
O Instituto de Estudos Anarquistas (Institute for Anarchist Studies – IAS) tem o prazer de anunciar os projetos contemplados com uma bolsa Anarchist Horizons durante o ciclo de financiamento de 2026.
A Cage Is a Cage (Uma Gaiola é uma Gaiola), de Mica Fares e Josh Davidson
Esta bolsa apoia a ilustração e a divulgação de A Cage Is a Cage, um livro infantil sobre a abolição das prisões.
Todos os royalties do livro serão destinados ao Rosenberg Fund for Children, que apoia as necessidades educacionais e emocionais de crianças cujos pais sofreram repressão em razão de seu ativismo político progressista.
A Cage Is a Cage está sendo ilustrado por Mica Fares, anarquista, organizadora e artista, e foi escrito por Josh Davidson, anarquista, abolicionista, integrante do coletivo do calendário Certain Days: Freedom for Political Prisoners, participante do Children’s Art Project junto ao preso político Oso Blanco e editor de dois livros, Rattling the Cages e A Clean Hell, ambos em parceria com o ex-preso político Eric King.
O livro será publicado pela PM Press em 2027.
The Fire Tribe Project, de Pustaka Catut
The Fire Tribe Project é um projeto de pesquisa dedicado às sociedades sem Estado do arquipélago indonésio, povos que viveram sem reis e mantiveram sua autonomia diante dos reinos hindu-budistas, dos sultanatos e, posteriormente, do Estado colonial das Índias Orientais Holandesas.
O resultado será um livro escrito em linguagem acessível ao público leigo e disponibilizado gratuitamente na internet.
A Pustaka Catut é uma editora anarquista da Indonésia, dirigida editorialmente pelo escritor anarquista Bima Satria Putra.
Anarchist Pedagogy and Architecture in Cuernavaca, de Neil Mauricio Andrade
Este projeto de documentação, pesquisa e tradução entrelaça experiências históricas com redes contemporâneas voltadas à produção de espaços “conviviais” (Ivan Illich), fundamentados em uma “sinergia positiva” entre autonomia e heteronomia (Jean Robert). Em outras palavras, trata-se da criação de ambientes que desafiam a urbanização capitalista, promovem formas de habitação e modos de vida não burocráticos e não coercitivos, além do desenvolvimento de ferramentas pedagógicas que ofereçam alternativas aos sistemas educacionais estatais e bancários.
Somos um grupo plural de documentação, arquivo e pesquisa que busca fissurar o sistema colonial-moderno por meio do pensamento crítico e da ação comunitária. Nosso trabalho está enraizado na ideia de “construção simbólica vernacular”, desenvolvida por Jean Robert, e inspira-se na epistemologia decolonial, feminista e zapatista de Sylvia Marcos.
The Big Forget (O Grande Esquecimento), de Kit Blamire
The Big Forget é um projeto de história oral do presente que atravessa a névoa do esquecimento coletivo para registrar as histórias e perspectivas de pessoas que, em Berlim, continuam usando máscaras e politizando a crise contínua da COVID-19 em 2026.
O projeto é desenvolvido por Kit Blamire, organizadora, cineasta, artista e cuidadora do luto residente em Berlim.
Fauda: chaos as mutual aid organizing in the West Bank (Fauda: o caos como organização de ajuda mútua na Cisjordânia), de Ricardo Esteves Ribeiro
Há décadas, comunidades palestinas organizam-se coletivamente por toda a Palestina por meio de algumas das mais sofisticadas redes de ajuda mútua para resistir à ocupação colonial sionista.
Fauda: chaos as mutual aid organizing in the West Bank é fruto de aproximadamente dez anos de reportagem na Cisjordânia, especialmente em Masafer Yatta, Farkha, Ramallah e Belém, além das campanhas de colheita de azeitonas, acompanhando comitês de resistência popular, coletivos e organizadores comunitários que, apesar da escalada da violência, dedicam suas vidas a criar as condições para que as comunidades possam praticar aquilo que chamam de sumud: permanecer na terra e não abandoná-la.
Ricardo Esteves Ribeiro é cofundador do Fumaça, um podcast português de jornalismo investigativo sem fins lucrativos e anti-autoritário dedicado a examinar sistemas de opressão. Desde 2017 cobre a Palestina, passando longos períodos na Cisjordânia e nos territórios ocupados em 1948, escrevendo principalmente para o Fumaça, El Salto e Mondoweiss.
My Cross Is Blacker Than Yours: The Black Anarchic Beyond Anarchism (Minha Cruz é Mais Negra que a Sua: o Anárquico Negro para Além do Anarquismo), de Chaaz C. Quigley
O livro explora o “anárquico” como uma característica recorrente da vida negra por meio de figuras como Ella Baker, do Hoodoo e das redes de parentesco negras.
A obra argumenta que as práticas negras de ajuda mútua, cuidado coletivo, auto-organização e sobrevivência constituem uma tradição própria de construção da liberdade que ultrapassa as categorias políticas herdadas.
Chaaz C. Quigley (pronomes they/them) é uma pessoa negra não binária, escritora, organizadora comunitária e teórica política independente da experiência trans, radicada no Texas. É criadora do Chaos Collectivism e autora de The Clear Seeds of Chaos, Care Is a Weapon e Chaos in Essay.
Join with Me Tomorrow & Other Stories, da After the Storm
Join with Me Tomorrow & Other Stories é uma antologia de nove escritores que imaginam futuros melhores para além do capitalismo, do colonialismo e de outras hierarquias contemporâneas.
Esta bolsa permitirá que o livro seja distribuído no modelo “pague o quanto puder”, além da doação de exemplares para bibliotecas em todo os Estados Unidos.
After the Storm é uma cooperativa de trabalhadores em formação e uma revista de ficção especulativa voltada para imaginar futuros alternativos. Publica histórias que visualizam mundos para além de sistemas de opressão como o patriarcado, o capitalismo e o fascismo. Lança edições trimestrais que convidam ativistas e sonhadores a reinventar o futuro.
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Fonte: https://anarchiststudies.org/2026-ias-grantees/
Tradução > Contrafatual
agência de notícias anarquistas-ana
lerdamente,
a água empurra a água
e o rio flui
Alaor Chaves
Que isso, anarquia mesmo? Achei interessante esse ponto sobre a revolução espanhola, mas confesso que nunca tinha parado pra pensar…
O texto ficou bem natural, dá para sentir que veio de uma experiência real. Esses detalhes pequenos acabam prendendo mais…
Viva a revolução espanhola e viva a anarquia!
bom texto!
posição lúcida. organização anarquista com marca registrada? pedindo ação do estado contra trabalhadores? opa, pera lá caceta!