A Rede Antimilitarista da América Latina e Caribe (Ramalc) ante a repressão ao povo Mapuche

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Declaração de apoio e solidariedade

A Rede Antimilitarista da América Latina e Caribe (Ramalc) manifesta seu apoio aos membros da comunidade Mapuche Lafken Winkul Mapu que desenvolvem uma luta de resistência ancestral e que a dois meses têm levantado um assentamento em ocupação. Estas terras, próximas ao lago Mascardi, que são disponibilizadas ao Estado-nação Argentina, estão sob jurisdição de parques nacionais e são reivindicadas em prol do legítimo argumento de recuperação ancestral de território, tal como o expressa o Convênio 169 da OIT, artigo 16 pontos 3.

A morte do jovem Rafael Anauel em mãos das forças federais evidencia que a militarização dos territórios das comunidades mapuches, tem como propósito beneficiar a exclusão e segregação colonialista expressa nas concessões e permissões que desde os Estados latino-americanos são outorgadas às multinacionais do extrativismo, minando os territórios para manter os compromissos com os bancos internacionais e privilegiando os interesses privados acima da autonomia dos que promovem o respeito à natureza como mandato de origem ancestral.

Denunciamos que dita militarização é a responsável pelo assassinato de Jaime Mendosa Coluio, Alex Lemunao, Matias Catrileo, Santiago Maldonado, o desaparecimento de José Huenante, o encarceramento de Facundo Jones Huala, Héctor Llaitul, Celestino Cordova, Ramón Llanquileo, assim como a perseguição contra Francisca Linconao, Benito Trongol, José Trancal, entre tantos anônimos que sofrem dia a dia a perseguição por parte das forças repressivas dos Estados chileno e argentino ante o olhar cúmplice de alguns setores da sociedade, legitimando a estigmatização das lutas pela recuperação dos territórios ancestrais e o fazem impunemente, sustentando mitos inventados pelos mesmos poderes que os exploram e alimentam a base de sua trágica ignorância.

Como RAMALC nos reconhecemos como filhos e filhas das lutas milenares dos povos indígenas e alimentamos nossa memória histórica recolhendo suas marcas, é por isso que repudiamos enfaticamente o uso das forças repressivas por parte dos Estados chileno e argentino frente a todas as comunidades do Wallmapu e apoiamos sua justa reivindicação do Território e Autonomia e sua luta não violenta.

Rede Antimilitarista da América Latina e Caribe, Ramalc

1º de dezembro de 2017

ramalc.org

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Nem uma brisa:
o gosto de sol quente
nas framboesas

Betty Drevniok