Trabalhadores Ocupam Sede do PT em Fortaleza em Defesa da Casa Comum!

Centenas de trabalhadores ocuparam a sede do PT no dia 11 de Dezembro de 2023 em Fortaleza, Ceará. Ao mesmo tempo, também foi realizado uma ocupação na barragem de fronteiras em Crateús pelas comunidades atingidas por este cruel empreendimento capitalista. É a 1º Ocupação em Defesa da Casa Comum. Uma ação realizada por uma coalização de comunidades e organizações populares que demandam uma audiência com o governador Elmano (PT) e consequentemente o cumprimente de dezenas de pautas de diferentes comunidades do sertão ao litoral, o campo à cidade.

Em todas as pautas temos a expressão do capitalismo que destrói a natureza e a vida do povo. Seja pelas Eólicas no Mar que ameaçam mortalmente a pesca artesanal, seja pela mineração de urânio que prejudicará todo o povo do Ceará com sua radioatividade, seja com a especulação imobiliária que no litoral e na cidade deixam o povo sem lar, sem trabalho e sem dignidade, seja pela carcinicultura e barragens que roubam a água e inundam vidas, seja pelo velho latifúndio que violenta os camponeses com seus jagunços.

Nossa luta não é de hoje!

Essa luta não é de agora. No dia 16 de Agosto de 2022, uma comissão de mulheres foi até o Palácio da Abolição para entregar uma carta à governadora Izolda Cela (PDT) apresentando as pautas das comunidades. O pedido de uma audiência que estava na carta, recebida pela Assessora Esp. de Acolhimento aos Movimentos Sociais, não foi aceito pela governadora.

Assim, no dia 12 de setembro o Ceará amanheceu em revolta popular com bloqueio de rodovias em Fortim, Caucaia e Crateús. Foi o trancaço! Onde coletivamente exigimos uma audiência com a Governadora Izolda Cela para tratar das reivindicações que havíamos entregue à mais de 27 dias.

Após 8h de bloqueio, liberamos as rodovias com a promessa de uma reunião com a Casa Civil do governo do estado do Ceará e suas secretarias na mesma semana, dia 15. Nelson Martins, como assessor especial das relações institucionais, estava representando o estado nas negociações e, a todo tempo estava restringindo a participação das representações do povo em luta, foram diminuindo a quantidade de pessoas que poderiam participar, cortaram nomes da nossa lista e por fim disseram que não iriam nos receber.

No dia 29 de Setembro de 2022, foi realizado o 2º Trancaço na rotatória da CE-085 com a CE-090. O bloqueio interceptou ônibus de trabalhadores do porto do Pecém que com muita alegria aderiram a paralisação. A Casa Civil do Governo do Estado mentiu mais uma vez dizendo que no dia seguinte diria a data da audiência com a governadora.

Em 2023 o governador Elmano assume o governo do estado do Ceará. É um governo de continuidade, pois a Isolda era vice de Camilo (PT). No dia 22 de Março, dia mundial da água, é realizado a I Celebração da Luta em Defesa da Água, do Território e da Casa Comum no município de Fortim onde é encaminhado ao governador Elmano o pedido de audiência para tratar das demandas. O governo se compromete em receber até o final de abril. Mais uma vez não cumpre com o que se compromete e as comunidades não são atendidas.

No dia 31 de Março houve somente uma audiência com o governador muito breve para tratar exclusivamente da pauta das eólicas no mar onde algumas orgs que ocuparam a sede estiveram presente. Houve inclusive restrição absurda ao numero de representações. Nesta audiência ele se comprometeu em marcar uma data até o final de Julho para tratar da pauta comum das orgs e NÃO CUMPRIU COM O QUE DISSE. Além disso NADA do que foi encaminhado nesta audiência sobre as eólicas foi cumprido pelo governador.

Os trabalhadores tem legitimidade

Assim, o dia 11 de Dezembro não é fruto de qualquer vontade, mas sim da necessidade de dezenas de comunidades cearenses que o governo do estado oprime pela sua omissão. A 1º Ocupação em Defesa da Casa Comum é uma consequência!

A ocupação da sede do PT pelos trabalhadores é legítima, pois o partido tem responsabilidade sob o governante que se elege com sua legenda. A ocupação se iniciou por volta das 10:30 e durou até o dia seguinte. Houve dois bloqueios da Av. da Universidade, intensas mobilizações e resistências, apoio mútuo da classe trabalhadora.

Com tudo isso, foi no dia 12 que o Secretário Executivo de Articulação Política do governo veio presencialmente à ocupação às 11h para anunciar que o governador se compromete em receber uma comissão das organizações no dia 5 de Janeiro. A assembleia foi favorável ao acordo e afirmou que caso o acordo não seja cumprido, a resposta será ainda maior!

Após isto, a sede foi desocupada às 14h e os trabalhadores e trabalhadoras retornaram para sua comunidade cientes da força que o povo tem quando se utiliza da ação direta para pressionar os governantes. A ocupação cumpriu seu papel, denunciando amplamente a destruição que o capitalismo provoca em nossa casa comum e também conquistando uma data para audiência com o governo do estado.

O povo permanece atento para cobrar e deseja não ser enganado novamente.

VIVA A FORÇA DO POVO TRABALHADOR UNIDO!

VIVA A 1º OCUPAÇAÕ EM DEFESA DA CASA COMUM!

A Organização Popular Terra Liberta celebra a coalização com o OPA: Organização Popular, ARPOLU: Articulação Povos de Luta do Ceará, Teia dos Povos do Ceará e a Articulação Antinuclear nesta construção da 1 Ocupação em Defesa da Casa Comum. Também celebramos a confluência com o Movimento Critica Radical.

Fonte: https://terraliberta.lutafob.org/2023/12/16/trabalhadores-ocupam-sede-do-pt-em-fortaleza-em-defesa-da-casa-comum/

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agência de notícias anarquistas-ana

Quando a chuva pára
Por uma fresta nas nuvens
Surge a lua cheia.

Paulo Franchetti

[Grécia] Atenas: Steki Ano-Kato Patission re-ocupada

Em agosto deste ano, a polícia grega despejou várias ocupações. Entre elas estava a ocupação Steki Ano-Kato Patission, que existia há 27 anos. Há alguns dias, no entanto, a ocupação foi retomada.

No sábado, 9 de dezembro de 2023, a Steki Ano-Kato Patission foi re-ocupada por 80 companheiros. Após a ocupação, 250 pessoas solidárias se reuniram em frente ao prédio e foram atacadas por policiais. Muitas não conseguiram fugir e ficaram presas em prédios residenciais, dormitórios vizinhos e na própria Steki. Durante o ataque, a polícia jogou gás lacrimogêneo nos carros e ameaçou queimar pessoas vivas enquanto gritavam. Algumas pessoas foram presas, outras foram espancadas. Embora os policiais tenham cercado a Steki e jogado gás lacrimogêneo em seu interior, as pessoas se defenderam e conseguiram manter a ocupação. No entanto, houve companheiros feridos que tiveram de ir para o hospital e cerca de 19 pessoas foram presas. No domingo, 10 de dezembro, rolou uma manifestação de solidariedade aos presos em Evelpidon.

A re-ocupação de Ano-Kato ocorreu como parte dos dias de ação em todo o país em solidariedade às casas ocupadas. Também houve uma manifestação em Monastiraki, em Atenas. Os ataques às ocupações confirmam mais uma vez que a solidariedade, a auto-organização e as lutas autônomas são um grande espinho para o Estado. Esta declaração a seguir foi divulgada pelas ocupações Ano-Kato Patission, ASP (Steki Politécnico Autônomo), Evangelismos e Zizania.

Declaração sobre a re-ocupação da Steki Ano-Kato Patission:

Dissemos que não iremos embora e estamos falando sério.

Estamos felizes por hoje termos conseguido transformar nossas palavras em ações e por, com perseverança e confiança, termos recuperado um pedaço de nossas vidas. Recuperamos o jardim no qual crescemos e no qual aprendemos o que significa viver. Juntamente com dezenas de companheiros, amigos e pessoas solidárias, reocupamos esta casa. Estamos defendendo nosso lugar na cidade, recuperando esse espaço abandonado para nós e para as gerações futuras. Hoje, acendemos novamente nossos fornos a lenha e de cozimento e transformamos o fogo em um chamado à resistência para o movimento dos ocupantes. Com os punhos erguidos para o céu, subimos no terraço de nossa casa ocupada e enviamos nossas mais calorosas saudações a todos aqueles que, em todo o mundo, continuam lutando.

Rompemos o círculo vicioso do medo ao reivindicar o que é nosso por direito. Não apoiamos incondicionalmente os direitos civis concedidos pelo Estado, mas lutamos contra a lei para reivindicar o que nos pertence na cidade: as coisas que construímos com nossas mãos e nossas mentes, coisas que são consideradas mortas se não forem utilizadas, como as milhares de casas e edifícios vazios em Atenas. Optamos por dar vida a propriedades “mortas” e transformar espaços vazios em locais coletivos de resistência. Subvertemos o contexto social de forma criativa, reinterpretando o valor desses espaços: Não se trata de lucro, de agências imobiliárias, de ONGs, mas de atender às nossas necessidades e desejos coletivos e também de ir além deles. Vemos as ocupas como um laboratório onde podemos fazer experimentos com relações coletivas, militantes, solidárias e de cuidado – além da instituição da família, além da religião e do Estado. Esse é o lugar onde nossas ideias ganham vida, onde nos reunimos para imaginar novos mundos possíveis. Contra a normalização dos massacres e das fronteiras! Nem deus nem senhor!

Consideramos nosso espaço político no número 75 da rua Naxou e Krassa (Praça Koliatsou em Patissia) como um laboratório. Nos últimos 27 anos, essa tem sido a oficina onde expressamos nossas ideias e ações subversivas contra a exploração, a opressão e a injustiça. Foram 27 anos em que esse lugar esteve livre e aberto para a vizinhança; hospitaleiro para todos os sonhadores, proletários excluídos, punks, os condenados do mundo, criminosos, artistas clandestinos, músicos e poetas, aberrações, espíritos intransigentes, viciados e jovens. Nesses 27 anos, lutamos contra essa sociedade de merda, na qual racistas e policiais assassinam violentamente nosso povo, uma sociedade na qual feminicídios, empurrões e “naufrágios” nas fronteiras europeias são normalizados, na qual o afogamento de pessoas nos portos e o “colapso” da infraestrutura são o “estado normal” que nos é imposto. Nesses 27 anos, aprendemos o que significa viver coletivamente e descobrimos as possibilidades de luta contra a dominação.

Nesses 27 anos, zombamos do mundo da “propriedade privada” e ficaremos aqui o tempo que for necessário, mesmo que isso signifique fazer tudo de novo. Este é o nosso bairro, fomos à escola aqui, conhecemos nossos primeiros amigos aqui, moramos e trabalhamos neste bairro. Unimos forças com nossos vizinhos aqui e foi também neste bairro que aprendemos a odiar a violência perpetrada pelos ricos. Estamos lutando para recuperar tudo o que foi roubado de nós. Não permitiremos que a família Papaoikonomou, esses herdeiros ricos que moram nos subúrbios ao norte da cidade e possuem dezenas de propriedades em Patissia [bairro de Atenas] e em várias ilhas, simplesmente tirem nossa casa de nós. Dizemos claramente que eles não se livrarão de nós tão rapidamente. Nossa resistência é grande na vizinhança. Nós nos enrolamos em torno do grande cipreste da casa ocupada.

27 anos de ocupação

27 anos de Ano-Kato Patission

Estamos aqui para ficar.

Αυτοδιαχειριζόμενο Στέκι Άνω Κάτω Πατησίων

Steki Ano-Kato Patission, Naxou 75, Atenas, Grécia

NOSSAS LUTAS NÃO ACABARAM,

NOSSAS IDEIAS NÃO PODEM SER TRANCADAS

SOLIDARIEDADE COM AS OCUPAÇÕES

agência de notícias anarquistas-ana

uma libélula
pousa em outra libélula
ah, o amor!

Sérvio Lima

[Grécia-França] Aqui está o trailer de nosso novo filme “Nous n’avons pas peur des ruines”!

Olá!

10 anos depois de Ne vivons plus comme des esclaves, 8 anos depois de Je lutte donc je suis e 5 anos depois de L’Amour et la Révolution, é com grande emoção que convido você a descobrir o trailer do nosso quarto filme:

NÃO TEMOS MEDO DAS RUÍNAS

(subtítulo: … levamos um mundo novo em nossos corações)

No youtube: https://www.youtube.com/watch?v=fvk_wXeaVRo

No Vimeo: https://vimeo.com/889579617

No site do filme: http://paspeurdesruines.net/spip.php?rubrique3

Esse é um trailer longo, como nos filmes anteriores. O segundo trailer, mais curto e mais convencional, será lançado em alguns dias, especialmente para os cinemas.

As exibições e os debates na França, Suíça e Bélgica começarão entre janeiro e março de 2024, intercalados com uma série de datas em outros países e, é claro, na Grécia. A programação de datas e cidades onde podemos nos encontrar e conversar após as exibições está aqui: http://paspeurdesruines.net/spip.php?article20

Tenho que confessar algo que somente a equipe do filme e alguns dos personagens na tela sabem: esse quarto filme quase nunca veio à luz, tamanhas foram as provações e tribulações. Muito mais do que em nossos filmes anteriores.

Esse novo filme foi filmado na Grécia entre 2019 e 2023. Decidimos coletivamente começar a filmar assim que a direita chegou ao poder, em julho de 2019. A ofensiva contra a Exarchia prometida por Mitsotakis [primeiro ministro grego] havia acabado de começar: ocupação brutal do bairro, despejo semanal de ocupações, propaganda da mídia e repressão total. Sabíamos que uma página estava sendo virada, e as pessoas próximas a nós no bairro estavam ansiosas para manter viva a memória daquele período e divulgar nossa resposta determinada.

Naquela época, o movimento social grego havia adotado o slogan de 1936 na Espanha: “No Pasaran”, a ponto de batizar nossa rede de resistência com esse nome, a maioria dos cartazes e até mesmo uma faixa “No Pasaran” que revestia a Rua Notara, a oeste de Exarchia, por um longo tempo, lembrando uma faixa semelhante de 1936. Como nos disseram repetidamente: “Transformaremos seus lugares em ruínas”, respondemos em uma só voz: “Não temos medo das ruínas”. Nossa resposta foi inspirada em uma frase famosa de Buenaventura Durruti:

Não temos medo das ruínas, somos capazes de construir também… a burguesia pode explodir e demolir seu próprio mundo antes de sair do palco da história, nós levamos um mundo novo em nossos corações.”

Sim, carregamos um mundo novo em nossos corações, na Grécia e em outros lugares. Sabemos que, além da catástrofe ecológica e social, a vida encontrará um caminho e reconstruiremos a sociedade de forma diferente. Mais cedo ou mais tarde, sairemos da pré-história política da humanidade. Tomaremos resolutamente nossas vidas em nossas próprias mãos e nunca mais nos deixaremos ser pisoteados. Juntos, seremos “a vida se defendendo”.

As últimas imagens desse filme datam de dois meses atrás, em setembro de 2023. Mas, entre 2019 e 2023, fomos arrastados por um turbilhão de obstáculos: acidentes, problemas de saúde, mortes, ataques nazistas, repressão policial, ameaças de todos os tipos, roubo de equipamentos de informática, vários tipos de destruição, apartamentos visitados… Foi preciso muita perseverança dentro do grupo para continuar, depois de alguns momentos de pausa. E obrigado a todos aqueles que nos apoiaram. De Creta a Épiro (noroeste da Grécia), as lutas também foram difíceis, diante de um governo determinado a transformar a terra e o mar em mercadorias.

Em 2022, as autoridades queriam continuar sua ofensiva contra Exarchia com a construção do metrô na praça e um projeto de desenvolvimento habitacional na colina Strefi, com forte presença da polícia de choque e capangas mascarados. Mas a luta continua! Nada acabou ainda! A ocupação Notara 26 ainda está lá. O dispensário médico autogerido continua a tratar pessoas precárias do bairro e de outros lugares, assim como as cozinhas solidárias gratuitas estão firmes para alimentar as pessoas. O centro social K*Vox ocupado continua sendo a principal base do grupo Rouvikonas, que também superou muitas dificuldades nos últimos anos, mas continua sendo a obstinada “pedra no sapato” das autoridades determinadas a neutralizá-lo. Muitas pessoas vieram de longe para nos apoiar, por exemplo, a marinheira solidária Pia Klemp, que salvou centenas de vidas no Mediterrâneo e que também testemunha no filme.

A resistência também assumiu formas surpreendentes, por exemplo, na ilha de Paros, nas Cíclades, onde grupos de moradores estão se recusando a aceitar a proliferação de praias particulares que fecham o acesso ao mar. De praia em praia, eles conseguiram conter a “maré capitalista” reabrindo o acesso gratuito aos prazeres do mar para jovens e idosos. Este verão de 2023 foi marcado por muitas vitórias, graças à convergência de nossas lutas.

E pensar em uma sociedade diferente, mais justa e solidária também significa repensar o esporte e a educação. Como em nossos filmes anteriores, você descobrirá um clube esportivo organizado sem hierarquia, em um espírito de cooperação e sinergia: em Rethymnon, Creta, o clube de futebol “Livas” (o vento quente do sul que sopra da Líbia, um país chamado “Livia” em grego) propõe uma maneira completamente diferente de praticar esse esporte, que é o rei do capitalismo triunfante, mas que também é uma espécie de linguagem popular falada em todo o mundo. A ideia é não deixar o futebol e outros passatempos populares à mercê dos negócios e do setor de entretenimento. “Podemos fazer o futebol de forma diferente”, dizem nossos sorridentes companheiros, homens e mulheres, jovens e idosos.

Enquanto isso, em Atenas, os professores de escolas primárias estão se manifestando do lado de fora dos campos de migrantes para libertar seus alunos presos em Exarchia durante a evacuação dos assentamentos. E eles conseguiram! Entre eles, Babis, um professor de Freinet com uma atitude exemplar e inspiradora, testemunha ao lado de seus pequenos protegidos do Afeganistão.

No que diz respeito à música, muitos artistas nos ofereceram ajuda, e não menos importante, especialmente durante as reuniões em torno de L’Amour et la Révolution, há cinco anos, na Grécia, na França e em outros lugares. Metade das músicas e melodias foram escritas para Nous n’avons pas peur des ruines. Porque não pode haver luta sem música. E precisamos de novas criações para continuar cantando sobre nossas lutas e nossas utopias.

É por isso que é com grande emoção que lhes confio nosso novo filme, começando com seu longo trailer. Estamos todos emocionados com este momento: a equipe do filme, mas também os personagens na tela, nossos companheiros de luta, os músicos e todos aqueles que, de uma forma ou de outra, participaram desta aventura. Contamos com a sua ajuda para que o filme encontre seu público, entre o barulho da futilidade e o grotesco jogo de um contra o outro que satura as telas.

Em relação às plataformas de vídeo on-line (especialmente o YouTube), vários dos meus companheiros e companheiras de luta estão fazendo um apelo a você que está lendo estas linhas: “Você pode nos ajudar em três minutos sem gastar um único euro, apenas curtindo o trailer, postando um comentário (o que melhora sua visibilidade) e compartilhando-o.

Eles estão certos: dada a nossa relação distante com os poderes constituídos e com a mídia que faz o que eles querem, o futuro deste filme depende inteiramente de você. Estamos contando com o seu boca a boca, como fizemos com nossos filmes anteriores. De acordo com os primeiros espectadores, este é um filme que fala francamente sobre a situação atual, tanto local quanto globalmente, e que, de acordo com todos os envolvidos, dá às pessoas um impulso, o desejo de agir e de se envolver. O feedback inicial tem sido muito encorajador. Estamos ansiosos para ouvi-los durante as primeiras exibições e debates do filme e, assim que assistirem ao trailer completo, por gentileza, deixem um comentário, uma reação ou uma mensagem curta abaixo, que teremos o maior prazer em ler.

Se desejar, você também encontrará imagens do filme no site, para nos ajudar a divulgar seu lançamento, bem como fotos do filme e da filmagem, de acordo com suas preferências.

Agradecemos desde já sua recepção e apoio, e esperamos vê-lo em breve na França, Suíça ou Bélgica, com algumas surpresas reservadas.

Com os melhores cumprimentos

Yannis Youlountas, Berceau d’un autre monde, pelo coletivo por trás do filme

blogyy.net

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agência de notícias anarquistas-ana

nadam no vento
como carpas douradas
folhas de bambu

Akatonbo

[Espanha] Alimentar-se não é um privilégio

Hoje queremos falar sobre algo importante para a classe trabalhadora, que a está atingindo diariamente: o enorme aumento do custo de vida, o que significa que a maior parte de nossos esforços está voltada para o sustento, apenas para cobrir as necessidades de alimentos e produtos básicos de consumo.

Não sabemos se haverá um aumento do SMI até 2024, mas esta é a nossa realidade: salários atingidos por uma inflação acumulada de 13,9% desde 2021 e acordos coletivos que não recuperam o poder de compra perdido, o que sufoca os salários mais precários para cobrir apenas as contas básicas.

A perda do poder de compra da classe trabalhadora espanhola é clara. O IPC aumentou cumulativamente para quase 14% desde 2021. Se o seu acordo coletivo ainda estiver congelado e você tiver 14 pagamentos, esses números significam que, em comparação com 2020, você perdeu dois salários (cada salário equivale a 7,1% do salário anual, se você receber 14 pagamentos). E aqueles que ganham menos – 30% das famílias ganham menos de 1.500 euros, de acordo com o INE – são os que mais notaram o aumento do preço do pão, dos legumes, dos ovos, do óleo etc.

A cesta de compras aumentou 30,8% nos últimos dois anos, afetando 9 de cada 10 produtos no supermercado. Se essa situação continuar, será que vamos acabar trabalhando só para comer? Tudo parece indicar que sim.

O Governo deve adotar uma política de redução e contenção de preços, já que supostamente “o Estado somos todos”. Ele deveria intervir para limitar os preços, e não gastar tudo em gastos militares, polícia, ajuda a bancos e empresas…

CONTRA O AUMENTO DO CUSTO DE VIDA

ALIMENTAR-SE NÃO É UM PRIVILÉGIO

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/alimentarse-no-es-un-privilegio/?fbclid=IwAR327eSljo9NSUBtUVj2ugeqqvitDEMAOgW3cW8hp99H1CUaynW2NtynThI

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Cena oriental:
uma palhoça medita
no meio do pasto.

Lena Jesus Ponte

[Suécia] Coletamos e divulgamos informações de clientes de uma das maiores lojas white power da região nórdica

A Midgard é uma das maiores lojas online de música e merchandise white power da região nórdica. Desde 1990, Midgard tem um papel significante no movimento nazi da Suécia, servindo como infraestrutura para o movimento. Ao longo dos anos Midgard têm ativamente participado e apoiado financeiramente inúmeras organizações nazis, além de estar presente em eventos internos.

A Midgard opera desde a cidade de Alingsås. A empresa por trás da Midgard é Ringhorne AB (556870-8803), os proprietários são Martin Flennfors (19860125-5519) eMartin Engelin (19860630-4957). Ambos têm conexão com o Nordic Resistance Movement (Movimento de Resistência Nórdica), onde Engelin continua sendo um dos membros mais proeminentes da organização.

Assim como anteriormente coletamos e divulgamos as informações de clientes da Kampboden em 2016, Midgard em 2017, White United Shop in 2020, e Greenpilled em 2023, agora também podemos compartilhar os dados de clientes da Midgard, de 2017 a 2022. Os registros incluem aproximadamente 20.000 pedidos de clientes ao redor do globo.

Por algum tempo processamos os dados suecos, que contém cerca de 2500 clientes. Todos esses clientes escolheram ativamente bancar financeiramente o movimento nazista da Suécia ao comprar da Midgard.

Por conta da extensão dos dados, decidimos colocá-los nesta página externa com recursos que facilitam a consulta. Queremos que esses registros sejam um recurso para qualquer um que busque investigar e atacar o movimento nazista.

Com essa publicação, queremos demonstrar que ninguém pode se manter anônimo ao escolher apoiar o movimento nazista. Nós sempre encontraremos vocês! É apenas uma questão de tempo.

Banco de Dados: https://midgard.antifa.se/

Fonte: https://antifa.se/2023/12/04/afa-research-vi-offentliggor-midgards-kundregister/

Tradução > 1984

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agência de notícias anarquistas-ana

é preciso pouco
andar na senda da noite
basta um vagalume

Akira

[Espanha] Morreu o companheiro Bonanno

Morreu Alfredo Maria Bonanno, pensador anarquista, amigo da revolta e da insurreição. O anarquismo dos últimos tempos não se entenderia sem suas contribuições.

Em 6 de dezembro faleceu Alfredo Maria Bonanno, um destacado teórico e ativista anarquista italiano. Bonanno foi redator das revistas Provocazione e Anarchismo durante a década dos oitenta. Ademais, foi o autor de numerosos ensaios (como Poder e Contrapoder, A dimensão anárquica, Teoria e prática da insurreição, A destruição necessária e Afinidade e organização informal) e panfletos (como “A tensão anarquista“, “Outra guinada do capitalismo” e “O prazer armado“). Este último texto foi proibido na Itália e o levou a uma condenação de dezoito meses de cárcere, por fazer “apologia da violência e subversão”.

Como diz Helios Escalante no Twitter, “para muitos de nós seus textos e sua prática foram importantes nos anos 90 e 2000 e abriram debates sobre a organização e a ação libertárias no contexto espanhol”. Apesar das diferenças filosóficas ou estratégicas que cada um possa ter com ele, suas colaborações teóricas e práticas ao anarquismo foram fundamentais para qualquer ativista de nossa geração e sempre estaremos agradecidos por isso.

Porque criticamos construtivamente a todos aqueles que se retardam em posições de compromisso com o poder ou que sustentam que a luta revolucionária já é impossível. Porque muito melhor que esperar, estamos decididos a passar à ação inclusive quando os tempos não estão maduros. Porque queremos acabar com este estado de coisas já, e não quando as condições externas tornem possível sua transformação. Eis aqui os motivos pelos quais somos anarquistas, revolucionários e insurrecionalistas. Alfredo Maria Bonanno

Que a terra te seja leve, companheiro. Que viva a Anarquia.

Fonte: Todo Por Hacer

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

Flores no jardim.
Uma abelha pousa aqui
e depois se vai.

Sérgio Francisco Pichorim

Carta aberta de comunidades e organizações populares do Ceará ao senhor presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Aviso: Esta carta, no dia 11/12, foi entregue presencialmente, à diretoria do Partido dos Trabalhadores na ocupação da sede estadual em Fortaleza, Ceará. Hoje, dia 13, estamos publicando para que o povo entenda cada vez mais as razões que levam à 1º Ocupação em Defesa da Casa Comum (ODCC) realizar tal ação. Em torno das 11h do dia 12 o governador Elmano se comprometeu em receber uma comissão das organizações como consta na nota da equipe de comunicação da ODCC. O povo está vigilante e atento! A luta continua!

Senhor presidente Lula,

Somos pessoas simples, trabalhadoras, que lhe escrevem agora esta carta. Um documento parecido com este foi enviado à ex-governadora Izolda Cela, hoje integrante do Ministério da Educação, e ao governador Elmano de Freitas, depois de inúmeras tentativas frustradas de conseguirmos fazer com que eles nos recebessem. Chegamos a realizar grandes lutas com este intuito, mas fomos enganados em todas elas. Marcaram as audiências, para, em seguida, cancelarem-nas na nossa cara.

O Ceará tem sido palco de projetos que adoecem e massacram nosso povo, além de devastarem impiedosamente a natureza. O agronegócio e a mineração recebem todo tipo de benefício do Estado para envenenar nossa gente. Grandes barragens, que expulsam comunidades inteiras, são construídas, e cursos de rios são desviados para que não falte água a estes grandes empreendimentos. Projetos que causam fome, muita fome!, e agravam a crise climática já bastante sentida no mundo inteiro.

No litoral, as usinas de energia eólica e os grandes hotéis privatizam a praia, e agora manobram para privatizar também o mar. O nosso mar! Isso acontece sobre áreas de proteção ambiental, territórios de comunidades tradicionais. E o pior, presidente: tudo feito com muito dinheiro público; de nosso suor, custando nosso sangue! Recurso que poderia ser investido em um outro modelo de desenvolvimento. Sim, porque, apesar de toda perseguição, nossas comunidades e o povo em geral são mestres na construção de alternativas. Veja a produção de alimentos saudáveis, sem veneno! Por que não destinar prioritariamente água, terra e recurso público para esta prática?

Nas cidades do Ceará, os problemas do povo não são tão diferentes. O que ocorre no mato repercute no asfalto, e vice-versa. Entre tantas dificuldades que passamos, algumas nos afligem mais que tudo: a falta de moradia, de trabalho digno e a carestia. Temos certeza que o senhor entende que estamos falando de vida ou morte! Depois, no maior e cruel cinismo, ainda apresentam cadeias desumanas como solução para problemas sociais criados por criminosos de colarinho branco, com gordas contas bancárias nos paraísos fiscais do exterior.

Para piorar, por defenderem a vida, trabalhadores e trabalhadoras têm recebido constantes ameaças de morte. Somente no município de Fortim, somos aproximadamente vinte, com preços estipulados por cabeça abatida e por informações fornecidas. O senhor bem sabe que o Estado e seus governantes, porque deveriam encaminhar a solução dos problemas, mas não o fazem, possuem responsabilidade em tudo isso. Saiba também o senhor que o assassinato de qualquer um, qualquer uma de nós, depois de tantos alertas e denúncias, ungirá as mãos de todos os governantes de sangue, inclusive a vossa.

Lutamos cotidianamente para derrotar o fascismo/bolsonarismo. Eles foram “vencidos” nas eleições para o executivo federal. Agora é chegada a hora de ir além! A tão falada democracia não pode servir de maquiagem à continuidade dos projetos de morte e nem colorir de brilho o permanente impedimento do povo de participar das decisões que afetam sua vida.

Por isso, senhor presidente, estamos realizando a 1° Ocupação em Defesa da Casa Comum, porque temos preocupação com o hoje e com o amanhã.

Por esse motivo, senhor presidente, ocupamos a sede do partido que governa o Ceará e o Brasil e a Barragem Fronteiras, em Crateús, para denunciar a implantação desses projetos que ameaçam a vida humana em nossa Casa Comum, o Planeta Terra; e para requerer uma audiência imediata com o governador Elmano de Freitas e seus secretários, e representantes do governo federal que tenham poder de decisão sobre as problemáticas apresentadas. As comunidades possuem uma pauta propositiva e esperam ser ouvidas. Sem enganação, desta vez.

Desde já agradecemos a atenção.

Fortaleza, 11 de dezembro de 2023.

Assinam esta carta aberta:

Organização Popular – OPA / Organização Terra Liberta / Articulação Povos de Luta do Ceará – ARPOLU / Articulação Antinuclear / Teia dos Povos do Ceará

Fonte: https://terraliberta.lutafob.org/2023/12/14/carta-aberta-de-comunidades-e-organizacoes-populares-do-ceara-ao-senhor-presidente-luiz-inacio-lula-da-silva/

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Um ventilador
espalha o calor
e as notas da sinfonia

Winston

Pela expulsão e expropriação da Braskem!

Contra qualquer acordo do Estado junto à mineração:

Todo o território e poder decisório para o povo de Alagoas! 

O terror da mineração provocado pela Braskem em Maceió, que entrega a Alagoas o maior desastre ambiental em área urbana do mundo, ganha diariamente capítulos de indignação, desespero e descrédito absoluto no Estado e em todas as informações “oficiais”. É escancarada a relação de cumplicidade entre órgãos públicos e a mineradora que destruiu pelo menos cinco bairros, arruinando a saúde e o futuro de ex-moradores e moradores que ainda restam, provocando diversos problemas urbanos na capital e região metropolitana.

A Prefeitura de Maceió – que recebeu R$ 1,7 bilhão da Braskem em troca de isentar a mineradora de toda e qualquer culpa e responsabilidade sobre a cidade, e sequer utilizou o recurso para as vítimas – decretou estado de emergência após a Defesa Civil Municipal receber o aviso da mineradora sobre abalos sísmicos e uma ameaça de colapso em uma das 35 minas de extração de sal-gema da Braskem.

Desde o anúncio, moradores das regiões mais periféricas, do Bom Parto, Flexais, Quebradas e Marquês de Abrantes, já passaram por evacuação de última hora, expulsão de suas casas, inclusive sob truculência policial. Nos Flexais, onde moradores sempre reivindicaram realocação – por estarem isolados, inseguros e sentirem também os efeitos do afundamento – os órgãos teimaram em virar as costas, jurando que estavam seguros. Quando da iminência do colapso, estes mesmos órgãos quiseram de última hora que pelo menos 5 mil pessoas se abrigassem em escolas do município. Como se o aviso não tivesse sido dado muito tempo antes pela própria sociedade, pesquisadores, e principalmente, pelos próprios moradores!

Enquanto o drama vivenciado pelas famílias se intensifica e a Prefeitura embolsa os bilhões, a Braskem firma acordo para virar proprietária de todos os cinco bairros que ela mesma destruiu, sob anuência de Ministérios Públicos Estadual e Federal, Defensorias Públicas do Estado e União, e agora também o próprio Instituto do Meio Ambiente. Além do mais, gestores e parlamentares – especialmente o prefeito JHC, o governador Paulo Dantas, e tantos outros – se mobilizam numa verdadeira corrida, só que por votos e rixas internas. Em meio à tragédia, não poupam recursos em propaganda (eleitoral) de seus “feitos” que, na verdade, são vazios, insustentáveis, pouco efetivos, quando não prejudicam ainda mais o drama do povo maceioense.

Todas essas medidas e decisões só evidenciam o papel do Estado e do seu braço armado na vida do povo: vigiar e violentar os mais pobres, enquanto protege uma elite rica e se beneficia com os recursos. Maceió foi comprada por uma mineradora, sob a desculpa – que já se revelou falsa – de que se a empresa “quebrasse” seria pior, por danos em arrecadação e desempregos.Quanto vale os desempregos gerados pelo afundamento dos bairros? E as vidas perdidas por adoecimento físico, mental, incluindo os 14 suicídios? O tempo dobrado em congestionamento de trânsito, a limitação da mobilidade e o encarecimento absurdo de aluguéis e casas, porque – por óbvio- o mercado imobiliário decidiu aproveitar o desastre e abocanhar sua dose de lucro? Quanto vale as rotinas comunitárias, e os prédios históricos, os hospitais, praças, escolas, terreiros e igrejas fechadas?

A dignidade das vítimas é violada, a falta de transparência nas ações e acordos firmados com a Braskem alimenta a desconfiança da população, que se sente à mercê do controle governamental. . A Lagoa Mundaú foi maior testemunha da devastação provocada pela Braskem, tendo seus mangues alagados e, agora, avançando sob o colapso da mina. Marisqueiras e pescadores, abandonados pelos órgãos públicos, sofrem diretamente com a degradação ambiental, com a poluição e assoreamento da Lagoa, em razão do desmatamento nas margens. Os trabalhadores da pesca, primeiros a perceberem o adoecimento da lagoa, exigem ação imediata enquanto são os que mais sofrem com o racismo ambiental e injustiça climática.

Cabe lembrar que essa é a história da mineração. Uma história que, no Brasil, chegou junto à própria colonização e mantém seu modo de operar até hoje: Chegar, explorar as riquezas naturais, criar ilusão de ser ‘essencial’ para a sociedade onde se instala, enquanto acumula riqueza para si e deixa todo o território, com seu solo, sua água, seu subsolo, e seu povo, arrasados. Na sequência, procura outros lugares para destruir e lucrar. É uma história que já carrega junto o acúmulo ideológico e o conluio do Estado e sua própria ganância. Em Alagoas não é diferente.

Junto à população e às vítimas que não aceitam mais tantas mentira e expropriação, compreendemos que somente a mobilização e organização coletiva podem garantir a sobrevivência diante dessa tragédia.

A Braskem precisa ser expropriada, expulsa, e impedida de realizar mineração em qualquer lugar do mundo! Os bairros devem ser devolvidos para o povo, devidamente recuperados. A indenização tem que ser efetivamente justa e, ainda assim, sabemos que não compensará tantas dores! 

Essa mitigação, que ainda é mínima perto de tanta destruição, não virá por boa vontade de um Estado que, desde 2018, quando os primeiros tremores começaram, nunca se levantou para defender de fato a população, sempre buscando suavizar os efeitos para a empresa que tem arruinado os nossos territórios. Dele só esperamos mais medidas anti-povo!

Enquanto militantes organizados, é nosso compromisso estar ombro a ombro com a população atingida diretamente e reivindicar por justiça. Pelos nossos, nenhum minuto de silêncio mas uma vida toda em luta. Aqui também expressamos toda a nossa solidariedade às vítimas da Braskem.

FEDERAÇÃO ANARQUISTA DOS PALMARES

COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA

cabanarquista.org

agência de notícias anarquistas-ana

vôo de borboletra
do mundo das coisas
pro mundo das letras

Alexandre Brito

O falso anarquismo de Milei e seu apoio estrondoso a Israel

A Argentina está numa situação financeira difícil e o seu novo presidente planeja resolvê-la com uma versão ainda mais extrema do sistema financeiro que não deu certo até agora

Mostrar como o uso do termo “anarquismo” por Javier Milei é absurdo não exige muito esforço, mas o absurdo é altamente elegível em nossa era. Para um anarquista concorrer à presidência, ele estaria buscando um cargo que não acredita que deveria existir, e estaria ideologicamente comprometido em não fazer o trabalho. À medida que Milei faz campanha e vence a sua candidatura na Argentina, ele está, no entanto, empenhado em fazer um trabalho como chefe de Estado, apesar de se autodenominar anarquista. Seu compromisso é instaurar o mais livre dos mercados capitalistas e manter o governo o menor possível – sem que o seu próprio emprego deixe de existir. Isso significa acabar com regulamentos e ministérios, e exaltar stocks em dólares americanos e as forças armadas – para proteger bens privados. Como uma relação inquebrável com os EUA e Israel, que são as suas primeiras viagens internacionais confirmadas desde as eleições, pode ajudá-lo a alcançar esses objetivos?

A estratégia de Milei para gerar riqueza e conter a inflação é privatizar tudo, e isso já sacudiu a bolsa de valores nos EUA. Segundo a Reuters, o seu plano de vender a YPF, a empresa petrolífera nacional, já fez com que suas ações subissem 40% desde a vitória eleitoral. “A YPF é a maior empresa petrolífera da Argentina e supervisiona o desenvolvimento da Vaca Muerta, a segunda maior reserva de gás de xisto do mundo e a quarta maior reserva de óleo de xisto.” A dolarização da Argentina tornará esse tipo de venda ainda mais conveniente para os estrangeiros. Ao mesmo tempo, a privatização desses bens públicos estabilizará a dolarização.

Pelo menos é nisso que Milei está apostando, e ele precisa que funcione por vários motivos. Um deles é que a YPF está sob escrutínio judicial pela forma como foi nacionalizada em primeiro lugar. Uma sentença de 16 bilhões de um tribunal dos EUA paira sobre a cabeça da empresa devido à “apreensão” de ações de investidores minoritários em 2012.

Outra razão pela qual Milei precisa que esse plano funcione é que a Argentina é o país que mais deve dinheiro ao FMI no mundo. Se investimento do FMI, cujo objetivo é ajudar “países de baixo rendimento” a permanecerem ativos no mercado capitalista global, fracassou, será que entrar de cabeça no mercado dolarizado e privatizado funcionará como solução?

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://diplomatique.org.br/falso-anarquismo-milei-israel-palestina/

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brasa do tempo
acende quando passas
no pensamento

Carlos Seabra

[EUA] Prisioneiro anarquista Eric King é liberado para casa de recuperação após dez anos

Depois de quase dez anos de encarceramento e inúmeras tentativas do Estado de incriminá-lo, assassiná-lo e quebrá-lo, o prisioneiro anarquista Eric King foi libertado e está indo para uma casa de recuperação “por várias semanas”, informam os apoiadores.

Preso por realizar ações diretas em solidariedade à revolta de Ferguson, Eric King sobreviveu a tudo, desde a COVID até ataques de prisioneiros neonazistas e anos de abuso por parte dos guardas. Em uma declaração de 2016, King afirmou:

Mantenho minhas ações. Depois de ver o que aconteceu em Ferguson, tão perto de nós, fiquei revoltado com a falta de mobilização em minha cidade. A três horas de distância, as pessoas estavam lutando por suas vidas e nós nem sequer estávamos saindo às ruas. Não estávamos fazendo nada. Meu ato foi uma demonstração muito pessoal de minha raiva e fúria contra o Estado, bem como um ato de solidariedade a todos em Ferguson. Nunca conhecemos nossa própria força até sermos testados e, mesmo com minha sentença ridícula, sinto-me pelo menos orgulhoso de ter sido capaz de permanecer forte e recusar-se a cooperar com o Estado.

Em 2022, Eric King foi vitorioso no tribunal contra uma tentativa de incriminação por parte dos guardas, depois que eles o trancaram em um armário de suprimentos e tentaram aplicar-lhe uma pena adicional de 20 anos de prisão.

Atualmente, está sendo organizada uma campanha de arrecadação de fundos para Eric para ajudá-lo em seu pós-libertação. Eric também é um dos co-editores do novo livro, Rattling the Cages: Oral Histories of North American Political Prisoners (Histórias Orais de Prisioneiros Políticos Norte-Americanos), publicado pela AK Press, cujas vendas beneficiam o programa de arrecadação de fundos da Cruz Negra Anarquista e a família de Eric King.

A bravura e a coragem de Eric diante de anos de tortura e abuso são um testemunho de nossa capacidade coletiva de resistir e enfrentar os horrores da repressão do Estado. Para futuras atualizações, não deixe de conferir a página Support Eric King, aqui (supportericking.org).

Fonte: https://itsgoingdown.org/anarchist-prisoner-eric-king-released-to-halfway-house-after-ten-years/

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Ruído de chinelos
No quintal do lado –
Mas que calor…

Paulo Franchetti

[Grécia] Grande mobilização pela defesa das montanhas no centro de Atenas

Na segunda-feira, 11/12, milhares de pessoas marcharam para defender as montanhas contra o “desenvolvimento verde”. Dezenas de coletivos, clubes de caminhada, grupos de movimentos anarquistas em Atenas mas também na província, reuniram-se em Monastiraki e marcharam em direção a Omonia e Syntagma [em frente ao parlamento grego] para gritar pelas montanhas livres sem turbinas eólicas!

“O aquecimento global só pode ser evitado através de processos democráticos diretos, do envolvimento direto dos cidadãos e das comunidades e não por alguns políticos profissionais ou tecnocratas que podem e são comprados pelas empresas que enriquecem à custa da natureza e das próximas gerações”, disse um manifestante.

Acrescentando: “Além disso, o nosso slogan central era o (des)desenvolvimento, um projeto defendido por muitos grupos na região grega que lutam por montanhas sem parques eólicos. Contra a lógica do nimby (“não no meu quintal”) ou de vozes que sugerem que as mudanças climáticas são apenas um truque vindo de cima para criar outro novo mercado e, portanto, mais lucros. Acreditamos que questionar a ideologia do desenvolvimento eterno (mais e mais produção, cada vez mais consumo) é necessário. Para salvar a natureza, é necessário encolher a economia e construir comunidades com novas prioridades, as da solidariedade, do pluralismo das relações humanas e do lazer”.

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siriris batendo
na lanterna de papel
barulho de chuva

Luciana Bortoletto

[Espanha] Pare a guerra na Palestina. Nem Hamas nem Netanyahu

Comunicado da CNT/AIT Federação Local de Fraga

Os acontecimentos atuais nos levam a ter que recordar, uma vez mais, que somos contrários ao militarismo e a qualquer guerra. O manifestamos sempre, faz pouco o fizemos reclamando o final da guerra na Ucrânia. Agora nosso pensamento está ao lado das pessoas que estes dias sofrem a barbárie na Palestina.

O ataque de sete de outubro passado do Hamas, contra a população civil do outro lado da cerca que separa as comunidades hebreia e palestina foi o detonador e o pretexto para a desproporcional resposta militar que o governo de Netanyahu está levando a cabo em Gaza. Mas também na Cisjordânia e no sul do Líbano, sem esquecer a dura repressão exercida contra a própria população israelense dissidente.

Uma ação militar, a do exército israelense, atroz e cruel contra uma população indefesa e que retrocede a práticas militares de caráter criminoso, perpetradas em outros tempos pelo nazismo, ou recentemente pelo exército russo na Ucrânia. Recordemos os bombardeios contra hospitais, centros educativos e edifícios de moradias, a destruição de infraestruturas civis, o uso de armamento proibido, a detenção massiva de inocentes e a limpeza étnica que estes dias se pratica em grande escala, assim como as dezenas de milhares de palestinos assassinados – majoritariamente civis entre os quais se encontram muitos menores de idade – e mais de um milhão de pessoas deslocadas.

Tampouco se pode ignorar o longo histórico de violações aos direitos humanos por parte do Estado de Israel, que durante décadas está praticando uma política de apartheid contra a população palestina. Tudo isso com a cumplicidade dos Estados Unidos e da maior parte dos governos da órbita ocidental capitalista e da Europa, incluindo a Espanha que continua mantendo relações comerciais em matéria de defesa, quer dizer, vendendo armas apesar das declarações do atual presidente do governo contrárias ao ataque militar.

Queremos recordar que nesta como em todas as guerras sempre leva a pior parte a população civil sem distinção. Somos conscientes de que, entre as duas partes em conflito, existem comportamentos fanáticos e irracionais e, portanto, desumanos; mas também abundam entre as duas comunidades pessoas e grupos que desejam viver em Paz e trabalham para alcançá-la. Concretamente, desde a anos, existem numerosas pessoas que se declaram objetores de consciência ao serviço militar; além do movimento antissionista e pró palestino integrado por pessoas de religião e cultura judia em muitas partes do mundo, na Europa, Estados Unidos e mesmo Israel.

É por isso que a CNT/AIT de Fraga sempre estaremos com as pessoas de baixo, com as que lutam pela Paz e a Fraternidade Humana, sem fazer distinção entre culturas e tradições religiosas; apoiaremos a aqueles que reclamam outras formas de organização territorial, mais além da criação de novos Estados. Nos somamos às exigências do cessar de toda operação bélica, militar ou/e terrorista com o objetivo de parar o genocídio israelense. Exigimos aos governos dos países ocidentais que contribuam para o final do massacre deixando de fornecer armas e que se abram caminhos de diálogo para chegar a acordos que garantam uma Paz duradoura.

Nem Hamas nem Netanyahu

Pela Paz, pela Fraternidade Humana e Universal

Fraga, dezembro de 2023.

CNT/AIT Federação Local de Fraga

Tradução > Sol de Abril

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O som do aguaceiro
nas folhas da bananeira —
de prender o fôlego.

Carlos Martins

[Portugal] À conversa com a descrença, sobre deus e o estado

Veremos aparecer nos próximos meses uma nova edição de “Deus e o Estado”, texto escrito em 1871 pelo anarquista e filósofo russo Mikhail Bakunin (1814-1876), que será também a estreia da editora Descrença. Conversámos com os editores, Ricardo e António, acerca de Bakunin, da religião, da sua relação umbilical com o poder do Estado, dos abusos sexuais na Igreja e da autoridade da ciência.

Em relação à anterior publicação em língua portuguesa de “Deus e o Estado”, o que traz esta edição de novo?

R – O que nós conhecemos como “Deus e o Estado” é apenas um extracto de umas primeiras cartas que foram editadas ainda em pleno século XIX, inclusive numa edição portuguesa reduzida de 1895 (“O sentido em que somos anarquistas“). Na altura não se conhecia a totalidade da obra de Bakunin, existiam uma série de cartas que estavam perdidas e que só foram recuperadas e editadas no início do século XX, por Max Netlau. Há uma edição traduzida para português pela Assírio e Alvim, de 1976, a partir de uma edição francesa incompleta e com uma diferente organização de conteúdos. Esta nossa edição inclui agora outros dois documentos: “O Império Knuto-Germânico e a Revolução Social” e “O Princípio Divino”. Este conjunto nunca foi editado na sua versão integral em português. Mas são tudo cartas. Bakunin só editou um livro: “Estatismo e Anarquia”. Tudo o resto são cartas.

A – Cartas às vezes não acabadas. Numa parte deste livro, há uma carta que não acaba.

R – E há partes nas cartas que estão ilegíveis. E outras que nunca se encontraram, que estão perdidas.

Para quem escreve Bakunin?

R – Ele tem muitos correspondentes. Estamos a falar de uma correspondência que ele mantém com amigos, com sociedades e alianças operárias.

A – São sociedades secretas.

R – São, no fundo, os começos da AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores), da primeira Internacional. Escreve para congressos operários, para outros companheiros. E depois ele não parou no mesmo sítio. Ele foi exilado, esteve na prisão desterrado na Sibéria, escapou, foi até ao Japão, esteve em Nova Iorque, esteve em Londres, esteve em Itália, em França…

A – E na Itália, há uma carta que ele escreve «aos companheiros de Itália» contra o Mazzini – o Mazzini era republicano e queria também matar o rei, mas tinha um pensamento religioso, era um defensor de Deus de alguma maneira.

R – Ele entra num diálogo também a dada altura acerca de Proudhon – e sabe-se da diferença entre o pensamento de Proudhon e o pensamento de Bakunin – em que ele diz que o Proudhon, filosoficamente, é como um artesão, tem um pensamento um pouco limitado em relação à dimensão do anarquismo. Enquanto em Bakunin é uma coisa muito ampla, ele tem uma ideia muito concreta de que como isto se pode montar.

A – Também porque as ideias de Proudhon eram mais teóricas… Enquanto que, com Bakunin, começam a transformar-se em acção. Há revoltas em toda a Europa e ele quer levar a revolta a todos os países.

R – E onde ele participa. Nas revoltas de 1848 contra as monarquias europeias, ele participa nas insurreições. Esteve nas barricadas. Essa é uma crítica feita ao Marx: que nas revoltas era o primeiro a sair. Enquanto isto, Bakunin está lá nas barricadas e é preso. Em 1849 lutou com o Richard Wagner em Dresden, por exemplo, e até dizem que na ópera de Wagner, “O Anel do Nibelungo”, existe um personagem baseado em Bakunin (Siefried).

Proudhon também era mais conservador, por exemplo em relação às mulheres. Defendia que elas deviam ficar em casa. Bakunin teve uma posição muito mais libertadora. Essa posição aparece em “Deus e o Estado”?

R – Acho que não directamente. Mas quando ele fala em emancipação, é total. Não é apenas para os homens. Mas não há uma direcção nesse sentido, como o que vemos depois com a Emma Goldman. Falo nela porque ela é uma das militantes anarquistas que segue o pensamento de Bakunin, principalmente no que é o ateísmo anarquista. No “Mother Earth” ela publica incessamentente as cartas de Bakunin. Mas, na altura, já o Most, o Johann Most falava na «peste religiosa», um texto básico anti-religioso.

A – … E a filha de Bakunin, que ficou em Nápoles – porque o Bakunin esteve lá um tempo, ele pensava que o povo italiano era um povo revolucionário e tentou também organizar uma revolta em Bolonha que falhou… e muita gente diz que ele foi obrigado a escapar vestido de padre, não sei se é verdade – mas, voltando atrás, a filha do Bakunin era cientista, o que no final do século XIX não era comum. Portanto acho que a sua emancipação terá tido alguma influência do pai.

R – E diz-se que ele era apaixonado pela irmã. Essa questão da influência feminina na vida dele é muito forte.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://www.jornalmapa.pt/2023/12/12/a-conversa-com-a-descrenca-sobre-deus-e-o-estado/

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Nesse fim de mundo
Um girassol solitário —
A quem marca as horas?

Neide Rocha Portugal

A ruptura do pacto social democrata pelos de baixo!

A eleição de Lula/PT e Elmano/PT no Ceará pareciam selar uma força onipotente no estado. A força que levou a vitória no primeiro turno quando nenhuma pesquisa levantava essa possibilidade, deu força para o PT e seu grupo político, levando-o a acelerar sua integração sistêmica.

Elmano de Freitas/PT foi advogado do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra/MST, portanto, alguém que vem do movimento social. Parte de seu corpo de secretários também vem de movimentos como Miguel Braz/Consulta Popular, Moisés Brás que vem da FETRAECE, Cacica Irê do povo Jenipapo-Kanindé entre outros. Supostamente seriam aliados dos movimentos sociais, mas são entraves entre a luta dos povos e os capitalistas.

Transição energética e o papel do Ceará

O Nordeste brasileiro, em especial o Ceará, é polo para a produção de hidrogênio verde no Complexo Termelétrico do Pecém. Estima-se que a demanda pela transição energética, acelerada pela segunda Guerra Fria, possa fazer o capitalismo “verde”, permitindo uma produção de mercadorias de modo “sustentável”, como se um sistema historicamente predador da força de trabalho das massas populares e dos ciclos biológicos da Natureza fosse passível de ter alguma sustentabilidade social ou ecológica.

Nesta transição está em jogo a produção do hidrogênio verde, mas também da energia solar e eólica como alternativas aos combustíveis fósseis. Há décadas que as populações costeiras do nordeste brasileiro sofrem com a investida de empresas de energia eólica, que convertem terras tradicionalmente ocupadas em parques eólicos e solares que têm por objetivo abastecer a demanda energética das indústrias capitalistas, destruindo os modos de vida tradicionais de comunidades pesqueiras.

Percebemos, então, que o centro da disputa da “transição energética” ou da guerra por recursos minerais e energéticos tem como objetivo abrir frentes de expansão econômicas para a reprodução do sistema interestatal capitalista numa fase em que sucessivas crises de acumulação do capitalismo ultramonopolista vão se conjungando com os efeitos das crises ambientais, como bem evidencia a presente emergência climática. Nesse processo, o capitalismo “verde” potencializa as hierarquias do capitalismo fóssil como aquela entre campo e cidade, pois recursos energéticos para as indústrias capitalistas nas cidades são gerados às custas dos territórios de povos tradicionais.

É, assim, uma falsa transição porque baseada numa suposta mudança para tecnologias ditas renováveis, mas sem mudança de sistema socioeconômico, sem contestação nem busca de superação do principal causador da atual crise sócioecológica que é o sistema interestatal capitalista.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2023/12/13/a-ruptura-do-pacto-social-democrata-pelos-de-baixo/

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Alta madrugada,
sabiá boêmio entoa
um lânguido canto.

Alberto Murata

[Reino Unido] Poeta britânico e autoproclamado ‘anarquista’ Benjamin Zephaniah morre aos 65 anos

Por Pan Pylas | 07/12/2023

Morre Benjamin Zephaniah, poeta britânico, ativista político e ator que se inspirou muito em suas raízes caribenhas. Ele tinha 65 anos.

Zephaniah morreu na quinta-feira e havia sido diagnosticado há oito semanas atrás com um tumor cerebral, conforme comunicou sua família no Instagram.

“Nós o compartilhamos com o mundo e sabemos que muitos ficarão chocados e tristes com esta notícia”, disse a família. “A esposa de Benjamin esteve sempre ao seu lado e estava presente quando ele faleceu.”

Zephaniah, que nasceu em Birmingham, no centro da Inglaterra, em 15 de abril de 1958, era uma presença perspicaz e muitas vezes provocativa na mídia britânica, além de se apresentar regularmente em reuniões e manifestações políticas.

Facilmente reconhecível pelos seus longos dreadlocks e pelo seu sotaque local, Zephaniah nunca teve vergonha de defender as suas opiniões sobre intolerância, racismo, refugiados, revoluções e alimentação saudável. Ele foi, sem dúvidas, o poeta mais conhecido da Grã-Bretanha de seu tempo, tanto em casa, atuando em salas de aula ou em grandes comícios políticos.

“Eu o admirei, o respeitei, aprendi com ele, o amei”, disse o escritor e poeta britânico Michael Rosen.

Filho de um funcionário dos correios nascido em Barbados e de uma enfermeira jamaicana, Zephaniah se imaginava poeta desde muito jovem, mas teve dificuldades na escola por causa da dislexia. Ele foi expulso aos 13 anos, incapaz de ler ou escrever, tendo aprendido a fazer as duas coisas quando adulto.

Aos 20 anos, viajou para Londres, onde publicou seu primeiro livro “Pen Rhythm”. Posteriormente, ele escreveria coleções focadas em questões específicas, como o sistema jurídico do Reino Unido e a ocupação dos territórios palestinos por Israel.

Sua escrita foi frequentemente classificada como poesia dub, gênero que surgiu na Jamaica na década de 1970 e combina batidas de reggae com uma mensagem política contundente. Zephaniah também foi um prolífico poeta infantil e membro fundador do The Black Writers’ Guild. A organização disse estar “de luto pela perda de um amigo profundamente valioso e um titã da literatura britânica”.

Desde 2011, ele era responsável pela disciplina de redação criativa na Brunel University, no noroeste de Londres, onde era professor. A universidade descreveu Zephaniah como um “tesouro nacional” e elogiou a “imensa contribuição” que ele deu à vida universitária. Zephaniah também obteve títulos honorários de várias universidades britânicas.

Ele tinha uma série de talentos, se apresentando com o grupo “The Benjamin Zephaniah Band” e atuando nos últimos anos no popular seriado da BBC “Peaky Blinders”. Seu programa de televisão “Life and Rhymes” na Sky Arts, que exibiu criatividade lírica, ganhou um BAFTA, o equivalente britânico ao Emmy, de programa de entretenimento do ano em 2021.

Em 2003, Zephaniah recusou a oferta de se tornar Oficial da Ordem do Império Britânico, ou OBE, devido à sua associação com o Império Britânico e à sua história de escravidão. “Tenho lutado contra o império toda a minha vida, tenho lutado contra a escravidão e o colonialismo toda a minha vida, tenho escrito para me conectar com as pessoas e não para impressionar os governos e a monarquia, então como eu poderia aceitar uma honra que coloca a palavra império em meu nome?”, disse ele. “Isso seria hipócrita.”

Sua autobiografia de 2018, “The Life And Rhymes Of Benjamin Zephaniah”, narrou sua vida desde os soundsystems de Birmingham até o cenário global. Foi indicada para autobiografia do ano no Britain’s National Book Awards. Naquele ano, Zephaniah disse acreditar em mudanças radicais na sociedade, como o auto policiamento das pessoas. “Eu sou um anarquista. Acredito que tudo isso precisa ser demolido. Acredito que precisamos começar de novo. Não acredito que precisemos de governos e do tipo de modelos que temos”, disse ele ao Channel Four News. “Mas também estou ciente de que não vamos conseguir isso agora.”

Durante sua carreira musical, Zephaniah trabalhou com a falecida cantora irlandesa Sinead O’Connor em “Empire”, e com o músico britânico Howard Jones e o baterista Trevor Morais em seu álbum “Naked”.

Zephaniah também foi um torcedor apaixonado e embaixador do time de futebol da Premier League, Aston Villa, o clube de maior sucesso de Birmingham.

Tradução > meiocerto

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o pouso silente
da borboleta de seda
celebra a manhã

Zemaria Pinto

[Reino Unido] Morre Benjamin Zephaniah

Benjamin Zephaniah, anarquista, um querido ator, escritor e poeta, faleceu recentemente (07/12). Esta notícia profundamente comovente é um choque para muitos, ele tinha apenas 65 anos. Essa morte repentina foi resultado de um tumor cerebral que ele havia sido diagnosticado há apenas oito semanas. O ator foi uma parte crucial da adorada série Peaky Blinders, interpretando o papel recorrente de Jeremiah “Jimmy” Jesus, um pregador de rua que era próximo da família Shelby.

“Eu não vou continuar falando de Capitalismo, Socialismo ou Comunismo, mas fica claro que uma coisa que todos eles têm em comum é a necessidade de poder. Por trás da necessidade de poder todos esses sistemas têm teorias, teorias sobre tomar o poder e o que eles desejam fazer com o poder, mas é aí que se encontra o problema. Teorias e poder. Eu me tornei um Anarquista quando eu decidi abandonar as teorias e parar de perseguir o poder. Quando eu parei de me preocupar com essas coisas eu me dei conta que a minha natureza é a verdadeira Anarquia. É a nossa natureza. É o que nós fazíamos antes das teorias chegarem, é o que nós fazíamos antes de termos sido encorajados a competir uns com os outros. Grandes coisas vêm sendo escritas sobre o Anarquismo, e eu acho que isso é teoria Anarquista, mas quando eu tento fazer os meus amigos lerem (estou falando de livros grandes com palavras grandes), eles têm dor de cabeça e se afastam. Daí, eu desligo a publicidade (a TV, etc) e sento com eles, e os lembro o que eles podem fazer para eles mesmos. Eu dou exemplos de pessoas que vivem sem governos, pessoas que se auto-organizam, pessoas que tomaram de volta a própria identidade espiritual – e de repente tudo faz sentido.”

Que a terra lhe seja leve, obrigado Benjamin!

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