Por uma Comissão da Verdade de verdade!

“Instalada em maio de 2012, a Comissão Nacional da Verdade procurou cumprir, ao longo de dois anos e meio de atividade, a tarefa que lhe foi estipulada na Lei no 12.528, de 18 de novembro de 2011, que a instituiu.

Empenhou-se, assim, em examinar e esclarecer o quadro de graves violações de direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional.” In COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE RELATÓRIO Volume I

Ao promover convenientemente um recorte temporal de 1946 até 1988, os grupos interessados em trazer e ventilar uma determinada narrativa social, política e econômica em que contenha repercussões jurídicas ainda cabíveis de processo e manter um determinado status político e indenizatório, justificável diante da desigualdade de forças entre os golpistas de 1964 e de uma resistência anti-totalitarista feita de muito sacrifício e contradições, principalmente de quadros autoritários de esquerda vinculados a estruturas ditatoriais vinculadas principalmente a extinta URSS e a China. Muitas das pessoas militantes, jovens inexperientes, foram caçadas, presas e torturadas neste período de forma exemplar e inspirar até outras recém ditaduras a proceder da mesma forma, em um intercâmbio sombrio denominado Operação Condor.

Mas isso não deixa de ser um recorte como já escrito, quando ampliamos nossa visão, percebemos que muita coisa precisa ser melhor estudada, avaliada e reparada em toda a linha temporal da região que entendemos por Brasil.

Do início oficial da invasão a essas terras sul americanas pelos povos europeus, os povos originários sofreram e sofrem ainda graves violações dos direitos humanos, sem nenhuma previsão indenizatória por parte dos governantes, representantes das forças que oprimiram e exploraram essa gente, e que ainda há grupos de interesse que querem continuar esse processo de dizimação, de genocídio indígena, haja visto que a lei de demarcação de terras indígenas cria uma marco de corte (na da data da promulgação da Constituição de 1988) para que os povos indígenas possam reivindicar suas terras e consolidando as grandes estruturas latifundiárias no controle fundiário das terras de toda região denominada Brasil.

E foram trazidas de forma violenta, milhões de pessoas africanas como mão de obra escrava, que sofreram muito mais do que graves violações dos direitos humanos, comunidades e nações africanas foram dizimadas para que houvesse uma produção de riqueza enorme e pouco se vê em ações a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional.

E é assim por toda linha temporal do Brasil, principalmente das mais distantes, que se tornam apenas matéria de uma narrativa marcada pelos grupos dominantes e com um constante omissão e apagamento de todas as lutas e fatos que questionam as estruturas de opressão e exploração da região brasileira.

Os diversos golpes de estado que aconteceram no Brasil foram seguidos de ações repressivas orientadas a silenciar a qualquer oposição inconveniente que ousasse resistir e questionar os fatos presenciados. Podemos entender aqui, que a Comissão da Verdade deveria se estender a toda história da região brasileira, um exercício de dignidade e reparação realmente histórica. Talvez isso seja demais, a Comissão da Verdade deveria ao menos abranger o período da instalação da República, em 1889, que de passagem, também foi um golpe.

É importante reforçar que isso é uma construção de uma narrativa de acordo com os interesses de grupos que buscam muito mais uma projeção política e estão bem longe de reparações dos fatos temporais ocorridos, até porque a narrativa das pessoas oprimidas e exploradas é a dissolução de uma estrutura de controle opressor e explorador de grupos gananciosos e ambiciosos que nunca ligaram para as consequências de seus atos e sim pelas riquezas que acumularam e ainda acumulam.

Na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

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no muro o caracol
se derrete nos rabiscos
da assinatura prateada

Dalton Trevisan

“Nossa solidariedade às famílias e vítimas da ditadura militar brasileira”

Mais de 8 mil indígenas foram mortxs, exilados, torturados e proibidos de falar sua Língua Materna durante a ditadura militar (1964 a 1985).

Muitos não sabem, mas os militares resolveram “reorganizar” a política indigenista brasileira em 1969.

Eles criaram a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), e em Minas Gerais criaram duas instituições de repressão contra indígenas: O Reformatório Krenak e a Guarda Rural Indígena (GRIN).

Selecionaram 84 indígenas de todo país para um batalhão em Belo Horizonte (MG), onde receberam treinamento e aulas de educação “cívica e moral”.

Dois indígenas carregaram um outro parente em um pau de arara para apresentar aos militares o que haviam “aprendido a fazer”.

Parte dos Krenak foram retirados do Reformatório e levados para a Fazenda Guarani, perdendo a chance de retornar ao seu território de origem.

Também achamos importante mencionar a guerrilha do Araguaia (1972-1974) que foi considerado o maior conflito armado ocorrido na ditadura militar brasileira (PA) com os Suruí/Aikewára.

Estima-se que 350 camponeses foram mortos por agentes da ditadura.

Nós da AIL (Autonomia Indígena Libertária) poderíamos listar aqui inúmeras tragédias aos povos indígenas que ocorreram na ditadura militar, porém não caberia aqui nessa publicação. (você pode encontrar buscando pelo relatório da comissão da verdade).

Em 2024, Lula afirmou: “Eu, sinceramente, não vou ficar remoendo e vou tentar tocar o país para frente”, além disso o presidente vetou eventos em alusão aos 60 anos do golpe

Acreditamos que A FORÇA de um povo está em sua capacidade de não perder a memória, pois em nada adianta fugir dos fatos, até porque eles favorecem a quem nos oprime.

Nossa solidariedade às famílias e vítimas da ditadura militar brasileira.

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O grito do grilo
serra ao meio
a manhã.

Yeda Prates Bernis

 

[Espanha] Sonhos de liberdade e solidariedade

O título de hoje é um tanto lírico, mas de vez em quando o meu grande coração aparece por detrás dessa máscara ferozmente niilista que gosto de usar. O caso é que, o já citado cabeçalho, define muito bem os desejos e aspirações dos ácratas sobre uma sociedade, efetivamente livre e solidária. E, veja, quando falo em sonhos, como em tantos outros conceitos da pós modernidade, não me refiro a não estar bem desperto em relação ao mundo em que vivemos e querer transformá-lo para melhor. Me refiro exatamente a desejos e aspirações para o futuro, bem conectados com a realidade de hoje, já que não falamos de um amanhã ditado por supostas leis teleológicas (seja lá quais forem). E não há maior concepção da liberdade que aquela que é intimamente vinculada à solidariedade, ou seja, a liberdade individual ligada à liberdade dos demais, algo belo, já defendido pelos libertários clássicos, que é facilmente posto de lado na frequente confusão pós-moderna). E, como não poderia deixar de ser, uso as palavras libertário e libertárias, ex professo, em seu sentido original de pessoa que busca uma sociedade livre e solidária. Nada a ver com sua perversão atual, usada pelos que buscam apenas sua libertação individual e de seu capital mesquinho.

Quando alguém se declara anarquista, suponho que por causa da sua má fama, mas também por causa do supremo analfabetismo político que é tão generalizado, uma vez adotada uma careta obrigatória de desgosto pela reação do seu interlocutor, passa-se então a uma série de esclarecimentos meticulosos. Não, nem sempre se tem paciência para estas situações, mas, insisto, quem tem seu coraçãozinho e parte para a nobre empreitada de tentar dissipar o nevoeiro da ignorância (insisto, hoje sinto-me um poeta). Assim, passamos a explicar que a pessoa ingovernável não é apenas ingovernável (isso é dado como óbvio, claro). Estamos também falando de alguém que sente uma preocupação sincera pelos outros, que dá um verdadeiro sentido à noção de solidariedade e que confia que o paradigma mais difundido a nível social é essa coisa bonita que é o apoio mútuo. Claro que as reações imediatas tendem a oscilar entre a alusão a uma mera utopia e a comprovada iniquidade do ser humano para viver decentemente com os seus semelhantes se não for obrigado a isso. Eu digo que, apesar dos problemas que, em pleno século XXI, continuam a atormentar a humanidade, se chegamos até aqui é por uma razão. E, creio, isso tem sido feito principalmente através da cooperação e do apoio mútuo, deixando de lado por vezes os fatores de alienação e mistificação que levam as pessoas a se confrontarem com os seus vizinhos.

Os anarquistas (ou libertários) querem estender estes nobres paradigmas à sociedade como um todo, em oposição aos paradigmas dominantes da competição e do cada um por si. Chegamos a um ponto de miserabilidade humana que parece ser embaraçoso expressar algo assim com medo de ser chamado de pueril ou ingênuo. Pois bem, bendita seja a ingenuidade se é o necessário para que não nos tornemos cínicos, no seu sentido mais pejorativo, ou mesmo canalhas. Não é que nós, como ácratas (ou libertários), consideremos que os seres humanos podem se tornar alguma espécie de anjos da convivência social, outra estupidez generalizada numa crítica talvez permanentemente autossuficiente do anarquismo, com um recurso moral e intelectual muito superficial. Simplesmente, temos a lucidez e a honestidade suficientes para observar como a sociedade consumista, juntamente com a dominação política na sua versão mais cordial, nos transformou num bando de ovelhas mesquinhas. Nem sempre é possível culpar o sistema por todos os males que nos afligem, claro, se o chamado homo sapiens não fosse constituído por muitos traços, uns admiráveis e outros nem tanto, não seria possível valorizá-los devido ao contexto social. Os libertários, graças à sua confiança nos valores mais nobres da condição humana e naquilo que alguém um dia descreveu como coerção moral, aspiram, não a construir um paraíso, mas a construir uma sociedade mais livre, mais justa, mais inteligente e mais solidária. Não, não são apenas belos sonhos, nem mera poesia, espero ter explicado.

Juan Cáspar

Fonte: https://exabruptospoliticos.wordpress.com/2023/12/13/suenos-de-

Tradução > 1984

agência de notícias anarquistas-ana

Na poça d’água
o gato lambe
a gota de lua.

Yeda Prates Bernis

[EUA] Lançamento HQ: Makhno Combatente pela Liberdade Ucraniana

Philippe Thirault (Autor); Roberto Zaghi (Autor); Nanette McGuinness (Tradutora)

A fascinante história verdadeira do infame anarquista e revolucionário ucraniano.

No início do século XX, na Ucrânia, o anarquista Nestor Makhno, filho de camponeses, foi um dos mais heroicos e coloridos personagens da Revolução Russa, incentivando seu povo a encontrar e abraçar a autodeterminação social e econômica. Esta é sua história, de um estrategista militar que desafiou incansavelmente tanto os bolcheviques quanto os alemães para proteger sua pátria.

Em apoio ao povo da Ucrânia, uma parte dos lucros deste livro será doada diretamente para os esforços de socorro ucranianos através da RAZOM (razomforukraine.org).

Makhno Ukrainian Freedom Fighter

Philippe Thirault (Autor); Roberto Zaghi (Autor); Nanette McGuinness (Tradutora)

Editora: Life Drawn

Formato: Livro

Encadernação: Brochura

Páginas: 120

ISBN-13: 9781643379692

$22.99

humanoids.com

Tradução > fernanda k.

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No cheiro do pêssego
Esquecido na fruteira,
As tardes de outrora.

Paulo Franchetti

[França] Anne Raurich (1929-2023)

Nascida em 18 de novembro de 1929, Anne Mahé não se dava bem com sua mãe. Ela deixou Bagneux e sua família aos 16 anos de idade para conquistar sua independência.

Conseguiu um emprego na PTT, onde se insurgiu contra a organização absurda do trabalho e a hierarquia tacanha. Ela ingressou na CNT em 1946. Como muitos de sua geração, ela participou do movimento Auberges de Jeunesse.

Lá conheceu seu marido, Eudes Raurich, descendente de refugiados espanhóis (citado no Maitron), supervisor que trabalhava em Paris e militante da Union de la gauche socialiste em 1956. Ele também era químico em uma unidade de produção de ração animal em Indre. Membro do ROC (Rassemblement des opposants à la chasse), ele legou seu corpo à ciência.

O casal viveu no 9 Bis, boulevard Rochechouart, Paris 9e (em um apartamento datado de 1948), até sua aposentadoria em 1991. Em seguida, eles se mudaram para La Forêt, route de Saint-Gaultier, 36310 Chaillac. Eles reformaram completamente uma casa em Berrichonne, no sul da região de Indre, perto de Haute-Vienne (a menos de uma hora de Limoges, onde eles haviam participado de eventos no CIRA Limousin e no Cercle Gramsci, cujo La Lettre ela apreciava muito).

Em maio de 1968, Anne e Eudes participaram dos “eventos” e das inúmeras reuniões que liberaram o discurso, em círculos de amigos ativos contra os preconceitos da época. Como esperantistas militantes, eles trocavam cartas com correspondentes na República Tcheca, no Japão, na China e em outros lugares.

Anne tornou-se secretária de escritório em tempo parcial em 1973. Ela era uma leitora ávida, familiarizada com o existencialismo dos anos 50 e muito sensível à questão feminista.

Eles também eram assinantes fiéis da Union pacifiste (recortes da qual estão incluídos em um excelente livro sobre Cavanna, publicado após sua morte).

Olivier, seu único filho nascido em 1960, frequentou a escola secundária Louis le Grand e se formou em matemática. Ele recusou uma carreira como engenheiro de armamentos e, em vez disso, continuou como professor de matemática em aulas preparatórias em Fontainebleau. Sua aposentadoria está prevista para 2024. Comprometido com a não violência e contra o campo militar de Larzac, tornou-se porta-voz do budismo, trabalhando com o Dalai Lama Sogyal Rinpoche (1947-2019).

Anne, ativista ambiental contra os testes nucleares na Polinésia, especialista em botânica e membro da Liga Francesa para a Proteção das Aves, adorava a natureza e as caminhadas, apesar de seu marca-passo e bengala.

Aos 88 anos, já incapaz de andar, ela participou de um debate sobre “anarcofeminismo” durante uma Librairie champêtre libertaire no Château de Ligoure (2017).

Muito desconfiada da medicina, ela preferia a homeopatia. Ficando cega e não conseguindo mais se locomover, ela optou por morrer com dignidade aos 94 anos, em dezembro de 2023.

Anne havia combinado legar seus livros anarquistas ao CIRA Limousin.

Extraído das lembranças de Nathalie Rubel em 21 de fevereiro de 2024

Fonte: https://ciralimousin.ficedl.info/IMG/pdf/anne_raurich.pdf

Tradução > Contrafatual

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haicai é vício
no ábaco dos dedos
versos paridos

Sandra Santos

 

[Grécia] Apelo para a marcha solidária à Ocupação de Imigrantes e Refugiados Notara 26

No bairro de Exarchia, as ocupações e centros de luta dos movimentos floresceram ao longo do tempo. Dezenas de ocupações deram forma aos nossos sonhos, atenderam às nossas necessidades de auto-organização, resistência, abrigo, alimentação, vida comunitária. Os ocupas têm sido alvo da repressão por parte do SYRIZA [esquerda] e da Nova Democracia [direita] durante anos, com grandes operações de despejo acompanhadas pela propaganda do Regime sob a égide da doutrina da “Lei e Ordem”. Vivemos hoje a continuação desta política, uma vez que os despejos de ocupas e a expulsão de imigrantes do bairro de Exarchia foram a primeira fase do seu plano de gentrificação. Seguiram-se enormes investimentos do grande capital (principalmente turístico) em imóveis da região, e as reformas do “Cavalo de Tróia” na praça e no morro Strefi, que foram acompanhadas por hordas de policiais que acamparam em todas as partes do bairro, com o objetivo principal de torná-lo capital rentável, através do deslocamento dos excluídos e da dissolução das resistências políticas e sociais que se enraizaram no bairro de Exarchia há décadas.

A ocupação e luta da N26, única ocupação pública de imigrantes no bairro, é relevante num momento em que o Estado intensifica a sua guerra contra as comunidades imigrantes: na fronteira com assassinatos, tortura, humilhação e expulsões e no centro com operações de varredura, a brutalidade policial, a ameaça fascista, o controle e a prisão. Um indicativo da guerra que as comunidades imigrantes em Atenas enfrentam é a recente evacuação e desmantelamento de estruturas abertas e a transferência violenta de imigrantes para campos fechados em Ática. A política racista tenta expulsar os imigrantes do centro como fez em Exarchia, evacuando quase todas as ocupas que restaram. O ataque às comunidades imigrantes faz parte do planejamento mais amplo do capital e do poder político em Exarchia. Afinal, parte da gentrificação é a expulsão de pessoas excluídas de classe e racial com o objetivo de uma cidade que acomode aqueles que têm dinheiro, consomem e vivem de acordo com os padrões ocidentais. O aumento dos aluguéis devido ao Airbnb e ao turismo torna quase impossível que pessoas da nossa classe vivam em Exarchia.

A ocupação, como auto-organização coletiva das nossas vidas e necessidades, é para nós um dos meios que defendemos contra a violência do deslocamento. As recentes evacuações em todo o país foram respondidas vigorosamente, com todos os espaços sendo reocupados pelo movimento. Defender a comunidade da Notara 26 significa defender as nossas vidas e a solidariedade prática na luta dos imigrantes pela dignidade.

SÁBADO 30/03

15h00 PRÉ-REUNIÃO em frente à ocupação (Navarchou Notara 26, Exarchia)

17h00 MARCHA SOLIDÁRIA a partir da Ocupa de Imigrantes e Refugiados Notara 26

Coordenadoria de ação pela defesa de Exarchia

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na cama de nuvens
o sol espreguiça-se
oblongo

Eugénia Tabosa

Nem faz o L, nem faz Arminha! Aqui pra vocês!!!

[Hungria] Ilaria Salis continua na prisão. Para o Tribunal de Budapeste “ainda existe risco de fuga”

O Tribunal de Budapeste rejeitou nesta quinta-feira (28/03) um pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa da anarquista e professora italiana Ilaria Salis, que está detida desde fevereiro de 2023 por uma suposta agressão contra dois militantes neonazistas.

A docente de 39 anos apareceu na corte novamente com as mãos algemadas e correntes nos tornozelos, repetindo imagens que já haviam causado indignação na Itália em uma audiência em janeiro passado. Além disso, Salis foi conduzida por um policial como se estivesse em uma coleira.

“As circunstâncias não mudaram”, disse o juiz Jozsef Sós, acrescentando que existe “risco de fuga” da italiana.

O pai da professora, Roberto Salis, afirmou que a rejeição do recurso representa a “enésima prova de força do governo” do premiê de extrema direita Viktor Orbán.

“As correntes não dependem do juiz, mas do sistema carcerário, então o governo italiano pode e deve fazer algo para que minha filha não seja tratada como um cão”, acrescentou.

Salis arrisca ser condenada a 24 anos de prisão por supostamente ter atacado militantes neonazistas com cassetete durante uma manifestação de extrema direita na Hungria, cuja Justiça também quer processar outro italiano envolvido no caso, Gabriele Marchesi..

Ele chegou a ser preso em Milão em novembro passado, com base em um mandado de captura europeu, mas um tribunal da capital da Lombardia rejeitou um pedido de extradição feito por Budapeste e determinou sua soltura nesta quinta-feira.

Fonte: agências de notícias

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A jabuticabeira.
Através de líquida cortina
olhos negros espiam.

Yeda Prates Bernis

[França] Vamos apagar a chama dos Jogos Olímpicos!

Um chamado para os maliciosos, os brincalhões práticos e outros hereges do Sport Business

Os males causados pelos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos (JOP) não precisam mais ser demonstrados, pois já são bem conhecidos: delírios de segurança, legislação antiterrorista, má gestão financeira e desvio de verbas, aumentos descarados nas tarifas de metrô, despejo dos sem-teto, despejo dos estudantes de seus alojamentos etc. etc.

A lista é muito longa e agora óbvia.

Os Jogos Olímpicos também estão sendo promovidos por meio da Chama Olímpica, que iniciará sua jornada pela França em Marselha no dia 8 de maio (trajeto completo em
https://www.paris2024.org/fr/parcours-relais-flamme-olympique/).

Para denunciar os Jogos Olímpicos, estamos organizando uma grande competição “Vamos apagar a chama”.

Estamos convocando todos os indivíduos, grupos, organizações e outras entidades que se reconhecem nesse apelo a se organizarem para apagar a chama olímpica quando ela passar pela cidade mais próxima: peguem seus extintores de incêndio, secadores de cabelo, ventiladores, nebulizadores e outras coisas! Use sua imaginação!

A primeira pessoa ou grupo a realizar esse feito esportivo e salutar receberá uma medalha. Provavelmente não de ouro, mas de algum tipo de metal, talvez ferro fundido ou zinco, ou até mesmo chumbo…

“Vamos apagar a chama”, o pior exemplo para nossos jovens: uma chama ao ar livre em uma época de secas e outros mega incêndios!

“Vamos apagar a chama”, compartilhar, alimentar e transformar esse chamado!

JOPpose@riseup.net

saccage2024.noblogs.org

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Flor esta
De pura sensação
Floresta.

Kleber Costa

[Alemanha] 7ª Feira do Livro Anarquista de Mannheim, de 9 a 12 de maio de 2024

Pela sétima vez, uma feira do livro é organizada em Mannheim pelo Anarchistische Gruppe Mannheim. Além das banquinhas de editoras e grupos, haverá uma extensa programação de eventos.

É uma maldição viver em tempos interessantes.” –  Hanna Arendt

A 7ª Feira do Livro Anarquista de Mannheim acontecerá no Fórum do Centro de Cultura Juvenil de 9 a 12 de maio de 2024. Depois de a extensão da feira para quatro dias, há dois anos, ter sido recebida de forma muito positiva, desta vez decidimos novamente por um fim de semana mais longo.

Começa na quinta-feira à noite com um evento de abertura, que será seguido por três dias de funcionamento da feira e um extenso programa de acompanhamento de sexta a domingo. Estamos satisfeitos que numerosos editores e distribuidores libertários exponham conosco novamente em 2024 e apresentem a amplitude do jornalismo anarquista. Além disso, 26 palestras e workshops oferecerão a oportunidade para conversas e discussões.

Com a feira do livro queremos representar a diversidade do anarquismo, oferecer um local de troca para o movimento libertário e ao mesmo tempo oferecer a um público amplo a oportunidade de conhecer as posições anarquistas. Especialmente nestes tempos em que estamos perturbados pelas mudanças climáticas, pela ascensão de partidos autoritários, de direita e fascistas e por uma situação mundial cada vez mais caracterizada pela guerra e pela violência, queremos fazer ouvir as vozes anarquistas. Porque estamos convencidos de que é necessário um movimento de solidariedade e liberdade desde baixo para superar estas ameaças – e vemos isto concretizado no anarquismo.

Como sempre, a feira é praticamente livre de barreiras. Café de comércio justo e deliciosos pratos veganos também serão oferecidos. Como de costume, o alojamento durante a noite estará disponível para dormir. A entrada na feira do livro é obviamente gratuita.

Como a feira é financiada principalmente por doações, distribuímos uma caixa de doações em cada evento – mas isso não significa que seja esperada uma doação para cada evento participado. Além disso, o coletivo de cozinha Le Sabot também é financiado por meio de doações. Além disso, Le Sabot e nós estamos felizes em receber apoio financeiro e ativo. Se quiser picar legumes, vender bebidas ou algo semelhante, contacte-nos.

Esperamos você na feira do livro!

Liberdade e felicidade!

Anarchistische Gruppe Mannheim – Grupo Anarquista Mannheim

buchmesse.anarchie-mannheim.de

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Uma voz mais forte
Sai do ruído do dia.
Vida de cigarra.

Bernard Waldman

[Chile] Poder Judiciário ratifica prisão do companheiro anarquista Francisco Solar

Em 27 de março de 2024, o tribunal de apelações revisou a condenação do companheiro anarquista Francisco Solar.

Finalmente, o poder judiciário ratificou a sentença de 86 anos de prisão por ataques explosivos contra pessoas poderosas, repressores e o bairro dos ricos, rejeitando o pedido da defesa.

Na prática, essa sentença continua sendo uma prisão perpétua disfarçada. Reiteramos o chamado para superar a impotência e a frustração diante da ratificação desse ataque estatal, entendendo a condenação como um golpe contra todo o movimento anarquista.

Nossa solidariedade legitima o ataque e defende os companheiros em ação anárquica e informal.

Solidariedade com aqueles que atacam os poderosos e repressores!

Francisco Solar às ruas!

Fonte: Buskando La Kalle

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Lua cheia!
Por mais que caminhe,
O céu é de outro lugar.

Chiyo-jo

Não a PLP 12/2024! Organizar a base com autonomia e conquistar ganhos reais para os trabalhadores de aplicativo

Comunicado Nacional da FOB | 28 de março de 2024

No início de março, o governo Lula enviou ao congresso um Projeto de Lei Complementar (PLP) que regulamenta o trabalho dos motoristas de aplicativo que transportam pessoas com veículos de 4 rodas. O PLP 12/2024 é uma farsa, pois está sendo apresentado como uma conquista dos trabalhadores sem ser. Ele é um retrocesso para a categoria e também um laboratório cruel que os governos e patrões estão experimentando novas formas de explorar ainda mais toda classe trabalhadora. Para superar isso, não adianta trocar o político A pelo político B, mas construir um processo de organização da categoria pela base. A ação direta dos trabalhadores pode derrubar qualquer ataque contra seus direitos e conquistar ganhos reais.

Por que o PLP 12/2024 é ruim?

O PLP coloca os motoristas de aplicativo em uma nova categoria: autônomo plataformizado. Isso é uma aberração que coloca mais deveres para o trabalhador, não garante direitos relevantes e ainda protege as plataformas de processos trabalhistas.

O salário mínimo é o primeiro que morre nesta história. Pelo projeto, o trabalhador vai poder trabalhar até 12 horas por aplicativo e receberá 32 reais por hora. Mas atenção, somente irão contar as horas que estiver realizando corrida. O tempo de espera, em que o trabalhador esta disponível, não será contado. Imagine se o supermercado pagasse os caixas somente pelas horas que estão atendendo o cliente, imagine se os frentistas fossem pagos somente pelo momento em que estão abastecendo os carros. Seria um absurdo. Porém, é o que está posto.

Dos 32 reais, apenas 8 serão destinados para remuneração direta do trabalhador, enquanto o resto será destinado para os gastos de manutenção do veículo e combustível. Contraditoriamente, o que era para ser o piso salarial, vai ser o teto de salário por conta que permitirá que as plataformas mantenham o valor das corridas o mais próximo possível destes números através de seu algoritmo.

Inclusive o cálculo para esta remuneração deveria estar vinculado aos preços de combustíveis, porém não é o que temos. O principal insumo para os motoristas pode subir o quanto for, que não haverá correspondência com sua remuneração. Ou seja, se o custo subir de repente, como é comum da variação dos preços de combustíveis, o trabalhador pode chegar a ter que pagar para trabalhar.

Se muitos trabalhadores questionavam a CLT, aqui o negócio ficou é muito mais precário. É o pior dos dois mundos. Nem CLT, nem informal: trabalhar até passar mal.

Cartas marcadas, não tinha como ser diferente.

Uma semente de milho vai dá um pé de milho. Uma sente de feijão vai dá um pé de feijão. Um Grupo de Trabalho Tripartite de patrões (UBER/99), governo (Lula) e centrais sindicais vendidas, não vai dar coisa boa para o trabalhador. Ou seja, este PLP foi gestado e concebido para defender os interesses de quem explora e não de quem trabalha. Os que estavam lá mentindo que representavam os interesses dos trabalhadores não passam de centrais sindicais que representam os interesses dos governos e patrões! Vamos dá nome: Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical (FS), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Não à toa, o projeto de lei regulamenta a representação sindical oficial da categoria. Algo que sem dúvidas entre estas centrais esta sendo disputado com unhas e dentes atrás da carta sindical para garantir sua estrutura burocrática.

Agora, não podemos jogar a água do banho com o menino dentro. O sindicato é nada mais nada menos que os trabalhadores organizados lutando pelo seu direito. Muitas vezes, temos isso com outros nomes: Associações, União, Liga, Organização. O problema é que desde 1931, o povo brasileiro sofre com um modelo de sindicalismo controlado pelo Estado, onde é o Ministério do Trabalho que reconhece qual sindicato vai representar qual categoria em qual base territorial. Isto é chamado de unicidade sindical, algo que só existe em pouco países do mundo. Por isso cada vez mais os sindicatos estão burocratizados e encastelados em sua torre de marfim.

Por isso, concordamos com a revolta dos trabalhadores contra estes sindicatos oficiais, em geral, filiados à Federação Nacional dos Sindicatos dos Motoristas de Aplicativos (FENASMAPP). Contudo, afirmamos sem dúvidas que um outro sindicalismo é possível e que seja sobre nome de associação, sindicato ou união, devemos nos organizar no nosso local de trabalho com autonomia e em aliança com toda a classe trabalhadora.

Superar o projeto dos dois lados políticos

Em resposta ao péssimo PLP 12/2024, parlamentares como: Daniel Agrobom – PL/GO, Silvia Waiãpi – PL/AP, Dayany Bittencourt – UNIÃO/CE, Capitão Alden – PL/BA, Delegado Caveira – PL/PA, Felipe Saliba – PRD/MG, propuseram o PL 536/2024. Propor um PLP melhor que o do governo Lula não deve ser um critério, pois isso é muito fácil. Isso é somente a dinâmica de oposição clássica dos políticos no seu jogo das cadeiras.

Ao invés de propor a regulamentação por hora trabalhada, este PLP propõe por km rodado e minutos ativo após o aceite da corrida, porém sem tarifa mínima nas corridas. Continua a problemática do tempo que o trabalhador fica disponível esperando uma corrida. Além disso, a remuneração mínima de 1,80 por km rodado e 0,40 por minuto em corrida não é suficiente para garantir dignidade para a categoria.

Este lado político sofre do mesmo problema do outro lado: seus interesses vêm primeiro que os interesses dos trabalhadores. Não duvide que isto seja que nem motor de fusca, que só tem arranque. Afinal, não é da caminhada destes parlamentares estarem junto aos trabalhadores em seus enfrentamentos, greves, bloqueios e paralisações. Sua participação é sempre seletiva e estratégica para garantir seus projetos de poder. É tanto, que o partido União, que assina este projeto, recebeu cargos do governo Lula. E o PL sempre faz o espetáculo da oposição, mas quando entra no governo reproduz as mesmas práticas dos coronéis.

Barrar o PLP 12/2024 e construir outra regulamentação a partir da base!

É um dever da classe trabalhadora participar da mobilização nacional de 2 de abril pelo fim do PLP 12/2024. Porém, não podemos dar palco para políticos oportunistas, como a turma do PL, UNIÃO e PRD, que nunca estiveram do lado dos trabalhadores e querem mais é se projetar.

É importante que estas mobilizações produzam outro jeito da categoria se organizar com autonomia e caminhe para uma grande greve geral dos trabalhadores dos transportes. É somente quando pega no bolso que a classe patronal e o governo vão abrir mão dos direitos do povo que estão roubando.

Assim, reivindicamos:

  1. Ganhos reais para os trabalhadores de aplicativo.
  2. Responsabilizar as empresas pelos custos que estão só nas costas dos motoristas.
  3. Segurança para o trabalhador contra o controle arbitrário das plataformas que o desligam sem nem o direito de se defender.
  4. Garantia de uma jornada de trabalho digna que não prejudique sua saúde, sua vida social e nem ponha em risco a vida.
  5. Seguridade previdência com qualidade.

Unir todos os trabalhadores do setor de transportes em uma federação de sindicatos autônomos!

Para combater os oportunistas da esquerda e da direta, convocamos aos motoristas de aplicativo a se organizar na FOB para construir, em todo Brasil, sindicatos autônomos do ramo de transportes. Sem depender políticos partidários ou empresários. Sem depender de nem 1 centavo de imposto sindical ou carta sindical do governo.

Estes sindicatos deverão se organizar nas localidades, na base, construindo um processo de baixo para cima. Até chegar o ponto de construir uma Federação Autônoma de Trabalhadores do Transporte do Brasil. Envolvendo não só os motoristas de aplicativos, mas todos os trabalhadores que transportam pessoas e mercadorias neste país, seja de moto, carro ou caminhão.

Sem fazer acordos de gabinete, este movimento forçará as negociações a partir da ação direta da categoria, trazendo resultados muito mais palpáveis do que estas federações fantasmas.

Acesse e preencha o formulário em lutafob.org/organize-se ! Temos um grande trabalho a fazer.

BARRAR O PLP 12/2024!

CONSTRUIR UMA REGULAMENTAÇÃO DOS MOTORISTAS DE APLICATIVO A PARTIR DA BASE!

ORGANIZAR A GREVE GERAL DO SETOR DE TRANSPORTES PARA ARRANCAR DIREITOS E GANHOS REAIS!

lutafob.org

agência de notícias anarquistas-ana

Disseram-me algo
a tarde e a montanha.
Já não lembro mais.

Jorge Luis Borges

[Espanha] A primeira oficina lançada pela Escola Livre da FAL chega ao fim

No último fim de semana, comemoramos a última sessão da primeira oficina da Escola Livre, a marca registrada da Fundação Anselmo Lorenzo para crianças. Queríamos começar com força esse novo trabalho da fundação e conseguimos.

O interesse pela oficina que desenvolvemos com base no livro de Michael Ende, em colaboração com artistas e professores da Escola de Expressão, superou nossas expectativas. Todas as vagas foram preenchidas, criou-se um grupo entre crianças e adultos, e as famílias participantes já nos pediram novas atividades.

Nós temos isso em mente. A Escola Livre quer se tornar uma referência para crianças e famílias. Neste mundo de reinado absoluto do neoliberalismo, de indivíduos solitários em frente à tela, de legiões de bots fascistas e de intermináveis scrolls tristes, não é fácil gerar espaços de encontro e reflexão em que a generosidade, a solidariedade, a igualdade, a justiça e a capacidade crítica sejam os pilares sobre os quais se desenvolver como pessoa.

“Um grão não faz um celeiro, mas ajuda um companheiro”, diziam nossas avós. Pois bem, aqui está a Escola Livre para dar uma mãozinha na construção de alternativas. Sabemos que nossas capacidades são limitadas e que o enorme trabalho necessário para preparar cada atividade ou oficina infantil é apenas uma gota no oceano das centenas de milhões investidos pela extrema direita internacional para vencer a narrativa social. Mas também sabemos que cada novo espaço gera novos ecos possíveis. Não queremos uma Escola Livre, queremos dez, cem, mil, novos espaços onde possamos nos encontrar e conspirar juntos.

Diante do mundo de egoísmo, medo e individualismo da Securitas Direct, semeamos confiança e generosidade em nossos iguais. Para banir o medo do outro e voltar a confiar na força coletiva. Esse é o nosso objetivo. É aqui que nos encontraremos. Esperamos que mais cedo do que tarde.

fal.cnt.es

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Pernilongo no quarto
Zumbindo sem parar
Não me deixa dormir!

Ana Carolina C. S. Jesus

[Grécia] Campanha de apoio financeiro para cobrir despesas legais de militantes perseguidos

Nos últimos anos, e especialmente após a mudança no poder político da social democracia do SYRIZA – que levou os movimentos a retroceder e regredir – para o governo neoliberal e de extrema-direita do Nova Democracia, a repressão tornou-se uma questão central na agenda política. Para implementar os planos anti-trabalho e anti-sociais do Estado e do capital, foi estabelecido como condição prévia esmagar a resistência de classe social, dissolver frentes e espaços de luta, atacar todas as formas de organização e ação política, social e sindical, e reverter séculos de conquistas dos trabalhadores.

O governo do Nova Democracia, após sua reeleição, visa intensificar ainda mais suas políticas de extrema-direita e neoliberal. Ele continua na mesma direção, atacando a maioria da sociedade com uma nova rodada de reestruturação, mais uma vez visando aspectos essenciais da vida diária das pessoas e da vida social.

Em particular, nos últimos meses, esse ataque tornou-se ainda mais nítido, implementando lentamente, mas de forma constante, um planejamento estratégico de décadas por parte da classe dominante e do Estado, especialmente em setores onde anteriormente era impossível, devido a conflitos de classe ferozes que estavam ocorrendo. A profundidade e a extensão da natureza estratégica-histórica do ataque também podem ser vistas através da série de projetos de lei que foram aprovados recentemente ou estão sendo lançados. O estado grego está avançando com medidas reacionárias, tentando validar legalmente as relações de classe social existentes, fortalecendo ainda mais suas políticas.

Nesse contexto, o acossamento a militantes e a tentativa de erradicá-los através de perseguições não podem ser vistos separadamente do ataque mais amplo à comunidade de luta. Uma posição proeminente na agenda do Estado é a tentativa de impor um silêncio como de cemitério na sociedade e exterminar o que define como o “inimigo interno”.

Na cidade de Patras, a expressão de forte resistência de classe social e política em várias frentes, já desde o período da pandemia de covid-19, e da tentativa de impor políticas proibitivas pelo Estado, levou a inúmeras prisões e perseguições de militantes, entre os quais também membros de nosso grupo anarquista, colocando-os em um estado permanente de refém pela polícia e pelos mecanismos judiciais e criando necessidades financeiras cada vez mais prementes para cobrir as despesas excessivas exigidas pelos julgamentos programados para o futuro próximo. Ao mesmo tempo, há uma perseguição de nossos camaradas pela mídia local visando ao descrédito social mais amplo de nossas ações, bem como os perseguindo até em seus locais de trabalho, uma tática que, obviamente, em combinação com os outros métodos repressivos do Estado, visa criar um quadro sufocante em torno dos militantes sociais que poderia até afetar sua maneira de ganhar a vida, com o objetivo final de sua aniquilação política, moral e material.

Abaixo mencionamos os casos pelos quais os membros de nosso coletivo estão sendo processados, seja individualmente ou junto com outros ativistas:

– As 9 prisões durante a ocupação dos escritórios políticos do partido governante do Nova Democracia em solidariedade à greve de fome do preso político, membro da Organização Revolucionária 17 de Novembro, Dimitris Koufodinas.

– As prisões de 3 ativistas e os processos de outros 8 que participaram de uma marcha em solidariedade a Koufodinas, que foi proibida pela polícia e entraram em confronto com a polícia do lado de fora da ocupação de Parartima.

– Os processos de 3 ativistas após um ataque com tinta vermelha nos escritórios políticos do Nova Democracia como sinal de solidariedade à ocupação “Ntougrou”, em Larissa, que foi evacuada pela polícia no mesmo dia.

– Os processos de 17 ativistas durante mobilizações contra a instalação de turbinas eólicas nas montanhas Agrafa.

– Os processos de 2 ativistas por sua participação em uma mobilização em Tympa contra a instalação de turbinas eólicas.

– O processo de um camarada por escrever um slogan em uma van da tropa de choque em frente à estação de trem de Patras durante um protesto condenando o crime estatal-capitalista em Tempi, que resultou na morte de 57 passageiros de trem.

– A prisão de dois ativistas durante a marcha deste ano em comemoração ao 50º aniversário do levante da Politécnica de 1973.

– A prisão de um camarada durante um protesto contra o projeto de lei do governo sobre universidades privadas. Neste caso, os métodos policiais e judiciais são especialmente notáveis por inflar as acusações com um crime grave baseado em evidências falsas e não comprovadas fornecidas pela polícia.

Avaliando que a repressão se intensificará no próximo período, dado que o Estado será chamado a administrar as consequências criminais da reestruturação que impõe, e a resistência social se intensificará, as necessidades de nosso grupo, bem como do movimento mais amplo, aumentarão materialmente, pois vários ativistas já estão sobrecarregados com despesas legais exorbitantes de mais de 5 mil euros. Isso ocorre junto com as necessidades diárias decorrentes da defesa política de nossas estruturas e lutas.

Por esse motivo, apelamos ao apoio da comunidade de luta tanto em escalas local quanto internacional, a fim de lidar com os encargos adicionais impostos pela repressão estatal.

A solidariedade é nossa arma!

Grupo anarquista “Dysínios Íppos”

Patras, março de 2024

>> Apoie financeiramente aqui:

https://www.firefund.net/patrasolidarity

Tradução > fernanda k.

agência de notícias anarquistas-ana

Lua cheia.
Me dá, me dá!
Chora a criança.

Issa

[Uruguai] Comunicado Anarquistas de Cordón (Montevidéu) frente ao desalojo do local e a continuidade da luta

“Seguimos construindo sonhos sobre ruínas”

Em Cordón viemos trabalhando desde há muitos anos, antes de ocuparmos La Solidaria, desalojada pelo Estado em 2017, na auto-organização que se converteu em uma marca do bairro. Quando esse local foi desalojado, já trabalhávamos no novo, Cordón Norte, aberto à auto-organização local. O projeto de solidariedade organizada, contínua e séria, de todos estes anos, nos fez o que somos. Aprendemos a não temer as incertezas, a lutar pelo que é justo e a confiar no exemplo, acima de tudo. Cremos, porque experimentamos até o cansaço, nas potências coletivas, na força da solidariedade e na construção da liberdade.

Cordón foi e seguirá sendo uma referência de luta auto-organizada e de experimentação social. Imperfeita, por sorte, para seguir desenvolvendo-se, situada em nossa realidade específica, obstinada, contra todo domínio, e baseada na potência das relações livres. Sob um projeto que não tem temor em sujar as mãos, pusemos uma vez ou outra, nossas energias em confiar no que somos e podemos ser.

Hoje deixamos o local de Daniel Muñoz, onde sonhamos e fizemos tanto, onde centenas de pessoas aprendemos juntas que a horizontalidade, o mútuo apoio e o respeito generalizados são possíveis, onde nos equivocamos, aprendemos e voltamos a tentar mil vezes. Onde jamais nos rendemos à desesperança e onde sempre enfrentamos as forças da quietude, da impotência e da resignação.

Hoje nossa luta passa a um novo momento e pomos em prática nosso novo foco, várias de nossas oficinas se relocalizarão, forçados pelo desalojo imposto ao espaço, enquanto que nossa forma interna se reestrutura para poder incidir mais e melhor. A comunidade de luta do Cordón, nossa proposta concreta anárquica de auto-organização, buscará novas dinâmicas e fortalecimento. Montevidéu mudou, o centro da cidade está mudado e devemos transformar-nos também. Nem tudo é escolhido, mas abraçamos as dificuldades sem nos entristecermos e buscando nos potencializar através de nossa ética relacional e afirmativa.

Cordón Antiautoritário buscará ser uma resposta à crescente desigualdade, solidão capitalista e entrega do bairro à especulação. Tentará ser uma resposta anarquista e revolucionária a tanto desassossego social, a tanto derrotismo e falta de projetos. Em todos estes anos, muitos autoritarismos impotentes quiseram nos quebrar, não é a primeira vez tampouco que passamos pelos tribunais, mas sempre a convicção e a solidariedade nos tornaram fortes, não estamos para nos render.

Seguimos com a mesma fúria e convicção, sabemos que em um bairro auto-organizado, ninguém está só e cremos que é hora de ampliar as forças sociais. Nem um passo atrás.

Assembleia de Cordón Norte / Anarquistas de Cordón

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/10/27/uruguai-as-bases-sociais-anarquicas-do-bairro-cordon-de-montevideu/

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Mar agitado —
Estende-se até a ilha de Sado
A Via-láctea.

Bashô

[Espanha] Lançamento: “Un círculo y una A. Anarquismo para jóvenes y adolescentes”, de Héctor C. García

Un círculo y una A. Anarquismo para jóvenes y adolescentes” é o décimo oitavo título da coleção central de La Neurosis o Las Barricadas Ed. Este trabalho de Héctor C. García é uma introdução simples, mas rigorosa às ideias e práticas do anarquismo. Ao longo das páginas desta obra se resolvem as típicas dúvidas sobre a visão que tem o movimento anarquista em relação aos problemas do meio ambiente, da postura ao redor da justiça, do modo de entender a liberdade, das diferenças com outras correntes políticas, dos debates sobre a violência, sobre as críticas à democracia, etc. Tudo escrito de uma maneira que permite uma leitura ágil, sobretudo, às leitoras e leitores mais jovens:

“Un círculo y una A” é uma explicação das ideias básicas do anarquismo. Uma introdução na qual se expõem de maneira clara as críticas ao mundo atual e as propostas para uma sociedade justa, assim como as bases de tal pensamento, desde sua radical defesa da liberdade e da igualdade até a proposta ética.

Não pretende ser o manual definitivo, mas sim uma primeira aproximação para adolescentes e jovens que, como o resto da sociedade, se vêem bombardeados pela propaganda de um sistema, o capitalismo democrático, apresentado como inevitável e sem possibilidade de alternativas.

Ademais, o texto é uma chamada à ação. Uma chamada à auto-organização, sem paternalismos, sem considerar os adolescentes pessoas incapazes, falando-lhes de maneira informal.

Um livro imprescindível para mentes inquietas, para jovens rebeldes, para quem não quer se conformar com a destruição social e ambiental que geram dia após dia o mercado e os governos a seu serviço.

Un círculo y una A. Anarquismo para jóvenes y adolescentes

Héctor C. García

Editorial: La Neurosis o Las Barricadas Ed.

Páginas: 158

Tamaño del libro: 18*14 cm.

Preço: 7 Euros

laneurosis.net

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

árvore morta
no galho seco
uma orquídea

Alexandre Brito