[França] A luta que todos esperam

O fotógrafo oficial do Eliseu [residência oficial do presidente da República Francesa] postou nas redes sociais fotos de Macron treinando boxe. Uma configuração grotesca: quando Putin divulgou fotos dele praticando esportes na mídia russa, o mundo inteiro o chamou de autocrata e denunciou um culto à virilidade.

Dito isto, como Macron afirma saber boxear, estas fotografias são uma oportunidade para sonhar um pouco com a luta que todos esperam:

• No canto direito: Macron, campeão do neoliberalismo com esteroides, que ataca os direitos sociais e as minorias.

• No canto esquerdo: Christophe Dettinger, o boxeador do povo, que repele com as próprias mãos as hordas de policiais armados até os dentes.

Seria uma forma justa e sensata de resolver de uma vez por todas a crise social e política que está dilacerando este país. Ansiosos pela luta!

Fonte: https://contre-attaque.net/2024/03/20/le-combat-que-tout-le-monde-attend/

agência de notícias anarquistas-ana

Ah, lua de outono —
Andando em volta do lago
Passei toda a noite.

Bashô

[EUA] Encapsulando o Anarquismo | Um guia prático para responder: “O que é anarquismo?”

por Eric Laursen

Uma revisão de Anarchism: A Very Short Introduction, de Alex Prichard. Oxford University Press, 2023

Os anarquistas têm elaborado guias concisos para os “anarco-curiosos” praticamente desde que o anarquismo existe como uma corrente ideológica coerente. Remontam pelo menos à contribuição de Kropotkin para a décima primeira edição da Enciclopédia Britannica (1911) e incluem o “Agora e Depois: O ABC do Anarquismo Comunista”, de Alexander Berkman (1929), “Anarquia em Ação”, de Colin Ward (1973) e “Anarchism and its Aspirations”, de Cindy Milstein (2010).

Mas isso acontece porque o anarquismo em si – como teoria política, como ação direta e organização – continua evoluindo. O livro de Milstein foi lançado pouco antes do surgimento do Occupy Wall Street, antes da Primavera Árabe e antes do movimento de libertação curdo florescer na entidade política pelo menos quase anarquista de Rojava.

Sempre precisamos nos atualizar, e este novo livro, escrito por um acadêmico da Universidade de Exeter e co-editor da revista Anarchist Studies, faz um excelente trabalho em trazer a história para os dias de hoje, enquanto adiciona alguns novos ângulos úteis. Também traz os dias de hoje para as origens históricas do anarquismo.

“A Very Short Introduction” guia o leitor novato pela vida e pensamento da habitual progressão de Anarquistas Brancos Mortos (em sua maioria) Homens – Proudhon, Bakunin, Kropotkin, Berkman, Goldman, Bookchin – mas enfatiza desde o início que o anarquismo sempre foi um movimento culturalmente diverso e global, alcançando a América Latina, Índia e o Extremo Oriente quase desde o momento em que Proudhon declarou que “A propriedade é um roubo”.

A maioria de suas figuras principais eram exilados políticos, frequentemente por várias vezes, e onde quer que fossem, suas ideias encontravam terreno fértil. Prichard observa que, ao contrário do marxismo, o anarquismo não teve suas origens na Revolução Industrial, embora fosse produto da primeira grande era de globalização, nos meados ao final do século XIX. Muitos dos países onde floresceu mal estavam industrializados na época, e o anarquismo atraía tanto as populações rurais do Leste Europeu ou da Andaluzia quanto os operários de Londres, Lyon ou Chicago.

A oposição ao Estado é um dos dois elementos que distinguem o anarquismo do marxismo e da social-democracia (falaremos sobre o segundo mais tarde), mas Prichard enfatiza que os anarquistas sempre viram o Estado como algo mais complexo do que um mero governo; uma densa rede de relações de poder que se estende profundamente na sociedade que quer incorporar.

“A dominação estrutural é exercida indiretamente por políticos e chefes”, escreve ele, “por causa dos privilégios históricos herdados que foram conquistados às custas das mulheres, dos povos colonizados, dos escravos e dos trabalhadores. Mas os anarquistas veem archos [suserania ou domínio, em grego] potencialmente exercido em todos os lugares, inclusive nos relacionamentos pessoais, grupos de amizade, nas estruturas interseccionais de poder racializado, de gênero e cultural que moldam nossas oportunidades de vida altamente desiguais. O anarquismo é uma ideologia que busca entender como isso acontece e como mitigá-lo.”

Mesmo o slogan (e livro) famoso de Proudhon não era tão simplista como frequentemente se pensa. Por que a propriedade é um roubo? Porque a propriedade “sempre foi social. A propriedade privada era impossível.” Até os maiores ricaços “dependem de outros para fazer valer esse direito e têm que pagá-los por isso. Este é um acordo social, negociado. Mas tudo o que já produzimos foi feito mais ou menos coletivamente.”

Os anarquistas, a começar pelos geógrafos franceses Elisée e Elie Reclus e continuando com o ambientalista radical Murray Bookchin, contrastam a densa mas frágil teia do Estado e do capitalismo com o ecossistema natural “radicalmente interconectado, complexo e dinâmico” – e muito mais resiliente – no qual os humanos evoluíram originalmente. “Essa complexidade pressupõe diversidade e variação, que são essenciais para a resiliência mútua de cada parte do sistema” (palavras de Prichard): o oposto da monocultura para a qual o Estado e o capitalismo nos empurram sombriamente.

Um aspecto revigorante do livro de Prichard, no entanto, é que ele reconhece o anarquismo onde o encontra, o que não é apenas na boca das pessoas que se autodenominam anarquistas. Estes incluem a economista política Elinor Ostrum, que estudou como pequenas comunidades, mesmo em condições de escassez, poderiam compartilhar recursos de forma equitativa e eficiente sem governo; Dan Cook, que escreve sobre como as universidades, que começaram como instituições cooperativas, podem retornar a essa tradição; e Charles Tilly, um cientista político que, no entanto, considerou o Estado como algo semelhante ao “crime organizado”.

Prichard não insiste nesse ponto, mas é impressionante com que frequência a pesquisa contemporânea apoia o pensamento anarquista ou contribui para ele, consciente ou inconscientemente. Em seu livro, ele observa que os anarquistas há muito tempo enfatizam a saúde em vez da doença como o ponto focal adequado para o cuidado médico, a justiça restaurativa e transformadora em vez da injustiça criminal, o respeito pela diversidade cultural em vez de etnocentrismo, o incentivo à imaginação em vez da aprendizagem mecânica na educação, respeito pelo meio ambiente e cooperação global entre trabalhadores em vez do caos violento e antidemocrático da geopolítica de nível estatal.

Como um programa para mudança progressista, o exposto acima estaria em casa na lista de desejos de muitos democratas progressistas. Mas isso nos leva ao segundo grande elemento que distingue o anarquismo de outras filosofias políticas: sua intensa dedicação à organização, pensamento e tomada de decisões de base.

Ao abordar o desafio que a automação e a inteligência artificial representam para a sociedade humana, Prichard afirma: “As respostas a quaisquer transformações no capitalismo devem ser democraticamente negociadas de baixo para cima”, através de ações trabalhistas como greve geral, organização econômica cooperativa ou outras iniciativas. “O que todas elas têm em comum é que se recusam a esperar pela captura do poder estatal para instituir mudanças e iniciativas.”

Essa visão contrasta nitidamente com todos os outros “ismos” do século XX, incluindo marxismo, social-democracia, a chamada democracia liberal e até mesmo o libertarianismo, todos os quais entregam o poder a especialistas, tecnocratas e inovadores “disruptivos” do tipo Elon Musk. O anarquismo, tanto teoria quanto ação, sempre se desenvolveu justamente dessa maneira de baixo para cima. “O próximo capítulo do pensamento anarquista”, prevê Prichard, “será moldado pela serendipidade e polinização cruzada, tanto quanto pelo pensamento analítico racional ou pela análise histórica cuidadosa, e o mesmo vale para o movimento anarquista”.

Não que os anarquistas não sejam capazes de elaborar alternativas racionais e cuidadosamente analisadas ao Estado e ao capitalismo. Prichard, que escreveu extensivamente sobre como os anarquistas elaboram sistemas de regras e leis, conclui “A Very Short Introduction” examinando a constituição anarquista – definida de forma ampla – observando que “os anarquistas foram alguns dos teóricos e praticantes constitucionais mais imaginativos da história moderna”, em parte porque foram “mais conscientes dos regimes de dominação que estruturam nossas vidas”.

Tanto a Comuna de Paris quanto o Occupy Wall Street passaram grande parte de suas curtas vidas como entidades sociais e políticas em constitucionalização, e a Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria, ou Rojava, é um exemplo notável de constituição em movimento. Mas o experimento mais ambicioso desse tipo, que Prichard traz de volta da obscuridade em suas últimas páginas, foi a tentativa dos anarquistas do século XIX de convencer os radicais europeus a adotarem seu plano de uma Europa federada e descentralizada.

No congresso inaugural da Liga Internacional da Paz e Liberdade em Genebra, em 1867, Bakunin apresentou 13 princípios para a paz europeia a uma plateia que incluía Giuseppe Garibaldi, Victor Hugo e John Stuart Mill. Estes incluíam “a socialização da propriedade pelos trabalhadores, o ateísmo, a constitucionalização das identidades regionais como base para a autonomia regional” e um sistema federal e descentralizado de tomada de decisões.

A proposta de Bakunin foi rejeitada, e o mundo ainda espera por uma alternativa pacífica ao sistema estatal que não inclua a hegemonia dos EUA, uma multipolaridade superpoderosa volátil ou algum tipo de governo mundial. O livro muito curto, mas muito útil, de 160 páginas de Prichard nos lembra que, embora a visão anarquista esteja sempre evoluindo, ela sempre foi clara sobre o contorno geral desse ideal.

>> Eric Laursen escreve frequentemente para o Fifth Estate. Seu novo livro, “Polymath: The Life and Professions of Dr. Alex Comfort, author of ‘The Joy of Sex'”, está disponível na AK Press.

Fonte: Fifth Estate # 414, Outono de 2023

Tradução > fernanda k.

agência de notícias anarquistas-ana

O salgueiro se desfolha.
Restos de verduras
Descendo o regato.

Shiki

[Hungria] Ilaria Salis vai julgamento por antifascismo

Denunciam as desumanas condições de detenção de Ilaria Salis —italiana acusada de agredir a dois neonazis na Hungria. A parcialidade do poder judiciário húngaro e a negligência de umas autoridades italianas próximas à ultra direita desse país. Ilaria Salis foi detida em 2023 por uma suposta agressão a neonazis durante o ‘Dia de Honra’ em Budapeste.

Por Marco Santopadre | 13/03/2024

“A situação jurídica de minha filha é o resultado de um julgamento político. Ilaria representa um tipo de oposição que não é bem recebida pelo governo húngaro e, portanto, deve ser processada independentemente do que tenha feito e dos delitos dos quais a acusam”, diz a El Salto, Roberto Salis, o pai da professora italiana encerrada em uma prisão de Budapeste desde 11 de fevereiro de 2023.

Aquele dia, Ilaria, 39 anos, se encontrava em um taxi junto a dois rapazes alemães que, como ela, tinham chegado à Hungria umas horas antes para manifestarem-se contra uma concentração internacional neonazi. A polícia a deteve e, a partir desse momento, começou para ela um pesadelo inimaginável.

A polícia e os juízes a acusam de ter participado, no dia anterior, em uma agressão contra dois manifestantes neonazis que participavam no chamado “Dia de Honra”, uma jornada que cada ano celebra a frustrada tentativa das tropas de Hitler e dos fascistas húngaros de romper o assédio do Exército Vermelho em 1945. “Nunca teríamos imaginado o calvário pelo qual está passando minha filha. Supondo que Ilaria esteja realmente implicada no ataque aos dois ultra direitistas, trataria-se de um incidente menor”, comenta Roberto Salis.

De fato, os dois neonazis sofreram ferimentos que os médicos julgaram curáveis em 5 e 8 dias e nem sequer denunciaram o ataque. Apesar disso, a promotoria húngara pede uma condenação de 24 anos de prisão para Ilaria Salis, porque em sua opinião os ferimentos infligidos poderiam inclusive ter causado a morte dos dois agredidos.

Ainda que a embaixada italiana na Hungria conhecia as inaceitáveis condições de detenção de Ilaria, a opinião pública italiana não soube da violação sistemática de seus direitos até que a imprensa começou a contá-lo

Desde sua detenção, Ilaria Salis foi submetida a um tratamento desumano e persecutório. Nas cartas que conseguiu enviar a sua família no outono, depois de muitos meses de isolamento, a antifascista italiana denunciou que por uma longa temporada recebeu comida só uma vez ao dia e que sua cela está invadida por percevejos que lhe provocaram uma grave dermatite que seus carcereiros se negaram a tratar. As celas e os espaços comuns estão invadidos por baratas e ratos e as reclusas permanecem encerradas em suas celas 23 horas por dia. Ilaria não pode trabalhar nem assistir a um curso para aprender húngaro, se vê obrigada a viver em uma pequena cela com outras oito reclusas e tem que passar as horas ao “ar livre” em um espaço subterrâneo desde onde apenas se vê o céu.

Em outubro, a antifascista contou que, após sua detenção, lhe confiscaram os sapatos e a roupa e a obrigaram a usar roupa suja e malcheirosa e botas de salto de agulha que lhe deram seus carcereiros. Durante cinco semanas não recebeu toalhas, sabonete, papel higiênico nem absorventes. Ainda que o pessoal da embaixada italiana na Hungria era consciente das inaceitáveis condições de detenção, a opinião pública italiana não descobriu a violação sistemática dos direitos fundamentais de Ilaria até janeiro, quando a imprensa começou a contar o que estava acontecendo.

As imagens da moça algemada pelos pulsos e os tornozelos e controlada com uma correia por uma policial durante toda a primeira vista do julgamento, em 29 de janeiro, indignaram a opinião pública. Ilaria havia já sido algemada anteriormente para ser levada ao tribunal, mas o embaixador italiano na Hungria preferiu não denunciá-lo nem protestar ante as autoridades húngaras. O primeiro ministro, o nacionalista de extrema direita Viktor Orbán, é um grande aliado da presidenta do Conselho de Ministros italiana, Giorgia Meloni, e do líder da Liga, Matteo Salvini.

“Durante sete meses, a Promotoria Geral húngara proibiu qualquer comunicação entre minha filha e a família, e Ilaria estava aterrorizada de contar o que passava no cárcere por medo de mais represálias. Mas quando a informação se tornou pública e, sobretudo, quando começaram a circular as fotos de Ilaria algemada, a imprensa fez seu dever”, conta seu pai.

Para coordenar as atividades de denúncia e os contatos com os jornalistas, e pressionar o governo italiano que até então havia mostrado um claro desinteresse pela antifascista italiana, faz uns meses Roberto Salis, os advogados de Ilaria e vários intelectuais criaram um comitê. Desde então se multiplicaram as iniciativas de denúncia e solidariedade: manifestações, rodas de imprensa, assembleias, manifestos, entrevistas na televisão e no rádio. Inclusive o conhecido desenhista italiano, Zero Calcare, dedicou uns quadrinhos à antifascista detida.

Depois de que a imprensa italiana e logo a internacional informaram a opinião pública sobre as condições de Ilaria, algo mudou e as autoridades penitenciárias húngaras melhoraram as condições de seu encarceramento, ainda que em alguns casos só são melhoras cosméticas. “Estamos longe dos padrões internacionais esperados, mas as mudanças introduzidas demonstram que o que se reservava a Ilaria não era um tratamento ‘normal’, como afirmavam as autoridades húngaras, mas que para minha filha existe uma atitude punitiva”, explica Salis.

Ainda que alguns representantes da direita e da extrema direita italianas defendam as autoridades húngaras e exigem que Ilaria Salis seja condenada a um “castigo exemplar”, nas últimas semanas a indignação generalizada obrigou o governo Meloni a exigir de seus colegas húngaros que respeitem pelo menos os direitos civis da antifascista. Mas ante o ativismo italiano o ministro húngaro de Assuntos Exteriores reagiu falando de “ingerências e pressões inaceitáveis ante os tribunais “de seu país.

“Na Hungria o poder judiciário está claramente controlado pelo poder executivo e, portanto, o governo italiano não deveria ter escrúpulos em intervir ante o governo húngaro para pôr fim à inaceitável perseguição de minha filha. A única ingerência real no poder judiciário húngaro foi a do porta voz do Primeiro Ministro, Zoltan Kovacs, do embaixador de Budapeste na Itália, Adam Kovacs, e do Ministro de Assuntos Exteriores húngaro, Péter Szijjártó. Contrariando as práticas normais do Estado de Direito, que todo país membro da União Europeia teria que respeitar, já decidiram que minha filha é culpada e que, portanto, deve cumprir uma condenação exemplar”, denuncia Roberto Salis. “Hungria é um Estado em que os direitos fundamentais, incluída a presunção de inocência de um acusado até que a acusação possa demonstrar sua culpabilidade mediante provas, não estão garantidos e inclusive se rechaçam com orgulho. Hungria está governada por um regime autoritário que aplica políticas discriminatórias e repressivas contra os opositores”.

“Pais e amigos temem pela segurança de Ilaria. Após sua detenção, em uma rua de Budapeste apareceu um mural que a representava enforcada, e na Internet alguns extremistas de direita publicaram seu endereço italiano”.

Em várias ocasiões, os advogados de Ilaria Salis pediram sem êxito aos juízes húngaros que a professora fosse posta em liberdade ou que, ao menos, lhe permitissem cumprir a prisão domiciliar na Itália, tal e como estabelece a Decisão Marco 829 de 2009 da legislação europeia, que foi aceita tanto pela Itália como pela Hungria. “Até alguns partidos italianos de direita, que consideram o de Orban um modelo no qual inspirar-se, apoiam a necessidade de que Ilaria seja julgada na Hungria e cumpra ali sua condenação”, assinala seu pai.

À espera da próxima vista do julgamento, prevista para 28 de março, a família e os advogados decidiram mudar de estratégia: “pediremos ao tribunal húngaro que Ilaria possa cumprir sua detenção preventiva sob prisão domiciliar, e tomamos medidas para encontrar um alojamento onde minha filha possa ficar. Tivemos muitas dificuldades para encontrar uma moradia pelo medo de represálias ou as simpatias ultradireitistas de muitos proprietários de Budapeste”. Mas a família não teve remédio depois que o governo Meloni se negou a pôr a sua disposição a embaixada em Budapeste por supostos problemas de “segurança nacional”.

Também está claro que nenhum julgamento pode celebrar-se de forma justa em um contexto de fortes pressões políticas do governo húngaro, que considera o antifascismo um delito e acolhe a centenas de neonazis que participam em marchas que celebram os exércitos de Hitler todos os anos em fevereiro.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/hungria/hungria-ilaria-salis-julgamento-antifascismo?&utm_medium=social&utm_campaign=web&utm_source=whatsapp

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

Carlos Seabra

[Espanha] Higino Carrocera celebra uma década como grupo de afinidade de Astúrias

Em 11 de fevereiro de 2014 foi fundado em Oviedo, o grupo de afinidade anarquista de Astúrias, Higino Carrocera. “Nosso campo de batalha é o antiautoritarismo em todos seus campos, portanto vamos nos pronunciar e atuar em todos os aspectos da vida em defesa do apoio mútuo. A solidariedade e dos princípios anarquistas, que assumimos. Seremos um grupo para a reflexão das ideias e sua aplicação aos problemas cotidianos”. Assim falamos em nosso primeiro escrito fundacional.

Se passaram dez anos nos quais o grupo atravessou distintas etapas, uma inicial mais ligada ao anarcossindical, mantendo sempre a autonomia, uma adesão posterior a Cruz Negra Anarquista mas sensível ao apoio à presos e uma posterior, na qual estamos imersos atualmente, dentro da FAI, federação que aceitou nossa adesão em dezembro de 2020.

Nos primeiros anos, o grupo editou o boletim periódico “Fesoria” e também criou um site que tem se mantido ativo desde então, em duas etapas diferentes. O grupo decidiu chamar-se Higino Carrocera em homenagem a um militante anarcossindicalista da CNT de la Flguera, heroi do Mazucu e lutador incansável, que morreu em Oviedo em 1938 assassinado pelos fascistas depois de ter participado das principais frentes combativas. Revolucionário, miliciano, militante destacado, Carrocera teve também um papel importante dentro da FAI asturiana e em defesa do anarquismo frente às tendências mais reformistas da organização asturiana.

Em primeiro de março publicamos nosso primeiro artigo em nossa antiga página. Esta primeira entrada era uma leitura recomendada: Nós, os anarquistas de Stuart Chrstie. Desde então até hoje, no novo site, temos publicado centenas de artigos. Declarações e manifestos.

Botamos em marcha a I Feira do Livro Anarquista, realizamos palestras por toda Espanha sobre a afinidade anarquista, celebramos os centenários de Bakunin, de Makhno, de Kropotkin, de Flores Magón, de Brassens… Trouxemos a Astúria inúmeros palestrantes do mundo ácrata, montamos exposições como a de Puig Antich. Participamos muito ativamente da luta em apoio aos presos anarquistas, especialmente do companheiro Gabriel Pombo da Silva.

Recordamos e defendemos a memória de anarquistas e faistas que nos precederam em Astúrias, entre eles de nosso grande Higino Carrocera. Lutamos em prol do anarcofeminismo de uma maneira muito ativa e estivemos entre os grupos pioneiros a se declararem abolicionistas diante do sistema prostitucional que hoje se defende em muitos âmbitos que se dizem anarquistas.

Enfim, buscamos sempre manter presente no território em que alguns de nós nascemos e outros passamos, a chama do anarquismo, para que ela possa ser conhecida pelas gerações mais jovens e também para ter nosso critério próprio e autônomo, anarquismo de síntese, frente às tendências populistas, pós modernistas, reformistas e contemporizadoras com distintos poderes, incluindo o chamado “poder popular”.

Seguimos em atividade como grupo de afinidade, com a capacidade talvez diminuída, mas sem perder o ânimo e o entusiasmo, observando um mundo que muda muito rápido, mas que mantém intactas as estruturas de poder e opressão do capitalismo e do Estado. Chegam novos tempos, complexos para a classe trabalhadora, para os oprimidos de sempre, para um planeta já tocado pela avareza de um desenvolvimentismo doentio e suicida. Enquanto tivermos forças, permaneceremos onde sempre estivemos, em defesa de um mundo mais justo, mais igualitário, mais humano, sem fronteiras… Seguiremos, na sinceridade de nosso grupo de afinidade, base de qualquer organização humana (e anarquista), lutando pelo comunismo libertário.

Saúde e por mais dez anos!

Fonte: https://higiniocarrocera.home.blog/2024/03/01/diez-anos-en-la-brecha/

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

foi ao toalete
e cortou os sonhos,
a gilete

Leila Míccolis

[Espanha] Projeto de financiamento coletivo de famílias que enfrentam a crueldade carcerária

Somos familiares e gente solidária com as pessoas presas. Alguns de nós sofreram a morte de nossos filhos, irmãos e companheiros, supostamente confinados ao “cuidado” das instituições estatais.

Estamos tentando nos apoiar mutuamente, nos organizarmos e coordenarmos para confrontar, denunciar e, se possível, deter essa situação degradante.

Dirigimo-nos a qualquer pessoa ou grupo que possa sentir alguma solidariedade ou afinidade conosco, solicitando o seu apoio para fazer frente às nossas despesas pendentes, especialmente aquelas que nos têm causado a necessidade de contar com advogados para denunciar e tentar obter reparação pelas violações dos direitos do nosso povo.

>> Mais infos, como apoiar financeiramente, clique aqui:

https://www.goteo.org/project/ffacc-familias-frente-a-la-crueldad-carcelaria

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/01/espanha-porque-nossa-gente-morre-nas-prisoes/

agência de notícias anarquistas-ana

Ah, lua de outono —
Andando em volta do lago
Passei toda a noite.

Bashô

[Espanha] O Secretariado Permanente do Comitê Confederal da CNT inicia sua nova etapa com sede em Granollers

No dia 27 de janeiro, o Plenário Confederal Regional da CNT concordou em nomear Erika Conrado como Secretária Geral da Confederação Nacional do Trabalho, fixando a sede da nova Secretaria Permanente do Comitê Confederal em Granollers (Barcelona) para os próximos dois anos.

A nova equipe, liderada por mulheres, é composta por várias companheiras da Catalunha, Aragão, Galiza, Madrid, Euskadi, Andaluzia e País Valencia, que assumirão a tarefa mais importante que a Confederação pode confiar à militância com o objetivo de desenvolver os acordos do XII Congresso da CNT em dezembro de 2022 em Canovelles.

A nova Secretaria Permanente inicia sua jornada com ênfase no feminismo e no desenvolvimento da luta anarco-sindicalista, colocando à disposição dos sindicatos todos os recursos que a CNT dispõe para fortalecer a luta pela emancipação da classe trabalhadora num contexto de perdas do poder de compra, da discriminação baseada no sexo e da catástrofe ecológica.

A CNT está a intensificar a luta de classes ao desenvolver o seu próprio modelo sindical, fora das eleições sindicais, dos partidos políticos e das instituições estatais, o que lhe permite ser uma ferramenta muito mais independente e eficaz para a classe trabalhadora. A nova Secretaria Permanente do Comitê Confederal é composta pelas seguintes companheiras:

  • Secretaria Geral: Erika Conrado (Catalunha-Ilhas Baleares)
  • Secretaria de Organização: Isabel Nieto (Galiza)
  • Secretaria de Tesouraria: Eloi Martinez (Catalunha-Ilhas Baleares)
  • Secretaria de Ação Sindical, Legal e Feminismo: Eva Peña (Aragão-Rioja)
  • Secretaria de Comunicação: Manuel Tomillo (Centro)
  • Secretaria de Formação: Sergio López (Andaluzia-Canárias-Murcia)
  • Secretaria de Cultura: Xabier Erauskin (Norte)
  • Secretário de Relações Exteriores: José Acosta (País Valência)

Saúde e anarco-sindicalismo,

cnt.es

Tradução > Liberto

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De noite minha sombra
Embebe-se na parede —
O grilo cricrila

Ryôta

O Ártico estará sem gelo dentro de 10 anos devido à falta de políticas para regular o aquecimento global

Por décadas, cientistas alertaram sobre as consequências das mudanças climáticas. Porém, devido à falta de uma política climática significativa, veremos um resultado surpreendente dentro de 10 anos: um Ártico sem gelo.

Por Jeanette Gallardo | 21/03/2024

A região do Ártico enfrenta desafios sem precedentes à medida que as temperaturas globais continuam a subir, com implicações importantes para a cobertura do gelo marinho. Uma pesquisa recente da Universidade do Colorado, em Boulder, lança luz sobre a perda acelerada de gelo marinho no Ártico e suas potenciais consequências, indicando que poderemos ter um Ártico “sem gelo” nesta década.

O que significa um Ártico “sem gelo”?

Vejamos o que significa dizer que o Ártico está “livre de gelo”. Para os cientistas, isso não significa zero de gelo: significa que restará muito pouco gelo no oceano. Os cientistas usam uma medida específica: se houver menos de 1 milhão de quilômetros quadrados de gelo, cerca de 20% do que havia na década de 1980, então é considerado “livre de gelo”.

|| O estudo sugere que o Ártico poderá passar por dias de verão com mínimo ou nenhum gelo marinho nos próximos dois anos, muito mais cedo do que o previsto anteriormente. ||

A investigação destaca a necessidade urgente de abordar as mudanças climáticas para mitigar estes efeitos adversos. Para colocar a situação em perspectiva, dados recentes mostram que, em setembro de 2023, o oceano Ártico tinha cerca de 3,3 milhões de quilômetros quadrados de superfície de gelo marinho no seu mínimo. Isto indica uma diminuição significativa da cobertura de gelo, o que evidencia a gravidade da situação.

Impactos ambientais

A diminuição do gelo marinho do Ártico tem consequências terríveis para a vida selvagem que depende destes habitats congelados, incluindo focas e ursos polares. Além disso, o aumento da temperatura dos oceanos está gerando preocupações sobre a possível entrada de espécies de peixes não-nativas no Ártico, ameaçando o delicado equilíbrio dos ecossistemas locais. Além disso, o recuo do gelo marinho aumenta o risco de erosão costeira, amplificando a vulnerabilidade das comunidades ao longo da costa.

As emissões de gases de efeito estufa desempenham um papel fundamental na perda de gelo marinho no Ártico. À medida que a cobertura de neve e gelo diminui, o oceano absorve mais calor da luz solar, agravando o derretimento e o aquecimento do gelo na região. Esta tendência alarmante tem consequências de longo alcance, não só afetando a vida selvagem do Ártico, mas também colocando riscos para as comunidades e ecossistemas costeiros.

Esperança no horizonte

Apesar das projeções sombrias, há um raio de esperança. O gelo marinho do Ártico demonstrou resiliência no passado e pode recuperar rapidamente se as temperaturas globais estabilizarem. Contudo, alcançar este objetivo requer esforços concertados para reduzir as emissões e enfrentar as mudanças climáticas à escala global.

Em diferentes cenários de emissões, o Ártico poderá experimentar vários graus de condições sem gelo, destacando a necessidade de uma ação climática decisiva para minimizar os impactos ecológicos e sociais.

Essa pesquisa serve como um forte lembrete da necessidade urgente de abordar as mudanças climáticas e os seus impactos nos glaciares do Ártico. À medida que enfrentamos os desafios colocados por um planeta em aquecimento, é importante tomar medidas decisivas para salvar os frágeis ecossistemas do Ártico e preservá-los para as gerações futuras.

Referência da notícia:

Jahn, A.; Holland, M. M.; Kay, J. E. Projections of an ice-free Arctic Ocean. Nature Reviews Earth & Environment, v. 5, 2024.

Fonte: https://www.tempo.com/noticias/ciencia/o-artico-estara-livre-de-gelo-dentro-de-10-anos-devido-a-falta-de-politicas-para-regular-o-aquecimento-global-acelerado.html

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Sobre o curso d’água,
Perseguindo sua sombra,
Desliza a libélula.

Chiyo-jo

23 manifestantes de 2013 são inocentados.

O bem mais precioso,

é a liberdade,

lutemos por ela,

com fé e com valor.

Agitar a bandeira revolucionária,

que levará o povo a emancipação.”

(Música da revolução espanhola de 1936)

 

No dia 19/03/2024, no TJ-RJ, houve o julgamento de segunda instância do caso dos 23 manifestantes acusados de organizar protestos violentos durante o levante proletário de 2013 e contra a Copa FIFA de 2014. A absolvição de todos os manifestantes, por unanimidade (3 votos), se deu após 11 anos de iniciado o processo e 10 anos das prisões. Essa vitória foi um importante marco não somente para esses manifestantes, mas para os movimentos sociais e aqueles que atuaram na defesa da liberdade de organização e manifestação. A lei de organizações criminosas utilizada para criminaliza-los foi sancionada logo após as gigantescas manifestações populares de junho de 2013, que, em número de participantes, foi o maior levante popular da história do Brasil até hoje. Representativo essa lei ter sido sancionada pela ex-presidente Dilma, do PT, no poder naquele momento. O governo social-democrata fez de tudo para criminalizar não só os movimentos sociais atuantes neste levante, mas também para deturpar a memória do que foi 2013, através da atuação dos seus intelectuais sociais-democratas.

Este campo reformista, historicamente sempre atacou os revolucionários e preferiu cooperar com a direita. Esse tipo de manobra política pode favorecer o crescimento da extrema-direita, o que ocorreu de fato no Brasil nos anos seguintes a 2013. Portanto, a criminalização dos movimentos autônomos e revolucionários foi uma ação desastrosa do PT. Em parte, essa criminalização, ao menos a do judiciário burguês, foi encerrada agora, mesmo que uma década depois e tendo tido uma sentença em primeira instância, pelo Juiz Flávio Itabaiana, conhecido repressor, de 7 a 13 anos de prisão. Foi uma vitória, e celebramos a liberdade desses camaradas. Porém, não podemos esquecer que outros manifestantes e lutadores, em outros casos, continuam sendo processados e reprimidos. Portanto, precisamos nos manter em postura permanente de combate a criminalização dos movimentos sociais e sempre atentos contra isso. Os movimentos sociais precisam organizar redes de solidariedade para esses casos, não somente para marcar posição, mas na prática, seja para assegurar que camaradas perseguidos consigam fugir das garras da repressão, seja com atuação de advogados populares, ou até mesmo de suporte para lutadores presos. Não podemos depender da justiça burguesa e nem ter falsas ilusões. Esse processo só foi encerrado depois de ter sido derrotado politicamente, de ter suas falsas provas anuladas, de ter virado chacota no meio judiciário pela sua fraqueza de embasamentos e erros processuais.

VIVA A LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO!

LUTAR NÃO É CRIME!

LIBERDADE, LIBERDADE!!!

lutafob.org

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As campânulas
Se espalham pelo terreno —
Casa abandonada.

Shiki

[México] Carta do Prisioneiro Anarquista Jorge “Yorch” Esquiv

Carta do prisioneiro político anarquista mexicano Jorge “Yorch” Esquivel de dentro da prisão Reclusorio Oriente na Cidade do México.

Oi compas, como vocês estão? Estou aqui e um pouco estressado com tanta incerteza. Depois de um ano e três meses de prisão, me pergunto: como tenho conseguido resistir neste lugar?

Bem, sinto que consegui resistir por causa das pessoas que me visitam. As visitas são muito importantes porque é o dia em que você vê as pessoas que ama e aquelas que se importam com você. Elas fazem você se sentir como se fosse um dia diferente porque aqui todos os dias são iguais, e eles são difíceis. Com as visitas, nós, prisioneiros, podemos esquecer da situação que enfrentamos todos os dias.

Além disso, a comida que vários coletivos e indivíduos me enviam através das visitas, como aquele delicioso mel que me mandaram. Também, os vegetais nutritivos que vêm dos jardins flutuantes de Xochimilco. Isso me lembra de uma vez, alguns meses atrás, quando compartilhei alguns quelites (ervas selvagens comestíveis como verdolaga) que tinha cozinhado com outro prisioneiro que está aqui há muito tempo. Quando ele comeu os quelites, isso o fez lembrar da comunidade de onde ele vem. Isso me fez sentir bem porque são uma daquelas pequenas coisas das quais eu não estava realmente ciente quando estava do lado de fora. Esses tipos de coisas me permitiram resistir durante esse tempo dentro.

Outra coisa que também me ajudou muito foram as cartas. Consegui ler cartas de vários amigos, e também de pessoas que não conheço, mas que estão me apoiando. Obrigado por escreverem porque neste ambiente é difícil saber o que está acontecendo com meus amigos. Não temos e-mail, então as cartas são a maneira como nos comunicamos com as pessoas e são o que quebram essas paredes da prisão. Elas também me ajudam a não esquecer das pessoas que estão comigo, e ajudam elas a não esquecerem de mim.

O que também me ajudou foi saber das coisas que foram organizadas em diferentes países, como na Espanha, Canadá, Alemanha, Inglaterra, Itália, Austrália, Minneapolis, Los Angeles. Ver os panfletos e cartazes, e saber o que as pessoas estão fazendo para me apoiar, me enche de força para continuar resistindo pelo tempo que for necessário.

Não posso esquecer de mencionar a arte gráfica, os cartazes, filmes e livros. Eles foram muito importantes para mim, e a arte gráfica pode me dizer muitas coisas que às vezes as palavras não conseguem.

Muito obrigado, amigos. Continuem pressionando porque é a única maneira de me libertar da prisão.

Prisioneiros políticos às ruas!

Sinceramente,

El Yorchs

10 de março de 2024

Para mais informações sobre o caso de Jorge, acesse aqui (https://yorch-libre.espivblogs.net/). Você pode escrever uma carta para Jorge em inglês ou espanhol e enviá-la para yorchlibre@gmail.com.

Tradução > fernanda k.

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/30/mexico-solidariedade-com-yorch/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/04/07/mexico-carta-do-preso-anarquista-jorge-yorch-esquivel-solidaria-com-alfredo-cospito-e-miguel-peralta-e-anunciando-sua-proxima-audiencia-para-14-de-abril-de-2023/

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Em qualquer lugar
Onde se deixem as coisas,
As sombras do outono.

Kyoshi

[Irlanda] Eduque! Agite! Organize! | Envolva-se e ajude a Construir uma Alternativa Anarquista

Organize! é um grupo de propaganda anarco-sindicalista e uma iniciativa sindical que se organiza em toda a Irlanda – no norte e no sul. Nos inspiramos nas lutas autodirigidas das pessoas da classe trabalhadora, especialmente aquelas organizadas sob linhas anarco-sindicalistas. Nossa história remonta à formação original do Organize! pelos Grupos Anarquistas de Ballymena e Antrim em 1985. No dia 9 de dezembro de 2022, fomos unanimemente admitidos como uma seção “amiga” da Associação Internacional dos Trabalhadores Anarco-Sindicalistas em seu histórico Congresso centenário em Alcoi, Espanha.

Somos pessoas comuns da classe trabalhadora que estão cansadas de serem exploradas pelo sistema lucrativo, cansadas de verem nossas comunidades sendo despedaçadas pelo racismo, patriarcado, nacionalismo e sectarismo, e cansadas de alguns ganharem riquezas às custas de todos os outros.

Estamos trabalhando ativamente para promover a solidariedade em oposição ao capitalismo, ao estado, ao patriarcado e a todas as outras formas de opressão e hierarquia. A maneira como nos organizamos reflete a sociedade livre que queremos criar: uma sociedade baseada em associação voluntária, participação democrática e autogestão.

Nossos membros são trabalhadores: beneficiários, estudantes, migrantes, desempregados e outras pessoas da classe trabalhadora. Todos estamos comprometidos em construir um movimento sindical comunista libertário ativamente contrário a todas as formas de opressão e exploração.

Queremos melhorar as condições cotidianas para nós mesmos e para outras pessoas da classe trabalhadora, mas também lutamos pela transformação revolucionária que possa criar uma sociedade livre e igualitária, baseada em ajuda mútua e cooperação. Parece loucura? Talvez seja, mas todas as alternativas pressupõem a continuação do sistema atual… e isso é ainda mais louco…

O sistema atual não está funcionando – o estresse e o excesso de trabalho afetam cada vez mais pessoas, enquanto outras são jogadas na miséria; para uma quantidade crescente de trabalhadores, é precariedade, contratos de horas zero e o estresse de não poder planejar ou orçar nossas vidas; vivemos em um mundo de recursos abundantes e, no entanto, milhões passam fome; algumas pessoas acumulam vastas fortunas apenas porque possuem empresas, terras, propriedades ou recursos naturais, mas aqueles de nós que criamos a riqueza, trabalhamos na terra e construímos as propriedades, ficamos lutando para pagar pelos recursos naturais; os políticos nos dizem que não há dinheiro – não para salários, benefícios ou facilidades locais, mas sempre há muito para a guerra; tanto local quanto globalmente, a lacuna entre as camadas mais ricas e mais pobres da sociedade nunca foi tão grande; em vez de uma guerra à pobreza, eles têm uma guerra contra a “fraude de benefícios”, uma guerra contra as drogas e uma “guerra ao terror” e as mesmas instituições que criam guerra, pobreza e destruição ambiental estigmatizam, aprisionam e deportam os refugiados resultantes.

Não achamos que essas coisas sejam inevitáveis ou coincidentes, achamos que estão relacionadas ao capitalismo – um sistema econômico definido pelo trabalho assalariado e pela acumulação de lucro do trabalho alheio. Então, apoiamos todos os trabalhadores contra seus patrões exigindo salários mais altos e melhores condições. Tentamos intervir de forma prática para apoiar trabalhadores envolvidos em disputas e também somos ativos em nossos próprios locais de trabalho e comunidades. Não apenas contra a exploração, mas contra as múltiplas opressões enfrentadas pelos membros da classe trabalhadora em toda a nossa diversidade.

Mas não é apenas uma questão de tentar lutar em um mundo de exploração e opressão; buscamos um futuro onde os trabalhadores controlem a produção e a sociedade em seus próprios interesses. E ao contrário de algumas pessoas que afirmam se opor ao capitalismo, não queremos ser um novo conjunto de líderes e nos recusamos a ser liderados por qualquer outra pessoa. Defendemos a democracia direta no local de trabalho e através da comuna em nossas comunidades – trabalhando em federação para garantir que as necessidades de todos sejam atendidas e que ninguém esteja novamente em posição de oprimir ou explorar outro ser humano.

Atualmente, temos membros em Belfast, Cork, Derry, Lisburn, Newtownabbey e Portadown e estamos construindo a organização com base no envolvimento e participação ativos. Não estamos interessados em uma adesão “no papel” sem sentido, então você não pode se juntar preenchendo um formulário online e nos enviando algumas moedas.

Para conversar conosco sobre a adesão, comece enviando um e-mail para:

organiseasi@gmail.com

organiseanarchistsireland.com

Tradução > fernanda k.

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Estranhos ruídos
Perturbando meus sonhos:
Cântico dos grilos.

Maria Tereza da Luz

[Espanha] Sabes qual é a origem desta saudação?

Fernando Fernán Gómez fazendo a saudação anarquista na entrega de prêmios de Donosti em 1999 [foto]. Sabes qual é a origem desta saudação?

O anarquismo sempre tem fugido e renunciado das simbologias e dos dogmas rígidos e estáticos que se encontram em muitas agrupações políticas da esquerda. Por este motivo é às vezes difícil e difuso encontrar uma origem única em alguma de suas simbologias.

Um dos mais difundidos é o símbolo das mãos entrelaçadas por cima da cabeça, que tem sido utilizado pelos anarquistas ao longo da história.

Se costuma utilizar como símbolo de resistência, união fraternal, de apoio mútuo e solidariedade entre companheiros, diferenciando-se do punho ao alto, mais empregado pelos comunistas e outros grupos combativos.

Esta saudação é muito habitual vê-la em atos no seio do anarcossindicalismo na Espanha, como na Confederação Nacional do Trabalho (CNT) e na Confederação Geral do Trabalho (CGT), que incluiu este símbolo em seu próprio emblema.

Era habitual ver o ator Fernán Gómez fazendo este símbolo com suas mãos. Uma saudação que repetia constantemente e que não era outra que a saudação anarquista. Não era uma pose nem uma provocação. Fernando Fernán Gómez era um artista, um dos melhores que deu nosso país, mas antes de tudo era um homem íntegro e coerente. Sempre se qualificou como anarquista, e este adjetivo não foi um que pegou e deixou, mas um que marcou sua vida, sua carreira e sua filosofia.

E tu? Conheces mais alguma teoria sobre a origem desta saudação? Te leremos nos comentários…

Tradução > Sol de Abril

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mar não tem desenho
o vento não deixa
o tamanho…

Guimarães Rosa

[Uruguai] Memória | Carta de Simón Radowitzky ao Partido Comunista da Argentina e a CGT

Ao Partido Comunista e a Confederação Geral do Trabalho. Tenho conhecimento que em sua propaganda e seus cartazes fazem figurar meu nome reivindicando a minha liberdade.

Como anarquista me dirijo a vocês: declaro que não quero ser instrumento de propaganda de nenhum partido político, inclusive do Partido Comunista, cuja adesão à política do governo russo é absoluta.

Em nome dos anarquistas encarcerados nas prisões e na Sibéria Soviética, em nome das agrupações anarquistas destruídas e cuja propaganda foi proibida na Rússia, em nome dos companheiros fuzilados em Kronstadt, em nome do nosso companheiro Petrini, que foi entregue pelo governo soviético ao fascismo italiano, em nome da Federação Obreira Regional Argentina e da Federação Obreira Regional do Uruguai e em nome de nossos companheiros Kropotkin, Malatesta, Rocker, Fabbri, Makhno, etc., etc., declaro que, como anarquista, rechaço todo o seu apoio que representa uma exploração indigna que fazem os líderes bolcheviques do partido e da CGT do generoso sentimento de solidariedade que me presta e a classe trabalhadora.

Simón Radowitzky, Montevidéu, Prisão Central, 22 de abril de 1936.

Texto extraído da revista Futuro Nº 7 Primavera / Verão 2004-2005

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Por este caminho,
Ninguém mais passa —
Tarde de outono.

Bashô

[Espanha] Novidade editorial: “En pos del milenio: Revolucionarios milenaristas y anarquistas místicos de la Edad Media”, de Norman Cohn

Em busca do milênio: Revolucionários milenaristas e anarquistas místicos da Idade Média, de Norman Cohn

A Idade Média viu surgir em suas margens uma complexa rede de heresias e movimentos que tentavam transpassar os limites da ortodoxia religiosa. Baseando-se principalmente nas tradições judias e na escatologia cristã (sobretudo no Apocalipses de São João), e impulsionados por sua dramática situação material e a decadência que observavam a seu redor, estes grupos de homens e mulheres encontraram no milenarismo uma tábua de salvação desesperada. Mas o milenarismo não foi só uma orientação religiosa. Segundo seus pressupostos, o reino dos mil anos que seguiria ao Juízo Final devia ser um paraíso na Terra no qual todas as penalidades dos justos seriam recompensadas e no qual todas as diferenças sociais seriam abolidas. A perspectiva, ao chegar às camadas mais desfavorecidas da sociedade, deu lugar uma e outra vez a movimentos revolucionários que lutaram com armas materiais para criar o reino de Deus na Terra: um reino que seria precedido pela eliminação dos malvados e no qual o homem seria devolvido a sua condição primitiva, o que implicava a abolição da propriedade privada e o estabelecimento de uma sociedade que hoje poderíamos identificar claramente como comunista.

Em En pos del Milenio – um dos livros de história mais importantes escritos durante o século XX – Norman Cohn fez uma pesquisa completa e rigorosa dos movimentos dos pobres durante a Idade Média. Em suas páginas, encontramos relatos extraordinários, como a apoteose anabatista na cidade de Münster, em 1535, e relatos detalhados de fenômenos fascinantes, como as “cruzadas dos pobres”, as procissões de flagelantes, as teorias de Joachim de Fiore, os incansáveis falsos profetas e messias, a disseminação de movimentos protoanarquistas cativantes, como a Irmandade do Espírito Livre, ou a luta de revolucionários sociais, como Thomas Müntzer.

En pos del milenio

Revolucionarios milenaristas y anarquistas místicos de la Edad Media

Norman Cohn

ISBN 978-84-15862-31-4

576 págs., 14×21 cms.

Preço: 28,00€

pepitas.net

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Canto da araponga.
Ferro fincado
No sol da tarde.

Wilma Chiarelli

[Chile] Chamado à solidariedade anarquista internacional.

Com as vítimas dos mega incêndios e a devastação capitalista no Chile.

Este chamado internacional é levantado pela Assembleia Anarquista de Valparaíso junto ao espaço anarquista Flora, porque sentimos a necessidade de recorrer à solidariedade internacional para colaborar na recuperação material, física e emocional das vítimas desta catástrofe capitalista em nosso território.

Este chamado se deve à emergência eco-social derivada dos gigantescos incêndios urbano-florestais que açoitaram as comunas de Valparaíso, Viña del Mar e Quilpué situadas no território denominado Chile, nos dias 2 e 3 de fevereiro.

O fogo custou mais de 130 vidas humanas e milhares de vidas não humanas. Além disso, destruíram-se ou danificaram-se mais de 15.000 moradias e vários centros sociais, bibliotecas populares e outros espaços comunitários.

A devastação capitalista, o desenvolvimento imobiliário, o negócio florestal e a crise habitacional que sofre o povo foram os ingredientes desta tremenda tragédia.

Como anarquistas, nossos esforços se centram na solidariedade com as vítimas, especialmente com os companheiros afetados e com os projetos políticos que se viram afetados.

Dada a magnitude da catástrofe, vemos a necessidade de gestionar uma campanha internacional de arrecadação de fundos para destiná-los diretamente às vítimas, à reconstrução das infraestruturas queimadas e à manutenção ativa das cozinhas populares e a compra de materiais para as equipes de trabalho autogeridas.

Viva o apoio mútuo!

Viva a solidariedade internacional!

Viva a anarquia!

>> Apoie aqui:

https://www.firefund.net/capitalistfire

Tradução > Sol de Abril

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Alegres grilos
Gritam na grama gris:
Música noturna.

Eduardo Otsuka

Gigante do cimento é atacada na Alemanha

Na noite de 14 para 15 de março em Berlim, por volta das 3h50, seis caminhões de cimento foram totalmente destruídos e outras três máquinas (escavadeiras) danificadas pelas chamas no canteiro de obras da rodovia A100, na Kiefholzstrasse, em Berlim. Estas betoneiras pertenciam ao grupo alemão Heidelberg Materials, uma das maiores fabricantes mundiais de cimento, agregados e concreto pré-misturado.

Em 27 de dezembro de 2023, outra gigante do concreto, a CEMEX, já havia sido atacada em Berlim (cinco caminhões betoneiras queimados, bem como a linha transportadora de materiais a granel e um prédio técnico próximo aos silos).

E em 19 de janeiro de 2024, duas escavadeiras presentes no mesmo canteiro de obras da rodovia A100 em Berlim já haviam sido consumidas pelas chamas da raiva.

O projeto contestado visa prolongar a estrada que circunda Berlim, atravessando um parque da capital alemã e também um bairro popular da juventude, destruindo assim tanto os espaços naturais como os muito populares clubes de techno. Milhares de clubbers e ativistas ambientais já haviam se manifestado contra a obra em setembro passado.

Um comunicado publicado na plataforma Indymedia Alemanha reivindica a ação incendiária contra a empresa ecocida. Além da realização da estrada para este projeto rodoviário mortal, a Heidelberg Materials participa de projetos coloniais, apropriando-se de terras, saqueando recursos e explorando os seus funcionários nos quatro cantos do planeta.

Na verdade, a empresa com mais de 800 subsidiárias é o segundo maior produtor de cimento do mundo. É a segunda empresa mais poluente da Alemanha, atrás da gigante energética RWE, que opera minas de carvão. Com estas fábricas de cimento e pedreiras, extrai, destrói, polui e explora recursos na Indonésia, na Cisjordânia, no Togo e no Sahara Ocidental.

O comunicado de imprensa do ataque de 15 de março à Heidelberg Materials, divulgado no mesmo dia no Indymedia Alemanha, pode ser lido aqui: https://de.indymedia.org/node/346434

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/03/11/alemanha-protesto-contra-a-ampliacao-de-fabrica-da-tesla-arvores-em-vez-de-concreto-pare-a-gigafabrica/

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Num galho seco,
Um corvo pousado.
Tarde de outono.

Bashô

[EUA] Lançamento: A Tradição Do Anti-fascismo Negro | Lutando Contra o Linchamento até a Abolição

Jeanelle K. Hope (Autora); Bill V. Mullen (Autor)

Ao mesmo tempo uma história para entender o fascismo e um manual para se organizar contra ele, A Tradição Do Anti-fascismo Negro é um livro essencial para entender nosso momento atual e os desafios que temos pela frente.

De Londres ao Caribe, da Etiópia ao Harlem, do Black Lives Matter à abolição, os radicais e escritores negros há muito tempo entendem o fascismo como uma ameaça à sobrevivência dos negros em todo o mundo – e de todos.

Em A Tradição Do Anti-fascismo Negro os acadêmicos-ativistas Jeanelle K. Hope e Bill Mullen mostram como gerações de ativistas e intelectuais negros, desde Ida B. Wells, na luta contra o linchamento, até Angela Y. Davis, na luta contra o complexo industrial-prisional – se mantiveram dentro de uma tradição de antifascismo negro.

Como Davis observou certa vez, apontando para a importância do racismo contra os negros no desenvolvimento do fascismo como ideologia, os negros foram “as primeiras e mais profundamente feridas vítimas do fascismo”. De fato, a experiência de viver sob o capitalismo racial e de resistir a ele muitas vezes fez com que os radicais negros se conscientizassem do potencial do fascismo muito antes de outros entenderem esse perigo.

O livro explora as ideias e o ativismo poderosos de Paul Robeson, Mary McLeod Bethune, Claudia Jones, W. E. B. Du Bois, Frantz Fanon, Aime Cesaire e Walter Rodney, bem como do Congresso dos Direitos Civis, do Exército de Libertação Negra e do movimento We Charge Genocide, entre outros.

Hope e Mullen argumentam que, ao lançar luz sobre o fascismo e a anti-negritude, os escritores e organizadores apresentados neste livro também desenvolveram ferramentas e estratégias urgentes para superá-los.

The Black Antifascist Tradition

Fighting Back from Anti-Lynching to Abolition

Jeanelle K. Hope (Author); Bill V. Mullen (Author)

Editora: Haymarket

Formato: Livro

Encadernação: pb

Páginas: 292

$24.95

https://linktr.ee/haymarketbooks

Tradução > cicada

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Rua da vida
Paralelas infinitas
Desencontro

Wally Cuoco Figueiredo