[França] Lutas pela liberdade no Irã, a luta continua

COMUNICADO

Em 16 de setembro de 2022, Jina (Mahsa) Amini, uma jovem curda de 22 anos, foi assassinada pela ditadura dos mulás no Irã. Ela não sobreviveu à brutalidade de sua prisão no dia 13 pela polícia da moralidade, que considerou insuficiente o uso de seu hijab islâmico.

Seu assassinato desencadeou uma onda de protestos que durou mais de 120 dias no Irã. O slogan “Mulher, Vida, Liberdade” foi entoado em todos os idiomas falados no Irã. A resposta do regime islâmico continuou a ser a repressão sangrenta: mais de 600 pessoas morreram nas ruas, muitas delas mulheres (como Hadis Najafi, Nika Shakarami, Ghazaleh Chalabi) e 20.000 foram presas. Pelo menos seis prisioneiros políticos presos durante o movimento foram executados.

As mulheres iranianas sempre resistiram às leis criminais, ditadas pela religião, que o poder patriarcal, o poder do Estado na esfera pública e o poder da família na esfera privada, impõe a elas como um dogma. Há muitas mulheres presas políticas, como Zeynab Jalalian, condenada à prisão perpétua, que está na prisão há 16 anos, e Golrokh Ebrahimi Iraee, já condenada a 5 anos de prisão por fazer campanha contra o apedrejamento e a pena de morte (cerca de 15 mulheres são enforcadas todos os anos), que foi presa em 26 de setembro de 2022 por sua participação nos dias de revolta.

Após as manifestações de rua, a luta revolucionária continuou de outras formas, assim como a repressão: foram decretadas prisões preventivas em círculos militantes, 12 somente em 16 de agosto em cidades do norte do país, 11 das quais de mulheres. Entre elas, Jelveh Javaheri e Forough Saminia, que sofrem de osteoartrite e diabetes, mas o regime prisional não permite o acesso a medicamentos ou cuidados urgentes.

O país registrou outras lutas sociais: manifestações por aposentadorias, protestos na mina de carvão de Tabas e no setor de saúde (principalmente de mulheres) em Isfahan, greves de trabalhadores da Machine Sazi em Arak, e assim por diante.

Quatro longas décadas sob o domínio de um Estado teocrático agravaram os problemas sociais, econômicos, políticos e culturais no Irã a tal ponto que uma revolução se tornou a única maneira possível de libertar as mulheres iranianas e a sociedade como um todo.

A Federação Anarquista se solidariza com as mulheres iranianas que lutam pela liberdade, que são vítimas de discriminação, restrições, proibições, opressão, repressão, ameaças, advertências das autoridades, violência, tortura e execuções, e com os iranianos que apoiam essa luta à custa de sua própria liberdade e de suas próprias vidas. Pois, como disse Mikhail Bakunin, pensador anarquista e cofundador do anarquismo organizado: “Só sou verdadeiramente livre quando todos os seres humanos ao meu redor, homens e mulheres, são igualmente livres. A liberdade dos outros, longe de ser um limite ou negação de minha liberdade, é, ao contrário, sua condição e confirmação necessárias”.

16.09.2023, Relações Internacionais da Federação Anarquista

www.federation-anarchiste.org

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agência de notícias anarquistas-ana

a luz do poente
escala a alta montanha;
no cume será a noite.

Alaor Chaves

[Espanha] Solidariedade e força para Marrocos

Comunicado da CNT Jerez ao povo marroquino ante os desastres do terremoto e a incompetência e negligência governamental

Desde nosso sindicato de classe queremos mandar uma sincera mensagem de ânimo, força e solidariedade a nossos/as irmãos/ãs marroquinos nestes funestos dias e, em especial, à classe trabalhadora e às pessoas pobres (indistinguíveis na maioria dos casos) que viram como, tanto durante o terremoto, como nas consequências posteriores, foram neles e sobre eles que recaíram a maior parte da dor pelas perdas de vidas e o desespero pela carência de recursos com os quais subsistir e enfrentar o dia a dia. Umas terras devastadas pela pobreza e a corrupção impostas pelo governo e a monarquia, onde o terremoto acabou de uma vez com uma sociedade onde se vive no dia a dia.

O povo marroquino é forte e laborioso e saberá sair da catástrofe que está sofrendo, sem o apoio das instituições, corruptas e inoperantes, que padece. Mas já é hora de que a classe trabalhadora tire conclusões sobre questões que se repetem ano após ano, desastre atrás de desastre, crise atrás de crise, em muitas partes do mundo. Sim, porque o que realmente nos mata é a pobreza, a falta de recursos e a injustiça social…

Aos/as marroquinos os/as sepultaram suas paupérrimas e deficientes casas…

Os/as marroquinos seguem ali enterrados/as devido a umas inexistentes infraestruturas e a ausência de serviços, meios e planos de resgate…

Os/as marroquinos estão sedentos e famintos esperando umas ajudas governamentais que nem existem nem se espera…

O rei do Marrocos não sentiu os violentos tremores do terremoto em seu palacete do distrito VII de Paris, a 700 metros da torre Eiffel, onde reside habitualmente. E, ao que parece, tampouco sentiu os desastres materiais e a grande perda humana que assola seu povo…

O terremoto só acelerou a um nível atroz o desastre de uma sociedade de subsistência, que vê como seus filhos/as jogam a vida no mar, para acabarem escravizados em umas terras europeias que os/as desprezam por pobres (há que recordar que os xeiques são “bons”… porque são ricos) e depredam sua força vital e capacidade humana, como decrépitos/as nosferatus capitalistas.

As classes trabalhadoras só tem a si mesmas e a Solidariedade é sua arma mais poderosa frente às adversidades e aos abusos do poder. Aprendamos a lição de uma vez.

Trabalhadoras e trabalhadores do mundo uni-vos!

Solidariedade com o povo marroquino!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/Solidariedade-y-força-para-Marrocos/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

os raios de sol
iluminam de manhã
o velho farol

Carlos Seabra

[Espanha] Milei e a mistificação “libertária”

O triunfo de um certo Javier Milei (ou quase) nas eleições argentinas nos traz mais confusão política em uma época não exatamente propensa à ativação de neurônios. Até mesmo o jornal El País, tremendamente esquerdista, é capaz de tachar de “libertário” alguém que não passa de um (ultra)liberal vulgar, mesquinho e oportunista; infelizmente, algo que não isenta o jornal espanhol, a própria força política que encabeça esse elemento chama-se Partido Libertário e não são poucos os meios de comunicação no mundo que têm a pouca vergonha de tachar Milei, inclusive, de anarquista. Além da distorção da terminologia, que foi ajudada não pouco pela estupidez presente nas redes sociais, poderíamos nos sentir tentados a descrever a massa de argentinos que votou em tal elemento como idiotas e ovelhas. Não faremos isso, já que nesse país inefável chamado reino da Espanha também temos nossas próprias características quando se trata de colocar um pedaço de papel na urna eleitoral, e faremos todos os esforços para tentar esclarecer esse absurdo.

E o fato é que o possível novo presidente da Argentina se considera um anarcocapitalista, já que é muito provável que, quando assumir o poder, ele se dedique a desmantelar o Estado para que o livre mercado possa ter livre domínio. Sim, isso é sarcasmo. Alguns argumentam que não haveria capitalismo sem o Estado para protegê-lo, portanto, concluam por si mesmos. Por outro lado, tentando colocar um ponto mais fino na questão, há aqueles que descreveram pessoas como Milei como anarquistas de “direita”, mas estamos entrando no reino do oximoro, como acontece com aquela falácia pré-escolar que eles chamam de anarcocapitalismo. No entanto, como o termo “esquerda” é tão difuso e confuso neste momento pós-moderno, é absolutamente desnecessário acrescentar algo esclarecedor à bela acracia. E, antes de mais nada, vamos apontar o mais óbvio: estamos falando de um sujeito que se candidatou às eleições com pretensões de líder carismático e demagógico, que não tem nada a ver com nenhuma corrente genuinamente libertária, cada uma das quais sempre esteve comprometida com a autogestão social, o apoio mútuo e a horizontalidade. Por outro lado, o anarquismo é ferozmente antiautoritário, porque não há espaço para a exploração do trabalho alheio, que é tão cara a essa ralé, bem vestida com uma retórica enganosa.

Lembro-me daquela piada gráfica do brilhante El Roto, talvez em homenagem consciente ou inconsciente ao bom Proudhon, que dizia que aqueles que defendem mais fervorosamente a propriedade privada são os que mais roubam. De fato, e se há uma instituição que protege fervorosamente o privilégio e a propriedade privada (de poucos), é o papai Estado, por mais que certos esquerdistas queiram apresentá-lo a nós apenas com sua face protetora. Os anarquistas clássicos já insistiam nisso, e talvez não possamos permitir que a confusão pós-moderna nos faça olhar para o outro lado: a antítese governante/governado é o correlato do proprietário/despossuído (cito sem a intenção de ser literal, é claro, e acrescento algumas palavras minhas). Milei, e tantos outros representantes da pior face do liberalismo, se esforçam para exercer a liberdade diante de uma esquerda supostamente totalitária.

O anarcocapitalismo, insisto, é uma mistificação vulgar, mas até mesmo em suas propostas teóricas para o suposto desaparecimento do Estado, eles só querem colocar suas instituições coercitivas, a polícia e a justiça, em mãos privadas (talvez não muito diferente das oligarquias políticas disfarçadas de democracias que sofremos). Certamente, eu mesmo entro no campo da confusão quando chamo essas pessoas de ultraliberais, já que estamos falando de ideias bastante multifacetadas (as liberais), é justo dizer. De fato, o próprio anarquismo, o verdadeiro anarquismo, que está comprometido com a solidariedade como parte inalienável da liberdade, há muito tempo assumiu todas as coisas boas que o liberalismo tem a oferecer.

Juan Cáspar

Fonte: http://acracia.org/milei-y-la-mistificacion-libertaria/

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Teu azul profundo,
nos olhos do cristal tímido,
cintila o mundo

Fred Matos

[EUA] Procurador-geral do estado da Geórgia apresenta acusações da RICO contra 61 ativistas

Relatório do Atlanta Community Press Collective (ACPC) sobre as acusações draconianas da RICO [lei anticrime] apresentadas contra ativistas pelo gabinete do Procurador Geral da Geórgia.

O Gabinete do Procurador Geral da Geórgia apresentou acusações da RICO (organizações corruptas e influenciadas por extorsão) contra 61 indivíduos que supostamente fazem parte do Movimento Stop Cop City.

As acusações foram registradas em 29 de agosto, mas passaram despercebidas até que o Atlanta Community Press Collective divulgou a história no X, a plataforma anteriormente conhecida como Twitter, na manhã de terça-feira.

As acusações da RICO são o último evento em um movimento de protesto de anos contra o Centro de Treinamento de Segurança Pública de Atlanta, apelidado de “Cop City” pelos oponentes.

Os ativistas do Movimento Stop Cop City alertaram há muito tempo que as acusações da RICO seriam usadas contra o movimento. O Atlanta Solidarity Fund emitiu um comunicado à imprensa em 27 de fevereiro anunciando que os indiciamentos da RICO estavam próximos. A Atlanta Police Foundation, organização responsável pela construção do Centro de Treinamento de Segurança Pública de Atlanta, informou ao seu Conselho de Administração e aos empreiteiros do projeto que esperava indiciamentos contra os ativistas do Stop Cop City no início de fevereiro.

“A noção de que a RICO seria invocada para punir manifestantes envolvidos em um desafio amplamente apoiado a uma decisão do governo é um salto gigantesco na direção errada”, disse o advogado Don Samuel em fevereiro. “Ameaçar manifestantes pacíficos com a apreensão de seu dinheiro e uma sentença de vinte anos de prisão não apenas zomba do propósito do estatuto, mas representa um ataque aos direitos mais importantes e estimados de todos os cidadãos americanos: o direito de protestar, o direito de buscar reparação de queixas, o direito de alistar amigos, colegas e a comunidade para mudar a política do governo porque os cidadãos querem mudanças.”

Três organizadores do Atlanta Solidarity Fund que foram presos e acusados de fraude de caridade em maio também estão incluídos nas acusações. O processo de acusação de 109 páginas pinta amplamente os organizadores do Fundo de Solidariedade como o centro da conspiração da RICO, culpando os três por cada publicação no site scenes.noblogs.org, reembolsando supostos co-conspiradores indiciados e não indiciados por vários suprimentos. Além das acusações da RICO, cada um dos três organizadores do Fundo de Solidariedade também foi acusado de 15 acusações de lavagem de dinheiro em transações que remontam a 12 de janeiro de 2022, por apenas US$ 11,91 para a compra de cola.

Todos os 43 indivíduos anteriormente acusados de terrorismo doméstico estão listados na acusação. Outros indivíduos indiciados incluem três que foram presos em abril enquanto supostamente distribuíam panfletos com os nomes dos policiais da Patrulha do Estado da Geórgia que mataram o ativista ambiental Manuel “Tortuguita” Paez Teran em janeiro; cinco presos por invasão criminosa na Floresta Weelaunee em maio de 2022; e pelo menos três presos no Condado de Cobb protestando contra a empresa de construção Brasfield & Gorrie, os empreiteiros gerais do projeto de construção do Centro de Treinamento de Segurança Pública de Atlanta.

Várias pessoas sem prisões anteriores associadas ao movimento Stop Cop City também foram incluídas nas acusações da RICO.

A acusação contém dezenas de alegações de atos que vão desde o lançamento de coquetéis molotov até um indivíduo que assina seu nome como “ACAB”. Os promotores não forneceram nenhuma prova dessas acusações em um tribunal aberto.

Um dos indivíduos acusados na conspiração RICO é Thomas Jurgens, que estava atuando como observador legal em um festival de música em 5 de março. Jurgens foi preso enquanto usava um boné amarelo brilhante que o identificava como observador legal.

O Southern Poverty Law Center, onde Jurgens trabalha como advogado da equipe, emitiu uma declaração após a prisão de Jurgens em março, dizendo: “Estamos indignados com o fato de os policiais presentes no protesto terem se recusado a reconhecer o papel de Tom como observador legal e, em vez disso, terem optado por prendê-lo. Estamos confiantes de que as evidências demonstrarão que Jurgens estava agindo como observador legal em um festival de música em 5 de março. Estamos confiantes de que as provas demonstrarão que ele era um observador legal pacífico”.

Todas as acusações da RICO são datadas de 25 de maio de 2020, a data em que George Floyd foi assassinado por policiais de Minneapolis. Em audiências de fiança anteriores para ativistas do Stop Cop City, o procurador-geral adjunto John Fowler argumentou que o movimento Stop Cop City está diretamente ligado à Revolta de George Floyd, que ocorreu no verão de 2020. O processo de acusação alega que a zona autônoma criada pelos manifestantes após o assassinato de Rayshard Brooks pelo policial Garrett Rolfe, do Departamento de Polícia de Atlanta, em um estacionamento da Wendy’s, também está ligada ao movimento Stop Cop City.

Scott McAfee, o juiz originalmente designado para o caso RICO, se recusou na terça-feira. O processo de recusa de McAfee afirmava que ele havia “colaborado regularmente com a Divisão de Acusação do Gabinete do Procurador Geral do Estado da Geórgia e discutido aspectos da investigação que levou a essa acusação”, enquanto ocupava seu cargo anterior no Gabinete do Inspetor Geral do Estado da Geórgia (OIG).

De acordo com seu site, “o Escritório do Inspetor Geral do Estado da Geórgia promove a transparência e a responsabilidade no governo estadual”. Não está claro por que McAfee estava colaborando com o Gabinete do Procurador Geral enquanto trabalhava no Gabinete do Inspetor Geral.

Greg Bluestein, do Atlanta Journal Constitution, informou que o grande júri usado para indiciar o ex-presidente Donald Trump e seus associados por acusações da RICO em agosto também foi usado para indiciar os ativistas do Stop Cop City. Embora as acusações de Trump estejam sendo processadas pelo promotor público do condado de Fulton, Fani Willis, o escritório do promotor público de Fulton não parece estar processando os casos da RICO da Stop Cop City.

Os casos da RICO de Fulton não são os únicos casos que o Gabinete do Procurador Geral da Geórgia estará processando contra os ativistas do Stop Cop City. Em junho, a promotora do condado de DeKalb, Sherry Boston, anunciou que seu escritório estava desistindo de processar 42 casos relacionados ao movimento Stop Cop City. “Está claro para mim e para o Procurador Geral que temos filosofias de acusação fundamentalmente diferentes”, disse Boston a Rose Scott, da WABE.

Boston declarou que não acreditava que as acusações seriam válidas contra todos os manifestantes e disse que seu gabinete “só daria prosseguimento aos casos que eu acreditasse poder apresentar além de uma dúvida razoável”.

A Coalizão Cop City Vote – a organização por trás de uma iniciativa de referendo que busca cancelar o contrato de aluguel do Centro de Treinamento de Segurança Pública de Atlanta, no centro do Movimento Stop Cop City – emitiu um comunicado à imprensa condenando as acusações, que chamou de “autoritárias”.

“A coalizão Cop City Vote condena veementemente essas acusações antidemocráticas”, diz o comunicado à imprensa. “Não seremos intimidados por homens fortes sedentos de poder, seja na prefeitura ou no gabinete do procurador-geral. Chris Carr, procurador-geral da Geórgia, pode tentar usar seus promotores e seu poder para construir sua campanha para governador e silenciar a liberdade de expressão, mas suas ameaças não silenciarão nosso compromisso de defender nosso futuro, nossa comunidade e nossa cidade.”

O Southern Center for Human Rights (SCHR) emitiu uma convocação de advogados para representar aqueles que estão enfrentando acusações da RICO.

“Estamos buscando urgentemente advogados licenciados do estado da Geórgia disponíveis para representar os membros da comunidade e cumprir nossa missão de proteger o direito à dissidência”, anunciou o SCHR na plataforma X.

Nenhum dos 61 indivíduos indiciados foi preso pelas novas acusações até a tarde de terça-feira.

Fonte: https://itsgoingdown.org/georgia-attorney-general-brings-rico-indictments-against-61-activists/

Tradução > Contrafatual

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agência de notícias anarquistas-ana

Dentre os arvoredos
Apenas algumas réstias.
Sol aprisionado.

Franciela Silva

|| Indú$tria da morte || Brasil participa de feira de defesa e segurança em Londres

Entre os dias 12 e 15 de setembro, foi realizado em Londres, na Inglaterra, a DSEI 2023 (Feira Defense & Security Equipment International), uma das principais feiras de armamentos do mundo.

O Brasil participou do evento com um estande próprio, organizado pela ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança) com promoção da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção, de Exportações e Investimentos) do Ministério de Defesa do Brasil.

O evento reuniu representantes das indústrias, autoridades de governos e de Forças Armadas de vários países e mais de 2.800 fornecedores de defesa e segurança.

O Pavilhão Brasil contou com a presença de 12 empresas que atuam em diversos segmentos da indústria de defesa que “buscavam oportunidades de negócios internacionais com países da União Europeia, Oriente Médio, Ásia e África”.

A inauguração da feira contou com a presença do Embaixador do Brasil em Londres além de autoridades civis e militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

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agência de notícias anarquistas-ana

um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

 

2ª Feira Anarquista no Rio de Janeiro

Suave? Tranquilo?

Vai se preparando, pois vem aí a 2ª Feira Anarquista no Rio de Janeiro. Será no dia 28 de outubro, das 11h às 20h, na Motim, localizada na rua Justiniano da Rocha, n° 466, em Vila Isabel, a 10 minutos (ou menos) de distância da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e da estação de trem do Maracanã

A realização da feira é uma conjuração das forças da Edições Tormenta, da Motim (que novamente disponibilizará o espaço), do Centro de Investigações Libertária para a Emancipação Proletária (CILEP-CARA) e do apoiador Instituto de Estudos Libertários-IEL. A feira é um momento de encontro entre velhos e novos amigos, para formar novas amizades. É um momento intergeracional, com pessoas mais velhas e mais novas compartilhando espaço. Portanto, crianças e idosos são muito bem-vindos!

As inscrições para feirantes já estão abertas desde o dia 1° de setembro e vão até o dia 30. Basta escrever para ielibertarios@gmail.com.

Anarquismo não é bagunça! Sexismo (lesbo/homo/bifobias e transfobia incluídos), racismo, especismo (o preconceito de que há uma hierarquia entre espécies que justifica a exploração de uma por outra), capacitismo (preconceito da inferiorização de corpos com diversidade funcional, como pessoas surdas, mudas, gagas, cadeirantes etc.), etarismo (preconceito relacionado à diferença entre idades) não serão tolerados.

Nos vemos lá!

agência de notícias anarquistas-ana

Saúde & abraço!
tão longa a jornada!
e a gente cai, de repente,
no abismo do nada

Helena Kolody

Conferências de Carlos Taibo em Portugal | 20, 21 e 22 de setembro

Neste mundo em mudança, cada vez a perplexidade é maior. As desigualdades sociais, as alterações climáticas, as diferenças entre um litoral superpovoado e um interior desertificado, um norte próspero e um sul cada vez mais miserável, obrigando milhões de seres humanos a migrarem, sem o mínimo de condições, para uma Europa imaginada, com o Mediterrâneo transformado num autêntico cemitério, não param de se agravar.

Tudo isto, em conjunto com a delapidação irreversível dos recursos naturais, torna inevitável o Colapso. Social. Ambiental. Civilizacional.

Carlos Taibo foi durante mais de 30 anos professor de Ciência Política na Universidade Autónoma de Madrid e é autor de cerca de uma centena de livros, com uma temática diversificada. Conhece em detalhe a situação em que hoje sobrevivemos e antecipa perigos – como o ecofascimo, e soluções – como a necessidade de olhar com outros olhos para o sempre reafirmado crescimento económico ou para a necessidade de descentralizar e descomplexizar as relações da vida em sociedade.

Falante de galego, é um exímio cultivador da língua portuguesa e as suas conferências em toda a Península Ibérica, seja em universidades ou em coletividades populares ou sindicatos, são seguidas por milhares de pessoas.

Nos últimos anos saíram vários livros seus em Portugal, destacando-se “Colapso: capitalismo terminal, transição ecossocial, ecofascismo”, Letra Livre/Jornal Mapa, 2019 (já esgotado) e “Ibéria Esvaziada – Despovoamento, Decrescimento, Colapso”, Letra Livre, 2022.

Carlos Taibo vai estar no Algarve nos próximos dias 20 de setembro (Faro), 21 (Portimão) e Alentejo Litoral, 22 (São Luís) para abordar estes temas em conferências abertas a todos e a que se seguirá um período de debate, com o apoio de vários coletivos locais e de instituições como a Associação Recreativa e Cultural de Músicos, em Faro, o Clube União, em Portimão, o Espaço Nativa (sede da Regenerativa Cooperativa Integral), em São Luís, ou o jornal MAPA. A organização é do Comité Custódio Losa, da Tertúlia José Buísel, da Regenerativa Cooperativa Integral e do jornal MAPA.

Esperamos-te numa das sessões. Entrada livre em todas elas.

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2023/09/11/20-21-e-22-de-setembro-carlos-taibo-conferencias-no-algarve-e-no-baixo-alentejo-alteracoes-climaticas-colapso-decrescimento-a-iberia-esvaziada-turismo-massificado-no-litoral-versu/

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agência de notícias anarquistas-ana

A abelha voa vai
vem volta pesada
dourada de pólen

Eugénia Tabosa

[Espanha] Êxito na Iª Edição do Festival de Teatro Social de Hellín

Desde a Editora Anarcossindicalista Aurora Negra e desde a CNT-AIT de Hellín queremos manifestar a toda a classe trabalhadora nossa satisfação com o resultado da Iª Edição do Festival de Teatro Social de Hellín, que se celebrou durante todo o dia 26 de agosto.

Desde a primeira hora da tarde, a jornada contou com quatro atividades programadas, nas quais se apresentaram duas edições de livros e a interpretação de duas obras de teatro.

A primeira apresentação começou às 12h00 no Ateneu Libertário de Hellín, no qual se apresentou o livro “Antología Literaria de Ricardo Flores Magón. Cuentos y Obras de Teatro en la prensa Anarquista“. A apresentação ficou a cargo de uma companheira e um companheiro da Editora Anarcossindicalista Aurora Negra.

Começou com a companheira falando da Editora e do trabalho de Edição que estava se levando a cabo desde a Aurora Negra. Aprofundou na necessidade de gerar uma cultura obreira anarquista, que possa desenvolver entre a classe trabalhadora umas referências, uns valores, uma psicologia e uma série de experiências de luta, dirigidas a respaldar a militância obreira contra o Estado e o capital.

Nessa linha, falou o companheiro que passou a apresentar a obra de Ricardo Flores Magón. Falou sobre a vida de Ricardo Flores Magón, o Partido Liberal Mexicano e o jornal Regeneración, mas sobretudo falou da capacidade de Ricardo como escritor e jornalista, e das características específicas de sua obra, tanto em seus Contos como em suas Obras de Teatro. Finalmente foram lidos dois dos contos de Magón incluídos na Edição. Ao término da apresentação se originou um debate sobre as edições da Editora e sobre a figura de Ricardo Flores Magón.

Depois de comer, no meio da tarde se retomaram os atos da jornada e se apresentou o livro “El teatro anarquista después de la segunda Guerra Mundial. El Living Theatre y el Laboratorio de Ensaios“. O livro foi apresentado por um companheiro da Editora La Neurosis o Las Barricadas, que tinha vindo expressamente desde Madrid para apresentar o livro.

O companheiro nos apresentou uma de suas últimas obras editadas e sua palestra se centrou principalmente nas características do teatro anarquista antes e depois, da Segunda Guerra Mundial e os valores e referências que o teatro anarquista havia conseguido desenvolver depois de tantos anos de repressão ao movimento libertário por parte das ditaduras e dos totalitarismos.

Como sempre, a apresentação dos livros da Editora La Neurosis o las Barricadas não deixaram ninguém indiferente, e o conferencista desenvolveu o tema durante várias horas.

Nos alegrou muitíssimo ver, entre os participantes, pessoas que tinham vindo expressamente para o Festival procedentes de Jumilla, Alcoy, Albaida, Yecla, Villarrobledo, Albacete e como não, também de Hellín.

Ao terminar a apresentação, tudo se dispôs para a inauguração da sessão de teatro que começaria às  21h30 na Plaza de las Monjas. No entanto, as obras de teatro começaram com um pouco de atraso devido à ameaça de chuva, mas finalmente se passou à inauguração dos pontos fortes do Festival.

Inaugurava-se a sessão de Teatro com a obra: “El Soldado. Tierra y Libertad”, uma adaptação teatral de um conto e uma obra de teatro de Ricardo Flores Magón, realizada pela Compañía de Teatro La Trenza de Esparto, para esta ocasião.

A interpretação da Compañía La Trenza de Esparto foi maravilhosa, excelente a encenação, onde a obra veio a destacar os valores do teatro magonista: a bondade, o amor, o sacrifício, e a rebeldia da classe obreira, frente ao mundo da soberba, do autoritarismo, da imoralidade e da violência do Estado pelo outro, características todas estas últimas da sociedade burguesa.

A música ao vivo e uma interpretação estupenda, onde as cenas foram de grande valor e significado. Ao término da primeira obra, os companheiros da Compañía saudaram toda a classe trabalhadora que havia se reunido para ver o ato, que lhes abriu os braços e os ovacionou por seu trabalho, e os animou a seguir.

Ao terminar a primeira obra, a Compañía de Teatro Títeres desde Abajo terminava de preparar-se para começar sua obra “La Bruja y Don Cristóbal”.

A interpretação foi excelente também. Nela pudemos ver refletidas a precariedade da classe obreira, o problema da moradia, o assédio e a violência contra a mulher, o papel da Igreja na moral hipócrita, e a repressão policial e judicial contra o anarquismo e os movimentos sociais. Sem dúvida uma obra de teatro de marionetes que integra perfeitamente: drama, humor, e muita marionete.

Ao terminar a obra, os atores saudaram e o público ovacionou a companhia e sua interpretação.

Ao término da mesma, se deu por concluída a Iª Edição do Festival de Teatro Social de Hellín. A organização do evento saudamos a todo o público e, devido aos bons resultados do Festival, nos despedimos do ato, recordando que voltaríamos a nos encontrar na IIª Edição do Festival de Teatro Social de Hellín que se realizará no ano que vem e que se repetirá nas mesmas datas.

Durante os seguintes dias recebemos toda uma série de felicitações pelo resultado do Festival, e respondemos a todas e todos, que tanto a Editora Anarcossindicalista Aurora Negra e como a CNT-AIT de Hellín haviam adquirido um sério compromisso de trabalhar por uma cultura obreira anarquista, por um Teatro Social comprometido e pela difusão da cultura libertária.

Não podemos deixar passar a colaboração de José Antonio Maciá que se encarregou de realizar uma foto-reportagem de todas as atividades da jornada, e assim lhe agradecemos também aqui.

Para acabar, agradecemos a todas as pessoas que foram aos atos, a nossos incondicionais colaboradores, a Editora La Neurosis o las Barricadas, e as Compañías de La Trenza de Esparto e a Títeres desde Abajo, já que sem elas a Iª Edição del Festival de Teatro Social de Hellín não teria sido possível.

PELA CULTURA OBREIRA ANARQUISTA

>> Mais fotos: https://cntaitalbacete.es/2023/09/cultura-exito-en-la-ia-edicion-del-festival-de-teatro-social-de-hellin/

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

caminho de terra,
o mato à margem exala
perfumes silvestres

Zemaria Pinto

[Espanha] Mais salas de apostas? A Junta de Castilla y León anuncia 36 novas concessões

Esta semana o conselheiro de Presidência da Junta de Castilla y León anunciava nada mais e nada menos que 36 novas salas de apostas. Como se fosse o grande prêmio de Natal ia se anunciando a quantidade que iria para cada província.

7 em Valladolid, 6 em Salamanca, 4 em Burgos, León, Palencia e Zamora, 3 em Segovia e Soria e 1 em Ávila. Mas dessas 36 novas concessões nem tudo são salas de apostas, há um novo conceito dentro desta nova adjudicação: “cantos de apostas em salões de jogo”. Basicamente são locais para apostar no que antes eram unicamente bingos, salões com caça-níqueis…

Um problema político

Contam Luís Díez e Daniel Díez Carpintero em seu livro “¡Jugad, jugad, malditos!” como o Partido Popular de Castilla y León teceu redes com as empresas do jogo. Um dos mais destacados nestas desprezíveis manobras é Andrés José Ayala Sánchez que curiosamente foi o chefe de ética do Partido Popular, mas há muitos mais exemplos em seu livro. Tudo cheira a possíveis financiamentos irregulares e prevaricadores no Partido Popular. Mas o PSOE não fica atrás. Podemos recordar como o que hoje é o garantidor progressista da moda, José Luis Rodríguez Zapatero, aprovou a chamada Lei de Regulação do jogo. Essa Lei foi a que abriu lá por 2011 a veda e com a qual começou a lacra das apostas. Também podemos falar do “XVI Congresso do jogo de Castilla y León” que se celebrou durante 2019 na província de Burgos, concretamente em Aranda de Duero. A este evento organizado pela patronal do jogo foram numerosos políticos, entre eles também dirigentes do PSOE de Castilla y León.

Repressão e mão dura

Mas o “XVI Congresso do jogo de Castilla y León” não só foi conhecido por sua afluência de políticos e pessoas relevantes. Também o foi pela atuação policial. Apesar dos pacíficos protestos se deteve uma pessoa e aplicaram multas de 601€ a 4 pessoas sem razão.

Outro processo que tentava castigar aos que protestam contra o jogo foi o que pôs 5 pessoas no banco dos réus de um tribunal de Burgos. As más artes destes empresários sem escrúpulos acabaram com acusações nos tribunais, metade falácias metade exageros que apesar de serem rejeitados pela instrução finalmente foram admitidos. Estes empresários conseguiram instrumentalizar a justiça para aplacar e distrair os protestos contra a abertura de uma sala de apostas na Avenida Derechos Humanos situada no bairro de Gamonal. Finalmente, após meses de espera, as 5 pessoas foram absolvidas. Hoje podemos assegurar que foi um caso de “direito” contra parte dos movimentos sociais que sustentam a luta contra o negócio do jogo em Burgos, uma situação indignante.

A estranha situação burgalesa

Provavelmente graças aos numerosos protestos que aconteciam em Burgos o PSOE decidiu modificar o Plano Geral de Ordenação Urbana (PGOU) para paralisar a abertura de novos locais de apostas. Não obstante finalmente o PGOU foi aprovado com o apoio de todos os grupos políticos sem exceção. Esta medida foi recebida com agrado pela cidadania, apesar de considerar-se insuficiente para lutar contra o incremento do jogo patológico.

Mas a modificação fez com que o governo autônomo denunciasse ao conselho. Como se fossem poucos os sinais da amizade da direita castellanoleonesa com a patronal do jogo. O Tribunal Superior de Justiça de Castilla y León (TSJCyL) terminou falhando a favor da Junta de Castilla y León mas a sentença albergava esperanças, já que o TSJCyL pedia que a proibição se fundamentasse mais. A Prefeitura havia apresentado informes da Associação Burgalesa de Reabilitação do jogo Patológico (ABAJ) mas esta associação está longe de ter os meios para poder apresentar dados que justifiquem a medida. Ante a falha do TSJCyL se interpôs um recurso frente ao Tribunal Supremo (TS) que foi aceito. O simples fato de que tenha sido aceito alberga esperanças, indica que o TS têm interesse no problema e desde o ponto de vista jurídico não é fácil ter conseguido isto. Ademais a situação atual obriga a Junta de Castilla y León a nomear-se para defendê-lo.

Pelo momento sem mais salas

O recurso frente ao TS paralisa tudo. Burgos não abrirá mais nenhuma sala de apostas, enquanto o TS não se pronuncie. Não obstante ante uma sentença desfavorável do TS o conselho poderia aprovar de novo a medida se fundamentada com um estudo sério que justifique frente ao TSJCyL que há razões para proibir a abertura de mais salas de apostas. Mas nada disto parece provável, a Prefeitura de Burgos caiu em mãos do PP e VOX com o que se crê que se abandonará a luta judicial. Provavelmente isto permitirá à patronal do jogo continuar abrindo salas de apostas na capital burgalesa, a incógnita é quando e como. Talvez dessas 4 novas salas de jogo que o governo de Valladolid decidiu outorgar à província de Burgos umas quantas caiam em Burgos.

São maus tempos para a luta contra o jogo patológico em Burgos. Nenhum juiz nem político acabará com o insano e desapiedado negócio das apostas enquanto nem tú nem eu saiamos à rua.

Fonte: https://diariodevurgos.com/dvwps/mas-salas-de-apostas.php

Tradução > Sol de Abril

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agência de notícias anarquistas-ana

o rio ao lado da estrada
corre
ri à gargalhada

Eugénia Tabosa

AFA Suécia: 30 anos – Os antifascistas nunca morrem!

O que esperávamos que fosse a festa do ano realmente se tornou a festa do ano, e muito mais. A Antifascist Action é hoje um dos grupos de rua mais antigos da Suécia, e sobrevivemos a todas as organizações fascistas. Nossa receita de sucesso sempre se baseou na solidariedade e na comunidade, algo que os nazistas nunca conseguirão entender.

Obrigado a todos que vieram e apoiaram, e a todos que contribuíram de alguma forma durante esses 30 anos. Agradecimentos especiais à AFA Paris-Banlieue, AFA Copenhague, AFA Oslo, Varis verkosto Finlândia e Aurora Finlândia. Vocês são nossos companheiros para sempre. Vamos em frente por mais 30 anos.

antifa.se

agência de notícias anarquistas-ana

lua nublada
no alto da montanha
a solitária árvore

Alonso Alvarez

[Espanha] Notas sobre a Autodefesa

Por Rosa Fraile

A QUESTÃO da Autodefesa feminista não é nada novo. Vem de longe. As sufragistas inglesas já se formavam em técnicas de Jiu-Jitsu como Autodefesa para enfrentar as violências policiais. Foi Edith Margaret Garrud, mestra em artes marciais, que desde 1908 até o estouro da 1ª Guerra Mundial, organizou classes especializadas em técnicas de Autodefesa para mulheres sufragistas. Em pouco tempo eram capazes de safar-se da garra policial e escapavam.

Décadas depois, na segunda onda feminista, a associação Wen-Do Women’s Self Defence, nasce com o fim de ensinar Autodefesa às mulheres. Mas agora o objetivo era poder fazer frente às agressões machistas usando o método Wen-do. Desde então foi uma série incessante de técnicas diferentes que serviram para aportar fortaleza, empoderamento e segurança às mulheres.

Mas trata-se só de saber quebrar espinhas e braços, ser capaz de quebrar uma tábua, ou saber sair correndo? Sem discussão é necessário, mas não suficiente. Há mais em jogo. Tem que abarcar questões emocionais e psicológicas e não se limitar a atuações grupais pontuais se queremos imprimir-lhe um caráter transformador e revolucionário.

Temos que desenvolver estratégias coletivas de Autodefesa que nos facilitem estruturar um contundente contra-ataque, passando à ação coletiva para combater as agressões. Tarefa que nos incumbe tanto a homens como a mulheres, pois os depredadores, sós ou em manadas, seguem varrendo lares e ruas em busca de vítimas.

A maioria dos ataques sexuais a mulheres e menores se produzem em entornos ‘familiares-amistosos’ com enganos e autoridade patriarcal. É necessário aprender a detectar antecipadamente as agressões, e gestionar atitudes, vozes e gestos que sirvam para defender-nos. Se deve educar em sexualidade e psicoafectividade quase desde o berço a todo ser humano. É necessário aprender a não calar nem guardar silêncio.

Nesta batalha a educação é um pilar fundamental para armar o ataque ao patriarcado. A direita o sabe e atua promovendo a educação segregada por sexos, pretendendo aplicar diferenças parentais, e impondo o silêncio em questões sexuais.

É necessário passar ao ataque!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/notas-sobre-la-Autodefesa/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

lesma no vidro
procura uma sombra
que seja ela mesma

Alice Ruiz

Evento de Celebração dos 90 anos do Centro de Cultura Social de São Paulo!

Inauguração da exposição fotográfica “90 Anos em Imagens”, com o lançamento da Revista do CCS n. 3, edição especial de aniversário! Uma roda de conversa será realizada, com a fala de membros do CCS sobre a trajetória do Centro de Cultura Social, desde sua inauguração, em 1933, até hoje.

Quando: 23 de setembro, sábado, às 14h

Local: sede do CCS-SP, na Rua General Jardim, 253, sl. 22. Vila Buarque – SP. Próximo ao metrô República.

Evento presencial, aberto e gratuito.

Teremos intérprete de Libras.

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo, não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

agência de notícias anarquistas-ana

Sentado e sorrindo,
que faz o menino cego
na Festa das Flores?

Izo Goldman

[Japão] A vida da anarquista-feminista revisitada 100 anos após seu assassinato

O dia 16 de setembro marcará os 100 anos do brutal assassinato de Noe Ito, anarquista, autora e crítica social japonesa das eras Meiji e Taisho, que foi alvo e morta nos massacres que se seguiram ao Grande Terremoto de Kanto.

Embora as opiniões variem em sua cidade natal, Fukuoka, sobre sua reputação e abordagem liberal em relação a questões de sexo e política, nos últimos anos as pessoas passaram a conhecê-la melhor devido a obras recém-publicadas, bem como a uma dramatização biográfica na emissora pública NHK, que detalhou uma vida que nunca foi limitada por normas moralistas.

Uma biblioteca na cidade de Fukuoka, no sudoeste do país, abriu uma exposição sobre Ito, que levantou sua voz em favor das mulheres oprimidas da época durante sua vida muitas vezes turbulenta. No ano passado, um grupo de voluntários lançou um projeto para educar as pessoas sobre ela, e um festival para celebrar sua vida está programado para 15 e 16 de setembro.

Ito nasceu em Imajuku, na província de Fukuoka, que hoje fica no bairro de Nishi, na cidade de Fukuoka, e depois foi para Tóquio para estudar. Ela se casou com um homem que sua família havia escolhido para ela em sua cidade natal, mas fugiu pouco mais de uma semana depois para viver com Jun Tsuji, seu ex-professor de inglês que ela conheceu na Ueno Girls High School em Tóquio.

Na época em que se casou com Tsuji, Ito entrou para a revista literária mensal “Bluestocking”, fundada pela pioneira feminista Raicho Hiratsuka, e defendeu os direitos das mulheres por meio de seu trabalho. Ela frequentemente escrevia artigos autobiográficos e fazia críticas sociais, baseando-se em suas experiências pessoais do “amor livre” que desejava.

Nomeada em 1915 como a segunda editora-chefe do Bluestocking aos 20 anos, Ito trabalhou posteriormente com o líder anarquista Sakae Osugi. Depois de se envolver romanticamente com Osugi, aos 21 anos, ela deixou Tsuji e seus dois filhos para ficar com ele.

Osugi, que já era casado, também estava envolvido romanticamente com Ichiko Kamichika, outra feminista, atraindo a condenação pública por seus relacionamentos com as três mulheres. Kamichika, em um acesso de ciúme após saber que Ito e Osugi haviam passado uma noite juntos, esfaqueou Osugi na garganta várias vezes.

A esposa de Osugi o abandonou após o incidente, mas Ito e Osugi continuaram ligados e tiveram cinco filhos enquanto viveram juntos até suas mortes, apesar de nunca terem sido legalmente casados.

O par se tornou alvo do Estado e de outros críticos por suas opiniões e comportamentos pouco ortodoxos e por seus esforços para minar o sistema político existente. Ito escreveu artigos no “Rodo Undo” (Movimento Trabalhista), um periódico que publicou com Osugi, e participou de organizações de mulheres socialistas.

Em 16 de setembro de 1923, em meio ao caos da lei marcial após o Grande Terremoto de Kanto, Ito, Osugi e seu sobrinho Munekazu, de 6 anos, nascido nos Estados Unidos, foram assassinados por um esquadrão da polícia militar conhecido como Kempeitai, liderado pelo tenente Masahiko Amakasu. Na época de sua morte, Ito tinha 28 anos e havia dado à luz sete filhos.

Um tribunal militar determinou que os Kempeitai não sancionassem os assassinatos e que Amakasu e outros haviam se tornado desonestos e estrangulado os três até a morte antes de jogar seus corpos em um poço abandonado. Os hematomas em seus corpos, especialmente nos de Ito e Osugi, indicavam que eles haviam sido severamente espancados antes de serem estrangulados.

Imediatamente após o terremoto, houve rumores de que socialistas, coreanos e outros estavam cometendo atos de insubordinação. Os massacres cometidos por militares, policiais e vigilantes, que se aproveitaram do caos, foram generalizados.

Após a reação pública, Amakasu foi levado à corte marcial e condenado a 10 anos de prisão, mas foi posto em liberdade condicional em 1926. Posteriormente, ele viajou para o nordeste da China e dizem que esteve envolvido na fundação da Manchúria sob o comando do Exército Imperial Japonês. Ele cometeu suicídio após a rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial.

Yuko Kamiya, documentarista da Biblioteca Pública da Cidade de Fukuoka, disse sobre Ito: “Havia uma forte imagem de que ela era desinibida no amor, e as pessoas ficaram divididas sobre como a viam após sua morte”.

Recentemente, entretanto, muitos livros, como o romance biográfico “Kaze yo Arashi yo”, escrito por Yuka Murayama, foram publicados, atraindo empatia e interesse pelas ideias de Ito sobre feminismo. Um drama da NHK baseado no romance de Murayama foi transmitido em 2022.

Por ocasião do centenário de sua morte, Fukuoka está realizando uma exposição especial, “Kazeyo: Noe Ito from the Perspective of Letters and Works”, até 15 de outubro. “Esperamos que as pessoas se interessem pelo pensamento de Noe e pelo ambiente em que ela nasceu e cresceu”, disse Kamiya.

Para esclarecer e divulgar as ideias de Ito sobre o empoderamento das mulheres no Japão moderno, 12 homens e mulheres voluntários entre 20 e 90 anos de idade em Fukuoka lançaram o “Projeto Centenário Noe Ito” no ano passado. Uma vez por mês, eles organizam um clube do livro, com foco na “Coleção Noe Ito”.

O festival programado para este fim de semana incluirá palestras de pesquisadores e trabalho de campo no local de nascimento de Ito e em outros locais de interesse associados a ela.

No último Índice de Diferença de Gênero do Fórum Econômico Mundial, o Japão ocupa a 125ª posição entre 146 países.

O membro do projeto Nobuyuki Ito, 69 anos, morador de Itoshima, província de Fukuoka, observou que “o muro que Noe encontrou”, como a falta de progresso nas discussões sobre sobrenomes separados para casais casados no Japão, continua intacto.

Ele disse que a abordagem de Ito, na qual ela “via os problemas pessoais como problemas sociais e tentava, sem hesitar, mudar a sociedade falando para dizer que ‘algo está errado’, pode ser aplicada à sociedade atual, que também enfrenta as mesmas dificuldades”.

Um simpósio em comemoração ao 100º aniversário da morte de Ito, Osugi e outros, chamado “Vamos trilhar o caminho do eu livre”, também será realizado em Tóquio em 24 de setembro.

“Suas ideias e ações, como a liberação das mulheres, a antidiscriminação, a paz e a guerra, estão novamente sendo questionadas hoje”, disse o organizador do simpósio.

Fonte: https://www.japantimes.co.jp/news/2023/09/11/japan/history/anarchist-murder-century/

agência de notícias anarquistas-ana

Nos bambus já escuros,
morcegos, daqui, dali,
também sem destinos.

Alexei Bueno

[Portugal] Feira Anarquista do Livro de Lisboa

Nos dias 23 e 24 de Setembro, realizaremos mais uma edição da Feira Anarquista do Livro, em Lisboa.

Este será, mais uma vez, um espaço para a reflexão sobre as diferentes formas de expressão do anarquismo no contexto atual.

Partindo da premissa de que, ontem como hoje, a palavra impressa continua a permitir o intercâmbio de ideias, que são postas em prática no mundo concreto, acreditamos que a criação destes espaços de partilha continua a ter relevância para as lutas atuais e para as que estão por vir.

Numa realidade onde vemos recrudescerem insurgências contra a especulação imobiliária e a carestia de vida, contra a destruição ambiental e as alterações climáticas, contra o racismo e o patriarcado, contra as guerras entre os povos e o crescimento do neofascismo, contra o desenvolvimento hipertecnológico e o controlo social, queremos mais uma vez expor as nossas ideias de emancipação, solidariedade e confrontação, num espaço onde ideias possam ser debatidas, afinidades possam ser geradas e laços possam ser fortalecidos.

>> Confira a programação aqui:

https://feiranarquistadolivro.coletivos.org/programa.php

agência de notícias anarquistas-ana

casa quieta –
cochila o avô e
dorme a neta

Carlos Seabra

[Grécia] 10 anos desde o assassinato do antifascista Pavlos Fyssas | Manifestação 18/09

MORTE AO FASCISMO, AO ESTADO E AO CAPITALISMO

Na madrugada de 18 de setembro de 2013, um batalhão de assalto paraestatal do Aurora Dourada realizou um ataque assassino em Keratsini e o antifascista Pavlos Fyssas caiu morto pela faca do fascista Roupakias. Em 15/06/2022, teve início o julgamento do tribunal de apelação do A.D.-organização criminosa em segundo grau. Cerca de sete anos após o início do julgamento e dois anos e meio após a decisão do primeiro julgamento, muitos dos neonazistas já foram libertados e em breve, devido às penas baixas, espera-se que ainda mais sejam libertados.

Hoje, 10 anos depois do assassinato de Pavlos Fyssas, a luta contra a repressão e as gangues assassinas fascistas/neonazistas, a luta contra o sistema de poder estatal e capitalista que diariamente desvaloriza a vida da população e que é responsável pelos crimes em Tempi, Pylos, Evros, Tessália, a batalha contra o racismo, o nacionalismo, o canibalismo e a intolerância continua. Não temos ilusões de que a luta contra o Estado e o subestado possa ser travada em instituições, parlamentos e tribunais. A luta antifascista só pode fazer parte da luta global contra o Estado e o capital e a única perspectiva realista para a sociedade é a organização e emancipação dos que vêm de baixo, para a construção de uma nova sociedade, com igualdade, liberdade, justiça.

ESMAGAR O FASCISMO E O ESTADO E O SISTEMA CAPITALISTA QUE O GERA E NUTRE

NEM FASCISMO NEM DEMOCRACIA

ORGANIZAÇÃO E LUTA PELA ANARQUIA

10 anos desde o assassinato do antifascista Pavlos Fyssas

MANIFESTAÇÃO ANTIFASCISTA

Segunda-feira, 18 de setembro, Keratsini, Pavlou Fyssa 60, 17h30.

Assembleia de Anarquistas pela Emancipação Social e de Classe

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agência de notícias anarquistas-ana

as pálpebras da noite
fecham-se
sem ruído

Rogério Martins

[Grécia] Patras: Manifestação Antiestado-Antifascista 10 anos após o assassinato de Fyssa pelos batalhões de assalto do Aurora Dourada

10 ANOS DEPOIS NÃO ESQUECEMOS – NÃO PERDOAMOS O ASSASSINATO DE P. FYSSA PELOS BATALHÕES DE ASSALTO DO AURORA DOURADA

NÃO ESQUECEMOS:

 os ataques, os pogroms, os assassinatos de imigrantes nas fronteiras de Evros, no Egeu e nos campos de concentração

 os ataques às okupações e às áreas de luta autogestionadas, aos militantes de esquerda, anarquistas e antifascistas

CONTRA O ESTADO, O CAPITAL E OS FASCISTAS

SOLIDARIEDADE AOS REFUGIADOS E IMIGRANTES

PARA ESMAGAR O SISTEMA DE POBREZA, CANIBALISMO, EXPLORAÇÃO, GUERRA, QUE MATA PESSOAS E DESTRÓI A NATUREZA

LUTA POR UM MUNDO DE IGUALDADE-SOLIDARIEDADE-LIBERDADE

MARCHA DO BAIRRO: SÁBADO 16/09, 12h. PL ELEFTHERIAS (REFUGIADOS)

MARCHA ANTIESTADO-ANTIFASCISTA: SEGUNDA-FEIRA 18/09, 18h00, PRAÇA GEORGIOU

ASSEMBLEIA ABERTA PARA O 10º ANIVERSÁRIO DO ASSASSINATO DE P. FYSSA 

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relampejou
sobre as árvores
a tarde trincou

Alonso Alvarez