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[Espanha] Crônica 1º de Maio em Barcelona

By A.N.A. on 5 de Maio de 2016

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Este 1º de Maio caracterizou-se pela diversidade de convocatórias no seio do movimento libertário da cidade de Barcelona e localidades limítrofes. Em nosso caso, desde a Regional de Catalunha e Baleares da CNT-­AIT organizamos um ato no qual o eixo central foi, como não podia ser de outra maneira, a problemática da classe trabalhadora, tanto no mundo estritamente laboral (conflitos sindicais) como em todas as situações derivadas do fato de pertencer a esta classe social: migrações, desalojos, repressão, guerras…

O ato começava às 10 horas. Durante toda a manhã sucederam-se diversos discursos de companheiras/os implicados em diferentes lutas, paralelamente ao desenvolvimento de atividades infantis, postos e distribuidoras de livros anarquistas e a criação de um mural comemorativo do 1º de Maio. As lutas resumidas nos diversos discursos foram uma pequena mostra da atividade que durante o último ano nossa organização realizou em diversas localidades. Entre elas, destacamos as seguintes intervenções:

– Seção Sindical de UDON: as companheiras desta empresa nos relataram sua experiência sindical, especialmente a vitória conseguida pela CNT durante a greve convocada no mês de janeiro deste ano, que resultou na melhora das condições de trabalho de toda a equipe. Ressaltaram a importância da ação direta como método para solucionar os problemas laborais, assim como a importância da unidade e da luta das trabalhadoras para fazer frente às injustiças que se cometem a cada dia nos centros de trabalho.

– Seção Sindical de Mary’s Twins: as companheiras de Prat del Lobregat nos contaram a repressão sindical sofrida por reclamar que se cumprissem seus convênios laborais. Trata-se de uma empresa de limpeza que nem sequer cumpre as mais mínimas condições laborais especificadas no convênio coletivo. As companheiras nos explicaram a dificuldade de manter a cabeça erguida em um setor como o da limpeza, o qual devido à pirataria dos empresários e os estigmas baseados na opressão do gênero feminino, se encontra muito menosprezado. No caso das companheiras, a exigência de umas condições dignas resultou na demissão de várias trabalhadoras que atualmente estão lutando por sua readmissão.

– Iluminação pública de Granollers: um companheiro de Granollers nos atualizou sobre a situação deste conflito, que começou faz já vários anos com a demissão de vários trabalhadores da empresa IMESAPI após a convocatória de uma greve. No dia de hoje, após uma sentença favorável a readmissão dos trabalhadores, a atual empresa, SECE, continua se negando a pagar os salários de tramitação que deve. Ademais, obrigada na sentença a sub-rogar aos trabalhadores, lhes despediu imediatamente após reincorporar-se ao centro de trabalho. Atualmente se está brigando pela readmissão dos trabalhadores e pelo pagamento dos salários de tramitação que lhes deve.

– Sergi, antifascista condenado a prisão: o companheiro Sergi, do sindicato de Barcelona, nos contou a repressão sofrida a raiz de participar em uma ação de repulsa à celebração de um concerto neonazi no ano 2011. Atualmente o companheiro tem uma sentença de prisão, paralisada temporariamente até a resolução de uma petição de indulto. O companheiro assinalou a importância de fazer frente à extrema-direita, especialmente em um momento em que suas organizações estão crescendo alimentadas pelo racismo e o ódio gerado pelo capitalismo e a política de guerra, tanto militar como econômica, que obrigam a milhões de pessoas a migrar para sobreviver.

– Grevistas 29M: uma das pessoas detidas após a passada greve de 29M de 2012 nos atualizou a respeito do processo penal que pretende levar ao cárcere a dois grevistas e no qual está envolvida a empresa El Corte Inglês. Por sua vez, o companheiro, militante da CNT-­AIT de Barcelona, reafirmou o caráter de confrontação inerente às greves, fazendo uma dura crítica às tentativas de regulação das mesmas, as quais estão orientadas a fazê-las menos eficazes. A partir deste processo judicial, tanto a CNT-­AIT de Barcelona como Acció Llibertària de Santscomeçaram uma extensa campanha para defender a greve como ferramenta de luta e para assinalar a participação de empresas como El Corte Inglês na repressão às pessoas que lutam.

– Fantoches: também houve ocasião para recordar aos companheiros detidos em Madrid pela apresentação de um espetáculo de fantoches. Os compas, membros da companhia Fantoches desde Baixo, e um deles afiliado à CNT­AIT de Granada, se encontram atualmente a espera de julgamento, acusados de enaltecimento do terrorismo. Nos lembra que pela obrigação de acudir a assinar aos tribunais os dias 5 de cada mês, desde os grupos de apoio aos fantoches estão se organizando concentrações coincidindo com este momento. Portanto, o próximo dia 5 às 12 horas teremos um encontro antirrepressivo na “Ciutat de la Jusiticia”.

Por último, um companheiro da CNT-­AIT de Barcelona assinalou as linhas gerais de ação do anarcossindicalismo, destacando a importância de passar à ofensiva e não só fazer um sindicalismo de defesa.

Posteriormente aos discursos, o ato foi amenizado pelas atuações musicais de Juanito Piquete, primeiro, e Freehand Doblezero & DJ Bloom em seguida. Ambas atuações se caracterizaram por uma explícita mensagem política de corte libertária. No caso de Juanito Piquete, tratou-se de canções de corte mais “tradicional”, voz e guitarra. Freehand y DJ Bloom, no entanto, nos deleitaram com um rap cru e direto, carregado de letras incendiárias.

Às 14 horas, com algum atraso, partiu uma manifestação pelas ruas do Raval y el Paral∙lel. A manifestação contou com uma participação de umas 500 pessoas, e em todo momento se entoaram cânticos a favor da luta obreira, as pessoas presas e contra o Estado e o Capitalismo.

Manifestação

O ato da manhã concluiu depois da manifestação com uma comida popular. Posteriormente numerosas pessoas foram à manifestação libertária unitária da tarde, a mais numerosa das marchas anticapitalistas da jornada, onde vários milhares de pessoas percorreram o centro da cidade. É destacável a ação que aconteceu em Ciutat Vella, onde se ocupou uma antiga escola de artes para destinar o edifício à acolhida de pessoas migrantes e refugiadas. Exemplos como este demonstram que a solidariedade do movimento libertário não é só palavra escrita.

Por todo o relatado, este ano despedimos a jornada do 1º de Maio com bom sabor na boca e esperando que seja o impulso militante e animador que nos permita afiançar as lutas anarcossindicalista e libertárias da cidade de Barcelona e seus arredores.

Fonte: http://cnt.es/noticias/barcelona-cr%C3%B3nica-1-de-mayo

Tradução > Sol de Abril

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Aqui e ali,
Sobre os campos florescem
As quaresmeiras.

Paulo Franchetti

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