[Holanda] Pinksterlanddagen: um festival anarquista de 26 a 28 de maio de 2023.

Um festival anarquista que acontece todos os anos no acampamento ‘tot Vrijheidsbezinning’ em Appelscha durante o  Pinksterweekend. É um encontro para anarquistas e todos que se inspiram no anarquismo. O fim de semana é recheado de oficinas, palestras e discussões sobre anarquismo e luta social. Existe um programa especial e divertido para as crianças e à noite haverá um programa cultural. O Pinksterlanddagen foi organizado por mais de 90 anos e se tornou um lugar para muitos anarquistas se reunirem.

A forma como o PL funciona na prática se encaixa em sua ideologia; todos compartilham a responsabilidade de administrar o festival. Alguns fazem o planejamento geral, outros dão uma oficina, alguns cozinham, montam tudo ou mantêm o local limpo. O PL é organizado em um acampamento anarquista livre de álcool e drogas. Respeitamos seus modos e nos beneficiamos disso, pois achamos que mantém melhor a atmosfera geral.

Estamos trabalhando para um mundo diferente, uma sociedade sem autoridade na qual todos têm voz. Procuramos pessoas que partilhem desta visão e que queiram fazer parte desse mundo. Venha para o PL e converse com os 500 visitantes do festival. Pise no palco do Pinksterlanddagen. Você pode chegar ao parque de camping a partir de sexta-feira dia 26 de maio e o parque encerra as suas portas no dia 29 – neste último dia é bem-vinda ajuda para desmontar e limpar o parque de camping.

As pessoas que desejam participar ou ajudar podem nos enviar um e-mail: pl@puscii.nl ou enviar uma mensagem para nosso insta: pinkster.land.dagen

pinksterlanddagen.org

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/09/29/alemanha-o-acampamento-anarquista-pinkersterlanddagen-2014-na-holanda/

agência de notícias anarquistas-ana

lua alta
céu claro
o som da folha caindo

Alexandre Brito

[Alemanha] Atualização: situação atual de Thomas Meyer-Falk | “Acho que uma postura ereta é mais importante do que cair de joelhos!”

Sou anarquista há décadas e fui preso em outubro de 1996 após um assalto a banco, ninguém foi morto ou gravemente ferido. Mas desde aquela época o estado me manteve na prisão. Em 8 de julho de 2013, fui deportado para a Unidade de ‘Detenção Preventiva’ (DP) no sudoeste da Alemanha. A DP é algo como a Prisão para proteção pública no Reino Unido, mas a DP se tornou lei em 1933 com os nazistas e permite que o estado mantenha alguém na prisão após o cumprimento da sentença, desde que o preso seja uma ameaça à segurança pública. Fui julgado como uma ameaça à segurança pública porque no final dos anos 90 e início dos anos 2000 fazia forte agitação contra juízes e políticos. Então fui condenado a mais de 5 anos de prisão. Pelo assalto a banco, o tribunal me condenou à prisão por 11 anos e meio. A sentença regular terminou em 7 de julho de 2013.

De volta ao presente: Em 2022, uma especialista em psiquiatra de Munique. Em seu relatório de 130 páginas, a especialista chegou à conclusão de que eu não seria uma ameaça. Em novembro de 2022, uma psicóloga do presídio e o Ministério Público enviaram depoimentos à Justiça e criticaram muito o laudo pericial. Mas a psiquiatra respondeu em 17 páginas e refutou seus argumentos.

Mas o tribunal local de Freiburg, presidido pelo honorável juiz Kronthaler, discordou da opinião da especialista. Após uma audiência de duas horas em 15 de fevereiro de 2023, o tribunal informou as partes e ordenou a nomeação de outro perito.

A especialista de Munique testemunha em tribunais há mais de 40 anos! Mas ela tem a mente mais aberta do que seus colegas conservadores. Para ela não era relevante que eu nunca me distanciasse do meu passado nem da minha biografia e atitudes políticas.

Amigos me ofereceram um lugar onde eu pudesse morar na cidade e uma estação de rádio local (https://rdl.de/) me admitiu na redação. Eles também ofereceram treinamento prático após minha libertação. Até que isso aconteça eu tenho a possibilidade de fazer parte do programa deles por telefone, porque aqui na DP a gente tem telefone nas celas. Então todo mês estou no ar. Um programa chamado AUSBRUCH (fugir/escapar) no qual falamos sobre as situações e desenvolvimentos dos prisioneiros.

O fato de não haver problemas há mais de duas décadas parece não ser suficiente para o tribunal, a administração da prisão e o promotor. Principalmente a psicóloga do presídio criticava por eu nunca ter retraído minhas atitudes. Então ela e seus colegas ficaram com medo de que eu pudesse me vingar de juízes ou políticos. Isso me deixa em um dilema sem solução.

Enfim, acho que uma postura ereta é mais importante do que cair de joelhos!

Thomas Mayer-Falk

a/c JVA (SV),

Hermann-Herder-Str. 8,

79104 Friburgo,

Alemanha

https://freedomforthomas.wordpress.com/

Tradução > Contrafatual

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2012/01/04/alemanha-liberdade-para-thomas-meyer-falk-prisioneiro-do-estado-alemao-desde-1996/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/06/10/alemanha-uma-chamada-das-masmorras-escuras/

agência de notícias anarquistas-ana

a sombra da nespereira
mergulha
na frescura do poço

Rogério Martins

[Espanha] Uma placa recorda o sindicalista “Paronas” no centenário de seu assassinato

Uma placa comemorativa descoberta neste domingo (12/03) em uma rua de Sants, em Barcelona, recorda o sindicalista Francesc Comas “Paronas”, assassinado faz 100 anos juntamente com Salvador Seguí, conhecido como “el Noi del Sucre”.

Familiares, historiadores e representantes de entidades do bairro de Sants-La Bordeta participaram neste domingo no ato de homenagem a este sindicalista, que historicamente ficou à sombra de Seguí, uma das principais figuras da CNT.

Ao meio dia, colocaram uma placa onde nasceu, no número 85 da rua Constitución, e pela tarde o homenagearam no Cemitério de Sants.

Francesc Comas, conhecido como “Paronas” (Barcelona, 1896 – 1923), foi um anarcossindicalista, representante dos vidreiros de Barcelona na CNT.

Ficou ferido no assassinato de Salvador Seguí, perpetrado pela organização anticomunista Sindicats Liures em 10 de março de 1923, e faleceu três dias depois no Hospital Clínic.

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sobe a piracema…
A continuidade da vida
na contramão.

Teruko Oda

 

[Espanha] Quando Einstein chegou a Barcelona e ninguém o recebeu: 100 anos de sua histórica visita à capital catalã

O autor da teoria da relatividade visitou a Espanha no final de fevereiro de 1923 e, apesar de sua chegada acidentária, ele foi tratado com todas as honras.

Por Pol Pareja | 18/02/2023

Albert Einstein e sua esposa Elsa desceram do trem em Barcelona e não sabiam para onde ir. Eles estavam na estação na França e ninguém tinha vindo ao seu encontro porque o cientista não podia lhes dizer a hora e o dia de sua chegada. Tampouco lhe tinham dito onde estaria seu hotel.

Alguns artigos daqueles dias afirmavam que Einstein e sua esposa, um pouco desorientados, acabaram dormindo em uma humilde pousada no centro da cidade até o dia seguinte, quando foram hospedados no Ritz. Outros repórteres e historiadores, entretanto, descrevem uma versão menos humorística: Einstein foi para a casa do cientista Esteve Terradas e deixou lá um bilhete (que ainda está preservado) informando-o de sua chegada, e pouco depois foi levado para seu hotel.

A próxima semana marcará um século desde aqueles memoráveis dias do cientista mais ilustre do século XX, que já era uma estrela quando chegou à capital catalã. O Prêmio Nobel e autor da teoria da relatividade passou uma semana inteira em Barcelona no final de fevereiro de 1923, em uma visita histórica que mais tarde o levaria a Madri e Zaragoza.

Einstein havia sido convidado pela Mancomunitat, uma instituição que reunia os quatro conselhos provinciais catalães, que visava, entre outros objetivos modernizadores, promover uma comunidade científica renovada na Catalunha. Foi durante este período que a escola industrial e o serviço meteorológico catalão foram criados, em um processo de inovação que seria abortado meses depois com o golpe de estado de Primo de Rivera.

O referido Terradas o havia convidado um ano antes, mas o físico não pôde vir devido a problemas de programação. Em 1923, ele finalmente aceitou. Segundo historiadores, sua decisão foi influenciada tanto por suas relações pessoais com vários engenheiros e cientistas do governo quanto pela neutralidade da Espanha na Primeira Guerra Mundial. Após o Pacto de Versalhes (1919), os alemães foram excluídos das organizações internacionais e sofreram o ostracismo da derrota. Seus intelectuais e cientistas também não eram normalmente convidados para o exterior, exceto para lugares que haviam permanecido neutros durante a guerra.

O cientista foi recebido com honras na cidade (ele falou no Saló de Sant Jordi do Palau de la Generalitat, e também foi recebido na prefeitura) e a imprensa seguiu seu dia-a-dia em Barcelona como se ele fosse uma estrela. Dias antes de sua chegada, já havia relatos de seu aparecimento iminente, embora ninguém soubesse exatamente quando ele chegaria à cidade.

“Einstein foi um fenômeno muito singular na mídia”, diz Antoni Roca Rosell, professor de História da Ciência na Universitat Politècnica de Catalunya (UPC) e autor do recente livro Quan Einstein passejà per La Rambla (publicado por sua universidade). “Ele era uma pessoa muito informal, um brincalhão e ao mesmo tempo tinha uma projeção pública que é incomum para um cientista”.

Einstein deu três palestras em Barcelona e, de acordo com a imprensa da época, quase ninguém entendeu nada. Algo semelhante aconteceu em sua visita posterior a Madri, na medida em que o famoso Julio Camba escreveu no El Sol: “Sem dúvida, todos nós reunidos lá o admiramos muito; mas se alguém nos perguntar por que o admiramos, ele nos colocará em uma situação bastante séria”.

Segundo Roca Rosell, as palestras de Einstein – que custaram 25 pesetas, uma quantidade significativa na época – foram frequentadas por muitas pessoas curiosas atraídas por sua figura, mas que nada sabiam sobre física. “Ele sempre disse que dava palestras para conhecedores”, lembra o historiador. “Ele não estava interessado na divulgação”.

O que gerou mais emoção, entretanto, foi a visita que o cientista fez à sede da CNT e o encontro que teve com o líder histórico do sindicato anarquista, Ángel Pestaña. Embora em várias ocasiões durante sua vida Einstein tenha feito uma declaração a favor do movimento operário, um erro de tradução (ou interpretação) obrigou-o a negar algumas palavras que até hoje ainda lhe são atribuídas em alguns livros sobre o movimento anarquista na cidade.

Em seu encontro com Pestaña, a mídia de Barcelona informou que Einstein havia dito que também ele era um revolucionário como eles [os anarquistas da CNT], mas no campo científico. A declaração não deve ter agradado a Einstein, que ainda não tinha visitado Madri e encontrado o rei Alfonso XIII. No trem a caminho da capital, ele disse a um jornalista do ABC que aquelas palavras não haviam saído de sua boca e que ele havia dito exatamente o contrário.

“Imagino que tanto ele como Pestaña devem ter falado francês e não se entendiam bem”, diz Roca Rosell, que no entanto enfatiza o “compromisso social” de Einstein e seu contato com as organizações de trabalhadores na Alemanha. O que este historiador confirma é que Einstein recomendou aos sindicalistas que lessem o filósofo Baruch Spinoza.

Durante seus dias na Catalunha, o cientista alemão também visitou o mosteiro de Poblet e o complexo românico de Egara, em Terrassa, acompanhado pelo prestigioso arquiteto e então presidente da Mancomunitat Josep Puig i Cadafalch. Em uma visita cultural destinada a mostrar-lhe o passado e a singularidade da Catalunha, Einstein também participou de um recital e canções folclóricas catalãs na escola industrial.

Segundo seus biógrafos, o físico se afeiçoou a estas canções populares catalãs e continuou a escutá-las por muito tempo, graças a um livro de harmonizações que lhe foi dado de presente e que hoje está em seu arquivo em Jerusalém. Tanto em uma carta que escreveu anos após a visita quanto em uma entrevista posterior, Einstein fez referências à música tradicional da Catalunha e até mesmo afirmou que continuava a escutá-la regularmente.

“A música catalã teve um impacto sobre ele”, diz Roca Rosell. “Em uma entrevista no Brasil, ele lamentou como as canções populares austríacas estavam sendo perdidas e contrastou isto com a defesa da música catalã em Barcelona”.

Após seis dias na cidade, Einstein partiu para Madri. Ele escreveu um breve parágrafo em sua agenda e deixou uma página em branco antes da próxima entrada, presumivelmente para completá-la mais tarde com relatos mais detalhados de sua estada na capital catalã. Entretanto, ele nunca a preencheu, ela permaneceu vazia e quase não há detalhes de como viveu pessoalmente aqueles dias. Isto é tudo o que ele escreveu:

“22-28 de fevereiro. Permanecer em Barcelona. Muito cansaço, mas pessoas simpáticas (Terradas, Campalans, Lana, a filha de Tirpitz), canções populares, danças, Refectorium, foi agradável!”

O que era o Refectorium? Um restaurante com uma atmosfera medieval famoso na cidade.

Fonte: https://www.eldiario.es/catalunya/einstein-llego-barcelona-nadie-recibio-100-anos-historica-visita-capital-catalana_1_9962433.html

Tradução > Liberto

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2019/06/21/espanha-meu-nome-e-albert-einstein-e-eu-tambem-sou-revolucionario-um-antiautoritario/

agência de notícias anarquistas-ana

um gato perdido
olha pela janela
da casa vazia

Jeanette Stace

 

[Reino Unido] O anarquismo é para as classes trabalhadoras contemporâneas

O marxismo não é para as classes trabalhadoras contemporâneas.

O marxismo afirma ser para as classes trabalhadoras contemporâneas. Mas as fundações intelectuais trabalham para excluir as próprias pessoas, como eu, que afirmam querer se emancipar. Como um movimento, ele inerentemente exige interagir com escritores-chave e teóricos influentes. Há uma tradição que vem com o marxismo que exige que você interaja com teóricos-chave como Marx, Engels, Lenin, etc. Você tem que estar atento para encontrar adequadamente seu pequeno nicho de marxismo dentro da esquerda. Você deve ler o suficiente para defender esta posição inequivocamente. Quando os marxistas são confrontados com críticas a Marx, como racismo ou misoginia, eles argumentam que o movimento continua a se adaptar. No entanto, o marxismo preserva militantemente os valores e hierarquias de seu movimento que colocam Marx e Engels em um pedestal intocável. Você pode ter debate, desde que complemente os ensinamentos originais de Marx. Qualquer que seja a chamada “evolução” que ocorra continua sem as classes trabalhadoras, preservando os escritos insulares, acadêmicos e inacessíveis originalmente criados pelo próprio Marx. Os escritos marxistas são caros e genuinamente difíceis de entender sem ter alguém para educar ou traduzir à medida que você avança. Parece, portanto, que, apesar de todos os seus esforços, o marxismo é inerentemente alienante para as classes trabalhadoras. Não estou dizendo que as classes trabalhadoras são de alguma forma intelectualmente incapazes de ler Marx – longe disso. O que quero dizer é que o marxismo é projetado para ser exclusivo, meramente nos representando performativamente sem nos incluir. Da mesma forma que o sistema legal é projetado para ser ilusório e confuso, a literatura marxista exige uma quantidade significativa de tempo e energia dedicada a decodificá-lo. Claro, Marx nunca esteve interessado em alienar as classes trabalhadoras de seus escritos de qualquer maneira – em O Capital, ele argumentou que o capitalismo sozinho era suficiente para destruir o capitalismo. Mas como você pode reivindicar representar os melhores interesses das classes trabalhadoras sem nos trazer junto com você?

O anarquismo também pode cair nessas armadilhas. O anarquismo tem uma tradição, não há como negar. Bakunin, Kropotkin, Proudhon são todos vistos como as leituras para mergulhar o dedo do pé na anarquia. E algumas outras mídias anarquistas que li ou assisti foram acessíveis o suficiente apenas porque tive a oportunidade de passar três anos me acostumando a ler a linguagem acadêmica.

Mas a principal diferença é que posso me considerar um anarquista sem ter lido esses escritos.

Ao contrário do marxismo, o anarquismo não exige o investimento nesses teóricos-chave. O anarquismo incentiva a educação através da teoria, e as pessoas que impulsionam o movimento fazem um ótimo trabalho distribuindo folhetos (quase) gratuitos, boletins informativos e zines promovendo valores anarquistas, mas também reconhece e legitima viver anarquicamente. O anarquismo é ação tanto quanto é educação. Igualmente, como Ibáñez argumenta, ao contrário da falta de compromisso do marxismo, o anarquismo é inerentemente maleável, é complexo e multifacetado, fornece o espaço para crítica e compromisso e evolui. Devido a isso, não aliena imediatamente a classe trabalhadora; ao contrário, proporciona a ela a oportunidade de explorar, permitindo-lhes ajudar a moldar os objetivos do movimento, e mais importante, chegar a suas próprias conclusões, em vez de ser forçado a uma. A classe trabalhadora está longe de ser estúpida. Estamos longe de ser incapazes. O marxismo age e reage como se nós fôssemos. Como pode o marxismo prometer emancipar as massas enquanto simultaneamente nos suprime dentro de seu movimento?

É importante ressaltar que isso não é anular completamente a legitimidade dos escritos marxistas ou as conquistas dos marxistas e comunistas da classe trabalhadora. Muitos realizaram um trabalho importante para a emancipação das classes trabalhadoras e influenciaram fortemente o anarquismo. Infelizmente, porém, minhas experiências provaram que a maioria dessas pessoas procura dizer a outras pessoas da classe trabalhadora o que é do nosso melhor interesse, em vez de incentivar a autolibertação individual e comunitária. Da mesma forma, o movimento é dominado por pessoas de classe média condescendentes com ambições semelhantes – “sabemos o que é melhor para você” ou o estereótipo daqueles que passaram a vida lendo e não fazendo.

O anarquismo captura muitos valores ou visões que muitas pessoas da classe trabalhadora admiram – sem se chamar ou perceber que esses valores são anárquicos. O mais marcante da experiência pessoal é a raiva pela existência do dinheiro. Tenho experiências dolorosas de consolar minha mãe enquanto ela chorava, preocupada em pagar aluguel, contas, dívidas, implorando para que o dinheiro não existisse, implorando para que a sociedade voltasse a negociar bens e serviços. Quaisquer que sejam suas críticas a essa posição, ela demonstra o poder iminente que o dinheiro detém sobre as classes trabalhadoras. A erradicação do dinheiro, da escravidão assalariada, é anárquica. Todas as pessoas da classe trabalhadora que conheci demonstraram os efeitos físicos que seu trabalho teve em seus corpos – cicatrizes, problemas de mobilidade, esforço mental. Ao contrário de uma abordagem marxista, que na verdade não tenta emancipar os trabalhadores das estruturas de poder do trabalho assalariado, o anarquismo visa a emancipação de todas as pessoas das botas dos empregadores. Pessoas como minha mãe sonham em trabalhar, fazer algo, qualquer coisa, elas realmente gostam, algo criativo e produtivo, em vez de cair em algo por acaso e se sentirem presas sem alternativa. Isso é anárquico. Minhas experiências também provaram que as classes trabalhadoras se mantêm unidas. Cuidamos uma da outra. Eu posso não ter gostado quando eu era mais jovem (desejando que eu pudesse viver como as crianças de classe média que eu cresci), mas minha mãe e seus amigos compartilharam recursos entre si – as crianças mais velhas entregaram roupas para nós crianças mais novas, tecnologia cara como TVs ou laptops foram dados de presente quando eram necessários, fomos ensinados a costurar rasgos, amigos da família e vizinhos ensinaram uns aos outros as melhores maneiras de reparar coisas como bicicletas ou mofo, famílias reuniram comida e alimentaram todos nós de uma só vez. Era importante aprender a sobreviver longe do Estado, que fez mais para trabalhar contra nós do que nos apoiar. Fizemos isso porque aprendemos que a auto-suficiência e a comunidade eram mais importantes para a sobrevivência do que votar naqueles que preferiam nos difamar, nos apadrinhar, nos reformar.

Para muitas pessoas da classe trabalhadora, esses exemplos são nossas realidades difíceis e instáveis. Portanto, é por causa do nosso posicionamento, porque somos forçados a viver essas realidades todos os dias, as pessoas da classe trabalhadora vivem anarquicamente. Isso, tanto quanto o título deste texto, pode parecer uma conclusão óbvia para alguns anarquistas eruditos – historicamente, aqueles na vanguarda do movimento anarquista têm sido pessoas da classe trabalhadora. Mas como uma pessoa da classe trabalhadora relativamente nova no movimento, essas conclusões parecem um pouco revolucionárias. E isso destaca um grande problema…

A questão que o anarquismo tem é colocar seu nome nesses valores na vida cotidiana da classe trabalhadora contemporânea. Muito trabalho é necessário para preencher a lacuna entre os valores que mencionei e a relação com a anarquia dentro das classes trabalhadoras. Essa ponte entre o anarquismo e as pessoas da classe trabalhadora deve acontecer em breve. O colapso climático se torna um incêndio incontrolável em direção às classes trabalhadoras, e o fascismo continua a se espalhar como uma doença que atinge a classe trabalhadora para alimentar seu movimento e explorar seu trabalho. Há muito poucos modelos esquerdistas contemporâneos da classe trabalhadora, especialmente para os homens, o que permite que pessoas como Andrew Tate e outros vomitem seu ódio sem contestações. Com a esperança nas comunidades da classe trabalhadora no fundo do poço, não é de admirar que algumas dessas mensagens ressoem. Mas as classes trabalhadoras precisam saber que o que elas já estão vivendo é uma forma alternativa de existir. As classes trabalhadoras devem saber que, graças à sua existência, pode haver esperança.

O anarquismo pode demonstrar uma alternativa. A ação direta é poderosa. É eficaz. Nas comunidades da classe trabalhadora, podemos provar que as instabilidades cotidianas das classes trabalhadoras contemporâneas vivem respiram o anarquismo. A ação direta oferece uma chance de realizar a consciência de classe, como o marxismo espera, enquanto se afasta de uma abordagem paternalista para permitir que as classes trabalhadoras tenham a liberdade de decidir como agir e se organizar. Mas sem uma alternativa – isto é, sem fazer nada – não pode haver educação, apenas doutrinação.

Daniel Newton

Fonte: https://freedomnews.org.uk/2023/02/07/anarchism-is-for-the-contemporary-working-classes/

Tradução > Abobrinha

agência de notícias anarquistas-ana

No céu enfeitado,
papagaio de papel:
também vou no vôo.

Anibal Beça

[Grécia] Colisão mortal de trem na Grécia revela a disfuncionalidade do estado e do capitalismo

Em 28 de fevereiro de 2023, ocorreu uma colisão frontal entre dois trens na região da Tessália, na Grécia, matando pelo menos 57 pessoas, tornando-se o desastre ferroviário mais mortal da história grega.

E desde o início uma onda de indignação foi sentida em todo o país. Protestos e manifestações são realizados diariamente, sendo alguns deles os maiores dos últimos tempos. Especialmente massiva até agora foi a de 8 de março, quando uma greve nacional de 24 horas coincidiu com manifestações de mulheres. De acordo com diferentes estimativas, havia entre 60.000 e 100.000 pessoas na cidade de Atenas apenas naquele dia, com mobilizações em mais de 80 outras cidades gregas.

A reação do Estado e de seus lacaios meios de comunicação de massa foi a esperada – muita repressão policial contra os manifestantes, enquanto a mídia leal ao partido governista de extrema-direita Nova Democracia tenta omitir o elemento sistêmico que levou a tragédia e colocar toda a culpa nos funcionários ferroviários. Esta é uma tática bem conhecida que eles também empregaram no passado.

Existem vários componentes sistêmicos que levaram a esse desastre. Por um lado, destaca-se a recente privatização por parte do operador privado Hellenic Train. Por outro lado, havia a corrupção e lentidão da burocracia estatal grega que, mesmo após a privatização, manteve a gestão da infraestrutura por meio da estatal OSE. E todos esses fatores pioraram muito depois de anos de austeridade imposta pelos tecnocratas da UE e pelo FMI.

Enquanto as burocracias estatais e privadas deixaram em decadência esta crucial infraestrutura pública, apesar do aprofundamento da crise social e ambiental, havia trabalhadores que alertavam há muito tempo para as más condições do sistema ferroviário. Eles têm tomado diversas ações para evitar a tragédia que se aproxima, como entrar em greve para exigir melhorias na segurança. Mas sem sucesso, pois a administração não estava disposta a ouvir.

E é exatamente isso que frustra a sociedade grega: o perigo era conhecido há muito tempo, mas os poderosos tinham outras prioridades. E este é o principal problema de todas as esferas da vida moderna – elas são estruturadas de tal forma que retiram qualquer poder de decisão daqueles diretamente envolvidos e afetados, tanto no nível social quanto ecológico, e o transferem para pequenas elites gerenciais, que só se preocupam em lucrar e manter sua posição privilegiada. No mínimo, este caso da colisão ferroviária nos mostra que se os trabalhadores pudessem tomar e implementar decisões – sem a aprovação de burocratas gerenciais ou investidores privados – então a tragédia provavelmente seria evitada.

A burocracia, em todas as suas formas (incluindo a capitalista dominante!) é, como David Graeber insistiu em seu livro “Utopia das Regras”, uma forma de organizar a estupidez, já que ela se caracteriza por estruturas imaginárias extremamente desiguais, que existem por causa da violência estrutural. A todo momento, vemos o quão disfuncionais são as burocracias do Estado e privadas: entre outras coisas, elas nos levaram a um desastre climático de caráter existencial.

Felizmente, existem vozes, como as do coletivo político Aftenergeia, que defendem uma alternativa muito necessária às formas dominantes de gestão e propriedade; aquele que está enraizado na autogestão e socialização popular. Uma baseada nos próprios trabalhadores, por meio de assembléias, que administram o funcionamento dessas infraestruturas cruciais, enquanto a sociedade em geral contribui por meio de comitês populares. Este é um modelo muito mais racional que dará poder àqueles cujas próprias vidas dependem dele. Nada menos que colocar na prática o slogan “Vidas acima do Lucro”.

Não podemos ter ilusões: isso não pode ser feito dentro dos parâmetros do complexo Capital-Nação-Estado. Uma grande mudança social é urgentemente necessária, baseada na igualdade política total e na participação direta, que requer ir além da política e do capitalismo. E essa mudança só pode surgir a partir de mobilizações populares e auto-organização – como a que temos visto desde a mortal tragédia ferroviária de 28 de fevereiro.

Cabe ao povo decidir se vai alterar a situação atual ou vai permitir que um sistema completamente falido nos leve a um colapso social e ecológico.

Yavor Tarinski

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/10/grecia-em-turbulencia-e-dor-8-dias-de-furia-protestos-e-motim-pelos-57-mortos-do-acidente-de-trem/

agência de notícias anarquistas-ana

De traje a rigor
os urubus em meneios
bailando nas nuvens.

Anibal Beça

[Espanha] Livro | “Lucio, el anarquista irreductible” – Bernard Thomas

Conheci Lucio Urtubia graças a Adine Sagalyn, uma fotógrafa americana estabelecida em Paris que se especializou em retratar escritores. Sempre falava de seu anarquista aventureiro do outro lado dos Pirineus, que havia posto de joelhos a um dos maiores bancos do mundo. Era seu herói clandestino. Um completo desconhecido que queria mudar o mundo.

Em nosso primeiro encontro, Lucio me anunciou com sua entonação pedregosa que havia um bom motivo para que nos entendêssemos: a biografia que eu havia publicado em 1970 de Alexandre Jacob, o assaltante ácrata, o mártir do presídio, o sábio.

Lucio já tinha comprado mais de quarenta exemplares. Apenas deixava um em um ângulo da mesa, ops! um companheiro libertário lhe roubava o livro do libertário modelo. Lucio estava encantado, para isso estão os livros. Comprava outro exemplar, e volta a começar. Por outro lado, sempre havia empregado o método de Jacob para a divisão do botim: três terços. E sempre havia funcionado como na Belle Époque, muito bem, com grandes discussões. Isso era tudo.

Queria que fosse eu, e não outro, quem contasse sua vida: por Jacob e por todos os comentários do tipo “isso só acontece aos outros”. Seria engraçado, dizia.

Caso contrário, com quem eu iria ter?

Dois dias mais tarde, oferecia uma sangria em sua casa, no Espaço Louise Michel, onde organizava exposições. Louis Joinet, de quem voltaremos a falar mais adiante, me tomou por testemunho em sua presença: “Lucio representa mais ou menos tudo o que eu teria querido ser!”, declarou, com um prazer evidente pelo paradoxo em um homem que chegou a ser um dos primeiros magistrados da França. Sua admiração era ainda mais surpreendente ao ser dirigida para alguém que havia tido tantas e tão sérias divergências com a justiça.

Animado por essa declaração, recebi a transcrição de umas quantas entrevistas realizadas por Adine a seu ídolo: textos cheios de paixão, vívidos, barrocos, salpicados por uma poesia imprevista nesse diálogo entre a filha do Brooklyn e o filho de Navarra que conversavam em francês. Também me havia deixado perplexo ante o “vento de março” que, segundo diziam, soprava em maio de 1968. Na realidade se tratava do “vinte e dois de março”. Não poderia se explicar melhor? “Ah, sim, ah, sim! Meu advogado tem todos os dossiês. É um companheiro…!” …/…

>> Baixar Livro [PDF]:

https://www.solidaridadobrera.org/ateneo_nacho/libros/Bernard%20Thomas%20-%20Lucio,%20el%20anarquista%20irreductible.pdf

Fonte: https://www.solidaridadobrera.org/ateneo_nacho/biblioteca.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Ah! claro silêncio do campo,
marchetado de faiscantes
pigmentos de sons!

Yeda Prates Bernis

[Reino Unido] Lista das Feiras do Livro Anarquista 2023

Bem-vinda à lista deste ano, que mostra um retorno total com o maior número de feiras de livros anarquistas e anarco-amigáveis em cinco anos, acontecendo em mais de uma dúzia de vilas e cidades. É encorajador ver eventos como Dorset retornando após um hiato relacionado a problemas no local, Peterborough recebendo sua segunda exibição no Trot e uma recém-chegada: a Primeira Feira Radical do Livro de Hull.

Como sempre, este artigo foi compilado tarde demais para pegar a Derry Radical Bookfair de janeiro, e menções honrosas vão para Sheffield Radical Bookfair em 4 de fevereiro, bem como Weston-Super-Mare no dia 12. Tudo de bom para os coletivos que as organizaram!

Abaixo está um rápido resumo das datas confirmadas da feira de livros.

– 18 de março: Liverpool

– 22 de abril: Bristol Radical History Festival

– 13 de maio: Newcastle

– 27 de maio: Glasgow

– 12 de agosto: Hull

– 2 de setembro: Bradford

– 7 de outubro: Londres

– 7 de outubro: Dorset

– 14 de outubro: Peterborough

– 4 de novembro: Manchester

– Dezembro: Belfast (detalhes a confirmar)

>> Mais detalhes de cada feira aqui: https://freedomnews.org.uk/2023/03/16/the-2023-anarchist-bookfairs-list/

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

como fede no verão
a bosta fresca
pisada no chão

Olívia Iceberg

[Coreia do Sul] Chamada à solidariedade com Malanquismo

12 de março de 2023, Seul, Coreia

Estimados camaradas:

Somos o grupo de anarquistas na península coreana trabalhando sob o nome “Nossa Ajuda Mútua: Malanquismo”. Atualmente, nós em “Nossa Ajuda Mútua: Malanquismo” estamos trabalhando com o Sindicato de Indústrias do Turismo e Lazer, da Confederação Coreana de Sindicatos, ramo Hotel Sejong, para a reversão das demissões injustas dos trabalhadores do hotel. Dado às situações que exporemos pontualmente, requeremos sua Ajuda e de tantos camaradas que possamos alcançar.

1. O Hotel Sejong, situado no centro da cidade de Seul, é um hotel de 4 estrelas que, sob seu diretor de fundação Joo Meyong-Geon, desde 2011, se habituou à exploração dos trabalhadores da localidade.

2. Em 2011, Joo Myeong-Geon introduziu um sindicato dominado pela companhia, com o propósito de substituir o sindicato único de trabalhadores já existente. O sindicato único perdeu a maioria, e sob o acordo entre o sindicato da companhia e a companhia em si, começaram as explorações laborais.

2.1. Em 2012, a companhia e seu sindicato decidiram o congelamento e redução de salários por 9 anos. Alguns trabalhadores perderam no processo até 40% de seus salários.

2.2. No mesmo ano, para aumentar o lucro do hotel, Joo Myeong-Geon despediu 251 trabalhadores dos 290 que haviam na ocasião.

3. Em dezembro de 2021, o diretor despediu mais 15 trabalhadores, substituindo-os por contratistas irregulares.

3.1. Os trabalhadores assim despedidos iniciaram os protestos para a reversão das demissões injustas, protesto no qual “Nossa Ajuda Mútua: Malanquismo” participou desde então.

4. No dia 23 de dezembro de 2022, um de nossos camaradas se alojou junto com seus amigos no hotel com o objetivo de dar notícias para a localidade.

4.1. Para essa ocasião, o hotel, tendo se desfeito da maioria de seus trabalhadores, tinha deixado de oferecer os serviços de quarto e desjejum a seus hóspedes.

4.2. Os sindicalistas despedidos, em forma de protesto, ofereceram para os hóspedes, desjejuns na rua em frente ao hotel.

4.3. Nosso camarada e seus amigos, informados deste fato, decidiram distribuir panfletos aos hóspedes do mesmo Hotel Sejong, convidando-os a unir-se ao desjejum gratuito preparado pelo sindicato, no hotel.

5. Em 2 de março passado, o mesmo camarada foi informado, por meio de uma chamada telefônica com a polícia, que o hotel o havia processado com a acusação de arrombamento e invasão.

5.1. Além disso, tendo uma vez revisado a denúncia, descobrimos que o hotel, por meio de cinco câmaras de vigilância instaladas em frente a localidade, esteve ilegalmente coletando informação sobre nossa participação nos protestos levados a cabo todas as semanas nesse mesmo lugar.

5.2. O hotel, não só denunciou nosso camarada, mas também o diretor de ramo do sindicato por ter conspirado neste “complô” contra a sua empresa, apesar de que o sindicalista não esteve envolvido na simples distribuição de panfletos.

Apesar de que tentamos resumir os fatos da maneira mais concisa possível, não pudemos terminar a quase interminável lista de faltas cometidas por Joo Myeong-Geon e seus gerentes. No entanto, esperamos que ainda assim tenhamos deixado evidente a malvada obsessão de Joo Myeong-Geon em sua reprovável busca de poder e lucro. A natureza absurda da demanda fica clara. O hotel esperou mais de dois meses para fazer sua denúncia, demandando a quem pagou a justa hospedagem, cujo único crime – se é que algum existe – terá sido o de ter beneficiado marginalmente o protesto sindicalista, organizado unicamente para acusar as ações do mesmo hotel. E saber que Joo Myeong-Geon e seus advogados aproveitaram esta ocasião para demandar o diretor de ramo do sindicato, que, de novo esclarecemos, não esteve envolvido na distribuição de panfletos!

Ainda com o impacto desta sujeira legal a qual Joo Myeong-Geon e sua equipe de hipócritas advogados nos arrastaram, “Nossa Ajuda Mútua: Malanquismo” não cessará em sua luta contra o Estado e o Capital. Sem troca de planos participaremos no protesto para a reversão das demissões injustas, esta quinta-feira, 16 de março. E esse mesmo dia às 13 horas, horário da Coreia, teremos uma conferência de imprensa onde exporemos os fatos que explicamos com anterioridade.

Solicitamos então uma mostra de solidariedade aos respeitáveis camaradas hispânicos com nossa luta contra o diretor Joo e os vis gerentes do hotel. Transmissão de fotos daqueles que desejem solidarizar-se conosco ou inclusive uma simples declaração escrita de solidariedade será de grande ajuda para nossos ânimos, especialmente para aqueles que foram processados pelo hotel.

Sobre os detalhes logísticos. Em caso de poder enviar-nos sejam fotos ou declarações assinadas – e inclusive ambos -, informamos que podemos traduzir tanto o inglês como o espanhol ao coreano e compartilhar não só com os outros camaradas em Malanquismo, mas também com os camaradas do Sindicato de Indústrias do Turismo e Lazer, ramo Hotel Sejong. No entanto, ainda que não estejamos restritos pela linguagem, sim estamos pressionados pelo tempo, já que a conferência será na tarde da quinta-feira, pelo que, em caso de poder nos enviar cartas, lhes agradeceríamos enormemente se pudessem enviá-las para o mais tardar na terça-feira &agr ave; noite UTC’6, para que nós também possamos traduzir os textos.

Com todo o exposto, desejamos terminar esta carta.

Agradecemos de antemão, e solidariedade em todas as suas lutas presentes e futuras.

À luta sem cessar.

Nossa Ajuda Mútua: Malanquismo.

malangkism.tistory.com

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Sobre o monte liso
contra o céu uma só árvore.
Gesto de vitória!

Alexei Bueno

[Espanha] Manifestação estatal em Barcelona contra o aumento asfixiante dos preços e a perda de poder aquisitivo

Hoje sábado 11 de março se realizou uma manifestação numerosa, mais de 3000 pessoas, em Barcelona com um percurso que passou por pontos significativos da cidade: saída da Subdelegación del Gobierno, descendo pela Via Laietana e passando pela sede da patronal Foment del Treball, plaza Sant Jaume com a Generalitat e l’Ajuntament de Barcelona e acabando no Parque de las Tres Chimeneas na Avenida del Paralel (onde antigamente se situava “La Canadiense” cujo conflito em 1919, a greve, supôs a consecução da jornada laboral de 8 horas).

Também se passou diante dos sindicatos traidores da classe trabalhadora, CCOO e UGT. A manifestação se desenvolveu com um caráter lúdico, mas especialmente reivindicativo com parlamentos diante dos anteriores pontos onde houve intervenções denunciando a situação específica de setores precarizados e atualmente em luta (Hotelaria e Comércio, Telemarketing, ERE na farmacêutica Grífols, o setor da cultura, setor bancário, o pessoal esquecida da covid do setor de limpeza, a dizimada saúde, educação e administração pública).

A CGT, como anarcossindicalistas defendemos que a união faz a força e temos que resolver nossos problemas com a ação direta e a participação pessoal. A solução há de passar por nós e não delegar para a classe política vendida ao Capitalismo.

Este chamado a tomar as ruas, à mobilização, a mostrar o inconformismo com a situação atual está mais que justificado. Não entendemos aqueles que escondendo-se detrás do diálogo social permanente consagram que os ricos sejam cada vez mais ricos e os pobres mais pobres, pactuando convênios de miséria e nos aborrecendo com a ideia de que há uma crise, quando o que há é uma concentração de riqueza em poucas mãos.

A CGT estamos lutando em cada empresa, em cada setor, ali onde temos presença para reverter esta situação e acabar com a impunidade do liberalismo econômico baseado na depredação e no egoísmo. Em contraposição à solidariedade e o apoio mútuo, bandeiras que o movimento obreiro não devemos abandonar já que são nossa força.

Por isso a CGT seguiremos saindo à rua, porque já chega de retrocessos em nossos salários, nas condições de vida e na perda da qualidade de vida.

O ato terminou com a leitura de um manifesto final por parte dos rapers “Malamara” que depois interpretaram várias canções.

Fonte: https://rojoynegro.info/articulo/295271/

Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/09/espanha-11-de-marco-de-2023-a-cgt-sai-a-rua-contra-o-encarecimento-da-vida-e-dos-produtos-basicos/

agência de notícias anarquistas-ana

o céu e o mar
no horizonte nenhuma fresta,
para te espiar.

Núbia Parente

[Grécia] A ação anarquista não se curva à justiça burguesa – mensagem de Thanos Hatziangelou

Os juízes cruéis e indecisos, os que na maioria dos casos aplicam penas duras – muitas vezes além dos limites da vida humana – os que metem na prisão pessoas por dívidas de alguns milhares de euros, os que tornam ilegal e abusiva qualquer greve que sai do comum, aqueles que expulsam de suas casas milhares de famílias que pegaram empréstimos nos bancos, não condenaram NENHUM político ou grande executivo por saquear o patrimônio público. Eles não condenaram NENHUM criminoso de guerra por facilitar a participação das tropas da OTAN em suas intervenções criminosas em várias outras colônias ao redor do globo. Não condenaram NENHUM dono de navio pelas inúmeras infrações ambientais que envenenam nossas vidas. Eles NUNCA condenaram executivos de empresas farmacêuticas que subornam médicos e funcionários do governo para controlar o mercado de remédios, o que se traduz em milhares de mortes de pessoas pobres. Eles quase não condenaram nenhum policial de baixo escalão que assassinou nas ruas, espancou impiedosamente em manifestações e estuprou em delegacias de polícia. Eles não condenaram NENHUM policial grego de alto escalão envolvido em tráfico humano, tráfico de drogas e contrabando de combustível e cigarros. Eles não condenaram NENHUM estuprador de alto nível da sociedade que usa seu poder financeiro nos corpos dos fracos destruindo suas vidas. – Células de Ação Direta

Em 4 de abril, os agentes da justiça burguesa querem colocar a Ação Anarquista no banco dos réus de terrorismo de estado. Nos mesmos bancos de onde o crime estatal e capitalista de Tempe* será tirado, a tirania enfrentará mais uma vez as forças de combate da violência revolucionária, da subversão e da libertação social.

A ambição do terror institucionalizado do Estado e dos patrões quer fazer valer o monopólio da violência legítima e classista contra a antiviolência legitimada pelo proletariado defendida pela Ação Anarquista, servindo à frente da guerrilha antiautoritária. Quer caluniar e difamar pessoas e escolhas de resistência militante, semear terror e medo através de convicções de longa data para dobrar aqueles que resistem intransigentemente à decadência e empobrecimento desta terra, fazendo um exemplo da base social em luta.

A tirania constitui o arco reacionário, buscando até o arrependimento silencioso diante do medo de uma vida soterrada por anos no inferno da democracia. Uma vida atrás das barras de ferro, respiros emprestados e medidos no sufoco generalizado das paredes. Diante dela está, imaculada pela degeneração e apatia, a responsabilidade política de defender a verdade contra sua morte. A responsabilidade política de defender na prática todo juramento de compromisso, lealdade, devoção e dedicação à perspectiva da transformação revolucionária por meio da luta subversiva.

A Ação Anarquista mais uma vez encara seus inimigos sem nenhum traço de remorso e capitulação porque a dignidade revolucionária não pode ser comprada. Não se curva a seus perseguidores, não se desculpa com os carrascos da liberdade, não recua nem foge diante das tarefas revolucionárias. Defende-se, com orgulhosa integridade, a honrar até o fim os juramentos e compromissos que pesam o fardo histórico da luta pela libertação e pela revolução.

Tendo a honra de fazer parte desta componente radical de resistência e luta militante, defenderei até às mais profundas trevas o caminho de fogo que está partindo o mundo em dois, passando pelos templos e fábricas do terror burguês. Munido da recusa armada de ser espectador da passagem da história, defendo até o fim as tarefas individuais e coletivas da guerra revolucionária.

Não importa quantos anos tenham que passar, não importa quantas vezes eu tenha que morrer de privação e perda, guardarei, com o mesmo orgulho inexorável, o pensamento de que mesmo no mar mais calmo a espuma das ondas que morrem permanecerá para me lembrar do impacto após a turbulência.

Nunca se curvar

Inflexível até a libertação total

Thanos Hatziangelou, membro preso da Organização de Ação Anarquista

Ala Especial, Hospital da Prisão de Korydallos

08.03.2023

*Refere-se ao terrível desastre de trem que ocorreu fora da cidade de Tempe, perto da cidade de Larissa. 57 pessoas foram mortas devido à falta de pessoal e equipamento abaixo do padrão causado por medidas de austeridade.

Fonte: https://athens.indymedia.org/post/1624067/

Tradução > Contrafatual

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2022/02/23/grecia-posicao-politica-do-prisioneiro-anarquista-thanos-xatziagkelou-sobre-o-ataque-a-fundacao-para-a-reflexao-nacional-e-religiosa/

agência de notícias anarquistas-ana

Cúmulos-nimbos
Atravessando os céus
Sobre o rio sem água.

Shiki

[Espanha] Apresentação do Fórum Libertário de Pensões

As diversas reformas previdenciárias no Estado espanhol, longe de melhorar ou estabilizar a aposentadoria, significaram um agravamento da situação dos aposentados e uma desvalorização de sua renda em relação ao preço da vida. Embora tenhamos passado décadas de ataque neoliberal sobre as tímidas migalhas oferecidas pela socialdemocracia no século passado, a realidade é que a manutenção material da população aposentada é cada vez mais frágil. O sistema capitalista não gosta que as sociedades, as pessoas comuns, lhes custem dinheiro, porque não são as que menos se preocupam com o bem da comunidade, apenas esperam de nós a máxima rentabilidade e consumo, e nos descartam quando não servimos mais a esses interesses. O próprio conceito de aposentadoria, seja ela um direito ou um pacto intergeracional, não está em questão aqui. O Fórum Libertário de Pensões os considera um direito que deve ser protegido de forma eficaz e eficiente, e protegido daqueles que procuram explorar sua existência para seus próprios negócios. Não esqueçamos que o bolo é muito suculento, para este ano espera-se que o volume total das aposentadorias chegue a 170 bilhões de euros.

Na reforma de 1985 realizada pelo primeiro governo PSOE, além de uma reorganização dos diferentes tipos de pensões, foi estabelecida a revalorização automática das novas pensões de acordo com a inflação esperada. Também aumentou o período mínimo de contribuição para qualificar para uma pensão de aposentadoria de 10 para 15 anos, dos quais pelo menos dois devem estar dentro dos oito anos anteriores à aposentadoria. Também ampliou o período para o cálculo da pensão de 2 para 8 anos, atualizando as contribuições para os primeiros seis anos.

Em 1990, o governo PSOE comprometeu-se a reavaliar anualmente as pensões de acordo com o aumento do IPC no ano anterior, de novembro a novembro de cada ano.

A Lei de 1997, como consequência da primeira reunião do chamado Pacto de Toledo, cujas conclusões foram aprovadas em 1995 pelas Cortes, estabeleceu que durante o primeiro ano, o valor da pensão seria calculado com base nas contribuições pagas nos nove anos anteriores à aposentadoria, mas este período seria aumentado em mais um ano até 2003. Então, a base regulamentar, sobre a qual a pensão a ser recebida, seria calculada com base nos 15 anos imediatamente anteriores à aposentadoria. A reforma de 2002 concentrou-se principalmente na aposentadoria antecipada, na aposentadoria flexível, com a extensão da vida ativa, e na configuração e especificação da aposentadoria parcial. Nenhuma medida foi introduzida que afete diretamente o montante da aposentadoria, que é nosso objetivo hoje.

A Lei 40/2007 de dezembro daquele ano eliminou os “dias de cota”, ou seja, os dias correspondentes ao pagamento extra, dos cálculos para creditar o período mínimo de contribuição, tornando a contribuição efetiva de 15 anos completos um pouco mais complicada. Em 2008, a pensão média de aposentadoria foi de 1.020,59 euros.

Por sua vez, a reforma de 2011 concentrou-se em prolongar a vida ativa, adiando progressivamente a idade da aposentadoria de 65 para 67 anos até sua conclusão em 2027. Além disso, o período para o cálculo da base regulatória foi estendido. Esta medida seria aplicada progressivamente até sua conclusão em 2022. O número de anos para o cálculo da base foi aumentado de 15 para 25 anos. Em 2013, a reforma foi concluída com a introdução do fator de sustentabilidade que ajustaria a pensão à expectativa de vida e um índice de revalorização da pensão que dissocia as pensões e o IPC e que, no primeiro ano, significou um aumento de 0,25% diante da inflação de 2%. A pensão média em 2014 foi de 1.143,19 euros.

A última reforma implementada, entre 2021 e 2022, mais uma vez vinculou as pensões e o IPC, embora introduzindo o conceito, prejudicial aos interesses dos trabalhadores, do IPC anual médio, em oposição ao conceito clássico do IPC anual acumulado em novembro. Em janeiro de 2022, o aumento de 0,9% foi ajustado, com um pequeno pagamento, para a taxa de inflação real de 2,5%. Posteriormente, está previsto o retorno a este índice, mas sem mais ajustes de acordo com a evolução dos preços durante o ano. A pensão média em 2021 foi de 1335,19 euros.

Se tivesse sido ajustada ao IPC anual desde 1982, a pensão média teria sido de 1.359,88 euros, portanto há uma diferença de 23,31 euros por mês ou 326,34 euros por ano.

Portanto, acreditamos que o foco da luta contra as reformas deveria ser nos aspectos qualitativos: período de cálculo, segurança jurídica, defesa contra tentativas de privatização, período mínimo de contribuição, aumento das pensões mais baixas, etc.

Em 21 de março de 2023, o Fórum Libertário de Pensões será apresentado na Fundação Anselmo Lorenzo (Calle de Peñuelas, 41). Um projeto que tentará reunir camaradas de todo o espectro anarquista para lutar pela melhoria das aposentadorias presentes e futuras. Precisamente, um dos objetivos é tornar as pessoas ativas conscientes de que são suas aposentadorias que correm maior risco de piorar e, portanto, é muito necessário defendê-las com determinação a partir de agora. Neste sentido, apelamos para a organização dos futuros aposentados para os quais o Fórum aspira a ser mais uma ferramenta de luta.

Embora a apresentação tenha sido adiada por um tempo, o Fórum Libertário de Pensões já funciona desde o ano passado, participou de várias mobilizações em defesa das pensões com sua própria bandeira, e publicou seus primeiros escritos sobre as diversas redes sociais. Além disso, eles se reúnem toda primeira terça-feira do mês na FAL (17h30 às 19h00) para propor, debater ou chegar a um acordo sobre iniciativas, e onde se pode fazer perguntas e/ou aderir ao projeto. Na apresentação, haverá dois companheiros aposentados e dois ativos. Haverá também uma breve gravação de uma entrevista com Miren Etxezarreta, economista e notável especialista no estudo e análise de pensões. E, claro, haverá tempo para que os presentes participem.

Fonte: https://www.todoporhacer.org/foro-libertario-pensiones/ 

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

Pássaros em silêncio.
Noturna chave
tranca o dia.

Yeda Prates Bernis

[Diadema-SP] Autonomy Day

Dia 19/03, às 14 horas | R$15,00 (+ colaboração espontânea 1 kg de alimento) | Local: Contêiner Pub, Rua Orense 60/66, Centro de Diadema (próximo a parada Orense do trólebus e quarteirão da saúde).

Programação

>> 14h30 – Oficina de patches (traga pano e tinta de tecido!).

>> 15h30 – Oficina de massas veganas.

>> 16h30 – Bate papo com Antônio Carlos do CCS-SP em referência as suas obras lançadas (Os Fanzines Contam Uma História Sobre Punks, Punk – Memória, História e Cultura).

>> 18h00 – Bandas (Punhos de Mahin, Discrepante, Realidade Desprezível, Hellga Pataki – Chile).

agência de notícias anarquistas-ana

Uma árvore nua
aponta o céu. Numa ponta
brota um fruto. A lua?

Guilherme de Almeida

[Grécia] Confrontos violentos entre policiais e manifestantes marcam protestos em Atenas

Um violento confronto entre policiais e manifestantes marcou o grande protesto desta quinta-feira (16/03) em Atenas. Pelo menos 40 mil gregos voltaram às ruas para expor sua revolta pelo desastre ferroviário que deixou 57 mortos, no dia em que o país está, em grande parte, paralisado por uma greve geral.

Pela segunda vez em duas semanas, uma grande manifestação aconteceu na frente do Parlamento em Atenas nesta quinta. Dessa vez, no entanto, os cartazes de indignação contra as condições das ferrovias e dos serviços públicos das manifestações deram lugar às imagens de fogo e de confronto com a polícia no centro de Atenas.

A polícia disparou gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral enquanto os manifestantes tentavam cercá-los, lançando coquetéis molotov e pedras. Alguns manifestantes colocaram fogo em latas de lixo, quebraram semáforos e vitrines de loja.

Tessalônica e Patras registraram manifestações semelhantes, assim como outras cidades menores da Grécia organizaram protestos.

Fonte: agências de notícias

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/03/10/grecia-em-turbulencia-e-dor-8-dias-de-furia-protestos-e-motim-pelos-57-mortos-do-acidente-de-trem/

agência de notícias anarquistas-ana

Ah, a sensualidade…
palmeiras se abraçando
cúmplices do vento.

Anibal Beça

[Itália] Caso Cospito – Atualização

Quarta-feira, 15 de março de 2023

Como estamos no 146º dia da greve de fome, os movimentos de contrainformação e solidariedade devem ser intensificados por todos.

O médico que hoje visitou Alfredo mostrou claramente o grau de dano a seu corpo. “A situação está se tornando cada vez mais óbvia, cada vez mais perigosa”, enfatizou ele. “O sistema nervoso periférico (SNP) está agora severamente deficiente (as fibras nervosas que levam mensagens sensoriais ao sistema nervoso central (SNC), e a “resposta” do SNC ao corpo – músculos, órgãos, glândulas – foram irremediavelmente danificados). Sua perna direita é deficiente em flexão, e tem instabilidade estática, portanto caminhar normalmente é extremamente cansativo e difícil. Seu peso atingiu 67 quilos e continua baixando (devemos notar neste ponto – como é importante entender o choque para o corpo – que ele começou [a greve de fome] com cerca de 115 quilos, e sua altura é superior a 1,93)”.

O médico e o advogado de defesa explicaram a Alfredo que a rápida deterioração do SNP se deveu a uma deficiência de vitaminas, e lhe pediram para decidir nos próximos dias se tomaria um suplemento multivitamínico, já que a próxima audiência no caso está marcada para 24 de março. Eles também enfatizaram que – apesar da situação em que se encontrava – seu humor continuava bom, e sua posição firme e determinada.

Ontem, oito pessoas mascaradas do movimento de solidariedade em Nova York (EUA) colocaram uma faixa com a inscrição “De Nova York a Milão – VIVE ALFREDO COSPITO” em um prédio em frente ao consulado italiano, e depois de dispararem fogos de artifício, escaparam.

Em relação à nova perseguição à qual Alfredo e outros cinco companheiros são submetidos por artigos publicados no jornal anarquista “Vetriolo”, o advogado de defesa de uma das cinco pessoas perseguidas falou de “perseguição às ideias anarquistas e ao anarquismo em geral”. Em particular, ele enfatizou que um texto não pode ser considerado como “um incitamento a cometer crimes” simplesmente porque vem de publicações anarquistas, acrescentando – dirigindo-se ao tribunal – que “devemos nos perguntar se podemos restringir a liberdade de uma pessoa simplesmente por causa de suas ideias”. Os juízes adiaram sua decisão sobre as outras prisões, pois uma multidão de pessoas estava fora da sala do tribunal, em uma manifestação de solidariedade com Alfredo.

Parece que a história se repete, como o caso “Vetriolo” nos lembra o de outra revista anarquista de 1979, “Metropoli-l’autonomia possibile”, onde foram feitas detenções por uma revista cômica… A acusação suspeitava na época que havia uma conexão entre os editores e o Brigadas Vermelhas. Aparentemente, não mudou muito em termos de liberdade de imprensa desde 1979 até os dias de hoje, o que faria com que uma discussão interessante, que todos nós entendemos que não pode sequer ser tornada pública.

Pedimos a intensificação dos esforços para informar e divulgar o caso de Alfredo Cospito, pois estamos no Ponto Zero e os movimentos de solidariedade prática estão crescendo em todo o mundo.

Sejamos dignos da luta que o companheiro está dando em todos os sentidos

ATÉ A DESTRUIÇÃO DO 41BIS E DE TODAS AS PRISÕES,

COMPANHEIRO ALFREDO

NÓS SOMOS CONSPIRADORES

(A)

agência de notícias anarquistas-ana

Salta uma truta —
Movem-se as nuvens
No fundo do rio.

Onitsura

[EUA] Autópsia independente revela que Tortuguita foi assassinade enquanto estava sentade e com as mãos levantadas

Reportagem do Coletivo de Imprensa Comunitária de Atlanta (ACPC) sobre os resultados de uma autópsia independente do defensor da floresta assassinado, Manuel “Tortuguita” Esteban Paez Terán.

A família de Manuel “Tortuguita” Esteban Paez Terán, ativista não-binárie assassinade, divulgou hoje (13/02) os resultados da autópsia independente que indica que Tortuguita foi assassinade por uma equipe da SWAT da Patrulha do Estado da Geórgia (GSP) enquanto estava sentade “de pernas cruzadas, com a perna esquerda parcialmente sobre a perna direita”, e com as mãos para cima, as palmas voltadas para a parte superior do corpo no momento da morte.

As descobertas completas, conduzidas por um patologista forense, Kris Sperry, M.D., em 31 de janeiro na casa funerária Connor-Westbury em Griffin, Geórgia, revelam que Tortuguita foi baleade 14 vezes, com feridas decorrentes de uma mistura de balas de calibre predominantemente de revólver como bem como uma bala de espingarda e projéteis de espingarda com trajetórias que indicam que Tortuguita estava de frente aos seus assassinos. O relatório de Sperry afirma: “é impossível dizer se [Tortuguita] estava segurando uma arma de fogo ou não antes de ser baleade ou enquanto estava sendo baleade várias vezes”. Uma observação que o relatório faz é que Tortuguita levantou suas “mãos e braços para cima e na frente de [seu] corpo” durante o tiroteio.

Sperry também afirma que “nenhum dos ferimentos de arma de fogo identificados exibiu qualquer evidência de disparo de curta distância (a presença de fuligem de pólvora)”. Isso é particularmente notável, pois havia ferimentos de bala em ambas as mãos de Tortuguita, que provavelmente mostrariam evidências de resíduos de pólvora se tivesse disparado contra o policial GSP. O relatório observa que resíduos de pólvora “podem ter sido lavados do corpo durante a primeira autópsia, mas isso é muito improvável”.

Essas descobertas são contrárias aos primeiros relatórios divulgados pelo Georgia Bureau of Investigation (GBI), a agência que lidera a investigação sobre o assassinato. De acordo com o GBI, Tortuguita atirou primeiro em um soldado GSP e foi assassinede pelo fogo de retorno. Dois dias após o ataque, o GBI divulgou uma imagem da Smith & Wesson M&P Shield com a qual eles alegam que Tortuguita atirou em um soldado e afirmou que há uma correspondência balística entre a bala recuperada do soldado ferido e a arma de Tortuguita.

Os ativistas acreditam que o fogo amigo causou os ferimentos do policial. Um dos quatro vídeos de câmeras corporais divulgados pelo Departamento de Polícia de Atlanta (APD) em 6 de fevereiro apoia essa avaliação. Nele, um oficial do APD pode ser ouvido comentando: “você fodeu com seu próprio time”, alguns minutos após o tiroteio. Na época, a APD divulgou inicialmente 14 vídeos para os advogados da família e quatro vídeos para o público em geral. O departamento declarou separadamente aos advogados da família e ao público em geral que mais filmagens seriam divulgadas continuamente. Mais de um mês depois, nenhum vídeo adicional está disponível.

O papel principal da GBI na investigação também é um problema para os ativistas. Eles citam a participação de agentes da GBI na batida inicial que levou à morte de Tortuguita como razão pela qual a agência recusar a si mesma e fazer com que um investigador independente assuma o caso.

A promotora distrital do condado de DeKalb, Sherry Boston, recusou seu cargo na acusação uma semana após a operação, citando a participação de seu escritório na operação como motivo para a recusa.

A família Paez Terán é representada por Spears e Filipovitz, um escritório de advocacia de direitos civis no Condado de DeKalb, que entrou com um processo da Lei de Registros Abertos da Geórgia (GORA) contra a cidade de Atlanta no final da semana passada por interferência executiva do GBI e do procurador-geral da Geórgia (AG).

Em 13 de fevereiro, a GBI enviou um e-mail à APD solicitando que o departamento não divulgasse nenhuma filmagem adicional da câmera corporal. Um dia depois, o escritório do procurador-geral da Geórgia enviou um e-mail ao Departamento de Direito da cidade de Atlanta, fornecendo uma base legal para a APD reter vídeos adicionais. Um e-mail de 15 de fevereiro da APD para os advogados da família Paez Terán afirmou que o Departamento não divulgaria nenhuma filmagem adicional, citando os e-mails da consultoria GBI e AG como a razão pela qual a posição do departamento mudou.

O processo GORA solicita que o Tribunal Superior do Condado de Fulton ordene que a cidade de Atlanta entregue as imagens adicionais da câmera do corpo e pague pelos honorários dos advogados da família no caso.

Fonte: https://itsgoingdown.org/independent-autopsy-reveals-tortuguita-killed-while-seated-with-hands-raised/

Tradução > Contrafatual

Conteúdos relacionados:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/01/30/eua-tortuguita-descanse-em-poder/

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2023/01/30/eua-solidariedade-com-o-movimento-para-barrar-cop-city-e-defender-a-floresta-weelauneeent/

agência de notícias anarquistas-ana

Gatos no quintal
Disputam gata no cio
– Rato vai… e vem.

Mary Leiko Fukai Terada