[Vitória-ES] Encontro Libertário da FACA!

A Federação Anarquista Capixaba – FACA, convida a tod@s para este momento e espaço de convivência anarquista que terá lugar no dia 09 de Setembro de 2023, a partir das 12 horas, na Lacarta Circo Teatro, na cidade de Vitória – ES.

Diversas atividades ocorrerão, em um ambiente anticapitalista e antiestatal, propiciando uma oportunidade de articulação e interação!

Também celebraremos o primeiro aniversário da Federação e realizaremos um balanço das iniciativas realizadas até o momento, mirando no futuro e cerrando fileiras nas lutas do presente.

Viva o anarquismo!

Viva a FACA!

federacaocapixaba.noblogs.org

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Ao primeiro susto,
os pombais, cheios de arrulhos,
ficaram vazios.

Humberto del Maestro

Flash tattoo solidário com xs anarquistas presxs | 4 de novembro 2023 | XI Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

Desde 2008 anarquistas em diversas partes do mundo, vem levando adiante uma atividade de solidariedade com xs companheirxs que perderam a liberdade lutando por ela: Marcar a pele com tatuagens, para escrever em nossos corpos nossas posições de luta contra o que nos oprime, nossos laços de afinidade com aqueles que como nós lutam, nosso amor e ódio.

Na região sul do território chamado Brasil, não é a primeira vez que fazemos o convite a fazer das tatuagens uma manifestação de nossas convicções, e nesse 2023 o @marceloarakno, estará realizando tatuagens durante a XI Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre.

Todos que lutamos contra toda autoridade estamos vinculados entre nós pelo peso da repressão que pode cair sobre nós a qualquer momento. Somos inimigos dos governos, dos estados, somos inimigos dos templos das mercadorias e estamos em todas as lutas contra as opressões. Não esquecer daqueles que por ser como nós, antagônicos ao sistema, perderam a liberdade e resistem dentro das gaiolas dos Estados, é parte da luta, é parte do afeto fundamentado em ideias e práticas, não em laços sociais, religiosos ou sanguíneos. Não esquecer dxs presxs é combater o sistema carcerário e as sociedades que o sustentam.

Para marcar nosso amor e ódio em nossas peles como ato de solidariedade: Faça das suas tatuagens um grito de guerra contra a dominação!

contatos: @marceloarakno

fla-poa2023@riseup.net

feiradolivroanarquistapoa.noblogs.org

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Disseram-me algo
a tarde e a montanha.
Já não lembro mais.

Jorge Luis Borges

[Portugal] Protesto pela floresta do futuro

Cidades e vilas em protesto a 3 de Setembro contra eucaliptos e celuloses nos incêndios e na desertificação

Na tarde do próximo domingo, dia 3 de Setembro, cidadãs e cidadãos de várias cidades do país convocam um protesto contra os incêndios florestais em Portugal, incidindo no impacto da monocultura do eucalipto e a indústria da celulose em Portugal, que estão a acelerar os efeitos das alterações climáticas, favorecendo o fogo e a seca. Os protestos ocorrerão em Lisboa, Porto, Coimbra, Odemira, Vila Nova de Poiares, e Sertã.

No manifesto convocatório do protesto, assinado por mais de 40 pessoas de todo o país, são apontados os ciclos cada vez mais curtos de incêndios catastróficos no país e a responsabilidade da indústria das celuloses – em particular as empresas The Navigator Company e Altri Florestal – e dos sucessivos governos neste facto. Ao longo de décadas, as decisões tomadas pela indústria e pelos governantes tornaram Portugal o país com a maior área de eucaliptal relativa de todo o mundo. O resultado foi a transformação do nosso num território abandonado, onde predomina uma espécie invasora e altamente combustível, o eucalipto. Outras espécies também se expandiram neste contexto, favorecendo ainda mais os incêndios e a desertificação, como as acácias e as háckeas.

Acabamos de viver os meses de Junho e Julho mais quentes algumas vez registados em milhares de anos. Nesse contexto, em dezenas de países incêndios brutais têm destruído territórios e comunidades, matado centenas de pessoas e levado a deslocações forçadas de cidades inteiras. Em Portugal, esse cenário não está a acontecer por um factor principal: o clima deste verão está a ser relativamente ameno em relação ao resto da Europa e do Mediterrâneo. Este facto não é controlável, é aleatório. Quando as temperaturas sobem, o nosso país arde. E arde mais do que todos os países que lhe são comparáveis – Espanha, Itália, Grécia, Marrocos.

Ficar à espera de um clima clemente no meio da crise climática é simplesmente irracional e é por isso que esta mobilização coloca em cima da mesa medidas concretas e efetivas que travem o processo de desertificação, despovoamento e perda de biodiversidade acelerados provocados pelas monoculturas, em particular o eucaliptal. É urgente o cadastro florestal total do território nacional. O território abandonado – que pode chegar aos 20% de toda a área do país – deve ser assumido pelo Estado, como acontece com qualquer bem ou área abandonada. É necessário deseucaliptizar o país, retirar eucaliptos dos quase 700 mil hectares de área de eucaliptal abandonado e sem gestão e transformar essas áreas em floresta e bosque resiliente que aguente o futuro mais quente e mais seco que a crise climática está a produzir. Para isso, é urgente criar novas estruturas governativas muito além dos organismos que permitiram que chegássemos à atual situação.

O protesto em Lisboa “partirá do Largo da Estefânia às 19h do dia, passando pelo Instituto de Conservação da Natureza e terminando na sede da The Navigator Company, na Avenida Fontes Pereira de Melo”, segundo das porta-vozes Beatriz Xavier e Mónica Casqueira. Segundo outro porta-voz, Em Odemira, local de recentes incêndios nas áreas de eucaliptais da The Navigator Company, o protesto decorrerá com uma marcha desde o bar “O Cais” até à Câmara Municipal. No Porto será frente à feira do Livro no Palácio de Cristal e em Coimbra frente à sede do ICNF na Mata Nacional do Choupal (Casa Azul).

Fonte: https://rcinfo.noblogs.org/protesto-pela-floresta-do-futuro/

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grama nos trilhos
composições mudas
sem estribilhos

Carlos Seabra

Acabou de sair o último número do Boletim da Biblioteca Terra Livre!

#6 Arrumação e andanças

Depois de um pequeno hiato, retomamos nosso boletim. As razões, em parte, você encontra aqui: tivemos meses intensos de arrumação e andanças. Passamos por cinco países, participamos da feira anarquista de Belo Horizonte, retomamos o Antinomia e desencaixotamos grande parte da biblioteca no nosso novo espaço. Contamos um pouco do que rolou nesse número.

>> Clique aqui para ler o boletim:

https://bibliotecaterralivre.substack.com/p/6-arrumacao-e-andancas

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Na casa do avô
Havia tantos pernilongos
Em noites como esta!

Paulo Franchetti

[Espanha] Saem à luz mil desenhos infantis feitos durante a Guerra Civil: “Ponen la piel de gallina”

Uma bibliotecária descobre em uma caixa do Arquivo Histórico de Barcelona desenhos inéditos que uns 500 menores fizeram em uma sala de leitura habilitada para meninos e meninas durante o conflito

Por Carla Quintana | 17/07/2023

Os irmãos Fernando e Mariano Cuerda Rodrig Álvarez eram uns meninos quando a guerra os pegou sem avisar. Viviam na praça Nova, muito perto do Arquivo Histórico de Barcelona. Em 30 de janeiro de 1938, a aviação italiana de Benito Mussolini bombardeou seu lar e se viram forçados a fugir.

Muitas escolas já haviam fechado suas portas e os meninos e meninas passavam o dia na rua. Brincavam de imitar o que viam: assassinatos e batalhas. Ante a ameaça das bombas fascistas sobre o centro da cidade, o Arquivo Histórico impulsionou um refúgio para que os menores pudessem se salvaguardar e também ler, escutar histórias e pintar.

Em seus 92 anos, Mariano, desde seu exílio no México, recordava “com carinho” as tardes na Sala de leitura para Infantes, um lugar para a evasão, refúgio e diversão de muitos meninos e meninas que, como ele, haviam sido condenados a crescer entre bombas.

A sala, inaugurada em setembro de 1936, se converteu em outra janela para o mundo para centenas de meninos e meninas. Assim o refletem as centenas de desenhos que realizaram durante esses meses, nos quais se mesclam a simbologia bélica com personagens míticos do imaginário infantil do momento.

Até agora, ninguém sabia da existência destas ilustrações. Passaram mais de 85 anos fechadas na caixa 26 do Arquivo histórico da cidade até que a bibliotecária do Arxiu Maria Messeguer as descobriu faz uns meses.

O achado se converteu na exposição LArxiu en Guerra, com curadoria de Messeguer e do historiador Daniel Venteo, que explica pela primeira vez, a guerra desde o ponto de vista dos infantes de Barcelona.

Messeguer, que anteriormente trabalhou em uma biblioteca especializada em literatura infantil e juvenil, um dia se interessou por uma fotografia da Sala de leitura para Infantes, realizada pelo fotógrafo Carlos Pérez de Rozas, que estava pendurada no vestíbulo da Casa de l’Ardiaca. Uma companheira lhe sugeriu que investigasse em “el Arquivo del Arquivo”, onde se guardam os documentos relativos à gestão administrativa da instituição.

Ali, a bibliotecária deu com a caixa 26 na qual figuravam os nomes de meio milhar de infantes que visitaram a Sala de leitura, assim como as coleções de livros e revistas que seus usuários leram e reproduziram em seus próprios desenhos: TBO, El Gato Félix, Pocholo, Rataplán, Charlot, Bimbo, El Patufet ou Pirulí.

A caixa 26 não só continha ilustrações tipicamente infantis. “Pone la piel de gallina” ver tantos desenhos que continham alusões à guerra”, expressa Messeguer. A bibliotecária rememora como não poderia conter o entusiasmo por compartilhar a descoberta, pelo que começou a buscar fontes orais e documentação histórica junto a Venteo.

De fato, os curadores dizem “sonhar” em organizar um encontro com os autores ou seus familiares mais diretos, já que esta mesma semana uma pessoa reconheceu na exposição os nomes de sua mãe e de sua tia: Núria e Montserrat Llopart. Por isso, não descartam que durante os próximos meses apareçam mais pessoas vinculadas aos 500 usuários que passaram pela Sala de leitura para Infantes.

Quando os meninos pensam na guerra

A mostra temporária, estreada este mês de julho e que poderá ser visitada até o próximo 4 de novembro, apresenta na sala principal da Casa de l’Ardiaca coleções de revistas e livros infantis que inspiraram, em grande parte, os quase 1.000 desenhos que a bibliotecária encontrou no Arquivo da caixa 26, dos quais uns setenta foram selecionados para sua exibição.

Abundam, como é lógico, representações de cenas da vida cotidiana, assim como ilustrações de personagens que apareciam nas capas destas revistas infantis. Mas a grande espetacularidade da mostra reside em que também há ‘Popeyes’ da CNT, cowboys convertidos em soldados, trincheiras, metralhadoras ou hospitais de campanha.

Pode surpreender que os infantes foram tão conscientes do espirito revolucionário que invadia seu dia a dia. Neste sentido, Venteo recorda que naquela época se fazia uma “propaganda massiva” por parte de milícias populares como a CNT e a FAI, incluindo, também, a difusão propagandística por parte da Generalitat republicana. Segundo explica, era “normal” que meninos e meninas se sentissem emocionalmente vinculados à guerra, especialmente, quando viam marchar os seus familiares à frente.

O curador quer enfatizar que o famoso cartaz “Aplastemos el fascismo” de Pere Català, no qual se mostra uma alpargata esmagando uma cruz gamada, não se fez até meses depois que um menino desenhasse a mesma ideia na Sala de leitura para Infantes. “Parece um desenho premonitório”, aponta Venteo, já que aparece um miliciano pisando a palavra ‘fascio’, rodeado de siglas pertencentes a entidades antifascistas da época: CNT, FAI, AIT e POUM.

O segundo âmbito da exposição recupera a memória histórica de dois aspectos intimamente vinculados à infância e ao mundo dos Arquivos durante os anos da Guerra Civil: a celebração da Semana da Infância —a alternativa laica aos Reis Magos— e a contribuição do Arquivo Histórico da cidade para salvar o patrimônio documental catalão durante a guerra, realçando o papel de Agustí Duran i Sanpere, seu diretor e impulsionador da Sala de leitura para Infantes.

Uma homenagem para os meninos e meninas que vivem uma guerra

“Esta exposição documental quer ser uma oferenda para os infantes que viveram ou vivem atualmente a guerra em suas carnes”, sentencia Venteo. E acrescenta também que a mostra propõe uma imersão emocional e didática para “ponerse en la piel de estos niños y niñas”, já que se divulgam, também, alguns dos acontecimentos de transcendência histórica que atravessaram a vida dos infantes durante os primeiros meses da Guerra Civil.

Tanto Messeguer como Venteo afirmam que a exposição está tendo uma muito boa acolhida por parte do público, sobretudo adolescentes e gente jovem. “É necessário fazer pedagogia sobre o olhar infantil da guerra, assim como do grande trabalho de conservação dos Arquivos para conhecer novas histórias e seus matizes”, corroboram os curadores.

Ambos esperam que L’Arxiu en Guerra possa prorrogar seu tempo de exibição até o mês de dezembro, para assim estender a oportunidade a centros educativos que queiram visitá-la.

Fonte: https://www.eldiario.es/catalunya/cultura/bombardeos-trincheras-milicianos-pintaron-ninos-ninas-durante-inicio-civil-espanola-guerra_1_10377908.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

sombras pelo muro:
a borboleta passa
seguindo a anciã…

Rosa Clement

[Espanha] ‘Mujeres libertarias en Jerez’: 1.500 trabalhadoras que caíram no esquecimento

Um total de 85 páginas compõem o livro ‘Mujeres libertarias en Jerez. El Sindicato de Emancipación Femenina. Pioneras del feminismo en la ciudad‘. Esta obra, que já publicou sua segunda edição com a editorial Calumnia, é assinada pelo jerezano Francisco J. Cuevas Noa e Aurore E. Van Echelpoel.

O livro começa com a menção à revista ‘Mujeres Libres‘. “Só havia tirado dois números antes da guerra, e o número dois precisamente distribuía-se dias antes do início da chamada Guerra Civil Espanhola”. Em uma fotografia que reunia o texto que acompanha a imagem aparece a expressão “mujeres de aceituna” (mulheres de azeitona), fazendo referência à tez morena e cigana de muitas das mulheres que mostra.

Cuevas Noa e Van Echelpoel buscam assim homenagear e evitar que caiam no esquecimento as 1.500 mulheres trabalhadoras de diversas profissões que pretendiam avançar em direitos e construir um mundo novo em igualdade. Contam que em abril de 1936 se constituiu em Jerez o Sindicato de Emancipação Feminina, aderido à CNT, com todas elas.

De tendência anarcofeminista, este sindicato foi presidido por María Luisa Cobo. Fizeram parte do mesmo outras mulheres como Antonia Cantalejo, as irmãs Díaz Calvo, as irmãs Vega Álvarez, María Hormigo y Ramona. Ao longo de suas páginas realizam um percurso fulgurante no qual narram os protestos que protagonizaram para melhorar as condições das empregadas domésticas, estabelecendo cursos de alfabetização. Também sua implicação na defesa de inquilinas de aluguel de casas e como se envolveram numerosas trabalhadoras da localidade que pediam romper com a velha opressão para criar um mundo novo. “Não o tiveram fácil, já que nem sequer muitos de seus companheiros de militância entenderam sua luta”.

Seu fim

A repressão franquista acabou brutalmente com este incipiente movimento feminista e obreiro ao mesmo tempo, e parece que o esquecimento cobriu qualquer rastro dessa luta. Mas a memória persiste, e os autores deste texto puderam reconstruir assim, ao menos em parte, sua história.

Fonte: https://www.diariodejerez.es/jerez/Mujeres-libertarias-Jerez-1500-trabalhadoras-cayeron-esquecimento

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Gatinha meiga
ao passar da mão
seu corpo se ajeita

Eugénia Tabosa

[São Paulo-SP] No CCS, 02/09: “Veganarquismo”

Quando? Sábado, 02/09 (16h-18h) | Onde? Sede do Centro de Cultura Social (CCS) de SP (Rua Gal. Jardim, 253, sala 22, Vila Buarque – São Paulo)

O encontro de agosto foi cancelado, porque não tínhamos intérprete de Libras disponível. Por isso, para setembro, mantivemos o tema Veganarquismo. O intérprete de Libras está confirmado!

A conversa será a partir da leitura do panfleto “Libertação Animal e Revolução Social”, de Brian A. Dominick, descrito como “uma perspectiva vegana sobre o anarquismo ou uma perspectiva anarquista do veganismo”. Originalmente publicado pela Critical Mess Media, em 1995. Em seguida, em 1997, foi reimpresso pela Firestarter Press e redistribuído sem direito autoral. O texto foi responsável pela popularização do termo “veganarquismo”. O link para a tradução feita pela @monstrodosmares e as orientações para a participação na atividade está em https://tinyurl.com/GE0823.

Os encontros do grupo são gratuitos e abertos para todas as pessoas interessadas. Crianças são bem-vindas ao CCS!

Lembrando que nos orientamos pelos princípios anarquistas, tais como autogestão, apoio mútuo, internacionalismo, anticapacitismo, anticapitalismo e não partidarismo, não toleramos qualquer tipo de discriminação de raça, gênero ou sexualidade.

#anarquismo #anarcoveganismo #libertacaoanimal #veganismo #govegan

Centro de Cultura Social

Rua General Jardim, 253, Sala 22 – Próximo ao metrô República — Vila Buarque – São Paulo – SP

E-mail CCS: ccssp@ccssp.com.br | E-mail do Grupo de Estudos: grupodeestudos_afm@ccssp.com.br

agência de notícias anarquistas-ana

Na noite em silêncio
o relógio presente
marca o passado

Eugénia Tabosa

[Equador] Vitória para indígenas isolados em referendo histórico contra exploração de petróleo

Em referendo histórico, povo equatoriano vota contra exploração de petróleo no Parque Nacional Yasuní, território de povos indígenas isolados.

Leonidas Iza, Presidente da CONAIE (Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador), disse hoje:

“O povo equatoriano, sensibilizado pela vida, solidário com nossos irmãos e nossas irmãs em isolamento voluntário Tagaeri, Taromenane e Dugakaeri, disse SIM a Yasuní na consulta popular de 20 de agosto. Salvamos seu território, suas vidas, sua soberania alimentar, seus remédios na floresta sagrada de Yasuní”, e acrescentou: “Neste pedaço de território no coração da Amazônia, e para o mundo, podemos encontrar soluções para os problemas que mais afligem a humanidade. A ciência determinou que os territórios mais bem preservados para combater as mudanças climáticas são os territórios dos povos indígenas. Por isso, convidamos a comunidade internacional a ajudar solidariamente e sensibilizadamente a cuidar dos territórios que equilibram a vida da Mãe Natureza, que salva os animais mas também a espécie humana.”

Julio Cusurichi Palacios da AIDESEP (Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana, disse:

“É extremamente importante proteger o território tradicional dos povos indígenas isolados que compartilham o território no Equador, no Parque Nacional Yasuní, e no Peru, na Reserva Indígena Napo Tigre. Isso para garantir seus direitos fundamentais à vida, saúde, integridade e à terra, em conformidade com os marcos regulatórios internacionais que os governos devem implementar. No caso do Peru, cinco povos indígenas isolados foram oficialmente reconhecidos pelo Estado peruano na área da Reserva Indígena Napo Tigre [que ainda aguarda demarcação]. Esses são povos transfronteiriços, que vivem e ocupam territórios em ambos os lados da fronteira entre o Peru e o Equador nas bacias dos rios Napo, Curaray, Tigre e seus afluentes; e vivem em seus territórios ancestrais há centenas de anos, mesmo antes da formação dos Estados e não reconhecem as fronteiras ou limites artificiais dos países.”

A Survival International está lutando globalmente pela sobrevivência de povos indígenas isolados ao redor do mundo. Sarah Shenker, coordenadora da campanha pelos Povos Indígenas Isolados da Survival, disse hoje: “Ao reconhecer os direitos dos povos indígenas isolados, esta é uma grande vitória para o movimento indígena do Equador e também para toda a campanha global.”

“Os indígenas isolados Tagaeri, Dugakaeri e Taromenane veem, há anos, suas terras sendo invadidas, primeiro por missionários evangélicos, depois por empresas petrolíferas. Agora, finalmente, eles têm esperança de poder viver em paz. Esperamos que isso gere um maior reconhecimento do direito que todos os povos isolados têm de ter seus territórios protegidos, pois somente assim eles podem sobreviver e prosperar.”

“Além de tudo, sabemos que as terras indígenas são as melhores barreiras ao desmatamento, principalmente na Amazônia. Os povos indígenas isolados são nossos contemporâneos, uma parte vital da diversidade da humanidade e os guardiões dos lugares mais biodiversos da Terra.”

No Peru, organizações indígenas lutam há mais de 20 anos para criar e proteger a terra indígena Napo-Tigre para povos indígenas isolados, vizinha à Yasuní. Atualmente, a empresa de petróleo e gás Perenco está explorando o território de Napo-Tigre.

survival.es

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pousada na lama,
a borboleta amarela,
com calor, se abana

Alaor Chaves

[Espanha] Partidos libertários…

Na hora do almoço, enquanto almoçava, estava assistindo ao boletim de notícias de um canal de televisão ao fundo e, em relação às próximas eleições gerais na Argentina, ouvi de passagem que estavam falando de um candidato libertário. Quase me engasguei: como era para um libertário, um anarquista, concorrer à presidência de um governo? Imediatamente, lembrei-me da piada que Daniel Cohn-Bendit nos pregou quando, alguns anos depois de 1968, ele anunciou que iria concorrer às eleições presidenciais francesas (não me lembro em que ano).

Rapidamente terminei meu almoço e comecei a procurar informações sobre esse personagem enigmático que foi anunciado como candidato “libertário” para as próximas eleições presidenciais argentinas. E sim, havia, há, um certo Javier Milei, presidente do “Partido Libertário”, nada menos que isso. Inevitavelmente, também me lembrei do “Partido Libertário” nos Estados Unidos, um partido neoliberal no qual se fala de anarquismo, anarcocapitalismo, minarquismo e sabe-se lá que outras formas de anarquismo que, em sua supina ignorância, são ignoradas.

E, de fato, o “Partido Libertário” argentino, presidido por um certo Javier Milei, também se identifica com o anarquismo, o anarcocapitalismo e até mesmo o minarquismo. Indo um pouco mais a fundo, descobri que, nos círculos internacionais, esse personagem é considerado de ultradireita e ultraconservador. Parece que ele é um seguidor de Jair Bolsonaro, Donald Trump e outros homens ilustres. Suponho que se Hitler e Videla ainda estivessem vivos, ele os seguiria também…

Basta uma pequena pesquisa no ciberespaço e você verá algumas das principais linhas de pensamento do indivíduo em questão: oposição total ao aborto, porte livre de armas, rejeição da educação sexual abrangente, negação do aquecimento global e muito mais.

De tudo isso, o que mais me faz estremecer é o uso alegre e impune dos termos “libertário” e “anarquismo” por algumas dessas pessoas inescrupulosas que tentam camuflar suas ideologias desprezíveis de ultradireita sob esses apelidos que tivemos tanta dificuldade em superar. No passado, tivemos que explicar até não querer mais que a anarquia não é caos ou desordem, mas sim o oposto, assim como a anarquia não é violência, mas também o oposto. Agora, temos de explicar que esses lobos (peço desculpas pelo símile…) disfarçados de cordeiros não têm nada a ver conosco. Parece que essa é uma história sem fim, e teremos que enfrentá-los, mesmo que seja dialeticamente.

Víctor Pérez Pérez

Fonte: https://www.portaloaca.com/articulos/politica/partidos-libertarios/

Tradução > Liberto

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No fim da ladeira
nindo a terra e o céu
Ipê-roxo em flor

Carlos Martins

[Turquia] As florestas de Akbelen convocam todos à resistência

Enquanto continua a resistência dos defensores da vida, incluindo anarquistas, contra o massacre florestal que começou para a expansão da área de mineração de carvão na Floresta Akbelen em Muğla, Anarka e Antalya Anarchy Initiative fizeram um apelo em turco e inglês.

O apelo é o seguinte:

AS FLORESTAS DE AKBELEN CONVOCAM TODOS PARA RESISTÊNCIA

Estão tentando destruir as florestas de Akbelen com a cooperação do capital e do estado de Muğla, na Turquia.

Para fornecer carvão às duas centrais térmicas propriedade da Limak Holding e da İçtaş Holding, cuja associação com o governo é bem conhecida, estão a ser feitos esforços para expandir a mina de carvão na região para engolir as florestas de Akbelen. Se conseguirem, tanto o ecossistema florestal com os seus milhares de seres vivos, os habitantes das aldeias de İkizköy e a população local, como o mundo inteiro neste momento em que a crise climática é uma grande ameaça, sofrerão, enquanto os capitalistas e o Estado irão enriquecer.

O povo de İkizköy e ecologistas de toda a região têm resistido ao Estado e ao capital há dois anos pelas florestas e natureza. No entanto, a gravidade do ataque às florestas de Akbelen aumentou significativamente a partir de 24 de Julho. A polícia, que desembarcou na floresta de Akbelen com canhões de água e equipamento de construção, está a atacar os aldeões e ecologistas resistentes. As empresas, por outro lado, continuam abatendo árvores sob proteção do Estado. O massacre de árvores avançando rapidamente atingiu a área de guarda do povo e dos ecologistas na manhã de 27 de julho.

Portanto, ações urgentes são necessárias para que as florestas de Akbelen sobrevivam. Todos os dias, o povo de Akbelen e os ecologistas enfrentam detenções e violência por parte da polícia e da gendarmaria na área enquanto continuam a resistir. Apelamos a todos para que apoiem a resistência de Akbelen ao lado dos ecossistemas e dos povos da terra, a fim de salvar as florestas de Akbelen da ocupação do capital e do Estado.

Fonte: https://www.yeryuzupostasi.org/2023/07/27/anaristlerden-akbelen-icin-turkce-ve-ingilizce-cagri/

Tradução > Contrafatual

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Mamonas estalam.
Os cachos da acácia
Parecem imóveis.

Paulo Franchetti

[Espanha] 96º aniversário do assassinato de Sacco e Vanzetti na cadeira elétrica

No dia 23 de agosto de 1927, eles foram executados na cadeira elétrica no país da liberdade, o mesmo país que lançou duas bombas atômicas, o mesmo país que tem um campo de concentração na ilha de Guantánamo. Diante do silêncio de todos os países do mundo, é lógico que o Estado sempre defende os mais poderosos, ou será que acreditamos que os exércitos e os serviços policiais estão lá para proteger os cidadãos. Ainda não vi um empresário ser espancado com um cassetete por enganar seus trabalhadores, deixando-os sem pagamento, ou por enviar dinheiro fraudulento como certos parentes da nobreza, que não sei por que são chamados de nobreza, ou por matar elefantes às escondidas, mas já vi trabalhadores e cidadãos que protestam pacificamente ou simplesmente por se aproximarem de uma fazenda ocupada na Andaluzia serem solicitados a apresentar seus documentos.

A situação é muito parecida com a de dois imigrantes nos Estados Unidos há quase um século, Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, que não entendiam por que o mundo funcionava tão mal e por que havia pessoas tão cruéis governando os países, eram objetores de consciência porque não acreditavam que a guerra servisse para outra coisa que não fosse matar irmãos e irmãs que não se conhece, simplesmente por causa de problemas que às vezes são alheios à própria população, mas não às multinacionais que governam os países. Em 23 de agosto, os holofotes se apagaram sobre esses milhares de cidadãos, trabalhadores, artesãos, emigrantes e cidadãos nacionalizados, que pediam até o último segundo para serem libertados, porque todo o julgamento era uma farsa, como outros julgamentos de anarquistas, que ocorreram em tantos outros países, como na Espanha, no caso Scala, ou perseguições de anarquistas no caso Savota.

Nicola Sacco, sapateiro italiano, militante anarquista e pai de família, acusado injustamente junto com Bartolomeo Vanzetti de um crime que nunca cometeram e pelo qual foram executados na cadeira elétrica em 1927. Desde então, seus nomes permaneceram indissoluvelmente ligados na memória coletiva como uma expressão de indignação diante da injustiça.

Milhares de pessoas se manifestaram, marcharam, protestaram, não apenas em Nova York, Boston, Chicago, São Francisco, mas também em Londres, Paris, Buenos Aires ou África do Sul. Não foi suficiente. Na noite de sua execução, milhares se manifestaram em Charlestown, mas foram mantidos longe da prisão por uma multidão de policiais. Os manifestantes foram presos. Havia metralhadoras nos telhados e grandes holofotes varrendo o local. Uma grande multidão se reuniu na Union Square em 23 de agosto de 1927. Depois da meia-noite, as luzes da prisão se apagaram e os dois homens foram eletrocutados. A intenção era que os emigrantes, os cidadãos, os homens e as mulheres que lutavam por dignidade, humildade e liberdade silenciassem suas ideias para sempre.

O GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS PEDE DESCULPAS

Cinquenta anos após a execução – o Estado da União pediu desculpas publicamente pelas graves falhas cometidas durante o julgamento de Sacco e Vanzetti, proclamou sua total e absoluta inocência e fez um pedido de desculpas histórico, salvando o bom nome e a honra dos mártires. Não havia necessidade: Sacco e Vanzetti continuam vivos na memória do povo como símbolo e bandeira de todo movimento de emancipação dos trabalhadores.

DISCURSO DE BARTOLOMEO VANZETTI NO TRIBUNAL ANTES DE SUA EXECUÇÃO

Tenho falado muito sobre mim e nem sequer mencionei Sacco. Sacco também é um trabalhador, um trabalhador competente desde sua infância, um amante do trabalho, com um bom emprego e um salário, uma conta no banco, uma esposa charmosa e boa, dois filhos pequenos e bonitos e uma casinha bem cuidada na beira da floresta, perto de um riacho.

Sacco é todo coração, toda fé, todo caráter, todo homem; um homem que ama a natureza e a humanidade; um homem que deu tudo, sacrificou tudo pela causa da liberdade e seu amor pelos homens; dinheiro, paz de espírito, ambição mundana, sua esposa, seus filhos, sua pessoa e sua vida.

Sacco nunca pensou em roubar, nunca pensou em matar ninguém. Ele e eu nunca colocamos um pedaço de pão em nossas bocas, desde que éramos crianças até agora, que não tenhamos ganhado com o suor de nosso rosto. Nunca…

Ah, sim, posso ser mais inteligente, como alguém já disse; posso ser mais falante do que ele, mas muitas e muitas vezes, ao ouvir sua voz sincera, na qual ressoa uma fé sublime, ao considerar seu sacrifício perpétuo, ao lembrar-me de seu heroísmo, eu me senti pequeno na presença dele.

Eu me senti pequeno na presença de sua grandeza e fui obrigado a evitar que as lágrimas caíssem de meus olhos e a apertar meu coração, que estava me sufocando, para não chorar na frente dele:

Esse homem que foi chamado de ladrão e assassino e condenado à morte.

Mas o nome de Sacco continuará vivo no coração das pessoas e em sua gratidão, quando os ossos de Katzmann e os de todos vocês tiverem sido espalhados pelo tempo; quando seu nome, o nome dele, suas leis, suas instituições e seus falsos deuses forem apenas uma lembrança desbotada de um passado maldito, quando o homem era um lobo para o homem…

Se não fosse por isso, eu poderia ter vivido minha vida conversando nas esquinas e zombando das pessoas.

Ele teria morrido esquecido, desconhecido, um fracasso. Essa tem sido nossa carreira e nosso triunfo. Nunca, em toda a nossa vida, poderíamos ter feito tanto pela tolerância, pela justiça, para que o homem entendesse o homem, como estamos fazendo agora por acidente.

Nossas palavras, nossas vidas, nossas dores – nada!

A perda de nossas vidas – a vida de um sapateiro e de um pobre vendedor de peixes – tudo! Esse momento final é nosso, é a agonia de nosso triunfo.

Uma sociedade fundada no privilégio econômico resultante da propriedade privada capitalista dos meios de produção e no poder político centralizado implícito em uma ordem diferente de privilégio tem um conjunto de regras e organizações criadas para preservá-la. Um aparato ideológico, com sua poderosa mídia de massa, envolve e sustenta toda essa estrutura de dominação. O Estado, por meio de seus mecanismos legislativos, consagra um corpo de leis que endossa o sistema.

Ao contrário do que a ideologia liberal nos informa, o judiciário não é independente do poder político, mas um mecanismo privilegiado de preservação do sistema de dominação. E é isso que os anarquistas veem no Judiciário e em sua relação com o Estado.

BREVE ANÁLISE DO CASO

Sacco e Vanzetti eram dois homens italianos que foram julgados e condenados em 1921 por um duplo assassinato ocorrido em 1920. Posteriormente, evidências sugeriram que os homens foram de fato acusados falsamente, e o caso atraiu muita atenção na década de 1920. Infelizmente, os dois homens foram executados antes que pudessem ser exonerados, apesar do clamor público generalizado. O caso de Sacco e Vanzetti foi historicamente importante nos Estados Unidos por vários motivos e continua sendo amplamente discutido e citado até hoje.

Ferdinando Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti eram trabalhadores braçais e estavam envolvidos na comunidade anarquista da década de 1920. Os críticos do caso sugeriram que os homens foram incriminados provavelmente por causa de sua associação com anarquistas italianos proeminentes da época. Na década de 1920, muitos americanos estavam preocupados com os anarquistas italianos, influenciados pela teoria do medo e do inimigo único patrocinada pelo Estado, e esse medo foi usado com grande vantagem pela acusação. No julgamento de Sacco e Vanzetti, o júri deliberou por apenas três horas, apesar do fato das fracas evidências.

O crime pelo qual os dois homens foram acusados foram assalto à mão armada. Em 15 de abril de 1920, dois funcionários da Slater-Morrill Shoe Company estavam viajando com cerca de US$ 17.000 em dólares em South Braintree, Massachusetts. Os dois homens foram interrompidos por assaltantes armados no caminho. Os assaltantes atiraram neles, roubaram o dinheiro e fugiram com outros três homens em um carro que se acredita ter sido roubado. As duas vítimas do ataque morreram mais tarde, e testemunhas indicaram que os assaltantes eram italianos. Sacco e Vanzetti tiveram a infelicidade de se encontrar com um dos policiais que os implicou no crime.

Os dois homens foram julgados pelo assassinato em 1921, depois que Vanzetti foi julgado e condenado pelo roubo em 1920. Durante o julgamento, muitos americanos proeminentes se manifestaram sobre o que consideravam uma armação e, quando o júri deu o veredicto de culpado, houve tumultos e manifestações em favor da causa em todo o mundo. Após o fracasso de uma série de apelações, os homens foram executados por eletrocussão em 1927; um grande clamor público também acompanhou sua execução.

Os historiadores jurídicos acreditam amplamente que o sistema judiciário falhou com Sacco e Vanzetti e que o caso ilustra o preconceito contra os membros da comunidade anarquista. Para os historiadores anarquistas, Sacco e Vanzetti é muito importante historicamente, porque muitos americanos comuns reagiram com descrença ao caso e ao seu resultado, sugerindo que a causa anarquista pode ter tido simpatia em lugares surpreendentes durante a década de 1920. O caso continua a ser explorado e recuperado em filmes e livros, muitos dos quais escritos por historiadores, escritores e cineastas proeminentes, fazendo com que o governo americano reconheça as irregularidades cometidas na condução do julgamento, que levou dois lutadores inocentes à cadeira elétrica.

Fonte: http://www.kaosenlared.net/component/k2/item/28283-85º-aniversario-del-asesinato-en-la-silla-eléctrica-de-b-vanzetti-y-n-sacco.html

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

vendo da varanda —
o vento movendo as árvores
de uma forma branda…

Luiz Renato de Oliveira Périco

História da extrema-direita dos EUA: da escravidão ao “anarcocapitalismo”

Como a história do conservadorismo estadunidense nos ajuda a entender a marcha da Unite the Right em Chralottesville, assim como o fenômeno “anarcocapitalista” no Brasil.

Por Eduardo Migowski, no Voyager

Você pode ignorar a realidade, mas não pode ignorar as consequências de ignorar a realidade. (Ayn Rand)

O mundo assistiu paralisado às imagens dos protestos de grupos de extremistas na pacata cidade Charlottesville, no estado da Virgínia. A impressão era que a caixa de Pandora havia sido aberta. Grupos que pregavam a supremacia branca, suásticas nazistas, cruzes incandescentes, bandeiras dos confederados e do Tea Party. A imagem da Ku Klux Klan, antes desbotada pelo tempo, agora aparece colorida.

“Eu sou nazista, sim!”, gritava um homem. Essa frase estampou a manchete de vários jornais, deixando os leitores incrédulos. A intolerância e o ódio tornaram-se motivo de orgulho, de autoafirmação. Os casos particulares também chamam a atenção. Um jovem de 20 anos acelerou em direção a uma multidão, matando uma mulher e deixando outros 19 feridos. Outro garoto viajou mais de 4 mil quilômetros para participar do protesto. Todos jovens, todos com pouca experiência e pouca vivência. Mas todos cheios de certezas e em busca de justiça. Mas uma pergunta ficou sem resposta: justiça em relação a quê?

Os protestos foram convocados inicialmente para impedir a remoção da estátua do general Robert Lee. Lee comandou o exército da Virgínia do Norte durante da Guerra Civil americana. Nesse ponto é preciso cuidado, não vou aprofundar as explicações sobre quem foi essa figura obscura, porque isto não importa. O que aconteceu sábado pouco tem a ver com uma suposta “verdade histórica”. Mas era um embate político em torno da memória, que diz mais sobre o presente do que sobre o passado.

Monumentos históricos não são livres de disputas ideológicas. Muito pelo contrário, são resultados delas. Ao resolver demolir a estátua do general, o prefeito mexeu em feridas ainda não cicatrizadas. Em problemas que não estão resolvidos.

Este texto busca entender como a imagem de um general do exército confederado foi capaz de unir movimentos políticos aparentemente opostos como “libertários” e neonazistas. O que teria causado tanto ódio? Para responder essa pergunta é necessário, primeiro, entender as bases do conservadorismo norte-americano.

As origens do conservadorismo nos EUA

Já virou lugar comum dizer que os EUA são um país de imigrantes. Essa afirmação, sozinha, é tão verdadeira quanto inútil. Para compreendermos a sociedade americana é preciso ir além das generalizações. Ok, eles são um país formados por imigrantes. Mas qual o sentido e os efeitos desse fluxo de pessoas na conformação da cultura política do país? Essa pergunta é muito mais interessante e ilustrativa.

Segundo o historiador Roger Osborne, o principal efeito político de imigração foi o bipartidarismo. Ora, por serem um país de imigrantes, afirma Osborne, nenhum grupo tinha força suficiente para impor a sua agenda. Isso poderia levar a uma fragmentação ou poderia aglutinar esses grupos em duas grandes agremiações. Segundo o mesmo autor, as diferenças étnicas, culturais e raciais foram aos poucos perdendo espaço diante da crescente polarização. Essa afirmação precisa ser relativizada.

As culturas que formaram os EUA não chegaram ao mesmo tempo e não tinham o mesmo peso. O mito de origem americano começa num navio. Porém, ele não era uma “Arca de Noé cultural”, mas um pacto feito por ingleses puritanos enquanto partiam para o desconhecido. Ou seja, há um modelo bem definido do que seria o homem americano. Os imigrantes não vieram para compor um universo plural, mas precisavam se encaixar numa hierarquia predeterminada.

Com o tempo, essas fronteiras étnicas, que inicialmente eram bem demarcadas, foram sendo borradas. Assim, grupos radicais se agarravam cada vez mais às tradições e a um passado idealizado. Segundo o pensamento conservador, o verdadeiro americano seria sintetizado por uma sigla: WASP (White, Anglo-Saxon and Protestant).

Portanto, ao contrário do que propõe Osbourne, as diferenças étnicas, culturais e raciais não foram perdendo espaço, mas elas criaram outra divisão, que de tempos em tempos emerge no debate político. Tal polarização é entre os grupos culturais que buscavam espaço e os chamados WASP que, guiados por um ideal mítico de sociedade, desejavam manter o modelo aristocrático.

Essa divisão nunca desapareceu por completo. Quando os manifestantes de sábado gritavam frases como “nosso solo” ou “nossa terra”, eram essas representações que eles estavam evocando. A defesa da cultura europeia/protestante e da supremacia branca está na origem do movimento conservador nos EUA.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://racismoambiental.net.br/2017/08/19/historia-da-extrema-direita-dos-eua-da-escravidao-ao-anarcocapitalismo/

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Latidos ao longe —
Entre os prédios do horizonte,
a lua de inverno.

Teruko Oda

Brasil tem mais de 1.200 espécies de animais ameaçados de extinção

Casa da maior biodiversidade do planeta, o Brasil tem pelo menos 1.253 espécies de animais ameaçadas de extinção. Dessas, 47,6% são nativas da Mata Atlântica, bioma com maior risco.

Os dados são da plataforma Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade, a Salve, lançada na quarta-feira (02/08) pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Bahia, Minas Gerais e São Paulo são os três estados com mais espécies em risco, somando 700 variedades ameaçadas. A plataforma classifica como ameaçados de extinção os animais em situação “Vulnerável”, “Em Perigo” ou “Criticamente Em Perigo”.

A fauna brasileira tem mais de 100 mil espécies de animais, incluindo invertebrados. As mais de 9 mil espécies conhecidas de vertebrados foram contempladas no site.

A ferramenta tem quase 15 mil diferentes espécies catalogadas, com mais de 5,5 mil deles com fichas contendo história natural do animal, distribuição no país, nível da ameaça e outras informações.

O objetivo da publicação é tornar essa base de dados mais acessível à população e agilizar a avaliação de risco. Antes do lançamento, os dados eram compilados pela troca de documentos e planilhas.

De acordo com Rodrigo Jorge, analista do ICMBio e coordenador da Coordenação de Avaliação do Risco de Extinção das Espécies da Fauna, agora “será possível reforçar a implementação de ações que promovam a conservação da nossa fauna”.

O Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade pode ser acessado em https://salve.icmbio.gov.br/#/.

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Solidão no ninho
O pássaro se assusta
No eco do trovão

Rodrigo de Almeida Siqueira

[Itália] Operação Covarde

Em uma Itália de agosto, onde os massacres de migrantes no Mediterrâneo continuam, onde milhões de pessoas são condenadas a morrer de fome com a retirada de seus meios de sobrevivência, onde milhões de pessoas são condenadas a morrer de fome com a retirada de seus meios de renda de sobrevivência, onde os mais altos cargos do Estado realizam um revisionismo histórico aberrante sobre os massacres nazi-fascistas da guerra (como Stazzema) e do período pós-guerra (como Bolonha), o problema do estado policial melancólico são os anarquistas e todas as experiências de luta radical.

Na manhã de 8 de agosto, em Florença, após muitas horas de resistência, o espaço ocupado Corsica, uma experiência muito ativa no contexto da cidade, foi evacuado à força. Nas mesmas horas, várias casas em toda a Itália foram revistadas, a sede do círculo anarquista “Goliardo Fiaschi” em Carrara e uma gráfica em Massa. Dez anarquistas foram investigados: quatro deles estão em prisão domiciliar e os outros seis estão sob a obrigação de permanecer ou assinar.

As acusações contra os dez réus são pesadas: desde associação para fins de terrorismo até incitação ao terrorismo e até mesmo insulto ao Presidente da República. Em apoio a uma hipótese acusatória que poderia enterrar os anarquistas na cadeia por anos, alguns escritos apareceram no periódico “Bezmotivny” (Sem Motivo). A mera edição e circulação de um jornal, enfaticamente definido como “clandestino”, tornou-se o pilar de toda a operação repressiva.

Atacar a disseminação de opiniões não conformes é típico de regimes autoritários.

Não é coincidência que o crime de impressão clandestina tenha sido introduzido na Itália pelo regime fascista para processar os jornais que denunciaram o crime de Matteotti. Atualmente, ele prevê uma multa de 600 euros como penalidade máxima.

A vontade do Ministério Público, que afirma ter nascido da luta contra o fascismo, está em perfeita continuidade com o legado do fascismo histórico.

A mera propaganda de ideias não alinhadas com o governo é processada como terrorismo. Não é coincidência que o mesmo tratamento não seja reservado às muitas publicações que promovem ideias fascistas, racistas e negacionistas, que apoiam e fomentam o ódio contra os marginalizados, os “diferentes” e os migrantes.

Esse é um salto inquisitorial em comparação com as investigações anteriores de repressão à imprensa, quando algum delito específico também era contestado: desta vez, a acusação está relacionada apenas à forma de impressão e ao conteúdo dos artigos.

Mesmo os outros crimes acusados, sem nenhuma acusação específica, referem-se apenas à impressão do jornal.

Estamos cada vez mais dentro do que é chamado de “direito penal do inimigo”, onde o que conta não é o crime cometido, mas quem o comete: os anarquistas, os inimigos do Estado.

Denunciamos veementemente a escalada repressiva e a tentativa de silenciar todas as realidades que lutam contra as políticas governamentais e que querem mudar uma ordem social injusta, violenta e intolerável em uma direção libertária e autogestionária.

Federação Anarquista Italiana

(Comitê de Correspondência)

18 de agosto de 2023

federazioneanarchica.org

humanitanova.org

Tradução > Liberto

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cuco dá horas
mas não conta
porque demoras

Carlos Seabra

[Espanha] Êxito do passeio libertário por Zamora

Na sexta-feira passada, um numeroso grupo de pessoas participou do passeio libertário pelas ruas de Zamora. Guiados pelo professor zamorano Carlos Coca, autor de vários estudos e livros sobre a temática, os participantes passearam pelos lugares onde o anarquismo histórico deixou sua marca na cidade, escutando atentamente suas explicações.

Poetas, artistas, escritores, jornalistas, judeus, obreiros, professores, ou destacados anarcossindicalistas dos anos 30 e a Transição foram biografados, recuperando suas histórias e vivências. Durante o passeio chegou-se até os lares dos protagonistas, as sedes sindicais históricas da CNT-AIT na cidade, cenários, monumentos e lugares de interesse social.

Pessoas ainda hoje muito reconhecidas na cidade, ou que começam a ser estudadas, como: Pepe Durán, Jacinto Toryho, Rosa Zimmerman, León Felipe, Agustín García Calvo, Diego Hernández, Miguel Fernández Expósito, Amparo Barayón, José Justo Bruña, os anarquistas de Sanabria, Losacio e Villalpando, Iliá Ehrenburg, ou a família Lobo, foram explicados pelo professor zamorano ou diretamente por seus familiares, vários também participantes na rota. Em uma atividade muito emocionante e didática que poderia ter excelentes resultados turísticos observando o interesse despertado. Ao ato foram pessoas de diferentes localidades e turistas.

É a terceira vez que se realiza este encontro cultural de maneira formal, que também desta vez serviu para apresentar um livro de recente edição sobre o tema: “Quiseram mudar tudo: literatos, libertários e outros periféricos por Zamora”.

A atividade foi organizada dentro dos atos do XV Encontro do Livro Anarquista de Salamanca, que elaborou a feira este fim de semana na cidade vizinha.

Ao final do ato, junto ao monumento do bairro de Olivares a seus moradores represaliados, o cantautor Buterflai – mais uma edição – recitou energicamente várias das estrofes de uma de suas canções preferidas, e foi lida uma emocionante carta que o poeta Federico García Lorca dirigiu a seus pais.

Fonte: https://www.zamora24horas.com/cultura/exito-passeio-libertário-por-zamora_15086962_102.html

Tradução > Sol de Abril

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sementes de algodão
agora são de vento
as minhas mãos

Nenpuku Sato

Aviões, submarinos e fuzis não garantem as necessidades básicas da população

Um sintoma da falta de compreensão dos governos/partidos/Estado com sua população é o descaso apresentado às demandas básicas e necessárias dessa população. Pensemos essas necessidades: uma habitação adequada para viver com dignidade; um sistema de saúde decente que tenha uma oferta de atendimentos preventivos e orientações que visem realmente saúde e não correr atrás de doenças; um transporte que motive as pessoas a usá-lo, de valor acessível e com qualidade; por fim uma educação que realmente crie cidadãos/cidadãs críticos e compromissados com o bem estar geral, pois sabe que isso afetará a todxs. Tendo isso em conta o que temos em nossa realidade? Notícias de compra de aviões de caça e investimentos em tecnologia de armas criando uma nova remessa de fuzis, de submarinos nucleares e outras bizarrices mortais…!

Como esses caças, submarinos e esses fuzis poderão curar a saúde de alguém? Poderão assegurar habitações populares a todas as cidadãs brasileiras? Poderão educar mais cidadãs que repudiam a violência? Se sua resposta se parece com a nossa, de que isso não resolve essas questões urgentes e existentes há muitas décadas, então também percebe que nossos “administradoras” há muito tempo só nos iludem e nos enganam com promessas que não cumprem, ou que só realizam sobre enorme pressão popular, ou nem isso, pois nas manifestações dos últimos anos, se fizeram de pessoas surdas e cegas as demandas que sabiam de cor e salteado, mas se fizeram de surpresas aos ocorridos.

Uma vez salientado isso, voltemos às questões dos caças e fuzis que se tornaram notícias nos últimos anos.

Os Mirages ultrapassados foram aposentados e serão substituídos por 36 caças Gripen suecos, que ao final do contrato, os suecos transferirão 100% da tecnologia desses caças, já defasada, para o Brasil. Esse é o jeitinho brasileiro de contornar suas limitações tecnológicas por falta de investimento na área, levando a manter uma esquadrilha retrograda e pouco efetiva em caso de um conflito aéreo. Os especialistas da área possuem a hipótese de que um país com uma extensão geográfica enorme (mais de 8 mil quilômetros de fronteira e a maior floresta equatorial do mundo) precisa ter meios de “dissuasão” aos potenciais “invejosos, aventureiros, cobiçadores, bandoleiros, ladrões e bandidos” de outros países. Não precisa ser um gênio para perceber, por exemplo, que nosso território vive sendo violado por muita gente vizinha. Pegue as milícias do narcotráfico, dos garimpeiros e madeireiros clandestinos, vivem passeando em nosso território amazônico, com poucas perspectivas de serem parados, dissuadidos em nos visitar!

Há ainda os inúmeros aviões de traficantes que cruzam o país, e lembremos, que até aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) são usados para esse serviço ( veja essa reportagem ilustrativa http://www.stm.jus.br/publicacoes/noticias/noticias-2011/coronel-que-traficava-cocaina-em-avioes-da-fab-perde-o-posto-e-a-patente). Sem as necessidades básicas atendidas para a maioria de nossa população, sem uma ampla mudança nas bases morais desse “país”, se gastará muito em medidas paliativas de conter a violência, enquanto os valores da acumulação econômica e enriquecimento ser a referência, gerando desigualdades econômicas e sociais gritantes, com muito acerto veremos investimentos maciços em armas que serão usadas para a manutenção dessas desigualdades, numa ampla espiral de violência e barbárie.

O caso dos fuzis também é muito emblemático.

O Brasil mantém o setor bélico sob controle estatal e possui cinco empresas que formam o setor (a Forjas Taurus S.A., IMBEL, CBC, E. R. Amantino e Amadeo Rossi S.A.), desde o tempo da Ditadura de 64, quando os milicos se desentenderam com seu maior aliado, o EUA, e buscaram produzir uma tecnologia militar 100% nacional, isso com uma defasagem monstro, porque era algo que deveria ser feito com a independência do país e não 100 anos depois. Essa busca por uma tecnologia de substituição dos artigos militares importados fez o Brasil criar a IMBEL (Industria de Material Bélico do Brasil) em 1975, visando suprir essa necessidade.

Como sabemos, as forças armadas (isso em qualquer lugar) é tão produtiva como um tanque seco de carpas no deserto, logo é um enorme ônus para a sua manutenção, imagina então financiar pesquisas nessa área. Muitos tem justificado que muita tecnologia de ponta foi desenvolvida pelas demandas militares e espaciais. Nos parece que ao olhar desses pesquisadores, são menos nobres as demandas básicas do povo!

E pasmem, essa nossa indústria bélica mantém uma pauta de exportação bem ativa, somos o 4º exportador de armas leves no mundo (países da América Latina, da África e do Oriente Médio são nossos fiéis clientes) contribuindo para a dificultar a cooperação social, em nome da erradicação da paz nesses lugares. Só alguém sobre influência de personagens de Charles Bronson ou de Clint Eastwood para defender que as armas garantem a paz pelo medo que causam onde são apresentadas, mas isso não leva a paz, e sim ao ressentimento e instiga ao revanchismo e vinganças estéreis, assassinatos e chacinas, crimes contra a humanidade.

Como podem concluir, a IMBEL passou por uns maus bocados, sempre sendo mantida com recurso público, uma vez que é uma área “estratégica” para o país. Com a necessidade de aposentar o FN FAL (Fuzil Automático Leve – 7,62mm, popularmente conhecido no Brasil como “sete meia dois”), a IMBEL recebeu uma injeção de investimentos para modernizar sua unidade e oferecer um projeto para a produção de um fuzil tático moderno, o IA2 5.56 que surgiu após 4 anos de pesquisas regadas com dinheiro público. Os gastos públicos não para aí, ainda deve ser aprovada pelos trâmites burocráticos dos militares e só depois o governo comprará de sua indústria os fuzis, isso mesmo, o governo vai comprar de si as armas para trocar os seus fuzis velhos! Os cofres públicos parecem cornucópias para os “certos setores”, setores elencados pelos administradores como prioritários como é o caso do futebol e armas. Realmente existe um abismo entre as prioridades do Estado e as de seu povo, e o governo brasileiro faz questão de deixar isso bem claro com suas políticas assistencialistas e paliativas.

Assim como no exemplo do transporte de drogas por aviões da FAB, um dos principais negociadores de armas no mercado paralelo são grupos de militares que por possuírem acesso facilitado aos armamentos de uso exclusivo das forças armadas, conseguem abastecer a avidez de armas do mercado interno, abastecendo os grandes centros criminais do país.

Uma nota importante é que enquanto a indústria bélica brasileira é um cartel sobre controle do Ministério da Defesa, podemos ver que nos EUA, por exemplo, existem fábricas modernas aos montes e inúmeros armeiros cadastrados. Sabemos que há um investimento maciço nessa área nos EUA, porque desde a Guerra da Secessão, a gestão de Abraham Lincoln percebeu o potencial econômico de uma guerra, por serem muitos gastos e poucas perguntas, mantiveram a mesma política até hoje, sempre buscando um suposto inimigo para justificar os gastos absurdos que ultrapassam os 10 maiores produtores de armas mundiais (China, Rússia, França, Reino Unido, Japão, Arábia Saudita, Alemanha, Índia e Brasil).

Reiterando que com as escolhas recorrentes das administrações eleitas por áreas que não atendem as demandas básicas populacionais, isso leva ao agravamento e muito dos problemas sociais levando à um crescente aumento da vulnerabilidade e a possibilidade de muitos, por não verem outro caminho e até pelo péssimo exemplo de muitos desses “administradores” em cometerem roubos e desvios de dinheiro, também se aventurarem por essa via, criando uma “suposta demanda por mais segurança” e assim justificar o aumento com gastos com armas e modernização das forças de repressão.

O Estado, seus administradores se desviam das prioridades essenciais de nossa gente e respondem as nossas demandas com coisas estranhas e distantes do que precisamos. A resposta a isso é clara, as variações de descontentamento que vão de pequenas ações até grandes manifestações de rua e pela falta de compreensão pela surdez e cegueira dessas administrações , poderão recorrer cada vez mais e maior, porque aviões e fuzis não garantem as necessidades da população.

anarkio.net

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agência de notícias anarquistas-ana

arco-íris no céu.
está sorrindo o menino
que há pouco chorou

Helena Kolody