Projeto segue a fita. Volume 1 | Edgard Leuenroth e o movimento operário

Estreia 15 de maio de 2021 às 19h00

Ao longo de seus 88 anos de história muitas pessoas passaram pela tribuna do CCS, além das notícias que saiam na imprensa operária e anarquista poucos foram os registros que sobraram sobre essas atividades.

A partir da reabertura do CCS em 1985 xs companheirxs passaram a gravar muitas das atividades em fitas K7 que ficaram guardadas por décadas com os companheiros do Círculo Alfa de Estudos Históricos. Estamos resgatando e digitalizando essas fitas para disponibilizá-las ao público.

Assim, homenageamos companheirxs do passado e damos a oportunidade dxs novxs companheiros conhecerem um pouco de como nossos “velhinhos” pensavam.

Começaremos com o único registro em áudio da segunda fase do CCS, uma maravilhosa palestra de Edgard Leuenroth que, em 1965, com 84 anos de idade veio até o CCS falar sobre a “História do Movimento Operário”.

Em 2016 o CCS lançou a transcrição dessa palestra juntamente com outros textos.

Neste livro trazemos a palestra tratando da história do movimento operário e a análise por ele feita dos desdobramentos das ações anarquistas, dos trabalhadores, do empresariado e do governo. Descreve ainda algumas das lutas, como a pela jornada de 8 horas do 1º de maio, bem como as aterradoras condições laborais, a exploração do trabalho infantil e da mulher, as formas de violência física praticadas dentro do próprio local de trabalho que resultaram nas famosas greves de 1917, antecessoras de uma das maiores “Greves Gerais” da nossa história. Considerando a importância da Greve Geral de 1917 na história do movimento operário e tendo sido o companheiro Edgard Leuenroth preso, acusado e inocentado em decorrência dela, trazemos também outro importante documento: a transcrição da palestra “A Greve Geral de 1917: História e Cotidiano” realizada no CCS em 1992 por Jaime Cubero, Maria Auxiliadora Guzzo Decca e Margareth Rago.

>> Para adquirir o livro:

http://ccssp.com.br/livrariaccs/anarquismo/78-o-movimento-operario-a-greve-de-1917.html

>> Canal do CCS no YouTube:

www.youtube.com/centrodeculturasocial

FB: https://www.facebook.com/events/232842268610131/?ref=newsfeed

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acende chama
sorriso no escuro
sol de quem ama

Carlos Seabra

Documentário | Urutau – Resistência Maraka’nã

Em dezembro de 2013, a empresa Odebrecht inicia obras em um dos anexos pertencentes à Aldeia Maracanã, desrespeitando o processo judicial em andamento.

Para evitar a derrubada do prédio, a resistência indígena decide ocupá-lo…

Em 2014, o prédio anexado à Aldeia Maracanã, defendido pelos indígenas e documentado neste filme, foi demolido e transformado em estacionamento durante a Copa do Mundo.

Já fora de exercício, o ex-governador Sérgio Cabral foi preso em novembro de 2016, acusado de receber propina de empresas, entre elas a Odebrecht, em troca da concessão de obras estaduais. A reforma do estádio Maracanã para a Copa de 2014 é uma delas.

Os indígenas continuam lutando pelo manejo da Aldeia Maracanã.

FICHA TÉCNICA

direção, fotografia & som direto

ANDRÉ MIGUÉIS / DINHO MOREIRA / GUILHERME FERNÁNDEZ / TAMUR AIMARA / THIAGO DEZAN / YUSSEF KALUME

som direto adicional

LEO NABUCO

edição & roteiro de montagem

YUSSEF KALUME

País: BRASIL

Duração: 86′ Ano: 2017 . . .

músicas

SEVERAL SPECIES OF SMALL FURRY ANIMALS GATHERED TOGETHER IN A CAVE AND GROOVING WITH A PICT (Pink Floyd) / TRANSAMAZÔNICA _ sample (Antonio Adolfo e a Brazuca) / MAYNUMI UIRA (José Guajajara Urutau)

captação de som

Vitor Ribeiro CANTO GUARANI-KAIOWA (Reserva de Dourados) / TXÕDARO DJEROKY (Coral Guarani das Aldeia Três Palmeiras, Piraque-Açu & Boa Esperança) / MARAKÁ (Yussef Kalume)

agradecimentos

ANDRÉ LEMOS / ARÃO ARAÚJO / ASH ASHANINKA / ELISA QUADROS / FERNANDO TUPINAMBÁ / FRANCISCO MACHADO / JOSÉ GUAJAJARA URUTAU / JULINA PROVIDENCIA / KAMILO MAURI (que recuperou o projeto no HD queimado) / KATJA SCHILIRÓ / LUNA DESCAVES / MONICA LIMA / PAULO APURINÃ / POTYRA KRIKATI / RICARDO PITTA / THAIANY GUAJAJARA / UIRA

>> Para ver o documentário, clique aqui:

https://m.youtube.com/watch?v=QGU2qA3pjz4

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casa quieta –
cochila o avô e
dorme a neta

Carlos Seabra

Sophie Scholl: a corajosa estudante alemã que resistiu a Hitler e foi condenada à morte]

Alemanha celebra centenário de Sophie Scholl que, junto com seu irmão, Hans, e outros membros do grupo Rosa Branca, desafiaram líder nazista.

Seu nome não é muito conhecido fora da Alemanha, mas Sophie Scholl é uma figura icônica em seu país natal e sua história, extraordinária.

Neste fim de semana, muitos vão comemorar o 100º aniversário do nascimento de uma jovem que enfrentou Adolf Hitler e pagou por isso com a vida.

Sua resistência é recontada inúmeras vezes em livros, filmes e peças de teatro. E continua a inspirar as pessoas hoje.

Sophie Scholl nasceu em 1921 em um país turbulento. Mas sua infância foi segura e confortável.

Seu pai era prefeito da cidade de Forchtenburg, no sudoeste (embora a família mais tarde se mudasse para Ulm) e Sophie, junto com seus cinco irmãos e irmãs, foi criada em uma família luterana na qual os valores cristãos eram importantes.

Mas quando ela chegou à adolescência, Adolf Hitler estava governando o país.

‘Não me diga que é para a pátria’

No início, Sophie e seu irmão mais velho Hans apoiaram o Partido Nacional Socialista. Como muitos outros jovens, ele se juntou ao movimento da Juventude Hitlerista do partido e ela à sua organização irmã, a Liga das Meninas Alemãs.

Seu pai, um crítico fervoroso de Hitler, ficou horrorizado com o entusiasmo inicial deles. E a influência da família e dos amigos gradualmente começou a fazer efeito.

Os irmãos, finalmente incapazes de reconciliar suas próprias inclinações liberais com a política do Terceiro Reich, e percebendo a forma como os conhecidos e artistas judeus eram tratados, começaram a ver o regime com olhos cada vez mais críticos.

E na época em que Hitler invadiu a Polônia, Sophie já fazia oposição ao führer.

Enquanto jovens alemães eram enviados para lutar, ela escreveu, com amargura, a seu namorado Fritz Hartnagel, que também era soldado: “Não consigo entender como algumas pessoas continuamente arriscam a vida de outras. Nunca vou entender e acho que é terrível. Não me diga que é para a pátria.”

Sophie seguiu os passos de seu irmão Hans e ingressou na universidade de Munique, onde ele estudava medicina.

Os irmãos tinham o mesmo grupo de amigos, que diziam ter se unido pelo apreço mútuo pela arte, cultura e filosofia. Sophie, que estudou medicina e biologia, gostava de dançar e tocar piano, e era uma pintora talentosa.

Mas aqueles eram tempos violentos. Eles viviam em uma ditadura e estavam determinados a resistir.

‘Não seremos silenciados’

Havia apenas seis membros do grupo Weiße Rose (Rosa Branca, em português), originalmente fundado pelo irmão de Sophie, Hans Scholl, e seu amigo Alexander Schmorell. A eles, se juntaram Sophie, Christoph Probst e Willi Graf, e um de seus professores, Kurt Huber.

Apoiados por uma rede de amigos e simpatizantes, o grupo imprimia e distribuía folhetos, incentivando os cidadãos a resistir ao regime nazista, denunciando o assassinato de judeus e exigindo o fim da guerra.

“Não seremos silenciados”, diz um planfleto, “nós somos sua consciência pesada, a Rosa Branca não o deixará em paz.”

O grupo produziu seu sexto panfleto no início de 1943.

“O nome alemão ficará para sempre danificado se a juventude alemã não se sublevar, vingar e pedir perdão ao mesmo tempo, esmagar seus algozes e encontrar uma nova Europa espiritual.”

Seria o último.

Em 18 de fevereiro de 1943, Hans e Sophie distribuíam os panfletos na universidade.

Não está claro por que Sophie subiu até o último andar que dava para o átrio arejado do prédio principal da universidade e jogou uma pilha de panfletos sobre a balaustrada. A maioria presume que ela queria que o maior número possível de alunos os visse.

Mas, enquanto os papéis caíam no chão, ela foi observada por um zelador que a entregou à Gestapo – a polícia secreta nazista.

Ela e o irmão foram interrogados e, após um julgamento-espetáculo, condenados à morte. Eles se recusaram a trair o restante do grupo, mas as autoridades os rastrearam de qualquer maneira. Em poucos meses, todos os membros foram executados.

Na manhã em que foi para a guilhotina, Sophie, de 21 anos, disse:

“Um dia tão lindo e ensolarado, e eu tenho que ir… O que importa a minha morte, se através de nós, milhares de pessoas são despertadas e movidas para a ação?”

Essas palavras, sua bravura, ainda hoje são honradas na Alemanha, onde escolas e estradas levam seu nome e o de seu irmão. É motivo de pesar para alguns que os outros membros do grupo Rosa Branca sejam homenageados de forma menos proeminente.

E seu nome é facilmente explorado.

Houve indignação quando, há alguns anos, o partido de extrema direita AfD publicou o slogan “Sophie Scholl teria votado no AfD”. Em um comício contra as medidas da covid em Hanover em novembro passado, uma jovem pulou no palco e se comparou a Sophie Scholl.

Mas, no que seria seu 100º aniversário, a casa da moeda alemã está emitindo uma moeda comemorativa, haverá serviços religiosos dedicados e há um novo canal no Instagram dedicado à vida dela.

Muitos alemães refletirão serenamente sobre a vida de uma jovem cuja coragem e convicção ainda movem corações e mentes hoje.

Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/mundo/sophie-scholl-a-corajosa-estudante-alema-que-resistiu-a-hitler-e-foi-condenada-a-morte,ba85d2a67e26ce6dff7d1ba9a3621dfc8tpt261t.html

agência de notícias anarquistas-ana

Lanternas quebradas
pirilampos precavidos
não vagam na noite.

Urhacy Faustino

 

 

[Chile] O Movimento Solidário Vida Digna relata sua experiência de organização e luta

Somos uma organização territorial de caráter libertário que há mais ou menos 10 anos se desdobra nas comunidades La Bandera, no bairro de San Ramón, José María Caro em Lo Espejo e La Pincoya-El Barrero em Huechuraba, na capital do Chile, Santiago. Atualmente, se federaram iniciativas sociais que agrupam vizinhos através de Escolas Comunitárias, Redes de Abastecimento, Comitês de Afinidades e Assembleia de Mulheres e Homens, onde se pretende trabalhar de maneira integral em nossos bairros populares a construção de comunidades organizadas em resistência. A revolta popular iniciada em 18 de outubro, nitidamente modificou o cenário político no qual nos desenvolvemos como organização.

Isto gerou oportunidades para nos enraizar no território, o que exigiu uma readequação do repertório organizativo que estávamos desdobrando antes de outubro. Assim, nos vemos na necessidade de atualizar a organização do Movimento Solidário Vida Digna, já que tudo está diferente. Nesse sentido, diante das áreas que já vínhamos desenvolvendo no território, como moradia (comitês de afinidades Amo Minha Casa e Angelica Huly em La Bandera, comitê de luta pela vida digna na comunidade José Maria Caro e grupo de afinidades de La Pincoya-El Barrero) e feminismo (Assembleia de Mulheres de La Bandera e Círculo de Mulheres de La Pincoya-El Barrero), se somaram outras inéditas para nossa organização, como abastecimento (Rede de Abastecimento de La Bandera e Rede de La Pincoya) e comunicação (Agitação e Propaganda La Bandera).

Este crescimento e adequação de nossa organização permitiu que nossa estratégia de mobilização e de construção libertária a nível territorial, se projete na criação, fortalecimento e multiplicação de comunidades organizadas em resistência sob a capacidade de autogestionar seus territórios de maneira integral. Esta estratégia é dual, no sentido de prefigurar processos de autoconstrução que alimentem os territórios de autonomia, e gerem projetos alternativos de organização, a par de experiências de lutas e conflitos reivindicativos, associados a problemas e necessidades concretas e pontuais que permitam garantir direitos sociais.

Nesse marco, para conseguir a consolidação das organizações a partir do desenvolvimento de capacidades próprias em nível de autoconstrução, fortalecendo, por sua vez, a luta reivindicativa por direitos sociais, devemos desenvolver diferentes dimensões de luta:

(a) Protagonismo Popular: Esse protagonismo deve ser construído não apenas nas lutas, mas também na vida cotidiana dos comitês de afinidades e toda organização que se considera de base. Esse protagonismo deve ir acompanhado da geração de uma confiança nas próprias forças. As famílias dos Comitês, pessoas sócias da Rede de Abastecimento, mulheres na Assembleia de Mulheres, devem poder olhar para si mesmas e para sua organização com fé em suas possibilidades, saber do que são capazes como grupo organizado, e o que se pode obter com a força da união. A confiança nas próprias forças se gera lutando, obtendo vitórias e lições úteis para continuar a marcha.

Por sua vez, as organizações devem:

(a.1) Se adequar segundo as necessidades e capacidades do território, em virtude de sua própria força e suas capacidades organizativas.

(a.2) Promover a participação na planificação e decisão da comunidade, tornando vizinhos participantes nos afazeres da organização.

(b) Territorialidade e enraizamento: Uma territorialização efetiva da organização deve permitir interagir, incluir e organizar(nos) com as diferentes pessoas atuantes que existam, porque os territórios são a nossa trincheira de luta, onde podemos tecer vínculos de autonomia. Assim, uma perspectiva territorial de trabalho deve estar orientada ao assentamento de movimentos de base com enraizamento comunitário e uma perspectiva de inserção a nível local, que supere formas obsoletas de organização no trabalho e na casa.

Nesse sentido, como as famílias de nossos Comitês de Afinidades em sua maioria pertencem aos territórios onde trabalhamos, devemos apontar ao envolvimento nessas ações de resistências. Pois bem, devemos somar mais pessoas e famílias de nossas comunidades que se bem não pertencem a nossos comitês, estão interessadas em se organizar. Para resistir nesse contexto, devemos gerar outras iniciativas de organização de base para resolver problemas, como as redes de abastecimento, brigadas de agitação e propaganda, o que nos permitirá criar, fortalecer e multiplicar nosso desdobramento e capacidade de luta a nível territorial.

(c) Integralidade: Tanto na convulsão social [estallido] como na atual pandemia, nos damos conta que o desenvolvimento da luta reivindicativa por direitos sociais, como a moradia, se gera protagonismo popular, sozinha não é capaz de fortalecer a autogestão dos territórios e o desenvolvimento e construção de comunidades organizadas em resistência. Insistimos: este cenário de aumento da precarização é uma oportunidade para diversificar as áreas de autoconstrução e ajustá-las às necessidades e ritmos das famílias e territórios, incorporando e convidando mais pessoas para se organizar. Com isso, podemos ter uma perspectiva direta das comunidades no território, e conectando a autoconstrução e a luta reivindicativa com um horizonte político definido.

Considerando tudo isto, acreditamos que é necessário mencionar nossa proposta frente a atual conjuntura, que ainda está se construindo em nossos espaços de base e, portanto, não é definitiva. Distantes do eleitoralismo que muitas organizações sociais e políticas estão calculando a propósito do processo constituinte, como Movimento Solidário Vida Digna, queríamos enfrentar esta conjuntura de outra maneira. Em vez de levar candidatos ao circo eleitoral, nós preferimos iniciar um processo de Campanha de Luta pela Vida Digna, que aproveite o ânimo de politização inaugurado em 18 de Outubro, para fazermos o mais social possível, convocando as organizações sociais a desenhar uma campanha que tenha como norte a construção programática, por um lado, e a coordenação e unidade na luta e ação por outro.

Para finalizar, acreditamos que nos encontramos em um momento onde a audácia, astúcia, agilidade e vivacidade das organizações, dado este contexto de pós convulsão social [estallido] e pandêmico, deve desembocar na criação, fortalecimento e multiplicação de organizações de base de diferentes tipos. Estas organizações devem resolver de forma autogestionária as múltiplas e complexas necessidades que vão surgindo nos territórios, para potencializar a capacidade da comunidade organizada de resistir à atual crise civilizatória, lutando em defesa da vida. Se conseguimos coordenar essa trama social organizada em um Programa de luta e coordenação de ações em um só guarda-chuva, como a Campanha de Luta pela Vida Digna, poderemos enfrentar de melhor maneira a atual conjuntura que se aproxima.

Fonte: Boletim Intermitente Sedición # 8, Santiago de Chile, março 2021. Número completo acessível em https://lapeste.org/wp-content/uploads/2021/03/SEDICION8.pdf

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

no arco-íris
os sonhos coloridos
a chuva leva

Núbia Parente

[Porto Alegre-RS] Toda Policia é Assassina

Duas faixas, cada uma em uma área metropolitana de Porto Alegre (RS), hoje falaram: Toda Policia é Assassina.

Ainda que seja óbvio, lembrar de que Toda Policia é Assassina, diante da chacina que cometeram na Favela do Jacarezinho no Rio de Janeiro (RJ), e da chacina na Colômbia, se faz urgente para lembrar que estamos em guerra.

O armamento pesado, de uso restrito, a preparação profissional em armas, tiro e conflitos, assim como a proteção do Estado, com as quais se beneficiam os policiais, os situa no patamar da covardia quando usam isso tudo atirando para matar contra pessoas feridas, encurraladas e, muitas das vezes, desarmadas.

Todos que defendem a polícia são cúmplices de todas as mortes em mãos do Estado, esses que se apresentam como os bons cidadãos se orgulham do bom comportamento de seus cães de guarda. A maior parte das pessoas somos nada para qualquer bom cidadão.

Mas quem apanha nunca esquece. O Estado e a cumplicidade cidadã alimentam, com motivos que sobram, a vontade de revidar contra eles. 

Nenhuma polícia está isenta de ter sangue em suas mãos, para isso é que são treinadas. E qualquer partido que pretenda o controle do Estado pretende o controle da polícia. Não tem opção, para terminar com os assassinatos policiais precisamos terminar com o Estado. Eis a urgência de entender a guerra social e tomar outra atitude nela, não apenas as de vítimas.

Alguns anarquistas.

agência de notícias anarquistas-ana

minha sombra
com pernas mais longas
não me afasta

André Duhaime

[Portugal] Lançamento: O Apoio Mútuo | Um Factor da Evolução, de Piotr Kropotkine

Nem o poder esmagador do Estado centralizado nem as lições de ódio mútuo e de luta sem quartel que nos são ministradas podem arrancar o sentimento de solidariedade profundamente implantado no espírito e no coração dos homens.

Obra marcante do célebre anarquista russo, O Apoio Mútuo (1902) é um dos primeiros estudos sistemáticos da entre-ajuda em comunidades humanas e animais. Respondendo aos defensores do darwinismo social — para quem o progresso resulta da feroz competição entre indivíduos e da sobrevivência dos mais aptos —, Kropotkine propõe, baseado em registos históricos e detalhadas observações, que a cooperação é o verdadeiro factor da evolução. Ao mostrar que as pessoas tendem espontaneamente para a ajuda mútua, e que é o Estado, com a sua ânsia de regular colectividades e defender privilégios privados, que corrompe esta inclinação natural, Kropotkine constrói a defesa do anarquismo e apresenta uma base científica para a organização da vida em sociedade. Texto essencial para compreender os fundamentos anarquistas, combinando a erudição de um cientista experiente com o discurso poderoso de um libertário, O Apoio Mútuo não só conserva a sua actualidade, como encerra a clarividência e o optimismo de que precisamos nos nossos dias.

Título original Mutual Aid: A Factor of Evolution

Posfácio Stephen Jay Gould

Tradução Miguel Serras Pereira

Tradução do posfácio Ester Cortegano

Ilustração da capa Rui Silva

1.ª Edição 2021

Páginas 376

ISBN 978-972-608-375-7

Preço €17.00

antigona.pt

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Não sei teus gestos
nem a cor do teu sorriso
mas pressinto os passos.

Eolo Yberê Libera

[Equador] Bastidores do início das ideias anarquistas no país

Por Germán Rodas Chaves | 28/03/2021

A triunfante revolução de 1895 no Equador se preocupou da organização de núcleos sociais de suporte a seu processo político. Devido a esta realidade, por exemplo, impulsionou o trabalho do ativista cubano Miguel de Alburquerque, que dedicou muitos esforços na formação de organizações obreiras vinculadas ao projeto liberal. Aquela circunstância ocorreu, também, posto que Eloy Alfaro e Alburquerque estiveram unidos por uma velha amizade, que se iniciou no Panamá na década dos anos oitenta do século XlX.

Alburquerque, cuja formação doutrinária liberal e radical também esteve impregnada do anarquismo, contribuiu em Guayaquil na fundação da Sociedade de Socorros Mútuos, Instrução e Recreio, “Hijos del Trabajo”, constituída em fevereiro de 1896.

Anos mais tarde organizou junto a dirigentes gremiais da época a Confederação Obreira de Guayas, instituída em dezembro de 1905, a mesma que editou o jornal Acción Social, sob iniciativa e direção do militante cubano.

Ao mesmo tempo em que ocorriam os incidentes anotadas, foi se desenvolvendo um particular acontecimento na região: em efeito, a corrente anarquista que chegou a Argentina, Brasil, Chile e Uruguai, a propósito da chegada a esses países de migrantes europeus se divulgou graças à informação que estes viajantes trouxeram a respeito da injusta situação que vivia a classe obreira no Velho Continente e das formas contestatórias e organizativas que tais setores, e outros grupos sociais haviam optado frente a dito entorno; tudo isso mais além da difusão de textos e escritos referentes a esta corrente política, que começaram a circular em nossas latitudes.

A difusão das ideias anarquistas se facilitou, igualmente, devido ao trânsito de cidadãos – muitos deles trabalhadores que trabalhavam em barcos comerciais – que transpuseram as primícias da luta anarquista em determinados países no sul da América Latina.

As rotas assinaladas para que o anarquismo se expandisse, confluíram – do mesmo modo que em outros lugares do continente – na cidade de Guayaquil, em cuja realidade este pensamento teve atração nos setores sociais emergentes; tudo isso mais além da aproximação a esta concepção política dos círculos de intelectuais que, mais com curiosidade metropolitana, perguntaram sobre esta doutrina.

Os primeiros traços evidentes do anarquismo no país se evidenciaram em 1896 em Guayaquil, quando o grêmio de carpinteiros realizou o que se considerou a primeira greve no Equador, protesto que demandou a redução da jornada laboral a nove horas e o aumento salarial; também foi indubitável tal ascendente, em 1898, quando a Sociedade União de Padeiros declarou uma greve, exigindo aumento de seus salários.

Ao longo do primeiro quarto do século XX, a concorrência do anarquismo foi muito importante na luta, particularmente do setor laboral. De alguma maneira – como o assinalou – a fundação da Confederação Obreira do Guayas aconteceu com a orientação do anarquismo; o próprio ocorreu quando os grupos de obreiros negros, que foram trazidos da Jamaica para a construção da estrada de ferro, ao final de seu trabalho, em 1908, realizaram reivindicações laborais e a exigência dos pagamentos a seu trabalho acompanhados de jornadas de protesto de enorme dramatismo.

A influência do anarquismo no movimento sindical foi, entre 1915 e 1925, importante e seu desenvolvimento -sempre em Guayaquil- ocorreu nas fileiras dos núcleos laborais que se ativaram para defender seus direitos. Tudo isso aconteceu,  adicionalmente, em meio das disputas entre alguns personagens vinculados com a orientação anarquista, cujos desencontros ocorreram ao redor das considerações táticas e estratégicas para enfrentar o modelo social da época e, nesse contexto, no afã por conseguir incidência em determinados grêmios guayaquilenhos.

Na segunda década do século XX apareceram alguns jornais de viés anarquista. Tal foi o caso do jornal Bandera Roja, que saiu em 1920 e que falava da necessidade de constituir um Centro Socialista. Pouco tempo depois se formou o Centro de Organização Sindicalista, que deu origem ao jornal El Proletario. Circulou em 1920 e sua inicial responsabilidade editorial esteve em mãos do anarquista chileno Segundo Llanos – casado com uma irmã do conhecido anarquista equatoriano Abel González, um dos redatores de El Proletario – e quem entregou, logo, a redação deste jornal ao então anarquista Luis Maldonado Estrada. Neste jornal colaboraram personagens como Manuel Echeverría, Justo Cárdenas, Narciso Véliz e Alejo Capelo, todos eles anarquistas confessos.

Neste mesmo jornal apareceram, em diversas entregas, textos do Centro Feminista Guayaquilenho Rosa de Luxemburgo reivindicando a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Tais escritos foram de responsabilidade coletiva, entre outras, de Rosario González, Ofilia Marchan, Clara Rodas, María Santos, Vicenta Rodríguez, Virginia Sarco, Mariana Moncayo e Cira Casares.

Em 1921 apareceu a publicação Alba Roja, que provinha do grupo anarquista Verbo e Acción, ao qual pertenceram Colón Serrano, Tomás Mateus e Francisco Yllescas, um núcleo de intelectuais guayaquilenhos que aderiu as teses do anarquismo a partir da leitura – entre outros – do escritor colombiano José María Vargas Vila.

Como afirmei, a presença do anarco-sindicalismo na história equatoriana teve impacto até finais do século XlX e no primeiro quarto do século XX; aquilo foi possível, pois em tal período – particularmente na Costa equatoriana e de maneira principal na cidade de Guayaquil – surgiu um modelo agroexportador e bancário, que também trouxe consigo o aparecimento de certa atividade industrial e, com tudo isso, a configuração de pequenos grupos obreiros e artesanais que se sentiram convocados com as teses anarquistas para impulsionar suas aspirações socioeconômicas e suas reivindicações fundamentais.

> Germán Rodas Chaves: Historiador e escritor. Membro da Academia Nacional de História.

Fonte: https://www.elcomercio.com/tendencias/anarquismo-ecuador-historia-obreros-sindicatos.html#.YGCaeSI8V64.twitter

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

lua alta
céu claro
o som da folha caindo

Alexandre Brito

Crimes da extrema-direita atingem alta recorde na Alemanha

A segurança está aparecendo como um tema político central antes da eleição nacional de setembro. Crimes violentos considerados de natureza política aumentaram em quase 20% na comparação anual.

A Alemanha testemunhou no ano passado um grande aumento de crimes de motivação política, e delitos cometidos por apoiadores da extrema-direita atingiram uma alta recorde, informou o ministro do Interior, Horst Seehofer, nesta terça-feira.

Os delitos da extrema-direita aumentaram quase 6% em relação ao ano anterior e chegaram a 23.064, representando mais da metade de todos os crimes de motivação política – o nível mais alto desde que a polícia começou a coletar tais dados em 2001.

Os crimes violentos considerados de natureza política aumentaram em quase 20% na comparação anual e chegaram a 3.365, incluindo 11 homicídios e 13 tentativas de homicídio, disse Seehofer.

“Estes números são muito alarmantes, principalmente porque uma tendência se estabeleceu ao longo dos últimos anos”, disse. “Durante a pandemia, observamos uma polarização adicional do debate político.”

A segurança está emergindo como um tema político central antes da eleição nacional de setembro. A inteligência alemã teme que ativistas de extrema-direita estejam tentando explorar a frustração pública com os lockdowns impostos para deter a disseminação da Covid-19 para incitar a violência contra instituições estatais.

Entre os homicídios de motivação política recentes está o assassinato a tiros de nove pessoas em bares de narguilé cometido por um atirador racista em Hanau, uma cidade do oeste alemão, e um ataque a faca de um sírio contra um casal gay de Dresden que deixou um morto, disse Seehofer.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

A neve cai mais forte
quando me detenho
de noite na estrada.

Kito

[Espanha] O EZLN a caminho da Europa. Uma montanha navegando a contrapelo da história.

Por Elena Martínez | CNT Sierra Norte

Uma invasão consentida. Assim dizem elas, eles, elxs. As/os/es companheirxs Zapatistas. Vêm à Europa para compartilhar, para dar uma volta nesse patamar da vida que se enrosca no capitalismo e no patriarcado uma e outra vez. Querem fazer o caminho de volta cruzando o Atlântico para nos trazer sua revolução. Para nos contagiar dessa rebeldia que soma e essa resistência que cresce. E se em algo querem nos conquistar, é em construir um mundo em que caibam muitos mundos, porque sabem que isso não impede de somar, entrar em consensos, construir espaços comuns. Odeiam as guerras. As violências. Sua arma é a palavra.

Esta pandemia que nos tem amarradas não lhes importa, mas seguem todas as precauções próprias de quem sabe cuidar da saúde coletiva. Estão em quarentena durante quinze dias na réplica da embarcação que construíram na “sementeira Comandanta Ramona”.

As dificuldades que envolvem cruzar o oceano Atlântico em um cargueiro tampouco as/os/es detiveram. Vêm com seu olhar no horizonte para levar para longe, o mais longe possível, seu pensamento, esse que vive no coração. E para compartilhar também o nosso.

Aos 20 anos da Marcha da Cor da Terra, Zapatistas, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) e o Congresso Nacional Indígena (CNI), entre os que se encontra a Frente de Povos em Defesa da Água e da Terra de Morelos, Puebla e Tlaxcala, vem “para dizer ao planeta que, no mundo que sentimos em nosso coração coletivo, há lugar para todas, todos, todoas. Simplesmente porque esse mundo só é possível se todas, todos, todoas, lutamos para levantá-lo”.

Vêm “buscando não a diferença, não a superioridade, não a afronta, muito menos o perdão e a lástima”. Vêm para encontrar o que nos faz iguais, para compartilhar conosco esse sonho comum que desde sempre a humanidade teve: a busca da justiça, da igualdade, da liberdade e da solidariedade.

Na casa de trinta países europeus se preparam para recebê-lxs. Desde que se conheceu a notícia, coletivos de toda Europa estão se organizando, e desde Outubro do ano passado se preparam agendas, financiamentos, espaços e atividades. Esta Revolução que foi possível, que segue viva, quer ampliar horizontes. Acender essa chama que ponha fim a um sistema depredador que nos afoga. Querem colocar a Vida no centro, e falam de Humanidade. Querem que essa chama que acenderam naquele primeiro de janeiro de 1994 se estenda como um caminho de pólvora por toda a superfície deste mundo impossível que caminha ao desastre. E seu grito tem a voz da Terra e ao sabor da esperança.

“Escutaram? É o som de seu mundo caindo. É o do nosso ressurgindo”.

Organizadxs em territórios, desde a península ibérica, centenas de coletivos se coordenaram nesta aventura, e abaixo e à esquerda, aprendemos e desaprendemos a entrar em consensos, a dividir a trabalhar no melhor dos ideários do zapatismo, e nesse caminho se desperta a consciência e se avivam as ânsias de revolução.

Também participamos muitas companheiras e companheiros da CNT. Desde a Regional de Extremadura com cinco sindicatos. Cáceres-Norte, Cáceres, Trujillo, Badajoz e Mérida. De Catalunya-Balears, Premiá, Sabadell y Cornellá de Llobregat e comarca. Em Madrid, Comarcal Sur, Aranjuez, Sierra Norte e o núcleo de Colmenar Viejo. O Sindicatos de Aragón-Rioja, Huesca, Zaragoza, Teruel, Fraga, e CNT Málaga, CNT Miranda, CNT Burgos e CNT Sabadell. Vinte sindicatos e um núcleo.

Sabendo que xs compas preferem “uma tour pelas ruas e bairros onde A libertária enfrenta ao fascismoem suas diferentes acepções, assembleias comunitárias e sindicais, bairros e fábricas, acampamento de imigrantes, conhecer os povoados da Espanha esvaziada, as zonas rurais, os esforços na defesa da natureza, as lutas contra megaprojetos e contra todo tipo de imposições em nome ou não do progresso e da civilização”, esperamos vocês com inquietação e muita alegria. Com vontade de dividir e praticar de tudo em comum, desse mundo novo que levamos em nossos corações.

Foram muitos meses de assembleias, mas aqui estamos, e este próximo 3 de maio zarpa por fim a primeira delegação Zapatista desde Isla Mujeres, Quintana Roo, México. No esquadrão 421. Sete compas, sendo quatro mulheres, dois são humens e uma é outroa. Lupita, Carolina, Ximena e Yuli. Bernal e Darío. Mas será Mariajose quem primeiro pisará nesta terra a torto e a direito. E o sub Galeano fazia uma piada sobre o que gritará Mariajose primeiro ao pisar o solo europeu: “Rendam-se caras pálidas hétero patriarcais que perseguem o que é diferente!!”

E vêm até esta terra que é sua meta sem duvidar e com um sorriso. Olhando para o horizonte onde sai o sol do oriente. Navegando em La Montaña, que é como se chama o cargueiro em que zarparam rumo a nossas costas. Pela metade do mês de junho chegarão às costas galegas.

Uma montanha navegando a contrapelo da história. Para semear sementes de liberdade. Para que se desperte de uma vez por todas a consciência coletiva e se abandone o individualismo e a submissão desta Europa esquizofrênica.

Esperamos vocês. Não duvidamos que sairá o arco íris sobre todo o planeta Terra e se escutará um  grito unânime de despertar. Boa viagem, companheirxs! Esperamos vocês!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/el-ezln-camino-a-europa-una-montana-navegando-a-contrapelo-de-la-historia/

Tradução > Caninana

agência de notícias anarquistas-ana

Roupa no varal —
O brilho da lua se estende
entre os grampos

Alvaro Posselt

[Chile] Comunicado de fim de greve de fome

Aos povos, indivíduos, comunidades e territórios em luta e resistência.
A quem se rebela frente a este presente de opressão e miséria.
À nossas manadas, famílias, amigxs, cumplicidades, companheirxs e amores espalhados pelo mundo.
A todxs!!

“As ideias sem ações não valem nada, é merda teórica, portanto a ideia e a ação devem ser e são uma mesma coisa” -Mauricio Morales-

Xs presxs anarquistas e subversivxs da guerra social:

– Mónica Caballero Sepúlveda na cárcere feminina de San Miguel.
– Marcelo Villarroel Sepúlveda, Juan Flores Riquelme e Joaquín García Chanks na cárcere de alta segurança (CAS).
– Francisco Solar Domínguez na Seção de Máxima Segurança.
– Pablo Bahamondes Ortiz no Módulo 2 da prisão-empresa Santiago 1.
– Juan Aliste Vega na CAS aderindo, mas não em greve por razões médicas, declaramos:

Nossa decisão de finalizar a mobilização de greve de fome líquida depois de 50 intensos dias de agitação e ação na prisão e nas ruas, em um marco de alto controle e repressão social, contra a perpetuidade das penas, pela revogação das modificações no Decreto de Lei 321 e pela liberdade de nosso companheiro Marcelo Villaroel!!

Depois de todo esse tempo ativxs, damos conta que hoje tomamos a determinação de colocar fim à mobilização, com o coração cheio de alegria, recebendo com cumplicidade anárquica e subversiva cada um dos gestos e iniciativas levadas a cabo durante o transcurso da mobilização.

Na Suécia, Finlândia, Grécia, Itália, Catalunha, Euskadi, estado espanhol, Alemanha, México, Guatemala, Costa Rica, Peru, Bolívia, Colômbia, Brasil, Uruguai, Argentina, Chile e em muitos outros territórios onde há Resistência e Ofensiva, nasceram iniciativas cúmplices e solidárias de companheirxs, que de múltiplas formas atuaram e atuam abraçando nossas batalhas neste presente momento de prisão.

Desde as garras do inimigo, manifestamos novamente que aqui estamos, longe do silêncio, motivadxs e coerentes, dando continuidade à uma vida de insubmissão e rebeldia, lutando desde a prisão pela possibilidade de uma plena liberdade individual e coletiva, sempre apontando para a destruição do sistema de dominação em todos os seus dispositivos de controle. Essa é e será a essência de nossas vidas e hoje, enquanto sequestradxs, somos enfáticxs em afirmar que estamos orgulhosxs de termos entrado contra todo o prognóstico no agitado caminho da guerra social.

Por isso, encontramos no caminhar da ação, que supõe a prática coletiva, passos importantes para o desenvolvimento de nossa integridade individual, reconhecendo nossas diferenças. E, superando-as, nós buscamos novos caminhos comuns com xs que olham para o pensamento com a crítica aguda da negação; hoje nos sentimos mais cômodxs e unidxs que nunca, como corpo, em pé de guerra, prontxs e dispostxs a continuar com essa e todas as batalhas que nasçam fruto de nossas lutas. É o método, é a forma, que deixaremos momentaneamente de lado; a chispa, a essência que deu iniciativa ao uso dessa ferramenta se encontra intacta; intacta e satisfeita de seu atuar consequente. Porque somos capazes de estabelecer vínculos reais enquanto nos apresentamos com autenticidade e decisão, mas não existem fórmulas perfeitas, senão que é a própria prática do viver que nos une na ação da luta cotidiana contra o poder e toda sua realidade de opressão e miséria.

Assumimos como avances sólidos mediante a luta, dentro e fora da prisão, colocar em evidência para todo o mundo a existência do DL 321 e a prisão perpétua encoberta que ele contém, evidenciando que não necessitamos de canais institucionais para isso e que nossas vozes amplificadas conseguem ser escutadas como verdades prisioneiras que luta pela liberação total, que também desmascaram a aberração jurídica que representa com a cumplicidade de toda a classe política que afirma o poder.

Igualmente conseguimos articular uma luta desde diferentes centros penitenciários e territórios, e desde distintas tendências revolucionárias antiautoritárias com base na solidariedade subversiva que soube reunir-se em critérios comuns. Claramente este grupo de companheirxs prisioneirxs, junto com suas redes cúmplices e solidárias em diferentes lugares do planeta, sai fortalecido, contribuindo com a fraternidade internacionalista pela demolição das prisões e com a luta anticarcerária em cada território.

O estado de mobilização permanente seguirá sendo um todo de cumplicidades e, com certeza, de amores em guerra.

Além disso, assumimos como avances substanciais na linha de nossas exigências:

– O ingresso de uma cautela de garantia a favor de Marcelo Villaroel pela violação de seu direito ao processo de liberdade condicional.
– A devolução de 665 dias, reconhecidos como abono, ao atual cálculo de penas de Juan Flores Riquelme.
– A ativação de um dispositivo jurídico no plano de questionamento profundo ao DL 321 e suas nefastas implicações nas prisões do Estado, que existe um pronunciamento comprometido por parte do INDH.
– A atenção e intervenção específica de outros estamentos sobre o regime de isolamento vivido na Seção de Máxima e Alta Segurança.
– A não aplicação de castigos pela participação na greve de fome.

Sabemos que nossa batalha cotidiana contra a prisão está cheia de sinuosidades, mais ainda estando em diferentes cárceres e situações legais e intrapenitenciárias, mas o essencial tem sido o acordo claro de todo nosso universo ativo de companheirxs, que não renunciamos em nenhum momento em nosso objetivo de liberação total.

Milhares de aprendizados surgem desses 50 dias sem pausas. O essencial está na potência de nossas convicções, que desde a mais profunda horizontalidade, em afinidade e apoio mútuo, conseguiu, por meio da ação multiforme, posicionar nossas exigências em muitos idiomas e territórios diferentes, conseguindo aprofundar a luta anticarcerária do presente.

É aqui e agora que nosso chamado segue sendo de persistência e ação, elevando os níveis nas ações, buscando fortalecer aquilo que nos une mais do que nos separa, pois o caminho traçado foi, é e será de luta constante e milimétrica, que requer as mais amplas experiências e vontades.

Este tempo de luta irredutível foi um belo ato coletivo que alcançou unificar tempos, refletindo a continuidade das lutas insurrectas que são parte das multiformes batalhas da guerra social.

Esta mobilização que durou um tempo considerável, é a soma de todo o ódio e raiva transformados em ação, não tem barreira alguma para impedir nossa posição desafiante contra qualquer forma de domínio. Nossa condição de presxs subversivxs e anarquistas se manifesta em tal prática, que transcende tempos e encarceramentos.

Agitar as águas até que elas consigam mover as pedras.

“Escolhi a luta para mim. Viver na monotonia das horas arrastadas do medíocre, dos resignados, dos acomodados, das convivências, não é viver, é somente vegetar e transportar em forma ambulante uma massa de carne e ossos. É necessário brindar a vida com a estranha elevação do braço e da mente.” -Severino di Giovanni-

Assumimos este tempo como um ponto de inflexão neste universo de companheirxs presxs subversivxs e anarquistas que vivemos na prisão real por anos, recebendo a covarde vingança do estado.

Nossa opção sempre foi a luta junto axs nossxs irmãxs, sem esconder nada, aprendendo dia a dia com nossas quedas e erros, sempre nos fazendo no combate e jamais na renúncia.

Este tempo mobilizadxs, apesar do silêncio total do poder e de sua imprensa servil, foi fecundo em gestos solidários múltiplos que reconhecemos, admiramos e respeitamos. A quem se lança ao ataque, a quem multiplica e amplifica a voz enjaulada, a quem abraçamos com total apego e lealdade, a cada companheirx que resiste após décadas de prisão e longas penas, a nosso irmão Juan Sorroche Fernández, hoje prisioneiro na cárcere de Terni, Itália, a seu coração irredutível; a Pola Roupa e Nikos Maziotis, fraternidade revolucionária, axs cúmplices de todas as regiões e territórios, amores em guerra.

Pensamos e nos solidarizamos com xs exploradxs e rebeldes em revolta na região colombiana, hoje açoitada pelo paramilitarismo nazi-fascista de Estado.

Pensamos e nos irmanamos na Memória Negra do Punky Mauri, em seu passo à ofensiva, em seu caminhar que se enlaça com o fluir permanente de corações negros que seguirão fazendo estalar as cloacas do poder; é a aposta no movimento da nova guerrilha urbana; é a resistência em Wallmapu; é a consciência irredutível sem amos nem escravos; são as cumplicidades eternas pela justiça é o tiro reivindicatório ao impune; é um caminhar sem retorno em busca da liberdade. É colocar o melhor de cada umx, defendendo nossa liberdade. Somos um todo de cumplicidade e luta. Igualmente, nossas lutas cotidianas seguem sendo:

– Pela extensão da solidariedade ativa com xs presxs subversivxs, anarquistas, da revolta e da liberação mapuche!!
– Pelo fim da prisão preventiva como ferramenta de castigo!!
– Acompanhamos a demanda mapuche de aplicar o Convênio 169 da OIT para a situação dos peñi e lamngen presxs por lutar.
– Pelo fim das condenações da justiça militar contra Juan e Marcelo!!

Mantemos cada exigência que nos motiva com urgência:

PELA REVOGAÇÃO DAS MODIFICAÇÕES AO DL 321!!
LIBERDADE PARA MARCELO VILLARROEL!!!

Abraçamos a todxs que nos acompanharam e com quem construímos e fortalecemos laços neste presente de luta autônoma anticarcerária.

Sem baixar o ritmo da ação, convocando a todxs que lutan contra o estado, a prisão e o capital.

Com a força imemorial de nossa presente e eterna avó Luisa Toledo!!

Seguimos!!!!

Nossa memória negra anticarcerária para Daniel Vielma, Ramiro Silva e todxs nossxs irmãxs que partido lutando com a vida.

COM DECISÃO DE LUTA ETERNA!!

ENQUANTO HOUVER MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!!

MORTE AO ESTADO E VIVA A ANARQUIA!!

NOSSA É A CONVICÇÃO!

TECENDO REDES, MULTIPLICANDO A CUMPLICIDADE AVANÇA A OFENSIVA INSURRECTA E SUBVERSIVA!!

NEM CULPADXS E NEM INOCENTES, INSURREIÇÃO PERMANENTE!!

CONTRA TODA AUTORIDADE, AUTODEFESA E SOLIDARIEDADE!!

PELA EXTENSÃO DA SOLIDARIEDADE COM XS PRESXS DA GUERRA SOCIAL, DA REVOLTA E DA LIBERAÇÃO MAPUCHE!!QUE AS PRISÕES ARREBENTEM!!

PELA REVOGAÇÃO DO ART.9 E RESTITUIÇÃO DO ART.1 DO DL 321 !!!!

MARCELO VILLARROEL E TODXS XS PRESXS SUBVERSIVXS, ANARQUISTAS, DA REVOLTA E DA LIBERAÇÃO MAPUCHE: PARA AS RUAS!!

Mónica Caballero Sepúlveda
Marcelo Villarroel Sepúlveda
Joaquín Garcia Chanks
Juan Flores Riquelme
Francisco Solar Domínguez
Pablo Bahamondes Ortiz
Juan Aliste Veja

Até destruir o último bastião da sociedade carcerária!!
Até a liberação total!!

Santiago,Chile
Segunda-feira, 10 de maio 2021.
50 dias e fim da greve de fome

Fonte: https://edicoesinsurrectas.noblogs.org/post/2021/05/10/comunicado-50dias/

agência de notícias anarquistas-ana

De que árvore florida
chega? Não sei.
Mas é seu perfume…

Matsuo Bashô

[Alemanha] Sem vitimização. Algumas palavras sobre o Primeiro de Maio em Berlim

“O 1º de maio, ontem uma onda de revoltas, é hoje o vulgar idílio daquilo que é consagrado pela aprovação do proprietário, da tagarelice, da ignóbil e barulhenta festança vermelha, enquanto que por toda parte, por toda parte, as hienas zombam, os roubos são organizados de forma mais exorbitante, a carnificina dos indignos é meditada de forma mais atroz […].

Para fazer com que no indiferente e festivo maio de hoje, a aurora ardente do 1º de maio de amanhã amanheça, e com suas chamas coruscantes a revolta de todos os dias contra todos os jugos da tirania e da exploração se acenda”.

– “Crônica Subversiva”, 2 de maio de 1914.

No dia 1º de maio uma corrente de pessoas tomou as ruas para participar do “1° de maio revolucionário”, a manifestação que todos os anos se desenrola pelas ruas de Berlim. Esta última apresentava algumas peculiaridades em relação aos anos anteriores. Em primeiro lugar, viu, tanto na organização quanto na participação, a agregação de mais realidades migrantes que trouxeram dentro das exigências do desfile questões como o anticolonialismo em uma perspectiva de luta de classes. Em segundo lugar, dada a perpétua e agora interminável “situação de emergência” que a cidade vive por causa do vírus, o desfile foi realizado sem o habitual contorno de babacas que participam do “Myfest”, a festa clássica do Dia do Maio que se realiza pontualmente em Kreuzberg, derramando no bairro centenas de milhares de pessoas na euforia de uma festa onde tudo é colocado para lucrar, da terra pública à música, da diversão ao excesso. Bem, normalmente a procissão do Primeiro de Maio, com suas reivindicações, com sua sede de conflito e com a determinação que sempre a distinguiu, sempre se encontrou neste clima de festa generalizada, festa concedida e já não conquistada, que parece querer se afogar sob rios de álcool e comercializar diversão não só a Ideia (este Inimigo explosivo abstrato… vamos beber!) do qual nasceu o Dia do Trabalhador, mas também os mártires, a tensão irreprimível que os levou a dar suas vidas por essa ideia, e aqueles que durante décadas sempre estiveram na linha de frente para reivindicar tudo isso. Este ano, a política ativa, no bom sentido da palavra, teve lugar nas ruas. Em termos de números, falamos de vinte mil participantes, escoltados por milhares de policiais (incluindo a polícia federal), chamados como sempre de outras regiões da Alemanha para defender a paz social e as chamadas regras (antigas e novas) anti-conflito. A manifestação foi dividida em vários blocos e animada por várias realidades.

Após deixar o distrito de Neukölln e marchar em direção a Kreuzberg, a polícia, usando como pretexto a habitual falta de respeito às regras anti-Covid, decidiu parar o cortejo, provavelmente de forma premeditada. Queremos deixar claro que não estamos surpresos ou ainda menos interessados no fato de que nossos inimigos planejaram desde o início quando, como e onde nos deter, não estamos surpresos com as táticas utilizadas para atingir seu objetivo. Estamos falando de polícias e de ser inquisitivos sobre o quão infames e covardes são, parece bastante ridículo. Certas vitimizações são seriamente embaraçosas. Certamente faz você sorrir a desculpa apresentada pelos empregados de uniforme para “justificar” as acusações, ou seja, a falta de proteção facial contra o contágio. Todos nós fomos bem representados. E também com muita vontade, ousamos dizer. De qualquer forma, após bloquear a manifestação, os policiais separaram o bloco da Interkiezionale dos demais, esperando ter um tempo fácil para prender e massacrar os anarquistas, esses estranhos e sombrios indivíduos vestidos de preto. Eles tinham feito cálculos errados. Após atacar com pontapés e socos o bloco em questão (na verdade também houve outros ataques em outros lugares, com os devidos contra-ataques) as pessoas e camaradas entraram em ação. Os policiais em pouco tempo perderam o controle das ruas e, sob uma chuva de pedras, garrafas e material gentilmente oferecido pelo canteiro de obras adjacente (entretanto invadido por dezenas de pessoas), foram forçados a reparar nas ruas laterais. Obviamente eles tentaram retomar a travessia, mas a descarga incessante de pedras e vidros os forçou, em mais de uma hora de confrontos, a inúmeras retiradas. Barricadas foram erguidas para impedir sua passagem. O fogo iluminou e aqueceu as almas daqueles que só sentem um ódio saudável, profundo e incontrolável por eles.

Viva o Primeiro de Maio.

Viva os mártires de Chicago.

Viva a Anarquia!

Abaixo está um cronograma incompleto de eventos (traduzido de kontrapolis.info):

18h00 – Cerca de 20.000 pessoas se reúnem na Hermannplatz para o desfile do “Primeiro de Maio revolucionário”. Blocos se alinhando.

19:00 – Com um atraso de uma hora, começamos. Os guardas tentam repetidamente retardar a marcha, comprimem-na e ao mesmo tempo exigem distâncias seguras. Os alto-falantes sopram palavras e música na rua, a procissão é muito misturada e todos estão cobertos. Exemplar. A polícia quase não aparece ao lado da procissão.

20:20 – No Neukölln Arkarden os policiais pressionam o bloco anarquista sem nenhuma razão. Quase metade da procissão, incluindo o “bloco de expropriação” e o bloco Interkiezionale, são acusados de violar a exigência de máscaras. Até recentemente, a arte do disfarce era proibida e os guardas, intimidados por todos aqueles rostos cobertos, sentiam a necessidade de se apressar para as manifestações, cobrando. Agora o que os intimida é a ausência de disfarce, aparentemente eles veem pessoas sem máscaras em todos os lugares! No entanto, todos nós fomos preparados! Quando chegam à Flughafenstrasse, tentam invadir a marcha.

20h30 – Algumas pessoas começam a rasgar o canteiro de obras na Fuldastrasse a fim de continuar. Pouco tempo depois os policiais os atacam, garrafas e pedras voam, barricadas são construídas.

21:00 – No auge do próximo bloco, há tensão com os guardas que continuam a manter a metade da manifestação bloqueada. Eles são esmagados por uma chuva de pedras, garrafas e ripas, as primeiras barricadas são incendiadas.

21:10 – A polícia perdeu completamente o controle do cruzamento das ruas Sonnenallee e Weichselstrasse. Vários esquadrões continuam a tentar chegar ao cruzamento, mas devem recuar sob a chuva maciça de destroços. As janelas da “BioCompanhia” se quebram, nas proximidades de um SUV que pega fogo.

21:20 – Os policiais de fora da cidade da Saxônia e Baden-Würtemberg têm dificuldade em recuperar o controle. Alguns deles são forçados a correr por suas vidas. Barricadas enquanto isso queimam em ambos os lados de Sonnenallee, uma que ocupa quase toda a rua e de certa forma lembra os incêndios do G20. Os primeiros policiais tentam entrar, mas são expulsos por uma chuva de garrafas.

21h30 – Mais e mais guardas chegam de todas as direções e lentamente recuperam o controle do cruzamento. Os confrontos continuam em direção à Hermannplatz e nas ruas próximas.

21:45 – As ruas ainda estão cheias de gente. Barricadas queimando na Panierstrasse e Weserstrasse. O helicóptero continua a sobrevoar o distrito de Neukölln e milhares de pessoas estão em movimento.

22:00 – O toque de recolher entra em vigor, lentamente a polícia recupera o controle da situação. As pontes para Kreuzberg 36 estão bloqueadas por cordões de policiais, há barreiras por toda parte e na Oranienplatz – a praça onde a manifestação deveria terminar – duas dúzias de caminhões e “Beleuchtungswagen” [veículos blindados da polícia equipados com torres de luz para iluminar grandes áreas à noite] guardam a área.

22:30 – Os ataques esporádicos às equipes policiais continuam, mas o vento mudou e agora sopra a favor da polícia.

23:00 – Uma série de foguetes e bombinhas explodem repentinamente de um pátio na represa de Kottbusser Damm. Os forasteiros da unidade BFE [unidades especiais de prevenção e prisão] de Baden-Wuerttemberg não ousam entrar. Berlim não é Friburgo.

24:00 – O Primeiro de Maio se foi.

Mais de cinquenta pessoas presas e detidas. No momento eles estão todos em liberdade, exceto três pessoas que estão sob custódia sob acusações de devastação e saque, assalto e ferimentos. 97 policiais foram parar no hospital.

Nos veremos novamente em 15 de maio, ao lado de nossos irmãos e irmãs da [okupa] Köpi para defender a Wagenplatz sob despejo!

Indivíduos anarquistas metropolitanos

Fonte: https://malacoda.noblogs.org/post/2021/05/07/senza-vittimismi-due-parole-sul-primo-maggio-a-berlino/#more-3613

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

tantos outonos
em uma paisagem
chuva nos pinheiros

Alice Ruiz

Comunicado sobre a Greve Nacional e as Jornadas de Protesto na Colômbia

Grupo Vía Libre, 8 de maio de 2021

Hoje a Colômbia vive uma das jornadas mais importantes de protesto social dos últimos anos; milhares de pessoas têm saído para expressar seu descontentamento com as políticas neoliberais do governo de Iván Duque. Por sua vez, o Estado tem respondido com desproporcionalidade, repressão e violência. Em 5 de maio, 24 pessoas foram informadas como mortas, 381 pessoas foram feridas, das quais 31 tiveram lesões oculares e 24 foram feridas por armas de fogo, 15 pessoas foram vítimas de violência baseada em gênero, 379 pessoas desapareceram e 1180 pessoas foram detidas¹. A seguir, apresentamos uma análise do protesto e esboçamos algumas tarefas para o momento presente.

A Lei de Solidariedade Sustentável e o contexto político no qual ela está ocorrendo

Em abril passado, os três sindicatos centrais do país (CUT, CGT, CTC) e algumas organizações sociais fizeram um chamado geral para uma greve e mobilização nacional para 28 de abril, pedindo principalmente para se oporem à terceira reforma tributária introduzida pelo governo do uribista e ultradireitista, Ivan Duque, no Congresso da República. A reforma, segundo seu coautor, o agora ex-ministro da Fazenda Alberto Carrasquilla, procurou levantar 35 trilhões de pesos para compensar a suposta crise orçamentária do Estado, mantendo a linha de ajuste econômico neoliberal do atual governo, agora no contexto da redução do PIB, do aumento da dívida pública, do aumento do desemprego e do aprofundamento da desigualdade e da pobreza desencadeada pela pandemia da COVID-19.

Além disso, a reforma tributária, eufemisticamente chamada Lei de Solidariedade Sustentável, foi introduzida no Congresso no contexto de um governo fraco e cada vez mais impopular que, apesar de ter uma maioria no poder legislativo, foi rejeitada pela maioria dos partidos políticos, esquerda e direita, incluindo o próprio partido governante, por conveniência, o ultradireitista Centro Democrático. A maioria dos setores rejeitou a reforma porque ela buscava recolher recursos para o Estado através de impostos indiretos regressivos sobre os produtos da cesta básica familiar, o aumento da alíquota do imposto de renda e o alargamento da base de pessoas que a pagam, e a eliminação de benefícios fiscais, como subsídios para serviços públicos. O principal efeito do acima exposto seria o de aprofundar a desigualdade e a fome no país, sufocando financeiramente a classe média e as classes trabalhadoras e populares. Assim, a reforma também foi oposta por um setor de empresários, que não acreditam que seja viável obter recursos de famílias trabalhadoras em meio a uma crise de saúde e econômica.

Agora, a jornada de mobilização e da greve foi convocada num contexto de descontentamento popular com o governo no poder, anteriormente expresso em novembro de 2019 através da Greve Nacional de 21 de novembro e nos dias seguintes, assim como através das manifestações contra a brutalidade policial em setembro de 2020 diante do assassinato do advogado Javier Ordóñez numa CAI em Bogotá, do estupro de mulheres pela polícia e, em geral, dos abusos cometidos por este órgão repressivo. Além disso, isto vem em meio a um contexto de pequenas lutas de trabalhadoras que enfrentam demissões e condições de trabalho durante a pandemia (por exemplo, trabalhadores da saúde, mineração, serviços de entrega, construção, etc.), e manifestações e bloqueios de trabalhadoras informais e desempregadas que, devido às restrições de mobilidade impostas para conter a COVID-19, não têm renda garantida para cobrir despesas de aluguel e alimentação. Finalmente, o chamado à greve está ocorrendo em um ambiente político autoritário, no qual a participação política é limitada pela violência, perseguição e assassinato de múltiplos atores político-sociais que defendem a defesa do território, do Acordo de Paz e do meio ambiente, tais como defensores dos direitos humanos, líderes camponeses, negros e indígenas, sindicalistas, ambientalistas e líderes civis e comunitários. Ao mesmo tempo, os ex-combatentes da guerrilha das FARC foram exterminados em face de um Estado que é cúmplice por ação ou omissão.

A Greve do 28A e as Jornadas de Mobilização

Em 28 de abril, milhares de pessoas se manifestaram nas ruas das principais cidades do país, assim como em municípios e áreas rurais menos povoadas, respondendo ao chamado feito pelas centrais sindicais. A mobilização, maciça em cidades como Bogotá, Cali, Medellín, Pereira, Barranquilla, Bucaramanga, Cúcuta, Manizales, Villavicencio, Neiva, Tunja, Cartagena, Popayán, Pasto, entre outras, foi liderada por milhares de pessoas que se manifestaram nas ruas e bloquearam estradas intermunicipais e estradas urbanas. O dia foi marcado por expressões de descontentamento como panelaços à noite, confrontos com a polícia, saques e a demolição pelo povo indígena Misak da estátua do conquistador espanhol Sebastián de Belalcázar, em Cali. Além de ser maciça, a mobilização foi bem recebida em toda a Colômbia, com a participação de pessoas em Turbo, Pitalito, Cáqueza, Guayabetal, Chipaque, Duitama e Sogamoso sendo importante; áreas rurais de Cundinamarca como Samacá, Marinilla, Betania e Hispania, perto de Bogotá, municípios perto de Cali como Palmira, e municípios perto de Ocaña na região de Catatumbo; e departamentos escassamente povoados como Casanare, Vaupés, Amazonas e Arauca, que também se juntaram ao movimento.

A principal reivindicação das manifestações foi a retirada do projeto de reforma tributária do Congresso; no entanto, também houve notável descontentamento com o governo no poder, discordância com o tratamento da pandemia e reclamações sobre a situação de fome e pobreza da maioria da população. Deve-se notar que tanto as autoridades locais quanto nacionais tentaram conter o protesto, declarando toque de recolher obrigatório nas cidades (por exemplo, em Cali e Medellín), militarizando certas cidades, e com tentativas de proibir o protesto devido à possibilidade de infecção pela COVID-19, apesar dos apelos dos organizadores para adotar medidas de biossegurança. Além disso, vale ressaltar os esforços das autoridades nacionais para desmobilizar os manifestantes criminalizando o protesto, qualificando como vândalos aqueles que nele participam e perseguindo estudantes e jovens para incriminá-los falsamente. A mídia hegemônica contribuiu para a estigmatização ao reproduzir narrativas oficiais, focalizando sua cobertura nos impactos da mobilização sobre a situação da saúde, e ignorando parcialmente os abusos das forças policiais e militares, tais como a dispersão intencional de concentrações de manifestantes, prisões arbitrárias, ou a morte de um jovem em Neiva como resultado da ação policial.

Após o dia 28 de abril, os esforços de greve e mobilização continuaram nos dias seguintes, apesar da resposta repressiva do Estado e da teimosia do governo de Iván Duque. Em 29 de abril, cidades de Valle de Cauca como Cali e Palmira, entre outras, testemunharam grandes manifestações populares de descontentamento com o governo, bem como manifestações mais moderadas no sudoeste do país e nas cidades maiores. A reação da população de Valle del Cauca ao toque de recolher foi recebida com grande repressão, com massacres policiais ocorrendo durante essa e nas noites seguintes, com alguns jovens mortos como resultado, e relatos de abusos de todo tipo, desde espancamentos, agressões e prisões arbitrárias, a tiros indiscriminados com armas de fogo, tortura, ataques a equipes médicas e de direitos humanos, e abusos sexuais.

Em 30 de abril, mobilizações, bloqueios, panelaços e expressões de não conformidade foram reativados em toda a Colômbia, principalmente por jovens manifestantes. Da mesma forma, um evento transcendental foi o bloqueio do porto de Buenaventura, o porto mais importante do país, que testemunhou grandes mobilizações nos últimos anos, incluindo a greve cívica no início deste ano. No dia 1º de maio, Dia Internacional do Trabalhador, o protesto ganhou força, com mobilizações, reuniões e greves em todas as principais cidades do país (Bogotá, Cali, Pasto, Popayán, Cúcuta, Pereira, Manizales, Bucaramanga, Barranquilla, e Manizales). Além disso, houve protestos agitados perto da residência do presidente, no norte de Bogotá, e bloqueios. Finalmente, o dia terminou com uma repressão brutal como nas noites anteriores; tornando-se uma estratégia terrorista para controlar o descontentamento popular.

Em 2 de maio, o grande movimento continuou e a cidade de Cali recebeu os indígenas Minga de Cauca e juntaram à mobilização. Nesse mesmo dia, como resultado da pressão exercida pelo povo, o governo Duque anunciou a retirada do projeto de reforma tributária no Congresso. No entanto, os setores sociais participantes da greve: trabalhadoras, estudantes, certas organizações sociais e pessoas comuns declararam que ainda estão em greve por causa da reforma sanitária em andamento, bem como pela repressão estatal, e em oposição ao governo e ao Uribismo. Finalmente, para encerrar este relato de alguns eventos importantes nesta onda de protestos na Colômbia, no dia 3 de maio os motoristas de táxi e caminhão realizaram uma greve parcial em Bogotá, Medellín e Barranquilla, bloqueando estradas e rodovias; Os estudantes entraram gradualmente em greve nos departamentos e faculdades de suas universidades, públicas ou privadas, e, em menor grau, em algumas escolas públicas; e a mobilização continuou em cidades como Neiva, Bucaramanga, Bogotá, Cúcuta, Valledupar, Barranquilla, Barrancabermeja, Villavicencio, e vários municípios de Valle del Cauca. Também nesse mesmo dia, o Ministro da Fazenda apresentou sua demissão ao presidente, que à noite solicitou “assistência militar” para conter os protestos, enquanto a situação crítica do país ganhava grande visibilidade internacional.

Apesar da retirada da Reforma Tributária, a Greve Nacional é mantida

Após a vitória popular da retirada da reforma tributária neoliberal, que é parcial na medida em que o governo de Iván Duque a retira condicionada à formulação de uma nova baseada no “consenso” entre o governo, os partidos políticos, os setores sociais e a suposta “sociedade civil”, vários setores sociais, ainda insatisfeitos, declararam-se em greve e mobilização indefinida. O descontentamento, que a retirada da reforma não pôde conter, continuou a se manifestar nas ruas, principalmente diante do terrorismo de Estado que atingiu, através de abusos da polícia e das forças militares, a população desarmada e enfurecida. Com os olhos dos atores internacionais sobre a situação dos direitos humanos, o governo não parou a repressão, mas, ao contrário, a escalou, justificando-se constantemente no que em seus critérios autoritários é o protesto “excessivo”. As ações das forças públicas, mais uma vez legítimas no debate público, têm perdido a confiança que costumava ser cegamente depositada nelas. Da mesma forma, o descontentamento se manifestou na forma de rejeição generalizada do governo e de suas propostas de reforma neoliberal, tais como a projetada reforma do sistema de saúde, que teria o efeito de privatizar ainda mais o já precário e exclusivo sistema de saúde da Colômbia.

Entretanto, embora o movimento popular amplamente espontâneo seja eficaz, existe uma incerteza considerável sobre se as novas demandas serão atendidas. Paralelamente ao avanço da organização setorial em torno da situação nacional, o vanguardismo da esquerda está fazendo esforços para instrumentalizar o descontentamento em seu favor, e os partidos políticos, além de canalizar o movimento em direção às eleições, estão se posicionando, juntamente com os empresários, em seu turno prioritário para negociar com o governo os pontos da nova reforma tributária. Estes atores políticos não levam em conta as necessidades e sentimentos do movimento popular porque não é indispensável para eles em sua ânsia de assumir o controle do Estado ou de posicionar seus próprios slogans na agenda nacional. É imperativo, portanto, ler as razões por trás do inconformismo e, com ele, ouvir as vozes, sentimentos e necessidades daqueles que o expressam, apoiando-os em suas lutas contra a repressão, contra os ajustes do capital e contra a profunda desigualdade que os atravessa.

O que está por vir

O ajuste do orçamento é o resultado do capital em crise e isto, em sua urgência de sair dele, atinge a classe média e, principalmente, a classe trabalhadora e popular para sobreviver. Enquanto a reforma tributária que Carrasquilla e Duque apresentaram no Congresso parecia completamente desligada da realidade, ignorando a realidade da pobreza e precariedade da população sobre a qual eles tentaram tributar aumentando o preço dos alimentos, e ignorando a contraproducência do capital por trás do empobrecimento das classes médias e de consumo, ela responde precisamente a uma realidade de pobreza e precariedade da população, responde precisamente a uma realidade de submissão do Estado aos interesses econômicos dominantes, liberando-os de qualquer carga tributária, facilitando a exploração dos trabalhadores através da flexibilização do trabalho e abrindo o caminho para o lucro através da precariedade de todas as áreas da vida das pessoas. Os gastos sociais quase inexistentes que o governo alega necessitar de dinheiro para manter obedecem à sua política de conter a miséria através de subsídios e, em vez de facilitar o acesso da população à saúde, educação e alimentação, torna-a completamente dependente da empresa capitalista ou privada que procura monopolizar esses serviços. A rejeição da reforma fiscal representa uma rejeição do aprofundamento da desigualdade que, neste caso, se expressa em mais fome para as classes trabalhadoras e populares, e menos responsabilidade para os ricos. Diante disto dizemos: Deixem os capitalistas pagar pela crise!

Nesta atmosfera de descontentamento, a tarefa à frente é fortalecer a mobilização e as lutas que surgem, ativadas ou reativas, neste importante momento. Nossa aposta continua sendo a criação de um povo forte, capaz de contrariar os avanços do capital e construir uma sociedade socialista, antipatriarcal, anti-colonial, livre e justa. É hora de fortalecer os processos de base, organizar os setores não-conformistas, apoiar a mobilização e alimentá-la para que dela surjam importantes vitórias, seja na forma de concessões feitas por pressão popular e ação direta, seja na forma da organização e capacidade de luta do povo. Os manifestantes ainda exigem a retirada da reforma do sistema de saúde, o fim da violência estatal e da militarização dos territórios, uma renda básica para enfrentar a crise econômica, e uma vida digna e pacífica. Neste sentido, a partir do Grupo Libertário Via Libre, pedimos a continuação da mobilização e da greve, contra o Uribismo e a repressão, mas também contra o capitalismo, o patriarcado e o colonialismo.

A luta continua!

Arriba las que luchan!

[1] Dados retirados da campanha: Defender a Liberdade: Assunto de todas.

Fonte:

https://grupovialibre.org/2021/05/08/comunicado-sobre-el-paro-nacional-y-las-jornadas-de-protesta-en-colombia/

Tradução > Liberto

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/10/colombia-abolir-o-estado-constituir-as-assembleias/

agência de notícias anarquistas-ana

Regato tranqüilo:
uma libélula chega
e mergulha os pés.

Anibal Beça

[Grécia] Cholargos: Ataque à Repartição de Finanças em solidariedade com anarquistas sentenciados em julgamento da organização “Autodefesa Revolucionária”

Como anarquistas, acreditamos que não precisamos escrever muito sobre a escolha do alvo. Estas são estruturas estatais que contribuem para o sangramento econômico dos pobres e para expulsar as pessoas de suas casas, ou levam ao suicídio e à depressão. Ataques semelhantes foram feitos por outros bandos no passado.

Em 23 de abril, dois companheiros anarquistas, D. Chatzivasileiadis e V. Stathopoulos, foram condenados pela justiça civil. O primeiro a ser detido ilegalmente por um ano e meio, ele assumiu a responsabilidade pelo armamento, pela expropriação e pela organização guerrilheira: “Autodefesa Revolucionária”. O segundo é refém do Estado porque se solidarizou quando Chatzivasileiadis pediu sua ajuda após o ferimento durante a expropriação do cassino do Estado. A máfia judicial condenou V. Stathopoulos a 19 anos de prisão e D. Chatzivasileiadis a 16 anos, onde foi julgado à revelia.

Por isso, escolhemos, decidimos e entramos em estado de espírito inflamatório quatro dias após o julgamento de 28 de abril, como um sinal de solidariedade para com os companheiros. Nosso objetivo era a Repartição de Finanças de Cholargos, a poucos metros da casa onde foram encontradas as armas e outras evidências referentes ao caso da “Autodefesa Revolucionária”. Tínhamos como certo agir imediatamente e fazer o mínimo para suscitar os nossos companheiros, um sorriso de solidariedade.

No que diz respeito ao julgamento / pegadinha, conhecemos muito bem os acordos dos juízes lesmas com os bastardos do DAEEB [polícia antiterrorismo]. A tentativa de exterminar e incriminar um movimento exemplar de solidariedade prática. Não estamos interessados nos truques legais da inocência ou da culpa, mas certamente é nossa honra ter companheiros ilegais e impenitentes entre nós. Sabemos muito bem o quanto lhes dói que um guerrilheiro anarquista seja um fugitivo e que a fúria da polícia e do Estado não pare de aprisionar seu companheiro de solidariedade.

É impensável e imoral quando um anarquista está em ilegalidade e outro é acusado de anos de confinamento, que o “espaço anarquista” fique de mãos atadas. Claro, a apatia da cena não é algo novo. Claro, ultimamente a situação está sufocante. Para se livrar do reformismo, a única solução é agir por qualquer meio. Lembrando sempre a autocrítica: como todos erramos e não falamos como pioneiros. Ao mesmo tempo, o Estado investe financeiramente e militariza a polícia (contratação, compra de veículos) para o gerenciamento de uma crise. Isso os mantém em modo de espera e os coloca em movimento sempre que necessário, devido ao medo. O medo só se desfaz quando o monopólio da violência do Estado é quebrado. Não precisamos seguir os golpes do Estado para obter respostas e descansar quando ele aparentemente não está fazendo nada. Para agir agressivamente em nossos próprios termos. Em uma época de medo e controle sobre tudo (da esfera pública à pandemia), as ações ofensivas nos dão vida e fôlego.

Assim, tomamos a iniciativa de convocar um mês de ações de solidariedade ao anarquista fugitivo Dimitris Chatzivasileiadis e ao anarquista refém do Estado Vangelis Stathopoulos em maio. Ações de ataque a políticos, juízes, sedes do ND [Partido Nova Democracia, no poder], empresas policiais e tudo o que alguém possa imaginar. As ações, é claro, não se limitam a incêndios criminosos, mas também a intervenções, tintas, sabotagem, etc. Dediquemos a eles os golpes de ataque, dediquemos a eles um maio à luz de velas.

PS: Não esquecemos os prisioneiros / anarquistas da revolta no Chile que estão em greve de fome desde 22 de março. Compas, muitas saudações e sinais de fogo.

SOLIDARIEDADE, PODER E COERÊNCIA PARA D. CHATZIVASILEIADIS

LIBERDADE PARA V. STATHOPOULOS

PARA CONSTRUIR CÉLULAS DE AÇÃO DIRETA

Flame Diffusion Gang

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1612337/

Tradução > Da Vinci

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agência de notícias anarquistas-ana

no mesmo banco
dois velhos silenciam
no parque deserto

Carol Lebel

[Santa Catarina-SC] Jornal Ação dos Trabalhadores de Balneário Camboriú e Região

Olá a todas e todos, este espaço tem como objetivo fortalecer o diálogo entre nós trabalhadoras/es autônomos, contratados, desempregados de Balneário Camboriú. Isso é a todos que queiram mudar a nossa situação cada vez pior e que nesta pandemia tem se tornado ainda mais claro nossa fragilidade frente ao vírus e exploração vinda do estado negacionista e de nossos chefes que visam apenas o lucro, nos tornando apenas mais uma peça descartável da máquina capitalista. Vamos aqui expor as péssimas condições a que somos obrigados viver no dia a dia e também abrir espaço para discussões entre nós trabalhadores de como tomar o poder sobre nossas próprias decisões e caminhos. Pela luta por uma vida digna a quem produz toda riqueza!

>> Baixe o jornal Ação dos Trabalhadores do Comitê de Propaganda do SIGA-FOB de Santa Catarina em PDF:

https://lutafob.org/wp-content/uploads/2021/05/Jornal-Acao-dos-Trabalhadores.pdf

agência de notícias anarquistas-ana

entre os vinte cimos nevados
nada movia a não ser
o olho do pássaro preto

Wallace Stevens

Grupo de extrema direita Proud Boys é dissolvido no Canadá

O grupo de extrema direita Proud Boys, classificado pelo governo canadense como organização terrorista, informou nesta segunda-feira (03/05) que está “oficialmente dissolvido” no Canadá.   

O anúncio foi feito pela organização em um comunicado publicado no canal do Telegram do Proud Boys dos Estados Unidos, após quase três meses depois de o governo do premiê Justin Trudeau incluir a “organização neofascista” na lista de terroristas.

Membros do Proud Boys, grupo fundado nos EUA por um canadense, são considerados um dos principais protagonistas da invasão ao Capitólio no dia 6 de janeiro, quando o ataque deixou cinco mortes e foi a causa do suicídio de dois agentes e de um acusado.

Na ocasião, os apoiadores do então presidente Donald Trump entraram no prédio federal para impedir que o Congresso promulgasse os resultados das eleições, que viram como vitorioso o democrata Joe Biden. Em fevereiro passado, o ministro canadense de Segurança Pública, Bill Blair, disse que a organização representava uma “ameaça ativa à segurança pública e desempenhou um papel vital no ataque” ao Capitólio.

Fonte: agências de notícias

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É ou não é
o sonho que esqueci antes
da estrela d’alva?

Jorge Luis Borges

[Chile] Santiago: Adjudicação de ataque explosivo contra o BancoEstado na comuna de Las Condes

Na noite de 3 de maio de 2021, estão há mais de 42 dias de greve de fome, nossos camaradas: Mónica Caballero, Francisco Solar, Joaquín García, Pablo Bahamondez, Juan Flores e Marcelo Villarroel.

Alguns minutos antes do toque de recolher, fomos para os bairros onde as panelas e frigideiras não ressoam para exigir migalhas deste governo assassino. Bairros que são habitados por aqueles que, apesar do contexto pandêmico, aumentaram excessivamente sua riqueza, enquanto em outros cantos do território dominado pelo Estado do Chile, a fome e a miséria são o cenário diário para muitos.

Atacamos este símbolo de dinheiro e capital, uma agência bancária localizada em Apoquindo, na esquina de Manquehue, no distrito de Las Condes. Como gesto de solidariedade com os camaradas em greve de fome desde 22 de março, pela revogação das emendas ao D.L 321, que usam seu corpo como única trincheira, num gesto de desafio à estrutura penitenciária e seu aparelho judiciário.

Fazemos um chamado urgente para mostrar solidariedade com os camaradas atrás das grades, que nem um único preso está sozinho, que solidariedade não é apenas uma palavra escrita. Com engenhosidade, podemos burlar seus mecanismos de controle e prolongar a ofensiva. Que nossos sonhos sejam seus piores pesadelos, que os bairros dos ricos tremam e que a revolta permanente exploda em seus rostos.

Nem pactos nem migalhas, guerra intransigente contra a sociedade carcerária e o estado capital.

Liberdade para os prisioneiros subversivos e anarquistas em greve de fome.

Incêndios e explosões contra o Estado e seus presídios.

Marcelo Villarroel para as ruas agora!

Este ataque é também um gesto para a memória viva do camarada anarquista Mauricio Morales.

Que as explosões ressoem em memória do punky Mauri, que Maio seja tingido de preto.

>> Vale a pena mencionar que tomamos todas as medidas e precauções possíveis para que a explosão não prejudicasse um único transeunte: Deixamos um aviso com a legenda “Fechado, desculpe pelo incômodo”, e o tempo utilizado gerará a ativação quando o toque de recolher já estiver em vigor.

P.S: Abraços fraternos aos camaradas que continuam conspirando dia após dia, cada gesto ofensivo é um sorriso cúmplice…

Célula Anticapitalista Simon Radowitzky Anti-Capitalista – Facção Anticarcerária.

Tradução > Liberto

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os aloendros
em fila
nos separavam do mundo

Guimarães Rosa