[Alemanha] Vigília em memória do companheiro Clément Méric

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No Portão de Brandemburgo, em frente à Embaixada da França em Berlim, foi feito durante a tarde de terça-feira (12 de junho) um ato em memória de Clément Méric, antifascista assassinado em Paris por um grupo de extrema-direita, em 5 de junho passado.

Este ataque brutal é parte de uma crescente onda de violência de extrema-direita nas ruas da França. Especialmente em torno aos protestos homofóbicos das últimas semanas, que tinham sido usados por grupos de ultradireita para mobilizar e preparar o terreno para os ataques fascistas.

“Hoje, expressamos a nossa dor, a nossa raiva e nossa solidariedade. Nos reunimos no Portão de Brandemburgo, em frente à Embaixada da França para recordar Clément bem como todas as outras vítimas da violência da direita. Não esqueceremos! Recordar significa lutar! Antifascista Sempre!” North-East Antifascists (NEA)

 

[Grécia] Facebook desativa 4.000 contas e pede os dados pessoais para voltar a ativá-las

Duas semanas atrás, os dirigentes do Facebook haviam declarado que em breve iriam adotar medidas para proibir a publicação de fotos que, de acordo com seus critérios, “favorecem o uso da violência”. Na quarta-feira, 5 de junho, o Facebook começou a desativação de mais de 4.000 contas de usuários gregos. Entre as contas há muitas que tinham postado fotos de conflitos e enfrentamentos de rua entre manifestantes e policiais, bem como outras de grupos antifascistas, esquerdistas, antiautoritários e de pessoas que se opõem ao Regime e as forças da Soberania.

Como sempre ocorre nesses casos, a desativação foi precedida por “denúncias” anônimas. Para justificar a desativação dessas contas o Facebook deixou um recado, sustentando que tinham verificado que as informações da conta não correspondiam aos dados reais de seu usuário. Para reativar uma conta o Facebook solicita o nome, sobrenome e o e-mail do usuário, bem como uma fotocópia da sua carteira de identidade…

Facebook, como outro Big Brother, corta as contas, as fotos e os vídeos que são perigosos para o totalitarismo global. O objetivo é criar uma realidade virtual, na qual só irão permitir as fotos inofensivas e comentários brandos daqueles que interiorizaram a lavagem cerebral da propaganda midiática. Os outros vão ser reprimidos e não aparecerão em nenhum lugar desse mundo virtual. Enquanto a sociedade está recebendo a ofensiva implacável do Capital, o Facebook considera violência qualquer reação contra ela.

Facebook exige que os usuários de contas desativadas preencham os seus dados pessoais e anexem uma fotocópia da sua carteira de identidade.

Facebook exige que os usuários de contas desativadas preencham os seus dados pessoais e anexem uma fotocópia da sua carteira de identidade.

agência de notícias anarquistas-ana
gotas de orvalho
cobrem a borboleta
camuflagem de prata
Sérvio Lima

[França] Homenagem a Clément Méric, antifascistas sempre!

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Clément, 18 anos, morreu, assassinado por fascistas, em 5 de junho, perto de Saint-Lazare. Uma só frase é suficiente para exprimir toda a gravidade da situação.

O fascismo e os fascistas não pertencem ao passado, a ameaça está sempre presente, foi isso que ficou provado. Face a eles, devemos organizarmo-nos, lutar, criar um bloco. Mostrar-lhes que nós estaremos sempre aqui para lhes barrarmos o caminho. Que as suas ideias não valem o que valem as nossas e que por isso não há lugar para nenhum debate.

É preciso também denunciarmos vivamente as recuperações moderadas e politiqueiras já posta em marcha por organizações socialdemocratas ausentes do terreno da luta antifascista. Estamos a pensar em particular na UNEF (União Nacional dos Estudantes Franceses) e no Parti de Gauche (Partido de Esquerda) que não esperaram para organizar, cada um por si, uma concentração de homenagem ao nosso camarada. Como não agem, esta gente apropria-se dos mortos porque são menos perigosos. Já se ouvem os apelos à Justiça, ao Estado e ao Governo para que proíbam as organizações fascistas, mas há quanto tempo é que as organizações e os grupos revolucionários fazem soar as campainhas de alarme para esta situação?

Clément era militante da Action Antifasciste Paris-Banlieue e da organização estudantil Solidaires Etudiant-e-s Sciences Po. Era antifascista e revolucionário.

A Federação Anarquista envia modestamente as suas condolências à família e aos próximos de Clément e afirma que se aliará a todas as forças revolucionárias, progressistas e honestas para prestar homenagem a Clément e continuar a defesa do seu envolvimento militante, que não morreu com ele.

Federação Anarquista Francesa

Vídeo da homenagem a Clément da comunidade do Instituto de Ciências Políticas de Paris, onde ele estudava:

Vídeo da manifestação em Paris em solidariedade com jovem antifascista morto por neonazistas

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No dia 5 de junho passado, Clément Méric, 18 anos, foi assassinado por um grupo de fascistas em Paris (França). Ele morreu em consequência dos socos que levou, que causaram traumatismo múltiplo no seu rosto, na cabeça e no pescoço.

Clément era estudante do Instituto de Ciências Políticas de Paris, militante de uma organização estudantil e do grupo Ação Antifascista. No último dia 8 de junho, milhares de pessoas saíram às ruas de Paris para protestar contra a morte de Clément e homenageá-lo.

Fascistas Não Passarão!

Aqui um vídeo da manifestação:

[França] Paris: Terminou o julgamento antiterrorista contra 6 compas

Em Paris, entre 14 e 22 de maio de 2012, realizou-se o primeiro julgamento sob jurisdição antiterrorista aos militantes designados pela investigação como pertencentes ao movimento “anarco-autônomo”. Os seis inculpados, como milhares de pessoas, tomaram parte de diferentes lutas sociais: movimento CPE, revoltas à volta das eleições presidenciais de 2007, lutas contra o internamento dos indocumentados e pela liberdade de circulação… desde manifestações selvagens até sabotagens, a conflitualidade que se expressava dentro das lutas transbordava frequentemente o quadro legal ou as habituais mediações políticas e sindicais. Inês, Javier, Damien, Ivan, Franck e Bruno cumpriram entre 5 e 13 meses de prisão preventiva, e continuaram sob controle judicial até ao julgamento.

Em 25 de junho o tribunal anunciou a sua decisão.

De acordo com a decisão:

O Frank foi considerado inocente e absolvido de todas as acusações. Poderá exigir uma indenização pelos 6 meses de detenção.

O Ivan, eliminado da acusação de pertencer ao grupo, por causa da recusa de amostra de DNA, foi considerado culpado dos outros atos praticados, condenado a 1 ano de prisão, dos quais 6 meses suspenso, indeferimento do pedido de não registro criminal.

O Bruno foi eliminado da acusação de pertencer ao grupo por causa da recusa de amostra de DNA. Foi considerado culpado dos restantes atos praticados, condenado a 1 ano de prisão, dos quais 6 meses são suspensos.

O Damien foi eliminado da acusação de pertencer ao grupo do grupo por causa da recusa de amostra de DNA.  Foi considerado culpado dos restantes atos praticados, sentenciado a 2 anos de prisão, dos quais 1 ano é suspenso.

A Inês foi considerada culpada de todas as acusações contra ela, condenada a 30 meses de prisão, dos quais são suspensos 18 meses, indeferimento do pedido de não registro criminal.

O Javier foi considerado culpado de todas as acusações, condenado a 3 anos de prisão, dos quais 2 anos suspensas, indeferimento do pedido de não registro criminal.

Note-se que o período de sua detenção (preventiva) abrange quase a totalidade das penas, por isso é improvável que algum deles regresse à prisão. Aqueles para os quais restam algumas semanas ou meses, serão convocados posteriormente para se apresentarem num julgamento especial que decide sobre a aplicação de sanções.

Tudo o que serviu de evidência experimental foi apreendido. A natureza terrorista do caso foi mantida na acusação final.

As sanções são mais ou menos consistentes com as recomendações do Ministério Público (no caso de Inês e Javier são ligeiramente reduzidas), das exceto para Frank, que foi absolvido de todas as acusações.

Foi dado um prazo de 10 dias para recorrerem, tanto para a defesa como para a acusação.

Crônica dos três primeiros dias do julgamento dos 6 compas

No primeiro dia muitos se reuniram em solidariedade em frente ao local onde o julgamento teria lugar, 10ª vara, apesar do grande número de policiais e de câmeras na entrada do tribunal. A defesa entrou na sala de audiências, e os seis foram instalados no banco dos réus.

No início, a juíza pediu a cada um deles que se identificasse e  indicasse a profissão. Todos eles estão no fundo de desemprego, o que levou um dos juízes a dizer que um verdadeiro contestatário não deveria depender do Estado. Comentário estúpido de um velho reacionário que, deliberadamente, esquece que a prisão aniquila a vida e destrói qualquer perspectiva. Em seguida, perguntou-lhes se eram inocentes ou culpados. Ninguém se declarou culpado apenas negam o rótulo e se recusam a fornecer DNA. Damien explicou sobre esta questão que é uma questão de princípio, não fornecer as suas impressões digitais.

A presidente do tribunal expôs as acusações contra eles e, em seguida, veio o momento mágico (quando os companheiros fora da sala começaram a gritar com raiva). A juíza continuou a ler as acusações, enquanto do lado de fora podia-se ouvir os slogans “polícia, porcos, assassinos” e “Abaixo o estado, a polícia e os patrões”. Por fim seriam expulsos pela polícia.

O primeiro ato desta farsa judicial é o convite aos compas para virem ao banco dos réus, de modo a que lhes peçam informações sobre a sua vida escolar e profissional – como se estivessem examinando animais selvagens numa feira!  Por outras palavras, como é que, numa sociedade tão aberta e tolerante, algumas pessoas podem levantar-se e contestar a máquina estatal?

Mais uma vez, o mesmo juiz fez um comentário estúpido sobre Bruno – acerca do conceito de ser um contestatário e de aceitar um controle judicial depois de o negar.Outra interrogação da juíza é sobre a escrita de cartas (que leu integralmente) e da sua publicação no site Indymedia.

Obviamente, tal ação é particularmente incomoda – certamente, para isso é que o Indymedia é a movida do movimento anarco-autónomo tal como  o Al Jazzera para a Al-Qaeda!

Bruno, Ivan e Damien refutam a acusação de intenção de fabricar explosivos, explicando que só pretendiam fazer um fumigénio. Além disso, um relatório pericial confirma que a mistura que tinham feito não era suficiente para tal. E os pregos que foram encontrados na sua posse eram destinados a ser colocados na estrada para irritar os motoristas de carros no trajeto da manifestação contra o CRA de Vincennes.

Todos eles negaram o termo “movida anarco-autónoma parisiense”, invenção da polícia e da mídia. A presidente considerou ainda que não se pode definir este termo que apareceu na imprensa e, especialmente, no jornal “le Parisien”, onde os artigos  foram citados durante esta audiência. Colocar este gênero de questões coloca em evidência a ignorância seguida da provocação.

Confrontado com as perguntas da presidente do tribunal, Frank preferiu mencionar as condições de isolamento carcerário na DCRI. Ele disse que a partir do momento em que cruzou o limiar do serviço, um informante exclamou: “Bem-vindo a Guantánamo”. Descreveu as condições de isolamento sensorial e referiu-se à luz acesa durante toda a noite.

A juíza observou que ele tinha sido comunista… lógico, uma vez que tinha sido encontrado em sua casa material para o “Novo Partido Comunista Italiano” (em suma, não se pode ser informado sob pena de se ser catalogado). Uma tal consciência política mantém perplexa a interrogadora.

Ela pergunta-lhe (aos outros compas também): “Por que não entram na Anistia Internacional ou no Social SAMU (próximo da Cruz Vermelha)?”

Em seguida, refere-se ao famoso frigorífico de Frank e aos seus autocolantes de Ação Direta, Georges Ibrahim Abdallah e ao EZLN (que alega ser um movimento basco!). Ah! Se gosta da violência como nas fotos da revolta na Grécia, então tem um comportamento potencialmente perigoso. Além disso, em sua casa, encontrou-se um texto em árabe evocando a guerra civil na Argélia, o que levou o tradutor supostamente independente à conclusão de que é simpatizante da Frente Islâmica de Salvação (FIS) da Argélia! O promotor foi ainda mais longe ao dizer que as condições de detenção nas prisões de segurança na DCRI estão descritos na imaginação do acusado, querendo saber como apoiar os prisioneiros de Ação Direta (presume ter sido cometido sete assassinatos) e Ibrahim Georges Abdallah, sem ter modos violentos.

Para a Inês, as mesmas questões de novo. A interrogadora interroga novamente, dizendo que, tendo DNA, é útil em caso de violação. No final do segundo dia da audiência, Ivan foi convidado a dar explicações quando se visitasse o conteúdo do site, também correndo, até que o presidente perguntou: “Por que não criar seu próprio site para expressar os seus pontos de vista?” E é melhor assistir também…

O terceiro dia começou com o interrogatório de Javier. Na altura de sua prisão, foi encontrado, no seu saco, o livro “Da Memória”, de Jean-Marc Rouillan (ex-membro da Ação Direta na Prisão, que foi libertado sob medidas restritivas). Contudo de más intenções. O companheiro pronuncia-se precisamente sobre a recolha suposta do seu DNA e da sua fragilidade científica como meio de prova. Insurge-se, também, sobre a presença da sua inscrição como militante da fantosmagórica MAAF nos ficheiros da RG e calcula que o tribunal já os tenha condenado. A juíza, grosseira, respondeu que isso era casual. A audiência finda pela leitura fastidiosa de todos os aborrecimentos do relatório RG sobre as ações em manifestações e outras de “anarquistas” nos outonos, desde 2006!

A audiência terminou com a leitura entediante com referência para ações durante as marchas e diversas outras ações de “anarquistas” a partir de 2006. Sempre o mesmo desejo de criar uma conexão com um nebuloso caso terrorista…

Fonte: http://paris.indymedia.org/spip.php?article10917

Tradução > Liberdade à Solta

agência de notícias anarquistas-ana

Sulco fundo de arado.
A terra aberta ferida
Eis a vida.
Eunice Arruda

Carta aberta de um Macaco Prego para a prefeita de Cubatão

Marcia Rosa,

Prefeita de Cubatão (SP), professora, mãe, avó…

Sinceramente não sei por que eu estou escrevendo esta carta para a Senhora, pois a única vez que eu a vi aqui em mais de 3 e meio de mandato foi em 22 de agosto de 2010, e só porque uma professora portuguesa denunciou o contexto sórdido do minizoológico do Parque Ecológico Cotia-Pará no jornal A Tribuna de Santos, do contrário tenho certeza que a Senhora jamais teria aparecido aqui, neste campo de concentração animal que vocês humanos chamam de minizoológico.

Aliás, uma borboleta me contou que a Senhora não frequenta os parques ecológicos da Cidade, que só sabe fazer oba-oba em nome da Natureza para sair “bem na foto”, posando de “ecologista”, de pessoa preocupada com o meio ambiente. Que cinismo! Que hipocrisia!

Enfim, naquele dia eu encarei os seus olhos, e percebi que a Senhora era mais uma prefeita “mais do mesmo” que apareceu em Cubatão, especista, omissa e insensível a causa animal, como a maioria dos membros de alto escalão do seu governo.

Senhora, nasci livre, na mata… Mas num mundo comandado por humanos, império do ódio, da ganância, do racismo, da escravidão, da tortura, das prisões… Laçaram-me, prenderam e hoje eu sobrevivo numa ilha artificial, num lugar sinistro, horrível, pequeno, sem árvores, sem verde, isolado, em exposição excessiva ao calor nos dias quentes… Um lugar drasticamente diferente para os quais nós macacos pregos nascemos e herdamos nossas características genéticas.

Senhora, como ex-professora você deve saber que macacos pregos vivem em árvores, pulando de galho em galho, mas a porra desta ilha de merda não tem sequer uma árvore!!!

Senhora, nós, três macacos pregos, sobrevivemos a mais triste das vidas nesta ilha humilhante, vergonhosa. Coloque as suas filhas e netas no nosso lugar e imagine o quão assombrosa seria a vida delas aqui. Como vocês humanos gostam de dizer, “pimenta na bunda dos outros é refresco!”.

Senhora, revolto-me contra os humanos que com base na cegueira da sua própria escravatura nos mantêm a sofrer, as torturas do calor, de um lugar-prisão onde nos obrigam a sobreviver.

Senhora, quero ser livre! Poder saltar, voar… Quero viver sem a interferência humana… Quero poder habitar e percorrer qualquer árvore, olhar do alto delas, saborear as suas folhas, fazer amor nos galhos, correr em bandos, ser feliz! Entende senhora, é simples, quero ser livre e feliz, porra!

Um ser silvestre ainda vai conquistar a sua liberdade, abandonar esta maldita ilha deserta que vocês humanos nos condenaram, sem árvores, sem o azul do céu como horizonte…

Senhora, um ser silvestre chora, sofre, entristece, é humilhado por humanos… Mas não se rende! Luto pela minha liberdade!

Senhora, um ser silvestre quer ser livre!

Avisem todos os tiranos, todas as tiranas…

Haveremos de nos revoltar!

ou a Mãe Terra por nós! Em nosso nome!

Um Macaco Prego

• Segue imagens do local onde estão os três macacos pregos, que explicitam a existência de maus-tratos aos animais, ato de abuso, humilhação, sofrimento, descaso animal e ambiental… A Prefeitura de Cubatão poderia ser enquadrada perfeitamente na Lei Federal dos Crimes Ambientais, Nº 9.605. Sucessivas denúncias deste crime ambiental já foram feitas, mas…

• Endereço útil para mandar “recadinhos” para a prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT):

› ouvidoria@cubatao.sp.gov.br

Olhe no fundo dos olhos de um animal e, por um momento, troque de lugar com ele. A vida dele se tornará tão preciosa quanto a sua e você se tornará tão vulnerável quanto ele. Agora sorria, se você acredita que todos os animais merecem nosso respeito e nossa proteção, pois em determinado ponto eles são nós e nós somos eles

Philip Ochoa

[EUA] A Las Barricadas: Um jogo de tabuleiro sobre o Conflito Social

A Las Barricadas é um jogo sobre o conflito entre duas forças opostas, em termos sociais, nomeadamente entre o Estado e os manifestantes antiautoritários. É um jogo para duas pessoas no qual cada jogador representa uma destas forças sociais, sendo o teatro de conflito o das manifestações de rua. É desenvolvido e projetado pelo coletivo Jogos Black Flag, empenhados na ideia de que os jogos e a mídia interativa podem ter impacto na luta por um mundo livre e cooperativo. Estamos também comprometidos com os ideais de uma cultura livre e que visam oferecer experiências profissionais de jogos que enriqueçam a cultura do entretenimento participativo.

A Las Barricadas foi concebido para simular a espontaneidade e a imprevisibilidade das manifestações e das ações diretas. Do mesmo modo foi cuidadosamente elaborado não apenas para ser divertido mas também para aprimorar o pensamento tático coletivo, da mesma forma que um jogo de guerra pode aguçar a capacidade estratégica dos seus jogadores. O jogo é uma disputa entre dois participantes, um simulando as forças do Estado e a aplicação da lei, o outro simulando os manifestantes radicais antiautoritários. O jogador Policial tem a consistência e a força física do seu lado, enquanto que o jogador Radical tem a capacidade de tornar-se rapidamente esmagador se jogar bem, assim tendo melhores condições para ditar o tom do conflito. Cada jogador tem à sua disposição uma infinidade de opções estratégicas e objetivos variáveis que mantém o jogo renovado, a cada jogada.

O jogo teve luz verde nos testes de ensaio e vem sendo aperfeiçoado há mais de um ano. Queremos envolver a comunidade em geral no refinamento e no polimento do jogo antes da publicação final. Portanto, como parte do nosso pontapé inicial, pode-se inscrever para receber enviado um protótipo Playtester, como recompensa, e que será recebido muito antes do jogo final ser enviado. Receberá também indagações e meios de comunicar eventuais problemas e erros no jogo, antes que este siga para impressão. Receberá também um crédito especial playtester no manual de regras do jogo.

No espírito das fontes abertas (Open Source) e como declaração contra a propriedade intelectual e em nome da cooperação, após o término e a publicação do jogo, todos os materiais de jogo e ilustrações serão lançados sob uma Licença Comum Criativa de Atribuição e Partilha. Isto significa que qualquer pessoa poderá criar as suas próprias ampliações do jogo, imprimir as próprias edições e desenhar os próprios mapas com base em acontecimentos históricos ou locais significativos; ou até fazer adaptações ou novos jogos inteiros.

Esperamos que o jogo venha a ser um sucesso e que seja útil como ferramenta de treino tático, educação e conversação acerca do papel das ações e manifestações nos movimentos sociais emergentes. Se gostarem do que estamos a fazer, juntem-se aos nossos esforços.

Mais infos:
http://www.kickstarter.com/projects/1318318905/a-las-barricadas-a-boardgame-of-social-conflict

Tradução > Anita N.

agência de notícias anarquistas-ana

a aurora
estende a rede de bruma
pelos vales
Rogério Martins

[EUA] O que faria a Emma Goldman?

[EUA] O que faria a Emma Goldman?

No seu livro mais recente, “Emma Goldman: A Revolução como forma de vida”, Vivian Gornick examina a vida e o pensamento da grande anarquista e dissidente americana. David Johnson, editor da Web BR, falou com ela, na semana passada [17 de outubro de 2011], acerca do seu novo livro e da psicologia dos radicais e dos protestos do Occupy Wall Street.

David Johnson > Antes de escrever o livro já era admiradora da Emma Goldman? Conhecia muito acerca dela?

Vivian Gornick < Conhecia-a na forma de clichê, a de uma criança que cresce no seio de uma família de esquerda e que conhece certas figuras marcantes. Ela era conhecida como amiga da classe trabalhadora internacional. A classe trabalhadora era santa, heroica, intocável e todos os que eram associados à causa do trabalhador eram heróis. E isso era tudo o que eu conhecia.

DJ > Ao pesquisar para o livro, descobriu algo surpreendente sobre ela?

VG < Muitas coisas foram surpreendentes. Emma Goldman foi uma pessoa de contradições internas enormes e disse e fez muitas coisas que deixariam a minha mãe de boca aberta. Tinha muitas facetas e compulsões que deviam ter sido chocantes para as pessoas daquela geração, para as quais ela era simplesmente um ícone.

DJ > O livro oferece um retrato psicológico profundo de Emma Goldman, em vez de uma biografia histórica tradicional. Acha que existe algo como uma psicologia de um radical ou dissidente? E, em caso afirmativo, em que medida a Emma representa isso?

VG < Para mim, Emma foi o protótipo da rebeldia. Acho que é isto o que caracteriza os radicais de esquerda: a recusa profunda de aceitar o mundo como ele é, quando sentem que é injusto, desafiando a autoridade quando essa autoridade é injusta. Acho que existe um temperamento que leva uma pessoa a ser ativista, é o caso dela; ela constitui o primeiro exemplo disso.

DJ > O que pensa que ela faria em relação aos atuais protestos do Occupy Wall Street?

VG < Acho que ela iria diretamente para lá. Aliás, eu ainda não fui mas planejo ir esta semana. Pelo que entendi, não têm um orador “profissional”, eles funcionam tomando a palavra, de uns para outros.

DJ > O microfone um a um?

VG < Sim, é uma tática maravilhosa. Mas se a Emma estivesse lá, estaria em cima de uma caixa de sabão, fazendo em dois segundos a sua declaração, a pleno pulmões, a qual se poderia ouvir até ao rio. Acredito que adoraria. Diria que está na hora. Há já longo tempo.

DJ > Vai falar? Ou só irá na de “tomar tudo”?

VG < Não, vou até lá, dar uma olhada e talvez participar.

DJ > Admito que fiquei muito entusiasmado ao ler este livro, considerando o estado das coisas. Muitas pessoas acham que precisamos de mais ativismo: precisamos ter raiva, sair às ruas, precisamos ter alguma dessa paixão de Emma Goldman.

VG < Então, o que podemos aprender dela? Foi uma grande insurreta, desafiadora da injustiça da autoridade. Ela estava sempre nas ruas. Ela é uma figura maravilhosa para ser invocada nestes tempos. Isso é verdade, mas sabemos o que acontece com as grandes figuras radicais: não podem fazer com que o movimento exista. Podem só conduzi-lo se este está a acontecer.

Não estamos a viver tempos políticos. Não é o momento para fazer um discurso na rua para 10.000 pessoas como nos anos 60. Tudo o que está acontecendo em Washington…

Obama está sempre a ser comparado com FDR [Franklin Delano Roosevelt] e a Grande Depressão, mas quando o Roosevelt abriu a boca e sugeriu a reforma, e que reforma, todo o país o seguiu, aplaudindo nas ruas. Obama – que é de fato um presidente assustadoramente decepcionante – está mais fraco por não ser apoiado pelas pessoas. Precisamos saber quantas Emma Goldman há nos nossos dias cujas vozes estão a ser abafadas em vez de ser seguidas. É possível que o movimento Occupy Wall Street se vá espalhar, chegando a ser um movimento popular e a ter os efeitos que tiveram os movimentos pacifistas do Vietnam e acho que muitas pessoas pensam da mesma maneira que eu, vamos ver. Mas não é possível haver uma Emma Goldman a surgir do nada que tenha o poder de virar a maré da crescente atmosfera da extrema-direita.

DJ > Questiono-me se o tempo dos “líderes” como Emma Goldman já não passou…

VG < Não, não passou, não é só aqui agora. Não é passado enquanto tivermos um futuro, enquanto estivermos vivos. Emma foi considerada louca porque falava eloquentemente em público sobre a sua autolibertação. É por isso que amava os Estados Unidos da América.

DJ > Porém, quando se olha para os protestos do Occupy Wall Street, observa-se que estes são baseados no modelo de um coletivo sem liderança.

VG < É o estilo do momento, acho que foi uma das razões pelo qual a revolta egípcia inicial foi maravilhosamente não violenta e sem liderança no início: eles colocaram a liderança do mundo em torno deles, com o qual tiveram contato profundo, devido à tecnologia. Quando a usaram, continuaram a dinâmica de acreditar que poderia ser dessa forma. É um período intensamente democrático, mais do que nunca, e assim, não, não acho que as vozes como a de Emma vão surgir em breve. Não temos uma atmosfera revolucionária, agora.

DJ > Uma das coisas que achei interessante foi o fato da Emma se ter identificado tão fortemente com a América e quão desanimada ficou com o exílio forçado na Rússia em 1919. Mas eu ainda não entendi porque é que ela achava a América o lugar certo para ela e para as suas políticas radicais. Com tantos lugares radicais, por exemplo, na Europa, porque é que achou a América o lugar certo para ela?

VG < Porque a essência do anarquismo que floresceu nela foi a questão da individuação: o indivíduo que se experimenta a si próprio de maneira internamente livre. Ela foi mais devotada à ideia da autolibertação do que a qualquer outro aspecto do anarquismo – essa é uma característica americana de anarquismo, o tema da autolibertação – e essa não estava na agenda dos anarquistas europeus.

Em vez disso, eles dedicaram-se à busca de alternativas para o governo central e para o sistema de comunas. Como eu afirmo no livro, os heróis dela não eram políticos, mas sim literários e filósofos – Thoreau, Emerson e Whitman. Ela era grande admiradora das pessoas que falavam eloquentemente acerca da autolibertação. Por esta razão amava os Estados Unidos e ficou surpreendida tanto quanto qualquer outra pessoa quando se viu ser deportada. Na verdade, nunca superou esse momento.

DJ > Ela escreveu um livro acerca dos anos vividos na Rússia bolchevique no qual tomou uma posição muito crítica em relação a ela, o que lhe custou muitos amigos dentro da esquerda radical.

VG < Famosamente crítica. Não diz nenhuma coisa positiva. Naquela época muitas pessoas de esquerda ainda estavam dispostas a simpatizar e compreender a revolução russa, mesmo depois de esta ter começado a azedar. Era apenas 1920 e alguns estavam dispostos a ver o bem que a revolução fazia, mas ela não estava disposta a fazê-lo, nem por um segundo. Houve uma luta enorme a acontecer nas mentes e corações de muitas pessoas na Rússia com quem ela não simpatizava. Ela viu as coisas muito a preto e branco, como o fez mais tarde durante a guerra civil espanhola, quando os anarquistas estavam a ser derrotados pelos comunistas e aqueles escolheram acomodar-se e fazer acordos com os comunistas. Ela nunca perdoou, achava que deviam ter ido embora, debaixo de fogo. Emma era assim.

DJ > Juntamente com a sua falta de simpatia e cegueira em relação à complexidade das situações, também escreve que ela nunca teve qualquer conhecimento real da força motivadora por trás do seu próprio comportamento.

VG < Não, não tinha. Como exemplo que nunca assumiu a sua própria experiência, que nunca aprendeu com ela e que se autojustificou até ao fim, recorri à sua vida amorosa. Fez uma gloria enorme do amor romântico e insistiu que era a chave para a libertação: esse amor, esse desejo sagrado é a melhor coisa que alguém jamais poderá experimentar e que te transformará num qualquer tipo de pessoa milagrosa, e claro que isso não aconteceu.

Repetidamente não aconteceu. E ela não assumiu esta realidade psicológica para perguntar “Porque estou a fazer isto?”. Qualquer pessoa hoje, com o mínimo de capacidade ia perguntar “Porque estou a fazer isto repetidamente e o que é que isto revela sobre mim mesma? Mas ela nunca seguiu este caminho.

DJ > Pergunto-me se ela leu Freud.

VG < Ela leu Freud. Tirou dele o que queria e ignorou o restante [risos].

DJ > A respeito da sua relação com o feminismo, você escreve: “Emma Goldman não era uma feminista, ela era uma radical sexual o que fez dela uma defensora do controle da natalidade e do sexo sem casamento, mas não uma defensora dos direitos das mulheres como o termo é geralmente entendido”.

VG < Não, não foi e isso é evidente na sua crítica da mulher moderna. Ela disse que a mulher moderna se tornou dura e não feminina, que desistiu do amor e de tudo o resto, coisas que ela considerava de importância primordial. Dizia que o amor é a coisa mais importante da vida de uma mulher, disse que ter filhos é a coisa mais importante que pode acontecer na vida de uma mulher; isto não consta na agenda dos direitos das mulheres. Os direitos das mulheres é um movimento pela igualdade. Isso não lhe interessou de todo e nem os apoiava – não lhe interessava minimamente.

DJ > No fim do livro afirma que a expressão “O Pessoal é Político”, é legado de Emma. Acha que absorvemos completamente o ideal de que “O Pessoal é Político”?

VG < Eu posso-o fazer, na medida em que as pessoas estabeleceram uma série de “sentimentos próprios feridos” segundo a terminologia publicitada nos anos sessenta. Todos os movimentos nos anos sessenta surgiram do testemunho pessoal: levantamo-nos e dissemos: “Isto é o que somos, isto é o que sentimos, isto é o que precisamos para nos sentirmos humanos e vivemos num mundo que não nos dá o que necessitamos para nos sentir humanos”. É como vejo “O Pessoal é Político”, exatamente como acabei de parafrasear: para se exigir a um governo e à cultura o que permite às pessoas sentirem-se humanas e tomar cuidado com o que nos faz sentir inumanos.

David Brooks escreveu uma obscena coluna no Times, quando disse [parafraseando]: “Todos estão lá fazendo de vítimas, o mundo não funciona assim. 99% das pessoas autodenominam-se vítimas e estão contra os 1% como se isto fosse resolver todos os problemas”. Foi nojento. Geralmente gosto dele, é razoável, mas foi horrível descrever desta maneira o que se passou nesse dia. “99% fazem de vítimas”. Isto é todo o país! Foi uma loucura.

DJ > Ele é inteligente, mas pode ser muito escorregadio.

VG < Foi uma rejeição dolorosa do significado do que estava acontecendo. É certamente possível que porta-vozes possam sair dos protestos, mas não é o que é necessário neste momento. Quando se olha para o movimento dos anos sessenta contra a guerra, não acho que houve heróis em particular. Foi um movimento verdadeiramente democrático. Se estes protestos continuarem e se tornarem um movimento genuíno, devem ser capazes de pôr um pouco de espinha dorsal na administração de Barack Obama, fazendo-o aumentar os impostos, pelo menos isto, se nada mais. Occupy Wall Street é um agrupamento diverso, mas é uma revolta do povo. Veremos o que faz…

Portanto não, não é o momento para a Emma, mas não se esqueça do tempo em que ela vivia e de todos os anarquistas e comunistas que se tornaram famosos. Eram contra a mais inumana das épocas – a industrialização. Então, face a essa pressão, as pessoas sensatamente enfrentaram-na e quando o fizeram deu-se uma revolução. Mas as pessoas como ela e o Lenin estão intimamente ligadas à revolução, e nós não temos uma revolução agora.

DJ > Não. Pelo menos ainda não.

VG < [risos] Não.

DJ > Vai ser interessante ver o que as próximas décadas nos trazem.

VG < Devemos viver e estar bem para ver o que trazem as próximas décadas.

Tradução > Anita N.

agência de notícias anarquistas-ana

pousada na lama,
a borboleta amarela,
com calor, se abana
Alaor Chaves

[França] Relatório do 70º Congresso da Federação Anarquista francófona

De 26 a 28 de maio de 2012 foi realizado, em Rouen, o 70º Congresso da Federação Anarquista. Estes três dias de encontro são importantes para nós, militantes da Federação Anarquista, porque não só nos permitem fazer o balanço do ano anterior da nossa organização (relatórios de diversos secretariados e administração), mas também, e mais importante ainda, por estas jornadas constituírem um momento de escolhas, debate e reflexão sobre a nossa ligação às lutas e perspectivas em termos federativos.

O nosso Congresso abordou, em primeiro lugar, a situação social tanto na França como fora das suas fronteiras. Foram discutidas e analisadas as revoluções no Oriente Médio, nos países a que chamam “árabes” assim como a chegada a bordo da tão recente primavera dos nossos primos do Quebéc [Canadá] ou ainda as “crises” grega e espanhola, o retorno dos “socialistas” aos “negócios”, etc. Abordou-se também as muitas micro alternativas sociais e econômicas onde os libertários em particular, ou com outros, testam a autogestão (Amap, cooperativa, escola…).

Experiências e debates frutuosos para a ação militante, a enriquecer o que permanece, a popularizar, a desenvolver e, eventualmente, acabar por generalizar.

O nosso congresso constituiu também uma oportunidade de trabalhar nas comissões, onde falar em público é mais fácil do que em sessão plenária. Realizaram-se, este ano, reflexões em torno de três temas. Uma primeira comissão foi realizada na emergência de novas formas de protesto e de lutas sociais, tais como o movimento dos Indignados, os Occupy ou os coletivos de lutas (indocumentados, requisições de habitação, antirepressão, lutas contra os grandes trabalhos inúteis – tipo No-TAV [Não Trem de Alta Velocidade] -, antinuclear, anonymous…) que muitas vezes são ricas, mas muitas vezes sem conexão às lutas sindicais convencionais e, por vezes, demasiado enraizadas em combates corporativos ou setoriais. Daí a construção, a prazo, da convergência entre esses diferentes setores da contestação da ordem capitalista.

Como agir face a isto? Nós pensamos que era necessário, ou significativo, continuarmos a agir nesses movimentos, tomar aí o nosso lugar, enquanto anarquistas, e aí ter um papel que nos permitisse espetar o nosso ferrão, sem tentativa de recuperação e em total transparência, a fim de se alcançar a convergência de todos estes esforços, na perspectiva de uma revolução social emancipatória e não apenas no âmbito de um desenvolvimento ilusório da sociedade capitalista.

Uma segunda comissão abordou a necessidade de organizar uma coordenação interna dos anarcosindicalistas e dos anarquistas sindicalistas da Federação Anarquista, em conjunto com outras iniciativas deste tipo, a fim de produzir todas as análises, para organizar ações conjuntas e para compartilhar as nossas práticas, seja qual for a nossa filiação sindical (CNT, SUL, CGT, FSU, CGT-FO). Este debate levou-nos à conclusão de que o nosso papel, como anarquistas, foi essencial para estimular e ativar conflitos de confronto direto, para garantir que nas empresas as lutas são detidas e geridas diretamente pelos assalariados sem nenhuma recuperação partidária.

Mas também aparecer claramente como anarquistas, a fim de ser capaz de garantir o cumprimento da “democracia direta” e contribuir para a tomada de consciência da utilidade de uma luta global, interprofissional e autogerida, visando a destruição do sistema de exploração capitalista. É neste sentido que funcionará, durante o próximo ano, a coordenação dos militantes sindicais da Federação.

Uma terceira comissão analisou as formas e meios de propaganda da Federação Anarquista. Nesse sentido, interessou-se em particular pelo conteúdo das mensagens enquanto suporte para ampliá-las. Assim, foram abordados o destino e a forma do jornal Monde Libertaire e da Radio Libertaire, o uso das redes sociais ou ainda do YouTube. Houve também a discussão dos problemas da natureza das mensagens, da tentativa de definir se devem permanecer globais ou gerais (autogestão) ou se devem aproximar-se ou fazer parte dos interesses mais limitados e imediatos (transportes gratuitos). As duas opções, foram escolhidas, dependendo das circunstâncias, quanto aos princípios porque não são contraditórios.

Por fim, o 70º Congresso da Federação Anarquista abordou a realização de dois encontros essenciais à vida e ao desenvolvimento do movimento e das ideias libertárias. Primeiramente os Encontros Internacionais do Anarquismo de Saint- Imier (Suíça), que se realizarão no início de agosto de 2012. Os congressistas tiveram em conta a organização financeira e material do evento (milhares de pessoas são esperadas) e o seu programa político e cultural (www.anarchisme2012.ch) e deram-lhe o seu aval. Aval tanto mais importante pois no mesmo local e nas mesmas datas será realizado o Congresso da Internacional das Federações Anarquistas (IFA), onde a Federação Anarquista se propõe a ser o secretariado.

Em suma, apesar de algumas controvérsias inevitáveis e tantas vezes úteis nestas circunstâncias, um congresso frutuoso, o confronto de ideias permite depois de se debater, a procura do consenso. O 71º Congresso¹ será em 2013, e provavelmente acontecerá em Marselha, será também o dos sessenta anos da Federação Anarquista e a oportunidade de analisar as novas perspectivas que se abrem ao movimento libertário, tanto ao nível hexagonal como internacional.

Fifi, Secretário Geral
Hugues Lenoir, ex-Secretário Geral

[1] 71º Congresso dos sessenta anos, como congresso extraordinário, explica-se devido a algumas circunstâncias, como a decisão, em meados dos anos setenta, de transformar o jornal Le Monde Libertaire mensal, em semanal, e no final de 2011, de lançar um Le Monde Libertaire gratuito.

Tradução > Liberdade à Solta

agência de notícias anarquistas-ana

No céu enfeitado,
papagaio de papel:
também vou no vôo.
Anibal Beça

Solidariedade a presos/as políticos/as bielorrussos/as de 30 de junho a 2 de julho

Se passou muito tempo desde que apareceu o último chamado de solidariedade aos/às anarquistas bielorrussos/as.

Hoje temos que reconhecer que é necessária urgentemente uma nova onda de solidariedade para ajudar a tirá-los/as da prisão. É por isso que lhe chamamos para participar dos dias de ação em solidariedade aos/às prisioneiros/as políticos/as bielorrussos/as de 30 de junho a 2 de julho.

Os/as ativistas Ihar Alinevich, Mikalai Dziadok, Artsiom Prakapenka, Pavel Syramolatau, Aliaksandr Frantskievich, Jauhen Vas´kovich, que foram detidos/as no outono de 2010 e inverno de 2011, e condenados/as a passar de 3 a 8 anos na prisão em maio de 2011 por uma série de ataques aos símbolos do Estado e do capital, estão terminando seu segundo ano na prisão. Durante este tempo, seus/suas companheiros/as e parentes fizeram o melhor para ajudar a se sentirem confortáveis na detenção e libertá-los/as. Em outubro de 2011 foram reconhecidos/as como presos/as políticos/as por organizações de direitos humanos. Este fato lhes deu grandes chances de serem libertados/as o quanto antes, porque no momento o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, enfrenta pressão da União Europeia com a exigência de que libertem todos/as os/as presos/as políticos/as e os/as descriminalize. Desde agosto de 2011 ele já perdoou mais de 30, mas nenhum/a de nossos/as companheiros/as recebeu liberdade.

Lukashenko disse publicamente que irá perdoar apenas aqueles/as que escreverem um pedido de perdão, admitindo sua culpa e pedindo a ele pessoalmente por misericórdia. Todo o resto permanecerá na prisão. De fato já foi perguntado a dois companheiros, Mikalai Dziadok e Alexandr Frantskevich se gostariam de assinar o pedido em agosto de 2011, e ambos recusaram. Agora existem ainda 13 presos/as políticos/as na Bielorrússia, dentre eles/as 5 de nossos/as companheiros/as e mais um, aprisionado em uma ação de solidariedade a eles/as. Temos certeza que nenhum/a deles/as pedirá por misericórdia, porque fazer isso seria uma vergonha a um/a anarquista ou qualquer pessoa honesta.

Todos/as os/as presos/as estão experimentando diferentes tipos de pressão da administração das prisões onde estão presos/as¹, porque Lukashenko quer ser um vencedor nesta situação e fazer como se não fosse a União Europeia que o estivesse forçando a libertar os/as presos/as políticos/as por medo de mais sanções políticas e econômicas, mas como se fosse sua boa vontade de perdoá-los/as, novamente apenas se eles/as pedirem por isso.

Nós nos opomos fortemente ao fato de que nossos/as companheiros/as estão sendo tratados/as como moeda de troca para obter benefícios da União Europeia, e condenamos a pressão que estão experimentando. Chamamos a todos/as para protestar contra estas torturas e exigir a libertação imediata dos/as presos/as políticos/as da Bielorrússia, incluindo anarquistas.

São bem-vindas as ações de solidariedade de QUALQUER tipo iniciadas a partir de agora ou concentradas nos dias de solidariedade, e também pedimos que sejam feitas ações de solidariedade ao menos uma vez por mês se for possível, mesmo depois dos dias de solidariedade. Precisamos de pressão constante sobre o regime e os políticos da União Europeia neste momento. Que seja um rolo ininterrupto de ações por todo o mundo, até que nossos/as companheiros/as estejam livres!

[1] Os casos de pressão sobre os/as prisioneiros/as incluem: transferências para outras instituições penais, privação de alimento externo, privação e cortes de encontros com parentes, privação de ligações telefônicas, atrasos e interrupções no recebimento de correspondências, colocação na solitária, transferência para instalação penal com regime especial, etc.

Para saber mais sobre os ataques, visite:

http://abc-belarus.org/?p=6&lang=en

Para saber mais sobre as sentenças, visite:

http://abc-belarus.org/?p=326&lang=en

Cruz Negra Anarquista da Bielorrússia
Amigos/as e Parentes de presos/as

Tradução > Marina Knup

agência de notícias anarquistas-ana

capulhos na pereira
e uma mulher à luz da luz
lendo uma carta
Buson