[Ceará-CE] APEOC golpeia a categoria e burocratas acusam a base de fascistas! Boletim ORC (04/2024)

Nesta edição de abril de 2024 do Boletim da Oposição de Resistência Classista (ORC) – Trabalhadores da Educação, você poderá ler sobre:

  • Governo petista, burocracia sindical e base insurgente!
  • Romper a dicotomia “capital” – “interior”
  • Ceará: terra da precarização da educação!
  • Burocracias sindicais atacam professores ao se solidarizarem com a antidemocrática APEOC/CTB

A categoria das professoras e professores da rede pública estadual do Ceará mostram seu descontentamento com o golpismo da direção da APEOC/CTB e com a proposta do governo Elmano/PT as suas reivindicações.

GOVERNO PETISTA, BUROCRACIA SINDICAL E BASE INSURGENTE!

Desde o final de 2023, foram realizadas assembleias na capital e interior para debater e votar as pautas e a campanha salarial de 2024. Com o início do ano letivo, essas pautas e reivindicações foram re discutidas em assembleias nos dias 15/03 e 26/03. Além dessas reivindicações, foram votados nessas assembleias o estado e indicativo de greve. Na última, foi colocada a pauta de deflagração de greve para a assembleia de 04 de abril, caso as negociações com o governo não contemplassem a categoria.

Os resultados das negociações do sindicato com o governo ficaram aquém das reivindicações da categoria, entre elas a equiparação salarial entre os professores temporários e efetivos. Basicamente, a proposta do governo cede um reajuste de 5,62% sem retroativo, diferente do que manda a lei do piso que estabelece que a data-base deve ser o dia 1° de janeiro de cada ano e a quitação de promoções atrasadas desde 2019, de quando o governador era Camilo Santana/PT.

Entretanto, APEOC e DEMOCRACIA SINDICAL são palavras que não combinam. Cabia a direção sindical analisar a conjuntura, abrir para falas e votar a proposta que convocava a assembleia: GREVE. Mas não foi isso o que aconteceu. A direção da APEOC agiu violentamente contra a sua base, que respondeu proporcionalmente a violência realizada. Uma professora foi agredida pelos seguranças da direção da APEOC ao que se seguiu o arremesso de cadeiras de plástico contra um dos seus diretores durante sua saída da assembleia.

Durante a assembleia, a APEOC decidiu que iria realizar 36 assembleias regionais para consultar a base sobre a aceitação da proposta do governo ou a deflagração da greve. Sabemos que isso é uma manobra antidemocrática, visto que existe pouca fiscalização da base nessas assembleias, podendo existir “assembleias fantasmas” realizadas pela direção. Precisamos participar de pelo menos 18 dessas assembleias e nelas rechaçar essa proposta rebaixada do governo e deflagrar a greve da categoria.

Assim, propomos: a) Realização de zonais; b) Eleger delegadas/os nesses zonais e construir um comando de mobilização autônomo; c) Que estes zonais arrecadem recursos para; d) Levar colegas deste comando de mobilização para as assembleias no interior e debater com estes colegas a deflagração do movimento grevista. Estas são nossas tarefas! Mãos a obra!

Romper a dicotomia “capital” – “interior”

A Direção da APEOC/CTB age “dividindo para conquistar”. Assim, reforça um suposto discurso onde “os professores da capital se acham mais importantes do que os professores do interior”. Nada mais falso. Em muitas escolas de cidades do interior, temos 100% de professoras temporárias, muitas vezes até o núcleo gestor é de temporários.

Em algumas cidades, os efetivos estão em cargos comissionados, nas Credes. Estes são os que reforçam o discurso do governo Elmano/PT, que acusam os professores que querem greve de “desocupados”, de “não quererem trabalhar”. Não podemos cair nessa arapuca posta pela APEOC/CTB.

Precisamos reforçar a unidade da categoria, indo para as cidades do interior, debater com os colegas que estão na sala de aula e desmascarar os gestores de Credes que fazem o discurso do governo e da direção da APEOC.

CEARÁ: TERRA DA PRECARIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO!

Censo Escolar 2023/MEC aponta que a rede estadual do Ceará é o segundo estado do nordeste com maior quantidade de professores temporários em relação a efetivos. Apenas 41,3% de professores em sala são efetivos.

O que o Censo escolar expressou é aquilo que já sabemos, já sentimos. A maioria dos trabalhadores da educação do estado são de temporário. Péssimas condições de trabalho, salários mais baixos que o dos professores efetivos, vínculo de contrato precário, ficando por vezes meses sem receber o salário por morosidade da administração na publicação dos contratos em diário oficial, além de ficar a mercê das direções de escolas.

Além dos problemas dos professores temporários com o governo estadual, ainda temos o fato da APEOC/CTB não filiar os trabalhadores temporários. É como se fossem inexistentes para o estado, para a representação sindical oficial, mas utei para os altos índices. Reivindicamos desde a greve de 2011 o direito a filiação sindical, negada pelo grupo que está na direção da APEOC/CTB a décadas.

Assim, por ausência de representação sindical, surgiram iniciativas de organização variadas, todas elas legitimas, visto que essa camada da categoria é indesejada pela direção da APEO/CTB.

BUROCRACIAS SINDICAIS ATACAM PROFESSORES AO SE SOLIDARIZAREM COM A ANTIDEMOCRÁTICA APEOC/CTB

Diversas entidades sindicais, inclusive o SINDIUTE/CUT se solidarizaram com a APEOC/CTB devido a resposta da categoria a ação antidemocrática dessa entidade. Em geral, entidades ligadas as centrais sindicais reformistas. Essas notas devem ser repudiadas pelas suas bases, visto que defendem em essência a ação antidemocrática da APEOC/CTB.

Como resposta, surgiram notas e mais notas de colegiados de professores de escolas da rede estadual se solidarizando com sua própria categoria. Essa resposta é mais importante que as notas das burocracias, pois expressa a solidariedade de classe no seu estado mais puro!

Façamos nós por nossas mãos tudo o que a nós nos diz respeito“, A Internacional

Fonte: https://lutafob.org/apeoc-golpeia-a-categoria-e-burocratas-acusam-a-base-de-fascistas-boletim-orc-04-2024/

agência de notícias anarquistas-ana

beija flor perplexo
sem encontrar umidade
nem no bebedouro…

Haruko

[Espanha] O discurso belicista

Denunciamos a realização da Feira Internacional de Armas e a ligação da nova indústria bélica com o genocídio na Palestina.

Nestes dias, nossas cabeças estão martelando com os tambores de guerra que estão sendo entoados por políticos e pessoas poderosas em todo o mundo. Nossos corações se encolhem com as notícias da Palestina e somos tomados pela raiva quando observamos as vítimas de sempre em Gaza ou na Ucrânia, as únicas que aparecem na televisão, enquanto um insuportável discurso belicista se instala. Há 56 guerras ativas no mundo neste momento. E não vou incluir a Palestina, porque isso não é uma guerra, é um GENOCÍDIO.

As metáforas inundam a linguagem da mídia de massa pela mão de políticos, analistas e outras espécies, construindo uma estrutura bélica que resulta em persuasão e manipulação, deixando em segundo plano o sofrimento, a dor e a morte de milhares e milhares de pessoas.

Suas guerras, seus negócios, são nossos mortos e os números são diluídos na realidade cotidiana como se fosse quase normal no curso da história.

A palavra é construída com verbos como “vencer”, “lutar”, “combater”, “derrotar”, apelativos como “segurança”, “defesa”, “inimigos”, etc., e o universo discursivo nos envolve com uma retórica que visa apenas garantir os interesses econômicos e políticos dos poderosos.

Nos dias 10 e 11 de abril, a Feira Internacional de Segurança e Defesa (Feindef), ou seja, a Feira Internacional de Armas, será realizada em Córdoba. Nossas companheiras da CNT Córdoba se uniram a outros coletivos na plataforma “Melhor sem armas” e lançaram uma campanha exigindo a suspensão do evento patrocinado pelo Ministério da Defesa, com o apoio da Prefeitura de Córdoba e da Junta de Andaluzia, opondo-se a esse negócio infame que viola sistematicamente os direitos humanos e é uma das principais fontes de poluição ambiental.

Também denunciam os vínculos entre a empresa espanhola Escribano M&E Systems, líder das empresas nacionais de armamento, e o genocídio em Gaza, por meio de seu acordo com a empresa israelense ELBIT Systems, com a qual estão desenvolvendo um novo lançador de foguetes, testado em Gaza, cuja implementação e fabricação serão realizadas em Córdoba, com o qual o Exército espanhol será equipado e no qual pretendem investir nada mais nada menos que 273 milhões de euros de dinheiro público.

Na atualidade, e com o novo marco político derivado da vitória de Putin e da possível vitória eleitoral de Donald Trump, a OTAN está elevando seu discurso belicista e engordando seus orçamentos ao argumentar que deve estar preparada para a guerra.

De acordo com os últimos dados publicados pelo Stockholm International Peace Research Institute em abril de 2023, os gastos globais aumentaram 3,7%, em 2022, para 2,24 trilhões de dólares, o equivalente a 2,2% do PIB global, o maior aumento anual em pelo menos 30 anos.

Nos unimos aos nossos companheiros e companheiras de Córdoba e da Andaluzia. Denunciamos todos esses mercadores da morte e seus cúmplices políticos.

NÃO ÀS ARMAS

NÃO ÀS SUAS GUERRAS

NÃO EM NOSSO NOME

Fonte: https://colmenarviejo.cnt.es/2024/04/05/el-discurso-belicista-de-los-poderosos/

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No olho das ruínas
as íris dos vaga-lumes
sob as tranças de ervas.

Alexei Bueno

[Espanha] Lançamento: “Anarquismo No Fundacional”, de Tomas Ibánez

A p r e s e n t a ç ã o

Em que momento o pensamento fundacional entrou nas fileiras do anarquismo? Que perigos despercebidos esse oximoro contém? Como retornar à origem sem reivindicar uma origem estável? Se todo arché, todo princípio fundacional, carrega o risco do totalitarismo, o anarquismo deve problematizar e combater o retorno a qualquer fundamento que se pretenda sólido, atemporal e dogmático. No entanto, o mal contra o qual se luta também existe frequentemente em sua própria trincheira.

Neste ensaio lúcido, Tomás Ibáñez, um reconhecido militante libertário, agita as águas do pensamento anarquista para apontar os perigos que se encontram nas contradições internas do movimento. A dominação, como Proteo, tem uma e muitas faces que se manifestam e mudam de acordo com a época que as abriga. Se os anarquismos pretendem confrontar a lógica da dominação, eles têm que aceitar, por sua vez, a mesma lógica mutável. Para isso, é necessário não reproduzir na luta a mesma coisa que se pretende combater e repensar, repetidas vezes, os próprios axiomas para aceitar que não há centro ou origem, que se caminha no desastre e que o deslocamento de toda arché é um imperativo sem fim.

Anarquismo No Fundacional

Tomas Ibánez

ISBN: 9788419406927

Editor: GEDISA

Páginas: 112

11,83€

gedisa.com

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/11/02/colombia-pinceladas-anarquistas-de-tomas-ibanez/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/03/21/espanha-lancamento-anarquismos-a-contratiempo-de-tomas-ibanez/

agência de notícias anarquistas-ana

Em cima da folha
Joaninha descansa
Que colorido!

Andréa Cristina Franczak

O perdão como instrumento de controle do colonialismo

Por Reté Poty

Desde a invasão em 1500 nós indígenas das aldeias e periferias de Pindoretà estamos sofrendo com a colonização.

Muitos de nós não somos considerados humanos, mas sim sub-humanos, improdutivos, incivilizados. Somos considerados indignos de respeito por aqueles que exploram a Terra, com a conivência dos não indígenas que dão as mãos para nós apenas para garantir quatro ou mais anos no poder através da democracia representativa (eleições).

O fato é que apenas indígenas que acessam algum tipo de poder:(cargos políticos) conseguem garantir direitos, enquanto outra parte não. Isso tudo acaba hierarquizando quem vai acessar políticas públicas e quem não vai acessar nada.

Muitos indígenas por necessidade fazem o pacto, votam e aceitam cargos, já outros entram para a disputa eleitoral, por consequência um verdadeiro apagamento ocorre nas aldeias quilombos e periferias porque por mais boa vontade que se tenha políticas públicas não chegam a todos nós, e depois ninguém garante que esses indígenas que fizeram o “pacto” construirão nossa autonomia, ou criarão algo sólido que não se desfaz como por exemplo um auto governo como buscam muitos povos por Abya Yala, até porque a politica não indígena abre brechas demais para a corrupção e serve apenas aos interesses econômicos da nação.

Mas digo isso tudo para mostrar como o PERDÃO tem sido uma ferramenta de controle desde a invasão para nos sensibilizar e manipular, e que devemos ficar atentos as “migalhas” que o Estado nos oferece, quando nos pedem esse perdão cristão, com tentativas apenas verbais de fazer reparos que não são efetivos, e que não vão corrigir os crimes cometidos pelo estado, pois tudo que tem acontecido não passa de um teatro com o intuito de comover parte dos indígenas e outra parte de eleitores, do que propriamente garantir direitos a população originária.

O PECADO, a CULPA e o MEDO vieram através das caravelas, e é evidente que nada pode apagar que 60 milhões de pessoas indígenas morreram a partir da invasão e a partir do projeto da colonização, e reitero que esse projeto continua de pé, atualmente alternando entre a esquerda ou à direita f4c1sta através da democracia representativa.

Assim como o pecado, a culpa e o medo são utilizados pela religião institucionalizada, dentre outras formas e métodos colonizadores.

As nossas necessidades quanto indígenas estão acima do que a política não indígena e branca pode nos oferecer.

E perdão nenhum Demarca Terras Indígenas, peço mais efetividade e menos conciliação pelo bem de todos nós Povos Originários de Pindoretà.

agência de notícias anarquistas-ana

criança traquina
saltita atrás dos pássaros
natureza em flor.

Helena Monteiro

[EUA] Vídeo | Queremos ser livres. Uma entrevista com Klee Benally

Em 30 de dezembro, Klee Benally juntou-se aos ancestrais. Klee foi um anarquista diné, autor, músico, defensor da terra e organizador comunitário baseado nas terras ocupadas da chamada Flagstaff, Arizona. Ele era uma voz influente e poderosa que desafiava constantemente anarquistas da Ilha das Tartarugas a matar o colonizador em suas próprias cabeças e a incorporar uma análise anticolonial em suas estruturas políticas.

Esta entrevista foi realizada com Klee em 2019, como parte de Trouble #18: ACAB. Nela, ele discute as raízes coloniais da polícia nos chamados Estados Unidos e as experiências de perfilamento racial enfrentadas pelos povos indígenas que vivem nas cidades que pontilham a fronteira colonial entre os EUA e o México.

Aqueles que ainda não o fizeram devem conferir os escritos de Klee on-line, incluindo seu livro No Spiritual Surrender: Indigenous Anarchy in Defense of the Sacred, publicado em 2023 pela Detrius Books.

>> Assista o vídeo aqui (legendas em português):

https://kolektiva.media/w/ii2xj1LidMvTnNSyehWB2i

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/04/08/eua-klee-benally-anarquista-defensor-da-terra-e-musico-dine-que-escreveu-um-livro-sobre-a-anarquia-indigena-morre-aos-48-anos/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/01/eua-lancamento-sem-rendicao-espiritual-anarquia-indigena-em-defesa-do-sagrado-de-klee-benally/

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No campo florido
A borboleta encantada
Descobre segredos

Daniel Pereira da Silva Pisati

[Chile] Solidaridad Obrera: Organização anarco-sindicalista inicia seu acordo federativo

Núcleos de trabalhadores e sindicatos de Ofícios Vários de diferentes partes da região chilena se reuniram na primeira reunião orgânica nacional do Solidaridad Obrera em Concepción, nos dias 29 e 30 de março, para trabalhar no estatuto que os regerá durante esse primeiro período federal.

Participaram da reunião membros de organizações da região metropolitana, Valparaíso, Ñuble e Biobío, que foram previamente coordenadas sob preceitos gerais delineados em uma declaração de princípios e como amigos da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), que reúne federações e confederações anarco-sindicalistas em todo o mundo.

Dessa forma, foram reafirmados os laços de camaradagem entre os participantes e discutidos os elementos centrais de sua ação coordenada: o objetivo revolucionário, as formas de ação, a estrutura organizacional, os procedimentos de filiação e as estratégias de tomada de decisão.

Entre os acordos, estão o resgate da ação direta, entendida como o exercício sindical sem mediadores (estatais, religiosos ou partidários) para tratar de conflitos e do bem-estar material e cultural das e dos associados; a coexistência de estratégias formais e informais (legais ou não) que ampliem o raio de ação e a disseminação de estratégias antiautoritárias no mundo do trabalho; e a intenção de abordar e solidarizar-se com as lutas territoriais que vão além das disputas Capital/Trabalho com perspectivas e ações inseridas no local de trabalho.

O texto do estatuto será redigido em comissão e resolvido em plenária por todas as seções antes de sua entrada em vigor, com o que será eleito o secretariado para assumir as determinações dele emanadas. Em seguida, ele será socializado pelos meios comuns do Solidaridad Obrera para que novos núcleos ou sindicatos possam se juntar a essa federação.

solidaridadobrera.cl

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Profundo silêncio.
Na escuridão da floresta
Dançam vaga-lumes.

Eusébio de Souza Sanguini

[EUA] Klee Benally, anarquista, defensor da terra e músico Diné que escreveu um livro sobre a anarquia indígena, morre aos 48 anos

Na manhã de 31 de dezembro de 2023, no Arizona, o anarquista, defensor da terra e músico do povo Diné (Navajo) Klee Benally morreu aos 48 anos de idade. A causa de morte não foi divulgada.

Benally, que era nativo de Black Mesa, uma elevação montanhosa no condado de Navajo, se manifestou por vários anos contra a mineração de urânio em terras nativas e pela proteção dos sagrados Picos de São Francisco, localizados na cidade de Flagstaff, no Arizona. Benally, que também foi o ex-vocalista da banda punk indígena Blackfire, havia acabado de publicar um novo livro intitulado “No Spiritual Surrender: Indigenous Anarchy in Defense of the Sacred” (Sem Rendição Espiritual: Anarquia Indígena em Defesa do Sagrado). No livro, Benally escreve: “Se a história for escrita pelos conquistadores, ela não será escrita por aqueles que se recusam a ser conquistados”.

Sua música com Blackfire foi alimentada pelas mesmas mensagens que ele compartilhou em seu livro, justiça para os povos indígenas e para a terra. Blackfire foi criada em 1989 com Benally e seus irmãos, Jeneda e Clayson Benally. O trabalho de Benally refletiu sua dedicação e compreensão na luta pela terra e por seus povos indígenas.

Klee Benally: “Muitas pessoas em nosso vilarejo não têm água encanada nem eletricidade, embora nossas terras tenham sido exploradas. Temos três usinas elétricas movidas a carvão que poluem nosso ar. Temos essas minas de urânio abandonadas e novas minas que estão ameaçando a região. Temos o fracking, o fraturamento hidráulico, que também ameaça nossas terras. Mas esse não é um problema exclusivo da região. Onde quer que haja uma crise ambiental, haverá uma crise cultural, porque somos o povo da Terra“.

Rest in power!

>> Song of the Sun – Klee Benally:

https://www.youtube.com/watch?v=LEBhDVnzG_s

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/01/eua-lancamento-sem-rendicao-espiritual-anarquia-indigena-em-defesa-do-sagrado-de-klee-benally/

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Fina névoa flui
Entre picos sossegados
despontam montanhas

Helena Pires

[EUA] Prisioneiro Político Anarquista Bill Dunne Transferido para Tratamento de Câncer

Bill Dunne é um prisioneiro político anarquista que está encarcerado há quase 45 anos; desde 1979. Bill foi condenado a 90 anos por auxiliar numa tentativa de fuga no centro de Seattle e, desde que foi preso, ele viveu em algumas das prisões mais draconianas nos Estados Unidos.

Em 1982, ele foi transferido do sistema estadual de Washington para o sistema federal e chegou à Penitenciária dos Estados Unidos (USP) em Lewisburg, PA. No ano seguinte, ele tentou fugir dessa USP específica e recebeu mais 15 anos em sua sentença, sendo que 7 anos e meio deveriam ser passados nas unidades de controle na USP Marion, IL. Após cumprir sua pena em Marion, e até recentemente, ele esteve em várias penitenciárias de segurança máxima no sistema prisional federal – até 2014, quando foi transferido para instalações de segurança média na Califórnia.

Bill foi recentemente diagnosticado com câncer. Devido à sua condição, ele foi recentemente transferido da FCI Victorville, no sul da Califórnia, para a instalação médica do sistema prisional federal em Butner, NC. Ele vem exigindo há mais de um ano ser transferido para receber tratamento, então sua mudança para lá é um sucesso. No entanto, ainda não está claro quando o tratamento começará.

Anarquistas e todos os revolucionários têm a responsabilidade de apoiar nossos prisioneiros políticos, particularmente quando eles estão passando por momentos difíceis. Bill, porém, é um exemplo único e especial. Em 2000, após cumprir 21 anos de prisão, a comissão de liberdade condicional deu a Bill mais 15 anos. Então, em um ato excepcional de crueldade, em 2014 ele recebeu mais 15 anos de condenação. Mesmo em dezembro, o regime de Biden negou o apelo de Bill por clemência. O motivo citado para esse tratamento bárbaro foi que Bill continua a manter comunicação e está “continuando a associação e afiliação com organizações anarquistas”, o que foi “evidência [de que ele] ainda nutre visões antiautoritárias.”

Estamos incentivando camaradas a escrever para Bill e enviar a ele saudações revolucionárias. Temos que manter nossos prisioneiros políticos em nossos ombros e dizer ao mundo que suas lutas são nossas e nós subimos e caímos juntos.

Aqui está o novo endereço dele:

Bill Dunne # 10916-086

FMC Butler

PO Box 1600

Butner, NC

27509

EUA

Tradução > fernanda k.

agência de notícias anarquistas-ana

Em solidão,
Como minha comida —
Vento de outono.

Issa

[Argentina] Lançamento: “La religión de la muerte. Sobre viejos y nuevos fascismos”, de Julio Cortés Morales

À medida que a acumulação capitalista avança, expressa em guerras, devastação ecológica e crise civilizacional, é cada vez mais comum ouvir o rótulo “fascista” aplicado a fenômenos como os atuais líderes e correntes populistas de extrema direita, bem como “microfascismos” para definir os comportamentos subjetivos de pessoas socializadas inteiramente no reino da mercadoria. Em alguns casos, o termo é usado como um mero insulto, sem nenhuma relação com o fascismo italiano ou com outros movimentos fascistas que surgiram em muitas partes do mundo há pouco mais de um século.

Assim, somos confrontados com o paradoxo de que, quanto mais o conceito de fascismo é usado para designar diferentes aspectos da nossa realidade, menos parece ser levada a sério a necessidade de estudar e desvendar a ideologia e as práticas dos vários níveis em que os fascismos operam na sociedade capitalista, uma necessidade que deve ser abordada como parte de uma tarefa coletiva que vai além da mera pesquisa acadêmica e da perspectiva “antifascista” de defesa da democracia liberal.

Este livro tenta contribuir para essa tarefa, traçando as origens dos movimentos fascistas, seu curioso amálgama ideológico e as maneiras pelas quais eles se expressaram desde então e após sua derrota militar em 1945, até os dias atuais.

La religión de la muerte. Sobre viejos y nuevos fascismos

Julio Cortés Morales

Primeira edição: março de 2024

466p. – 206 × 146 mm

ISBN 978-987-48023-9-2

lazoediciones.blogspot.com

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Uma chuva leve.
João-de-barro feliz
Quer barro fresquinho.

Eric Felipe Fabri

[Chile] Palavras de Paty Rodríguez , prisioneira anarquista

Em 22 de dezembro de 2022, o GOPE invadiu residências, colocando 4 companheiros em prisão preventiva. O motivo pelo qual o promotor de polícia solicita o procedimento é a busca pelo suposto autor da colocação de um dispositivo explosivo na Direção Nacional da Gendarmaria em 27 de dezembro de 2021. Uma das casas invadidas foi a de nossa colega Patty Rodriguez, que não estava em casa, mas seu amante, que foi preso.

Com base na mesma investigação, no dia 31 de julho, em uma audiência, os lacaios do Estado solicitaram a prisão preventiva de Patricia por 30 dias, período que, como é comum em casos dessa natureza, é prorrogado e os prazos nunca são cumpridos.

“Quase 5 meses depois que o Ministério Público me manteve na prisão de San Miguel, tive a desagradável visita do promotor em várias ocasiões, usando diferentes artifícios para obter colaboração na investigação em troca de minha liberdade, o que recusei desde o início, já que minha voz só grita em virtude da destruição do poder, nunca para fortalecê-lo.

As tentativas de anular minha força são uma ocorrência diária: ameaças de agentes penitenciárias, confinamento, brigas, drogas, arrombamento e invasão. Mas minha força cresce em coerência com minhas convicções, e a ideia e a luta pela abolição do poder são como fogo ao vento.

Em geral, tento realizar esse processo colocando em prática o que faço do lado de fora com as prisioneiras, a horizontalidade e o apoio entre nós, porque, dentro do que compartilhamos, há um ódio profundo contra a polícia. A polícia sempre foi um negócio para todos. Empresários, juízes, promotores, policiais e advogados. Todos esperando por sua parte, prontos para mutilar vidas na prisão por dinheiro, fama e poder. Famílias e amigos também são empobrecidos pela punição, mesmo para aqueles que apoiam seus prisioneiros, e essa realidade também é a minha, por isso agradeço à minha mãe e ao meu irmão por terem assumido o comando, ao meu filho pequeno por me esperar e aos meus amigos e a outros companheiros que enviaram seu apoio sem sequer me conhecer.

Um abraço fraterno a todos os que conspiram contra o poder, aos meus 4 companheiros, aos que estão resistindo em Stgo 1, em La Gonzalina de Rancagua, aos presos políticos mapuches e a todos os presos anarquistas em todas as prisões; especialmente a Ita e Monica com quem nos encontramos nos corredores”.

Paty Rodríguez, prisioneiro anarquista

Prisão de San Miguel, dezembro de 2023¹.

[1] Este comunicado foi escrito em 2023, mas chegou até nós em 8 de março de 2024.

Fonte: https://lazarzamora.cl/?p=12146

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Nuvens,
sem raízes
até que chova.

Werner Lambersy

 

Por uma luta contra colonial indígena

Temos vivido momentos muito difíceis porque nos deparamos com a verdade: Nosso excesso de eurocentrismos confrontando a necessidade de alimentar nossas raízes rememorando nossos ancestrais.

Diversos jovens indígenas caminham pelas ruas e se reconhecem como “pardos” perdidos em um “não lugar” vítimas do racismo étnico e vítimas também da repressão militar nas periferias.

Sem acesso a políticas e direitos humanos, caminham inconscientes de suas raízes, mas com um desejo de reparo, buscam tantas formas de religar: jongo, maracatu, capoeira as quintas feiras, fogueiras em terrenos baldios, centros espiritualistas, medicinas tradicionais indígenas, movimento anarcopunk são tantos os caminhos que essa juventude se arrisca a fazer porque sabe que têm pertencimento!

Alguns já entenderam que tudo que nos ocorre veio através das caravelas, porque tiveram muita vontade de acessar essas memórias, e seguem firmes apesar de tanto luto e orfandade.

Já outros por medo do racismo evitam falar que são indígenas, e por anos ocultaram ou ocultam a informação porque sempre viveram nas cidades estudando e trabalhando, ou porque apenas seus pais nasceram em reservas e só visitam as aldeias em festividades ou quando têm dinheiro pra isso, como se nascer em uma reserva fosse determinar alguma coisa, Companheiros! Quem criou reservas não fomos nós indígenas, mas sim o invasor!

Ambos entenderam inclusive sobre como os invasores aplicaram ideias destruidoras que nos dividem nos dando a falsa sensação de que precisamos deles para lutar, através de seus ideais e líderes pelo Estado ou pela religião.

Esse é o modo de operação da colonização, ocultar de você quem você é, e de onde vem a luta que te faz estar vivo hoje!

Te convidamos a olhar melhor suas raízes, chegou um tempo em que não podemos mais seguir assim nesse ritmo, nossa luta não sai do lugar porque precisamos buscar quem somos, não nos conhecemos o suficiente, nossas lutas estão paradas, ocultas silenciadas olhem pra Abya Yala: México, Bolívia, Chile, Argentina se levantando para lutar, construindo uma luta ancestral, se auto declarando e tornando mundos autônomos possíveis, e nós aqui, não sabemos nada sobre como nossos parentes sobreviveram para que nós estivéssemos vivos!

Esperando que o estado faça algo por nós! Não, não fará!

Saber quem somos faz parte da Descolonização e isso não tem preço ou barganha que pague!

Eu lhes pergunto: Porque a colonização roubou toda nossa memória ancestral?

Pergunte-se quantas vezes for necessário!

Autonomia Indígena Libertária – AIL

agência de notícias anarquistas-ana

Ao pôr-do-sol
O brilho humilde
Das folhas de capim.

Paulo Franchetti

Um patriota, um idiota!

Presidente da Petrobras faz nova defesa de projeto ecocida na Foz do Amazonas | “Pessoas realmente preocupadas com o meio ambiente defendem o decrescimento e não o desenvolvimento sustentável”

O presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, segue convicto no plano ecocida de expandir a produção de petróleo na Margem Equatorial, em uma das áreas de interesse da Petrobras na bacia da Foz do Amazonas.

Nesse sentido, na semana passada, em encontro com os governadores da Amazônia Legal, Prates defendeu o nefasto projeto de exploração na maior floresta tropical do mundo.

Para Prates, a Margem Equatorial tem potencial para se tornar “a primeira região do mundo a desenvolver uma reserva de petróleo com muita responsabilidade, muitas contrapartidas socioambientais.”

“A atividade [exploração] é fundamental para manter a produção de petróleo brasileira após o esgotamento do pré-sal. Vamos intensificar os estudos [sobre a região] e atualizar dados”, disse o presidente ecocida da estatal.

Contra exploração de petróleo na Amazônia

“Em um momento de emergência climática, seguir defendendo a exploração petrolífera, a produção e a queima de combustíveis fósseis é um disparate. Ainda mais no bioma amazônico, uma região tão sensível. Na minha opinião o presidente da Petrobras se assemelha muito ao ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro Ricardo Salles. Ambos são ecocidas, entusiastas de projetos que causam danos graves ao meio ambiente, aos povos indígenas. E tudo com essa conversa mole de que vão criar mais empregos e desenvolvimento”, diz a ambientalista Mônica Martins.

Já para o eco-anarquista J. B., “a posição de Prates demonstra a farsa do desenvolvimento sustentável e da “transição energética justa”. Imagine comemorar a poluição, a destruição de ecossistemas e a possibilidade de derramamentos em nome de um produto que só piora o aquecimento global? A exploração de petróleo precisa diminuir, não ser compensada por “desenvolvimento da região”. Isso é vender o futuro. Pessoas realmente preocupadas com o meio ambiente defendem o decrescimento e não o desenvolvimento sustentável”.

“É o capitalismo destruidor de sempre dando as cartas. Sabemos que esse projeto desenvolvimentista apoiado por Lula está na contramão de qualquer solução básica de questões ambientais. O que resta de natureza deve ser preservado. Mais do que parar o desenvolvimento capitalista, é necessário que as áreas degradadas sejam recuperadas. O único projeto aceitável da Petrobras, seria assumir que já passou da hora de decretar o fim da sua existência. Por outro lado, é um tanto desanimador não ver grandes movimentações, pessoas nas ruas gritando contra dito projeto monstruoso”, analisa a eco-anarquista Sabrina Vargas.

* Na foto em destaque, Lula e o presidente da Petrobras

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Canto da cigarra.
O vento espalha
Suave despedida.

Raimundo Gadelha

[Rússia] O anarquista Lev Skoryakin emigrou

O anarquista e ex-preso político Lev Skoryakin “finalmente saiu da Rússia e dos países amigos do regime de Putin”. Foi assim que o defensor dos direitos humanos Ivan Astashin (na foto com Lev) relatou sobre sua saída.

Lembre-se de que, em dezembro de 2021, Skoryakin e o segundo réu no caso – Ruslan Abasov – foram detidos e presos por suspeita de “hooliganismo com armas”, devido à ação contra um escritório do FSB no sudoeste de Moscou e de estarem segurando faixas e queimando sinalizadores no escritório. Posteriormente, os jovens foram liberados do centro de detenção provisória sob a proibição de determinadas ações, na sequência os ativistas emigraram.

No Quirguistão, Lev Skoryakin emitiu um passaporte alemão substituto e recebeu proteção humanitária da Alemanha, mas em novembro de 2023 ele foi sequestrado em Bishkek e levado à força para a Rússia, onde foi torturado.

Em 13 de dezembro de 2023, Lev foi condenado a pagar uma multa e liberado no tribunal.

Fonte: https://avtonom.org/news/lev-skoryakin-emigriroval

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mar não tem desenho
o vento não deixa
o tamanho…

Guimarães Rosa

[EUA] Uma breve introdução às anarquias ecológicas

Desde o início, parece óbvio que seria impossível reduzir as práticas eco-anarquistas ao que pode ser escrito e registrado para qualquer pessoa ler, da mesma forma que é impossível para qualquer indivíduo visitar um rio e escrever tudo o que há nele. Dessa forma, mesmo como uma “breve introdução”, este texto não consegue fazer justiça ao assunto em questão. Também é importante afirmar que não existe um monólogo coletivo ideológico totalizante, ao qual todas as anarquias ecológicas possam ser reduzidas. As tentativas de reduzir as práxis anarquistas ecológicas a monólogos menores, como anarcoprimitivismo, anarquia verde, anarquismo indígena, anarquismo decolonial, veganarquismo, ecologia social, anarquismo pagão, anarco-naturismo, anarco-niilismo, anarquia primal e qualquer outro que eu tenha deixado de mencionar, podem muito bem refletir muitas tendências gerais semelhantes que fazem parte da maioria das práxis; e, da mesma forma, nenhuma delas explica a singularidade e as diferenças individuais de cada habitat e da vida de cada ser vivo.

Assim como a maioria dos animais que vivem nos oceanos do mundo pode nadar e a maioria dos animais que vivem nos bosques e florestas do mundo pode caminhar, embora sejam totalmente diferentes e não assimilados em um grande monólogo, sendo a diversidade e a diferença uma característica fundamental dos habitats saudáveis, não há uma práxis ecoanarquista totalizante, nenhum “ismo” redutor e singularizante que tenha de fato reduzido as práxis ao verdadeiro caminho único – embora certamente existam indivíduos que pretendem ter encontrado esse caminho e sustentam que todos devem se conformar à sua ideologia. Essa afirmação da diversidade de anarquias ecológicas coexistentes é uma afirmação que faço de forma totalmente positiva, ao mesmo tempo em que mantenho um pessimismo inevitável em relação à minha capacidade (ou de qualquer outra pessoa) de afirmar adequadamente “tudo isso” – só posso falhar aqui, e isso é maravilhoso.

Uma das semelhanças habituais que observei nas praxes anarquistas ecológicas é a revolta e a rebelião contra a expansão colonialista beligerante do império da agricultura totalitária, embora isso certamente difira em intensidade entre os indivíduos, suas perspectivas e praxes. Essa vontade de resistir ao totalitarismo e ao império é algo que vejo nos esforços de rewilding, cull-resistance, liberação da terra, liberação dos animais e preservação do habitat e das culturas indígenas. Esses esforços diferem totalmente entre indivíduos e lugares, com base nas diferenças geográficas e nas diferenças de vida dos indivíduos.

Talvez o assunto mais divisivo nas conversas eco-anarquistas seja a questão da tecnologia, e sinto afirmar que abordo esse assunto com uma orientação profundamente tecno-pessimista, embora menos purista do que muitos daqueles que se autodenominam anarcoprimitivistas, com os quais tenho me encontrado. Observo que aqueles que se sentem otimistas em relação à progressão tecnológica e ao que a expansão da tecnosfera tem feito, geralmente estão mais inclinados à socioecologia e às ideologias socialistas que buscam conservar as estruturas e práticas industriais dessa cultura por meio de tecnologias “sustentáveis” e “ecologicamente corretas”. Para mim e para o que parece ser a maioria dos indivíduos tecno-pessimistas que encontrei, a revolta contra a tecnologia parece estar enraizada no fato de reconhecê-la como despótica, mediadora e ecologicamente violenta.

Outra semelhança de hábitos e habitats que noto é a das práticas eco-anarquistas, que se preocupam mais com a saúde e o bem-estar, pessoal, relacional, ambiental, corporal e mental, do que com a propriedade ou com as tentativas de construir socialmente futuros para os outros viverem. Essas orientações em relação à saúde e ao bem-estar, em minha experiência, vêm de perspectivas que cuidam da carne, com sentimentos de amor pela vida e pelos vivos. Refletindo sobre isso, percebo dois grandes desafios: a dificuldade de qualquer indivíduo superar as doenças da civilização e, ao mesmo tempo, viver sem se separar do Leviatã, sendo essa separação ecologicamente impossível; e a dificuldade de qualquer medicina-práxis sobreviver sem ser, de certa forma, assimilada pela indústria e pela máquina do trabalho.

O último hábito das práxis eco-anarquistas que noto, que em grande parte tem a sensação de tentar curar, é o da ecdise. O que quero dizer com ecdise é o desprendimento da pele que contém as toxinas dessa cultura, tornando-nos os animais que de fato somos e uma experiência de ser feral; como viver entre a cidade/império/colonialismo/estatismo/civilização/Leviatã e o habitat selvagem/anarquia/tribo; que não são ecologicamente separados, embora sejam presenças muito diferentes dentro do corpo deste mundo. Talvez em sua forma mais simples, isso pode ser experimentado na nudez.

Como esta breve introdução é e só poderia ser um fracasso, sugiro que qualquer pessoa que queira uma introdução melhor às eco-anarquias vá até onde crescem as ervas daninhas e viva a vida selvagem.

Julian Langer

Fonte: https://www.freespiritanarchist.com/post/a-brief-introduction-to-ecological-anarchies

Tradução > Contrafatual

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Brisa de outono
Como flechas de sombras
Os pássaros voltam.

Jorge Lescano

[Grécia] Vídeo | Exarchia: Passeata solidária à Ocupação Notara 26

Imagens da passeata solidária à Ocupa de Imigrantes e Refugiados Notara 26, no sábado, 30 de março de 2024, no bairro de Exarchia, Atenas.

Centenas de pessoas apoiaram a convocatória da Ocupa de Imigrantes e Refugiados Notara 26, e coletivamente foi passada uma mensagem de que a comunidade não vai sair de Exarchia.

Como escreve a própria Assembleia de Notara no seu folheto:

“Numa condição em que encontrar habitação, especialmente para as mulheres imigrantes, se torna cada dia mais difícil, onde os bairros são invadidos pelo turismo, pela comercialização e pela cultura de consumo, deslocando aqueles que não podem pagar os aluguéis exorbitantes dos proprietários.

Numa condição em que os espaços públicos de socialização e politização são destruídos e os ocupas são criminalizados e processados, os espaços livres do Estado e do capital devem ter o nosso apoio contínuo e coletivo, mas também a nossa dedicação em multiplicá-los.”

>> Veja o vídeo (04:27) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=MzIbkQtiMQA

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/29/grecia-apelo-para-a-marcha-solidaria-a-ocupacao-de-imigrantes-e-refugiados-notara-26/

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Entardecer
Sob o velho telhado
Retornam pardais.

Hidemasa Mekaru