Militarismo e Lucro: O Capitalismo Segue Alimentando a Máquina da Guerra

O lançamento, neste dia 21 de novembro de 2024, de um míssil balístico intercontinental pela Rússia contra a Ucrânia representa um dos momentos mais inquietantes da guerra em curso, reafirmando a irracionalidade da escalada militar. Embora o projétil não estivesse armado com uma ogiva nuclear, sua simples utilização demonstra a disposição de recorrer a instrumentos de destruição massiva, expondo a humanidade ao risco de catástrofes de proporções inimagináveis. Essas armas, projetadas para atingir distâncias superiores a 5.000 km, evidenciam a crescente militarização das relações internacionais e a falência dos Estados, mais uma vez, para lidar com conflitos.

Essa situação é indissociável da lógica do capitalismo global, que alimenta guerras por meio de interesses econômicos e industriais. A indústria armamentista, motor de economias inteiras, prospera às custas da instabilidade internacional e do sofrimento humano. Grandes potências, frequentemente lideradas por conglomerados privados, utilizam conflitos como pretextos para justificar investimentos exorbitantes em defesa, enquanto necessidades sociais básicas permanecem negligenciadas. Sob essa ótica, a guerra não é apenas uma tragédia humanitária, mas também um negócio lucrativo, uma engrenagem que move o capital global em direção à destruição, não ao progresso humano.

A guerra, nesse sentido, deve ser compreendida como um subproduto direto de um sistema que valoriza o lucro acima da vida. Sob o capitalismo, a busca incessante por recursos naturais e mercados transforma nações em campos de batalha, e populações inteiras em peões sacrificáveis. Nos conflitos atuais (e em especial na guerra Rússia X Ucrânia) os interesses econômicos, como o controle de corredores energéticos e recursos estratégicos, são mascarados por discursos nacionalistas ou ideológicos. A retórica da segurança nacional frequentemente esconde o fato de que a guerra é um meio de perpetuar desigualdades globais e consolidar hegemonias econômicas e políticas.

Dessa forma, o uso de tecnologias avançadas em guerras modernas é mais uma afronta capitalista à razão e à humanidade. Os recursos direcionados ao desenvolvimento de armas poderiam ser empregados na erradicação da fome, na universalização da educação e na mitigação da crise climática — desafios também ocasionados pelo capitalismo e que ameaçam a humanidade de forma muito mais profunda que qualquer conflito armado.

Portanto, mais do que nunca, é necessário um rompimento político, econômico e ético com as estruturas que perpetuam o militarismo e a violência. A superação do capitalismo como sistema global é fundamental para construir uma sociedade em que o valor da vida humana prevaleça sobre os interesses do capital. Apenas por meio da rejeição ao militarismo e à exploração será possível alcançar um futuro de verdadeira paz e justiça social, longe dos Estados, longe do Capital.

Liberto Herrera

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agência de notícias anarquistas-ana

Vento nas árvores
As bolhas de sabão
Foram com as folhas.

Estrela Ruiz Leminski

[Grécia] Ílion: Eventos na ocupação Agros

Domingo, 24 de novembro

12h00-14h00 Plantio de vegetais de inverno

14h00-16h00 Cozinha coletiva

Cultivamos de forma coletiva e auto-organizada, sem títulos de propriedade estatal ou privada, sem racionalidades utilitárias e orientadas para o lucro. Territorializamos nossa necessidade de autonomia alimentar e apresentamos a autogestão coletiva da terra como outro campo de luta, que ocupa seu lugar entre as outras projeções do mundo do contra-poder para a libertação individual e social.

Domingo, 8 de dezembro a partir das 13h

Jogos teatrais do grupo de teatro auto-organizado Buffonata

“…com o desejo de nos expressarmos politicamente por meio do teatro, fora das estruturas e hierarquias comerciais. Longe das aspirações carreiristas, do dinheiro dos patrocinadores, da fossa da mídia. Longe de propostas de “arte pela arte, sobretudo arte…”

Contra o Estado e o capital e o deserto que tentam impor

Com teimosia, companheirismo e imaginação

PLANTAR A SEMENTE DA DESOBEDIÊNCIA

Ocupação Agros

agros.espivblogs.net

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Olhando bem
O cafezal, na verdade,
São laranjeirinhas…

Paulo Franchetti

[Espanha] Decomposição Absoluta a Níveis Altos

O desastre causado pelas inundações provocadas pela “gota fria” de 29 de outubro passado, especialmente na parte sul da Área Metropolitana Valenciana, não tem nada de natural. Na gênese e desenvolvimento da maior catástrofe havida na zona confluíram quatro causas antinaturais muito imbricadas nos modos de habitar, trabalhar e administrar a coisa pública sob um regime capitalista. A primeira, de origem industrial, é o aquecimento global gerado pela emissão de gases de efeito estufa das fábricas, calefações e veículos, causadores de fenômenos meteorológicos extremos como a d.a.n.a. A segunda, de caráter político, é a incompetência culpada da administração estatal e autonômica, cuja irresponsável passividade e negligência poderia tachar-se de homicida. A terceira, de características econômicas e sociais, é a suburbanização completa da periferia agrária da cidade de Valência, ou seja, a conversão dos municípios de Huerta em um grande subúrbio-dormitório e em uma zona poligonal logística, comercial e industrial. A quarta, consequência da anterior, é a motorização generalizada da população suburbana, forçada pela acentuada separação que o desenvolvimentismo implantou entre os lugares de trabalho e de residência.

O aquecimento global devido à queima colossal de combustíveis fósseis por parte da atividade industrial e da circulação, foi chamado “mudança climática” pelos dirigentes para dissimular sua natureza econômica. As maquiagens ecológicas a que deram lugar a aparente oposição das elites ao aumento global de temperatura promoveram um capitalismo “verde” de pouco efeito nas coroas das metrópoles, modeladas por um urbanismo selvagem e umas infraestruturas viárias envolventes que se tornam inoperantes inclusive as medidas “descarbonizadoras” mais pueris (pontos de recarga elétrica, ajardinamentos, uso de bicicletas, etc.). Que sustentabilidade pode dar-se em espaços metropolitanos insustentáveis por essência?

A ralé governante e a classe política em geral não são absolutamente ineptas em todos os terrenos, ao contrário, é bastante capaz no que concerne a seus próprios interesses, alheios claro está aos interesses da população que administram. A profissionalização da gestão do poder fabricou seres com uma psicologia especial, muito centrada na disputa partidária por parcelas de autoridade e com uma falta de sentido da realidade tão grande que permite aflorar sem pudor seu lado mais canalha e fuleiro, livrando involuntariamente ao espetáculo uma imagem de parasita e vigarista. Ninguém merece esse tipo de políticos, nem sequer os que o elegem, mas dada a maneira de funcionar o sistema de partidos e os meios de comunicação, não podem haver de outra classe.

Na atualidade, a área metropolitana de Valência, a AMV dos assassinos do território, amontoa cerca de um milhão de pessoas, majoritariamente trabalhadores, ultrapassando a população da mesma capital. Esta concentração populacional é um fato dinâmico, de origem relativamente recente. A partir dos anos sessenta do passado século se desencadeou um processo triplo de industrialização extensiva, urbanização descontrolada e regressão agrícola, pelo qual a periferia urbana se converteu em um foco econômico de primeira magnitude, paraíso dos promotores imobiliários e importante fonte de empregos. Desenvolvimentismo da pior espécie. Para o caso que nos ocupa, os municípios de Horta Sul, que em 1950 apenas superavam todos juntos os cem mil habitantes, hoje, em 2024, já satelizados e proletarizados, alcançam meio milhão. Somente um povoado como Torrent, ultrapassa os 90.000 habitantes. A comarca alberga também 27 polígonos industriais e três grandes superfícies comerciais. É atravessada pela rambla de Chiva, ou do Poio, uma torrente que recolhe contribuições de vários barrancos e todo tipo de cargas contaminantes, indo parar em Albufera. Nem precisa dizer que os rendimentos pecuniários do negócio imobiliário propiciaram a muitos deles, enquanto edifícios, carros, ruas e inclusive pomares se distribuíam pelas zonas inundáveis, e os de concepção mais insensata ocupavam as bordas ou inclusive partes do mal cuidado canal da rambla principal, que recolhia águas da Foya de Buñol. Curiosamente, a cidade de Valência se salvou do fluxo graças ao desvio canalizado do Turia construído em tempos de Franco, garantindo uma divisão geográfica “de classe” que as rodovias de contorno e os corredores do AVE [trem de alta velocidade] não fizeram mais que reafirmar. A um lado, a Valência gentrificada, a dos turistas, homens de negócios e funcionários, com o preço da moradia e o aluguel nas alturas; do outro, as excrecências metropolitanas carentes de serviços públicos eficazes, habitadas majoritariamente por gente modesta de meios escassos. Simplificando: a Valência das classes pós burguesas e a não-Valência das classes populares.

O crescimento da AMV revelou problemas de conectividade entre o subúrbio e o centro, obrigando a uma mobilidade deficientemente propiciada pelos ônibus, metrô e trens. Também, a conexão entre municípios é quase nula. Na periferia-dormitório se vive de cara à capital, não de cara ao vizinho. Em consequência, a conversão do trabalhador da periferia em automobilista frenético é obrigatória: o carro é a prótese necessária do proletariado pós moderno. É um instrumento de trabalho cuja manutenção corre por sua conta. Como resultado, dos 2’7 milhões de deslocamentos diários que há na coroa metropolitana, as três quartas partes se fazem em veículo privado. O parque de automóveis é agora impressionante: em 2022 pela AMV circulavam mais de um milhão de carros, furgonetas e caminhões, e cerca de 500.000 o faziam na própria Valência. Entre 50 e 60 veículos para cada cem habitantes. Não surpreende então que os carros tenham sido as máquinas mais sinistradas pela “barrancada” – 44.000 – e que sua aglomeração por todas as partes pareça tão impressionante.

“Só o povo salva o povo” é um slogan espontâneo que fez barulho no começo da tragédia. A ausência total de reação administrativa tinha sido felizmente suprida pela presença de milhares de voluntários chegados de qualquer parte da Espanha que realizaram as tarefas mais urgentes: limpeza de barro e pertences danificados, fiança de locais, atenção a anciãos e enfermos, distribuição de água e alimentos… Adolescentes da capital, professores, vizinhos afetados, cozinheiros, bombeiros, médicos, enfermeiros, improvisaram grupos de trabalho, comedores, farmácias ambulantes, pontos de distribuição, alojamento e até um hospital de campanha para responder às urgências do momento. Quando o Estado fracassava, quando a ralé burocrática que toma decisões equivocadas fugia do assunto acusando-se uns aos outros, quando os boatos inundavam as redes sociais, emergia a sociedade civil, o voluntariado, sem mais motivação que a solidariedade e a empatia com os prejudicados. Os primeiros cinco dias estes sobreviveram sem mais ajuda que a daquele. O que nos induz a crer que a pouco que o povo se auto-organize e se libere de travas em condições menos extremas, o Estado e a classe política sobram. Realmente ninguém os necessita. O horror, a desumanidade e a política parda vão de mãos dadas. Inclusive segundo os parâmetros de verdade típicos da sociedade do espetáculo, essa confraternidade malfeitora é real, posto que saiu pela televisão.

Miguel Amorós

Notas para minha participação no programa Contratertulia que emite Ágora Sol Radio, havido em 5 de novembro: https://www.ivoox.com/contratertulia-n-cxxxiii-segunda-epoca-329-audios-mp3_rf_135597509_1.html

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

livros cheios de palavras
estantes cheias de livros
colhi este instante

João Angelo Salvadori

[EUA] 40 Primatas Não-humanos escapam de um criador para vivisecção na Carolina do Sul

Diante de uma chance de 100% de morte após serem cruelmente submetidos a experimentos, 40 macacos disseram “nem fodendo” e escaparam de seus captores para a floresta ao redor das instalações de criação da Alpha Genesis, nos arredores de Yemassee, Carolina do Sul. As autoridades policiais e os guardas da prisão estão procurando freneticamente pelos fugitivos, que, sem dúvida, serão condenados à morte se forem recapturados.

Outros 5.000 macacos vivem nas proximidades, em Morgan Island. Dos outros 5.000 mantidos em cativeiro nas instalações da Alpha Genesis, muitos morrem no cativeiro e na solidão antes mesmo de serem vendidos a vivisseccionistas, que os torturarão e mutilarão antes de matá-los. Nenhum sairá vivo.

Houve fugas anteriores dessa instalação em 2016 (19 fugitivos) e 2014 (26 fugitivos). Até o momento, nenhum comunicado foi recebido pelo Escritório de Imprensa da Libertação Animal reivindicando o crédito pela libertação dos prisioneiros, que podem muito bem ter orquestrado a fuga por conta própria.

O presidente e diretor executivo da Alpha Genesis é o Dr. Greg Westergaard, que rapidamente afirmou que nenhum dos fugitivos está infectado com qualquer doença. Ainda não.

 North American Animal Liberation Press Office

www.animalliberationpressoffice.org

Tradução > anarcademia

agência de notícias anarquistas-ana

pousada na lama,
a borboleta amarela,
com calor, se abana

Alaor Chaves

109 Anos Sem Joe Hill: Mártir da Classe Trabalhadora e Voz do Sindicalismo Revolucionário

Em 19 de novembro de 1915, o trabalhador e compositor Joe Hill foi assassinado pelo estado de Utah. Nascido na Suécia, em 1879, Joe imigrou para os EUA em 1901. Trabalhando como estivador, minerador e ferroviário, enfrentou a exploração e se uniu ao sindicalismo revolucionário.

Joe Hill tornou-se membro da Industrial Workers of the World (IWW) em 1910 e liderou greves como a dos estivadores em San Pedro e dos operários da Construção em Utah. Foi brutalmente atacado durante a campanha pela liberdade de expressão em San Diego, mas nunca recuou na luta por direitos.

Também conhecido como o “trovador do socialismo”, compôs músicas que se tornaram símbolos de resistência. Hinos como “O Pregador e o Escravo” criticavam a alienação dos trabalhadores provida por lideranças religiosas oportunistas.

Sua militância fez dele alvo das autoridades. Em 1914, Joe Hill foi falsamente acusado de assassinato e condenado num julgamento marcado por irregularidades e preconceito contra seu ativismo. Mesmo diante da morte, ele enviou uma mensagem aos camaradas:

“Adeus, companheiros. Não lamentem por mim. Organizem-se!”

Executado por um pelotão de fuzilamento, Joe Hill se tornou um símbolo eterno da luta trabalhadora. Seu funeral reuniu 30 mil pessoas, e suas cinzas foram espalhadas pelo mundo, como ele pediu em seu último poema:

“Deixem os ventos levarem meu pó, para onde flores possam crescer novamente.”

Que sua memória floresça em cada luta de nossa classe!

lutafob.org

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curta noite
perto de mim, junto ao travesseiro
um biombo de prata

Buson

[EUA] Os rostos da Feira de Livros Anarquista de Boston

Por Ryan Yau | 03/11/2024

Desde 2011, a Feira de Livros Anarquista de Boston tem proporcionado um espaço físico para o anarquismo e o pensamento de esquerda mais amplamente, recebendo varejistas de livros, vendedores e grupos organizacionais. A feira deste ano foi realizada no Cambridge Community Center nos dias 19 e 20 de outubro.

A Bookfair sempre foi um trabalho voluntário. Kathy e Matt, que se juntaram ao coletivo da feira há dois anos, se tornaram voluntários por causa do desejo de abrir espaço para o discurso em torno do pensamento anarquista. Eles se recusaram a revelar seus sobrenomes por questões de privacidade.

“As pessoas ainda querem se envolver em torno de ideias”, disse Kathy em uma entrevista ao The Beacon. “Muitas ideias anarquistas são compartilhadas na Internet, mas é muito importante que as pessoas compartilhem um espaço e tenham literatura física para inspirar umas às outras.”

A programação da feira incluiu uma variedade de eventos durante dois dias, desde oficinas organizacionais até discussões sobre a história anarquista. Alguns deles incluíram “introdução à impressão em bloco”, “por que (e como) incluir a justiça para pessoas com deficiência na organização abolicionista” e “Stop Cop City e as escolhas estratégicas dos movimentos de protesto”.

Após a feira de sábado, foi realizada uma conversa aberta no Circus Cooperative Cafe, uma cafeteria dos trabalhadores perto da Harvard Square, onde os participantes discutiram o momento político atual e puderam criar conexões fora da feira.

“Perguntamos, três semanas antes da eleição presidencial, o que significa participar de uma política radical?” disse Matt. “Essa pergunta realmente repercutiu. Havia muitos alunos falando sobre suas experiências com os acampamentos em solidariedade à Palestina, que se conectaram uns com os outros depois.”

Existem várias editoras especializadas em literatura radical em todo o país – a feira reuniu algumas delas para chamar a atenção dos moradores locais. Este ano, a AK Press, da Califórnia, a Common Notions Press, da Filadélfia, e a PM Press, de Nova York, montaram estandes para vender livros e revistas. As editoras de livros ajudam a legitimar e a distribuir ideias que, de outra forma, só existiriam nas margens.

“Há uma tradição literária muito rica no anarquismo”, disse Kathy. “O anarquismo vem de uma história de troca de informações em cartas e livretos. Você pode olhar para escritores como Ursula K. Le Guin ou romancistas contemporâneos que se identificam com o anarquismo, como Rivers Solomon.”

Um dos objetivos da Feira de Livros Anarquista de Boston é oferecer uma plataforma para o discurso legítimo sobre o anarquismo e o pensamento esquerdista em geral sem ser imediatamente descartado. Um espaço seguro para discutir ideias de boa fé é fundamental – há dois anos, a feira teve um incidente em que um grupo de neonazistas apareceu para intimidar os participantes.

“Com o anarquismo sendo tão mal compreendido e mal representado na cultura popular, é muito importante que as pessoas apresentem suas próprias ideias ou escrevam seus próprios livros”, disse Kathy.

O Centro Lucy Parsons, uma livraria radical e espaço comunitário em Jamaica Plain, foi um dos livreiros presentes na feira. Mags, que é voluntária no Centro, diz que a publicação desempenha um papel fundamental na disseminação de ideias.

“A publicação de livros é o que nos permite fazer o outro trabalho que fazemos”, disse Mags. “As feiras de livros anarquistas têm uma longa história – elas ajudam a desenterrar a história e a popularizar o conhecimento que está sendo escondido de nós de várias maneiras.”

Ao lado dos vendedores de livros havia muitos vendedores independentes, que vendiam mercadorias, adesivos e livros e zines autopublicados. LB Lee, um autor autopublicado que escreve ficção especulativa queer, quadrinhos e zines sobre saúde mental, afirma que, além do varejo on-line, eventos como esse são sua única oportunidade de vender seu trabalho – e as feiras de livros permitem que eles conheçam leitores e outras pessoas criativas.

“Adoro a feira anarquista”, disse Lee. “Muitos dos livros que tenho em minha estante são zines, de pequena tiragem e autopublicados – adoro sua aspereza, sua honestidade e o fato de cobrirem esses tópicos estranhos e marginais que outras pessoas não cobrem, porque não há dinheiro suficiente para justificar isso.”

Também estavam presentes vários grupos organizacionais de Boston, representando muitas causas sociais e políticas diferentes: desde o Projeto de Correio Abolicionista [Abolitionist Mail Project], que conecta voluntários com pessoas encarceradas como amigos por correspondência, até o Partido Pirata de Massachusetts e a Associação Socialista de Rifles [Socialist Rifle Association].

Marty Blatt estava presente como organizador da Afronta Climática [Climate Defiance], um grupo de ação direta que aumenta a conscientização das partes responsáveis pelas mudanças climáticas por meio de disrupção não violenta. Ele acredita que a diversidade de organizações cria um centro de conexão onde as pessoas podem trocar ideias e colaborar para atingir objetivos compartilhados.

“Tenho 73 anos – a guerra nuclear e o desastre climático parecem mais iminentes do que nunca”, disse Blatt. “É deprimente, mas temos que lutar contra isso, e aqui está um grupo de pessoas se reunindo para todas as questões diferentes, então há algo de bom.”

O pensamento esquerdista parece muitas vezes hermético, mas a Feira de Livros Anarquista de Boston se esforça para não afugentar quem está por fora: desde a decoração felina nos panfletos e nas mercadorias até os eventos abertos ao público, a feira claramente tenta despertar a curiosidade de recém-chegados e convidá-los ao seu discurso político.

“Não somos pessoas assustadoras e militantes – adoramos gatos e também gostamos de nos divertir e espalhar alegria”, disse Matt. “Esse estado nem sempre tem a reputação mais amigável, então tentamos combater um pouco isso: Eu certamente gosto que a feira seja um espaço mais amigável que a maioria dos lugares na região de Boston.”

Fonte: https://berkeleybeacon.com/faces-of-the-boston-anarchist-bookfair/

Tradução > anarcademia

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Saudades da amada —
Caem flores de cerejeira
às primeiras luzes.

Kaya Shirao

[Grécia] Heraklion, Creta: Defesa militante da Ocupação Evangelismos

Hoje, na madrugada de segunda-feira, 18/11/2024, impedimos um segundo desalojo da Ocupação Evangelismos. Uma operação de desalojo que as autoridades locais estavam a tempos preparando, em colaboração com a NTUA. Com o estudo elaborado, os implicados dispostos a entrar na clássica farra de fundos [imobiliários], os policiais desejosos de repetir suas travessuras e os fascistas locais esfregando as mãos.

Desgraçadamente para eles, no entanto, não contaram com “o estalajadeiro…”

Os anos de experiência do movimento grego em tais operações, combinados com nossa participação com a comunidade local, nos permitem saber como e quando se mobilizará o mecanismo repressivo. Então, sabendo que hoje se levaria a cabo a operação, 100 companheiros e companheiras, nos reunimos desde o amanhecer, com todo o equipamento, nos colocamos ao redor do perímetro do edifício, prontos para defendê-lo. A polícia local, como no dia da recaptura, decidiu sabiamente não apresentar-se.

O movimento local, como na marcha militante do domingo 08/10/2023, também hoje demonstrou que tem os meios, a organização e a determinação para defender suas estruturas de luta.

E o tornará a fazer, tantas vezes quantas seja necessário.

10, 100, 1000 (por) ocupações contra um mundo de submissão e decadência.

A história tem um lado direito com Palestina como liberdade

Kyriakos Xymitiris um de nós, um companheiro para sempre nos caminhos do fogo.

Aí está.

Ocupação Evangelismos

evagelismos.squat.gr

Tradução > Sol de Abril

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Enquanto agachado
Ao lado da chaleira
Como faz frio!

Naitô Jôsô

[Alemanha] Manifestação selvagem nas ruas de Hamburgo em memória do anarquista Kyriakos, contra o militarismo e toda autoridade

No sábado, 16 de novembro de 2024, várias dezenas de pessoas furiosas marcharam sem aviso prévio e mascaradas pelo bairro de St Pauli, em Hamburgo.

Para este dia, havia um apelo a um dia internacional de ação e em memória do companheiro anarquista Kyriakos Xymitiris.

Eles levaram para as ruas a sua raiva pela militarização em curso, pelos genocídios e pela celebração do 69º aniversário do exército alemão.

Nas ruas, foram distribuídos numerosos panfletos contra a militarização, o exército alemão e em memória do falecido companheiro anarquista Kyriakos Xymitiris que perdeu a vida numa explosão no dia 31 de outubro em Atenas – bem como apelando à solidariedade com a companheira anarquista Marianna M., que ficou ferida no incidente e agora está na prisão, e os anarquistas Dimitris P. e Dimitra Z., que também foram presos em conexão com a explosão.

Pixações foram espalhadas, fogos de artifício disparados, barricadas foram construídas e um escritório do partido social-democrata foi atacado.

Quando os policiais apareceram, a multidão se dispersou noite adentro – segundo a imprensa, três pessoas foram detidas na rua durante a noite.

Corações revolucionários queimam para sempre! Solidariedade incondicional aos companheiros presos em Atenas.

Contra todo militarismo, contra toda guerra! De Hamburgo a Atenas – Solidariedade Revolucionária!

Contra todas as fronteiras, todos os Estados, todas as autoridades!

Fonte: https://de.indymedia.org/node/472253

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Em morosa andança
Ao léu com meu ordenança —
Contemplação das flores.

Kitamura Kigin

[Rio de Janeiro-RJ] 23 anos de fundação da Biblioteca Social Fábio Luz (BSFL)

No dia 18 de Novembro de 2024, comemoramos os 23 anos de fundação da Biblioteca Social Fábio Luz (BSFL) e nos recordamos dos 106 anos transcorridos desde a Insurreição Anarquista do Rio de Janeiro, ocorrida em 1918.

A BSFL encarna o espaço de memória que mantém elevados os ideais de 1918 e tudo aquilo que foi construído e conquistado pelos/as anarquistas e o sindicalismo revolucionário em sua luta cotidiana desde o século XIX.

A Biblioteca Social Fábio Luz não apenas tem a tarefa de preservar a memória do anarquismo brasileiro, mas ela própria servir de espaço para debates, formação política e difusão da ideologia, junto à movimentos populares e militantes libertários.

Memória é luta!

Viva a Insurreição Anarquista do Rio de Janeiro!

Viva a Biblioteca Social Fábio Luz!

Biblioteca Social Fábio Luz (BSFL)

Rua Álvaro Alvim, 24 (sala 405), Rio de Janeiro, RJ

bibliotecasocialfabioluz.wordpress.com

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No terreno baldio
Ainda cheias de orvalho,
Campânulas!

Paulo Franchetti

[Ceará-CE] Elmano/PT acena pra comunidade evangélica traz retrocessos pra educação!

No dia 08 de agosto, durante o evento chamado “3° Congresso Ceará Pentecostal”, o governador Elmano de Freitas/PT garantiu a compra e distribuição de bíblias nas escolas públicas do Ceará em um claro aceno ao setor cristão. Pasmem que a proposta de indicação 71/2022 de autoria do deputado Apóstolo Henrique/Republicanos não apontava a necessidade de compra de bíblias, mas previa colocar a bíblia como temática das aulas. Assim, a proposta do governador petista é mais conservadora do que a do próprio deputado.

Tal projeto se refere a PI 71/2022, de autoria do deputado, e também pastor evangélico, Luiz Henrique/Republicanos, com os redatores Carmelo Neto/PL e Emília Pessoa/PSDB. Todos fazem parte do bloco cristão conservador na bancada do estado e estão constantemente alinhados as pautas e reivindicações antipovo do fascismo brasileiro. Com essa proposta, Elmano/PT fortalece o bloco reacionário no estado do Ceará.

Tal projeto tenta tornar o estudo da Bíblia um tema transversal do currículo, mesmo que isso vá de encontro ao princípio de laicidade da educação. Compreendemos que o objetivo do projeto não é aprofundar estudos sobre as mais diversas crenças e religiões da sociedade, pois somente a Bíblia está presente no projeto, excluindo outras doutrinas e visões de mundo. O que vemos é mais uma tentativa de enviesar as escolas em pautas que desbocam em opressões a mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e pessoas negras.

Sem surpresas, o texto foi aprovado rapidamente na Assembleia Legislativa do Ceará, sem grande oposição por parte das burocracias sindicais que não se pronunciaram sobre essa medida que, num contexto de fortalecimento do conservadorismo e mesmo do reacionarismo na sociedade brasileira, fortalecer uma determinada visão de mundo religiosa, combate outras visões de mundo, em especial as religiões de matizes africanas e orientais.

A escola deve ser um lugar de livre expressão em que as crianças e adolescentes podem ter contato com as diversas visões de mundo, inclusive religiosas, mas balizada pela analise cientifica e não teológica. A medida do governador do PT fortalece a perspectiva teológica e o conservadorismo em nossa sociedade.

Fonte: https://lutafob.org/elmano-pt-acena-pra-comunidade-evangelica-traz-retrocessos-pra-educacao/

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A vasta noite
não é agora outra coisa
se não fragrância.

Jorge Luis Borges

“Fuck you”

[Filipinas-EUA] Ajude o documentário “Decolonizando o Anarquismo no Arquipélago”

Temos o prazer de anunciar um documentário que o levará ao coração dos movimentos anarquistas e autonomistas no arquipélago comumente chamado de Filipinas. Este poderoso filme é uma colaboração entre Pirate Studio e A Radical Guide, que mostra uma crescente rede de ativistas, artistas e comunidades comprometidos com a construção de uma sociedade livre de hierarquias, com base na ajuda mútua, na autodeterminação, no respeito ecológico e na ação direta.

A Rede Autônoma Local (LAN) é fundamental para essa história. Por meio dessa rede, testemunhamos a prática diária dos valores anarquistas e autonomistas – desde cenas punk faça-você-mesmo até tradições indígenas. Este filme vai além da teoria revolucionária ocidental, revelando como as comunidades descolonizam essas ideias e recuperam suas identidades, enraizadas em séculos de resistência e solidariedade.

O documentário destaca as maneiras únicas como a LAN opera, sem estrutura formal. A participação é baseada na prática compartilhada dos princípios fundamentais do anarquismo. De iniciativas Food Not Bombs [“Comida Não Bombas”] a Espaços Autônomos e Infoshops, a rede incorpora a diversidade de abordagens na luta pela autonomia e autodeterminação.

Ao apoiar este documentário, você contribui para contar a história de como esses ideais radicais são colocados em ação no dia a dia. Suas doações irão diretamente para a produção, a pós-produção e a distribuição do filme, garantindo que essas vozes sejam ouvidas por toda parte.

A angariação de fundos vai até 31 de janeiro de 2025, e o lançamento está previsto para abril de 2025.

Juntos, podemos amplificar a mensagem de uma sociedade sem líderes não é apenas possível – ela já está sendo construída.

Assista ao trailer e doe hoje! (https://www.radical-guide.com/lan-story-a-documentary/)

Vamos espalhar a notícia e ajudar a trazer essa importante história à tona.

Desde já agradecemos pelo seu apoio!

>> Assista ao trailer aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=AoOoMq4ddaw

Tradução> anarcademia

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agência de notícias anarquistas-ana

Durante o pôr-do-sol
Vejo andorinhas voando
Juntas, sempre em bando.

Renata da Rocha Gonçalves

[Uruguai] Resistência anarquista: Idilio de León, el Gauchito

Livros e rosas: a história do militante anarquista Idilio de León, el Gauchito

Por Gustavo Fripp | 07/11/2024

No mesmo lugar onde, há 50 anos, ele foi morto pelas Forças Conjuntas, foi apresentada uma obra que o recorda.

A pequena praça Portugal, que fica ali na Monte Caseros e Mariano Moreno, viu sua pacata rotina de primavera ser interrompida na tarde da última quinta-feira quando mais de cem pessoas começaram a se reunir, convocadas para a apresentação de um livro.

Longe dos salões reluzentes das instituições em que esse tipo de atividade costuma ser realizado, não se tratava, porém, de uma escolha caprichosa de local para a apresentação do livro La resistencia anarquista: el Gauchito de León y el grupo de acción Los Libertarios (A resistência anarquista: O Gauchito de León e o grupo de ação Os Libertários), uma pesquisa de Pascual Muñoz, que naquele mesmo dia uma van laranja levou, na hora, da encadernadora direto para a praça.

Além de apresentar o livro, seu objetivo também era reivindicar a figura de alguém que pode ter sido um dos últimos, se não o último, dos mortos em um confronto armado com as Forças Conjuntas em 29 de outubro de 1974: Idilio de León, um anarquista que, naquela mesma praça, após um assalto a um caminhão de entrega de bebidas, sangrou até a morte depois de um confronto com uma patrulha militar.

Idilio de León Bermúdez (Tacuarembó, 1944) foi atraído pelas ideias anarquistas quando era muito jovem, ao ouvir os versos do payador libertário Carlos Molina, que falava do sofrimento do homem do campo e das duras condições de trabalho na terra. Foi assim que ele se envolveu com os jovens anarquistas que se reuniam na sede da Sociedad de Resistencia de Obreros Panaderos, em La Teja, onde nasceu o Ateneo 1º de Mayo (Ateneu 1º de Maio). Lá ele conheceu Adalberto Soba e, juntos, ingressaram em 1964 na Federación Anarquista Uruguaya (FAU), uma organização que surgiu em 1956 e que reunia quase toda a militância anarquista da época, o que não era pouco.

Ele participou da ocupação de um terreno em La Teja, onde os vizinhos construíram o primeiro campo para a Institución Atlética La Cumparsita e uma fazenda que era um centro para as atividades dos jovens libertários. Nesse rancho, eles recebiam os produtores de cana-de-açúcar que vinham de Bella Unión e organizavam noites de solidariedade com a participação de diversos convidados, entre eles Mario Benedetti, Eduardo Galeano, Los Olimareños, Alfredo Zitarrosa, Daniel Viglietti e o próprio Gaúcho Molina.

Em seus primeiros passos na militância, ele participou de ações de solidariedade aos trabalhadores do Bao e dos frigoríficos que estavam em conflito.

Nesse mesmo bairro, Gauchito e outros jovens anarquistas construíram, junto com militantes da Associação de Estudantes de Medicina, uma policlínica autogerida em outro terreno ocupado.

Como militante da FAU, ele foi para Bella Unión em 1964 e caminhou com os “peludos” que trabalhavam nos canaviais, na marcha que, sob o slogan “Pela terra e com Sendic”, chegaria à capital para mostrar a todo o país as condições de vida miseráveis que eles suportavam.

Em 1969, ele se juntou ao braço armado que a FAU estava desenvolvendo e que mais tarde seria chamado de Organización Popular Revolucionaria 33 Orientales (OPR-33). Ele participou do roubo da famosa bandeira dos 33 Orientais do Museu Histórico Nacional. A ideia original, observa o livro, era “manter a bandeira por um tempo até que se encontrasse um momento oportuno para que ela reaparecesse em meio a alguma luta popular”. No entanto, “os desvios da luta social fizeram com que esse reaparecimento nunca acontecesse, e a bandeira, com sua forte carga simbólica, tornou-se uma obsessão dos comandantes militares durante a ditadura e um motivo para repetidas sessões de tortura”.

Após o assalto frustrado à Fábrica Nacional de Cerveja no dia do pagamento em 1970, El Gauchito foi preso junto com Roger Julien e transferido para a prisão de Punta Carretas, que estava começando a se encher, aos trancos e barrancos, de prisioneiros com motivações políticas. Lá ele se reuniu com outros companheiros de sua organização, como Hébert Mejías Collazo e Augusto Chacho Andrés.

Em 1971, os Tupamaros presos naquela prisão haviam cedido três lugares aos prisioneiros da OPR-33 para a fuga conhecida como El Abuso, na qual 111 prisioneiros escaparam. Um deles era Idilio de León.

Embora em 1972, com o país em estado de guerra interna, o MLN já tivesse sido derrotado militarmente, a FAU tinha suas estruturas quase intactas. Tanto a organização política quanto suas várias frentes (a OPR-33 e a Resistencia Obrero Estudiantil, ROE).

Mas alguns de seus principais líderes – Gerardo Gatti e Hugo Cores – eram procurados e León Duarte estava preso e sofrendo torturas. Nesse contexto, a FAU decidiu se retirar, obrigatório para seus militantes, para a Argentina, com a intenção de continuar operando de lá, uma decisão que encontrou forte resistência entre seus membros. De León se recusou a sair e organizou, por conta própria, uma ação de sabotagem contra uma padaria que não respeitava os ganhos obtidos pelo sindicato.

Esses dois foram os elementos que levaram a organização a expulsar De León e seus companheiros de suas fileiras, ao que eles responderam criando o grupo Los Libertarios, cujos membros eram apenas uma dúzia e que se dedicava, como Muñoz relata no livro, a realizar “expropriações para financiar a infraestrutura da luta revolucionária, algumas sabotagens, algumas punições para os carneros e as hierarquias ligadas aos aparatos repressivos”.

Uma vez implantada a ditadura e em um contexto repressivo cada vez mais complexo, esse grupo conseguiu realizar inúmeras “expropriações”. Embora tenham sido expulsos da FAU, seus antigos companheiros, agora na Argentina, continuaram a lhes oferecer ajuda para deixar o país, algo que tanto De León quanto seus companheiros continuaram a recusar.

No entanto, Muñoz deixa uma janela aberta para sugerir que, dado o contexto repressivo de 1974 e a maneira como as coisas estavam indo, talvez o último ataque que lhe custou a vida tenha sido uma ação para arrecadar fundos para a tão resistida partida para a Argentina.

Algo que nunca aconteceria, porque ele morreria ali, com apenas 30 anos, sangrando até a morte, após um confronto com os militares. Na mesma praça onde, na quinta-feira, alguns de seus antigos companheiros se reuniram para lembrá-lo, como Chacho Andrés com sua bengala (autor do livro Estafar un banco: ¡qué placer!, publicado pela Alter Ediciones) ou sua irmã Sara, de 86 anos, que também foi militante da FAU e presa política, ou os irmãos Elbio, Rosario e Juan Pilo.

Como apresentação de um livro, foi bastante atípica. Entre outras coisas, porque seu autor, Pascual Muñoz, entre as montanhas de exemplares à venda em uma velha mesa de madeira, tinha três rosas vermelhas. Porque, nas palavras do próprio Muñoz, “dizem que no dia seguinte à sua morte, no lugar onde ele caiu, alguém colocou algumas rosas. E parece que todo ano, nessa data, alguém coloca rosas lá”. Algo que sua irmã, Sara, descobriria anos mais tarde, na prisão, sem nunca descobrir de quem eram as mãos anônimas que ousaram fazer um ato tão ousado.

Fonte: https://ladiaria.com.uy/politica/articulo/2024/11/libros-y-rosas-la-historia-del-militante-anarquista-idilio-de-leon-el-gauchito/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Recanto úmido.
A pedra
e seu delicado capote verde.

Yeda Prates Bernis

[França] L’île égalité comemora seu 4º aniversário!

Depois de um processo judicial, algumas enchentes, dezenas de noites de apoio, centenas de horas de atividades gratuitas e ainda mais reuniões, ainda estamos aqui.

Amigos e amigas de L’île égalité, encontrem-se conosco em 23 de novembro para uma noite festiva!

L’île égalité já existe há 4 anos: em termos humanos, não é muito, mas em termos de idade, não é tão incomum.

Vejo vocês no dia 23 de novembro!

Na programação:

19h Deliciosa refeição gratuita preparada por Souad

21h Karaokê seguido de um show do DJ Vortex

e talvez algumas outras surpresas

O que é L’île égalité?

É um centro social autogerido onde muitas atividades são organizadas todas as semanas, gratuitamente. É um centro de apoio para lutas locais, regionais, inter-regionais e intergalácticas. Está cheio de pessoas que vêm aqui e lutam por maior solidariedade, formando uma comunidade. O prédio está ocupado há 4 anos!

L’île égalité

4-6 rue de l’égalité

Métro A Cusset

Villeurbanne

solidarites-cusset.org

agência de notícias anarquistas-ana

Longa chuvarada…
Nos matos e nas lagoas,
um canto de vida.

Humberto del Maestro

[Espanha] Solidariedade com os companheiros da Grécia

Ontem (16/11) pela noite as ruas de Barcelona se encheram de mensagens de solidariedade para os companheiros da Grécia que atravessam este momento tão obscuro, e decidimos visitar o consulado da cidade para recordar-lhes a responsabilidade de seus atos e a certeza das consequências.

Chegará o dia em que amanheça uma nova humanidade, e nesta ocasião já não necessitaremos nem mártires nem heróis. Até então, eles são e serão quem nos mostra o caminho para a liberdade.

Prometamos hoje recolher o testemunho de nossos caídos e converter cada gota de sangue em um passo para a liberação da humanidade.

Que cada morte se converta em uma vitória, que cada prisioneiro seja uma fresta em sua ordem, que cada golpe recebido seja o estímulo para devolvê-lo com mais força.

Um forte abraço camaradas, o fogo voltará a aquecer os corações pelos que já não estão e pelos que não podem lutar conosco.

Que viva a anarquia!

A n a r q u i s t a s

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agência de notícias anarquistas-ana

Até mesmo o céu
Embriagado pelas flores?
Nuvens cambaleantes.

Nonoguchi Ryûho

A XIV Feira Anarquista de São Paulo acontece neste domingo, 24/11

Chegou a tão aguardada programação completa da XIV Feira Anarquista de São Paulo!!! Esse ano teremos, teatro, exibição de filmes, oficinas, muitas rodas de conversas e lançamentos de livros, além da exposição dos cartazes que vocês fizeram para contribuir na divulgação da Feira.

Uma novidade dessa edição é que as salas e espaços da Feira receberam nomes em homenagem a anarquistas: Isabel Cerruti, Armando Gomes, Rodolfo Felipe, Antônio Martinez, Angelina Soares, Pedro Catallo e Diego Giménez. Na entrada de cada área haverá a biografia de cada um(a).

Teremos atividades para todas as idades! A Feira Anarquista é um evento aberto a todas as pessoas e gratuito, basta chegar. Se programe e venha fortalecer esse grande encontro anarquista!

Quando: 24/11/2024, domingo, das 10h às 19h

Local: EMEF. Des. Amorim Lima – R. Prof. Vicente Peixoto, 50 – Butantã, São Paulo/SP

Organização: Biblioteca Terra Livre (BTL) – Centro de Cultura Social de SP (CCS-SP) – Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (NELCA)

Para saber mais informações sobre a Feira, acesse https://www.instagram.com/feiraanarquistasp/

agência de notícias anarquistas-ana

durante o teu sonho
eu brinco com as nuvens
e tu não sabes de nada

Lisa Carducci