ante a agressão militar que se vive na Ucrânia, desde a CNT emitimos a seguinte declaração:

Faz uns dias assinalávamos que o conflito interestatal criado e sustentado no leste europeu responde unicamente aos interesses das minorias que controlam os recursos. Neste desgraçado baile belicista se misturam as ameaças da OTAN, a mobilização militar russa no interior da Ucrânia e atrás das cortinas, China, a UE e EUA, que instiga, mas não sofre as consequências em seu solo.

Já víamos como a vida se encarecia, enquanto as oligarquias internacionais disputavam sua hegemonia e agora, também, a classe trabalhadora europeia inteira, não só somos seus reféns econômicos, mas as vítimas físicas do militarismo galopante.

Os Estados, a serviço da oligarquia, disparam e nós sempre temos que perder, ganhe quem ganhe.

Que o conflito na Ucrânia tenha subido de nível produzirá mais morte e miséria, mas não só nesta terra, mas em toda Europa, porque o maior investimento em gastos militares reduzirá o financiamento das necessidades básicas, como saúde, educação, pensões, energia, transporte… Que também custarão vidas e qualidade de vida.

Não são menos fascistas uns que outros, não nos equivoquemos. Todos subjugam, coagem e exploram.

Exigimos o desaparecimento das organizações militares que criam insegurança à população e o desmantelamento de suas estruturas.

Convidamos a classe trabalhadora a organizar-se contra o militarismo e pelo desaparecimento de todas as organizações militares do mundo.

A guerra não é contra a Ucrânia, é contra a classe trabalhadora.

Ganhe quem ganhe, tu perdes.

A classe trabalhadora deve dizer: Não à guerra!

www.cnt.es

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/07/espanha-declaracao-da-cnt-contra-a-guerra-na-ucrania-e-o-militarismo/

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tocar sobre teu corpo
ao silêncio das estrelas
um acorde de guitarra

Lisa Carducci

[Itália] Terrorismo de Estado

Putin começou sua guerra relâmpago para reconstituir o império russo. O Ocidente, liderando os EUA e a Europa, fez de tudo para aumentar a tensão. O estado ucraniano, por sua vez, deu ao seu povo pão e pátria, pouco do primeiro, tanto e perigosamente tóxico do segundo. A mídia nos encheu de análises de todo tipo, razões históricas e econômicas, para justificar esta ou aquela escolha, esta ou aquela formação.

Poucos falaram sobre os motivos das vítimas de todos os tempos, os últimos, os trabalhadores russos e ucranianos, separatistas ou nacionalistas, homens e mulheres que nestas horas vivem o mesmo cenário de guerra vivido por seus avós no passado pela invasão da Itália fascista ou da Alemanha nazista, ou ligada à miséria da fome sustentada pela Rússia stalinista. As centenas de mulheres imigrantes na Itália, que cuidam de nossos entes queridos não autossuficientes, mesmo de longe, sentem e denunciam o horror dessas horas de guerra. Nas redes sociais seus depoimentos falam de:

Um país isolado do bombardeio […] já não há mais suprimentos […] as pessoas fogem para o campo […] eles deixam suas casas que são imediatamente saqueadas […] uma imensa tragédia […] a informação que chega até nós é distorcida […] a realidade é terrível“.

Depois da carnificina nas regiões da ex-Iugoslávia, a Europa é mais uma vez o palco de guerras onde o terrorismo dos Estados, o lucro dos mercadores, a cultura do ódio são mascarados por trás de mil mentiras patrióticas e econômicas espalhadas com ambas as mãos. Como sempre, os mais fracos pagarão as consequências. Diante de tudo isso, não basta rezar pela paz, apelar à diplomacia ou pleitear a deserção da guerra. Devemos denunciar as políticas belicistas e apelar a uma possível solidariedade entre os explorados.

Recuse armas e compartilhe a segurança de um lar, uma refeição, um amor, uma cura. A solidariedade mais imediata que podemos dar àqueles que sofrem com o terrorismo político dos Estados é lutar contra aqueles que nos governam, responsáveis ​​em vários graus, por esse mesmo terrorismo, especialmente quando os gastos militares não sofrem cortes como saúde, escola, segurança social.

Estamos com quem sofre as guerras e nunca com quem as faz.

Lutamos contra guerras, guerreiros e belicistas.

Todas as guerras contra nós. Nós, contra todas as guerras.

FAI – Federação Anarquista Italiana | seção “F. Ferrer” – Chiaravalle | seção “M. Bakunin” – Jesi

Alternativa Libertária / FdCA | seção “S. Francolini” – Fano / Pesaro

Grupo anarquista “Kronstadt” (sem teto) – Ancona

Valcesano Anarchica

Clube “O. Manni” – Senigallia

Tradução > GTR@Leibowitz__

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Ruído de chinelos
No quintal do lado –
Mas que calor…

Paulo Franchetti

[Portugal] As suas guerras. Os nossos mortos.

Queremos acreditar que as nossas posições sobre o que se está a passar na Ucrânia serão claras para a maioria dxs leitorxs do Jornal MAPA, mas, para o caso de não serem, aqui vão:

Estamos contra esta guerra. Nem Putin, nem Otan. Antimilitaristas, não tomamos campo entre quem bombardeia, seja o exército ucraniano sobre Donbass, sejam os mísseis e tanques de Moscou sobre a Ucrânia. Tomamos partido, sim, por quem sofre a força bruta dos nacionalismos, por quem sai à rua com a coragem para deixar claro que os povos têm outra maneira de se relacionar.

Pessoas na Ucrânia, antiautoritárias, antifascistas, ativistas LGBT, algumas das quais mantêm projetos de mídia independentes, pedem a nossa solidariedade enquanto combatem a invasão nas ruas. E ao mesmo tempo sempre disseram #FckZouaves #FckAzov #FckImperialism. Para os que escrevem que “os movimentos da praça de Maidan em 2014 foram de extrema-direita, financiados pela CIA”, aconselhamos a leitura do texto “Guerra e Anarquistas: Perspectivas Antiautoritárias na Ucrânia”, escrito em coletivo e publicado no CrimethInc. pela primeira vez a 15 de fevereiro de 2022, que dá conta da complexidade e da participação de antifascistas nas lutas que derrubaram o governo da altura. Rejeitamos a propaganda de que “são todos nazis”, como afirmam Putin e os seus simpatizantes. Essa que diz que “o meu imperialismo é melhor que o teu”.

Repetimos hoje as palavras que William Sands escreveu para o Jornal MAPA em 2015: “Simplificar a guerra atual na Ucrânia, ou como uma batalha entre os interesses democráticos ocidentais e as aspirações imperiais pós-soviéticas, ou como movimentos políticos neo-fascistas e lutas de libertação nacional, não ajuda à compreensão das verdadeiras causas desta guerra”.

Distanciamo-nos de quem diz coisas como “a Rússia foi provocada e tem direito a retaliar”. Afirmações como esta sugerem um processo de desculpabilização de ações inaceitáveis. O atual governo russo, que desenvolve há anos um projeto imperialista, pretende agora subjugar outro país – bastante rico em matérias-primas como urânio, carvão, gás natural, e grandes produções agrícolas –, ao mesmo tempo que reprime constantemente as vozes dissidentes internas.

Estes mesmos recursos interessarão também a Joe Biden, cujas políticas imperialistas são igualmente reconhecidas. No entanto, ser contra o imperialismo norte-americano não pode significar que se desculpe outro imperialismo. Tal como escrito no texto do CrimethInc.: “O imperialismo russo moderno baseia-se na percepção de que a Rússia é a sucessora da URSS – não no seu sistema político, mas em termos territoriais. O regime de Putin vê a vitória soviética na Segunda Guerra Mundial não como uma vitória ideológica sobre o nazismo, mas como uma vitória sobre a Europa que mostra a força da Rússia.”

Neste momento, seguimos com atenção as situações de Chernobyl e de outras centrais nucleares da Ucrânia, atos bélicos próprios de quem não olha a meios para atingir os seus fins.

A lei marcial imposta na Ucrânia obriga a que todos os homens entre os 18 e os 60 estejam proibidos de sair do país. São aconselhados a pegar em armas e a defender a sua “pátria”. A guerra evidencia que o patriarcado, expresso de forma natural nos nacionalismos e nas disputas pelo poder de Estado, é uma brutalidade para todas as pessoas.

Estamos solidárias com todas as pessoas na Ucrânia que foram apanhadas por uma guerra que não compraram, bem como com a diáspora ucraniana espalhada por vários países. Sabemos que os imigrantes ucranianos que vivem em Portugal se têm encontrado em vigílias nas cidades de Lisboa, Porto e Faro e estamos atentas. Possíveis refugiados/as serão bem-vindxs.

Rejeitamos ainda qualquer russofobia. Expressamos toda a nossa solidariedade com o povo russo, que irá sofrer uma crise sem precedentes, e estamos a seguir organizações de apoio aos detidos em manifestações contra a guerra que tiveram lugar imediatamente em território russo (a imagem em destaque neste texto é mostra a Polícia antimotim russa a prender uma manifestante cuja máscara diz “Não à guerra”.). Ao longo dos próximos dias, iremos partilhar informação sobre projetos de base em vários países da região, que nos inspiram com as suas ações de solidariedade e de resistência.

Esperamos que as nossas palavras não sejam confundidas com outros discursos que acabam por legitimar esta guerra. Após 10 anos de jornal Mapa, queremos que as nossas posições sobre os interesses das classes dominantes e das elites e oligarquias políticas, o militarismo, a Otan e a Europa-fortaleza estejam claras.

jornalmapa.pt

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agência de notícias anarquistas-ana

criado mudo
fica quieto
mas vê tudo

Carlos Seabra

[Rússia] KRAS-AIT contra a guerra

O que se temia, o que se alertava, o que não se queria acreditar, mas que era inevitável, aconteceu. As elites dominantes da Rússia e da Ucrânia, instigadas e provocadas pelo capital mundial, sedentas de poder e inchadas com os milhões de milhões roubados dos trabalhadores, travam uma batalha mortal. A sua sede de lucro e de poder são pagas com o sangue de pessoas comuns, como nós.

O primeiro tiro foi disparado pelo mais forte, mais predatório e arrogante dos bandidos: o Kremlin. Mas, como sempre acontece nos conflitos imperialistas, por trás da causa imediata esconde-se todo um emaranhado de razões repugnantes e mal cheirosas: esta é a luta internacional pelos mercados de gás e a ânsia das autoridades de todos os países para desviar a atenção da população da tirania das ditaduras “sanitárias”; a luta das classes dominantes dos países da antiga União Soviética pela divisão e redistribuição do “espaço pós-soviético”; as contradições globais e de maior escala; a luta pelo domínio entre a OTAN, liderada pelos EUA, e a China, desafiando a velha potência hegemônica, e atrelando à sua carruagem o seu “irmãozinho” do Kremlin. Hoje essas contradições dão origem a guerras locais. Amanhã elas ameaçam transformar-se numa Terceira Guerra Mundial Imperialista.

Seja qual for a retórica “humanista”, nacionalista, militarista, histórica ou qualquer outra que justifique o conflito atual, por trás dele estão apenas os interesses daqueles que detêm o poder político, econômico e militar. Para nós, trabalhadores, aposentados, estudantes, só traz sofrimento, sangue e morte. O bombardeio de cidades pacíficas, o bombardeio em si, a matança de pessoas não têm justificação.

Exigimos a cessação imediata das hostilidades e a retirada de todas as tropas para as fronteiras e linhas de separação que existiam antes do início da guerra.

Apelamos aos soldados enviados para combater a não dispararem uns sobre os outros e a não abrirem fogo contra a população civil.

Nós apelamos a que se recusem em massa a cumprir as ordens criminosas dos seus comandantes.

PAREM A GUERRA!

ARMAS PARA O CHÃO!

Apelamos às pessoas na retaguarda dos dois lados, aos trabalhadores da Rússia e da Ucrânia, a não apoiarem esta guerra, não a ajudarem, pelo contrário, a resistirem com todas as suas forças!

Não à guerra!

Nem um único rublo, nem uma única hryvnia dos nossos bolsos para a guerra!

Faz greve contra esta guerra se puderes!

Um dia, quando tiverem força suficiente, os trabalhadores da Rússia e da Ucrânia exigirão total responsabilidade a todos os políticos e oligarcas poderosos que nos colocam uns contra os outros.

Nós repetimos:

NÃO À GUERRA ENTRE OS TRABALHADORES DA RÚSSIA E DA UCRÂNIA!

NÃO HÁ PAZ ENTRE CLASSES!

PAZ ÀS CASAS – GUERRA AOS PALÁCIOS!

KRAS – Seção da Associação Internacional de Trabalhadores da Região da Rússia

25/02/22

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agência de notícias anarquistas-ana

Não há comida
E as moscas se ocupam
Em fazer mais moscas.

Paulo Franchetti

[Itália] Protesto contra a guerra em Milão

Hoje (26/02), como anarquistas, juntamo-nos ao protesto contra a guerra para reiterar a nossa rejeição do imperialismo do Estado e das coligações contendentes. Através dos transeuntes e troca de palavras com pessoas que se aproximaram curiosamente, comunicamos nossa posição antimilitarista que é de perspectiva revolucionária, de solidariedade e de rebelião contra o alto comando de cada Estado.

Ateneo Libertario Milano

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Pra que respirar?
posso ouvi-la, fremindo,
maciez de noite.

Soares Feitosa

[França] Radio Libertaire celebra seus 40 anos!

Radio Libertaire, criada em 1981, está comemorando seu 40º aniversário. Quase meio século de lutas sociais, cultura e educação popular.

Junte-se a nós nos dias 12 e 13 de março de 2022 na sala Olympe de Gouges, 15 rue Merlin, Paris 11e (Metrô Voltaire ou Père Lachaise) a partir das 10 horas da manhã para conhecer os anfitriões dos programas da RL. E durante 2 dias, participar de debates, desfrutar de espaços de convívio e de exposições, concertos, projeções…

Programa a ser publicado no site da Federação Anarquista.

federation-anarchiste.org

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De manhã, a brisa
encrespa o igarapé
e penteia as águas.

Anibal Beça

 

[Portugal] Os libertários e a invasão da Ucrânia

Por M. Ricardo de Sousa| 25/02/2022

“Não existe distinção possível entre guerras ofensivas e guerras defensivas […] Só existe uma guerra de libertação: aquela que em todos os países é feita pelos oprimidos contra os opressores, os explorados contra os exploradores. Nosso papel é chamar os escravos à rebelião contra seus mestres. Propaganda e ação anarquista devem ser aplicadas com perseverança para enfraquecer e desagregar os diversos Estados, cultivar o espírito de rebelião e criar o descontentamento nos povos e nos exércitos.” – Manifesto Anarquista Contra a Guerra, 1915

A posição tradicional dos anarquistas em relação aos conflitos internacionais é do anti-militarismo e da oposição às guerras entre os Estados. Foi assim na Primeira Guerra Mundial e na Segunda Guerra Mundial. Dito isto também sabemos que nos dois casos ocorreram algumas divisões nos meios libertários, incluindo em Portugal, pois alguns militantes conhecidos, e alguns grupos, decidiram apoiar um dos lados do conflito. No caso da II Guerra Mundial, transformada em luta contra o nazi-fascismo, houve até um forte envolvimento dos anarquistas italianos, franceses e espanhóis na resistência armada e nas forças militares convencionais.

Podemos dizer hoje que são compreensíveis os motivos que levaram a isso, mas não altera o fato que foi uma escolha política do mal menor, com todas as implicações que essas escolhas têm. Essas divisões tiveram até consequências negativas por muitos anos no movimento libertário, principalmente no caso da Grande Guerra.

Mais uma vez desencadeou-se um conflito militar internacional na Europa, antes tivemos o da Iugoslávia, e sabemos que os interesses dos Estados e das potências não coincidem com os dos Povos. O discurso histórico e nacionalista russo é uma retórica política para justificar as ações militares; o discurso ocidental da legalidade e do direito internacional serve igualmente para dar cobertura, com algum cinismo, aos interesses geoestratégicos dos EUA e da UE.

Que a OTAN se manteve após o fim da União Soviética e do Pacto de Varsóvia é um fato, que se expandiu para Leste é inquestionável. Que o governo da Ucrânia quer aderir à OTAN ninguém o pode negar…Quanto à natureza autocrática e reacionária do regime de Putin só os idiotas úteis da esquerda leninista o podem negar.

Dito isto repito: os Povos, pior ainda, os anarquistas, têm de escolher um campo? Nem ao diabo lembraria, pois os interesses das classes dominantes e das elites políticos não são comuns com os interesses dos Povos. Temos de ficar firmes na nossa análise crítica e autônoma e não ceder ao debate político, e geoestratégico, e menos ainda à escolha do mal menor.

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/02/25/os-libertarios-e-a-invasao-da-ucrania/

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flor amarela,
no vaso, vê o mundo
pela janela

Carlos Seabra