Minicurso gratuito: “A Ecologia Social de Murray Bookchin”

O Instituto de Teoria e História Anarquista (ITHA) convida para o curso gratuito A Ecologia Social de Murray Bookchin, que ocorrerá nos dias 28 de Outubro e 04 de Novembro, das 19h às 21h, a ser realizado virtualmente. Os temas das aulas são os seguintes: 1.) Natureza, Hierarquia e Racionalização: Ecologia em tempos de Capital; 2.) Humanismo Ecológico: a crítica ao irracionalismo e à mistificação do mundo. 

Atenção pois as pré-inscrições serão feitas somente no período de 22 de Setembro a 21 de Outubro de 2021 (sujeito a alterações) de 2021 e o número de vagas é limitado. Pedimos que os/as interessados/as leiam com atenção as orientações e os detalhes do curso, que se encontram aqui:

https://ithanarquista.wordpress.com/2021/09/21/minicurso-a-ecologia-social-de-murray-bookchin/

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A abelha voa vai
vem volta pesada
dourada de pólen

Eugénia Tabosa

“Ecologia ou Catástrofe”. A vida de Murray Bookchin” por Janet Biehl

Publicado pela primeira vez em Rebelión em 25 de junho de 2021.

Murray Bookchin entrou para a história como o homem que redefiniu o anarquismo diante da crise ecológica que acrescenta exponencialmente, em nossos dias, à crise social do capitalismo. Quem foi caracterizado por David Harvey como “um dos mais importantes pensadores anticapitalistas do século 20” também foi capaz de desenvolver sua teoria enquanto estava envolvido nas lutas emancipatórias de seu tempo, empregando um ajuste fecundo entre o pensamento e a ação.

Janet Biehl, companheira de Bookchin desde o final dos anos 80, e seu alter ego na última etapa de sua vida, explica no prefácio à Ecologia ou Catástrofe o compromisso que ela assumiu com ele para escrever sua biografia. Após sua morte em 2006, ela continuou a coletar informações, e seu esforço culminou em 2015 em um volume publicado pela Oxford University Press e em espanhol pela Virus dois anos depois (tradução por Paula Martín Ponz).

Este extenso trabalho oferece uma leitura emocionante e estimulante e mostra como a tradição única do anarquismo, com seus métodos de autogestão e ação direta, continua a fornecer ferramentas insubstituíveis em um século marcado pelo esgotamento, em nível humano e planetário, do modo de vida forjado pelo mercado capitalista. Outra atração do livro é sua abordagem rigorosa e empática para um pensador que combinou as mais valiosas tradições emancipatórias e nunca desistiu em seus esforços para explicar e melhorar o mundo ao seu redor.

Início Bolchevique e Sindicalista

Descendente de judeus russos que emigraram para a América no início do século 20, Murray Bookchin nasceu em Nova York em 14 de janeiro de 1921, e foi introduzido à consciência crítica quando criança por sua avó materna, Zeitel Kalusky, a quem ele cresceu muito unido, uma mulher que havia lutado contra a autocracia em sua pátria. Quando ela morre em 1929, ele logo se junta à juventude do partido comunista, e em uma situação familiar difícil, com um pai ausente e uma mãe inflexível, esta (a juventude) se torna sua casa e sua escola. Estes são anos de escassez e seu primeiro emprego será a venda do Dayly Worker.

Em 1934, Murray, ainda na adolescência, já é um conhecido orador e propagandista que defende a ortodoxia estalinista em seu Bronx nativo. Entretanto, quando o slogan que os socialistas, e até mesmo os socialdemocratas, deveriam estar unidos em amplas “frentes populares” foi apresentado, ele sentiu que a almejada revolução estava desaparecendo e entrou em contato com os trotskistas. Em 1936, após o golpe de Franco, ele se voluntariou para lutar com a Brigada Lincoln, mas aos quinze anos de idade ele não é aceito. A fim de cooperar na ajuda à Espanha, ele voltou então aos comunistas, mas suas relações foram difíceis, com os processos de Moscou em andamento e a estratégia de colaboração com a burguesia em “frentes democráticas” que foi imposta em 1937. Nesse mesmo ano, as notícias dos eventos de maio em Barcelona o fizeram investigar e ele descobriu a revolução social que os anarquistas haviam desencadeado na Espanha. Este foi um momento luminoso para ele.

Os comunistas expulsaram Murray em 1939, quando ele protestou contra o pacto germano-soviético. Ele então se juntou aos trotskistas do Partido Socialista dos Trabalhadores. Neste momento, ele desistiu de seus estudos para o trabalho esgotante em uma fundição onde logo foi nomeado representante sindical. Em 1944, ele se mudou para uma fábrica de automóveis, onde continuou seu trabalho sindical.

Após o fim da guerra, as condições de trabalho melhoraram e Bookchin percebeu que o proletariado era facilmente aceito pela classe proprietária com migalhas econômicas. Isto foi desanimador para ele e em 1947 ele deixou seu emprego na indústria.

Repensando a Revolução

Em 1948, Murray Bookchin é um rebelde sem partido, desencantado com o dogmatismo bolchevique e com as esperanças vãs da luta sindical. A guerra terminou sem a revolução universal profetizada por seu venerado Trotsky e é necessário repensar tudo. Foi então que ele aderiu a um novo projeto, a democracia socialista e radical, centrado em torno de um dissidente trotskista que havia chegado aos Estados Unidos fugindo da Alemanha nazista, Josef Weber, e da revista que ele havia acabado de fundar: Contemporary Issues. Em 1950 Murray Bookchin publicou lá seu primeiro artigo: O capitalismo de Estado na Rússia. Nesta época, ele também começou a buscar uma dimensão ética para o socialismo, apoiado por algumas ideias da Escola de Frankfurt, enquanto trabalhava como contador e terminava seus estudos. Ele também participou de aulas de engenharia eletrônica, o que o levou a refletir sobre como poderia ser liberatório o uso adequado das máquinas.

Em 1952, Bookchin escreveu O problema dos produtos químicos nos alimentos, após um rigoroso trabalho de documentação que o mergulhou nos problemas ligados à deriva tecnológica do capitalismo. Em 1954, ele publicou Parem as bombas, uma crítica aos testes americanos de bombas de hidrogênio. Estas duas obras deveriam marcar a orientação subsequente de seu pensamento.

Ecologia e anarquismo

As leituras de Marx e sua antítese entre o campo e a cidade, e Mumford, com sua visão da desumanização das cidades com o capitalismo, permitiu que Bookchin elaborasse uma proposta para pequenos enclaves integrados ao meio rural. Para conseguir isso, em Os limites da cidade (1960) ele sugere a divisão da metrópole em unidades menores em equilíbrio com seu entorno. Tal sociedade poderia ser governada sem grandes problemas em uma verdadeira democracia de assembleia, da mesma forma que na antiga Atenas, mas agora com voto para todos.

Nosso protagonista está desenvolvendo brilhantemente suas próprias ideias, mas isto leva a fricções dolorosas com seu mentor, Josef Weber, que só terminará com sua morte em 1959. Procurando referências para seu pensamento, Murray começou a perceber que a descentralização e o equilíbrio ecológico pelos quais ele defende são muito semelhantes à ideologia daquele movimento que cresceu poderoso no século XIX e deu sua força na Ucrânia e na Espanha, já no século XX, com derrotas luminosas. Muitos pensavam que estava morto, mas talvez estivesse apenas esperando para ser adaptado aos novos tempos. Foi neste período que Bookchin começou a se definir como um anarquista.

Entre os trabalhos destes anos estão Nosso Ambiente Sintético, de 1962, com uma crítica radical ao modo de vida venenoso criado pelo capitalismo, e Ecologia e Pensamento Revolucionário, de 1964, onde argumenta que somente o anarquismo oferece uma possibilidade real de transformar a sociedade para que ela possa enfrentar a atual crise ecológica. O dilema torna-se então: anarquismo ou extinção.

Também em 1964, Murray juntou-se ao movimento de direitos civis e participou das primeiras manifestações contra a Guerra do Vietnã. Estas questões deveriam chamar sua atenção com força nos anos seguintes, enquanto ele se tornou uma figura conhecida na mídia alternativa e era continuamente chamado para debates e palestras. Em 1965, a Federação de Anarquistas de Nova York nasceu sob seus auspícios, defendendo um mundo auto-organizado e aberto a uma tecnologia libertadora de seres humanos.

Febres do Sessenta e oito

No final dos anos sessenta, Murray Bookchin não compartilhou os desejos psicodélicos e pansexuais que proliferaram entre muitos de seus amigos e colaboradores, mas viu um enorme potencial na consciência transformadora, pacifista e igualitária que invadiu campus e cidades e na revolução ética e anticonsumista da contracultura. Por outro lado, ele não deixa de ver os protestos violentos que frequentemente se espalham pelo país como errados e contraproducentes. Em junho de 1968, ele viaja para Paris. Após entrevistar os líderes do movimento estudantil, ele conclui que uma rebelião espontânea contra a vida opressiva do capitalismo foi sufocada pelos partidos sedutoramente revolucionários que desconfiavam do que não controlavam. O resto daquele ano foi dedicado a obra Os anarquistas Espanhóis, um livro no qual ele tenta mostrar como o anarquismo não é incompatível com ter uma organização poderosa e enfrentar desafios de longo alcance. O trabalho, no entanto, não apareceria até 1978.

Os trabalhos de maturidade

Na década de 1970, Murray Bookchin é reconhecido como o profeta do movimento ambientalista que surgiu diante do colapso ambiental cada vez mais evidente. No entanto, ele nunca deixa de apontar a necessidade de chegar à raiz do problema, o capitalismo desenfreado que nos governa. Neste momento, duas mil comunas rurais estão proliferando nos Estados Unidos, como mais um elemento do cooperativismo que está se espalhando rapidamente, ao mesmo tempo em que as organizações de bairro estão se provando capazes de pôr um fim às desordens do planejamento urbano. O anarquismo na Sociedade de Consumo, de 1971, demonstra que, além da teorização, slogans e da sopa de letras de grupos ultrarrevolucionários, o ideal libertário está cheio de propostas aqui e agora para a construção de alternativas ao capitalismo.

Um objetivo realista poderia ser criar assembleias populares e comitês de ação local para resolver problemas concretos. Também seria necessário, a fim de dar amplitude às lutas, aprender a se comunicar com os cidadãos comuns, informá-los e elevar sua consciência. Nesta linha, Bookchin continua a defender a participação nas eleições municipais com projetos bem definidos, embora isso lhe traga críticas do campo libertário. A preocupação com a degradação ambiental gera debate e inspira economistas, cientistas e até mesmo autores de ficção científica. Mesmo o anteriormente relutante Herbert Marcuse reconhece a importância do ambientalismo em Contrarrevolução e Revolta (1972).

No outono de 1974, Bookchin foi contratado como professor no Ramapo College (Nova Jersey), para ensinar estudos urbanos e ambientais, atividade que ele combinaria com cursos de verão no Instituto de Ecologia Social que ele havia ajudado a criar naquele mesmo ano em Vermont. Enquanto isso, o movimento comunal é imparável em muitas grandes cidades e a descentralização profetizada em Os limites da cidade já é uma demanda com uma ampla base social; o trabalho reaparece em uma versão mais extensa em 1974.

A partir de 1977, Bookchin se envolveu contra as usinas nucleares sendo planejadas em Vermont, tentando aplicar a dinâmica de grupos de afinidade que aprendeu com os anarquistas espanhóis. Deve-se dizer, entretanto, que o método transformador que ele está promovendo está encontrando seus limites neste momento, e assim as propostas ecológicas radicais estão sendo distorcidas em simples “ambientalismo” nas prefeituras, enquanto os casos de regressão aparecem nos movimentos de bairro, devido a dissensões internas e chantagens e captura de capital.

Sob o sinal dos tempos

O que vivemos nos anos 80 é uma ofensiva reacionária em larga escala que impõe a ideologia neoliberal, de modo que opções revolucionárias são excluídas do horizonte da realidade. Murray Bookchin pensa então que o capitalismo tem o potencial de destruir a humanidade, como um tumor maligno faz com o organismo que o abriga. Ele não será silenciado, porém, e por impotência clama por outro mundo que pode não ser possível, mas que é necessário. Ele se resignou a ser a voz, simplesmente a voz, de uma maneira alternativa de pensar. Em 1983, ele se aposentou antecipadamente e deixou o ensino universitário.

E, apesar de tudo, nestes anos sombrios, abriam-se janelas de oportunidade. Por exemplo, através do próspero movimento de bairro que está se desenvolvendo em Burlington (Vermont), onde Murray se estabeleceu e um jovem Bernie Sanders acaba de ser eleito prefeito com propostas inovadoras. Entretanto, também aqui, as discordâncias não demoram a chegar, quando o conselho se compromete com os planos do estilo antigo. A democracia direta em nível municipal não é fácil, mas é uma possibilidade, como argumenta Bookchin em O auge da civilização e a queda da cidadania, 1986, que contém uma revisão da luta das cidades pela independência desde a Antiguidade e a Idade Média.

Outra janela de oportunidade se materializou com Die Grünen, herdeiros da agitação antinuclear e pacifista dos anos 70 na Alemanha, que assumiram a perspectiva ecológica, se constituíram como um movimento político e em 1983 ganharam vinte e sete deputados no Bundestag. Também aqui, porém, os trabalhos de recrutamento e em apenas dois anos o “movimento transformador” está governando em coalizão com o SPD. Durante sua estada na Europa neste momento, Bookchin não consegue convencer os anarquistas com os quais ele fala da conveniência de se engajar nas instituições. Infelizmente, dizem-lhe eles, a experiência é que os movimentos revolucionários de assembleia que penetram na política acabam se desativando sem maiores dificuldades.

De volta aos EUA, Murray tenta promover um ambientalismo anticapitalista em Vermont, mas a dura realidade no final dos anos 80 é o triunfo da chamada “ecologia profunda”, impiedosamente anti-humanista e com características xenófobas e de extrema direita. Bookchin atravessa os anos 90 em desolação enquanto a “ecologia social” degenera em múltiplas visões, desprovida da fermentação democrática e anticapitalista com a qual ele a definiu. Ao mesmo tempo, dentro do anarquismo, dominam o individualismo, o primitivismo e o pós-modernismo, então ele decide contra-atacar com Anarquismo social ou anarquismo pessoal: um abismo insuperável (1995), manifestado por uma opção racionalista aberta à tecnologia a serviço do ser humano. Indignado com o estado das coisas, refugiou-se no extenso trabalho que havia iniciado sobre os grandes processos revolucionários, A Terceira Revolução, que aparece entre 1996 e 2003, em quatro volumes.

Depois de se esforçar tanto para convencer os libertários de suas ideias, em 2002 Bookchin desistiu e deixou de se considerar um anarquista; ele se definiu como um comunalista. Esta não foi uma época fácil; sua artrite se agravou progressivamente e, em 2005, as complicações cardíacas se instalaram. Quando o líder curdo Abdullah Öcalan o contacta em 2004 pedindo conselhos sobre como colocar em prática suas ideias sociais, ele já está muito doente e cansado para atendê-lo. Murray Bookchin morreu em Burlington em 30 de julho de 2006. Pouco tempo depois, em Rojava (Curdistão sírio), o confederalismo democrático que ele defendeu serve de alicerce para a nova sociedade que está sendo construída lá hoje.

O caminho de um lutador

A grande contribuição de Murray Bookchin para o debate ideológico do século 20 foi a forma como ele reuniu ecologia e anarquismo, tendo descoberto que este último fornece as ferramentas necessárias para enfrentar o colapso ambiental em que estamos imersos. No entanto, tentar construir pontes e ligar ideias tem seus perigos, e o profeta do anarco-ecologismo foi rejeitado por ecologistas que o viam como muito esquerdista, e também por anarquistas que não entendiam sua propensão para se envolver em instituições municipais para defender suas ideias. Bookchin foi atacado de muitas frentes, mas devemos reconhecer que ele desenvolveu ideias inovadoras e sugestivas, e devemos agradecer-lhe pela sua falta de dogmatismo e pela enorme capacidade de seu pensamento para nos fazer refletir sobre o que tomamos por imutável.

A ideia de se envolver com uma base de assembleias e transformar a base na política municipal merece ser levada em conta, ainda que seja pelos resultados que já foram alcançados com essas dinâmicas de Marinaleda a Rojava. Em um ponto da obra, um texto de Mikhail Bakunin é lembrado no qual ele destaca as particularidades dos municípios que os tornam um campo propício para a luta emancipatória. Entretanto, as limitações desta estratégia são evidentes neste nosso tempo em que o local está incardinado com o Estado e o poder dos grandes atores econômicos, como é evidente nos casos descritos em Ecologia ou Catástrofe.

O livro também nos aproxima das contradições de seu protagonista, um amante de junk food que foi a todos os lugares de carro, talvez vindicando com esses gestos seu passado proletário ou sua opção de dar respostas coletivas aos problemas. Se conta também que disputa dialética às vezes o arrastava para um tom amargo e atrevido, o que era contraproducente porque afastava as pessoas dele. Mas a maior falha de nosso pensador provavelmente foi que, apesar de continuamente aparecer em seus escritos com a necessidade de uma ética que sustentasse a dinâmica revolucionária, sua rejeição visceral de qualquer coisa que estivesse marcada pela religião o impediu de criar um método eficaz de higiene psicológica para as criaturas do capitalismo.

Janet Biehl nos move com seu retrato empático de um menino que cresce no mais Yiddish da Grande Maçã e supera todas as dificuldades para se tornar um intelectual revolucionário que forja seu próprio caminho. Infelizmente, as propostas que ele foi capaz de apresentar em sua maturidade encontraram pouco eco nos tempos sombrios que viveu, embora elas forneçam ferramentas valiosas para o futuro.

Ecologia ou catástrofe nos oferece uma viagem estimulante através do pensamento social do século XX e uma abordagem cativante a um dos teóricos e ativistas que mais contribuíram para energizar as lutas anticapitalistas desta época.

Fonte: http://www.jesusaller.com/ecologia-o-catastrofe-la-vida-de-murray-bookchin-de-janet-biehl/

Tradução > Liberto

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Um gato sem dono
Dormindo sobre o telhado —
Chuva de primavera.

Taigi

[Rússia] Anarquistas de Chelyabinsk condenados a 2 e 2,5 anos de prisão

No dia 10 de setembro, a corte do distrito central de Chelyabinsk, na Rússia, anunciou o veredicto do caso de dois anarquistas, Anastasia Safonova e Dimitry Tsibukovsky, acusados por pendurarem um cartaz. Os dois foram julgados culpados sob o artigo que trata de vandalismo (parte 2 do artigo 213 do código penal). Safonova foi sentenciada a dois anos de prisão e Tsibukovsky, dois anos e meio. Essa foi uma sentença leve, considerando que o promotor exigiu que os anarquistas recebessem seis anos de prisão em um regime de colônia penal em população geral.

Em fevereiro de 2019, os dois anarquistas penduraram um cartaz dizendo “FSB é o principal terrorista”, na grade do prédio do Serviço Federal de Segurança (Federal Security Service, o FSB), na cidade de Chelyabinsk, para demonstrar sua solidariedade para com os defensores da “Network”. Muitos dias depois da ação, o FSB prendeu quatro anarquistas suspeitos de realizar este ato, incluindo Dimitry Tsibukovsky e Anastasia Safonova. Tsibukovsky confessou o “crime” quando estava sob tortura.

Em abril de 2020, Safonova e Tsibukovsky foram detidos e mandados para um centro de detenção para o pré-julgamento. No final de julho, a medida de restrição mudou para prisão domiciliar e em novembro, para um banimento de certas atividades.

Fonte: https://avtonom.org/news/chelyabinskih-anarhistov-prigovorili-k-2-i-25-godam-kolonii

Tradução > Calinhs

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no capim orvalhado
guarda-chuva de renda
a teia de aranha

Tânia Diniz

Livros Livres: Economia anticapitalista em Rojava

A Cátedra Jorge Alonso publicou recentemente a Economia Anticapitalista em Rojava. As contradições da revolução na luta curda, uma extensa pesquisa feita por Azize Aslan.

O livro lança a hipótese de que, para criar uma verdadeira emancipação social, a revolução deve romper com a regra do capitalismo, criando espaços e práticas anticapitalistas e comunais. Neste sentido, a pesquisa de Aslan se concentra na organização da economia social, cooperativas e economia feminina, a fim de analisar a capacidade anticapitalista da experiência da Revolução de Rojava (Curdistão sírio).

No prefácio do livro, o intelectual John Holloway escreve: “É um grande mérito do trabalho de Azize que ele coloque o caráter contraditório do movimento curdo no centro de sua pesquisa e que ele desenvolva o tema precisamente em um estudo detalhado da organização econômica e de suas dificuldades. Isto implica, por um lado, um conhecimento detalhado, baseado no trabalho de campo realizado em condições que teriam me aterrorizado, e também uma abertura para discutir as contradições do processo no contexto de uma discussão mais geral sobre o que significa a revolução anticapitalista e antipatriarcal. O trabalho de Azize é uma enorme conquista, que também nos fala da abertura e da força autocrítica que é uma característica do Movimento Curdo”.

> Para ler ou fazer o download do livro, clique aqui:

https://www.kurdistanamericalatina.org/wp-content/uploads/2021/09/Libro-anticapitalismo-en-Rojava_web.pdf

Tradução > Liberto

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A noite flutua
e as rosas dormem mimosas
aos beijos da lua.

Humberto del Maestro

[Chile] Com ação comunitária e territorial combater a devastação do capital

Diante da crise climática que estamos vivendo como resultado da superexploração gerada pelo capitalismo, temos que ser capazes de pensar em outras opções de ação que vão além de pedir à classe dominante que tome consciência da poluição que ela produz, pois em sua ganância cega não o fará. Também temos que ser capazes de ir além das ações individuais que minimamente e ilusoriamente reduzem os danos produzidos pelo sistema de devastação vigente, razão pela qual somos a favor de nos organizarmos em harmonia com comunidades, espécies e territórios, bem como promover a luta contra o Estado e o capital.

Juntamo-nos ao bloco nesta sexta-feira 24 de setembro às 18h00 na estátua de Manuel Rodriguez, Plaza Dignidade Sul, Santiago.

Asamblea Libertaria Santiago

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Flores no jardim,
Jabuticabas no quintal!
Eis a primavera.

Mailde Tripoli

Papo de Punk | “Selos e distribuidoras DIY: a experiência da No Gods No Masters”

A próxima atividade do Papo de Punk já tem data e hora! Anota aí! Dia 25 de setembro, sábado, às 19 horas, estaremos recebendo a Andreza Poitena e o Josimas Ramos para uma conversa sobre selos e distribuidoras D.I.Y., e claro, sobre a experiência de ambos frente a No Gods No Masters! O papo será mediado pelo Rodolpho Jordano (PSN-BR e Imprensa Marginal). Esperamos vocês!

>> Acesse o link e se inscreva em nosso canal:

https://youtube.com/channel/UCZDgFbQp1tW0MVPOQpJAyJw

Punk Scholars Network Brasil (PSN-BR)

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alta madrugada,
vaga-lumes no jardim
brincam de ciranda

Zemaria Pinto

[Espanha] Lucio Urtubia e seu espírito ressurgem no Teatro Gayarre

A PRODUÇÃO ‘LUCIO: UNA REFLEXIÓN ESCÉNICA’, QUE COMBINA A MÚSICA COM A IMORTAL MENSAGEM DO HISTÓRICO ANARQUISTA NAVARRO, ESTREIA NO TEATRO PAMPLONÊS NO PRÓXIMO 23 DE SETEMBRO.

Por Ana Jiménez Guerra | 02/09/2021

O espírito do histórico anarquista navarro Lucio Urtubia ressurgirá no Teatro Gayarre pela mão de Lucio: uma reflexão cênica. A produção une a música de The New Jazz Collective com a história que o ilustrador Mikel Santos Belatz retrata em sua novela gráfica “El tesoro de Lucio” para aproximar de novo a mensagem de Lucio, em um espetáculo dirigido pela dramaturga Martina Cabanas. O espetáculo vanguardista estreará em 23 de setembro no Teatro Gayarre, onde convidará a “pensar, refletir e tirar novas conclusões sobre épocas passadas”.

Porque como indica seu título, sobre o tablado se desenvolverá uma reflexão em torno da figura do pedreiro e anarquista navarro, como uma homenagem realizada a partir do respeito dos que o conheceram. É o caso de Marco Bellizzi, músico de The New Jazz Collective e que em seu tempo conheceu Lucio casualmente em Paris, quando uma série de músicos buscava um local para ensaiar e ele lhes deixou uma moradia vazia que havia no edifício de sua empresa. Iam para umas semanas e ficaram cinco anos, “desfrutando de Lucio e toda sua família”. Aquela foi uma experiência que o marcou vitalmente e quando Lucio faleceu em julho do ano passado, quis render-lhe homenagem. E o que em princípio seria uma coleção de temas “em torno dos pilares da vida dos que chamavam mais a atenção”, se converteu em “Lucio: una reflexión escénica”, com o apoio de Yerbabuena Producciones.

Na documentação biográfica, foi fundamental a novela gráfica “El tesoro de Lucio”, a HQ que sob o selo da editorial Txalaparta soma já seis edições e que agora chega ao cenário. Seu autor, Mikel Santos Belatz, se mostra agradecido em fazer parte desta nova homenagem e por haver conhecido Lucio: “Com este projeto volto a escutá-lo e me conta ao ouvido todas essas anedotas e histórias. E volta a dizer: temos que fazer”.

Uma reflexão cênica

A história de Lucio, esse pedreiro de Cascante que nos anos 70 pôs em cheque um dos maiores bancos do mundo, o First National City Bank, narrada em torno a uma série de pilares que foram vitais para ele: a importância que dava às raízes, a família, a cultura, a própria ação… As ilustrações da HQ de Belatz tomam uma dimensão audiovisual com projeções, apoiadas pela música ao vivo do grupo The New Jazz Collective e a dramaturgia de Martina Cabanas.

E é o próprio Lucio que, com sua mensagem e pensamentos, guia os participantes, explica Bellizzi, que dá um exemplo: “Temos um vídeo de Lucio cantando e o vemos e escutamos e nós lhe respondemos com nossa linguagem que é o jazz”.

A produção terá sua estréia no próximo 23 de setembro no Teatro Gayarre, em um encontro para o qual ainda restam entradas à venda, com preços que vão de 9 a 18 euros. Será a primeira encenação de um espetáculo que, esperam, tenha certo roteiro: “Este é o começo, mas nosso desejo é que tenha uma longa vida”, assinala Pilar Chozas, de Yerbabuena Producciones.

Porque, resume Belatz, este projeto “é mais uma ação de Lucio”. E explica: “Ele não está e nós somos os herdeiros de suas ações, nos deixou o testemunho para continuar sua luta e, também, senti-lo próximo”. Assim que talvez, não é que Lucio ressurja, mas que nunca se foi.

>> Teaser ‘Lucio, una reflexión escénica’:

https://www.youtube.com/watch?v=Z17WpkZWtzQ

Fonte: https://www.noticiasdenavarra.com/cultura/2021/09/02/lucio-urtubia-espiritu-resurgen-teatro/1177952.html

Tradução > Sol de Abril

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Encontro fugaz.
Neblina abraça o velho
lampião de gás.

Rogério Viana

[França] Liberdades sob ameaça, hoje e sempre

Moção da Federação Anarquista aprovada no 79º congresso em Merlieux, 22 de agosto de 2021

O clima social é de inquietude: crise social, crise sanitária, crise econômica…

Surfando na onda do mal-estar social, o Estado aproveita para reforçar o seu aparelho de segurança e repressão a fim de satisfazer um eleitorado cada vez mais conservador.

Com o movimento dos Gilets Jaunes [Coletes Amarelos], as forças da ordem macroniana têm curso livre para reprimir com virulência as manifestações, resultando num grande número de mutilados. Desde o início dos protestos, os ministros do Interior têm, um após o outro, defendido a atuação das forças de repressão.

Algumas declarações são um insulto às vítimas. Enquanto isso, o resto do governo faz vista grossa, assim como os parlamentares.

A manipulação está Em Marcha[1]: as ações coordenadas entre o poder e a mídia culminam num sentimento de insegurança na população e permitem passar sem alarde leis e decretos liberticidas.

Assim, torna-se possível reforçar o monitoramento dos indivíduos “sob suspeita”. Ninguém se indigna com isso, e as organizações que se opuseram ao decreto perante o Conselho de Estado fracassaram.

Estamos assistindo à mecanização do controle das populações: os algoritmos, a geolocalização, o controle sobre as comunicações eletrônicas, os drones, as câmeras de vigilância, e agora o QR code… Todo um arsenal tecnológico e jurídico transforma insensivelmente nossos Estados “de direito” em Estados policiais, e nossas sociedades “livres” em sociedades reféns do medo, onde a desconfiança barra a solidariedade e faz da hospitalidade um delito penal.

O dispositivo legislativo desenvolveu-se enormemente durante essa crise. A arbitrariedade policial aumentou. As liberdades dos indivíduos comuns são assas frágeis diante dos juízes.

A Federação Anarquista denunciara a proposta de lei de “segurança global”, em especial o célebre artigo 24 sobre a proibição de registrar imagens das forças policiais em ação, e de maneira mais geral o dispositivo que dava poderes excessivos aos policiais municipais. O Conselho Constitucional tomou uma posição curiosa: declarou inconstitucional o conteúdo do artigo 24 reformulado, mas aprovou outras disposições liberticidas. É de fato o texto como um todo que atenta contra as liberdades públicas, e que deve ser rejeitado.

Trata-se de uma tática que consiste em inscrever num texto um catatau jurídico, cujo grosso será evidentemente anulado para fazer passarem as minúcias, tão perigosas quanto.

Recentemente, o Conselho de Estado analisou o “Esquema nacional de manutenção da ordem” e contestou algumas disposições do texto. Da mesma maneira que no Conselho Constitucional, anula-se o grosso para fazer passar o resto. Assim, por exemplo, a tática do “kettling” é suprimida, por ser demasiado atentatória contra o direito de ir e vir.

Quatro disposições que miram a liberdade de informação também foram anuladas. Mas sejamos prudentes. Muitas disposições anuladas reaparecem noutros textos. Os redatores aproveitam-se da ausência de vigilância. Nos meses que se seguem, eleições presidenciais e legislativas obrigam, diante da ascensão da extrema-direita, a classe política profissional, direita e esquerda, a atacar com medidas restritivas e atentatórias contra as liberdades públicas. A Federação Anarquista não medirá esforços na luta contra o estabelecimento de um Estado cada vez mais policialesco e reacionário.

Federação Anarquista

federation-anarchiste.org

Notas:

[1] Jogo de palavras com o nome do partido de Emmanuel Macron, La République en Marche.

Tradução > Guilherme Tell

agência de notícias anarquistas-ana

Para esta viagem
A melhor companhia
É uma borboleta!

Shiki

[Chile] Uma garrafa com urina e fezes foi jogada no Senador Iván Moreira no aniversário de Hualaihué

O senador da UDI [União Democrática Independente, partido de direita] Iván Moreira foi vítima de um ataque em uma atividade pelo 42º aniversário da comuna de Hualaihué, na região de Los Lagos, onde um homem jogou uma garrafa contendo urina e fezes contra ele.

O parlamentar, que ficou apenas ligeiramente ferido, garantiu que não seria amedrontado ou intimidado, e que continuaria a defender o Chile.

A situação ocorreu hoje (21/09) por volta das 14h50, na Plaza de Armas de dita comuna, quando no final da atividade um homem saiu do público e correu em direção ao parlamentar.

Neste momento, ele atirou uma garrafa contendo restos de urina e fezes sobre o parlamentar, além de bater nele.

Segundo informações de Carabineros, após o acontecido, o responsável pelo ataque foi preso em flagrante, fato que foi gravado em um vídeo compartilhado em redes sociais.

Através do Twitter, a equipe do parlamentar informou que “um grupo de anarquistas organizados agrediu nosso senador, jogando água suja e um objeto contundente contra ele, causando-lhe um leve ferimento no rosto”.

Mais tarde, através de um vídeo, o senador Moreira indicou que “a merda que eles jogaram na minha cara e a leve lesão que me causaram, não me intimida e não serei derrotado por esses verdadeiros bastardos fascistas de esquerda que a única coisa que fazem é nos perseguir em uma funa [manifestação de repúdio contra alguém ou instituição]”.

Finalmente, ele insistiu que “eles não nos dobrarão, não nos intimidarão e nós continuaremos a defender o Chile e nossos princípios”. Eles não vão nos vencer nas ruas, como sempre fizeram”.

O militante da UDI apresentou a denúncia correspondente após o ataque e relatou ferimentos.

Fonte: https://www.biobiochile.cl/noticias/nacional/region-de-los-lagos/2021/09/21/arrojan-botella-con-restos-de-orina-y-fecas-al-senador-ivan-moreira-en-aniversario-de-hualaihue.shtml

agência de notícias anarquistas-ana

Longa chuvarada…
Nos matos e nas lagoas,
um canto de vida.

Humberto del Maestro

Vem aí a XI Feira Anarquista de São Paulo

A XI edição da Feira Anarquista de São Paulo está sendo construída e vai ocorrer entre 8 e 14 de novembro online.

A p r e s e n t a ç ã o

Diante da trágica situação que o mundo enfrenta por conta da pandemia do novo coronavírus (COVID-19) há mais de um ano e como consequência da ação deliberada do governo brasileiro em propagar o vírus e empurrar intencionalmente centenas de milhares de pessoas à morte e à miséria, os coletivos organizadores da Feira Anarquista de São Paulo decidiram realizar a edição de 2021 em formato virtual (online), após ter sido cancelada a realização em 2020. Reiteramos que mesmo mudando, conjunturalmente, o formato, a Feira é um espaço de divulgação das ideias e práticas ANARQUISTAS e de promoção da interação de todas as pessoas.

A Feira Anarquista de São Paulo não possui caráter comercial, no entanto, tem por objetivo fortalecer economicamente organizações autogestionárias, coletivos e grupos anarquistas. A venda de objetos e a promoção de atividades busca dar suporte a estes grupos, que ao longo do ano realizam diversas atividades e trabalham para a divulgação, manutenção de espaços e práticas anarquistas.

A participação nesta edição da Feira se dará de maneira diferente das edições anteriores, sendo realizados convites e contatos com grupos, coletivos, projetos e movimentos para que integrem a programação e a exposição de materiais, principalmente por motivos de logística / possibilidade de organização e, ao mesmo tempo, de segurança em tempos de ataques virtuais e vigilância total.

O convite ou mesmo a aprovação de cada participação é de exclusiva responsabilidade dos membros organizadores do evento. Será recusada qualquer proposta que tenha o claro interesse de fazer uso exclusivamente comercial do evento, ausência de perspectiva anarquista e que tenha qualquer postura autoritária e discriminatória.

Tendo isso em vista, a comissão divulga a carta de princípios (adaptada para tempos de pandemia) da Feira Anarquista de São Paulo que sintetiza e mantém os resultados da experiência da realização das feiras anteriores:

1 – O ambiente da Feira é um espaço libertário, portanto não serão toleradas atitudes machistas, racistas, LGBTQIA+fobicas, autoritárias, violência e propaganda partidária.

2 – Não serão aceitos comentários no chat que firam o ponto expresso acima e se caso venha a acontecer, a organização toma a liberdade de bloquear o perfil que realize tal atitude.

3 – É de responsabilidade dos grupos organizadores vetar qualquer proposta que não seja anarquista e que veicule materiais machistas, racistas, LGBTQIA+fobicas.

Atenciosamente,

Comissão Organizadora da Feira Anarquista de São Paulo

Em breve mais informações em: http://feiranarquistasp.wordpress.com

FB: https://www.facebook.com/events/1105181123221135/

agência de notícias anarquistas-ana

velho sapato
lembra das caminhadas
solto no mato

Carlos Seabra

Há sete anos o ISIS começava o ataque a Kobane

Há sete anos, em 15 de setembro, o Estado Islâmico (ISIS) iniciou seu ataque contra a cidade curda de Kobane, no norte da Síria, depois de ter capturado Mosul no norte do Iraque, sem resistência das tropas iraquianas.

O ISIS estava armado com as armas avançadas que havia apreendido, fornecidas pelos EUA às forças armadas iraquianas.

Rapidamente circundando a cidade de 40.000 habitantes, ocupou 350 vilarejos em questão de semanas e se mudou para o centro da cidade, que parecia indefesa contra as capacidades militares aparentemente superiores dos jihadistas.

A única barreira entre o Estado Islâmico e a cidade eram os combatentes das Unidades de Proteção Popular (YPG) e das Unidades de Proteção Feminina (YPJ), enfrentando tanques do ISIS, obuses, armas leves e lançadores de foguetes com armas pequenas.

Cemil Mazlum, um comandante das Forças Democráticas Sírias (SDF), que lutou contra o ISIS e participou da libertação de Raqqa, a capital de fato do Estado Islâmico em outubro de 2017 após uma batalha de três meses, lembra que Kobane foi um “símbolo” da revolução no norte e leste da Síria (Rojava). Esta foi a razão pela qual a cidade foi atacada pelo ISIS.

“Kobane era um símbolo para nós. A revolução começou aqui, em 19 de julho”, recorda Mazlum. A resistência e a organização do povo começaram aqui. O Estado Islâmico, na verdade, visou a revolução do povo atacando Kobane”.

Mazlum ressalta que, devido ao compromisso e determinação do povo, os combatentes do YPG e YPJ resistiram quando o ataque do Estado Islâmico começou.

“O Estado Islâmico tinha a área completamente cercada”, explica ele. Anteriormente, eles tinham aterrorizado todos os lugares aonde iam. Eles fizeram todos fugir ou se renderem sem resistência. Mas o povo de Kobane e os combatentes da YPG e YPJ não fugiram, mas resistiram enquanto fortificavam constantemente suas posições”.

Mazlum enfatiza que à medida que a resistência de Kobane ganhou reconhecimento e apoio mundial, a solidariedade internacional surgiu em torno dela e se tornou uma guerra total contra o Estado Islâmico pela libertação de todas as partes que ocupava.

O comandante da SDF conclui que a SDF depende apenas do poder e do apoio do povo diante do perigo contínuo da reorganização do Estado Islâmico.

Fonte: https://www.kurdistanamericalatina.org/hace-siete-anos-isis-comenzaba-el-ataque-a-kobane-video/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

no muro o caracol
se derrete nos rabiscos
da assinatura prateada

Dalton Trevisan

[Espanha] A vida do pedreiro e ladrão anarquista Lucio Urtubia é um filme da Netflix

Javier Ruiz Caldera filma desde esta segunda-feira ‘Un hombre de acción’ [Um homem de ação, em tradução livre], em que Juan José Ballesta dá vida ao falsificador que pôs em xeque ao First National City Bank

Por Oskar Belategui | 11/09/2021

A vida de Lucio Urtubia (Cascante,Navarra, Espanha, 1931 – Paris, França, 2020) dá para muitos filmes. Aitor Arregi e Jose Mari Goenagam os diretores de ‘Loreak’ y ‘Handia’, mostraram ao mundo em um documentário em 2007 este pedreiro anarquista que cometeu assaltos, se introduziu no contrabando e pôs contra as cordas o poderoso First National City Bank, mediante a falsificação massiva de cheques de viagem. Urtubia discutiu sobre estratégias com Che Guevara, conversou com André Breton e Albert Camus, e ajudou Eldridge Cleaver, líder dos Panteras Negras. E tudo isso sem faltar um dia ao andaime.

A história de como um azulejista quase analfabeto se converteu no criminoso mais procurado nos anos 80 salta agora para o cinema das mãos de Netflix, que confiou em Javier Ruiz Caldera para dirigir ‘Un hombre de acción’, que nesta segunda-feira começa sua filmagem de dez semanas entre Galícia, Catalunha e Paris, onde Urtubia viveu desde que escapou para a França, em 1954. Juan José Ballesta, o inesquecível protagonista de ‘El Bola’, dará vida ao anarquista navarro em um filme de ficção inspirado livremente na vida de Urtubia.

“A vida de Lucio Urtubia, um anarquista, assaltante e falsificador, mas sobretudo, como ele se definia, pedreiro, é um material espetacular para fazer um filme”, afirma Ruiz Caldera, diretor de sucessos de bilheteria como ‘3 bodas de más’, ‘Anacleto: agente secreto’ e ‘Superlópez’.

“Estamos tão acostumados a ver suspenses policiais onde os protagonistas são ladrões com chapéus cheios de glamour, que ver Lucio, um experiente pedreiro, com as mãos sujas de gesso e tinta, como líder de um grupo que pôs em xeque o banco mais poderoso do mundo, é algo do mais refrescante e original. É a história da pulga contra o elefante, de Davi contra Golias. Foram escritos livros e rodado documentários sobre ele, inclusive uma história em quadrinhos. Agora, é chegado o momento de fazer o filme inspirado nessa grande aventura que foi a vida de Lucio Urtubia”.

‘Minha utopia vivida’

Urtubia assaltou, sequestrou e praticou o contrabando sempre em defesa de seus ideais. Ele preferia falar de “expropriações”. Seu maior golpe foi a falsificação de 20 milhões de dólares em cheques de viagem do  First National City Bank em 1980, o que esteve a ponto de levar o banco à falência.

Com os ganhos obtidos, financiou Motoneros [organização guerrilheira marxista na Argentina], Tupamaros [organização guerrilheira marxista-leninista no Uruguai] e outras pessoas revolucionárias.

Foi preso, e passou seis meses atrás das grades; Depois, viriam mais ordens internacionais de busca, incluindo da CIA. E histórias como o frustrado sequestro do nazista Klaus Barbie na Bolívia, sua mediação no sequestro do deputado Javier Rupérez pelo ETA…

‘La Revolución por el tejado’ [A Revolução pelo telhado] e ‘Mi utopía vivida’ [Minha utopia vivida] são os títulos dos livros das memórias deste ‘Robin Hood navarro’, cujo lar parisiense acolheu a todo tipo de pessoas exiladas, desde etarras a pessoas membras da CNT. Todas essas peripécias foram contadas no documentário ‘Lucio’, que Ruiz Caldera esteve muito presente. “É maravilhoso, aí se pode aproveitar da avassaladora personalidade de Lucio. Fora isso, nos baseamos em toda a informação recolhida nas entrevistas que Lucio concedeu, em testemunhos e em sua autobiografia. Além do mais, Patxi Amezcua, o roteirista, teve alguns encontros com ele para poder construir nossa história. É um filme inspirado em sua vida, com muita ação, aventura, emoção e senso de humor”.

‘Un hombre de acción’ transcorre durante cinco décadas, dos anos 40 aos 80. Detrás do filme estão os produtores Edmon Roch e Javier Ugarte, responsáveis por títulos como ‘El Niño’ [O Menino], ‘Celda 211’ [Cela 211] e ‘8 apellidos vascos’ [8 sobrenomes bascos].

O filme poderá ser uma ruptura na filmografia do diretor de ‘Promoción fantasma’ [Promoção fantasma] e ‘Spanish Movie’ [Filme espanhol], que considera este projeto “muito atraente” para se deixar passar. “Espero que minha tendência natural à comédia não prejudique o filme e sirva para dar ao personagem o carisma e o senso de humor que merece”, declarou.

Fonte: https://www.elcorreo.com/butaca/en-rodaje/vida-albanil-ladron-20210911090543-ntrc.html?fbclid=IwAR1APmRphwPWgdKDXqsj0LK3gXTPnjVYf66FG2NLFHIToA3fP8_vVF-onYM

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

A tranqüilidade
De andar sozinho,
Divertir-se sozinho.

Shiki

[Grécia] Assembleia Aberta de Anarquistas de Patras | “Abrimos o caminho com luta, destruindo e criando”

Compreendemos a luta anarquista como um processo multifacetado contra o mundo capitalista, o que ele cria e o que ele reproduz. Contra toda lógica autoritária, militar, hierárquica, propomos companheirismo e solidariedade, porque as coletividades que construímos aqui e agora, comunidades de luta, comunicação, autoeducação, convivência são o fermento das nossas futuras comunidades, das visões que queremos ver realizadas. Estamos contra o Estado e o capital, contra o nacionalismo, o patriotismo, o sexismo, o fascismo, o racismo, a homofobia, contra tudo o que fala a linguagem do poder e propõe a podridão do capitalismo. E todas essas são questões-chave de nossa luta diária, de nossa atitude diária, elas acontecem dentro de nós individual e coletivamente ao mesmo tempo. Abrimos o caminho com luta, destruindo e criando.

LUTA IMPLACÁVEL POR UM MUNDO AUTO-ORGANIZADO DE LIBERDADE, IGUALDADE E SOLIDARIEDADE

PELA ANARQUIA, LIBERAÇÃO INDIVIDUAL E COLETIVA

Assembleia Aberta de Anarquistas de Patras

asapatras@espiv.net / asapatras.espivblogs.net

agência de notícias anarquistas-ana

Doente de viagem,
meus sonhos vagueiam
pelo campo seco.

Bashô

[França] Lançamento: “Os Anarquistas Russos”, de Paul Avrich

Vindos de todos os cantos do Império, os anarquistas – russos, judeus, ucranianos, poloneses e georgianos – estavam na linha de frente contra a autocracia czarista e depois contra o regime bolchevique. Teóricos e ativistas, idealistas ou pragmáticos, propagandistas, sindicalistas, pacifistas ou terroristas, pagaram caro, muitas vezes com a vida, por sua busca frenética por liberdade e justiça social.

Nesta obra de referência, Paul Avrich (1931-2006), historiador e professor do Queen’s College de Nova York, revela uma parte pouco conhecida da história russa, analisando o papel desempenhado pelo movimento anarquista desde seu surgimento na segunda metade do século. Século 19 até sua aniquilação no final da Revolução de Outubro.

Exterminados pelos comunistas, esquecidos pela historiografia tanto marxista quanto liberal, os anarquistas russos, graças a este livro, recuperam seu lugar de direito na história da luta dos oprimidos por sua emancipação.

Corajosamente e com orgulho subiremos no cadafalso, dando a vocês um olhar desafiador. Nossa morte, como uma chama ardente, incendiará corações. Morreremos vitoriosos. Então em frente! Nossa morte será nosso triunfo!”

Les Anarchistes russes

Paul Avrich

Tradução: Bernard Mocquot

Posfácio: Mikhail Tsovma

ISBN: 9791092457230

Editora: Nada

Número de páginas: 430

Dimensões: 13 x 20 cm

Preço: 22,00€

nada-editions.fr

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Gato faminto,
copo-de-leite no vaso.
Amor perfeito.

Marcos Ribeiro de Barros

[Espanha] Apresentação com vida de José Antonio Sánchez Juárez e Sebastián Núñez Pérez, bases de apoio do EZLN (México)

A Confederação Geral do Trabalho se une à demanda pelo aparecimento com vida dos companheiros José Antonio Sánchez Juárez e Sebastián Núñez Pérez, ambos bases de apoio do EZLN, que estão desaparecidos desde 11 de setembro.

Os companheiros desaparecidos são membros da Junta de Buen Gobierno Patria Nueva, do Caracol 10 “Floreciendo La Semilla Rebelde” (Florecendo a Semente Rebelde). Deve-se lembrar que os companheiros vêm sofrendo assédio e violência da organização ORCAO há vários anos, razão pela qual esta organização foi mais uma vez culpada pelo sequestro, com a cumplicidade dos maus governos.

Como assinala a Red de Resistencias y Rebeldías AJMAQ em seu comunicado, “Os dois membros da Junta de Buen Gobierno José Antonio Sánchez Juárez e Sebastián Núñez Pérez, deixaram a sede da Junta em 11 de setembro, por volta das 8 horas da manhã deste ano, em uma caminhonete com placas de matrícula CW-0001-C, para realizar uma tarefa da Junta em outro lugar. Quando a Diretoria não recebeu nenhuma informação, foi iniciado um processo de busca e a van foi localizada na comunidade de 7 de Febrero, município de Ocosingo, Chiapas. Vale lembrar que esta localidade é a sede da Organização Regional dos Cafeicultores de Ocosingo (ORCAO) – onde, segundo informações, os dois membros da Junta foram detidos no que era legitimamente território do EZLN e onde foi implantada a cooperativa Arco Iris como parte da expressão da economia zapatista autônoma. Até a data e horário, terça-feira 14 de setembro, a JBG não pôde ver os detentos, verificar seu estado de saúde, nem determinar onde eles estão, portanto, ainda estão desaparecidos. Esta escala de violência orquestrada pelos altos poderes do governo federal se dá dentro da iniciativa EZLN “Travesía por la Vida Capitulo Europa” (Jornada pela Vida, Capítulo Europa). Uma iniciativa organizacional que busca expandir, de forma pacífica e criativa, a semente da resistência – a rebelião pela humanidade e pela Mãe Terra, ou seja, pela Vida.

De nossas latitudes, unimo-nos ao clamor pelo retorno com vida dos companheiros sequestrados pela ORCAO e apoiamos as mobilizações convocadas até a libertação de José Antonio Sánchez Juárez e Sebastián Núñez Pérez.

Pelo fim do assédio à Autonomia e à Vida construída pelo EZLN

Companheiros Bases de Apoio: Vocês não estão sozinhos!

Se tocam uma, tocam em todas!

Fonte: https://cgt.org.es/presentacion-con-vida-de-jose-antonio-sanchez-juarez-y-sebastian-nunez-perez-bases-de-apoyo-del-ezln-mexico/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

rua em que nasci
as crianças riem
o riso do velho

Ricardo Portugal

[Espanha] A CGT se mobiliza contra as demissões na Renault Sevilha

O sindicato inicia nesta quinta-feira uma série de manifestações para denunciar as dezoito demissões que a multinacional executou na última semana de julho.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) convocou manifestações nesta quinta-feira 16 e na próxima segunda-feira 20 às portas da fábrica da Renault em Sevilha, iniciando assim uma série de ações deste sindicato a fim de denunciar as dezoito demissões que a multinacional realizou em 27 de julho.

Para esta quinta-feira 16, o sindicato convocou toda a força de trabalho para uma concentração na entrada da fábrica de Sevilha, e para a segunda-feira 20, no mesmo local, o sindicato pretende unir forças com outros grupos e movimentos sociais da cidade para tornar o conflito o mais visível possível.

Com estas ações, a CGT pretende denunciar a atitude da direção da empresa em relação aos companheiros demitidos, que estavam na empresa há mais de vinte anos em média, deixando-os, segundo o sindicato, em uma situação dramática em um dos piores momentos trabalhistas das últimas décadas.

A organização anarcossindicalista também enfatiza o que eles mesmos apontam como piada, que é a “oferta” que a direção da empresa apresentou a esses trabalhadores para não serem demitidos, que é ir trabalhar na fábrica em Valladolid, a mais de seiscentos quilômetros de sua casa.

O sindicato indica que “é essencial enfrentar estas demissões, pois não se trata apenas do futuro dos trabalhadores despedidos e de suas famílias, mas também de permitir ou não que a empresa tome um caminho que poderia levar a situações ainda mais dramáticas em um tempo muito curto”.

A CGT lamenta que estas manifestações tenham que ser convocadas sozinhas por sua organização, especialmente quando esperam há semanas pelo resto dos sindicatos presentes no conselho de trabalhadores para propor algum tipo de ação a este respeito.

Fonte: https://cgt.org.es/cgt-se-moviliza-contra-los-despidos-en-renault-sevilla/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

salta o gato
assalta o gatuno
susto na noite

Carlos Seabra