Milhares de indígenas marcham para capital do Equador em protesto por alta de combustível

Milhares de camponeses e indígenas marcham nesta segunda-feira (07/10) para a capital do Equador, Quito, desafiando o governo de Lenín Moreno, que decretou o estado de emergência diante dos protestos que ocorrem há seis dias devido ao aumento nos preços dos combustíveis.

Manifestantes das províncias do sul dos Andes partiram na noite de domingo a pé e em vans para protestar na capital pela eliminação de subsídios e a consequente alta.

Outros grupos de indígenas também se deslocam do norte do Equador para protagonizar uma grande mobilização na quarta-feira (09/10) junto a sindicatos na capital, onde, nesta segunda-feira à tarde foram retomados confrontos violentos entre manifestantes e policiais, que se aproximavam da casa do governo, que permanece isolada por agentes, no centro colonial.

Na cidade de Machachi, a 35 km de Quito, militares e policiais tentaram dispersar a marcha com bombas de gás lacrimogêneo. Barricadas e pneus também podem ser vistos na estrada, segundo jornalistas da AFP. A enorme caravana chegou à tarde até Cutuglagua, perto da cidade.

“Vamos ultrapassar a marca de 20 mil indígenas”, disse em Quito nesta segunda-feira (07/10) Jaime Vargas, presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que em 2000 protagonizou o movimento pela queda do então presidente Jamil Mahuad, questionado por sua política econômica.

No domingo, a organização também declarou um “estado de exceção em todos os territórios indígenas”.

“Militares e policiais que se aproximarem de territórios indígenas serão retidos e submetidos à justiça indígena (reconhecida pela Constituição)”, destacou.

Várias dezenas de militares, que desde a quinta-feira foram mobilizados para “restaurar a ordem”, estão sendo mantidos em comunidades do interior, segundo líderes indígenas.

Outros grupos de povos indígenas também se deslocam do norte do país para participar da grande mobilização prevista para a quarta-feira ao lado dos sindicatos em Quito.

Em 16 das 24 províncias equatorianas foram registrados bloqueios nas estradas nesta segunda, de acordo com um relatório do Serviço de Segurança Integrado ECU 911.

Os protestos deixaram até o momento um civil morto, 73 feridos (incluindo 59 agentes de segurança) e 477 detidos, de acordo com as autoridades.

Vários setores sociais rejeitam a decisão do governo em eliminar os subsídios, anunciada na última quinta-feira, que atende a um acordo assinado com o FMI para a concessão de um empréstimo de 4,2 bilhões.

A medida gerou aumentos de até 123% nos preços dos combustíveis. O galão de 3,79 litros de diesel passou de 1,03 para 2,30 dólares e o da gasolina comum de 1,85 para 2,40 dólares.

Por conta dos protestos, Moreno decretou o estado de exceção, que além de mobilizar as Forças Armadas, lhe confere poderes para restringir direitos como o da livre mobilidade e impor censura prévia à imprensa.

Fonte: agências de notícias

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Tânia D’Orfani

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