
João Lopes de Souza, também conhecido como Santa, nasceu em São João da Barra, estado do Rio de Janeiro, no dia 4 de maio de 1896. Santa era filho da doméstica América Maria da Conceição e do operário marítimo Abraão de Souza, e neto de uma angolana capturada na África e escravizada no Brasil.
Santa trabalhou como alfaiate, cigarreiro, padeiro e ferroviário. João Lopes sofreu inúmeros casos de racismo. Como aprendiz de estaleiro foi proibido de ser torneiro-mecânico por ser preto. Na sua cidade natal, ele foi impedido de entrar no Clube Concha e na Banda de Música por causa da cor da pele. Certa vez, João Lopes e um companheiro estavam caminhando quando a polícia os prendeu sem motivação e os ameaçou enviar para a Escola de Aprendizes Marinheiros, uma escola da Marinha, onde os castigos físicos eram conhecidos por todos.
Morando na cidade de Campos, Santa trabalhou como padeiro numa padaria italiana. Por suas habilidades com a massa, Santa ficou conhecido como Menino de Ouro. Porém, o trabalho na padaria era extenuante. Os operários não tinham tempo para dormir, nem para almoçar, além de exercerem outras funções.
Além de operário, João Lopes também foi músico e jogador de futebol. Santa tocou em grupos de choro, inclusive no grupo de Pixinguinha. De acordo com seus companheiros, a vida boêmia distanciava os operários da luta social. O samba e o choro eram ritmos de origem negra e eram bastante criticados pela elite preconceituosa como também pelos sindicalistas libertários. Santa também foi jogador de futebol em clubes de várzea. Porém, nem todos os clubes o aceitavam por muito tempo, pois ele era negro.
Santa e outros operários fundaram a Liga dos Padeiros de Campos, Rio de Janeiro. O programa era: acabar com essa história de padeiro entregar pão na rua, que botassem outro encarregado. E acabar com o almoço. Em vez de 30, pagar 70 ou 80 mil-réis a seca. E também fazer revezamento: trabalhamos à noite e só à noite. Pegamos das três da tarde às oito da manhã, e não vamos ficar até uma, duas horas da tarde para fazer rosca e biscoito. Santa foi adepto da ação direta, praticando sabotagem contra padarias da cidade.
Em 1922, João Lopes se converteu ao comunismo quando ingressou no Sindicato dos Metalúrgicos. Ele participou das primeiras reuniões do Partido Comunista Brasileiro. Foi presidente do Bloco Operário Metalúrgico, no Rio de Janeiro. Santa também participou da Intentona Comunista, em 1935. Foi preso e enviado para os presídios de Ilha Grande e de Fernando de Noronha.
O experiente revolucionário João Lopes de Souza morreu em 1988, aos 92 anos de idade.
REFERÊNCIAS
CAMPOS, Beatriz Luedemann. João Lopes de Souza: a trajetória política de um trabalhador negro revolucionário no Brasil. Dissertação. Mestrado em História – Universidade Federal de São Paulo. Guarulhos, 2025.
GOMES, Angela Maria de Castro (coord.); FLAKSMAN, Dora Rocha; STOTZ, Eduardo Navarro. Velhos Militantes: depoimentos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.
Autor:
CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).
BLOG PLUMA NEGRA: https://plumahnegra.blogspot.com/
agência de notícias anarquistas-ana
sol poente
numa ruela
menino corre das sombras
Rod Willmot
Que isso, anarquia mesmo? Achei interessante esse ponto sobre a revolução espanhola, mas confesso que nunca tinha parado pra pensar…
O texto ficou bem natural, dá para sentir que veio de uma experiência real. Esses detalhes pequenos acabam prendendo mais…
Viva a revolução espanhola e viva a anarquia!
bom texto!
posição lúcida. organização anarquista com marca registrada? pedindo ação do estado contra trabalhadores? opa, pera lá caceta!