[Espanha] O anarquismo se conserva em Yuncler

A FAL: “A documentação que conservamos dá conta de uma história incômoda para o poder, a que nos conta que é possível organizar-se à margem do Estado e do Capital”

Por Laura López(Jornal CNT, Madrid)

O jornal da CNT visita o Arquivo Histórico da Fundação Anselmo Lorenzo (FAL), um esforço de documentação e de memória libertária que transcende mais além da atividade do sindicato.

Situado em Yuncler, um pequeno povoado de Toledo a pouco mais de 40 quilômetros de Madrid e com mais de 3.000 habitantes. Um lugar ao qual em 2015 o arquivo aterriza devido às necessidades específicas de conservação de grande parte do material e a falta de espaço em Madrid, onde ainda se encontra uma parte dos materiais guardados pela FAL. “O centro documental se divide entre as duas sedes. Em Madrid, está a sede de nossa biblioteca especializada e, em Yuncler, o resto de fundos documentais: hemeroteca, fundo audiovisual, cartazes, as diversas seções de arquivo, etc”. Quem ajuda a entender a importância deste espaço é Juan Cruz, um dos arquivistas da equipe que a FAL tem para conservar estes fundos, para encarregar-se da atividade editorial, de livraria e de difusão, tão importante.

“A difusão de nossa atividade em imprensa e alguns meios áudio visuais também favoreceu que as pessoas nos conheçam mais”, comenta Cruz, que indica que cada vez há mais gente de Yuncler e da província de Toledo que passa pela sede do arquivo, sobretudo em visitas guiadas. E isto não fez nada mais que começar, já que nos cinco anos de vida do espaço ainda resta muito por fazer. Não param de chegar legados e faltam mãos para catalogar em profundidade. “Tudo está arquivado, mas não há mais de 25% do acervo documental da FAL com um nível de descrição aceitável para as finalidades de um centro documental como o nosso”.

Caixas e caixas que seguem esperando que um arquivista descubra seus secretos, a vincule com outras muitas ou a que um investigador se fixe nela para puxar o fio da história. E é que até Yuncler chegaram no ano passado 347 consultas de arquivo, um arquivo que não para de crescer devido à maior visibilidade da Fundação, ao trabalho continuado de divulgação que fazem desde ali e a vontade de saber e conhecer da sociedade. “Algumas consultas se resolvem com um correio eletrônico, mas outras se fecham com um acompanhamento permanente do investigador e muitos encontros de consultas presenciais. Os peticionários são de perfil muito diverso, desde investigadores vinculados à universidade a familiares de antigos filiados. Também jornalistas, documentaristas e militantes do movimento libertário interessados em diversos temas”. Figuras que coincidem, em muitos casos, com os doadores deste material: sindicatos da CNT, coletivos libertários, investigadores afins, sócios da FAL e antigos militantes.

Espólio e memória

Um trabalho de formiguinhas que não foi fácil de levantar. O franquismo passou como um rolo compressor pelos restos do movimento libertário e suas marcas, algo que não foi aliado do todo uma vez que o ditador morreu. “São muitas as penalidades que teve que passar o movimento libertário desde a perda da Guerra Civil. O espólio e destruição de nosso patrimônio documental foi uma dessas consequências”, assente Cruz. A batalha para recuperar o que ao movimento libertário pertence chegaram com a Transição, quando em ‘democracia’ se poderia recorrer a batalhar pelo patrimônio histórico. “Muitos companheiros lutaram para que nossos fundos depositados no Instituto Internacional de História Social de Amsterdam seguissem sendo propriedade da CNT e puderam ser consultados na Espanha através de uma cópia microfilmada que é a que conservamos na FAL”. Sem dúvida, uma grande batalha que viu como se multiplicavam as frentes. Concretamente, o arquivista recorda a entrega à FAL dos fundos da CNT depositados na Fundação Pablo Iglesias. “Chegaram depois de que Narcís Serra, sendo Ministro de Defesa do PSOE, decidiu devolver a esta fundação boa parte da documentação das organizações obreiras roubadas pelo franquismo e arquivada no Arquivo Militar de Ávila”.

Uma vez que esses arquivos são depositados, chegam não só o objetivo de ter pessoal para documentá-los e arquivá-los, mas sua conservação e inclusive reparação se fosse necessário. “Temos que interiorizar que a documentação gerada pelo povo, pelos trabalhadores e trabalhadoras, tem que perdurar durante séculos para poder testemunhar suas lutas, suas realizações, seus acertos e erros”, reflete Cruz. Necessita-se muitos materiais, condições muito concretas e especialistas para uma correta conservação. “Por um lado tentamos melhorar os suportes de conservação da documentação quando se pode. É algo que fizemos, por exemplo, com parte de nossos fundos fotográficos. Por outro lado, aproveitamos as consultas de investigação para digitalizar os documentos em mal estado que nos solicitam para consulta, deste modo se evita sua manipulação posterior e se favorece sua conservação”.

Dentro destes fundos, os mais frágeis podem chegar a ser os mais importantes, como as publicações jornalísticas ou a correspondência. “A imprensa era fundamental em todo o movimento obreiro, também no movimento libertário. Servia como meio de propaganda, mas também como espaço para veicular debates, formar os leitores, polemizar com outros movimentos, coesionar a organização, etc”, comentam desde a FAL. O mesmo ocorria com os cartazes e os demais elementos gráficos. Ícones da luta obreira que chegaram a nossos dias graças a sua conservação.

Também está a correspondência, tão importante para os investigadores. “As séries de correspondência sempre são úteis para as investigações biográficas, mas também para “encarnar” a história com maiúsculas e os grandes processos. Essa humanização e subjetivização dos processos históricos sempre resulta interessante para pôr em questão certos relatos monolíticos. A correspondência aporta um valor de contraste que, em muitos casos, ajuda a complexificar ou relativizar o relato histórico. E isso sim contar com que, em algumas ocasiões, a documentação gerada no âmbito do privado nos permite impugnar a prevalência de certos valores hegemônicos na esfera pública. Por isso é importante, também, para a história das mentalidades”.

Redes internacionais, apoio mútuo pela memória

Todo este titânico esforço seria maior se a FAL não contasse com apoios de outros centros libertários ou arquivos históricos. É o caso da Federação Internacional de Centros de Estudos Libertários (a FICEDL, em suas siglas em inglês) ou a IALHI (uma rede internacional de centros documentais para a história do movimento obreiro, à qual pertence, por exemplo, o IISH de Amsterdam). “Também colaboramos com outros arquivos, tanto públicos como privados, para levar adiante iniciativas de divulgação e resolver consultas de investigação. Por outro lado, nos relacionamos de maneira habitual com as associações de memória, já que frequentemente recebemos consultas de familiares de antigos filiados à CNT ou nos pedem assessoramento específico relacionado com temas de história libertária”.

Qual seria o objetivo do Arquivo Histórico de Yuncler?: “Custodiar, estudar e divulgar o patrimônio documental do movimento libertário e de boa parte do movimento obreiro, especialmente o empreendido pelos homens e mulheres vinculados ao anarquismo e ao anarcossindicalismo”. Explica Juan Cruz: “A documentação que conservamos dá conta de uma história incômoda para o poder, a que nos conta que é possível organizar-se à margem do Estado e do Capital. Verifica que é possível uma sociedade de pessoas livres e autoemancipadas”, e recorda que “manter esse legado vivo é uma responsabilidade coletiva, que nos incumbe a todos e todas as militantes”.

Fonte: https://www.cnt.es/wp-content/uploads/2020/10/425-WEB-1.pdf

Tradução > Sol de Abril

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curta noite
perto de mim, junto ao travesseiro
um biombo de prata

Buson

[França] Políticas de memória e o direito à memória

Quer a memória seja “cívica” ou uma “cultura”, o problema é a incompatibilidade irredutível entre “políticas de memória” e o “direito à memória”.

O projeto de lei sobre “memória democrática”, apresentado pelo governo de “coalizão progressista” para “reparar e reconhecer a dignidade das vítimas”, abriu um interessante debate sobre o objetivo das “políticas públicas de memória democrática” no atual contexto político espanhol.

Uma questão controversa que levou os historiadores Jorge Marco e Fernando Hernández Holgado a se pronunciarem em dois artigos recentes: no primeiro para “uma nova memória cívica”(1) que dá “um novo significado” aos discursos do franquismo e os coloca “em um novo marco narrativo”, e no segundo para uma “cultura da memória”(2) que “não silencia ou instrumentaliza as memórias” e promove o “reconhecimento das vítimas”.

Bem, embora eu pudesse compartilhar estes dois pronunciamentos, o problema é que eu não só considero sua implementação institucional utópica no contexto da atual batalha política sobre as “políticas públicas de memória democrática” e o enraizamento na “batalha de narrativas”, mas também contraproducente esperar dessas “políticas” a implementação cidadã da “memória cívica” e da “cultura da memória”. Como esperá-lo num contexto em que os Pactos de Transição “amarrados e bem amarrados” ainda prevalecem, e em que os Poderes de fato que a Democracia herdou da Ditadura ainda estão tão presentes devido à falta de uma ruptura institucional com ela?

Naturalmente, o fato de não compartilhar estes pronunciamentos não é um obstáculo para considerar pertinente a argumentação que levou à sua formulação. E ainda mais quando compartilhamos com os autores a mesma “insatisfação” com os argumentos que estão sendo apresentados em relação a este projeto de lei e também concordamos com a necessidade de “reconhecer as complexidades do passado e as diferentes lógicas de violência que operaram na guerra espanhola”. Não apenas para dar aos discursos do franquismo “um novo significado e colocá-los em um novo quadro narrativo”, mas também para que a “memória cívica” e a “cultura da memória” não ignorem os “aspectos desconfortáveis do passado” e sejam a expressão de uma “memória verdadeiramente inclusiva” e “proativa na defesa do patrimônio democrático material e imaterial da luta contra a ditadura”.

Mas considerar a diferença entre as duas propostas como sendo relevantes e puramente semânticas não significa que compartilhamos seu propósito de apresentá-las como a base das “políticas públicas de memória democrática”. Um propósito – estabelecer o que deve ser feito hoje em “termos de políticas de memória” – que me parece contradizer a vontade e a necessidade de colocar o “direito à memória” na “esfera pública e cidadã, não na esfera institucional”. Vontade e necessidade que eu compartilho.

“Políticas de memória” e “o direito às memórias”

É por todas estas razões que considero necessário ir além da proposta de uma “política pública de memória”, que hoje se autodenomina “democrática”, para demonstrar a incompatibilidade irredutível entre as “políticas de memória” e o “direito à memória”. E que devemos fazê-lo porque é óbvio que o objetivo das atuais batalhas políticas entre a “direita social, midiática e política” e a “esquerda social, midiática e política” não é garantir o “direito à memória”, mas impor a narrativa memorialista de cada um a partir das instituições do Estado.

Além disso, não é sequer possível, em tal contexto e com o peso da Transição que impôs uma “reconciliação nacional” cheia de “silêncios, esquecimento e impunidade”, acordar uma “política de memória” que concilie as “duas memórias”: a de uma “apologia memoriale” das vítimas na zona republicana e a de uma “damnatio memoriae” das vítimas durante o regime de Franco. Como evidenciado pela reação da “direita social, midiática e política”, à apresentação do Projeto de Lei do Governo de “coalizão progressista”, e as medidas tomadas pelos governos regionais nas mãos de PP, VOX e Ciudadanos contra os símbolos memorialistas republicanos.

É, portanto, insensato pensar que a “direita” ou a “esquerda” – que são as únicas que podem impor “políticas de memória” – desistirão de impor sua própria narrativa e seus próprios interesses.  E ainda mais sabendo que as políticas de memória “dosam adequadamente o passado à maior glória daqueles que agora governam”, como reconhece o autor do artigo no qual é proposta uma “cultura da memória”.

Sob tais condições, como promover a “memória cívica” e a “cultura da memória” e pensar como “políticas de memória”?

Especialmente quando, apesar de defender – seguindo o filósofo Reyes Mate (3) – “a criação de uma ‘cultura da memória’, essencialmente cívica mas apoiada por uma ‘estratégia teórica e institucional'”, reconhece-se que o principal obstáculo para garantir o “direito à memória” e apoiar “as atividades dos coletivos memorialistas” é “a politização do debate sobre a memória na forma de uma ‘batalha cultural’ de uns contra os outros”. Uma batalha que só pode ser superada “na esfera pública e cidadã”, confrontando “as diferentes memórias das testemunhas da guerra e da ditadura” através da recuperação do passado por “associações memorialistas e grupos de cidadãos interessados na lembrança” e “através de um diálogo científico contínuo” entre essas “memórias”.

Naturalmente, pode-se desejar que “políticas públicas de memória democrática” coletem e canalizem “as aspirações da sociedade civil”, incentivem “a participação cidadã e a reflexão social” e reparem e reconheçam “a dignidade das vítimas de todas as formas de violência intolerante e fanática”; mas a realidade da política e o comportamento de todas as instâncias de poder, ao longo da história e da humanidade espanhola, mostram como é utópico tal desejo e nos lembram que as “políticas de memória” sempre responderão aos interesses daqueles que detêm o poder. Portanto, não há outra alternativa senão enfrentar todas as tentativas de impor uma “memória”, admitir a existência de “memórias” e defender o “direito à memória”.  Pois, além do fato de que “conflitos entre memórias não devem nos assustar”, o que deve nos importar não é vencer a “batalha das memórias”, mas contribuir para nos aproximar da verdade histórica desse passado, para que os cidadãos possam se apropriar dele de forma crítica e pró-ativa.

Octavio Alberola

Notas:

1.- https://ctxt.es/es/20201101/Firmas/34167/Jorge-Marco-memoria-guerra-civil-dictadura-franquismo-Transicion.htm

2.- https://ctxt.es/es/20210101/Firmas/34592/memoria-jorge-marco-memorial-madrid-almeida-largo-caballero-fernando-holgado.htm

3.- http://www.pensamientocritico.org/manrey0316.htm

Fonte: https://acracia.org/politicas-de-memoria-y-derecho-a-las-memorias/

Tradução > Liberto

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na ordem alfabética
conseguir captar
a desordem poética

Jandira Mingarelli

[Holanda] Amsterdam: O Corona é o vírus – O Capitalismo, a crise! – Manifestação em 20 de fevereiro de 2021

Amsterdam. Uma chamada para todos se unirem à nossa manifestação antifascista e anticapitalista em 20 de fevereiro de 2021.

O vírus já vem se espalhando pelo mundo há mais de um ano. Setores inteiros da vida pública foram paralisados. A capacidade do sistema de saúde holandês foi levada ao seu limite. Enquanto isso o dinheiro público está sendo usado para resgatar grandes corporações, o sistema de saúde está sendo subfinanciado e cada vez mais privatizado. Os planos de saúde são caros e os cuidados à saúde não são acessíveis para aqueles que não podem pagar. Pessoas de grupos marginalizados e vulneráveis não podem ser tratadas adequadamente ou simplesmente não são tratadas de forma alguma. Centenas de milhares de pessoas perderam seus empregos, suas casas e seus meios de subsistência. Muitas vidas foram perdidas por conta da pandemia e da má gestão do Estado, mas isso não precisava e não precisa ser assim. Não vamos acreditar nas mentiras deles, não estamos “todos juntos nisso”. Os ricos só ficaram ainda mais ricos por conta desta crise dentro da segurança de suas belas casas, enquanto os trabalhadores (da linha de frente), os pobres e os marginalizados carregam o maior fardo e são forçados a arriscarem suas vidas.

Não é apenas a pandemia, há problemas sistêmicos com o capitalismo e o Estado. Aqui, tentaremos abordar alguns deles:

A Violência policial / racismo sistêmico

Políticas de quarentena e a pandemia em geral não afetam todas as pessoas da mesma forma. O toque de recolher só se aplica aos pobres, pois os ricos podem pagar as multas. Pessoas com jardins ainda podem sair de casa. Mas se você não tem uma casa, você não pode se isolar. Aqueles de nós que vivem em bairros de classe trabalhadora e historicamente de imigrantes, têm que lidar com maior presença da polícia e policiamento agressivo do que aqueles em bairros de classe média e ricos. Como provado, entre outras coisas, pelo ‘incidente de Toeslaglem’ (escândalo sobre benefícios), este país é institucionalmente racista. Agora o Estado está utilizando esta crise para estender ainda mais os poderes da polícia e a repressão aos nossos direitos de protestar e existir em público. Dar mais poder aos policiais só aumentará a violência policial racista. Perseguição baseada em perfis étnicos, vigilância em massa e policiamento preventivo representam uma ameaça às nossas comunidades.

A polícia não nos protege, nós protegemos uns aos outros. Acabem com o racismo institucional e a polícia holandesa / estado de vigilância. Eles não estão aqui para nos ajudar, mas para proteger os ricos.

Moradia

Em uma das cidades mais caras da Europa, a situação de moradia piorou bastante durante a pandemia. A privatização do mercado imobiliário atingiu um ponto em que as moradias sociais estão sendo vendidas para o setor privado. Os preços habitacionais devem subir novamente este ano, as grandes empresas estão conseguindo cortes nos aluguéis enquanto nós lutamos para pagar os nossos. Até mesmo os subúrbios para os quais fomos empurrados estão sendo gentrificados e se tornando inacessíveis. Ao mesmo tempo, casas em todos os lugares da cidade são intencionalmente deixadas vazias para que os ricos especulem. Pessoas sem casa não têm garantia nenhuma e abrigos estão sendo fechados. Os espaços sociais que oferecem vagas às pessoas afetadas enfrentam graves problemas financeiros, estão sendo despejados e a solidariedade está sendo criminalizada. Por causa da quarentena, a violência doméstica está aumentando, assim como graves problemas de saúde mental. Queremos moradia adequada para todos.

Meio ambiente

Podemos pensar que, porque muitas pessoas pararam de viajar, as emissões de C02 estão diminuindo e que, pelo menos, isso é um desenvolvimento positivo para o meio ambiente. No entanto, as escolhas individuais de consumo de estilo de vida não são responsáveis pela crise climática. A crise é o capitalismo. O capitalismo é incrivelmente ineficiente. Por exemplo, os aviões continuam voando vazios, porque é mais barato fazer isso do que deixá-los parados nos hangares. Parece ridículo? – Porque é!

O sistema capitalista continuará drenando os recursos do planeta, com pandemia ou não. Tudo deve ceder a maximização do lucro. Regulamentações do governo não vão impedir nada disso. Grandes multinacionais estão trabalhando em conjunto com os Estados. Desta forma, não pode haver uma resposta efetiva à crise climática. Temos que nos livrar dessa ideia de crescimento infinito. Temos que nos livrar dos Estados e do capitalismo. Não pode haver crescimento infinito em um planeta finito.

Fronteiras europeias

Depois que o campo de refugiados superlotado de Moria na ilha grega de Lesbos pegou fogo no ano passado, a UE continua a ignorar intencionalmente o fato de que humanos morrem em suas fronteiras todos os dias. O que se vê é resistência da guarda costeira europeia da FRONTEX, condições desumanas nos campos de refugiados durante uma pandemia, afogamento de pessoas enquanto o salvamento marítimo e a solidariedade nas fronteiras são criminalizados, e a racista UE cooperando com Estados como a Turquia e a Líbia para impedir que as pessoas atravessem as fronteiras de qualquer forma. Desde o início da pandemia do Corona, a situação só piorou. A UE não vai mudar, temos de nos levantar para que as mudanças aconteçam.

Conspirações e nazistas

A extrema direita tenta aproveitar essa incerteza para mobilizar as pessoas em seu benefício. As teorias da conspiração não revelam o verdadeiro problema sistemático. O capitalismo não é uma conspiração, é completamente real e observável e pode ser abolido. Nazistas se mobilizando? – Não enquanto estivermos aqui!

Economia

Temos todos os motivos do mundo para estarmos zangados: embora a classe alta consiga ficar em casa, ainda temos que trabalhar em condições perigosas por um baixo salário – somos nós que trabalhamos ilegalmente, somos os operários industriais, os artesãos, os operários de varejo, entregadores, taxistas, enfermeiras. Somos nós que nos certificamos de que todos tenham saúde, de que a comida ainda chegue aos supermercados – somos as assistentes sociais, as educadoras, as equipes de limpeza e as profissionais do sexo. Mas também somos pessoas que não são holandesas nativas, que não são atendidas porque não temos os mesmos direitos ao trabalho ou acesso aos serviços sociais. Somos os que não têm o suficiente, nem dinheiro, para comprar um apartamento neste mercado imobiliário ridículo. Somos nós que não temos cidadania e, portanto, não temos direitos. Somos os alunos que lutam para pagar as altas mensalidades. E agora somos os trabalhadores desempregados lutando para sobreviver. Não criamos a crise, mas devemos agora arcar com as consequências? Devemos “apertar os cintos” porque agora estamos “todos no mesmo barco”? Sim, estamos agora todos nós no mesmo barco – mas os capitalistas, patrões, proprietários, políticos e administradores estão em outro.

Crise do Corona? Não às nossas custas!

Entre em ação – vamos fazer os ricos pagarem pelo Covid 19!

Outro mundo é possível!

20.02.2021 Amsterdam, Lugar a ser anunciado(Use máscaras e tente manter o distanciamento social)

Nossa conclusão: Moradia adequada para todos, apropriem-se dos ricos, proprietários ficam com o nosso aluguel! Mudem suas fechaduras, resistam aos despejos, resistência da comunidade; Parem agora com o estado de vigilância e a violência policial. Vamos nos defender e proteger uns aos outros. Teóricos da conspiração anti-semitas e QANON-ers são perigosos e não representam uma resposta para a crise. Racistas, anti-semitas, policiais e nazistas fora de nossas ruas! Destrua o capitalismo antes que ele destrua a terra. Façam os ricos pagarem pelo Covid-19

A assembleia da Ação Anticapitalista de Amsterdam

Fonte: https://acaamsterdam.noblogs.org/post/2021/02/09/corona-is-the-virus-capitalism-is-the-crisis/

Tradução > A. Padalecki

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À sombra, num banco,
folha cai suave
sobre meu cabelo branco

Winston

[Chile] Assassinato de lamgnen anárquica no territorio mapuche Lof Llazcawe

Na madrugada da última terça-feira, em Panguipulli, região de Los Ríos, Chile, foi assassinada no Lof Llazkawe (território mapuche em recuperação) a lamgnen Emilia Milén Herrera, conhecida como Bau, de 25 anos, ativista vegana, animalista, anárquica, defensora da terra e seus habitantes. Emilia (Bau) foi atingida com uma bala na cabeça disparada por guardas privados, assassinos de aluguel contratados pelo condomínio Riñihue, de responsabilidade do empresário Manuel García.

Segue comunicado oficial da comunidade:

“17 de fevereiro de 2021, Panguipulli, Desagüe Riñiwe. Como Lof Llazcawe queremos denunciar que no dia de ontem (16/02/2021), quase à meia-noite, foi assassinada por parte dos guardas, assassinos de aluguel, contratados pelo condomínio Riñimapu, nossa lamnien Emilia, conhecida como Bau. Caiu por uma bala disparada em sua testa, disparada pelos guardas capangas contratados pelo condomínio, que estavam no momento expulsando alguns campistas que se encontravam no local e que solicitaram ajuda ao Lof diante da ameaça desses capangas.

Cabe sinalizar que o condomínio já havia acionado a força policial repressora durante a tarde para expulsar os ditos campistas, e que foram eles mesmos, guardas e policiais, que autorizaram sua permanência no local. Por isso que nossos peñi y lamnien se aproximaram, para exigir que respeitassem o que havia sido acordado com os campistas anteriormente, mas nesse momento os guardas aproveitaram para disparar diretamente contra nossas lamnien e peñi, caindo nossa querida Emilia.

Condenamos publicamente esses assassinos de aluguel mandados por Manuel García, que representa o citado condomínio, e a quem culpamos por esse maligno ato. Novamente nossa terra, nossa mapu recebe uma jovem weichafe, uma ser linda, bondosa, protetora da mapu até seu último suspiro, uma irmã que colocou sua vida na defesa da nossa Ñuke mapu. Chaw ngenechen te recebe junto a nossos weichafe caídos em nossa wenu mapu, e desde aí te levantas como mais um espírito guerreiro de nosso povo.

Exigimos que os culpados por colocar armas nas mãos de delinquentes sejam responsabilizados pelo assassinato de nossa querida e amada Lamnien Emilia.

Justiça para Emilia!

Se uma cai, dez se levantam!”

Desde o território controlado pelo e$tado brasileiro prestamos solidariedade ativa com a lamgnen e companheira Emilia Milén, ou Bau, como era conhecida e amplamente querida em nossas comunidades. Cabe ainda sinalizar e explicitar que Emilia (Bau) era uma companheira trans, um corpo em resistência dentro de um território em resistência, o que maxima nossa dolorida revolta por seu assassinato. Bau deixou a vida em resistência ativa, como lhe fazia sentido. Honremos sua caminhada com palavra e ação, com como ela mesma costumava dizer.

Küme rupu, lamgnen. Bom caminho, irmã.

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[Espanha] Carlos Taibo: “Viver melhor com menos só faz sentido se antes redistribuirmos radicalmente a riqueza”

Por Guillermo Martínez | 13/02/2021

Se o planeta está indo para o buraco, e tudo indica que isto acontecerá se não mudarmos alguns parâmetros e dinâmicas estruturais, é preciso fazer alguma coisa. A teoria do decrescimento, que Carlos Taibo (Madrid, 1956) prefere chamar de “perspectiva”, oferece algumas respostas ao que, como, quando e por que deveria conduzir a sociedade para tentar atenuar o máximo possível os efeitos de uma crise climática mais presente do que nunca. O escritor e teórico do decrescimento aterrissa a ideia e a conjuga com outra das realidades mais prementes enfrentadas pela Península Ibérica, em seu livro recém-publicado “Iberia vaciada: despoblación, decrecimiento, colapso” (Catarata, 2021). Ao mesmo tempo, o autor condensou uma dezena de anos de trabalho em “Decrecimiento: una propuesta razonada” (Alianza Editorial, 2021), uma edição remodelada e atualizada de um antigo livro publicado há anos. Em entrevista à Público, ele falou sobre aspectos como o ecofascismo, a cultura da pressa e a necessidade de que a resposta à mudança climática seja autogerida e antipatriarcal.

Escreveu que “a perspectiva do decrescimento nos diz que se vivemos em um planeta com recursos limitados – e vivemos -, não parece fazer muito sentido que almejemos continuar crescendo ilimitadamente”. Isto, por mais lógico que seja, parece não estar muito interiorizado. Por quê?

A lógica do crescimento acompanha, sem fissuras, à do capital. É mais um dos elementos que colocaram dentro de nossas cabeças, nos países ricos, por meio da publicidade, os meios de comunicação e o sistema educacional. Sair dela não é simples, conforme demonstra o fato de insistirmos em defendê-la, mesmo quando sabemos que gera agressões incalculáveis contra a igualdade e contra o ambiente natural, e que estimula, ao mesmo tempo, um individualismo abrasivo.

Ainda assim, não desconsidero que a proximidade do colapso acabe produzindo mudanças radicais em nossa conduta. Nesse sentido, o que aconteceu no calor da pandemia talvez nos abra os olhos para um futuro marcado por esse colapso.

Em seu livro ‘Decrecimiento: una propuesta razonada’, aponta que as economias capitalistas desenvolvidas cresceram de forma notável, ao mesmo tempo em que empregos foram destruídos. Da mesma forma, o decrescimento acarretará uma grande perda de empregos. Que solução a perspectiva que você defende encontra para esse problema?

A solução é dupla. Por um lado, propiciar o desenvolvimento daqueles segmentos da economia que guardam relação com a atenção às necessidades sociais insatisfeitas e com o meio natural. Por outro, e nos setores da economia convencional que continuarão existindo, repartir o trabalho. A combinação destes dois fatores permitirá que trabalhemos menos horas, desfrutemos de mais tempo livre, aumentemos nossa muitas vezes abatida vida social e reduzamos, quando possível, nossos desenfreados níveis de consumo. Acredito que tudo isso é manifestamente preferível ao modo de vida escravo que hoje nos é imposto.

Em seu livro ‘Iberia vaciada‘, afirma que “qualquer resposta ao capitalismo no século XXI tem que ser, por definição, decrescentista, autogerida, antipatriarcal e internacionalista”. O que pode acontecer, se não for assim?

Acontecerá que, no calor de um colapso provavelmente insuportável, continuarão em pé muitos dos defeitos arrastados pela esquerda que hoje vive nas instituições. E entre eles, a reverência à miséria capitalista, a idolatria à produtividade e a competitividade, o sindicalismo claudicante, os fluxos autoritários e personalistas, as pegadas da sociedade patriarcal, o etnocentrismo e o imediatismo. Quanto tempo dedicamos para falar de corrupção e como atribuímos pouco, aliás, à mais-valia [!].

Podemos realmente viver melhor com menos? Por quê?

Não nos restará outra opção. Além disso, impõem-se três considerações. A primeira ressalta que, deixados para trás os estágios iniciais do desenvolvimento, o hiperconsumo ao qual frequentemente os habitantes do mundo rico se entregam pouco ou nada tem a ver com o bem-estar.

A segunda chama a atenção para o fato de que, uma vez satisfeitas as necessidades básicas, e admito que este último conceito é mais polêmico do que possa parecer, esse bem-estar se relaciona mais aos bens relacionais, aqueles que surgem de nossa relação com outras pessoas, do que com os bens materiais que os supermercados nos oferecem.

Em terceiro lugar, “viver melhor com menos” só faz sentido se antes redistribuirmos radicalmente a riqueza.

No livro ‘Iberia vaciada‘, você dá continuidade a uma obra anterior, que em 2020 chegou a sua quinta edição: ‘Colapso‘. Acrescenta que diante de tal colapso ambiental ocorrem duas reações: os movimentos pela transição ecossocial e o ecofascismo. De que forma estas duas reações se expressam nos últimos anos?

Esclarecerei, antes de mais nada, que não defendo que sejam as únicas respostas esperáveis frente ao colapso. Interessava-me analisar essas duas porque acredito que contribuíam para enriquecer o debate correspondente. No que diz respeito à resposta dos movimentos, é fácil contemplar uma efervescência de espaços autônomos que reivindicam a autogestão, a desmercantilização e, quem dera, a despatriarcalização de todas as relações.

Entre nós, e nos últimos anos [na Espanha], o fenômeno adquiriu uma força maior, ainda que não suficiente, ao calor do 15M. Também não é exagero recordar o alcance dos numerosos grupos de apoio mútuo que germinaram, na primavera passada, por ocasião dos confinamentos.

No que diz respeito ao ecofascismo, e para não abandonar o terreno da pandemia, penso que os estamentos de poder que começam a flertar com soluções autoritárias diante do que entendem que é um excesso de população, observam com alegria o formidável exercício de servidão voluntária ao qual nos entregamos. Além disso, não deixa de ser chamativo que circuitos que são formalmente negacionistas no que diz respeito à mudança climática e o esgotamento das matérias-primas energéticas assumam, nos fatos, posições que remetem a critérios muito diferentes. Aí estava Trump, sem ir muito longe, tentando comprar a Groenlândia da Dinamarca.

Disse que o universo do automóvel e o da alta velocidade ferroviária, setores nada desconhecidos para grande parte da população, resumem bem muitas das aberrações que o decrescimento deseja contrapor. Por quê?

Resumem bem muitas das contradições de nossas sociedades. Dão rédea solta à cultura da pressa e do movimento desaforado, assentam-se em projetos que bebem de um individualismo feroz. Não demonstram nenhum respeito ao meio ambiente e, de maneira cada vez mais clara, estão ao alcance, penso antes de mais nada na alta velocidade, de uns poucos. Como é penoso que o progresso de uma economia continue sendo medido em termos do número de automóveis vendidos ou da abertura de um novo, e insustentável, percurso de alta velocidade ferroviária [!].

Os problemas que nos afligem, como disse, são os limites ambientais e de recursos, a mudança climática, o esgotamento das matérias-primas energéticas, os ataques que a soberania alimentar sofre e as perdas em matéria de biodiversidade. Considera que existe algum deles mais urgente do que os outros?

A mudança climática e o esgotamento dessas matérias-primas, seguramente. O certo é que no cenário da pandemia tivemos a oportunidade de comprovar como um punhado de fatores que pareciam chamados a desempenhar um papel menor acabaram configurando uma bola que foi aumentando e que, possivelmente, nos coloca na antessala do colapso.

Estou pensando, sem ir muito longe, nas pandemias sanitária, social, de cuidados, financeira e repressiva. Devemos estar atentos, contudo, às sequelas de um paradoxo: são os territórios mais deprimidos que, ao menos em primeira instância, se sairão melhor no cenário de colapso. E é importante saber disso em relação à Ibéria esvaziada.

De acordo com a perspectiva do decrescimento, o norte do planeta deve diminuir seus níveis de produção e consumo. Que princípios e valores teríamos que mudar para que tal redução fosse possível?

Os principais remetem ao desígnio de sair o quanto antes do capitalismo e de suas regras. Mas, no que concerne aos princípios e valores que reivindica, de maneira mais específica a perspectiva do crescimento, sem dúvida, estão a recuperação da vida social que nos roubaram, o desenvolvimento de formas de ócio criativo, a divisão do trabalho, a redução do tamanho de muitas das infraestruturas que hoje empregamos, a restauração da vida local e, enfim, no terreno individual, a sobriedade e a simplicidade voluntárias. Por trás disso estão, de modo inequívoco, a autogestão e o apoio mútuo.

Mujeres, cuidados, decrecimiento” é o título de um dos capítulos da publicação pela ‘Alianza Editorial’. São aspectos que você também trata em ‘Iberia vaciada‘. De que modo estes três âmbitos que você menciona estão entrelaçados?

Nenhum projeto emancipador, e o decrescimento deseja ser, pode fugir da necessidade de articular uma radical despatriarcalização que acabe com a marginalização, material e simbólica, das mulheres. Não é exagero recordar que 70% dos pobres e 78% dos analfabetos existentes no planeta são mulheres, e que, segundo uma estimativa, estas realizam 67% do trabalho para receber em troca um minguado 10% da renda.

Sempre pensei que, em virtude de seu vínculo com os trabalhos de cuidado, e apesar das grandezas e as misérias que os cercam, as mulheres possuem uma compreensão mais rápida e fluida do que significa a perspectiva do decrescimento. Talvez seja assim porque, conforme destaca o ecofeminismo, são decisivas para o sustento de uma vida que foge com êxito da lógica mercantil do capitalismo. Se a Ibéria esvaziada resistiu, em boa medida foi graças às suas mulheres.

Vivemos em uma sociedade capitalista que há anos é marcada pelo neoliberalismo. Por que não é possível defender o decrescimento e ser capitalista ao mesmo tempo?

Não afirmo taxativamente que não seja possível. Na França e na Itália, existem empresários que flertam com a perspectiva do decrescimento, sempre que compreendem que o planeta, de fato, se vai. Mas não vejo que nossa atuação tenha sentido e eficácia, caso não questionemos, conforme faz a versão do decrescimento que defendo, todos os artefatos que cercam o capitalismo: a hierarquia, o mito do progresso, a exploração, a produtividade, a competitividade, o consumo e, naturalmente, o próprio crescimento.

A esse respeito precisamos aprender muito, certamente, das sociedades pré-capitalistas. E devemos colocar em primeiro plano as gerações vindouras, as mulheres, os habitantes dos países do sul e os membros das outras espécies com as quais, no papel, compartilhamos o planeta.

Fonte: https://www.publico.es/entrevistas/entrevista-carlos-taibo-carlos-taibo-vivir-mejor-sentido-hemos-redistribuido-radicalmente-riqueza.html?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=web

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agência de notícias anarquistas-ana

sobre um ramo seco
uma folha se pousa
e trina ao vento

Rogério Martins

[Espanha] Sete anos difundindo o anarquismo nas Astúrias

O grupo de afinidade Higinio Carrocera foi fundado em 11 de fevereiro de 2014 em Oviedo.

Em 11 de fevereiro de 2014 foi realizada a reunião de fundação do grupo de afinidade anarquista Higinio Carrocera, no bar Astur, em Oviedo. Sete anos depois, lembramos as razões e circunstâncias em que o grupo emergiu. Para começar, delimitamos nosso campo de ação ao território asturiano e também foi decidido que seria um grupo reduzido em membros, a fim de reforçar seu caráter de afinidade.

Nessa mesma reunião foi decidido criar um boletim periódico para debate e reflexão que seria chamado Fesoria (enxada em asturiano) e do qual foram publicados três números.

 O ato fundador reflete a orientação que queriam dar ao coletivo: “somos um grupo anarquista e o elemento unificador é a afinidade de seus membros, com uma proximidade palpável no campo teórico-prático e uma concepção mais ou menos coincidente das ideias libertárias que, juntamente com uma capacidade de trabalho conjunto, deveriam fazer do grupo a melhor entidade a partir da qual difundir as ideias anarquistas”. Para que o grupo funcione, é necessário que seus membros estejam ativa e militantemente envolvidos, evitando a delegação de tarefas a camaradas que trabalham mais. Somente um envolvimento ativo de seus membros pode permitir que as decisões sejam tomadas por unanimidade. A unanimidade é uma das pedras angulares das organizações anarquistas. O objetivo é evitar a ditadura dos votos e das maiorias e chegar a acordos consensuais. Somos um grupo de afinidade, o que não significa um grupo de luta parcial. Nosso campo de batalha é o antiautoritarismo em todos os seus aspectos, por isso vamos falar e agir em todos os aspectos da vida em defesa do apoio mútuo, da solidariedade e dos princípios anarquistas, que assumimos. Seremos um grupo para a reflexão de ideias e sua aplicação aos problemas cotidianos. Queremos estudar em profundidade, desde uma perspectiva anarquista, os problemas que nos preocupam no dia-a-dia, tais como abusos energéticos, a presença da religião na sociedade, novas tecnologias, etc… Queremos ter uma presença pública, que as pessoas nos conheçam. Levaremos nossas propostas para as ruas, para nossas organizações irmãs, para a mídia e para onde quer que elas queiram nos ouvir.

O grupo é chamado Higinio Carrocera em homenagem ao militante anarcossindicalista da CNT de La Felguera, herói do Mazucu e combatente incansável, que morreu em Oviedo em 1938 assassinado pelos fascistas depois de ter participado das principais frentes de guerra. Revolucionário, miliciano, notável militante, Carrocera também teve um papel importante dentro da FAI asturiana e na defesa do anarquismo contra as tendências mais reformistas da organização asturiana.

Já desde o primeiro momento foi acordado estabelecer contato com a FAI, e embora a adesão tenha sido prolongada no tempo, finalmente aconteceu em dezembro passado, com o aval do grupo Humanidad Libre de Lugo. O grupo também é aderido à Federação da Cruz Negra Anarquista desde outubro de 2019.

A primeira ação que foi programada foi desenvolvida na Semana Santa de 2014, com a distribuição em plena procissão religiosa na cidade de Avilés, de folhetos anticlericais e ateístas, denunciando a hipocrisia da Igreja. Depois vieram muitas outras atividades e iniciativas, tais como o lançamento da Primeira Feira do Livro Anarquista.

Se você quiser mais informações sobre nossas origens e atividades você pode visitar nosso antigo website: grupoanarquistahc.wordpress.com

Fonte: https://higiniocarrocera.home.blog/2021/02/11/siete-anos-propagando-el-anarquismo-en-asturias/

Tradução > Liberto

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sombra da luz
na lua e na rua
alvo do lago

Alice Ruiz

[Espanha] A mesquinhez do capitalismo

A pandemia, que como seu nome indica afeta países ricos e pobres, mostra em todas as suas evidências a mesquinhez do sistema econômico em que vivemos. Os preços das vacinas estão disparando, na medida em que chamam “mercado livre” e, é claro, as regiões mais desfavorecidas são deixadas de fora da distribuição. As empresas farmacêuticas multinacionais priorizam seus lucros antes das incontáveis vidas que o maldito vírus está levando com o intolerável atraso na aplicação de vacinas. E, antes de tudo, nem mesmo é verdade que essas grandes empresas investiram seu dinheiro e seu esforço em encontrar soluções para a pandemia, já que todos sabem que bebem, como todos, do chamado capital público proveniente dos Estados e da chamada União Europeia. Capitalismo subsidiado, poder político e poder econômico bem entrelaçados. Um dos aspectos da situação é tornar evidente a falsidade das premissas ideológicas e ideais do liberalismo (ou neoliberalismo, não sei realmente a diferença): a mão invisível, como dizia o clássico, de um mercado “livre”; a iniciativa privada, que é a iniciativa dos que têm mais meios; a criação de riqueza pelos poderosos, para que as migalhas caiam para os despossuídos; a suposta desregulamentação, que é antes um escoramento do capitalismo pelos Estados; aquela mistificação na prática social que eles chamam de meritocracia?

Depois de ter sido vendida a solução mágica das vacinas semanas atrás, antes da patética campanha “Salve o Natal”, embora soubéssemos que nem todos os canais e respostas eram adequados, agora descobrimos que elas não estão sendo aplicadas ou distribuídas corretamente e que as empresas farmacêuticas querem continuar obtendo lucros. É claro, como convém ao sistema econômico, tudo muito opaco. Não temos ideia, em condições normais, porque um medicamento custa mais ou menos, ou porque está ou não incluído nas listas da Previdência Social, mas agora descobrimos que os preços das vacinas, em meio à crise, disparam. Alguns vêem o problema como um choque entre os interesses privados e os defensores do interesse público. Não sei se a questão é tão simples e maniqueísta, num contexto de pessoas com poder de uma ou outra espécie, mas a realidade é que a coisa balança escandalosamente em direção ao lado do lucro privado. Toda essa opacidade e falta de equilíbrio nas negociações entre os Estados e as grandes empresas, insistiremos sobre isso, é mais do que o normal em qualquer circunstância que afete a saúde.

Nem, em meio a uma crise de saúde, é uma questão de querer mudar radicalmente o estado das coisas da noite para o dia. É pelo menos uma questão de suspender todos os interesses por trás deste sistema de espírito mesquinho a fim de aplicar vacinas de forma solidária, humana e racional à população. Claro que é manifestamente ingênuo exigir algo tão humanitário, quando estes males pandêmicos se repetem em menor escala em tantos países pobres em situações “não excepcionais” com doenças que reclamam vidas e cuja solução foi descoberta décadas atrás na forma de vacinas ou retrovirais. Nem todos os seres humanos, naturalmente, têm o mesmo valor em uma situação “normal”. Este capitalismo selvagem e desumanizado pressupõe que aqueles que podem pagar irão acumular os meios, neste caso vacinas, enquanto os pobres são simplesmente deixados de fora ao frio. Eu insisto, isto está sendo evidenciado na pandemia, mas isto vem acontecendo há décadas na chamada Modernidade. As pessoas mais reacionárias ou fatalistas insistem abertamente na complexidade do assunto, que é assim que as coisas são e, mais vulgarmente expressadas, que sempre haverá ricos e pobres. Toda esta argumentação que infelizmente permeia uma grande parte da população, que é cada vez mais acrítica. Enquanto toda essa mesquinhez do mundo político e econômico que sofremos está vindo à tona, pessoas estão morrendo todos os dias. Desta vez, também nos chamados países desenvolvidos.

Juan Cáspar

Fonte: https://acracia.org/la-mezquindad-del-capitalismo/

Tradução > Liberto

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Por entre a neblina
Subindo a Serra Vernal
Bisbilhota a Lua.

Mary Leiko Fukai Terada

[Espanha] Sexta-feira, 19 de fevereiro. Conversa-debate. Insubmissão e antimilitarismo, uma história acabada?

Na década de 1980, muitos jovens conseguiram colocar o Estado em xeque com a estratégia da Insubmissão ao serviço militar, com Martí Marin saberemos mais sobre esse movimento social e sua transcendência histórica.

Participam:

• Martí Marin, professor de história contemporânea da UAB e insubmisso.

• Fernando Cordón, membro da CNT e insubmisso.

Sexta-feira às 18h em nosso canal no YouTube.

https://www.youtube.com/watch?v=dBGb6Su1E5A&feature=emb_title

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/02/22/espanha-30-anos-de-insubmissao-e-desobediencia-civil/

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Sobre mim a lua.
Lá atrás das altas montanhas
outro deve olhá-la.

Alexei Bueno

Curso | Jornais e Revistas: autogestão, planejamento, edição e circulação

Uma publicação coletiva não é um apanhado de textos. Ela é uma conjugação de textos em um formato ritmado pela página.

Editar é invisível aos olhos de quem lê/vê mas é uma tarefa artesanal essencial. Editar é calibrar. A dosagem está na conversa entre conceito,  método e prática.

Editar “sem patrão” não é esquecer o processo histórico-impresso-visual das publicações e seus meios de produção ao longo dos tempos. O desenho de página não desaparece quando se edita autonomamente, a hierarquia verbo-visual não se dissolve ao decidir pela autogestão.

Problematizar processos e escolhas torna uma #publicação independente e autônoma e com mais consistência.

Olhar a estrutura da imprensa e do impresso para rompê-la é primordial e uma forma de construir saberes impressos por meio de outras #narrativas e #visualidades.

Fernanda tem uma vasta experiência. São 20 anos editando boletins, jornais e revistas. E os erros e acertos serão contados nesse curso de 2h de conteúdo e 04 exercícios práticos sobre planejamento, edição e circulação.

Detalhes

Valor: 250 reais.

Carga horária on-line ao vivo: 2h

Exercícios extras: 4 (eles serão comentados por e-mail para cada participante)

É sábado, vem.

Um abraço forte da Tenda. 

tendadelivros.org

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nuvens no céu
a andorinha anuncia
a chuva de verão

Estrela Ruiz Leminski

[Mianmar] Videoclipe | Rebel Riot – “One Day”

NOVA MÚSICA DISPONÍVEL!

Nós começamos a fazer essa música há cerca de 5 meses com a ideia de que iríamos usar todas as nossas forças para nos transformar e o mundo ao nosso redor em um mundo de compaixão e paz.

Entendemos que, para que essa revolução aconteça, precisamos trabalhar juntos para criá-la nós mesmos – todos nós temos forças criativas que nos sustentam e nos mantêm unidos e fortes, mas agora estamos diante de uma nova urgência.

Desde 1º de fevereiro com o início do Golpe de Estado, estivemos lutando de todas as formas possíveis para poder erradicar a ditadura.

Esperamos que esta música seja uma fonte de força para todas as pessoas dentro da revolução. Esperamos também que inspire aqueles que ainda estão confusos. Esperamos que vocês não se esqueçam das batalhas que teremos de travar no futuro. Por um ‘dia’ em que possamos permanecer fortes e unidos, sem medo, conectados pelo amor a todas as nossas diferenças.

Agradecimentos especiais a todos nossos amigos pelo apoio e por tornar este videoclipe possível.

Mixagem e masterização – Ko Phoe Zaw
Direção por Xiaod The Art House
Agradecimentos especiais a Let’s Take,
Em algum lugar da comunidade Art & Rebel.

>> Confira o videoclipe aqui:

https://www.youtube.com/watch?fbclid=IwAR0sylsaxBZLlHqER6FYlXz22eoHdtQDbXe8bRIUtBTxWd3Ii_z2wh-4gjg&v=3ODKj6E-L5E&feature=youtu.be

Tradução > A. Padalecki

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Boêmio da noite
no portão enferrujado.
Morcego dormindo.

Fanny Dupré

Kropotkin e a Infância

Por Rafael Mondragón Velázquez | 02/09/2021

Da Infância

Apesar de seu título, as Memórias de um revolucionário do príncipe anarquista Piotr Kropotkin não dizem muito sobre a revolução em si. A atividade revolucionária que o tornou famoso é despachada em algumas dezenas de páginas, no final e de forma apressada. A maior parte desta autobiografia, que foi justamente saudada por Tolstoi como uma das grandes obras literárias de seu tempo, é dedicada à narração da infância e da juventude de Kropotkin.

Nesse sentido, pode-se dizer que Memórias de um revolucionário é literatura infantil e juvenil: não é escrita para o consumo de crianças e jovens (como são muitos livros de então e agora que se veem como recursos didáticos ou dispositivos moralizadores), mas foi concebida a partir da experiência da infância e da juventude, na qual Kropotkin continuou a viver toda a sua vida. É por isso que seu livro está próximo das histórias de Andersen, dos livros de Jonathan Swift e das obras de Tolkien e Ende: nenhum desses autores sabia que escrevia para crianças ou jovens, mas todos eles habitaram sua infância de forma teimosa e intensa, e continuaram a viver nela, mesmo quando eram velhos, e a partir dela ensaiaram uma crítica radical do mundo que desafia todos aqueles que habitam essa paisagem de sonhos, entre eles muitos jovens e crianças reais.

Mensagens de um fantasma

Nesta história de infância, a mãe de Kropotkin desempenha um papel especial. Embora ela tivesse morrido quando o futuro anarquista era uma criança, a presença de sua mãe lança uma sombra silenciosa sobre a primeira parte do livro. O narrador sente como se ela lhe tivesse deixado mensagens que ele descobriu ao crescer: um dia o menino abriu a despensa, e em um canto encontrou escondido um diário no qual sua mãe falava das paisagens alemãs, de sua amargura e de seu desejo de felicidade; encontrou livros cheios de versos russos proibidos pelos censores, peças em francês, partituras, poemas de Byron e Lamartine, todos copiados por sua mãe; encontrou também aquarelas.

Como o de Bakunin, o Kropotkin é um anarquismo materno e feminino. Como Bakunin, Kropotkin teve um relacionamento difícil com seu pai, que em suas Memórias é caricaturado como um homem irremediavelmente banal, incapaz de se conectar com as sutilezas da arte e da vida, e obcecado com os rituais de uma aristocracia peculiar e um tanto antiquada. Especialmente com os rituais do exército. A crítica da lei imposta verticalmente e da obediência é prefigurada no horror do menino Kropotkin ao exército adorado por seu pai, um exército que não pode nem mesmo se adornar com histórias de heroísmo: quando ele e seu irmão eram crianças, Piotr perguntou a seu pai qual foi a coisa mais impressionante que ele havia experimentado na guerra. A resposta foi decepcionante: uma vez foi perseguido por lobos…

– E essa medalha?

– Muito bem, uma vez vi uma casa incendiada. Havia crianças lá dentro e meu criado não hesitou em entrar na casa para resgatá-las.

– Então por que você tem a medalha? Era ele quem o merecia.

– Mas ele era meu servo”, respondeu o pai, não compreendendo a indignação dos filhos.

Como aconteceria com o peruano José María Arguedas algumas décadas depois, o príncipe Kropotkin cresceu entre seus criados, que o fizeram um de seus familiares e alimentaram sua infância com histórias de sua mãe, que deixaram uma profunda impressão em todos aqueles que a conheceram e legaram a essa criança um ensinamento de como nos ambientes mais sufocantes é possível construir espaços de liberdade. Estas anedotas me desafiam porque também eu recebi mensagens de fantasmas. Fui protegido por sua presença e eles também me ensinaram a crescer em liberdade.

Ler, uma aventura

Como aconteceria mais tarde com Arguedas, Kropotkin cresceu com um sentimento de não saber a que mundo social ele pertencia plenamente, e levou esse sentimento para uma adolescência que suas Memórias descrevem na chave de um romance de aventura. Como muitas vezes acontece com os leitores infantis, as aventuras reais são prefiguradas nas aventuras associadas aos livros. Não apenas com livros de aventura, mas com a aventura da leitura, especialmente em lugares onde a leitura não é necessariamente uma atividade reconhecida.

É por isso que nestas aventuras o irmão mais velho desempenha um papel importante, o transmissor, aquele que convida e incita. Este papel, anteriormente reservado ao fantasma de sua mãe, foi preenchido, anos mais tarde, por seu irmão Alexandre, que decidiu sacrificar-se entrando para o exército para impedir a entrada de Piotr por alguns anos. As Memórias recriam as cartas apaixonadas que Alexandre enviou a Piotr do quartel, acompanhadas pelos livros que Alexandre fervorosamente recomendou. Livros proibidos por seu pai que tratam de todos os assuntos possíveis, da teologia à história; eles se tornam uma desculpa para que os irmãos afastados se encontrem no espaço de uma carta e construam juntos projetos de leitura e estudo. Às vezes é até possível que Alexandre escape do quartel no meio da noite, saia pela janela, entre à socapa na casa de seu pai, e então o menino Kropotkin recebe um misterioso sinal de um dos criados e entra na cozinha. Ali, cercado pela presença protetora dos criados, Alexandre está esperando por ele para falar sobre livros durante horas que se tornam breves por causa de sua paixão compartilhada. Então Alexandre volta ao quartel antes do amanhecer, e Piotr permanece inquieto, mastigando as descobertas do dia.

Somente o difícil é estimulante

Aos quinze anos de idade, Piotr entrou numa escola militar. Não uma escola qualquer, mas aquela que treinou o corpo de pajens que serviria à família do imperador. Lá ele viveu as aventuras que todo adolescente respeitável deseja: enfrentou professores infames e alunos abusivos.

Lá ele também conheceu o professor Klássovski, um erudito de saúde delicada, a quem o inspetor escolar havia convencido a ensinar gramática russa. O inspetor era radiante: o professor era uma eminência e acompanharia os jovens durante os cinco anos de sua formação, seguindo-os de um curso para o outro. Eles só teriam que esperar por ele até o meio do semestre, pois ele tinha estado com pouca saúde durante o inverno e não podia deixar sua casa.

Kropotkin nunca esqueceu a primeira aula de seu professor. Ele era um homem pequeno, cerca de cinquenta anos de idade, que eu sempre imaginei ser ainda mais velho. Ele tinha uma expressão ligeiramente sarcástica, uma testa larga e olhos brilhantes. No primeiro dia, ele lhes disse que ainda estava se sentindo mal e não conseguia falar alto o suficiente, então todos eles teriam que sentar ao seu lado. Ele colocou sua cadeira ao lado da primeira fila “e nós nos agrupamos em torno dele como um enxame de abelhas”. A aula era para ser sobre gramática, mas na realidade era sobre muito mais. Klássovski saltou entre eras e línguas. Ele compararia um velho provérbio russo com um verso de Homero ou o Mahabharata, que ele traduziria na hora para seus alunos com grande beleza. Ele recitou Schiller, comentou mordazmente sobre o fechamento moral do mundo contemporâneo, voltou à gramática, fez uma reflexão poética ou filosófica.

Kropotkin lembrou que nem ele nem seus camaradas entendiam o que ele lhes dizia, mas que todos eles estavam fascinados. E ele acrescentou que o mais importante na educação acontece naqueles momentos em que o horizonte se abre e se é convidado a penetrar cada vez mais naquilo que a princípio parece borrado e impreciso. Ele se lembra dos gestos de seus colegas de classe. A pessoa descansa as mãos sobre as costas de seu companheiro. Outro se deita na mesa na fila da frente. Ainda outro está atrás do professor. Todos estão à espera, tentando não perder uma palavra dessa voz. No final da aula, a exaustão transforma essa voz em um sussurro, e os alunos prendem a respiração para ouvir melhor. O inspetor abre a porta para ver como os adolescentes estão se comportando, mas quando ele vê “aquele enxame imóvel”, ele o fecha cuidadosamente. Mesmo os tolos e os inquietos estão imóveis e, como diz Kropotkin, todos eles sentem algo bom e sublime agitando no fundo de seus corações, como se a visão de um mundo desconhecido estivesse aparecendo diante deles.

Na Rússia, acrescenta o velho anarquista, toda pessoa que vale alguma coisa na política ou na literatura deve seus primeiros passos a um professor de literatura. Somente eles são capazes de unir sujeitos dispersos em uma narrativa que reflete sobre o significado do mundo e da história humana. É assim que ele imagina que um dia as ciências naturais podem ser ensinadas. Um dia, física e química, astronomia e meteorologia, zoologia e botânica podem ser ensinadas juntas, todas acompanhadas por uma visão geral da natureza como um todo, como a encontrada no primeiro volume do Cosmos de Alexander von Humboldt. Talvez um dia o professor de geografia seja o único a ensinar dessa forma.

Reli suas reflexões e penso no quanto elas estão distantes de tantas práticas pedagógicas de hoje que se assumem “radicais” porque expulsam a dificuldade e constroem preconceitos em relação a manifestações culturais que são presumivelmente elitistas porque estão longe da experiência dos aprendizes. Ainda hoje me surpreende este elogio de espanto, de sedução do desconhecido, de conhecimento com vocação cósmica, de generosidade.

Depois de se formar na escola militar, Kropotkin foi para a Sibéria. Seu pai ficou horrorizado: ele havia desistido de uma carreira na corte imperial. Para o adolescente, a Sibéria era a liberdade, sua única alternativa porque ele sabia que sua família o impediria de estudar na universidade. Na Sibéria começou um novo capítulo: o de seu diálogo diário com os camponeses, sua intensa experiência do mundo natural, suas reflexões sobre a cooperação. Esse capítulo só terminou quando ele ouviu a notícia da Comuna de Paris. Mas essa é outra história e terá que ser contada em outro momento.

Fonte: https://www.revistacomun.com/blog/kropotkin-y-la-infancia

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

sair do protocolo
contornar a mesmice
bancar o vôo solo

Gabriela Marcondes

Encontro digital | “Um pouco de ideal e de polenta: Renata Pallotini 90 anos de poesia e anarquia”

Neste sábado, 20 de fevereiro, a partir das 19 horas, o Centro de Cultura Social (CCS) receberá em seu canal no YouTube Renata Pallottini falando sobre sua vida e obra e suas ligações com o anarquismo.

Renata Monachesi Pallottini (São Paulo-SP 1931). Poeta, romancista, contista, autora de literatura infantil e juvenil, dramaturga, tradutora, ensaísta, roteirista e professora. Estuda direito na Universidade de São Paulo – USP e filosofia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP, formando-se, respectivamente, em 1951 e 1953. Ainda em 1951 começa a trabalhar como revisora na Tipografia Pallottini, de sua família, onde, no ano seguinte, quase manualmente, imprime seu primeiro livro de poemas, Acalanto. Ingressa no curso de artes cênicas da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo – EAD/USP. Forma-se em 1964 e dá início à carreira de docente, tradutora e estudiosa de teatro e televisão. Faz sua estréia na prosa de ficção com o livro de contos Mate é a Cor da Viuvez, de 1974, e dez anos depois lança seu primeiro trabalho para o público infantil, Tita, a Poeta. Em 1991, viaja a Cuba como professora visitante da Escuela Internacional de Cine y Television. Entre seus inúmeros textos teatrais destaca-se “Colônia Cecília: Um Pouco de ideal e de polenta” Texto o qual o grupo de teatro do CCS já fez diversas leituras dramáticas, e estamos nos preparando para voltar a fazer assim que os encontros presenciais forem possíveis.

>> Canal do CCS no YouTube:

www.youtube.com/centrodeculturasocial 

FB: https://www.facebook.com/events/407005510597709/

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Fundo de quintal…
Silêncio. No velho muro,
uns cacos de sol…

Jorge Fonseca Jr.

[Portugal] És anarquista e não sabias

Não há nada de inerentemente violento no anarquismo, por muito que se possa especular acerca das suas ambições finais.

Por Frederico Carvalho | 09/02/2021

Agressividade, brutalidade, hostilidade: existem muitos sinônimos de violência, “anarquismo” não é um deles.

No dia 14 de Outubro de 2019, as pessoas saíram às ruas em Barcelona como forma de protesto contra a condenação de nove líderes do movimento pela independência da Catalunha. Os protestantes demonstraram o seu descontentamento de diferentes formas. Alguns protestaram pacificamente ocupando as ruas ou organizando greves gerais, outros manifestaram-se de formas mais incendiárias. Houve fogos, motins, atos de vandalismo, destruição de propriedade privada – a desobediência civil violenta tornou-se prática regular. Fogo foi combatido com fogo: a agência policial Mossos d’Esquadra retaliou com gás lacrimogêneo e balas de borracha, impelindo dias infernais numa das mais importantes cidades espanholas.

Já este ano, no dia 6 de Janeiro, o Capitólio dos EUA foi invadido por apoiantes de Donald Trump. Tais ações foram propulsionadas pela falsa alegação, feita pelo anterior Presidente americano, de que Joe Biden só fora eleito devido a eleições fraudulentas. No ano passado, os EUA foram também palco de manifestações impulsionadas pelo homicídio de George Floyd, que agravou o descontentamento da população relativamente a problemas como o racismo sistêmico e a violência policial. Tais protestos transformaram-se em cenários semelhantes àquele se pode observar em Barcelona.

O que têm em comum os independentistas catalães, os apoiantes de Trump e os defensores do movimento Black Lives Matter? Segundo alguma da cobertura da comunicação social – tanto internacional como dos respectivos países – todos incorreram em práticas “anarquistas” nos acontecimentos previamente referidos, tendo até Donald Trump usado esse termo para se referir explicitamente aos manifestantes defensores do movimento Black Lives Matter. Certamente tem de existir alguma falha aqui. Como é que grupos com ideologias e motivações tão distintas são postos na mesma caixa?

O anarquismo tem claramente um problema de imagem e é comumente associado a caos, desordem e violência. Embora seja inegável que em todos estes protestos se possa ter observado tais fenômenos, não tem cabimento afirmar que todas as pessoas que cometem práticas desordeiras são anarquistas. Qualquer pessoa pode incorrer em atos violentos, mas nem toda a pessoa que o faz é anarquista.

Embora na teoria política o anarquismo seja recorrentemente referido como a defesa da abolição do Estado e dos poderes políticos centrais, a ideologia anarquista é muito mais predominantemente marcada pela crítica cerrada contra as diferentes causas da desigualdade, exploração e opressão. O que distingue o anarquismo de outras ideologias políticas, que apelam também à terminação destes problemas, é o foco na luta constante contra as fontes repressivas de uma sociedade através de ação direta. Como tal, a componente ativista do anarquismo abre espaço para que se possa combater o poder instaurado de variadas formas – tanto através de atos violentos, como através de ações educativas ou solidárias. A maneira como uma ideologia se materializa é sempre variada.

Embora anarkhé, raiz etimológica da palavra “anarquia”, signifique a inexistência de um princípio – de uma razão primária, de uma raiz, de um Estado – não significa necessariamente ausência de princípios morais. Não há nada de inerentemente violento no anarquismo, por muito que se possa especular acerca das suas ambições finais.

Fonte: https://www.publico.pt/2021/02/09/p3/noticia/es-anarquista-nao-sabias-1949142

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estrela extinta
milhões de anos-luz
para ser vista

Alexandre Brito

Direito Penal igualitário: será?

Por Murillo Heinrich Centeno | 21/01/2021

Será que temos mesmo um Direito Penal igualitário? É seguro afirmar-se acerca da necessidade de analisar sistemas, situações, ideias, fatos, argumentos etc., sobre um aspecto amplo, ou seja, buscar entender as mais variadas maneiras pelas quais se pode chegar a uma conclusão sobre determinado assunto.

Nesta senda, tem-se que o(s) objeto(s) de estudo dos operadores do Direito também precisam ser examinados e debatidos da maneira mais ampla possível, onde cada ponto de vista vem a ser útil para o enriquecimento da erudição envolvendo a temática.

Destarte, neste escrito se traz à baila breves questionamentos sobre o Direito penal e a criminologia através da Criminologia Radical, ramificação que busca explicar o fenômeno criminológico de modo sobremaneira diferente – como contraponto, poder-se-ia dizer – à “criminologia tradicional”:

O ponto de partida da criminologia dominante é o conceito de crime: comportamentos definidos legalmente como crimes e/ou sancionados pelo sistema de justiça criminal como criminosos são a base epistemológica dessa criminologia.

Crime é o que a lei, ou a justiça criminal, determina como crime, excluindo comportamentos não definidos legalmente como crimes, por mais danosos que sejam (o imperialismo, a exploração do trabalho, o racismo, o genocídio etc.), ou comportamentos que, apesar de definidos como crimes, não são processados nem reprimidos pela justiça criminal, como a criminalidade de “colarinho branco” (fixação monopolista de preços, evasão de impostos, corrupção governamental, poluição do meio ambiente, fraudes ao consumidor, e todas as formas de abuso de poder econômico e político, que não aparecem nas estatísticas criminais). (SANTOS, 2018, pp.10-11)

Através de uma mudança ideológica, a Criminologia Radical propõe que os sistemas penais acabam direta ou indiretamente trabalhando em favor do capital e da elite dominante: a sociedade persegue criminalmente os desfavorecidos e criminaliza condutas para fomentar a desigualdade e a manutenção do status quo.

A valer, delitos contra o patrimônio, bem como aqueles envolvendo o tráfico de drogas são aqueles que acabam por ocuparem virtualmente todo o aparato de persecução Estatal, convenientemente fazendo com que os crimes de colarinho branco, por exemplo, acabem não sendo punidos por diversos motivos.

Assim, a Criminologia Radical descobre o sistema de justiça criminal como prática organizada de classe, mostrando a disjunção concreta entre uma ordem social imaginária, Assim, a Criminologia Radical descobre o sistema de justiça criminal como prática organizada de classe, mostrando a disjunção concreta entre uma ordem social imaginária, difundida pela ideologia dominante através das noções de igualdade legal e de proteção geral, e uma ordem social real¸ caracterizada pela desigualdade e pela opressão de classe difundida pela ideologia dominante através das noções de igualdade legal e de proteção geral, e uma ordem social real¸ caracterizada pela desigualdade e pela opressão de classe. (SANTOS, 2018, p.15)

Através da análise empírica, entende-se que há uma seleção daqueles que acabarão por ser clientes do sistema penal, onde determinados tipos legais, grupos e indivíduos são de fato escolhidos para movimentar o maquinário de persecução, sempre em prol do interesse das classes dominantes – conforme acima mencionado, há uma busca incessante pela condenação em crimes comumente praticados por grupos subjugados e/ou afastados do mercado de trabalho.

A consequência política da crítica da Criminologia Radical é a negação do mito do direito penal igualitário, na sua dupla dimensão ideológica: a proteção geral de bens e interesses existe, realmente, como proteção parcial, que privilegia os interesses estruturais das classes dominantes; a igualdade legal, no sentido de igual posição em face da lei, ou de iguais chances de criminalização, existe, realmente, como desigualdade penal: os processos de criminalização dependem da posição social do autor, e independem da gravidade do crime ou do dano social. (SANTOS, 2018, pp.44-45)

Talvez uma das únicas constantes observadas através da história é justamente a exploração do homem pelo homem. Desde os tempos mais remotos, aqueles que possuem poder agem de maneira a manter esse poder, não raramente perdendo os escrúpulos e cometendo barbaridades para o sucesso de suas empreitadas.

Até o presente momento toda a história humana nada mais foi senão uma imolação perpétua e sangrenta de milhões de pobres seres humanos a uma abstração impiedosa qualquer: Deus, Pátria, poder do Estado, honra nacional, direitos históricos, liberdade política, bem público. (BAKUNIN, 2002, p.60)

Por certo, nenhuma teoria possui o condão de exaurir qualquer tema, podendo e devendo ser debatida e criticada. A Criminologia Radical não é diferente, mas se apresenta como um viés interessante de estudo justamente por trazer questões e pontos de vista que, propositalmente ou não, acabam sendo deixados de lado no estudo “tradicional” da matéria de maneira geral.

Conforme muito bem ensinado pelo professor Juarez Cirino dos Santos em passagem alhures colacionada, a igualdade legal se apresenta na prática como desigualdade penal, onde as instituições e práticas sociais precisam ser colocadas em xeque.

Por conseguinte, é absolutamente necessário fazer questionamentos acerca de quem acaba sendo prejudicado e quem acaba sendo beneficiado com o atual sistema penal, bem como os interesses fomentados pelo modo com que e pelo qual se pune. Não seria audacioso demais afirmar que há um projeto de criminalização e persecução, e cada um de nós, como sociedade, acaba sendo conivente com a injustiça institucionalizada, principalmente no momento em que se enxerga o problema, porém nada se faz para buscar melhoras efetivas.

REFERÊNCIAS

BAKUNIN, Mikhail. Deus e o Estado. Tradução de Plínio Augusto. Ano de digitalização: 2002.

SANTOS, Juarez Cirino dos. A Criminologia Radical. 4.ed. Florianópolis: Tirant Lo Blanch, 2018.

Fonte: https://canalcienciascriminais.com.br/direito-penal-igualitario-sera/

agência de notícias anarquistas-ana

uma pétala caída
que torna a seu ramo
ah! é uma borboleta

Arakida Moritake

De Porto Alegre à Bielorrússia ao Chile… Jamais nos param. Viva a Anarquia!!!

As tiranias são insuportáveis para quem ama a liberdade. Na Bielorrússia, o tirano Lukaschenko pretende seguir governando, insatisfeito com os 27 anos que já tem como presidente. Não é de se estranhar com anarquistas protestando nas ruas, e sendo muito combativos nelas, pelo fim de Lukaschenko, ao final e desde o início estamos contra todas as tiranias. Vários anarquistas estão sequestrados pelo estado bielorrusso a consequência de esta luta pela liberdade que não apenas se expressa nas ruas mas também na cumplicidade das noites. Alguns desses anarquistas foram recentemente liberados “graças” à pressão internacional e local, porém muitos mais seguem lutando. Esses companheiros nos dizem, que ainda tendo o “apoio” desde políticos e grupos internacionais, não os olham com nenhum tipo de “esperança”, já que precisa-se ser cientes de que os objetivos dos políticos e dos revoltados do momento, não são os nossos, são ainda obstáculos ao que como anárquicos desejamos.

As ressacas das revoltas costumam ser cruéis, nos chocam novamente com a sociedade apegada aos tiranos, renovados para apaziguar. Alguns companheirxs sabem disso e nos dão acenos de fogo desde o outro lado da cordilheira. No Chile não faltaram nem as ações de ofensa ao poder, nem a crítica feroz aos arrependidos apoiadores do pacto social constituinte, os anarquistas, acertadamente, expandem a vigência e permanência da luta contra toda autoridade. A guerra continua.

E desde estas terras, em constante conflito com várias formas de poder, aparentemente ofuscados pela grande pandemia que abriu as portas para maior auto repressão, vigilância e isolamento, saímos para dar esse aceno aos nossos companheiros: Jamais nos pararão!

As revoltas populares não são a revolta do caos que quer a destruição de toda dominação e autoridade. As revoltas contra um tirano não nos aquecem o coração cientes de que esses mesmos revoltados de ontem, serão os repressores de amanhã. No entanto, estamos nas ruas, contra todos eles, uma e outra vez, incansavelmente, irremediavelmente inimigos das hierarquias. Não fazer nada não é uma possibilidade. 

As vezes muitos, as vezes poucos, as vezes na cumplicidade das sombras e da noite, e outras com grandes quantidades de entusiastas, fotos e holofotes, seguimos combatendo pela liberdade absoluta.

Desde Porto Alegre à Bielorrússia ao Chile: Pintamos um mural gigante para vocês saberem que estamos vivxs, com o coração negro e em combate!

Que viva a Anarkia!

agência de notícias anarquistas-ana

na barra sul do horizonte
estacionavam cúmulus
esfiapando sorvete de coco

Guimarães Rosa

[Espanha] Retirada imediata do cartaz da exposição “De Puig Antich a Puigdemont”

Queremos enfatizar, para começar, que nunca houve nenhum ponto de conexão, nem ideológico nem de projeto entre Salvador Puig Antich e a atualidade dos partidos políticos catalães, mas muito menos com Carles Puigdemont e os partidos que ele representa.

Estamos fartos das manipulações e apropriação da figura revolucionária e libertária de nosso companheiro Salvador Puig Antich por outras ideologias e intenções políticas totalmente alheias a sua figura e sua postura anti-estatista e de transformação radical da sociedade.

Por isso denunciamos a exposição intitulada “DE PUIG ANTICH A PUIGDEMONT” em La Floresta, assinada por Dionisio Giménez, que utiliza a imagem de Salvador junto com a de Puigdemont.

Exigimos a retirada imediata deste cartaz e todo o conteúdo da exposição que utiliza e compara Puig Antich com Puigdemont.

Teria sido mais feliz, por exemplo, usar a figura do presidente Lluis Companys, também assassinado pelo regime franquista, com o atual presidente no exílio Carles Puigdemont.

Ricard de Vargues i Golarons (Historiador e ex-membro do MIL e da OLLA) Ateneu Enciclopèdic Comissão Popular Puig Antich

Centro de Estudos Pedro Flores Manresa

Joan Calsapeu Layret

CGT Barcelona

Fonte: http://rojoynegro.info/articulo/memoria/retirada-inmediata-del-cartel-la-exposici%C3%B3n-%C2%AB-puig-antich-puigdemont%C2%BB  

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/01/22/espanha-lancamento-salvador-puig-antich-45-anos-despues-de-ricard-de-vargas-golarons/

agência de notícias anarquistas-ana

Não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho

Matsuo Bashô