[Grécia] Vídeo: O carnaval de Exarchia não é apenas uma festa de rua auto-organizada. É um ato de protesto e resistência

Nos últimos sete meses, Exarchia está sob cerco de forças policiais invasoras. O cenário que às vezes lembra um filme de guerra é uma realidade para quem mora nesse subversivo e histórico bairro do centro de Atenas, frequentado por esquerdistas e anarquistas há muitas décadas. E é exatamente esse caráter sociopolítico do bairro que o governo quer destruir com a implantação de forças policiais de ocupação do tipo “Faixa de Gaza” em todas as esquinas da região.

E a desculpa para trazer essas forças de ocupação com suas armas e balas e suas granadas de gás asfixiante foi dada sob o pretexto de “melhorar” a área, construindo uma estação de metrô bem em cima da única praça aberta do bairro, ao invés do Museu Arqueológico Nacional, a algumas centenas de metros de distância. Ao mesmo tempo, outro canteiro de obras fechado e vigiado por dezenas de policiais foi instalado em Strefi Hill, um espaço público oferecido a interesses privados para ser usado em seu próprio lucro.

Eles querem transformar Exarchia em um enorme Airbnb e um “parque de diversões” para turistas. Mas não contaram com a resistência do povo aos seus planos.

Após sete meses de resistência, ações e protestos, na tentativa de reocupar o espaço público e tirá-lo dos policiais e cercas de construção, os moradores de Exarchia auto-organizaram um carnaval-protesto. Em suas próprias palavras, eles disseram em seu apelo para que as pessoas se juntassem às festividades:

“Desde a antiguidade e a Idade Média até hoje, o carnaval é a profunda festa popular em que o mundo adquire um sentido de unidade e coletividade, destrona suas dinastias e assume as rédeas de sua vida. É a “festa dos loucos”! Os “de baixo” sobem, os hábitos e práticas dos “poderosos” são rebaixadas, a folia vem para libertar corpo, alma e espírito da opressão diária.

Talvez não haja celebração mais adequada para nós e nossas lutas. Por um bairro como o nosso, que com sua prática cotidiana tenta resistir aos que o oprimem. Quer estejamos falando de uma autoridade que carrega armas e escudos ou vem com escavadeiras e furadeiras ou carrega pastas cheias de dinheiro, o carnaval está aqui para revelar tudo! O carnaval não é só uma fantasia, não é só entretenimento, não é um produto para ser consumido, mas uma proposta imaginativa e ousada: retomar nossas vidas em nossas mãos, expor a hipocrisia de nossos “mestres”.

Por isso, convidamos você a nos encontrar novamente nas ruas. Com música, fantasias, canções e gritos de palavras de ordem. Não somos espectadores, somos as pessoas que agem. Não assistimos ao carnaval, nós o criamos e o vivemos.

Nossa rua, nossa festa no nosso bairro!

Até nos encontrarmos novamente!”

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

A solidão
De uma estação de trem —
Flores de lótus.

Shiki

Lançamento: Zine – Civilização e individualidade em Emma Goldman

Emma Goldman entrou para a história do anarquismo por sua contribuição com o anarco-feminismo e por combinar o anarquismo social com o individualismo anarquista, além de ser um exemplo de ativismo incansável. O objetivo deste zine é relacionar o pensamento de Goldman, no texto “O Indivíduo, a Sociedade e o Estado”, ao pensamento anticivilização.

O zine está disponível impresso no formato A6 (tipo cordel) e pode ser adquirido no site da Impressora Anarquista¹. O PDF e o texto na íntegra também podem ser acessados gratuitamente no site Contraciv².

Essa publicação nasceu de uma nova tradução desse texto clássico do anarquismo, que também está disponível na Biblioteca Anarquista³. Ao reler o texto, eu tentei encontrar os pontos em comum com a crítica à civilização. Espero contribuir com a discussão e agradeço qualquer apoio, divulgação e comentário que puderem fazer.

Contraciv

[1] https://impressora-anarquista.lojaintegrada.com.br/civilizacao-e-individualidade-em-emma-goldman

[2] https://contraciv.noblogs.org/emma-goldman-civilizacao-e-individualidade/

[3] https://bibliotecaanarquista.org/library/emma-goldman-o-individuo-a-sociedade-e-o-estado

agência de notícias anarquistas-ana

O canto do rouxinol
E seu biquinho —
Aberto.

Buson

Vídeo | Ação de Solidariedade a Alfredo Cospito

No dia 1º de março de 2023, anarquistas fizeram uma ação direta de solidariedade a Alfredo Cospito em frente ao consulado italiano em Porto Alegre. Em Belo Horizonte, ato similar aconteceu no dia 17 de fevereiro. Cospito está há mais de 130 dias em greve de fome contra o cruel regime prisional 41bis que impõe o total isolamento da pessoa presa, impedindo qualquer tipo de contato físico, a restrição de livros e revistas, a censura de cartas, entre outros.

Cospito teve seu último recurso negado e já declarou que vai até as últimas consequências de sua greve de fome.

> Veja o vídeo (00:52) aqui:

https://antimidia.org/acao-em-solidariedade-a-alfredo-cospito/

agência de notícias anarquistas-ana

Quando é que você veio
Para junto de meus pés,
Oh, caramujo?

Issa

“De Abya Yala ao Curdistão, os povos organizam a revolução!”

Comitê de Solidariedade Entre os Povos/Internacionalistas de Abya Yala

O título destas pequenas palavras que seguem foi uma das consignas cantadas coletivamente por internacionalistas na Grande Marcha pela Liberdade de Abdullah Öcalan, realizada entre os dias 5 e 10 de fevereiro de 2023. Öcalan, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), está encarcerado em isolamento na prisão turca de Imrali desde 1999, com anuência das potências imperialistas, em razão de uma conspiração internacional para sua captura. Não imaginavam, porém, que sua prisão não deteria o movimento pela liberdade dos povos no Curdistão, que por sua vez seria fonte de mobilizações coletivas, internacionalistas e revolucionárias ao redor do mundo – pela liberdade de Öcalan e libertação dos povos, com o paradigma da modernidade democrática [1].

Provenientes de distintos territórios ocupados por Estados coloniais – Bolívia, Equador, Uruguai, Brasil, Colômbia, Argentina e México -, as delegações de Abya Yala na marcha abriram suas mãos reciprocamente, como o jopói dos povos Guarani, o Teko Joja (modo de ser baseado na reciprocidade) dos Kaiowá, o Ayni para os Aymara. Mãos abertas para levantar a bandeira do PKK, da Confederação dos Povos do Curdistão (KCK) e pela liberdade de Rêber Apo [2]. Ao mesmo tempo, por meio de vínculos dialógicos e dialéticos, mãos abertas para semear brotos de wiphala, dos Ayllus e dos Tekoha, dos Lof em Wallmapu ao Cauca, dos territórios autônomos Awajún na floresta amazônica, onde, desde lo chiquito, os povos libertam territórios e vidas da exploração capitalista e do extrativismo em Abya Yala.

A grande marcha de seis dias também foi uma mobilização contra o extrativismo. De certa forma, a Revolução no Curdistão é um farol, um caminho brilhante para derrubar definitivamente a modernidade capitalista – como nos ensinou Şehîd Lêgerin [3] – e lutar pela liberdade de Rêber Apo é o que mantém acesa a chama. Este encontro de rebeldias e resistências pela vida tornou possível reafirmar as convergências e sentidos comuns de nossa caminhada. Literalmente, como na marcha, onde recordamos ao Şehîd Victor Jara: “Caminando, caminando / Voy buscando libertad / Ojalá encuentre caminos / Para seguir caminando”. Um dos pontos chave, por conseguinte, foi o entendimento dos laços agregados ao tear multicolorido que atravessa aos internacionalistas do sul, das periferias, geografias e calendários que resistem e rasgam fissuras em contextos de guerra – seja a terceira ou a quarta guerra mundial -, tornando possível que algumas cabeças da hidra capitalista sejam cortadas. Falamos das resistências Aymara e Quechua nos Andes, das recuperações territoriais Guarani e Kaiowá e seus mártires, da libertação nacional Mapuche, das lutas camponesas, das lutas e territórios autônomos Zapatistas em Chiapas e nossos presos políticos, como um espelho das rebeldias no Curdistão.

Ademais, a união das lutas anticoloniais – ombro a ombro com companheiros da África, em especial, internacionalistas do Quênia, onde Öcalan foi capturado em 1999 – demonstra que a solidariedade entre os povos é não só possível, como também necessária para coordenar as insurgências e combater o esquecimento. E falar de esquecimento é falar de memória. Essa última parte é indissociável da revolução curda, materializada na imagem das e dos Şehîd que habitam as paredes, corações e terras onde hoje se constroem e se reconstroem espaço-tempos. Desde a conferência em Genebra, onde começou a marcha, até a cidade de Freiburg, onde foi concluída, depois de andarmos 300 quilômetros, os nomes dos mártires foram entoados em conjunto dos símbolos que defenderam com suas vidas, comemorados por imigrantes e companheiros diaspóricos em diferentes ruas, montanhas, colinas, comércios e cidades, onde se escutava Cerxa Şoreşê [4] como um hino de todos os povos.

Particularmente, esta edição da grande marcha se posicionou não só em defesa da revolução e da liberdade de Öcalan: foi preciso se posicionar em memória dos mártires caídos no terremoto que sacudiu o norte e o oeste do Curdistão no dia 6 de fevereiro, mesmo dia que iniciamos a marcha. Em cada minuto de silêncio que inaugurava as atividades e conferências diárias, também recordamos com homenagens as mais de 41 mil vítimas que se contabilizam até o momento, número de pessoas mortas que segue aumentando a cada dia.

Desde a primeira komel [5] até a última, as famílias curdas na diáspora que se encontravam de luto, acompanhavam os acontecimentos por distintos meios de comunicação e sentiam a catástrofe em cada uma de suas histórias, muitas das quais relatavam familiares e amigos mortos ou desaparecidos. No último dia, mais de mil pessoas circularam na komel de Freiburg para homenagear as vítimas e viver coletivamente o processo de luto. Por essa razão, a grande manifestação programa para Strasburgo, na França, não ocorreu. O último dia de marcha consistiu em uma grande manifestação em Freiburg onde a juventude revolucionária curda se uniu à marcha internacionalista com grande entusiasmo, primeiramente partilhando a sopa na manhã fria, em seguida os passos certeiros em um único punho levantado frente ao cerco repressivo da polícia alemã.

Nossas danças também devolveram espaço para a dor e a dor também se converteu em revolta. Em meio a catástrofe, o Estado fascista turco tenta avançar em seu projeto colonial de extermínio, em aliança com as forças interimperialistas; nem sequer o terremoto pode deter esse objetivo nefasto – além dos escombros dos terremotos, o povo curdo enfrenta ainda os bombardeios de drones turcos recentemente sobre distintas áreas de Rojava, assim como ataques químicos com bombas de fósforo nas montanhas de Qandil contra posições guerrilheiras do PKK. A despeito deste contexto, ainda assim, só o povo salva o povo – pedra por pedra retirada dos escombros pela população local, barricada por barricada erguida para defender os territórios liberados. Nos municípios autônomos revolucionários curdos, foram os grupos de solidariedade de diferentes povos e comunas de mulheres – com a força da Jineolojî [6] que recuperou aos povos ao longo da guerra e das lutas pela libertação de Rojava – que se mobilizaram para arrecadar alimentos, água, apoiar as famílias e reconstruir as cidades. Enquanto isso, meio ao processo eleitoral na Turquia, Erdogan e sua ditadura está bloqueando o acesso de ajuda humanitária na região, agudizando as ameaças de invasão contra Rojava e seguindo seu papel como parte da OTAN e dos conflitos provocados pelos de cima para o controle das forças vitais e áreas de influência geopolítica, com o objetivo da apropriação de terras para a acumulação capitalista.

Apesar destas condições, dia após dia as famílias curdas nos receberam em suas casas com grande hospitalidade e afeto, compartilhando o chá preto, o pão, o iogurte e o mel Assim expressou um companheiro do México em suas sensíveis contribuições sobre a grande marcha [7]: “sustentar estas práticas culturais fora de seu território é uma característica que as identifica como parte de uma história coletiva”. Nessa mesma história, realçamos que também a compomos como internacionalistas: aprendemos com seu acolhimento, com sua inesgotável esperança e confiança inquebrantáveis na revolução, cujas transformações reais desde as bases de aplicação do paradigma do confederalismo democrático se fazem sentir ao redor de diferentes oceanos. Destacamos, em uma das famílias que abriu gentilmente suas portas para nos receber, o gesto de um companheiro curdo que havia sido preso por 10 anos pelo Estado turco “apenas por ser curdo” e, durante sua prisão, leu a obra de Paulo Freire, “A Pedagogia do Oprimido”, cuja foto do livro traduzido ao Turco foi partilhada entre sorrisos. Nem a prisão do companheiro e, em seguida, nem a proibição da exposição das bandeiras do movimento ou a proibição de falar o nome do PKK nas ruas de Freiburg foram suficientes para impedir que as lutas se fizessem irmãs até Abya Yala, tornando possível nos reconhecermos como parte da mesma luta, uma história compartilhada pela ação de desmascarar os deuses e os reis, pelo fato de não sucumbirmos a impérios rapinadores e insistirmos em seguir vivendo.

Nosso milho nas terras baixas de Abya Yala e as batatas coloridas nos Andes são o primeiro broto de trigo em Rojava depois de sua libertação. As oliveiras em seus campos, terra de montanhas, é o arborescer de um cedro sagrado em terras Guarani. Depois dos tremores da Mãe Terra neste terremoto, o próximo tremor será o som do mundo colonial desabando, sob a consigna do “Jin, Jîyan, Azadî” [8] e as raízes inamovíveis do apoio mútuo. Depois da grande marcha internacionalista, regressamos a nossos territórios com a força de um povo que, apesar do luto, não claudica e não se rende, e nos convida a abraçar outros mundos possíveis com a bandeira vermelha, amarela e verde com sua estrela guia. Berxwedan Jiyane: a resistência é vida.

Notas:

[1] Para ler sobre o Confederalismo Democrático, acesse: https://ocalanbooks.com/downloads/PT-BR-confederalismo_democratico_2016.pdf.

[2] Outra denominação para Abdullah Öcalan.

[3] Şehîd significa “mártir”, em Kurmanjî, um dos dialetos da língua curda. Şehîd Lêgerin foi uma mártir proveniente da Argentina, Alina Sánchez, mulher revolucionária que morreu em um acidente de carro em meio aos trabalhos internacionalistas que realizava em Rojava. Seu nome, Legêrin, significa “busca por liberdade”. Mais informações: https://www.revistalegerin.com.

[4] Música popular curda, cujo título pode ser traduzido como “a roda da revolução”.

[5] Centros políticos, culturais e comunitários curdos espalhados pela Europa.

[6] Ciência revolucionária história das mulheres, conjunto político, prático e teórico como base ideológica para emancipação das mulheres do patriarcado e do capitalismo.

[7] Colin, A. (2022). El movimento kurdo y la larga marcha por lalibertad de Abdullah Öcalan. Kurdistán América Latina. Disponível em: https://www.kurdistanamericalatina.org/el-movimiento-kurdo-y-la-larga-marcha-por-la-libertad-de-abdullah-ocalan/

[8] “Mulher, Vida, Liberdade”, uma das bandeiras do movimento revolucionário curdo através da revolução das mulheres.

agência de notícias anarquistas-ana

A ponte é um pássaro
de certeiro vôo: sua sombra
perdura na lembrança.

Thiago de Mello

[Espanha] Um ano de guerra na Ucrânia: a indústria de armas segue lucrando

As empresas de armas desfrutaram de um de seus melhores anos no mercado de ações e estão prevendo fortes aumentos nas vendas em 2023.

Quem disse que “todos perdem na guerra” não tinha dado uma olhada no mercado de ações. Alguns usam o eufemismo “empresas cíclicas” para se referir aos setores que ganham mais dinheiro quando há uma guerra em algum lugar do mundo. Como se fosse dado como certo que as guerras são cíclicas ao longo do tempo, justificando assim que há acionistas que enchem seus bolsos quanto mais tempo a matança continua e que é normal que os preços das ações subam quanto mais pessoas morrem.

Os apelos para que os países da OTAN aumentem suas despesas de defesa para 2% de seus respectivos PIBs se multiplicaram nos últimos anos. Os Estados Unidos, lar das principais empresas de armas do mundo, insistiram na necessidade de construir e comprar mais armas, mesmo que não houvesse grandes conflitos para gastá-las. Muitos países e correntes políticas resistiram ao aumento dos gastos militares para tais níveis do PIB. Mas então um dia veio aquela guerra que nunca pareceu irromper, a Rússia invadiu a Ucrânia e tudo mudou. Governos de todas as cores começaram a aprovar aumentos em seus orçamentos de defesa e os preços das ações das principais empresas de armamento do mundo dispararam.

Algumas dessas empresas só viram fortes movimentos ascendentes na primeira semana da guerra, outras não pararam de subir desde então. Outras dispararam quando um de seus principais produtos começou a fazer manchetes e os políticos falaram, como no caso do fabricante do tanque Leopard. Outros gráficos de preços de estoque de algumas das empresas mostram algumas das fases da guerra. Se houvesse um ar de paz ou uma aproximação ou negociação que pudesse acabar com a guerra, o preço das ações cairia. Se Putin novamente bombardeasse uma área violentamente, Zelensky pediu mais armas e um governo disse que enviaria mais, então a curva do gráfico dispara para cima.

Empresas americanas

Os EUA estão sendo um dos maiores vencedores do ponto de vista econômico. Além dos lucros que está obtendo com a venda de gás liquefeito de alto preço para países da UE, outra de suas principais indústrias de exportação está obtendo lucros. A maior empresa de armas do mundo, a americana Lockheed Martin, viu suas ações crescer 23,3% durante o ano passado. Na primeira semana, ela experimentou um aumento de quase 20% e depois tem feito pequenos altos e baixos ao longo do ano, mantendo um tom de alta. Isto significa que o valor da empresa subiu em cerca de 24 bilhões de dólares em um ano.

Northrop Grumman, outro conglomerado de navios de guerra dos EUA e a quarta maior empreiteira de defesa militar dos EUA, também cresceu 23,3%, apesar de uma queda no último mês e meio. Em outras palavras, o seu valor aumentou em quase 23 bilhões de euros. Apenas duas empresas americanas aumentaram o valor de suas ações em 47 bilhões de euros desde o início da guerra na Ucrânia.

Empresas europeias e britânicas

A britânica BAE Systems é a segunda maior empreiteira militar do mundo e a sexta maior fabricante de armas do mundo. Constrói e vende Eurofighters, tanques de batalha, veículos blindados e destruidores antiaéreos, entre outros produtos de guerra. Entre outras coisas, a empresa britânica é também a fabricante dos tanques Challenger 2 que o Reino Unido prometeu enviar para a Ucrânia. A empresa viu seu valor de mercado aumentar em 49,4% desde que a invasão da Ucrânia começou. Em outras palavras, a empresa vale mais 9,2 bilhões do que antes de as bombas começarem a matar civis e soldados ucranianos.

A francesa Thales, especializada no desenvolvimento de sistemas informáticos e outros serviços relacionados à defesa, viu suas ações subirem 55,6% desde 24 de fevereiro. Isto aumentou o valor da empresa em quase 10 bilhões de euros. A empresa francesa é responsável por um sistema de mísseis que pode ser carregado nos ombros dos soldados e que o exército ucraniano está utilizando para se defender contra os tanques russos. Outra empresa francesa, a Safran, aumentou em 19,8% no mesmo ano. Outros 9 bilhões a mais em valor para seus acionistas.

Os tanques Leopards

Mas um dos principais vencedores tem sido, sem dúvida, o fabricante de um desses produtos de guerra que tem feito tantas manchetes ultimamente. Apenas um dia antes do aniversário da invasão russa, o governo espanhol anunciou o embarque de dez tanques Leopard. Quatro a mais do que havia prometido inicialmente a Zelensky.

A empresa alemã Rheinmetall, fabricante desses tanques procurados, aumentou sua valorização em 151,5% em um ano. Mas quase mais espetaculares são seus resultados de 2022. A empresa triplicou seus lucros de 2021 para US$ 10,7 bilhões. E não parece que as coisas vão se acalmar, dadas as vendas e as previsões para o período atual. A empresa viu seus pedidos em 2022 dobrarem e espera um aumento de até 40% em 2023.

Estas expectativas de vendas estão de acordo com as previsões de muitas empresas do setor. Os pedidos não visam apenas ser enviados diretamente à Ucrânia, Jordi Calvo, um pesquisador especializado em paz, conflito, segurança e desarmamento no Centro Delás, explica a El Salto, “mas também para reabastecer os arsenais de seus próprios países porque estão ficando vazios”. Como exemplo, ele aponta o caso das munições e a dificuldade destas empresas em manter o abastecimento “porque na Ucrânia elas gastam em dias o que produzem em vários meses”.

Segundo Calvo, desde que a guerra começou na Ucrânia, podemos observar que o negócio de armas está tendo expectativas que estão levando as empresas a considerar grandes investimentos para aumentar sua capacidade de produção. “Eles não estão fazendo isso porque os gastos vão aumentar, o que também é o caso, mas porque estão certos de que serão capazes de recuperar o investimento que estão fazendo agora”, diz ele.

A Espanha aumenta suas exportações

Na sexta-feira 27 de janeiro, o Secretário de Estado do Comércio publicou o relatório sobre as estatísticas de defesa e exportação de material de dupla utilização para a primeira metade de 2022. O Centro Delás analisou os dados sobre exportações e importações para destacar as exportações de armas para a Ucrânia. No total, nesse semestre, o governo autorizou exportações de armas para a Ucrânia no valor de 209,7 milhões de euros e exportou 18,3 milhões de euros.

Estas exportações aumentarão, de acordo com os dados do Centro Delás, não só porque a quantidade de equipamentos autorizados é maior do que a exportada, mas também por causa da duração da própria guerra. “À medida que a guerra se arrasta, as exportações de equipamentos militares aumentarão, e tudo parece indicar que elas serão estendidas a outras categorias de equipamentos pesados e ofensivos, como os tanques Leopard recentemente anunciados”, afirma a organização.

“O complexo industrial militar será o único a ganhar com esta guerra”, lamenta Calvo, “o que suspeitávamos ou temíamos que estivesse acontecendo”. Para o pesquisador especializado em paz e desarmamento, esta guerra e estes benefícios representam um passo para trás. “Isto pode tornar mais difícil para nós mudar o tabuleiro de xadrez, o discurso de que as guerras devem ser vencidas através das armas em vez da paz, porque neste outro tabuleiro não há negócios ou perspectivas de negócios no futuro”, conclui Calvo.

Fonte: https://www.elsaltodiario.com/guerra-en-ucrania/un-ano-invasion-rusia-industria-armamentistica-va-ganando

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

florescente espinheiro
tão parecido aos caminhos
onde eu nasci!

Buson

[Itália] O Estado condenou Alfredo Cospito à morte

Com a rejeição do pedido de revogação do 41 bis pelo Tribunal de Cassação, a greve de fome de Alfredo Cospito entra numa fase ainda mais trágica. Se ele decidir levar sua luta ao extremo, seu nome será acrescentado à longa lista de mortes na prisão pelo Estado. A longa e persistente campanha anti-anarquista a que assistimos nos últimos meses foi orquestrada para que o governo e o judiciário pudessem condená-lo à morte apesar do vasto movimento de solidariedade que foi criado e que foi muito além das fronteiras do movimento anarquista. De nossa parte, só podemos reiterar fortemente nossas posições: apoiamos a luta contra o 41 bis, que consideramos um instrumento de tortura, assim como lutamos contra a hostil sentença de prisão perpétua, porque lutamos por uma sociedade livre e igualitária, onde a exploração e a opressão são apenas uma memória de um passado infame, assim como as prisões com toda sua carga de sofrimento e morte.

Qualquer que seja o resultado deste caso, que mais uma vez demonstrou o desprezo dos governos pela vida humana, reafirmamos que não seremos intimidados por campanhas de repressão e criminalização.

Continuaremos nas ruas e praças divulgando nossas ideias e práticas de luta e liberdade.

Eles gostariam de nos isolar, nos marginalizar, nos silenciar, mas não terão sucesso: continuaremos a lutar pela anarquia todos os dias entre os explorados, nos bairros, nos lugares de trabalho e de estudo, e nos movimentos de oposição social.

Não ao 41 bis.

Viva a anarquia!

Federação Anarquista Italiana – FAI

(Comissão de Correspondência)

27 de fevereiro de 2023

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

as peninhas
tão leves, flutuam
no ar

Akemi Yamamoto Amorim

[França] Montreuil: Anarca, festival queer anarca-feminista. Vamos defender os lugares em que vivemos!

Na França, no dia 31 de março, terminam as férias de inverno que protegem os lugares ocupados e autônomos. Aqui em Montreuil e em outros lugares, ocupações habitacionais e ocupações de mobilização política serão despejadas nesta data. Em Île-de-France, é o caso de “La Baudrière”, de “10 rue Bara”, de “Gambetta”, de “Malaqueen”, de “LEO”… e muitos outros.

“La Baudrière” é uma ocupação anarcofeminista e “TransPdGouine” (TransFaggDyke) aberta por e para pessoas que sofrem com o patriarcado de qualquer maneira. Já faz um ano que estamos dando vida a este lugar, recebendo muitos eventos políticos, festas, encontros, cantinas… E muito mais que nos permitiu forjar alianças preciosas com diferentes ativismos. É um lugar anarquista e autônomo de vivência e mobilização, por isso queremos defendê-lo.

Ultimamente, se um grande movimento social parece tomar forma na França, também há novas leis que ameaçam nossa liberdade: a lei “Kasbariana” que ataca diretamente os squatters e inquilinos instáveis, a lei “Darmanin” que ataca aqueles que não têm “os bons” documentos de identidade, a lei olímpica que fortalece o controle e a vigilância policial, a reforma da aposentadoria e a reforma do desemprego que fragilizam cada vez mais nossas vidas…

O governo, o sistema capitalista e os policiais sempre encontram novas maneiras de nos irritar.

Estamos lutando para multiplicar iniciativas que permitam autodeterminação e autonomia coletiva a todos nós. Para nós, o anarquismo é uma forma de empoderamento e emancipação do cistema heterossexual e patriarcal, inerentemente racista e capitalista.

Queremos defender La Baudrière porque é um lugar distante da lógica gerencial do governo, um lugar que permite a solidariedade direta entre pessoas que se organizam contra o Estado, a noção de propriedade privada, o patriarcado e o racismo. Queremos que seja um lugar de partilha e recordação das nossas lutas passadas e das nossas resistências presentes e futuras.

Com o atual contexto político, não podemos perder mais uma casa para mobilização e comunidade feminista do TPG. Chegou a hora das barricadas.

Anarca para FEMINISTAS ANARQUISTAS E TRANSPDGOUINES!

Durante três dias, 3, 4 e 5 de março de 2023, queremos continuar a fortalecer os laços que construímos – à escala local, mas também noutros países – ao longo deste último ano e meio.

Queremos manter nossos hábitos autônomos, discutir, compartilhar nossas experiências. As mais corriqueiras – cozinha, artesanato, canções revolucionárias, costura e trabalhos elétricos – assim como as mais revolucionárias – por exemplo, aprender com a revolução na Síria ou a luta contra o processo de gentrificação em Exarchia.

Esses encontros serão em MISTURA ESCOLHIDA: SEM HOMENS HÉTERO CIS.

Estaremos em La Baudrière de 3 a 5 de março para discutir, cantar, dançar, aprender e conhecer! Estamos ansiosos para vê-la lá!

Mulheres, vida, liberdade!

Ocupe pela autonomia queer!

>> Mais infos, programação: labaudriere.noblogs.org

Tradução > Contrafatual

agência de notícias anarquistas-ana

sol em plenitude
uma rã pula — em versos
barulho de Vida

Roséli

[Alemanha] Chamada para o Anarchist Days (Jornadas Anarquistas) Leipzig 2023

Este é um convite para as Jornadas Anarquistas por volta de primeiro de maio. Venha, participe, faça networking e eduque-se, junte-se, envolva-se. Estamos ansiosos para te ver!

Mas existe algum potencial para uma convivência vivível, apesar de todas as crises em que esta forma de sociedade se encontra, apesar da tendência mundial ao autoritarismo? Os anarquistas dizem: sim. Porque é na ordem hierárquica existente que as pessoas são exploradas, subjugadas e alienadas. Precisamos de maneiras fundamentalmente diferentes de viver, produzir, consumir, organizar, orientar, trocar, relacionar e nos envolver uns com os outros. Mudanças climáticas, violência patriarcal, regimes fronteiriços, pandemias, guerras, inflação, gentrificação… Nem sabemos para onde olhar primeiro para entender o beco sem saída em que esse sistema nos levou. É por isso que a demanda por construir uma forma de sociedade radicalmente diferente parece ser uma opção realista que interessa muito mais pessoas do que às vezes pensamos.

Achamos que os anarquistas fazem muitas coisas interessantes para se tornarem capazes de agir apesar das contradições impostas e buscar alternativas. Com isso nos referimos a uma história longa e global em que as pessoas se levantaram para lutar por sua dignidade. Não importa o quão fodido o mundo esteja agora. Existem milhares de experiências e reflexões valiosas no anarquismo que nos inspiram e nos motivam a lutar por algo novo. Devemos trazê-los para o mundo exterior. Mas, para isso, precisamos conhecer nossas próprias bases e expandir e aprofundar nossas redes. Isso também se aplica a Leipzig. É verdade que existem comparativamente muitos anarquistas aqui, cujas várias atividades valorizamos. Mas também vemos potencial para uni-los para ações comuns e para nos encorajarmos nessa luta.

Com a segunda Jornada Anarquista, queremos ganhar consciência sobre nós mesmos novamente. Aprendemos o que foi e é concretamente o anarquismo hoje nos encontrando e nos conhecendo. Os anarquistas lutam para que todos sejam autodeterminados e autorrealizáveis. Com o avanço da digitalização, a falta de tempo e o isolamento, isso se torna cada vez mais difícil, mas lutaremos ainda mais pela autodeterminação de todos. Porque isso requer a construção de uma sociedade solidária, livre e igualitária, nós nos organizamos. Nossos grupos servem para empoderar as pessoas, educá-las, apoiar lutas sociais e gerar ações diretas. Ao fazer isso, também demonstramos vividamente como já estamos realizando nossas próprias aspirações.

A chave para isso é a busca da autonomia. Em vez de os movimentos sociais serem apropriados e integrados à estrutura existente, estamos procurando formas além das nações, partidos, sindicatos majoritários e a chamada sociedade de bem-estar. Nas Jornadas Anarquistas iremos conectar diferentes lutas, discutir nossas perspectivas anarquistas e desenvolver habilidades, aprender uns com os outros e talvez iniciar uma ou duas ações. E faremos isso de forma autoconfiante, autodeterminada e auto-organizada.

Amore Anarchia, Autonomia!

Sinta-se à vontade para encaminhar este texto para pessoas e grupos que você acha que estariam interessados.

Marque seus calendários para as Jornadas Anarquistas entre 22 de abril e primeiro de maio de 2023 – e entre em contato se quiser enviar contribuições. Vemos nosso grupo como coordenador apenas para criar um programa e uma estrutura comuns. As Jornadas Anarquistas vivem da participação de muitos grupos e pessoas. Este grupo só pode contatar alguns grupos especificamente. Pessoas e grupos que desejam contribuir devem cuidar da comunicação, espaços e recursos de suas próprias contribuições propostas, tanto quanto possível. Em seguida, amarraremos tudo isso em um programa mais ou menos coeso.

Escreva-nos se você:

– quer organizar suas próprias contribuições para as Jornadas Anarquistas (palestra, oficina, discussão, filme…)

– deseja organizar ou oferecer workshops sobre temas práticos (serigrafia, arrombamento, etc.)

– você quer fazer uma contribuição cultural e/ou social (noite de bar, leitura, show, festa, filme)

– quer fazer parte do grupo de apoio (reunir-se com antecedência para cuidar de diferentes tarefas, por exemplo, compras, turnos de bar etc.)

– qualquer outra maneira de nos apoiar durante o dia (lugares para dormir, creches, conscientização, Küfa, turnos de bar…)

– …

Entre em contato conosco: anarchistische_tage_leipzig@riseup.net (chave para criptografia sob demanda)

Queremos conectar diferentes realidades da vida e pontos de vista em vez de nos perdermos em uma bolha de cena. Temos consciência de que nós mesmos fazemos parte de uma sociedade de classes hierárquica, patriarcal, formada pela repressão. Para nós, emancipação significa nos vermos em um processo em que refletimos sobre as relações de hierarquias e mudamos nossas formas de pensar e agir. Para isso, as pessoas têm diferentes condições de partida e possibilidades, a partir das quais, porém, devem se desenvolver mais. Nesse contexto, consideramos necessária uma interação respeitosa, apreciativa e solidária entre si.

É importante para as contribuições que uma referência às perspectivas e abordagens anarquistas é visível. Ao selecionar as contribuições, prestamos atenção à interseccionalidade (= interseções de diferentes formas de repressão) e queremos representar uma pluralidade no anarquismo. Além disso, não queremos apenas transmitir determinados conteúdos, mas sobretudo ter espaço para discutir o que podemos fazer com eles.

Mais informações seguirão (A)

Fonte: https://de.indymedia.org/node/251494

Tradução > Contrafatual

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Abro o armário e vejo
nos sapatos meus caminhos.
Qual virá no séquito?

Anibal Beça

[Espanha] O companheiro Vicente Cuervo foi declarado vítima do terrorismo

O Conselho de Ministros realizado em 21 de fevereiro de 2023 reconheceu nosso companheiro Vicente Cuervo Calvo como vítima do terrorismo, talvez pondo um fim a uma divisão, que vem ocorrendo desde a Guerra Civil, entre vítimas de primeira e segunda classe.

Em 10 de fevereiro de 1980, a organização franquista Fuerza Nueva e seu braço “sindical”, Fuerza Nacional del Trabajo, convocaram uma reunião no bairro madrileno de Vallecas, em uma atitude de clara provocação contra os moradores deste bairro popular, uma bravata que foi repetida novamente por seus herdeiros há pouco mais de um ano. O governador civil proibiu o evento, apesar do qual Blas Piñar e uma centena de ultra-direitistas se reuniram em frente ao Cine París, reunindo-se com uma multidão de moradores que protestavam contra sua presença no bairro. Apesar da extraordinária mobilização policial, cerca de trinta veículos, o jovem de 21 anos Vicente Cuervo, delegado da seção sindical da CNT na Telefunken, foi morto por um tiro disparado à queima-roupa. Embora, segundo a imprensa da época, a polícia tenha prendido os ultra-direitistas Félix del Yelmo e Ignacio Ortega com uma pistola que havia sido disparada e um revólver simulado, a investigação judicial foi falsamente encerrada.

Alguns meios de comunicação, no início, tentaram confundir a opinião pública, apresentando Vicente Cuervo como um jovem bem vestido, vítima casual da violência dos militantes políticos e sindicais de esquerda; seu corpo foi apreendido pela polícia e a família não teve acesso aos resultados da autópsia. O governo civil pressionou seus pais para que a filiação sindical de Vicente não fosse tornada pública e nenhum ato de homenagem fosse organizado durante seu funeral…

Além disso, até agora, apenas aqueles que haviam sofrido a violência de uma organização estruturada e estável eram reconhecidos como vítimas do terrorismo, mesmo que houvesse uma clara intencionalidade ideológica, como no caso de Vicente. Enquanto, por um lado, a consideração de ser membro de uma organização terrorista foi arbitrariamente estendida a todos aqueles que tinham interesse em reprimir, como mostrou o fechamento ilegal do jornal Egunkaria vinte anos atrás, as vítimas da violência de ultra-direita não mereciam nenhum reconhecimento porque a polícia nunca encontrou as organizações responsáveis.

Este acordo do Conselho de Ministros, embora tardio, confirma a verdade que já sabíamos, faz justiça à memória de nosso camarada e seu sindicato e, sobretudo, abre um caminho para que outras vítimas do terrorismo da ultra-direita na Transição que morreram nas mesmas circunstâncias, e alguns camaradas da CNT também, recebam memória, justiça e reparação.

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/el-companero-vicente-cuervo-declarado-victima-del-terrorismo/?

Tradução > Liberto

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uma faúlha
ao sabor do vento?
um vaga-lume

Rogério Martins

 

[Chile] Santiago: 4ª Feira do Livro em Resistência – 25 de março

Temos o prazer de anunciar que está chegando a Quarta Feira do Livro em Resistência, atividade que acontecerá no sábado 25 de março de 2023 a partir das 12 horas, no Espacio “El Naranjo”, Beaucheff 1911, Santiago. Metrô Rondizzoni.

Todas as editoras, distribuidores, projetos, coletivos, organizações e individualidades que desejem visitar e/ou expor e contribuir para o diálogo e construção libertária estão convidados a participar. Além da feira do livro, teremos cinema, palestras, poesias, oficinas e outras atividades culturais.

Para reservar um estande, basta enviar um e-mail para sovsantiago@gmail.com / sov-santiago@riseup.net com o tema ‘feira do livro em resistência’.

Em breve compartilharemos o cronograma de atividades.

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dia muito frio
o vento desalinha
a plumagem do passarinho

João Angelo Salvadori

[Reino Unido] Vandalismo no Centro Cultural Italiano em Londres

Parece que em 24 de fevereiro algo lamentável aconteceu com o Instituto Cultural Italiano em Londres.

Neste sofisticado posto avançado do estado italiano, as pessoas são convidadas a desfrutar de uma série de palestras atuais, de especialistas acadêmicos escolhidos a dedo, sobre as grandes questões sociais e políticas do dia, com a presença do embaixador. Na semana anterior, o público foi brindado com uma discussão sobre a transição energética e, na semana seguinte, o tema seria Justiça.

Tudo isto torna tão lamentável que a fachada românica do edifício, com elegantes colunas brancas e pesada porta de madeira, pareça ter sido encharcada de tinta por alguns vândalos claramente sem capacidade para apreciar tais coisas.

Talvez fosse algum descrente no futuro “sustentável” do capitalismo? Pessoas inúteis procurando provocar, sempre criando problemas para planos sensatos.

Seria uma pena se o ato lançasse uma sombra sobre a palestra da próxima semana. Uma reunião de pessoas cultas e cosmopolitas para ouvir falar de um assunto tão delicado como a Justiça pede certamente um copo de vinho italiano e um canapé consumidos em serena contemplação.

Será que os irresponsáveis queriam desprezar o Estado italiano por seus massacres nas prisões durante o bloqueio de 2020? Ou por seu papel confiável e sangrento na proteção da fronteira da Europa contra a pressão da migração irregular?

Mas outra interpretação preocupante permanece. Afinal, Alfredo Cospito, cuja luta por greve de fome contra o famigerado regime de isolamento de 41bis se encontra em seus últimos momentos críticos, teve mais um recurso indeferido, ainda naquele mesmo dia, pelos sábios membros do judiciário italiano.

Esta luta, tendo provocado um turbilhão de ação que varre além dos muros da prisão, até mesmo além das fronteiras nacionais, está se tornando tão severa que se supõe ter aumentado a segurança em torno dos edifícios diplomáticos do Estado italiano internacionalmente por algum tempo.

Seja qual for a verdade, podemos estar certos de que os impulsos por trás de tal ato só podem contribuir para o clima geral de indignação e falta de diálogo com o poder que a luta de Alfredo Cospito, contra os termos de vida e morte estabelecidos pela autoridade, parece ter inflamado em todos os lugares.

Fonte: https://actforfree.noblogs.org/post/2023/02/26/vandalism-at-the-italian-cultural-center-in-london-in-solidarity-with-anarchist-alfredo-cospito/

Tradução > Contrafatual

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Um dia nublado
no beiral do mar sem fim:
tudo está grisalho

O Livreiro

[EUA] “EU NÃO QUERO a paz”

Malik, preso anarquista, recentemente compartilhou alguns pensamentos que teve sobre o assassinato de Tyre Nichols e a resposta do público.

Eu sinto que a resposta foi sem brilho, como a resposta quando os porcos de Kentucky fugiram e Louisville não fez nada. É realmente triste para mim. Estou furioso por estar aqui, incapaz de fazer qualquer coisa. Eu me sinto mais impotente do que nunca. Não acho que a família pedindo paz ajudou em nada. Saiba disso: se algo assim acontecer com minha família ou comigo mesmo, NÃO QUERO paz. E se fosse você ou um dos seus, eu também iria à guerra por você. Ninguém deveria precisar dos vídeos para se tornar ativo, isso é uma pena, mas sou a favor de qualquer coisa que acenda o fogo das pessoas.

As pessoas falam sobre como o treinamento policial é bom e está melhorando e podemos “reformar” com melhores práticas e padrões, mas tudo isso é besteira porque a realidade é: É assim que os porcos reagem. Trânsito parado enquanto preto é uma coisa assustadora. Jesse e eu tivemos um incidente quando eu estava saindo do hospital no meio da noite por causa de meus problemas nas costas e fui parado ao sair do estacionamento e eu tive uma arma puxada e enfiada pela janela na minha cara e provavelmente teria sido morto se Jesse não gritasse, estendesse a mão e empurrasse a arma dos policiais… Felizmente, havia uma mulher branca no carro, porque se outra pessoa negra fizesse isso, nós dois seríamos baleados. E isso tudo porque os policiais não comunicaram que eu tinha uma arma no carro LEGALMENTE (estava no porta-luvas) e o policial disse que ainda estava tudo bem eu entrar e pegar o registro, mas o outro policial surtou quando viu.

Minha família nem liga para a polícia para resolver coisas, eles me ligam porque sabem como são os policiais e eu digo a eles que se algo acontecer, vou para a guerra. Nem um único azulado [policial] estará seguro. Vídeos da brutalidade não trarão mudanças, políticas não trarão, implorar aos políticos e rezar para que alguém nos salve não será a resposta. Eles estão constantemente aumentando o estado policial, se militarizando e se preparando para lutar contra nós em nossos bairros. Precisamos fazer o mesmo. Precisamos nos tornar militantes e treinar e um dia levar a luta até eles. A liberdade da opressão e da violência do estado e do classismo não pode ser dada, não pode ser implorada ou exigida de nossos políticos, só pode ser tomada.

Estou tão cansado de ver nossa vida tomada. O jovem baleado durante o protesto contra a Cop City me fez chorar e quando os vi protestar desejei estar lá fora ajudando a organizar as coisas, mas estou aqui e tudo o que posso fazer é continuar estudando e planejando e tramando e preparando meu mental e espiritual para sair e continuar.

Sobre Malik

Malik é negro, muçulmano, bissexual, revolucionário anarquista, prisioneiro político, marido e pai. Ele está cumprindo uma sentença de 10 anos por ações ousadas tomadas para a libertação durante a Revolta de 2020 em Portland, Oregon.

Fonte: https://malikspeaks.noblogs.org/post/2023/02/20/i-do-not-want-peace/

Tradução > Contrafatual

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Venta. Folhas correm.
Fico preocupado e penso
na volta pra casa.

Thiago Souza

[Canadá] Feira do Zine Anarquista de Montreal

Você está calorosamente convidado para uma feira de zines anarquistas em Montreal no sábado, 4 de março de 2023! Haverá zines e publicações de todos os tipos, além de um programa de workshops e outras surpresas! Esperamos que este dia seja um momento de troca de ideias, discussões e debates que permita às pessoas com sensibilidade antiautoritária encontrar novas cumplicidades, aguçar suas análises e principalmente aprofundar seus projetos e perspectivas de ação.

O evento será realizado no café La Ligne verte, 2531 Ontario East (frontenac metro) das 11h às 18h.

Informações de acessibilidade: Recomenda-se o uso de máscara. Os banheiros são de gênero neutro. O café fica no primeiro andar e há um degrau de concreto na porta da frente. As oficinas e atividades relacionadas ocorrerão no andar de cima, que deve ser acessado por uma escada.

Se você tiver alguma dúvida sobre acessibilidade ou qualquer outra coisa, não hesite em nos escrever em: mtlzinefest@riseup.net

Anarquistas

Fonte: https://kolektiva.social/@clashmtl/109886347855625886

Tradução > Contrafatual

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O peixe mergulha
do seu salto sobre a rocha:
o rio não para.

Everton Lourenço Maximo

[México] “MoTíN” Nº 24 – Boletim de Imprensa Anarquista

A MILITARIZAÇÃO DO MÉXICO

Desde mais de 15 anos o México está em guerra. O decreto de reforma da constituição, impulsionado pelo suposto presidente de “esquerda” Andrés Manuel López Obrador (AMLO), e seus cúmplices no poder legislativo, supõe prolongar e aprofundar esta guerra 5 anos mais. A reforma não só permite que militares sigam desempenhando funções de polícia em nossas comunidades, mas amplia suas funções para incluir “investigação e inteligência”. Além disso, dissolve o mando civil da Guarda Nacional, tornado-a uma polícia militar completamente sob controle da Secretaria de Defesa Nacional (Sedena). Autoriza um uso indiscriminado de recursos. E, para rematar, a protege com foro militar, dando-lhes completa impunidade nos crimes que cometam.

Frente a esta alarmante situação, os companheiros anarquistas coordenados dentro da CATL (Coordinadora Anarquista Tejiendo Libertad), no território conhecido como “México” e mais além, consideramos:

  1. A guerra não é contra o narco. Nestes quinze anos de guerra morreram mais de 350 mil pessoas, outro tanto foi deslocado pela violência e umas 72 mil continuam desaparecidas. E todo este sangue e dor não frearam em nada o tráfico de droga no México.

>> Para ler o boletim na íntegra, clique aqui:

https://drive.google.com/file/d/1BzkU2JGpzPi4vlqg6F5jdCCTaXKDwTlX/view

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mata quase nua:
um sabiá
canta o outrora

Cláudio Feldman

[Espanha] Rizoma Libertário: encontro de bibliotecas anarquistas de Madrid

Por quê e para quê um encontro de bibliotecas anarquistas hoje?

Vivemos em uma democracia liberal em cujos bastidores operam poderes econômicos que ditam as regras do jogo social e que se servem do aparato do Estado, das forças da ordem e dos meios de comunicação para manter seus privilégios. Uma das consequências é a desinformação cotidiana e a construção de um cenário cultural a serviço do capitalismo.

As formas pedagógicas presentes neste sistema capitalista se esforçam por criar cidadãos individualistas, consumistas, incultos e com pouca ou nula capacidade de análise. Se educa os indivíduos para que se adaptem à realidade e não para que aprendam a intervir nela.

Por outro lado, a aparição de redes sociais como novos âmbitos de relação social, consequência da crescente fragmentação da vida cotidiana e o desaparecimento das comunidades sociais naturais, se convertem em espaços de construção de posturas ideológicas de tensão. A desinformação, a ausência de dialogo e de escuta são elementos comuns nas redes sociais. Isto, somado ao caráter viciante destas redes virtuais, não potencializam a cooperação ou a ajuda mútua necessárias para uma vida feliz das comunidades sociais.

Em nosso entorno existem serviços culturais públicos, gratuitos e universais (universidades populares, redes de bibliotecas públicas, centros cívicos…), que tem a missão de garantir o acesso à cultura da população. Mas seu objetivo não é pôr em dúvida a cultura existente nem o modelo de produção capitalista. De fato, reproduzem o modelo cultural no qual a cultura é consumida de maneira individual e não se cria de maneira comunitária.

Neste contexto político, econômico, e cultural se faz necessário mais do que nunca recuperar os valores que propiciam o pensamento, a ação e a história anarquista e libertária, tarefa que historicamente desenvolveram os ateneus libertários na educação da classe obreira em particular e da sociedade em geral.

Por tudo isso, durante o mês de fevereiro e parte de março, quatro das bibliotecas anarquistas de Madrid se unem em uma organização com atividades culturais comuns: oficinas, conferências, poesia, teatro, jogos, performance, exposições… Uma organização comum para visibilizar o conjunto de bibliotecas que formam este rico rizoma. Um mês para reanimar a alma do bosque libertário que alimentam em comum e que esperamos gerará vínculos pessoais e novas dinâmicas revolucionárias.

Como em um rizoma, cada ponto deve estar conectado com outros de forma heterogênea, desde a inter-relação que pode ser múltipla, questionando o pensamento linear unilateral, sem princípio nem fim, sem sujeito nem objeto. Um sistema descentralizado, não hierárquico e não significante. Assim surge o Rizoma Libertário.

Quatro bibliotecas anarquistas de Madrid: a Biblioteca Okupada Anarquista Carnaval y Barbarie (Vallecas), Local Anarquista Magdalena (Lavapiés), Biblioteca la Revoltosa (Alcorcón) e Biblioteca Jesús Lizano (Fuenlabrada). Quatro pontos do mapa interconectados por um mesmo sonho e múltiplos esforços por consegui-lo: aquele mundo novo que levamos no coração.

Tradução > Sol de Abril

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Insetos que cantam
parecem adivinhar
minha solidão…

Teruko Oda

[Itália] A Suprema Corte decidiu: Cospito deve morrer!

Indo ainda mais longe que o pedido do Procurador Geral, a Corte rejeitou o recurso interposto pelos advogados de Alfredo. Trata-se de uma sentença de morte!

Além da rejeição, a sentença para pagar as custas processuais da corte soa zombaria: é o equivalente a cobrar do condenado o custo da bala com a qual ele será baleado. Certamente, em meio a adiamentos e atrasos, que foram absolutamente intencionais, eles não mostraram grande pressa em proferir uma sentença que já estava escrita desde o início. A mídia da imprensa do regime foi orquestrada para justificar esta medida.

O caráter punitivo e coercitivo de um sistema que não tem outra medida a adotar além da repressão tout court, nas prisões, nos CPRs [centro de detenção e expulsão de imigrantes], nas praças, é evidente. É uma “justiça” armada que faz uso imediato da violência; a crescente militarização da sociedade é prova disso.

O Estado italiano não conhece a justiça, mas apenas o terror, a violência, a opressão e a vingança. Em 2022, até cem pessoas cometeram suicídio em prisões e CPRs.

Ontem (24/02) à noite o Estado decidiu, friamente, assassinar Alfredo Cospito que estava em greve de fome há quatro meses e quatro dias.

Ontem, hoje e amanhã: viva a anarquia!

Alfredo Cospito livre.

Não ao 41 bis.

Grupo Anarquista Mikhail Bakunin  – FAI Roma & Lazio

Tradução > Liberto

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agência de notícias anarquistas-ana

Eu limpo meus óculos
mas vejo que me enganei.
É lua nublada.

Neide Rocha Portugal