[Chile] Solidariedade de Wallmapu | Cartas da prisão.

Temuko 14/08/2023.

A todos aqueles que lutam e à opinião pública em geral.

Ao longo da história da humanidade, as pessoas têm se levantado lutando e resistindo contra a tirania e a opressão impostas de diferentes formas e em diferentes contextos. É assim que o sistema capitalista, por meio de seus cães fiéis, como o Estado e o governo, faz o impossível para impedir qualquer um que lute a favor de seu povo, aumentando as penas, criando novas leis para segregar e desmantelar todo bastião de luta e resistência.

Deve-se observar que isso só aumenta nossos laços de solidariedade e apoio a todos aqueles comprometidos com a luta contra o sistema capitalista.

É por isso que desde o território Wallmapu, Prisão de Temuco, expressamos nosso apoio e solidariedade com o atual processo que a companheira Mónica Caballero e o companheiro Francisco Solar estão atravessando, dando-lhes todo o nosso newen e, ao mesmo tempo, destacando toda a coragem, bravura e valentia dada para enfrentar esta etapa marcada por acusações injustas, onde os verdadeiros criminosos, terroristas, delinquentes e assassinos estão livres com as mãos manchadas de sangue.

Um abraço forte e cheio de renovação, solidariedade, apoio, esperança e resistência.

Mónica Caballero nas ruas, já!

Francisco Solar nas ruas, já!

Pela anulação das sentenças da justiça militar de Pinochet para o companheiro Marcelo Villarroel.

Liberdade para todos os prisioneiros mapuches e subversivos.

Enquanto houver miséria, haverá rebelião!

Até a vitória ou a morte!

Amulepe taiñ weichan

Marrichiweu!

-Antu Llanca.

-Joaquin. H.Q.

-Maximo Queipul.

-Luis Tranamil.

-José Cáceres Salamanca.

-Raúl Canuilla Huenulao.

-Luis Fuenzalida Eneros.

-Juan Rodríguez Huenupil

-Nelson Queupil Soto.

-Eduardo Fuica.

-Fabián Llanca.

-Freddy Marileo Marileo.

-Carlos Fierro Huenuman.

-Patricio Queipul Millanao.

-Emilio Berkhoff.

-David Torres Painemilla.

P.P. Mapuche e subversivos

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Pétalas de rosas
Entre as folhas do diário
Seca recordação

Teruo Tonooka

[Itália] Atualização sobre a situação de Alfredo Cospito e apelo à solidariedade (agosto de 2023)

Recebemos notícias de que Alfredo, na prisão de Bancali (Sassari), se encontra bem fisicamente e recuperou peso após sua greve de fome de seis meses. No entanto, recebe muito pouco correio, quase nada, e, inclusive, quando a prisão retém cartas, postais ou telegramas, nem sempre o comunicam. Por isso ele não tem ciência do que lhe enviam. Deste modo, se encontra submetido a uma censura ainda maior e mais arbitrária que a já muito dura do 41 bis. Assim, fazemos um chamado a não deixar de mostrar-lhe nossa solidariedade e convidamos a todo o mundo a escrever-lhe cartas ou postais por correio certificado com registro de recebimento, para aumentar as possibilidades de que lhe entreguem e, se as retêm, de que se inteire disso.

Contra todos os cárceres!

Cassa Antirepressione Alpi Occidentali

>> Endereço do companheiro:

Alfredo Cospito

Casa Circondariale di Sassari, località Bancali, 07100 Sassari SS,

Itália.

Fonte: https://lanemesi.noblogs.org/post/2023/08/20/aggiornamento-sulla-situazione-di-alfredo-cospito-e-appello-alla-solidarieta-agosto-2023/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/06/29/italia-alfredo-cospito-e-anna-beniamino-foram-condenados-a-23-anos-e-17-anos-e-9-meses/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/05/03/italia-atualizacoes-sobre-o-estado-de-saude-de-alfredo-apos-interrupcao-da-greve-de-fome-27-de-abril-de-2023/

agência de notícias anarquistas-ana

A velha mão
segue traçando versos
para o esquecimento.

Jorge Luis Borges

[Chile] Santiago: Dança para a subversão. Jornada artístico-cultural e antiautoritária em homenagem a Claudia López

Já se passaram 25 anos desde que tiraram sua vida, hoje nós a comemoramos entre danças, fogo e rebelião“.

Koletivo Artístico Claudia López

Estende o convite para participar de sua primeira atividade Autogestionária, a ser realizada no sábado, 26 de agosto, das 15h00 às 20h30, em Agustinas 2384, no centro de Santiago.

Por meio de expressões artísticas e culturais antiautoritárias, manteremos viva a memória de nossa companheira Claudia Lopez.

A jornada começa às 15h00 com um bloco infantil, também teremos comida vegana à venda e Feiras Libertárias.

Em breve, daremos mais detalhes sobre a jornada.

Estamos esperando por você!

A liberdade só pode ser realizada em comunidade e somente na mais estreita igualdade e solidariedade de cada um com todos“.

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/08/03/chile-santiago-conversatorio-memoria-reflexoes-e-continuidade-memoria-subversao-claudia-lopez-presente-4-de-agosto/

agência de notícias anarquistas-ana

Quando me canso da paisagem
Do leste, viro a cadeira
Para oeste.

Paulo Franchetti

[Espanha] Demissão do gerente da área de saúde após denúncias da CGT-Osuna

A demissão, pelo Serviço Andaluz de Saúde (SAS), de Celso Ortiz, da gerência da Área de Gestão de Saúde de Osuna, em Sevilha, ocorre após inúmeras denúncias do sindicato CGT sobre a administração do centro e supostas irregularidades cometidas pelo diretor econômico-financeiro da Área de Saúde de Osuna, Casto Ortiz Montaño. O sindicato havia denunciado a divisão de contratos, processos seletivos e cobrança de salários suplementares sob o comando de Castro Ortiz.

A petição da CGT-Osuna exige a demissão imediata de Casto Ortiz Montaño de qualquer cargo de importância, sanções por falta grave e seu retorno ao cargo básico. Vale lembrar que ele supostamente obteve seu cargo falsificando seu tempo de trabalho, obtendo assim uma posição permanente no SAS. Sem esquecer as acusações de folhas de pagamento falsas, assinaturas de cargos inexistentes e a divisão de contratos importantes em contratos menores para favorecer partes interessadas. Também se denunciam a política de assédio que ele exerceu em seu cargo, tanto no governo do PSOE quanto no do PP, contra o exercício dos direitos sindicais.

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/cese-del-gerente-de-area-sanitaria-tras-denuncias-de-cgt-osuna/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

As vozes não têm idade
quando falam de terremotos
à luz das lareiras.

Kyoroku

Mais de 6 mil civis morreram em Mianmar nos 20 meses pós-golpe

Mais de 6 mil civis morreram em Mianmar nos 20 meses que se seguiram ao golpe militar de 1º de fevereiro de 2021, de acordo com um relatório divulgado nesta terça-feira (13) pelo Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo.

“Nossos dados mostram que o balanço humano do conflito é mais alto do que se disse antes e que, embora a junta seja claramente a principal culpada, as forças antijunta também têm muito sangue nas mãos”, ressaltou um dos dois autores do estudo, Stein Tønnesson, em um comunicado.

O informe coloca o número de civis mortos “por motivos políticos” em 6.337 entre 1º de fevereiro de 2021 e 30 de setembro de 2022, e o número de feridos, em 2.614, no mesmo período. Esse total é muito superior aos que circularam até então, muitas vezes parciais, incluindo os feitos por instituições internacionais.

Segundo o relatório do instituto norueguês, quase metade das vítimas (3.003) é atribuível ao regime — exército, polícia e milícias —; 2.152, a grupos armados de oposição, e outros 12, a outros civis sem ligação com o governo, ou com os opositores. Além disso, 1.170 civis teriam morrido nas mãos de atores desconhecidos.

“É um número superior do que os que são, geralmente, citados na mídia e, no entanto, não passa de uma estimativa, baseada nos mortos relatados em meios confiáveis”, enfatizam os autores, temendo um saldo muito maior.

Alegando fraude eleitoral em massa, o Exército birmanês anulou as eleições legislativas vencidas pelo partido de Aung San Suu Kyi e derrubou seu governo.

Desde então, a junta iniciou uma repressão em larga escala contra qualquer voz dissidente, prendendo mais de 23 mil pessoas, de acordo com um grupo local de monitoramento.

Fonte: agências de notícias

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/07/20/espanha-campanha-contra-a-repressao-aos-trabalhadores-em-mianmar/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/05/24/peticao-internacional-de-solidariedade-com-o-movimento-de-desobediencia-civil-de-mianmar-cdm/

agência de notícias anarquistas-ana

tocar sobre teu corpo
ao silêncio das estrelas
um acorde de guitarra

Lisa Carducci

[Alemanha] “Tinta Negra” | Convenção de Tatuagem Antiprisão

Convenção de tatuagens e modificações corporais contra a prisão em Solidariedade com prisioneiros anarquistas, subversivos e revolucionários. “Tinta Negra” – outubro de 2023 em Berlim, território ocupado pelo estado alemão.

Como um grupo de diferentes indivíduos contra a sociedade carcerária, decidimos organizar “Tinta Negra”, uma convenção de tatuagem e modificação corporal antiprisão em solidariedade aos prisioneiros anarquistas, subversivos e revolucionários, que ocorrerá em outubro.

Tinta Negra nasceu da necessidade de apoiar financeiramente os companheiros em prisão. As prisões preventivas e seus períodos de investigação costumam ser longos e caros, assim como as longas sentenças exemplares aplicadas aos companheiros como parte da dura estratégia repressiva de colaboração com o Estado. Os custos são extremamente altos e difíceis de arcar, especialmente para os círculos de solidariedade em torno dos prisioneiros, que também são atingidos pela repressão.

Nos últimos anos, houve várias ações contra o poder e a autoridade, com diferentes níveis de intensidade, por parte dos companheiros em todo o mundo.

Como sabemos muito bem, o Poder não se deixa atingir sem reagir, por isso a opressão e a repressão contra o movimento anarquista, subversivo e revolucionário também cresceram.

É por isso que não podemos ficar indiferentes ao encarceramento de nossos companheiros sequestrados nas prisões dos Estados em todo o mundo.

Usamos a cor preta em nosso nome “Tinta Negra” para reivindicar nossa herança anarquista e a história dessa luta, bem como nosso compromisso constante com aqueles que resistem de todas as formas possíveis em todo o mundo. Também como um gesto internacionalista para com os companheiros do território chamado Uruguai, que vêm usando esse nome há anos.

Esperamos vê-los em outubro para três dias de tatuagens, discussões, oficinas e música pela solidariedade e pela anarquia.

Mais informações em breve…

tintanegraconvention.noblogs.org

tintanegra_tattoo@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

casca oca
a cigarra
cantou-se toda

Matsuo Bashô

[Espanha] Médicos libertários, contra o fascismo e a opressão

O anarcossindicalismo libertário teve destacados profissionais da medicina que foram perseguidos e represaliados pelo franquismo e o fascismo. Nas quatro seguintes reportagens, o escritor Víctor Moreno nos traz as histórias de alguns deles: Amparo Poch Gascón, Félix Martí Ibáñez, Javier Serrano y Coello e Isaac Puente Amestoy, este último fuzilado em 1936. Figuras todas elas desconhecidas e cujas vidas bem merecem ocupar um vazio de nossa memória democrática.

 Amparo Poch Gascón: feminista, escritora e antifascista

Desde menina, Amparo Poch Gascón, quis estudar medicina, mas seu pai se opôs radicalmente: “Não é carreira própria de mulher”, sentenciou. Ainda assim, e depois de cursar Magistério, se matriculou em Medicina, seu grande sonho. Aí se destacou acima de seus companheiros homens: matrículas em todas as matérias, colocando-se como uma das primeiras alunas da Faculdade. Desde o princípio, Amparo Poch mostrou sua atitude radical feminista, muito antes de ingressar no anarquismo.

Félix Martí Ibáñez, médico e intelectual

Sobrinho do escritor Vicente Blasco Ibáñez, Félix Martí Ibáñez estudou medicina em Barcelona, licenciando-se com 22 anos. Mais que um anarquista nato, se mostrou antifascista, defendendo um respeito, inusual na época, a todas as ideologias políticas que defendiam o projeto não confessional e político que representava a República. Foi o grande artífice da primeira lei do aborto que houve na Espanha ou, mais precisamente, na Catalunha. Martí procedia da corrente eugênica, daí que enfatizasse como médico nos aspectos como o controle da natalidade, o aborto livre, a proteção sócio-sanitária à infância, criação de liberatórios da prostituição, centros de informação juvenil e sexual.

Javier Serrano y Coello, o “médico benfeitor”

O médico espanhol que melhor representou a luta pela defesa do proletariado em matéria de saúde. Serrano era anarquista, mas não descuidava os aspectos reformistas que a melhora sanitária dos trabalhadores requeria de imediato. Daí que, inclusive, dentro da militância libertária médica, algumas de suas propostas não receberam o aplauso que mereciam, sendo, pelo contrário, tachado de burguês e de reformista, uma das razões pelas quais a direção do sindicato (CNT) não viu com bons modos suas abordagens.

Isaac Puente Amestoy, médico, anarquista, libertário

No terreno do sindicalismo sanitário, Isaac Puente foi um dos promotores da Federação Nacional de Indústria de Saúde da CNT. Como médico, defendeu o maltusianismo e o naturismo. Após o levante militar de julho de 1936, foi detido em 28 de julho de 1936 e transladado ao cárcere de Vitoria. Na noite de 31 de agosto foi tirado do cárcere e fuzilado no desfiladeiro de Pancorbo (Burgos). Como em tantos outros casos, sua casa, patrimônio e bens pessoais foram espoliados pelo regime, ao mesmo tempo que tentaram sepultar seu nome no abismo do esquecimento.

Fonte: https://www.nuevatribuna.es/articulo/cultura—ocio/medicos-libertários/20230711124511214252.html?utm_campaign=twitter

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Ao cair da tarde
apenas uma cigarra –
Companheiras mortas.

Francisco Handa

[Espanha] Escola Libertária da CGT em Ruesta

De 1 a 3 de setembro de 2023

Mais uma vez, a CGT abre sua Escola de Verão Libertária, um espaço de encontro e discussão, aprendizado e lazer, onde todos nós podemos contribuir com nossas experiências e conhecimentos para enriquecer uns aos outros.

Este ano, de 1 a 3 de setembro, nos reuniremos em Ruesta sob o lema:

Todas as fronteiras:

Trabalhadoras e trabalhadores migrantes

Este ano, a Escola libertária debaterá sobre a sociedade atual em que vivemos, com alta tolerância à discriminação e às violações dos direitos humanos contra os migrantes, especialmente os migrantes não europeus.

Incluímos o pôster da escola e a introdução dos tópicos a serem discutidos, bem como o programa provisório.

Salve as datas!!!!

Estamos esperando por você!

Fonte: Secretaria de Ação Social da CGT

agência de notícias anarquistas-ana

aceita
o vôo é o leito
da borboleta

Joca Reiners Terron

[Espanha] John Cage, o anarquista do silêncio

“A arte não é algo que uma só pessoa faz, mas um processo posto em movimento por muitos“. – John Cage

Neste programa número 240 de “La Alegre Corchea Libertaria”, vamos apresentar o pianista e compositor John Cage, nascido em Los Angeles (EUA) em 5 de setembro de 1912. Este programa é uma reposição do programa número 36, de quando ainda não emitíamos em rádios livres.

Pioneiro da música aleatória, da música eletrônica e do uso não padrão de instrumentos musicais, Cage foi uma das figuras principais da vanguarda do pós guerra. Os críticos o aplaudiram como um dos compositores estadunidenses mais influentes do século XX. Foi decisivo no desenvolvimento da dança moderna, principalmente através de sua associação com o coreógrafo Merce Cunningham.

Cage é conhecido principalmente por sua composição 4′33″, três movimentos que se interpretam sem tocar uma só nota. Outra famosa criação de Cage é o piano preparado, para o qual escreveu numerosas obras relacionadas com a dança e várias peças para concerto.

Depois da apresentação, se poderá escutar uma seleção de suas músicas:

1. Music for Marcel Duchamp (1947)

2. Sonatas nº 1, 2, 3 e 5 de “Sonatas and interludes for prepared piano” (1946-1948, interpretada por Agnese Toniutti)

3. Dream (1948)

4. Quartets I-VIII (1976, interpretados por Radio Sinfonie Orchester Frankfurt, dirigida por Lucas Vis)

>> Para ouvir, clique aqui:

https://alegrialibertaria.org/wp/john-cage-el-anarquista-del-silencio-reposicion/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

A folha se vai
embarca em qualquer som
rio abaixo.

Masatoshi Shiraishi

[Turquia] Violência estatal contra os protestos na floresta de Akbelen

Os protestos contra o desmatamento da floresta de Akbelen, no oeste da Turquia, também levantam a questão do ecocídio no Curdistão. As forças de segurança estão maltratando os ativistas, e o eco-anarquista Köseoğlu foi severamente espancado.

Enquanto os soldados dos exércitos turco e iraniano estão incendiando as florestas do Curdistão e enormes áreas estão sendo indiscriminadamente derrubadas, o protesto contra a derrubada da floresta Akbelen para extração de lignito no oeste da Turquia continua.

O eco-anarquista Tuğulka Tolga Köseoğlu foi preso e maltratado pelas forças de segurança durante o protesto na província mediterrânea de Muğla. Ele foi detido durante a noite na sede do distrito de Jandarma, em Milas, e só foi liberado no dia seguinte após uma audiência judicial.

Ao ser preso em 2 de agosto, ele disse à ANF que a ação de protesto contra o desmatamento foi atacada pela polícia militar: “Durante o ataque, tentei libertar um amigo que estava prestes a ser preso. No processo, eu mesmo fui preso. Fui espancado com chutes e socos e algemado pelas costas. Fui levado para o canteiro de obras na colina onde a destruição da floresta continua. Lá, bateram em minha cabeça várias vezes com coronhas de rifle.

De acordo com o eco-anarquista, parece que a polícia militar ficou mais irritada com o fato de que o protesto também era sobre o ecocídio no Curdistão. Por isso, disse ele, eles o insultaram, e os soldados no local também participaram das agressões. Eles o revistaram e o colocaram em um veículo de transporte de prisioneiros. No veículo, os maus-tratos assumiram uma nova dimensão, relatou Köseoğlu:

“Um policial militar uniformizado me insultava o tempo todo. Quando eu respondia, ele me revistava novamente e me assediava. Ele beliscou minhas coxas várias vezes. Eu resisti, foi quase uma agressão sexual. Então eles empurraram minha cabeça entre os assentos e me bateram com os punhos”.

Köseoğlu foi algemado e levado ao hospital para um check-up médico e contou aos médicos sobre seu abuso massivo. Em vez de examinar os possíveis ferimentos na cabeça causados pelos golpes com as coronhas dos rifles, foi feito apenas um exame superficial. Somente as marcas óbvias em seu corpo foram incluídas no atestado.

Durante a detenção subsequente no comando de Jandarma em Milas, os maus-tratos continuaram. Suas algemas foram mantidas por horas, ele não recebeu água e foram tocadas marchas nacionalistas. Quando ele foi levado ao tribunal no dia seguinte, a promotoria solicitou que ele fosse acusado de resistência à autoridade do Estado. Como seu advogado conseguiu refutar as acusações, Köseoğlu acabou sendo liberado incondicionalmente.

O ativista quer denunciar a polícia militar e continuar sua luta. “O Estado e o capital querem destruir as florestas para obter lucro. Eles envenenam o ar, a água, a terra e os habitats dos seres vivos. Ao mesmo tempo, privam as pessoas da base de sua subsistência. Quando as pessoas resistem, eles tentam intimidá-las com prisões e torturas. Isso não ocorre apenas no campo ecológico, mas em todas as áreas de luta. Sempre recebemos o mesmo tratamento. Mas continuaremos a lutar. Fui preso e libertado, e agora estou de volta aqui na zona de resistência. Essa é uma vontade que não pode ser quebrada pela repressão e pelos maus-tratos”.

A floresta de Akbelen será derrubada para a extração de lignito

A floresta Akbelen, de 740 hectares, que faz fronteira com a vila de Ikizköy, no distrito de Milas, será derrubada para fornecer lignito à usina de cogeração Yeniköy-Kemerköy, operada pela Limak Holding. A usina, construída no final do século XX de acordo com os planos poloneses, chegou ao fim de sua vida útil. O Estado turco estendeu o tempo de operação por mais 25 anos sem exigir as reformas ambientais urgentemente necessárias. Vários vilarejos já foram destruídos e, com eles, o meio de vida de muitos pequenos agricultores. De acordo com os planos da Limak Holding, outros 40 vilarejos deverão abrir caminho para as pás das escavadeiras de carvão. Após dois anos de resistência da população, as equipes de limpeza chegaram no final de julho, acompanhadas por um grande contingente de forças policiais e militares.

Fonte: https://anfespanol.com/noticias/violencia-estatal-contra-las-protestas-en-el-bosque-de-akbelen-43737

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

velhinhos na praça
só a tarde
não envelhece

Alonso Alvarez e Camila Jabur

Por que a bandeira negra?

Howard J. Ehrlich, extraído de uma compilação deliciosa feita pelo pessoal da CrimenthInc sobre nosso trapo combativo

A artista de Hong Kong Kacey Wong hasteando uma bandeira negra: “Ela simboliza o luto, a dor, a resistência e o poder de lamentar essa cidade moribunda. Ela também expressa o espírito resiliente de ‘Vivemos livres ou morremos'”.

A bandeira negra é o símbolo da anarquia. Ela evoca reações que vão do horror ao prazer entre aqueles que a reconhecem. Descubra o que ela significa e prepare-se para vê-la em cada vez mais reuniões públicas… Os anarquistas são contra todo tipo de governo porque acreditam que a vontade livre e consciente do indivíduo é a força máxima dos grupos e da própria sociedade. Os anarquistas acreditam na iniciativa e responsabilidade individuais e na cooperação incondicional de grupos compostos por indivíduos livres. O governo é o oposto desse ideal, pois se baseia na força bruta e na fraude deliberada para acelerar o controle da maioria por poucos. Se esse processo cruel e fraudulento for validado por conceitos míticos como o direito divino dos reis, eleições democráticas ou um governo revolucionário do povo, isso faz pouca diferença para os anarquistas. Rejeitamos qualquer conceito de governo em si e postulamos uma confiança radical na capacidade de resolução de problemas dos seres humanos livres.

Por que nossa bandeira é negra? O negro é uma sombra de negação. A bandeira negra é a negação de todas as bandeiras. É a negação da nacionalidade que coloca a raça humana contra si mesma e nega a unidade de toda a humanidade. O negro é um estado de espírito de raiva e indignação com todos os crimes horríveis contra a humanidade perpetrados em nome da lealdade a um estado ou outro. É raiva e indignação com o insulto à inteligência humana implícito nas pretensões, hipocrisias e truques baratos dos governos… O negro também é uma cor de luto; a bandeira negra que domina a nação também chora suas vítimas – os incontáveis milhões de pessoas assassinadas em guerras, externas e internas, para a maior glória e estabilidade de algum estado sangrento. Ela chora por aqueles cujo trabalho é roubado (tributado) para pagar pela matança e opressão de outros seres humanos. Ela lamenta não apenas a morte do corpo, mas também o enfraquecimento do espírito sob sistemas autoritários e hierárquicos; lamenta os milhões de células cerebrais desligadas sem a possibilidade de iluminar o mundo. É uma cor de dor inconsolável.

Mas o negro também é bonito. É uma cor de determinação, de resolução, de força, uma cor pela qual todas as outras são esclarecidas e definidas. O negro é o ambiente misterioso da germinação da fertilidade, o terreno fértil da nova vida que está sempre evoluindo, renovando, refrescando e reproduzindo na escuridão. A semente escondida na terra, a estranha jornada do esperma, o crescimento secreto do embrião no útero, tudo isso é cercado e protegido pela cor negra.

Portanto, o negro é negação, é raiva, é indignação, é luto, é beleza, é esperança, é a promoção e o abrigo de novas formas de vida humana e de relacionamento nesta terra e com ela. A bandeira negra significa todas essas coisas. Temos orgulho de carregá-la, lamentamos ter de fazê-lo e aguardamos ansiosamente o dia em que esse símbolo não será mais necessário.

Fonte: https://higiniocarrocera.home.blog/2021/07/15/por-que-la-bandera-negra/

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/06/15/o-gato-negro-no-anarquismo/

agência de notícias anarquistas-ana

ribeira seca
nem um sopro
as cigarras crepitam

Rogério Martins

[Porto Alegre -RS] Dia 25/08 no Esp(a)ço: Cine, Café & Anarquismo: Exibição do documentário Sem Deuses, Sem Mestres

Bora assistir um filme, comer uns petiscos e trocar ideias?

Vamos nos encontrar no Cine, Café & Anarquismo, dia 25 de agosto às 19h no Esp(a)ço. Vamos assistir o documentário Sem Deuses, Sem Mestres, que aborda a história do anarquismo, enquanto petiscamos algo e bebemos algo quente (ou gelado se tiver muito calor, vai saber, né?), para depois batermos um papo descontraído.

Chega junto! Se puder e quiser, traz uns petiscos (de preferência sem produtos de origem animal pra todys poderem comer). A Apoio Mútuo, a loja grátis do Esp(a)ço vai estar aberta, então você ainda pode levar algo que precisa ou trazer doações.

O Esp(a)ço fica na Rua Castro Alves, 101, em Porto Alegre.

Atenção: você possui histórico ou denúncia por assédio, abuso ou violência e quer colar em alguma das atividades? Por favor, entre em contato conosco pelo nosso email ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

espaco.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

livros cheios de palavras
estantes cheias de livros
colhi este instante

João Angelo Salvadori

Um oceano de cobiça | DW Documentário

Que sequelas teria a mineração no fundo do mar? Uma expedição às planícies abissais do Pacífico investiga esta questão. Em terra, a extração de matérias primas implica geralmente em efeitos negativos para o entorno e o ser humano.

As profundezas marinhas guardam grandes quantidades de valiosos metais como manganês, cobalto, níquel e cobre. Geralmente se apresentam como nódulos de 1 a 20 centímetros, formados ao longo de milhões de anos. Um cientista os denominou “baterias em pedra”. Para a indústria mineradora são uma enorme tentação. Tecnicamente, é hoje possível coletar esses nódulos do fundo do mar; a pergunta é se tudo o que é tecnicamente possível e economicamente atrativo é também recomendável desde outros pontos de vista. Este debate divide também os cientistas a bordo do barco Island Pride. Participam em uma expedição às profundidades oceânicas que investiga as consequências dessa mineração marinha. Que efeitos implicam a extração desses apreciados metais do fundo do mar? Se destruirá o frágil equilíbrio submarino?

O repórter Michael Stocks e seu câmara passaram várias semanas a bordo do navio científico, desde o qual os investigadores observavam o trabalho de uma gigantesca máquina coletora subaquática.

À vista da massiva contaminação dos oceanos, a agressiva atividade extrativista nas praias e a pesca excessiva em todos os mares, podemos aceitar também a exploração em escala industrial dos fundos do mar?

>> Veja o documentário (em espanhol) aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=c56eg0hOLuw

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

na rua deserta
brincadeira de roda
vento se sujando de terra

Alonso Alvarez

[Reino Unido] Greenwashing, influenciadores pagos pelas 7 Irmãs

As empresas de combustíveis fósseis pagam influenciadores para fazer relações públicas. Infelizmente, isso está funcionando

No início deste mês, o mundo registrou o dia mais quente de todos os tempos, três vezes na mesma semana.

Ilhas gregas cheias de turistas foram evacuadas devido a incêndios que afetaram pelo menos nove países do Mediterrâneo. Dezenas de pessoas morreram em decorrência das chamas na Argélia.

Portanto, não é de surpreender que os gigantes do petróleo e do gás estejam cada vez mais determinados a desviar a culpa de suas ações e de seus lucros recordes – uma estratégia que agora inclui o uso de influenciadores.

Após uma pesquisa de meses nas profundezas da Internet, o DeSmog (fundado em janeiro de 2006, é um site jornalístico e ativista que se concentra em questões de mudança climática) descobriu centenas de exemplos de gigantes dos combustíveis fósseis pagando influenciadores em uma tentativa de convencer a geração do milênio de que as empresas de petróleo e gás “não são os vilões”.

Essa era a preocupação da BP em 2020, quando organizou uma cúpula interna para tratar de sua má percepção pública. Em um documento que vazou da conferência, a empresa declarou seu desejo de se tornar “mais afável, apaixonada e autêntica além do nosso atual centro de influência”.

“O que é empatia significativa em um mundo em que somos vistos como um dos vilões?”, lamentou no documento.

A solução, ao que parece, não é uma transição urgente dos combustíveis fósseis para a energia verde e renovável. Em vez disso, a BP disse que precisava mudar sua estratégia de relações públicas para “ganhar a confiança da geração mais jovem”.

Nossa investigação descobriu que tanto a BP quanto a Shell são grandes patrocinadoras de influenciadores nos últimos anos, financiando campanhas que atingiram bilhões de pessoas.

Entre elas, uma campanha no YouTube lançada em abril deste ano e liderada pelo ex-apresentador da BBC Dallas Campbell, que divulga o investimento da Shell em energia verde e realiza entrevistas com executivos da empresa.

As empresas de combustíveis fósseis têm grandes reservas para investir em publicidade digital. Enquanto a Shell anunciou no ano passado a contratação de um novo membro da equipe para executar suas campanhas no TikTok, a ExxonMobil, gigante do petróleo e gás, foi a empresa que mais gastou em publicidade no Facebook e no Instagram nos últimos cinco anos, desembolsando US$ 23,1 milhões desde junho de 2018.

O total de seguidores de todos os influenciadores que foram pagos por parcerias com combustíveis fósseis desde 2017, em publicações analisadas pela DeSmog, é de quase 60 milhões.

Dar aos millennials um motivo para “se conectar emocionalmente”.

No Reino Unido, um dos países mais preocupados com o clima do mundo, essas empresas parecem ter visado um tipo específico de influenciador em uma tentativa de tornar sua imagem mais verde.

Esses indivíduos tendem a ser apaixonados por tecnologia e inovação, muitas vezes com um zelo pelo ambientalismo, e são figuras públicas por si só, além de sua presença na mídia social.

Por exemplo, Robert Swan OBE, um explorador que foi homenageado em 1995 por ser a primeira pessoa a caminhar até os dois polos. No final de 2017, Swan e seu filho Barney foram patrocinados pela Shell para viajar ao Polo Sul e promover seus biocombustíveis “renováveis”, com a Shell divulgando a campanha nas mídias sociais.

Foi um sucesso de relações públicas para o sétimo maior emissor de CO2 do mundo, pelo menos de acordo com a Edelman, a empresa de relações públicas que conduziu a campanha.

A Edelman disse que a Shell foi encarregada de “dar aos millennials uma razão para se conectarem emocionalmente com o compromisso da Shell com um futuro sustentável”. A empresa de relações públicas se vangloria em seu site de que o envio da Swan & Son foi tão bem-sucedido que “as atitudes positivas em relação à marca [Shell]” aumentaram em 12%, fizeram com que o público da Shell tivesse “31% a mais de probabilidade de acreditar” que a empresa de petróleo está “comprometida com a produção de combustíveis mais limpos” e atraiu um público mais jovem.

Quando entramos em contato com ele para comentar, Barney Swan explicou à DeSmog que ele “certamente recebeu muitas críticas por trabalhar com a Shell”, mas que acredita que “o setor precisa de pessoas que se importam”. Tanto Barney quanto Robert ressaltaram que o apoio da Shell foi valioso, pois ajudou a testar os biocombustíveis.

Uma estratégia de greenwashing

Em 2021, os esforços de publicidade on-line da Shell aumentaram ainda mais. A campanha Pitch the Future, conduzida pela agência EssenceMediacom, ganhou o primeiro lugar na cerimônia de premiação anual do World Media Group.

A ideia por trás da campanha era desafiar os estudantes a resolver problemas reais de energia, e as melhores inovações receberiam um prêmio em dinheiro da gigante dos combustíveis fósseis. A campanha foi liderada por dois rostos conhecidos: o inventor britânico Colin Furze, que tem 12,5 milhões de seguidores no YouTube, e a influenciadora americana Astronaut Abby, uma entusiasta da ciência da Geração Z que tem mais de 300.000 seguidores no Instagram e 52.000 no TikTok.

Como o World Media Group reconheceu, o sucesso da campanha foi impressionante, gerando 127 milhões de visualizações e quase um bilhão de impressões. A EssenceMediacom se gabou de que o conteúdo da marca Shell “superou” os “benchmarks de conteúdo orgânico” da Furze, alcançando 59% mais interações do que o normal para publicações nos canais da Colin.

Um estudo de Harvard de 2022 analisou 2.325 publicações de mídia social de 22 grandes poluidores europeus. Ele constatou que 72% das postagens de empresas de petróleo e gás buscavam comunicar um compromisso com a inovação verde. No entanto, conforme apontado pelo estudo de Harvard, as empresas de combustíveis fósseis incluídas em sua análise investiram apenas 1,7% de suas despesas anuais de capital em tecnologias de baixo carbono entre 2010 e 2018.

“Esses esforços de mensagens públicas são parte integrante de uma estratégia mais ampla de lavagem verde cujo objetivo é retratar a Shell como campeã global na transição energética”, disse Gregory Trencher, professor associado da Escola de Estudos Ambientais Globais da Universidade de Kyoto, ao DeSmog. “Mas isso está longe da realidade: apesar de seu objetivo de alcançar emissões líquidas zero, a Shell abandonou seu plano de reduzir a produção de petróleo em 1-2% a cada ano até 2030 e reafirmou os planos de aumentar a produção de gás.”

Essa ofuscação da realidade parece particularmente perigosa quando realizada por influenciadores. As afirmações duvidosas da Shell são fáceis de identificar quando são divulgadas por ternos corporativos e comunicados impressos em tons de bege. Elas são mais difíceis de identificar e desmascarar quando são disseminadas em nossos feeds por pessoas especializadas em agradar a exércitos de admiradores on-line. Como Timothy Snyder escreveu em On Tyranny: “A maior carteira paga as luzes mais brilhantes”. E os gigantes dos combustíveis fósseis têm muito dinheiro para queimar.

Um porta-voz da Shell disse: “As pessoas sabem muito bem que a Shell produz o petróleo e o gás dos quais elas dependem hoje. No entanto, o que muita gente não sabe é que também estamos investindo bilhões de dólares em soluções de baixo e zero carbono em todo o mundo, como parte de nossos esforços para apoiar a transição energética”.

“Nenhuma transição energética pode ser bem-sucedida se as pessoas não estiverem cientes das alternativas disponíveis. Tornar nossos clientes cientes – por meio de publicidade ou mídia social – das soluções de baixo carbono que oferecemos atualmente ou que estamos desenvolvendo é uma parte importante e valiosa de nossas atividades de marketing.”

Sam Bright é vice-diretor da DeSmog no Reino Unido e autor de “Fortress London: Why We Need to Save the Country from Its Capital”.

Fonte: https://infoaut.org/approfondimenti/greenwashing-influencers-al-soldo-delle-7-sorelle

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Sentadas num fio
estão cinco andorinhas
fugidas do frio

Eugénia Tabosa

A opressão e exploração não param.

Uma cultura de opressão e exploração não acaba de um dia para o outro e nem é destruída por qualquer grupo institucional com a lógica do sistema. Não ocorrerá uma mutação antagônica que fará a ficha cair e todas deixarão o sistema, levando-o a um colapso.

Esperar isso, sustentando partidos e blocos reformistas é perda de tempo. Se ao menos se mantivessem assim, os transtornos desse reformismo seriam menores. Mas não o bastante retardar o movimento revolucionário, ainda procuram atacar, frear e reduzir as ações daquelas que não querem esperar os reformismos.

É lamentável!

Mostramos que o anarquismo é a fonte mais rápida e segura de romper com todas as estruturas de controle, poder, de opressão e exploração, cabendo a cada um a responsabilidade e compromisso de ação. Sem esse compromisso, não há a reorganização social em moldes libertários.

As possibilidades reformistas dão tempo e fôlego para a opressão e exploração em todos os níveis. Com isso, não só a opressão e exploração se fortalecem, mas se multiplicam, se replicam através de suas instituições doutrinárias. A sociedade baseada nestes elementos não consente as pessoas livres.  Queremos a liberdade e justiça, isso só através de organizações de rupturas em todas as escalas culturais, sociais, econômicas, sexuais, educacionais etc. Até agora, o anarquismo se mostrou imune aos avanços dos totalitários, dos vanguardistas, dos opressores e exploradores.

Unidas, paramos o sistema e o destruímos! Tá esperando o quê?

Na luta somos dignas e livres!

anarkio.net

agência de notícias anarquistas-ana

Nesta fria noite
Dorme no fundo do poço
A Lua encurvada.

Mary Leiko Fukai Terada

O que se passou em Cuba aos dois anos do 11J?

Dentro e fora das prisões, diversas ações lembraram o levante popular de 2021 em Cuba.

Por Justicia 11J

Para comemorar o segundo aniversário do levante popular, duramente reprimido pelo regime do Partido Comunista, que passou para a história como “o 11J”, várias pessoas encarceradas por motivos políticos tomaram parte em diferentes ações. As forças do Estado cubano encontram mais uma oportunidade para exercer sua constante violência política e continuar atentando contra os direitos humanos.

Nós do Justicia 11J temos monitorado os acontecimentos e gostaríamos de destacar cifras e casos relacionados aos presos políticos e manifestantes de diversos protestos, fora das prisões, embora continuem chegando informes que podem alterar os dados a seguir:

  • Pessoas que se vestiram de branco na prisão, em sinal de protesto: 9
  • Jejuns/greves de fome nas prisões: pelo menos 13
  • Outros atos de protesto nas prisões: 2
  • Desaparecidos/enviados para celas solitárias nas prisões: 7
  • Desaparecidos/detenções arbitrárias: 6

Vários prisioneiros políticos do 11J assinaram e tornaram pública uma Declaração conjunta em nome do movimento “Libertad y Derecho“, exigindo sua libertação e fazendo um chamado à comunidade nacional e internacional para continuar a luta pela restauração dos direitos civis e políticos em Cuba. Os signatários foram: Juan Enrique Pérez, Nilo Abrahantes Santiago, Maikel Armando Peña Suárez, Anibal Yaciel Palau Jacinto, Roberto Pérez Fonseca, Luis Enrique Álvarez González, Rolando Yusef Pérez Morera, Evelio Luis Herrera Duvergel, Nosley Lázaro Domínguez Linares, Enmanuel Roble Pérez, Yasiel Martínez Carrasco, William Valera Suárez. Alguns deles protagonizaram greves de fome durante a recente visita a Cuba de Josep Borrell, representante da União para Assuntos Exteriores e Política de Segurança e vice-presidente da Comissão Europeia.

No dia 10 de julho, Juan Enrique Pérez se dirigiu ao refeitório da prisão de Quivicán (Mayabeque), com um suéter e um cartaz onde escreveu «Pátria e Vida», «Viva a Constituição de 1940», «Abaixo a ditadura» e «Era tanta fome que devoramos o medo». Além disso, gritou palavras de ordem anticastristas. Segundo sua esposa e ativistas com contatos dentro da prisão, os guardas o golpearam, pisaram na sua cabeça e o isolaram do restante dos detentos.

Após isto, Dayana Aranda, esposa do manifestante, foi à penitenciária para tentar ver seu esposo. O chefe penitenciário só permitiu que eles falassem por telefone. A pedido de seu esposo, Dayana se manifestou dentro da prisão gritando “Pátria e Vida”.

Paralelamente, Anniette González, Ienelis Delgado, Mayelín Rodríguez e Yennys Artola, presas por motivos políticos na prisão feminina Granja 5 (Camagüey), se vestiram de branco como forma de protesto contra a injustiça.

No Combinado del Este — presídio de segurança máxima localizado em Havana —, o jornalista independente Jorge Bello Domínguez, e os manifestantes do 11J Idael Naranjo Pérez e Yerandis Rillos Pao, vestiram-se de braco para comemorar a data. Segundo informes, foram detidos em uma solitária, onde permancem até hoje (17 de julho). Yander Rodríguez, que já estava há vários dias vestido de branco na mesma prisão, raspou a cabeça e se recusou a usar colchão em sua cela, enquanto exigia a liberdade dos presos políticos.

Na mesma prisão, Daniel Moreno declarou greve de fome, uma vez que foi obrigado a usar o uniforme de prisioneiro.

José Rodríguez, Armando Guerra e outros prisioneiros da penitenciária de Guamajal (Villa Clara) iniciaram no dia 11 um jejum de 3 dias. Igualmente, pelo menos até o dia 15 de julho Denys Hernández Ramírez, Adrián Rodríguez Morena e outro preso cujo nome se desconhece continuavam em greve de fome na prisão de Guanajay (Artemisa) desde o dia 11.

Yoanky Báez, anunciou, da enfermaria da prisão no Combinado del Este, que não comeria nos dias 11 e 12 de julho, para exigir sua liberdade. Na mesma prisão, Adael Jesús Leyva Díaz e outros prisioneiros, também ficaram sem comer nestes dias, segundo informes.

Tania Echevarría, Sissi Abascal e Saylí Navarro, integrantes das Damas de Blanco encarceradas em La Bellotex (Matanzas), deram início a um jejum pela liberdade dos presos políticos cubanos, a partir das 12 horas de 11 de julho. O jejum de Tania durou até às 10 horas e o de Sissi e Saylí até às 3:00 da tarde. Por conta de seu jejum e oração por Cuba, Sissi Abascal foi conduzida à direção da penitenciária, onde recebeu ameaças para que abandonasse seu protesto pacífico.

Também o prisioneiro político Eriberto Téllez Reinosa, da prisão em Santiago de Cuba, comunicou à comunidade internacional que estava realizando um jejum de 24 horas em protesto contra sua prisão injusta por se manifestar pacificamente.

Além disso, houve ações preventivas para evitar possíveis protestos. Roberto Pérez Fonseca foi retirado de sua cela e seus companheiros supõem que ele esteja na solitária.

>> Para ler o texto na íntegra, clique aqui:

https://passapalavra.info/2023/08/149616/

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agência de notícias anarquistas-ana

Abro o armário e vejo
nos sapatos meus caminhos.
Qual virá no séquito?

Anibal Beça