
Nos últimos anos, os estudos sobre o movimento ácrata na América Latina experimentaram uma notável renovação historiográfica, em termos temáticos, metodológicos e arquivísticos. Entre seus traços principais, destacam-se o interesse por suas dimensões político-culturais em sentido amplo, a articulação de diversas escalas analíticas, o estudo de redes transnacionais, a ampliação das temporalidades e o reconhecimento de uma pluralidade de anarquismos.
Embora durante décadas as pesquisas tenham privilegiado um arco temporal centrado na passagem do século XIX para o XX, trabalhos recentes deram conta dos complexos rumos do movimento no continente após a década de 1930. E, ainda que a Guerra Civil Espanhola costume ser apresentada como o golpe de misericórdia ao anarquismo no Ocidente, essas investigações atuais não apenas demonstram sua posterior reorganização, como também apontam como a experiência peninsular se constituiu em um prisma privilegiado a partir do qual os setores libertários interpretaram suas próprias conjunturas políticas e ideológicas. No entanto, apesar desses avanços, ainda persiste uma lacuna no estudo do movimento em relação aos projetos geopolíticos da ordem bipolar surgida após a Segunda Guerra Mundial: o capitalismo ocidental e o comunismo soviético.
Nessa linha, o presente Dossiê propõe reunir artigos que investiguem as ações, itinerários, posicionamentos, discursos e debates de diversas organizações e individualidades anarquistas da América Latina e do Caribe diante de um dos processos mais disruptivos da era bipolar: a Revolução Cubana de 1959, sua gesta e seus desdobramentos. Com o propósito de aprofundar o estudo de um objeto de abordagem recente, busca-se examinar em que medida esse fenômeno histórico operou como esperança revolucionária e/ou como fator de fratura e reconfiguração do movimento anarquista. Para isso, convida-se a trabalhos que abordem esse problema de pesquisa a partir de um variado corpus (que contempla literatura especializada, imprensa anarquista e de outras esquerdas, documentação organizacional, correspondência, entrevistas, memórias e manifestações artísticas) e que apliquem uma abordagem multiescalar capaz de entrelaçar as dimensões local, regional, nacional e transnacional. Entre os eixos temáticos possíveis, sugerem-se: as redes de solidariedade e o exílio; os debates ideológicos na imprensa; a juventude e as Novas Esquerdas; e os itinerários biográficos.
Desse modo, pretende-se contribuir para o fortalecimento do campo de estudos sobre os anarquismos na região, uma área dinamizada nas últimas décadas pela abertura e consolidação de arquivos especializados, pela realização periódica de encontros acadêmicos e por uma crescente produção editorial.
COORDENADORES DO DOSSIÊ
Luciano Oneto (CeDInCI-CONICET, UNC): luciano.omar.oneto@gmail.com
Daniel Trejo (UNAM, Colbach): rotesdaniel@gmail.com
O recebimento dos manuscritos vai até 30 de novembro de 2026.
Data prevista de publicação: Número 62, 2027.
Em caso de dúvida, por favor, escrevam para os coordenadores e/ou para a secretaria da revista.
Tradução > Liberto
agência de notícias anarquistas-ana
outro assobio
escuto os passarinhos
sem dar um pio
Ricardo Silvestrin
Viva a revolução espanhola e viva a anarquia!
bom texto!
posição lúcida. organização anarquista com marca registrada? pedindo ação do estado contra trabalhadores? opa, pera lá caceta!
Comunistas, Capitalistas e Anarquistas e a servidão voluntária. Mas... A hora mais escura é logo antes do amanhecer. (Provérbio árabe)
História sensacional! Desconhecia completamente essas informações.