[Itália] Carlo vive. O Estado, não.

Gênova 2001 não foi um parêntese. Nem uma exceção. Foi um teste de sistema, um ensaio geral da repressão sob as insígnias do Ocidente que se autoproclama democrático.
 
Lá, na vitrine blindada do G8, entrou em cena o rosto nu do poder: feroz, impune, protegido.
 
Carlo Giuliani morto a sangue frio por um carabiniere. A Diaz? Um estupro. Bolzaneto? Um campo de concentração.
 
Na Diaz fizeram o que fazem nos quartéis quando ninguém está olhando. Mas desta vez havia holofotes. Esmagaram crânios, costelas. Encarneiraram. Plantaram provas falsas. Fizeram isso sabendo que ninguém os impediria.
 
Em Bolzaneto, torturou-se. Palavra proibida nos tribunais italianos. Homens e mulheres insultados, espancados, despidos, humilhados.
 
Uma gestão paramilitar da segurança, sob a direta regência dos altos escalões do Estado. Nada de maçãs podres: eram os comandos que davam as diretrizes, os políticos que encobriam, os juízes que abafavam.
 
E depois? Os responsáveis? Promovidos. Os carrascos? Protegidos. Os mandantes? Nos salões nobres.
 
Quem ainda acredita que aquele Estado possa ser reformado é ingênuo. Ou de má-fé. Porque aquele Estado, em Gênova, fez a guerra. E nunca pediu desculpas. O Estado mata, reprime, apaga as provas e se congratula. Sempre fez assim.
 
Carlo vive. O Estado, não.
 
Alfredo Facchini
 
Tradução > Liberto
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
chuva lá fora –
os pássaros, molhados,
foram embora
 
Carlos Seabra

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