O brasileiro por trás de ação pioneira contra segregação racial nos EUA em 1833

Por Mariana Schreiber

Era um dia frio e chuvoso de novembro de 1832 quando o imigrante brasileiro Emiliano Mundrucu entrou no barco a vapor Telegraph com sua mulher Harriet e sua filha Emiliana, de apenas um ano. Segundo registros históricos, a família acompanhava o brasileiro em uma viagem a trabalho da costa de Massachusetts, no nordeste dos Estados Unidos, até a ilha de Nantucket.

Durante a travessia, Harriet, que se sentia mal, tentou buscar abrigo com sua filha numa área do navio exclusiva para mulheres — mas as duas foram barradas. O motivo? Eram negras, e a “cabine de senhoras”, um ambiente confortável com beliches privativos, só permitia mulheres brancas.

Naquele momento, práticas segregacionistas separando brancos das pessoas “de cor” cresciam no norte dos Estados Unidos, onde a escravidão já não era permitida como no sul do país. O objetivo era manter a ideia de inferioridade dos negros mesmo após sua libertação, preservando a estrutura de privilégios e dominação em favor dos brancos.

Esse sistema se intensificou pelo país após a completa abolição da escravidão em 1865, em um regime formal de segregação que só foi proibido pelo Congresso americano um século depois, em 1964, após intensa luta negra por direitos civis.

Muito antes, porém, a família Mundrucu, de pele parda, não aceitou passivamente ser barrada, e o episódio acabou dando origem a um processo judicial pioneiro contra a segregação racial nos Estados Unidos. A ação impetrada em nome do brasileiro repercutiu amplamente na época, mas depois caiu no esquecimento e apenas nos últimos anos foi redescoberta por historiadores.

O caso foi parar na Justiça depois que Harriet insistiu em entrar no local com sua bebê, enquanto Mundrucu discutia com o capitão do barco, Edward Barker.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.bbc.com/portuguese/extra/vploatz80t/mundrucu_segregacao_racial

agência de notícias anarquistas-ana

Olhar felino
perfil egípcio
apanha sol

Eugénia Tabosa

Novo videoclipe do Ktarse | “Livros”

Ktarse, rap da quebrada, combativo e anárquico! “Livros”, videoclipe gravado na Biblioteca Carlo Aldegheri, Guarujá (SP).

Beat: Leal Ktarse

Captação e pré-mixagem: Leal Ktarse – Home Studio Fora de Esquadro Produções

Mixagem e Masterização: Lnigazzbeats

Vídeo: Home Estúdio Popular

Edição: Marcos Favela

L e t r a

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Insurgentes do gueto, armados na periferia

Armados com livros e consciência crítica

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Armados com combatividade e sabedoria

Só a insurgência dos debaixo muda a vida

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Lutar contra o sistema é lutar pela vida

Fortalecendo a insurgência na periferia

Ebulição da consciência com fúria e rebeldia

A não violência protege o Estado e a burguesia

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Como Malcolm X também não dou a outra face

Sou explosivo para as portas que não se abrem

A verdade está do lado dos oprimidos

Declaro morte a burguesia morte ao capitalismo

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Não fico em cima do muro, luto é pela revolução

Com os debaixo projetando a insurreição

Estou armado com livros até os dentes

Inflamando no gueto pensamentos insurgentes

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Desobediente, combatente, conseqüente

Pronto pra explodir a cabeça do presidente

Não sou pacífico, sou de luta e resistência

No combate contra a hipnose do sistema

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Rappero incendiário, subversivo favelado

Fazendo apologia ao levante armado

Através dos livros no gueto, na periferia

Leia As Veias Abertas da América Latina

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Deus e o Estado, Porque Sou Anarquista

EZLN nos Passos de uma Rebeldia

Autobiografia de Malcolm X, libertação mental

Ao Vivo do Corredor da Morte Mumia Abu-Jamal

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Mortos incômodos que atormentam os burgueses

Palavras de um Revoltado, Entre Camponeses

Kropotkin, Emma Goldman, Bakunin, Proudhon

A.B.C do Anarquismo, A Conquista do Pão

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O Livro Vermelho do Hip-Hop, rap e política

Só a insurgência dos debaixo muda a vida

Sou anti-Estado, anti-tirania

Socialismo Libertário minhas perspectivas

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Insurgentes do gueto, armados na periferia

Armados com livros e consciência crítica

Armados com combatividade e sabedoria

Só a insurgência dos debaixo muda a vida

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Uma mente aberta para a consciência crítica

Jamais será refém da hipnose capitalista

Pega a visão lapidada à sabedoria ancestral

Do rap combativo à literatura marginal

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Que inflama os pensamentos dos insurgentes na quebrada

Que rompe os grilhões da mente aprisionada

Leia e estude Boaventura, Mbembe

Stuart Hall, Paul Gilroy, Paulo Freire

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Saberes ao sul contra a tirania dos de cima

Da Diáspora, Atlântico Negro, Necropolítica

Pedagogia do Oprimido para os debaixo é uma arma

Contundente como o Diário de Uma Favelada

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Carolina de Jesus é exemplo pra rapa

Assim como Angela Davis, Rosa Parks, Dandara

Ferréz, Sacolinha, Sérgio Vaz, Mano Cakis

Manual Prático do Ódio, graduado em marginalidade

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Literatura rua, não temos muito tempo

Leia Judith Quadros de Guerra, tormento

Graciliano Ramos Memórias do Cárcere

Bauman, O Mal-Estar da Pós-Modernidade

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Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago

Viva a potência subversiva dos de baixo!

Se inspire em Che, Diários de Motocicleta

No Manual do Guerrilheiro Urbano, Marighella

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No Anarquismo e a Revolução Negra

Todo poder ao povo Panteras Negras

Na educação popular, escritores comprometidos

Com a história dos debaixo, dos oprimidos

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Eduardo Galeano, Milton Santos, Pablo Neruda

A vida só muda com resistência e luta

Elementos Inflamáveis somos o povo forte

Nos passos de uma rebeldia nossa potência é o Hip-Hop

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>> Veja o videoclipe aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=2mogL8-WllM

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as nuvens, meu irmão,
são leviandades
da criação

Millôr Fernandes

[Colômbia] Vídeo | Em Popayán, menor é achada morta após denunciar violência sexual de policiais, motivo pelo qual um grupo de manifestantes incendiou a URI

Organizações de direitos humanos denunciaram que uma adolescente de 17 anos foi detida e sofreu violência sexual por membros do Esquadrão Móvel Antimotins (Esmad, tropa de choque) na noite de 12 de maio, em Popayán. Horas depois, a garota foi encontrada morta dentro de casa e há suspeita que ela tenha se matado.

Segundo a adolescente relatou em uma rede social, o que foi reproduzido na imprensa local, ela se escondia atrás de uma parede, de onde gravava o que estava acontecendo durante as manifestações, “só porque eu estava gravando eles me pegaram, no meio disso baixaram minhas calças e me apalparam até a alma”, disse. Ela foi conduzida por policiais do Esmad à Unidade de Reação Imediata, URI, do Ministério Público, no dia 12 de maio à noite, onde sofreu violência sexual.

Nesta sexta-feira (14/05), a poucas horas, um grupo de manifestantes atacou as instalações da URI Popayán e a incendiou. Nas redes sociais existem vários vídeos que mostram como manifestantes encapuzados picham as paredes do local e depois ateiam fogo

>> Vídeo:

https://vimeo.com/549443914

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chegado para ver as flores,
sobre elas dormirei
sem sentir o tempo

Buson

Racismo e classismo, uma ferida que sangra nos protestos na Colômbia

O confronto entre homens armados e grupos indígenas em Cali colocou em cena uma violência histórica que o país ainda não leva em consideração

Por Sally Palomino | 13/05/2021

Existe uma ferida aberta na Colômbia da qual pouco se fala. Embora a faísca que desencadeou os protestos em 28 de abril foi uma reforma tributária, com o passar dos dias outras reivindicações foram sendo acrescentadas. Nenhuma nova. Por isso o surpreendente não é que agora haja uma agitação social, o estranho é que não tivesse acontecido antes. “Existe uma ferida aberta sangrando que está falando, que reclama por séculos de negação e exclusão. Reconhecer as diferentes formas de racismo é uma das agendas represadas deste país”, diz do outro lado da linha Oscar Almario García, historiador e professor da Universidade Nacional da Colômbia.

Em Cali, onde se contam mais mortos desde o início dos protestos, no domingo foram vistas imagens que ―diz o professor Almario García― colocam em cena a encruzilhada entre a Colômbia excluída e aquela que não viveu sob a indiferença do Estado. A presença de uma minga indígena que há dias bloqueia ruas e estradas e pede que os escutem encontrou-se com uma parte da sociedade que sente que se sua situação está em risco, está disposta a matar. Os indígenas se aproximaram de um dos bairros ricos da cidade e ali responderam-lhes com tiros. Pelo menos nove indígenas ficaram feridos. Almario García, que escreveu um livro sobre a configuração moderna do Vale do Cauca, região onde fica Cali e onde ele nasceu, diz que o que aconteceu ali foi “uma bomba que estava para explodir”.

Alguns meios de comunicação nacionais afirmaram que se tratou de um confronto entre cidadãos e indígenas. O diretor do Partido Conservador, Omar Yepes Alzate, disse que os indígenas saíram de seu “habitat natural” e perturbavam a vida dos cidadãos. “Não é difícil entender por que a luta dos indígenas para prevalecer contra os poderes estabelecidos é uma luta que acontece há 200 anos, são 200 anos de resistência do povo indígena e afro”, diz Almario García.

Mauricio Archila, também historiador e professor universitário, escritor e analista do Centro de Pesquisa e Educação Popular (Cinep), afirma que durante esses protestos vieram à tona, como nunca antes, problemas estruturais que afetam historicamente a convivência entre os colombianos. Existe uma distância entre o Estado e os movimentos étnicos que se reflete no que acontece nas ruas. “De nossas raízes históricas, desde a colônia, os indígenas foram desprezados, a igreja se impôs, uma língua se impôs”, explica Archila, que também alerta que os protestos na Colômbia são marcados pelo classismo. Basta olhar para os mortos deixados pela repressão policial nessas manifestações, a maioria são jovens pobres ou de classe média. São chamados de vândalos.

“Não conseguimos nos desprender em todos os âmbitos desse projeto de nação racista. Sabemos enaltecer a diversidade de várias maneiras, mas não foi suficiente”, comenta Felipe Arias Escobar, historiador e jornalista. “Existe um isolamento político, físico e cultural com os indígenas. Nós os entendemos como algo homogêneo, temos a ideia de que são personagens ―nem sequer pessoas― imutáveis. Tem gente que acha insólito que usem o celular ou andem de moto”. O que aconteceu em Cali no domingo ―afirma Arias Escobar― é reflexo de um racismo que, apesar da Constituição de 1991, que criou políticas públicas para essas populações, se mantém. “Somos filhos de uma nação racista que se nutre da exclusão”, enfatiza.

Myriam Jimeno, antropóloga e escritora, diz que o que aconteceu em Cali e durante estes dias de protesto expôs problemas profundos que a vida cotidiana não permite ver. “A Colômbia tem pelo menos dois milhões de indígenas, 104 povos espalhados por toda a geografia nacional que, quando se manifestam e exigem o que lhes corresponde, geram mal-estar”, aponta Jimeno, que lembra que uma de suas reivindicações recentes é a promoção de programas de substituição de cultivos ilícitos. No Vale do Cauca, onde vivem pouco mais de 300.000 indígenas ―diz― há um conflito pela terra que, mesmo com a saída das FARC do cenário da guerra, continua custando-lhes a vida.

Segundo a ONG Indepaz, 269 lideranças indígenas foram assassinadas desde 2016, 167 durante a presidência de Iván Duque (com dados até junho de 2020). Há ao menos 39 povos indígenas à beira do extermínio.

O Estado pouco fez para investigar essas mortes e romper as barreiras que levaram à exclusão porque não considera isso um problema, destaca a antropóloga, que afirma que a sociedade colombiana foi segregada a partir das instituições. “O racismo e o classismo se misturam. Expressões usadas em relação aos manifestantes como ‘ignorantes’ ou ‘preguiçosos’ não buscam apenas assinalar diferenças, mas também colocar quem as diz em um nível de superioridade em um país com uma sociedade altamente hierarquizada, marcada por estratos que dividem a população desde o espaço físico. Os bairros ricos não conhecem os pobres. Na educação também há estratificação: o que é público, em geral, é para os pobres”, aponta Jimeno, que diz que quando há hábitos sociais tão segregados como acontece no país se abre uma brecha à qual se responde com violência quando se começa a fechar. “É uma violência carregada de medo de que o outro se aproxime, entre em contato, toque o que é meu”, explica.

Nubia Ruiz, socióloga e professora da Universidade Nacional, diz que “em momentos de crise como o que estamos vivendo, as elites tentam manter suas condições a ferro e fogo”. “Sentem seus interesses econômicos ameaçados quando os indígenas reclamam seus territórios e à agressão verbal e simbólica se soma a agressão física”, afirma.

Durante décadas parecia que a única urgência no país era resolver o conflito com as FARC. Agora que a guerrilha é um ator secundário, as feridas profundas que a Colômbia tem ficaram expostas. Para Alejandro Cortés-Arbeláez, cientista político e professor da Universidade del Bosque, o que a Colômbia está vivendo é um golpe de realidade que nem todos previram. “Somos um país pouco democrático se pensarmos na democracia para além das eleições. A tomada de decisões continua sendo vista de cima. Uma prova é o que está acontecendo com alguns intelectuais e políticos, que foram pegos de surpresa pelo que está acontecendo”, diz.

As manifestações continuam nas ruas da Colômbia, revelando feridas profundas com a urgência de serem atendidas.

Fonte: https://brasil.elpais.com/internacional/2021-05-13/racismo-e-classismo-uma-ferida-que-sangra-nos-protestos-na-colombia.html

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/07/colombia-indigenas-misak-derrubam-estatua-de-gonzalo-jimenez-de-quesada-em-bogota/

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os fantasmas de cogumelos
viraram tinta:
pés nus no frio

Rod Willmot

Vídeo | De Cali a Jacarezinho: Contra a Violência do Estado

Na Colômbia, o povo sai para as ruas contra a precarização da vida. Em resposta, a polícia assassina. São dezenas de pessoas mortas que o poder esconde utilizando os meios de comunicação oficiais e removendo informações das redes sociais.

No Rio de Janeiro a operação policial “Exceptis” assassinou mais de 28 pessoas. Uma verdadeira chacina contra o povo negro e favelado. O governador do estado do Rio de Janeiro defendeu a operação afirmando que tudo aconteceu normalmente.

A polícia e o governo não nos protegem! A autodefesa e a solidariedade entre os povos são nossas armas!

Áudio recebido de colaboradora anônima.

>> Assista o vídeo (03:41) aqui:

https://kolektiva.media/videos/watch/cbbdd8fc-7d41-4200-ab8e-8260435653be

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meio dia
dormem ao sol
menino e melancias

Alice Ruiz

[EUA] Lançamento: “There Is Nothing So Whole as a Broken Heart Mending the World as Jewish Anarchists”, de Cindy Milstein

“Não há nada tão completo quanto um coração partido remendando o mundo como judeus/judias anarquistas”

“Um poema e uma nota de amor, uma canção de oração e um protesto, uma tentativa de consertar um mundo em chamas com o melhor das tradições judaicas, anarquistas e anarquistas judaicas.” – Dan Berger, autor de Captive Nation: Black Prison Organizing in the Civil Rights Era

Por meio de histórias ao mesmo tempo poéticas e comoventes, Não há nada tão completo quanto um coração partido oferece um elixir poderoso para todes que se rebelam contra a violência sistêmica e a injustiça. A renovação contemporânea do anarquismo judaico baseia-se em uma história de sofrimento, que vai desde a escravidão e o deslocamento até o nacionalismo branco e o genocídio. No entanto, também extrai da resistência, força, imaginação e humor ancestrais – todas as qualidades e sabedoria, extremamente necessárias hoje. Esses ensaios, muitos escritos a partir de perspectivas feministas e queer, viajam em traumas passados ​​e contemporâneos de maneiras que são humanizantes e curativas. Eles constroem pontes do luto agridoce para a rebelião e a alegria. E por meio de ilustrações concretas de como anarquistas judeus e judias amorosamente transformam seus próprios rituais, práticas culturais e políticas, que iluminam claramente o caminho para consertar a nós mesmos e ao mundo.

Cindy Milstein é autora de Anarchism and Its Aspirations; e editora das antologias Taking Sides: Revolutionary Solidarity and the Poverty of LiberalismRebellious Mourning: The Collective Work of GriefDeciding for Ourselves: The Promise of Direct Democracy.

Mais louvor para There Is Nothing So Whole as a Broken Heart:

Não há nada tão completo quanto um coração partido é um kadish de tirar o fôlego para todes que vivem a visão revolucionária que radicais judias e judeus sonharam ser possível. Isso leva ao cerne de uma tradição que devemos redescobrir, uma história que é simultaneamente particular e universal: nós podemos sobreviver se fizermos isso juntes.” – Shane Burley, autora de Why We Fight: Essays on Fascism, Resistance, and Surviving the Apocalypse

“Neste momento de ressurgimento do fascismo e do autoritarismo, a relação fundamental entre o anti-semitismo e a anti-negritude é mais nítida e aparente do que nunca. A vibração desta coleção articula não apenas uma base para a solidariedade em lutas compartilhadas contra a supremacia branca, mas também os vastos imaginários e potencial de fazer mundo na diversidade da expressão cultural judaica e pensamento radical – especificamente anarquista. Como uma anarquista negra, eu não poderia estar mais grata pela generosidade, vulnerabilidades e amor feroz e inabalável pela humanidade compartilhados nestas páginas.” – Zoé Samudzi, co-autora de As Black as Resistance: Finding the Conditions for Liberation

“Os textos aqui reunidos são marcantes por sua riqueza literária e abertura emocional, despertando dor e consolo, percepções e outras questões… Uma experiência de leitura altamente gratificante que irá agradar muito além da interseção judeu-arquista.” – Uri Gordon, co-editor do The Routledge Handbook of Radical Politics

Não há nada tão completo quanto um coração partido oferece um novo arquivo ardente do anarquismo judaico. Essas vozes expandem uma tradição desafiadora: falam da perturbação do cuidado, do trabalho de luto e dos prazeres da sobrevivência. Conforme o fascismo e o anti-semitismo aumentam, esses poetas, rabinos e organizadores buscam urgentemente outro mundo através deste.” – AE Torres, autor de Horizons Blossom, Borders Vanish: Anarchism and Yiddish Literature

“Este livro pergunta como as gerações modernas de anarquistas judeus e judias estão lutando contra o fascismo crescente, a supremacia branca e o anti-semitismo, e levanta as ferramentas culturais específicas que trazemos para o trabalho de reparar (ou talvez reimaginar) o mundo em constante mudança. Hoje o livro é um espelho; amanhã, uma nova janela para o arquivo dos anarquistas judeus ao longo da história.” – Ezra Berkley Nepon, autora de Justice, Justice Shall You Pursue: A History of New Jewish Agenda

“Como o pensamento e a organização judaica esquerdista hoje testemunham um ressurgimento, esta coleção fornece um importante documento de sua corrente anarquista.” – Treyf Podcast

There Is Nothing So Whole as a Broken Heart Mending the World as Jewish Anarchists

Cindy Milstein

Editora: AK Press

ISBN-13: 9781849353991

$14.25

akpress.org

Tradução > Bakira

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Noite escura,
chuva fina esconde
a lua cheia.

Fabiano Vidal

[Espanha] Pela legítima libertação de nosso companheiro Gabriel Pombo da Silva

Desde a Confederação Nacional do Trabalho, aderida à Associação Internacional dos Trabalhadores, CNT/AIT, iniciamos uma campanha no Estado espanhol pela legítima libertação de nosso companheiro Gabriel Pombo da Silva, uma campanha que manteremos até sua libertação por meio de todas as ações de difusão e luta que sejam necessárias.

Gabriel está injustamente preso há mais de 30 anos. Ele é um dos prisioneiros mais antigos da Europa, cumprindo uma sentença que se tornou uma condenação de prisão perpétua disfarçada. Exigimos ao Estado espanhol a aplicação de suas próprias leis, assim como a cessação desta vingança política e institucional que revela a arbitrariedade de seu autodenominado “Estado de direito”.

Pedimos aos indivíduos e organizações solidárias que apoiem a campanha e se mobilizem para alcançar o objetivo de ver Gabriel nas ruas. Em pé de luta, desde este caso concreto, a todo o sistema punitivo institucional, sem esquecer todas as pessoas que hoje sofrem as conseqüências deste sistema.

O novo mundo nasce da solidariedade e depende de nossa capacidade para defendê-lo unidos.

Viva a anarquia!

CNT/AIT

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Onde começa, onde acaba
a cabeça, a cauda
da serpente do mar?

Kyorai

 

[Chile] Nossa resistência será contra toda forma de poder

Nós, os proletários (a classe que só possui sua força de trabalho para sobreviver e que mais sente a exploração capitalista), na luta por nossa emancipação e abolição das relações sociais capitalistas, devemos avançar na construção – de maneira autônoma dos partidários da ordem atual – de nossos próprios órgãos de classe que nos permitam superar as estruturas que nos oprimem e assim obter o controle de nossas vidas.

Cremos que a representatividade nas instituições do Estado e a obtenção de reformas, não significam nenhum avanço real no caminho de nossa emancipação. O Estado e seus poderes não são ferramentas neutras que possam ser utilizadas à vontade por quem esteja nos cargos. Este tem a função de assegurar a manutenção e perpetuidade do domínio do Capital. Reprimir e disciplinar são atributos inerentes do capitalismo, independentemente dos governantes de turno.

O 18 de outubro nos demonstrou que na ação organizada de maneira autônoma é possível transformarmos nossas vidas e velar pelas necessidades de nossa classe, o que o caminho institucional jamais se aproximou. Por isso, é importante continuar com a construção e fortalecimento de órgãos autônomos e entender que não haverá saída para a nossa miséria se confiarmos nas estruturas que propiciam o capitalismo para sua sobrevivência, mas sim em nossa própria capacidade de superar a dominação capitalista. Assim como também projetarmos e elaborarmos nosso próprio programa emancipatório.

Só com autonomia de classe avançaremos na construção de uma autêntica força capaz de acabar com a miséria imposta em nossas vidas.

A dominação não chegará ao fim de seus dias ampliando-a constitucionalmente.

Assembleia Libertária Santiago

Tradução > Sol de Abril

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Partitura alegre:
cai a chuva sobre o charco
no ritmo dos sapos.

Anibal Beça

Tigre Libertário elabora arquivos sobre pederastia na Igreja Católica Espanhola

Pederastia na Igreja Católica Espanhola (Arquivos)

Propusemos a elaboração de uma série de arquivos com algumas das principais pederastias da Igreja Católica Espanhola. O trabalho tem sido uma compilação e síntese de toda a documentação à qual tivemos acesso, principalmente em bibliotecas de jornais online de diferentes mídias. É um trabalho em andamento, lento, onde os arquivos serão atualizados à medida que novos dados dos casos conhecidos forem surgindo, ou outros desconhecidos até o momento.

A razão de ser destes arquivos é garantir que eventos de tal gravidade não caiam no esquecimento e, ao mesmo tempo, dar-lhes a mais ampla divulgação possível. Por outro lado, esperamos que este trabalho nos ajude a entender como estes predadores sexuais operam. Em nossa memória, todas as vítimas que sofreram tais abusos. Com nosso respeito, afeto e admiração pela bravura e coragem de todos aqueles que um dia decidiram denunciar.

Para acessar os arquivos, vá para o menu suspenso na página inicial do blog e clique em “Pederastia na Igreja Católica”.

Saúde.

tigrelibertario.home.blog

Tradução > Liberto

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chuva na rua
lágrimas nos olhos
orvalho da dor…

Carlos Seabra

[Suécia] Muito além da foto: Danuta Danielsson, a mulher que deu bolsada em um neonazista

Em 1985, Danielsson golpeou um skinhead durante protesto de Membros do Partido do Reich Nórdico nas ruas de Växjö, na Suécia

Por Fabio Previdelli

Em 13 de abril de 1985, Membros do Partido do Reich Nórdico (NRP) tomaram as ruas de Växjö, no sul da Suécia. Com cartazes nas mãos, os neonazistas aterrorizavam os habitantes locais.

No entanto, uma mulher não tinha medo, muito pelo contrário, foi fonte de resistência e, ao invés de ficar parada assistindo o ato, correu em direção a um skinhead e lhe atingiu com a bolsa na parte de trás da cabeça. Nesse instante, Hans Runesson apertou o botão de sua máquina fotográfica e registrou um dos momentos mais simbólicos de luta contra a extrema-direita.

Contexto

A responsável pelo golpe só fora conhecida mais tarde: era Danuta Danielsson, de 38 anos. A ação não foi algo irracional ou coisa de momento, muito pelo contrário: era um grito que já estava engasgado há anos e que veio em forma de revolta e vingança. Afinal, sua própria mãe havia sido vítima de atrocidades em um campo de concentração nazista na Segunda Guerra Mundial.

A foto em preto e branco foi estampada no dia seguinte na capa do diário sueco Dagens Nyheter. Mais tarde, a imagem ganhou notoriedade na imprensa britânica e, mesmo sem o recurso das mídias sociais, Runesson ficou cada vez mais popular.

A “Mulher dando bolsada em neonazista”, como ficou conhecida, foi eleita a “foto sueca do ano” em 1985 e, posteriormente, acabou premiada como “foto do século” pela revista Vi e pela Sociedade de Fotografia Histórica da Suécia.

O que aconteceu com os personagens?

Apesar do protagonismo positivo em relação a foto, Danuta jamais pensou em se tornar famosa como a mulher que deu uma bolsada em um neonazista e sempre evitou contatos com a imprensa.

Ela jamais conseguiu lidar com toda a publicidade que o registro causou em sua vida. Deprimida e isolada em casa, se suicidou dois anos depois da fotografia ser tirada, quando tinha 41 anos.

Já o skinhead que foi atingido, conhecido como Seppo Seluska, foi condenado meses depois por homicídio e por torturar um judeu homossexual. O Partido do Reich Nórdico chegou a concorrer as eleições legislativas do país, mas teve poucos votos — ficando de fora do órgão sueco. Em 2009, o NSP foi dissolvido, 30 anos após o evento em Växjö.

Homenagem a Danuta Danielsson

Em 2014, a escultora sueca Susanna Arwin fez uma pequena estátua de Danielsson enfrentando o neonazista, e tinha a intenção de reproduzir uma em tamanho real para fixá-la na praça onde tudo aconteceu. Mas as autoridades locais entendiam que ela representaria uma glorificação da violência. “Não podemos aceitar que uma pessoa bata noutra por não gostar dela”, disse a vereadora Eva Johansson ao Washington Post.

Apesar da polêmica, a estátua foi colocada na cidade sueca de Gotemburgo e a imagem de Danuta ficou eternizada em diversos grafites pela cidade — e também na história da região.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/muito-alem-da-foto-danuta-danielsson-a-mulher-que-deu-bolsada-em-um-neonazista.phtml

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2020/04/13/danuta-danielsson-a-sueca-que-deu-uma-bolsada-na-careca-de-um-neonazista/

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Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se “Agora”.

Guilherme de Almeida

[Espanha] Esporte, sociedade e homofobia

Hoje li uma notícia sobre um jogador profissional de polo aquático, que aparentemente disse há algum tempo que gosta de caras e que se dane qualquer um que não o aprove. Em certo momento da partida, houve um certo argumento, e um rival cretino gritou com ele: “Cala a boca, seu marica!”. Isto, que já é irritante o suficiente se tivesse permanecido em um momento de calor no meio de uma disputa esportiva, não terminou aí e o idiota homofóbico, longe de pedir desculpas no final da partida, reiterou o insulto. Como se supõe que a sociedade avançou muito, em matéria de respeito aos gostos sexuais de cada um, a notícia é bastante surpreendente e muitos são rápidos a pedir alguma medida disciplinar sobre o estúpido insulto macho. Para aqueles que seguem este blog, vocês saberão que não sou nada amigo de medidas repressivas, embora existam muitas maneiras de punir comportamentos que afetam outros, e não passam necessariamente pela intervenção de uma autoridade coercitiva superior. Infelizmente, este homem que “saiu do armário” (e isso não deveria mais ser necessário, temos simplesmente que normalizar e que se dane quem não gosta!), me dá a impressão de que ele é uma exceção no mundo competitivo profissional, tão cheio de “virilidade”, por isso o assunto convida à reflexão.

Particularmente, desde muito jovem, acredito que sem ser ensinada de nenhuma forma, sou uma pessoa muito sensível à questão do estado sexual ou dos gostos, bem como à questão da identidade pessoal em geral. Posteriormente, descobri a teoria queer, sobre como, como tantos outros aspectos da identidade, a identidade sexual é, em grande parte, um produto da sociedade e do ambiente em que nos desenvolvemos. Muito interessante e, embora tenha havido críticas, e é claro que o debate está sempre aberto sem imposições categóricas, acho que é algo a ser levado em conta na construção de uma sociedade libertária. O fato é que em minha já longa vida vivi situações muito semelhantes àquela que narrei em que a palavra “bicha” é usada como arma, talvez, para estabelecer a suposta masculinidade da pessoa que a usa em sua muito pobre visão de vida. Lembremos que, oficialmente, a homossexualidade era considerada uma doença até pouco mais de 30 anos atrás; sim, na Espanha viemos de um regime repulsivo e abertamente discriminatório, do qual este atual se endividou até certo ponto, mas foi o conjunto das sociedades humanas, mesmo as mais “democráticas”, que considerou o diferente como uma anomalia. Nem sempre foi assim, nem tem que ser, e estou falando de muitos aspectos da sociedade que gostaríamos.

Anedotas como a que narrei no início deste texto, temos vivido todas as nossas vidas através de imbecis (e não apenas reacionários, o que é sempre surpreendente). Por quaisquer razões, muitas pessoas ainda se surpreendem que duas pessoas do mesmo sexo se beijem, são condescendentemente surpreendidas que há tantas pessoas que saíram do armário nos últimos tempos ou, na pior das hipóteses, são rápidas a recorrer ao insulto habitual, o que torna seu conceito de “normalidade” muito claro para elas. Ainda ontem, em um café, ouvi um cara dizer a outro cara: “Quando você se tornou um marica? Ele não estava se dirigindo a alguém gay, mas era obviamente um comentário jocoso (e um pouco antiquado), típico de outros tempos, que ainda estão no ar; desta vez eu decidi fazer com que ele visse, e asseguro que não sou amigo do “politicamente correto” (espero que você entenda que este não é o ponto), mas o homem, de uma certa idade, não entendeu nada e me disse que estava se dirigindo a um amigo em tom de brincadeira. A questão é que, voltando ao mundo do esporte, a exceção ainda é alguém que normaliza seu gosto sexual; em uma competição de massas, como é o maldito futebol, nem uma única pessoa saiu do armário. E não é surpreendente, já que os estádios, quando se encherem novamente, se tornarão novamente pontos focais alienantes onde as massas aliviam suas pobres cargas existenciais, insultando em todos os lugares. Um produto de uma sociedade que temos, que talvez não tenha avançado tanto.

Juan Cáspar

Fonte: https://acracia.org/deporte-sociedad-y-homofobia/

Tradução > Liberto

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o rio ao lado da estrada
corre
ri à gargalhada

Eugénia Tabosa

Live | Maria Firmina dos Reis: primeira romancista do Brasil

Domingo agora, dia 16 de maio, às 16 horas a Tenda de Livros recebe no nosso canal do Youtube Juliane Sousa e Luciana Diogo para uma conversa com Daniella Origuela sobre Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista do Brasil.

A Live é o último episódio de “Já existiam publicações antes do mercado”.  O primeiro episódio discutiu a origem dos impressos no Brasil, sua circulação e a relação com os livros, e nos conduziu a pensar, inclusive, sobre as relações entre o anarquismo e a tipografia no que diz respeito à produção e circulação. O segundo episódio foi sobre Edgard Leuenroth, anarquista e publicador. E domingo é sobre Maria Firmina dos Reis: ela nasceu em São Luís, no Maranhão no século XIX.

Considerada a primeira romancista brasileira, Maria Firmina em 1847, aos 22 anos,  foi aprovada em um concurso público para a Cadeira de Instrução Primária, sendo assim também a primeira professora concursada de seu Estado. O romance “Úrsula”, impresso na Typographia do Progresso, consagrou Maria Firmina como escritora e também foi o primeiro romance da literatura afro-brasileira. Úrsula teve quinze edições: a primeira em 1859, a 2ª edição é datada de 1975, edição fac-similar pela Gráfica Olímpia – RJ. Também foi lançada pela Editora Presença/INL-Brasília),  pela Editora Mulheres – SC), Companhia das letras e Figura de Linguagem, entre outras.

Maria Firmina colaborou com o jornal A Imprensa, jornal Jardim das Maranhenses, Revista Maranhense, Pacotilha e Diário do Maranhão. A tipografia no Maranhão foi instalada no Império e sua atividade cultural de produção de livros e jornais era vasta no séc. XIX.

>> Já se inscreva no nosso canal, ative o sininho por lá:

https://www.youtube.com/channel/UCKr5pDFJvFgIYfBrf46nAbQ

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/04/29/live-edgard-leuenroth-um-anarquista-da-publicacao-e-da-memoria/

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vôo dos pássaros!
fio costurando ligeiro
o céu ao mar.

Tânia Diniz

13 de Maio: a resposta ao Estado racista e seu genocídio é organizar a rebelião negra e popular

“Quanto a aqueles massacres locais, periódicos, malditos a qual todos vocês estão sempre vulneráveis, vocês precisam se vingar deles do seu próprio jeito. […] Esse é o começo do respeito! Vocês não são, de forma alguma, indefesos. Pois a tocha do incendiário, que se sabe ser capaz de mostrar a assassinos e tiranos a linha do perigo, a qual eles não podem atravessar com impunidade, não pode ser tirada de vocês.” – Lucy Parsons, histórica dirigente operária e revolucionária afro-indígena dos EUA.

Vivemos uma situação de massacre permanente contra o povo. Por um lado as milhares de mortes diárias por Covid-19, com a intenção deliberada dos governos e dos capitalistas, especialmente do governo fascista e genocida Bolsonaro/Mourão. Por outro, prosseguem as matanças e chacinas contra o povo negro e pobre nas favelas e periferias do país, que se somam ao avanço da situação de miséria e fome, ao maior nível de desemprego da história, aos despejos desumanos e a violência contra camponeses pobres e os povos indígenas, em uma guerra aberta e permanente do Estado brasileiro a serviço dos ricos contra o povo pobre e a classe trabalhadora no país.

A Chacina do Jacerezinho é um episódio brutal dessa guerra contra o povo pobre e do genocídio negro no Brasil. Uma operação ilegal, a serviço das milícias e dos corruptos e fascistas que estão no poder. O terrorismo de Estado que deixou 29 mortos no Jacerezinho é extermínio programado, os governos de Bolsonaro e Cláudio Castro dão seguimento as políticas genocidas dos governos do PT/PMDB, com o encerramento em massa e as UPPs, que transformaram o Rio de Janeiro em um laboratório da guerra racial e neoliberal contra negros e pobres, com uma política inédita de ocupação militar de territórios racializados que nem mesmo a ditadura militar-empresarial fez.

O massacre no Jacarezinho não pode ser visto de forma isolada, pois faz parte da dinâmica da dominação capitalista e racista no Brasil, onde a brutalidade policial, o extermínio, os massacres e o genocídio negro são políticas de Estado e não apenas decisões de governos, variando sua intensidade de acordo com as gestões de turno, mas que permanecem inalteradas em sua essência.

Os massacres nas favelas brasileiras são também parte do genocídio transnacional contra os povos. Com tropas treinadas nos massacres da famigerada Minustah no Haiti, utilizando a tecnologia sionista-israelense do apartheid palestino e as táticas de guerra suja do Estado militarizado da Colômbia, tudo obviamente sob coordenação do principal inimigo da humanidade, o imperialismo estadunidense.

Bolsonaro e Cláudio Castro, são dois facínoras, que tem obviamente interesses diretos na Chacina do Jacerezinho, para fortalecer as milícias e rivalizar com a decisão do STF que regulamenta as operações em favelas, mas os massacres têm uma lógica mais profunda que unifica toda a cadeia de dominação burguesa. As polícias matam, a grande mídia justifica, o poder executivo legitima e o judiciário é cúmplice.

Racismo e capitalismo são duas faces da mesma moeda, como nos avisou Steve Biko, por isso o capitalismo brasileiro, estruturado pela escravidão e pelo ódio antinegro se entrelaça com a lógica do programa neoliberal e a necessidade em queimar capital variável e aumentar os níveis de exploração, reduzir o exército de reserva de desempregados, ao mesmo tempo em que controla através da brutalidade policial e do terror institucional o proletariado marginal e a revolta contra a situação de miséria, fome e desemprego que o governo fascista Bolsonaro/Mourão vem aprofundando.

Construir a Greve Geral e organizar a rebelião negra e popular precisa ser a nossa resposta ao Estado brasileiro e aos governos genocidas. Nesse 13 de maio, Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo reafirmamos a necessidade da construção da autodefesa comunitária como nosso caminho para enfrentar a brutalidade policial e pôr fim aos massacres de nosso povo. Exigimos o fim da polícia assassina e das operações e massacres nas favelas, da violência no campo e dos despejos, nos solidarizamos com os povos em luta contra o genocídio transnacional também na Colômbia, no Haiti e na Palestina.

Campanha Nacional pela Greve Geral

Brasil, 13 de maio de 2021.

lutafob.org

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vento de outono
a silenciosa colina
muda me responde

Matsuo Bashô

[Espanha] “Anarquismo: la utopía vive, la lucha sigue”

Novo documentário pelas mãos de Manu Tomillo sobre o movimento ácrata

Alguns dias após o 1º de maio e em plena jornada de reflexão em Madrid, “Carne Cruda” submerge na utopia possível: anarquismo, passado, presente e futuro.

Um novo documentário sonoro dirigido por Manu Tomillo no qual visitamos a Fundação Anselmo Lorenzo (FAL, o maior arquivo dedicado ao anarquismo e ao pensamento libertário na Espanha). Falamos com Antonina Rodrigo, historiadora anarquista de 86 anos, e com Layla Martínez, escritora do ensaio “Utopía no es una isla”, um texto fundamental sobre a necessidade de pensar novas utopias para construir aquele “mundo novo” de Durruti.

Também falamos com Cuellilargo, youtuber libertário valenciano, sobre como novas linguagens podem aproximar um pensamento tão antigo às novas gerações. E fomos à Federação Anarquista de Gran Canaria para conhecer a experiência de “La Esperanza”, uma coletividade de moradias nas quais vivem aproximadamente 1000 pessoas em Gran Canaria de maneira horizontal e assembleária.

E se há uma editora anarquista por excelência é “La Felguera”, então para a sobremesa, seu fundador Servando Rocha vem nos contar segredos anarquistas do subsolo.

>> Para ouvir o documentário sonoro, clique aqui:

Fonte: https://www.eldiario.es/carnecruda/programas/anarquismo-utopia-vive-lucha-sigue_132_7886537.htm

Tradução > Sol de Abril

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Chuva no lago
cada gota
um lago novo

Alice Ruiz

[Itália] Verdade e justiça para Fares! Você não pode morrer de um controle policial!

A Federação Anarquista de Livorno e o Coletivo Anarquista Libertário expressam sua simpatia à família e amigos de Fares S’Ghayer, um jovem tunisiano de 25 anos que morreu durante um controle policial na noite entre 24 e 25 de abril. Parece incrível que perto das praças mais vigiadas e patrulhadas de Livorno, um jovem se afogou sem que ninguém mergulhasse para ajudá-lo.

Apoiamos o pedido de verdade e justiça para Fares, trazidas para as ruas pela manifestação que ontem, 26 de abril, da Piazza della Repubblica chegou à Piazza del Municipio. A manifestação denunciou a frequência das ameaças e da violência durante os controles policiais contra jovens de origem estrangeira. Apelamos para apoiar estes protestos porque é inaceitável que você possa morrer durante uma verificação policial, porque a história de Fares não termina em silêncio.

Todo ato de solidariedade é importante porque para muitos, especialmente nas instituições, algumas vidas contam menos do que outras.

Alguns jornais locais chamaram a manifestação de 26 de abril de “assalto”, “cerco” e “tumultos”, criminalizando-a. A procissão, apesar de várias tentativas de bloqueio pela polícia, presente com caminhões, chegou sem muita tensão na Piazza del Municipio e até mesmo enviou uma delegação à sede da polícia. Por outro lado, alguns meios de comunicação deram espaço e legitimidade às vergonhosas palavras dos poucos expoentes da direita da cidade que se reuniram provocadoramente na Piazza della Repubblica ao mesmo tempo em que os amigos de Fares se manifestavam. Entre os fascistas havia também o conhecido Paolo Pecoriello.

Políticos de vários partidos expressaram solidariedade com a polícia e há até mesmo aqueles que definem como “delirantes” as manifestações e “vandalismo” os escritos de lembrança que chamam à justiça, contra o racismo e a violência policial, que apareceram, juntamente com velas, fotos, mensagens, onde o corpo do jovem foi encontrado.

Para aqueles que nos governam, algumas vidas contam para menos de zero, são o risco calculado. Há aqueles que morrem no trabalho, agora também pela Covid-19, apenas para fazer a economia funcionar e garantir lucros. Há aqueles que morrem no mar, deixados para se afogar, a fim de garantir posições de poder nas relações de força entre os estados. Há aqueles que morrem porque é possível ter algumas mortes nos controles policiais para ter uma força policial pronta para defender os interesses do governo e dos chefes, para garantir o controle militar do território, a fim de alimentar a propaganda securitária.

Sabemos muito bem que aqueles que não têm cidadania italiana arriscam muito em cada verificação policial. Arriscam-se a ameaças e violência, arriscam-se a perder sua permissão de residência, arriscam-se a ser trancados em uma RCP ou a ser repatriados. Não é surpreendente, portanto, se por estas e outras razões alguém quiser fugir de um controle policial. Há situações perigosas que os nascidos na Itália não podem imaginar, mas que a Fares e seus amigos conhecem bem.

Algumas coisas devem mudar nesta cidade. A gestão cada vez mais perseguitiva, agressiva e autoritária da política de “segurança e ordem pública” é inaceitável. Durante algum tempo em Livorno, os soldados do Folgore também são utilizados para operações policiais. Uma medida já em si a ser rejeitada como toda a operação “Strade Sicure”, mas ainda mais no contexto da Piazza Garibaldi exasperou a situação. O que quer que tenha acontecido naquela noite, algumas coisas são certas. A repressão geral na cidade, o medo gerado pelo racismo estatal nos jovens estrangeiros, combinado com um toque de recolher nacional que nada tem a ver com a proteção da saúde, estão na origem da morte de Fares.

Diante dos fatos dos últimos dias, lembramos o que aconteceu em março de 2019, quando o jovem Livornese Michael del Vivo, de 29 anos, dirigindo um ciclomotor, morreu batendo em um carro estacionado durante uma perseguição. Um cruzador da polícia o havia flanqueado pouco antes de perder o controle do ciclomotor, e a dinâmica do acidente nunca foi esclarecida. Nessa noite, três carros entre a polícia e os carabinieri foram lançados em perseguição após cerca de 100 euros terem sido roubados da caixa registradora de uma orla marítima local.

Uma história que é bom ter em mente para entender que não estamos diante de um episódio isolado, pois estas mortes são apenas os casos mais trágicos de uma vida cotidiana muitas vezes feita de abuso, ameaças e violência. Os jovens desta cidade não podem morrer nos controles policiais ou em perseguições. Chega de violência policial. Chega de racismo. Verdade e justiça para Fares!

Federação Anarquista de Livorno

cdcfedanarchicalivornese@virgilio.it

federazioneanarchica.org

Coletivo Anarquista Libertário

collettivoanarchico@hotmail.it

collectivoanarchico.noblogs.org

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

A tarde é bem quente.
Cansada, boneca ao lado,
menina dormindo.

Humberto del Maestro

[Chile] Novo número de “Confrontación”

Aqui estamos uma vez mais, chegando até lugares impensados em CONFRONTAÇÃO contra toda forma de poder e autoridade. Sim, toda forma de autoridade, incluindo aquela que se disfarça de revolta e “revolução” tentando levar as lutas para novas e velhas formas de tomar, controlar ou construir o poder. Com clara convicção antiautoritária gritamos sem cansaço: Nem mandar nem obedecer, atacar e destruir toda forma de poder!

Desde a anarquia seguimos agitando e refletindo, neste número, sobre a extensão do controle e as respostas ante a repressão, sobre o 29 de Março, sobre a farsa constituinte e as ativações anárquicas.

Pela destruição do existente ou nada!

Jornal Confrontación.

Para contato e/ou apoio em distribuição, escrever para confrontacion@riseup.net

>> Para ler e baixar:

https://lapeste.org/wp-content/uploads/2021/05/confrontacion_7.pdf

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no ar circunvoando
vivo-escarlatas
indolentemente

Sousândrade