[Grécia] Bomba explode em frente a prédio de ministério em Atenas

Uma bomba explodiu na madrugada deste sábado (03/02) em frente ao prédio do Ministério do Trabalho e Segurança Social, em Atenas, causando danos à área. Segundo a agência de notícias Reuters, não houve feridos.

Indivíduos não identificados ligaram para o jornal EFSYN à 0h49 (horário local), avisando que uma bomba explodiria em frente ao ministério dentro de 40 minutos, segundo a televisão estatal grega ERT.

Após o alerta, a polícia iniciou procedimentos de evacuação do prédio e bloqueou o trânsito. A bomba, colocada em um saco, detonou à 01h29, causando danos ao ministério e arredores. De acordo com a ERT, uma organização que afirma ser a “Organização para a Autodefesa Revolucionária” assumiu a responsabilidade pela explosão.

Fonte: agências de notícias

agência de notícias anarquistas-ana

Que coisa linda,
Agitando o leque branco,
É o meu amor.

Buson

[Peruíbe-SP] Festival Cultive Resistência!

29, 30 e 31 de março de 2024

Espaço Cultural Semente Negra – Peruíbe/SP

O Festival Cultive Resistência é um encontro multicultural, libertário, que ocorre na Semente Negra, um espaço político cultural situado em meio a mata atlântica, em Peruíbe/SP.

Serão três dias de diálogos, palestras, oficinas, debates, música, momentos de compartilhamento, aprendizado, ensinamentos, reflexão e ação.

Queremos unir aqui diversas experiências e ideias de resistência e liberdade que estão em todas as partes deste planeta. Punks, anarquistas, feministas, indígenas, moradoras de espaços ocupados, pessoas que compartilham experiências de lutas inspiradoras, que sugerem outro modo de estar e agir neste mundo.

Não é novidade que existe um mundo utópico na cabeça de muitas pessoas. Mas o que muitas destas mesmas pessoas não sabem, é que em algum lugar deste planeta, esta utopia existe e resiste. Afinal, se o capitalismo tem suas armas, nós também temos as nossas: solidariedade, apoio mútuo, música, livros, fanzines, mídias, ação direta, plantar nossa comida, consenso, relações horizontais, feminismo, queer, lutas sociais, veganismo, entre outras.

Se nos cegam os olhos para não vermos estas utopias sendo vividas é porque elas representam algum perigo e é para isto que chamamos este Festival, para sermos parte deste perigo. E se não conseguirmos ser este perigo, que este perigo nos destrua! Nos destrua para, assim como este mundo, possamos renascer como sementes que trincam concretos, como água que rompem barragens ou até mesmo como uma garrafa que voa iluminando por onde passa até incendiar seu alvo.

Envie sua proposta de atividade (palestras, oficinas, debates, bandas e qualquer outra atividade que venha colaborar para a construção destes 03 dias de inspiração e conspiração).

Conheça as ideias e princípios do Festival e, se o que você faz, tem a ver com estas ideias, envie sua proposta pelo nosso site até 15/02/2024.

Ingressos:

1º lote – Até 10/02/2024 – R$ 30,00 por dia ou R$ 70,00 para os 3 dias.

2º lote – Até 10/03/2024 – R$ 40,00 por dia ou R$ 100,00 para os 3 dias.

3º lote e portaria – R$ 50,00 por dia

>> Mais infos: cultiveresistencia.org/festival

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pobre da pulga
espetada no brinco
atrás da orelha

Marcelo Santos Silvério

 

[EUA] Três Livros Clássicos do Coletivo CrimethInc. em Português | Receitas para o Desastre, Espere Resistência, & Dias de Guerra, Noites de Amor

Nossos camaradas no Brasil fizeram novas tiragens de três de nossos livros em português: Receitas para Desastres, Espere Resistência e Dias de Guerra, Noites de Amor.

Ao longo de três décadas de atividade, os nossos livros apareceram em muitas línguas diferentes – Trabalho,, por exemplo, apareceram em alemão, espanhol, russo, servo-croata, lituano, coreano e português, a maioria dos quais estão disponíveis aqui (https://pt.crimethinc.com/books). Oferecemos material em um total de 43 idiomas diferentes neste site. Acreditamos que é crucial construir pontes entre pessoas em diferentes comunidades e diferentes partes do mundo, e fazê-lo trabalhando diretamente com falantes nativos, em vez de depender de software de tradução automática.

Além de oferecer cobertura contínua das lutas sociais no Brasil, as células CrimethInc. no Brasil já publicaram vários livros, jornais e zines em português, além de organizar turnês de palestras na América do Sul e do Norte. Agora, para começar 2024, publicam novas versões aprimoradas em português de três dos nossos livros mais conhecidos.

Eles estarão disponíveis em infoshops, baquinhas e feiras de livros em todo o Brasil nas próximas semanas. Por agora, você já pode adquiri-los online através do infoshop 1000contra (https://1000contra.com.br/categoria/crimethinc/).

Receitas Para o Desastre

Receitas Para o Desastre é um manual tático de 500 páginas para ação direta, amplamente ilustrado com diagramas técnicos e relatos em primeira mão. Mais de 30 coletivos colaboraram com décadas de conhecimento, testando, escrevendo e editando as 61 seções deste livro, que vão desde grupos de afinidade, organização coletiva e ação antifascista, até ocupação, grafite e sabotagem.

Dias de Guerra, Noites de Amor

Seu ingresso para um mundo livre. O primeiro livro que publicamos, Dias de Guerra, Noites de Amor, é o ponto de partida perfeito para quem busca uma vida de revolta apaixonada. É um manifesto visionário, um desafio a tudo o que tomamos por verdade, um experimento desenfreado e explosivo em um livro. Dividido em temas por ordem alfabética, o livro introduz debates como Anarquismo, Burguesia, Capitalismo, Domesticação, Amor, Trabalho e muitos outros.

Espere Resistência

Espere Resistêcia não é um, mas três livros, cada qual pode ser lido como uma obra independente. O primeiro livro, impresso em páginas brancas, continua a investigação da vida moderna e seus descontentamentos que começou em Dias de Guerra, Noites de Amor. Espere Resistência é um guia de campo para campos nos quais todos os guias são inúteis, uma meditação sobre a transformação individual e a resistência coletiva em épocas desastrosas, e uma obra-prima que sobe o nível das publicações radicais.

Fonte: https://pt.crimethinc.com/2024/01/23/tres-livros-classicos-do-coletivo-crimethinc-em-portugues-receitas-para-o-desastre-espere-resistecia-dias-de-guerra-noites-de-amor-1 

agência de notícias anarquistas-ana

greta no muro –
dois olhos ao fundo,
lá no escuro

Carlos Seabra

Você quer ajudar…

Livro anarquista supera mais de 7 mil cópias vendidas na França

Lançado em junho de 2023, o livro “Dictionnaire anarchiste des enfants” (Dicionário Infantil Anarquista) já vendeu mais de 7 mil cópias. Se as vendas continuarem nesse ritmo, será um dos livros anarquistas melhor sucedidos dos últimos tempos. Um grande feito histórico, principalmente tratando-se de um livro lançado por uma “pequena” editora anarquista, no esquema “nós por nós”.

“Aprenda e desenvolva seu pensamento crítico através de definições, comparações e metáforas sobre as ideias e valores transportados no maravilhoso mundo do anarquismo.”

Aqui está um dicionário ilustrado para mentes jovens rebeldes que descobrem este fantástico ideal fora dos trilhos.

Jorge Enkis, originário do Chile, é o autor, ilustrador e editor por trás da primeira edição em espanhol deste dicionário. A versão que oferecemos é uma adaptação do primeiro livro desta coleção. Algumas passagens foram traduzidas do espanhol, enquanto outras foram criadas pelo coletivo anarquista canadense Emma Goldman. Para a versão francesa, removemos os artigos destinados mais especificamente aos naturais de Nitassinan, de onde veio o coletivo anarquista Emma Goldman.

Este livro destina-se a um público de 9 anos ou mais. Para os pais, representa uma grande oportunidade de diálogo para desenvolver o pensamento crítico dos filhos. É finalmente certo que o de mais idade (ou mais idoso) entre nós, tendo conservado a nossa juventude de coração, será capaz de apreciar este livro.

Desejamos-lhe uma boa leitura!

Editores

Dictionnaire anarchiste des enfants

Jorge Enkis – Coletivo Anarquista Emma Goldman

80 páginas

Formato 14 por 17.5

Preço sugerido: EUR 8,00

Versão impressa ISBN : 978-2-35104-178-9

atelierdecreationlibertaire.com

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/01/franca-lancamento-dicionario-infantil-anarquista-jorge-enkis-coletivo-anarquista-emma-goldman/

agência de notícias anarquistas-ana

As nuvens do céu –
o céu do infinito
eu de nenhum lugar

Stefan Theodoru

[Espanha] E o que nos espera o feliz ano novo?

Agora que o Feliz 2023 está quase no fim, vou compilar minhas impressões sobre este ano.

1º Os Estados, eles são a praga. Não é só a Rússia e a Ucrânia que ainda estão envolvidas em uma guerra estúpida sem motivo. Milhões de hectares semeados com estilhaços e urânio empobrecido, cidades liberadas demolidas, populações fugindo, milhares e milhares de mortos, feridos gravemente, doentes mentais ou declarados doentes mentais… Um bando de caras congelando nas trincheiras, esperando que um drone exploda suas cabeças ou que um spetsnaz corte suas gargantas. E isso se repete em cerca de oitenta tipos diferentes de conflitos de guerra em todo o mundo. Bem, se for no verão, eles ainda assam de calor.

2º Se isso não for suficiente para convencer os defensores do Estado, temos o exemplo de Israel. O povo judeu, embora sem Estado, sobreviveu a perseguições inauditas e até prosperou. Quando, movidos pela loucura nacionalista, religiosa e patriótica, acharam que era uma boa ideia fundar um Estado, vejam o que Israel se tornou. Podem colocar o que quiserem aqui: crianças assassinadas, vilas devastadas, pessoas fugindo em desespero, e o que os defensores da Palestina querem fazer para evitar a perseguição do povo palestino? Nada mais e nada menos: criar outro Estado. Ótimo, alguém pode duvidar que, se dois Estados forem criados, eles logo estarão em guerra aberta e serão liderados por loucos ainda piores? Não seria hora de pensar em eliminar os Estados e refundar as nações unidas?

3º Está claro que a verdadeira esquerda é tudo menos esquerda. Aqueles que almejam o poder passam seus dias brigando e brincando para se livrar de você e eu poder entrar. Qualquer pessoa que tenha acompanhado a atividade esquerdista das últimas semanas poderá ver isso. E se eles começarem a governar um pouco, 80% do tempo eles passam planejando, 10% aprovando leis odiosas e o restante dormindo com barbitúricos. Deixe que eles me expliquem isso.

4º Morreu há poucos dias Toni Negri, o teórico marxista que dizia que o Estado-nação não era mais o fator determinante de nada e que o mundo era dominado em rede por instituições despóticas: empresas, grupos financeiros, mídia, políticos bonzinhos e, é claro, ONGs. Bem, como podemos ver, em redes ou em organizações tradicionais, os Estados continuam a travar guerras, controlar populações, aumentar ou diminuir impostos. Nessas estruturas, sociopatas, assassinos em série, personagens violentos em vários níveis, sobem e estão ficando cada vez piores.

As soluções propostas pelos esquerdistas: votar para acabar com o fascismo… Mas há cada vez mais voto e mais fascismo! Tiraram o Casado e entrou o Feijóo. Tiraram o Ciudadanos e entrou o Inominável. Tiraram Soraya, Cifuentes, Cospedal, Baños, Aguirre! e entrou Ayuso. Não tenho nada contra a democracia, mas é preciso ressaltar, sem sombra de dúvida, que o que o fascismo faz ao votar é avançar. Que ao construir Estados, tornando-os mais fortes e legítimos, os problemas se tornam cada vez maiores. Ou estou sendo impreciso?

Portanto, amigos anarquistas, quando seu ânimo estiver abalado, lembrem-se: somos os construtores de um mundo melhor, apontamos o caminho sem condescendência, damos a mão a qualquer causa justa e nos afastamos quando nos dizem que a conquista do poder é a equação a ser resolvida. O poder não é algo a ser conquistado. Ou ele é destruído ou se torna mais forte.

Fonte: https://alasbarricadas.org/noticias/node/53733

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

bambu quase quieto,
voltado para o poente,
filtra a luz da tarde.

Alaor Chaves

[Espanha] Libertário: ou como a pilhagem semântica da ultradireita está nos deixando sem palavras

No passado, a palavra libertário definia alguém como Buenaventura Durruti ou Federica Montseny. Hoje, o candidato da extrema direita argentina Javier Milei e setores do Vox se apresentam dessa forma.

Por Darío Adanti | 07/10/2023

Até recentemente, a palavra libertário era sinônimo do movimento anarquista: revolucionários de esquerda em uma luta obstinada contra o capitalismo. Hoje, ela é frequentemente ouvida como um rótulo para a extrema direita ultraliberal capitalista.

No passado, a palavra libertário definia alguém como Buenaventura Durruti ou Federica Montseny. Hoje, o candidato da extrema direita argentina Javier Milei e setores da Vox se definem como tal.

Mas como essa palavra deixou de representar uma coisa ontem para representar o oposto hoje?

É sempre bom começar com o dicionário, então vamos lá.

Tem a palavra o dicionário

De acordo com o dicionário da Real Academia Espanhola, libertário é “na ideologia anarquista, aquele que defende a liberdade absoluta e a supressão de todo governo e de toda lei”. E, de acordo com o dicionário da Academia Francesa, libertário é aquele “que considera ideal uma sociedade em que não haveria lei nem poder constituído e em que nenhuma restrição seria imposta à liberdade individual. Os anarquistas afirmam ter essa doutrina”.

Em inglês, entretanto, de acordo com o dicionário Merriam-Webster, libertário é “um defensor da doutrina do livre arbítrio, defendendo os princípios da liberdade individual de pensamento e ação. Um membro de um partido político que defende os princípios libertários”.

Vemos que, embora em nosso dicionário e no de nossos vizinhos a palavra ainda esteja associada ao anarquismo, em inglês ela não é mencionada e faz alusão a membros de um partido político libertário. E, veja bem, em vez de liberdade, ela fala de livre arbítrio.

Nessas nuances, podemos traçar a polissemia que permite que a palavra libertário nomeie dois antagonistas: os proletários anticapitalistas e a burguesia capitalista. E isso tem sua história. Aqui vamos nós.

Um passeio pelo passado

Aqui eu resumo um punhado de séculos de história. Após batalhas e várias lutas, os reinos europeus foram anexados e cresceram, o que os forçou a obter cada vez mais recursos. Eles aumentaram as rotas comerciais existentes e abriram novas, conquistando terras e povos distantes. Assim, chegamos aos impérios e ao absolutismo monárquico. De repente, alguns franceses muito inteligentes inventaram o Iluminismo: eles envergonharam a monarquia e criaram ideias como os direitos do homem, a igualdade, a fraternidade e a liberdade. Esse foi o nascimento da ideia maluca de que era possível ser livre em vez de ser súdito de um soberano preguiçoso. Esse é o nascimento do liberalismo.

Os monarcas europeus proibiram suas colônias no Novo Mundo de comercializar livremente com outros reinos e impuseram preços e impostos a elas. As pessoas se revoltaram e organizaram revoluções. Primeiro nos Estados Unidos, depois na França e, mais tarde, nas colônias espanholas na América. Eles derrubaram governos, criaram novos países e se organizaram em novos sistemas políticos, como a democracia. Mas eram democracias parciais desfrutadas por poucos. Essas revoluções marcaram a irrupção da burguesia na esfera do poder, até então nas mãos da oligarquia.

Mas, então, James Watts teve a ideia de aperfeiçoar a máquina a vapor de Newcomen, e o inferno começou: a revolução industrial eclodiu e, com ela, nasceram as classes sociais que conhecemos hoje. Foi aí que surgiu a palavra libertário.

O proletariado está chegando

A revolução industrial decolou como um incêndio e os países ocidentais se industrializaram ao máximo. Esse também é o início da crise climática que está chegando. Alguns filhos da burguesia investiram em maquinário e se tornaram capitalistas. A produção em massa começou e, graças às ferrovias, o mercado se expandiu a uma velocidade vertiginosa. Mas todas essas máquinas precisavam de mão de obra e de pessoas para extrair o carvão das minas. Eles trabalhavam do amanhecer ao anoitecer e por dois centavos. Agora, o proprietário de terras que explorava os camponeses estava acompanhado do capitalista que explorava os trabalhadores.

Foi então que o francês Saint-Simon deu mais uma reviravolta no que seus iluminados predecessores haviam escrito e apresentou a ideia maluca de que a classe trabalhadora deveria ter seus direitos e necessidades reconhecidos. Como conseguir isso? Esse foi o nascimento das ideias de esquerda e, com elas, do anarquismo.

A pequena palavra em questão

Naquela época, os benefícios do liberalismo eram privilégio exclusivo da elite, que também detinha o poder político. Saint-Simon e seus seguidores argumentavam que o papel do Estado deveria ser alterado: de braço armado do poder econômico para reprimir as demandas dos trabalhadores, ele deveria passar a garantir a distribuição justa de recursos e benefícios.

Em meados do século XIX, outro francês, Pierre Joseph Proudhon, apareceu e foi um pouco mais longe: ele achava que a melhor maneira de descentralizar o poder político era atomizar o Estado em um federalismo que garantisse a participação dos cidadãos. Ele foi o pai do anarquismo.

Lei da vida: o velho Proudhon era um fraco para as novas gerações. E foi outro anarquista francês, Joseph Déjacque, que se definiu como libertário, em oposição a Proudhon, a quem chamou de liberal. E a pequena palavra floresceu naquele ecossistema cultural convulsivo em que muitos tentaram pensar em novas formas de organização social mais justa. Mas os Estados, fantoches das elites econômicas, reprimiram os movimentos de trabalhadores que nasceram dessas ideias. Longe de desaparecer, a palavra libertário se consolidou.

A pequena palavra assume o controle

A proibição de jornais anarquistas na França, no final do século XIX, levou ao uso da palavra libertário na imprensa anarquista como uma forma de burlar a censura. Jornais, revistas, livros e ateneus surgiram com a pequena palavra em questão como sinônimo de anarquista.

A palavra se espalhou para o resto da Europa. E com a imigração em massa de trabalhadores europeus para o novo mundo, as ideias anarquistas e a palavra libertário chegaram à América do Sul. No início do século XX, os sindicatos anarquistas eram os que tinham o maior número de membros e os que mais lutavam contra o establishment. Eles também eram os mais combatidos pelas forças de repressão do Estado.

Enquanto isso, no mundo anglo-saxão, libertário já estava associado a outra esfera diametralmente oposta: a religião. Vamos dar uma olhada nisso.

A palavra libertário no mundo anglo-saxão

No final do século XIX, na Grã-Bretanha, no contexto do debate filosófico dentro do protestantismo, a palavra libertário tornou-se moda entre aqueles que defendiam o livre-arbítrio dado por Deus a seus filhos, em oposição àqueles que argumentavam que as ações humanas eram determinadas pela vontade divina. Por isso, o dicionário inglês fala de livre-arbítrio e não de liberdade.

Naquela época, o britânico Herbert Spencer havia adotado o darwinismo e, tirando-o do contexto, levou-o para o campo econômico e social, apontando o Estado como o culpado por impedir o potencial individual de comercializar e prosperar. Surgiu também a Escola Austríaca, adepta tanto do livre mercado quanto do individualismo. Entretanto, para aumentar a confusão, a própria palavra liberal estava prestes a assumir um significado específico do outro lado do oceano.

A propriedade da palavra “liberal”

No século XX, nos Estados Unidos, o presidente Roosevelt implementou o New Deal para tirar seu país da Grande Depressão. Agora o Estado estava encarregado das relações trabalhistas e assumiu a liderança da produção, criando empregos e garantindo condições decentes para os trabalhadores que, tendo mais tempo e dinheiro, tornaram-se consumidores que, por sua vez, aumentaram a demanda interna, impulsionando a produção. Uma ideia que também era defendida pelo britânico John Mainard Keynes. Roosevelt começou a usar a palavra liberal para identificar o Partido Democrata, e ela se tornou sinônimo das políticas progressistas que ele implementou para tirar o país da crise.

O surgimento desse novo papel do Estado como guardião da economia e mediador entre as classes conseguiu duas coisas: irritou as elites que estavam perdendo lucros para o proletariado e, ao mesmo tempo, reduziu a combatividade dos movimentos dos trabalhadores, mantendo-os longe da tentação de uma revolução social. Uma tentação muito real: havia pouco mais de uma década desde o triunfo da revolução na Rússia.

Por outro lado, o movimento anarquista estava prestes a sofrer um grande revés em todo o mundo. O que aconteceu?

A queda do anarquismo

A Guerra Civil Espanhola passou, o que deixou uma lição amarga para o movimento anarquista: mesmo com a solidariedade do proletariado internacional, o fascismo e sua poderosa máquina de repressão se mostraram invencíveis. Aqueles que não morreram na frente de batalha acabaram em campos de concentração nazistas ou reprimidos por Mussolini e Franco. A mesma coisa aconteceu na América Latina e na União Soviética de Stalin.

Nos Estados Unidos, quando o padrão de vida dos trabalhadores foi elevado, poucos queriam arriscar suas vidas por uma utopia de poder comprar um carro e uma máquina de lavar em prestações. O mesmo aconteceu na Argentina quando o primeiro governo de Perón implementou as ideias keynesianas, elevando o padrão de vida das massas trabalhadoras.

Na década de 1960, a Revolução Cubana despertou, mais uma vez, a ideia de revolução. Mas agora o anarquismo era minoria, e a ideia do Estado como o único capaz de articular mudanças sistêmicas era o que estava em alta.

Na década de 1970, a economia mundial entrou em crise e a direita liberal daria um novo salto. O neoliberalismo estava chegando.

Adeus ao monstro

Após uma redistribuição sem precedentes da riqueza em favor dos trabalhadores, graças ao estado de bem-estar social, a economia começou a despencar por vários motivos. Na Universidade de Chicago, surgiu uma nova tendência econômica, influenciada por Spencer e pela escola austríaca. Os chicagoenses, contrários a Keynes, pregavam a liberalização total do mercado: o neoliberalismo que Thatcher e Reagan propagariam.

Mas as potências industriais precisavam de matérias-primas baratas. A imposição dessa nova receita aos países latino-americanos tinha um obstáculo difícil de superar: os novos movimentos revolucionários nascidos na esteira da revolução cubana. Os golpes de Estado na América Latina foram orquestrados pelos Estados Unidos. A repressão continental do chamado Plano Condor, responsável pelo genocídio perpetrado por Pinochet, Videla e outros golpistas, pôs fim a qualquer possível resistência ao novo modelo neoliberal.

Pouco tempo depois, a União Soviética finalmente entrou em colapso e, com a queda do Muro de Berlim, o espectro do comunismo desapareceu.

Os habitantes de Chicago aplaudiram com suas orelhas.

Os dias atuais

Sem a ameaça do monstro soviético, por que continuar a perder dinheiro para as maiorias sociais? Não é mais o espectro da revolução que se interpõe entre eles e sua ambição, agora é o Estado de bem-estar social.

A ala direita tem se apegado à liberdade de mercado do liberalismo, desprezando outras liberdades e associando a palavra liberdade apenas à primeira. Eles tendem a se esquecer de que o próprio Adam Smith impôs um limite à mão invisível do mercado: que os recursos planetários estavam em risco.

Com uma classe trabalhadora identificada como classe média e em que a figura do trabalhador é substituída pela do consumidor, a direita não hesita em usar a palavra libertário como um rótulo para a ideia de abolir o Estado como um limite à expansão capitalista. Dessa forma, ela consegue disfarçar seu conservadorismo reacionário como rebelião revolucionária. É a mesma perversão de Donald Trump, que se diz anti-establishment quando é um empresário milionário do establishment.

Uma perversão completa que a extrema direita internacional está importando.

Uma perversão

Guillermo Fernández Vázquez, em seu livro Qué hacer con la extrema derecha en Europa: el caso del Frente Nacional (Madri, Lengua de Trapo, 2019), chama essa pilhagem de palavras pela extrema direita de “aquisição semântica”, graças à qual Marine Le Pen conseguiu se distanciar da liderança de seu pai e expandir a base e os votos de seu partido usando termos como “mulher”, “trabalhadores” ou “povo”, típicos do progressismo.

Não é coincidência que Javier Milei negue os desaparecidos da ditadura argentina e reivindique a figura de Carlos Menem: o primeiro foi encarregado de varrer a resistência à implementação do neoliberalismo na América do Sul e o segundo foi encarregado de implementar a agenda neoliberal de privatização dos serviços públicos e entrega dos recursos do país às multinacionais.

Talvez seja bom não entrar no arcabouço semântico dessa ultradireita reacionária disfarçada de nova e alternativa e continuar reivindicando a palavra libertário como parte da tradição dos trabalhadores, em memória daqueles que literalmente deram suas vidas para que hoje tenhamos os direitos que essa mesma ultradireita quer nos tirar, demolindo o único dique que temos para conter sua depredação: o Estado de Bem-Estar Social.

E ainda mais em tempos em que a sobrevivência de nossa espécie no planeta exige uma mudança drástica no paradigma de produção e consumo e uma redistribuição de recursos que acabe com a desigualdade. Ou, em outras palavras, acabar com o neoliberalismo e seu afã predatório defendido por aqueles que hoje se disfarçam como uma nova alternativa sob a palavra libertário.

Fonte: https://www.eldiario.es/cultura/libertario-saqueo-semantico-ultraderecha-dejando-palabras_1_10579283.html

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Quase escondida
entre a casca e o tronco
teia de aranha.

Rodrigo de Almeida Siqueira

[EUA] Grafite em memória de Tortuguita

Em meados de janeiro de 2024, alguns anarquistas pintaram um mural em memória de Tortuguita. Roubamos a tinta de uma grande loja e grafitamos o mural na lateral de um vagão de trem.

Tortuguita valorizava mais a vida da Floresta Weelaunee do que a morte de uma instalação de treinamento de concreto para a polícia. Além disso, Tortuguita tinha o compromisso de agir de acordo com esse valor contra os ditames e decretos do Estado e do Capital. Por isso, Tortuguita foi executade por agentes armados dos chamados Estados Unidos da América. Não nos esqueceremos.

Dedicamos nossa ação a Tortuguita e a todas as pessoas que valorizam mais a floresta do que a polícia, que se arriscam e agem contra o Estado, às pessoas próximas que perdemos, às que ainda estão aqui e às que ainda vamos encontrar.

Reivindicamos essa ação de forma anônima. Ocultamos os dados que identificam o vagão de trem específico que foi pichado e destruímos os metadados da foto que tiramos. Transferimos nosso relatório para a rede usando uma combinação de tails/tor. É sempre um bom dia para atacar o Estado. É sempre o momento de lembrar de nossos amigos.

Viva Tortuguita!

Tradução > Contrafatual

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/16/eua-autopsia-independente-revela-que-tortuguita-foi-morto-sentado-com-as-maos-levantadas/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/02/15/eua-ann-arbor-michigan-vai-as-ruas-em-solidariedade-a-tortuguita/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/01/31/eua-filadelfia-vigilia-e-caminhada-por-tortuguita/

agência de notícias anarquistas-ana

Minha mão vazia
Esperando a sua
Encontro que cria.

Gabriela Marcondes

[Hungria] Libertem todos os antifascistas: convocação de solidariedade de 29 de janeiro a 13 de fevereiro de 2024

O julgamento de Ilarla, Tobias e um terceiro camarada, presos em Budapeste em 11 de fevereiro de 2023 e acusados de atacar nazistas, terá início em 29 de janeiro. Ilarla e Tobias estão presos em Budapeste há 11 meses e enfrentam sentenças pesadas.

Em 13 de fevereiro, será realizada uma audiência para decidir sobre a extradição de Gabriele, que foi preso por causa de um mandado de prisão europeu em novembro de 2023, em Milão, e acusado dos mesmos ataques a nazistas.

Na Alemanha, Maja, que tinha um mandado de prisão europeu pendente por essas acusações, foi presa. Eles estão atualmente na prisão em Dresden em confinamento solitário.

Vários companheiros também são procurados pela polícia e ainda não foram presos.

Não deixaremos sozinhos os companheiros que estão sendo julgados, detidos e procurados.

É POR ISSO QUE ESTAMOS LANÇANDO DUAS SEMANAS DE MOBILIZAÇÃO DE SOLIDARIEDADE

PEDIMOS A TODOS QUE EXPRESSEM SUA SOLIDARIEDADE DE QUALQUER FORMA

Libertem todos os ANTIFAS

Comitê de Solidariedade Antifa de Budapeste

www.basc.news

Tradução > Contrafatual

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2024/02/02/hungria-depois-de-aparecer-acorrentada-no-tribunal-processo-contra-anarquista-italiana-e-adiado/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/12/13/presa-na-hungria-ilaria-denuncia-as-pessimas-condicoes-da-prisao/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/02/24/alemanha-em-solidariedade-aos-antifascistas-presos-na-hungria/

agência de notícias anarquista-ana

arco-íris no céu.
está sorrindo o menino
que há pouco chorou

Helena Kolody

Lula “combate” às mudanças climáticas…

[Hungria] Depois de aparecer acorrentada no tribunal, processo contra anarquista italiana é adiado

Foi aberto e adiado para 24 de maio o processo que corre em Budapeste contra Ilaria Salis, anarquista e antifascista italiana acusada de ter agredido dois extremistas de direita na capital húngara durante as comemorações do Dia de Honra da Hungria.

Todos os anos, no dia 11 de fevereiro, centenas de neonazistas homenageiam a tentativa fracassada de fuga das forças nazistas e dos soldados húngaros para fora de Budapeste durante o cerco da cidade pelo Exército Vermelho em 1945. Também nesta data acontecem protestos de manifestantes antifascistas.

A militante anarquista de 39 anos se declarou não culpada nesta segunda-feira (29/01) na primeira audiência do caso. Se Salis for condenada, os promotores solicitaram 11 anos de prisão para ela.

Ela foi levada ao tribunal acorrentada, com algemas nos pulsos e os pés presos por tiras de couro com cadeados, mas entrou no plenário sorrindo, sendo puxada por uma agente de segurança através de uma corrente.

“Foi chocante, uma imagem enlouquecedora. Ela nos disse que sempre era transferida nessas condições, mas vê-la chocou muito. Puxada como um cachorro, com algemas presas em um cinturão de onde saia uma corrente até os pés. Ficou assim por três horas e meia”, relatou Eugenio Losco, um dos advogados italianos de Salis.

“É uma grave violação das normas europeias. A Itália precisa acabar com essa situação agora”, acrescentou, acompanhado do pai dela.

O representante legal também explicou que a professora milanesa estava sorrindo porque viu amigos e familiares, com quem pôde falar pela primeira vez sem um vidro ou uma tela: “Depois também falei com ela após a audiência, e é claro que em uma situação como essa não é possível ser otimista”.

Um funcionário da embaixada da Itália também estava presente, e nesta terça-feira (06/02) os advogados e o pai de Ilaria Salis se encontrarão com o embaixador italiano em Budapeste, segundo Fusco: “O Estado italiano não pode continuar ignorando uma situação carcerária e processual que viola nossas leis”.

“Além disso, Ilaria se declarou não culpada mas explicou que nunca pôde ler os autos, que nunca foram traduzidos, e nunca viu as imagens sobre as quais se baseia a acusação. Essa situação precisa acabar, ela precisa ser transferida para a Itália”, disse o advogado.

Um cidadão alemão, acusado no mesmo processo, foi condenado a três anos de prisão. O julgamento foi imediato porque o homem se declarou culpado.

Fonte: agências de notícias

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Abriu-se a papoula
E ao vento do mesmo dia
Ela veio ao chão.

Shiki

[Grécia] “Ouçam com atenção o que os estudantes dizem, nunca vão criar universidades privadas”

Nas ruas desta quinta-feira (01/02), estudantes secundaristas, universitários, professores e apoiantes protestaram pela quarta semana contra os planos do governo de estabelecer universidades privadas. Grandes protestos estudantis foram realizados em Atenas, Tessalônica , Patras, Heraklion, Ioannina  e outras cidades do país.

Em Atenas, milhares de pessoas marcharam pelo centro da cidade. Pouco antes das 15 horas. a tensão aumentou fora do Parlamento e as forças policiais lançaram pesadamente produtos químicos contra os estudantes, numa tentativa de romper os blocos, criando uma atmosfera sufocante. Pouco depois das 15 horas, a tensão continuava nas ruas estreitas em redor do Politécnico (Universidade Técnica de Atenas).

“Ensino gratuito, os estudantes não são clientes”, “os estudantes não são criminosos, estão lutando pelo ensino público e gratuito”, “ouçam com atenção o que os estudantes dizem, nunca vão criar universidades privadas”, “Os estudantes unidos vencerão”, foi alguns dos slogans que foram ouvidos no dinâmico protesto.

Mais de 250 departamentos de ensino estão atualmente ocupados em todo o país, aguardando novas assembleias gerais que determinarão a continuação das mobilizações.

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aquecer as mãos
requentar as noites
esquecer os dias

Goulart Gomes

[México] Novo fanzine sobre o caso do anarquista Miguel Peralta Betanzos

Compilação de escritos, cartas, comunicados, reflexões, notícias e ações na luta contra a perseguição política e pela liberdade absoluta de Miguel Peralta Betanzos, indígena Mazateca e anarquista da comunidade de Eloxochitlán de Flores Magón, Oaxaca.

Apresentação

Este fanzine é o produto do trabalho e da solidariedade de uma rede de indivíduos e coletividades que colocaram em prática, ao longo dos anos, o apoio, o acompanhamento e a cumplicidade na luta contínua pela liberdade do indígena mazateca e anarquista Miguel Peralta Betanzos e do povo de Eloxochitlán de Flores Magón, Oaxaca.

É também uma expressão das relações de apoio mútuo, amizade e afinidade que se consolidam entre prisioneiros, pessoas perseguidas e aqueles que os acompanham nos processos de luta antiautoritária contra a prisão e a perseguição. A prisão e a perseguição não nos destroem, mas fortalecem nossa solidariedade e cumplicidade.

Finalmente, é um pequeno gesto de solidariedade anarquista com Eloxochitlán de Flores Magón e com os povos indígenas de todo o mundo, que estão constantemente enfrentando o ataque do Estado e do capital.

Que este fanzine sirva como uma ferramenta de reflexão, discussão, debate e ação.

Convidamos todos a divulgá-lo ampla e livremente.

Fogo para a prisão e para a sociedade que precisa dela!

Solidariedade com Miguel Peralta e o povo de Eloxochitlán de Flores Magón!

>> Baixar:

http://www.anticarcelaria.org/wp-content/uploads/2024/01/MP_Fanzine_3_Final_Leer.pdf

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Choveu há pouco –
O sol baixa das nuvens
Finas cortinas de névoa.

Paulo Franchetti

A defesa dos direitos humanos em Cuba segue sob assédio

No marco do Dia dos Direitos Humanos e da celebração do 75º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, manifestamos nossa profunda preocupação porque em Cuba se continua detendo arbitrariamente, se persegue e intimidam as pessoas defensoras dos direitos humanos, jornalistas e artistas.

Apesar de que o Estado cubano nega ante instâncias internacionais que no país haja pessoas privadas de liberdade por motivos políticos ou por seu trabalho de defesa dos direitos humanos, seguimos documentando detenções arbitrárias, intimidação e inclusive, tortura e maus tratos contra pessoas defensoras dos direitos humanos que se encontram em prisão.

Em particular, nos encontramos profundamente indignadas porque em 19 de novembro passado, Luis Barrios Díaz de 37 anos de idade, faleceu na prisão 1580 de La Habana por causa de falta de atenção médica, enquanto cumpria uma condenação de seis anos de privação de liberdade por ter participado nos protestos de 11 de julho de 2021.

O caso de Luis é um reflexo das mortes em custódia que não são investigadas pelo Estado e que, pelo contrário, são encobertas. Tão somente durante 2023, se documentaram 12 mortes de pessoas privadas da liberdade em centros de reclusão. Ante esta grave situação, o Comitê contra a Tortura das Nações Unidas, assim como a comunidade internacional no marco do Exame Periódico Universal, chamou o Estado cubano a ratificar o Protocolo Facultativo da Convenção contra a Tortura o qual tem por objetivo estabelecer um sistema de visitas periódicas a cargo de órgãos internacionais e nacionais independentes aos lugares em que se encontrem pessoas privadas de sua liberdade, com o fim de prevenir a tortura e os maus tratos.

Igualmente, no marco do 75º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e conforme as recomendações emitidas pelo Comitê contra a Tortura e do Mecanismo do Exame Periódico Universal, chamamos o Estado cubano a tomar todas as medidas necessárias para proteger as pessoas defensoras dos direitos humanos, jornalistas, artistas e suas famílias, contra as ameaças, a perseguição e as interferências indevidas no exercício de seus direitos à liberdade de opinião, expressão, defesa de direitos humanos e de associação. O Estado cubano deve também velar para que ditos delitos sejam investigados de forma expedita, independente e exaustiva e em particular as denúncias de uso excessivo da força e maus tratos perpetrados por agentes do Estado no marco dos protestos de 11 de julho de 2021.

É urgente que Cuba cumpra com suas obrigações internacionais em matéria de direitos humanos, erradique e proíba a tortura, e garanta à população um entorno seguro e propício para a defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão e o direito de associação.

Organizações signatárias

– Organización Mundial Contra la Tortura

– Instituto sobre Raza, Igualdad y direitos Humanos

– Cubalex

– Justicia 11J

– Centro de Documentación de Prisiones Cubanas

– Artículo 19

– Centre for Civil and Political Rights (CCPR)

Fonte: https://justicia11j.org/la-defesa-de-direitos-humanos-en-cuba-segue-sob-assedio/

Tradução > Sol de Abril

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pinta no nariz –
era uma pulga que
fugiu por um triz

Carlos Seabra

Novo som do Ktarse: “Kissinger (100 anos de um facínora)”

Ktarse – Kissinger (100 anos de um facínora) participação Igor C.D.O (Vídeo Lyric Produção Thiago Augusto)

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Cem anos de um facínora sangrento / Sedento por atrocidades, bombardeios / Kissinger emigrou para Estado Unidos / De família judia fugindo do nazismo

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Em mil novecentos e trinta e oito / Refugia no território norte-americano / Após cinco anos se torna naturalizado / Cidadão americano e professor catedrático

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Em Harvard orbitando os liberais / Dirigiu o centro de estudos internacionais / E programas de estudos de defesa dos insanos / Belicistas imperialistas norte-americanos

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Conselheiro de segurança nacional / Serviu a vários governos na função oficial / De Nixon, Ford, Reagan,  vai vendo / Serviçal desgraçado desses excrementos

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Cientista político defendia  convictamente / Establishment da política estadunidense / Legitimou uma pá de guerras do tio Sam / Genocídio em Laos, Camboja, Vietnã

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Arquitetou o despejo contra os vietnamitas / De 8 bilhões de litros de herbicida / Agente Laranja como é conhecido / Causando efeitos tenebrosos e sinistros

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Os impactos das bombas desfolhantes / Descarregadas contra a guerrilha vietcongue / Afetou milhares de civis, crimes de guerra / Cinquenta e dois anos depois as sequelas

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Câncer, malformação física e mentais / Irreversíveis desastres ambientais / Kissinger com seu livro de merda / Armas nucleares e politicas externas

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Disfarça seu lado assassino e cruento / De boa intenção o inferno está cheio / No qual Kissinger  propõem  o conceito / De guerra nuclear limitada, vai vendo

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Dizia ser uso tático e racional / Substituir o conceito de guerra nuclear total / Engenharia da necropolítica / Kissinger assassino, genocida

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REFRÃO

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Henry Kissinger criminoso de guerra / Verme do caralho só fez peso na terra / É lastimável para a história da humanidade / Um genocida viver até os cem anos de idade

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Inúmeras atrocidades do século vinte / Foi arquitetada pelo facínora Kissinger / Articulador de mortes sem precedentes / Como o assassinato de salvador Allende

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Kissinger mentor de ditaduras na América / Assassinatos e torturas nos guetos e favelas / Golpes no Uruguai, Argentina, Brasil / Militares matando civis a sangue frio

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O Estado e capitalismo engrenagens do terror / Estude e pesquise operação condor / Policiais estrangeiros com a conveniência / De governos locais e sua subserviência

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Ao imperialismo estadunidense que financia / Ditaduras cruentas na América latina / Contrainsurgência, oficiais capachos / Assassinaram militantes exilados

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Criminoso de Guerra, reincidente / Infinitas violências em prol do ocidente / É impossível descrevê-las nessa letra /Mais vale ressaltar a ditadura chilena

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Uma das mais cruéis na história do Chile / Que teve influência ideológica de Kissinger / Apoiador do golpe militar e de Pinochet / Ditador que fez muito sangue escorrer

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A ganância capitalista é sinistra / 4 mil pessoas mortas e desaparecidas / O sadismo dos agentes de Estado / 38 mil presos e torturados

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É o resultado do golpe militar no Chile / Orquestrado pelo facínora Kissinger / Sádico imperialista, arquiteto da violência / Um dos maiores criminosos do planeta

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REFRÃO

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Henry Kissinger criminoso de guerra / Verme do caralho só fez peso na terra / É lastimável para a história da humanidade / Um genocida viver até os cem anos de idade

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Dias antes de morrer, o facínora / Criticou os protestos pro-palestina / Principalmente na região da Alemanha ? Fez uma par de declaração insana

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Disse que foi um erro o governo de Berlim / Aceitar e permitir a entrada em seu país / De imigrantes com religiões diferentes / Que não seguem a cultura do ocidente

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Kissinger fascista, sádico, criminoso / Maldito, verme, parasita, asqueroso / Disse que Berlim deveria dar / Todo apoio belicista e militar

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Ao Estado nazisionista / E reprimir os protestos pro-palestina / Mostrando novamente antes de morrer / Ser um mentecapto sedento pelo poder

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Vampirista social, não se farta / Em sugar o sangue das quebradas / Kissinger trás em seu DNA assassino / Os interesses atroz do imperialismo

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A morte de Kissinger é revoltante / Em todos os sentidos repugnante, / Um Facínora morrer com 100 anos de idade / Fazendo apologia a violência e crueldade

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Cometendo crimes de guerra e carnificina / Gozando de impunidade com ousadia / Deixando para seus herdeiros riquezas / Banhada em genocídio, miséria, violência

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Morticínio, extermínio e guerras cruentas / Arquitetadas por Henry em todo planeta / Kissinger é símbolo do império capitalista / Uma memória sombria, sádica e facínora

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REFRÃO

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Henry Kissinger criminoso de guerra / Verme do caralho só fez peso na terra / É lastimável para a história da humanidade / Um genocida viver até os cem anos de idade

>> Clique aqui para escutar:

https://www.youtube.com/watch?v=zqI0QH8QYLI

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Num atalho da montanha
Sorrindo
uma violeta

Matsuo Bashô

[Grécia] Assumindo a responsabilidade pelo ataque a bomba contra o Banco Nacional em Petralona

No momento em que a economia “liberal” é imposta pelo sistema capitalista, sendo a base do programa de direita, tanto na Grécia como na maioria dos países do mundo, os bancos são a joia da coroa.

O tirano legal que intervém e influencia as nossas vidas em nome do dinheiro, empobrecendo o povo e enriquecendo os asseclas e capangas do governo.

Não é por acaso que os gigantes do setor privado, banqueiros e governos, são os principais beneficiários da crise permanente que atinge este país há anos. Privatizam todos os serviços públicos que pertencem ao povo, assegurando o seu dinheiro nos bancos a taxas de juros exorbitantes, ficando cada vez mais ricos. Eles desempenham um papel fundamental nos leilões, apoderando-se das casas das pessoas o mais rapidamente possível, sem qualquer consideração pelas pessoas que sofrem há anos por causa deles.

Os exemplos são inúmeros: idosos com problemas de saúde, desempregados e tantos outros que simplesmente não pertencem ao círculo corrupto dos verdadeiros bandidos – predadores do governo, grandes armadores e banqueiros. Nem é preciso dizer que contam com o apoio e a ajuda dos canalhas uniformizados da polícia, que como conhecidos fantoches dos ricos correm para cumprir a “missão” do despejo, recebendo propinas dos grandes agiotas.

Poderíamos dizer muito mais, mas todos conhecemos o papel miserável dos bancos. Então voltaremos a isso depois do nosso próximo golpe.

A principal razão pela qual escolhemos atacar, num contexto de solidariedade prática, este banco específico, na rua Trion Ierachon 115, no bairro de Petralona, é a audiência de recurso do companheiro anarquista Fotis Tziotzis¹, que terá lugar no dia 02 de fevereiro de 2024.

Este banco foi o primeiro objetivo financeiro da sua ação, com o objetivo de continuar o caminho consciente de ilegalidade que escolheu ao não respeitar a sua saída da prisão de Larissa, porque não regressou à detenção, mas escolheu com dignidade continuar a trilhar os caminhos da liberdade e da luta armada.

Nenhum bastardo do Estado pode impedir a liberdade.

Nada ficará sem resposta, juízes, procuradores, polícias que alegremente levam prisioneiros para os tribunais, lembrem-se que ninguém está sozinho.

Tudo continua…

O coletivo assume a responsabilidade

Conspiração da Vingança

Nota da ANA:

[1] Fotis foi preso em 2015, acusado de roubo e tentativa de homicídio de policiais. Após sete anos de prisão, ele não voltou da licença, mas infelizmente foi preso pouco depois.

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Se afasta a lanterna
Sumindo na escuridão —
O canto do cuco.

Shiki