Novo som do Ktarse | “Masmorras dos tempos modernos” – Part. Bruno Enrico

Ktarse, rap da quebrada, combativo e anárquico! 

Letra

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REFRÃO

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Desumanização / Sistema perverso / Campo de concentração / Masmorras dos tempos modernos

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A desumanização é a natureza do sistema /  Não existe ressocialização só violência /  O cárcere é campo de concentração /  Herança maldita da escravidão

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O genocídio intenso dos pobres, dos pretos / O extermínio da periferia, do gueto /  A explosão da criminalidade é lucrativa / Para a indústria da segurança, e pra mídia

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As privatizações dos presídios são negócios / O preso é mercadoria para os poderosos / Empresários, governo e toda corja capitalista / Exploradores da mão de obra cativa

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A serpente que só morde os pés descalços / Que tortura, mata pobre e favelado / Essa é a crueldade do sistema perverso / Cadeias masmorras dos tempos modernos

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REFRÃO

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Desumanização / Sistema perverso / Campo de concentração / Masmorras dos tempos modernos

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Sistema penitenciário está em colapso / A taxa de aprisionados cresce a passos largos / Pena de morte, extermínio, holocausto / Policia genocida mata com aval do estado

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No cárcere cem por cento são pobres / Que não tiveram acesso à oportunidade / Enclausurados em condições sub-humana / Sobrevivendo sem perspectiva, sem esperança

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A mídia estimula na população / O sentimento de vingança, ódio e punição / Aos marginalizados que são estereotipados / Como perigo para sociedade e pro Estado

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A classe rica é pérfida, genocida / Racista, fascista, segregacionista / Com sua psicopatia de superioridade / Tentaram exterminar os indesejáveis

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Estimulando a ideologia higienista / Os playboys são adeptos da eugenia / Sádicos de mentalidade facínora / A burguesia lucra com a carnificina

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Criminalização da pobreza, da miséria / Perpetuação da violência, das guerras / Encarceramento em massa dos periféricos / Cadeias masmorras dos tempos modernos

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REFRÃO

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Desumanização / Sistema perverso / Campo de concentração / Masmorras dos tempos modernos

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>> Escute o som aqui:

https://youtu.be/YP52-oI9ciE

agência de notícias anarquistas-ana

no mesmo banco
dois velhos silenciam
no parque deserto

Carol Lebel

[Alemanha] Antifascismo combativo nas ruas de Leipzig: Manifestantes atacam delegacia de polícia

Aproximadamente 4.000 antifascistas protestaram no dia 18 de setembro pelas ruas centrais de Leipzig sob o lema “WirsindallelinX” (“Somos todos LinX”). Lina é uma jovem antifascista acusada de atacar extremistas de direita. Ela está presa há mais de um ano.

No caminho do protesto, o prédio do Departamento de Polícia de Leipzig foi atingido por pedras, garrafas de cerveja, tinta e fogos de artifício. Vários prédios de bancos também foram atacados com pedras.

O motivo do protesto foi o julgamento da antifascista Lina e de três homens, a quem o promotor federal acusa de formar uma “organização criminosa” e de “atentar contra supostos direitos”.

A polícia acompanhou a manifestação com um grande contingente. Estavam em ação agentes da Saxônia, Baixa Saxônia, Saxônia-Anhalt e Turínga, além da Polícia Federal. Um helicóptero sobrevoava a cidade, vários veículos equipados com canhões de água estavam prontos.

No final da manifestação, barricadas foram erguidas e incendiadas no distrito de Connewitz em Leipzig. Pessoas mascaradas puxaram paletes de madeira, placas de trânsito e latas de lixo para a rua e os incendiaram. A polícia posteriormente abriu caminho com canhões de água. Pedras foram jogadas nos veículos e na polícia. A manifestação “LinX” terminou no Connewitzer Kreuz.

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O velho lago …
O ruído do salto
Da rã na água.

Bashô

[Espanha] A força da classe trabalhadora

Por José Luis Velasco

Nacionalismo e Cultura (1937) de Rudolf Rocker é uma das obras mais significativas do anarquismo, juntamente com Teoria e Prática do Anarco-Sindicalismo (1938) do mesmo autor, que de forma inteligente e simples explica que todos os direitos trabalhistas e conquistas sociais, econômicas e culturais foram e são produtos da capacidade organizacional, social, sindical e ideológica da classe trabalhadora. E que sua manutenção, desenvolvimento e conquista de novos avanços na transformação social para a justiça econômica e social, e a luta pela liberdade e igualdade real, dependem apenas desta capacidade de ação da própria classe trabalhadora.

Desta forma, Rocker continuou o trabalho do precursor do anarquismo P.J. Proudhon em A Capacidade Política da Classe Operária (1864) e, com eles, anarquismo e anarco-sindicalismo continuam hoje a afirmar que “a emancipação dos trabalhadores será obra dos trabalhadores ou não será”. O maior trabalho construtivo da classe trabalhadora é a Revolução Social dos coletivos libertários na Espanha em 1936, o trabalho da organização, luta e capacidade ideológica da classe trabalhadora na organização anarquista CNT, na organização anarquista FAI, na organização da FIJL (Juventudes Libertarias), Mujeres Libres, Ateneos Libertarios, Escuelas Racionalistas e centenas de outras diversas organizações de ideologia anarquista.

Nem um só dos direitos conquistados veio da ação política do poder ou do poder dos governos ou estados. Pelo contrário, a supressão e a repressão dos direitos da sociedade vem apenas do poder, dos governos, dos estados.

A ação ideológica de combater as ideias da ciência e da razão, a cultura e o verdadeiro conhecimento das coisas, a difusão do pensamento libertário e abertamente anarquista, é uma tarefa primordial na conquista de nossos direitos trabalhistas em toda a sua extensão. A história das ideologias é a história da luta de classes, e a interpretação da história também faz parte da luta de classes (Interpretação da História, 1960, Gaston Leval).

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/la-fuerza-de-la-clase-trabajadora/

Tradução > Liberto

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primeira manhã gelada –
na luz do sol, o hálito
do gato que mia

David Cobb

[Espanha] A Inevitável Banalização do Anarquismo. Pensamento

Devemos nos acostumar com a banalização do anarquismo.

O colapso capitalista está chegando, o planeta não pode suportar mais injustiça. Como os sistemas sociais falham, mais pessoas irão explorar e experimentar alternativas. Haverá milhões de pessoas à procura de respostas. Vamos assistir a uma explosão de tendências que vão do político ao religioso, passando pelo filosófico. Alguns nos verão como uma saída viável. Para outros, nós seremos seus piores inimigos. As fileiras dos anarquistas vão inchar. Entre os exploradores sociais, observaremos duas tendências.

– O primeiro é adotar práticas e filosofia anarquistas.

– O segundo é absorvê-las às suas próprias práticas.

Podemos ver nossos logotipos na TV, eles podem usá-los em sua propaganda, em seus talk shows, podem novamente nos imitar e as nossas organizações, podem até usar nosso nome em seus extermínios. Ou contra nós. Não ria, não fique horrorizado, não tenha vergonha, não desista. Eles nos reprimirão e tentarão nos recrutar e imitar. Isso já aconteceu e acontecerá novamente.

O fundamental é que em cada pessoa haverá uma dialética, uma luta com suas ideias anteriores e, dependendo do resultado da luta, teremos um ou outro tipo de anarquismo.

Haverá conflito entre nós, e se não quisermos acabar enterrados e estéreis, teremos que resolvê-lo com diálogo, razão e solidariedade. Cada um de nós é importante, somos seres únicos. Quer queiramos ou não, cada um de nós faz a diferença. Estamos condenados a nos entendermos ou perecermos. Já aconteceu e vai acontecer novamente. É hora de construir pontes e ser indulgente.

Anarquistas! preparem-se, preparem seus grupos, organizações, narrativas e argumentos, pois depende de nosso acompanhamento e qualidade individual que os movimentos não sejam cooptados pelos carreiristas habituais que nos veem como seu rebanho, sua posse; e que entre aqueles que se aproximam da Anarquia tenham a chama de um Novo Mundo no qual a Humanidade e a Natureza não sejam mais que um só.

Fonte: https://tarcoteca.blogspot.com/2021/08/la-inevitable-banalizacion-del.html

Tradução > Liberto

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nada tem nexo
tudo é apenas
um reflexo

Millôr Fernandes

[Chile] Antofagasta: Jornada Muralista – 25 de setembro

“Não mais guerra contra o povo”

Convidamos você neste sábado, 25 de setembro, a partir das 10h00 na rua Iquique (Sargento Aldea com Iquique) “em frente ao memorial dos desaparecidos” para uma jornada cultural para que você venha com seus amigos e familiares. Traga seu pincel!

Ônibus: de norte a sul e de sul a norte os 111 e 103 são os que deixam mais próximos (entre Vega Central e Correos de Chile).

Estarão lá:

– Calle Floresta (musical popular)

– Comparsa Umaphaxsi

– Bate-papo “prisão política ontem e hoje” com Dorca Aliaga e Laura Danton Hernández.

– Apresentação do livro “Un paso al frente” de Mauricio Hernández Norambuena.

– Espaço para crianças

Teremos  Olla Común (Panela Comum) “Victor Jara”.

Convocam: Antimilitaristas de Abya Yala

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notícias do sol –
os pássaros da manhã
cantam na varanda

Zemaria Pinto

19 de setembro: Dia “das glórias” do exército do Chile.

Desde a sua fundação em 1810, o exército e as forças armadas foram implicadas em pelo menos 23 massacres contra o povo chileno. Assassinatos, torturas, estupro, desaparecimento forçado, tráfico de pessoas, sequestros, rapto de menores, fazem parte do seu histórico.

Durante a última ditadura foram culpados de pelo menos 3.000 mortes e um número indeterminado de desaparecidos.

Desde Solidaridad Obrera – AIT, fazemos um chamado ao povo do Chile para que levante sua voz e exija a abolição dos exércitos e da polícia, que por mais de 200 anos nos atormentam, e são os mercenários que cuidam do sistema capitalista que oprime e explora a classe trabalhadora.

Chega de serviço militar no Chile!

Pela solidariedade entre os povos!

Abaixo as fronteiras! Abolição dos exércitos!

Solidaridad Obrera – AIT

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/17/chile-o-show-do-exercito-dos-ricos-que-eles-mesmos-paguem-por-isso-e-nao-o-povo/

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O céu, que é perfeito,
andou jogando em seus olhos
o dom do infinito.

Humberto del Maestro

Minicurso gratuito: “A Ecologia Social de Murray Bookchin”

O Instituto de Teoria e História Anarquista (ITHA) convida para o curso gratuito A Ecologia Social de Murray Bookchin, que ocorrerá nos dias 28 de Outubro e 04 de Novembro, das 19h às 21h, a ser realizado virtualmente. Os temas das aulas são os seguintes: 1.) Natureza, Hierarquia e Racionalização: Ecologia em tempos de Capital; 2.) Humanismo Ecológico: a crítica ao irracionalismo e à mistificação do mundo. 

Atenção pois as pré-inscrições serão feitas somente no período de 22 de Setembro a 21 de Outubro de 2021 (sujeito a alterações) de 2021 e o número de vagas é limitado. Pedimos que os/as interessados/as leiam com atenção as orientações e os detalhes do curso, que se encontram aqui:

https://ithanarquista.wordpress.com/2021/09/21/minicurso-a-ecologia-social-de-murray-bookchin/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/09/23/ecologia-ou-catastrofe-a-vida-de-murray-bookchin-por-janet-biehl/

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A abelha voa vai
vem volta pesada
dourada de pólen

Eugénia Tabosa

“Ecologia ou Catástrofe”. A vida de Murray Bookchin” por Janet Biehl

Publicado pela primeira vez em Rebelión em 25 de junho de 2021.

Murray Bookchin entrou para a história como o homem que redefiniu o anarquismo diante da crise ecológica que acrescenta exponencialmente, em nossos dias, à crise social do capitalismo. Quem foi caracterizado por David Harvey como “um dos mais importantes pensadores anticapitalistas do século 20” também foi capaz de desenvolver sua teoria enquanto estava envolvido nas lutas emancipatórias de seu tempo, empregando um ajuste fecundo entre o pensamento e a ação.

Janet Biehl, companheira de Bookchin desde o final dos anos 80, e seu alter ego na última etapa de sua vida, explica no prefácio à Ecologia ou Catástrofe o compromisso que ela assumiu com ele para escrever sua biografia. Após sua morte em 2006, ela continuou a coletar informações, e seu esforço culminou em 2015 em um volume publicado pela Oxford University Press e em espanhol pela Virus dois anos depois (tradução por Paula Martín Ponz).

Este extenso trabalho oferece uma leitura emocionante e estimulante e mostra como a tradição única do anarquismo, com seus métodos de autogestão e ação direta, continua a fornecer ferramentas insubstituíveis em um século marcado pelo esgotamento, em nível humano e planetário, do modo de vida forjado pelo mercado capitalista. Outra atração do livro é sua abordagem rigorosa e empática para um pensador que combinou as mais valiosas tradições emancipatórias e nunca desistiu em seus esforços para explicar e melhorar o mundo ao seu redor.

Início Bolchevique e Sindicalista

Descendente de judeus russos que emigraram para a América no início do século 20, Murray Bookchin nasceu em Nova York em 14 de janeiro de 1921, e foi introduzido à consciência crítica quando criança por sua avó materna, Zeitel Kalusky, a quem ele cresceu muito unido, uma mulher que havia lutado contra a autocracia em sua pátria. Quando ela morre em 1929, ele logo se junta à juventude do partido comunista, e em uma situação familiar difícil, com um pai ausente e uma mãe inflexível, esta (a juventude) se torna sua casa e sua escola. Estes são anos de escassez e seu primeiro emprego será a venda do Dayly Worker.

Em 1934, Murray, ainda na adolescência, já é um conhecido orador e propagandista que defende a ortodoxia estalinista em seu Bronx nativo. Entretanto, quando o slogan que os socialistas, e até mesmo os socialdemocratas, deveriam estar unidos em amplas “frentes populares” foi apresentado, ele sentiu que a almejada revolução estava desaparecendo e entrou em contato com os trotskistas. Em 1936, após o golpe de Franco, ele se voluntariou para lutar com a Brigada Lincoln, mas aos quinze anos de idade ele não é aceito. A fim de cooperar na ajuda à Espanha, ele voltou então aos comunistas, mas suas relações foram difíceis, com os processos de Moscou em andamento e a estratégia de colaboração com a burguesia em “frentes democráticas” que foi imposta em 1937. Nesse mesmo ano, as notícias dos eventos de maio em Barcelona o fizeram investigar e ele descobriu a revolução social que os anarquistas haviam desencadeado na Espanha. Este foi um momento luminoso para ele.

Os comunistas expulsaram Murray em 1939, quando ele protestou contra o pacto germano-soviético. Ele então se juntou aos trotskistas do Partido Socialista dos Trabalhadores. Neste momento, ele desistiu de seus estudos para o trabalho esgotante em uma fundição onde logo foi nomeado representante sindical. Em 1944, ele se mudou para uma fábrica de automóveis, onde continuou seu trabalho sindical.

Após o fim da guerra, as condições de trabalho melhoraram e Bookchin percebeu que o proletariado era facilmente aceito pela classe proprietária com migalhas econômicas. Isto foi desanimador para ele e em 1947 ele deixou seu emprego na indústria.

Repensando a Revolução

Em 1948, Murray Bookchin é um rebelde sem partido, desencantado com o dogmatismo bolchevique e com as esperanças vãs da luta sindical. A guerra terminou sem a revolução universal profetizada por seu venerado Trotsky e é necessário repensar tudo. Foi então que ele aderiu a um novo projeto, a democracia socialista e radical, centrado em torno de um dissidente trotskista que havia chegado aos Estados Unidos fugindo da Alemanha nazista, Josef Weber, e da revista que ele havia acabado de fundar: Contemporary Issues. Em 1950 Murray Bookchin publicou lá seu primeiro artigo: O capitalismo de Estado na Rússia. Nesta época, ele também começou a buscar uma dimensão ética para o socialismo, apoiado por algumas ideias da Escola de Frankfurt, enquanto trabalhava como contador e terminava seus estudos. Ele também participou de aulas de engenharia eletrônica, o que o levou a refletir sobre como poderia ser liberatório o uso adequado das máquinas.

Em 1952, Bookchin escreveu O problema dos produtos químicos nos alimentos, após um rigoroso trabalho de documentação que o mergulhou nos problemas ligados à deriva tecnológica do capitalismo. Em 1954, ele publicou Parem as bombas, uma crítica aos testes americanos de bombas de hidrogênio. Estas duas obras deveriam marcar a orientação subsequente de seu pensamento.

Ecologia e anarquismo

As leituras de Marx e sua antítese entre o campo e a cidade, e Mumford, com sua visão da desumanização das cidades com o capitalismo, permitiu que Bookchin elaborasse uma proposta para pequenos enclaves integrados ao meio rural. Para conseguir isso, em Os limites da cidade (1960) ele sugere a divisão da metrópole em unidades menores em equilíbrio com seu entorno. Tal sociedade poderia ser governada sem grandes problemas em uma verdadeira democracia de assembleia, da mesma forma que na antiga Atenas, mas agora com voto para todos.

Nosso protagonista está desenvolvendo brilhantemente suas próprias ideias, mas isto leva a fricções dolorosas com seu mentor, Josef Weber, que só terminará com sua morte em 1959. Procurando referências para seu pensamento, Murray começou a perceber que a descentralização e o equilíbrio ecológico pelos quais ele defende são muito semelhantes à ideologia daquele movimento que cresceu poderoso no século XIX e deu sua força na Ucrânia e na Espanha, já no século XX, com derrotas luminosas. Muitos pensavam que estava morto, mas talvez estivesse apenas esperando para ser adaptado aos novos tempos. Foi neste período que Bookchin começou a se definir como um anarquista.

Entre os trabalhos destes anos estão Nosso Ambiente Sintético, de 1962, com uma crítica radical ao modo de vida venenoso criado pelo capitalismo, e Ecologia e Pensamento Revolucionário, de 1964, onde argumenta que somente o anarquismo oferece uma possibilidade real de transformar a sociedade para que ela possa enfrentar a atual crise ecológica. O dilema torna-se então: anarquismo ou extinção.

Também em 1964, Murray juntou-se ao movimento de direitos civis e participou das primeiras manifestações contra a Guerra do Vietnã. Estas questões deveriam chamar sua atenção com força nos anos seguintes, enquanto ele se tornou uma figura conhecida na mídia alternativa e era continuamente chamado para debates e palestras. Em 1965, a Federação de Anarquistas de Nova York nasceu sob seus auspícios, defendendo um mundo auto-organizado e aberto a uma tecnologia libertadora de seres humanos.

Febres do Sessenta e oito

No final dos anos sessenta, Murray Bookchin não compartilhou os desejos psicodélicos e pansexuais que proliferaram entre muitos de seus amigos e colaboradores, mas viu um enorme potencial na consciência transformadora, pacifista e igualitária que invadiu campus e cidades e na revolução ética e anticonsumista da contracultura. Por outro lado, ele não deixa de ver os protestos violentos que frequentemente se espalham pelo país como errados e contraproducentes. Em junho de 1968, ele viaja para Paris. Após entrevistar os líderes do movimento estudantil, ele conclui que uma rebelião espontânea contra a vida opressiva do capitalismo foi sufocada pelos partidos sedutoramente revolucionários que desconfiavam do que não controlavam. O resto daquele ano foi dedicado a obra Os anarquistas Espanhóis, um livro no qual ele tenta mostrar como o anarquismo não é incompatível com ter uma organização poderosa e enfrentar desafios de longo alcance. O trabalho, no entanto, não apareceria até 1978.

Os trabalhos de maturidade

Na década de 1970, Murray Bookchin é reconhecido como o profeta do movimento ambientalista que surgiu diante do colapso ambiental cada vez mais evidente. No entanto, ele nunca deixa de apontar a necessidade de chegar à raiz do problema, o capitalismo desenfreado que nos governa. Neste momento, duas mil comunas rurais estão proliferando nos Estados Unidos, como mais um elemento do cooperativismo que está se espalhando rapidamente, ao mesmo tempo em que as organizações de bairro estão se provando capazes de pôr um fim às desordens do planejamento urbano. O anarquismo na Sociedade de Consumo, de 1971, demonstra que, além da teorização, slogans e da sopa de letras de grupos ultrarrevolucionários, o ideal libertário está cheio de propostas aqui e agora para a construção de alternativas ao capitalismo.

Um objetivo realista poderia ser criar assembleias populares e comitês de ação local para resolver problemas concretos. Também seria necessário, a fim de dar amplitude às lutas, aprender a se comunicar com os cidadãos comuns, informá-los e elevar sua consciência. Nesta linha, Bookchin continua a defender a participação nas eleições municipais com projetos bem definidos, embora isso lhe traga críticas do campo libertário. A preocupação com a degradação ambiental gera debate e inspira economistas, cientistas e até mesmo autores de ficção científica. Mesmo o anteriormente relutante Herbert Marcuse reconhece a importância do ambientalismo em Contrarrevolução e Revolta (1972).

No outono de 1974, Bookchin foi contratado como professor no Ramapo College (Nova Jersey), para ensinar estudos urbanos e ambientais, atividade que ele combinaria com cursos de verão no Instituto de Ecologia Social que ele havia ajudado a criar naquele mesmo ano em Vermont. Enquanto isso, o movimento comunal é imparável em muitas grandes cidades e a descentralização profetizada em Os limites da cidade já é uma demanda com uma ampla base social; o trabalho reaparece em uma versão mais extensa em 1974.

A partir de 1977, Bookchin se envolveu contra as usinas nucleares sendo planejadas em Vermont, tentando aplicar a dinâmica de grupos de afinidade que aprendeu com os anarquistas espanhóis. Deve-se dizer, entretanto, que o método transformador que ele está promovendo está encontrando seus limites neste momento, e assim as propostas ecológicas radicais estão sendo distorcidas em simples “ambientalismo” nas prefeituras, enquanto os casos de regressão aparecem nos movimentos de bairro, devido a dissensões internas e chantagens e captura de capital.

Sob o sinal dos tempos

O que vivemos nos anos 80 é uma ofensiva reacionária em larga escala que impõe a ideologia neoliberal, de modo que opções revolucionárias são excluídas do horizonte da realidade. Murray Bookchin pensa então que o capitalismo tem o potencial de destruir a humanidade, como um tumor maligno faz com o organismo que o abriga. Ele não será silenciado, porém, e por impotência clama por outro mundo que pode não ser possível, mas que é necessário. Ele se resignou a ser a voz, simplesmente a voz, de uma maneira alternativa de pensar. Em 1983, ele se aposentou antecipadamente e deixou o ensino universitário.

E, apesar de tudo, nestes anos sombrios, abriam-se janelas de oportunidade. Por exemplo, através do próspero movimento de bairro que está se desenvolvendo em Burlington (Vermont), onde Murray se estabeleceu e um jovem Bernie Sanders acaba de ser eleito prefeito com propostas inovadoras. Entretanto, também aqui, as discordâncias não demoram a chegar, quando o conselho se compromete com os planos do estilo antigo. A democracia direta em nível municipal não é fácil, mas é uma possibilidade, como argumenta Bookchin em O auge da civilização e a queda da cidadania, 1986, que contém uma revisão da luta das cidades pela independência desde a Antiguidade e a Idade Média.

Outra janela de oportunidade se materializou com Die Grünen, herdeiros da agitação antinuclear e pacifista dos anos 70 na Alemanha, que assumiram a perspectiva ecológica, se constituíram como um movimento político e em 1983 ganharam vinte e sete deputados no Bundestag. Também aqui, porém, os trabalhos de recrutamento e em apenas dois anos o “movimento transformador” está governando em coalizão com o SPD. Durante sua estada na Europa neste momento, Bookchin não consegue convencer os anarquistas com os quais ele fala da conveniência de se engajar nas instituições. Infelizmente, dizem-lhe eles, a experiência é que os movimentos revolucionários de assembleia que penetram na política acabam se desativando sem maiores dificuldades.

De volta aos EUA, Murray tenta promover um ambientalismo anticapitalista em Vermont, mas a dura realidade no final dos anos 80 é o triunfo da chamada “ecologia profunda”, impiedosamente anti-humanista e com características xenófobas e de extrema direita. Bookchin atravessa os anos 90 em desolação enquanto a “ecologia social” degenera em múltiplas visões, desprovida da fermentação democrática e anticapitalista com a qual ele a definiu. Ao mesmo tempo, dentro do anarquismo, dominam o individualismo, o primitivismo e o pós-modernismo, então ele decide contra-atacar com Anarquismo social ou anarquismo pessoal: um abismo insuperável (1995), manifestado por uma opção racionalista aberta à tecnologia a serviço do ser humano. Indignado com o estado das coisas, refugiou-se no extenso trabalho que havia iniciado sobre os grandes processos revolucionários, A Terceira Revolução, que aparece entre 1996 e 2003, em quatro volumes.

Depois de se esforçar tanto para convencer os libertários de suas ideias, em 2002 Bookchin desistiu e deixou de se considerar um anarquista; ele se definiu como um comunalista. Esta não foi uma época fácil; sua artrite se agravou progressivamente e, em 2005, as complicações cardíacas se instalaram. Quando o líder curdo Abdullah Öcalan o contacta em 2004 pedindo conselhos sobre como colocar em prática suas ideias sociais, ele já está muito doente e cansado para atendê-lo. Murray Bookchin morreu em Burlington em 30 de julho de 2006. Pouco tempo depois, em Rojava (Curdistão sírio), o confederalismo democrático que ele defendeu serve de alicerce para a nova sociedade que está sendo construída lá hoje.

O caminho de um lutador

A grande contribuição de Murray Bookchin para o debate ideológico do século 20 foi a forma como ele reuniu ecologia e anarquismo, tendo descoberto que este último fornece as ferramentas necessárias para enfrentar o colapso ambiental em que estamos imersos. No entanto, tentar construir pontes e ligar ideias tem seus perigos, e o profeta do anarco-ecologismo foi rejeitado por ecologistas que o viam como muito esquerdista, e também por anarquistas que não entendiam sua propensão para se envolver em instituições municipais para defender suas ideias. Bookchin foi atacado de muitas frentes, mas devemos reconhecer que ele desenvolveu ideias inovadoras e sugestivas, e devemos agradecer-lhe pela sua falta de dogmatismo e pela enorme capacidade de seu pensamento para nos fazer refletir sobre o que tomamos por imutável.

A ideia de se envolver com uma base de assembleias e transformar a base na política municipal merece ser levada em conta, ainda que seja pelos resultados que já foram alcançados com essas dinâmicas de Marinaleda a Rojava. Em um ponto da obra, um texto de Mikhail Bakunin é lembrado no qual ele destaca as particularidades dos municípios que os tornam um campo propício para a luta emancipatória. Entretanto, as limitações desta estratégia são evidentes neste nosso tempo em que o local está incardinado com o Estado e o poder dos grandes atores econômicos, como é evidente nos casos descritos em Ecologia ou Catástrofe.

O livro também nos aproxima das contradições de seu protagonista, um amante de junk food que foi a todos os lugares de carro, talvez vindicando com esses gestos seu passado proletário ou sua opção de dar respostas coletivas aos problemas. Se conta também que disputa dialética às vezes o arrastava para um tom amargo e atrevido, o que era contraproducente porque afastava as pessoas dele. Mas a maior falha de nosso pensador provavelmente foi que, apesar de continuamente aparecer em seus escritos com a necessidade de uma ética que sustentasse a dinâmica revolucionária, sua rejeição visceral de qualquer coisa que estivesse marcada pela religião o impediu de criar um método eficaz de higiene psicológica para as criaturas do capitalismo.

Janet Biehl nos move com seu retrato empático de um menino que cresce no mais Yiddish da Grande Maçã e supera todas as dificuldades para se tornar um intelectual revolucionário que forja seu próprio caminho. Infelizmente, as propostas que ele foi capaz de apresentar em sua maturidade encontraram pouco eco nos tempos sombrios que viveu, embora elas forneçam ferramentas valiosas para o futuro.

Ecologia ou catástrofe nos oferece uma viagem estimulante através do pensamento social do século XX e uma abordagem cativante a um dos teóricos e ativistas que mais contribuíram para energizar as lutas anticapitalistas desta época.

Fonte: http://www.jesusaller.com/ecologia-o-catastrofe-la-vida-de-murray-bookchin-de-janet-biehl/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Um gato sem dono
Dormindo sobre o telhado —
Chuva de primavera.

Taigi

[Rússia] Anarquistas de Chelyabinsk condenados a 2 e 2,5 anos de prisão

No dia 10 de setembro, a corte do distrito central de Chelyabinsk, na Rússia, anunciou o veredicto do caso de dois anarquistas, Anastasia Safonova e Dimitry Tsibukovsky, acusados por pendurarem um cartaz. Os dois foram julgados culpados sob o artigo que trata de vandalismo (parte 2 do artigo 213 do código penal). Safonova foi sentenciada a dois anos de prisão e Tsibukovsky, dois anos e meio. Essa foi uma sentença leve, considerando que o promotor exigiu que os anarquistas recebessem seis anos de prisão em um regime de colônia penal em população geral.

Em fevereiro de 2019, os dois anarquistas penduraram um cartaz dizendo “FSB é o principal terrorista”, na grade do prédio do Serviço Federal de Segurança (Federal Security Service, o FSB), na cidade de Chelyabinsk, para demonstrar sua solidariedade para com os defensores da “Network”. Muitos dias depois da ação, o FSB prendeu quatro anarquistas suspeitos de realizar este ato, incluindo Dimitry Tsibukovsky e Anastasia Safonova. Tsibukovsky confessou o “crime” quando estava sob tortura.

Em abril de 2020, Safonova e Tsibukovsky foram detidos e mandados para um centro de detenção para o pré-julgamento. No final de julho, a medida de restrição mudou para prisão domiciliar e em novembro, para um banimento de certas atividades.

Fonte: https://avtonom.org/news/chelyabinskih-anarhistov-prigovorili-k-2-i-25-godam-kolonii

Tradução > Calinhs

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agência de notícias anarquistas-ana

no capim orvalhado
guarda-chuva de renda
a teia de aranha

Tânia Diniz

Livros Livres: Economia anticapitalista em Rojava

A Cátedra Jorge Alonso publicou recentemente a Economia Anticapitalista em Rojava. As contradições da revolução na luta curda, uma extensa pesquisa feita por Azize Aslan.

O livro lança a hipótese de que, para criar uma verdadeira emancipação social, a revolução deve romper com a regra do capitalismo, criando espaços e práticas anticapitalistas e comunais. Neste sentido, a pesquisa de Aslan se concentra na organização da economia social, cooperativas e economia feminina, a fim de analisar a capacidade anticapitalista da experiência da Revolução de Rojava (Curdistão sírio).

No prefácio do livro, o intelectual John Holloway escreve: “É um grande mérito do trabalho de Azize que ele coloque o caráter contraditório do movimento curdo no centro de sua pesquisa e que ele desenvolva o tema precisamente em um estudo detalhado da organização econômica e de suas dificuldades. Isto implica, por um lado, um conhecimento detalhado, baseado no trabalho de campo realizado em condições que teriam me aterrorizado, e também uma abertura para discutir as contradições do processo no contexto de uma discussão mais geral sobre o que significa a revolução anticapitalista e antipatriarcal. O trabalho de Azize é uma enorme conquista, que também nos fala da abertura e da força autocrítica que é uma característica do Movimento Curdo”.

> Para ler ou fazer o download do livro, clique aqui:

https://www.kurdistanamericalatina.org/wp-content/uploads/2021/09/Libro-anticapitalismo-en-Rojava_web.pdf

Tradução > Liberto

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A noite flutua
e as rosas dormem mimosas
aos beijos da lua.

Humberto del Maestro

[Chile] Com ação comunitária e territorial combater a devastação do capital

Diante da crise climática que estamos vivendo como resultado da superexploração gerada pelo capitalismo, temos que ser capazes de pensar em outras opções de ação que vão além de pedir à classe dominante que tome consciência da poluição que ela produz, pois em sua ganância cega não o fará. Também temos que ser capazes de ir além das ações individuais que minimamente e ilusoriamente reduzem os danos produzidos pelo sistema de devastação vigente, razão pela qual somos a favor de nos organizarmos em harmonia com comunidades, espécies e territórios, bem como promover a luta contra o Estado e o capital.

Juntamo-nos ao bloco nesta sexta-feira 24 de setembro às 18h00 na estátua de Manuel Rodriguez, Plaza Dignidade Sul, Santiago.

Asamblea Libertaria Santiago

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/24/chile-forum-online-os-limites-ecologicos-do-capital/

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Flores no jardim,
Jabuticabas no quintal!
Eis a primavera.

Mailde Tripoli

Papo de Punk | “Selos e distribuidoras DIY: a experiência da No Gods No Masters”

A próxima atividade do Papo de Punk já tem data e hora! Anota aí! Dia 25 de setembro, sábado, às 19 horas, estaremos recebendo a Andreza Poitena e o Josimas Ramos para uma conversa sobre selos e distribuidoras D.I.Y., e claro, sobre a experiência de ambos frente a No Gods No Masters! O papo será mediado pelo Rodolpho Jordano (PSN-BR e Imprensa Marginal). Esperamos vocês!

>> Acesse o link e se inscreva em nosso canal:

https://youtube.com/channel/UCZDgFbQp1tW0MVPOQpJAyJw

Punk Scholars Network Brasil (PSN-BR)

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/08/11/papo-de-punk-zines-expressao-e-voz-na-luta-antirracista-e-libertari/

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alta madrugada,
vaga-lumes no jardim
brincam de ciranda

Zemaria Pinto

[Espanha] Lucio Urtubia e seu espírito ressurgem no Teatro Gayarre

A PRODUÇÃO ‘LUCIO: UNA REFLEXIÓN ESCÉNICA’, QUE COMBINA A MÚSICA COM A IMORTAL MENSAGEM DO HISTÓRICO ANARQUISTA NAVARRO, ESTREIA NO TEATRO PAMPLONÊS NO PRÓXIMO 23 DE SETEMBRO.

Por Ana Jiménez Guerra | 02/09/2021

O espírito do histórico anarquista navarro Lucio Urtubia ressurgirá no Teatro Gayarre pela mão de Lucio: uma reflexão cênica. A produção une a música de The New Jazz Collective com a história que o ilustrador Mikel Santos Belatz retrata em sua novela gráfica “El tesoro de Lucio” para aproximar de novo a mensagem de Lucio, em um espetáculo dirigido pela dramaturga Martina Cabanas. O espetáculo vanguardista estreará em 23 de setembro no Teatro Gayarre, onde convidará a “pensar, refletir e tirar novas conclusões sobre épocas passadas”.

Porque como indica seu título, sobre o tablado se desenvolverá uma reflexão em torno da figura do pedreiro e anarquista navarro, como uma homenagem realizada a partir do respeito dos que o conheceram. É o caso de Marco Bellizzi, músico de The New Jazz Collective e que em seu tempo conheceu Lucio casualmente em Paris, quando uma série de músicos buscava um local para ensaiar e ele lhes deixou uma moradia vazia que havia no edifício de sua empresa. Iam para umas semanas e ficaram cinco anos, “desfrutando de Lucio e toda sua família”. Aquela foi uma experiência que o marcou vitalmente e quando Lucio faleceu em julho do ano passado, quis render-lhe homenagem. E o que em princípio seria uma coleção de temas “em torno dos pilares da vida dos que chamavam mais a atenção”, se converteu em “Lucio: una reflexión escénica”, com o apoio de Yerbabuena Producciones.

Na documentação biográfica, foi fundamental a novela gráfica “El tesoro de Lucio”, a HQ que sob o selo da editorial Txalaparta soma já seis edições e que agora chega ao cenário. Seu autor, Mikel Santos Belatz, se mostra agradecido em fazer parte desta nova homenagem e por haver conhecido Lucio: “Com este projeto volto a escutá-lo e me conta ao ouvido todas essas anedotas e histórias. E volta a dizer: temos que fazer”.

Uma reflexão cênica

A história de Lucio, esse pedreiro de Cascante que nos anos 70 pôs em cheque um dos maiores bancos do mundo, o First National City Bank, narrada em torno a uma série de pilares que foram vitais para ele: a importância que dava às raízes, a família, a cultura, a própria ação… As ilustrações da HQ de Belatz tomam uma dimensão audiovisual com projeções, apoiadas pela música ao vivo do grupo The New Jazz Collective e a dramaturgia de Martina Cabanas.

E é o próprio Lucio que, com sua mensagem e pensamentos, guia os participantes, explica Bellizzi, que dá um exemplo: “Temos um vídeo de Lucio cantando e o vemos e escutamos e nós lhe respondemos com nossa linguagem que é o jazz”.

A produção terá sua estréia no próximo 23 de setembro no Teatro Gayarre, em um encontro para o qual ainda restam entradas à venda, com preços que vão de 9 a 18 euros. Será a primeira encenação de um espetáculo que, esperam, tenha certo roteiro: “Este é o começo, mas nosso desejo é que tenha uma longa vida”, assinala Pilar Chozas, de Yerbabuena Producciones.

Porque, resume Belatz, este projeto “é mais uma ação de Lucio”. E explica: “Ele não está e nós somos os herdeiros de suas ações, nos deixou o testemunho para continuar sua luta e, também, senti-lo próximo”. Assim que talvez, não é que Lucio ressurja, mas que nunca se foi.

>> Teaser ‘Lucio, una reflexión escénica’:

https://www.youtube.com/watch?v=Z17WpkZWtzQ

Fonte: https://www.noticiasdenavarra.com/cultura/2021/09/02/lucio-urtubia-espiritu-resurgen-teatro/1177952.html

Tradução > Sol de Abril

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/05/pais-basco-friki-films-e-editorial-txalaparta-se-unem-para-levar-a-vida-do-anarquista-lucio-urtubia-a-televisao/

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Encontro fugaz.
Neblina abraça o velho
lampião de gás.

Rogério Viana

[França] Liberdades sob ameaça, hoje e sempre

Moção da Federação Anarquista aprovada no 79º congresso em Merlieux, 22 de agosto de 2021

O clima social é de inquietude: crise social, crise sanitária, crise econômica…

Surfando na onda do mal-estar social, o Estado aproveita para reforçar o seu aparelho de segurança e repressão a fim de satisfazer um eleitorado cada vez mais conservador.

Com o movimento dos Gilets Jaunes [Coletes Amarelos], as forças da ordem macroniana têm curso livre para reprimir com virulência as manifestações, resultando num grande número de mutilados. Desde o início dos protestos, os ministros do Interior têm, um após o outro, defendido a atuação das forças de repressão.

Algumas declarações são um insulto às vítimas. Enquanto isso, o resto do governo faz vista grossa, assim como os parlamentares.

A manipulação está Em Marcha[1]: as ações coordenadas entre o poder e a mídia culminam num sentimento de insegurança na população e permitem passar sem alarde leis e decretos liberticidas.

Assim, torna-se possível reforçar o monitoramento dos indivíduos “sob suspeita”. Ninguém se indigna com isso, e as organizações que se opuseram ao decreto perante o Conselho de Estado fracassaram.

Estamos assistindo à mecanização do controle das populações: os algoritmos, a geolocalização, o controle sobre as comunicações eletrônicas, os drones, as câmeras de vigilância, e agora o QR code… Todo um arsenal tecnológico e jurídico transforma insensivelmente nossos Estados “de direito” em Estados policiais, e nossas sociedades “livres” em sociedades reféns do medo, onde a desconfiança barra a solidariedade e faz da hospitalidade um delito penal.

O dispositivo legislativo desenvolveu-se enormemente durante essa crise. A arbitrariedade policial aumentou. As liberdades dos indivíduos comuns são assas frágeis diante dos juízes.

A Federação Anarquista denunciara a proposta de lei de “segurança global”, em especial o célebre artigo 24 sobre a proibição de registrar imagens das forças policiais em ação, e de maneira mais geral o dispositivo que dava poderes excessivos aos policiais municipais. O Conselho Constitucional tomou uma posição curiosa: declarou inconstitucional o conteúdo do artigo 24 reformulado, mas aprovou outras disposições liberticidas. É de fato o texto como um todo que atenta contra as liberdades públicas, e que deve ser rejeitado.

Trata-se de uma tática que consiste em inscrever num texto um catatau jurídico, cujo grosso será evidentemente anulado para fazer passarem as minúcias, tão perigosas quanto.

Recentemente, o Conselho de Estado analisou o “Esquema nacional de manutenção da ordem” e contestou algumas disposições do texto. Da mesma maneira que no Conselho Constitucional, anula-se o grosso para fazer passar o resto. Assim, por exemplo, a tática do “kettling” é suprimida, por ser demasiado atentatória contra o direito de ir e vir.

Quatro disposições que miram a liberdade de informação também foram anuladas. Mas sejamos prudentes. Muitas disposições anuladas reaparecem noutros textos. Os redatores aproveitam-se da ausência de vigilância. Nos meses que se seguem, eleições presidenciais e legislativas obrigam, diante da ascensão da extrema-direita, a classe política profissional, direita e esquerda, a atacar com medidas restritivas e atentatórias contra as liberdades públicas. A Federação Anarquista não medirá esforços na luta contra o estabelecimento de um Estado cada vez mais policialesco e reacionário.

Federação Anarquista

federation-anarchiste.org

Notas:

[1] Jogo de palavras com o nome do partido de Emmanuel Macron, La République en Marche.

Tradução > Guilherme Tell

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Para esta viagem
A melhor companhia
É uma borboleta!

Shiki

[Chile] Uma garrafa com urina e fezes foi jogada no Senador Iván Moreira no aniversário de Hualaihué

O senador da UDI [União Democrática Independente, partido de direita] Iván Moreira foi vítima de um ataque em uma atividade pelo 42º aniversário da comuna de Hualaihué, na região de Los Lagos, onde um homem jogou uma garrafa contendo urina e fezes contra ele.

O parlamentar, que ficou apenas ligeiramente ferido, garantiu que não seria amedrontado ou intimidado, e que continuaria a defender o Chile.

A situação ocorreu hoje (21/09) por volta das 14h50, na Plaza de Armas de dita comuna, quando no final da atividade um homem saiu do público e correu em direção ao parlamentar.

Neste momento, ele atirou uma garrafa contendo restos de urina e fezes sobre o parlamentar, além de bater nele.

Segundo informações de Carabineros, após o acontecido, o responsável pelo ataque foi preso em flagrante, fato que foi gravado em um vídeo compartilhado em redes sociais.

Através do Twitter, a equipe do parlamentar informou que “um grupo de anarquistas organizados agrediu nosso senador, jogando água suja e um objeto contundente contra ele, causando-lhe um leve ferimento no rosto”.

Mais tarde, através de um vídeo, o senador Moreira indicou que “a merda que eles jogaram na minha cara e a leve lesão que me causaram, não me intimida e não serei derrotado por esses verdadeiros bastardos fascistas de esquerda que a única coisa que fazem é nos perseguir em uma funa [manifestação de repúdio contra alguém ou instituição]”.

Finalmente, ele insistiu que “eles não nos dobrarão, não nos intimidarão e nós continuaremos a defender o Chile e nossos princípios”. Eles não vão nos vencer nas ruas, como sempre fizeram”.

O militante da UDI apresentou a denúncia correspondente após o ataque e relatou ferimentos.

Fonte: https://www.biobiochile.cl/noticias/nacional/region-de-los-lagos/2021/09/21/arrojan-botella-con-restos-de-orina-y-fecas-al-senador-ivan-moreira-en-aniversario-de-hualaihue.shtml

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Longa chuvarada…
Nos matos e nas lagoas,
um canto de vida.

Humberto del Maestro

Vem aí a XI Feira Anarquista de São Paulo

A XI edição da Feira Anarquista de São Paulo está sendo construída e vai ocorrer entre 8 e 14 de novembro online.

A p r e s e n t a ç ã o

Diante da trágica situação que o mundo enfrenta por conta da pandemia do novo coronavírus (COVID-19) há mais de um ano e como consequência da ação deliberada do governo brasileiro em propagar o vírus e empurrar intencionalmente centenas de milhares de pessoas à morte e à miséria, os coletivos organizadores da Feira Anarquista de São Paulo decidiram realizar a edição de 2021 em formato virtual (online), após ter sido cancelada a realização em 2020. Reiteramos que mesmo mudando, conjunturalmente, o formato, a Feira é um espaço de divulgação das ideias e práticas ANARQUISTAS e de promoção da interação de todas as pessoas.

A Feira Anarquista de São Paulo não possui caráter comercial, no entanto, tem por objetivo fortalecer economicamente organizações autogestionárias, coletivos e grupos anarquistas. A venda de objetos e a promoção de atividades busca dar suporte a estes grupos, que ao longo do ano realizam diversas atividades e trabalham para a divulgação, manutenção de espaços e práticas anarquistas.

A participação nesta edição da Feira se dará de maneira diferente das edições anteriores, sendo realizados convites e contatos com grupos, coletivos, projetos e movimentos para que integrem a programação e a exposição de materiais, principalmente por motivos de logística / possibilidade de organização e, ao mesmo tempo, de segurança em tempos de ataques virtuais e vigilância total.

O convite ou mesmo a aprovação de cada participação é de exclusiva responsabilidade dos membros organizadores do evento. Será recusada qualquer proposta que tenha o claro interesse de fazer uso exclusivamente comercial do evento, ausência de perspectiva anarquista e que tenha qualquer postura autoritária e discriminatória.

Tendo isso em vista, a comissão divulga a carta de princípios (adaptada para tempos de pandemia) da Feira Anarquista de São Paulo que sintetiza e mantém os resultados da experiência da realização das feiras anteriores:

1 – O ambiente da Feira é um espaço libertário, portanto não serão toleradas atitudes machistas, racistas, LGBTQIA+fobicas, autoritárias, violência e propaganda partidária.

2 – Não serão aceitos comentários no chat que firam o ponto expresso acima e se caso venha a acontecer, a organização toma a liberdade de bloquear o perfil que realize tal atitude.

3 – É de responsabilidade dos grupos organizadores vetar qualquer proposta que não seja anarquista e que veicule materiais machistas, racistas, LGBTQIA+fobicas.

Atenciosamente,

Comissão Organizadora da Feira Anarquista de São Paulo

Em breve mais informações em: http://feiranarquistasp.wordpress.com

FB: https://www.facebook.com/events/1105181123221135/

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velho sapato
lembra das caminhadas
solto no mato

Carlos Seabra